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Agenda setembro – Terceira semana

AGENDA SÃO PAULO 

ESTREIA

Eu de Você

Denise Fraga estreia espetáculo Eu de Você. Foto: Bruna Paulin 

Sartre pregava, ironicamente, que o inferno são outros. Sim, mas também espelho. A atriz Denise Fraga aposta nesse reflexo, nessa reverberação. A intérprete defende a urgência de ver o outro, olhar pelo olhar do outro.  Ela recebe sempre o público na porta do teatro para reforçar a cumplicidade, o laço de afeto. Denise Fraga gosta de gente e de contar suas histórias. Durante nove anos protagonizou um programa de televisão contando histórias reais: o Retrato Falado, na TV Globo.

No solo Eu de Você, Fraga leva ao palco histórias do cotidiano de gente comum e a criatividade para encontrar solução para diversos problemas. O humor é uma ferramenta poderosa nessa montagem. Denise convocou o público a enviar suas histórias para esse projeto, anunciou nos jornais, nas redes sociais. De mais de 400 histórias foram selecionadas 33, costuradas dramaturgicamente com literatura, música, imagens e poesia. Estão em cena em ficção Paulo Leminski, Zezé di Camargo, Tchekhov, Beatles, Chico Buarque, Dostoiévski e Fernando Pessoa.

Serviço:
Eu de Você
Quando: sexta, às 20h, sábado, às 21h, e domingo, às 19h. Até 15 de dezembro
Onde: Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2.460, Morumbi)
Quanto: De R$ 25 a R$ 70
Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: 12 anos

Ficha técnica:
Idealização e criação: Denise Fraga, José Maria e Luiz Villaça
Com Denise Fraga
Direção: Luiz Villaça
Produção: José Maria
Obra inspirada livremente nas narrativas de Akio Alex Missaka, Anas Obaid, Barbara Heckler, Bruno Favaro Martins, Clarice F. Vasconcelos, Cristiane Aparecida dos Santos Ferreira, Deise de Assis, Denise Miranda , Eliana Cristina dos Santos, Enzo Rodrigues, Érico Medeiros Jacobina Aires, Fátima Jinnyat, Felipe Aquino, Fernanda Pittelkow, Francisco Thiago Cavalcanti, Gláucia Faria, José Luiz Tavares, Julio Hernandes, Karina Cárdenas, Liliana Patrícia Pataquiva Barriga, Luis Gustavo Rocha, Maira Paola de Salvo, Marcia Angela Faga, Marcia Yukie Ikemoto, Marlene Simões de Paula, Nanci Bonani, Nathália da Silva de Oliveira, Raquel Nogueira Paulino, Ruth Maria Ferreiro Botelho, Sonia Manski, Sylvie Mutiene Ngkang, Thereza Brown, Vinicius Gabriel Araújo Portela, Wagner Júnior
Dramaturgia: Cassia Conti, André Dib, Denise Fraga, Kênia Dias, Fernanda Maia, Geraldo Carneiro, Luiz Villaça e Rafael Gomes
Texto final: Rafael Gomes, Denise Fraga e Luiz Villaça
Direção de imagens em vídeo: André Dib
Direção de arte: Simone Mina
Direção musical: Fernanda Maia
Direção de movimento: Kenia Dias
Iluminação: Wagner Antônio
Assessoria de Imprensa SP: Morente Forte Comunicações
Projeto realizado através da Lei Federal de Incentivo à Cultura
Coprodução: Café Royal
Produção: NIA Teatro
Patrocínio: BB Seguros
Realização: Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania e Governo Federal

EM CARTAZ

A Cobradora

A Cobradora tem dramaturgia de Claudia Barral. Foto: Christiane Forcinito

Faz 12 anos que a Trupe Zózima realiza suas investidas e pesquisas cênicas a bordo de um ônibus que circula por São Paulo. No espetáculo A Cobradora, o coletivo teatral adota o palco italiano para tratar da personagem Maria das Dores, que prefere ser chamada de Dolores. Com dramaturgia de Claudia Barral e direção de Anderson Maurício, a atriz Maria Alencar leva ao palco histórias de Marias reais, trançadas umas às outras, permeadas pela violência, por mortes, pela sobrevivência diária em busca do sustento e de dignidade.

Serviço:
A Cobradora
Trupe Zózima
Quando: Sextas, às 20h, e sábados, às 18h. Até 19 de outubro
Onde: Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141, Vila Mariana)  
Quanto: R$ 6 (credencial plena), R$ 10 (meia-entrada), R$ 20 (inteira) 
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 16 anos

Ficha técnica
Atriz criadora: Maria Alencar
Encenação: Anderson Maurício
Dramaturgia: Cláudia Barral
Vídeo mapping: Leonardo Souzza e Otávio Rodrigues
Preparação corporal e movimento: Natalia Yuki
Preparação vocal: Marilene Grama
Trilha sonora original: Rodrigo Florentino
Iluminação: Tomate Saraiva e Otávio Rodrigues
Operadora de luz: Fernanda Cordeiro
Operadora de som: Wayra Arendartchuk Castro
Cenografia: Anderson Maurício e Nathalia Campos
Adereços cenográficos: Nathalia Campos
Construtor Cênico: Alício Silva
Figurino: Tatiana Nunes
Conteúdo de vídeo: Leonardo Souzza
Orientação de vídeo mapping: Ana Beraldo e Ihon Yadoya
Produção geral: Tatiane Lustoza
Assistente de produção: Amanda Azevedo e Jonathan Araújo
Fotografia: Leonardo Souzza
Assessoria de imprensa: Canal Aberto

Chernobyl

Chernobyl está em cartaz às segundas e terças-feiras. Foto: Guy Pichard

O espetáculo leva ao palco as lembranças de 30 anos do maior acidente nuclear da história, quando a usina número quatro explodiu em Chernobyl. A notícia correu o mundo daquele fatídico 26 de abril de 1986, de uma explosão que havia destruído o reator nuclear da usina de Chernobyl, próxima à cidade de Pripyat, na Ucrânia. Após o desastre, a região foi esvaziada e a população nunca mais voltou, abandonando seus bens materiais e suas histórias. O texto foi escrito em 2017 pela dramaturga francesa Florence Valéro, nascida no mesmo ano do acidente nuclear. A boneca Antonia, protagonista-narradora conta o que vê com seus olhos de vidro cor esmeralda. Com direção de Bruno Perillo, Carolina Haddad, Joana Dória, Manuela Afonso e Nicole Cordery revezam-se entre nove personagens, que têm suas rotinas brutalmente alteradas.

Serviço:
Chernobyl
Quando: segundas e terças, às 20h. Até 22 de outubro
Onde: Sesc Consolação – Espaço Beta/3º andar ( Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque)
Quanto: R$ 6 (credencial plena), R$ 10 (meia-entrada) e R$ 20 (inteira)
Duração: 95 minutos
Classificação: 14 anos

Ficha técnica:
Dramaturgia: Florence Valéro (com excertos do livro Vozes de Chernobyl, de Svetlana Aleksiévitch inseridos por elenco e direção)
Tradução: Carolina Haddad
Direção: Bruno Perillo
Elenco: Carolina Haddad, Joana Dória, Manuela Afonso e Nicole Cordery
Trilha sonora e operação de som: Pedro Semeghini
Iluminação e vídeo: Grissel Pinguillem
Cenário e figurinos: Chris Aizner
Preparação corporal: Marina Caron
Visagismo: Cristina Cavalcanti
Operação de luz: Michelle Bezerra
Contrarregra: Júlia Temer
Assistente de produção: Marcelo Leão
Estagiária de direção: Madu Arakaki
Fotos de Chernobyl: Duca Mendes e Carol Thomé
Fotos do espetáculo: Guy Pichard e Felipe Cohen
Produção: Anayan Moretto

Dona Ivone Lara – Um sorriso negro

Aspectos da vida pessoal da sambista, como a formação em Serviço Social, o casamento, a maternidade e o racismo que enfrentou ao longo da vida se sobressaem na trama. Foto: Divulgação

A força da mulher negra no Brasil é ressaltada no musical, carregado de críticas sociais e políticas. Dona Ivone Lara (1922-2018) foi a primeira mulher a integrar a ala de compositores de uma escola de samba e abriu muito caminhos. A autora de Acreditar e Sonho Meu é retratada em três momentos da vida, aos 12, 26 e 80 anos.

Serviço:
Dona Ivone Lara – Um sorriso negro
Quando: Quinta a sábado, às 20h, domingo, às 17h. Até 20 de outubro
Onde: Teatro Sérgio Cardoso (Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista)
Quanto: R$ 40 a R$ 150 (ingressos pelo site http://ingressorapido.com.br)

Ficha técnica:
Idealização e direção geral: Jô Santana
Dramaturgia e direção artística: Elisio Lopes Jr.
Direção musical: Rildo Hora
Codireção musical: Jarbas Bittencourt
Direção coreográfica: José Carlos Arandiba Zebrinha
Direção assistente/residente: Ricardo Gamba
Assistente de coreografia: Arismar Santos
Elenco: André Muato, Belize Pombal, Beto Mettig, Bruno Quixote, Di Ribeiro, Diogo Lopes Filho, Felipe Adetokumbo, Felipe Gomes Moreira, Fernanda Cascardo, Fernanda Jacob, Fernanda Ventura, Heloisa Jorge , Flavia Souza, Francisco Salgado, Guilherme Silva, Jeff Pereira, Larissa Noel, Larissa Carneiro, Nara Couto, Pedro Caetano, Rafa Leal, Sylvia Nazareth, Udilê Procópio
Cenografia: Paula de Paoli
Figurino: Carol Lobato
Desenho de Luz: Valmyr Ferreira
Pesquisa: Nilcemar Nogueira

Erêndira – A Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada

Treze atores contam a trajetória de Erêndira, do deserto habitado pelo ‘vento da sua desgraça’ até os ‘entardeceres de nunca acabar’. Foto: Leekyung Kim

A obra do Nobel colombiano Gabriel García Márquez, que foi publicada em 1972, narra a trajetória de uma menina de 14 anos, que após um incêndio que destrói a casa da família, passa a ser prostituída pela avó. A adaptação para o teatro é de Augusto Boal. Irene Papas defendeu o papel da desalmada e Claudia Ohana fez Erêndira no cinema, no filme de 1983, com direção de Ruy Guerra. A montagem teatral tem direção de Marco Antonio Rodrigues, dramaturgia de Claudia Barral e canções originais compostas por Chico César. Celso Frateschi interpreta a cruel avó e Giovana Cordeiro faz seu début no teatro como Erêndira. Com Alessandra Siqueyra, Caio Silviano, Gustavo Haddad, Dagoberto Feliz, Dani Theller, Demian Pinto, Eric Nowinski, Jane Fernandes, Marco França, Maurício Destri e Rafael Faustino. O espetáculo abraça a estética e os recursos do realismo fantástico, seguindo os passos de Gabo.

Serviço:
Erêndira – A Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e sua Avó Desalmada
Quando: Quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 19h. Até 08 de dezembro 
Onde: Centro Cultural Fiesp – Teatro do SESI (Avenida Paulista 1313, Bela Vista)
Quanto: Grátis / Reserva de ingressos: Centroculturalfiesp.Com.Br
Duração: 120 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

Ficha técnica:
Baseado no conto de Gabriel Garcia Márquez  
Adaptação: Augusto Boal 
Dramaturgia: Claudia Barral 
Tradução: Cecília Boal 
Direção: Marco Antonio Rodrigues 
Elenco: Giovana Cordeiro, Maurício Destri, Chico Carvalho, Dagoberto Feliz, Gustavo Haddad, Marco França, Eric Nowinski, Alessandra Siqueyra, Caio Silviano, Dani Theller, Demian Pinto, Jane Fernandes e Rafael Faustino 
Cenografia: Marcio Medina  
Figurino: Cássio Brasil 
Iluminação: Tulio Pezzoni 
Músicas originais compostas: Chico Cesár 
Preparadora corporal: Marcella Vincentini 
Design gráfico: Zeca Rodrigues 
Fotografia: Leekyung Kim 
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro 
Idealização: Instituto Boal 
Assistentes de produção: Diogo Pasquim e Carol Vidotti  
Produção executiva: Camila Bevilacqua 
Direção de produção: Luís Henrique Luque Daltrozo 
Produção: Daltrozo Produções 
Realização: SESI São Paulo

Gomorra – Crime, Revolta e Dor (Tragédia Urbana em único ato)

Espetáculo se baseia na tragédia de Eurípedes para retratar personagens marginalizados pela sociedade. Foto: Leekyung Kim

Em um ambiente insalubre, personagens sem escrúpulos, imorais, amorais e marginalizados tentam sobreviver. Mas em meio a tudo isso, um amor adolescente emerge, em sua carga bruta, sem sutilezas. Escrita e dirigida por Jean Dandrah, Gomorra – Crime, Revolta e Dor (Tragédia Urbana em Único Ato) retrata a trajetória de um grupo morando em uma ocupação em meados da década de 1970, buscando sobreviver e lidar com a convivência entre si. O espetáculo se inspira na tragédia Hécuba (424 a.C.), do escritor e poeta grego Eurípedes, que trata da destruição e desencanto deixados no rastro da Guerra de Tróia.

Serviço:
Gomorra – Crime, Revolta e Dor (Tragédia Urbana em Único Ato)
Quando: segunda, terça e quarta, às 20h. Até 2 de outubro
Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo
Quanto: Gratuito Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 1h35minutos
Classificação indicativa: 18 anos

Ficha técnica:
Texto e direção geral: Jean Dandrah
Assistente de direção: Milene Haddad
Iluminação: Alexandre Zullu
Trilha Sonora: Lucas Guerreiro
Figurino: Andrea Pera
Cenografia: Lisandro Leite
Visagismo e make up: Alex Arimatéia
Designer gráfico: Tobias Luz
Operador de Luz: Roberto Herrera
Preparação psicológica dos atores: Psicóloga Clínica Fernanda Gregório
Foto: Leekyung Kim
Produção Geral: Sem abacaxi
Agência e tecnologia: Ton Andrade
Elenco: Alessandra Catarina, Elizeu Costa, Giovanna Colacicco, Jean Dandrah, Lisandro Leite, Litta Mogoff, Luciano Rocha, Maria Luiza Castelar, Mauricio Fiori Junior, Milene Haddad, Pedro Bonilha, Renata Bittencourt e Wilton Walban
Realização: Núcleo Palco Meu de Artes de São Paulo

Let me change your name (Coréia do Sul)

Let me change your name faz sessão única neste sábado (21). Foto: divulgação Cia

Companhia da Coreia do Sul veio ao Brasil para participar da Bienal de Dança

Depois de apresentar Dancing Grandmothers na última quinta-feira (19), a companhia da Coreia do Sul sobe ao palco do Teatro Antunes Filho, no Sesc Vila Mariana, com Let me change your name. São nove artistas em cena, incluindo a coreógrafa que dá nome à companhia: Eun-Me Ahn. A partir das repetições e contrates, entre a escuridão e as luzes dos refletores, figurinos em preto e branco ou coloridos brilhantes, entre o ritual xamanista e desfile de moda, gravidade e humor, o trabalho questiona a identidade e o lugar dos indivíduos na sociedade. O movimento se impõe, repetitivo, às vezes hipnótico até um transe.

Serviço:
Let me change your name
Eun-Me Ahn Company
Quando: sábado (21), às 21h
Onde: Teatro Antunes Filho, Sesc Vila Mariana (Rua Pelotas, 141, Vila Mariana)
Quanto: R$ 12 (credencial plena), R$ 20 (meia-entrada) e R$ 40 (inteira)
Duração: 80 minutos

Ficha técnica:
Coreografia e direção artística: Eun-Me Ahn
Música: Young-Gyu Jang
Cenários e figurinos: Eun-Me Ahn
Desenho de luz: Andre SchulzQ
Dançarinos: Eun-Me Ahn, Hyosub Bae, Jihye Ha, Wanyoung Jung, Youngmin Jung, Hyekyoung Kim, Kibum Kim, Eisul Lee , Sihan
Produção: Eun-Me Ahn Company
Produção Brasil: CenaCULTproduções – Julia Gomes
Técnico de palco Brasil: Cauê Gouveia

Negro de estimação

Negro de estimação. Foto: Ivson Miranda

O pernambucano Kleber Lourenço, do  Visível Núcleo de Criação, está em cartaz no Sesc Belenzinho desde a semana passada com o espetáculo Negro de estimação. O espetáculo de dança-teatro estreado em 2007 se desenrola a partir do estudo da ação dramática em oito contos do livro Contos negreiros, de Marcelino Freire. Neste trabalho, Lourenço traz no próprio corpo negro temas como identidade racial, racismo, violência e religiosidade, que vão se desvelando em quadros.

Serviço:
Negro de estimação
com Kleber Lourenço, do Visível Núcleo de Criação
Quando: sexta (20) e sábado (21), às 20h30, e domingo (22), às 17h30
Onde: Sesc Belenzinho (Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho)
Quanto: R$ 6 (credencial plena), R$ 10 (meia-entrada) e R$ 20 (inteira)
Duração: 55 minutos
Classificação indicativa: 16 anos

Ficha técnica
Criação e Interpretação: Kleber Lourenço
Co-direção: Marcondes Lima
Adaptação do livro Contos Negreiros de Marcelino Freire
Figurinos: Luciano Pontes
Cenografia: Bruno Vilela
Trilha Sonora Original: Missionário José
Criação de Luz: Luciana Raposo
Operação de Luz: Clébio Ferreira
Operação de Som: Jandilson Vieira
Cenotécnico: Jandilson Vieira
Designer Gráfico: Gabriel Azevedo
Marketing Digital: Ventuna Digital
Produção Executiva: Kleber Lourenço
Realização: Visível Núcleo de Criação

Neste Mundo Louco, Nesta Noite Brilhante

Yara de Novaes e Deborah Falabela. Foto: Sérgio Silva

Quando o público adentra o teatro Anchieta já se depara com Yara de Novaes, Debora Falabella e mais quatro musicistas em coreografias de aquecimento com varas de bambu, exercícios de luta oriental, movimentos criados por Ana Paula Lopez. Sinal de que é preciso coragem para seguir, para viver e lutar. Em Neste Mundo Louco, Nesta Noite Brilhante, dirigido pelo encenador Gabriel Fontes Paiva, o Km 23, de uma estrada qualquer, é o local de embate e de empatia. Lá, uma garota delira após ter sido violentada por um grupo de homens. O lugar abandonado fica perto de um aeroporto e outras meninas também já foram violentadas

O texto de Silvia Gomez, autora de O Céu Cinco Minutos Antes da TempestadeO Amor e Outros Estranhos RumoresMarte, Você Está Aí? e Mantenha Fora do Alcance do Bebê, é inspirado numa tragédia sucedida no Piauí, em 2015, quando quatro garotas foram estupradas e arremessadas em um abismo.

As personagens encontram-se em situações-limite: L, personagem de Falabella, estuprada nas cenas iniciais, e a Vigia do pedaço, interpretada por Novaes, enveredam por uma linguagem não realista para tratar desse tema duro e delicado. A Vigia também dá pitacos na direção, iluminação, pede canções para a banda  boliviana Las Majas, que toca a trilha composta por Lucas Santtana dialogando com as personagens. 

Serviço:
Neste Mundo Louco, Nesta Noite Brilhante
Com Grupo 3 de Teatro
Quando: Sexta e sábado, às 21h, e domingos, às 18h. Até 6 de outubro
Onde: Teatro Anchieta, Sesc Consolação (Rua Dr. Vila Nova, 245)
Quanto: R$10 (credencial plena e meia-entrada) e R$ 20 (inteira)
Duração: 90 minutos
Indicação etária: 16 anos

Ficha Técnica:
Elenco: Débora Falabella e Yara de Novaes
Texto: Silvia Gomez
Direção: Gabriel Fontes Paiva
Banda Las Majas: Mayarí Romero, Lucia Dalence, Lucia Camacho e Isis Alvarado, além do diretor Marvin Montes
Cenografia: André Cortez
Vídeo Cenário: Luiz Duva
Figurino: Fabio Namatame
Iluminação: Gabriel Fontes Paiva e André Prado
Trilha sonora original: Lucas Santtana e Fábio Pinczowisk
Assistência de direção: André Prado e Ana Paula Lopez
Assistente de cenário e produção de objetos: Carol Bucek
Assistente de figurinos: Juliano Lopez
Preparadora vocal: Ana Luiza
Preparadora e direção de movimento: Ana Paula Lopez
Oficinas: Dione Carlos
Workshops: Maria Thais
Direção de palco: Diego Dac
Operação de luz e vídeo: André Prado
Operação de Som: Thiago Rocha
Design de Som: André Omote
Cenotécnicos: Alexandre da Luz Alves e Murilo Alves
Assistência de produção: Cadu Cardoso e Letícia Gonzalez
Assistente administrativo: Rogério Prudêncio
Assessoria de imprensa: Pombo Correio e Sesc
Identidade gráfica: Patrícia Cividanes
Fotos de material gráfico e divulgação: Fábio Audi
Gestão de projeto: Luana Gorayeb
Direção de produção: Jessica Rodrigues e Victória Martinez
Produção: Contorno Produções e Fontes Realizações
Grupo 3 de Teatro: Débora Falabella, Gabriel Fontes Paiva e Yara de Novaes
Realização: Sesc SP, 9º Prêmio Zé Renato e Secretaria da Cultura

Os Um e os Outros

Os Curiácios são o povo dos Um, que acredita na universalidade da sua cultura, enquanto os Horácios são os Outros, ou todos aqueles que defendem a diversidade dos modos de existência. Foto: Cacá Bernardes

O xamã Ianomâmi Davi Kopenawa avisou. Continua avisando. Se os brancos continuarem agindo como fazem hoje em relação à natureza e à vida na Terra, “o céu cairá sobre as nossas cabeças”. Poucos escutaram. Poucos escutam. Kopenawa é enfático. Se a harmonia na Terra for quebrada, o céu cairá sobre a cabeça de TODOS. Sem exceção. O registro está no livro A queda do céu, de Davi Kopenawa e do etnólogo Bruce Albert .

O musical Os Um e os Outros, da Cia Livre, em parceria com a Cia Oito Nova Dança, leva luta e resistência dos povos ameríndios ao Sesc Pompeia. O espetáculo cria um diálogo entre a fábula contada por Brecht e a luta dos povos ameríndios no Brasil contemporâneo. Livremente adaptado de Os Horácios e Os Curiácios, de Bertolt Brecht, em forma de opereta, faz uma justaposição das batalhas narradas pelo autor com a luta dos povos ameríndios no Brasil de hoje.

Dirigido por Cibele Forjaz, Os Um e os Outros utiliza diversos formatos e linguagens, como o teatro, o audiovisual, a dança e a música. Além dos artistas das duas companhias e outros convidados, o espetáculo conta com a presença de integrantes da comunidade Guarani M’Bya da Terra Indígena Tenondé-Porã, situada em Parelheiros (Zona Sul de São Paulo), que ampliam a discussão evocada pelo teatro.

Serviço:
Os Um e os Outros
Cia Livre
Quando: Quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 18h. Até 22 de setembro
Onde: Sesc Pompeia – Teatro (Rua Clélia, 93, Água Branca)
Quanto: R$ 12 (credencial plena), R$ 20 (meia) e R$40 (inteira)
Duração: 2h30min
Classificação indicativa: 14 anos

Ficha técnica:
Jogadorxs: Adriano Salhab, Cibele Forjaz, Fernanda Haucke, Fredy Allan, Gisele Calazans, Lu Favoreto, Lucia Romano, Marcos Damigo, Roberto Alencar, Vanessa Medeiros
Contra regra em cena: Jackson Santos
Músicos em cena: Adriano Salhab, Gabriel Máximo e Ivan Garro
Composições de trilha original, direção musical e arranjos: Adriano Salhab e Guilherme Calzavara
Desenho de som e sonoplastia: Ivan Garro
Direção de arte: Cla Mor, Marília de Oliveira Cavalheiro e Valentina Soares
Arquitetura cênica e objetos: Marília de Oliveira Cavalheiro
Figurino e objetos: Valentina Soares
Vídeo: Annick Matalon, Cla Mor, Fábio Riff, Lucas Brandão e Mariana Caldas
Operação de vídeo: Cla Mor
Câmera em cena: Annick Matalon
Vídeo mapping: Fábio Riff e Mariana Caldas | Vapor 324
Luz: Cibele Forjaz e Matheus Brant
Operação de luz: Matheus Brant e Nara Zocher
Identidade visual e projeto gráfico: Julia Valiengo
Assistência de direção: Gabriel Máximo e Jackson Santos
Preparação e direção vocal: Lucia Gayotto
Preparação corporal e direção de movimento: Lu Favoreto
Assessoria de Imprensa: Márcia Marques | Canal Aberto
Produtoras: Bia Fonseca e Iza Marie Miceli | Nós 2 Produtoras Associadas
Direção geral e encenação: Cibele Forjaz
Coro Convidado do povo Guarani M’Bya [em revezamento]:
Jerá Poty Mirī | Jerá Guarani, Tatarndy Germano, Karai Negão, Karai Tiago, Poty Priscila e Karai Tataendy Ricardo
 

 

 

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Somos todos Galileus

Um espetáculo altamente brechitiano com elenco liderado por Denise Fraga. Foto: Joao_Caldas

Um espetáculo altamente brechtiano com elenco liderado por Denise Fraga. Foto: João Caldas

Denise Fraga e o elenco de Galileu Galilei recebem o público na entrada do Teatro de Santa Isabel. É o início de um ritual que vai durar duas horas e meia sem intervalo. Com esse gesto a trupe, sob direção de Cibele Forjaz, ressalta o caráter da presença ao vivo dessa arte e as opções brechtianas da encenação: de ser e se mostrar teatro (em que os atores entram e saem dos personagens), de ser político, de costurar reflexões na carnadura da encenação, de tomar partido. Tudo isso vai sendo aprofundado ao longo da encenação.

Galileu Galilei é a segunda montagem de Denise Fraga de uma peça do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956). A outra foi A alma boa de Setsuan, que também esteve no Recife.

Esse derradeiro texto de Brecht A Vida de Galileu, rebatizado aqui como Galileu Galilei, pode chegar a quatro horas de duração. A encenação de duas horas e 20 para ser mais exata é puxada. Mas os atores são tão bons, o jogo é tão interessante, as músicas animam, as conexões com a realidade brasileira incendeiam os pensamentos, as reflexões sobre verdade, simulacro, manipulação, coragem e covardia fervilham na nossa cabeça.

Brecht criou três versões da biografia do cientista que confirmou  que a Terra orbita em torno do Sol. Dirigia a quarta com o  Berliner Ensemble, mas morreu em agosto de 1956, antes da estreia em Berlim.

Montagem traça conexões com a realidade brasileira. Foto: João Caldas

Montagem traça conexões com a realidade brasileira. Foto: João Caldas

Na Itália do século 17, Galileu (1564-1642) prova por A + B a doutrina de Copérnico – o Sol como centro do Universo . A Igreja não aceitou essa constatação de Galileu, que foi perseguido pela Inquisição e obrigado a negar publicamente seus estudos.

Por defender a infinitude do Universo, o frade dominicano, filósofo e teólogo italiano Giordano Bruno (1548-1600) foi acusado de prática de heresia e queimado na fogueira pela Inquisição, na cidade de Roma (Itália) em 17 de fevereiro de 1600. Galileu não quis seguir esses passos.

Atuação de Denise Fraga é exuberante e conta com ótimo elenco

Atuação de Denise Fraga é exuberante e conta com ótimo elenco

O que é a verdade? Questiona o espetáculo do começo ao fim. No palco eles falam sobre a Terra que orbitava em redor do Sol e se bulia ao redor do próprio eixo; da Lua, que se mexia em torno da Terra e de que esses movimentos ocorriam em outros planetas. A peça de Brecht também fala sobre verdades, manipulações.

Galileu esbarrou na interpretação da Bíblia. Hoje a intolerância religiosa pelo mundo afora produz atentados com vítimas. E levando a questão para o campo mais cotidiano calamos, nos abraçamos com meias-verdades para sobreviver, fazemos concessões, estamos atolados em contradições, evitamos o conflito para não perder o emprego, a amizade, o poder, a aventura amorosa.  Para pular as fogueiras diárias. Ou mesmo ao assumir as posturas de que eu não tenho nada a ver com isso.

O elenco brada todas as imperfeições desse Homem, que teima em ser o centro do universo, com todas as alegorias que a encenação utiliza.

A peça cutuca o retrocesso político do Brasil. Projeta a realidade do desmonte, da manipulação midiática, da defesa de teses insustentáveis mas insistidas à exaustão de propaganda. Expõe interpretações equivocadas e ridículas do comportamento dos políticos e da covardia de quem não aceita o embate da discussão de ideias.

A aviltante votação da abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff na Câmara Federal (em 17/04) ganha cena na peça.  O trecho evidencia o absurdo da situação e o vexame que os deputados impuseram aos brasileiros frente ao mundo, com suas “argumentações” pífias, sórdidas, desprezíveis. A diretora Cibele Forjaz também inseriu um flash com os “coxinhas batedores de panela” na encenação.

utilização de jornais remete para a montagem de Macunaima de Antunes Filho

Utilização de jornais nos figurinos remete para a montagem de Macunaima, de Antunes Filho

Em  1968, no dia 13 de dezembro, dia da promulgação do Ato Institucional número 5 – o AI-5 (que deu início ao recrudescimento da ditadura militar no país) José Celso Martinez Corrêa e seu Teatro Oficina estrearam a peça São Paulo. Nessa montagem emblemática de Galileu Galilei, a cena do Carnaval era a crítica do grupo a quem apoiava o novo governo. Cibele Forjaz  faz referência a essa ação na sua montagem.

Os figurinos feitos com jornais para a histórica montagem de Macunaíma (1978) , de Antunes Filho (adaptada do livro de Mário de Andrade) também entra no espetáculo numa passagem breve como celebração ao potente teatro contemporâneo brasileiro.

A trilha sonora de Lincoln Antônio e Théo Werneck reelabora músicas originais de Hanns Eisler para a obra original de Brecht e inclui sons inéditos, com direito a marchinha cuja letra é distribuída para que a plateia cante junto. Um clima de festa.

O espaço cênico lembra um picadeiro. O cenário, assinado por Márcio Medina, sustenta uma área circular dianteira, que deixa o palco mais próximo da plateia. Os atores também percorrem corredores. Na cena, um volumoso retângulo de madeira reporta a uma gigantesca escrivaninha: as gavetas, quando puxadas, transformam-se em escadaria. Os figurinos e adereços de Marina Reis trabalham com o conceito de montagem e desmontagem. A luz de Wagner Antônio segue em harmonia com esses movimentos.

Clima festivo e carnavalesco em algumas cenas. Foto: João Caldas / Divulgação

Clima festivo e carnavalesco em algumas cenas. Foto: João Caldas / Divulgação

Denise Fraga tem um talento cômico, que é bem conhecido da televisão. No teatro ela brinca com as sutilizas de Brecht entre o popular e o engraçado. Ao longo da peça, a atriz retira a peruca e mostra os enchimentos na barriga, narrando e comentando o personagem. Seu Galileu é humano, obsessivo, que se debate entre questões éticas, mas não é um herói impecável, e sim um cientista que sabia do valor da sua própria vida para o avanço da ciência. Um composição que merece aplausos.

O elenco afiado e dentro do espírito brechtiano – Lúcia Romano (a filha de Galileu), Théo Werneck, Maristel Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luís Mármora, Silvio Restiffe e Daniel WarrenJackie Obrigon, Ary França (inspirado no papel de um cão ou como o cardeal inquisidor) – defende com distinção e elegância seus personagens .

É louvável o modo articulado da encenação para falar de temas como astronomia, física, matemática, teologia de forma fluida e com linguajar compreensível. Tem vitalidade, crítica humor, ironia, uma narrativa de um personagem histórico, efeitos de estranhamento, como o uso de cartazes que anunciam o título e os acontecimentos de cada cena, e as songs, executadas com música ao vivo pelo elenco.

Com muito humor e ironia fica o recado do cientista: “Desgraçada é a terra que precisa de heróis”. Galileu é  um espetáculo festivo. Intensamente brechtiano, surpreendente, de comunicação expressiva com a plateia numa encenação potente e rica em detalhes de Cibele Forjaz.

Ficha técnica
Texto: Bertolt Brecht
Elenco: Denise Fraga, Ary França, Lúcia Romano, Théo Werneck, Maristel Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luís Mármora, Silvio Restiffe e Daniel Warren
Direção: Cibele Forjaz
Trilha Sonora: Lincoln Antônio e Théo Werneck
Cenografia: Márcio Medina
Figurinista: Marina Reis
Iluminação: Wagner Antônio
Produção Executiva: Lili Almeida
Direção de Produção: José Maria
Assessoria de Imprensa: Barata Comunicação
Transportadora Oficial: AVIANCA | Patrocínio Exclusivo: BRADESCO
Realização: NIA Teatro, Ministério da Cultura e Governo Federal

Serviço
GALILEU GALILEI
QUANDO: de 18 a 21 de Agosto; Quinta, Sexta e Sábado às 20h; Domingo às 19h
ONDE: Teatro de Santa Isabel – Praça da República, s/n
Quanto: R$70 (inteira) | R$35 (meia-entrada) *** R$52,50 (clientes Bradesco para compra de até 02 ingressos para o titular do Cartão Bradesco, AMEX. Desconto válido para compras na bilheteria, não acumulativo com outros descontos). *** R$ 35,00 (Para clientes e funcionários Avianca na compra de até́ 2 ingressos, mediante apresentação do bilhete aéreo ou do crachá Avianca e documento de identificação. Desconto válido para compras na bilheteria, não acumulativo com outros descontos).
Duração: 130 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Informações: (81) 3355-3322

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O homem que negou sua verdade

Denise Fraga protagoniza espetáculo Galileu Galilei. Fotos: João Caldas/ Divulgação

A Terra não é o centro do Universo, proclamou Galileu Galilei (1564-1642). Por isso quase foi queimado na fogueira pela Inquisição. Para sobreviver, abjurou. Em A Vida de Galileu, Bertolt Brecht (1898-1956) conta as façanhas desse cientista italiano. Ao negar seus próprios estudos, o físico decepcionou seus discípulos. Um deles reclama que uma terra sem heróis é desgraçada. Galileu responde: “Não. Desgraçada é a terra que precisa de heróis”.

Com Denise Fraga no papel central da encenação assinada por Cibele Forjaz, Galileu Galilei dispara metáforas sobre a realidade brasileira, parecendo encomendada para 2016. A montagem bem-humorada, posicionada politicamente, debochada e crítica abre espaço para a aparição dos “coxinhas batedores de panela”, de cabeleiras louras e pela execução do hino da Internacional Comunista. A trilha, assinada por Théo Werneck e Lincoln Antônio, aguça o espírito carnavalesco da encenação.

A montagem produzida por José Maria traz no elenco Ary França, Lúcia Romano, Théo Werneck, Maristela Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luís Mármora, Silvio Restiffe e Daniel Warren. A peça chega ao Recife para um curta temporada no Teatro de Santa Isabel, de 18 a 21 de agosto, quinta, sexta e sábado às 20h; e domingo, às 19h.

Brecht põe em xeque a figura do herói e a sociedade que embaraça a liberdade com seus estranhos jogos de poder

Bertolt Brecht levou mais de uma década para compor o texto dramático Vida de Galileu (Das Leben des Galilei), de 1933, lançado em plena Alemanha nazista, e reelaborado depois. Exilado, o dramaturgo assinou um segundo tratamento, em 1938, na Dinamarca. E conferiu a estreia da a peça em 1943, na Suíça. Ele concebeu uma nova encenação nos Estados Unidos, onde morava, depois do fim da Segunda Guerra e ainda sob o efeito das bombas atômicas de Hiroshima e de Nagasaki. Nas versões apresentadas Galileu ganha as marcas do herói, vítima da Inquisição, mas que continuou a desenvolver suas teorias às escondidas. Ou o protagonista aparece como um homem comum, coberto pela ambição e afetado pelos próprios vícios.

Em 1956, já de volta à Alemanha, Brecht ensejava uma nova montagem para a quarta versão do texto, que seria encenado em seu próprio teatro, o Berliner Ensemble, mas morreu antes da  estreia.

Galileu_Galilei_-_Joao_Caldas_2-

O cientista vira uma ameaça e cai nas garras da Santa Inquisição

Há muitas camadas de interesses nesse mapa geopolítico habitado por Galileu. No século 17, em plena Contrarreforma, a contenda pela hegemonia política e econômica do mundo movia os reinos conhecidos hoje como Espanha, Inglaterra, França, Alemanha e Holanda (entre outros). O alvo era posse de colônias na América, África e na Ásia. A Europa estava dividida entre União Evangélica de um lado e Liga Católica do outro. Lutero (Alemanha), Calvino (França) e Henrique VIII (Inglaterra) já haviam desafiado a força do Vaticano. A Inquisição precisava mostrar sua força.

Galileu construiu um telescópio com o qual conseguiu comprovar a teoria heliocêntrica do polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), que sustentava que a Terra gravitava em torno do Sol, e não o oposto, como se aceitava desde o modelo geocêntrico de Ptolomeu, do século II. Mas sob a perspectiva da Igreja era inadmissível que Deus não tivesse colocado o homem no centro do universo.

Amigo do Papa Urbano VIII, apreciador de pequenos luxos e dos prazeres mundanos, o astrônomo, físico e matemático italiano tentava harmonizar suas pesquisas e as benesses do poder. Um controverso e rico personagem. Que desperta conflitos éticos. Herói e anti-herói.

A atuação de Denise Fraga no papel do cientista reforça o caráter brechitano da montagem. Alguns procedimentos evidenciam essa quebra da ilusão teatral, como a colocação e retirada da peruca e a exibição da barriga pela atriz, ao assumir as funções de narradora e comentarista.

Galileu, Galilei

Elenco é formado por 10 atores, sob direção de Cibele Forjaz

José Celso Martinez Corrêa dirigiu para o Teatro Oficina uma montagem histórica de Galileu Galilei, que estreou em São Paulo no dia 13 de dezembro de 1968, dia da promulgação do Ato Institucional número 5 – AI5. No elenco estavam os atores Cláudio Corrêa e Castro, Ítala Nandi, Esther Góes, Fernando Peixoto, Renato Borghi, Raul Cortez, Othon Bastos, Otávio Augusto, Pedro Paulo Rangel e muitos outros atores. O espetáculo, de quase 2h30 sem intervalo, estreou em maio de 2015, em São Paulo e ficou nove meses em cartaz.

5 DIII

Montagem traça paralelo com a realidade brasileira

Ficha técnica
Texto: Bertolt Brecht
Elenco: Denise Fraga, Ary França, Lúcia Romano, Théo Werneck, Maristel Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luís Mármora, Silvio Restiffe e Daniel Warren
Direção: Cibele Forjaz
Trilha Sonora: Lincoln Antônio e Théo Werneck
Cenografia: Márcio Medina
Figurinista: Marina Reis
Iluminação: Wagner Antônio
Produção Executiva: Lili Almeida
Direção de Produção: José Maria
Assessoria de Imprensa: Barata Comunicação
Transportadora Oficial: AVIANCA | Patrocínio Exclusivo: BRADESCO
Realização: NIA Teatro, Ministério da Cultura e Governo Federal

Serviço
GALILEU GALILEI
QUANDO: de 18 a 21 de Agosto; Quinta, Sexta e Sábado às 20h; Domingo às 19h
ONDE: Teatro de Santa Isabel – Praça da República, s/n
Quanto: R$70 (inteira) | R$35 (meia-entrada) *** R$52,50 (clientes Bradesco para compra de até 02 ingressos para o titular do Cartão Bradesco, AMEX. Desconto válido para compras na bilheteria, não acumulativo com outros descontos). *** R$ 35,00 (Para clientes e funcionários Avianca na compra de até́ 2 ingressos, mediante apresentação do bilhete aéreo ou do crachá Avianca e documento de identificação. Desconto válido para compras na bilheteria, não acumulativo com outros descontos).
Duração: 130 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Informações: (81) 3355-3322

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Dramaturgia espanhola no Janeiro

Os corpos perdidos trata do extermínio de mulheres. Com o Angu de Teatro e convidados

Os corpos perdidos trata do extermínio de mulheres. Com o Angu de Teatro e convidados

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSS Ciudad Juárez é um dos lugares mais violentos do México na década de 1990. A obra dramática Os corpos perdidos, de José Manuel Mora com tradução de Cibele Forjaz, trata da torrente de assassinatos de mulheres. Impera a impunidade para os criminosos e a negligência do governo. A peça mergulha nessa pungente memória de mais de 300 mulheres executadas.

O texto integra a Coleção Dramaturgia Espanhola, da Editora Cobogó, que tem lançamento hoje e amanhã (ao preço de R$ 30 cada). O lançamento ocorre junto com leituras dramatizadas, com entrada franca.

A leitura de Os corpos perdidos conta com a participação do o elenco do Coletivo Angu de Teatro e convidados (Marcondes Lima, Arilson Lopes, André Brasileiro,Gheuza Sena, Nínive Caldas, Ivo Barreto, Daniel Barros, Hermínia Mendes,Márcio Antônio Fecher Junior, Paulo De Pontes e Lúcia Machado). E tem direção de  Cibele Forjaz. Nesta quarta, às 20h, no Teatro Arraial Ariano Suassuna.

O programa reserva para quinta-feira a leitura dramatizada da obra A Paz Perpétua, de Juan Mayorga, dirigida pelo gaúcho Fernando Philbert. A intriga que envolve violência, poder e autoridade é defendida pelos atores do Grupo Magiluth (Giordano Castro, Mário Sergio Cabral, Erivaldo Oliveira, Lucas Torres Magiluth e Bruno Parmera). Às 20h de amanhã, no palco do Teatro de Santa Isabel (entrada pela administração).

O Projeto de Internacionalização da Dramaturgia Espanhola promovida pela Acción Cultural Española – AC/E, conta com o envolvimento do TEMPO_FESTIVAL (Rio de Janeiro), Editora Cobogó, Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas; Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília; Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia – FIAC; e Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco.

 

Leitura Dramatizada e Lançamento de Livros

Dia 20 de janeiro de 2016 (quarta), 20h, gratuito
Teatro Arraial Ariano Suassuna
Leitura dramatizada do texto Os Corpos Perdidos, de José Manuel Mora, pela encenadora Cibele Forjaz e participação do Coletivo Angu de Teatro e atores convidados.

Lançamento dos livros A Paz Perpétua, de Juan Mayorga, com tradução de Aderbal Freire-Filho, e Os Corpos Perdidos, de José Manuel Mora, com tradução de Cibele Forjaz e colaboração de Kako Arancibia.

 

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Identidades móveis

Lúcia Romano e Edgar Castro dividem palco em Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação

Lúcia Romano e Edgar Castro dividem palco em Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação

janeiro-de-grandes-espetáculos-SSSS Quando criança, ficava fascinada com a lenda de que se o menino passasse debaixo do arco-íris viraria moça; e se a menina que cruzasse esse fenômeno ótico se transformaria num rapaz. Adorava esses rastros de gotas de chuva e seus espectros coloridos. Esses dias acalentavam pensamentos de trocar de sexo. Para experimentar. Mas com a garantia de voltar a ser mulher (“Eu gosto de ser mulher..”). Naquela época nem pensava que essas coisas de identidades são tão intricadas.

Michel Eyquem de Montaigne (1533-1592) foi um filósofo, escritor e humanista francês do século XVI, reputado como o inventor do ensaio pessoal. Ele deixou registrado no capítulo 21, A Força da Imaginação, do seu livro Ensaios, que conheceu em Virtry-le-François um rapaz de nome Germain Garnier, que até os 22 anos de idade era Marie. Mas num esforço para saltar um buraco, seus órgãos viris apareceram. “Não é tão extraordinário assim o caso, e essa espécie de acidente se verifica não raro”.

A partir desse disparador, a Cia. Livre ergueu peça Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação, um espetáculo sobre transgêneros. A dramaturgia é assinada por Cássio Pires, que deslocou a fábula de Marie-Germain para a contemporaneidade. A encenação de Cibele Forjaz, com Edgar Castro e Lucia Romano, articula as concepções entre representação, fantasia, teatralidade e aparência.

Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação foi gestada depois do ciclo Leituras Transvestidas, em que a Cia. Livre levou para a roda de debates textos da dramaturgia universal sobre mudanças de identidade, novas configurações para a questão do gênero e os intersexos.

A história de Marie que vira Germain, apresentada por Montaigne é recontada pelo historiador e sexólogo Thomas Laqueur (1945) no livro Inventando o Sexo. No palco a trupe confronta as construções culturais na definição de sexo e as supostas verdades biológicas.

Na encenação, os atores são os transexuais Neo Maria (Lúcia Romano) e Jonas Couto (Edgar Castro), que ensaiam A Força da Imaginação. Jogo de metateatro, em que o público escolhe qual papel os atores da peça vão viver a cada sessão.

Maria que Virou Jonas ou a Força da Imaginação é a décima peça da Cia. Livre em 15 anos de carreira.  O grupo já montou os espetáculos Toda Nudez Será Castigada e Os 7 Gatinhos, de Nelson Rodrigues; Arena Conta Arena 50 Anos e Arena Conta DantonVem Vai – O Caminho dos Mortos, com dramaturgia de Newton Moreno; e Raptada Pelo Raio, com dramaturgia de Pedro Cesarino.

Essas questões de gênero, identidade, opção sexual e comportamento sexual são bem complexas e podem ser libertárias.

Peça tem direção de Cibele Forjaz

Peça tem direção de Cibele Forjaz

SERVIÇO

Maria Que Virou Jonas ou A Força da Imaginação (Cia. Livre – São Paulo/SP)
Quando: Dia 16 de janeiro de 2016 (sábado), 19h, Dia 17 de janeiro de 2016 (domingo), 19h e 21h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 20 e R$ 10
Duração: 1h45 min.
Indicação de faixa etária: Não recomendado para menores de 16 anos.

Ficha Técnica
Dramaturgia: Cássio Pires
Direção: Cibele Forjaz
Atores-criadores: Edgar Castro e Lúcia Romano 
Direção de Movimento: Lu Favoreto
Cenografia: Márcio Medina
Figurinos: Fabio Namatame
Luz: Rafael Souza Lopes
Operação de Luz: Rafael Souza Lopes e Rodrigo Campos
Direção Musical: Lincoln Antonio
Sonoplastia: Pepê Mata Machado
Treinamento Vocal para Canto: Ná Ozzetti
Produção: Cia. Livre e Centro de Empreendimentos Artísticos Barca

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