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E a cadela não era dela
Reflexão critica sobre o espetáculo
Hip-Hop Blues – Espólio das Águas

Espetáculo Hip-Hop Blues – Espólio das Águas. Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Nilcéia Vicente em cena do espetáculo Hip-Hop Blues. Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Pense numa cidade rica e injustamente desigual como São Paulo. Faça um esforço para ouvir as vozes caladas, as figuras apagadas em muitas camadas de concreto. Porque além de abstrato, aniquilamento, eliminação são feitos concretos. Sinta as ondas energéticas de negociação por espaço de existir. Perceba os corpos insubordinados que falam / gritam / surraram em muitas linguagens suas existências plenas de vida.

Eu fiz esse exercício antes do terceiro sinal e essa ambiência grudou ao contorno do meu corpo.

Hip-Hop Blues – Espólio das Águas, peça-show do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos celebra os 20 anos de atividades e atuação continuadas do grupo que em 2022 chega aos 22 anos. Parece que engoli um tempo aí, mana, mas são as coisas da pandemia e muitas operações da necropolítica, que além de coisas roubadas como horizontes, nos surrupiaram o tempo, nosso bem tão preciso.

Tô indo desacelerada porque não quero que acabe. Não quero que acabe o Hip Hop Blues que me diz tanto, que expande tanto as questões identitárias, que de novo e de novo e de novo Eugênio Lima lembra do corpo-político, do corpo-ocupação. Ai minhas deusas, Nilcéia Vicente o que você nos faz com sua voz e com sua presença a conduzir por esse percurso de labirintos que soa, ecoa, ressoa, reverbera da caixa torácica aos vãos cabeça com seus sete buracos e aos mindinhos do pé.  Ai mulher, que força da natureza!

O espetáculo compõe microcenas individuais do elenco. Faz cruzas incríveis. Mergulha em ancestralidades, dá partida, que podem ir e voltar. Os atores elegem depoimentos a partir dos passos de cada qual. A marca desse diálogo entre o teatro épico e a cultura hip-hop que o grupo faz como ninguém está lá viva ardente acesa afogueada audaciosa (me prometi não usar a palavra potente nesse texto).

São os corpos que habitam São Paulo. É um grupo de teatro que pensava antes da pandemia em montar um texto de Bertolt Brecht. É a cidade que assusta, que não tem paciência com as dores de seus habitantes apressados. Canções, poemas, ações dramáticas se encaixam nesse curadoria, nesse passeio por São Paulo que aterrou seus rios, pelas memórias dos atores que destampou suas dores.

Foto: Matheus José Maria

Com dramaturgia e a direção de Claudia Schapira e concepção geral do Núcleo Bartolomeu, os artistas – atrizes e atores MC’s – Cristiano Meirelles, Dani Nega, Eugênio Lima, Luaa Gabanini, Nilcéia Vicente e Roberta Estrela D’Alva – mais Daniel Oliva na guitarra  se revezam no centralidade da cena para questionar os lugares, reivindicar o protagonismo negro, expor em alta escala as nervuras do mundo e as mudanças inadiáveis.

E no meio, na borda, no alto, no íntimo da coisa toda está a música, que sempre vai mais além, que toca mais fundo que cria revoluções temporais. E a música é azul de muito sangue derramado, de muita na estrada, da política e da diáspora, dos levantes.

Rima com rima. É a visão do mundo do Bartolomeu de guerras e guerrilhas, atravessada por uma pandemia que deixou e ainda deixa suas marcas nos corpos, que atualiza de forma feroz a travessia.

Mas Hip Hop Blues – Espólio das Águas é celebração. Estamos vivos e isso é inegociável. Vivos e com fome de vida digna. Para quem quase sempre foi preterido.

Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Eugênio Lima. Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Na cena, um grupo de teatro conta como tentou montar a obra Os Sete Pecados Capitais dos Pequenos Burgueses, de Brecht,, mas não parava de chover, e a chuva continua. Baldes de alumínio são deslocados durante a cena para aparar as goteiras. Brecht virou disparador para confrontar questões contemporâneas das marcas coloniais que pulsam na sociedade brasileira.

Depoimentos está no título do Núcleo Bartolomeu e nos procedimentos do grupo, que faz isso há 22 anos. Na cena, Roberta Estrela D’Alva destrincha a estratégia para o público, como funciona. Cada um dos artistas leva para cena um ou mais episódio de suas vidas, suas subjetividades, o preço alto pago para chegar até aqui.

Esses sujeitos históricos em exposição alinham sequências ricas de sentidos individuais, que que projetam os constantes deslocamentos, a lutas e as escolhas do Bartolomeu.

A visão de mundo é blue. As memórias são blues carregadas de violências de gênero, raça e classe que formam uma cena tão plenas de vida.

Nilcéia Vicente canta e conta da sua avo, aquela figura pequena, concentrada, anônima, violentada por outra quase igual numa fábrica de exploração – negrinha com xingamento – até atingir o refluxo da água. Não menosprezem a força da água represada, ela pode responder.

Eugênio Lima expõe os elepês que ele considera fundamentais para alimentar essa história, esse imaginário. Espolio do que sobrou do alagamento e que os discos traduzem como poucas coisas no mundo. O que pulsa de uma linha musical da cultura negra. Essa curadoria sonora é regada por samples que inundam o ar, enquanto Eugênio comenta sobre alguns vinis, como o de Miles Davis herança-orgulho de sua mãe. É eletrizante sua coleção, Tim Mais, Jorge Ben, e que inclui o bolachão de Chico Science e NZ: “Cadê as notas que estavam aqui / Não preciso delas! / Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos” (o Brasil ainda precisa redescobrir CChico Science, sua genialidade).

Dani Nega tensiona o próprio passado de adolescente, as escolhas estéticas, as pressão social, a violência dos padrões impostos, os movimentos de exclusão, a partir de um retrato com cabelo alisado. O que foi, o que não pode ser negado, e marcas no seu corpo dessa experiência subjetiva e social.

Alguns artistas pretas, trans e indígenas aparecem em vídeo ou áudio para dar o seu recado ou são citados como Adeleke Adisaogun Ajiyobiojo, MC Neguinho do Kaxeta, Nêgo Bispo, Matriark, Reinaldo Oliveira, Aretha Sadick, Zahy Guajajara e Kiki Domaleão, drag afro tupini queen de Cristiano Meirelles,

Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Os assuntos da branquitude são enfrentadas a partir de duas cenas da atuação de Luaa Gabanini. O primeiro é o teste para o papel da peça de Brecht, em que entram os sentimentos de uma atriz branca, que não será escolhida para interpretar a personagem do dramaturgo alemão, que será feita por uma atriz negra. Os incômodos, os lugares de privilégio, as possíveis mudança de protagonismo dão voltagem à cena, que se vale de um humor corrosivo para desenvolver a temática. No segundo momento Gabanini apresenta o refluxo, em que tenta entender esse momento em que lhe está destinado um lugar secundário.

A opressão sofrida por Cristiano Meirelles chega pela sua homossexualidade e cobranças familiares e sociais, e as pressões em casa e na rua e a hipocrisia brasileira da família. E sua opção pela arte, pelo desbunde e pela alegria.

A atriz-MC Roberta Estrela D’Alva explora um não-saber, nesse tempos tempos em que quase todos tem discursos prontos. Na sua construção de palavras-ruelas, estradas, becos, cidades, a artista leva para cena o caso do menino Miguel. A cadela não era dela, a mão opressora que chamou o elevador. É sufocante, apavorante, quase palpável as palavras que Roberta convoca para contar essa história.

Mas o espólio das águas desse Hip-Hop Blues é para lavar o corpo, para energizar, desafogar, seguir como água que pode desviar das pedras do caminho, que segue o curso e sempre encontra um um jeito de existir, com força, com fúria, enchente, que nunca desiste, porque é essencial.

Ficha técnica

Hip-Hop Blues – Espólio das Águas
Núcleo Bartolomeu de Depoimentos
Direção: Claudia Schapira
Dramaturgia: Claudia Schapira e elenco
Concepção Geral: Núcleo Bartolomeu de Depoimentos
Atores/Atrizes-MC’s: Cristiano Meirelles, Dani Nega, Eugênio Lima, Luaa Gabanini, Nilcéia Vicente e Roberta Estrela D’Alva
Guitarra: Daniel Oliva
Direção musical: Dani Nega, Eugênio Lima e Roberta Estrela D’Alva
Músicas: Núcleo Bartolomeu e elenco
Assistência de direção: Rafaela Penteado
Cenografia: Marisa Bentivegna
Criação e operação de luz: Matheus Brant
Assistência de iluminação: Guilherme Soares
Criação e operação de vídeo: Vic Von Poser
Assistência de cenografia: César Renzi
Cenotecnia: César Rezende
Assistência de vídeo: Beatriz Gabriel
Direção de movimento: Luaa Gabanini
Técnica de spoken word e métricas: Roberta Estrela D’Alva e Dani Nega
Técnica de canto blues: Andrea Drigo
Técnica de sapateado: Luciana Polloni
Danças urbanas: Flip Couto
Participações especiais vídeo: Adeleke Adisaogun Ajiyobiojo, Aretha Sadick e Zahy Guajajara
Participações especiais áudio: Matriark, Reinaldo Oliveira e Nêgo Bispo
Pensadores-provocadores convidados: Luiz Antônio Simas, Luiz Campos Jr. e Celso Frateschi
Engenharia de Som: João de Souza Neto e Clevinho Souza Intérprete Libras: Erika Mota e equipe
Figurinos: Claudia Schapira
Figurinista assistente e direção de cena: Isabela Lourenço
Costureira: Cleuza Amaro Barbosa da Silva
Direção de produção, administração geral e financeira: Mariza Dantas
Direção de Produção Executiva: Victória Martinez e Jessica Rodrigues [Contorno Produções]
Assistência de produção: Carolina Henriques e Helena Fraga
Coordenação das redes sociais: Luiza Romão
Assessoria de Imprensa e Coordenação de Comunicação: Canal Aberto – Márcia Marques, Carol Zeferino e Daniele Valério
Programação Visual e Desenhos: Murilo Thaveira
Fotos divulgação: Sérgio Silva
Agradecimentos Lu Favoreto, Estúdio Nova Dança Oito, Pequeno Ato, Galpão do Folias, Lucía Soledad, Marisa Bentivegna, Colégio Santa Cruz – Raul Teixeira, Périplo Produções

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Protagonismo feminino na Cena Italiana Contemporânea

Gentle Unicorn. Foto: Alice Brazzit / Divulgação

Tiresias. Foto: Divulgação

A 2ª edição da Semana da Cena Italiana Contemporânea – SCENA traça um recorte da produção atual daquele país europeu, com evidente entusiasmo no protagonismo feminino e assuntos relacionados ao corpo e suas diversidades, ao pertencimento, migrações e o combate à violência contra a mulher. Quatro trabalhos são apresentados de terça-feira (10/05) até domingo (15/05) no Sesc Pompeia, em São Paulo. 

 O foco da programação é formado pelos espetáculos, inéditos no Brasil,  Gentil Unicórnio (Gentle Unicorn) e O Animal (L’Animale), ambos de Chiara Bersani, Tiresias, de Giorgina Pi, e Curva Cega (Curva Cieca), de Muna Mussie; além de rodas de conversas após as apresentações. É de uma pequena amostra do que vem sendo apresentado nos palcos italianos. 

O Animal Unicórnio Gentil, os dois trabalhos de Chiara Bersani, traçam um contraponto entre si, sendo um mais sombrio e o outro mais luminoso. Ambos levam para o centro da cena a discussão do lugar na sociedade de corpos atípicos, das identidades entre outros pontos.

Com título de um dos personagens mais intrigantes do mito grego de Édipo, Tiresias é um espetáculo a partir de texto da poete e rapper londrina Kae Tempest. A criação de Giorgina Pi, uma icônica e multiartista italiana, da companhia Bluemotion, pulsa nos atravessamentos da sexualidade. Feminista, ativista política, pesquisadora acadêmica, diretora, ela é gestora do espaço independente Angelo Mai, em Roma. A obra recebeu quatro prêmios UBU (o mais importante do teatro italiano). 

O lugar da pessoa negra na cena teatral europeia, invisibilidade e ancestralidade estão na mira dos questionamentos de Curva Cega, da artista Muna Mussie, natural da Eritreia, uma antiga colônia Italiana na África. Falado em tigrínio – um idioma antigo, tanto quanto o aramaico e o hebraico, mas ainda muito praticado na Etiópia e na Eritreia – o espetáculo explora como as palavras são escutadas e entendidas. Em cena estão Muna e a voz de um jovem também de origem eritreia.

Este ano, o foco do Scena é a produção artística feminina italiana, reunindo dramaturgas, diretoras, pensadoras e realizadoras que transitam entre a cena performativa, as artes visuais, a formação artística e acadêmica e o ativismo político e artístico, especialmente os que dizem respeito aos lugares de empoderamento das vozes femininas, protagonismo, lutas e visibilidade.

A curadoria da SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea é de Rachel Brumana e a produção da Superfície de Eventos. A realização é do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo e do Sesc SP.

A primeira edição da mostra SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea em São Paulo aconteceu em outubro de 2019, também no Sesc Pompeia. Veio com três trabalhos de companhias e artistas do teatro e da dança na Itália: Fanny&Alexander, Alessandro Sciarroni e Marco d’Agostin, expondo as transversalidades entre teatro, literatura, dança e circo, e com especial dedicação nas passagens dos afetos, da amizade e da resiliência.

 

Programação 

10 e 11 de maio  Terça e quarta-feira, às 20h (com intervalo)

Curva Cega (Curva Cieca) 

Curva cega . Foto: Claudia Pajewski / Divulgação

A performance desenvolvida pela artista eritreia radicada em Bolonha, Muna Mussie com Filmon Yemane – um menino eritreu que vive em Bolonha e é cego desde os 12 anos – investiga o aprendizado da língua materna de Muna através de um diálogo feito de palavras, sinais e mudanças de sentido.

Ficha Técnica
Criação e atuação: Muna Mussie
Texto em áudio: Filmon Yemane
Edição de vídeo: Lino Greco
Tradução: Rachel Brumana
Produção: Short Theatre, Zonak, Santarcangelo Festival 2021, SpazioKor e Teatro di Roma
Apoio: Xing

O Animal (L’Animale)

Chiara Bersani. Foto: Rebecca Lena / Divulgação

A dramaturga, diretora e performer Chiara Bersani cria sua performance a partir d’A morte do cisne, solo coreografado por Mikhail Fokine para a bailarina Anna Pavlova no início do século 20,. Ela questiona as possibilidades de reconhecimento íntimo quando mergulhamos na noite profunda e nos sintonizamos com o canto. A performer investiga a alma como um espaço de movimento e transformação. 

Ficha Técnica
Criação e performance: Chiara Bersani
Iluminação e cenário: Valeria Foti, com a colaboração de Richard Gargiulo e Sergio Seghettini
Dramaturgia vocal: Francesca Della Monica
Apoio à dramaturgia: Giulia Traversi
Fotos: Giulia Traversi
Apoio à criação: Marco D’Agostin / Elena Giannotti
Apoio ao processo: Federica Della Pozza
Promoção e curadoria: Giulia Traversi
Logística e organização: Eleonora Cavallo
Administração: Chiara Fava
Produção: corpoceleste c.c.0.0 #
Coprodução: Swans never die, um projeto de Lavanderia a Vapore – Centro di Residenza per la Danza (Piemonte dal Vivo – Circuito Multidisciplinare dello Spettacolo, Coorpi, Didee Arti e Comunicazioni, Mosaico Danza, Zerogrammi); Operaestate Festival Veneto e Centro para a Cena Contemporânea CSC Bassano del Grappa; Trienal Milano Teatro; Fundação Teatro Grande de Brescia; Festival Bolzano Danza – Fondazione Haydn; Festival Gender Bender; “Memória em Movimento. Re-Membering Dance History (Mnemedance)” – Università Ca’ Foscari Venezia; e DAMS – Università degli Studi di Torino, com o apoio da Fabbrica Europa (Firenze, ITA)

Bate-papo
Dia 10 de maio
Após os espetáculos Curva Cieca e L’Animale 
Muna Mussié conversa com Dione Carlos. Apresentação de Rachel Brumana. Conversa ao vivo no Teatro

12 e 13 de maio Quinta e sexta-feira, às 20h

Gentil Unicórnio (Gentle Unicorn)

Gentle Unicorn. Foto: Alice Brazzit / Divulgação

A partir de sua própria fisicalidade, Chiara Bersani explora a figura fantástica do unicórnio em sua estreia como intérprete e criadora solo. Com uma coreografia de movimentos simples, essa imagem mitológica do unicórnio, incorporada à iconografia pop, se mostra terrivelmente familiar.

Ficha Técnica

Criação e performance: Chiara Bersani
Design de som: Fran De Isabella
Design de luz: Valeria Foti
Diretor técnico: Paolo Tizianel
Consultoria dramatúrgica: Luca Poncetta, Gaia Clotilde Chernetih
Treinadora de movimento: Marta Ciappina
Olhar externo: Marco D’Agostin
Músicos locais: Jo Coutinho, José Máximo Pereira Filho (Pero), Kelly Layher, Marcella Vicentine Cerbara e Ulisses Duo Gitti Flor
Produção: Eleonora Cavallo
Assessoria administrativa: Chiara Fava
Turnê e comunicação: Giulia Traversi
Foto: Roberta Segata
Produção: Associazione Culturale Corpoceleste_C.C.00 #
Co-produção: Festival Santarcangelo e CSC – Centro por la Scena Contemporânea (Bassano del Grappa)
Apoio: Centrale FIES (Dro), Graner (Barcelona), Carrozzerie |N.o.T. (Roma), CapoTrave / Kilowatt (Sansepolcro).
Residências artísticas: ResiDance XL – luoghi e progetti di residenza per creazioni coreografiche azione della Rete Anticorpi XL – Rede Giovane Danza D’autore
coordinata da L’arboreto – Teatro Dimora di Mondaino (Barcellona), Carrozzerie | N.o.T. (Roma), Con il Sostegno di Kilowatt Festival e Bando Siae Sillumina 2018.

Bate-papo

Dia 12 de maio
Após o espetáculo Gentil Unicórnio

Chiara Bersani conversa com Elisa Band. Apresentação de Rachel Brumana. 

14 e 15 de maio – Sábado, às 20h e domingo, às 18h

Tiresias

Foto: Claudia Borgia / Divulgação

Tirésias é o segundo trabalho da diretora Giorgina Pi inspirado na dramaturgia de Kae Tempest, artista inglese não binárie, que mistura rap, poesia, política e música, dando vida a um estilo bem particular. Extraído de Hold your own / Stay yourself, o espetáculo traz a figura de Tirésias, o vidente que carrega muitas vidas em uma, o ser entre o humano e o divino.

Ficha Técnica:
Um projeto de BLUEMOTION
A partir de Hold your own, de Kae Tempest
Direção: Giorgina Pi
Performance: Gabriele Portoghese
Paisagem sonora: Collettivo Angelo Mai
Brilhos: Maria Vittoria Tessitore
Ecos: Vasilis Dramountanis
Figurino: Sandra Cardini
Luz: Andrea Gallo
Tradução para o italiano: Riccardo Duranti
Tradução para o português:
Comunicação: Benedetta Boggio
Produção: Angelo Mai/Bluemotion
Agradecimentos: Massimo Fusillo, Prefeitura de Ventotene, Cecilia Raparelli e Terrazza Paradiso

Bate-papo

Dia 15 de maio de 2022 
Após o espetáculo Tirésias 
Giorgina Pi conversa com Beatriz Sayad. Apresentação de Rachel Brumana. 

Serviço 

SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea em São Paulo – 2ª edição
de 10 a 15 de maio de 2022
Teatro do Sesc Pompeia
Ingressos: R$20 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes, pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino); e R$40 (inteira).
Classificação indicativa: 14 anos
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93 – Pompeia – São Paulo/SP

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Um Beckett memorável em São Paulo
Crítica de “Esperando Godot”
por Dirce Waltrick do Amarante*

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Foto Ivana Moura” width=”600″ height=”338″> Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Fotos Ivana Moura

Escrita em apenas quatro meses, no ano de 1949, Esperando Godot, a peça mais conhecida do escritor irlandês Samuel Beckett, estreou somente em 1953, no Théâtre de Babylone, em Paris. Desde então, há mais de sessenta anos esperamos Godot, mas parece (ou parecia) que não há “nada a fazer”, como diz uma frase que retorna regularmente à boca das personagens, pois Godot não vem, e a espera é o grande tema da peça. 

Em dois atos, Estragon (Gogo) e Vladimir (Didi) esperam em vão e a eles se juntam Lucky, Pozzo e um menino. Ainda que nada aconteça, Beckett considerava Godot “uma obra muito movimentada, um tipo de western. Essa é a movimentação que se vê na nova adaptação da peça, a terceira do Teat(r)o Oficina, dirigida por Zé Celso, que ritualizou Beckett, devorou, literalmente, Godot e o expeliu em terra brasilis

A peça, que recentemente esteve em cartaz no Sesc Pompeia, mas retorna de 5 de maio a 3 de junho, de quinta a domingo, no Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, inicia com raios e trovões. Mas, por aqui, depois da tempestade não vem a bonança, para me valer de um clichê tão próprio da linguagem de Esperando Godot. O que se vê é a árvore seca do cenário beckettiano e um pedaço de muro ou parede no lugar da pedra do cenário original.  É a cena de uma hecatombe dos dias atuais e poderia aludir a mudanças climáticas, quando, depois de tempestades, o que se vê são inundações e destruição de todas as ordens. A natureza já está destruída, não há mais “nada a fazer”. Na adaptação de Zé Celso as guerras recentes também são lembradas. O mundo não teria mudado muito desde 1949. Por isso, uma das frases de Didi, repetida nessa montagem, segue sendo bastante atual: “Será que dormi, enquanto os outros sofriam? Será que durmo agora? Amanhã, quando pensar que estou acordando, o que direi desta jornada?”. 

Os atores estão à vontade nesse universo que exige uma atuação bastante particular diante dos lugares-comuns que devem proferir e da banalidade das situações. Como diz o crítico canadense Hugh Kenner, “a essência da peça é, para ser breve, uma experiência humana tão banal quanto há”.  O par principal, Didi e Gogo, interpretado por Alexandre Borges e Marcelo Drummond, respectivamente, não se furta a improvisar. Ricardo Bittercourt, no papel de Pozzo/ Bozo (numa alusão ao atual presidente do Brasil), vestido de palhaço e com uma farda do exército carregada de medalhas, é mais enérgico e violento do que os outros dois, fazendo o contraponto à dupla central. Pozzo, tanto na versão original quanto na de Zé Celso, leva um criado/ um escravo amarrado pelo pescoço, o qual está encarregado de levar as bagagens. No Godot brasileiro, Lucky (Afortunado), interpretado por Roderick Himeros, chama-se Felizardo, cuja bagagem inclui uma mochila como a dos motoboys, tão imprescindíveis na nossa sociedade, principalmente na pandemia.     

A maior novidade da peça é a substituição da personagem “menino” por um mensageiro negro, o malandro Zé Pelintra, uma figura de terno e chapéu brancos da umbanda. A interpretação impagável dessa personagem é de Tony Reis. 

“Na cosmogonia do terreiro”, como afirma Sidnei Barreto Nogueira, no libreto da peça, “nós nunca estamos aguardando um Messias, um salvador. Porque nós também não temos alguém para culpar. Quer dizer, a cultura cosmogônica Iorubá que está no terreiro Iorubá, Fon, Èfòn, Bantu, é uma cultura de autorresponsabilidade”, ou melhor, “Existe uma corresponsabilidade e uma responsabilidade coletiva, mas nós não temos nessa cultura uma entidade para culpar por nossos males”.  Não há, portanto, bodes expiatórios nessa cultura, na qual, a nosso ver, não só Esperando Godot precisaria ser reescrita, como o foi agora, mas também Édipo Rei, o pilar do teatro no Ocidente, que também ganharia outros contornos. 

Vale destacar que o mensageiro brasileiro fala inglês, talvez porque a língua de Shakespeare inspire em nós, colonizados, mais confiança para falar de assuntos importantes do que a língua de Machado de Assis.  

Há montagens de Godot para todos os gostos: houve uma em um presídio nos Estados Unidos, com os próprios detentos atuando; outra, bem mais recentemente, na Sarajevo dividida e sitiada; e uma terceira durante o apartheid, em Johanesburgo, na África do Sul, só com negros no elenco. A montagem de Zé Celso engrossa a lista de adaptações memoráveis, e em tempos de comemoração do Centenário da Semana de Arte Moderna, nada como matar Godot para fazê-lo renascer em outra cultura e em outra religião.

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Fotos Ivana Moura” width=”600″ height=”362″> Vladimir (Didi) e Estragon (Gogo), interpretados por Alexandre Borges e Marcelo Drummond 

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Foto Ivana Moura” width=”600″ height=”339″> Ricardo Bittercourt (ao fundo à direita), no papel de Pozzo/ Bozo , o palhaço com farda do exército e Roderick Himeros (ao centro), com a mochila como a dos motoboys 

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Foto Ivana Moura” width=”600″ height=”338″> Em maio, Esperando Godot entra em cartaz no Teatro Oficina, depois de uma temporada no Sesc Pompeia

* Professora do Curso de Artes Cênicas na Universidade Federal de Santa Catarina. Autora de Quando elas esperam, dramaturgia feminista baseada em Esperando Godot.

 

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Galpão de Espera expõe violência colonial contínua

Galpão de Espera tem texto de Allan da Rosa e direção de Ivy Souza. Foto: Noélia Nájera / Divulgação

São muitas armadilhas que a população preta está exposta no Brasil. Desde sempre. Como diz o dramaturgo Allan da Rosa o redemoinho é voraz, contamina tudo, do mental ao econômico. É uma disputa em todos os níveis para deixar essas violências normalizadas.

O espetáculo Galpão de Espera cumpre uma temporada relâmpago no Centro Cultural São Paulo. Só até 3 de abril. A peça busca retratar a violência colonial contínua em relação aos povos pretos. O texto é do escritor e dramaturgo Allan da Rosa, vencedor do Edital 6ª Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do CCSP, com direção de Ivy Souza.

Na trama ficcional Galpão de Espera, uma trabalhadora negra tem seu braço arrancado pelo cachorro do patrão em uma revista. A partir dessa ação, a peça investe em mostrar as estruturas históricas que geram os abismos sociais, que jogam muitos na situação de miséria, aniquilamento, desespero e da omissão do estado em relação aos povos pretos.

O autor problematiza as soluções individuais ou a oferta incessante de si mesmos como produtos na vitrine, deixando de lado, em suas palavras, “uma das maiores forças ancestrais que temos que é a solidariedade, além da coragem de lidar com nossa própria complexidade”.

galpão de espera. Foto: Noélia Nájera / Divulgação

Cinco personagens negras circulam em torno desse galpão misterioso: é uma agência de empregos, um lugar de trabalho ilegal ou uma senzala?  A diretora Ivy Souza aponta que a personagem principal dessa história é o galpão. A partir de onde e de quem faz a pergunta, o público é convidado a redirecionar o olhar em relação à peça e à estrutura do espaço.

Os diálogos dos três atos da peça expõem as fomes, os segredos e os labirintos de cada personagem na cena. São eles: Donilton (William Simplicio), o patrão, dono do cachorro, que dominou as regras capitalistas; Dona Caruncha (Mawusi Tuani), a anciã que é cuidadora de todos, terna e vingativa; Ascendina (Isamara Castilho), a jovem que lida com o novo corpo mutilado e quer ascender socialmente; Fu (Jojo Brow-nie Souza), que foi educada para o conforto mas vive na precariedade; Expedito (Filipe Roseno), ex-peão que negocia com qualquer moral para aprender as regras e golpes do jogo do dinheiro. 

Frente ao quadro da realidade brasileira, Allan da Rosa faz sua análise: “As artes negras hoje passam por um momento especial, diante de tanto assédio e da hipocrisia da sociedade brasileira. São solicitadas e produzidas pencas de obras previsíveis e maniqueístas em nome de uma suposta representatividade, guiada por pura mercadologia ou por ‘likes e seguidores’. Isso passa longe da profundidade de muitas questões ferventes cotidianas e de nossas habilidades ancestrais em lidar com contradições”.

A diretora Ivy Souza injetou perguntas que pulsam no espetáculo e se projetam para além dele: elas têm possibilidades de escolha? A partir de qual ética? Essas personagens estão no mesmo lugar de competição quando comparados com toda a sociedade? Conclui que nessa movimentação social as perguntas não podem ser as mesmas.

Galpão de Espera leva ao palco o desafio de tratar da violência. “A ameaça se apresenta diferentemente para cada tipo de corpo. Essa peça fala sobre rastros de barbaridade colonial, espiral e contínua, na manutenção das estruturas de poder”, avalia Ivy Souza.

FICHA TÉCNICA
Dramaturgia Allan da Rosa
Direção Ivy Souza
Assistência de Direção Clayton Nascimento 
Preparação de Elenco Lucas Brandão
Elenco: William Simplício, Mawusi Tulani, Filipe Roseno, Isamara Castilho, Jojo Brow-nie Souza, rodrigo de Odé
Direção de Produção Corpo Rastreado
Produção Executiva Gabs Ambròzia
Produção Ivy Souza
Foto e Vídeo Noelia Nájera
Criação de luz  Lucas Brandão
Trilha Sonora Cibele Appes
Assistência Trilha Sonora Paula Matta
Figurino Renan Soares
Cenógrafo Julio Dojcsar 
Operação de Som Alírio Assunção 
Montagem de Luz Dida Genofre
Operação de luz Dida Genofre e Lucas Brandão 
Assessoria de Imprensa Canal Aberto
Agradecimentos Mirella Façanha 

FICHA TÉCNICA Redes Sociais
Dramaturgia @darosaallan
Direção @ivysouz
Ass de Direção @clay.nascimento 
Prep. Elenco e Criação de luz @luca_s_brandao
Elenco
@will_simplis
@mawusi_tulani
@firoseno
@castilhosisa
@soudajojo
@supermente_black
 
Direção de Produção @corporastreado
Produção Executiva @gabsambrozia
Produção @ivysouz
Foto e Vídeo @noenajera_
Trilha Sonora @cibeleappes
Ass Trilha Sonora Paula Matta
Figurino @renansoares.br
Cenógrafo @julio.dojcsar 
Op Som @alirioassuncao
Montagem de luz @didagenofre
Op  Luz @didagenofre @luca_s_brandao
Assessoria Imprensa @canal_aberto
 
SERVIÇO
Galpão de Espera
Duração: 120min
Classificação: 16 anos
Onde: Centro Cultural São Paulo – Sala Jardel Filho (Rua Vergueiro, 1000, Vergueiro, São Paulo, SP)
Telefone: 3397-4000
Quando: Até 03/04, sexta e sábado, às 21h; Domingo, às 20h
Lotação: 224 lugares
R$30,00 | R$ 15,00 (meia)
Vendas na bilheteria com duas horas de antecedência
Será necessário apresentar o comprovante de vacinação da Covid-19, com no mínimo duas doses. 
 

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Altamira 2042 performa catástrofe de Belo Monte

Gabriela Carneiro da Cunha em Altamira 2042. Foto:  Nereu Jr / Divulgação

Transmissão de fluxos e refluxos do rio e relatos de habitantes ribeirinhos e indígenas contam da devastação causada pela hidrelétrica de Belo Monte. Foto:  Nereu Jr / Divulgação

Desde 2013, a atriz, diretora e pesquisadora Gabriela Carneiro da Cunha desenvolve o Projeto Margens: sobre rios, buiúnas e vaga-lumes, uma pesquisa artística que se dedica a ouvir e ampliar as falas de rios brasileiros que vivem uma experiência de catástrofe. É uma resposta ao conceito de Antropoceno, esse período em que o ser humano destrói ferozmente seus próprios recursos de existência.  

Em uma polifonia de sonoridades, ruídos e timbres, Altamira 2042 capta os movimentos de sombra e luz da voz dos próprios rios, entre estremecimentos, suspiros e desejos. O espetáculo está em cartaz em São Paulo, no Sesc Avenida Paulista até 17 de abril de 2022, às quartas, quintas, sextas e sábados, às 21h, domingos, às 18h.

Altamira 2042 é uma instauração sonora composta por caixas de som que amplificam testemunhos diversos da devastação causada pela hidrelétrica de Belo Monte, que afeta toda a bacia do Rio Xingu e seus arredores.

Transmissão de fluxos e refluxos do rio e relatos de habitantes ribeirinhos e indígenas são acionados em caixas de som (daquelas comuns nas festas de aparelhagem da região) e drives pela performer. A peça se alterna ente transe e dança para mostrar múltiplas formas de vida daquele lugar e a dimensão da destruição em curso.

A performance foi apresentada durante a Mostra Internacional de São Paulo (MITsp) em 2019. O espetáculo circulou por palcos europeus, em setembro de 2021. Altamira 2042, é uma experiência tecno-xamânica que ocorre bem próximo dos espectadores.

Ficha Técnica

Altamira 2042
Concepção, criação e direção: Gabriela Carneiro da Cunha e Rio Xingu
Interlocução de direção: Cibele Forjaz
Diretor assistente: João Marcelo Iglesias
Assistente de direção: Clara Mor e Jimmy Wong
Orientação da pesquisa e interlocução artística: Dinah de Oliveira e Sonia Sobral
“Tramaturgia”: Raimunda Gomes Da Silva, João Pereira da Silva, Povos Indígenas Araweté e Juruna, Bel Juruna, Eliane Brum, Antonia Mello, Mc Rodrigo – Poeta Marginal, Mc Fernando, Thaís Santi, Thaís Mantovanelli, Marcelo Salazar e Lariza
Tecnologia / Programação / Automação: Bruno Carneiro
Criação multimídia: Bruno Carneiro e Rafael Frazão
Imagens: Eryk Rocha, Gabriela Carneiro da Cunha, João Marcelo Iglesias, Clara Mor e Cibele Forjaz
Montagem de vídeo: João Marcelo Iglesias, Rafael Frazão e Gabriela Carneiro da Cunha
Montagem textual: Gabriela Carneiro da Cunha e João Marcelo Iglesias
Desenho sonoro: Felipe Storino e Bruno Carneiro
Figurinos: Carla Ferraz
Iluminação: Cibele Forjaz
Concepção instalativa: Carla Ferraz e Gabriela Carneiro da Cunha
Realização instalativa: Carla Ferraz, Cabeção e Ciro Schou
Design visual: Rodrigo Barja
Trabalho corporal: Paulo Mantuano e Mafalda Pequenino
Pesquisadores: Gabriela Carneiro da Cunha, João Marcelo Iglesias, Cibele Forjaz, Clara Mor, Dinah de Oliveira, Eliane Brum, Sonia Sobral, Mafalda Pequenino e Eryk Rocha
Diretora de produção: Gabriela Gonçalves
Co-produção: FarOFFa e MITsp – Festival Internacional de Teatro de São Paulo
Produção: Corpo Rastreado e Aruac Filmes
Distribuição internacional: Judith Martin / Ligne Direct
Fotografias: Nereu Jr., Clara Mor e Rafael Frazão
Teaser: Renato Vallone e Rafael Frazão
 
Serviço
Teatro Altamira 2042
Onde: Arte II – 13° andar sesc Avenida Paulista
Quando: 25 de março a 17 de abril de 2022. Quartas, quintas, sextas e sábados, às 21h, domingos, às 18h.
* Não haverá sessão nos dias 30 de março, quarta, e 15 de abril, sexta.
** A sessão do dia 7 de abril, quinta, terá o recurso de audiodescrição.
Classificação: 16 anos.
Duração: 90 minutos.
Capacidade: 50 lugares.
Ingressos: R$30,00 (inteira) e R$15,00 (Credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes. Meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência).
É necessário apresentar comprovante de vacinação contra COVID-19.
 

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