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Violetas da Aurora estão de olho no seu voto

Coletivo de palhaças do Recife estreia série Zona Eleitoral, uma campanha em 4 episódios. Foto: Ricardo Maciel

Fabiana Pirro é Uruba, Mayara Waquim é Maroca. Foto: Li Buarque

Ana Nogueira  é Dona Pequena. Silvinha Góes é Sema Roza Madalena . Reprodução do Facebook

Terra plana. Negação da ciência. Incêndios no Pantanal, devastação na Amazônia. “Milagres” da Cloroquina… Mentiras, mentiras, mentiras!!! País-gigante humilhado na ONU. Mais de 140 mil óbitos por Covid-19 desde o começo da pandemia (dados de 25/09). Ataques à integridade da cultura. Aumento do desemprego, descida ao mapa da fome.

– Oxe! E o que o meu voto tem a ver com isso?

– Tudo!!! Tudinho… tudão.
Foi com o golpe de 2016 e o confisco do mandato de uma presidenta mulher sufragada democraticamente que esse traçado anunciou o pior que estava por vir. E veio na eleição de 2018. E piorou e piora com o Nojento.

Por essas e outras, elas, as super-meninas, as Violetas da Aurora, estão de olho no seu voto! Ana Nogueira (Dona Pequena), Fabiana Pirro (Uruba), Mayara Waquim (Maroca) e Silvinha Góes (Sema Roza Madalena) estreiam neste sábado (26/09), às 21h, a série Zona Eleitoral, uma campanha em 4 episódios. O primeiro deles Sem Convenção marca também a volta de Dona Pequena ao picadeiro.

Meu voto será feminista – Violetas no Poder !!! Estão ouvindo a multidão gritar? É isso aí meu povo, o coletivo de palhaças se joga de corpo, alma e graça na campanha política 2020. No primeiro encontro, dos quatro episódios, elas vão fazer a prévia para a escolha da candidata oficial, “aquela que irá representar os desejos e anseios de violetas das mais variadas matizes e lutas desta cidade que é o mundo todo”.

“Bora juntes bulir com as estruturas podres”, convocam. Reprodução do Facebook

A série Zona Eleitoral chega repleta de fatos e fotos da vida real na visão peculiar das Violetas.

“E se o mundo ficar pesado???… Se o mundo emburrecer???… Se o mundo andar pra trás???…
Ops! Ficou!!!! Emburreceu!!!! Andou!!!!
Pois vamos abrir com alegria as palavras sabedoria, poesia, rebeldia, teimosia, utopia em todo canto, fresta, chão ou janela, a plantar, chover, escrever, gritar, abraçar o milagre da transformação…
É tudo nosso e a luta também!!!!!
Estamos juntes…
Mais do que nunca…
Sem convenção que seja, mas juntes pra valer!!!!!”

Como de costume, o trabalho junta os investimentos de atuação e afeto: palhaçaria feminina, piadas, contação de histórias, poesia, dança, canto, teatro. Dessa vez elas vão disputar seu coração e principalmente o seu voto. Cada uma na singularidade de sua figura. É para rir, mas também refletir, que vivemos num tempo político. Como lembra a poeta polonesa Wislawa Szymborska, no mais que belo Filhos da época: “Somos filhos da época / e a época é política…”

Essa maravilha de coletivo feminista de palhaças, o único só de mulheres palhaças em atuação no Recife, vai lembrar – porque a memória está curta, né minha filha???!!! – o que se passa nos bastidores da escolha de candidaturas majoritárias, os lances e os interesses que estão em jogo, Dona Pequena, Uruba, Maroca e Sema Roza Madalena reforçam a urgência do empoderamento da mulher na sociedade. Todo voto é decisivo. “Bora juntes bulir com as estruturas podres”, convocam.

As palhaças Violetas da Aurora nasceram juntas para o picadeiro e para a vida. Dona Pequena, Maroca, Sema Roza Madalena e Uruba foram gestadas em 2010 durante o Curso de Formação de Mulheres Palhaças, efetivado pela Duas Companhias e sustentado pelo edital do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura) do Governo de Pernambuco. A atriz-palhaça Adelvane Neia, a palhaça Margarida, pioneira na área da comicidade feminina e perita parteira de palhaças e palhaços Brasil a dentro, foi a responsável pela façanha de trazer ao mundo esse quarteto de palhaças.

Ana Nogueira passou um susto com o joelho, mas já está de pé. Foto: Li Buarque

Em meados de agosto, as Violetas da Aurora estavam com agenda marcada para ocupação na Casa Maravilhas. Ensaio geral, com cenário, figurino, maquiagem, tudo de cima e a alegria do reencontro para fazer a festa no picadeiro… Mas a vida apronta suas ciladas. E de repente, Dona Pequena caiu do banquinho e machucou o joelho. Um acidente de trabalho. A ocupação foi adiada por tempo indeterminado.
Teve muita reza, cirurgia, solidariedade, vaquinha para o joelho novo de Dona Peq, ela sempre astuta e aperaltada, cheia de anedotas e leseiras cativantes.
No Facebook, ela escreveu:

Há três semanas lancei aqui um pedido de ajuda. Hoje, venho agradecer. O retorno foi o melhor possível, pois tive por parte de todes palavras e gestos que me deram força e segurança para os primeiros passos no primeiro mês da recuperação. Ontem, 20.09, fez um mês da cirurgia. Avancei, avançamos, um pouquinho a cada dia. Superar o medo de dar o passo seguinte foi o ganho maior dessa etapa. O mergulho na dor física é algo novo para mim. E se não for assim, não tem avanço.
Saí da cadeira de rodas, passei pro andador e agora estou de muletas, liberada para colocar 30% de carga na perna.
Essa semana teremos mais um desafio: retomar o trabalho com as Violetas da Aurora

Salve salve as Violetas da Aurora!

 

SERVIÇO
Estreia da série Zona Eleitoral: primeiro episódio Sem Convenção com as Violetas da Aurora e participação especial da DJ Marte Rafaella Rafael
Quando: sábado (26), às 21h
Onde: Instagram da @casamaravilhas
Ingresso: no chapéu democrático (virtual)
NuBank – Banco 260
Agência 0001
Conta 43218962-0
CNPJ 27.677.055/0001-97
Ana Nogueira
*Se preferir transferir para Caixa, Banco do Brasil ou Itaú, elas tem também.
Mais informações: Ana Nogueira 81.99918.4817

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Atriz Fabiana Pirro e sua boneca de mulungu mandam recado aos poderosos

A atriz Fabiana Pirro com sua mamulenga Vina, em Cara de Pau. Foto: Renato Filho

Os mamulengos, os bonecos do Nordeste gostam de desafiar os poderosos. Melhor dizendo, é da natureza desses seres criados e manipulados por mestres populares mostrar coragem contra injustiças. Se faltar um pouquinho de coragem, eles sacam da astúcia, do humor, do gingado, da sorte, dos santos protetores dos oprimidos. Essa brincadeira descortina um universo paralelo e encantado, às vezes mais rústico, ora mais sofisticado, mas sempre encantador. A atriz, modelo e palhaça Fabiana Pirro ganhou há uns dez anos uma boneca do Moura (dono do Bar do Mamulengo, [que fica na Praça do Arsenal, no bairro do Recife], um reduto artístico de resistência). Uma mamulenga de estirpe, criada pelo Mestre Saúba. Ano passado, Pirro entendeu que era a hora de brincar com a boneca de mulungu Vina, nome dado em homenagem ao Mestre Zé De Vina, de Glória do Goitá, que é seu grande professor.

Inquieta como ela só, Fabiana acionou seus contatos para levar adiante o projeto. Pediu ao encenador e dramaturgo Moncho Rodriguez para escrever um texto que “pudesse falar da vida da gente que é artista, do desgoverno no Brasil, desse descaso com a classe artística e com a cultura”. Nascia Cara de Pau, denominada pelo autor de uma comédia triste. “Moncho escreveu realmente todas as coisas que eu queria falar”, contou a atriz ao Yolanda hoje (6) de manhã.

Texto pronto, Fabiana resolveu experimentar, se autodirigir, com previsão de estreia em 27 de março – Dia Internacional do Teatro, na Praça do Arsenal. Mas a pandemia da Covid-19 mandou todo mundo se recolher em casa.

Cara de Pau se tornou assim a sobrevivência no isolamento. A gente faz teatro porque é a nossa vida, é o ar que a gente respira. O que nos move. Cara de Pau foi quem me salvou porque eu fiquei no isolamento em casa. Trabalhando, trabalhando, trabalhando, abril, maio e junho”.

Quando Fabiana viu o ator e diretor Paulo de Pontes ralando na Casa Maravilhas, fazendo solo no teatro vazio, lives, ela percebeu que precisava operar nesse formato, “que é o que a gente pode”. “Foi incrível essa parceria com a Casa Maravilhas. Porque realmente trabalhar com Paulinho, principalmente no corpo a corpo foi muito produtivo, ele me deu tudo o que eu precisava. Paulinho é um homem de teatro. Tudo isso me ajudando, me orientando e eu me senti acolhida. E Márcia (Cruz) também. Essa parceria com a Casa Maravilhas foi muito importante, principalmente para eu me sentir segura para estrear Cara de Pau”.

O lançamento ocorreu em 30 de julho. “E foi uma estreia linda. Mais de 100 pessoas assistindo, depois um retorno incrível, muita gente emocionada com um texto, com a figura da boneca. Com a simplicidade. Acho que Cara de Pau para esse formato live está super honesta”.

Hoje, 06/08/20, tem sessão extra ao vivo de Cara de Pau no insta @casamaravilhas, às 21h, com colaboração espontânea. “Desde janeiro estou nessa função. Estou muito feliz de poder fazer hoje de novo”.

Apesar de estar isolada em casa, Fabiana contou com muitas parcerias: de Claudio da Rabeca, que cedeu uma música; do olhar virtual de Moncho Rodriguez, de Portugal; e de Zaza Mucurana (Asaías Lira), da Itália. “Foram vários olhos me olhando, pontuando coisas importantes, porque sozinha ninguém faz nada. Mas foi um exercício muito para dentro. Realmente eu peguei como um desafio para levantar brincadeira, para falar dos meus 20 anos de teatro, dessa resistência, desse amor por esse ofício”.

Durante o isolamento por conta da pandemia, a artista teve todos os projetos cancelados, como praticamente todos da área cultural. Então, diante disso, para sobreviver, ela fez uma vaquinha e avisava que estava em processo de montagem. A campanha foi um sucesso. “Eu tenho que cumprir com minha palavra. Preciso dar esse retorno para essas pessoas que colaboraram comigo, com a minha vaquinha, que foi maravilhosa e me sustentou nesses meses de isolamento. Meu retorno também é Cara de Pau. Teve muita gente aí nesse patrocínio”.

Moncho Rodriguez prefere chamar as apresentações online de Cara de Pau de vídeo-conferência-teatral, um trabalho pensado para a rua, para uma praça, “para a graça do estar presente e partilhando com as pessoas os dramas e as comédias das gentes, denunciando a hipocrisia dos governos que fingem saber o que não sabem, que confundem políticas culturais com linhas de apoios e subsídios pontuais, como se a vida dos artistas se resumisse à ocasionais subsídios, como se tivéssemos que viver de emprestado, aos soluços no sufoco de todos os dias”, situa o encenador.

Para Rodriguez “Cara de Pau é mais um grito de alerta para aqueles que acham que os artistas vivem do vento… ou para aqueles que exploram a cultura com toda a demagogia e ignorância… fingem acreditar na necessidade cultural enquanto sufocam os criadores…”

Cara de Pau tem texto de Moncho Rodriguez. Foto: Renato Filho

Cara de Pau, com Fabiana Pirro
Quando: Quarta-feira (6), às 21h
Onde: no insta @casamaravilhas
Quanto:colaboração espontânea
*FABIANA PIRRO*
CAIXA ECONÔMICA
Ag.0867 operação 013
Conta/poupança: 71.111-6
CPF: 172.975.018-40

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O riso e a crítica corrosiva são armas do Marsenal

O projeto Marsenal retoma suas atividades no Recife com a estreia internacional do espetáculo Cabaré do Bonzo, com Claudio Ferrario e Olga Ferrario. Foto: Reprodução do Facebook

A cultura é perseguida sem trégua, os direitos humanos são saqueados, a democracia está na mira de um sujeito “nojento, irresponsável, inescrupuloso, elitista, segregador, corrupto e nefasto”. É assim que o Cabaré do Bozo pinta seu personagem principal, que juntamente com seus comparsas são responsáveis pelas desumanas reformas trabalhista e da previdência. Os números traduzem o estrago desse (des) governo: a fome atinge mais 12 milhões de pessoas, sem perspectiva de reversão, se depender “desses daí”. Desde o golpe de 2016 que a situação só piora.

As ridículas figuras que ocupam o Palácio do Planalto Central do Brasil e suas extensões, e a atmosfera tosca que envolvem essas trepeças servem de material para a criatividade, humor corrosivo e crítica implacável do espetáculo Cabaré do Bozo, que integra o Movimento Marsenal, que retoma suas atividades nesta quinta-feira, no Bar do Mamulengo, no Bairro do Recife.

       O Movimento Marsenal chega, rechega, volta, revolta…

“Para somar com quem não aceita o assassinato do povo das periferias e das florestas. Para somar com quem jamais achará natural que a fome e a miséria corroam tantos e tantas, enquanto alguns poucos se empanturram de tudo. Para somar com quem acredita que a saúde e a educação são direitos inalienáveis, que não podem, simplesmente, nos serem roubados. Somar com quem acredita na cultura como sinônimo de vida e, portanto, não se permitirá, em hipótese alguma, conviver com qualquer tipo de censura”.

Claudio Ferrario no Teatro Mamulengo

O Movimento Marsenal é um foco artístico e político de re-existência que funciona desde julho no Teatro Mamulengo, no Bairro do Recife. Surgiu de forma independente e sem patrocínio, com o objetivo de agregar os que são contra a censura e lutam pela democracia, segundo seus articuladores – Claudio Ferrario e as Violetas da Aurora, (coletivo formado por Ana Nogueira, Sílvia Góes, Fabiana Pirro e Mayara Waquim).

O projeto carrega as marcas do temperamento pernambucano, com um jeito irônico e demolidor de encarar a realidade e rir até de si mesmo. Mas sempre com doses cavalares de autoestima. Então, na estreia internacional do Cabaré do Bozo é possível que o público se depare com Damares da Goiabeira, Moro Marreco, Queiroz Rachadinha, Abraão Guarda-chuva, Erneqsto Planificador. Além do troglodita-mor.

A programação começa com o microfone aberto. Qualquer um pode falar o que quiser. É momento para combater as fakes News e as baboseiras. Depois do cabaré a pista fica pronta para a dança. 

“O Cabaré do Bozo nasce a partir de diálogos que escrevo há um tempo e que nós atualizamos um pouco e amarramos numa pequena brincadeira. Eu e Olga fazemos 9 personagens, entre eles, o próprio Bozo, Damares, Moro, Queiroz… e com Hugo Coutinho pensamos uma trilha – com músicas e sonoplastias – que amarrasse os quadros e que servisse para as trocas de roupas, que fazemos ao vivo…”, adiantou Claudio Ferrario mais cedo pelo mensager.

“Sabe-se que a fauna é vasta, composta por bichos os mais variados”, já alardeou Ferrario no Facebook. “Há os matreiros, os agressivos, os territoriais. Há os que só saem das suas tocas à noite, os que emboscam, os que se utilizam do mimetismo, para se aproximarem das suas presas, sem que sejam notados. Abrimos o vasto e deplorável leque de opções, composto por ministros, secretários, milicianos e familiares do Bozo e só faltamos arrancar os cabelos, para escolher quais estariam presentes nesse nosso cabaré”, confessou Claudio para seus milhares de fãs nas redes sociais.

Algumas dos depoimentos sinistros que serviram de inspiração do Cabaré do Bozo:

        • “Querem transformar as nossas crianças em quilombolas indígenas homossexuais, mas, eu vou mudar isso daí, tá ok?”
          Aquele energúmeno
      •  
        • “Rosanja, minha conje, também detesta o metalurjo Lula. Mas como já dizia Aristotles, bom mesmo é brocles com figo de galinha.”
          O Ministro da Justiça, que come as
          sílabas das palavras proparoxítonas
      •  
        •  “A mulher nasceu pra ser mãe e a gravidez é um problema que dura apenas nove meses.”
          Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, uma máquina incansável de dizer asneiras e idiotices
        • “Depositei um dinheirinho na conta da Primeira Dama, porque passei um ano, vendendo e comprando carros usados e acumulei 1 milhão e 200 mil, aí, quis lhe fazer esse agrado.”
          Queiroz, o “gênio” da Economia
      •  
        • “Se a Terra fosse redonda e girasse em torno do próprio eixo, no mínimo deveríamos sentir tonturas.”,
          Ministro das Relações Exteriores

 

Claudio Ferrario e Olga Ferrario interpretam figuras do Planalto. Foto: Reprodução do Facebook

Serviço

Cabaré do Bozo, com Claudio Ferrario e Olga Ferrario
Onde: Bar Teatro Mamulengo (Rua da Guia, 211, de frente para a Praça do Arsenal)
Quando: 9 de janeiro, às 19h
Ingressos: Contribuição espontânea /chapéu solidário / pague quanto quiser-puder

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Correspondência de artista, Brasil de hoje, teatro documental e urgente

Espetáculo Cartas foi montado com o apoio do Aprendiz em Cena. Foto: Coletivo Caverna

Intensos 11 anos, entre 1965 e 1976. O Brasil enfrentava os primeiros tempos de uma ditadura militar, enquanto os escritores, dramaturgos, homens de artes, Hermilo Borba Filho e Osman Lins se relacionaram por meio de cartas. Uma troca que não acontecia de maneira esporádica: às vezes, era só o tempo de chegar uma, que a devida resposta já era prontamente escrita e enviada. Desde que tomou conhecimento da existência dessas cartas, Luiz Manuel, que estreou como diretor justamente com A Rã, espetáculo baseado no conto homônimo de Hermilo Borba Filho, idealizou levá-las ao palco. Cartas estreia neste sábado (27), encerrando a 17ª edição da Semana Hermilo Borba Filho, que este ano também homenageou Osman.

O projeto foi montado com o suporte de “O Aprendiz em Cena”, projeto que oportuniza o trabalho de um diretor iniciante com um elenco já mais experiente. Fabiana Pirro, Paulo de Pontes e Claudio Lira conduzem o espectador por uma dramaturgia construída como se fosse realmente uma carta. Além das conversas entre Hermilo e Osman, a obra Guerra sem Testemunhas, de Osman, também serve como base para o texto; “Lendo a correspondência, eu me fascinei sobre o quanto eles trocavam com relação à vida profissional. Editamos as cartas, escolhemos alguns trechos, mas são as palavras dos dois, além dessa adaptação de Guerra sem Testemunhas, que fala sobre a guerra que é escrever, o quanto ele escreve em guerra com si mesmo, com a sociedade, com o editor”, explica Luiz Manuel.

Osman foi aluno de Hermilo no Recife, mas pela correspondência profícua os dois realmente se tornariam amigos, testemunhas íntimas das trajetórias literárias um do outro. De acordo com Nelson Luís Barbosa, que estudou esses escritos, “(…) as cartas foram exclusivamente um espaço de discussão de questões relacionadas essencialmente aos projetos literários de cada um, seus embates com o mercado editorial e a dificuldade de conseguir editores conscienciosos que efetivamente respeitassem as obras e pagassem justamente por elas”, explica em artigo.

Apesar da centralidade das discussões sobre as próprias obras, há também menções à situação política do país e às vidas pessoais dos dois. Eles falam, por exemplo, sobre suas separações, os  novos casamentos, a relação com os filhos. “Cada carta que lia, eu me emocionava. Quanta intimidade. Eu tinha a sensação de estar invadindo a vida deles. Por mais que nas cartas eles falem muito do trabalho, das angústias, dos editores, o pouco que eles falam da intimidade é muito pesado, muito significativo”, conta Fabiana Pirro.

No elenco, Claudio Lira, Fabiana Pirro e Paulo de Pontes. A direção é de Luiz Manuel

Além disso, mesmo que as correspondências tenham se dado nas décadas de 1960 e 1970, as similaridades com o país de hoje são incontestáveis. “É o Brasil de agora, do fascismo, da censura, a falta de dinheiro, a falta de espaço para os artistas. Caminhamos ou estamos andando para trás? E por serem pessoas políticas no caráter, na forma de vida, de encarar o ofício, eles nos encantam. Eu sou muito apaixonada por Hermilo, já era. Ele diz que enquanto tiver máquina e papel, vai continuar protestando. E Cartas é nosso manifesto político para esse tempo”, complementa a atriz.

A encenação utiliza dispositivos do audiovisual e dialoga com montagens de grupos como Agrupación Señor Serrano (coletivo espanhol que apresentou Uma casa na Ásia no Janeiro de Grandes Espetáculos em 2016), o colombiano Mapa Teatro e o potiguar Carmin. “Na realidade, fui buscar referências do teatro ibero-americano desde os anos 2000. Chegamos a trocar e-mails com os integrantes do Agrupación”, revela Luiz. No espetáculo, os atores se filmam em cena, há projeção de imagens e vídeos pré-gravados. O grupo também enviou uma carta, escrita pelo próprio coletivo para algumas pessoas, e vai ler respostas escolhidas.

Cartas, que tem a assinatura do Coletivo Caverna, faz duas sessões encerrando a Semana Hermilo; e uma curtíssima temporada com mais duas sessões em dois domingos de agosto, 11 e 18.

Ficha técnica
Dramaturgia: Dramaturgia coletiva, a partir das correspondências entre Hermilo Borba Filho e Osman Lins e do livro Guerra sem Testemunhas, de Osman Lins
Direção: Luiz Manuel
Elenco: Fabiana Pirro, Claudio Lira e Paulo de Pontes
Assistente de direção: Gabriel de Godoy
Iluminação: João Guilherme e Alexandre Salomão
Trilha Sonora/Desenho de som: Lara Bione
Figurinos: Giselle Cribari
Assistente de figurino: Fabiana Pirro
Identidade visual: Aurora Jamelo
Assessoria de imprensa: Tatiana Diniz
Direção de Produção: Naruna Freitas

Serviço
Cartas
Quando: 27 e 28 de julho, sábado e domingo, às 20h (encerrando a 17ª edição da Semana Hermilo), e nos dias 11 e 18 de agosto, às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, 142, Recife)
Quanto: As sessões dos dias 27 e 28 têm ingressos gratuitos; as senhas serão distribuídas com uma hora de antecedência. Para as sessões dos dias 11 e 18 de agosto, os ingressos custam R$ 30 e R$ 15
Informações: (81) 3355-3321

 

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Mostra Capiba chega à décima edição

Pedro Vilela em Altíssimo . Foto: Divulgação

Pedro Vilela em Altíssimo . Foto: Divulgação

Com a mudança do nome de Mostra Capiba de Teatro para Mostra Capiba de Artes, a iniciativa desenvolvida pelo Sesc de Casa Amarela chega à 10ª edição incluindo atrações de dança e circo. Altíssimo, do Trema! Plataforma de Teatro, solo com o ator Pedro Vilela, abre a programação nesta quinta-feira. A peça escrita por Alexandre Dal Farra questiona a mercantilização da fé, a partir da reflexão sobre o poder crescente das religiões neopentecostais. As apresentações de espetáculos seguem até 18 de novembro.

Com apenas 15 segundos de propaganda eleitoral gratuita, um político brasileiro ganhou visibilidade numa guerra de marketing de grandes partidos. Ele é o personagem de Meu Nome é Enéas – o último pronunciamento, com roteiro e atuação de Márcio Fecher.

O multiartista Valmir Chagas participa da mostra com as lembranças e delírios de um artista do picadeiro, que relembra suas aventuras mambembes, no musical Saudosiar… A Noite Insone de Um Palhaço.

A atriz Augusta Ferraz interpreta, canta e dialoga com a plateia em MEDEAponto. A tragédia de Eurípides ganhou versão da poeta portuguesa Sophia de Melo Breyner Andresen e é a base da cena desenvolvida pela intérprete.

E o ator Plínio Maciel, do Teatro de Fronteira  exibe Na Beira, um resgate de suas memórias familiares, desde Surubim, onde nasceu.

Fabiana Pirro como a Palhaça Uruba. Foto: Lana Pinho / Divulgação

Fabiana Pirro como a Palhaça Uruba. Foto: Lana Pinho / Divulgação

Quatro performances circenses estão agendadas: Uruba e Lilão, com Fabiana Pirro; Dona Pequena e os Rolamentos, com Ana Nogueira; Dança, Maroca, com Mayra Waquim e Sema e os Contatos Imediatos, com Silvia Góes.

Na área de dança, Gardênia Coleto apresenta Dor de Pierrot – 80 aos pedações, em que reconstrói a obra do bailarino Bernot Sanches. Já Na Malandragem do Feminino, dirigido por Daniela Santos e criado por Rebeca Gondim, discute questões de gênero e sexualidade.

Vai ter oficina com o pesquisador Junior Aguiar chamada O Solo do Ator: o que você tem a dizer?. Além da mesa O clown solo: a busca do palhaço no espaço das sensações, com as atrizes e palhaças Juliana Almeida e Lívia Falcão e mediação de Ana Nogueira. E da roda de diálogo com a dançarina Gardênia Coleto e a diretora artística Daniela Santos sobre Dança: as peculiaridades do corpo que se move sozinho na cena, com mediação de Ailce Moreira.

PROGRAMAÇÃO

Oficina

15 a 17/11 O Solo do Ator: o que você tem a dizer?– das 9h às 13h
Inscrições: R$ 10 (comerciários e dependentes) e R$ 20 (público em geral)

Espetáculos

Teatro

09/11 – Altíssimo – Trema! Plataforma de Teatro (PE) – 20h

10/11 – Meu Nome é Enéas: o último pronunciamento – Gota Serena (PE) – 20h

11/11 – Saudosiar… A Noite Insone de um Palhaço – Paulo de Castro Prod. – 20h

16/11 – MEDEAponto – Pharkas Serthanejaz – 20h

17/11 – Na Beira – Teatro de Fronteira – 20h

18/11 – Eu no Controle – Cia. Do Abajur – 20h

Ingresso: R$ 10 (comerciários e dependentes) e R$ 20 (público em geral)
Local: Teatro Capiba

Mostra de Solos

Dança e Circo

14/11 – a partir das 15h, na área externa do Sesc Casa Amarela
Dança – Dor de Pierrot – 80 aos pedaços – Gardênia Coleto (PE)
Dança – Na Malandragem do Feminino – Rebeca Gondim (PE)
Circo – Uruba e Lilão – Violetas da Aurora (PE)
Circo – Dona Pequena e os Rolamentos – Violetas da Aurora (PE)
Circo – Dança, Maroca – Violetas da Aurora (PE)
Circo – Sema e os Contatos Imediatos – Violetas da Aurora (PE)
Entrada gratuita

Teatro

14/11 – a partir das 15h
O Teatro é Necessário? – Curso de Iniciação de Teatro Sesc Casa Amarela*
*o espetáculo será realizado no Cineclube Coliseu

Mesas redondas

15/11 – O clown solo: a busca do palhaço no espaço das sensações (com as atrizes e palhaças Juliana Almeida e Lívia Falcão e mediação de Ana Nogueira) – 15h às 17h

18/11 –  Dança: as peculiaridades do corpo que se move sozinho na cena, com a dançarina Gardênia Coleto e a diretora artística Daniela Santos e mediação de Alice Moreira.  – 15h às 17h

SERVIÇO
Mostra Capiba de Artes
Onde: Teatro Capiba, Sesc Casa Amarela, (Avenida Norte, 4490, Mangabeira)
Quando: De 6 a 18 de novembro
Quanto: R$ 10 (meia, comerciário e dependente) e R$ 20 (público em geral)
Informações: (81) 3267-4400

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