Medea contemporânea da Cia. do Sopro

 Fani Feldman (Medea) e Daniel Infantini (Jasão). Foto: Murilo Alvesso / Divulgação

Montagem se localiza na periferia de uma grande cidade. Foto: Murilo Alvesso @mualvesso

A Cia do Sopro quer discutir a situação da mulher atualmente Foto: Murilo Alvesso / Divulgação

A versão contemporânea de Medea (2012), de Mike Bartlett para o clássico de Eurípides, ganha montagem da Cia. do Sopro, com três apresentações presenciais de 26 a 29 de novembro no Teatro do Sesc Pompeia, e segue para temporada online de 29 de novembro a 7 de dezembro. Com tradução de Diego Teza, a peça tem no elenco Fani Feldman (Medea), Daniel Infantini (Jasão), Juliana Sanches (Pam), Maristela Chelala (Sarah), Plínio Meirelles (Andrew) e Bruno Feldman (Nick Carter) e Zé Henrique de Paula como diretor convidado.

O dramaturgo desloca o território e a realidade originais da Grécia antiga para um conjunto habitacional de subúrbio, que pode existir em qualquer parte do mundo. Medea foi largada pelo marido e está atordoada em seu lar conjugal, sem conseguir lidar com a situação, sem ânimo para trabalhar nem sossego para dormir. Seu filho perdeu a fala e ela planeja vingança.

Bartlett explora as engrenagens do universo masculino, mostra como os homens são incapazes de negar sua luxúria sexual. O autor busca tratar esse homem contemporâneo sem condescendência, por seus atos mordazes, ambivalentes, nem sempre justificáveis. Ao expor suas chagas diante de Jasão, Medea diz: “Eu divido os homens em três grupos: idiotas, tios e estupradores. Os idiotas precisam de uma mãe, os tios nos tratam como crianças e os estupradores querem nos foder, gostemos ou não”.

Nesta versão da tragédia clássica de Eurípedes, o autor Bartlett explora a “fúria privada que borbulha sob o comportamento público” e como, no mundo de hoje, uma mãe, alimentada pela raiva pela infidelidade, pode ser conduzida a cometer o crime contra o próprio filho.

A Cia do Sopro quer com a peça discutir a situação da mulher atualmente, e as condições e forças contrárias que sabotam a emancipação efetiva de direitos e lugar de fala. Formada por Fani Feldman, Rui Ricardo Diaz, Plínio Meirelles, Osvaldo Gazotti e Antonio Januzelli a Cia. do Sopro, que tem em sua trajetória os espetáculos A Hora e Vez e Como Todos os Atos Humanos.

“Medeia é um dos grandes clássicos do teatro grego”, discorre o diretor Zé Henrique de Paula. “A protagonista acuada, traída, vilipendiada, eviscerada por uma sociedade alicerçada pelo machismo estrutural fala integralmente aos dias de hoje. E infelizmente, fala demais ao Brasil de 2021, um país aterrorizado permanentemente por notícias diárias de abuso e feminicídio”.

Para Zé Henrique de Paula, “dirigir essa peça sendo um homem é exercitar a humildade e servir meramente de canal para que a voz – no nosso caso, o grito – das mulheres seja ouvido. Ouvido de verdade, o que significa permitir que esse grito, esse lamento, esse coro, sejam ferramentas de modificação de uma tremendamente injusta situação social”.

Mike Bartlett é um dramaturgo aclamado da Grã-Bretanha. No Brasil já foram montadas as peças Love, Love, Love (2018), com direção de Eric Lenate, e elenco formado por Débora Falabella, Yara de Novaes, Augusto Madeira, Mateus Monteiro e Alexandre Cioletti, que traça um retrato político e provocador das idiossincrasias geracionais de uma mesma família, de 1967 a 2014; Contrações (2013) também com as atrizes mineiras do Grupo 3 de Teatro – Débora Falabella e Yara de Novaes – sob direção de Grace Passô, investiga os conflitos da vida pessoal em meio ao cenário corporativo e critica a degradação nas relações de trabalho. Bull, uma tentativa não tão bem-sucedida de Bartlett de abordar o bullying no ambiente corporativo,  foi encenada em 2014, com direção de Eduardo Muniz e Flavio Tolezani, com elenco composto por Bruno Guida, Cynthia Falabella, Muniz e Tolezani.

Medea. Foto: Murilo Alvesso / Divulgação

Ficha Técnica
Texto: Mike Bartlett
Tradução: Diego Teza
Idealização: Fani Feldman e Cia. do Sopro
Direção: Zé Henrique de Paula
Elenco: Fani Feldman (Medea), Daniel Infantini (Jasão), Juliana Sanches (Pam), Maristela Chelala (Sarah), Plínio Meirelles (Andrew) Bruno Feldman (Nick Carter) e David Uander (TOM)
Preparação: Inês Aranha
Trilha Original: Fernanda Maia
Assistência de direção: Marcella Piccin
Iluminação: Fran Barros
Cenário: Bruno Anselmo
Figurino e visagismo: Daniel Infantini
Direção de vídeo, montagem e fotografia: Murilo Alvesso
Direção audiovisual – Murilo Alvesso | Câmeras – Murilo Alvesso, Jorge Yuri e Ju Lima | Som Direto – Tomás Franco | Assistênica de câmera e Grafismos – João Marcello Costa | Produção Audiovisual – Assum Filmes
Concepção do projeto: Fani Feldman e Bruno Feldman
Produção: Quincas e Cia. do Sopro
Direção de Produção: Fani Feldman e Rui Ricardo Diaz
Assistente de Produção: Laura Sciulli
Realização: ProAc | Quincas I Cia. do Sopro
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Agradecimentos e apoios: Teatro do Núcleo Experimental, Teatro Santa Cruz/ Raul Teixeira, teatro FAAP/ Cláudia Hamra, Cláudia Miranda, Tati Marinho/ Casa dos Achados – Brechó, Refúgios Urbanos/ Bárbara Tegone, Una Muniz Viegas/ Cristiane Viegas, Jairo Leme, Marina Feldman, e Ariel Moshe.
Cia. do Sopro: Fani Feldman, Rui Ricardo Diaz, Plínio Meirelles, Osvaldo Gazotti e Antonio Januzelli.

Serviço
Presencial:
Estreia 26 de novembro
SESC Pompeia
26, 27 e 28 de novembro. (Sexta e Sábado 21h e domingo 18h)
Rua Clélia, 93 – Pompéia, São Paulo – SP.
Temporada online:
29 de novembro a 07 de dezembro, com sessões diárias, sempre às 21h00. (ingressos pelo Sympla)
Haverá bate-papo após as transmissões, nos dias 29/11 e 07/12. O link do Zoom estará disponível para acesso no Canal da Cia. do Sopro no YouTube.

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Ocupação Mirada 2021,
espetáculos e reflexões sobre a cena contemporânea

Sem Palavras, da cia brasileira. Foto: Nana Moraes / Divulgação

Michelle Boesche, Leopoldo Pacheco, Denise Weinberg; Simone Evaristo e Paulo de Pontes Foto: João Caldas Fº

A Ocupação Mirada 2021, programação especialmente idealizada para o momento de retomada entre as edições do Mirada – Festival Ibero-americano de Artes Cênicas, evento bienal organizado pelo Sesc SP, ocorre de 24 a 28 de novembro, em formato híbrido (com dois espetáculos com sessões presenciais e várias atrações on-line). São onze encenações, entre estreias e obras inéditas no Brasil.

O evento internacional também se ocupa de ações formativas, mesas de conversas, mostras digitais e aberturas de processos de criação. Nesta edição hibrida, o festival tem participantes de Portugal, Chile, México, Peru, Bolívia, Equador e Colômbia, além do Brasil, é claro, nas peças ou ações formativas.

Sem Palavras, da companhia brasileira de teatro, com direção de Márcio Abreu, abre programação de espetáculos nesse dia 24 de novembro, presencialmente, no Sesc Santos (SP). É a estreia do espetáculo em território brasileiro, depois de passar por festivais internacionais na França e Alemanha. Se a palavra provoca uma exaustão e não mais dá conta de traduzir o horror e o assombro desses tempos, os corpos potencializam as falas de lugares sociais diferentes na encenação.

A outra montagem com apresentação presencial é Sueño, que o diretor e dramaturgo Newton Moreno espelha Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare, na luta de uma trupe teatral chilena, no período do golpe de 1973. A peça traça conexões da luta dos artistas, de ontem e de hoje, pela expressão poética e contra o autoritarismo.

Espetáculos on-line

Aquela Cia (RJ), de Caranguejo Overdrive e Guanabara Canibal estreia Chega de Saudade! uma projeção da história da Bossa Nova na visão de artistas negros do grupo.

O Monstro da Porta da Frente, d’A Digna Coletivo Teatral investe na discussão lúdica da memória, a partir da história de Laurinha e Lanterninha, que fazem um filme para evitar a destruição do bairro.

A produção portuguesa Aurora Negra discute a presença do corpo negro na cena artística europeia. As três criadoras Cleo Tavares (Cabo Verde), Isabel Zuaa (Portugal, de origem de Angola e Guiné-Bissau) e Nádia Yracema (Angola) participam ainda da mesa “Corpo Político e Presencialidades“, dia 27 de novembro, on-line, e que conta com a dramaturga peruana Diana Daf Collazos.

A justaposição de imagens das últimas décadas no Brasil e em Portugal movimenta o ensaio literário e dramatúrgico, Trauma, de Alexandre Dal Farra (Brasil) e Patrícia Portela (Portugal). A obra coproduzida pelo FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (Portugal) foi adaptada para o formato audiovisual a partir do projeto original chamado Reconciliação.

O lançamento da TePi – plataforma que reúne a produção teatral baseada no Festival Teatro e os Povos Indígenas, Encontros de Resistência, liderada pela diretora artística Andrea Duarte, em parceria e co-curadoria com o ambientalista e filósofo Ailton Krenak será no dia 26 de novembro.

Trewa. Foto Paula Gonzalez Seguel

Para marcar o lançamento da plataforma duas obras que tem a ver com a prática teatral dos povos originários são exibidas: Ino Moxo, do Grupo Íntegro, do Peru (uma aventura pela Amazônia em busca de um lendário shaman da ayahuasca) e Trewa, do KIMVN Teatro, cena documental das raízes do povo Mapuche do Chile. A diretora deste espetáculo, Paula González Seguel, participa de uma das mesas que integram a programação, “Teatralidades e Povos Indígenas“.

Preludio – Ficciones del Silencio, concebido pela atriz e diretora peruana Diana Daf Collazos, trata das memórias coletivas, lembranças pessoais e políticas, e de silêncio. Já o chileno Guillermo Calderón faz uma irônica reflexão sobre arte (e sobre fracasso), carregando a cena com uma crítica a artistas, instituições, mercado e sociedade na peça La segunda vida de un Dragón.

Uma trama sentimental sobre o ritual de despedida dos mortos é o que propõe a obra La Casa de tu Alma, do México, com direção de Conchi León para a Saas’Tun Teatro.

Mais espetáculos do #EmCasaComSesc

Dez espetáculos apresentados nas lives do #EmCasaComSesc, reunindo produções exibidas durante a pandemia estão na programação: Felipe Rocha, em Ele precisa começar; Matheus Nachtergaele, em Desconscerto; Hilton Cobra, em Traga-me a cabeça de Lima Barreto!; Grace Passô, em Frequência 20.20; Mariana Lima, em Cérebro Coração; Bete Coelho, em Mãe Coragem; Sara Antunes, em Dora; Cláudia Missura e Tata Fernandes, em O Menino Teresa; Cristina Moura, em MASCARADO – Ägô Pra Falar, Ägô Pra Dançar, Ägô Pra Existir; e Fragmento Urbano, em Espaço Seguro para Ficar em Risco.

Refletir sobre a linguagem

Quatro mesas de conversas on-line, com transmissão nas redes do Sesc SP estão agendadas para o Ocupação Mirada 2021,. São elas: “Desafios e Perspectivas da Ação Cultural“, com Danilo Miranda, Carmen Romero (Chile), Otávio Arbelaez (Colômbia) e Gonçalo Amorim (Portugal); “Percursos Criativos“, com Alexandre Dal Farra, Marcio Abreu (Brasil), Guillermo Calderón (Chile) e Patrícia Portela (Portugal); “Teatralidades e Povos Indígenas“, com Ailton Krenak, Paula González Seguel (Chile) e Andrea Duarte; e “Corpo Político e Presencialidades“, com Diana Daf Collazos (Peru), Cleo Tavares (Cabo Verde), Isabel Zuaa (Portugal), Nádia Yracema (Angola).

Antonio Araújo, do Teatro da Vertigem vai falar sobre a investigação crítica do ambiente do agronegócio brasileiro, especialmente aquele das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte de Rondônia, suas manifestações culturais e seus costumes.

A ColetivA Ocupação apresenta um ensaio aberto do próximo espetáculo Erupção, transmitido pela internet (mediante inscrição), obra que discute catástrofes.

As questões ambientais, econômicas e sociais da Baixada Santista são investigadas pelo Coletivo 302, que mostra ao público o desenvolvimento do próxima peça Vila Fabril, pesquisa histórica e geográfica de Cubatão (SP),

A construção eurocentrista na criação de monumentos (reais e simbólicos) vai ser questionado no “Telas Abertas da América Latina“, e com proposição de novas formas de se narrar histórias. Conta com a participação do Clowns de Shakespeare (RN/Brasil), teatro del Embuste (Colômbia), Grupo Cultural Yuyachkani (Peru), Malayerba (Equador) e Teatro de los Andes (Bolívia). Haverá transmissão ao vivo, pelo YouTube,

“Mirada Digitais”

Artistas de diferentes origens e áreas de atuação (e especialidades) criam e argumentam na mostra “Mirada Digitais“, sobre uma coletânea especial, a partir de séries e documentários originais do Sesc Digital. As playlists são assinada pelos dramaturgos André Guerreiro Lopes, Dione Carlos e Jé Oliveira; os grupos Magiluth e Nós do Morro; as atrizes Renata Carvalho e Priscila Obaci; a escritora Paula Autran; a diretora Onisajé; e os jornalistas Wellington Andrade e Dib Carneiro.

Ocupação Mirada 2021

De 24 a 28 de novembro de 2021
Informações em www.sescsp.org.br/mirada
Nas redes do Sesc SP e Sesc Santos

Programação

Matheus-Nachtergaele em Desconscerto. Foto: Divulgação

[#EMCASACOMSESC]
DESCONSCERTO
Matheus Nachtergaele
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—31/12/21
Recomendação etária: 14 anos
INGRESSOS: GRÁTIS

O ator está em cena dizendo os poemas que guardou como única herança de sua mãe, a poeta Maria Cecília Nachtergaele, que faleceu quando o filho tinha três meses de idade.

Ficha técnica
Concepção e atuação:
 Matheus Nachtergaele
Textos: Maria Cecília Nachtergaele
Produção executiva: Valéria Luna
Diretora de produção: Miriam Juvino
Realização: A Gente Se Fala/Pássaro da Noite
instagram.com/mathnachtergaele/

Sara Antunes em Dora. Foto: Alessandra Nhovais / Divulgação

[#EMCASACOMSESC]
DORA
Sara Antunes
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—31/12/21
Recomendação etária: Livre
INGRESSOS: GRÁTIS

Maria Auxiliadora Lara Barcelos (1945-1976), estudante de medicina, entrou para a luta armada contra a ditadura militar aos 23 anos. Foi presa, torturada, exilada e suicidou-se na Alemanha em 1976, aos 31 anos. A peça Dora conta a trajetória dessa militante, a partir de trechos de cartas, imagens de arquivo e relatos autobiográficos.

Ficha técnica
Direção, texto e atuação:
Sara Antunes
Concepção audiovisual: Henrique Landulfo e Sara Antunes
Direção de fotografia e assistência de direção: Henrique Landulfo
Direção de arte e figurino: Sara Antunes
Luz: Wagner Antônio
Desenho sonoro: Edson Secco
Participação: Angela Bicalho
instagram.com/sarantunes/

Felipe Roca em Ele precisa começar. Foto: Roberto Setton / Divulgação

[#EMCASACOMSESC]
ELE PRECISA COMEÇAR
Felipe Rocha
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—31/12/21
Recomendação etária: 12 anos
INGRESSOS: GRÁTIS

O ator passeia entre camadas de realidade e ficção e dá voz e corpo aos inúmeros futuros espetáculos que imagina. Felipe Rocha une saltos de paraquedas e instalações de arte contemporânea, mafiosos romenos e super-heróis, canções românticas e estratégias performáticas.

Ficha técnica
Texto e interpretação: Felipe Rocha
Direção da peça: Alex Cassal e Felipe Rocha
Direção da versão audiovisual: Alex Cassal, Felipe Rocha, Luisa Espindula e Stella Rabello
Câmera, direção de fotografia e projeções: Lucas Canavarro
Iluminação: Stella Rabello
Operação de som: Luisa Espindula
Interlocução artística: Marina Provenzzano e Renato Linhares
Criação e produção: Foguetes Maravilha
instagram.com/felipe___rocha/
instagram.com/foguetesmaravilha/
foguetesmaravilha.wordpress.com

Douglas Iesus em Espaço seguro para ficar em risco, do Fragmento Urbano. Foto Kuruf

[#EMCASACOMSESC]
ESPAÇO SEGURO PARA FICAR EM RISCO
Fragmento Urbano
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—31/12/21
Recomendação etária: 14 anos
INGRESSOS: GRÁTIS

Dançar em casa é privilégio de quantos? É resistência para quantos? Quem pode se manter em isolamento? A partir de perguntas como essas, o trabalho reflete sobre as condições das pessoas que moram nas periferias da cidade.

Ficha técnica
Concepção e interpretação:
Anelise Mayumi e Douglas Iesus
Luz e som: Cic Morais 
instagram.com/fragmento_urbano/

Grace Passô em FREQUÊNCIA 20.20. Foto Divulgação

[#EMCASACOMSESC] FREQUÊNCIA 20.20
Grace Passô
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—31/12/21
Recomendação etária: 16 anos
INGRESSOS: GRÁTIS

A atriz, dramaturga e diretora mineira reúne trechos de espetáculos teatrais que escreveu e encenou: Preto (coautoria com Márcio Abreu e Nadja Naira), Mata Teu Pai e Por Elise e recuperar memórias e sensações dos três espetáculos.

Ficha técnica
Criação e atuação:
 Grace Passô

Bete Coelho em Mãe Coragem. Foto: Jennifer Glass / Divulgação

[#EMCASACOMSESC]
MÃE CORAGEM
Bete Coelho
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—31/12/21
Recomendação etária: 16 anos
INGRESSOS: GRÁTIS

Em um monólogo denso, esta versão do espetáculo Mãe Coragem costura a trajetória da protagonista Anna Ferling por meio de cenas da peça de Bertolt Brecht e de narrações de Bete Coelho.

Ficha técnica
Atuação:
 Bete Coelho
Atuação e câmera: Gabriel Fernandes
Direção: Daniela Thomas
Texto: Bertolt Brecht
Tradução:Marcos Renaux

Cristina Moura em MASCARADO – ÄGÔ PRA FALAR, ÄGÔ PRA DANÇAR, ÄGÔ PRA EXISTIR

[#EMCASACOMSESC]
MASCARADO – ÄGÔ PRA FALAR, ÄGÔ PRA DANÇAR, ÄGÔ PRA EXISTIR
Cristina Moura
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—31/12/21
Recomendação etária: 14 anos
INGRESSOS: GRÁTIS

Combinando linguagens e símbolos, o espetáculo busca uma escrita cênica e corporal que expresse as ambiguidades e possibilidades de um corpo feminino negro dançante.

Ficha técnica
Criação, direção e interpretação: Cristina Moura
Colaboração: Mariana Lima e Renato Linhares
Direção de fotografia e câmera: Clara Cavour
Direção de arte: Julia Deccache
Direção musical: Bruno Balthaza
Figurinos: Luana de Sá
Produção: Dadá Maia | Ciranda de 3 Trupe Produções
Textos: Achille Mbembe, Ana Miranda, Angela Davis, Bell Hooks, Edna St. Vincent Millay, Franz Fanon, Grada Kilomba, Maya Angelou, Marcelo Yuka, Pedro Rocha e Wislawa  Szymborska
instagram.com/cristinamourareal/

Cláudia Missura em O Menino Teresa Foto Alessandra Fratus / Divulgação

[#EMCASACOMSESC]
O MENINO TERESA
Banda Mirim
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—31/12/21
Recomendação etária: Livre
INGRESSOS: GRÁTIS

Numa aventura no estilo Indiana Jones, Teresa busca desvendar com muita convicção e ingenuidade o mundo dos meninos e para isso conta com a companhia de sua amiga imaginária, sra. Cabeçuda.

Ficha técnica
Dramaturgia e direção:
Marcelo Romagnoli
Elenco:Cláudia Missura e Tata Fernandes
Músicas:Tata Fernandes
Objetos cenográficos:Marisa Bentivegna
Figurinos:Verônica Julian
Produção executiva:Andrea Pedro
www.bandamirim.com
instagram.com/bandamirim/

Mariana Lima em Cerebro Coraçãoo Foto: Mauricio Fidalgo / Divulgação

[#EMCASACOMSESC]
SIM – CÉREBRO|CORAÇÃO EM CONFERÊNCIA PARA TERRA
Mariana Lima
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—31/12/21
Recomendação etária: 14 anos
INGRESSOS: GRÁTIS

Versão adaptada da peça Cérebro Coração. O título traduz um pouco da distopia, da ausência do outro, como se estivéssemos todos em um outro planeta vivendo de memórias e da especulação de um futuro, ainda incerto. Os assuntos centrais são neurociência, memória, cérebro, coração.

Ficha técnica (performance)
Atuação:
 Mariana Lima
Texto adaptado e direção:
 Mariana Lima, Renato Linhares e Enrique Diaz
Ambientação: Dina Salem Levy
Vídeos e projeções: Lina Kaplan
Pesquisa de som ambiente: Joana Guimarães
Música “For India”: João Bittencourt
Trilha sonora: Lucas Marcier
Voz: Greace Passô (Filme República)
Produção: Quintal Produções
Direção geral: Verônica Prates
Coordenação artística: Valencia Losada
Classificação indicativa: 14 anos
instagram.com/mariana.lima/

Hilton Cobra em Traga-me a cabeça de Lima Barreto. Foto: Divulgação

[#EMCASACOMSESC]
TRAGA-ME A CABEÇA DE LIMA BARRETO!
Hilton Cobra
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—31/12/21
Recomendação etária: 14 anos
INGRESSOS: GRÁTIS

Para discutir questões como o racismo, a loucura e a vida literária, o diretor e dramaturgo Luiz Marfuz imaginou uma autópsia da cabeça do escritor carioca Lima Barreto, realizada por médicos eugenistas, defensores da higienização racial no Brasil.

Ficha técnica
Atuação:
 Hilton Cobra
Dramaturgia: Luiz Marfuz
Direção: Onissajé (Fernanda Júlia)
Cenário: Erick Saboya, Igor Liberato e Márcio Meireles | Vila de Taipa
Desenho de luz: Jorginho de Carvalho e Valmyr Ferreira
Figurino: Biza Vianna
Direção de movimentos: Zebrinha
Direção musical: Jarbas Bittencourt
Direção de vídeo: David Aynan
Design gráfico: Bob Siqueira e Gá
Produção executiva: Elaine Bortolanza e Júlio Coelho
Direção de fotografia/câmera: Lílis Soares
Operação de áudio e vídeo: Duda Fonseca
Operação de luz: Lucas Barbalho
Participações especiais (voz em off): Caco Monteiro, Frank Menezes, Harildo Deda, Hebe Alves, Lázaro Ramos, Rui Manthur e Stephane Bourgade
instagram.com/hiltoncobra/

Michelle e Leopoldo em Sueño. Foto: João Caldas / Divulgação

[PRESENCIAL]

SUEÑO

Newton Moreno (Brasil)
Complexo Esportivo e Recreativo Rebouças
DATA E HORA
26/11, às 19h
27/11, às 19h 00 às 21h30
Duração 150 min.
Recomendação etária: 14 anos
INGRESSOS:
INTEIRA R$ 40,00
MEIA R$ 20,00
CREDENCIAL PLENA R$ 20,00
Ingressos esgotados
A sessão do dia 27/11 será transmitida pelo Youtube @Sescsp e pelo Instagram @SescAoVivo GRATUIO
Parcerias e apoios: Projeto contemplado pela 12ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a Cidade de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura

Vine, um diretor teatral chileno no exílio, passa vinte anos alimentando Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare, seu espetáculo interrompido pelo golpe de 1973. O jogo teatral se revela entre declarações contundentes dos personagens sobre torturas e assassinatos da ditadura chilena.

Ficha técnica
Dramaturgia e direção geral: Newton Moreno
Direção de produção:Emerson Mostacco
Direção musical: Gregory Slivar
Direção de movimentos: Erica Rodrigues
Elenco: Denise Weinberg, José Roberto Jardim, Leopoldo Pacheco, Michelle Boesche, Paulo de Pontes, Simone Evaristo e Gregory Slivar (músico ao vivo)
Desenho de luz: Wagner Pinto
Figurinos: Chris Aizner e Leopoldo Pacheco
Cenário: Chris Aizner
instagram.com/newtonmoreno9/

Espetáculo português Aurora Negra. Foto: Divulgação

[EXIBIÇÃO]
AURORA NEGRA
Cleo Diára, Isabél Zuaa e Nádia Yracema (Portugal)
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21 a 27/11/21, às 21h
Duração 90 min.
Recomendação etária: 14 anos
INGRESSOS: GRÁTIS
Espetáculo vencedor da segunda edição da Bolsa Amélia Rey Colaço. Parceria com o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães; O Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo; e Teatro Viriato, em Viseu.

As idealizadoras e performers concretizam em seus corpos variadas situações racistas e misóginas que elas e outras mulheres negras ainda vivenciam em Portugal e no mundo.
As artistas respondem a estereótipos e clichês em torno do corpo feminino negro lançando mão de humor e revolta.

FICHA TÉCNICA
Direção artística, criação e interpretação: Cleo Diára, Isabél Zuaa e Nádia Yracema
Cenografia: Tony Cassanelli
Figurinos: José Capela
Desenho de luz e vídeo: Felipe Drehmer
Sonoplastia e composição original: Carolina Varela e Yaw Tembe
Produção: Cama A. C.
Direção de produção: Maria Tsukamoto
Coprodução: Centro Cultural Vila Flor, O Espaço do Tempo, Teatro Viriato, TNDM II
Produção no Brasil: Pedro de Freitas – Périplo Produções
instagram.com/auroranegra.agora/

Chega de Saudade!, com Aquela Cia

[EXIBIÇÃO]
CHEGA DE SAUDADE!
Aquela Cia. (Brasil)
Exibição | Youtube @SescSP 
DATA E HORA
28/11/21—02/12/21, às 19h
Duração 65 min.
Recomendação etária: Livre
INGRESSOS: GRÁTIS

É , ao mesmo tempo, uma homenagem à bossa nova, que propunha rompimentos com a música de fins dos anos 1950, e um estímulo para que aquele sonho de jovens brancos de classe média da zona sul carioca seja revisto, passados mais de 50 anos.

FICHA TÉCNICA
Eletrobras apresenta Chega de Saudade!
Direção: Marco André Nunes
Texto: Pedro Kosovski
Atores:Andrea Bak, Flávio Bauraqui, Hugo Germano, Matheus Macena, Muato, Ona Silva e Vilma Melo
Direção de fotografia: Guilherme Tostes
Direção musical: Felipe Storino
Edição: Acácia Lima
Produção executiva: Cuca Dias e Júlia Andrade
Produção: Corpo Rastreado
Realização: Aquela Cia. de Teatro
instagram.com/aquela_cia/
facebook.com/aquelacia/

Ino Moxo, do Integro Grupo de Arte. Foto: J. Sullivan

[EXIBIÇÃO]
INO MOXO
Integro Grupo de Arte (Peru)
Exibição | Plataforma TePI
Sessão única
DATA E HORA
27/11, 21h às 22h
Duração 60 min.
Recomendação etária: 14 anos
INGRESSOS: GRÁTIS

O misticismo, o ritualismo e a natureza da Amazônia peruana transportam o espectador para uma viagem espiritual. Percorre imagens poéticas, oníricas, por vezes abstratas. Quadros performáticos promovem um ritual; alguns deles são embalados por ícaros, cantos medicinais que acompanham cerimônias espirituais de xamãs e curandeiros.

Ficha técnica:
Performers: Ana Zavala, Francesca Sissa, Gonzalo del Águila, Marisol Otero e Rawa
Figurino: Ana Teresa Barboza
Iluminação: Chacho Guerra e Óscar Naters
Esculturas: Silvia Westphalen
Ícaros (cantos): Rawa
Música: Santiago Pillado
Vídeo e animação: Juan Carlos Yanaura
Coreografia:Ana Zavala e Óscar Naters
Direção e produção: Óscar Naters
integroperu.com
instagram.com.br/integroperuoficial/

La Casa de Tu Alma, do grupo mexicano Conchi León. Foto: Ivan Aguilar / Divulgação

[EXIBIÇÃO]
LA CASA DE TU ALMA
Conchi León (México)
Exibição | Plataforma Sesc Digital
DATA E HORA
26/11/21—01/12/21, às 21h
Duração 70 min.
Recomendação etária: 16 anos
INGRESSOS: GRÁTIS

Lendas de cemitérios do mundo todo e depoimentos dos atores compõem a produção audiovisual da mexicana Conchi León que se debruça sobre o tema da morte com poesia e humor. A obra utiliza variados recursos teatrais – como a transformação dos atores em personagens de alguns relatos, uso de marionetes e uma suposta improvisação de apresentação.

Ficha técnica:
Criação, dramaturgia e direção:
 Conchi León
Música original e direção musical: Alejandro Preisser
Elenco: Conchi León, Oswaldo Ferrer e Susy Estrada
Direção audiovisual: Iván Aguilar
Produção no Brasil: Paula Rocha – Arueira Expressões Brasileiras
www.conchileon.com
instagram.com/laleonaconchi/
instagram.com/suxstrada/
instagram.com/oswoferrer/
instagram.com/ivvan/

La Segunda Vida de um Dragón, do chileno Guillermo Calderón. Foto: Eugenia Paz / Divulgação

[EXIBIÇÃO]
LA SEGUNDA VIDA DE UN DRAGÓN
Guillermo Calderón (Chile)
Exibição | Plataforma Sesc Digital
DATA E HORA
24/11/21—28/11/21, às 19h
Duração 20 min.
Recomendação etária: 12 anos
INGRESSOS: GRÁTIS

O processo de criação de uma obra de arte é tematizado em camadas sobrepostas. O trabalho explora a criação da peça Dragón, de 2019, e das instabilidades políticas e sociais que vêm provocando revisões no espetáculo: os protestos no Chile que tiveram início em outubro daquele ano e levaram a uma revolução ainda em curso, transformada pela pandemia de covid-19. Questões semelhantes são trabalhadas na segunda camada: a peça Dragón, que é tema do vídeo, enreda seus criadores em questionamentos sobre a contribuição social da arte.

Ficha técnica:
Direção e dramaturgia: Guillermo Calderón
Assistência de direção e desenho de som: Ximena Sánchez
Elenco: Camila González, Francisca Lewin, Luis Cerda
Design de luz: Rocío Hernández
Técnica de cenografia e iluminação: Manuela Mege
Produção: María Paz González
Coprodução: Fundación Teatro a Mil, Teatro UC e Theater der Welt 2020 Düsseldorf
Produção no Brasil: Celso Curi
fundacionteatroamil.cl/que-hacemos/circulacion-nacional-e-internacional/catalogo/dragon/
instagram.com/fundacionteatroamil/

O monstro da porta da frente, com A Digna companhia. Foto Jamil Kubruk / Divulgação

[EXIBIÇÃO]
O MONSTRO DA PORTA DA FRENTE
A Digna (Brasil)
Exibição | Youtube @SescSP 
DATA E HORA
27/11/21—01/12/21, às 15h
Duração 75 min.
Recomendação etária: Livre
INGRESSOS: GRÁTIS
Parcerias e apoios: Espetáculo contemplado pelo ProAC 2019 de Produção e Temporada de Espetáculos Inéditos para o Público Infantojuvenil

O Monstro da Porta da Frente pinça gêneros cinematográficos e trilhas sonoras icônicas para homenagear o cinema – tanto a sétima arte quanto as próprias salas de projeção. Voltado para o público infantil. Com seu celular, a menina Laura cria cenas de filmes no antigo cinema e conhece Lanterninha, que encarna a memória do lugar.

Ficha técnica
Direção: Kiko Marques
Dramaturgia: Victor Nóvoa
Elenco: Ana Vitória Bella, Caio Marinho, Helena Cardoso e Luís Mármora
Trilha sonora e direção musical: Carlos Zimbher
adigna.com
instagram.com/adigna.sp/

Preludio, com a peruana Diana Daf Collazos. Still. Direção de Fotografia: Carlos Sánchez / Divulgação

[EXIBIÇÃO]
PRELUDIO, FICCIONES DEL SILENCIO
Diana Daf Collazos (Perú)
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
25/11/21—30/11/21, às 21h
Duração 60 min.
Recomendação etária: 14 anos
INGRESSOS: GRÁTIS
Parcerias e apoios: Ganhador do Fondo de Estímulos para la Cultura 2019, do Ministério de Cultura do Peru. Apoio do Centro Cultural de la Universidad del Pacífico; elgalpon.espacio Asociación Cultural; Bombillo, Técnica para Espectáculos Escénicos

A peruana Diana Daf Collazos escava os sentidos do silêncio para falar de seu país e da América Latina. Combinando performance, documentário e videoarte, a artista investiga como o corpo pode transmitir as memórias que herdou diante de sua própria mudez progressiva, consequência de ter nascido sem uma corda vocal. Ela registrou em um gravador, antes que sua voz desaparecesse, as histórias da morte de seu avô, sua avó e seu pai, e reproduz essa narração enquanto realiza no palco ações cênicas que elaboram o luto.

Ficha técnica
Idealização, direção e performance: Diana Daf Collazos
Produção: Diana Castro Sánchez
Assessoria dramatúrgica: Miguel Rubio Zapata
Direção de vídeos: Carlos Sánchez e Diana Daf Collazos
Diretor técnico: Igor Moreno
Som: José Carlos Valencia
Música: Erick del Aguila
Assistência geral: Josselin Urco
Participação: Martha Palomino
Produção no Brasil: Carla Estefan – Metropolitana Gestão Cultural
dianadafcollazos.com
instagram.com/dianadafnis/
instagram.com/preludio_ficciones_delsilencio/

Reconciliação, de Alexandre Dal Farra e Patrícia Portela Foto: Plinio Leite Dal Farra/ Divulgação

[EXIBIÇÃO]
RECONCILIAÇÃO
Alexandre Dal Farra e Patrícia Portela/Brasil e Portugal
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—29/11/21, às 19h
Duração 41 min.
Recomendação etária: 16 anos
INGRESSOS: GRÁTIS
Parcerias e apoios: DGArtes – República Portuguesa

Cinco quadros propõem uma espécie de expurgo – seja em uma conversa que aborda diretamente temas como a pandemia de covid-19, num monólogo vociferado por um ator que, caminhando apressado pela cidade, fala da ascensão da extrema-direita, seja na imagem de um iceberg se rompendo. O que está em foco no projeto é a ideia de reconciliação como um processo de aceitação e de convivência com o outro.

Ficha técnica
Direção, dramaturgia e textos: Alexandre Dal Farra e Patrícia Portela
Performers e cocriadores: Célia Fechas e Clayton Mariano
Convidado: Nicolas Fernando de Warren
Composição musical e interpretação: Gabriel Ferrandini
Trilha sonora glaciar: Sérgio Hydalgo
Cinematografia: Leonardo Simões (Portugal), Otávio Dantas (Brasil) e Patrícia Portela (Bélgica)
Edição de vídeo: Patrícia Portela e Tomás Pereira
Gravação e edição de som: Hélder Nelson (Gabriel Ferrandini) e Kellzo (Célio Fechas)
www.alexandredalfarra.com.br
www.patriciaportela.pt  
instagram.com/peixinho_da_horta/
instagram.com/clayton_mariano/
instagram.com/celia_fechas/

Trauma, de Alexandre Dal Farra e Patricia Foto: Joao Peixoto Dviulgação

[EXIBIÇÃO]
TRAUMA
Alexandre Dal Farra e Patrícia Portela (Brasil e Portugal)
Exibição| Youtube @SescSP 
DATA E HORA
25/11/21—29/11/21, às 19h
Duração 85 min.
Recomendação etária: 14 anos
INGRESSOS: GRÁTIS
Parcerias e apoios: DGArtes, Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (Fitei) e Prado Produções

Os quadros do vídeo evocam acontecimentos traumáticos que rondam a cena mas não se mostram diretamente sejam eles da história das personagens, referentes à pandemia de covid-19 ou comentários sobre o contexto político contemporâneo. As cenas cotidianas, diálogos e imagens, apesar das palavras, permanecem em tensão contínua do que não é dito, sugerindo uma convivência do trauma com a rotina.

Ficha técnica
Texto e direção: Alexandre Dal Farra e Patrícia Portela
Elenco: Célia Fechas, Clayton Mariano, Gabriela Elias e José Genoino
Câmera: Otávio Dantas
Som: Amarelo
Montagem: Tomás Pereira
Produção: Corpo Rastreado
alexandredalfarra.com.br
patriciaportela.pt
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instagram.com/clayton_mariano
instagram.com/celia_fechas
 

Travessias apresenta gravação do processo de Sem Palavras, da cia brasileira. Foto: Nana Moraes / Divulgação

[EXIBIÇÃO]
TRAVESSIAS
companhia brasileira de teatro/Brasil
Exibição | Youtube @SescSP
DATA E HORA
24/11/21—28/11/21, às 21h
Duração 53 min.
Recomendação etária: 18 anos
INGRESSOS: GRÁTIS
Correalização: Centro Cultural Oi Futuro
Apoios e parcerias: Lei Estadual de Incentivo à Cultura e Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro

No documentário, dirigido por Marcio Abreu e Clara Cavour, a companhia brasileira de teatro compartilha o processo de criação de Sem Palavras, seu mais recente espetáculo, apresentando trechos de ensaios do momento final de sua elaboração.

Ficha técnica
Direção: Clara Cavour e Marcio Abreu
Câmera e edição: Clara Cavour
Mixagem: Estevão Casé
Direção e texto de Sem Palavras: Marcio Abreu
Dramaturgia: Marcio Abreu e Nadja Naira
Elenco: Fábio Osório Monteiro, Giovana Soar, Kauê Persona, Kenia Dias, Key Sawao, Rafael Bacelar, Viní Ventania Xtravaganza e Vitória Jovem Xtravaganza
Direção de produção e administração: Cássia Damasceno e José Maria
Iluminação e assistência de direção: Nadja Naira
Direção musical e trilha sonora original: Felipe Storino
Direção de movimento: Kenia Dias
Cenografia: Marcelo Alvarenga | Play Arquitetura
Figurinos: Luiz Cláudio Silva | Apartamento 03
www.companhiabrasileira.art.br
instagram.com/ciabrasileira/

Peça sobre ativista Yudi Macarena Valdés Muños, encontrada morta em 2016. Foto: Paula Gonzalez Seguel 

[EXIBIÇÃO]
TREWA, ESTADO-NACIÓN O EL ESPECTRO DE LA TRAICIÓN
KIMVN Teatro/Chile
Exibição | Plataforma TePI
DATA E HORA
26/11, das 19h às 20h30
Sessão única
Duração 90 min.
Recomendação etária: 14 anos
INGRESSOS: GRÁTIS
Financiamento: Ministerio de las Culturas, las Artes y el Patrimonio – Fondart Nacional – Trayectoria Artística

A violência contra os mapuches, povo originário da região centro-sul do Chile e da Argentina, a partir da morte da ativista Yudi Macarena Valdés Muños é o tema central da obra. Em 2016, dias depois de uma manifestação contra a instalação de uma central hidroelétrica no rio Tranguil, ela foi encontrada morta em casa; desde então familiares, amigos e ativistas contestam a versão oficial de suicídio.

Ficha técnica
Direção, pesquisa, encenação e dramaturgia: Paula González Seguel
Codramaturgia: David Arancibia Urzúa e Felipe Carmona Urrutia
Assistência de direção: Andrea Osorio Barra
Cenografia: Natalia Morales Tapia
Projeções e edição de som: Niles Atallah
Autoria, composição e direção musical: Evelyn González Seguel
Arranjos musicais: Juan Flores Ahumada e Sergio Ávila Muñoz
Músicos: Evelyn González, Juan Flores, Nicole Gutiérrez, Sergio Ávila e William García
Elenco: Amaro Espinoza, Benjamín Espinoza, Claudio Riveros, Constanza Hueche, Elsa Quinchaleo, Fabián Curinao, Francisca Maldonado, Hugo Medina, Norma Hueche, Paula Zúñiga e Rallen Montenegro
Desenho de luz: Francisco Herrera
Figurino: Natalia Geisse
Assessoria de pesquisa: Fernando Pairican (historiador), Helene Risor (antropóloga) e Marcela Cornejo (psicóloga)
Educadoras mapuzungun: Constanza Hueche e Norma Hueche
Treinamento psicofísico: Natalia Cuellar
facebook.com/kimvnteatro 

Sem Palavras, da cia brasileira. Foto: Nana Moraes / Divulgação

[PRESENCIAL – ESTREIA]
SEM PALAVRAS
Companhia Brasileira de Teatro (Brasil) | Estreia Nacional
Presencial | Teatro Sesc Santos

DATA E HORA

24/11, às 21h às 22h50
25/11, às 21h às 22h50
Duração 110 min.
Recomendação etária: 18 anos
INGRESSOS:
INTEIRA R$ 40,00
MEIA R$ 20,00
CREDENCIAL PLENA R$ 20,00

Parcerias e apoios: Passages Transfestival Metz/FR

A companhia brasileira de teatro tensiona perspectivas do país, como nos trabalhos anteriores PROJETO bRASIL e Preto. Por meio de teatro, dança, música e performance, o espetáculo traz histórias que não foram contadas e estão contidas nos corpos que passam pelo palco, propondo uma reinvenção da linguagem que tente dar conta dos velozes acontecimentos contemporâneos.

Ficha técnica
Direção e texto: Marcio Abreu
Dramaturgia: Marcio Abreu e Nadja Naira
Elenco: Fábio Osório Monteiro, Giovana Soar, Kauê Persona, Kenia Dias, Key Sawao, Rafael Bacelar, Viní Ventanía Xtravaganza e Vitória Jovem Xtravaganza
Direção de produção e administração: Cássia Damasceno e José Maria
Iluminação e assistência de direção: Nadja Naira
Direção musical e trilha sonora original: Felipe Storino
Direção de movimento: Kenia Dias
Cenografia: Marcelo Alvarenga | Play Arquitetura
Figurinos: Luiz Cláudio Silva | Apartamento 03
Produção: companhia brasileira de teatro
Coprodução: A Gente Se Fala Produções Artísticas – Rio de Janeiro/BR, Künstlerhaus Mousonturm Frankfurt am Main/GE e Théâtre Dijon Bourgogne – Centre Dramatique National/FR
Correalização: Centro Cultural Oi Futuro
companhiabrasileira.art.br/
instagram.com/ciabrasileira/

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O insuportável mau cheiro da memória
Crítica do espetáculo Sueños

Paulo de Pontes e Denise Weinberg; ao fundo, José Roberto Jardim e Michelle Boesche. Foto: João Caldas Fº_

Simone Evaristo e Leopoldo Pacheco. Foto: João Caldas Fº/ Divulgação

Fora dos espaços convencionais de edifícios teatrais ocorrem nessa pós-ainda-pandemia, em São Paulo, algumas das experiências mais desconcertantes e arrebatadoras. Uma delas acontece no quintal, na área externa do teatro João Caetano, na zona sul da capital paulista e se chama Sueño. O texto e a direção de Newton Moreno abrem trilhas de diálogos com uma América Latina  ferida, mas não abatida, com suas veias sangrando, mas que pulsa de utopia nos subterrâneos.

Sueño ocupa seu lugar na constelação da arte das emergências, que articula estratégias dos saberes latinizados, dos pensamentos subalternos, das forças de resistência que não hesitam em se afirmar. Diante do avanço dos agentes conservadores em escala global e dos retrocessos da democracia, o espetáculo toma posição nos combates anticapitalistas, anticolonialistas e antipatriarcais na cena incorporada, dos corpos em ação.

Pois é no campo da luta e da crítica à realidade recente que Sueño avança na perspectiva de revitalizar o horizonte. Lembrando o professor e escritor português Boaventura de Sousa Santos a luta é um conceito de resistência, através do qual uma mínima possibilidade de liberdade é convertida em um impulso de libertação. O grande combate e o pequeno combate.

Não dá para esconder o fedor das ditaduras das Américas. Mais que o “insuportável mau cheiro da memória” dos versos de Drummond, as visões do horror, os gritos desesperados repercutem na peça em atravessamentos sofridos e brutais. É um diagnóstico radical nesse panorama de incertezas da democracia.

Para tratar da complexidade do contexto contemporâneo Newton Moreno engenhosamente cria camadas envolventes, da peça dentro da peça, da ditadura chilena como ponto de ressonância do avassalador massacre autoritário na América do Sul.

Passado, presente e futuro se imbricam nesse manifesto poético-político, como quer o dramaturgo/ diretor, que cutuca nossa sensibilidade. Newton Moreno faz de sua indignação, arte. Da sua revolta, teatro. Cria dispositivos que operam nas dinâmicas de produção da vida. Os desafios são enormes.

As dramaturgias vêm com pulsões insubordinadas, quase revoltosas contra a realidade do passado e do presente, inquietas de futuros. Os contextos de ontem e de hoje são assustadores, sabemos.

Mas como atesta o crítico argentino Jorge Dubatti o teatro se configura como o espaço de fundação de territórios de subjetividade alternativa, espaços de resistência, resiliência e transformação, sustentados no desejo e na possibilidade permanente de mudança.

Terreno fértil de práticas micropolíticas, micropoéticas, o teatro contemporâneo latino-americano tem um papel fundamental no aguçamento dessa memória traumática. O teatro é, sem dúvida, esse espaço de análise crítica, de reflexão dos episódios políticos da América Latina.

Michelle Boesche, Foto João Caldas Fº_

Uma enorme árvore, com toda a carga de ancestralidade está fincada no centro do cenário desse Sueño. Sua visão onírica abre portais para rotas individuais do esplendor do cair da tarde para a noite enigmática. Nesse ambiente o elenco – formado por Denise Weinberg, Leopoldo Pacheco, Michelle Boesche, José Roberto Jardim, Paulo de Pontes e Simone Evaristo, e o músico Gregory Slivar – conduz um público de 30 pessoas por uma viagem desafiadora.

O sonho instala, de acordo com Freud, um espaço para realizar desejos inconscientes reprimidos. Muitos desejos circulam no ambiente da peça, provocados pelas traquinagens de Puck, a fada travessa; a luta contra a tirania, a força bruta, e as contradições dos movimentos revolucionários.

O corpo dos atores está impregnado das impressões sensoriais da experiência de sufocamento, dos resíduos das várias guerras travadas no coração do povo. Entre o sonho e o momento desperto erguem-se as estratégias de sobrevivência. Sueno atua como guardião da existência, um compromisso estético de investigação e descobertas de caminhos, de camadas, de feixes de luz.

Para erguer essa dramaturgia dura, forte, Moreno circulou pelo Uruguai, Argentina, Chile e Peru, visitou o Museu da História e dos Direitos Humanos, em Santiago, e o Espacio Memoria, em Buenos Aires. Chocou-se com imagens e depoimentos de crianças arrancadas das famílias por ordens do general Augusto Pinochet ou do espaço que serviu de centro de tortura argentino.

Fez suas conexões com a Operação Condor (campanha de repressão política e terror de Estado, promovida pelos Estados Unidos, envolvendo operações de inteligência e assassinato de opositores implementada em novembro de 1975 pelas ditaduras de direita do Cone Sul: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai). Mergulhou nos arquivos da Comissão Nacional da Verdade, que investigou crimes repressivos dos militares brasileiros na ditadura, e releu obras como As Veias Abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano, e A Elite do Atraso, do sociólogo Jessé de Souza.

Memória da violência

O ponto de vista é do artista, do diretor, do utópico. Numa performance da memória de quem está inscrito à margem. Dos que foram vítimas do poder institucional. É o conhecimento dos vencidos. Ao mesmo tempo põe no centro da pulsação a relevância do fazer artístico e do fazer teatral. E isso diz muito da resistência atual no Brasil e outros países atingidos pelos detratores da cultura, da ciência, dos direitos humanos.

Ao falar do horror dos rastros da ditadura, das atrocidades promovidas pelas elites, Newton levou para a cena a prática da elite chilena exploradora de cobre, que devastou natureza e pessoas.

Denise Weinberg e José Roberto Jardim. Foto João Caldas Fº

A peça corre de forma não linear, entrelaçando temporalidades num encadeamento dialético. Uma plasticidade que expõe fendas profundas da ditadura escancarada, a crueldade e arbitrariedade dos tempos idos e seus reflexos no presente.

Nesse metateatro, uma trupe teatral interrompe uma montagem de Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare, com o golpe militar de 1973 que depôs o então presidente Salvador Allende e que iniciou uma ditadura que se prolongou até março de 1990 com Pinochet. O diretor Vine e sua companheira, a atriz Laura, que está grávida, resolvem fugir do país. Ela, filha de uma importante e conservadora família do Chile, vai para a luta armada. 

E os atores, matérias-primas desse Sueño?…
Próspero, na peça A Tempestade, atenta que “Nós somos feitos da matéria de que são feitos os sonhos; nossa vida pequenina é cercada pelo sono”.

A atriz Denise Weinberg é uma mulher de teatro e tem o domínio do tempo e da direção dos ventos, com todas as nuances. Ora rainha, ora personagem de Shakespeare. Mãe alcóolatra, da elite chilena indulgente com as atrocidades. Cúmplice do novo regime, mas que não é poupada dos horrores provocados pela ditadura. Avó arrependida, mas que mantém o ranço da alta sociedade. Ela nos transpassa com egoísmo concentrado dos ricaços e se descama do orgulho enquanto um mar revolto de emoções explode na cena.

Laura, personagem de Michelle Boesche como filha, assume o protagonismo questionador ao governo, representando os jovens e as mulheres, duas forças de resistência e contestação. A neta, criada sem saber sua verdadeira identidade, aparece com visões políticas e sociais opostas à de seus pais. As ligações insólitas da mão invisível do sistema. Michelle imprime uma interpretação com leveza e vigor.

A entrega do ator Leopoldo Pacheco nos entrechos e a carga de cinismo e ignomínia do militar facínora evidencia a face desses criminosos históricos. Com uma grande atuação, ele nos coloca, nós espectadores, num lugar bizarro de espichar a humanidade a esses infames malfeitores da humanidade quando eles perdem seu poder, mas não a índole cruel, e se disfarçam de coitados.

Vine, o metadiretor do espetáculo, vivido por José Roberto Jardim, segue guarnecido de poesia e cria em seus delírios outros mundos. Com uma atuação contida, por vezes esfíngica, Jardim segue sinalizando passagem, entre a defesa do teatro e o enfrentamento às megacorporações que buscam massacrar os ideais.

Simone Evaristo assume o papel de Puck e outras intervenções performáticas de forte apelo visual. Com suas agilidade e presença, ela funciona como o sal da terra, a equilibrar e desequilibrar o percurso de Sueño.

Paulo de Pontes. Foto: João Caldas Fº / Divulgação

E o que dizer de Paulo de Pontes? Ele está pleno, iluminado, com total domínio do seu ofício. Trafegando com desenvoltura pelos personagens, de Shakespeare, ou como um mineiro-ator. A cena dele transformado em asno com Denise é um jogo magnífico. O ator mistura referências, canônicas e populares, como a de Genival Lacerda, e subverte com propriedade as estratificações. Paulo de Pontes, ator que acompanho há vários anos, está brilhante nesta peça, assumindo vários registros interpretativos com a mesma potência. 

A encenação oferece ao espectador muitas gratificações na condução da fábula, que permite chegar à assombração da barbárie, mas salteada por oníricas imagens. As fantasias visuais funcionam como amortecedores sensoriais. Os fluxos energéticos se cruzam em movimentos de revelar/encobrir, em que todos os atores se desdobram num jogo de encaixe.

Sueño é daqueles espetáculos que sentimos uma profunda gratidão por ter sido erguido, com suas lembranças dolorosas. É uma peça perfeita? A cada mudança que o inquieto Newton Moreno faz poderemos dizer que é mais que perfeita. Pois transborda e nega a categoria de perfeição. É uma montagem tão humana a expor desumanidades e tão teatro no sentido mais completo da palavra que ficamos extasiados em ver e rever.

Ficha técnica:
Dramaturgia e Direção Geral: Newton Moreno
Direção de Produção: Emerson Mostacco
Direção Musical: Gregory Slivar
Direção de Movimentos: Erica Rodrigues
Elenco: Denise Weinberg, Leopoldo Pacheco, Paulo de Pontes, José Roberto Jardim, Michelle Boesche, Simone Evaristo, Gregory Slivar (músico ao vivo)
Desenho de Luz: Wagner Pinto
Figurinos: Leopoldo Pacheco e Chris Aizner
Cenário: Chris Aizner
Visagismo: Leopoldo Pacheco
Assistente de Dramaturgia e Pesquisador: Almir Martines
Assistentes de Direção: Katia Daher (primeira etapa) e Erica Rodrigues
Assistente de Produção: Paulo Del Castro
Assistente de Luz: Gabriel Greghi
Adereços e cenotécnico: Zé Valdir Albuquerque
Estrutura de box truss e arquibancadas: Fernando Hilário Oliveira
Desenho de som: Victor Volpi
Operador de Luz: Gabriel Greghi / Vinícius Rocha Requena
Operador som e Microfone: Victor Volpi
Palestrantes: Sérgio Módena e Ricardo Cardoso
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio – Douglas e Heloisa
Designer: Leonardo Nelli Dias
Fotos: João Caldas
Assistente de fotografia: Andréia Machado
Produção Audiovisual: Ìcarus
Apoio Paisagístico: Assucena Tupiassu
Costureiras: Lande Figurinos e Judite de Lima
Equipe de Montagem de Luz: Guilherme Orro / Thiago Zanotta / Lelê Siqueira
Equipe de Montagem Cenário: F.S. Montagens
Estagiários: Camila Coltri; Fernando Felix; Marcelo Araújo; Bruna Beatriz Freitas; estagiário 5; estagiário 6
Produção: Mostacco Produções
Realização: “Heróica Companhia Cênica”, “Prêmio Zé Renato de Teatro”, “Secretaria Municipal de Cultura” e a “Prefeitura de São Paulo — Cultura”
“Este projeto foi contemplado pela 12a Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro para a cidade de São Paulo – Secretaria Municipal de Cultura”

Serviço:
Onde: Teatro Municipal João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650, Vila Clementino, São Paulo)
Quando: de 05 de novembro a 05 de dezembro de 2021. Dias 25, 26 e 27 de novembro, as apresentações são no MIRADA, festival em Santos
Horários: de terça a domingo, às 18h
Ingressos: Entrada franca, com retirada na bilheteria uma hora antes do espetáculo.
Duração: 150 minutos + 30 minutos de debate após cada apresentação.
Classificação: 14 anos
Lotação: 30 lugares
Informações: (11) 5573-3774 / 5549-1744

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O genial cérebro do escritor pisoteado
Crítica do espetáculo
Traga-me a cabeça de Lima Barreto

Ator baiano Hilton Cobra, da Cia. dos Comuns, do Rio de Janeiro. Foto: Kaian Alves

Sexta-feira fui assistir presencialmente ao espetáculo Traga-me a cabeça de Lima Barreto, solo magistralmente defendido pelo ator baiano Hilton Cobra. Estava acompanhada do ator recifense Carlos Ataíde, do elenco de As Conchambranças de Quaderna. No Centro Cultural São Paulo encontramos com Bruna Recchia, também do Quaderna. Sentei-me na primeira fileira (os mais chegados sabem desse meu toque!, ou é tique?), eles subiram para a terceira fileira.

Já havia visto Traga-me a cabeça de Lima Barreto online, e sabia da potência do espetáculo. Mas ao vivo, realmente!!!, é outra magia!

A encenação circula há quatro anos, celebrada por onde passa. Tantas carnes, tantos nervos, tantas humilhações e resistências em um peça de uma hora de duração. Foi em 2017, quando completou 40 anos de carreira que José Hilton Santos Almeida – o grande Hilton Cobra – ergueu essa montagem potente, criativa, decolonial, com dramaturgia de inspiração poética e política de Luiz Marfuz e direção apaixonante, precisa, ousada e aguerrida de Onissajé (Fernanda Júlia).

Traga-me a cabeça de Lima Barreto nos atravessa com questões mais que urgentes, da reafirmação do protagonismo negro, combate a depreciação intelectual histórica e ainda vigente da figura do negro, engajamento militante da Cia dos Comuns (formado majoritariamente por artistas negros) e o empenho de Hilton Cobra, entre muitas outras coisinhas miúdas.

O racismo e a eugenia são forças confrontadas na peça. O termo eugenia (ou eugenismo) foi cunhado, em 1883, por Francis Galton (1822-1911), para designar ‘bem-nascido’, uma falsa ciência. A ‘eugenia nazista’, fez parte da ignóbil ideia de ‘pureza racial’, que conduzida por Adolf Hitler desembocou no Holocausto.

O texto fictício de Marfuz apresenta um congresso com os eugenistas exigem a exumação do cadáver do escritor Lima Barreto (1881-1922), para uma autópsia, a fim de esclarecer “como um cérebro inferior poderia ter produzido tantas obras literárias – romances, crônicas, contos, ensaios e outros alfarrábios – se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças superiores?”

O monologo é guiado pelos textos de  Barreto, em especial Diários íntimos e Cemitério dos Vivos. A ação se instala em quatro movimentos: O colóquio (a personagem se dirige à plateia e a linguagem tergiversa, estica-se e retarda para encontrar a cumplicidade no tempo presente do espectador), Foro íntimo (lugar indeterminado em que ocorrem as conversas íntimas de Lima Barreto, em tom confessional, como se ele estivesse no quarto, na cama, no ambiente do hospício, a dizer coisas que não diriam em público, de viva voz), Roda de delírios (espaço dos diálogos imaginários do escritor com interlocutores ausentes, ou com suas vozes interiores, provavelmente atribuídos a crises de delirium tremus da personagem, derivadas do álcool, dos internamentos no sanatório e do estado de penúria; é também o espaço do escarro, da linguagem indomável, que se expressa por uma via pública), e o Espaço metamorfo (os diversos lugares onde ocorre o Congresso Brasileiro de Eugenia (antecâmara, tábua de dissecação, mesa do congresso, audiência, sessão de debates, púlpito. etc.).

Peguei esses detalhes da dramaturgia de artigo da pesquisadora Luiza Severo Arruda e Silva, mestranda na Universidade Federal de Uberlândia (mulher negra, estudante e moradora da periferia de Aparecida de Goiânia), intitulado História e Teatro: A Depreciação Da Intelectualidade Negra Por Meio Da Peça Traga-Me A Cabeça De Lima Barreto. São indicações do autor Luiz Marfuz no texto.

“Ora, o contexto é o contexto. O contexto só existe na cabeça de vossas indolências. O único contexto que tem aqui é o seguinte: sou preto, pobre e escritor e estou sendo julgado não pelo mérito de minhas obras, mas sim pelo fato de assim eu ter nascido”
Trecho da dramaturgia de Traga-me a Cabeça de Lima Barreto

Lima Barreto não teve sua obra reconhecida em vida. Na peça ele reivindica seu lugar revolucionário da literatura. E transita entre passado e presente com uma propriedade impressionante para nos jogar na cara que o que mudou, pouco mudou. Nós todos estamos devendo uma cadeira na Academia Brasileira de Letras para Conceição Evaristo, e quando ele sobrevoa nesse tema é de cortar os pulsos.

Muito já foi falado e escrito sobre essa peça, a genialidade de Lima Barreto, as múltiplas facetas de sua personalidade, a loucura, a pobreza, alcoolismo, o desdém por sua obra, as tristezas, o racismo, a família, a memória.

O Brasil desse tamanho tem muitos artistas incríveis, que fazem trabalhos de grandeza no teatro. Hilton Cobra, ator de 65 anos, é um erê iluminado no palco. Sua partitura corporal e os lugares / tempos que ele leva seu corpo vão da África ao futuro para desafiar as certezas. A insubordinação, deboche, irreverência contra o que está posto, as fagulhas de seus personagens , ‘a sua pátria estética’ (os pisoteados, ou loucos, os privados de liberdade) ocupam a cena numa comunidade quilombola de resistência.

Cáustico ferino mordaz, irônico contra eugenistas de todos os tempos, contra racistas disfarçados e orgulhosos, ele destila seu veneno contra os opressores. A personagem faz um jogo com o nome de Machado de Assis e as instâncias e processos de consagração. É um espetáculo genial. Que nos oferece uma dose forte de vida.

Senhores médicos da nova raça, senhores eugenistas de plantão: tão logo soube que me queriam o corpo, vim de livre e espontânea vontade; submeter-me ao acurado exame de vosso positivismo eugênico. Nem precisariam me arrancar do breu dos tempos. “Fui testemunha e exemplo vivo de que a capacidade mental dos negros é sempre discutida a priori e a dos brancos, a posteriori.”
(Reações indignadas dos congressistas)
.
Vejo aqui uma justa oportunidade de defender minhas ideias, obras e personagens, pouco vistas, jamais reconhecidas. Assim, posso expectorar as sílabas silenciadas em meu cérebro, estado de júbilo tal que saí às pressas e nem tive tempo de me banhar nas águas do orixá que me guarda, lá, onde descansava. 
Palavras de Lima Barreto

 

Não tenho por hábito cumprimentar os atores após as apresentações. Por pura timidez. Mas com Hilton Cobra não resisti. Fomos os três. Algumas pessoas estavam na fila. Primeiro foi Ataíde, que ouviu de Hilton que esses abraços fortes e em silêncio são os melhores. Meu abraço com Cobra também foi forte, sussurrei ao seu ouvido que ele é maravilhoso, ele respondeu que trocamos em cena. Fiquei emocionada. Ele disse: Hamilton vai sair em primeiro. E me aconselhou a ir para casa ou tomar uma Heineken.

Fomos, eu e Ataíde, rumo à Santa Cecília, no percurso, no metrô, Ataíde eufórico convocou quatro ou cinco professoras da sua escola para irem ver a brilhante cabeça, sem falta. Conversamos com entusiasmo sobre as conexões que a peça traça do racismo e repressão do tempo de Lima Barreto com o nosso momento atual. Os olhos brilhantes, o sangue fervendo, o coração a mil. Como é bom ver teatro! Tomamos uma Heineken, cada um. Depois chegou Tay Lopez, o nosso galã, que preferiu uma Coca zero. A conversa foi seguido outros rumos, das delícias do amor. Eita que esses artistas da peça de Lima Barreto sabem fazer a cabeça da gente. Deixam a vida em ebulição.

Espetáculo Traga-me a cabeça de Lima Barreto!

Ficha Técnica:
Ator: Hilton Cobra
Dramaturgia: Luiz Marfuz –
Direção: Onissajé (Fernanda Júlia) –
Cenário: Vila de Taipa (Laboratório de Investigação de Espaços do Teatro Vila Velha), Erick Saboya, Igor Liberato e Márcio Meireles
Desenho de Luz: Jorginho de Carvalho e Valmyr Ferreira
Figurino: Biza Vianna
Direção de Movimentos: Zebrinha
Direção Musical: Jarbas Bittencourt
Direção de vídeo: David Aynan
Design gráfico: Bob Siqueira e Gá,
Produção executiva: Elaine Bortolanza e Júlio Coelho
Fotos: Adeloya Magnoni e Valmyr Ferreira
Op. câmera: Lílis Soares
Op. áudio e vídeo: Duda Fonseca
Operador de luz: Lucas Barbalho.
Participações especiais (voz em off): Lázaro Ramos, Caco Monteiro, Frank Menezes, Harildo Deda, Hebe Alves, Rui Manthur e Stephane Bourgade

Qando: Sábado, às 21h e domingos, às 20h
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia-entrada para estudantes e professores)
Compra na bilheteria e pelo sympla.com.br/corporastreado
Duração: 60 minutos
Recomendação: 14 anos
Capacidade: 50 lugares
Local: CCSP – Sala Ademar Guerra – Rua Vergueiro, n° 1000, Paraíso, São Paulo/SP

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Como eu te amo?
Crítica do espetáculo do Grupo Tapa
“De Todas as Maneiras que Há de Amar”

Brian Penido e Clara Carvalho na peça De todas as maneiras que há de amar. Foto: Ronaldo Gutierrez

Counting the Ways no original, a peça de 1976 escrita pelo dramaturgo norte-americano Edward Albee (1928-2016), tem seu título inspirado no poema da inglesa Elizabeth Barrett Browning (“How do I love thee? Let me count the ways”. Como eu te amo? Deixe-me contar os caminhos.”). A montagem do Grupo Tapa leva o nome De Todas as maneiras que há de amar, uma alusão à música de Chico Buarque. O texto curto e elíptico de Albee desdobra-se sobre o desvanecimento do amor depois de anos de convívio. Ou o desgaste da relação. Ou quem sabe, o fim do amor.

Bem, a decomposição sentimental na coexistência de um casal longevo pode não fazer sentido para muitos. Relação duradoura pode se traduzir em poucos meses atualmente. Casal pode não dizer muita coisa para os encontros líquidos dessa época sem muita liga. Uma fotografia, talvez. Mas o mundo é assim, cheio de possibilidades.

A peça de Albee conjectura sobre o que sobra de uma vida de casal após décadas juntos. As reminiscências deslizam entre instantes alegres, tristes, ácidos, indiferentes, profundos, triviais, corrosivos. Com uma potência de humor avassaladora.

A encenação de Eduardo Tolentino de Araujo é protagonizada por Clara Carvalho e Brian Penido. O espetáculo esteve em cartaz em 2020, mas foi interrompido por causa da pandemia. Voltou à temporada presencial no Teatro Aliança Francesa, onde fica até 5 de dezembro, com sessões sextas e sábados, às 20h e domingos, às 17h.

A peça é quase um soneto teatral, com o tempo a modular as mutações do relacionamento e as memórias das personagens Ela e Ele. As escolhas feitas, as corrosões do potencial de humanidade e os pontos de incertezas quanto às preferências do coração. Não se pode estar totalmente convicto do que virá.

Ela reiteradamente pergunta se Ele ainda a ama. Ele lê jornal, divaga na poesia de WH Auden e faz perguntas reveladoras. Entre as quais, porque sua cama de casal de repente se tornou duas camas de solteiro, ou quantos filhos eles têm.

Edward Albee venceu três vezes o prêmio Pulitzer e cinco Tony Awards. Sua obra mais popular Quem Tem Medo de Virginia Woolf? teve adaptação para o cinema em 1966 com Elizabeth Taylor e Richard Burton. No Brasil ele foi encenado algumas vezes: Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, (1965, com Cacilda Becker, Walmor Chagas, Lilian Lemmertz e Fulvio Stefanini; e 2000, Marieta Severo, Marco Nanini, Fábio Assunção e Silvia Buarque), Tudo no Jardim (1969, com Sérgio Viotti, Sebastião Campos, Dina Lisboa e Maria Della Costa, com direção de Flávio Rangel,); A História do Zoológico (2001, com João Lima e Rafael Chamié, direção de Yara de Novaes); A Cabra Ou Quem É Sylvia? (2008, com José Wilker); A Senhora de Dubuque (2011, com Karin Rodrigues). Entre outros.

O que aconteceu com aquela coisa chamada amor romântico? 

As personagens de Albee têm como padrão o desafio de se tornarem mais plenamente humanas, isso inclui cometerem atos cruéis. Ela tenta. Ele tenta.

Paira um clima outonal. A dupla se aproxima dos absurdos, nos jogos de ação, com ludicidade. É como Albee costumava dizer, a habilidade de fazer metáforas é o fiel da humanidade.

Duas cadeiras, uma mesinha, um lustre no teto, às vezes rosas. E palavras, muitas palavras num jogo agridoce. Dolorosamente engraçada, a peça expõe esse casal maduro lutando contra a rotina monótona, a demanda de individualidade na confusão de convívio tão estreito.

As personagens dançam, conversam, monologam, falam direto com o público e em algum momento de si mesmas, artistas do Grupo Tapa, que foram casados na vida real. É uma indicação do texto de Albee, esse momento de confissão. Nesta produção, os dois atores têm sessenta e poucos anos. Se aproximam da faixa etária das personagens.

De Todas as maneiras que há de amar tem uma hora de duração e está dividida em cerca de vinte cenas curtas, algumas com apenas segundos de duração. Cada uma vibra numa emoção da trajetória em comum, ou das memórias individuais das grandes mudanças no mundo. Eu adoraria que essa produção tivesse soluções diferentes para a ligação dos quadros, no lugar dos inúmeros blackouts. Mas não tenho a menor ideia do que seria.

Enquanto a personagem Ela falava de sua adolescência, dos encontros com os garotos – todos iguais – e das fantasias sexuais que ficaram, um raio atravessou as possibilidades de caminhos da minha própria vida. Os meninos com os quais eu não casei e toda a vida afetiva depois, as profissões que não segui e os fracassos depois. Sofri uma epifania, estou viva.

Clara faz uma Ela luminosa Brian, um Ele desengonçado, ambos cativantes em seus pequenos choques e pactos sociais. Os atores exploram bem as nuances da comovente relação nas sobras da ilusão romântica, entre expectativas de camisas limpas, rosas murchas e infindáveis xícaras de chá .

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

poetizou Carlos Drummond de Andrade em Resíduo.

Então?! Você ainda se ama?

De todas as maneiras que há de amar
Ficha Técnica
Texto: Edward Albee.
Tradução: Augusto César.
Direção: Eduardo Tolentino de Araujo.
Elenco: Clara Carvalho e Brian Penido.
Fotos: Ronaldo Gutierrez.
Arte Gráfica: Mau Machado.
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes.
Direção de Produção: Ariel Cannal.

Quando: Sexta e Sábado às 20h, Domingo às 17h, até 5 de dezembro
Onde: Teatro Aliança Francesa – Rua General Jardim, 182, São Paulo – São Paulo.
Duração: 60 min.
Classificação: 14 anos.
Ingresso: entre R$ 30,00 e R$ 60,00 pelo Sympla

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