E a cadela não era dela
Reflexão critica sobre o espetáculo
Hip-Hop Blues – Espólio das Águas

Espetáculo Hip-Hop Blues – Espólio das Águas. Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Nilcéia Vicente em cena do espetáculo Hip-Hop Blues. Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Pense numa cidade rica e injustamente desigual como São Paulo. Faça um esforço para ouvir as vozes caladas, as figuras apagadas em muitas camadas de concreto. Porque além de abstrato, aniquilamento, eliminação são feitos concretos. Sinta as ondas energéticas de negociação por espaço de existir. Perceba os corpos insubordinados que falam / gritam / surraram em muitas linguagens suas existências plenas de vida.

Eu fiz esse exercício antes do terceiro sinal e essa ambiência grudou ao contorno do meu corpo.

Hip-Hop Blues – Espólio das Águas, peça-show do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos celebra os 20 anos de atividades e atuação continuadas do grupo que em 2022 chega aos 22 anos. Parece que engoli um tempo aí, mana, mas são as coisas da pandemia e muitas operações da necropolítica, que além de coisas roubadas como horizontes, nos surrupiaram o tempo, nosso bem tão preciso.

Tô indo desacelerada porque não quero que acabe. Não quero que acabe o Hip Hop Blues que me diz tanto, que expande tanto as questões identitárias, que de novo e de novo e de novo Eugênio Lima lembra do corpo-político, do corpo-ocupação. Ai minhas deusas, Nilcéia Vicente o que você nos faz com sua voz e com sua presença a conduzir por esse percurso de labirintos que soa, ecoa, ressoa, reverbera da caixa torácica aos vãos cabeça com seus sete buracos e aos mindinhos do pé.  Ai mulher, que força da natureza!

O espetáculo compõe microcenas individuais do elenco. Faz cruzas incríveis. Mergulha em ancestralidades, dá partida, que podem ir e voltar. Os atores elegem depoimentos a partir dos passos de cada qual. A marca desse diálogo entre o teatro épico e a cultura hip-hop que o grupo faz como ninguém está lá viva ardente acesa afogueada audaciosa (me prometi não usar a palavra potente nesse texto).

São os corpos que habitam São Paulo. É um grupo de teatro que pensava antes da pandemia em montar um texto de Bertolt Brecht. É a cidade que assusta, que não tem paciência com as dores de seus habitantes apressados. Canções, poemas, ações dramáticas se encaixam nesse curadoria, nesse passeio por São Paulo que aterrou seus rios, pelas memórias dos atores que destampou suas dores.

Foto: Matheus José Maria

Com dramaturgia e a direção de Claudia Schapira e concepção geral do Núcleo Bartolomeu, os artistas – atrizes e atores MC’s – Cristiano Meirelles, Dani Nega, Eugênio Lima, Luaa Gabanini, Nilcéia Vicente e Roberta Estrela D’Alva – mais Daniel Oliva na guitarra  se revezam no centralidade da cena para questionar os lugares, reivindicar o protagonismo negro, expor em alta escala as nervuras do mundo e as mudanças inadiáveis.

E no meio, na borda, no alto, no íntimo da coisa toda está a música, que sempre vai mais além, que toca mais fundo que cria revoluções temporais. E a música é azul de muito sangue derramado, de muita na estrada, da política e da diáspora, dos levantes.

Rima com rima. É a visão do mundo do Bartolomeu de guerras e guerrilhas, atravessada por uma pandemia que deixou e ainda deixa suas marcas nos corpos, que atualiza de forma feroz a travessia.

Mas Hip Hop Blues – Espólio das Águas é celebração. Estamos vivos e isso é inegociável. Vivos e com fome de vida digna. Para quem quase sempre foi preterido.

Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Eugênio Lima. Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Na cena, um grupo de teatro conta como tentou montar a obra Os Sete Pecados Capitais dos Pequenos Burgueses, de Brecht,, mas não parava de chover, e a chuva continua. Baldes de alumínio são deslocados durante a cena para aparar as goteiras. Brecht virou disparador para confrontar questões contemporâneas das marcas coloniais que pulsam na sociedade brasileira.

Depoimentos está no título do Núcleo Bartolomeu e nos procedimentos do grupo, que faz isso há 22 anos. Na cena, Roberta Estrela D’Alva destrincha a estratégia para o público, como funciona. Cada um dos artistas leva para cena um ou mais episódio de suas vidas, suas subjetividades, o preço alto pago para chegar até aqui.

Esses sujeitos históricos em exposição alinham sequências ricas de sentidos individuais, que que projetam os constantes deslocamentos, a lutas e as escolhas do Bartolomeu.

A visão de mundo é blue. As memórias são blues carregadas de violências de gênero, raça e classe que formam uma cena tão plenas de vida.

Nilcéia Vicente canta e conta da sua avo, aquela figura pequena, concentrada, anônima, violentada por outra quase igual numa fábrica de exploração – negrinha com xingamento – até atingir o refluxo da água. Não menosprezem a força da água represada, ela pode responder.

Eugênio Lima expõe os elepês que ele considera fundamentais para alimentar essa história, esse imaginário. Espolio do que sobrou do alagamento e que os discos traduzem como poucas coisas no mundo. O que pulsa de uma linha musical da cultura negra. Essa curadoria sonora é regada por samples que inundam o ar, enquanto Eugênio comenta sobre alguns vinis, como o de Miles Davis herança-orgulho de sua mãe. É eletrizante sua coleção, Tim Mais, Jorge Ben, e que inclui o bolachão de Chico Science e NZ: “Cadê as notas que estavam aqui / Não preciso delas! / Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos” (o Brasil ainda precisa redescobrir CChico Science, sua genialidade).

Dani Nega tensiona o próprio passado de adolescente, as escolhas estéticas, as pressão social, a violência dos padrões impostos, os movimentos de exclusão, a partir de um retrato com cabelo alisado. O que foi, o que não pode ser negado, e marcas no seu corpo dessa experiência subjetiva e social.

Alguns artistas pretas, trans e indígenas aparecem em vídeo ou áudio para dar o seu recado ou são citados como Adeleke Adisaogun Ajiyobiojo, MC Neguinho do Kaxeta, Nêgo Bispo, Matriark, Reinaldo Oliveira, Aretha Sadick, Zahy Guajajara e Kiki Domaleão, drag afro tupini queen de Cristiano Meirelles,

Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Os assuntos da branquitude são enfrentadas a partir de duas cenas da atuação de Luaa Gabanini. O primeiro é o teste para o papel da peça de Brecht, em que entram os sentimentos de uma atriz branca, que não será escolhida para interpretar a personagem do dramaturgo alemão, que será feita por uma atriz negra. Os incômodos, os lugares de privilégio, as possíveis mudança de protagonismo dão voltagem à cena, que se vale de um humor corrosivo para desenvolver a temática. No segundo momento Gabanini apresenta o refluxo, em que tenta entender esse momento em que lhe está destinado um lugar secundário.

A opressão sofrida por Cristiano Meirelles chega pela sua homossexualidade e cobranças familiares e sociais, e as pressões em casa e na rua e a hipocrisia brasileira da família. E sua opção pela arte, pelo desbunde e pela alegria.

A atriz-MC Roberta Estrela D’Alva explora um não-saber, nesse tempos tempos em que quase todos tem discursos prontos. Na sua construção de palavras-ruelas, estradas, becos, cidades, a artista leva para cena o caso do menino Miguel. A cadela não era dela, a mão opressora que chamou o elevador. É sufocante, apavorante, quase palpável as palavras que Roberta convoca para contar essa história.

Mas o espólio das águas desse Hip-Hop Blues é para lavar o corpo, para energizar, desafogar, seguir como água que pode desviar das pedras do caminho, que segue o curso e sempre encontra um um jeito de existir, com força, com fúria, enchente, que nunca desiste, porque é essencial.

Ficha técnica

Hip-Hop Blues – Espólio das Águas
Núcleo Bartolomeu de Depoimentos
Direção: Claudia Schapira
Dramaturgia: Claudia Schapira e elenco
Concepção Geral: Núcleo Bartolomeu de Depoimentos
Atores/Atrizes-MC’s: Cristiano Meirelles, Dani Nega, Eugênio Lima, Luaa Gabanini, Nilcéia Vicente e Roberta Estrela D’Alva
Guitarra: Daniel Oliva
Direção musical: Dani Nega, Eugênio Lima e Roberta Estrela D’Alva
Músicas: Núcleo Bartolomeu e elenco
Assistência de direção: Rafaela Penteado
Cenografia: Marisa Bentivegna
Criação e operação de luz: Matheus Brant
Assistência de iluminação: Guilherme Soares
Criação e operação de vídeo: Vic Von Poser
Assistência de cenografia: César Renzi
Cenotecnia: César Rezende
Assistência de vídeo: Beatriz Gabriel
Direção de movimento: Luaa Gabanini
Técnica de spoken word e métricas: Roberta Estrela D’Alva e Dani Nega
Técnica de canto blues: Andrea Drigo
Técnica de sapateado: Luciana Polloni
Danças urbanas: Flip Couto
Participações especiais vídeo: Adeleke Adisaogun Ajiyobiojo, Aretha Sadick e Zahy Guajajara
Participações especiais áudio: Matriark, Reinaldo Oliveira e Nêgo Bispo
Pensadores-provocadores convidados: Luiz Antônio Simas, Luiz Campos Jr. e Celso Frateschi
Engenharia de Som: João de Souza Neto e Clevinho Souza Intérprete Libras: Erika Mota e equipe
Figurinos: Claudia Schapira
Figurinista assistente e direção de cena: Isabela Lourenço
Costureira: Cleuza Amaro Barbosa da Silva
Direção de produção, administração geral e financeira: Mariza Dantas
Direção de Produção Executiva: Victória Martinez e Jessica Rodrigues [Contorno Produções]
Assistência de produção: Carolina Henriques e Helena Fraga
Coordenação das redes sociais: Luiza Romão
Assessoria de Imprensa e Coordenação de Comunicação: Canal Aberto – Márcia Marques, Carol Zeferino e Daniele Valério
Programação Visual e Desenhos: Murilo Thaveira
Fotos divulgação: Sérgio Silva
Agradecimentos Lu Favoreto, Estúdio Nova Dança Oito, Pequeno Ato, Galpão do Folias, Lucía Soledad, Marisa Bentivegna, Colégio Santa Cruz – Raul Teixeira, Périplo Produções

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Protagonismo feminino na Cena Italiana Contemporânea

Gentle Unicorn. Foto: Alice Brazzit / Divulgação

Tiresias. Foto: Divulgação

A 2ª edição da Semana da Cena Italiana Contemporânea – SCENA traça um recorte da produção atual daquele país europeu, com evidente entusiasmo no protagonismo feminino e assuntos relacionados ao corpo e suas diversidades, ao pertencimento, migrações e o combate à violência contra a mulher. Quatro trabalhos são apresentados de terça-feira (10/05) até domingo (15/05) no Sesc Pompeia, em São Paulo. 

 O foco da programação é formado pelos espetáculos, inéditos no Brasil,  Gentil Unicórnio (Gentle Unicorn) e O Animal (L’Animale), ambos de Chiara Bersani, Tiresias, de Giorgina Pi, e Curva Cega (Curva Cieca), de Muna Mussie; além de rodas de conversas após as apresentações. É de uma pequena amostra do que vem sendo apresentado nos palcos italianos. 

O Animal Unicórnio Gentil, os dois trabalhos de Chiara Bersani, traçam um contraponto entre si, sendo um mais sombrio e o outro mais luminoso. Ambos levam para o centro da cena a discussão do lugar na sociedade de corpos atípicos, das identidades entre outros pontos.

Com título de um dos personagens mais intrigantes do mito grego de Édipo, Tiresias é um espetáculo a partir de texto da poete e rapper londrina Kae Tempest. A criação de Giorgina Pi, uma icônica e multiartista italiana, da companhia Bluemotion, pulsa nos atravessamentos da sexualidade. Feminista, ativista política, pesquisadora acadêmica, diretora, ela é gestora do espaço independente Angelo Mai, em Roma. A obra recebeu quatro prêmios UBU (o mais importante do teatro italiano). 

O lugar da pessoa negra na cena teatral europeia, invisibilidade e ancestralidade estão na mira dos questionamentos de Curva Cega, da artista Muna Mussie, natural da Eritreia, uma antiga colônia Italiana na África. Falado em tigrínio – um idioma antigo, tanto quanto o aramaico e o hebraico, mas ainda muito praticado na Etiópia e na Eritreia – o espetáculo explora como as palavras são escutadas e entendidas. Em cena estão Muna e a voz de um jovem também de origem eritreia.

Este ano, o foco do Scena é a produção artística feminina italiana, reunindo dramaturgas, diretoras, pensadoras e realizadoras que transitam entre a cena performativa, as artes visuais, a formação artística e acadêmica e o ativismo político e artístico, especialmente os que dizem respeito aos lugares de empoderamento das vozes femininas, protagonismo, lutas e visibilidade.

A curadoria da SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea é de Rachel Brumana e a produção da Superfície de Eventos. A realização é do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo e do Sesc SP.

A primeira edição da mostra SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea em São Paulo aconteceu em outubro de 2019, também no Sesc Pompeia. Veio com três trabalhos de companhias e artistas do teatro e da dança na Itália: Fanny&Alexander, Alessandro Sciarroni e Marco d’Agostin, expondo as transversalidades entre teatro, literatura, dança e circo, e com especial dedicação nas passagens dos afetos, da amizade e da resiliência.

 

Programação 

10 e 11 de maio  Terça e quarta-feira, às 20h (com intervalo)

Curva Cega (Curva Cieca) 

Curva cega . Foto: Claudia Pajewski / Divulgação

A performance desenvolvida pela artista eritreia radicada em Bolonha, Muna Mussie com Filmon Yemane – um menino eritreu que vive em Bolonha e é cego desde os 12 anos – investiga o aprendizado da língua materna de Muna através de um diálogo feito de palavras, sinais e mudanças de sentido.

Ficha Técnica
Criação e atuação: Muna Mussie
Texto em áudio: Filmon Yemane
Edição de vídeo: Lino Greco
Tradução: Rachel Brumana
Produção: Short Theatre, Zonak, Santarcangelo Festival 2021, SpazioKor e Teatro di Roma
Apoio: Xing

O Animal (L’Animale)

Chiara Bersani. Foto: Rebecca Lena / Divulgação

A dramaturga, diretora e performer Chiara Bersani cria sua performance a partir d’A morte do cisne, solo coreografado por Mikhail Fokine para a bailarina Anna Pavlova no início do século 20,. Ela questiona as possibilidades de reconhecimento íntimo quando mergulhamos na noite profunda e nos sintonizamos com o canto. A performer investiga a alma como um espaço de movimento e transformação. 

Ficha Técnica
Criação e performance: Chiara Bersani
Iluminação e cenário: Valeria Foti, com a colaboração de Richard Gargiulo e Sergio Seghettini
Dramaturgia vocal: Francesca Della Monica
Apoio à dramaturgia: Giulia Traversi
Fotos: Giulia Traversi
Apoio à criação: Marco D’Agostin / Elena Giannotti
Apoio ao processo: Federica Della Pozza
Promoção e curadoria: Giulia Traversi
Logística e organização: Eleonora Cavallo
Administração: Chiara Fava
Produção: corpoceleste c.c.0.0 #
Coprodução: Swans never die, um projeto de Lavanderia a Vapore – Centro di Residenza per la Danza (Piemonte dal Vivo – Circuito Multidisciplinare dello Spettacolo, Coorpi, Didee Arti e Comunicazioni, Mosaico Danza, Zerogrammi); Operaestate Festival Veneto e Centro para a Cena Contemporânea CSC Bassano del Grappa; Trienal Milano Teatro; Fundação Teatro Grande de Brescia; Festival Bolzano Danza – Fondazione Haydn; Festival Gender Bender; “Memória em Movimento. Re-Membering Dance History (Mnemedance)” – Università Ca’ Foscari Venezia; e DAMS – Università degli Studi di Torino, com o apoio da Fabbrica Europa (Firenze, ITA)

Bate-papo
Dia 10 de maio
Após os espetáculos Curva Cieca e L’Animale 
Muna Mussié conversa com Dione Carlos. Apresentação de Rachel Brumana. Conversa ao vivo no Teatro

12 e 13 de maio Quinta e sexta-feira, às 20h

Gentil Unicórnio (Gentle Unicorn)

Gentle Unicorn. Foto: Alice Brazzit / Divulgação

A partir de sua própria fisicalidade, Chiara Bersani explora a figura fantástica do unicórnio em sua estreia como intérprete e criadora solo. Com uma coreografia de movimentos simples, essa imagem mitológica do unicórnio, incorporada à iconografia pop, se mostra terrivelmente familiar.

Ficha Técnica

Criação e performance: Chiara Bersani
Design de som: Fran De Isabella
Design de luz: Valeria Foti
Diretor técnico: Paolo Tizianel
Consultoria dramatúrgica: Luca Poncetta, Gaia Clotilde Chernetih
Treinadora de movimento: Marta Ciappina
Olhar externo: Marco D’Agostin
Músicos locais: Jo Coutinho, José Máximo Pereira Filho (Pero), Kelly Layher, Marcella Vicentine Cerbara e Ulisses Duo Gitti Flor
Produção: Eleonora Cavallo
Assessoria administrativa: Chiara Fava
Turnê e comunicação: Giulia Traversi
Foto: Roberta Segata
Produção: Associazione Culturale Corpoceleste_C.C.00 #
Co-produção: Festival Santarcangelo e CSC – Centro por la Scena Contemporânea (Bassano del Grappa)
Apoio: Centrale FIES (Dro), Graner (Barcelona), Carrozzerie |N.o.T. (Roma), CapoTrave / Kilowatt (Sansepolcro).
Residências artísticas: ResiDance XL – luoghi e progetti di residenza per creazioni coreografiche azione della Rete Anticorpi XL – Rede Giovane Danza D’autore
coordinata da L’arboreto – Teatro Dimora di Mondaino (Barcellona), Carrozzerie | N.o.T. (Roma), Con il Sostegno di Kilowatt Festival e Bando Siae Sillumina 2018.

Bate-papo

Dia 12 de maio
Após o espetáculo Gentil Unicórnio

Chiara Bersani conversa com Elisa Band. Apresentação de Rachel Brumana. 

14 e 15 de maio – Sábado, às 20h e domingo, às 18h

Tiresias

Foto: Claudia Borgia / Divulgação

Tirésias é o segundo trabalho da diretora Giorgina Pi inspirado na dramaturgia de Kae Tempest, artista inglese não binárie, que mistura rap, poesia, política e música, dando vida a um estilo bem particular. Extraído de Hold your own / Stay yourself, o espetáculo traz a figura de Tirésias, o vidente que carrega muitas vidas em uma, o ser entre o humano e o divino.

Ficha Técnica:
Um projeto de BLUEMOTION
A partir de Hold your own, de Kae Tempest
Direção: Giorgina Pi
Performance: Gabriele Portoghese
Paisagem sonora: Collettivo Angelo Mai
Brilhos: Maria Vittoria Tessitore
Ecos: Vasilis Dramountanis
Figurino: Sandra Cardini
Luz: Andrea Gallo
Tradução para o italiano: Riccardo Duranti
Tradução para o português:
Comunicação: Benedetta Boggio
Produção: Angelo Mai/Bluemotion
Agradecimentos: Massimo Fusillo, Prefeitura de Ventotene, Cecilia Raparelli e Terrazza Paradiso

Bate-papo

Dia 15 de maio de 2022 
Após o espetáculo Tirésias 
Giorgina Pi conversa com Beatriz Sayad. Apresentação de Rachel Brumana. 

Serviço 

SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea em São Paulo – 2ª edição
de 10 a 15 de maio de 2022
Teatro do Sesc Pompeia
Ingressos: R$20 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes, pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino); e R$40 (inteira).
Classificação indicativa: 14 anos
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93 – Pompeia – São Paulo/SP

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Um Beckett memorável em São Paulo
Crítica de “Esperando Godot”
por Dirce Waltrick do Amarante*

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Foto Ivana Moura” width=”600″ height=”338″> Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Fotos Ivana Moura

Escrita em apenas quatro meses, no ano de 1949, Esperando Godot, a peça mais conhecida do escritor irlandês Samuel Beckett, estreou somente em 1953, no Théâtre de Babylone, em Paris. Desde então, há mais de sessenta anos esperamos Godot, mas parece (ou parecia) que não há “nada a fazer”, como diz uma frase que retorna regularmente à boca das personagens, pois Godot não vem, e a espera é o grande tema da peça. 

Em dois atos, Estragon (Gogo) e Vladimir (Didi) esperam em vão e a eles se juntam Lucky, Pozzo e um menino. Ainda que nada aconteça, Beckett considerava Godot “uma obra muito movimentada, um tipo de western. Essa é a movimentação que se vê na nova adaptação da peça, a terceira do Teat(r)o Oficina, dirigida por Zé Celso, que ritualizou Beckett, devorou, literalmente, Godot e o expeliu em terra brasilis

A peça, que recentemente esteve em cartaz no Sesc Pompeia, mas retorna de 5 de maio a 3 de junho, de quinta a domingo, no Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, inicia com raios e trovões. Mas, por aqui, depois da tempestade não vem a bonança, para me valer de um clichê tão próprio da linguagem de Esperando Godot. O que se vê é a árvore seca do cenário beckettiano e um pedaço de muro ou parede no lugar da pedra do cenário original.  É a cena de uma hecatombe dos dias atuais e poderia aludir a mudanças climáticas, quando, depois de tempestades, o que se vê são inundações e destruição de todas as ordens. A natureza já está destruída, não há mais “nada a fazer”. Na adaptação de Zé Celso as guerras recentes também são lembradas. O mundo não teria mudado muito desde 1949. Por isso, uma das frases de Didi, repetida nessa montagem, segue sendo bastante atual: “Será que dormi, enquanto os outros sofriam? Será que durmo agora? Amanhã, quando pensar que estou acordando, o que direi desta jornada?”. 

Os atores estão à vontade nesse universo que exige uma atuação bastante particular diante dos lugares-comuns que devem proferir e da banalidade das situações. Como diz o crítico canadense Hugh Kenner, “a essência da peça é, para ser breve, uma experiência humana tão banal quanto há”.  O par principal, Didi e Gogo, interpretado por Alexandre Borges e Marcelo Drummond, respectivamente, não se furta a improvisar. Ricardo Bittercourt, no papel de Pozzo/ Bozo (numa alusão ao atual presidente do Brasil), vestido de palhaço e com uma farda do exército carregada de medalhas, é mais enérgico e violento do que os outros dois, fazendo o contraponto à dupla central. Pozzo, tanto na versão original quanto na de Zé Celso, leva um criado/ um escravo amarrado pelo pescoço, o qual está encarregado de levar as bagagens. No Godot brasileiro, Lucky (Afortunado), interpretado por Roderick Himeros, chama-se Felizardo, cuja bagagem inclui uma mochila como a dos motoboys, tão imprescindíveis na nossa sociedade, principalmente na pandemia.     

A maior novidade da peça é a substituição da personagem “menino” por um mensageiro negro, o malandro Zé Pelintra, uma figura de terno e chapéu brancos da umbanda. A interpretação impagável dessa personagem é de Tony Reis. 

“Na cosmogonia do terreiro”, como afirma Sidnei Barreto Nogueira, no libreto da peça, “nós nunca estamos aguardando um Messias, um salvador. Porque nós também não temos alguém para culpar. Quer dizer, a cultura cosmogônica Iorubá que está no terreiro Iorubá, Fon, Èfòn, Bantu, é uma cultura de autorresponsabilidade”, ou melhor, “Existe uma corresponsabilidade e uma responsabilidade coletiva, mas nós não temos nessa cultura uma entidade para culpar por nossos males”.  Não há, portanto, bodes expiatórios nessa cultura, na qual, a nosso ver, não só Esperando Godot precisaria ser reescrita, como o foi agora, mas também Édipo Rei, o pilar do teatro no Ocidente, que também ganharia outros contornos. 

Vale destacar que o mensageiro brasileiro fala inglês, talvez porque a língua de Shakespeare inspire em nós, colonizados, mais confiança para falar de assuntos importantes do que a língua de Machado de Assis.  

Há montagens de Godot para todos os gostos: houve uma em um presídio nos Estados Unidos, com os próprios detentos atuando; outra, bem mais recentemente, na Sarajevo dividida e sitiada; e uma terceira durante o apartheid, em Johanesburgo, na África do Sul, só com negros no elenco. A montagem de Zé Celso engrossa a lista de adaptações memoráveis, e em tempos de comemoração do Centenário da Semana de Arte Moderna, nada como matar Godot para fazê-lo renascer em outra cultura e em outra religião.

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Fotos Ivana Moura” width=”600″ height=”362″> Vladimir (Didi) e Estragon (Gogo), interpretados por Alexandre Borges e Marcelo Drummond 

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Foto Ivana Moura” width=”600″ height=”339″> Ricardo Bittercourt (ao fundo à direita), no papel de Pozzo/ Bozo , o palhaço com farda do exército e Roderick Himeros (ao centro), com a mochila como a dos motoboys 

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Foto Ivana Moura” width=”600″ height=”338″> Em maio, Esperando Godot entra em cartaz no Teatro Oficina, depois de uma temporada no Sesc Pompeia

* Professora do Curso de Artes Cênicas na Universidade Federal de Santa Catarina. Autora de Quando elas esperam, dramaturgia feminista baseada em Esperando Godot.

 

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Trema!Festival traz recorte significativo da cena contemporânea ao Recife

 

Altamira, com Gabriela Carneiro da Cunha. Foto: Nereu JR / Divulgação

Feedback, espetáculo da companhia de dança portuguesa CRL-Central Elétrica

As reverberações que um festival de teatro pode provocar numa cidade são significativas. Quando pensamos que o Brasil possui dimensão continental e que a circulação de obras é dificultada por inúmeros fatores, a realização de um festival se torna ainda mais relevante. É um momento para que o público em geral possa ter acesso a obras que talvez não chegassem aos palcos da cidade de outra forma, para acompanhar o que está sendo produzido noutros lugares. Ou para ver espetáculos produzidos por artistas locais, mas que você ainda não teve chance de conferir noutras temporadas.

Para os artistas, essa dimensão da importância de um festival é amplificada. Passa pela formação: assistir, dialogar, pensar noutras possibilidades, estabelecer relações estéticas, se deixar permear pelo trabalho do outro.

Mas tudo isso depende em boa parte da proposta da curadoria do festival. Adianta menos ter um festival que não consegue traçar apontamentos, revelar relevâncias, propor discussões e diálogos. Por isso tudo, o Trema!Festival, produzido por Pedro Vilela, se mostra importante para a cena pernambucana, assim como outros festivais como o Festival de Teatro do Agreste (Feteag), produzido por Fábio Pascoal, e o Reside Lab – Plataforma PE – Festival Internacional de Teatro, de Paula de Renor.

Nesta programação do Trema! que começou no último dia 19, há 27 montagens de vários lugares do país, além de México, Chile e Portugal. A primeira rodada de espetáculos e atividades, chamada de Lado A, vai até o dia 24; e a segunda, Lado B, vai de 26 de abril a 1º de maio, nos Teatros Apolo-Hermilo, Marco Camarotti e Luiz Mendonça, no Recife; e Galpão das Artes, em Limoeiro; Reduto Coletivo, em Surubim; e Caverna Coletivo, em Olinda.

Entre os internacionais, um dos destaques é a companhia de dança portuguesa CRL-Central Elétrica, que abriu o Trema! em 2017 com o espetáculo Noite. Agora, eles apresentam Feedback, nos dias 29 e 30 de abril, às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho.

Entre os espetáculos nacionais, além do imperdível Encantado, de Lia Rodrigues, que abriu a programação, outra indicação é Altamira 2042, solo da atriz Gabriela Carneiro da Cunha que cumpriu temporada recente no Sesc da Avenida Paulista, em São Paulo. É um espetáculo que usa da tecnologia e monta uma instalação sonora e audiovisual para tratar de Belo Monte e das consequências da construção da barragem de Belo Monte a partir de testemunhos de pessoas da comunidade.

A atriz Renata Carvalho volta ao Recife com Manifesto Transpofágico, seu espetáculo mais recente. Renata aproveita a oportunidade do festival para lançar o livro com o texto da peça.

Confira conversa com Renata Carvalho durante lançamento do Manifesto Transpofágico em São Paulo.

Delirantes e Malsãs, do coletivo No barraco da Constância Tem!, que vem ao Recife pela primeira vez

Outras indicações seriam os espetáculos do coletivo No barraco da Constância Tem!, de Fortaleza, que vai ao Recife pela primeira vez com dois espetáculos: Mystura Tropycal, no dia 29 de abril, às 20h30, no Teatro Apolo, e Delirantes e Malsãs, no dia 30 de abril, às 16hs.

Nesta quinta-feira, o Trema! publicou que decidiu que todos os espetáculos da programação terão ingressos gratuitos. Quem já havia comprado, vai ser ressarcido e terá o nome colocado numa lista de presenças do respectivo espetáculo.

Confira a programação completa de espetáculos do Trema!Festival:

PROGRAMAÇÃO TREMA!FESTIVAL

LADO A

Essa Menina. Foto: Ricardo Maciel

Essa Menina (Teatro de Fronteira e Coletivo Lugar Comum|PE) [abertura de processo] [espetáculo acessível em libras]
21 abril (quinta-feira), no Memorial de Medicina e Cultura da UFPE, às 18h

Primeiro episódio da palestra-performance-novela. Cinco décadas de futuro, passado e presente, em que se cruzam a memória pessoal da performer e narrativas do feminismo latino-americano. Aos nove anos, Roberta escreve o melodrama Essa Menina, potente lembrança de sua infância cercada por mulheres-artistas e pelo imaginário novelesco e midiático da cultura brasileira de seu tempo. Cenas de abuso, machismo e silenciamento antecipam a dramaturgia de toda uma vida, em que buscamos ecos coletivos.

Realização: Coletivo Lugar Comum, Departamento de Artes da UFPE e Teatro de Fronteira.
Produção geral: Roberta Ramos e Rodrigo Dourado
Performer: Roberta Ramos
Diretor geral: Rodrigo Dourado
Figurinista e designer: Júlia Gusmão
Acordeon: Ana Maria Ramos
Preparação corporal na técnica do tango: Cláudio Sobral
Concepção e operação de luz: Luciana Raposo
Fotografia, edição e operação de áudio: Ricardo Maciel
Captura e tratamento de imagens: Jonas Alves
Gravação de áudios da peça Essa Menina: Ana Maria Ramos e Roberta Ramos
Apoio de Produção: André Padilha
Apoio: Diretoria de Cultura da UFPE-Proexc, Memorial da Medicina e Cultura da UFPE.
Duração: 50 min
Indicação etária: Livre

Narrativas encontradas numa garrafa pet

Narrativas encontradas numa garrafa pet na beira da maré (Grupo São Gens de Teatro|PE)
21 abril (quinta-feira), no Teatro Hermilo Borba Filho, às 20h30 [espetáculo acessível em libras]

Uma dramaturgia criada a partir da vivência do dramaturgo na comunidade ribeirinha da Ponte do Pina – Recife/PE, onde o autor e sua família encontram a subsistência de sua rede familiar através da pesca artesanal de Marisco e Sururu. O espetáculo traz à cena o universo do mangue, das palafitas, da maré e a diversidade dos sujeitos e suas narrativas, discutindo temas como: homofobia, estupro, assédio, machismo, violência policial, racismo e vulnerabilidade social. Deste modo, o espetáculo coloca em evidência o espaço urbano da cidade do Recife e sua relação com as margens, e visa discutir os problemas inerentes ao fluxo contínuo de uma favela, revelando suas poeticidades e mazelas cotidianas.

Direção e dramaturgia: Anderson Leite
Figurino: André Lourenço
Iluminação e cenografia: Anderson Leite
Sonoplastia: Arnaldo do Monte
Elenco: Anderson Leite, André Lourenço, Cristiano Primo, Fagner Fênix, HBlynda
Morais e Monique Sampaio
Duração: 60 minutos
Indicação etária: 16 anos

Marconi Bispo em re_Luzir. Foto: Felipe Peres Calheiros e Ilda de Sousa

re_Luzir (Marconi Bispo|PE) [estreia]
22 abril (sexta-feira), no Teatro Marco Camarotti, às 19h [espetáculo acessível em libras]

De outubro de 2016 a março de 2020, Marconi Bispo protagonizou o espetáculo autobiográfico Luzir é Negro!. Foram trinta e nove sessões e na última praticamente saiu de cena para o isolamento que a covid-19 nos obrigou. re_Luzir é o esboço cênico da retomada do ator Marconi Bispo: re_ssurgência, re_fluxo, re_volução, re_nascimento, re_começo. Tudo está valendo para definir e direcionar uma existência negra num país onde células nazistas crescem exponencialmente.

Dramaturgia, Encenação e Produção Executiva: Marconi Bispo
Supervisão Dramatúrgica e Assistência de Direção: Henrique Fontes
Direção de Imagens: Lia Letícia
Iluminação: Natalie Revorêdo
Música: Miguel Mendes e Marconi Bispo
Crédito das Fotos: Felipe Peres Calheiros e Ilda de Sousa
Designer Gráfico: Marcelo do Ó
Duração: 60 minutos
Indicação etária: 14 anos

Tijuana, peça mexicana

Tijuana (Lagartijas tiradas al sol |MX)
22 abril (sexta-feira), no Teatro Apolo, às 20h30 [espetáculo acessível em libras]

O que significa democracia no México para milhões de pessoas que vivem com o salário mínimo? O que esperamos da democracia hoje? O que esperamos da política além da democracia? A economia condiciona a forma como experimentamos a política e as expectativas que temos.
Partindo dessa premissa, Tijuana encena a experiência de Lázaro Gabino Rodríguez, convertido por seis meses em Santiago Ramírez, morador de Tijuana (Baja California), sob condições específicas que o separaram de seu mundo habitual, do qual permaneceu incomunicável. A encenação busca narrar essa experiência e explorar as possibilidades de representação. Ser outra pessoa, tentar viver a vida de outra pessoa. Personificar outra pessoa. Isso não é atuar?

Um projeto de Lázaro Gabino Rodríguez
Baseado em textos e ideias de Andrés Solano, Arnoldo Gálvez Suárez, Martín Caparrós e Günter Wallraff
Co-direção: Luisa Pardo
Iluminação: Sergio López Vigueras
Pintura de cenário: Pedro Pizarro
Design de som: Juan Leduc
Vídeo: Chantal Peñalosa e Carlos Gamboa
Colaboração artística: Francisco Barreiro
Este projeto faz parte de “Democracia no México (1965–2015)”
Duração: 60 min
Indicação etária: 16 anos

Receita para se fazer um monstro

Receita para se fazer um monstro (Reduto CenaLab|PE)
22 abril (sexta-feira), no Galpão das Artes, às 19h30 [descentralização – Limoeiro]

Um homem convida você para um reencontro, para uma reunião, uma revisita. Uma cerimônia, uma demonstração ou tentativa de algo. Ele convida você para este momento, e conta muito com sua presença – mas no fundo, não acredita muito que você vá. Pronto para dividir suas memórias que permanecem espalhadas em sua casa, este homem tenta organizá-las para compartilhar com você, o caminho que o fez chegar até aqui.

Direção: André Chaves
Atuação: Igor Lopes
Texto original: Mário Rodrigues
Dramaturgia: André Chaves e Igor Lopes
Duração: 50 min
Indicação etária: 16 anos

Meia-Noite. Foto: Anderson Stevens

Meia Noite (Orun Santana|PE)
23 abril (sábado), no Teatro Hermilo Borba Filho, às 18h

Corpo, ancestralidade, afeto e memória. Em Meia Noite, o público se conecta com a história de Orun Santana e seu mestre e pai. A obra revela ainda princípios motores e imagéticos do corpo do brincante, dançador, fruto de uma relação com o Daruê Malungo, seu espaço de trocas e vivência fonte em atrito com as relações de poder e dominação do corpo negro na contemporaneidade.

Intérprete-criador e diretor: Orun Santana
Consultoria artística: Gabriela Santana
Trilha Sonora: Vitor Maia
Iluminação: Natalie Revorêdo
Cenografia e figurino: Victor Lima
Produção: Danilo Carias | Criativo Soluções
Duração: 60 min
Indicação etária: Livre

Luisa Pardo em Veracruz,nos estamos deforestando o como extrañar Xalapa

Veracruz, nos estamos estamos deforestando o como extrañar Xalapa (Lagartijas tiradas al sol|México)
23 abril (sábado), no Teatro Apolo, às 19h30 [espetáculo acessível em libras]

Conferência performativa que expõe a relação de Luisa Pardo com o lugar onde cresceu, um paraíso tropical onde nasceram suas bisavós, seus avós e seu pai. Essa peça relata a política, a liberdade de expressão e a violência neste estado, tomando como eixo o assassinato de Nadia Vera e Rubén Espinosa, na Cidade do México, e várias vozes de Veracruz que geram um mapa, um panorama mais amplo do que está acontecendo em neste lugar. Veracruz contém em seus territórios a rota que Cortés começou a conquistar México-Tenochtitlán. Veracruz é uma estreita faixa de terra com litoral e montanhas, muita pobreza e violência, assassinatos, desaparecimentos e silêncio.

Criação: Luisa Pardo
Colaboração artística: Lázaro Gabino Rodríguez
Projeto de iluminação: Sergio López Vigueras
Agradecimentos: Shantí Vera, Carlos López Tavera, Jerónimo Rosales, Josué, Amanda, Julián Equihua, Quetzali Macías Ascencio, Georgina Macías, Cuauhtémoc Cuaquehua Calixto, Luis Emilio Gomagú.
Este projeto faz parte de “Democracia no México (1965–2015)
Duração: 60 min
Indicação etária: 16 anos

Ainda escrevo para elas

Ainda escrevo para elas (Natali Assunção, Analice Croccia e Hilda Torres|PE)
23 abril (sábado), no Galpão das Artes, às 19h30 [descentralização – Limoeiro]

É sobre liberdade e aprisionamento. É sobre escuta e fala. Partindo de 11 relatos de mulheres de realidades sócio-econômica-culturais diferentes, o monólogo documental Ainda escrevo para elas nos convida a um mergulho em narrativas sobre liberdade e aprisionamento no cotidiano das mulheres.

Idealização, realização, dramaturgia e elenco: Natali Assunção
Direção, direção de arte e operação de som: Analice Croccia
Direção: Hilda Torres
Criação de luz: Natalie Revorêdo
Assistente de criação de luz e técnico de luz: Domingos Júnior
Preparação corporal: Gabriela Holanda
Figurino: Orlando Neto
Produção: Memória em chamas
Duração: 60 minutos
Classificação etária: 16 anos

Fuck her, performance com Ludmilla Ramalho

Fuck Her (Ludmilla Ramalho|MG)
21 abril (quinta-feira), no Espaço Cênicas, às 19h

Fuck her, em tradução livre, significa “foda-a” ou “coma ela”, expressão de conotação sexual com aspecto de violência. A fúria do termo em inglês, no entanto, é desarticulada pelo jogo com o termo “pinto” que designa, em português, tanto o falo masculino quanto o singelo filhote da galinha, que descobrimos ser o verdadeiro agente do consumo do corpo feminino.

Idealização e performer: Ludmilla Ramalho
Duração: 40 min
Indicação etária: Livre

Grand Finale, com o grupo cearense As 10 Graças

Grand finale (As 10 Graças|CE)
23 abril (sábado), no Coletivo Caverna, às 16h [descentralização – Olinda]
24 abril (domingo), no Recife Antigo, às 16h

Das lonas de circo ao sistema público de saúde. Dos semáforos às catracas de ônibus. Do ingresso comprado à fatura vencida. Pela primeira e última vez o sensacional enforcamento do trabalhador da cultura em praça pública.

Direção: As 10 Graças
Atuação: David Santos e Igor Cândido
Sonoplastia: Alysson Lemos/Lissa Cavalcante
Produção: Alysson Lemos
Duração: 45 min
Indicação etária: Livre

Solo Fértil. Foto; Rogério Alves

Solo fértil (Coletiva Semente de Teatro|PE)
24 abril (domingo), no Teatro Marco Camarotti, às 18h

O monólogo traz os ecos das vozes da terra, desse colo farto onde está plantado nosso passado, presente e de onde virá nosso futuro. É sobre nos relembrar que tão quanto plantar é importante cultivar, nutrir, cuidar. É também sobre a consciência de que não estamos sozinhos, que somos uno, húmus, humano, histórias, medos e sonhos. Juntos.

Direção e dramaturgista: Quiercles Santana
Atriz, dramaturgista e autora: Ludmila Pessoa
Dramaturgista: Malu Vieira
Iluminação: Natalie Revorêdo
Direção de arte: Analice Croccia
Músico: Hercinho
Produção: Natali Assunção
Fotografias: Rogerio Alves
Realização: Coletiva Semente de Teatro
Duração: 40 minutos

LADO B

Altamira 2042 (Gabriela Carneiro da Cunha|RJ)
26 abril (terça-feira), no Teatro Marco Camarotti, às 18h [espetáculo acessível em libras] e às 20h30

Instauração performativa criada a partir do testemunho do rio Xingu sobre a barragem de Belo Monte. Aqui todos falam através de um mesmo dispositivo techno-xamânico: caixas de som e pen drives. Uma polifonia de seres, línguas, sonoridades e perspectivas tomam o espaço para abrir a escuta do público para vozes que tantos tentam silenciar. Assim a Barragem de Belo Monte vai deixando de ser simplesmente uma obra para se tornar o mito do inimigo.

Idealização e concepção: Gabriela Carneiro da Cunha
Direção: Gabriela Carneiro da Cunha e Rio Xingu
Diretor assistente: João Marcelo Iglesias
Assistente de direção: Clara Mor e Jimmy Wong
Orientação de direção: Cibele Forjaz
Orientação da pesquisa e interlocução artística: Dinah de Oliveira e Sonia Sobral
Texto originário: Eliane Brum
“Trematurgia”: Raimunda Gomes da Silva, João Pereira da Silva, Povos indígenas Araweté e Juruna, Bel Juruna, Eliane Brum, Antonia Mello, Mc Rodrigo – Poeta Marginal, Mc Fernando, Thais Santi, Thais Mantovanelli, Marcelo Salazar e Lariza
Montagem de vídeo: João Marcelo Iglesias, Rafael Frazão e Gabriela Carneiro da Cunha
Montagem textual: Gabriela Carneiro da Cunha e João Marcelo Iglesias
Desenho sonoro: Felipe Storino e Bruno Carneiro
Figurino: Carla Ferraz
Iluminação: Cibele Forjaz
Concepção instalativa: Carla Ferraz e Gabriela Carneiro da Cunha
Realização instalativa: Carla Ferraz, Cabeção e Ciro Schou
Tecnologia, programação e automação: Bruno Carneiro e Computadores fazem arte.
Criação multimídia: Rafael Frazão e Bruno Carneiro
Design visual: Rodrigo Barja
Trabalho corporal: Paulo Mantuano e Mafalda Pequenino
Imagens: Eryk Rocha, Gabriela Carneiro da Cunha, João Marcelo Iglesias, Clara Mor e Cibele Forjaz
Pesquisa: Gabriela Carneiro da Cunha, João Marcelo Iglesias, Cibele Forjaz, Clara
Mor, Dinah de Oliveira, Eliane Brum, Sonia Sobral, Mafalda Pequenino e Eryk Rocha
Diretora de produção: Gabriela Gonçalves
Co-produção: Corpo Rastreado e MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo
Realização: Corpo Rastreado e Aruac Filmes
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 16 anos

Kalash. Foto: Thiago Neves

Kalash (Coletivo Resiste|PE)
26 abril (terça-feira), no Teatro Hermilo Borba Filho, às 19h [espetáculo acessível em libras]

Ensaio crítico e iconográfico sobre os dias que vivemos. É sobre autoritarismo, negacionismo, extremismo religioso, ódio, assassinato em massa e as diversas formas de apagamento, de aniquilamento e de silenciamento das vozes divergentes. A que futuro a falta de diálogo e empatia podem nos levar? Nós não respondemos. Nós perguntamos.

Dramaturgia e direção: Quiercles Santana
Atores-pesquisadores: Bruna Luiza Barros, Sandra Rino e Tatto Medinni
Produção executiva: Carla Navarro
Iluminação: Luciana Raposo
Preparação corporal: Tatto Medinni
Direção musical: Kleber Santana
Coreografias: Sandra Rino
Direção de arte: Coletivo Resiste!
Cenotécnico: Flávio Freitas
Arte gráfica e social media: Bruna Luiza Barros
Duração: 2h
Indicação etária: 16 anos

Estesia, uma experiência híbrida de som e luz

Estesia convida Coelho Radioativo (PE/PT)
27 abril (quarta-feira), no Teatro Apolo, às 20h

Estesia é o encontro dos produtores musicais Miguel Mendes e Tomás Brandão, com o cantor e compositor Carlos Filho e o iluminador cênico Cleison Ramos que, em conjunto, elaboraram e realizam um espetáculo imersivo amparado por recursos tecnológicos. O Estesia convida o público a acompanhar uma experiência híbrida de som e luz, onde a música conduz o espetáculo através do remix do gênero canção e de paisagens sonoras urbanas, electrónicas e abstratas. As ações do Estesia envolvem uma estrutura dinâmica de som e luz adaptável a espaços diversos que não somente palcos de música.

Sophia William e Nilo Pedrosa em Mar fechado

Mar fechado (Teatro Agridoce|PE)
28 abril (quinta-feira), no Teatro Marco Camarotti, às 19h [espetáculo acessível em libras]

Retrato fluido sobre a vida de Janaína e Caetano, que trazem consigo uma ligação com as religiões de matrizes africanas. Eles se perdem no vasto oceano social moderno à procura de algo que não se pode tocar, nem ver.

Dramaturgia: Nilo Pedro e Sophia William
Direção: Aurora Jamelo e Flávio Moraes
Elenco: Nilo Pedrosa e Sophia William
Coreografia e preparação de elenco: Sophia William
Cenografia: Aurora Jamelo e Nilo Pedrosa
Figurinos e iluminação: Aurora Jamelo
Produção executiva: Flávio Moraes e Sophia William
Foto: Jéssica Maia
Assessoria de imprensa: Igor Cavalcanti Moura
Realização: Agridoce
Duração: 60 minutos
Classificação etária: 12 anos

Salto é uma livre adaptação do texto Os Músicos de Bremen

Salto (Bote de Teatro|PE)
28 abril (quinta-feira), no Teatro Luiz Mendonça, às 20h30 [espetáculo acessível em libras]

Quatro sujeitos-usuários procuram uma forma de se descolar da realidade em que viviam. Buscam, inconscientes e inconsequentes, uma nova forma, mais justa, de se viver em sociedade. O espetáculo é uma livre adaptação do texto Os Músicos de Bremen dos irmãos Grimm, que inspirou Os Saltimbancos tradução de Chico Buarque de Holanda. De herança ficamos apenas com a dúvida do plágio.

Direção: Pedro Toscano
Dramaturgia: Ines Maia
Atores: Cardo Ferraz, Daniel Barros, Ines Maia, Pedro Toscano e Una Martins
Preparação de elenco: Daniel Barros
Direção de arte: Pedro Toscano
Diretora de movimento: Iara Izidoro
Trilha original: IdLibra
Iluminação: Luciana Raposo
Assessoria de imprensa: Daniel Lima
Design: Raphael Cruz
Duração: 50 min
Indicação etária: 16 anos

Breu com Jr. Aguiar

Breu (Jr. Aguiar/Coletivo Grão Comum|PE)
28 abril (quinta-feira), no Reduto Coletivo, às 19h30 [descentralização – Surubim]

Da obra de Geraldo Maia. Sinuosa prosa poética, autobiográfica, que narra à dor da morte da mãe diante do filho na infância; recordações familiares revelando catarses, conflitos e afetos reprimidos; a descoberta da homoafetividade através da sedução/violação, por um jovem mais velho e a libertação de não carregar culpa e arrependimento imposto pela Igreja.

Autor: Geraldo Maia
Direção e atuação: Jr. Aguiar
Operador de áudio e luz: Moacir Lago (Moa)
Música original: De todas as graças (Geraldo Maia)
Pesquisa sonora: Divina Mãe (Paulo Prudente Pradiip)
Idealização e realização: Coletivo Grão Comum
Duração: 1h
Indicação etária: 16 anos

Mystura Tropikal. Foto Breno de Lacerda

Mystura Tropykal (No barraco da Constância tem!|CE)
29 abril (sexta-feira), no Teatro Apolo, às 20h30 [espetáculo acessível em libras]

Uma brincadeira recria o primeiro momento. E, numa guerra entre territórios, essa festa sincrética inaugura um segundo lugar. Entre o oriente e o ocidente, o terceiro mundo se faz em novos combinados. Misturado de ritmos e mitos, se modificam as primeiras, as segundas e as terceiras pessoas do plural. É tudo miscelânea. É tudo povo. As folias, os folguedos, as folganças, os festejos, as galeras, os pagodes, as quadrilhas. As línguas se desdobram em orgias de pot-pourris. Sagrando milhos. Desfilando novidades. Transformando bandos em rainhas.

Direção, dramaturgia e música original: Ariel Volkova e Honório Félix
Criação e interpretação: Ariel Volkova, Honório Félix e William Pereira Monte
Hostess e contrarregragem: William Pereira Monte
Cenário: Ariel Volkova, Honório Félix, Raí Santorini e William Pereira Monte
Figurino: Ruth Aragão
Maquiagem: Levi Banida
Iluminação: Raí Santorini
Música: Honório Félix e Wladimir Cavalcante
Produção: Ariel Volkova e William Pereira Monte
Fotografia: Breno de Lacerda
Arte gráfica: Yule Bernardo
Duração: 60 minutos
Indicação etária: 12 anos

Loré com Plínio Maciel

Loré (Noz Produz|PE)
29 abril (sexta-feira), no Galpão das Artes, às 19h30 [descentralização – Limoeiro]

Observando uma antiga colcha de retalhos composta por fuxicos, o ator Plínio Maciel rememora os momentos mais longínquos que marcaram a sua vida: desde a sua infância, na cidade de Surubim, passando pelos carnavais da sua vida adulta, momentos familiares, até o fatídico ano de 2020 – o qual surpreendeu o mundo mostrando a fragilidade do ser humano no tempo vivido.

Ator/Dramaturgo: Plínio Maciel
Direção/Dramaturgia/Produção Executiva: Rogério Wanderley
Assistente de direção/Produção Executiva: Daniel Gomes
Trilha Sonora Original/ Identidade Visual e arte: Douglas Duan
Comunicação/Social Media: Milton Raulino
Light Designer/Operação de Luz:Luciana Raposo
Figurino: Álcio Lins
Cenografia: Plínio Maciel
Sonoplasta: Daniel Gomes
Costureira: Francis de Souza

Feedback (CRL-Central Elétrica\Circolando |Portugal)
29 (sexta) e 30 de abril (sábado), Teatro Hermilo Borba Filho, 19h

Um monte de pedras, um microfone e uma máquina de fumo. O som. O sopro. Uma confissão. O que pode um corpo? Uma busca por novas gramáticas de sensibilidade, da inteligência selvagem dos corpos, do corpo chão da terra que reflete memórias ancestrais e desconhecidas. O som captado e manipulado ao vivo foi a pista eleita para centrar a pesquisa. 

Direção artística: André Braga e Cláudia Figueiredo
Interpretação: André Braga
Som ao vivo: João Sarnadas
Desenho de luz: Cárin Geada
Direção de produção: Ana Carvalhosa
Produção: Cláudia Santos
Coordenação técnica: Pedro Coutinho
Co-produção: CRL – Central Elétrica, Teatro Municipal do Porto / DDD – Festival Dias da Dança, Teatro das Figuras, Teatro Académico Gil Vicente
A Circolando / CRL – Central Elétrica é uma estrutura subsidiada por Ministério da Cultura / Direção Geral das Artes

Delirantes e Malsãs (No barraco da Constância tem!|CE)
30 abril (sábado), no Parque Dona Lindu, às 16h

Sobre a cidade há algo que se alastra e contamina, avultando a certeza sobre a continuação dos dias. A praça se manifesta como um campo de incidência, cruzando forças e mistérios nos percursos sobre ela realizados. Forjando alinhamentos orbitais circunscritos em geometrias místicas, transis aprontam um bailado macabro em consonância com os fantasmas e com os astros, cantarolando que não há mais o tempo do imortal. Há a glória da desgraça. O destronamento e a derrocada da torre. Alegoria aos vivos que são todos ossos.

Direção, dramaturgia, coreografia e interpretação: Felipe Damasceno, Honório Félix, Renan Capivara, Sarah Nastroyanni e William Pereira Monte
Ensaiador: Felipe Damasceno
Figurino: Ruth Aragão
Assistência de figurino: Honório Félix
Música: Honório Félix e Sarah Nastroyanni
Produção: Ana Carla de Souza
Colaboração artística: Ariel Volkova
Arte gráfica: Yule Bernardo
Fotografia: Toni Benvenutti
Duração: 55 minutos
Classificação etária: Livre

Sopro D’Água. Foto: Thaís Lima

Sopro D’Água (Gabi Holanda|PE)
30 abril (sábado), Galpão das Artes, às 19h30 [descentralização – Limoeiro]

Entre rios, mares, gotas, enchentes, lamentos e seca, Sopro d’Água transpira a dimensão aquática e ambiental humana, percorrendo desde as memórias ancestrais à urgência da questão hídrica. Qual o lugar da água num mundo em colapso ambiental? Entre rios, mares, gotas, enchentes, lamentos e seca, a performance transpira a dimensão aquática e ambiental humana, percorrendo desde as memórias ancestrais à urgência da questão hídrica.

Concepção e performance: Gabi Holanda
Direção: Daniela Guimarães
Trilha sonora e execução musical: Thiago Neves
Figurino e cenário: Gabi Holanda
Iluminação: Natalie Revorêdo
Produção: Milena Marques e Gabi Holanda
Poesia: Lucas Holanda
Fotografia: Thais Lima
Colaboração musical: Jam da Silva (percussão e flauta)
Arte Gráfica: Thiago Pedrosa
Duração: 50 minutos
Indicação etária: 14 anos

Manifesto Transpofágico. Foto: Nereu Júnior

Manifesto Transpofágico (Renata Carvalho|SP)
30 abril (sábado) e 01 maio (domingo), no Teatro Luiz Mendonça, às 18h [espetáculo acessível em libras]

Manifesto Transpofágico é a transpofagia da transpologia de uma transpóloga. “Hoje eu resolvi me vestir com a minha própria pele. O meu corpo travesti”. Renata Carvalho “se veste” com seu próprio corpo para narrar a historicidade da sua corporeidade, se alimentando da sua “transcestralidade”, comendo-a, digerindo-a. Uma transpofagia. O Corpo Travesti como um experimento, uma cobaia. Um manifesto de um Corpo Travesti.

Dramaturgia e atuação: Renata Carvalho
Direção: Luiz Fernando Marques (Lubi)
Luz: Wagner Antônio
Vídeoarte: Cecília Lucchesi
Operação e adaptação de luz: Juliana Augusta
Cenotécnico: Ciro Schu
Produção: Rodrigo Fidelis / Corpo Rastreado
Co-produção: Risco Festival, MITsp e Corpo Rastreado
Duração: 60 minutos
Classificação etária: 18 anos

PARA CONFERIR A PROGRAMAÇÃO FORMATIVA, ACESSE WWW.TREMAFESTIVAL.COM.BR.

 

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“Eu me fiz.
De certa forma,
eu fiquei grávida
de mim mesma, eu me pari”.
ENTREVISTA: Renata Carvalho

Atriz, escritora e transpóloga Renata Carvalho, no lançamento do livro Manifesto Transpofágico, em São Paulo. Foto: Ivana Moura

“O olhar dela melhora o meu. Depois que a conheci, meu mundo se transformou completamente”, revelou a produtora Gabi Gonçalves, da Corpo Rastreado, sobre as micro revoluções provocadas pela trajetória da atriz, diretora, escritora e transpóloga Renata Carvalho. A emoção de Gabi ao falar da potência dos caminhos trilhados pela autora do livro Manifesto Transpofágico foi um momento lindo numa noite repleta de amorosidades. O lançamento ocorreu no dia 6 de abril, na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo.

Manifesto Transpofágico é a transpofagia da transpologia de uma transpóloga. Em outras palavras, Renata se veste de sua própria pele, seu corpo travesti. Alimentando-se de sua “transcestralidade”, ela narra a historicidade que carrega no corpo. A artista devora, deglute e subverte posições do pesadelo conservador de forma combativa contra a herança colonial, numa experiência pessoal renovada. Renata cria o seu festim transpofágico.

A publicação da Editora Monstra, iniciativa editorial da ONG Casa 1, tem edição bilíngue (inglês e português) e duas brochuras extras, em espanhol e francês. Além de introdução assinada pela professora Jaqueline Gomes de Jesus (IFRJ). “O texto é uma forma de registrar como memória que em 2022 tinha uma travesti fazendo um espetáculo, que esse espetáculo tinha uma pesquisa aprofundada, uma transpofagia”, avalia Renata.

Meu corpo (TRAVESTI) veio antes de mim,
(pausa)
sem eu pedir.
Ele é mais velho do que eu.
(TRAVESTI)

A pesquisa, chamada de Transpologia, foi iniciada em 2007, quando Renata Carvalho atuou como agente de prevenção voluntária de ISTs, hepatites e tuberculose.  Em Santos (SP), ela cuidou de travestis e mulheres trans na prostituição, por 11 anos. Essa vivência motivou a criação do solo Dentro de Mim Mora Outra, que levou aos palcos em 2012, narrando sua travestilidade.

O livro é versão editada do solo que protagoniza e que assina a “travaturgia”, encenado desde 2019. Com direção de Luiz Fernando Marques, o Lubi, a peça Manifesto Transpofágico expõe acontecimentos ligados à travestilidade, compartilhamento íntimo da existência de Renata e sua subjetividade e resgate histórico de dados de sua “transcestralidade”.

Ao expor os fluxos do próprio caminho de forma corajosa, ela questiona a visão cisnormativa sobre o corpo travesti, tratamento social, violências intensas ou sutis, a patologização, a criminalização, a sexualização, enfim a construção social, imagética, midiática do corpo transgênero. E ressalta que o que está em jogo é a sobrevivência, é a própria vida.

A entrevista em vídeo foi realizada no dia do lançamento do livro Manifesto Antropofágico, no dia 6 de abril de 2022, no auditório da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo.

A conversa está dividida em cinco partes curtas.

Na primeira, Renata Carvalho discorre sobre sua percepção do tempo, diz que se sente mais calma, mesmo que o clima de ameaça de morte dos corpos trans ainda seja uma realidade no Brasil.

Transfake e da representatividades trans é tema do segundo bloco.

No terceiro bloco, a artista defende que é preciso celebrar as conquistas – como a deliberação do STJ (Supremo Tribunal de Justiça), do dia 5 de abril. A Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006), é aplicável a mulheres transexuais no país. A decisão inédita passa a proteger com essa Lei todas as mulheres vítimas de violência doméstica. E destaca a importância da atuação de figuras trans nos espaços de entretenimento, como ocorreu com Linn da Quebrada, no BBB.

A encenação O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu estreou em agosto de 2016, no Festival Internacional de Londrina (FILO). Teve grande repercussão e muitas polêmicas foram geradas em função de censuras. O monólogo prega a tolerância, a harmonia, o perdão, o acolhimento, o respeito e o amor e Jesus é interpretado por Renata Carvalho. O espetáculo foi censurado em Jundiaí, Salvador e Garanhuns por ordens judiciais. No Rio de Janeiro e no Recife por pressões religiosas. E muitas tentativas de censura por ódio injustificável, resistência de bandos fundamentalistas religiosos, juízes de direito e grupos conservadores. Renata conta sobre essas memórias doloridas na quarta parte.

No quinto bloco, ela vislumbra futuros possíveis e festeja sua atuação no audiovisual.

Obrigada Renata pela entrevista, pela gentileza e vivacidade de sempre. Parabéns Corpo Rastreado, Editora Monstra, ONG Casa 1,e todos os envolvidos nesta ação do lançamento do livro, “que foi pensado há muito tempo e há muitas mãos”, e que “vai ganhar lugares que a gente nem consegue ter noção”, como salientou a Gabi Gonçalves

RENATA CARVALHO, nasceu em 1981, em Santos (São Paulo).
É atriz, diretora, dramaturga, escritora e transpóloga (antropóloga transgênero).
Fundadora do MONART – Movimento Nacional de Artistas Trans, onde criou o Manifesto Representatividade Trans, que visa que artistas transgêneros interpretem personagens transgêneros.
Lançou o Coletivo T, o primeiro coletivo artístico formado integralmente por artistas transgêneros em São Paulo.

 

 

 

 

 

SERIVÇO

     

Livro Manifesto Transpofágico
Edição bilíngue: de R$ 20,00 a R$ 40,00
Brochuras em espanhol e/ou francês: de R$ 10,00 a R$ 20,00

Para solicitar um exemplar:
contato@corporastreado.com
(11) 3031-7138
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