Suingue, ginga e síncope com Jacksons do Pandeiro

Jacksons do Pandeiro. Foti: Renato Mangolin

Jacksons do Pandeiro Foto: Renato Mangolin

“Eu só boto bebop no meu samba quando Tio Sam tocar um tamborim. Quando ele pegar
no pandeiro e no zabumba. Quando ele aprender que o samba não é rumba. Aí eu vou misturar, Miami com Copacabana. Chiclete eu misturo com banana, E o meu samba vai ficar assim”… E bota suingue, ginga e síncope nesse caldeirão rítmico criado pelo genial Jackson do Pandeiro.

A Barca dos Corações Partidos que montou em sua trajetória de 10 anos as peças Gonzagão – A Lenda (2012), Ópera do Malandro (2014), Suassuna – O Auto do Reino do Sol e Macunaíma – Uma Rapsódia Musical, apresenta Jacksons do Pandeiro, direção de Duda Maia, texto de Braulio Tavares e Eduardo Rios e direção musical de Alfredo Del-Penho e Beto Lemos.

 A temporada paulista ocorre no Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros, de19 a 29 de maio, com sessões às quintas, sextas e sábados às 20h, e aos domingos, às 18h.

O cantor, compositor e multi-instrumentista paraibano Jackson do Pandeiro (1919-1982), ficou conhecido como ‘Rei do Ritmo’ por suas manobras sonoras em mais de 400 canções de vários gêneros como samba, forró, coco, baião e frevo.

A montagem não faz uma biografia cênica do homenageado, mas traça linhas de episódios da vida e das músicas de Jackson com a experiência dos atores. O elenco leva para a cena fragmentos de suas histórias pessoais, que coincidem em muitos pontos com a história de Jackson.

O autor paraibano Braulio Tavares ressalta que falar de Jackson é também falar de nordestinos anônimos. “Às vezes, o texto do espetáculo aparece em forma de música, às vezes como uma poesia ou um poema musicado. Cada vez que ele aparece, ele propõe uma nova brincadeira rítmica – mesmo não tendo uma métrica de poesia – por meio de um jogo de palavras ou outro mecanismo. A nossa ideia é fazer isso para dialogar com as músicas do Jackson, que tinham poesia, brincadeira e alegria”.

A diretora Duda Maia investiu na pesquisa sobre a ideia de ‘corpo-rítmico’ dos atores.Os integrantes da Barca (Adrén Alves, Alfredo Del-Penho, Beto Lemos, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros) dividem a cena com três artistas convidados: Everton Coroné, Lucas dos Prazeres e Luiza Loroza.

O musical reúne sucessos como Sebastiana, O Canto da Ema, Chiclete com Banana, Cantiga do Sapo e outras composições. Além dessas canções, o musical traz músicas novas. “É um ‘pedir licença’ à obra dele, mas sem deixar de homenageá-lo com todo respeito, carinho e admiração”, conta Eduardo Rios. 

Todos os instrumentos em Jacksons do Pandeiro são tocados pelos atores em cena, como nas montagens anteriores da Barca. “Trazemos a forma sincopada do canto para o jogo de cena o tempo todo. Em nosso título, Jacksons aparece no plural porque são várias histórias que se cruzam e se confundem com a de Jackson”, destaca Duda Maia.

Ficha Técnica
Direção: Duda Maia
Dramaturgia: Braulio Tavares e Eduardo Rios
Direção Musical: Alfredo Del-Penho e Beto Lemos
Idealização e Direção de Produção: Andréa Alves
Com a Cia. Barca dos Corações Partidos: Adrén Alves, Alfredo Del-Penho, Beto Lemos, Eduardo Rios, Renato Luciano e Ricca Barros
Artistas convidados – Everton Coroné, Lucas dos Prazeres e Luiza Loroza
Figurinos: Kika Lopes e Rocio Moure  
Cenário: André Cortez
Iluminação: Renato Machado
Design de som: Gabriel D’Angelo
Visagista: Uirandê de Holanda
Assistente de Direção: Júlia Tizumba, Eduardo Rios e Adrén Alves
Assistente de figurino: Masta Ariane
Assistente de cenografia e produção de arte: Tuca Benvenutti  
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Coordenação de Produção: Rafael Lydio
Produção Local e Executiva: Flávia Primo 
Assistente de Produção: Matheus Castro 
Este projeto conta com o incentivo fiscal da Lei de Incentivo à Cultura
Realização: Sesc SP, Secretaria Especial de Cultura, Ministério do Turismo, Governo Federal
Produção: Sarau Cultura Brasileira

Serviço
Jacksons do Pandeiro, de Barca dos Corações Partidos
Temporada: de 19 a 29 de maio, às quintas, sextas e aos sábados, às 20h, e aos domingos, às 18h.
Teatro Paulo Autran – Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195, Pinheiros
Ingressos: R$ 40,00 (Inteira) R$ 20,00 (Meia) R$ 12,00 (comerciários)
Vendas online a partir do dia 10 de maio (ao meio-dia) no site sescsp.org.br. Nas bilheterias do Sesc a partir do dia 11 de maio (às 17h) 
Classificação: 10 anos
Duração: 120 minutos

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Por que não vivemos?
Eis a questão!!!

 

 

Cena de Por que não vivemos?, com Camila Pitanga e rodrigo de odé. Foto: Nana Moraes / Divulgação

Rodrigo Bolzan ao centro. Foto: Nana Moraes / Divulgação

Montagem da companhia brasileira de teatro tem no elenco Camila Pitanga, Cris Larin, Edson Rocha, Josy.Anne, Kauê Persona, Rodrigo Bolzan, Rodrigo Ferrarini e Rodrigo de Odé. Foto: Nana Moraes / Divulgação

Josy.Anne e rodrigo de odé em Por que não vivemos? Foto: Nana Moraes / Divulgação

Em qualquer tempo, cada um de nós pode cair na armadilha da inação, da paralisação do desejo de ousar um caminho novo, uma aventura ou uma possibilidade radical. O espetáculo Por que não vivemos?, dirigido de Marcio Abreu, com a companhia brasileira de teatro, investiga cenicamente esse condição. “Por que não vivemos como poderíamos ter vivido?” é uma pergunta-chave pulsando no texto do dramaturgo russo Anton Tchekhov (1860-1904), nessa peça escrita quando ele tinha por volta de 20 anos.

“Essa questão, que se abre para tantas outras, é um pouco a alma dessa peça”, situa Marcio Abreu. “São pessoas que gostariam de estar em outro lugar, mas não fizeram nada para isso. Mostra como a trama da vida vai se desenrolando e as pessoas vão caindo na armadilha de ficar onde estão”, aponta Giovana Soar, que assina com Abreu e Nadja Naira a adaptação da obra, a partir de uma tradução original do russo por Pedro Alves Pinto e de uma publicação francesa.

Por que não vivemos? estreou em julho de 2019 no CCBB do Rio de Janeiro, e passou no mesmo ano pelos CCBBs Belo Horizonte e Brasília. Em 2020, o espetáculo estreou em São Paulo no Teatro Municipal Cacilda Becker, mas com o início da pandemia suspendeu sua temporada. Depois disso, a montagem circulou por Recife e outras capitais. Agora, faz uma curta temporada no Sesc Santo Amaro (R. Amador Bueno, 505 – Santo Amaro, SP) de dia 20 de maio a 12 de junho de 2022, de sexta a domingo.

A peça, que foca na história do professor Platonov, foi descoberta nos arquivos do irmão de Anton Tchekhov após a sua morte, e publicada em 1923. Sem um título oficial, a peça foi editada em diversos países como Platonov. Somente no final da década de 1990 a obra ganhou traduções e montagens em teatros da Europa. Em 2017, os atores Cate Blanchett e Richard Roxburgh estrearam uma versão do texto na Broadway, em Nova York, chamada de The Present.

A escolha do título Por que não vivemos?, pela companhia brasileira de teatro estabelece, segundo o diretor, um exercício político pois aponta simultaneamente para o passado que não foi vivido e para uma convocação a um futuro que pode ser construído. Para Marcio Abreu, a encenação busca propor reflexões sobre as singularidades dos sujeitos, a conexão coletiva e uma consciência sobre as diferenças. “Os corpos dos atores se reconhecem na estrutura de um texto escrito no final do século XIX e as dinâmicas estabelecidas nos ensaios fizeram com que ele se atualizasse, conferindo ainda mais força à dimensão política da peça”, constata.

O espetáculo lida com temas recorrentes na obra de Tchekhov, a exemplo do conflito entre gerações, as transformações sociais através das mudanças internas do indivíduo, as questões do ser humano comum e do pequeno que existem em cada um de nós, o legado para as gerações futuras – tudo isso na fronteira entre o drama e a comédia, com múltiplas linhas narrativas.

“A montagem tem um foco muito específico nas personagens femininas. São elas que causam transformação, que caminham, que querem mudanças, contravenções e que enfrentam conceitos”, salienta Giovana. Soar atenta que esses traços estavam no texto de Tchekhov, mas foram acentuados na adaptação.

A encenação propõe uma perspectiva de convivência e proximidade com o público através de deslocamentos dos atores pelo espaço e pela quebra da frontalidade. Com isso, o público se tornar coparticipante das ações que ocorrem em cena. 

Por que não vivemos? Foto: Nana Moraes / Divulgação

FICHA TÉCNICA
Por que não vivemos?
Da obra Platonov, de Anton Tchekhov
Direção: Marcio Abreu
Assistência de Direção: Giovana Soar e Nadja Naira
Elenco: Camila Pitanga, Cris Larin, Edson Rocha, Josy.Anne, Kauê Persona, Rodrigo Bolzan, Rodrigo Ferrarini e rodrigo de Odé
Adaptação: Marcio Abreu, Nadja Naira e Giovana Soar
Tradução: Pedro Augusto Pinto e Giovana Soar
Direção de Produção: José Maria
Produção Executiva: Cássia Damasceno
Iluminação: Nadja Naira
Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino
Direção de movimento: Marcia Rubin
Cenografia: Marcelo Alvarenga | Play Arquitetura
Figurinos: Paulo André e Gilma Oliveira
Direção de arte das projeções: Batman Zavareze
Edição das imagens das projeções: João Oliveira
Câmera: Marcio Zavareze
Técnico de som | projeções: Pedro Farias
Assistente de câmera: Ana Maria
Assistente de produção: Luiz Renato Ferreira
Operador de Luz: Henrique Linhares e Ricardo Barbosa
Operador de vídeo: Michelle Bezerra e Sibila
Operador de som: Bruno Carneiro e Felipe Storino
Cenotécnico e contrarregra: Alexander Peixoto
Máscaras: José Rosa e Júnia Mello
Fotos: Nana Moraes
Programação Visual: Pablito Kucarz
Assessoria de Imprensa São Paulo: Canal Aberto
Difusão Internacional: Carmen Mehnert | Plan B
Administração: Cássia Damasceno
Criação e Produção: companhia brasileira de teatro
 
SERVIÇO
Por que não vivemos?
De 20 de maio a 12 de junho de 2022
Sextas, às 20h, sábados, às 19h e domingos, às 18h
Local: Sesc Santo Amaro (R. Amador Bueno, 505 – Santo Amaro, SP)
Ingressos: R$ 40/ R$ 20/ R$ 12
Capacidade: 279 lugares
Duração: 150 min.
Gênero: Comédia Dramática.
Classificação indicativa: 16 anos.
 
 

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E a cadela não era dela
Reflexão critica sobre o espetáculo
Hip-Hop Blues – Espólio das Águas

Espetáculo Hip-Hop Blues – Espólio das Águas. Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Nilcéia Vicente em cena do espetáculo Hip-Hop Blues. Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Pense numa cidade rica e injustamente desigual como São Paulo. Faça um esforço para ouvir as vozes caladas, as figuras apagadas em muitas camadas de concreto. Porque além de abstrato, aniquilamento, eliminação são feitos concretos. Sinta as ondas energéticas de negociação por espaço de existir. Perceba os corpos insubordinados que falam / gritam / surraram em muitas linguagens suas existências plenas de vida.

Eu fiz esse exercício antes do terceiro sinal e essa ambiência grudou ao contorno do meu corpo.

Hip-Hop Blues – Espólio das Águas, peça-show do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos celebra os 20 anos de atividades e atuação continuadas do grupo que em 2022 chega aos 22 anos. Parece que engoli um tempo aí, mana, mas são as coisas da pandemia e muitas operações da necropolítica, que além de coisas roubadas como horizontes, nos surrupiaram o tempo, nosso bem tão preciso.

Tô indo desacelerada porque não quero que acabe. Não quero que acabe o Hip Hop Blues que me diz tanto, que expande tanto as questões identitárias, que de novo e de novo e de novo Eugênio Lima lembra do corpo-político, do corpo-ocupação. Ai minhas deusas, Nilcéia Vicente o que você nos faz com sua voz e com sua presença a conduzir por esse percurso de labirintos que soa, ecoa, ressoa, reverbera da caixa torácica aos vãos cabeça com seus sete buracos e aos mindinhos do pé.  Ai mulher, que força da natureza!

O espetáculo compõe microcenas individuais do elenco. Faz cruzas incríveis. Mergulha em ancestralidades, dá partida, que podem ir e voltar. Os atores elegem depoimentos a partir dos passos de cada qual. A marca desse diálogo entre o teatro épico e a cultura hip-hop que o grupo faz como ninguém está lá viva ardente acesa afogueada audaciosa (me prometi não usar a palavra potente nesse texto).

São os corpos que habitam São Paulo. É um grupo de teatro que pensava antes da pandemia em montar um texto de Bertolt Brecht. É a cidade que assusta, que não tem paciência com as dores de seus habitantes apressados. Canções, poemas, ações dramáticas se encaixam nesse curadoria, nesse passeio por São Paulo que aterrou seus rios, pelas memórias dos atores que destampou suas dores.

Foto: Matheus José Maria

Com dramaturgia e a direção de Claudia Schapira e concepção geral do Núcleo Bartolomeu, os artistas – atrizes e atores MC’s – Cristiano Meirelles, Dani Nega, Eugênio Lima, Luaa Gabanini, Nilcéia Vicente e Roberta Estrela D’Alva – mais Daniel Oliva na guitarra  se revezam no centralidade da cena para questionar os lugares, reivindicar o protagonismo negro, expor em alta escala as nervuras do mundo e as mudanças inadiáveis.

E no meio, na borda, no alto, no íntimo da coisa toda está a música, que sempre vai mais além, que toca mais fundo que cria revoluções temporais. E a música é azul de muito sangue derramado, de muita na estrada, da política e da diáspora, dos levantes.

Rima com rima. É a visão do mundo do Bartolomeu de guerras e guerrilhas, atravessada por uma pandemia que deixou e ainda deixa suas marcas nos corpos, que atualiza de forma feroz a travessia.

Mas Hip Hop Blues – Espólio das Águas é celebração. Estamos vivos e isso é inegociável. Vivos e com fome de vida digna. Para quem quase sempre foi preterido.

Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Eugênio Lima. Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Na cena, um grupo de teatro conta como tentou montar a obra Os Sete Pecados Capitais dos Pequenos Burgueses, de Brecht,, mas não parava de chover, e a chuva continua. Baldes de alumínio são deslocados durante a cena para aparar as goteiras. Brecht virou disparador para confrontar questões contemporâneas das marcas coloniais que pulsam na sociedade brasileira.

Depoimentos está no título do Núcleo Bartolomeu e nos procedimentos do grupo, que faz isso há 22 anos. Na cena, Roberta Estrela D’Alva destrincha a estratégia para o público, como funciona. Cada um dos artistas leva para cena um ou mais episódio de suas vidas, suas subjetividades, o preço alto pago para chegar até aqui.

Esses sujeitos históricos em exposição alinham sequências ricas de sentidos individuais, que que projetam os constantes deslocamentos, a lutas e as escolhas do Bartolomeu.

A visão de mundo é blue. As memórias são blues carregadas de violências de gênero, raça e classe que formam uma cena tão plenas de vida.

Nilcéia Vicente canta e conta da sua avo, aquela figura pequena, concentrada, anônima, violentada por outra quase igual numa fábrica de exploração – negrinha com xingamento – até atingir o refluxo da água. Não menosprezem a força da água represada, ela pode responder.

Eugênio Lima expõe os elepês que ele considera fundamentais para alimentar essa história, esse imaginário. Espolio do que sobrou do alagamento e que os discos traduzem como poucas coisas no mundo. O que pulsa de uma linha musical da cultura negra. Essa curadoria sonora é regada por samples que inundam o ar, enquanto Eugênio comenta sobre alguns vinis, como o de Miles Davis herança-orgulho de sua mãe. É eletrizante sua coleção, Tim Mais, Jorge Ben, e que inclui o bolachão de Chico Science e NZ: “Cadê as notas que estavam aqui / Não preciso delas! / Basta deixar tudo soando bem aos ouvidos” (o Brasil ainda precisa redescobrir CChico Science, sua genialidade).

Dani Nega tensiona o próprio passado de adolescente, as escolhas estéticas, as pressão social, a violência dos padrões impostos, os movimentos de exclusão, a partir de um retrato com cabelo alisado. O que foi, o que não pode ser negado, e marcas no seu corpo dessa experiência subjetiva e social.

Alguns artistas pretas, trans e indígenas aparecem em vídeo ou áudio para dar o seu recado ou são citados como Adeleke Adisaogun Ajiyobiojo, MC Neguinho do Kaxeta, Nêgo Bispo, Matriark, Reinaldo Oliveira, Aretha Sadick, Zahy Guajajara e Kiki Domaleão, drag afro tupini queen de Cristiano Meirelles,

Foto: Cristina Maranhão / Divulgação

Os assuntos da branquitude são enfrentadas a partir de duas cenas da atuação de Luaa Gabanini. O primeiro é o teste para o papel da peça de Brecht, em que entram os sentimentos de uma atriz branca, que não será escolhida para interpretar a personagem do dramaturgo alemão, que será feita por uma atriz negra. Os incômodos, os lugares de privilégio, as possíveis mudança de protagonismo dão voltagem à cena, que se vale de um humor corrosivo para desenvolver a temática. No segundo momento Gabanini apresenta o refluxo, em que tenta entender esse momento em que lhe está destinado um lugar secundário.

A opressão sofrida por Cristiano Meirelles chega pela sua homossexualidade e cobranças familiares e sociais, e as pressões em casa e na rua e a hipocrisia brasileira da família. E sua opção pela arte, pelo desbunde e pela alegria.

A atriz-MC Roberta Estrela D’Alva explora um não-saber, nesse tempos tempos em que quase todos tem discursos prontos. Na sua construção de palavras-ruelas, estradas, becos, cidades, a artista leva para cena o caso do menino Miguel. A cadela não era dela, a mão opressora que chamou o elevador. É sufocante, apavorante, quase palpável as palavras que Roberta convoca para contar essa história.

Mas o espólio das águas desse Hip-Hop Blues é para lavar o corpo, para energizar, desafogar, seguir como água que pode desviar das pedras do caminho, que segue o curso e sempre encontra um um jeito de existir, com força, com fúria, enchente, que nunca desiste, porque é essencial.

Ficha técnica

Hip-Hop Blues – Espólio das Águas
Núcleo Bartolomeu de Depoimentos
Direção: Claudia Schapira
Dramaturgia: Claudia Schapira e elenco
Concepção Geral: Núcleo Bartolomeu de Depoimentos
Atores/Atrizes-MC’s: Cristiano Meirelles, Dani Nega, Eugênio Lima, Luaa Gabanini, Nilcéia Vicente e Roberta Estrela D’Alva
Guitarra: Daniel Oliva
Direção musical: Dani Nega, Eugênio Lima e Roberta Estrela D’Alva
Músicas: Núcleo Bartolomeu e elenco
Assistência de direção: Rafaela Penteado
Cenografia: Marisa Bentivegna
Criação e operação de luz: Matheus Brant
Assistência de iluminação: Guilherme Soares
Criação e operação de vídeo: Vic Von Poser
Assistência de cenografia: César Renzi
Cenotecnia: César Rezende
Assistência de vídeo: Beatriz Gabriel
Direção de movimento: Luaa Gabanini
Técnica de spoken word e métricas: Roberta Estrela D’Alva e Dani Nega
Técnica de canto blues: Andrea Drigo
Técnica de sapateado: Luciana Polloni
Danças urbanas: Flip Couto
Participações especiais vídeo: Adeleke Adisaogun Ajiyobiojo, Aretha Sadick e Zahy Guajajara
Participações especiais áudio: Matriark, Reinaldo Oliveira e Nêgo Bispo
Pensadores-provocadores convidados: Luiz Antônio Simas, Luiz Campos Jr. e Celso Frateschi
Engenharia de Som: João de Souza Neto e Clevinho Souza Intérprete Libras: Erika Mota e equipe
Figurinos: Claudia Schapira
Figurinista assistente e direção de cena: Isabela Lourenço
Costureira: Cleuza Amaro Barbosa da Silva
Direção de produção, administração geral e financeira: Mariza Dantas
Direção de Produção Executiva: Victória Martinez e Jessica Rodrigues [Contorno Produções]
Assistência de produção: Carolina Henriques e Helena Fraga
Coordenação das redes sociais: Luiza Romão
Assessoria de Imprensa e Coordenação de Comunicação: Canal Aberto – Márcia Marques, Carol Zeferino e Daniele Valério
Programação Visual e Desenhos: Murilo Thaveira
Fotos divulgação: Sérgio Silva
Agradecimentos Lu Favoreto, Estúdio Nova Dança Oito, Pequeno Ato, Galpão do Folias, Lucía Soledad, Marisa Bentivegna, Colégio Santa Cruz – Raul Teixeira, Périplo Produções

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Protagonismo feminino na Cena Italiana Contemporânea

Gentle Unicorn. Foto: Alice Brazzit / Divulgação

Tiresias. Foto: Divulgação

A 2ª edição da Semana da Cena Italiana Contemporânea – SCENA traça um recorte da produção atual daquele país europeu, com evidente entusiasmo no protagonismo feminino e assuntos relacionados ao corpo e suas diversidades, ao pertencimento, migrações e o combate à violência contra a mulher. Quatro trabalhos são apresentados de terça-feira (10/05) até domingo (15/05) no Sesc Pompeia, em São Paulo. 

 O foco da programação é formado pelos espetáculos, inéditos no Brasil,  Gentil Unicórnio (Gentle Unicorn) e O Animal (L’Animale), ambos de Chiara Bersani, Tiresias, de Giorgina Pi, e Curva Cega (Curva Cieca), de Muna Mussie; além de rodas de conversas após as apresentações. É de uma pequena amostra do que vem sendo apresentado nos palcos italianos. 

O Animal Unicórnio Gentil, os dois trabalhos de Chiara Bersani, traçam um contraponto entre si, sendo um mais sombrio e o outro mais luminoso. Ambos levam para o centro da cena a discussão do lugar na sociedade de corpos atípicos, das identidades entre outros pontos.

Com título de um dos personagens mais intrigantes do mito grego de Édipo, Tiresias é um espetáculo a partir de texto da poete e rapper londrina Kae Tempest. A criação de Giorgina Pi, uma icônica e multiartista italiana, da companhia Bluemotion, pulsa nos atravessamentos da sexualidade. Feminista, ativista política, pesquisadora acadêmica, diretora, ela é gestora do espaço independente Angelo Mai, em Roma. A obra recebeu quatro prêmios UBU (o mais importante do teatro italiano). 

O lugar da pessoa negra na cena teatral europeia, invisibilidade e ancestralidade estão na mira dos questionamentos de Curva Cega, da artista Muna Mussie, natural da Eritreia, uma antiga colônia Italiana na África. Falado em tigrínio – um idioma antigo, tanto quanto o aramaico e o hebraico, mas ainda muito praticado na Etiópia e na Eritreia – o espetáculo explora como as palavras são escutadas e entendidas. Em cena estão Muna e a voz de um jovem também de origem eritreia.

Este ano, o foco do Scena é a produção artística feminina italiana, reunindo dramaturgas, diretoras, pensadoras e realizadoras que transitam entre a cena performativa, as artes visuais, a formação artística e acadêmica e o ativismo político e artístico, especialmente os que dizem respeito aos lugares de empoderamento das vozes femininas, protagonismo, lutas e visibilidade.

A curadoria da SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea é de Rachel Brumana e a produção da Superfície de Eventos. A realização é do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo e do Sesc SP.

A primeira edição da mostra SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea em São Paulo aconteceu em outubro de 2019, também no Sesc Pompeia. Veio com três trabalhos de companhias e artistas do teatro e da dança na Itália: Fanny&Alexander, Alessandro Sciarroni e Marco d’Agostin, expondo as transversalidades entre teatro, literatura, dança e circo, e com especial dedicação nas passagens dos afetos, da amizade e da resiliência.

 

Programação 

10 e 11 de maio  Terça e quarta-feira, às 20h (com intervalo)

Curva Cega (Curva Cieca) 

Curva cega . Foto: Claudia Pajewski / Divulgação

A performance desenvolvida pela artista eritreia radicada em Bolonha, Muna Mussie com Filmon Yemane – um menino eritreu que vive em Bolonha e é cego desde os 12 anos – investiga o aprendizado da língua materna de Muna através de um diálogo feito de palavras, sinais e mudanças de sentido.

Ficha Técnica
Criação e atuação: Muna Mussie
Texto em áudio: Filmon Yemane
Edição de vídeo: Lino Greco
Tradução: Rachel Brumana
Produção: Short Theatre, Zonak, Santarcangelo Festival 2021, SpazioKor e Teatro di Roma
Apoio: Xing

O Animal (L’Animale)

Chiara Bersani. Foto: Rebecca Lena / Divulgação

A dramaturga, diretora e performer Chiara Bersani cria sua performance a partir d’A morte do cisne, solo coreografado por Mikhail Fokine para a bailarina Anna Pavlova no início do século 20,. Ela questiona as possibilidades de reconhecimento íntimo quando mergulhamos na noite profunda e nos sintonizamos com o canto. A performer investiga a alma como um espaço de movimento e transformação. 

Ficha Técnica
Criação e performance: Chiara Bersani
Iluminação e cenário: Valeria Foti, com a colaboração de Richard Gargiulo e Sergio Seghettini
Dramaturgia vocal: Francesca Della Monica
Apoio à dramaturgia: Giulia Traversi
Fotos: Giulia Traversi
Apoio à criação: Marco D’Agostin / Elena Giannotti
Apoio ao processo: Federica Della Pozza
Promoção e curadoria: Giulia Traversi
Logística e organização: Eleonora Cavallo
Administração: Chiara Fava
Produção: corpoceleste c.c.0.0 #
Coprodução: Swans never die, um projeto de Lavanderia a Vapore – Centro di Residenza per la Danza (Piemonte dal Vivo – Circuito Multidisciplinare dello Spettacolo, Coorpi, Didee Arti e Comunicazioni, Mosaico Danza, Zerogrammi); Operaestate Festival Veneto e Centro para a Cena Contemporânea CSC Bassano del Grappa; Trienal Milano Teatro; Fundação Teatro Grande de Brescia; Festival Bolzano Danza – Fondazione Haydn; Festival Gender Bender; “Memória em Movimento. Re-Membering Dance History (Mnemedance)” – Università Ca’ Foscari Venezia; e DAMS – Università degli Studi di Torino, com o apoio da Fabbrica Europa (Firenze, ITA)

Bate-papo
Dia 10 de maio
Após os espetáculos Curva Cieca e L’Animale 
Muna Mussié conversa com Dione Carlos. Apresentação de Rachel Brumana. Conversa ao vivo no Teatro

12 e 13 de maio Quinta e sexta-feira, às 20h

Gentil Unicórnio (Gentle Unicorn)

Gentle Unicorn. Foto: Alice Brazzit / Divulgação

A partir de sua própria fisicalidade, Chiara Bersani explora a figura fantástica do unicórnio em sua estreia como intérprete e criadora solo. Com uma coreografia de movimentos simples, essa imagem mitológica do unicórnio, incorporada à iconografia pop, se mostra terrivelmente familiar.

Ficha Técnica

Criação e performance: Chiara Bersani
Design de som: Fran De Isabella
Design de luz: Valeria Foti
Diretor técnico: Paolo Tizianel
Consultoria dramatúrgica: Luca Poncetta, Gaia Clotilde Chernetih
Treinadora de movimento: Marta Ciappina
Olhar externo: Marco D’Agostin
Músicos locais: Jo Coutinho, José Máximo Pereira Filho (Pero), Kelly Layher, Marcella Vicentine Cerbara e Ulisses Duo Gitti Flor
Produção: Eleonora Cavallo
Assessoria administrativa: Chiara Fava
Turnê e comunicação: Giulia Traversi
Foto: Roberta Segata
Produção: Associazione Culturale Corpoceleste_C.C.00 #
Co-produção: Festival Santarcangelo e CSC – Centro por la Scena Contemporânea (Bassano del Grappa)
Apoio: Centrale FIES (Dro), Graner (Barcelona), Carrozzerie |N.o.T. (Roma), CapoTrave / Kilowatt (Sansepolcro).
Residências artísticas: ResiDance XL – luoghi e progetti di residenza per creazioni coreografiche azione della Rete Anticorpi XL – Rede Giovane Danza D’autore
coordinata da L’arboreto – Teatro Dimora di Mondaino (Barcellona), Carrozzerie | N.o.T. (Roma), Con il Sostegno di Kilowatt Festival e Bando Siae Sillumina 2018.

Bate-papo

Dia 12 de maio
Após o espetáculo Gentil Unicórnio

Chiara Bersani conversa com Elisa Band. Apresentação de Rachel Brumana. 

14 e 15 de maio – Sábado, às 20h e domingo, às 18h

Tiresias

Foto: Claudia Borgia / Divulgação

Tirésias é o segundo trabalho da diretora Giorgina Pi inspirado na dramaturgia de Kae Tempest, artista inglese não binárie, que mistura rap, poesia, política e música, dando vida a um estilo bem particular. Extraído de Hold your own / Stay yourself, o espetáculo traz a figura de Tirésias, o vidente que carrega muitas vidas em uma, o ser entre o humano e o divino.

Ficha Técnica:
Um projeto de BLUEMOTION
A partir de Hold your own, de Kae Tempest
Direção: Giorgina Pi
Performance: Gabriele Portoghese
Paisagem sonora: Collettivo Angelo Mai
Brilhos: Maria Vittoria Tessitore
Ecos: Vasilis Dramountanis
Figurino: Sandra Cardini
Luz: Andrea Gallo
Tradução para o italiano: Riccardo Duranti
Tradução para o português:
Comunicação: Benedetta Boggio
Produção: Angelo Mai/Bluemotion
Agradecimentos: Massimo Fusillo, Prefeitura de Ventotene, Cecilia Raparelli e Terrazza Paradiso

Bate-papo

Dia 15 de maio de 2022 
Após o espetáculo Tirésias 
Giorgina Pi conversa com Beatriz Sayad. Apresentação de Rachel Brumana. 

Serviço 

SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea em São Paulo – 2ª edição
de 10 a 15 de maio de 2022
Teatro do Sesc Pompeia
Ingressos: R$20 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes, pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino); e R$40 (inteira).
Classificação indicativa: 14 anos
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93 – Pompeia – São Paulo/SP

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Um Beckett memorável em São Paulo
Crítica de “Esperando Godot”
por Dirce Waltrick do Amarante*

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Foto Ivana Moura” width=”600″ height=”338″> Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Fotos Ivana Moura

Escrita em apenas quatro meses, no ano de 1949, Esperando Godot, a peça mais conhecida do escritor irlandês Samuel Beckett, estreou somente em 1953, no Théâtre de Babylone, em Paris. Desde então, há mais de sessenta anos esperamos Godot, mas parece (ou parecia) que não há “nada a fazer”, como diz uma frase que retorna regularmente à boca das personagens, pois Godot não vem, e a espera é o grande tema da peça. 

Em dois atos, Estragon (Gogo) e Vladimir (Didi) esperam em vão e a eles se juntam Lucky, Pozzo e um menino. Ainda que nada aconteça, Beckett considerava Godot “uma obra muito movimentada, um tipo de western. Essa é a movimentação que se vê na nova adaptação da peça, a terceira do Teat(r)o Oficina, dirigida por Zé Celso, que ritualizou Beckett, devorou, literalmente, Godot e o expeliu em terra brasilis

A peça, que recentemente esteve em cartaz no Sesc Pompeia, mas retorna de 5 de maio a 3 de junho, de quinta a domingo, no Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, inicia com raios e trovões. Mas, por aqui, depois da tempestade não vem a bonança, para me valer de um clichê tão próprio da linguagem de Esperando Godot. O que se vê é a árvore seca do cenário beckettiano e um pedaço de muro ou parede no lugar da pedra do cenário original.  É a cena de uma hecatombe dos dias atuais e poderia aludir a mudanças climáticas, quando, depois de tempestades, o que se vê são inundações e destruição de todas as ordens. A natureza já está destruída, não há mais “nada a fazer”. Na adaptação de Zé Celso as guerras recentes também são lembradas. O mundo não teria mudado muito desde 1949. Por isso, uma das frases de Didi, repetida nessa montagem, segue sendo bastante atual: “Será que dormi, enquanto os outros sofriam? Será que durmo agora? Amanhã, quando pensar que estou acordando, o que direi desta jornada?”. 

Os atores estão à vontade nesse universo que exige uma atuação bastante particular diante dos lugares-comuns que devem proferir e da banalidade das situações. Como diz o crítico canadense Hugh Kenner, “a essência da peça é, para ser breve, uma experiência humana tão banal quanto há”.  O par principal, Didi e Gogo, interpretado por Alexandre Borges e Marcelo Drummond, respectivamente, não se furta a improvisar. Ricardo Bittercourt, no papel de Pozzo/ Bozo (numa alusão ao atual presidente do Brasil), vestido de palhaço e com uma farda do exército carregada de medalhas, é mais enérgico e violento do que os outros dois, fazendo o contraponto à dupla central. Pozzo, tanto na versão original quanto na de Zé Celso, leva um criado/ um escravo amarrado pelo pescoço, o qual está encarregado de levar as bagagens. No Godot brasileiro, Lucky (Afortunado), interpretado por Roderick Himeros, chama-se Felizardo, cuja bagagem inclui uma mochila como a dos motoboys, tão imprescindíveis na nossa sociedade, principalmente na pandemia.     

A maior novidade da peça é a substituição da personagem “menino” por um mensageiro negro, o malandro Zé Pelintra, uma figura de terno e chapéu brancos da umbanda. A interpretação impagável dessa personagem é de Tony Reis. 

“Na cosmogonia do terreiro”, como afirma Sidnei Barreto Nogueira, no libreto da peça, “nós nunca estamos aguardando um Messias, um salvador. Porque nós também não temos alguém para culpar. Quer dizer, a cultura cosmogônica Iorubá que está no terreiro Iorubá, Fon, Èfòn, Bantu, é uma cultura de autorresponsabilidade”, ou melhor, “Existe uma corresponsabilidade e uma responsabilidade coletiva, mas nós não temos nessa cultura uma entidade para culpar por nossos males”.  Não há, portanto, bodes expiatórios nessa cultura, na qual, a nosso ver, não só Esperando Godot precisaria ser reescrita, como o foi agora, mas também Édipo Rei, o pilar do teatro no Ocidente, que também ganharia outros contornos. 

Vale destacar que o mensageiro brasileiro fala inglês, talvez porque a língua de Shakespeare inspire em nós, colonizados, mais confiança para falar de assuntos importantes do que a língua de Machado de Assis.  

Há montagens de Godot para todos os gostos: houve uma em um presídio nos Estados Unidos, com os próprios detentos atuando; outra, bem mais recentemente, na Sarajevo dividida e sitiada; e uma terceira durante o apartheid, em Johanesburgo, na África do Sul, só com negros no elenco. A montagem de Zé Celso engrossa a lista de adaptações memoráveis, e em tempos de comemoração do Centenário da Semana de Arte Moderna, nada como matar Godot para fazê-lo renascer em outra cultura e em outra religião.

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Fotos Ivana Moura” width=”600″ height=”362″> Vladimir (Didi) e Estragon (Gogo), interpretados por Alexandre Borges e Marcelo Drummond 

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Foto Ivana Moura” width=”600″ height=”339″> Ricardo Bittercourt (ao fundo à direita), no papel de Pozzo/ Bozo , o palhaço com farda do exército e Roderick Himeros (ao centro), com a mochila como a dos motoboys 

<strong><p id=Esperando Godot, montagem do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona. Foto Ivana Moura” width=”600″ height=”338″> Em maio, Esperando Godot entra em cartaz no Teatro Oficina, depois de uma temporada no Sesc Pompeia

* Professora do Curso de Artes Cênicas na Universidade Federal de Santa Catarina. Autora de Quando elas esperam, dramaturgia feminista baseada em Esperando Godot.

 

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