A cidade é um corpo marginal , repleto de poesia
Crítica de Miró: Estudo nº 2

Estudo N°2 – Miró. Erivaldo Oliveira e Bruno Parmera. Foto: Ivana Moura

O Grupo Magiluth, um dos mais atuantes do Brasil, está celebrando 20 anos de trajetória e, por isso, tem apresentado nos últimos meses algumas das peças de seu repertório no Recife. A trupe tem se notabilizado pelas experimentações e busca de uma linguagem que pulse as inquietações destes tempos. Em seus dois últimos trabalhos, Estudo N°1 – Morte e Vida e Estudo N°2 – Miró, enfatiza a importância de “concretizar” na cena o estudo da prática teatral, expandindo sua linguagem singular que combina jogo cênico e crítica social, ironia e humor, pesquisa e performance. Na peça-palestra Miró – Estudo N°2, a trupe investiga a tênue e complexa fronteira entre inteprerte e personagem.

Uma cena exemplifica a transformação de um coadjuvante em protagonista: durante uma abordagem policial violenta, três jovens da periferia são interpelados, e um deles é agredido com um tapa no rosto por um dos policiais. Esse ato de violência faz com que o jovem se torne o protagonista da cena. E o que dizer disso tudo? O Magiluth dá um curto-circuito para de uma apatia social e apontar para o público, que assiste passivamente, sem esboçar reação.

Miró: Estudo N°2 é o 12º trabalho desse grupo e estreou em abril de 2023, no Itaú Cultural, em São Paulo. Mais do que uma biografia cênica, o espetáculo é uma experiência sensorial e poética que nos convida a perceber a cidade como um corpo vivo, feito de carne e concreto, sonhos e escombros. 

Miró da Muribeca, nome artístico de João Flávio Cordeiro da Silva (1960-2022), foi um poeta marginal do Recife, que fez das ruas da cidade seu palco, vendendo seus livros nas pontes e praças, declamando versos que falavam da realidade dura da periferia. Sua poesia, inicialmente lírica, ganhou contornos políticos ao denunciar a violência, o preconceito e a desigualdade que marcam a vida dos pobres e negros nas grandes cidades brasileiras.

No palco, os atores Giordano Castro, Erivaldo Oliveira e Bruno Parmera investigam o processo de criação de um personagem teatral, se revezam nos papéis de protagonista, antagonista, coadjuvante e figurante, numa estrutura que questiona as possíveis hierarquias do teatro e a relação entre arte, cidade e resistência, desestabilizando esses papéis com o protagonismo de um poeta que deu voz aos invisibilizados.

A encenação explora a linguagem híbrida que tem sido uma das marcas do Magiluth, conectando teatro, performance, música, vídeo e poesia. Essa pesquisa de linguagem do grupo é muito importante, e quem acompanha a trajetória dessa trupe percebe as tentativas de ampliar e aprofundar a linguagem própria do grupo. As cenas se sucedem num fluxo fragmentado, como lampejos de memória, evocando a trajetória de Miró e a história do Recife, com a cidade como personagem, revelando suas contradições e encruzilhadas.

Erivaldo Oliveira assume o papel de Miró, buscando uma comunhão com a essência inquieta e a criatividade febril do poeta, sem apagar o Erivaldo. Em cena, Miró ganha potência para denunciar a especulação imobiliária que destruiu o conjunto habitacional da Muribeca, onde viveu, para celebrar a palavra e para rir e chorar diante das grandezas e mazelas da vida na periferia.

O espetáculo nos provoca a repensar as relações entre centro e periferia, entre a cidade oficial dos cartões-postais e a cidade real dos becos e favelas. Miró é a encarnação poética dessa cidade à margem, ou dessa porção da urbe, feita de carne e sonho, que resiste e se reinventa a cada dia. Sua poesia é indissociável de que ele foi – poeta, negro, periférico, das ruas onde viveu e amou, das pontes onde declamou seus versos.

Giordano Castro. Foto: João Maria Silva Jr/ Divulgação

Com Miró, o Magiluth celebra a força da poesia como arma de combate num mundo cada vez mais prosaico e desencantado. 

A encenação fragmentada articula realidade e ficção, biografia e poesia. As rupturas e repetições na linguagem cênica podem ser lidas como metáforas dos ciclos de violência e resistência que marcam a experiência de quem vive à margem. Grita a dimensão política do espaço urbano e a necessidade de reinventá-lo a partir do periférico. 

Nesse sentido, a destruição do conjunto habitacional da Muribeca, onde Miró viveu, surge como símbolo dos processos de exclusão e apagamento que caracterizam o desenvolvimento urbano no Brasil. A especulação imobiliária aparece como força antagonista, que expulsa os pobres para os abismos da cidade e da cidadania, conectando-se com lutas históricas pelo direito à moradia e à cidade.

Conhecido por incorporar referências e citações de seus trabalhos anteriores em suas novas montagens, esse procedimento do Magiluth sugere uma compreensão do fazer teatral como um processo contínuo e interconectado, onde cada obra não é apenas uma resposta às questões e inquietações do mundo atual, mas também estabelece um diálogo com a própria trajetória artística do grupo. Ao revisitar e ressignificar elementos de suas obras passadas, o Magiluth cria uma narrativa metateatral,.

Na apresentação no Teatro do Parque, ontem, 20 de maio, durante o Festival Palco Giratório, no Recife, algumas falas dos atores foram perdidas, – seja por terem sido pronunciadas em volume baixo, sem projeção, ou por terem sido sobrepostas por músicas ou sons, ou por existir um problema de acústica no teatro -, o que dificultou o entendimento de algumas passagens. Como a poesia de Miró é um elemento central do espetáculo e deve ser ouvida pelo público, é importante que o grupo fique atento a essas questões pontuais para garantir a melhor experiência possível para a plateia.

Ficha Técnica:
Miró: Estudo nº2, do grupo Magiluth
Direção: Grupo Magiluth
Dramaturgia: Grupo Magiluth
Atores: Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira e Giordano Castro
Stand in: Mário Sergio Cabral e Lucas Torres
Fotografia: Ashlley Melo
Design gráfico: Bruno Parmera
Colaboração: Grace Passô, Kenia Dias, Anna Carolina Nogueira e Luiz Fernando Marques
Realização: Grupo Magiluth

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Uma joia que dilata nossos corações para celebrar a vida
Crítica de Circo de los pies

Foto: Ivana Moura

O que podem pés deficientes? Eles podem mostrar que enquanto a vida pulsa, tudo é possível. Eles podem fazer cambalhotas no ar.  E quando eles encontraram a palhaçaria, eles esbanjam humor, compõem poesia. Foi isso que aconteceu ontem, dia 18 de maio, no Teatro Marco Camarotti, no Recife, dentro da programação do Palco Giratório, com o espetáculo Circo de los pies.

Fruto do projeto O que meus pés me contam?, da La Luna Cia de Teatro, o espetáculo busca investigar o universo circense a partir das potencialidades e limitações de corpos plurais, visando tornar esse universo mais inclusivo para pessoas com deficiência. O projeto teve o incentivo do programa Entre Arte e Acesso do Itaú Cultural (2022) e do Prêmio Elisabete Anderle de estímulo à Cultura (2022).

A La Luna Cia. de Teatro, fundada em 2016 e sediada na cidade de Canelinha (SC), é uma companhia que enfrenta com determinação os desafios concretos da produção artística,  enquanto permite que sua criatividade e imaginação voem livres, explorando novos horizontes e possibilidades. Eles se dedicam à difusão e fruição artística por meio de pesquisa, montagem e circulação de espetáculos, encontrando um delicado equilíbrio entre a realidade prática e a liberdade criativa.

O grupo é formado por quatro artistas: Emeli Barossi, Amália Leal, Pedro Torres e Thiago Leite, que pesquisam diferentes linguagens como música, cultura popular, palhaçaria e pedagogia teatral.

Foto: Ivana Moura

Emeli Barossi, a intérprete da palhaça Asmeline, nasceu com Hemimelia Fibular, uma má formação congênita na perna direita. Pequenininha em estatura, mas gigante em talento e carisma, ela cria uma cumplicidade imediata com a plateia, contando brevemente sua história pessoal e, em outras camadas, falando sobre a arte da palhaçaria. Suas pernas, que sempre chamaram a atenção das pessoas, são as protagonistas de uma dramaturgia criada a partir da assimetria e da criatividade do seu corpo.

Em Circo de los pies, Emeli transforma sua patologia em arte, dialogando com a deformidade que existe em todo ser humano, independentemente de ser uma pessoa com deficiência ou não.

O espetáculo se propõe a ser acessível, colocando o corpo com deficiência como protagonista e autor do seu próprio discurso. A interpretação em Libras, realizada por Suzi Daiane, e a audiodescrição, feita por Pedro Torres, são intrínsecas à cena e ao jogo da palhaça, fazendo-se presentes como fios dramatúrgicos. Com uma acessibilidade poética, estética e inclusiva, que vai além de uma tradução e descrição técnica da cena, a obra gera sensações e constrói um jogo cativante com o público, seja ele vidente, não vidente, surdo ou ouvinte.

Emeli se entrega de forma intensa, fazendo uma interpretação de tirar o fôlego. Seus pés, Pezinho e Pezão, são os protagonistas desse show sensacional. É inevitável usar adjetivos para descrever a experiência: um banho de alegria e lirismo, uma enxurrada de ludismo, mas com os pés firmes na realidade. Circo de los pies é um conforto para o coração, mas também traz espetadas nos nervos, lembrando-nos que sempre podemos mais, sem cair nos clichês da superação. A técnica apurada e a entrega total da atriz capturam e amplificam nossa imaginação, levando-nos a uma jornada inesquecível.

É um convite para dilatarmos nossos corações ao infinito, como propôs a poeta Hilda Hilst e nos entregarmos à magia transformadora da arte.

“Circo de los pies” é uma pequena joia que nos contamina de alegria, mas com um fio-terra existencial de que a vida é uma luta constante, abordada com uma leveza perturbadora. Emeli Barossi e a La Luna Cia de Teatro nos presenteiam com uma obra necessária, que ultrapassa limites e nos faz acreditar na essência transformadora da arte.

Ficha Técnica

Atuação e concepção: Emeli Barossi
Trilha Sonora e Sonoplastia: Pedro Torres
Iluminação: Thiago de Castro Leite
Roteiro de Audiodescrição: Fernanda Rosa, Matheus Costa e Emeli Barossi
Figurino: Adriana Barreto
Produção: La Luna Cia de Teatro
LIBRAS: Suzi Daiane
Audiodescrição: Pedro Torres

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Uma jornada encantadora inspirada em Lorca
Crítica de Quatro Luas

Quatro Luas, entre o humor, a magia e leves reflexões existenciais. Foto: Ivana Moura

O espetáculo Quatro Luas, apresentado pelo coletivo O Bando de Olinda (PE) no Teatro Marco Camarotti, em Recife, como parte da programação do Palco Giratório 2024, é uma experiência teatral envolvente que celebra a poesia, a imaginação e a infância em peça inspirada na obra de Federico Garcia Lorca, um dos mais importantes escritores espanhóis do século XX. Conhecido principalmente por suas obras voltadas para o público adulto, como Romancero Gitano e Bodas de Sangue, Lorca também dedicou parte de sua produção literária às crianças, com destaque para Os Encontros de um Caracol Aventureiro, uma coleção de poemas que explora o mundo através dos olhos de um pequeno caracol, e Os Títeres de Porrete, uma peça de teatro que aborda temas como a liberdade e a opressão de forma lúdica e acessível aos pequenos.

Desde o primeiro momento, o público é cativado pela atmosfera mágica criada pela trupe de atores que, representando ciganos, canta, toca e dança nos corredores e hall do teatro. Essa introdução serve como um convite para adentrar o universo onírico proposto pelo espetáculo, preparando os espectadores para a jornada que está por vir.

Ao entrar na sala de espetáculos, somos recebidos por uma cenografia e uma iluminação que transportam a plateia para um mundo de sonhos e descobertas. A história acompanha o protagonista Federico, um pequeno boneco manipulado pelo elenco com destreza e sincronia, em sua busca pela Lua Cheia. A jornada de Federico é repleta de encontros fantásticos com animais falantes, exércitos de formigas e as quatro fases da Lua personificadas.

Vários bichos falantes ocupam a cena, como a Gata Azul. Foto: Ivana Moura

O texto de Claudio Lira, responsável também pela direção, é rico em referências à obra de Lorca, a linguagem poética e as metáforas utilizadas oferecem diferentes camadas de leitura, cativando tanto as crianças quanto os adultos. Os diálogos são bem construídos, com momentos de humor leve e inteligente, como no encontro com as duas Rãs, uma que não enxergava muito bem e outra que não escutava muito bem, criando situações divertidas e reflexões filosóficas sobre a finitude.

O elenco, formado por Brunna Martins, Célia Regina, Douglas Duan e Matheus Carlos, demonstra versatilidade ao transitar entre a manipulação de bonecos, as falas, as canções e a interação com a plateia. A cumplicidade entre os atores e o público é evidente, criando uma atmosfera de encantamento compartilhado. Momentos como o conselho da Mariposa para o Menino ir dançar e viver a vida, ou a frescura da Gata Azul, arrancam risadas e reflexões.

A trilha sonora original de Douglas Duan tem canções executadas ao vivo por Arnaldo do Monte (percussão) e Zé Freire (violão), e estão perfeitamente integradas à narrativa, amplificando a carga emotiva das cenas e marcando as nuances da peça. A música se torna um elemento fundamental para a imersão do público no universo poético criado em cena.

A direção de Claudio Lira é sensível e precisa, explorando de forma inteligente os recursos do teatro de bonecos e a linguagem do teatro animado. O ritmo da peça é bem conduzido, com momentos de introspecção e poesia alternados com outros de dinamismo e interação com a plateia. O espetáculo consegue dosar de forma equilibrada os momentos de apelo emocional, as frases de efeito existencial e os achados poéticos, mantendo o público envolvido do início ao fim.

Quatro Luas é um espetáculo que celebra a força da palavra, a magia do teatro de bonecos e o talento de seus criadores. Ao se inspirar no universo lorquiano e, mais especificamente, em suas obras voltadas para a infância, a peça oferece uma experiência teatral encantadora, que convida o público a se reconectar com a criança interior e a redescobrir o poder transformador da imaginação.

FICHA TECNICA:

Dramaturgia e Encenação: Claudio Lira
Elenco: Brunna Martins, Célia Regina, Douglas Duan e Matheus Carlos
Músicos: Zé Freire (Violão) e Arnaldo do Monte (Percussão)
Dramaturgia Sonora, Direção Musical e Preparação Vocal: Douglas Duan
Iluminação: Eron Villar
Direção de Arte: Claudio Lira e Célia Regina
Criação e confecção dos bonecos e adereços: Romualdo Freitas e Célia Regina
Criação e confecção das Luas: Romualdo Freitas, Célia Regina e Adriano Freitas
Confecção da Árvore: Douglas Duan
Registro de Fotos e Vídeos: Colibri Audio Visual/Morgana Narjara
Produção: Claudio Lira e o Grupo
Realização: O Bando Coletivo de teatro.

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A trajetória de uma guerreira do samba
Crítica de Leci Brandão – Na Palma da Mão

Leci Brandão – Na Palma da Mão. Foto: Valmyr Ferreira

O espetáculo Leci Brandão – Na Palma da Mão é um musical biográfico que presta homenagem à vida e à obra de Leci Brandão, uma das mais influentes cantoras e compositoras do samba brasileiro. Nascida no Rio de Janeiro, Leci rompeu barreiras ao se tornar a primeira mulher a integrar a prestigiosa ala de compositores da Mangueira, afirmando-se como uma artista engajada que sempre utilizou sua música como instrumento de denúncia e resistência, abordando temas como desigualdades sociais, racismo, violências de gênero e conservadorismo.

A montagem revisita a trajetória de Leci desde suas origens humildes na periferia carioca até sua consagração como uma das vozes mais potentes e respeitadas da música popular brasileira, destacando a relação profunda e transformadora com sua mãe, Dona Lecy, figura fundamental em sua formação como mulher, artista e cidadã.

A importância cultural e política de Leci Brandão – Na Palma da Mão se manifesta em diversas camadas. Inicialmente, o musical se insere em um movimento crescente de produções que valorizam a presença de narrativas e profissionais negros nos palcos brasileiros, contribuindo para a diversificação e a democratização do teatro musical no país. Além disso, ao abordar a história de Leci, o espetáculo ilumina o pioneirismo de uma mulher negra que rompeu barreiras e ocupou espaços de poder em uma sociedade marcada pelo racismo e pelo machismo, tornando-se um símbolo de resistência e empoderamento.

A peça cita en passant a coragem de Leci em afirmar publicamente sua identidade lésbica ainda nos anos 1970, período de intensa repressão e conservadorismo. Embora o recorte dramatúrgico e de direção se concentre na relação de Leci com sua mãe, Dona Lecy, explorando os laços afetivos, os aprendizados e as trocas entre essas duas mulheres e suas lutas no mundo, seria fundamental abrir espaço para abordar esse aspecto essencial da trajetória de Leci Brandão.

Em um momento de avanços por visibilidade e direitos LGBTQIA+, mas também de recuos com a marcha do fascismo, seria crucial que a peça incorporasse mesmo que de forma sutil, a decisão corajosa de Leci de se afirmar como lésbica em pleno regime militar. Essa escolha não apenas presta um tributo mais completo à artista, como também posiciona a obra diante dos desafios atuais. Além disso, o comportamento destemido de Leci Brandão ecoou ao longo das décadas, inspirando gerações de artistas e ativistas LGBTQIA+ a lutar por seus direitos e a expressar suas identidades sem medo, deixando um legado de coragem e determinação que poderia ser celebrado e transmitido na montagem. Até porque o espetáculo ressalta o compromisso inabalável da artista em utilizar sua arte como instrumento de transformação social.

O texto do espetáculo, assinado por Leonardo Bruno, revela uma estrutura dramatúrgica que transita entre passagens narradas e diálogos vívidos entre os personagens. A narrativa segue uma temporalidade predominantemente cronológica. Essa estrutura é enriquecida pelas canções, que pontuam momentos-chave da trama. Essa construção dramatúrgica entrelaça os elementos escolhidos para compor a trajetória de Leci Brandão no palco: a música como expressão de resistência e celebração da vida; a religiosidade como fonte de sabedoria e conexão com o sagrado; e o engajamento político como compromisso ético com a transformação da realidade.

As intervenções bem-humoradas dos instrumentistas funcionam como respiros e comentários, buscando uma cumplicidade com a plateia. 

Sob a direção de Luiz Antonio Pilar, premiado com o Shell de melhor diretor, a encenação valoriza, com delicadeza e humanidade, a relação entre Leci e sua mãe, Dona Lecy, revelando a cumplicidade, o afeto e a força dos laços que unem essas duas mulheres. Pilar privilegia a música como elemento central da narrativa, entendendo o samba como instrumento de resistência, afirmação identitária e comunicação com o público. As composições de Leci são trazidas à cena como convites irresistíveis para que a plateia se integre ao espetáculo, criando uma atmosfera de alegria, celebração e partilha que evoca a energia contagiante das rodas de samba. 

Há uma sequência exaustiva de músicas,  composições que se tornaram clássicos da música popular brasileira. Sucessos como A Filha da Dona Lecy, canção autobiográfica que homenageia a mãe da artista, e Papai Vadiou, samba que retrata com sensibilidade e humor as dificuldades enfrentadas por uma família chefiada por uma mulher negra. Além de Gente Negra, um hino de afirmação da identidade e da resistência afro-brasileira, e Preferência, samba-canção que exalta a liberdade de amar sem rótulos ou preconceitos. E a antológica Zé do Caroço, uma das canções mais emblemáticas de sua carreira, que denuncia a violência policial contra as populações periféricas.

Além das composições de Leci, o espetáculo também rende homenagens a outros gigantes da música brasileira que cruzaram o caminho da artista. É o caso de Cartola, representado por Corra e Olhe o Céu, e da própria Estação Primeira de Mangueira, escola de samba que acolheu Leci como a primeira mulher em sua ala de compositores e que é lembrada pelo samba-enredo História pra Ninar Gente Grande. Mas a trilha não é suficiente para criar nuances na dramaturgia. 

Embora o espetáculo apresente inúmeras qualidades, é importante reconhecer alguns aspectos para ser pensados. Durante a apresentação realizada no Teatro do Parque, no Recife, como parte da abertura do Festival Palco Giratório, o público demonstrou entusiasmo e apreço pela montagem, aplaudindo calorosamente ao final. No entanto, a estrutura narrativa predominantemente cronológica revelou, em boa parte, uma certa monotonia, carecendo de reviravoltas ou de uma maior inventividade formal.

A opção por uma linearidade quase didática, se por um lado facilita a compreensão da trajetória de Leci Brandão, por outro acaba limitando as possibilidades de experimentação estética. Apenas citar ou não entrar nos conflitos de passagens importantes enfraquece o potencial explosivo dessa trajetória. Como exemplo, a entrada e a permanência da artista no time de compositores da Mangueira e os bastidores mais conflituosos são evitados ou apenas citados, quando poderiam ser os giros de acionamentos de potência dentro do espetáculo.

Outro ponto que merece atenção é a questão da inteligibilidade das falas em determinados momentos do espetáculo. Apesar dos atores demonstrarem grande talento vocal e interpretarem as canções com maestria, em diversas passagens dialogadas suas palavras se tornavam incompreensíveis, seja por problemas acústicos do teatro, falhas nos equipamentos de som ou mesmo pela projeção vocal insuficiente dos intérpretes.

Essa perda parcial das falas compromete a fruição plena da narrativa e dificulta o envolvimento emocional do público com a história. 

Verônica Bonfim, Sérgio Kauffmann e Tay O’Hanna. Foto: Valmyr Ferreira

O elenco, composto por Tay O’Hanna, Verônica Bonfim e Sérgio Kauffmann dão conta de todos os personagens. Tay interpreta Leci com muita personalidade, captura a força, a garra e a paixão dessa artista em cada gesto, olhar e inflexão vocal. Sua performance revela as lutas, as alegrias e as dores que moldaram esse percurso. Verônica Bonfim, por sua vez, confere à figura de Dona Lecy uma combinação tocante de doçura e determinação. Sua atuação está carregada da sabedoria e o amor dessa mãe que foi o alicerce e a inspiração constante na vida de Leci.

Sérgio Kauffmann demonstra versatilidade ao encarnar diversos personagens masculinos que cruzaram o caminho de Leci, desde o líder comunitário Zé do Caroço, compositor Cartola, o pai da cantora ou na pele de Exu.

O foco central do espetáculo é celebrar a vida e o legado de Leci Brandão, convidando os espectadores a mergulhar em seu universo pessoal e artístico de forma sensível e empática. Ao adotar essa abordagem, o musical se alinha ao conceito de “ética do cuidado”, proposto pela pesquisadora e ativista Patricia Hill Collins. Essa perspectiva valoriza a empatia, a responsabilidade e a conexão como princípios norteadores na produção e partilha de saberes e narrativas, especialmente quando se trata de histórias de mulheres negras.

Ao contar a trajetória de Leci Brandão, o espetáculo busca estabelecer uma relação de proximidade e afeto com o público, convidando-o a se reconhecer e se emocionar com as lutas, as alegrias e as conquistas dessa artista. Essa abordagem empática permite que a plateia se conecte com a humanidade de Leci, entendendo suas escolhas, seus desafios e seus triunfos a partir de uma perspectiva de cuidado e solidariedade.

Já a representação da religiosidade de matriz africana no espetáculo é um ponto que demanda reflexão. Incluir elementos da religiosidade afro-brasileira no musical é uma escolha corajosa e necessária, contribuindo para a valorização e visibilidade das tradições.

No entanto, mesmo que os envolvidos na montagem tenham um conhecimento profundo das questões religiosas, nem sempre esse entendimento é traduzido de forma plena no palco. 

Apesar das ressalvas apontadas, Leci Brandão – Na Palma da Mão permanece como um espetáculo de grande relevância e necessidade, celebrando a trajetória de uma artista fundamental para a cultura brasileira. Ao colocar no centro dos holofotes a história de uma mulher negra que enfrentou e desafiou os preconceitos e as opressões de seu tempo, o musical contribui significativamente para a construção de uma narrativa mais plural.

 

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Festival Palco Giratório
Um Panorama das Artes Cênicas no Recife

Zaratustra: uma transvaloração dos valores, uma adaptação da obra de Nietzsche. Foto: Divulgação.

Nuvem de Pássaros, do grupo grupo Movidos Dança (RN)

O Festival Palco Giratório, maior projeto de artes cênicas em circulação no país, retorna ao calendário cultural do Recife após uma década de ausência. De 16 de maio a 1º de junho, a capital pernambucana será palco de 46 montagens, vindas de diversos estados e do Distrito Federal, Com média de três apresentações por dia,  a programação abrange teatro, dança e circo, além de oficinas, debates e lançamentos de livros.

Ao analisar as sinopses dos espetáculos e a programação completa dessa sua 26ª edição é possível identificar uma série de vertentes temáticas que permeiam o festival.

As manifestações da cultura popular pernambucana ganham espaço no festival, com trabalhos como o do Mamulengo Novo Milênio, do Mestre Miro dos Bonecos, que apresenta a tradicional arte do teatro de bonecos; o Cavalo Marinho Boi Matuto Família Salustiano, uma manifestação da Zona da Mata Norte do estado; e o Caboclinho Canidé de Goiana, eleito Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2023.

Problemas sociais e políticas são enfrentadas em espetáculos como Alguém pra Fugir Comigo, do Resta1 Coletivo de Teatro, que discute a crise ética e social através de uma narrativa não linear; Se Eu Fosse Malcolm?, dos multiartistas Eron Villar e ViBra, que traz uma performance inspirada no ativista Malcolm X, tocando em temas como racismo e desigualdade; e O Irôko, a Pedra e o Sol, do Grupo O Poste Soluções Luminosas, que conta a história de amor entre dois adolescentes quilombolas, tratando de questões como homofobia e HIV.

A ancestralidade e a identidade negra são questões pulsantes em diversos espetáculos, como Abebé, do Grupo NegraÔ (ES), que celebra os 30 anos da trupe e reflete sobre a multiplicidade do corpo preto; Adobe, solo da intérprete Luciana Caetano (GO), que parte de símbolos e elementos da cultura negra; Herança, da Cia Burlantins (MG), que busca o resgate da herança cultural afro-brasileira; e Zenaide Bezerra – Um Espetáculo para Eternizar, da Cia Fazendo Arte (PE), que homenageia a passista de frevo Zenaide Bezerra.

No âmbito do teatro para as infâncias, destacam-se espetáculos como Quatro Luas, do grupo pernambucano O Bando Coletivo de Teatro, que se inspira no universo de Federico Garcia Lorca para criar uma narrativa sobre sonhos e emoções; Mundos, do Grupo Maria Cutia (MG), que propõe uma viagem musical pela infância dos cinco continentes; e O Pequeno Príncipe, da Cênicas Cia de Repertório, que reconta o clássico de Antoine de Saint-Exupéry focando na busca pela criança interior. Esses espetáculos exploram de maneira lúdica e acessível princípios como imaginação, autoconhecimento e diversidade cultural para o público infantil.

Outros destaques da programação incluem Caosmose, do Grupo Experimental, que através da dança explora questões como a existência de corpos dissidentes e a resistência às estruturas opressoras; Circo Sciense – Do Mangue ao Picadeiro, da Trupe Circus da Escola Pernambucana de Circo, que homenageia o artista Chico Science e o Movimento Manguebeat, unindo números circenses a questões sociais; e Yerma Atemporal, da Simone Figueiredo Produções e Roda Produção Cultural, que apresenta uma versão do clássico de Federico García Lorca, discutindo temas como liberdade e desejo. Já Nuvem de Pássaros, do grupo Movidos Dança (RN), explora o comportamento social e a importância da coletividade através de uma obra coreográfica inspirada na migração dos pássaros. O espetáculo reflete sobre a sociedade e seus conflitos, buscando compreender a coletividade humana a partir da relação entre as revoadas e a convivência de diferentes espécies.

Yerma Atemporal, uma versão do clássico de Federico García Lorca, Foto: Divulgação

Caosmose, do Grupo Experimental. Foto: Rogério Alves / Divulgação

Quatro Luas. Foto: Morgana Narjara / Divulgação

Circo Science. Foto: Rogerio Alves / Divulgação

Chama a atenção a presença significativa de artistas e companhias locais, com 30 montagens de Pernambuco, das 46 do festival . Esse número pode ser interpretado como um aceno do Palco Giratório em direção à valorização da produção artística local. Essa proporção significativa de trabalhos da região sugere, à primeira vista, uma intenção de dar visibilidade e espaço para os artistas e companhias do estado.

No entanto, é importante lembrar que a representatividade numérica não é o único fator a ser considerado quando se fala em fomento e apoio à cena cultural. A curadoria e seleção dos espetáculos, por si só, não garantem necessariamente um impacto duradouro no desenvolvimento da arte local.

Além da visibilidade proporcionada pelo festival, para além dos escolhidos para circular pelo país, seria interessante observar se o Palco Giratório também se propõe a oferecer oportunidades concretas de intercâmbio, formação e crescimento para os artistas pernambucanos. Iniciativas como residências criativas, oficinas e parcerias de longo prazo, caso sejam implementadas, podem ser indicativos mais consistentes de um compromisso efetivo com a valorização da produção regional.

Pensar em ações complementares à programação principal do festival têm o potencial de fomentar o desenvolvimento da cena artística local de maneira mais profunda e duradoura.

Debates críticos sobre os espetáculos e uma oficina de dança estão previstos na programação. Além do seminário Teatro para Infâncias, estão agendadas as Rodas de Diálogos: “Estratégias de Curadoria, Intercâmbio e Difusão Cultural no Palco Giratório” e “Práticas de Desenvolvimento da Cena Local”. Essas rodas de conversa podem ser um momento de entender e estabelecer compromissos para pensar em caminhos que fortaleçam ainda mais a relação do festival com a cena artística de Pernambuco, para além da importante vitrine já proporcionada pela programação do evento.

As Rodas de Diálogos têm o potencial de aprofundar questões estratégicas para o desenvolvimento e a sustentabilidade da cena artística local. Ao discutir curadoria, intercâmbio e difusão cultural, os participantes podem trocar experiências e pensar em formas de ampliar a circulação e o alcance das produções pernambucanas para além do estado.

Assim, a presença majoritária de trabalhos locais no Palco Giratório pode ser vista como um um ponto de partida interessante, mas não deve ser tomada como prova definitiva de um apoio sólido e transformador à cena artística pernambucana. É preciso observar, para além dos números e da programação, se o festival de fato estabelece mecanismos e políticas que fomentam e fortalecem a produção local de maneira contínua e sustentável. Somente o tempo e uma análise mais aprofundada das ações e desdobramentos do evento poderão revelar esses resultados.

Amir Haddad, homenageado do festival. Foto: Divulgação

Maurício Tizumba, homenageado do Palco Giratório. Foto: Divulgação

O festival presta homenagem a dois grandes nomes das artes cênicas: Amir Haddad, renomado diretor e ator, que apresenta o espetáculo Zaratustra: uma transvaloração dos valores, uma adaptação da obra de Nietzsche; e Maurício Tizumba, cantor e diretor musical, com a peça Herança, que celebra seus 50 anos de carreira.

Os espetáculos serão apresentados em diversos espaços culturais da cidade, como o Teatro Marco Camarotti, o Teatro Capiba, o Teatro Apolo, o Teatro Hermilo Borba Filho, o Teatro Luiz Mendonça e o Teatro Santa Isabel. Algumas apresentações também acontecerão em praças públicas, como a Praça do Campo Santo.

O encerramento do Palco Giratório será no dia 1º de junho, com a apresentação do espetáculo A fábrica dos ventos, no Teatro Santa Isabel, seguido do lançamento de livros e exposição do Festival e Escola Pernambucana de Circo, no Sesc Santa Rita.

Enfim, o retorno do Palco Giratório ao Recife, após uma década, é motivo de celebração. Espera-se que o evento fortaleça a cena cultural pernambucana, que promova o intercâmbio entre artistas locais e visitantes de todo o país e que seja de fato uma ação que democratize o acesso à arte.

Programação

– 16/05 – 16h30 – Abertura – Grande encontro de Grupos de Cultura Popular – Cortejo saindo da Rua Imperatriz Teresa Cristina para Rua do Hospício até o Teatro do Parque – Gratuito 

– 16/05 – 18h30 – Mamulengo Novo Milênio do Mestre Miro dos Bonecos – Teatro do Parque – Rua do Hospício, 81 – Boa Vista – R$ 15 a R$ 30

– 16/05 – 20h – Leci Brandão – Na Palma da Mão – Teatro do Parque – Rua do Hospício, 81 – Boa Vista – R$ 15 a R$ 30 –

– 17/05 – 9h – Debate crítico: Mamulengo Novo Milênio e Leci Brandão – Na palma da Mão

– 17/05 – 15h – Quatro Luas – Teatro Marco Camarotti – R. Treze de Maio, 455 – Santo Amaro – R$ 15 a R$ 30 

– 17/05 – 16h – Cavalo Marinho Boi Matuto Família Salustiano – Praça do Campo Santo – Santo Amaro – Gratuito 

– 17/05 – 20h – Nordeste, dança e música irresistível – Teatro do Parque – Rua do Hospício, 81 – Boa Vista – R$ 15 a R$ 30 

– 18/05 – 9h – Debate crítico Quatro Luas e Cavalo Marinho Boi Matuto Família Salustiano e Nordeste, dança e música irresistível  – Sesc Santo Amaro

– 18/05 – 16h – Circo de Lois Pies – Teatro Marco Camarotti

– 18/05 – 18h – Maria Firmina dos Reis, uma voz além do tempo – Teatro Capiba

– 18/05 – 20h – Yerma Atemporal – Teatro do Parque – Rua do Hospício, 81 – Boa Vista – – – R$ 15 a R$ 30

– 19/05 – 9h – Debate crítico “Circo de Lois Pies”, “Maria Firmina dos Reis, uma voz além do tempo” e “Yerma Atemporal” – Sesc Santo Amaro

– 19/05 – 16h – Mar Acá – Mitologia Latino–Americana – Teatro Marco Camarotti

– 19/05 – 18h – O Peru do Cão Coxo – Galpão das Artes – Limoeiro – R$ 15 a R$ 30

– 19/05 – 19h – Procedimento#6 – Teatro do Parque –

– 20/05 – 9h – Debate crítico “Mar Acá”, “O Peru do Cão Coxo” e “Procedimento#6” – Livraria do Jardim – – – – –

– 20/05 – 14h – Mundos – Uma viagem musical pela infância dos cinco continentes – Teatro Marco Camarotti – 

– 20/05 – 16h30 – Seminário Teatro para as Infâncias – Faculdade Senac – –

– 20/05 – 20h – Miró: Estudo n°2 – Teatro Marco Camarotti – R. Treze de Maio, 455 – Santo Amaro – R$ 15 a R$ 30 –

– 21/05 – 9h – Debate crítico Mundos e Miró: estudo nº2 – Livraria Jardim

– 21/05 – 14h – Hélio, o balão que não consegue voar – Teatro Marco Camarotti

– 21/05 – 15h30 – Seminário Teatro para as Infâncias – Faculdade Senac

– 21/05 – 20h – Alegria dos Náufragos – Teatro Capiba – Av. Norte, Rod. Gov. Miguel Arraes de Alencar, 1190 – 50 min – R$ 15 a R$ 30 –

– 22/05 – 9h – Debate crítico sobre “Hélio, o balão que não consegue voar” e “Alegria dos Náufragos” – Livraria do Jardim

– 22/05 – 14h – Mundo – em busca do coração da terra – Teatro Marco Camarotti –

– 22/05 – 15h30 – Seminário Teatro para as Infâncias – Faculdade Senac

– 22/05 – 20h – Nuvem de Pássaro – Teatro Luiz Mendonça

– 23/05 – 9h – Debate crítico sobre “Mundo” e “Nuvens de Pássaros” – Livraria do Jardim

– 23/05 – 14h – Seu Sol, Dona Lua – Uma História de Amor – Teatro Marco Camarotti

– 23/05 – 15h30 – Seminário Teatro para as Infâncias – Faculdade Senac – – – – –

– 23/05 – 20h – O Irôko, a pedra e o sol – Teatro do Parque – – – – –

– 24/05 – 9h – Debate crítico “Seu Sol, Dona Lua – Uma História de Amor” e “O Irôko, a pedra e o sol” – Livraria do Jardim – – – – –

– 24/05 – 14h – Vento forte para água e sabão – Teatro Marco Camarotti – R. Treze de Maio, 455 – Santo Amaro – 55 min – R$ 15 a R$ 30 –

– 24/05 – 15h – Roda de Diálogos: Estratégias de Curadoria, intercâmbio, e difusão cultural no Palco Giratório – Teatro Marco Camarotti – – – – –

– 24/05 – 15h30 – Seminário Teatro para as Infâncias – Faculdade Senac – – – – –

– 24/05 – 20h – Herança – Teatro do Parque – Rua do Hospício, 81 – Boa Vista – 70 min – R$ 15 a R$ 30 –

– 25/05 – 9h – Debates Críticos sobre “Vento forte para água e sabão” e “Herança” – Livraria do Jardim – – – – –

– 25/05 – 14h – Cantigas de Fiar – Teatro Marco Camarotti – R. Treze de Maio, 455 – Santo Amaro – 50 min – R$ 15 a R$ 30 –

– 25/05 – 14h – Feirinha Criativa – Praça de Campo Santo – – – – –

– 25/05 – 15h – Caboclinho Canidé de Goiana – Praça de Campo Santo – 25 min – Gratuito

– 25/05 – 16h – Pensamento Giratório com Amir Haddad – Praça do Campo Santo –

– 25/05 – 19h – Riso interior – Teatro Capiba – Av. Norte, Rod. Gov. Miguel Arraes de Alencar, 1190 – 50 min – R$ 15 a R$ 30

– 25/05 – 20h – Alguém pra fugir comigo – Teatro do Parque – Rua do Hospício, 81 – Boa Vista – 90 min – R$ 15 a R$ 30

– 26/05 – 9h – Debate Crítico sobre “Alguém para fugir comigo”, “Cantigas de fiar” e “Riso Interior” – Sesc Santo Amaro

– 26/05 – 15h – Debate sobre os Festivais de Artes Cênicas no Brasil: práticas de desenvolvimento e desenvolvimento da cena local – Sesc Santo Amaro

– 26/05 – 16h – Zenaide Bezerra – um espetáculo para eternizar – Teatro do Parque – Rua do Hospício, 81 – Boa Vista – 50 min – R$ 15 a R$ 30 –

– 26/05 – 16h – Cabelos arrepiados – Teatro Capiba – Av. Norte, Rod. Gov. Miguel Arraes de Alencar, 1190 – 50 min – R$ 15 a R$ 30

– 26/05 – 18h – Zaratustra – uma transvaloração dos valores – Teatro Marco Camarotti – R. Treze de Maio, 455 – Santo Amaro – 90 min – R$ 15 a R$ 30

– 27/05 – 9h – Debate Crítico sobre “Cabelos Arrepiados”, “Zaratustra”, “Zenaide Bezerra: um espetáculo para eternizar” – Livraria do Jardim

– 27/05 – 14h – Oficina de Dança com o Grupo NegraÔ – Sesc Santo Amaro

– 27/05 – 16h – Aldeias – Espaço O Poste – Rua do Riachuelo, 641 – Boa Vista – 60 min – R$ 15 a R$ 30

– 27/05 – 19h – Enquanto Godot não vem – Teatro Capiba – Av. Norte, Rod. Gov. Miguel Arraes de Alencar, 1190 – 45 min – R$ 15 a R$ 30

– 27/05 – 20h – Adobe – Teatro Marco Camarotti – R. Treze de Maio, 455 – Santo Amaro – 60 min – R$ 15 a R$ 30

– 28/05 – 9h – Debate Crítico sobre “Adobe”, “Aldeias”, “Enquanto Godot não vem” – Livraria do Jardim

– 28/05 – 16h – Ne Rope – a fertilidade da nossa origem – Teatro André Filho (Fiandeiros) – Rua da Saudade, 240 – Boa Vista – 70 min – R$ 15 a R$ 30

– 28/05 – 18h – Se eu fosse Malcolm? – Teatro Capiba – Av. Norte, Rod. Gov. Miguel Arraes de Alencar, 1190 – 60 min – R$ 15 a R$ 30

– 28/05 – 20h – Abebé – O reflexo do corpo preto nos trinta anos do Grupo de Dança Afro NegraÔ – Teatro Apolo – R. do Apolo, 121 – 52 min – R$ 15 a R$ 30

– 29/05 – 9h – Debate Crítico sobre “Abebé”, “Në Rope– a fertilidade da nossa origem – Grão comum” e “Se eu fosse Malcolm?” – Sesc Santo Amaro

– 29/05 – 18h – Histórias de um Pano de Roda – Teatro Hermilo Borba Filho – Cais do Apolo, 142 – 60 min – R$ 15 a R$ 30

– 29/05 – 20h – Dama da noite – Teatro Marco Camarotti – R. Treze de Maio, 455 – Santo Amaro – 55 min – R$ 15 a R$ 30

– 29/05 – 20h – O equilibrista – Teatro Apolo – R. do Apolo, 121 – 70 min – R$ 15 a R$ 30

– 30/05 – 9h – Debate Crítico sobre “A Dama da Noite”, “Desvio”, “Histórias de um pano de roda” e “O equilibrista” – Sesc Santo Amaro

– 30/05 – 14h – Circo Sciense – do Mangue ao Picadeiro – Teatro Luiz Mendonça

– 30/05 – 16h – Arreia – Teatro Marco Camarotti – R. Treze de Maio, 455 – Santo Amaro – R$ 15 a R$ 30

– 30/05 – 20h – Eu vim da ilha – Teatro Marco Camarotti – R. Treze de Maio, 455 – Santo Amaro – 45 min – R$ 15 a R$ 30

– 31/05 – 9h – Debate Crítico sobre “Arreia”, “Circo Scienc – do mangue ao picadeiro” e “Eu vim da ilha” – Sesc Santo Amaro

– 31/05 – 14h – O Pequeno Príncipe – Teatro Luiz Mendonça – Av. Boa Viagem, S/N – Boa Viagem – 60 min – R$ 15 a R$ 30

– 31/05 – 16h – Os Títeres de Porrete: tragicomédia de Dom Cristóvão e Sinhá Rosinha – Teatro Capiba – Av. Norte, Rod. Gov. Miguel Arraes de Alencar, 1190 – 60 min – R$ 15 a R$ 30

– 31/05 – 18h – Caosmose – Espaço Rede Moinho da Ilha – Rua do Brum, 166 – 60 min – R$ 15 a R$ 30

–  31/05 – 20h – Um minuto para dizer que te amo – Teatro Marco Camarotti – R. Treze de Maio, 455 – Santo Amaro – 80 min – R$ 15 a R$ 30

– 01/06 – 9h – Debate Crítico sobre O Pequeno Príncipe, Os Títeres de Porrete, Caosmose e Um minuto para dizer que te amo – Sesc Santo Amaro

– 01/06 – 19h – A fábrica dos ventos – Teatro Santa Isabel

– 01/06 – 21h – Lançamento de livros e exposição do Festival e Escola Pernambucana de Circo – Sesc Santa Rita

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