Arquivo do Autor: Ivana Moura

Poética da ferocidade
Crítica da peça Mulheres sonharam cavalos

Mulheres sonharam cavalos, com texto de Daniel Veronese. Fotos: Ivana Moura

Tradução da peça e direção são assinados por Malú Bazán .

Não existe amor em Mulheres sonharam cavalos. Nem compaixão. A rudeza das relações aproxima-se do animalesco e qualquer verniz só busca disfarçar a crueza do existir. Com texto de Daniel Veronese, traduzido e dirigido por Malú Bazán, o potente jogo cênico, dos corpos com partituras bem-marcadas e uma movimentação frenética, espelha com contundência o machismo, o sexismo, a injúria sexual, a dependência emocional e como ações do microcosmo se entrelaçam nas práticas ditatoriais de ontem e de hoje.

É pancada. Mas com todas as imagens da violência banalizadas e mais que isso, naturalizadas, seria preciso levar para cena outros procedimentos de apelo sensorial ou da memória imagética para escancarar o horror da ferocidade. Essa agressividade é trabalhada numa dimensão poderosa que vai do sussurro espectral, passando por relincho equino, ao pesadelo fantasmagórico.

A encenação está repleta de metáforas e reflete uma tenebrosa virulência cotidiana, vulgarizada na dinâmica de uma família de classe média. A peça parte de um acontecimento prosaico, o encontro entre três irmãos e suas companheiras para uma refeição na residência de um deles. O gatilho do conflito é o fechamento de uma empresa familiar, administrada por um deles.

Ranier (Bruno Perillo) anuncia, com desapreço, que sua companheira Ulrika (Rita Pisano) escreveu um roteiro de cinema. No projeto, a roteirista chama a atenção para a personagem fictícia que diz “lá fora há um desfile de policiais equestres sobre seus cavalos”.

Enquanto o elenco se desloca energeticamente pelo palco, os estímulos da cena inundam o imaginário da plateia com o autoritarismo que vai e volta na América Latina, de desejos inconfessáveis e livros de receitas sumidos, que mais parecem cemitérios ocultos das carcaças dos desaparecidos.

As atrizes Anna Toledo, Erica Montanheiro, Rita Pisano,

Nem tudo é dito explicitamente. Entre os quais, os mecanismos ditatoriais encobertos, como a prática de adotar crianças subtraídas de seus pais militantes. Lucera (Erica Montanheiro) suspeita ser uma dessas meninas que teve a infância e o histórico familiar apagados. Ela é casada com o irmão mais velho, Ivan (Gustavo Trestini). Há uma peleja de incomunicabilidade, equalizada com perspicácia pela encenação.

A peça fala de diferentes tipos de crueldade. No espaço privado, o homem desvencilha-se da fachada social e exibe o ser mais animalesco. A brutalidade, a “cavalice”, as patadas, as frases agressivas ganham proporção de barbárie no caso do irmão mais jovem, Roger (Haroldo Miklos) e Bettina (Anna Toledo), mais velha do que ele 20 anos. O embate entre os dois é uma sessão de tortura e submissão. A encenadora acentua esse aspecto constrangedor ampliando a escala desse confronto.

Malú Bazán é muito hábil ao expor esses quadros, onde a bestialidade é a linguagem da fala, seca e ríspida e os gestos beligerantes são obliterados ou deslocados causando mais impacto que a força-bruta realística. É abordagem dura da violência da sociedade.

Mulheres sonharam cavalos conduz por um novelo de cólera, ira, rancor alimentados durante muito tempo nos subterrâneos. É um trabalho difícil. Provoca uma dor especial. A direção aponta atalhos, mas sabota a expectativa da plateia.

 Lucera (Erica Montanheiro) e Ivan (Gustavo Trestini).

Parece que estou andando em círculos. Há saídas?!
Uma mulher aparentemente frágil. Ela esconde algo. Aliás, todos ali dissimulam. Há uma guerra no ar. A aparente mais frágil pode ser o elemento de vingança ou de reparação.
É preciso perfurar algumas camadas para entender isso.
Vamos por outro caminho, como um labirinto. Visualizar múltiplas portas. Elas podem traçar percursos bem distintos. Ou não…

Depois de anos engolindo ofensas, Lucera vomita: “Por que não você?
Existe apenas uma forma de violência? Existe um novo tipo de violência no ar. Obviamente, eu nunca mataria. Não sou o tipo de pessoa que faria”.

No filme estadunidense de ficção científica Minority Report, lançado em 2002, um departamento de polícia especializada chamado “Pré-Crime”, situado no ano de 2054, apreende criminosos com base no aviso prévio fornecido por três videntes chamados “precogs”. Estrelado por Tom Cruise e dirigido por Steven Spielberg, o roteiro é baseado no conto homônimo de Philip K. Dick. No caso, paranormais conseguem visualizar antecipadamente quem praticará crimes e a pessoa identificada é punida antes de cometer o delito.

Esse desejo de controle já percorreu outras veredas pseudocientíficas.
Identificar e neutralizar um suposto criminoso – a determinação da personalidade criminosa – antes de praticar o fato já foi / é usado por meio de argumentos biológicos, neurocientíficos e estatísticos. Não deixa de ser uma pretensão totalitária.

No século XVI, o ocultista, astrólogo e alquimista italiano Giovanni Battista Della Porta investiu nos estudos da fisiognomia, para analisar a personalidade das pessoas a partir de traços da face humana e do desenho craniano. Seguindo a mesma trilha, o filósofo e teólogo suíço Johan Kaspar Lavater atestou, no século XVIII, que a propensão agressiva ou dissimulada estava na cara do indivíduo.

O médico alemão Franz Joseph Gall deu grande impulso a chamada frenologia, no início do século XIX. Pelo formato da cabeça seria possível identificar a tendência criminosa da criatura. Entusiasta da frenologia, o linguista e pedagogo espanhol Mariano Cubí Y Soler, defendia, em meados do século XIX, que seria possível detectar o crânio dos homicidas. Foi o médico, antropólogo e jurista Cesare Lombroso quem sistematizou e desenvolveu em detalhes as bases dos fenômenos criminológicos a partir de fatores biológicos.

A concepção de que existem seres humanos biologicamente inferiores foi propagandeada com status científico. O antropólogo e matemático inglês Francis Galton foi quem cunhou o termo eugenia e a ideia de formar uma raça superior foi assumida pelos seguidores de Galton. Sabemos no que isso deu.

Na pergunta de Lucera “Por que não você?”, Daniel Veronese potencializa a trajetória desses controles da pseudociência e também os rastros, os vestígios da colonização e suas consequências.

Mulheres sonharam cavalos. foto Ivana Moura

Há muitas pontas soltas na vida das figuras da peça. Essas lacunas, esses buracos, essas informações dadas a conta-gotas criam uma tensão do adiamento, um certo incômodo para montar os encaixes do tabuleiro. São materiais ricos para os atores trabalharem as vísceras das personagens. Cada atriz / ator elabora as qualidades de suas personagens humanas e suas relações desumanas

São muitos desejos ocultos. Elos quebrados. Com os diálogos, o lugar vai ficando cada vez mais claustrofóbico. O espaço alternativo em que é realizada essa primeira temporada, uma sala multiuso no bairro de Santa Cecília parece que vai diminuindo de tamanho quando o ar fica mais pesado, a densidade dramática vai crescendo.

Mulheres sonharam cavalos estreou em Buenos Aires em 2001 e ficou em cartaz até 2004. A revisitação à memória da ditadura na Argentina, na América Latina são temas recorrentes dos seus dramaturgos. Veronese diz que quando escreve precisa exorcizar algo. Talvez os criadores do teatro precisem exorcizar lugares sinistros.

Com direção de Ivan Sugahara e tradução de Letícia Isnard, Mulheres sonharam cavalos teve uma montagem no Rio de Janeiro, em 2011, com elenco formado por Analu Prestes, Elisa Pinheiro, Isaac Bernat, José Karini, Letícia Isnard e Saulo Rodrigues.

Mulheres sonharam cavalos tem elenco formado por Anna Toledo, Erica Montanheiro, Rita Pisano, Bruno Perillo, Gustavo Trestini e Haroldo Miklos.

Quem sofre a violência pode ser comparado a uma represa (aparentemente) controlada, mas que um dia poderá explodir. Bazán é sagaz no seu processo de extrair o quase blasé de algumas situações, para iluminar a raiz da perversão. As quebras, as pausas, a dosagem do grau de ferino dos diálogos abrilhantam o texto. A movimentação, a partitura dos corpos, a linguagem visual, a emoção do ator, as opções de ir na contramão dos procedimentos naturalísticos e a simultaneidade da cena compõem um mosaico duro para falar da nossa (des)humanidade com contundência. E um pouco de humor, cáustico, mas humor.

Como uma perita a diretora disseca aqueles sentimentos censurados e amorais, que estão contidos nas personagens. E é no teatro, nesse encontro ao vivo, que essas experiências estranhas e por vezes devastadoras são possíveis. Poética e crueldades se ajustam num abraço intrigante. Apesar de toda a violência, há um escape onírico.

Mulheres sonharam cavalos está em cartaz no “º Andar” (Rua Dr. Gabriel dos Santos, 30 – 2º andar, Santa Cecília, São Paulo) até segunda-feira, 6 de dezembro.

Ficha Técnica

Texto de Daniel Veronese.
Tradução e Direção de Malú Bazán.
Elenco: Anna Toledo, Erica Montanheiro, Rita Pisano, Bruno Perillo, Gustavo Trestini e Haroldo Miklos.
Trilha Sonora: Malú Bazán e Bruno Perillo.
Cenário e Figurinos: Anne Cerutti.
Desenho de Luz: Miló Martins.
Fotografia: Cassandra Mello.
Operação de Luz e Som: Guilherme Soares.
Assistência de Produção e Figurino: Marcelo Leão.
Produção: Anayan Moretto

Serviço

Mulheres Sonharam Cavalos
Temporada: de 13 de novembro a 06 de dezembro, de quinta a segunda, às 20h15
Local: º Andar. Rua Dr. Gabriel dos Santos, 30 – 2º andar, São Paulo – SP
Espaço localizado no segundo andar com acesso por escadas.
Duração: 80 minutos
Lugares: 20
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos
Ingresso: Gratuito – Retirados pelo Sympla
www.oandar.com
Instagram:@o.andar

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Em um mundo repleto de possibilidades infinitas, por que ainda devemos nos limitar a rótulos?
Vamos conferir Cock – Briga de Galo

Cock. Foto: Pedro Bonacina / Divulgação

O título é provocativo. Cock – Briga de Galo, de Mike Bartlett, com direção de Nelson Baskerville, trata de assuntos do coração e de outras partes mais excitantes do corpo. Ao dar um tempo com seu namorado de sete anos, John se apaixona por uma mulher. O conflito é esse. A crise de identidade, desejo e sexualidade do protagonista. Com quem ficar? Isso pode ser uma divertida comédia, com a retórica de vituperação.

O espetáculo estreia neste 2 de dezembro, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, onde fica em cartaz até 18 de dezembro. As apresentações são gratuitas e ocorrem de segunda a sexta, às 20h; e aos sábados, às 18h.

A encenação brasileira foi idealizada por Andrea Dupré e Daniel Tavares, que também estão no elenco ao lado de Hugo Coelho e Marco Antônio Pâmio.

Em inglês, “Cock”, é uma palavra com múltiplos sentidos: galo, pau/pênis e uma gíria para apontar alguém de personalidade arrogante. A peça brinca com todos esses significados.

A obra dramatúrgica conhecida como The Cockfight Play foi escrita durante um intercâmbio de Bartlett no México, país da lucha libre e onde ainda existem as brigas de galos. O autor conectou o protocolo das rinhas – nas quais em um pequeno palco, dois pequenos animais se atacam, lutam, e se destroem – com o ritual do teatro. Essa imagem inspirou o dramaturgo a traçar os embates cortantes e emocionais da peça.

Cock rendeu a Mike Bartlett o Olivier Award (2010), na categoria “Outstanding Achievement”, uma honraria do teatro inglês. Mike Bartlett tem um escrita afiada, inteligente e bem-humorada. Suas peças Bull, Contrações, Love Love Love e Medea foram montadas no Brasil.

A peça tem direção de Nelson Baskerville. Foto Pedro Bonacina / Divulgação

O público é lançado como testemunha dessa rinha na encenação de Nelson Baskerville, que segue sugestão do autor. A plateia é posicionada em uma arena – em cenário criado por Chris Aizner, com uma grande luminária de Wagner Freire. O diretor procura aproximar o espectador ao máximo das personagens, na expectativa que a plateia torça por essas figuras que expõem suas paixões e medos. Mas avisa que o embate vai doer. “O amor é transgressivo e dói”, entende o diretor.

Os figurinos, concebidos por Marichilene Artisevskis, também segue indicação de Bartlett, sem muitos enquadramentos convencionais, já que a peça questiona justamente a categorização das pessoas. A trilha sonora original, assinada por por Dan Maia, marca algumas transições de cenas e o início dos três grandes blocos que compõem o texto.

Ficha Técnica

Texto: Mike Bartlett.
Tradução: Andrea Dupré.
Direção: Nelson Baskerville.
Elenco: Andrea Dupré, Daniel Tavares, Hugo Coelho e Marco Antônio Pâmio.
Iluminação: Wagner Freire.
Figurino: Marichilene Artisevskis.
Cenário: Chris Aizner.
Trilha Sonora Original: Daniel Maia.
Preparador Corporal: Mauricio Flores.
Cenotécnico: Cesar Rezende.
Técnico de Luz e Som: Leandro Di Cicco.
Acessibilidade Audiovisual: Nara Marques.
Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.
Midias Digitais: Inspira Comunicação – Felipe Pirillo e VanessaScorsoni.
Fotos: Pedro Bonacina.
Idealização: Andrea Dupré e Daniel Tavares.
Administração: Fenetre Produções. Produção: Contorno Produções.
Produtora Executiva: Laura La Padula.
Assistente de Projetos: Bianca Bertolotto.
Assistente de Produção e Comunicação: Carolina Henriques.
Direção de Produção: Jessica Rodrigues e Victória Martinez. 

O espetáculo COCK – Briga de Galo foi contemplado pela 10ª edição do Prêmio Zé Renato para a Cidade de São Paulo, instituído pela Lei nº 15.951/2014  

Serviço

COCK – Briga de Galo, de Mike Bartlett, com direção de Nelson Baskerville
De 2 a 18 de dezembro – de segunda a sexta, às 20h; sábados, às 18h
Oficina Cultural Oswald de Andrade – Sala 03 – Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo, SP
Ingressos: Grátis, distribuídos 1h antes de cada sessão
Duração: 120 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

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Ganhar o mundo é uma proposta da Plataforma Brasil, da MITsp

Alessandra Negrini em A Árvore.  Foto: Divulgação

in.verter. Foto: Cacá Bernardes / Divulgaçao

Glitch com Flavia Pinheiro. Foto: Divulgação

Marta Soares em Vestigios. Foto João Caldas / Divulgação

Alargar horizontes e encontrar novos portos de chegada são desejos da maioria dos artistas e grupos brasileiros das artes cênicas. A Mostra Internacional de Teatro de São Paulo – MITsp vem apostando no fomento e promoção de grupos e artistas nacionais rumo à internacionalização há alguns anos. Mais uma ação nesse sentido é a programação especial de espetáculos e performances nacionais, a Plataforma Brasil – Mostra Digital de Artes Cênicas, que a MITsp apresenta entre 1° e 5 de dezembro, pelo site MIT+ (mitmais.org), braço digital da Mostra.

O evento, destinado a programadores nacionais e internacionais, mas estendido ao público gratuitamente, inclui 18 montagens de 14 artistas e grupos de vários estados brasileiros. A MITsp também anuncia a 8ª edição da MITsp, programada para a primeira quinzena de junho de 2022.

Os espetáculos que estão na mira da MITsp são aqueles que priorizam a pesquisa experimental e investigação da linguagem cênica, definem os idealizadores da MITsp, Antonio Araújo (Teatro da Vertigem) e Guilherme Marques (Ecum – Encontro Mundial das Artes Cênicas), diretor artístico e diretor geral de produção, respectivamente. Além da programação de espetáculos nacionais, a MITsp tem investido nas atividades pedagógicas voltadas para a capacitação de gestores e produtores culturais.

A Plataforma Brasil – Mostra Digital de Artes Cênicas em 2021 tem curadoria de Kil Abreu e Sônia Sobral e foi pautada pela escolha de produções de todo Brasil em diálogo com questões urgentes no mundo.

A seleção em teatro, dança e performance oferece espetáculos inéditos na plataforma e outros do acervo da MITbr, que já se apresentaram presencialmente em edições anteriores da Mostra. O conteúdo ficará disponível na MIT+ durante o período da Mostra com opção de legendas em inglês, Libras e audiodescrição.

Programação

Loess uma das quatro performances que Marise Maués apresenta. Foto: Divulgação

Serenatas Dançadas, de Soraya Portela, do Piauí. Foto: Divulgação

Desfazenda Me enterrem fora desse lugar, do Coletivo O Bonde Foto: Jose de Holanda / Divulgação

Loess é um conceito da geologia que aponta um tipo de solo arenoso, inconsistente, sedimentado. Loess é uma das quatro performances que Marise Maués apresenta como reflexão sobre a fragmentação do humano contemporâneo, com múltiplas identidades e em contínuo processo de mudança. As outras três são Nóstos, Kali, Paisagem Derruída, exibidas pela primeira vez na Mostra e que investigam questões do território paraense.

Serenatas Dançadas, de Soraya Portela, do Piauí, articula o encontro de quatro mulheres do Nordeste brasileiro com suas memórias, suas paisagens íntimas e seus desejos. O cotidiano fabulado e bem-humorado de Lara Luz, Vera Lu, Tetê Souza e Raimunda Flor do Campo é dançado celebrando o amanhã.

“Vapor” é uma gíria que significa sumir, nos becos das periferias de Teresina (PI) ou outras urbanidades. O morador da quebrada que morre, evapora. O cara que vende a ilícita aos consumidores. Pode dar conta do olheiro que vigia as entradas da favela e avisa à rede. Ou os mais vulneráveis, vítimas da ação policial, executados na juventude. A Original Bomber Crew apresenta Vapor, a partir da pesquisa e cultura do hip hop.

Glitch, palavra que quer dizer “deslizar”, “escorregar”, entrou na linguagem da informática para indicar um mau funcionamento. No uso corrente vale para qualquer tipo de pequeno problema inesperado que atrapalha o bom funcionamento de qualquer coisa. Flavia Pinheiro adota o nome Glitch no trabalho que investiga como corpos queer, desobedientes, podem hackear e desestabilizar sistemas hegemônicos de poder. Em cena, performers expõem suas individualidades, mas essa coletividade sofre colapso no palco.

Na coreografia Delirar o Racial, os artistas cariocas Wallace Ferreira e Davi Pontes conectam dança e filosofia para desafiar a lógica da violência moderna. É uma dança de autodefesa, repleta de movimentos acrescidos de artes marciais e da capoeira, para que o corpo negro exista sem a repetir a violência colonial sem se autodestruir , com os dois corpos em cena em constante diálogo e negociação.

Na peça-filme Desfazenda – Me enterrem fora desse lugar, do Coletivo o Bonde, de São Paulo, quatro pessoas pretas vivem na fazenda de um Padre Branco. Quando crianças, 12, 13, 23 e 40 foram salvas da guerra pelo homem. A guerra nunca atingiu a fazenda. O Padre nunca sai da capela. E em qualquer questionamento, um sino soa.

Eduardo Fukushima, de São Paulo, experimenta o desconfortável em si, com o solo Homem Torto, uma dança não simétrica que sugere um corpo frágil, mas com o vigor dos fortes. É uma dança que investe nos opostos como a dureza e a leveza, a fragilidade e a força, o equilíbrio e o desequilíbrio, movimentos fluidos e cortados, o dentro e o fora do corpo.

In-verter à Deriva, da paulista Les Commediens Tropicales, mistura ficção e documentário, em um experimento cênico audiovisual, que traz imagens do grupo em suas intervenções urbanas com dança, performance e teatro.

Em A Árvore, Alessandra Negrini interpreta A, escritora solitária que se metamorfoseia em uma árvore. É um relato poético que peregrina pelo isolamento, pela esperança, pelo íntimo contato com o estranho e pelo desconhecido de um novo ser em um novo mundo. A peça híbrida entre teatro e cinema, da dramaturga mineira Silvia Gomez, se inspira no fantástico e no absurdo para falar da relação de amor e ruína com o meio ambiente em que vivemos.

Boca de Ferro. Foto: Gelson Catatau

Dinamarca. Foto: Bruna Valença / Divulgação

Renata Carvalho. Foto: Nereu Jr / Divulgação

Algumas peças que foram apresentadas nas edições anteriores da MITbr estão na programação. Boca de Ferro, das cariocas Marcela Levi e Lucía Russo, traz a sonoridade de Belém em uma dança irreverente, provocadora. Dinamarca, do Grupo Magiluth, de Pernambuco, foi inspirado em Hamlet e propõe uma reflexão sobre o fenômeno das bolhas sociais.

Com Manifesto Transpofágico, a autora e atriz paulista Renata Carvalho questiona a construção de corpos, identidades e preconceitos contra travestis.

O Grupo Cena 11, de Santa Catarina, resgata, em Protocolo Elefante, o exílio da morte dos elefantes para falar de pertencimento e deslocamentos. Vestígios, da Marta Soares, é resultado de uma imersão em cemitérios indígenas pré-históricos na região de Laguna, em Santa Catarina, e mistura performance, videoinstalação e dança.

Ver(ter) à Deriva, espetáculo da paulista Les Commediens Tropicale, é formado por um conjunto de intervenções cênicas propostas para espaços externos e públicos, que dialogam com o silêncio das imagens de uma metrópole.

A Plataforma Brasil – Mostra Digital de Artes Cênicas tem apresentação da Prefeitura Municipal de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Apoio institucional do Goethe Institute, Sesc SP, Festival Panorama, Faroffa. Apoio Cultural do Núcleo dos Festivais, KVS – Proximamente, Art Republic. A realização é da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo e do Olhares Instituto Cultural.

Parcerias com festivais: resultados práticos

A MITsp, por meio da MITbr – Plataforma Brasil já fechou acordos com eventos de artes cênicas. São parceiros os festivais de Edimburgo; o Proximamente da KVS, em Bruxelas, o Lift, em Londres e o Festival de Santarcangelo, na cidade italiana de mesmo nome.

Alguns resultados das ações. Altamira 2042, de Gabriela Carneiro da Cunha, está em turnê por festivais de países como França, Portugal, Suíça e Uruguai até o início de 2022. Lobo, de Carolina Bianchi, foi convidado a se apresentar no Skirball, em Nova York, em 2020. A atriz e diretora Janaína Leite, que se apresentou na edição de 2020, dará um workshop no Festival Proximamente, na Bélgica. O Grupo Mexa levou Cancioneiro Terminal para o Festival Traansform, em Leeds, na Inglaterra.

Outros espetáculos como violento., solo encenado por Preto Amparo, com concepção de Preto Amparo, Alexandre de Sena, Grazi Medrado e Pablo Bernardo; Caranguejo Overdrive, da Aquela Cia de Teatro; Isto é um Negro?, do grupo E Quem É Gosta?; Vaga Carne, de Grace Passô; De Carne e Concreto, da Anti Status Quo Companhia de Dança estiveram em festivais como o Festival Mladi Levi, na Eslovênia, o Proximamente e o FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, no Porto, Portugal.

Serviço

Plataforma Brasil – Mostra digital de artes cênicas
On Demand – De 1º, às 11 horas, ininterruptamente, até 23 horas do dia 5 de dezembro de 2021
Conteúdo legendado em inglês e acessível com audiodescrição e Libras.
MIt+:
Informações e acesso gratuito em www.mitmais.org
Para ter acesso ao conteúdo, basta fazer o cadastro, gratuitamente, no site da plataforma e acessar a página de programação para escolher o espetáculo.

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Dramaturgo inglês Mike Bartlett diminui grandeza da heroína de Eurípedes
Crítica do espetáculo Medea

Fani Feldman (Medea), Daniel Infantini (Jasão). Foto: Murilo Alvesso / Divulgação

A Cia do Sopro anuncia promover reflexões críticas acerca da condição da mulher nos dias de hoje com sua montagem de Medea, em sessões presenciais ainda neste domingo no Teatro do Sesc Pompeia, e em temporada online de 29 de novembro a 7 de dezembro. Infelizmente não percebo esse debate pelo viés crítico e político na cena. A versão contemporânea para o clássico de Eurípides, escrita em 2012 pelo escritor e dramaturgo inglês Mike Bartlett, 41, se mostra um pálido capítulo de novela.

Cruel, melancólica, ambígua, vingativa, apaixonada, monstruosa, desesperada, impulsiva, passional, traiçoeira, estranha. Todos esses adjetivos não dão conta da miríada de possibilidades, de nuances, de profundidade, de insondável que pauta a poesia de Eurípedes.

O propósito inflexível que move Medeia na vingança contra Jasão é esvaziada de sua essência da tragédia grega. Honra e reputação estão ligadas a questões públicas mais do que ao circuito privado.

A tragédia de Eurípedes amplia nosso entendimento sobre o páthos e a tímoria (a vingança) e o filicídio dessa personagem do século V a.C.. Naquela época, a mulher estava excluída da participação social no sistema democrático grego masculino, sem nenhuma possibilidade de ascender ao kléos (glória).

Medeia ajudou Jasão a conquistar o velocino de ouro, que para ele significava recuperar o trono aos descendentes usurpado pelo rei Pélias, tio de Jasão. Para isso ela matou o próprio irmão e abandonou do seu reino para seguir com o seu homem.  

A princesa Medeia, divina e humana, feiticeira com poder da cura, comete sua hýbris (desmedida do herói) quando transforma o dom da magia em instrumento de vingança. Ao matar os filhos ela tirava de Jasão tudo que ela lhe proporcionou: descendência, fama e glória. Confiscava o futuro.

O páthos de Medeia é um caminho sem volta. Ao ser traída ela perdera os amparos legais; na lei grega, a mulher não tinha direito sobre os filhos. E como estrangeira (bárbara) ela era uma ameaça.

Bem, conhecemos a história de Eurípedes e sabemos que existem milhares de interpretações dessa peça grega sob perspectiva das mais diversas, da psicanálise às questões de gênero. Então vamos à produção da companhia paulistana.

Do dramaturgo Mike Bartlett, aplaudimos com entusiasmo as montagens das peças Contrações (2013) com as atrizes mineiras Débora Falabella e Yara de Novaes, dirigidas por Grace Passô e Love, Love, Love (2018), do Grupo 3 de Teatro com direção de Eric Lenate, e elenco formado por Débora Falabella, Yara de Novaes, Augusto Madeira, Mateus Monteiro e Alexandre Cioletti.

Muitas obras clássicas têm versões contemporâneas trazendo o coração da peça para propor outras questões. Em Medea de Mike Bartlett o alicerce mitológico desmorona. Bartlett faz um deslocamento da trama para um bairro inglês da periferia, um conjunto habitacional com as casinhas todas iguais. A protagonista é uma mulher difícil, de poucos amigos, destroncada da sua origem.

Com tradução de Diego Teza, a peça tem no elenco Fani Feldman (Medea), Daniel Infantini (Jasão), Juliana Sanches (Pam), Maristela Chelala (Sarah), Plínio Meirelles (Andrew), Bruno Feldman (Nick Carter) e Zé Henrique de Paula como diretor convidado.

A produção da peça opta por um cenário e figurino inspirados no londrino periférico, mas isso não acrescenta camadas à montagem.

Maristela Chelala (Sarah), à esquerda, garante bons momentos da peça. Foto: Murilo Alvesso / Divulgação

As ótimas Juliana Sanches (Pam), Maristela Chelala (Sarah) iniciam o jogo de palavras, um embate verbal com um humor ferino e muito sarcasmo de Bartlett, que arranca algumas risadas da plateia. As duas personagens se alfinetam mutuamente e parte do público achou isso bem engraçado, estreia. Elas preparam o terreno falando da mulher que está prostrada após ter sido largada pelo marido.

 A Medea de Fani Feldman tem cabelos vermelhos, um jeito desleixado de se vestir, uma fala meio confusa, com argumentos pouco consistentes. Os diálogos entre as três faíscam e acende a falsa cumplicidade feminina. A poesia de Eurípides foi embora na troca de farpas entre as mulheres.

Essa Medea perturbada, deseducada, instável que jura vingança inspira pouca empatia. E reforça um antigo clichê de desequilíbrio feminino diante de conflitos. A peça fica menor e Medea é diminuída.

Jasão também encolhe nesse texto de Bartlett. O herói conquistador, no sentido de vencedor, vira um mulherengo, um motoqueiro de meia idade metido a boyzinho, guiado pelo pênis, um estereótipo do homem que troca a companheira por uma noiva rica mais jovem.

Em Eurípides Jasão tem suas razões – ao se casar com a filha do rei de Corinto, Jasão afiança o futuro real para os filhos -, mesmo que não concordemos. A cena em que Jasão sucumbe a luxúria sexual, diante da sedução da protagonista é risível vergonha alheia.

Nick Carter, de Bruno Feldman, não parece o poderoso do pedaço, mas uma figura temerosa com as ameaças de uma inquilina. O ator David Uander, que faz Tom, o filho emudecido pela separação de Medea e Jasão, é uma graça.

Os cigarros utilizados na peça me parecem totalmente dispensáveis. Fuma Jasão, Andrew e Medea sem que esse gesto pareça essencial ao desdobramento da ação e ainda fazendo da plateia fumante passiva. Pelo amor…

O poder das personagens é diluído. Falta a grandeza do clássico. Medeia é filha de um rei. Ela é uma bruxa, uma feiticeira bárbara. Quando Medea de Bartlett se diz uma bruxa não funciona, e ela ostenta outras inconsistências.

Há um protofeminismo na peça de Eurípides. Nela, Medeia é perigosa e força vital de cada cena. Ela desafia as leis gregas que exigia que a mulher se escondesse e calasse diante do infortúnio.

A ação descritiva nas últimas cenas do espetáculo de Juliana Sanches, para contar o aconteceu no casamento, não tem a mesma força que as iniciais. Sua febril movimentação não reforça o horror do episódio, mas pode ser ajustada.

O final da peça parece problemático. Medéia de Eurípides é neta do deus Sol. O dramaturgo grego utiliza a estratégia do deus ex machina para salvar a protagonista. Uma carruagem de fogo leva Medeia a um santuário. A solução de Bartlett de apelar um deus chega como pouco criativo.

Essa tentativa de discutir as questões de opressão feminina não funcionou nesta produção de Medea. Pelo menos não para mim.

Medea
Ficha Técnica
Texto: Mike Bartlett
Tradução: Diego Teza
Idealização: Fani Feldman e Cia. do Sopro
Direção: Zé Henrique de Paula
Elenco: Fani Feldman (Medea), Daniel Infantini (Jasão), Juliana Sanches (Pam), Maristela Chelala (Sarah), Plínio Meirelles (Andrew) Bruno Feldman (Nick Carter) e David Uander (TOM)
Preparação: Inês Aranha
Trilha Original: Fernanda Maia
Assistência de direção: Marcella Piccin
Iluminação: Fran Barros
Cenário: Bruno Anselmo
Figurino e visagismo: Daniel Infantini
Direção de vídeo, montagem e fotografia: Murilo Alvesso
Direção audiovisual – Murilo Alvesso | Câmeras – Murilo Alvesso, Jorge Yuri e Ju Lima | Som Direto – Tomás Franco | Assistênica de câmera e Grafismos – João Marcello Costa | Produção Audiovisual – Assum Filmes
Concepção do projeto: Fani Feldman e Bruno Feldman
Produção: Quincas e Cia. do Sopro
Direção de Produção: Fani Feldman e Rui Ricardo Diaz
Assistente de Produção: Laura Sciulli
Realização: ProAc | Quincas I Cia. do Sopro
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Agradecimentos e apoios: Teatro do Núcleo Experimental, Teatro Santa Cruz/ Raul Teixeira, teatro FAAP/ Cláudia Hamra, Cláudia Miranda, Tati Marinho/ Casa dos Achados – Brechó, Refúgios Urbanos/ Bárbara Tegone, Una Muniz Viegas/ Cristiane Viegas, Jairo Leme, Marina Feldman, e Ariel Moshe.
Cia. do Sopro: Fani Feldman, Rui Ricardo Diaz, Plínio Meirelles, Osvaldo Gazotti e Antonio Januzelli.

Serviço
Presencial:
Estreia 26 de novembro
SESC Pompeia
26, 27 e 28 de novembro. (Sexta e Sábado 21h e domingo 18h)
Rua Clélia, 93 – Pompéia, São Paulo – SP.
Temporada online:
29 de novembro a 07 de dezembro, com sessões diárias, sempre às 21h00. (ingressos pelo Sympla)
Haverá bate-papo após as transmissões, nos dias 29/11 e 07/12. O link do Zoom estará disponível para acesso no Canal da Cia. do Sopro no YouTube.

 

 

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Medea contemporânea da Cia. do Sopro

 Fani Feldman (Medea) e Daniel Infantini (Jasão). Foto: Murilo Alvesso / Divulgação

Montagem se localiza na periferia de uma grande cidade. Foto: Murilo Alvesso @mualvesso

A Cia do Sopro quer discutir a situação da mulher atualmente Foto: Murilo Alvesso / Divulgação

A versão contemporânea de Medea (2012), de Mike Bartlett para o clássico de Eurípides, ganha montagem da Cia. do Sopro, com três apresentações presenciais de 26 a 29 de novembro no Teatro do Sesc Pompeia, e segue para temporada online de 29 de novembro a 7 de dezembro. Com tradução de Diego Teza, a peça tem no elenco Fani Feldman (Medea), Daniel Infantini (Jasão), Juliana Sanches (Pam), Maristela Chelala (Sarah), Plínio Meirelles (Andrew) e Bruno Feldman (Nick Carter) e Zé Henrique de Paula como diretor convidado.

O dramaturgo desloca o território e a realidade originais da Grécia antiga para um conjunto habitacional de subúrbio, que pode existir em qualquer parte do mundo. Medea foi largada pelo marido e está atordoada em seu lar conjugal, sem conseguir lidar com a situação, sem ânimo para trabalhar nem sossego para dormir. Seu filho perdeu a fala e ela planeja vingança.

Bartlett explora as engrenagens do universo masculino, mostra como os homens são incapazes de negar sua luxúria sexual. O autor busca tratar esse homem contemporâneo sem condescendência, por seus atos mordazes, ambivalentes, nem sempre justificáveis. Ao expor suas chagas diante de Jasão, Medea diz: “Eu divido os homens em três grupos: idiotas, tios e estupradores. Os idiotas precisam de uma mãe, os tios nos tratam como crianças e os estupradores querem nos foder, gostemos ou não”.

Nesta versão da tragédia clássica de Eurípedes, o autor Bartlett explora a “fúria privada que borbulha sob o comportamento público” e como, no mundo de hoje, uma mãe, alimentada pela raiva pela infidelidade, pode ser conduzida a cometer o crime contra o próprio filho.

A Cia do Sopro quer com a peça discutir a situação da mulher atualmente, e as condições e forças contrárias que sabotam a emancipação efetiva de direitos e lugar de fala. Formada por Fani Feldman, Rui Ricardo Diaz, Plínio Meirelles, Osvaldo Gazotti e Antonio Januzelli a Cia. do Sopro, que tem em sua trajetória os espetáculos A Hora e Vez e Como Todos os Atos Humanos.

“Medeia é um dos grandes clássicos do teatro grego”, discorre o diretor Zé Henrique de Paula. “A protagonista acuada, traída, vilipendiada, eviscerada por uma sociedade alicerçada pelo machismo estrutural fala integralmente aos dias de hoje. E infelizmente, fala demais ao Brasil de 2021, um país aterrorizado permanentemente por notícias diárias de abuso e feminicídio”.

Para Zé Henrique de Paula, “dirigir essa peça sendo um homem é exercitar a humildade e servir meramente de canal para que a voz – no nosso caso, o grito – das mulheres seja ouvido. Ouvido de verdade, o que significa permitir que esse grito, esse lamento, esse coro, sejam ferramentas de modificação de uma tremendamente injusta situação social”.

Mike Bartlett é um dramaturgo aclamado da Grã-Bretanha. No Brasil já foram montadas as peças Love, Love, Love (2018), com direção de Eric Lenate, e elenco formado por Débora Falabella, Yara de Novaes, Augusto Madeira, Mateus Monteiro e Alexandre Cioletti, que traça um retrato político e provocador das idiossincrasias geracionais de uma mesma família, de 1967 a 2014; Contrações (2013) também com as atrizes mineiras do Grupo 3 de Teatro – Débora Falabella e Yara de Novaes – sob direção de Grace Passô, investiga os conflitos da vida pessoal em meio ao cenário corporativo e critica a degradação nas relações de trabalho. Bull, uma tentativa não tão bem-sucedida de Bartlett de abordar o bullying no ambiente corporativo,  foi encenada em 2014, com direção de Eduardo Muniz e Flavio Tolezani, com elenco composto por Bruno Guida, Cynthia Falabella, Muniz e Tolezani.

Medea. Foto: Murilo Alvesso / Divulgação

Ficha Técnica
Texto: Mike Bartlett
Tradução: Diego Teza
Idealização: Fani Feldman e Cia. do Sopro
Direção: Zé Henrique de Paula
Elenco: Fani Feldman (Medea), Daniel Infantini (Jasão), Juliana Sanches (Pam), Maristela Chelala (Sarah), Plínio Meirelles (Andrew) Bruno Feldman (Nick Carter) e David Uander (TOM)
Preparação: Inês Aranha
Trilha Original: Fernanda Maia
Assistência de direção: Marcella Piccin
Iluminação: Fran Barros
Cenário: Bruno Anselmo
Figurino e visagismo: Daniel Infantini
Direção de vídeo, montagem e fotografia: Murilo Alvesso
Direção audiovisual – Murilo Alvesso | Câmeras – Murilo Alvesso, Jorge Yuri e Ju Lima | Som Direto – Tomás Franco | Assistênica de câmera e Grafismos – João Marcello Costa | Produção Audiovisual – Assum Filmes
Concepção do projeto: Fani Feldman e Bruno Feldman
Produção: Quincas e Cia. do Sopro
Direção de Produção: Fani Feldman e Rui Ricardo Diaz
Assistente de Produção: Laura Sciulli
Realização: ProAc | Quincas I Cia. do Sopro
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Agradecimentos e apoios: Teatro do Núcleo Experimental, Teatro Santa Cruz/ Raul Teixeira, teatro FAAP/ Cláudia Hamra, Cláudia Miranda, Tati Marinho/ Casa dos Achados – Brechó, Refúgios Urbanos/ Bárbara Tegone, Una Muniz Viegas/ Cristiane Viegas, Jairo Leme, Marina Feldman, e Ariel Moshe.
Cia. do Sopro: Fani Feldman, Rui Ricardo Diaz, Plínio Meirelles, Osvaldo Gazotti e Antonio Januzelli.

Serviço
Presencial:
Estreia 26 de novembro
SESC Pompeia
26, 27 e 28 de novembro. (Sexta e Sábado 21h e domingo 18h)
Rua Clélia, 93 – Pompéia, São Paulo – SP.
Temporada online:
29 de novembro a 07 de dezembro, com sessões diárias, sempre às 21h00. (ingressos pelo Sympla)
Haverá bate-papo após as transmissões, nos dias 29/11 e 07/12. O link do Zoom estará disponível para acesso no Canal da Cia. do Sopro no YouTube.

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