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As conexões entre arte e ciência ganham protagonismo na segunda edição do Cena Agora

Das Águas que Atravesso: Um Diário de Vida que Ancoro, da médica Renata Meiga e do ator Jhoao Junnior; um diário fílmico sobre os apontamentos de doulagem. Foto: Jhoao Junnior

Flávia Pinheiro apresenta In Vitro. Foto: Tom Oliver Jacobson /Divulgação

Surgido no período geológico do Pleistoceno, o Homo sapiens (termo que deriva do latim “homem sábio” – será, será, será???) se esparramou pelo mundo no Holoceno. Como força onipresente chegou ao Antropoceno (termo formulado por Paul Crutzen, Prêmio Nobel de Química de 1995), deixando suas marcas de destruição. Esse período mais recente do planeta Terra teve seu início no crepúsculo do século 18 (não há consenso entre especialistas), quando as ações humanas passaram a gerar impactos consideráveis no clima, no progresso demoeconômico e nos andamentos dos ecossistemas. A Terra debate-se num espiral de morte. A ameaça de extinção não é ficção, mas urgência. O prazo para reverter essa situação planetária está se esgotando.

Depois de refletir sobre o Nordeste, a nova série do Cena Agora, do Itaú Cultural, se dedica à relação da ciência com as artes, no programa que acontece até o dia 18 de julho. Com cenas curtas e inéditas de dança, teatro e performance, serão exibidos ao público trabalhos que têm a ciência tanto como tema quanto como método criativo para as artes.

Corpxs reagentes, existências em crise é a provocação temática dessa safra do Cena Agora – Arte & Ciência. Duas mesas e 12 cenas de no máximo 15 minutos estão na pauta. Artistas convidados expõem diferentes olhares sobre o diálogo entre esses dois segmentos, em uma  pulsação com as preocupações atuais.

As atividades on-line e gratuitas são realizadas dentro do Palco Virtual do Itaú Cultural, com sessões de quinta-feira a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h, pela plataforma Zoom. Todas as apresentações são seguidas por conversas com os elencos e mediadores, que nesta edição do Cena Agora acompanharam o processo criativo dos artistas para a elaboração de cenas inéditas. Os ingressos podem ser reservados via Sympla – mais informações em www.itaucultural.org.br.

No intuito de provocar um pensamento sobre uma atuação coletiva entre a arte e a ciência, a mesa Como pensar arte e ciência em um mundo complexo? reúne a artista visual Rejane Cantoni, doutora e mestre em Comunicação e Semiótica pela Universidade Católica de São Paulo, e a biomédica Helena Nader, vice-presidente da Academia Brasileira de Ciência (ABC). A mediação é de Jader Rosa, gerente do Núcleo do Observatório Itaú Cultural.
Duas criações por noite são apresentadas de sexta-feira a domingo, a partir do dia 9,  com mediação da artista-pesquisadora Walmeri Ribeiro.

A pernambucana Flávia Pinheiro expõe In Vitro, performance que, em analogia às formações da natureza, aborda o conhecimento que os elementos trazem em si e como são produzidas as verdades criadas para narrar as histórias ensinadas. A paulista Júlia Abs faz em Dez uma celebração à vida no planeta Terra, numa partitura coreográfica, que sugere uma mandala a ser ativada.

Núcleo Arte e Ciência no Palco. Foto Adriana Carui / Divulgação

Dois grupos que tem como proposta relacionar arte e ciências se apresentam no sábado. O Núcleo Arte e Ciência no Palco, de São Paulo, exibe A Extinção é a Regra. A Sobrevivência é a Exceção, combinando atores com criações visuais, histórias de descobertas com provocações anti-negacionistas.

O grupo carioca Ciênica mostra a cena Sua Companhia: encontro de quatro amigos após mais de um ano de distanciamento. A conversa com os elencos após as exibições tem mediação da atriz, produtora, dramaturga e diretora Thais Medeiros.

Domingo é a vez da ciência presente no teatro de bonecos. Após as cenas, o diretor audiovisual Ricardo Laganaro conduz o bate-papo com os convidados. Os mineiros do grupo Pigmalião Escultura que Mexe apresentam Fábulas Antropofágicas para Dias Fascistas: A Raposa no Divã, inspirada em peça teatral da filósofa Márcia Tiburi.

Já os gaúchos do De Pernas Pro Ar apresentam Memórias Enferrujadas. Nesse teatro de máquinas, resta a um velho inventor esquecido a rotina de desenferrujar movimentos, sentimentos e engrenagens.

Memórias Enferrujadas, com o grupo De Pernas Pro Ar. Foto Tayhu Wieser

Segunda semana

No dia 15 de julho, um debate sobre a fricção entre arte e ciência abre a atividade com a participação de três convidados. A química baiana Kananda Eller, conhecida como Deusa Cientista nas redes sociais, trabalha com referências negras dentro de uma afroperspectiva. A carioca Letícia Guimarães, que atua no Museu da Vida –Fiocruz, criando e dirigindo espetáculos teatrais com o objetivo de promover a saúde e popularizar a ciência com um viés político-social. E o cearense Marcus Vale, fundador da Seara da Ciência, museu dedicado ao tema na Universidade Federal do Ceará (UFC), onde coordena o grupo de teatro e outras atividades de divulgação científica. A mesa Experiências artísticas, obras científicas tem mediação do ator, diretor e mestre em Ciências Leonardo Moreira.

Na sexta-feira, 16, o diretor, dramaturgo e ator Fabiano Dadado de Freitas e o dramaturgo Ronaldo Serruya apresentam O Futuro não é Depois: Uma Performance Palestrativa sobre Cazuza e Herbert Daniel. Na mesma noite é exibida a cena Das Águas que Atravesso: Um Diário de Vida que Ancoro, da médica Renata Meiga e do ator Jhoao Junnior; um diário fílmico sobre os apontamentos de doulagem de Renata Meiga. Dodi Leal, líder do Grupo de Pesquisa Pedagogia da Performance: visualidades da cena e tecnologias críticas do corpo, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) media o debate.

Corpos Aleatórios ou Sobre a Aparente Aleatoriedade da Vida. Foto: Divulgação

Figura Humana, do grupo chileno-brasileiro Tercer Abstracto. Foto: Brendo Trolesi / Divulgação

A ciência também pulsa nos processos de criação do grupo chileno-brasileiro Tercer Abstracto, em Figura Humana, uma investigação do corpo humano como mobilizador da arquitetura social. A outra cena do sábado é Corpos Aleatórios ou Sobre a Aparente Aleatoriedade da Vida, do AntiKatártiKa Teatral (AKK), com o ator, diretor e autor teatral Nelson Baskerville, Cau Vianna e Raimo Benedetti. Eles usam a autoficção como expediente na orientação dos atores – Dani D’eon, Larissa Nunes, Michelle Bráz, Ronaldo Fernandes e o próprio Baskerville –, onde cada um narra em um minuto, cada fase de sua própria experiência.

No encerramento, no domingo, 18, tem o coletivo carioca Territórios Sensíveis. O trabalho Em Não se Pode Tocar, Está em Mim, Está em Nós investe na questão estético-política dos danos, impactos e sensações geradas pelas ruínas derivadas do extrativismo mineral – uma sobrevivência por entre as veias e rastros abertos do antropoceno.

Enquanto a artista capixaba Castiel Vitorino Brasileiro reflete sobre a relação do seu corpo com os minerais. Na cena Espaços Perecíveis de Liberdade, as luminosidades e as escuridões, em Boituva, são entendidas como presságios. A partir daí foram criados templos efêmeros, para se cultuar o acaso. O bate-papo conduzido pelo artista visual indígena paraense Emerson Uýra.

Não se pode tocar, mas está em mim, está em nós. Foto: Territórios Sensíveis

Novos cientistas

Ainda dentro da temática, o Itaú Cultural traz no Palco Virtual para Crianças a websérie infantil
inédita Olho Mágico, da Companhia Delas. A cada episódio, duas garotas que adoram
ciência descobrem, durante o isolamento, que a câmera do computador as conecta com essas
personagens que realizaram grandes feitos, como a antropóloga Niède Guidon, a ativista
feminista e bióloga Bertha Maria Júlia Lutz; a socióloga e primeira não médica a ser
reconhecida como psicanalista Virgínia Leone Bicudo e a bióloga e professora Marta Vannucci.
Os episódios entram no ar semanalmente, de 4 a 25 de julho. Eles ficam disponíveis até 29 de
agosto, no Youtube do Itaú Cultural www.youtube.com/user/itaucultural.

SERVIÇO: 
Cena Agora – Arte & Ciência: corpxs reagentes, existências em crise
Semana 1:
De 8 a 10 de julho (quinta-feira a sábado), às 20h
Dia 11 de julho (domingo), sempre às 19h
Semana 2:
De 15 a 17 de julho (quinta-feira a sábado), às 20h
Dia 18 de julho (domingo), sempre às 19h

LINK DIRETO PARA AS SINOPSES E RESERVA DE INGRESSOS.

PROGRAMAÇÃO

Semana 1
8 de julho, quinta-feira, às 20h

Mesa Como pensar arte e ciência em um mundo complexo?
Com Helena Nader (SP) e Rejane Cantoni (SP). Mediação de Jader Rosa (SP)
No livro Design para um Mundo Complexo, o professor Rafael Cardoso provoca os designers a saírem de seus lugares de criação solitário, mercadológico e material, para atuarem com trabalhos em rede e coletivo. A abertura desse programa parafraseia o título do livro para também pensar a virtualidade e a imaterialidade, em visada ambiental para que possamos refletir politicamente e buscar soluções para uma sociedade mais igualitária.

9 de julho, sexta-feira, às 20h

In Vitro
Com Flávia Pinheiro (PE). Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Walmeri Ribeiro
A pesquisa de Flavia Pinheiro detecta fabulas guardadas nas formações de cavernas, nas relações entre as espécies e as cosmologias. Esses conhecimentos e as articulações de produção de verdades são explorados na performance da artista, que relaciona a invenção de mundos visíveis e invisíveis, de humanos e não-humanos e o que pode resultar desses deslocamentos.
Ficha técnica:
Criação e performance: Flávia Pinheiro
Colaboração: Tom Oliver
Imagens: Udo Akemman
Edição de imagens: Pedro Barros
Áudio: Diogo Tode
Figurino: Richard John Jones

Júlia Abs exibe Dez. Foto: Divulgação

Dez
Com Júlia Abs (SP). Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Walmeri Ribeiro
Celebrar a vida no planeta Terra, a partir da dança e da coreografia. É uma mensagem de paz, de harmonia, de consideração por cada ser humano vivo agora, cada ser vivente, animado ou inanimado. A cena propõe a ideia de universo como uma estrutura comum a todas as culturas em constante diálogo.
Ficha técnica:
Coreografia e performance: Júlia Abs
Criação do vídeo: Júlia Abs e Renata Mosaner
Desenhos: Cecília Abs e Júlia Abs
Realização: JAPA (Júlia Abs Performing Arts)

10 de julho, sábado, às 20h

A Extinção é a Regra. A Sobrevivência é a Exceção
Com Núcleo Arte e Ciência no Palco (SP). Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Thais Medeiros
A cena aponta que há ciência no teatro, desde sempre. Que os raciocínios científicos estão na dramaturgia e na encenação. E questiona onde se localiza o centro dessa dinâmica da evolução da arte cênica. A proposta fragmentária combina atores com criações visuais, histórias de descobertas com provocações anti-negacionistas, num passeio pelo tempo com humor e poesia.
Ficha técnica:
Atores: Adriana Dham, Carlos Palma e Oswaldo Mendes
Roteiro e direção: Coletivo
Produção audiovisual/edição: Adriana Carui
Trilha sonora especialmente composta por: André Martins
Ilustrações e maquetes: Carlos Palma

Sua Companhia
Com Ciênica (RJ). Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Thais Medeiros
Mais de um ano de pandemia, o distanciamento social forçado. Em meio a enxurradas de informações, emoções, ciências, tecnologias e incertezas, quatro amigos resgatam seus vínculos, memórias e afetos.
Ficha técnica:
Argumento: Leonardo Moreira
Texto: Cássia Gomes e Leonardo Moreira
Música: Cássia Gomes e Leonardo Moreira
Personagens: Atila (Leonardo Moreira), Miguel (Nico Serrano), Jaqueline (Carol Haber)
e Natália (Cássia Gomes)
Direção: Leonardo Moreira
Edição de vídeo: Nico Serrano

Fábulas Antropofágicas para Dias Fascistasm, do Pigmalião Escultura que Mexe. Foto: Eduardo Felix

11 de julho, domingo, às 19h

Fábulas Antropofágicas para Dias Fascistas: A Raposa no Divã
Com Pigmalião (MG). Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Ricardo Laganaro (SP)
Cruzamentos fabulescos do Brasil dos últimos tempos. A raposa não gosta de direitos humanos, a lebre bate panela, o corvo é o moralista da história. Livremente inspirado na obra de Márcia Tiburi e na subversão de fábulas de Esopo, o trabalho recria animais antropomórficos para refletir sobre os dias atuais.
Ficha técnica:
Direção: Eduardo Felix
Dramaturgia: Marina Viana, livremente inspirada na obra de Esopo e de Márcia Tiburi
Direção de fotografia: Daniel Ferreira
Elenco: Igor Godinho, Liz Schrickte e Eduardo Felix
Construção dos bonecos: Mauro de Carvalho e Eduardo Felix
Iluminação: Marina Arthuzzi
Cenografia: Eduardo Felix e Raphael Vianna
Construção de cenografia e adereços: Antônio Martins e Mariana Teixeira
Edição de imagens e som: Eduardo Felix

Memórias Enferrujadas
Com De Pernas Pro Ar (RS). Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Ricardo Laganaro (SP)
Um velho inventor vive das ilusões e lembranças provocadas por suas próprias criações! É como se tivesse construído pistas para deixar vivas, em sua mente, as memórias de sua vida. Trata-se de um teatro de máquinas, um teatro de animação, que faz parte da pesquisa sobre a dramaturgia expandida das máquinas de cena do espetáculo A Última Invenção, um desdobramento de suas próprias criações.
Ficha técnica:
Dramaturgo e diretor geral: Luciano Wieser
Ator, criador, construtor: Luciano Wieser
Produção, figurinos, maquiagem, dramaturgia e captação de Imagens: Raquel Durigon
Direção de audiovisual, captação e edição de vídeo, design gráfico, dramaturgia e ator
animador das tecnologias digitais e robôtica: Tayhú Durigon Wieser
Audiovisual e design gráfico: Isadora Fantini Rigo
Música original: Jackson Zambelli e Sérgio Olivé
Trilha Sonora: Tayhú Wieser (Epidemic Sound)

Semana 2

15 de julho, quinta-feira, às 20h

Mesa Experiências artísticas, obras científicas – um debate sobre a fricção entre arte
e ciência
Com Kananda Eller (BA), Letícia Guimarães (RJ) e Marcus Vale (CE). Mediação de
Leonardo Moreira (RJ)

16 de julho, sexta-feira, às 20h

O futuro não é depois: uma performance palestrativa sobre Cazuza e Herbert Daniel
Com Fabiano Dadado de Freitas (RJ) e Ronaldo Serruya (SP). Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Dodi Leal (BA)
Na marca dos 40 anos do início da epidemia de HIV-AIDS, os artistas bixas Fabiano Dadado de Freitas e Ronaldo Serruya promoveram o encontro de suas pesquisas sobre os corpos dissidentes com as reflexões a partir da chegada do vírus que mudou a história. Outra epidemia… juntos Freitas e Serruya acessam alguma ancestralidade positiva através do pensamento-ação de Cazuza e Herbert Daniel. Os artistas procuram realizar um chamamento que parte do passado, mas aponta para o futuro, numa ideia espiralar sobre o tempo.
Ficha técnica:
Concepção, pesquisa e atuação: Fabiano Dadado de Freitas e Ronaldo Serruya

Das Águas que Atravesso: Um Diário de Vida que Ancoro
Com Renata Meiga (SP) e Jhoao Junnior (RN/SP). Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Dodi Leal (BA)
Diário fílmico retrata a experiência de doulagem da médica Renata Meiga junto aos seus pacientes. O amparo na vida enquanto a morte não chega. Há essência nessa travessia que é ancorada por uma doula desse momento da vida. No trabalho, relatos e depoimentos que foram escritos ao longo da prática com diversos pacientes emolduram as imagens que fabulam a presença dos mortos.
Ficha técnica:
Direção e Roteiro: Jhoao Junnior
Com: Renata Meiga
Montagem, Colorismo e Som: Milena Medeiros
Cinegrafistas: Alicia Rovath e Milena Medeiros
Participação: Amir Charruf
Realização: O teatro da Mente e Renata Meiga

17 de julho, sábado, às 20h

Figura Humana
Com Tercer Abstracto (Brasil/Chile). Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Cau Vianna (SP)
Pesquisa e criação a partir do manifesto Homem e Figura Artística (1925), de Oskar Schlemmer, que apresenta os princípios metodológicos da prática cênica da oficina de Teatro da Bauhaus. O projeto elabora uma releitura do corpo humano como mobilizador da arquitetura social, a partir do contexto político destes tempos.
Ficha técnica:
Conceito: Tercer Abstracto
Direção: David Atencio (CH)
Produção: Jota Rafaelli (BR)
Voz: Constanza Espinoza (CH), David Atencio (CH) e Mateus Fávero (BR)
Sonoplastia: Pablo Serey (CH)
Performers: Felipe Rocha (BR), Isabel Monteiro (BR) e Mateus Fávero (BR)
Audiovisual: Julio Lobos (CH) e Matheus Brant (BR)
Fotografia: Brendo Trolesi (BR)

Corpos Aleatórios ou Sobre a aparente aleatoriedade da vida
De AntiKatártiKa Teatral (AKK), com Cau Vianna, Nelson Baskeville e Raimo Benedetti. Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Cau Vianna (SP)
Para explicitar o caráter de aleatoriedade da construção narrativa, o trabalho explora estudos de mecanismos e estruturas matemáticas. O experimento junta histórias de cinco artistas de características e vivências bem diferentes entre si. Cada um narra suas experiências divididas em quatro partes: Infância – CABEÇA, Adolescência – TRONCO, Vida Adulta – CINTURA e A vida em 1minuto – PERNAS. Com as ferramentas da autoficção, cada ator narra, em 1 (um) minuto, cada fase de sua própria experiência.
Ficha técnica:
Direção geral: Nelson Baskerville
Elenco: Dani D’eon, Larissa Nunes, Michelle Bráz, Nelson Baskerville e Ronaldo
Fernandes
Estudo de mecanismos e estruturas matemáticas e provocação: Carlos Vianna
Direção e Produção dos Videos: Raimo Benedetti
Música para Dani D’eon: Rodolfo Shwenger
Realização: AntiKatártiKa Teatral (AKK)
Classificação indicativa: 14 anos

18 de julho, domingo, às 19h

Não se Pode Tocar, Está em Mim, Está em Nós
Com Territórios Sensíveis (RJ). Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Emerson Uýra (PA)
Criação em processo realizada pelo projeto Territórios Sensíveis, a cena traz como questão estético-política central os danos, impactos e sensações geradas pelas ruínas criadas pelo extrativismo mineral – um (sobre)viver por entre as veias e rastros abertos do antropoceno. Nesta proposição, o projeto se lança ao campo da memória corporificada, na construção poética de dizeres outros, juntamente e para além de nós.
Ficha Técnica:
Criação: Walmeri Ribeiro, Ana Emerich, Sofia Mussolin e Eloisa Brantes
Performance: Walmeri Ribeiro
Composição sonora: Ana Emerich
Direção de cena e dramaturgia: Eloisa Brantes
Imagens: Sofia Mussolin e Walmeri Ribeiro
Montagem e finalização: Sofia Mussolin
Realização: Territórios Sensíveis

Espaços Perecíveis de Liberdade
Com Castiel Vitorino Brasileiro (ES). Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Emerson Uýra (PA)
Em Boituva, as luminosidades e as escuridões são presságios. Então, foram criados
alguns templos efêmeros, para se cultuar o acaso.
Ficha técnica:
Templos, direção e montagem: Castiel Vitorini Brasileiro
Fotografia: Castiel Vitorino Brasileiro e Roger Ghil
Produção, finalização: Roger Ghil
Indumentária: Rainha F
Agradecimento: Família Alves Avila

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Nordeste múltiplo é esquadrinhado na ação Cena Agora do Itaú Cultural

Cia de Artes Fiasco, de Rondônia, apresenta Ave de Arribação. Foto: Michele Saraiva

Cia Biruta, de Petrolina, (PE) Foto: Tássio Tavares

Retalhos Mouriscos, com Maicyra Leão, de Sergipe. Foto: Daniela Carvajal

Silvero Pereira mostra seu trabalho Ser tão Nordeste. Foto: Divulgação

Ultrapassar é uma ideia boa para pensar o programa Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas do Cena Agora, que o Palco Virtual de Teatro do Itaú Cultural realiza desde abril. Muitas visões ultrapassam os limites geográficos e as construções estereotipadas ou colonizadas sobre a região, com atuação de grupos e artistas do Nordeste, do Sudeste e do Norte. Assuntos como lugar de fala e de falta, machismo, memórias ancestrais e linguagem alimentam esses olhares sobre o Nordeste, nesta última semana, com apresentações de 27 a 30 de maio (quinta-feira a domingo).

Nesta quinta-feira (27/05), a atriz, produtora, diretora e roteirista cearense Jéssica Teixeira mostra Lugar de Falta, cena que questiona a insuficiência, a escassez, a zona de sentir vazio e sentir muito.

A Coletiva Teatral Es Tetetas, composta pelas artistas Kika Sena, Sarah Bicha e Brenn Souza, do Acre, expõe na sequência uma releitura do livro A Invenção do Nordeste. A cena Sem título trabalha a perspectiva de rompimento das noções de dor e sofrimento vinculadas à imagem da região e dos nordestinos, retomando memórias ancestrais soterradas. A gestora cultural acreana Karla Martins conduz o bate-papo após as apresentações.

Enio Cavalcante (foto divulgação) e Verônica Bonfim (foto: Juliana Varajão) da Pandêmica Coletivo

A carioca Pandêmica Coletivo Temporário de Criação reflete sobre o que nos constitui como nordestinos na sexta-feira na cena Interurbana. Dirigida por Juracy de Oliveira, o trabalho indaga: quanto de você é Nordeste? Quanto de Nordeste sai de você sem precisar nem abrir a boca.

O ator cearense Silvero Pereira também comparece na sexta-feira com Ser tão Nordeste, um mini-doc povoado pelo afeto na liga de três gerações de sua família, em realidade, perspectivas e sonhos. Depois das sessões a conversa é mediada pelo diretor amazonense Francys Madson.

A poesia e a nordestinidade do rap-repente conduzem as buscas cênicas e sonoras da obra Constança, que a Cia. Pão Doce, de Mossoró, no Rio Grande do Norte, mostra no sábado, 29. Já a artista sergipana Maicyra Leão leva para a roda a peça Retalhos Mouriscos, um percurso de migração, concepções de nordestinidade com resíduos de transpassamento culturais que incluem as influências árabes. Karla Martins conversa com os convidados ao final das cenas.

A programação do domingo 30, – derradeiro dia desses cruzos que prometem reverberar-, valoriza o Nordeste além das capitais e expande seus limites para outros estados fora da região. A Cia de Artes Fiasco, de Rondônia, convida o espectador a seguir a poética da revoada, de levantar o próprio corpo e a terra ao redor com Ave de Arribação.

Notícias do Dilúvio — Um Canto a Canudos, da Cia Biruta, da cidade pernambucana de Petrolina, explora um registro histórico da participação de mulheres na Guerra de Canudos, entrelaçando referências às práticas culturais populares do Sertão. O encontro mediado novamente por Francis Madson.

Karla Martins e Francys Madson são os mediadores da semana. Fotos divulgação

O recorte Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas da programação Cena Agora vem propondo “círculos dialógicos” para quebrar com ideias colonialistas e estereotipadas do Nordeste único, da história única, para se conectar com múltiplos teatros humanizados, sustentados na alteridade, no conversação e na valorização  da coautoria do outro (público). Um total de 28 grupos ou artistas teatrais do Nordeste, do Norte e do Sudeste entraram nessa roda.

Cena Agora tem se configurado numa arena pulsante que congrega poéticas e debates com muitas vozes, forjando encontros, diálogos e nos mostrando outras possibilidades de interação em meio a situação de isolamento que persiste, afetando tão fortemente nosso desejo de convivência”, considera Galiana Brasil, gerente de Artes Cênicas do Itaú Cultural. “Para além do extrato estético apurado e instigante, as encruzilhadas têm sido espaços de calor e afeto, subvertendo a ideia comum de distanciamento causada pela mediação digital, possibilitando momentos de fruição conjunta e muita prosa entre artistas e público de geografias tantas”, sustenta.

Muita interseção e partilha vêm ocorrendo no Encruzilhada Nordeste(s), desde abril, fomentando outras cumplicidades e abertura de horizonte éticos, estéticos políticos. Passaram e ficou um pouco de cada umx, do historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr., autor do livro A invenção do Nordeste e outras artes em conversa com Galiana Brasil. E muitas cenas inquietantes, provocadoras, propulsoras de muitos pontos de vista.

Em abril vimos Onan Yá – A caminhada da sacerdotisa, da diretora teatral e dramaturga paulista/baiana Onisajé; O Desaparecimento do Jangadeiro Jacaré em Alcácer-Quibir, do cearense No barraco da Constância tem!; Rhizophora – Estudo nº 01, do Coletivo de Dança-teatro Agridoce, de Pernambuco; Boca, dos maranhenses Erivelto Viana e Urias de Oliveira, Web-Strips: Volume Encruzilhadas, do grupo baiano Dimenti, e o Sem título, do Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte.

Elaborando olhares sobre a migração e subjetividades , no início de maio participaram o alagoano Clowns de Quinta, com Prisioneiro do Reggae, o paraibano Alfenim, com Pequeno Inventário das Afinidades Nordestinas; o sergipano Boca de Cena em Remundados, o potiguar Casa de Zoé em Encontros, NÉ? e a dupla maranhense Brenna Maria e Ywira Ka’i em Você já Sangrou Hoje? Grupos paulistanos com DNA nordestino contribuíram para os cruzos do encontro: Estopô Balaio, com o seu EX-NE – O Sumiço, e a Cia. do Tijolo, com O Outro Nome da Amizade.

Semana passada teve a mesa Mídia e a (des)construção do imaginário NORDESTE, mediada por Aninha de Fátima Sousa, gerente do Núcleo de Comunicação do Itaú Cultural. A conversa sobre atitudes xenofóbicos machistas, e racistas foi com a jornalista e atriz pernambucana Ademara Barros, que ganhou espaço na internet com seus vídeos de humor irônico e a baiana Val Benvindo, jornalista, produtora, apresentadora e consultora em diversidade racial.

Os piauienses do grupo Canteiro Teresina apresentaram Amora, o grupo pernambucano Magiluth mostrou o trabalho O Mundo Quase Acabou. O também grupo pernambucano O Poste Soluções Luminosas exibiu o experimento cênico híbrido LONGUSU XENUNPRE DUDU NORDESTINAPE, sobre falas inviabilizadas. Fractais, do Grupo Ninho de Teatro, do Ceará levou para a cena recortes de sua pesquisa sobre gênero a partir dos feminismos e das masculinidades.

Eztetyka do Sonho, do Teatro dos Novos, da Bahia, mostrou uma encenação virtual do manifesto lançado por Glauber Rocha em 1971, para revisitar questões do que seria uma linguagem para uma arte verdadeiramente revolucionária. Cabra Macho, do ator paraibano Zé Wendell, investiga com humor as repercussões do machismo no Nordeste, na construção da identidade LGBT.

As conversas foram mediadas pelo diretor Jorge Alencar e o ator Neto Machado, da Bahia; pela  diretora teatral e dramaturga paulista/baiana Onisajé; e pelo ator e diretor mineiro Rodrigo Mercadante. 

SERVIÇO:
Cena Agora – Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas
Semana 4:
De 27 a 29 de maio (quinta-feira a sábado), às 20h
Dia 30 de maio (domingo), às 19h
Todos as apresentações são seguidas de bate-papo com o elenco.
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla.
Mais informações em: www.itaucultural.org.br

PROGRAMÇÃO E SINOPSES
Semana 4

27 de maio, quinta-feira, 20h

Jéssica Teixeira, do Ceará. Foto: Igor Melo

Lugar de Falta
Com Jéssica Teixeira (CE)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com a atriz. Mediação de Karla Martins
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos
Sinopse:
Lugar de falta. Não é de fala. Não é de escuta. É de falta. Aqui, a falta é pura contradição. Um
lugar escasso e cheio. Sentir vazio e sentir muito. É do nada e é demais!
Ficha Técnica:
Direção, Roteiro e Atuação: Jéssica Teixeira.
Produção Executiva: Jéssica Teixeira
Direção de Fotografia e Operação de Câmera: Camila de Almeida
Edição, Cor e Legenda: Victor di Marco
Consultoria em Acessibilidade Cultural: Gislana Vale
Trilha Sonora Original e Mixagem: Marcus Au Coêlho

Sem título
Com Coletiva Teatral Es Tetetas (AC)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Karla Martins
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos
Sinopse:
Uma releitura de A Invenção do Nordeste, um retorno às memórias ancestrais que foram
soterradas, numa camada bem espessa da dor. Como num resgate dessas memórias, propõe-
se um rompimento das noções de dor e sofrimento, que são intensamente vinculadas à
imagem que se faz do Nordeste e de pessoas nordestinas.
Ficha Técnica:
Performance: Kika Sena
Edição de vídeo: Sarah Bicha e Brenn Souza
Roteiro: Kika Sena, Sarah Bicha e Brenn Souza
Direção: Brenn Souza e Kika Sena
Fotografia: Sarah Bicha e Brenn Souza
Indumentária e caracterização: Sarah Bicha e Brenn Souza.

28 de maio, sexta-feira, 20h

Interurbana
Com Pandêmica Coletivo Temporário de Criação (RJ)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Francys Madson
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos
Sinopse:

Ligações interurbanas. Corpo, caju, facetas, fúria e voz. Quanto de você é Nordeste? Quanto
de Nordeste sai de você sem precisar, nem mesmo, dizê-lo?
Ficha Técnica:
Direção: Juracy de Oliveira
Performance: Alda Pessoa, Diane Veloso, Enio Cavalcante, Josyara e Verônica Bonfim.
Realização: Pandêmica Coletivo Temporário de Criação

Ser tão Nordeste
Com Silvero Pereira (CE)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com o ator. Mediação de Francys Madson
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos (melhor fruição)
Sinopse:
É um registro carinhoso, um olhar cheio de afeto sobre três gerações da família do ator Silvero
Pereira: pais, ele e seu sobrinho. Um mini-doc sobre origem, sobre passado, presente e futuro,
sobre realidade, perspectivas e sonhos.
Ficha Técnica:
Argumento, Texto, Direção e edição: Silvero Pereira
Atuação: Silvero Pereira, Rita Invenção e José Alves
Colaboração: Dougllas Robson

29 de maio, sábado, 20h

Cia Pão Doce de Teatro. Foto Thyago Dantas

Constança
Com Cia. Pão Doce de Teatro (RN)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Karla Martins
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos
Sinopse:
Em constância na caminhada, a Cia. Pão Doce apresenta as suas buscas cênicas e sonoras,
bebendo na poesia e no rap-repente de uma nordestinidade que povoa e foge do senso
comum.
Ficha Técnica:
Direção: Cia Pão Doce
Elenco: Paulo Lima, Lígia Kiss, Romero Oliveira, Raull Davyson, Edson Saraiva e Mônica Danuta
Dramaturgia: Cia. Pão Doce
Música: Romero Oliveira
Iluminação: Paulo Lima
Imagem, edição, som direto: Ribeiro Produções
Cenografia e figurino: Cia Pão Doce
Preparação vocal: Cláudia Azevedo
Produção: Cia Pão Doce

Maicyra Leão. Foto: Marcelo Dischinger

Retalhos Mouriscos
Com Maicyra Leão (SE)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Karla Martins
Duração:
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos
Sinopse:
A cena é uma epopeia subterfúgica repartida entre a história de migração no Nordeste, a
trajetória particular de sujeitos em devir retirante e, em meio a isso, a criação de uma criança
declarada nordestina. O mote é múltiplo, difuso, entrecortado e costurado como qualquer
processo de construção de uma identidade mutante. A cena foi elaborada especificamente
para o Cena Agora: Encruzilhada Nordeste, na perspectiva de povoar a noção de
nordestinidade com resíduos de atravessamentos culturais para além da tríade africano – índio
– europeu, mais precisamente com borraduras árabes.
Ficha Técnica:
Performance e concepção: Maicyra Leão
Dramaturgia visual: Rodrigo Garcia
Direção Musical: Nouras Hanana
Violino: Kayan Leão

30 de maio, domingo, 19h

Cia de Artes Fiasco. Foto Michele Saraiva

Ave de Arribação
Com Cia de Artes Fiasco (RO)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Francys Madson
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos
Sinopse:
É sobre pássaros/pessoas que estão soterradas em lugares de solidão, mas, também de desejo
recalcado que emerge da espera de um regresso incerto dos seus entes queridos. Para nós,
ovos-filhos, para o Estado, números e super soldados. Revoar, neste caso, é levantar o próprio
corpo e a terra ao redor. Qual revoada é possível?
Ficha Técnica:
Dramaturgia e Direção: Fabiano Barros:
Elenco : Rafaela Oliveira e Artur Nestor
Músico Compositor: Rinaldo Santos:
Produção Aline T
Administração: Emilly Lamarão 

Notícias do Dilúvio – Um Canto a Canudos
Com Cia Biruta (PE)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com o elenco. Mediação de Francys Madson
Duração:
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos
Sinopse:
Entrelaço de referências às práticas culturais populares do Sertão com registros históricos da
participação de mulheres na Guerra de Canudos. A proposta é atualizar, contar e cantar o lugar
em que se forma o silêncio que luta e afronta o esquecimento. Nele estão as personagens Das
Dores e Dos Anjos, em oração, rememoração e alucinação no espaço/tempo navegante de
uma das mais importantes experiências de resistência popular do país.
Ficha Técnica:
Encenação: Antonio Veronaldo
Texto: Luis Osete Carvalho e Antonio Veronaldo
Elenco: Cristiane Crispim e Camila Rodrigues

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Imaginários e experiências de Nordeste(s) no Cena Agora, de hoje (6) a domingo (9)

Cia do Tijolo resgata personagens dos espetáculos do repertório. Foto: Alécio César

Se o Nordeste é uma construção, invenção, espaço de disputas de poder, como a arte pode desestabilizar preconceitos, ampliar imaginários, desconcertar? A programação do Cena Agora, que tem como tema “Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas” chega àsegunda semana nesta quinta-feira (6) e vai até domingo (9) com sete trabalhos de seis estados (Alagoas, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe e São Paulo) e conversas entre artistas, críticos e espectadores.

A ideia é que cada grupo apresente experimentos artísticos de até 15 minutos e, logo em seguida, todos conversem sobre arte, pesquisa de linguagem, experiências, Nordeste, possibilidades de construção de novas narrativas. Esta semana, nós, Pollyanna Diniz e Ivana Moura, mediamos os debates de hoje (6) e de domingo (9) e o diretor Jhoao Junnior, do Rio Grande do Norte, faz a mediação na sexta (7) e no sábado (8).

A programação será aberta com o grupo Estopô Balaio que apresenta Ex-NE – O Sumiço. Apesar de ser sediado em São Paulo, o grupo conta com vários artistas do Rio Grande do Norte, que encontraram no Jardim Romano, bairro do extremo Leste de São Paulo, muitas similaridades com a cidade de Natal. No trabalho, o Nordeste é apagado do mapa do Brasil e quatro pessoas se encontram na deep web para tentar entender o que pode ter acontecido. A direção é de Quitéria Kelly e a dramaturgia de Henrique Fontes, do grupo Carmin, que rodou o país com A invenção do Nordeste, a partir do livro do professor Durval Muniz de Albuquerque Júnior.

Amanhã, sexta-feira (7), participam do Cena Agora os grupos Clowns de Quinta, de Alagoas, e o Coletivo de Teatro Alfenim, da Paraíba. O trabalho do Clowns de Quinta é Prisioneiro do Reggae, que investiga uma história com um músico de reggae de Alagoas, que ficou ainda mais conhecido na região depois de gravar uma música dizendo que não havia matado uma mulher chamada Ester. A história é uma ficção? Foi comprada pelo público?

Já o Alfenim apresenta Pequeno Inventário das Afinidades Nordestinas, com fragmentos de memória e impressões cotidianas de seus integrantes para tecer um breve comentário poético e crítico sobre as afinidades nordestinas. A direção é de Márcio Marciano e Murilo Franco, inspirados na obra poética de Manuel Bandeira e João Cabral de Melo. Quais as subjetividades que compõem uma experiência Nordeste?

No sábado (8), o grupo Boca de Cena, de Sergipe, apresenta Remundados, a partir do texto homônimo do dramaturgo mineiro Raysner de Paula, escrito para o grupo em 2019. As pessoas que foram excluídas da história oficial, podem renascer? Quatro personagens refugiados, vindos de um lugar que não existe mais, se propõem a “remundar” a realidade, lançando novas sementes no mundo.

A Casa de Zoé, do Rio Grande do Norte, traz Encontros, NÉ?, um experimento que lida com a ideia de que seguimos tentando entender, encontrar e descobrir o Nordeste. De quais maneiras definir a localização e as fronteiras do Nordeste?

Brenna Maria assina texto, direção, música e está no elenco de Você já Sangrou Hoje?

No domingo (9), encerrando a programação, teremos os maranhenses Brenna Maria e Ywira Ka’i, com Você já Sangrou Hoje?. O trabalho tem como mote a frase de Dona João, que vive da terra na cidade de São João Batista e gerou nove filhos: “Tudo que é usado em demasia acaba”. A metáfora com a destruição que o homem está empreendendo na Terra, os nossos meios de vida, como nos relacionamos com a natureza, é imediata.

E a Cia do Tijolo, criada e sediada em São Paulo, mostra O outro nome da amizade, que evoca personagens de espetáculos anteriores do grupo, como o arcebispo Dom Helder Câmara, a freira, filósofa e teóloga feminista Ivone Gebara, o educador e filósofo Paulo Freire e o poeta Patativa do Assaré.

A programação começa sempre às 20h. Os ingressos são gratuitos, mas é preciso retirar ingressos antecipadamente pelo Sympla.

Nesta página, você encontra os links de retirada de ingressos para todos os dias.

COLUNA DAS YOLANDAS NO SITE DO ITAÚ CULTURAL – A partir da programação do Cena Agora, fomos instigadas a escrever quatro colunas para o site do Itaú Cultural. A primeira faz uma pergunta que nos inquieta: “Existe um teatro nordestino?”. Pensamos sobre como essa nomenclatura foi definida, o que significa hoje, e como alguns grupos, como o Carmin, do Rio Grande do Norte, a Dimenti Produções Culturais, da Bahia, e o coletivo No barraco da Constância tem!, do Ceará, estão desestabilizando imaginários.

Confira aqui a primeira coluna do Satisfeita, Yolanda? no Itaú Cultural.

Clowns de Quinta vão contar “reggae policial” de Alagoas. Foto: divulgação

Coletivo de Teatro Alfenim parte de memórias e impressões cotidianas. Foto: Alessandro Potter

Casa de Zoé apresenta Encontros, NÉ?. Foto: Brunno Martins

PROGRAMAÇÃO:

Cena Agora – Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas Semana 2
Quando: 6 a 9 de maio (quinta-feira a domingo)
Onde: Plataforma Zoom
Quanto: Gratuito. É preciso retirar os ingressos no Sympla

Estopô Balaio retirou o Nordeste do mapa em experimento

QUINTA-FEIRA (6/5), às 20h
EX-NE – O Sumiço, com Coletivo Estopô Balaio (SP)
Após a apresentação, bate-papo com mediação de Ivana Moura e Pollyanna Diniz
Sinopse:
EX-NE – O Sumiço traz um recorte da pesquisa e experimentação de cenas em território on-line do espetáculo EX-NORDESTINES*, que tem estreia prevista para maio de 2021. O espetáculo parte da premissa que o Nordeste sumiu do mapa do Brasil e que nessa distopia ninguém, com exceção de quatro pessoas (uma estatista, uma linguista, um geógrafo e um historiador), se dá conta do sumiço.

Ficha Técnica:
Direção: Quitéria Kelly
Dramaturgia: Henrique Fontes
Elenco: Ana Carolina Marinho, Anna Zêpa, Breno da Matta e Juão Nyn
Trilha sonora: Marco França
Montagem de vídeo e efeitos: Aristeu Araújo
Assistência de direção e preparação corporal: Rodrigo Silbat
Secretaria: Lisa Ferreira
Produção: Corpo Rastreado e Coletivo Estopô Balaio
Produtores: Wemerson Nunes, David Costa e Gabi Gonçalves
Designer gráfico: Daniel Torres
Consultoria histórica: Durval Muniz de Albuquerque Júnior
Beleza: Andrey Batista
Assistente de beleza: Sasá Ferreira
Figurino: Ben
Testagem Covid-19: VALP Soluções Inteligentes
Enfermeira: Vanessa Alves de Lima Proença
Farmacêutico: Carlos Alberto Rossatto Junior

SEXTA-FEIRA (7/5), às 20h
Prisioneiro de Guerra, com o grupo Clowns de Quinta (AL), e Pequeno Inventário das Afinidades Nordestinas, com o Coletivo de Teatro Alfenim (PB)
Após a apresentação, bate-papo com mediação de Jhoao Junnior

Sinopse Prisioneiro do Reggae:
Antes mesmo das fanfics interneteiras tomarem conta das redes sociais, um gênero de reggae, o reggae policial, surgia em Alagoas e tomava conta das discussões na capital. Hoje, quatro jovens alagoanos se colocam em debate em torno de um misterioso caso que está ao redor desse gênero musical.

Ficha Técnica:
Direção artística: David Oliveira
Produção: Elaine Lima
Coordenação artística: Nathaly Pereira
Coordenação financeira e administrativo: Wanderlândia Melo

Sinopse Pequeno Inventário das Afinidades Nordestinas:
O experimento audiovisual parte de fragmentos de memória e impressões cotidianas para tecer um breve comentário poético e crítico sobre as afinidades nordestinas. Partindo da indagação sobre o que nos assemelha e o que nos diferencia, o vídeo procura inventariar sentidos, ideias, contradições e afetos que compõem uma visão múltipla e diversa do Nordeste.

Ficha Técnica:
Elenco: Adriano Cabral, Edson Albuquerque, Lara Torrezan, Mayra Ferreira, Murilo Franco, Paula Coelho, Verônica Cavalcanti, Victor Dessô, Vítor Blam e Zezita Matos
Argumento: Márcio Marciano
Roteiro: Márcio Marciano e Murilo Franco
Direção: Márcio Marciano e Murilo Franco
Montagem: Edson Albuquerque e Murilo Franco
Finalização: Edson Lemos
Trilha original: Kevin Melo e Mayra Ferreira
Som e masterização: Kevin Melo
Equipe de produção: Gabriela Arruda, Edson Albuquerque, Vítor Dessô, Murilo Franco

SÁBADO, (8/5), ÀS 20h
Remundados, com o grupo Boca de Cena (SE), e Encontros, NÉ?, com Casa de Zoé
Após a apresentação, bate-papo com mediação de João Jhúnior

Cia Boca de Cena apresenta experimento com personagens refugiados. Foto: divulgação

Sinopse Remundados:
Pesquisa investigativa artística a partir do “remundar” – lançar no mundo semente dos existires de gentes varridas da história, onde povos dessa pequena multidão podem renascer. Diante disso, uma multidão de quatro refugiados, cada um vindo de um lugar que não existe mais, e que, sem rumo, decidem seguir, com destino a lugar nenhum.

Ficha Técnica:
Direção: Grupo Teatral Boca de Cena
Produção geral: Rogério Alves (SE)
Dramaturgia: Raysner de Paula (MG)
Preparadora vocal: Babaya Morais (MG)
Artista plástico (pesquisa visual): LUC (BA)
Técnica: Patrícia Brunet (SE)
Elenco: Ana Kelly, Felipe Mascarello, Leandro Handel e Rogério Alves

Sinopse Encontros, NÉ?:
O que é o Nordeste? Não sabemos. Dada a indefinição, vêm as dificuldades em traçar suas fronteiras. Por conseguinte, também a localização. Não sabemos onde fica ao certo. Mas somos capazes de jurar que existe. Ah, existe sim! Como na vida, que ao seguir vamos entendendo, encontrando… Quem sabe até lá consiga-se descobrir, como um dia deu a sorte de acontecer com o Brasil.

Ficha Ténica:
Artistas criadores: Igor Fortunato, Titina Medeiros, Caio Padilha e Nara Kelly
Direção: César Ferrario
Produção criativa: Talita Yohana e Arlindo Bezerra

DOMINGO (9/5), ÀS 20h
O Outro Nome da Amizade, com a Cia. do Tijolo (SP), e Você já Sangrou Hoje?, com Brenna Maria e Ywira Ka’i (MA)

Sinopse O Outro Nome da Amizade:
A Cia.do Tijolo evoca personagens de seus espetáculos para junto com amigas, camaradas e companheiros, pensar o tempo presente, a vida presente, os homens e mulheres presentes. Dom Helder Câmara, Ivone Gebara, Paulo Freire e Patativa do Assaré percorrem encruzilhadas da cidade de concreto condenada a nunca adormecer.

Ficha Técnica:
Ator/diretor: Dinho Lima Flor
Atriz/diretora: Karen Menatti
Ator/diretor: Rodrigo Mercadante
Técnico audiovisual: Flávio Barollo
Produção: Suelen Garcez

Sinopse Você já Sangrou Hoje?:
Você sempre pega e usa como bem entender. Não cuida e tão pouco se importa se um dia vai acabar. “Tudo que é usado em demasia acaba”, diria dona Joana, que vivendo da terra em São João Batista gerou nove filhos. ÌYÁ MESAN ÒRUN! A terra é sagrada e jorra sangue de suas entranhas. Por isso, cuidado, muito cuidado com quem você mexe, pois “Eu avanço ao som de trovões cortando gargantas”.

Ficha Técnica:
Elenco: Brenna Maria e Ywira Ka’i
Direção, texto e música: Brenna Maria
Direção de arte e edição: Ywira Ka’i

 

 

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Peça “Quanto mais eu vou, eu fico” rejeita a caricatura do Nordeste único, atrasado e miserável

Quanto mais eu vou, eu fico faz uma live especial neste 29 de abril, às 20h, no canal do grupo no Youtube.

Preconceitos velados e explícitos serviram de disparadores para o trabalho

Elenco compõe um mosaico de personagens

Busca por trabalho, melhores condições de vida, reconhecimento são motivações para migrações do nordestino para a região Sudeste. A concentração dos conglomerados de televisão, produtoras de cinema e de publicidade, além de uma oferta substanciosa de cursos de formação tem sido um chamariz quase irresistível para muitos jovens. Às vezes dá certo. Quanto mais eu vou, eu fico, aborda esse desejo de duas atrizes pernambucanas, Endi Vasconcelos e Maria Laura Catão, (na temporada presencial eram três), que seguiram para o Rio de Janeiro para investir na carreira artística. Neste 29 de abril a peça é exibida no canal do grupo no youtube .

Relatos reais são misturados à ficção na peça que expõe os investimentos emocionais, obstáculos, expectativas das artistas numa jornada de ida e volta, com música, dança e humor. O trabalho busca acentuar a existência de um Nordeste contemporâneo, descolado da caricatura de terra rachada, seca, pobreza, fome, tons pastéis.

O Nordeste não é só isso, elas defendem no espetáculo, repercutindo os versos irônicos do cantor cearense Belchior (1946 – 2017): Nordeste é uma ficção! / Nordeste nunca houve! … Não sou do sertão dos ofendidos!”

As intérpretes foram em busca de sonho no Sudeste, mas não em paus de arara, como ocorreu com migrantes nordestinos pobres em décadas passadas, mas se deslocaram em aviões, nutrindo as redes sociais com suas experiências registradas em imagens de seus smartphones .

A direção geral do espetáculo é de Samuel Santos, a direção musical de Juliano Holanda, com músicas de Thiago Martins e Zé Barreto, canção inédita Cinemascópio, de Marcello Rangel, do disco Quanto mais eu vou, eu fico (que dá nome à peça), dramaturgia de Gleison Nascimento e direção de movimento de Hélder Vasconcelos.

Quando mais eu vou, eu fico é uma idealização do Grupo Bubuia, tem apoio da Lei Aldir Blanc, com gravação no Teatro Luiz Mendonça, em Boa Viagem, no Recife.

SERVIÇO
Espetáculo Quanto mais eu vou, eu fico
Quando: 29 de abril (quinta-feira), 20h
Onde: https://cutt.ly/kvpXgD8
Instagram: @bubuiacia

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Olhares sobre o Nordeste brasileiro em cena no Itaú

Boca, com Erivelto Viana, do Maranhão, está na programação do Cena Agora, do Itaú Cultural, que dedica a  primeira edição à temática Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas. Foto: Divulgação

Manifestações xenófobas e de ódio contra o povo nordestino vem e voltam. Já ocorreram de forma velada, em comentários comparativos de sotaque ou de postura, de posses ou de feições; ou em enxurrada de xingamentos na Internet. O atual presidente já utilizou o termo “paraíba” de forma depreciativa São atitudes fincadas na ideia de uma suposta superioridade de pessoas do Sudeste e do Sul. 

O Nordeste é uma invenção, asseverou o historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr., em sua tese de doutorado, publicada em livro A Invenção do Nordeste e Outras Artes, que se tornou uma das principais referências para desconstruir esse painel repleto de clichês preconceituosos.

Não se iluda. Não nos iludamos. Essa representação reducionista foi forjada pelas classes dominantes e é uma arma de manutenção de poder das elites.

O Nordeste – formado por 9 estados, uma extensão de 1.558.000 km², com 1.793 municípios –
não poderia ser chapado, com identidade única ligada à seca, à pobreza, um lugar atrasado e anacrônico.

Há riqueza e diversidade nessa região produtora de economia, de ciência, de tecnologia, de saberes e de cultura brasileira potente em variadas linguagens, literatura, cinema, música, pintura, teatro etc.

A região Nordeste, que surge na paisagem imaginária do país […], foi fundada na saudade e na tradição. […] Antes que a unidade significativa chamada Nordeste se constituísse perante nossos olhos, foi necessário que inúmeras práticas e discursos “nordestinizadores” aforassem de forma dispersa e fossem agrupados posteriormente.
Durval Muniz de Albuquerque Jr., A Invenção do Nordeste e Outras Artes,

 

O projeto Cena Agora, que o Itaú Cultural promove desta quinta-feira a domingo (de 15 a 18 de abril), às 20h, dedica sua primeira edição à temática Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas com o propósito de tramar/elaborar uma pluralidade de perspectivas sobre o enunciado, tensionando as construções estereotipadas ou colonizadas das identidades nordestinas frente à heterogeneidade polifônica dessa constelação.

A programação virtual é orientada na criação de cenas teatrais curtas, de cerca de 15 minutos, acionando questões contemporâneas como alavancas poéticas. Fazem parte dessa primeira edição seis trabalhos inéditos, criados por artistas da Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Norte, seguidas por conversas dos elencos com críticos e artistas convidados. As atividades serão transmitidas pela plataforma Zoom. Os ingressos gratuitos podem ser reservados via Sympla. Mais informações no site www.itaucultural.org.br.

Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, exibe o trabalho Sem título. Foto: Rafael Telles 

Cena Agora – Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas começa nesta quinta-feira, com a mesa de abertura, uma conversa do historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr., autor do já citado livro A invenção do Nordeste e outras artes com Galiana Brasil, gerente do Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural. O livro inspirou o espetáculo teatral A invenção do Nordeste, do grupo Carmin, do Rio Grande do Norte, que questiona o papel estereotipado do nordestino.

As repetições do senso comum em relação ao fluxo dos nordestinos para o sudeste, tanto em um recorte histórico, quanto em um contexto mais atual, são investigadas na cena do grupo de teatro Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, com elenco dirigido por Fernando Yamamoto, na sexta-feira, 16.

Ainda na sexta-feira será mostrado, cênica e poeticamente, um pequeno recorte da caminhada de vida da yalorixá Mãe Rosa de Oyá, sacerdotisa do Ilê Axé Oyá L´adê Inan, na cidade baiana de Alagoinhas, intitulado Onan Yá – A caminhada da sacerdotisa. A criação é da diretora teatral e dramaturga baiana Onisajé, que assina a direção, o roteiro e a concepção e conta no elenco com a atriz e dançarina Fabíola Nansure e o ator Nando Zâmbia. Neste dia, eu, Ivana Moura, e Pollyanna Diniz,  as “Yolandas”, vamos conduzir a conversa pós-cenas. 

Figuras em situações ou dilemas heroicos reverberam na cena do sábado. O coletivo No barraco da Constância tem! do Ceará, exibe O Desaparecimento do Jangadeiro Jacaré em Alcácer-Quibir. O jangadeiro cearense Manuel Olímpio Meira (1903-1942), conhecido como Jacaré, viajou até o Rio de Janeiro, em 1941, para reivindicar ao presidente Getúlio Vargas os direitos trabalhistas de sua classe pesqueira. A empreitada foi bem-sucedida e ele foi convidado, no ano seguinte, pelo cineasta Orson Welles, a participar de um filme sobre os pescadores e a reproduzir com sua tripulação a cena da chegada dos jangadeiros à baía de Guanabara. Mas, durante as gravações, a embarcação virou e Jacaré desapareceu e nunca foi encontrado. A cena explora inúmeras hipóteses sobre sumiço de Jacaré.

Coletivo Agridoce, de Pernambuco, apresenta cena inspirada no romance Homens e Caranguejos, de Josué de Castro.  Foto: Anny Stone / Divulgação

O Coletivo de dança-teatro Agridoce, de Pernambuco, é o outro convidado da noite e apresenta a cena Rhizophora – Estudo nº 01, baseado no livro Homens e Caranguejos, de Josué de Castro. A fome é apontada por Josué de Castro como a grande tragédia existencial, política e estética brasileira. Escrito em 1966, Homens e Caranguejos é o único romance do cientista, que narra a história de vida de um menino pobre que descobre o mundo a partir da miséria e da lama do mangue.

O ator, diretor e dramaturgo amazonense Henrique Fontes é quem faz a mediação da conversa com os elencos e o público nessa noite. Autor da dramaturgia da premiada peça A Invenção do Nordeste, ao lado de Pablo Capistrano, Fontes é sócio fundador e atual presidente do Espaço Cultural Casa da Ribeira, no Rio Grande do Norte.

O artista Erivelto Viana, do Maranhão, sob direção de Urias de Oliveira, analisa no experimento Boca a energia evocação no encontro (entre) eu/Exu. O dentro, o fora, o centro, o tudo e o nada são pensados poeticamente .

O grupo Dimenti, da Bahia, fecha essa primeira etapa da programação com Web-Strips: Volume Encruzilhadas, que tem como ponto de partida o projeto de 2018 Strip Tempo – stripteases contemporâneos, motivado pela pergunta: como despir a poética de uma carreira? Com direção de Jorge Alencar e codireção de Larissa Lacerda e Neto Machado, a cena revela zonas relativamente ocultas do corpo e da carreira de cada artista. Na configuração de vídeo-performances reúne os artistas Fábio Osório Monteiro, Jaqueline Elesbão e João Rafael Neto, que desnudam corpos, casas, carreiras, a memória e o digital.

No domingo, nós, as Yolandas, seremos as responsáveis pela condução da conversa.

O recorte Encruzilhada Nordeste(s):(contra)narrativas poéticas terá continuidade em maio, durante três finais de semana, de quinta-feira a domingo, contando, ao todo, com a participação de todos os estados do Nordeste no projeto e de grupos/artistas que estão sediados também noutras regiões.

Serviço:
Cena Agora – Encruzilhada Nordeste
De 15 a 18 de abril (quinta-feira a domingo), sempre às 20h

No site do Itaú Cultural: www.itaucultural.org.br
Todos as apresentações são seguidas de bate-papo com o elenco.
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla.
Mais informações em: www.itaucultural.org.br

PROGRAMAÇÃO

15 de abril, quinta-feira, 20h

Mesa Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas
Com Maria Thais e Durval Muniz
Duração: 90 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos (para melhor fruição com o tema)
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla.

16 de abril, sexta-feira, 20h

Onan Yá – A caminhada da sacerdotisa
De Onisajé (BA)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Pollyana Diniz e Ivana Moura
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: Livre
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. 

Sinopse:
Um breve recorte da caminhada de vida da yalorixá Mãe Rosa de Oyá, sacerdotisa do Ilê Axé Oyá L´adê Inan, na cidade baiana de Alagoinhas. sua ação sacerdotal, e o encruzilhamento de suas identidades de mulher negra, nordestina, periférica, sacerdotisa de axé.

Ficha Técnica:
Direção, roteiro e concepção: Onisajé (Fernanda Júlia)
Atuantes: Mãe Rosa de Oyá, Fabíola Nansure e Nando Zâmbia
Direção de imagem, edição e iluminação: Nando Zâmbia
Figurino e maquiagem: Fabíola Nansure
Direção musical e trilha: Jarbas Bittencourt
Locação: Ilê Axé Oyá L´adê Inan

Sem título
Com Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare (RN)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de  Ivana Moura e Pollyanna Diniz Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: Livre
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. Mais informações em: www.itaucultural.org.br

Sinopse:
O trabalho propõe uma relação de jogo com o público, questionando recorrências do senso comum em relação ao fluxo dos nordestinos para o sudeste, tanto num recorte histórico, quanto num contexto mais atual, em especial sobre São Paulo ser a nova capital do Nordeste.

Ficha Técnica:
Direção: Fernando Yamamoto
Assistência de direção: Diogo Spinelli
Elenco: Camille Carvalho, Diogo Spinelli, Nicoli Dichoff, Paula Queiroz e Renata Kaiser
Produção: Rafael Telles

17 de abril, sábado, 20h

O Desaparecimento do Jangadeiro Jacaré em Alcácer-Quibir
Com o coletivo No barraco da Constância tem! (CE)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Henrique Fontes
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos (para melhor fruição com o tema)
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. 

Sinopse:
O jangadeiro Jacaré desaparece em 1942, forjando um enorme buraco. Na história, na rede ou no tecido do espaço e do tempo, essa fenda apresenta inúmeras hipóteses a respeito do seu sumiço e da sua saga. A fábula do nordestino em direção ao epicentro do Brasil toma outros rumos, inaugurando novas possibilidades empreendedoras com a profecia do seu reaparecimento.

Ficha Técnica:
Direção, roteiro e interpretação: Felipe Damasceno, Honório Félix, Renan Capivara, Sarah Nastroyanni e William Pereira Monte
Edição e montagem: Breno de Lacerda
Realização: No barraco da Constância tem!

RHIZOPHORA – Estudo nº 01
Com o Coletivo de dança-teatro Agridoce (PE)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Henrique Fontes
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos (para melhor fruição com o tema)
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. 

Sinopse:
Baseado no romance Homens e Caranguejos, de Josué de Castro, Rhizophora conta a história do anti-herói João Paulo, que se vê em um dilema quando a construtora onde ele trabalha resolve construir um condomínio de luxo no lugar onde fica a comunidade onde ele morou. Entre lembranças da infância ribeirinha nos manguezais e planejamentos megalomaníacos, começa uma grande viagem ao passado e um retorno a sua ancestralidade.

Ficha Técnica:
Dramaturgia e Adaptação: Coletivo de Dança-Teatro Agridoce
Direção: Aurora Jamelo e Nilo Pedrosa
Elenco: Aurora Jamelo, Flávio Moraes, Igor Cavalcanti, Nilo Pedrosa e Sophia William
Coreografia: Sophia William
Preparação de elenco: Sophia William
Direção artística: Aurora Jamelo
Cenografia: Aurora Jamelo e Nilo Pedrosa
Figurinos: Aurora Jamelo
Iluminação: Aurora Jamelo
Produção: Coletivo de Dança-teatro Agridoce
Produção executiva: Flávio Moraes e Sophia William
Foto: Anny Stone, Jessica Maia, Erick Sgobe, Zito Junior
Assessoria de imprensa: Igor Cavalcanti Moura
Vídeo: Tuca Colleto
Captação de som: Anderson Barros
Realização Agridoce

18 de abril, domingo, 20h

Boca
Com Erivelto Viana e Urias Oliveira (MA)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Pollyanna Diniz e Ivana Moura
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 18 anos (nudez frontal)
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. Mais informações em: www.itaucultural.org.br

Sinopse:
O dentro, o fora. O tudo e o nada. O centro. Boca que tudo come, buraco da criação. Corpo lugar de passagem, atravessamento, encruzilhadas. Energia evocação no encontro (entre) Exu/Eu.
Ficha técnica:
Concepção: Erivelto Viana e Urias de Oliveira
Criação e performance: Erivelto Viana
Direção: Urias de Oliveira

Web-Strips: Volume Encruzilhadas
Com o grupo Dimenti (BA)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Ivana Moura e Pollyanna Diniz
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 18 anos (nudez frontal)
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. 

Sinopse:
Desnudar corpos, casas, carreiras, a memória e o digital. Web-Strips buscam despir o trajeto estético e erótico de criadores contemporâneos da Bahia, enquanto também revela a intimidade de seus ambientes domésticos. Utilizando cenas, figurinos, trilhas sonoras e coreografias do repertório dos/as artistas em cena, propõe outras percepções ao famoso striptease (do inglês strip, desnudar; e tease, provocar), gênero tão popular quanto marginal, presente desde as casas noturnas até os clássicos do cinema.

Ficha Técnica:
Direção: Jorge Alencar
Codireção: Larissa Lacerda e Neto Machado
Com: Fábio Osório Monteiro, Jaqueline Elesbão, João Rafael Neto
Direção de fotografia, câmera e som direto: Larissa Lacerda
Edição: Lane Costa e Larissa Lacerda
Trilha sonora: Ricardo Caian
Direção de Produção: Ellen Mello
Equipe de Produção: Fábio Osório Monteiro, Marina Martinelli, Francisco Sena e Trini Opelt
Financeiro: Marília Pereira
Comunicação: Marcatexto
Realização: Dimenti Produções Culturais

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