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Marcas do passado escravocrata

Espetáculo A Última Cólera no Corpo de Meu Negro

Espetáculo A Última Cólera no Corpo de Meu Negro

Raphael Gustavo, autor e intérprete de A Última Cólera no Corpo de Meu Negro, expõe o racismo da sociedade brasileira e enfoca as tensões entre casa grande e senzala com os elementos de sexualidade e religiosidade. Nessa história situada no século 19, o protagonista Bastião trava uma luta, um jogo de humilhações com outro ser humano. Amor, ódio e perversidade fazem uma trama de segredos e prisões que o tempo irá cobrar.

O espetáculo faz apresentações neste sábado e domingo, na sede do Poste. A Cia Experimental de Teatro, de Vitória de Santo Antão, interior de Pernambuco, desenvolve há quase uma década trabalhos com a questão da herança afrodescendente. Em A Última Cólera no Corpo de Meu Negro a montagem contou com a colaboração dos artistas d’O Poste Soluções Luminosas, Samuel Santos e Naná Sodré, que também investigam o universo da cultura negra para combater o preconceito. 

Ficha técnica
Texto: Raphael Gustavo
Direção: César Leão
Preparação Corporal: Cleiton Santiago
Preparação De Ator: O Poste- Soluções Luminosas (Samuel Santos, Naná Sodré)
Sonoplastia: Fabiano Falcão
Cartazes: Ian de Andrade
Fotos: Lucivânio Moura

SERVIÇO
A Última Cólera no Corpo de Meu Negro, com a Cia Experimental de Teatro
Onde: Espaço O Poste- Rua da Aurora- 529- Boa Vista
Quando: Sábado, 11/03, às 20h e domingo, 12/03, às 19h
Quanto: R$ 20

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O menino da gaiola é lançado em livro

Primeiro texto de Cleyton Cabral é lançado na Torre Malakoff. Foto: Alex Ribeiro / Divulgação

Primeiro texto de Cleyton Cabral é lançado na Torre Malakoff. Foto: Alex Ribeiro / Divulgação

O teatro para infância também abraça temas espinhosos. É o caso da peça O Menino da gaiola, que trata do abuso sexual de crianças, da violência urbana e da poluição. É a primeira peça do publicitário, ator, escritor e blogueiro Cleyton Cabral, lançada em livro neste sábado (11), na Torre Malakoff, bairro do Recife Antigo.

O protagonista dessa história é Vito, garoto orfão que pede à avó e ao tio uma gaiola como presente de aniversário de 10 anos. Ele passa a anotar o sonho das pessoas e guardar os papeizinhos dentro do engradado para em casa soltar esses desejos para “voarem como pássaros”.

Nesse percurso de relatos ele se depara com algumas situações dramáticas. A de um velho que foi violentado por dois homens e teve o rosto queimado; a de uma menina que sofre abuso sexual e dois pescadores de só retiram lixo do rio.

O personagem Vito, o protagonista de O menino da gaiola nasceu em em 2010, quando Cleyton participou do Grupo de Estudos de Dramaturgia da Fundação Joaquim Nabuco, coordenado por Luiz Felipe Botelho.

O texto ganhou uma encenação em 2013, com direção de Samuel Santos. Em 20016, a peça recebeu o incentivo do Funcultura para ser publicada e também terá um versão em braile, produzida pela Biblioteca Pública Estadual, que deverá ser lançada em maio.

A edição tem design assinado pelo artista plástico Java Araújo. Inclusive as ilustrações originais do livro estarão disponíveis para venda nessa tarde de autógrafos. A produção executiva do projeto é de Alexandre Melo, diretor da produtora Nós pós.

capaSERVIÇO
Lançamento de O menino da gaiola
Quando: Sábado (11), às 16h
Onde: Torre Malakoff

Autor: Cleyton Cabral
Ilustrações: Java Araújo
Editora: Cepe
Páginas: 47
Preço: R$ 10

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Teatro de reflexão e resistência. Vem aí a MITsp!

Espetáculo belga abre a 4ª MITsp. Foto: Phile Deprez

Espetáculo belga abre a 4ª MITsp. Foto: Phile Deprez

Que estamos vivendo uma crise econômica, política, social, não há nisso novidade. Um golpe arquitetado por homens brancos, ricos, corruptos e vestindo ternos tirou do poder a presidenta Dilma Rouseff. Depois disso, diariamente, nos deparamos com notícias e declarações que nos fazem quase perder a fé de que ainda há alguma possibilidade neste país. Mas qual o papel dos artistas diante disso? E de um festival de teatro? A quarta edição da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, que começa na próxima terça-feira (14) e dura uma semana (21), decidiu ao menos (um grande intento) tentar refletir sobre o momento que estamos atravessando. O texto curatorial, praticamente um manifesto, assinado por Antônio Araújo, diretor artístico da MITsp, e Guilherme Marques, diretor geral de produção, fala sobre resistência. “Não apenas resistência de sobrevida para um festival ainda novo, mas de fortalecimento da imaginação, de recusa ao cinismo, de superação da apatia e, principalmente, de continuar acreditando na nossa capacidade de ação e de transformação. Recusamos, em igual medida, tanto o estado de coisas a que chegou este país, quanto o estado de ‘coisa’ que insistem em nos imputar”.

Desde a primeira edição da MITsp, não só a curadoria dos espetáculos faz com que a mostra tenha se tornado a mais significativa do país para o teatro de pesquisa, mas a ideia fundamental de que teatro e reflexão andam juntos. Se os espetáculos conseguem, em sua grande maioria, nos tirar do eixo pela experimentação artística, pelas temáticas, pelas abordagens, pelo hibridismo de linguagem, a discussão criada em torno desses espetáculos e do próprio teatro sempre foi um dos pilares da mostra. Este ano, a curadoria do eixo denominado Olhares Críticos, responsável por pensar todas essas conexões em torno da reflexão que a mostra pode gerar, foi assinada pelos jornalistas e críticos Kil Abreu e Luciana Romagnolli. As ações pedagógicas continuam sob a responsabilidade da jornalista Maria Fernanda Vomero. Há ainda o seminário internacional Discursos sobre o Não Dito: racismo e a descolonização do pensamento, cuja curadoria é de Eugênio Lima e Majoí Gongora.

A mostra começa oficialmente (algumas atividades pedagógicas já iniciaram) no Theatro Municipal de São Paulo, dia 14, com o espetáculo belga Avante, Marche!, direção de Alain Platel, Frank Van Laecke e Steven Prengels. Uma banda de música, que pode servir como retrato da nossa sociedade, e a situação de saúde de um músico nos colocam diante da resistência e da finitude. O espetáculo vai contar com músicos brasileiros, sob a regência do maestro Carlos Eduardo Moreno. Para quem for na segunda sessão, no dia 15, um presente: Tom Zé vai comentar o espetáculo ao final da apresentação, na ação intitulada Diálogos Transversais.

Artista libanês Rabih Mroué apresenta três trabalhos. Foto: Houssam Mchiemech

Artista libanês Rabih Mroué apresenta três trabalhos. Foto: Houssam Mchiemech

Ainda no dia 14, começam as sessões da Mostra Rabih Mroué. O artista visual, dramaturgo, diretor e performer libanês apresenta três espetáculos: Tão Pouco Tempo, Revolução em Pixels e Cavalgando Nuvens. Na coletiva de imprensa da mostra, Antônio Araújo revelou que tenta trazer o artista à MITsp há alguns anos. O trabalho de Rabih Mroué condiz com um dos principais eixos da mostra este ano: o teatro documentário, produções que utilizam fatos reais, documentos, história. No caso do libanês, o contexto de guerra do seu país é levado ao palco, como em Revolução em Pixels, quando ele discute como os sírios estavam documentando a guerra e a própria morte; ou em Cavalgando Nuvens, que tem como performer seu irmão, vítima de um tiro durante a guerra civil libanesa. A ação Pensamento-em-processo, uma conversa com Rabih Mroué, sua esposa (que também é performer em Tão Pouco Tempo) Lina Majdalanie, e seu irmão Yasser, será mediada no dia 16, às 10h, no Itaú Cultural, por Pollyanna Diniz, uma das editoras do Satisfeita, Yolanda?.

Por que o Sr. R, Enlouqueceu? Foto: Ju Ostkreuz

Por que o Sr. R, Enlouqueceu? Foto: Ju Ostkreuz

Outros três espetáculos internacionais compõem a MITsp: o alemão Por que o Sr. R. Enlouqueceu?, com direção de Susanne Kennedy para a Münchner Kammerspiele, uma montagem que faz a adaptação do filme homônimo de Rainer Werner Fassbinder; Mateluna, continuação de Escola, vista na primeira MITsp, do chileno Guillermo Calderón; e Black Off, de Ntando Cele, diretora e performer da África do Sul. Esse último trabalho compõe outro eixo significativo na MITsp: a discussão sobre racismo, empoderamento negro, branquitude e opressão. Tanto que dois dos três espetáculos brasileiros que integram a mostra, A Missão em Fragmentos: 12 cenas de descolonização em legítima defesa, com direção de Eugênio Lima, e Branco: o cheiro do lírio e do formol, de Alexandre Dal Farra e Janaina Leite, enveredam por esse caminho, mas por diferentes vias. O terceiro espetáculo brasileiro da mostra é Para que o céu não caia, da Lia Rodrigues Companhia de Danças. Os ingressos já estão esgotados, mas quem teve a sorte de comprar para a sessão do dia 18 de Para que o céu não caia, no Sesc Belenzinho, vai ter a chance de ouvir o xamã yanomami Davi Kopenawa, cujo livro inspirou o espetáculo, ao fim da apresentação, nos Diálogos Transversais.

Branco: o cheiro do lírio e do formol. Foto: André Cherri

Branco: o cheiro do lírio e do formol. Foto: André Cherri

Dentro dos Olhares Críticos, alguns destaques: o seminário Dimensões públicas da crise e formas de resistência, que contará com quatro mesas e convidados como Heloisa Buarque de Hollanda, Marcio Abreu, Vladimir Safatle, Suely Rolnik e Marcelo Freixo; uma discussão sobre teatro na Palestina, com o diretor Ihab Zahdeh, a atriz Andrea Giadach e Maria Fernanda Vomero; uma entrevista pública com Guillermo Calderón; o lançamento da nona edição da Trema! Revista de Teatro, do Recife; e a mesa Crítica e engajamento, uma proposta da DocumentaCena – Plataforma de Crítica (que reúne Satisfeita, Yolanda?, Questão de Crítica e Horizonte da Cena), que será mediada por Ivana Moura, editora do Satisfeita, Yolanda?.

O Satisfeita, Yolanda?, aliás, acompanha a MITsp desde a sua primeira edição. Este ano, participamos novamente da mostra escrevendo críticas que serão distribuídas nos teatros e publicadas aqui no blog e no site da MITsp.

Confira a programação completa da MITsp no site da mostra.

Mateluna. Foto: Felipe Fredes

Mateluna. Foto: Felipe Fredes

Para Que o Céu Não Caia. Foto: Sammi Landweer

Para Que o Céu Não Caia. Foto: Sammi Landweer

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Possíveis transgressões em Genet

Foto: Lígia Buarque / Divulgaçao

Santo Genet e as Flores da Argélia faz curta temporada no Teatro Hermilo Borba Filho. Foto: Lígia Buarque 

Jean Genet (1910-1986) dizia que sua existência de roubos, exercícios homoafetivos e traições era um pretexto para a poesia. Figura verdadeiramente transgressora, ele recusou o trabalho, o “direito de propriedade”, rejeitou regras e horários, e deu vazão à sexualidade reprimida. Ao abraçar a liberdade, Genet propõe outra “ética” e outra “estética” alimentadas no (i)mundo dos abismos.

No Diário de um Ladrão (1949), sua autobiografia com traços de ficção, o escritor registra a trajetória repleta de crimes, paixões e escatologia. Lá habitam prostitutas, homossexuais, travestis e marginais de alçados à categoria de heróis.

O romancista, poeta e dramaturgo francês é apontado como uma das principais vozes da então chamada literatura marginal do século XX. E ele viveu intensamente a delinquência, a ladroagem, os pequenos crimes, a vagância como mendigo pela Europa e as traições com seus amantes malandros.  

Inspirado nesta obra literária, o espetáculo Santo Genet e as Flores da Argélia se ergue sobre os pilares da pederastia, furto e traição para vasculhar as relações de poder – opressores e oprimidos; religiosidade e santificação; violência e miséria.

A encenação assinada por Breno Fittipaldi é composta de quadros/cenas, com os relatos projetados na atualidade, mas também com a evocação do próprio Genet e os personagens que conviveram com o escritor naquela época. O diretor articula as possíveis transgressões de Genet na contemporaneidade e vamos conferir esse alcance.

Santo Genet e as Flores da Argélia faz curta temporada no Teatro Hermilo Borba Filho, de hoje até o dia 19 de março, de sexta a domingo.  

Foto: Lígia Buarque / Divulgaçao

Montagem do Grupo Cênico Calabouço. Foto: Lígia Buarque / Divulgação

Ficha técnica
Elenco – Alcides Córdova, Alexia Silva, André Xavier, Binha Lemos, Diogo Gomes, Diôgo Sant’ana,  Fábio Alves, Giovanni Ferreira,  Hypolito Patzdorf, Ito Soares, Lucas Ferr, Luiz Carlos Filho, Marcos Pergentino, Natália Oliveira, Roberio Lucardo, Shica Farias, William Oliveira
Dramaturgia, encenação e sonoplastia – Breno Fittipaldi
Assistentes de encenação – Hypólito Patzdorf e Nelson Lafayette
Preparação corporal – Hypolito Patzdorf
Assistente de preparação corporal – Hálison Santana
Preparação vocal e execução de sonoplastia – Nelson Lafayette
Figurino – Paulo Pinheiro
Assistente de figurino – Natália Oliveira
Maquiagem – Vinícius Vieira
Assistente de maquiagem – Sabrina França
Iluminação – Dara Duarte
Execução de luz – Dom Dom Almeida / Tomaz Mazzi
Identidade visual / Plano de mídia artística – Alberto Saulo e Alcides Córdova
Fotografias – Li Buarque
Ações formativas – Alberon Lemos
Equipe de Apoio – Adriane Lacerda, Lorenna Rocha, Nayara Cybelle e Paulo César Pereira e Rafael Motta
Produção executiva – Alcides Córdova, Binha Lemos e Luiz Carlos Filho
Produção geral – Grupo Cênico Calabouço
Classificação indicativa – 18 anos

SERVIÇO
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quando: De sexta a domingo, Dias 10,11, 17 e 18 de março, às 19h e 12 e 19 de março, às 18

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Premiados da Apacepe 2017

Ganhadores do Prêmio Apacepe de Teatro e Dança de 2017. Foto: Pedro Portugal / divulgação

Ganhadores do Prêmio Apacepe de Teatro e Dança de 2017. Fotos: Pedro Portugal / divulgação

Atores Alexandre Guimarães e Sonia Bierbard, apresentadores da noite

Atores Alexandre Guimarães e Sonia Bierbard, apresentadores da noite

Músicos Beto do Bandolim e Beto Hortis

Músicos Beto do Bandolim e Beto Hortis

Improvisação dançada da bailarina Inaê Silva

Improvisação dançada da bailarina Inaê Silva

O Teatro Apolo estava lotado na plateia baixa, ontem, noite de entrega do Prêmio Apacepe de Teatro e Dança, do 23º Janeiro de Grandes Espetáculos. Como é previsível, quem não é indicado não pisa lá.

Os atores Alexandre Guimarães e Sônia Bierbard conduziram o anúncio da premiação com humor, doses de ironia e habilidade para manter um bom clima.

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Momento de lembrar as perdas recentes. Naná Vasconcelos fez a trilha de As Três Mulheres de Xangô

Homenagem a Flávio Santos pelo equipe do espetáculo Sistema 25. Fotos: Pedro Portugal

Homenagem a Flávio Santos pelo equipe do espetáculo Sistema 25. Fotos: Pedro Portugal

Cena do guarda-chuva do Sistema 25

Cena do guarda-chuva do Sistema 25

Mãe de Flávio Santos na plateia da homenagem

Mãe de Flávio Santos na plateia da homenagem

Alguns momentos de destaque na premiação, da lembrança dos que partiram, com Beto Hortis ao bandolim e as fotos projetadas. O dueto dos músicos Beto do Bandolim e Beto Hortis, com improvisação dançada da bailarina Inaê Silva. O ator Flávio Santos recebeu uma homenagem da produção do Sistema 25, que cantou a cena do guarda-chuva e emocionou a todos que conheceram essa figura humana maravilhosa. A mãe de Flávio Santos estava lá e não conteve as lágrimas. Nem eu.

Outro momento interessante foi a apresentação do mágico Rafa Santacruz, que levou até a cantora Cristina Amaral para o palco para ajudá-lo nos truques de sumir bolas e lenços e garantir o humor da noitada.

Mágico Rafa SantaCruz

Mágico Rafa SantaCruz

Em princípio estavam concorrendo as peças de teatro adulto A Rã; A Mulher Monstro; O Mascate, A Pé Rapada e Os Forasteiros; Puro Lixo; Alguém Pra Fugir Comigo; Olhos De Café Quente; Martelada; Histórias Bordadas em Mim; Pa(Ideia) – Pedagogia da Libertação; Terror e Miséria No Terceiro Reich – O Delator; A Partida; Baba Yaga; Severinos, Virgulinos e Vitalinos; Ossos. Os espetáculos de dança Tijolos De Esquecimento; Bacnaré: 31 Anos de Resistência; Os Superficiais; Grito; Amor, Segundo As Mulheres De Xangô; Dúvido; Enchente; Segunda Pele e Microclima. E os infantis Doralice; Vento Forte Para Água e Sabão; Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo.

Algumas dessas produções não foram indicadas a nenhuma categoria.

Na área de dança foram indicados Amor, Segundo as Mulheres de Xangô, do Grupo Grial (Recife); Enchente, de Flávia Pinheiro (Recife); Os Superficiais, da Cia. Etc. (Recife) e Segunda Pele, do Coletivo Lugar Comum (Recife) para Melhor Espetáculo.

Para melhor bailarina concorreram Iara Campos, de Microclima; Maria Agrelli, de Segunda Pele; Marcela Felipe, de Enchente e Maria Paula Costa Rêgo, de Amor, Segundo as Mulheres de Xangô. Houve apenas uma indicação para melhor bailarino.

Estavam no páreo por Melhor Iluminação os projetos de Cleison Ramos, de Dúvido; Luciana Raposo duplamente, por Amor, Segundo as Mulheres de Xangô e Segunda Pele. Foram indicados a Melhor Figurino Gustavo Silvestre, de Amor, Segundo as Mulheres de Xangô e Marcondes Lima, de Os Superficiais. Concorreram a Melhor Sonoplastia ou Trilha Sonora Caio Lima e Hugo Medeiros, por Segunda Pele e Tarsísio Resende, por Amor, Segundo as Mulheres de Xangô.

Os Jurados Dielson Pessôa, Nadja Maria e Viviane Ferreira consideraram que não havia merecedores a serem indicados para Melhor Coreografia; Melhor Cenário; Bailarino Revelação e Bailarina Revelação.

Foram entregues também Prêmios Especiais do Júri de Dança ao elenco do espetáculo Dúvido, da Cia Sopro-de-Zéfiro/Cecília Brennand; ao elenco do espetáculo Bacnaré: 31 Anos de Resistência, do Balé de Cultura Negra do Recife (Bacnaré), justificado porque “demonstraram forças congruentes na excelente execução de suas performances”.

Não havia nenhuma representante de Segunda Pele na hora da premiação, além de Luciana Raposo, que é a coordenadora técnica do Janeiro e estava cuidando da luz e outros detalhes, que depois pegou os prêmios do Coletivo Lugar Comum, inclusive o troféu dela mesma.

Representante de Dilùvio

Ana Emília Freire, diretora de Dùvido

Luciana Raposo, com Bruna Castiel

Luciana Raposo, com Bruna Castiel

Representante do Bacnaré

Tiago Batista Ferreira, diretor do Bacnaré

DANÇA

Melhor Espetáculo
Segunda Pele – Coletivo Lugar Comum (Recife)

Melhor Bailarino
Julio Roberto – Bacnaré: 31 Anos de Resistência

Melhor Bailarina
Maria Agrelli – Segunda Pele

Melhor Iluminação
Luciana Raposo – Segunda Pele

Melhor Figurino
Gustavo Silvestre – Amor, Segundo as Mulheres de Xangô

Trilha Sonora
Caio Lima e Hugo Medeiros – Segunda Pele

dividiram o prêmio de melhor atriz de teatro infantil

Juliene Moura, de Chico e Flor e Daniela Travassos, de Vento Forte, dividiram o prêmio de melhor atriz de infantil

DORalice

Alexsandro Silva, diretor de DORalice recebeu um prêmio especial

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André Filho, Samuel Lira e Bruna Castiel

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André Filho, diretor de Vento Forte para Água e Sabão

Mãe de Tiago Gondim, que mandou o filho estudar técnicas de palhaço

Mãe de Tiago Gondim, que “mandou” o filho estudar técnicas de palhaço

Eram quatro os infantis concorrendo a prêmios Doralice, com o espinhoso tema do abuso sexual; o lúdico Vento Forte Para Água e Sabão; Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo, que mergulha nos mitos e lendas do Rio São Francisco. A comissão foi formada por Ana Elizabeth Japiá, Márcia Cruz e Samuel Santos. Um dos momentos mais engraçados da noite foi quando a mãe de Tiago Gondim foi receber o prêmio pelo filho, que ela “mandou” estudar palhaçaria, numa curso em São Paulo,  e disse que era uma sensação muito boa estar no palco. 

TEATRO PARA A INFÂNCIA

Melhor Espetáculo
Vento Forte Para Água e Sabão – Companhia Fiandeiros de Teatro (Recife)

Melhor Diretor
André Filho – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Ator
Tiago Gondim – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Atriz
Juliene Moura – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo
Daniela Travassos – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Ator Coadjuvante
Ricardo Angeiras – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Atriz Coadjuvante
Geysa Barlavento – Vento Forte Para Água e Sabão

Atriz Revelação
Gabriela Melo – Brinquedos & Brincadeiras

Trilha Sonora
André Filho e Samuel Lira – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Iluminação
Carlos Tiago Alves Novais – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo

Melhor Cenário
Antonio Veronaldo e Uriel Bezerra – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo

Melhor Figurino
João Denys e Manuel Carlos – Vento Forte Para Água e Sabão

* Prêmios Especiais do Júri:
• A Giordano Castro e Amanda Torres pela dramaturgia da peça Vento Forte Para Água e Sabão;
• À Cia. 2 Em Cena de Teatro, Circo e Dança pela pesquisa temática sobre abuso de vulneráveis na peça DORalice.

Alguém Pra Fugir Comigo, a grande surpresa da noite, recebeu prêmio das mãos do secretário de Cultura Marcelino Granja

Equipe Alguém Pra Fugir Comigo, a grande surpresa da noite, ao lado do secretário de Cultura Marcelino Granja

Soraya, Olhos de Café Quente

Soraya Silva, Olhos de Café Quente

Daniel Barros, melhor ator

Daniel Barros, melhor ator coadjuvante

Diogenes D Lima, melhor ator

Diogenes D Lima, melhor ator

As indicações aos Prêmios de Teatro Adulto causaram estranhamento. Alguns pontos chamaram a atenção. A montagens Martelada, com Claudio Ferrário; Terror e Miséria No Terceiro Reich – O Delator, com Stella Maris Saldanha e Germano Haiut; A Partida; Severinos, Virgulinos e Vitalinos não receberam nenhuma indicação.

Cada equipe de jurados usa seus critérios para avaliar os espetáculos, comparar atuações e escolher o que considera melhor do que viu.

Mas fiquei constrangida com a não indicação do ator Germano Haiut para melhor ator, tendo como perspectiva a designação dos outros cinco: André Brasileiro, de Ossos; Diógenes D. Lima, de O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros; Gil Paz, de Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade, José Neto Barbosa, de A Mulher Monstro e Júnior Aguiar, de pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação. Nenhum deles, na minha humilde opinião, melhor que a performance de Germano.

A atuação de Haiut espelha uma insegurança do personagem, uma hesitação e coloca o coração na boca para mostrar o que é estar no limite de uma pressão política de opressão. E qualquer argumento de fragilidade no gesto, na voz titubeante ou na intenção eu considero exatamente o contrário, a potência desse ator maduro, grande e que volta ao teatro após 30 anos apartado dos palcos, com aparições no cinema brasileiro e televisão. E abraço Germano Haiut na sua volta, que deveria ser saudada pelo JGE.

Com relação à melhor atriz, até a vencedora ficou incomodada de não haver outras concorrentes e externou isso no palco. Agri Melo, Stella Maris Saldanha, Cláudia Soares, Lívia Lins, para ficar nos espetáculos que vi, não estavam em condições de serem indicadas? É uma pergunta.

A atuação de Arilson Lopes, em Ossos, também vejo como merecedora de prêmio. O trabalho de Daniel Barros, em pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação é bom, mas eu ficaria com Arilson. São opiniões divergentes e não vou me prolongar nessa seara.

A decisão de uma comissão de prêmio é soberana e deve ser respeitada.

Mas penso que três não é um bom número para uma comissão julgadora para o JGE. Talvez fosse bom pensar para as próximas edições um planejamento que garanta uma verba para montar um júri com cinco ou sete pessoas, que contemple a diversidade de olhares. Uma outra sugestão, e isso dá um trabalho, é que a comissão justifique com um breve arrazoado suas escolhas.

A noite prosseguiu no no Bar Apolo 17 (Rua do Apolo, 170) com o DJ Sangue no Olho (Giordano Bruno) e foi movimentada e dançante. Mas gostaria de sugerir que o nosso querido magiluth investisse nas suas discotecagens num som soul, samba, funk, hip hop, afro groove, maracatu mais feminino e feminista. Há mulheres poderosas com umas músicas demais nas paradas. O trabalho da DJ Shaitemi Muganga, a artista mineira Nina Caetano arrasa nesse assunto e indica bons caminhos.

E por último e não menos importante. Sinto algo de muito conservador neste festival Janeiro de Grande Espetáculos e no Prêmio Apacepe de Teatro e Dança. Não consigo fazer um diagnóstico preciso, mas vejo seus sinais. Um deles estava estampado no hall de entrada do Teatro Apolo, ontem, noite de entrega da premiação. Folhas de jornais com matérias sobre o evento que ocorreu de entre os dias 12 a 29 de janeiro, numa realização da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe). Nenhuma reprodução das outras mídias. O blog Satisfeita, Yolanda publicou um material sobre o Janeiro e os links estão no final do post.

No futuro, se ignorasse essas outras plataformas, um pesquisador perderia nuances sobre o evento. 

Isso pode parecer um detalhe sem importância, mas é o reflexo de um pensamento e é preciso pontuar as coisas para que elas não sejam naturalizadas.

TEATRO ADULTO

Melhor Espetáculo
Alguém Pra Fugir Comigo – Resta 1 Coletivo de Teatro

Melhor Diretor
Analice Croccia e Quiercles Santana – Alguém Pra Fugir Comigo

Melhor Ator
Diógenes D. Lima – O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros

Melhor Atriz
Soraya Silva – Olhos de Café Quente

Melhor Ator Coadjuvante
Daniel Barros – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

Melhor Trilha Sonora
Juliano Muta, Leonardo Vila Nova e Tiago West – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

Melhor Iluminação
Elias Mouret – Alguém Pra Fugir Comigo
Júnior Aguiar – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

Melhor Cenário
Diógenes D. Lima, Gustavo Teixeira, Triell Andrade e Bernardo Júnior – O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros

Melhor Figurino
Marcondes Lima – Ossos

Melhor Maquiagem
Manuel Carlos de Araújo – Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade

Prêmios Especiais do Júri:
• Ao Resta 1 Coletivo de Teatro pelo elenco da peça Alguém Pra Fugir Comigo;
• A Ana Paula Sá, Quiercles Santana e o Resta 1 Coletivo de Teatro pela dramaturgia da peça Alguém Pra Fugir Comigo;
• A Diógenes D. Lima pela dramaturgia da peça O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros.

Corpo de Jurados Teatro Adulto: Breno Fittipaldi, Jorge de Paula e Rita Marize

Coordenação/Produção de Corpo de Júri: Augusta Ferraz

José Manoel recebeu prêmio especial da Apacepe.

José Manoel recebeu prêmio especial da Apacepe.

Rudimar Constâncio, do Sesc Piedade, recebeu prêmio especial da Apacepe

Rudimar Constâncio, do Sesc Piedade, recebeu prêmio especial da Apacepe

 

TROFÉUS CONCEDIDOS PELA APACEPE

Aos 50 anos de carreira do ator e diretor José Francisco Filho;

A José Manoel Sobrinho, por sua parceria e colaboração na trajetória do festival Janeiro de Grandes Espetáculos;

A Rudimar Constâncio, pela qualidade de produção nos espetáculos de conclusão do Curso de Interpretação Para Teatro do SESC Piedade.

 

 

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