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Possíveis transgressões em Genet

Foto: Lígia Buarque / Divulgaçao

Santo Genet e as Flores da Argélia faz curta temporada no Teatro Hermilo Borba Filho. Foto: Lígia Buarque 

Jean Genet (1910-1986) dizia que sua existência de roubos, exercícios homoafetivos e traições era um pretexto para a poesia. Figura verdadeiramente transgressora, ele recusou o trabalho, o “direito de propriedade”, rejeitou regras e horários, e deu vazão à sexualidade reprimida. Ao abraçar a liberdade, Genet propõe outra “ética” e outra “estética” alimentadas no (i)mundo dos abismos.

No Diário de um Ladrão (1949), sua autobiografia com traços de ficção, o escritor registra a trajetória repleta de crimes, paixões e escatologia. Lá habitam prostitutas, homossexuais, travestis e marginais de alçados à categoria de heróis.

O romancista, poeta e dramaturgo francês é apontado como uma das principais vozes da então chamada literatura marginal do século XX. E ele viveu intensamente a delinquência, a ladroagem, os pequenos crimes, a vagância como mendigo pela Europa e as traições com seus amantes malandros.  

Inspirado nesta obra literária, o espetáculo Santo Genet e as Flores da Argélia se ergue sobre os pilares da pederastia, furto e traição para vasculhar as relações de poder – opressores e oprimidos; religiosidade e santificação; violência e miséria.

A encenação assinada por Breno Fittipaldi é composta de quadros/cenas, com os relatos projetados na atualidade, mas também com a evocação do próprio Genet e os personagens que conviveram com o escritor naquela época. O diretor articula as possíveis transgressões de Genet na contemporaneidade e vamos conferir esse alcance.

Santo Genet e as Flores da Argélia faz curta temporada no Teatro Hermilo Borba Filho, de hoje até o dia 19 de março, de sexta a domingo.  

Foto: Lígia Buarque / Divulgaçao

Montagem do Grupo Cênico Calabouço. Foto: Lígia Buarque / Divulgação

Ficha técnica
Elenco – Alcides Córdova, Alexia Silva, André Xavier, Binha Lemos, Diogo Gomes, Diôgo Sant’ana,  Fábio Alves, Giovanni Ferreira,  Hypolito Patzdorf, Ito Soares, Lucas Ferr, Luiz Carlos Filho, Marcos Pergentino, Natália Oliveira, Roberio Lucardo, Shica Farias, William Oliveira
Dramaturgia, encenação e sonoplastia – Breno Fittipaldi
Assistentes de encenação – Hypólito Patzdorf e Nelson Lafayette
Preparação corporal – Hypolito Patzdorf
Assistente de preparação corporal – Hálison Santana
Preparação vocal e execução de sonoplastia – Nelson Lafayette
Figurino – Paulo Pinheiro
Assistente de figurino – Natália Oliveira
Maquiagem – Vinícius Vieira
Assistente de maquiagem – Sabrina França
Iluminação – Dara Duarte
Execução de luz – Dom Dom Almeida / Tomaz Mazzi
Identidade visual / Plano de mídia artística – Alberto Saulo e Alcides Córdova
Fotografias – Li Buarque
Ações formativas – Alberon Lemos
Equipe de Apoio – Adriane Lacerda, Lorenna Rocha, Nayara Cybelle e Paulo César Pereira e Rafael Motta
Produção executiva – Alcides Córdova, Binha Lemos e Luiz Carlos Filho
Produção geral – Grupo Cênico Calabouço
Classificação indicativa – 18 anos

SERVIÇO
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quando: De sexta a domingo, Dias 10,11, 17 e 18 de março, às 19h e 12 e 19 de março, às 18

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Premiados da Apacepe 2017

Ganhadores do Prêmio Apacepe de Teatro e Dança de 2017. Foto: Pedro Portugal / divulgação

Ganhadores do Prêmio Apacepe de Teatro e Dança de 2017. Fotos: Pedro Portugal / divulgação

Atores Alexandre Guimarães e Sonia Bierbard, apresentadores da noite

Atores Alexandre Guimarães e Sonia Bierbard, apresentadores da noite

Músicos Beto do Bandolim e Beto Hortis

Músicos Beto do Bandolim e Beto Hortis

Improvisação dançada da bailarina Inaê Silva

Improvisação dançada da bailarina Inaê Silva

O Teatro Apolo estava lotado na plateia baixa, ontem, noite de entrega do Prêmio Apacepe de Teatro e Dança, do 23º Janeiro de Grandes Espetáculos. Como é previsível, quem não é indicado não pisa lá.

Os atores Alexandre Guimarães e Sônia Bierbard conduziram o anúncio da premiação com humor, doses de ironia e habilidade para manter um bom clima.

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Momento de lembrar as perdas recentes. Naná Vasconcelos fez a trilha de As Três Mulheres de Xangô

Homenagem a Flávio Santos pelo equipe do espetáculo Sistema 25. Fotos: Pedro Portugal

Homenagem a Flávio Santos pelo equipe do espetáculo Sistema 25. Fotos: Pedro Portugal

Cena do guarda-chuva do Sistema 25

Cena do guarda-chuva do Sistema 25

Mãe de Flávio Santos na plateia da homenagem

Mãe de Flávio Santos na plateia da homenagem

Alguns momentos de destaque na premiação, da lembrança dos que partiram, com Beto Hortis ao bandolim e as fotos projetadas. O dueto dos músicos Beto do Bandolim e Beto Hortis, com improvisação dançada da bailarina Inaê Silva. O ator Flávio Santos recebeu uma homenagem da produção do Sistema 25, que cantou a cena do guarda-chuva e emocionou a todos que conheceram essa figura humana maravilhosa. A mãe de Flávio Santos estava lá e não conteve as lágrimas. Nem eu.

Outro momento interessante foi a apresentação do mágico Rafa Santacruz, que levou até a cantora Cristina Amaral para o palco para ajudá-lo nos truques de sumir bolas e lenços e garantir o humor da noitada.

Mágico Rafa SantaCruz

Mágico Rafa SantaCruz

Em princípio estavam concorrendo as peças de teatro adulto A Rã; A Mulher Monstro; O Mascate, A Pé Rapada e Os Forasteiros; Puro Lixo; Alguém Pra Fugir Comigo; Olhos De Café Quente; Martelada; Histórias Bordadas em Mim; Pa(Ideia) – Pedagogia da Libertação; Terror e Miséria No Terceiro Reich – O Delator; A Partida; Baba Yaga; Severinos, Virgulinos e Vitalinos; Ossos. Os espetáculos de dança Tijolos De Esquecimento; Bacnaré: 31 Anos de Resistência; Os Superficiais; Grito; Amor, Segundo As Mulheres De Xangô; Dúvido; Enchente; Segunda Pele e Microclima. E os infantis Doralice; Vento Forte Para Água e Sabão; Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo.

Algumas dessas produções não foram indicadas a nenhuma categoria.

Na área de dança foram indicados Amor, Segundo as Mulheres de Xangô, do Grupo Grial (Recife); Enchente, de Flávia Pinheiro (Recife); Os Superficiais, da Cia. Etc. (Recife) e Segunda Pele, do Coletivo Lugar Comum (Recife) para Melhor Espetáculo.

Para melhor bailarina concorreram Iara Campos, de Microclima; Maria Agrelli, de Segunda Pele; Marcela Felipe, de Enchente e Maria Paula Costa Rêgo, de Amor, Segundo as Mulheres de Xangô. Houve apenas uma indicação para melhor bailarino.

Estavam no páreo por Melhor Iluminação os projetos de Cleison Ramos, de Dúvido; Luciana Raposo duplamente, por Amor, Segundo as Mulheres de Xangô e Segunda Pele. Foram indicados a Melhor Figurino Gustavo Silvestre, de Amor, Segundo as Mulheres de Xangô e Marcondes Lima, de Os Superficiais. Concorreram a Melhor Sonoplastia ou Trilha Sonora Caio Lima e Hugo Medeiros, por Segunda Pele e Tarsísio Resende, por Amor, Segundo as Mulheres de Xangô.

Os Jurados Dielson Pessôa, Nadja Maria e Viviane Ferreira consideraram que não havia merecedores a serem indicados para Melhor Coreografia; Melhor Cenário; Bailarino Revelação e Bailarina Revelação.

Foram entregues também Prêmios Especiais do Júri de Dança ao elenco do espetáculo Dúvido, da Cia Sopro-de-Zéfiro/Cecília Brennand; ao elenco do espetáculo Bacnaré: 31 Anos de Resistência, do Balé de Cultura Negra do Recife (Bacnaré), justificado porque “demonstraram forças congruentes na excelente execução de suas performances”.

Não havia nenhuma representante de Segunda Pele na hora da premiação, além de Luciana Raposo, que é a coordenadora técnica do Janeiro e estava cuidando da luz e outros detalhes, que depois pegou os prêmios do Coletivo Lugar Comum, inclusive o troféu dela mesma.

Representante de Dilùvio

Ana Emília Freire, diretora de Dùvido

Luciana Raposo, com Bruna Castiel

Luciana Raposo, com Bruna Castiel

Representante do Bacnaré

Tiago Batista Ferreira, diretor do Bacnaré

DANÇA

Melhor Espetáculo
Segunda Pele – Coletivo Lugar Comum (Recife)

Melhor Bailarino
Julio Roberto – Bacnaré: 31 Anos de Resistência

Melhor Bailarina
Maria Agrelli – Segunda Pele

Melhor Iluminação
Luciana Raposo – Segunda Pele

Melhor Figurino
Gustavo Silvestre – Amor, Segundo as Mulheres de Xangô

Trilha Sonora
Caio Lima e Hugo Medeiros – Segunda Pele

dividiram o prêmio de melhor atriz de teatro infantil

Juliene Moura, de Chico e Flor e Daniela Travassos, de Vento Forte, dividiram o prêmio de melhor atriz de infantil

DORalice

Alexsandro Silva, diretor de DORalice recebeu um prêmio especial

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André Filho, Samuel Lira e Bruna Castiel

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André Filho, diretor de Vento Forte para Água e Sabão

Mãe de Tiago Gondim, que mandou o filho estudar técnicas de palhaço

Mãe de Tiago Gondim, que “mandou” o filho estudar técnicas de palhaço

Eram quatro os infantis concorrendo a prêmios Doralice, com o espinhoso tema do abuso sexual; o lúdico Vento Forte Para Água e Sabão; Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo, que mergulha nos mitos e lendas do Rio São Francisco. A comissão foi formada por Ana Elizabeth Japiá, Márcia Cruz e Samuel Santos. Um dos momentos mais engraçados da noite foi quando a mãe de Tiago Gondim foi receber o prêmio pelo filho, que ela “mandou” estudar palhaçaria, numa curso em São Paulo,  e disse que era uma sensação muito boa estar no palco. 

TEATRO PARA A INFÂNCIA

Melhor Espetáculo
Vento Forte Para Água e Sabão – Companhia Fiandeiros de Teatro (Recife)

Melhor Diretor
André Filho – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Ator
Tiago Gondim – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Atriz
Juliene Moura – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo
Daniela Travassos – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Ator Coadjuvante
Ricardo Angeiras – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Atriz Coadjuvante
Geysa Barlavento – Vento Forte Para Água e Sabão

Atriz Revelação
Gabriela Melo – Brinquedos & Brincadeiras

Trilha Sonora
André Filho e Samuel Lira – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Iluminação
Carlos Tiago Alves Novais – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo

Melhor Cenário
Antonio Veronaldo e Uriel Bezerra – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo

Melhor Figurino
João Denys e Manuel Carlos – Vento Forte Para Água e Sabão

* Prêmios Especiais do Júri:
• A Giordano Castro e Amanda Torres pela dramaturgia da peça Vento Forte Para Água e Sabão;
• À Cia. 2 Em Cena de Teatro, Circo e Dança pela pesquisa temática sobre abuso de vulneráveis na peça DORalice.

Alguém Pra Fugir Comigo, a grande surpresa da noite, recebeu prêmio das mãos do secretário de Cultura Marcelino Granja

Equipe Alguém Pra Fugir Comigo, a grande surpresa da noite, ao lado do secretário de Cultura Marcelino Granja

Soraya, Olhos de Café Quente

Soraya Silva, Olhos de Café Quente

Daniel Barros, melhor ator

Daniel Barros, melhor ator coadjuvante

Diogenes D Lima, melhor ator

Diogenes D Lima, melhor ator

As indicações aos Prêmios de Teatro Adulto causaram estranhamento. Alguns pontos chamaram a atenção. A montagens Martelada, com Claudio Ferrário; Terror e Miséria No Terceiro Reich – O Delator, com Stella Maris Saldanha e Germano Haiut; A Partida; Severinos, Virgulinos e Vitalinos não receberam nenhuma indicação.

Cada equipe de jurados usa seus critérios para avaliar os espetáculos, comparar atuações e escolher o que considera melhor do que viu.

Mas fiquei constrangida com a não indicação do ator Germano Haiut para melhor ator, tendo como perspectiva a designação dos outros cinco: André Brasileiro, de Ossos; Diógenes D. Lima, de O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros; Gil Paz, de Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade, José Neto Barbosa, de A Mulher Monstro e Júnior Aguiar, de pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação. Nenhum deles, na minha humilde opinião, melhor que a performance de Germano.

A atuação de Haiut espelha uma insegurança do personagem, uma hesitação e coloca o coração na boca para mostrar o que é estar no limite de uma pressão política de opressão. E qualquer argumento de fragilidade no gesto, na voz titubeante ou na intenção eu considero exatamente o contrário, a potência desse ator maduro, grande e que volta ao teatro após 30 anos apartado dos palcos, com aparições no cinema brasileiro e televisão. E abraço Germano Haiut na sua volta, que deveria ser saudada pelo JGE.

Com relação à melhor atriz, até a vencedora ficou incomodada de não haver outras concorrentes e externou isso no palco. Agri Melo, Stella Maris Saldanha, Cláudia Soares, Lívia Lins, para ficar nos espetáculos que vi, não estavam em condições de serem indicadas? É uma pergunta.

A atuação de Arilson Lopes, em Ossos, também vejo como merecedora de prêmio. O trabalho de Daniel Barros, em pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação é bom, mas eu ficaria com Arilson. São opiniões divergentes e não vou me prolongar nessa seara.

A decisão de uma comissão de prêmio é soberana e deve ser respeitada.

Mas penso que três não é um bom número para uma comissão julgadora para o JGE. Talvez fosse bom pensar para as próximas edições um planejamento que garanta uma verba para montar um júri com cinco ou sete pessoas, que contemple a diversidade de olhares. Uma outra sugestão, e isso dá um trabalho, é que a comissão justifique com um breve arrazoado suas escolhas.

A noite prosseguiu no no Bar Apolo 17 (Rua do Apolo, 170) com o DJ Sangue no Olho (Giordano Bruno) e foi movimentada e dançante. Mas gostaria de sugerir que o nosso querido magiluth investisse nas suas discotecagens num som soul, samba, funk, hip hop, afro groove, maracatu mais feminino e feminista. Há mulheres poderosas com umas músicas demais nas paradas. O trabalho da DJ Shaitemi Muganga, a artista mineira Nina Caetano arrasa nesse assunto e indica bons caminhos.

E por último e não menos importante. Sinto algo de muito conservador neste festival Janeiro de Grande Espetáculos e no Prêmio Apacepe de Teatro e Dança. Não consigo fazer um diagnóstico preciso, mas vejo seus sinais. Um deles estava estampado no hall de entrada do Teatro Apolo, ontem, noite de entrega da premiação. Folhas de jornais com matérias sobre o evento que ocorreu de entre os dias 12 a 29 de janeiro, numa realização da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe). Nenhuma reprodução das outras mídias. O blog Satisfeita, Yolanda publicou um material sobre o Janeiro e os links estão no final do post.

No futuro, se ignorasse essas outras plataformas, um pesquisador perderia nuances sobre o evento. 

Isso pode parecer um detalhe sem importância, mas é o reflexo de um pensamento e é preciso pontuar as coisas para que elas não sejam naturalizadas.

TEATRO ADULTO

Melhor Espetáculo
Alguém Pra Fugir Comigo – Resta 1 Coletivo de Teatro

Melhor Diretor
Analice Croccia e Quiercles Santana – Alguém Pra Fugir Comigo

Melhor Ator
Diógenes D. Lima – O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros

Melhor Atriz
Soraya Silva – Olhos de Café Quente

Melhor Ator Coadjuvante
Daniel Barros – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

Melhor Trilha Sonora
Juliano Muta, Leonardo Vila Nova e Tiago West – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

Melhor Iluminação
Elias Mouret – Alguém Pra Fugir Comigo
Júnior Aguiar – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

Melhor Cenário
Diógenes D. Lima, Gustavo Teixeira, Triell Andrade e Bernardo Júnior – O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros

Melhor Figurino
Marcondes Lima – Ossos

Melhor Maquiagem
Manuel Carlos de Araújo – Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade

Prêmios Especiais do Júri:
• Ao Resta 1 Coletivo de Teatro pelo elenco da peça Alguém Pra Fugir Comigo;
• A Ana Paula Sá, Quiercles Santana e o Resta 1 Coletivo de Teatro pela dramaturgia da peça Alguém Pra Fugir Comigo;
• A Diógenes D. Lima pela dramaturgia da peça O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros.

Corpo de Jurados Teatro Adulto: Breno Fittipaldi, Jorge de Paula e Rita Marize

Coordenação/Produção de Corpo de Júri: Augusta Ferraz

José Manoel recebeu prêmio especial da Apacepe.

José Manoel recebeu prêmio especial da Apacepe.

Rudimar Constâncio, do Sesc Piedade, recebeu prêmio especial da Apacepe

Rudimar Constâncio, do Sesc Piedade, recebeu prêmio especial da Apacepe

 

TROFÉUS CONCEDIDOS PELA APACEPE

Aos 50 anos de carreira do ator e diretor José Francisco Filho;

A José Manoel Sobrinho, por sua parceria e colaboração na trajetória do festival Janeiro de Grandes Espetáculos;

A Rudimar Constâncio, pela qualidade de produção nos espetáculos de conclusão do Curso de Interpretação Para Teatro do SESC Piedade.

 

 

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Coragem de ser Terra para mãos, pés e vistas

 

Maria Paula Costa Rêgo no espetáculo Terra. Foto: Guto Muniz / Divulgação

Maria Paula Costa Rêgo no espetáculo Terra. Foto: Guto Muniz / Divulgação

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As conquistas e perdas dos povos indígenas e a certeza de que a luta continua. Foto: Guto Muniz/ Divulgação

O quanto de índio há em você, cidadão brasileiro? questiona o espetáculo Terra, derradeira parte da trilogia Uma história, duas ou três, do Grupo Grial, concebido e dançado pela bailarina e coreógrafa Maria Paula Costa Rêgo. E se posiciona a favor dos povos primordiais, que historicamente foram ameaçados, subjugados e rebelados; que tiveram seus territórios confiscados por leis feitas pelos beneficiários. Resistiu, Resiste.

Terra condena nos passos da dança contemporânea o genocídio desses povos e o preconceito que persiste até hoje. No corpo da bailarina pulsa a identidade e os movimentos das manifestações populares indígenas do Nordeste brasileiro.

Diálogo com o presente e com a luta. A peça coreográfica tem direção assinada por Maria Paula Costa Rêgo e Erick Valença. A trilha sonora, criada pelo percussionista Naná Vasconcelos, está carregada de efeitos sonoros, com onomatopeias e sons da natureza. E o cenário é assinado pelo artista plástico Manuel Dantas Suassuna.

A temporada integra as comemorações de 20 anos do grupo Grial, criada por Ariano Suassuna e Maria Paula Costa Rêgo e vai de 2 a 4 e de 9 a 11 de fevereiro de 2017, na CAIXA Cultural Recife.

A encenação é uma das mais premiadas do grupo. Terra ganhou o Prêmio APCA de 2013, na categoria Intérprete-Criadora, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte. O solo também arrebatou cinco troféus do Prêmio Apacepe de Dança 2014, do Festival Janeiro de Grandes Espetáculos.

Entrevista: Maria Paula Costa Rêgo

 Bailarina e coreógrafa do Grupo Grial. Foto: Victor Muzzi

Bailarina e coreógrafa do Grupo Grial. Foto: Victor Muzzi

Ariano Suassuna criou junto com você o Grupo Grial em 1997. Que falta faz Ariano Suassuna para você?
Eu gostava de mostrar a obra finalizada para Ariano, e discutir aquele material. A conversa era sempre muito maior, ele mostrava vídeos e músicas e dava muitas voltas em torno da arte almejada por nós. Este PAR, está me fazendo muita falta.

Qual a importância do Balé Popular na sua vida?
Foi minha segunda grande vivência, e sem ter passado pelo Balé Popular do Recife, eu certamente não teria chegado ao Grupo Grial.

Prêmio é importante? Por quê e para quê?
Quando uma instituição de respeito reúne pessoas conceituadas na sua área, para decidirem quem deve ganhar um prêmio pela sua obra, este prêmio tem um valor imensurável. Abre portas, chama olhares, além de confirmar que as suas escolhas estéticas reverberam de alguma forma.

Como você ultrapassou os limites territoriais e venceu o Prêmio APCA de 2013?
Os limites territoriais são ultrapassados quando acreditamos que ele não existe. Existe a dificuldade financeira, mas criamos espetáculos pensando em alcançar o mundo, então estas dificuldades diminuem.

Qual o seu pensamento em dança e como ele foi construído?
A minha primeira experiência de dança foi com Improvisação, e com o aprimoramento desta técnica, eu tive conhecimento do meu corpo e da capacidade que este corpo tem de materializar sentimentos através da qualidade dos seus movimentos. Ao vivenciar o Balé Popular, eu me joguei naquilo que, para mim, era muito mais que o movimento da dança popular, era o jogo cênico da brincadeira. Estava largada a minha jornada no universo das tradições.
Quando viajei para a França, meus estudos giravam em torno desta questão, mas eram sempre na teoria que eu evoluía. A prática deste discurso veio a se concretizar com a criação do Grupo Grial em 1997. De lá para cá, são as criações que me dão as respostas para minhas questões de construção de uma dança onde o cerne é a tradição popular. Cada criação coreográfica, uma pergunta e, certamente, 2500 respostas!

Poderia elucidar a frase de que o Grupo Grial faz criações com temas e inspirações populares trabalhadas numa chave erudita, porque isso parece um bordão.
O Grupo Grial trabalha com o UNIVERSO DAS TRADIÇÕES festivas e sagradas brasileiras. Quando adentramos nestes universos, os percebemos pelos nossos “olhos” de estrangeiros. Vivenciamos de dentro, ao mesmo tempo que ligamos uma segunda intenção que fica no alerta, “à cata” de elementos de criação contemporânea, de composição coreográfica (e tudo que ela engloba). Essa percepção pode acontecer muito rápido, como pode durar anos! Esse material (imaterial) se amalgama com nosso fazer de dança diário (estudos técnicos e teóricos), e que, juntos, ficam à serviço das nossas criações coreográficas.

Terra é um solo da Maria Paula, criação do grupo Grial que leva para a cena uma discussão densa sobre as origens do Brasil, através da metáfora da terra, do chão que pisamos. O que você acrescenta para falar de Terra.
TERRA, é também uma metáfora do homem moderno que tem se deixado roubar seus espaços (a palavra espaço significa também conquistas sociais).

O tempo traz experiência, mas deixa suas marcas no corpo, na presteza do gesto. Como criadora o que significa dançar hoje? Quais as diferenças de 20 atrás?
TODAS AS DIFERENÇAS! Antes eu colocava o vigor à serviço do que eu estava interpretando, hoje eu coloco a minha dramaturgia corporal a serviço da história.

Sempre me parece muito estranho traduzir corpo em movimento, energia, desenho coreográfico, a dança contemporânea para texto. Colocações como “O trabalho aborda temáticas como memória, tempo e transformações da nossa história” me parecem muito vagas.
Então o que significaria: “As coreografias trazem referências das manifestações populares do Nordeste transformadas em DNA para os passos de Maria Paula Costa Rêgo”?

DNA é algo que nos pertence, do que somos feitos. O Brasil tem muita dificuldade de assumir sua descendência indígena ou africana. Para a maioria de nós, somos descendentes apenas dos povos europeus!! Quando falamos que trago nos meus movimentos este DNA é que assumo a minha herança e a do lugar em que vivo, e coloco minhas criações à serviço deste norte.

Ficha técnica:
Direção: Maria Paula Costa Rêgo e Eric Valença
Intérprete: Maria Paula
Trilha sonora: Naná Vasconcelos
Figurino: Gustavo Silvestre
Luz: Luciana Raposo
Pintura de cenário: Manuel Dantas Suassuna.

Serviço
Terra – Grupo Grial de Dança
Onde:CAIXA Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife, Recife/PE)
Quando: 2 a 4 e 9 a 11 de fevereiro de 2016, às 20h
Ingresso: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia)
Bilheteria: vendas a partir das 10h do dia 1/02 (para os dias 2 a 4) e do dia 8/02 (para os dias 9 a 11)
Informações:(81) 3425-1915
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 45 minutos

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Indicados ao Prêmio Apacepe 2017

Ossos, Mascate, Alguém para fugir e Paideia são indicados a melhor montagem

Ossos; Mascate, Alguém para fugir comigo e pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação são indicados a melhor peça 

Depois de uma maratona de quase um mês, o 23º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco divulga as produções indicadas ao Prêmio Apacepe de Teatro e Dança deste ano. Os vencedores serão conhecidos na festa de entrega que ocorre na próxima sexta-feira (03/02), às 19h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife. Fone. 3355 3321). Não existe gratificação em dinheiro, mas as estatuetas são de grande valia para os artistas pernambucanos.

Mas para que serve um prêmio no campo das artes do espetáculo? É uma distinção, funciona para criar acontecimento midiático, incentivar novas criações, consagrar projetos ou projetar artistas individuais ou coletivos.

Anos atrás questionei a validade da premiação a Apacepe. Houve reações fortes. Hoje entendo que o teatro pernambucano precisa realçar o talento, a atuação dos artistas dentro de um determinado contexto e é também o momento de confraternizar (que às vezes funciona, às vezes não). Isso acontece no cinema, que proteja cineastas e atores e outras funções da indústria, com muito dinheiro e um concursos espalhados pelo mundo. No jornalismo os prêmios alavancam carreiras.

Mas em todas essas disputas, é fundamental pensar no perfil de quem julga. Isso vale para uma sessão num tribunal, os destinos da Lava Jato, o resultado do Oscar ou da premiação da Apacepe.

Então meus caros, o resultado é uma combinação da sensibilidade, percepção de quem viu, comparou e atribuiu um valor de prêmio. Com outros avaliadores, os resultados possivelmente seriam diferentes. 

Segue a lista dos indicados

INDICAÇÕES TEATRO ADULTO

Melhor Espetáculo
Alguém Pra Fugir Comigo – Resta 1 Coletivo de Teatro (Recife)
O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros – Cia. de Artes Cínicas Com Objetos (Paulista)
Ossos – Coletivo Angu de Teatro e Atos Produções Artísticas (Recife)
pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação – Coletivo Grão Comum e Gota Serena (Recife)

Melhor Diretor
Analice Croccia e Quiercles Santana – Alguém Pra Fugir Comigo
Júnior Aguiar – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação
Marcondes Lima – Ossos

Melhor Ator
André Brasileiro – Ossos
Diógenes D. Lima – O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros
Gil Paz – Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade
José Neto Barbosa – A Mulher Monstro
Júnior Aguiar – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

Melhor Atriz
Apenas uma indicação

Melhor Ator Coadjuvante
Arilson Lopes – Ossos
Daniel Barros – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

Melhor Atriz Coadjuvante
Não há indicação

Melhor Ator Revelação
Não há indicação

Melhor Atriz Revelação
Não há indicação

Melhor Sonoplastia ou Trilha Sonora
Juliano Muta, Leonardo Vila Nova e Tiago West – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação
Katarina Menezes e Kleber Santana – Alguém Pra Fugir Comigo
Juliano Holanda – Ossos

Melhor Iluminação
Elias Mouret – Alguém Pra Fugir Comigo
Játhyles Miranda – Ossos
Júnior Aguiar – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação
Natalie Revorêdo – A Rã
Natalie Revorêdo – Olhos de Café Quente

Melhor Cenário
Charles Eugênio – A Rã
Diógenes D. Lima, Gustavo Teixeira, Triell Andrade e Bernardo Júnior – O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros
Marcondes Lima – Ossos
Otto Neuenschwander – Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade

Melhor Figurino
Agrinez Melo – Histórias Bordadas em Mim
Manuel Carlos de Araújo – Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade
Marcondes Lima – Ossos
Resta 1 Coletivo de Teatro – Alguém Pra Fugir Comigo

Melhor Maquiagem
Álcio Lins – Baba Yaga
Diógenes e José Neto Barbosa – A Mulher Monstro
Manuel Carlos de Araújo – Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade

*Haverá três Prêmios Especiais do Júri.

Corpo de Jurados Teatro Adulto: Breno Fittipaldi, Jorge de Paula e Rita Marize
Coordenação/Produção de Corpo de Júri: Augusta Ferraz

INDICAÇÕES TEATRO PARA A INFÂNCIA

Vento Forte para Água e Sabão; Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo; Brinquedos & Brincadeiras e DORalice

Vento Forte; Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo; Brinquedos & Brincadeiras e DORalice

Melhor Espetáculo
Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo – Cia. Biruta de Teatro (Petrolina)
Vento Forte Para Água e Sabão – Companhia Fiandeiros de Teatro (Recife)

Melhor Diretor
André Filho – Vento Forte Para Água e Sabão
Antonio Veronaldo – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo

Melhor Ator
Antonio Veronaldo – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo
Tiago Gondim – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Atriz
Juliene Moura – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo
Daniela Travassos – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Ator Coadjuvante
Ricardo Angeiras – Vento Forte Para Água e Sabão
Victor Chitunda – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Atriz Coadjuvante
Geysa Barlavento – Vento Forte Para Água e Sabão
Kéllia Phayza – Vento Forte Para Água e Sabão

Ator Revelação
Não há indicação

Atriz Revelação
Beatriz Cavalcanti – Brinquedos & Brincadeiras
Gabriela Melo – Brinquedos & Brincadeiras

Melhor Sonoplastia ou Trilha Sonora
André Filho e Samuel Lira – Vento Forte Para Água e Sabão
Mateus Marques – DORalice
Moésio Belfort & Carlos Hiury – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo

Melhor Iluminação
Beto Trindade – DORalice
Carlos Tiago Alves Novais – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo
João Guilherme de Paula – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Cenário
Antonio Veronaldo e Uriel Bezerra – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo
João Denys e Manuel Carlos – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Figurino
Apenas uma indicação

Melhor Maquiagem
Não há indicação

*Haverá dois Prêmios Especiais do Júri.

Corpo de Jurados Teatro Para Crianças: Ana Elizabeth Japiá, Márcia Cruz e Samuel Santos
Coordenação/Produção de Corpo de Júri: Augusta Ferraz

INDICAÇÕES DANÇA

Amor, Segundo as Mulheres de Xangô;  Enchente; Os Superficiais; e Segunda Pele

Amor, Segundo as Mulheres de Xangô; Enchente; Os Superficiais; e Segunda Pele

Melhor Espetáculo
Amor, Segundo as Mulheres de Xangô – Grupo Grial (Recife)
Enchente – Flávia Pinheiro (Recife)
Os Superficiais – Cia. Etc. (Recife)
Segunda Pele – Coletivo Lugar Comum (Recife)

Melhor Coreografia
Não há indicação

Melhor Bailarino
Apenas um indicado

Melhor Bailarina
Iara Campos – Microclima
Maria Agrelli – Segunda Pele
Marcela Felipe – Enchente
Maria Paula Costa Rêgo – Amor, Segundo as Mulheres de Xangô

Bailarino Revelação
Não há indicação

Bailarina Revelação
Não há indicação

Melhor Iluminação
Cleison Ramos – Dúvido
Luciana Raposo – Amor, Segundo as Mulheres de Xangô
Luciana Raposo – Segunda Pele

Melhor Figurino
Gustavo Silvestre – Amor, Segundo as Mulheres de Xangô
Marcondes Lima – Os Superficiais

Melhor Cenário
Não há indicação

Melhor Sonoplastia ou Trilha Sonora
Caio Lima e Hugo Medeiros – Segunda Pele
Tarsísio Resende – Amor, Segundo as Mulheres de Xangô

*Haverá dois Prêmios Especiais do Júri.

Corpo de Jurados Dança: Dielson Pessôa, Nadja Maria e Viviane Ferreira
Coordenação/Produção de Corpo de Júri: Augusta Ferraz

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O que ver no Janeiro – parte 4

Grito. Com nne Costa e Marta Guimarães. Foto: Rafael Bandeira / Divulgação

Grito. Com nne Costa e Marta Guimarães. Foto: Rafael Bandeira / Divulgação

São alarmantes os números de violência contra mulher, alguns que chegam ao homicídio. Pernambuco está entre os cinco estados que mais exercem esse tipo de brutalidade no país. Inspirado em relatos de meninas de diferentes idades, bairros e classes sociais do Recife, o espetáculo Grito discute a atuação da mulher na sociedade e o combate à violência de gênero. A peça é fruto de um ano de ações da pesquisa Ver-ter: Um olhar sobre os sentimentos periféricos, desenvolvida pelo Coletivo Soma.

Durante esse tempo, o grupo – composto pelas bailarinas Anne Costa e Marta Guimarães e pela fotógrafa Dani Neves – recolheu relatos de violência sexual e agressões diárias e com esse material criou a primeira encenação. A montagem leva a assinatura na direção da atriz e bailarina Lili Rocha e trilha sonora do pianista Vitor Araújo. Grito propõe ouvir essas falas emudecidas e refletir sobre os papeis da mulher neste século 21.

A etapa final do Janeiro de Grandes Espetáculos vira maratona mesmo, se você quiser aproveitar ao máximo a programação. São três peças nesta sexta-feira no mesmo horário, 20h. Não dá para conciliar. h(EU)stória – o tempo em transe, do Coletivo Grão Comum e Gota Serena (Recife/PE), no Teatro Arraial; Grito, do Coletivo Soma (Recife/PE), no Espaço Experimental e A Gaivota, no Teatro Barreto Júnior. Além do show com Zé da Flauta e Ave Sangria – Noite da Psicodelia Nordestina, no Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu), às 21h.

O cineasta baiano Glauber Rocha é o personagem em agonia do h(EU)stória – o tempo em transe, primeiro espetáculo da Trilogia Vermelha. A montagem do Coletivo Grão Comum e Gota Serena, tem Júnior Aguiar e Márcio Fecher no elenco.

A Gaivota é um Tchekhov. Reflete sobre criação artística e do que pode ser velho e novo no teatro, com direção de Sandra Possani e elenco do Curso de Interpretação Para Teatro do SESC Piedade (Jaboatão dos Guararapes/PE)

Dois shows compõe a Noite da Psicodelia Nordestina. Zé da Flauta lança seu primeiro CD solo, Psicoativo. E a banda Ave Sangria, apresenta O Novo Voo da Ave Sangria, que junta ritmos nordestino com o rock e a psicodelia.

SERVIÇO

Espetáculo Grito, do Coletivo Soma
Quando: Sexta (27) e sábado (28), às 20h; e domingo (29), às 19h
Onde: Espaço Experimental – Rua Tomazina, 199, Bairro do Recife
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Vendas: bilheterias do Teatro de Santa Isabel e do Espaço Experimental
Classificação etária: a partir dos 18 anos
Duração: 45 min.

h(EU)stória – o tempo em transe – Coletivo Grão Comum e Gota Serena (Recife/PE)
Onde: Teatro Arraial
Quando: Dia 27 de janeiro de 2017 (sexta-feira), às 20h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) | 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h15

Zé da Flauta e Ave Sangria – Noite da Psicodelia Nordestina – Wellima Produções (Recife/PE)
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quando: Dia 27 de janeiro de 2017 (sexta-feira), às 21h
Quanto: R$: 80,00 (Inteira) | 40,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 12 anos
Duração: 40 min. (Zé da Flauta) + 20 min. (intervalo) + 1h20 (Ave Sangria) = 2h20

O diretor Marcondes Lima interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação

Daniel Barros, Marcondes Lima, Robério Lucado e André Brasileiro em Ossos Foto: Divulgação

A melancólica história de um escritor famoso, que carrega dentro de si o peso incomensurável do abandono é exposto em Ossos. Por honra, Heleno de Gusmão precisa dar um destino digno aos restos mortais do seu amante e fazer um acerto de contas com o seu passado. Montagem do Coletivo Angu de Teatro.

Para os pequenos, tem o poético encontro entre uma bolha de sabão, Bolonhesa e o inquieto Arlindo, uma rajada de vento, para os pequenos. Vento Forte para Água e Sabão, com a Companhia Fiandeiros de Teatro (Recife/PE).

Chamado de bispo vermelho pela atitude esquerdista na época dos militares Dom Helder Camara (1909-1999), arcebispo emérito de Olinda e Recife tem muito a nos sinalizar nestes tempos de temeridades. Defensor da não-violência e de uma Igreja Católica voltada aos pobres, ele se notabilizou nos anos de 1970 e 1980, por denunciar internacionalmente os crimes de tortura no Brasil. 

Habilidoso defensor dos direitos humanos esse baixinho incomodou os ditadores e continua sendo um sinal de luz. Sob a direção de Rodrigo Mercadante e Dinho Lima Flor, que faz o papel do bispo, O Avesso do Claustro junta a biografia de Camara com a trajetória de três personagens fictícios. Um pesquisador que vai em busca de Dom Helder no Recife, uma mulher que encara um duro cotidiano em São Paulo e uma cozinheira do Rio de Janeiro.

A mais temida das bruxas eslavas, canibal é interpretada por Sônia Carvalho, da Cia. Cênicas de Repertório. Baba Yaga que clama por seu filho Olaf, faz do público confidente de uma degradada relação familiar.

Temos também Terror e Miséria no Terceiro Reich – O Delator, com Germano Haiut e Stella Maris Saldanha, encenação de José Francisco Filho. Na Alemanha nazista, o clima de desconfiança e possibilidade de traição chega a níveis tão elevados, que um casal de classe média desconfia que o filho pode ser um dedo-duro e denunciá-los junta a polícia do ditador Hitler. Obra escrita entre 1935 e 1938 pelo dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht. Qualquer associação com a realidade atual não pode ser mera coincidência.

Stereo Franz é inspirado em

Stereo Franz é inspirado em

A versão da companhia [pH2] Estado de Teatro, de São Paulo para Woyzeck, texto inacabado do alemão George Büchner é ambientada em uma espécie de bar. Em Stereo Franz, é exposto o cotidiano dos personagens enquanto uma banda toca e destaca pontos da narrativa.

Com dramaturgia de Nicole Oliveira e dirigido por Paola Lopes, a peça refaz a trajetória de Franz, um homem que não domina a sua própria língua, é obcecado por questionamentos sobre a morte, é traído pela mulher que ama, rejeitado por si mesmo e por pessoas que admira e é incapaz de argumentar qualquer coisa a seu favor.

No domingo temos uma viagem pelo São Francisco, guiada por Chico, que conhece os segredos do rio como ninguém no infantil Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo, da Cia. Biruta de Teatro (Petrolina/PE). A fértil criatividade do barqueiro inventa personagens e historias e sonha em reencontrar os pais que sumiram em uma noite de chuva.

Duas autoras negras falam de suas vivências. A prosa da Carolina Maria de Jesus, que foi catadora de papel e habitante da extinta favela do Canindé, e Elisa Lucinda, com uma poesia que vasculha os mistérios do feminino. O que há de injustiça social nessas vidas é bradado ora sussurrado em Olhos de Café Quente.

Viva La Vida junta o universo da pintora mexicana Frida Kahlo e a Festa de Los Muertos, utiliza referências pessoais dos atores, que contribuem com imagens-homenagens a seus mortos e discursos sobre a resistência das minorias.

SERVIÇO

Vento Forte Para Água e Sabão
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quando: Dia 28 de janeiro de 2017 (sábado), às 16h30
Quanto: R$: 20,00 (Inteira) e 10,00 (Meia)
Classificação etária: livre
Duração: 55 min.

Ossos – Coletivo Angu de Teatro e Atos Produções Artísticas (Recife/PE)
Onde: Teatro Apolo
Quando: Dia 28 de janeiro de 2017 (sábado), às 18h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h30

O Avesso do Claustro – Cia. do Tijolo (São Paulo/SP)
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quando: Dias 28 e 29 de janeiro de 2017 (sábado e domingo), respectivamente às 20h e 18h
Quanto: R$: 60,00 (Inteira) | 30,00 (Meia
Classificação etária: a partir dos 12
Duração: 2h30

SERVIÇO
O Delator – Terror e Miséria no Terceiro Reich
Quando: sábados e domingos de janeiro, às 18h
Onde: Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457, Boa Vista)
Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)
Informações: 3184-3057

Baba Yaga – Cênicas Cia. de Repertório (Recife/PE)
Onde: Espaço Cênicas
Quando: Dias 28 e 29 de janeiro de 2017 (sábado e domingo), respectivamente às 20h e 18h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 12 anos
 Duração: 1h

Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo – Cia. Biruta de Teatro (Petrolina/PE)
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quando: Dia 29 de janeiro de 2017 (domingo), às 16h30
Quanto: R$: 20,00 (Inteira) | 10,00 (Meia)
Classificação etária: livre
Duração: 50 min.

Stereo Franz – [pH2]: estado de teatro (São Paulo/SP)
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quando: Dias 28 e 29 de janeiro de 2017 (sábado e domingo), respectivamente às 20h e 18h
Quanto: R$ 40,00 (Inteira) e 20,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h15

Olhos de Café Quente – N’Útero de Criação e Phaelante & Phaelante Ltda. (Recife/PE)
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quando: Dia 29 de janeiro de 2017 (domingo), às 17h e 19h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h

Viva La Vida – Coletivo Multus (Recife/PE)*
*Atração convidada do Festival Estudantil de Teatro e Dança
Onde: Teatro Apolo
Quando: Dia 29 de janeiro de 2017 (domingo), às 20h
Quanto: R$: (Inteira) e 10,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 14 anos
Duração: 1h

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