Arquivo da tag: teatro

Se não viu vá ver O amor de Clotilde no Santa Isabel

Peça faz duas apresentações antes de seguir para festivais

Apresentação no Teatro de Santa Isabel

Peça é livremente inspirada no folhetim A emparedada da Rua Nova

Os atores Tatto Medinni e Marcelo Oliveira

A Emparedada da Rua Nova, escrita por Carneiro Vilela,fala da trágica história de uma moça que teria sido emparedada viva pelo próprio pai, um rico comerciante, quando o velho descobriu a gravidez da moça. O crime, que teria acontecido em um casarão na Rua Nova, virou uma lenda urbana. Vilela dencuncia mazelas da sociedade da época, e seus valores distorcidos.

O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas é inspirado em A Emparedada da Rua Nova e ganhou tintas melodramáticas nessa livre adaptação . A montagem da Trupe Ensaia Aqui e Acolá também critica a sociedade, os valores machistas, mas com mais humor. O grupo vai participar dos festivais Cena Contemporânea, de Brasília, neste mês, e do Porto Alegre em Cena, na capital gaúcha no mês que vem. Mas antes disso a peça faz duas apresentações no Recife, hoje e amanhã, às 20h, no Teatro de Santa Isabel. A direção é de Jorge de Paula.

Como ironia e muito humor a peça mostra a história de Clotilde, filha do comerciante Jaime Favais que se apaixona pelo Leandro do título, um Don Juan que muda de postura depois que cai de amores por Clotilde. Mas havia um primo ambicioso e pouco honesto no meio do caminho. Entre dublagens engraçadíssimas, algumas reviravoltas nesse enredo muito divertido.

Ficha Técnica
Encenação: Jorge de Paula
Direção de atores: Ceronha Pontes
Figurinos: Marcondes Lima
Cenografia: Jorge de Paula
Maquiagem: Trupe Ensaia Aqui e Acolá/ Assessoria de Ana Medeiros
Iluminação: Sávio Uchoa
Operação de luz: Luciana Raposo
Operação de som: Juliana Montenegro
Identidade visual: Daniela Borel
Elenco: Andrea Rosa, Andréa Veruska, Iara Campos, Jorge de Paula, Marcelo Oliveira e Tatto Medinni.
Participação especial (voz): Ricardo Mourão e Hermila Guedes.
Direção de produção: Karla Martins
Dramaturgia, Trilha Sonora e Produção executiva: Trupe Ensaia Aqui e Acolá

SERVIÇO
O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas
Quando: Sábado (6) e domingo (7), às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel – Praça da República, Santo Antônio, Recife
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Informações: 3355.3323 | 3355.3324

Postado com as tags: , , ,

Três divas reabrem teatro no Rio

Teatro Dulcina será reaberto hoje. Foto: S.Castellano

O Teatro Dulcina, no Centro do Rio de Janeiro, será reaberto nesta terça-feira com um espetáculo criado especialmente para a ocasião: Um brinde a Dulcina!, reunindo no mesmo palco as atrizes Bibi Ferreira, Nathália Timberg e Marília Pêra. O teatro está sob a administração da Funarte desde 2008, mas estava em péssimas condições.

Em agosto de 2010, começaram as obras de recuperação da casa, cujo projeto original é do estilo art déco. De acordo com a Funarte, o investimento foi de R$ 2,3 milhões. As informações são de que foi um “extreme makeover”: fachada, foyer, instalações prediais e de ar condicionado, poltronas da plateia, camarins, balcões e frisas, equipamentos cênicos e de cenotécnica. Tudo estaria novinho!

Programação – Para o público, a casa reabre no dia 5 de agosto, com a apresentação Bibi in concert IV, com a atriz e diretora Bibi Ferreira. A programação já está delineada pelo até setembro. Depois disso, o teatro deve passar a ser ocupado por projetos selecionados através de editais.

Bom, pelo menos até lá, a programação já me fez olhar os sites de todas as companhias aéreas em busca de passagens em promoção para o Rio!!! No dia 19 de agosto, por exemplo, Fernanda Montenegro vai reestrear o monólogo Viver sem tempos mortos, com direção de Felipe Hirsch e direção de arte de Daniela Thomas. Serão três apresentações até o dia 21 de agosto, sempre às 19h.

No dia 26 de agosto, Os Fodidos Privilegiados, companhia que apresentou os seus espetáculos entre 1991 e 2001 no Dulcina, comemoram 20 anos de companhia com Uma festa privilegiada!.

Já em setembro, nos dias 7, 8 e 9, o grande destaque é Peter Brook. O inglês faz a estreia sul-americana de Uma flauta mágica, adaptação da ópera de Mozart. A montagem ganhou o Prêmio Molière de melhor espetáculo musical da França em 2010 e será apresentada também no Porto Alegre em Cena nos dias 21, 22 e 23 de setembro.

Fernanda Montenegro volta a apresentar espetáculo com direção de Felipe Hirsch

Postado com as tags: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Fomento fundamental ao teatro

Estava conversando hoje com Carla Denise, do Mão Molenga, sobre a estreia do novo espetáculo do grupo: Algodão doce (aguardem mais notícias logo em breve!), que foi viabilizado graças ao prêmio Myrian Muniz, da Funarte.

Para quem tem interesse em concorrer ao novo edital, a Funarte anunciou que, até o fim de agosto, o documento será lançado. Detalhe: com um incremento de verba – vai passar de R$ 7 milhões para R$ 10 milhões.

No mesmo anúncio, a Funarte também confirmou que vai lançar edições do Prêmio Klauss Vianna de Dança e do Prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo. Cada um deve contar com um investimento de R$ 4,5 milhões.

Postado com as tags: , , , , , , ,

Marieta Severo

Todas as quintas-feiras, ela está na televisão interpretando a dona de casa Nenê, esposa do Lineu, mãe da Bebel e do Turco, sogra do Agostinho. Mas nem só de A grande família vive a atriz Marieta Severo. Muito pelo contrário. Ela estreou nos palcos em 1965 e geralmente tem projetos no teatro e cinema, administra ao lado da amiga e parceira de palcos e negócios Andrea Beltrão o Teatro Poeira e o Poeirinha, no Rio de Janeiro, é mãe de três filhas (fruto do casamento de 30 anos com Chico Buarque), tem netos e ainda arruma tempo para namorar o diretor Aderbal Freire-Filho.

Agora ela vem ao Recife no próximo fim de semana para apresentar a divertida montagem As centenárias, um texto que o pernambucano Newton Moreno escreveu especialmente para Marieta e Andréa. São duas carpideiras – aquelas mulheres que antigamente eram chamadas quando alguém morria, para “chorar o defunto”. Socorro e Zaninha convivem com a morte, mas fogem dela como diabo da cruz. No meio de muitos causos, encontram até com Lampião. A peça ainda tem no elenco Sávio Moll e a direção é de Freire-Filho.

Na conversa por telefone, Marieta fala muito sobre As centenárias, sobre o trabalho no Teatro Poeira, não encontra defeitos em Andrea Beltrão, cita Jô Bilac como um novo dramartugo especial. E revela como consegue arrumar tempo para fazer tudo e sempre muito bem.

Marieta Severo e Andréa Beltrão em As centenárias

Entrevista // Marieta Severo

Vocês estavam em dívida com Pernambuco. A peça é do Newton Moreno, tem um contexto regional, mas ainda não tinha dado certo trazer ao Recife?
A gente está muito feliz em levar, como a gente chama, “As veinhas”, ao Recife. O Newton como pernambucano, bebeu na cultura nordestina, isso está muito arraigado à peça. Usamos, por exemplo, bonecos que são manipulados. Fazer a peça aí tem um significado muito especial. Estreamos em 2007, ficamos dois anos no Rio, quatro meses em São Paulo, já fizemos outras oito cidades e estamos chegando aí agora.

Embora a montagem seja uma comédia, ela trata de assuntos bem sérios e tem momentos em que fala, por exemplo de solidão. O que você diria do texto?
Eu acho que isso é um pano de fundo. O assunto principal é a morte, elas estão fugindo da Dona Morte, que quer pegar o filho de uma delas. Então elas estão o tempo todo neste embate. Mas isso é feito com muitos signos e com a cultura popular nordestina que é debochada, irônica. E vejo que a esperança é colocada em cena. Elas lidam com a morte, já que são carpideiras, rezadeiras, são chamadas para chorar os mortos e a peça vai falando desses causos. É uma história divertida, engraçada, mas sim, como você disse, com muitos ingredientes: a fome, a solidão, a bravura dessas mulheres. Mas os causos são muitos bons. O homem que diz que a mulher era uma “quenga” e quer que no velório riam dela, o Lampião que não chora há muitos anos.

E como Aderbal Freire-Filho trabalhou com esse texto?
Ele abrigou toda essa história num cenário circense. É como se fossem três palhaços contando essa história através dos bonecos. Nós contracenamos com os nossos próprios personagens como fantoches. Então é uma riqueza de elementos muito grande e o Aderbal articulou isso.

E o Sávio Moll, que também está no elenco? Faz os papeis secundários?
É. Ele faz todos esses papeis e a Dona Morte. Mas nós também fazemos outros papeis. A Andréa faz o coronel que quer que riam da mulher dele, eu faço o Lampião. É tudo muito coreografado, muito marcado, o Aderbal conseguiu uma precisão nessa coreografia que é muito interessante.

Esse texto foi um pedido de vocês ao Newton. Houve alguma recomendação?
A gente encomendou esse texto a ele dizendo que não queríamos um texto em que fôssemos família. Tínhamos feito Sonata de outono. E ele veio com essa possibilidade dessas mulheres que atravessam o tempo. E também mostram na cena a modernidade, em cenas como quando a luz elétrica chega ao Sertão, elas se deparando com um rádio… Também tem o fator de que como o Newton está muito acostumado ao trabalho em grupo, ele troca muito com o ator, com o diretor, mudava o texto, de acordo com as necessidades. A gente ligava, falava pra ele, ele vinha. Então conseguimos essa sintonia, organicidade.

Fora o Newton, que autores te instigam hoje? E grupos?
É um momento muito rico da mossa dramaturgia. Temos um Jô Bilac surgindo, por exemplo. E muita gente mais…é porque eu sou péssima de nomes. Quando desligar, vou lembrar de tanta gente. E também temos espetáculos muito interessantes, uma safra nova, forte, criativa. Os Atores de Laura, no Rio de Janeiro, que já tem uma trajetória, mas com uma pesquisa muito forte, uma riqueza. Acabei de ver O idiota, com a Cibele Forjaz, um espetáculo muito rico teatralmente.

Todo mundo pergunta sobre a amizade entre você e a Andrea e eu também tenho que perguntar. Mas vamos tentar mudar…o que te irrita na Andréa?
A Andréa não me irrita. Gosto muito de estar com ela. Criamos muita coisa e vivemos muita coisa. É uma relação contrutiva e criativa, como todas deveriam ser. As duas cresceram muito nesses 20 anos. Uma ajudou a outra, uma colabora com a outra. Ela tem um talento enorme como atriz. É estimulante estar com ela no palco. Jogar com ela em cena, o humor enorme que ela tem.

Vamos falar do “filho” de vocês e agora do “filhote”, que são os teatros. Como foi isso?
O Poeira tem seis anos e o Poerinha tem seis meses. Dá muito trabalho, muita despesa e um prazer enorme que segura esses dois outros lados. Temos o patrocínio da Petrobras para a programação, para fazer oficinas, para os artistas residentes, workshops, temos uma programação intensa e temos muito orgulho porque muitos trabalhos surgiram através daqui, com pesquisa, e isso é bancado. Mas o teatro em si é bancado por nós. Os dois teatros foram construídos por nós e mantidos por nós. Porque muita gente fala, mas a Lei Rouanet é muito rigorosa. Você não pode comprar nada, adquirir nenhum bem fixo. Então tudo o que é fixo, fomos nós.

Mas vocês tem lucro?
Não, minha filha! Não temos lucro. Temos um prejuízo financeiro.

Queria falar um pouco de política, do Ministério da Cultura, a sua opinião…
Não queria falar disso. Está caminhando tudo bem. Não tem nada especial para comentar.

Mas é mais fácil fazer teatro hoje?
Através da Lei Rouanet que possibilitou muitos e muitos espetáculos, vários e vários que não conseguiriam sem a lei. Mas temos a dificuldade que é manter um espetáculo. Tem uma coisa muito estranha. Hoje você não vive da bilheteria de um espetáculo. Quando o patrocínio acabou, acabou a peça. Tem que repensar.

Por conta da meia-entrada?
É basicamente a meia-entrada. E as produções foram ficando mais caras, são meandros, questões da própria lei. Não é detonar a lei, não acho que seja o caso.

E a televisão? Você não acha que a Nenê é muito retrógrada?
Hoje em dia é muito difícil encontrar uma mulher como a Nenê. Ela é de uma geração que tentou romper padrões, mas ela é tradicional, vive para o lar. E essa realidade ainda existe para muitas mulheres, os valores familiares. Mas sim, é mais difícil. As mulheres estão nas batalhas. O que mais me interessa nela é o que ela representa, a mãe, os valores familiares, a compreensão até acima das necessidades. É bom falar disso e representar isso.

E como você faz para conciliar tudo na sua vida? Televisão, cinema, teatro, três filhas, netos, dois teatros?
Eu faço isso todos os dias. E sempre foi isso. Também construi uma vida de acordo com as minhas necessidades. Sou muito ligada, ligada a muitas coisas, ao trabalho, ao lazer.

Mas você faz tudo ao mesmo tempo ou consegue tirar férias, por exemplo?
A única coisa que eu consigo preservar são as minhas férias porque eu normalmente vou para o exterior, só por isso. E aqui eu sou organizada, tenho o meu escritório, o Poeira, A grande família, um filme para rodar.

Qual é o filme?
Vendo ou alugo, com direção da Betsy de Paula. É uma comédia muito interessante, que reúne quatro gerações. A Nathália Timberg, que vai fazer minha mãe, a Sílvia Buarque, será minha filha e uma atriz jovem, a Beatriz Morgana, que será filha da Sílvia. Vamos filmar em setembro. Elas tiveram uma vida abastada e agora se juntam para vender uma casa e todas elas são representantes muito fieis das suas gerações.

Postado com as tags: , , , , , , , , ,

As centenárias

Marieta Severo e Andréa Beltrão trazem ao Recife semana que vem a premiada montagem As centenárias, com texto de Newton Moreno. Lembro que conversei com Moreno meses atrás, antes do lançamento do blog, e ele me falava da trajetória dessa peça e do quanto essas duas atrizes, principalmente Andréa, por quem o dramaturgo é especialmente “apaixonado”, conseguiram interprertar essas carpideiras.

Eu ainda não vi a peça, embora tenha estreado em 2007, mas li o livro e me diverti muito com Socorro e Zaninha, que são chamadas para rezar os defuntos da cidade, vivem grudadas com a morte, até porque descobriram que esse seria o melhor jeito de fugir da “indesejada”.

Marieta Severo e Andréa Beltrão interpretam as antigas carpideiras

Zaninha – Eita, fome. Socorro, mulé, eu já tou palestrando com minha barriga. Ela tá falano comigo de tanta fome. Tu ouviu?

Socorro – Quieta! (Pausa.) Zaninha, eu tô com um sentimento que ela está por aqui.

Zaninha – Mas ela nunca aparece, a não ser que seja assunto sério. Da última vez que ela apareceu para nóis, tu te alembra bem o que se assucedeu…Será que ela adescobriu que…?

Socorro (Tapando-lhe a boca.) – Silêncio, Tô que só me arrepio, mulé. Num tem um pelo meu quieto no seu canto.

Zaninha – Eita, Socorro.

Socorro – Eita, Zaninha. Tu já pensou numa coisa, Zaninha?

Zaninha – Pensei em duas: cuscuz e buchada.

Socorro – Eita, mulé, tu num tira comida da cabeça.

Zaninha – Só tiro quando ela chega no bucho.

Socorro – O defunto num morreu, mulé. Ora e entonce dessa vez nóis encontra ela.

Zaninha – Ai, mulé, pior. Ela encontra nóis.

Socorro – Viuge, chegou o dia. Hoje faiou o jeito que nóis achô de num cruzar nossos caminho.

Zaninha – Um encontro medonhamente terrorífico como aquele dois ido de irgulino nunca mais, Socorro. A tinhosa mordida que nem ficô naquele encontro tá cum nóis nos ódio dela.

Socorro – Mas desde aquele dia nóis semo esperta. Ela sai nóis chega. Nóis descobriu o único lugar onde ela num tá.

Zaninha – Num tá pruquê já teve.

Socorro – Isso té os home dotô tem que aprender cum nóis. O lugar mais seguro de fugir dum cabra é ficano do lado dele.

Zaninha – O lugar mais longe é o lugar mais perto.

Socorro – Num qué vê a Morte, vai num velório. A esconjurada já agarrou um freguê, já tá levando ele pros confins, já tá ocupada, vortá traveiz pro mermo lugar ela num vorta.

(Trecho de As Centenárias, de Newton Moreno)

Montagem é uma comédia divertidíssima com texto de Newton Moreno

Serviço:
As centenárias, com Marieta Severo, Andrea Beltrão e Sávio Moll
Quando: sexta e sábado, às 21h e domingo, às 17h
Ingressos: R$ 100 (plateia) e R$ 80 (balcão). Para todos os ingressos há meia-entrada disponíveis. À venda na bilheteria do teatro e nas Lojas Toli do Shopping Recife e do Plaza Casa Forte
Informações: (81) 3207-5757

Postado com as tags: , , , , , , ,