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Um tambor que atravessa o Atlântico:
Klemente Tsamba em Pernambuco

Klemente Tsamba apresenta espetáculo Karingana e a Batucada de Contos em Pernambuco. Foto: Divulgação

Um chamado vem do outro lado do oceano. Chega como batida; um tam-tam que percorre o Atlântico Negro e encontra eco no chão de Pernambuco. Quem o traz é Klemente Tsamba, ator, músico, performer e contador de histórias nascido na Malhangalene, um dos bairros mais pulsantes de Maputo, Moçambique. Entre os dias 22 e 25 de julho de 2026, ele ocupa dois territórios simbólicos na Região Metropolitana do Recife: o Quilombo dos Camarás, em Camaragibe, e o Espaço O Poste, no bairro da Boa Vista.

Tsamba chega para instaurar uma roda. Uma roda que gira ao redor da fogueira imaginária, debaixo da árvore sagrada dos contos, onde os animais falam, os tambores improvisam e o público é convidado a acrescentar o ponto.

O coração da montagem solo Karingana e a Batucada de Contos é a tradição oral moçambicana. Karingana é o chamado que antecede a narrativa, o aviso de que um conto vai começar. No palco, Tsamba convoca o público para um mergulho que mescla teatro, percussão e jogo. A interação, o improviso e a certeza de que cada sessão é única porque cada plateia traz consigo um ponto novo para acrescentar à história.

A encenação reafirma o poder da palavra dita, do corpo que dança enquanto narra, do tambor que marca o tempo da memória. Sua arte é um fio que liga Moçambique ao Brasil – duas margens da mesma diáspora africana.

Oficina com o moçambicano acontece no Recife e em Camaragibe. Foto: Arquivo do artista

Corpos Sonoros: A Oficina como Encontro

Antes da apresentação, vem a oficina. Corpos Sonoros é um laboratório de criatividade onde Tsamba propõe um mergulho na cultura do sul de Moçambique através de perguntas e respostas, construção de esculturas sonoras, jogos de ritmo e movimento, e coreografias improvisadas. Mais do que ensinar técnica, a oficina convida cada participante a descobrir seu próprio corpo como instrumento de expressão.

O improviso e a brincadeira são o centro do encontro. Tsamba constrói junto com os participantes, e o resultado pode ser uma celebração memorável… ou simplesmente um momento que transforma.

Tsamba  vem pela terceira vez para um programa d’O Poste. Foto: Margareth Leite / Divulgação

Esta é a terceira vez consecutiva que Klemente Tsamba cruza o Atlântico para encontrar o público pernambucano. Em 2024, estreou com Nos Tempos de Gungunhana, monólogo que revisita a história do último imperador do Império de Gaza. Em 2025, trouxe Dizcontos: Memórias de Imigração, uma reflexão sobre deslocamento e pertencimento. Agora, em 2026, retorna com a batucada dos contos; cada ano um novo capítulo de uma mesma narrativa em construção.

A vinda de Tsamba é fruto do projeto Luz Negra: o Negro em Estado de Representação, do grupo O Poste Soluções Luminosas, realizado com fomento da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura. O projeto financia a circulação do artista e afirma o compromisso de fortalecer as conexões entre África e Brasil por meio da arte, da ancestralidade e da criação coletiva.

Nesta edição, a programação chega também ao Quilombo dos Camarás, em Camaragibe, em um movimento que leva a oficina e a apresentação diretamente ao terreiro quilombola. Lá, as atividades são voltadas exclusivamente para as pessoas do próprio território – um reconhecimento de que a cultura africana vive e pulsa nas comunidades que preservam essa herança no Brasil.

Quando Tsamba partir, o que fica? Ficam os corpos que aprenderam a soar juntos. Ficam as histórias que foram contadas e recontadas. Fica a certeza de que a tradição oral africana é uma tecnologia viva de transmissão de saber, afeto e resistência.

Como diz o próprio artista: “O contador é quem conta o conto, mas o ouvinte é quem acrescenta o ponto.” O Recife, ao receber Klemente Tsamba, é também contador. É também ponto.

Ficha Técnica
Textos: A partir de contos tradicionais moçambicanos;
Criação e interpretação: Klemente Tsamba;
Apoio e assistência: Ana Palma (Teatro da Garagem);
Bonecos e Adereços: Klemente Tsamba;
Produção: Chamadarte AC;
Duração: 50 minutos

Programação

22/07 (qua) Quilombo dos Camarás – Camaragibe
Oficina Corpos Sonoros, 9h–12h

22/07 (qua) Quilombo dos Camarás – Camaragibe
Espetáculo Karingana e a Batucada de Contos, 17h

24/07 (sex) Espaço O Poste – Boa Vista, Recife
Oficina Corpos Sonoros, 18h

25/07 (sáb) Espaço O Poste – Boa Vista, Recife
Espetáculo Karingana e a Batucada de Contos, 17h

Gratuito, ingressos no Sympla
Classificação livre

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Saiu o Myriam Muniz

Espetáculo da Fiandeiros fará circulação graças ao Myriam Muniz. Foto: Pollyanna Diniz

Saiu o resultado do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2011. O prêmio que concede um valor de até R$ 150 mil está dividido em duas categorias: para circulação ou para montagem e manutenção de atividades. O investimento divulgado foi de R$ 10 milhões.

Aqui do Recife, estão comemorando projetos como Noturnos, da Fiandeiros, que segundo Daniela Travassos disse no Facebook, vai circular por São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Niterói; e Cordel do amor sem fim, direção de Samuel Santos.

Confira aqui a lista de aprovados:

http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/11/Relação-selecionados_Prêmio-Funarte-de-Teatro-Myriam-Muniz_2011.pdf

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Três divas reabrem teatro no Rio

Teatro Dulcina será reaberto hoje. Foto: S.Castellano

O Teatro Dulcina, no Centro do Rio de Janeiro, será reaberto nesta terça-feira com um espetáculo criado especialmente para a ocasião: Um brinde a Dulcina!, reunindo no mesmo palco as atrizes Bibi Ferreira, Nathália Timberg e Marília Pêra. O teatro está sob a administração da Funarte desde 2008, mas estava em péssimas condições.

Em agosto de 2010, começaram as obras de recuperação da casa, cujo projeto original é do estilo art déco. De acordo com a Funarte, o investimento foi de R$ 2,3 milhões. As informações são de que foi um “extreme makeover”: fachada, foyer, instalações prediais e de ar condicionado, poltronas da plateia, camarins, balcões e frisas, equipamentos cênicos e de cenotécnica. Tudo estaria novinho!

Programação – Para o público, a casa reabre no dia 5 de agosto, com a apresentação Bibi in concert IV, com a atriz e diretora Bibi Ferreira. A programação já está delineada pelo até setembro. Depois disso, o teatro deve passar a ser ocupado por projetos selecionados através de editais.

Bom, pelo menos até lá, a programação já me fez olhar os sites de todas as companhias aéreas em busca de passagens em promoção para o Rio!!! No dia 19 de agosto, por exemplo, Fernanda Montenegro vai reestrear o monólogo Viver sem tempos mortos, com direção de Felipe Hirsch e direção de arte de Daniela Thomas. Serão três apresentações até o dia 21 de agosto, sempre às 19h.

No dia 26 de agosto, Os Fodidos Privilegiados, companhia que apresentou os seus espetáculos entre 1991 e 2001 no Dulcina, comemoram 20 anos de companhia com Uma festa privilegiada!.

Já em setembro, nos dias 7, 8 e 9, o grande destaque é Peter Brook. O inglês faz a estreia sul-americana de Uma flauta mágica, adaptação da ópera de Mozart. A montagem ganhou o Prêmio Molière de melhor espetáculo musical da França em 2010 e será apresentada também no Porto Alegre em Cena nos dias 21, 22 e 23 de setembro.

Fernanda Montenegro volta a apresentar espetáculo com direção de Felipe Hirsch

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Fomento fundamental ao teatro

Estava conversando hoje com Carla Denise, do Mão Molenga, sobre a estreia do novo espetáculo do grupo: Algodão doce (aguardem mais notícias logo em breve!), que foi viabilizado graças ao prêmio Myrian Muniz, da Funarte.

Para quem tem interesse em concorrer ao novo edital, a Funarte anunciou que, até o fim de agosto, o documento será lançado. Detalhe: com um incremento de verba – vai passar de R$ 7 milhões para R$ 10 milhões.

No mesmo anúncio, a Funarte também confirmou que vai lançar edições do Prêmio Klauss Vianna de Dança e do Prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo. Cada um deve contar com um investimento de R$ 4,5 milhões.

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