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Olhares sobre o Nordeste brasileiro em cena no Itaú

Boca, com Erivelto Viana, do Maranhão, está na programação do Cena Agora, do Itaú Cultural, que dedica a  primeira edição à temática Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas. Foto: Divulgação

Manifestações xenófobas e de ódio contra o povo nordestino vem e voltam. Já ocorreram de forma velada, em comentários comparativos de sotaque ou de postura, de posses ou de feições; ou em enxurrada de xingamentos na Internet. O atual presidente já utilizou o termo “paraíba” de forma depreciativa São atitudes fincadas na ideia de uma suposta superioridade de pessoas do Sudeste e do Sul. 

O Nordeste é uma invenção, asseverou o historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr., em sua tese de doutorado, publicada em livro A Invenção do Nordeste e Outras Artes, que se tornou uma das principais referências para desconstruir esse painel repleto de clichês preconceituosos.

Não se iluda. Não nos iludamos. Essa representação reducionista foi forjada pelas classes dominantes e é uma arma de manutenção de poder das elites.

O Nordeste – formado por 9 estados, uma extensão de 1.558.000 km², com 1.793 municípios –
não poderia ser chapado, com identidade única ligada à seca, à pobreza, um lugar atrasado e anacrônico.

Há riqueza e diversidade nessa região produtora de economia, de ciência, de tecnologia, de saberes e de cultura brasileira potente em variadas linguagens, literatura, cinema, música, pintura, teatro etc.

A região Nordeste, que surge na paisagem imaginária do país […], foi fundada na saudade e na tradição. […] Antes que a unidade significativa chamada Nordeste se constituísse perante nossos olhos, foi necessário que inúmeras práticas e discursos “nordestinizadores” aforassem de forma dispersa e fossem agrupados posteriormente.
Durval Muniz de Albuquerque Jr., A Invenção do Nordeste e Outras Artes,

 

O projeto Cena Agora, que o Itaú Cultural promove desta quinta-feira a domingo (de 15 a 18 de abril), às 20h, dedica sua primeira edição à temática Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas com o propósito de tramar/elaborar uma pluralidade de perspectivas sobre o enunciado, tensionando as construções estereotipadas ou colonizadas das identidades nordestinas frente à heterogeneidade polifônica dessa constelação.

A programação virtual é orientada na criação de cenas teatrais curtas, de cerca de 15 minutos, acionando questões contemporâneas como alavancas poéticas. Fazem parte dessa primeira edição seis trabalhos inéditos, criados por artistas da Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Norte, seguidas por conversas dos elencos com críticos e artistas convidados. As atividades serão transmitidas pela plataforma Zoom. Os ingressos gratuitos podem ser reservados via Sympla. Mais informações no site www.itaucultural.org.br.

Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, exibe o trabalho Sem título. Foto: Rafael Telles 

Cena Agora – Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas começa nesta quinta-feira, com a mesa de abertura, uma conversa do historiador Durval Muniz de Albuquerque Jr., autor do já citado livro A invenção do Nordeste e outras artes com Galiana Brasil, gerente do Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural. O livro inspirou o espetáculo teatral A invenção do Nordeste, do grupo Carmin, do Rio Grande do Norte, que questiona o papel estereotipado do nordestino.

As repetições do senso comum em relação ao fluxo dos nordestinos para o sudeste, tanto em um recorte histórico, quanto em um contexto mais atual, são investigadas na cena do grupo de teatro Clowns de Shakespeare, do Rio Grande do Norte, com elenco dirigido por Fernando Yamamoto, na sexta-feira, 16.

Ainda na sexta-feira será mostrado, cênica e poeticamente, um pequeno recorte da caminhada de vida da yalorixá Mãe Rosa de Oyá, sacerdotisa do Ilê Axé Oyá L´adê Inan, na cidade baiana de Alagoinhas, intitulado Onan Yá – A caminhada da sacerdotisa. A criação é da diretora teatral e dramaturga baiana Onisajé, que assina a direção, o roteiro e a concepção e conta no elenco com a atriz e dançarina Fabíola Nansure e o ator Nando Zâmbia. Neste dia, eu, Ivana Moura, e Pollyanna Diniz,  as “Yolandas”, vamos conduzir a conversa pós-cenas. 

Figuras em situações ou dilemas heroicos reverberam na cena do sábado. O coletivo No barraco da Constância tem! do Ceará, exibe O Desaparecimento do Jangadeiro Jacaré em Alcácer-Quibir. O jangadeiro cearense Manuel Olímpio Meira (1903-1942), conhecido como Jacaré, viajou até o Rio de Janeiro, em 1941, para reivindicar ao presidente Getúlio Vargas os direitos trabalhistas de sua classe pesqueira. A empreitada foi bem-sucedida e ele foi convidado, no ano seguinte, pelo cineasta Orson Welles, a participar de um filme sobre os pescadores e a reproduzir com sua tripulação a cena da chegada dos jangadeiros à baía de Guanabara. Mas, durante as gravações, a embarcação virou e Jacaré desapareceu e nunca foi encontrado. A cena explora inúmeras hipóteses sobre sumiço de Jacaré.

Coletivo Agridoce, de Pernambuco, apresenta cena inspirada no romance Homens e Caranguejos, de Josué de Castro.  Foto: Anny Stone / Divulgação

O Coletivo de dança-teatro Agridoce, de Pernambuco, é o outro convidado da noite e apresenta a cena Rhizophora – Estudo nº 01, baseado no livro Homens e Caranguejos, de Josué de Castro. A fome é apontada por Josué de Castro como a grande tragédia existencial, política e estética brasileira. Escrito em 1966, Homens e Caranguejos é o único romance do cientista, que narra a história de vida de um menino pobre que descobre o mundo a partir da miséria e da lama do mangue.

O ator, diretor e dramaturgo amazonense Henrique Fontes é quem faz a mediação da conversa com os elencos e o público nessa noite. Autor da dramaturgia da premiada peça A Invenção do Nordeste, ao lado de Pablo Capistrano, Fontes é sócio fundador e atual presidente do Espaço Cultural Casa da Ribeira, no Rio Grande do Norte.

O artista Erivelto Viana, do Maranhão, sob direção de Urias de Oliveira, analisa no experimento Boca a energia evocação no encontro (entre) eu/Exu. O dentro, o fora, o centro, o tudo e o nada são pensados poeticamente .

O grupo Dimenti, da Bahia, fecha essa primeira etapa da programação com Web-Strips: Volume Encruzilhadas, que tem como ponto de partida o projeto de 2018 Strip Tempo – stripteases contemporâneos, motivado pela pergunta: como despir a poética de uma carreira? Com direção de Jorge Alencar e codireção de Larissa Lacerda e Neto Machado, a cena revela zonas relativamente ocultas do corpo e da carreira de cada artista. Na configuração de vídeo-performances reúne os artistas Fábio Osório Monteiro, Jaqueline Elesbão e João Rafael Neto, que desnudam corpos, casas, carreiras, a memória e o digital.

No domingo, nós, as Yolandas, seremos as responsáveis pela condução da conversa.

O recorte Encruzilhada Nordeste(s):(contra)narrativas poéticas terá continuidade em maio, durante três finais de semana, de quinta-feira a domingo, contando, ao todo, com a participação de todos os estados do Nordeste no projeto e de grupos/artistas que estão sediados também noutras regiões.

Serviço:
Cena Agora – Encruzilhada Nordeste
De 15 a 18 de abril (quinta-feira a domingo), sempre às 20h

No site do Itaú Cultural: www.itaucultural.org.br
Todos as apresentações são seguidas de bate-papo com o elenco.
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla.
Mais informações em: www.itaucultural.org.br

PROGRAMAÇÃO

15 de abril, quinta-feira, 20h

Mesa Encruzilhada Nordeste(s): (contra)narrativas poéticas
Com Maria Thais e Durval Muniz
Duração: 90 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos (para melhor fruição com o tema)
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla.

16 de abril, sexta-feira, 20h

Onan Yá – A caminhada da sacerdotisa
De Onisajé (BA)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Pollyana Diniz e Ivana Moura
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: Livre
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. 

Sinopse:
Um breve recorte da caminhada de vida da yalorixá Mãe Rosa de Oyá, sacerdotisa do Ilê Axé Oyá L´adê Inan, na cidade baiana de Alagoinhas. sua ação sacerdotal, e o encruzilhamento de suas identidades de mulher negra, nordestina, periférica, sacerdotisa de axé.

Ficha Técnica:
Direção, roteiro e concepção: Onisajé (Fernanda Júlia)
Atuantes: Mãe Rosa de Oyá, Fabíola Nansure e Nando Zâmbia
Direção de imagem, edição e iluminação: Nando Zâmbia
Figurino e maquiagem: Fabíola Nansure
Direção musical e trilha: Jarbas Bittencourt
Locação: Ilê Axé Oyá L´adê Inan

Sem título
Com Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare (RN)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de  Ivana Moura e Pollyanna Diniz Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: Livre
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. Mais informações em: www.itaucultural.org.br

Sinopse:
O trabalho propõe uma relação de jogo com o público, questionando recorrências do senso comum em relação ao fluxo dos nordestinos para o sudeste, tanto num recorte histórico, quanto num contexto mais atual, em especial sobre São Paulo ser a nova capital do Nordeste.

Ficha Técnica:
Direção: Fernando Yamamoto
Assistência de direção: Diogo Spinelli
Elenco: Camille Carvalho, Diogo Spinelli, Nicoli Dichoff, Paula Queiroz e Renata Kaiser
Produção: Rafael Telles

17 de abril, sábado, 20h

O Desaparecimento do Jangadeiro Jacaré em Alcácer-Quibir
Com o coletivo No barraco da Constância tem! (CE)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Henrique Fontes
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos (para melhor fruição com o tema)
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. 

Sinopse:
O jangadeiro Jacaré desaparece em 1942, forjando um enorme buraco. Na história, na rede ou no tecido do espaço e do tempo, essa fenda apresenta inúmeras hipóteses a respeito do seu sumiço e da sua saga. A fábula do nordestino em direção ao epicentro do Brasil toma outros rumos, inaugurando novas possibilidades empreendedoras com a profecia do seu reaparecimento.

Ficha Técnica:
Direção, roteiro e interpretação: Felipe Damasceno, Honório Félix, Renan Capivara, Sarah Nastroyanni e William Pereira Monte
Edição e montagem: Breno de Lacerda
Realização: No barraco da Constância tem!

RHIZOPHORA – Estudo nº 01
Com o Coletivo de dança-teatro Agridoce (PE)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Henrique Fontes
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 10 anos (para melhor fruição com o tema)
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. 

Sinopse:
Baseado no romance Homens e Caranguejos, de Josué de Castro, Rhizophora conta a história do anti-herói João Paulo, que se vê em um dilema quando a construtora onde ele trabalha resolve construir um condomínio de luxo no lugar onde fica a comunidade onde ele morou. Entre lembranças da infância ribeirinha nos manguezais e planejamentos megalomaníacos, começa uma grande viagem ao passado e um retorno a sua ancestralidade.

Ficha Técnica:
Dramaturgia e Adaptação: Coletivo de Dança-Teatro Agridoce
Direção: Aurora Jamelo e Nilo Pedrosa
Elenco: Aurora Jamelo, Flávio Moraes, Igor Cavalcanti, Nilo Pedrosa e Sophia William
Coreografia: Sophia William
Preparação de elenco: Sophia William
Direção artística: Aurora Jamelo
Cenografia: Aurora Jamelo e Nilo Pedrosa
Figurinos: Aurora Jamelo
Iluminação: Aurora Jamelo
Produção: Coletivo de Dança-teatro Agridoce
Produção executiva: Flávio Moraes e Sophia William
Foto: Anny Stone, Jessica Maia, Erick Sgobe, Zito Junior
Assessoria de imprensa: Igor Cavalcanti Moura
Vídeo: Tuca Colleto
Captação de som: Anderson Barros
Realização Agridoce

18 de abril, domingo, 20h

Boca
Com Erivelto Viana e Urias Oliveira (MA)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Pollyanna Diniz e Ivana Moura
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 18 anos (nudez frontal)
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. Mais informações em: www.itaucultural.org.br

Sinopse:
O dentro, o fora. O tudo e o nada. O centro. Boca que tudo come, buraco da criação. Corpo lugar de passagem, atravessamento, encruzilhadas. Energia evocação no encontro (entre) Exu/Eu.
Ficha técnica:
Concepção: Erivelto Viana e Urias de Oliveira
Criação e performance: Erivelto Viana
Direção: Urias de Oliveira

Web-Strips: Volume Encruzilhadas
Com o grupo Dimenti (BA)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Ivana Moura e Pollyanna Diniz
Duração: 15 minutos
Capacidade: 270 lugares
Classificação Indicativa: 18 anos (nudez frontal)
Pela plataforma Zoom. Ingressos via Sympla. 

Sinopse:
Desnudar corpos, casas, carreiras, a memória e o digital. Web-Strips buscam despir o trajeto estético e erótico de criadores contemporâneos da Bahia, enquanto também revela a intimidade de seus ambientes domésticos. Utilizando cenas, figurinos, trilhas sonoras e coreografias do repertório dos/as artistas em cena, propõe outras percepções ao famoso striptease (do inglês strip, desnudar; e tease, provocar), gênero tão popular quanto marginal, presente desde as casas noturnas até os clássicos do cinema.

Ficha Técnica:
Direção: Jorge Alencar
Codireção: Larissa Lacerda e Neto Machado
Com: Fábio Osório Monteiro, Jaqueline Elesbão, João Rafael Neto
Direção de fotografia, câmera e som direto: Larissa Lacerda
Edição: Lane Costa e Larissa Lacerda
Trilha sonora: Ricardo Caian
Direção de Produção: Ellen Mello
Equipe de Produção: Fábio Osório Monteiro, Marina Martinelli, Francisco Sena e Trini Opelt
Financeiro: Marília Pereira
Comunicação: Marcatexto
Realização: Dimenti Produções Culturais

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Mostra Cenas do Nordeste exibe registros de
18 espetáculos e uma rodada de conversa sobre crítica

Utopyas to every day life, com Flavia Pinheiro (PE), foto,  e Carolina Bianchi (SP). Imagem: Danilo Galvão / 

Medeia negra, com Marcia Limma. Foto: Adeloya Magnoni / Divulgação

Uma mostra bem interessante com peças de teatro, dança e performance de grupos e artistas nordestinos começa hoje e segue até 10 de abril. Cenas do Nordeste é o nome do evento realizado pela Ardume Produções, do Rio Grande do Norte. Esta segunda edição, virtual, conta com 18 registros audiovisuais de espetáculos (15 para o público adulto e três destinados ao público infanto-juvenil) dos estados do Piauí, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Bahia, Maranhão, Ceará e Rio Grande do Norte.

As exibições ocorrem de forma gratuita através da plataforma de conferências Zoom e ao final das apresentações o público pode participar do bate-papo com os grupos, mediado pelos artistas-pesquisadores convidados Franco Fonseca (RN) e Daniela Beny (AL). Os ingressos estão disponíveis através do site Sympla, no Instagram do evento @cenasdonordeste.

Neste ano, um grupo de críticos convidados acompanham a mostra e realizarão uma live no dia 10 de abril, às 19h, no canal da Ardume Produções no Youtube, encerrando o evento Cenas do Nordestee com um Panorama Crítico. Participam os críticos Lorenna Rocha (PE), Lili Lucca (AL), Daniel Guerra (BA) e Ítalo Rui (AM).

Atenas Mutucas, Boi e Body (MA). Foto: Divulgação

Atenas: mutucas, boi e Body, com a Santa Ignorância Cia De Artes, do Maranhão, ergue-se na triangulação tragédia, bumba-meu-boi e justiçamentos urbanos (linchamento), para discutir as relações cívico-mítico-religiosas das cidades com seus cidadãos, tendo os heróis anônimos do folguedo como porta-vozes dos trágicos conflitos contemporâneos. O espetáculo junta referências no estudo do trágico, dos tragediógrafos clássicos e dos elementos ritualísticos, físicos, sonoros e visuais do bumba meu boi do Maranhão, na perspectiva de desenvolver dramaturgias e método de preparação física de atores a partir de personagens da manifestação popular maranhense.

Medeia Negra, espetáculo baiano que já circulou por algumas cidades e festivais, recria a tragédia grega para o corpo e o pensamento de uma mulher negra. A peça, dirigida por Tânia Farias, traz a interculturalidade e referências afro diaspóricas, por meio dos itãs (relatos míticos da cultura iorubá) e arquétipos das divindades como Nanã, Iansã, Exu e Omolu.

Os movimentos de Flavia Pinheiro (PE) e Carolina Bianchi (SP) buscam agarrar a imaterialidade do presente em Utopyas to every day life. É uma instalação performática obsessiva, com 3 horas de duração. Nesse espaço-tempo as artistas desconstroem-se, vibram de vitalidade, se afetam com violência, se transformam em objetos de arte daquela paisagem, tentam flutuar carregam-se, escorregam, dançam, cantam trechos de algumas canções. Escrevemos uma crítica sobre o trabalho. Confira!

De Sergipe temos Vulcão, um teatro da alquimia da intimidade, um monólogo autoral feito com material biográfico da atriz Diane Velôso com direção de Sidnei Cruz. Já Mi Madre, de Pernambuco, é um solo de dança-teatro, criado pela artista Jhanaina Gomes para falar sobre sua ancestralidade, sobre seu clã de mulheres,  sobre as histórias de suas matriarcas.

Entre Rio e Mar Há Lagoanas (AL). Foto: Nivaldo Vasconcelos / Divulgação

Entre Rio E Mar Há Lagoanas (Al) perscruta as mulheres que crescem ao redor da Lagoa. A fábula que recria o nascimento da Lagoa através do cotidiano e da memória de mulheres que cresceram as suas margens e dentro dela.

A bússola de Pra Frente O Pior (CE) é ser coletivo, mesmo com as dificuldades dos pactos de convivência , permanecer como grupo, comunidade, tribo, sociedade… Seguir adiante, criando , lutando, mesmo com o corpo sinalizando sucumbir. Adiante, mesmo que a esperança fuja.

O evento Cenas do Nordeste conta com recursos da Lei Aldir Blanc Rio Grande do Norte, Fundação José Augusto, Governo do Estado do Rio Grande do Norte, Secretaria Especial de Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal .

Serviço
Cenas do Nordeste – 2ª Edição Virtual

De 02 a 10 de abril de 2021
Mais informações: Instagram @cenasdonordeste

Programação completa:

Dia 02 de abril, Sexta-Feira.
17h – Medeia Negra, de Márcia Limma (BA)
21h – Pele Negra, Máscaras Brancas, do Grupo de Teatro da UFBA (BA)

Dia 03 de abril, Sábado.
10h – No Coração da Lua, do grupo Estação de Teatro (RN)
17h – Os Cavaleiros da Triste Figura, do Grupo Boca de Cena (SE)
21h – Vulcão, do Grupo Caixa Cênica (SE)

Dia 04 de abril, Domingo.
10h – Para Onde Voam os Pássaros, da Sociedade T (RN)
17h – Mi Madre, do Corpo Semente Sagrada (PE)
21h – Pra Frente o Pior, da Inquieta Cia. (CE)

Dia 05 de abril, Segunda-Feira.
17h – Atenas: Mutucas, Boi e Body, da Santa Ignorância Cia. de Artes (MA)
21h – Sonhoridades para Desadormecer Serpentes, de Elton Panamby (MA)

Dia 06 de abril, Terça-Feira.
17h – Utopyas to Everyday Life, de Flávia Pinheiro e Carolina Bianchi (PE/SP)
21h – Terreiro Envergado, do Coletivo Tanz (PB)

Dia 07 de abril, Quarta-Feira.
17h – Plantas e Fantasmas, de Bruno Moreno (PI/SP)
21h – Nebulosa, de Vanessa Nunes e Arthur Doomer (PI)

Dia 08 de abril, Quinta-Feira.
17h – Entre Rio e Mar Há Lagoanas, do Coletivo de Teatro Hetéaçã (AL)
21h – Dança Anfíbia, da Cia. dos Pés (AL)

Dia 09 de abril, Sexta-Feira
17h – Circo Alegria, do Grupo Garajal (CE)
21h – Instruções para Ser Humano, do Grupo Graxa (PB)

Dia 10 de abril, Sábado.
19h ­– Live Cenas do Nordeste: Panorama Crítico, com Lorenna Rocha (PE), Daniel Guerra (BA), Lili Lucca (AL) e Ítalo Rui (AM).

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4º Crítica em movimento traz espetáculos, debates, podcasts e publicações

Épico, da Tercer Abstracto. Foto: Brendo Trolesi

Tempos de Errância – lado B [vídeo teatro], espetáculo do Núcleo 2 Coletivo de Teatro. Foto: Polly Rosa

A 4ª edição do Crítica em Movimento, realizado pelo Itaú Cultural, vai acontecer a partir desta quinta-feira (1) até domingo (4) com espetáculos, debates, lançamentos de podcasts e cadernos digitais, com textos sobre crítica e teatro, que serão publicados paulatinamente, de 1 a 22 de abril.

A abertura da programação será com a mesa “Considerações sobre a recepção crítica na vida contemporânea” nesta sexta-feira, às 20h. Valmir Santos, co-curador do Crítica em Movimento, jornalista e crítico do site Teatrojornal, conversa com a pernambucana Clarissa Diniz, curadora, pesquisadora e crítica de artes visuais, atualmente professora e curadora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, e com Alcir Pécora, professor e crítico literário da Universidade Estadual de Campinas.

Na sexta-feira (2), às 20h, começam as apresentações de espetáculos com Épico, peça do grupo Tercer Abstracto, que trabalha com artistas do Chile e do Brasil desde 2012. No espetáculo, o grupo coloca em paralelo uma peste mortífera que assolou a Europa em 1348 e a situação da Covid-19 no mundo desde o ano passado. O espetáculo faz parte do Projeto Manifestos, que investiga na cena as propostas e manifestações teatrais do início do século XX. Neste caso, o ponto de partida é Bertolt Brecht. Depois da apresentação, haverá uma conversa com o professor-adjunto do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará, Héctor Briones.

A programação continua no sábado (3), às 20h, com Tempos de Errância – lado B [vídeo teatro], espetáculo do Núcleo 2 Coletivo de Teatro, de Minas Gerais. O espetáculo parte de três fotogramas recentes e contemporâneos da paisagem latino-americana, buscando rastros de devastação pela violência armada. Pós-apresentação, o público acompanha o bate-papo do diretor artístico Narciso Telles com a atuadora gaúcha Tânia Farias.

No domingo (4), a companhia Enxame Circo, de São Paulo, apresenta o espetáculo Enxame. A sinopse diz que quatro indivíduos à espera de que algo aconteça acabam subvertendo a ordem das coisas dentro de um fluxo de acontecimentos não-rotineiros. A encenação traz técnicas circenses tradicionais, como corda lisa, malabarismo, palhaçaria e paradas-de-mão, elementos do teatro e da dança, e ainda projeção de vídeo. Logo depois, a conversa será conduzida por Fátima Pontes, atriz, produtora cultural e professora de teatro, que há 20 anos coordena as áreas executiva e artística da Escola Pernambucana de Circo.

O podcast Crítica em Movimento possui cinco episódios, que serão liberados todos ao mesmo tempo a partir desta sexta (1), no site do Itaú Cultural e nos aplicativos de podcast. O primeiro episódio tem como tema “Quais os enfrentamentos da prática da crítica de teatro hoje?”, com participação do crítico e jornalista Macksen Luiz e da crítica e pesquisadora Daniele Avila Small, da revista Questão de Crítica, com a mediação de Valmir Santos. No segundo programa, participam Lourdes Macena, pesquisadora e artista cearense, e o ator e diretor Rogério Tarifa, com mediação do professor paraibano Diógenes Maciel, a partir do tema “Como a crítica se relaciona com a noção do popular nas artes cênicas?”.

Maria Fernanda Vomero, jornalista, crítica, curadora e pesquisadora, faz a mediação do terceiro episódio que tem como pergunta disparadora “Qual a percepção de quem cria a respeito do travalho da crítica?”. Participam a atuadora Tânia Farias, da gaúcha Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, e o dramaturgo e diretor Edyr Augusto Proença, do paraense Grupo Cuíra. No quarto programa, o tema é “Como exercer olhares e escutas a partir da cena remota?”, com mediação da jornalista e crítica Luciana Romagnolli, do site Horizonte da Cena. O último episódio, com mediação da professora, crítica e jornalista Julia Guimarães tem como tema “Qual o lugar da resistência na formação da crítica?”, com Dodi Leal, professora do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal do Sul da Bahia, e Henrique Saidel, diretor, performer, curador e professor gaúcho.

O Crítica em Movimento traz ainda a publicação de oito caderno com 24 textos. Ivana Moura, jornalista e crítica aqui do Satisfeita, Yolanda? escreveu para o primeiro caderno, que sai nesta quinta-feira (1), com o tema “O papel da crítica de teatro no Brasil: do jornal impresso à plataforma digital”. Também escrevem neste caderno Edson Fernando (PA) e Macksen Luiz (RJ) a partir do tema O papel da crítica de teatro no Brasil: do jornal impresso à plataforma digital.

No caderno 2 “O vão entre a crítica e o circo” escrevem Alice Viveiros de Castro (RJ), Daniel Lopes (SP), Ermínia Silva (SP) e Fátima Pontes (PE). O caderno 3 traz textos de Carlos Alberto Pereira dos Santos (RS), Daniel Kairoz (SP) e Rosa Primo (CE) com o tema “Estados da crítica de dança”.

Pollyanna Diniz, jornalista e crítica aqui do Yolanda escreveu para o caderno 4 a partir do tema “Espaços digitais empenhados em artes cênicas”, que tem ainda como autores Diogo Spinelli (RN) e Walmeri Ribeiro (RJ). No caderno 5 “A dificuldade da crítica em contracenar com o teatro de rua” os autores são Altemar DiMonteiro (CE), Lindolfo Amaral (SE) e Marta Haas (RS). Fernando Cruz (MS), Nena Inoue (PR) e Onisajé (Fernanda Júlia|BA) escrevem no caderno 6 “A cena engajada no contexto contemporâneo”. O caderno 7 propõe o tema “Teatros peculiares na mão dupla com Cuba e Brasil”, com os autores Camila Scudeler (Colômbia), Luis Alonso-Aude (BA) e Luvel Garcia (Cuba). E, por fim, o caderno 8 “Panorama do teatro latino-americano visto da ponte” reúne textos de Alice Guimarães (Bolívia), Andrea Hanna (Argentina) e Héctor Briones (Chile/CE).

PROGRAMAÇÃO CRÍTICA EM MOVIMENTO

Mesa Considerações sobre a recepção crítica na vida contemporânea
Com Alcir Pécora (SP), Clarissa Diniz (RJ) e Valmir Santos (co-curador desta edição do Crítica em Movimento – SP)
Quando: Quinta-feira (1), às 20h
Onde: Pela plataforma Zoom, com ingressos via Sympla
Quanto: Gratuito
* Com tradução simultânea em espanhol

Clarissa Diniz (foto: Portrite) e Valmir Santos (foto: Agência Ophélia) participam de mesa de abertura

Épico, da Cia Teatral Tercer Abstracto (Chile/Brasil)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Héctor Briones (CE)
Quando: Sexta-feira (2), às 20h
Onde: Pela plataforma Zoom, com ingressos via Sympla
Quanto: Gratuito
* Com legenda em espanhol

Tempos de Errância – lado B [vídeo teatro], do Núcleo 2 Coletivo de Teatro (MG)
Após a apresentação, acontece bate-papo com o ator Narciso Teles, mediado por Tânia Farias (RS)
Quando: sábado (3), às 20h
Onde: Pela plataforma Zoom, com ingressos via Sympla
Quanto: Gratuito
* Com legenda em espanhol

Enxame, da companhia Enxame Circo. Foto: Daniel Carvalho

Enxame, do Enxame Circo (SP)
Após a apresentação, acontece um bate-papo com mediação de Fátima Pontes (PE)
Quando: domingo (4), às 20h
Onde: Pela plataforma Zoom, com ingressos via Sympla
Quanto: Gratuito

PROGRAMAÇÃO DE PUBLICAÇÕES, no site do Itaú Cultural

1 de abril, quinta-feira:
Caderno 1: O papel da crítica de teatro no Brasil: do jornal impresso à plataforma digital
Autores: Edson Fernando (PA), Ivana Moura (PE) e Macksen Luiz (RJ)

Caderno 2: O vão entre a crítica e o circo
Autoras: Alice Viveiros de Castro (RJ), Daniel Lopes (SP), Ermínia Silva (SP) e Fátima Pontes (PE)

8 de abril, quinta-feira:
Caderno 3: Estados da crítica de dança
Autores: Carlos Alberto Pereira dos Santos (RS), Daniel Kairoz (SP) e Rosa Primo (CE)

Caderno 4: Espaços digitais empenhados em artes cênicas
Autores: Diogo Spinelli (RN), Pollyanna Diniz (PE) e Walmeri Ribeiro (RJ)

15 de abril, quinta-feira:
Caderno 5: A dificuldade da crítica em contracenar com o teatro de rua
Autores: Altemar DiMonteiro (CE), Lindolfo Amaral (SE) e Marta Haas (RS)

Caderno 6: A cena engajada no contexto contemporâneo
Autores: Fernando Cruz (MS), Nena Inoue (PR) e Onisajé (Fernanda Júlia | BA)

22 de abril, quinta-feira:
Caderno 7: Teatros peculiares na mão dupla com Cuba e Brasil
Autores: Camila Scudeler (Colômbia), Luis Alonso-Aude (BA) e Luvel Garcia (Cuba)

Caderno 8: Panorama do teatro latino-americano visto da ponte
Autores: Alice Guimarães (Bolívia), Andrea Hanna (Argentina) e Héctor Briones (Chile/CE)

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Festival recifense potencializa
protagonismo de artistas negros

Peça Negra palavra-Solano Trindade, que expõe a trajetória e luta do poeta pernambucano, abre a programação

Meia-Noite, com Orun Santana. Foto: Livia Neves / Divulgação

Francisco Solano Trindade (1908-1974), foi um grande poeta brasileiro. Artista negro nascido no Recife, ele também atuou como folclorista, pintor, ator, teatrólogo, cineasta e militante do Movimento Negro e do Partido Comunista. Apesar de ter abalado as estruturas em várias áreas, nas cidades onde morou – Recife, Rio de Janeiro, São Paulo – ele não é devidamente conhecido e valorizado. Isso se deve, em parte, ao racismo estrutural da sociedade brasileira.

Combater o racismo, a discriminação, o colonialismo e explorar o protagonismo do artista negro nas mais diversas linguagens são propostas do Festival Luz Negra — O negro em estado de representação, que chega à quarta edição e abre justamente com o espetáculo Negra Palavra – Solano Trindade.

O 4º Festival Luz Negra é executado com incentivos do edital de Festivais da Lei Aldir Blanc Pernambuco. O programa totalmente online, conta com oito espetáculos teatrais de Pernambuco, das quatro macrorregiões de Pernambuco (Sertão, Agreste, Mata e Região Metropolitana do Recife), sendo seis para o público adulto e dois para a infância e a juventude; dois espetáculos de fora do estado; quatro espetáculos de dança, um deles com mulheres trans e outro com jovens da comunidade de Peixinhos; um solo de ópera, uma palestra sobre a história do negro em Pernambuco e uma oficina teatral.

O homenageado desta edição é Guitinho da Xambá, cantor e compositor do grupo Bongar, que morreu em fevereiro.

Realizado desde 2017 pelo grupo O Poste Soluções Luminosas, coletivo formado pelos artistas negros Agrinez Melo, Naná Sodré e Samuel Santos.

“A ação potencializa a construção de identidades e territórios dinâmicos, ambivalentes e de negociação. Queremos com o projeto o rompimento de paradigmas de preconceito através da própria representação negra nos palcos”, afirma Agrinez Melo, atriz, figurinista e integrante d’O Poste.

ENTREVISTA – Grupo O Poste Soluções Luminosas

O trio do grupo O Poste: Naná Sodré, Samuel Santos e Agri Melo.

Qual a importância do festival na descolonização dos sentidos para as artes cênicas de Pernambuco?

Na realidade, queremos trazer um novo sentido ou dar mais um outro sentido à cena pernambucana. O teatro historicamente seja do ponto de vista estrutural e no seu fazer sempre negou o direito dos sentidos, do sentir, do fazer, do ser, do ter, do artístico e da poética negra. Até o direito de ser plateia foi negado!

As histórias pernambucana e brasileira, como um todo, excluíram a nossa cultura, religião, os nossos ancestrais. Todo esse processo colonizador, que perdurou por séculos, afetou consecutivamente o teatro feito em Pernambuco, direcionando o olhar apenas para uma cultura, um teatro eurocêntrico ou “eurocentralizado”. São poucos os registros de uma cena afrocentrada aqui no estado. No período do Brasil império, república, democracia, ditadura, democracia, a presença do artista preto na cena era quase inexistente. Isso só vem a melhorar um pouco no final da década de setenta e foi evoluindo nas décadas seguintes, mas sem muitas projeções, pois a cena continuava na sua totalidade com o mesmo tom de pele, e a mesma cultura do colonizador.

Aí entra a importância de descolonizar e decolonizar, no sentido de colocar também o nosso trabalho nessa estrutura excludente. E o festival Luz Negra entra nesse vago histórico e com essa proposta.

Aí entra a importância de
descolonizar e decolonizar, no
sentido de colocar também o
nosso trabalho nessa estrutura,
que ainda se mostra excludente.

Que conquistas vocês identificam ao longo desses quase cinco anos que o Luz Negra é realizado?

Primeiramente é importante afirmar que a realização do festival já é uma conquista. Se levarmos em consideração a construção da história do estado, que foi o último a abolir a escravidão. Realizar um festival desse porte já traz novos horizontes em relação a outro olhar para a arte negra daqui e que reverbera em todo país.

Fora isso, o festival é transdisciplinar, entra não só nas esferas artísticas, mas educacional, filosófica, sociológica, antropológica… E os espetáculos abordam temas que ampliam o discurso do negro e sua representatividade de forma positiva. O festival também circula por muitos lugares, evidenciando artistas negres das várias regiões do estado, abrindo espaço para os jovens que moram nas periferias mostrar seus trabalhos, mulheres pretas evidenciando suas conquistas e ampliando discursos, oferece formação e abre espaço de construção desse discurso com o público. Além de ocupar espaços que são nossos por direito. A cada realização nos fortalecemos e ampliamos nossa autonomia. O festival independente de seu formato vem se agigantando e nós do grupo e enquanto indivíduos vamos crescendo com ele.

Realizar um festival desse porte já
traz novos horizontes em relação
a outro olhar para a arte negra
daqui e que reverbera em todo país.

Como vocês analisam a situação das cênicas em Pernambuco no contexto da pandemia. Ou como vocês atravessam esse período?

A nossa pandemia começou bem antes do coronavírus.  E não falo do período colonial.  Não dá para falar do tempo presente, sem falar do tempo antes. A pandemia arrematou algo que já vinha pandêmico para as artes cênicas. Incentivo, apoio, patrocínio, política pública para as artes cênicas em algumas esferas do poder executivo simplesmente dificultou a fruição, a formação, o intercâmbio e sobrevivência dos artistas cênicos.  imagina para o povo preto?

Houve uma mudança de gestão, que particularmente achamos positiva e nos enche de esperança. Mas essa esperança precisa mexer nas estruturas para buscar uma equidade nas artes. O que fizemos nesse período pandêmico foram cursos, oficinas online, criamos o projeto Terças Pretas , onde exibimos no formato live pelo Instagram cerca de dez cenas com  dramaturgias autorais de artistas pretos  e que virou audiovisual e está sendo comercializado, criamos o festival Pretação Online com mulheres negras,  fizemos campanha de financiamento  colaborativo para manter o Espaço O Poste, escrevemos em editais online nossos espetáculos, nossos cursos, oficinas. Costuramos, bordamos, chuleamos, cavamos, plantamos… 

A curadoria do Luz Negra foi feita em que bases?

Dentro da base emergencial. Pouco tempo para tudo. Não dava para criar um conceito único ou basilar. Mas tínhamos e temos um objetivo que era a da valorização das produções pernambucanas, pois edital do LAB é local e teríamos que salvaguardar as nossas produções, os nossos artistas. Não deu para nacionalizar o festival como gostaríamos, mas trouxemos dois espetáculos bem significativos. Negra Palavra- Solano Trindade e Luz Gama ambos do Rio de Janeiro e de poéticas distintas. Temos também a valorização de jovens e produções periféricas, onde suscitamos o fomento para que artistas de Peixinhos criasse um espetáculo para o festival.  Temos espetáculo com mulheres trans. Temos na programação espetáculo de canto lírico, dança contemporânea, dança popular, dança-teatro. Temos uma palestra com historiador, oficina. O público vai acompanhar um festival de várias poéticas distintas.

O que vocês querem dizer que eu não perguntei?

O que é ancestralidade para vocês ?

Vocês vão responder?

Na verdade, nós perguntamos. É uma pergunta que a gente faz. Porque a gente vem falando o tempo inteiro dentro do nosso festival o que é ancestralidade e aí a gente resolve perguntar para o público e para Satisfeita, enfim, para quem quiser responder. O que é ancestralidade? Essa pergunta é tem um cunho reflexivo, para entender a importância real do nosso festival. 

 

PROGRAMAÇÃO
4º Festival Luz Negra — O negro em estado de representação

Negra palavra – Solano Trindade. Foto: Raphael Elias

Dia 18/03 (quinta) — Abertura

19h — Espetáculo gravado Negra Palavra – Solano Trindade – Coletivo Preto e Companhia de Teatro Íntimo (RJ)
20h — O mesmo espetáculo ao vivo, em novo formato e com audiodescrição.
Corpo, música e poesia são tramadas para refletir a história Solano em seu tempo e a dos homens negros contemporâneos.
Ficha técnica:
Poesias: Solano Trindade
Direção Geral: Orlando Caldeira e Renato Farias
Roteiro: Renato Farias
Elenco: Adriano Torres, André Américo, Breno Ferreira, Drayson Menezzes, Eudes
Veloso, Jorge Oliveira, Leandro Cunha, Lucas Sampaio, Orlando Caldeira, Rodrigo
Átila e Thiago Hypólito
Direção Musical: André Muato
Direção de Movimento: Orlando Caldeira
Direção de Atores: Drayson Menezzes
Assistente de Direção: Thati Moreira
Direção de Arte: Raphael Elias
Assistente de Arte: Julia Marques
Figurino: Julia Marques
Idealização: Renato Farias
Produção: Saideira Produções
Realização: Coletivo Preto e Companhia de Teatro Íntimo
Classificação etária: 12 anos.

Orun Santana. Foto:  Amanda Pietra 

Dia 19/03 (sexta)

20h — Espetáculo Meia-noite – Orum Santana (PE)
A relação do bailarino Orun Santana com seu pai Mestre Meia Noite, nome artístico de Gilson Santana, movimenta o espetáculo Meia-Noite a partir da capoeira. Das memórias dos corpos, Orun foi buscar na performance solo do pai e mestre artístico, feita para o espetáculo Nordeste, do Balé Popular do Recife, a inspiração para a prática indentitária dos corpos políticos, ousados, buliçosos e inconformados.
Ficha técnica
Intérprete-criador e diretor: Orun Santana
Consultoria artística: Gabriela Santana e Janaina Gomes
Trilha Sonora: Vitor Maia
Iluminação: Natalie Revorêdo
Produção: Danilo Carias/Criativo Soluções
Cenografia: Victor Lima
Classificação etária: 10 anos

Agrinez Melo em Cordel do amor sem fim. Foto: Divulgação

Dia 20/11 (sábado)

20h — Espetáculo Cordel do Amor sem fim – O Poste Soluções Luminosas (PE)
Na cidade de Carinhanha, sertão baiano, às margens do rio São Francisco, três irmãs convivem com suas diferenças – a misteriosa Madalena, a dissimulada Carminha e a jovem Tereza – por quem José é apaixonado. Mas a vida não é tão simples assim. Carminha sonha com José, que ama Tereza que nutre esperança da volta de Antônio, um viajante forasteiro. Nesse compasso de espera, a vida testa a paciência de cada um dos personagens.
Ficha técnica:
Texto: Claudia Barral
Encenação e Cenografia: Samuel Santos
Produção: O Poste Soluções Luminosas
Atrizes e ator: Agrinez Melo, Roberta Marcina, Naná Sodré e Madson de Paula
Preparadora Vocal: Naná Sodré
Preparador de Canto: Diogo Lopes
Concepção de Figurino: Agrinez Melo
Diretor de Arte: Fernando Kehrle
Design de Luz: Samuel Santos
Operação de Luz: Samuel Santos
Sonoplastia, violão, Efeitos, instrumentos de bambu Didgeridoo: Diogo Lopes
Efeitos Percussivos: O elenco
Classificação etária: 12 anos

A boneca Ester manipulada pela atriz Odília Nunes . Foto Divulgação

Dia 21/03 (domingo)

10h — Espetáculo infantil Ester – Odília Nunes (PE)
* Com intérprete de libras.
A peça Ester é curtinha, mas chega como um afago aos nossos sentidos tão cansados. A boneca Ester tem apenas 18 centímetros de altura e o sentimento do mundo. Manipulada pela atriz Odília Nunes, a intervenção teatral se derrama em poesia. Do seu teatro portátil – uma caixa-teatro-realejo, Ester semeia esperanças, faz chover e colhe flor.
Ficha técnica:
Criação geral: Odília Nunes
Confecção da boneca: Genifer Guerard
Câmera: Fran Marinho
Classificação: livre.

A atriz Jhanaina Gomes segue em busca de sua ancestralidade

18h — Espetáculo Mi madre – Jhanaina Gomes (PE)
A artista Jhanaina Gomes foi buscar nas imagens e histórias narradas durante sua infância o material para o espetáculo solo de dança teatro. Dessa memória ancestral ela constrói uma partitura de mulheres fortes, mas feridas no percurso em tensão com a presença masculina e retraça uma convergência com seus próprios passos
Ficha técnica:
Produção executiva: Jhanaina Gomes, Arnaldo Rodrigues e Maria da Conceição
Direção, concepção, dramaturgia, cenografia e coreografia: Jhanaina Gomes
Intérprete: Jhanaina Gomes
Comunicação visual: Júnior Melo
Fotos: Morgana Narjara
Figurino: Aline Lohou
Iluminação: Dado Sodi
Classificação etária: 18 anos

Dia 22/03 (segunda)

9hOficina teatral – O Poste Soluções Luminosas (PE).
Atividade de formação artística que tem como objetivo inserir o participante no universo teatral, utilizando sua presença física e mental em estado de representação artística, buscando desenvolver técnicas e vivências para os atores/intérpretes dentro de uma dimensão transcultural.
Oficineiros: Agrinez Melo, Naná Sodré e Samuel Santos
Carga Horária: 3 horas
Público-alvo: pessoas a partir dos 14 anos
Local: Plataforma digital
Vagas: 20
Inscrições: oposte.oposte@gmail.com

20h — Espetáculo de dança Sem Carnaval – Guerreiros do Passo (PE)
* Contará com intérprete de libras.
Concebido para homenagear foliões e foliãs que passaram este 2021 sem os festejos de Momo, o vídeo Sem Carnaval mostra uma reportagem sobre as ações desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisas e Ações em Frevo Guerreiros do Passo. O coletivo atua há 15 anos no Recife, mantendo a metodologia do Mestre Nascimento do Passo.

Ficha técnica:
Passistas: Lucélia Albuquerque, Carlos Mascena (Limão), Laércio Olímpio, Valdemiro Neto e Jamerson Júnior.
Roteirização: Eduardo Araújo e Lucélia Albuquerque
Direção, captação de imagens e fotografia: Eduardo Araújo
Música: Suíte Nordestina (Maestro Duda)
*Reportagem da TV Globo exibida no carnaval de 2018, no programa Carnaval de Pernambuco.
Classificação: Livre

Dia 23/03 (terça)

19h — Espetáculo Faca – Grupo O tabuleiro de Teatro (PE)
Faca é um monólogo de Ingrid Martins, com relatos verídicos de mulheres que sofreram violência, psicológicas, sexuais, físicas, morais. É o primeiro espetáculo do grupo O Tabuleiro de Teatro
Ficha técnica:
Texto: Ingrid Martins
Atriz: Rizo Silva
Sonoridade: Carlinhos Aril
Iluminação: Leo Batista
Direção: Felipe Vidal
Produção: Grupo O tabuleiro de teatro
Classificação: 18 anos

20h — Espetáculo Histórias bordadas em mim – Doce Agri (PE)
sentada em um baú, a atriz conta histórias que viveu. Inspirada em uma pesquisa no griot (povo ancestral africano que passava conhecimento através da oralidade), ela alicerça sua narrativa em técnicas do teatro físico, valorizando a matriz ancestral africana através da energia do Orixás.
Ficha técnica:
Dramaturgia, direção e atuação: Agrinez Melo
Assessoria em Dramaturgia: Ana Paula Sá
Assessoria em Direção: Naná Sodré, Quiercles Santana e Samuel Santos
Concepção Musical: Talles Ribeiro
Execução da Sonoplastia: Talles Ribeiro
Assessoria em toadas: Maria Helena Sampaio (YaKêkêrê do Terreiro Ilê Oba Aganju Okoloyá)
Concepção Maquiagem: Vinicius Vieira
Concepção Figurino: Agrinez Melo
Execução Figurino: Agrinez Melo e Vilma Uchôa
Aderecista: Álcio Lins
Cenotécnico: Felipe Lopes
Designer: Talles Ribeiro
Filmagem do espetáculo na integra: I Pele Ti Odun
Classificação: 12 anos

24/11 (quarta)

18h30 — Palestra Ó pretos, nada de negócios de brancos!: sociabilidades, cultura e participação dos homens de cor no processo de fundação do Estado e da Nação. – Flávio Cabral (PE)
Flavio Cabral é historiador, doutor em História pela UFPE, professor de História da Graduação e do Programa de Pós-Graduação na Unicap. Dedica-se à História de Pernambuco e aos temas ligados à Formação do Estado Nacional. Publicou vários livros e artigos em revistas científicas nacionais e internacionais.
Classificação: Livre

25/03 (quinta)

18h30Oferenda — Recital de canto lírico – Anastácia Rodrigues (PE)
O recital é fruto de pesquisa, vivência e estudo que norteiam o trabalho da mezzosoprano recifense Anastácia Rodrigues. Um olhar de profundo respeito e pertencimento aos povos originários e africanos que deixaram um acervo vivo inestimável e que de alguma forma foi registrado, ou lembrado em partituras. A performance contará com a instrumentação inédita para este formato: Emerson Rodrigues no vibrafone, Sônia Guimarães no ilú.
Ficha técnica:
Canto, agbê: Anastácia Rodrigues
Xilofone, vibrafone: Emerson Rodrigues
Tambor de fala, ilú, motor d´água, maracá: Sonia Guimarães
Classificação: Livre

Espetáculo A Receita, com Naná Sodré. Foto: Thais Lima

19h — Espetáculo A Receita – O Poste Soluções Luminosas (PE)
Uma mulher num processo de libertação. A anônima confessa como passou a maior parte do tempo temperando suas ilusões com sal, alho e coentro com cebolinha… Morte, violência, loucura e a intolerância de uma maneira peculiar são narradas nesse solo explorando diversos pontos de vistas.
Ficha técnica:
Atuação e maquiagem: Nazaré Sodré
Autor, diretor, figurinista, sonoplasta e iluminador: Samuel Santos
Técnica em artes marciais: Mestre Sifu Manoel Ramos
Classificação: 18 anos

Naná Sodré e Agrinês Melo. Foto: Lucas Emanuel/Divulgação

26/03 (sexta)

20h — Espetáculo Ombela – O Poste Soluções Luminosas (PE)
Ombela (a chuva) após cair resolve deixar duas gotas que se transformam em duas entidades. Essas Ombelas inventam rios e desdobram-se ao som do vento e a cada gota faz nascer ou morrer coisas, gente e sentimentos. A peça além de ser interpretada em português tem partes faladas e cantadas na língua africana de Angola, Umbundo.
Ficha técnica:
Texto: Manuel Rui
Encenação, cenografia e plano de luz : Samuel Santos
Desenho de cenografia. Douglas Duan
Atrizes: Agrinez Melo e Naná Sodré
Consultoria/Estudos em Antropologia: Daniele Perin Rocha Pitta
Composição de trilha sonora: Isaar França
Preparação musical: Surama Ramos
Preparação Dança do Jarro: Sylvya Olyveyra
Concepção de figurino e execução: Agrinez Melo
Contra- regra e Video Maker: Talles Ribeiro
Identidade Visual: Curinga Comuniquê e Vicente Simas
Plano de Maquiagem: Naná Sodré
Produção: O Poste Soluções Luminosas
Classificação: 18 anos

Periferia quebra tudo, com jovens de Peixinhos, bairro do Recife. Foto. Thales Ribeiro / Divulgação

27/03 (sábado)

17h — Espetáculo Periferia quebra tudo – Jovens de Peixinhos (PE)
O espetáculo de dança Periferia Quebra Tudo é pautado pela experiência de quatro jovens pretos, periféricos, participantes de movimentos culturais desenvolvidas na comunidade de Peixinhos. Com coreografias de afro, afoxé, coco, passinho e brega funk, eles querem mostrar o que acontece na comunidade. As cenas foram gravadas no Nascedouro de Peixinhos.

Ficha técnica:
Bailarinos e coreógrafos: Fabilio Silva, Luana Vitória, Nandis Vasconcelos e Victor Vicente
Edição musical: Fabilio Silva
Agradecimentos: Balé Afro Raízes, Festival Luz Negra, Ioneide da Silva, Marcos Júnior, Paulo Queiroz e Projeto Artes da Gente -PJMP –JCC
Classificação: Livre

Espetáculo: Luiz Gama Foto: Vivian Fernández

20h — Espetáculo Luiz Gama: uma voz pela liberdade – MS Eventos (RJ)
Jornalista, poeta e advogado abolicionista, Luiz Gama libertou mais 500 escravos do cativeiro ilegal. É a sua biografia que é encenada na peça Luiz Gama: uma voz pela liberdade, que traça um paralelo entre as lutas de ontem e hoje contra as desigualdades.
Ficha técnica:
Dramaturgia: Deo Garcez
Direção, figurino e cenografia: Ricardo Torres
Elenco: Deo Garcez e Soraia Arnoni
Áudio de apresentação (voz): Milton Gonçalves
Trilha sonora: Deo Garcez e Ricardo Torres
Iluminador: Mário Seixas, Vinícius Gaspar e Alan Leite
Operador de luz: André Calazans
Técnico de som: Tom Rocha
Operador de som: Ricardo Torres
Produção: MS Events
Produção executiva: Alan de Jesus e Mário Seixas
Coprodução: Olhos D´Água e Nova Criativa
Programação Visual: Mário Seixas
Caracterização [barba]: Márcia Elias
Assessoria de imprensa: Alan de Jesus e Márcia Araújo
Fotos: Jean Yoshii, Vivian Fernández, Maurício Code e Valmyr Ferreira
Classificação indicativa: 12 anos

Ubuntu. Foto Leandro Lima

28/03 (domingo)

10h — Espetáculo Ubuntu: uma linda aventura na floresta afrobrasilândia infantil – São Gens Produções, Palafittas Produções e Ya Orun Produções (PE)
A criação do mundo a partir do olhar africano. Entoada pelos sons, ritmos, cores, músicas e muito axé, a montagem apresenta duas lindas flores pretas, que vivem num colorido jardim na floresta Afrobrasilândia, mas que se questionam todos os dias porque suas cores não estão representadas no arco íris. E elas decidem desbravar toda floresta em busca da resposta.
Ficha técnica:
Inspirado na obra de Raul Loudy
Dramaturgia: Coletiva
Encenação: Anderson Leite.
Direção Musical: Helio Machado
Elenco: André Lourenço, Brunna Martins, Clau Barros, Halberys Morais e Monique Sampaio.
Músicos: Dinho Dumonte e Helio Machado.
Cenário: Anderson Leite
Figurino: André Lourenço
Mascareiro/Bonequeiro: Alex Apolônio
Iluminação: Anderson Leite
Adereços: Anderson Leite, André Lourenço.
Produção Cultural: Anderson Leite e Halberys Morais.
Produtora Executiva: Elis Hellen
Realização: São Gens Produções, Palafittas Produções e Ya Orun Produções.
Classificação: Livre

18h — Espetáculo Transpassar | Coletivo Agridoce (PE)
Um conto sobre sonhos perdidos por causa da violência e do preconceito, sobre a solidão da mulher trans, e sobre os problemas sociais passados por esse corpo em transição, como ele é visto e marginalizado pela sociedade. Tudo pela perspectiva de uma garota que tem o sonho de ser tirada para dançar.

Ficha técnica:
Dramaturgia e direção: Sophia William
Colaboração dramatúrgica: Aurora Jamelo
Direção artística: Sophia William e Aurora Jamelo
Sonoplastia: Flávio Moraes
Desenho de luz: Natalie Revorêdo
Execução de luz: Nilo Pedrosa
Figurinos: Sophia William e Aurora Jamelo
Preparação de elenco: Sophia William
Preparação de voz: Flávio Moraes
Argumento: Sophia William
Visagismo: Aurora Jamelo
Social media: Nilo Pedrosa
Produtor técnico: Igor Cavalcante Moura
Fotos: Any Stone
Realização: Coletivo de dança-teatro Agridoce
Classificação: 12 anos

SERVIÇO:
Festival Luz Negra – O negro em estado de representação
De 18 a 28 de março, no perfil O Postes Soluções Luminosas, no YouTube (http://bit.ly/canaloposte)
Todas as ações serão gratuitas. Duas delas contarão com intérprete de libras e uma com audiodescrição.

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“Os ratos não estão no porão”,
uma provocação em
videodança de Mônica Lira

Mônica Lira questiona as políticas públicas para as artes. Foto: Ivan Dantas / Divulgação

Em trabalho solo, mas com uma grande equipe nos bastidores, a artista reflete inquietações atuais. Foto: Ivan Dantas

Com o sugestivo título Os ratos não estão no porão, a diretora, coreografa e bailarina do Grupo Experimental, do Recife, Mônica Lira elabora uma inquietante reflexão sobre as políticas públicas e os sacrifícios que artistas exercem para garantir a mínima dignidade de seus trabalhos. A videodança solo dessa artista pernambucana assume-se como um “manifesto” dançado, no intuito de explicitar o descaso que os artistas sofrem no cenário pandêmico e as angústias vividas por muitos, que fazem parte da cadeia cultural.

Financiado pela Lei Aldir Blanc, no edital de Criação, Fruição e Difusão do Governo de Pernambuco, a videodança estreia nesta terça, 16 de março, às 19h, em uma live no Instagram do grupo (@grupoexperimental).

“Ser um trabalhador
de arte é, antes
de tudo, indagar o
tempo presente e
questionar o tempo
futuro”.

Mônica Lira dança um desassossego antigo: o desamparo do trabalhador de arte. Para isso desenha em movimentos a própria labuta, repleta de inseguranças, enigmas e abandono vivido pelo setor cultural, que mesmo diante dos recursos das leis emergenciais, fica refém dos governantes e de suas vontades políticas.

A obra Os ratos não estão no porão foi concebida num casarão antigo do bairro do Recife, sem teto, Rede Moinho, que sedia o atelier a céu aberto do artista Sérgio Altenkirch, também cenógrafo da obra. A videodança faz uma analogia irônica da reexistência do artista contemporâneo, que encara um panorama de extrema vulnerabilidade.

“O grupo Experimental carrega
muita história e muita gente,
e todas elas estão comigo na
poesia e nas narrativas desse
trabalho”,

A própria Mônica relata as adversidades, sem perspectivas, que enfrenta com seu grupo: “Antes da pandemia fomos para as ruas com a nossa obra Pontilhados, um passeio dançado por algumas cidades com um elenco de quase 20 artistas. Há quase 3 anos ficamos sem teto, sem a casa desse corpo Experimental, onde podíamos criar, dançar, pesquisar, fazer aulas, assistir espetáculos e realizar projetos. E agora, neste momento sem horizontes, como continuar dançando?”, indaga.

A arte de Os ratos não estão no porão quer provocar as pessoas a pensarem nos motivos de termos chegado a esse lugar de incertezas e sofrimento. “Ser um trabalhador de arte é, antes de tudo, indagar o tempo presente e questionar o tempo futuro. E sendo assim, como poderemos viver, continuar a existir, quando opera no nosso país uma política que pode nos exterminar?”. Pergunta que não quer calar.

FICHA TÉCNICA:
 
Concepção, direção geral, figurino e intérprete: Mônica Lira
Direção artística e figurino: Rafaella Trindade
Direção de fotografia, câmera e montagem: Silvio Barreto
Desenho cenográfico e criação das peças: Sérgio Altenkirch
Desenho de luz e execução: Beto Trindade
Produção e assistente de iluminação: Caio Trindade
Ambiente sonoro e trilha original: Diego Drão e Ivo Thavora
Registro fotográfico: Ivan Dantas
Locação filmagem: RedeMoinho da Ilha (Sergio Altenkirch)
Design gráfico: Carlos Moura
Assessoria de comunicação: Marta Guimarães

SERVIÇO:
Lançamento do videodança: Os ratos não estão no porão
Quando: Terça-feira, 16 de março, 20h
Onde: Instagram do Grupo Experimental – @grupoexperimental

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