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Retrô 2011

Os artistas aguardaram: apoio, resultados dos editais atrasados, pagamento de fomentos. Como – ainda bem-diz a música de Marcelo Camelo (Casa pré-fabricada), “nessa espera, o mundo gira em linhas tortas”. Os caminhos não serem retos não é, definitivamente, ruim para a arte. Se o atraso no resultado do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura) prejudicou a cena teatral pernambucana em 2011, serviu também ao propósito de mostrar que o teatro continua sendo uma arte de resistência; e que é possível sim levar ao palco produções de qualidade, a duras penas, mesmo sem incentivos oficiais. Para 2012, se as promessas e os prazos de editais forem realmente cumpridos, é bem provável que tenhamos um panorama de peças mais amplo, pelo menos em quantidade. Qualidade não foi o problema.

No Janeiro de Grandes Espetáculos, que começa na próxima quarta-feira, teremos pelo menos três estreias: Aquilo que meu olhar guardou para você, do grupo Magiluth, Caxuxa, da Duas Companhias, e O pássaro de papel, com direção de Moncho Rodriguez e produção de Pedro Portugal e Paulo de Castro. Para o Magiluth, que tem sete anos de atividades, 2011 foi um ano de aprimoramento e, mais ainda, de alargar as possibilidades criativas. Estrearam a peça O canto de Gregório, sem apoio estadual ou municipal, “o que não é um mérito, é porque fazer teatro é mais forte do que a gente, mas é muito difícil”, conta Pedro Wagner, que interpreta Gregório. Ainda participaram do projeto Rumos Itaú Cultural, que possibilitou, através de edital, intercâmbios entre grupos.

Magiluth vai estrear Aquilo que meu olhar guardou para você. Foto: Thaysa Zooby

O Magiluth trabalhou com o Teatro do Concreto, de Brasília. E daí surgiu o novo espetáculo, que tem direção de Luis Fernando Marques, do grupo paulista XIX de Teatro. O grupo passa por um momento limite. “Eles já não são um grupo ‘de novos’. E precisam se manter. Espero que eles consigam esse equilíbrio de produção. Além de ser artista, tem que ter estrutura de produção, gestão”, complementa o professor Luís Reis.
Caxuxa, outra estreia, é uma remontagem, uma adaptação do texto de João Falcão. “Foi uma ideia de Claudio Ferrario. Fizemos essa peça, um musical, há 20 anos”, conta Lívia Falcão, que fez parte do elenco de Divinas, ao lado de Fabiana Pirro e Odília Nunes, que estreou ano passado.

Luiza Fontes, Regina Medeiros e Sofia Abreu estão no elenco de O pássaro de papel. Foto: Pedro Portugal

Ao longo de 2012, outras produções estão previstas. Jorge de Paula, Thay Lopes e Kleber Lourenço devem trabalhar a partir de um texto de Luiz Felipe Botelho, com direção de Tiche Vianna, do Barracão Teatro, de Campinas. Rodrigo Dourado está na direção de Olivier e Lili – Uma história de amor em 900 frases, que tem no elenco Fátima Pontes e Leidson Ferraz. A Cênicas Companhia de Repertório, que fez o infantil Plutf – O fantasminha, está em fase de pré-produção do espetáculo baseado na formação de clowns, e deve montar outro infantil.

Cinema é uma coprodução entre a Cia Clara e o Espaço Muda. Foto: Nilton Leal

Jorge Féo, do Espaço Muda, está trabalhando em parceria com Anderson Aníbal, da Cia Clara, no projeto Cinema, com estreia prevista para abril. A Fiandeiros deve abrir o seu espaço, na Boa Vista, para a realização de temporadas, planeja fazer o infantil Vento forte para água e sabão, e ainda vai lançar o Núcleo de Teatro Novelo, com alunos saídos dos cursos ministrados pela companhia. Breno Fittipaldi e Ana Dulce Pacheco devem estrear, em maio, Encontro Tchekhov, também sem incentivos.

– Colaborou Tatiana Meira

Alguns registros:

Carla Denise fez documentário sobre Hermilo Borba Filho

Leda Alves, viúva de Hermilo Borba Filho, acalenta o projeto de lançar um livro sobre a obra de Hermilo e o Teatro Popular do Nordeste (TPN). “Seria uma obra envolvendo vários pesquisadores”, conta. No último mês de dezembro, a dramaturga e jornalista Carla Denise lançou o DVD Coleção Teatro – Volume 3 – Hermilo Borba Filho, que além de entrevistas com atores, diretores, pessoas que conviveram com Hermilo, traz ainda uma entrevista antiga com o próprio diretor.

O livro TAP – Sua cena & sua sombra: O Teatro de Amadores de Pernambuco (1941-1991), de Antonio Edson Cadengue, foi lançado em novembro. Esse regaste, fundamental para entender a trajetória do teatro em Pernambuco, está disponível em edição rica em detalhes e fotos. Outra publicação importante foi o livro Transgressão em 3 atos: Nos abismos do Vivencial, escrito por Alexandre Figueirôa, Stella Maris Saldanha e Cláudio Bezerra.

O Teatro Experimental de Arte de Caruaru comemora 50 anos em 2012 com muitos motivos para comemorar. Se neste ano o Festival de Teatro do Agreste (Feteag) não ocorreu por falta de apoio e recursos, a Câmara Municipal de Caruaru já aprovou, no mês de novembro, uma verba de R$ 100 mil para que a mostra seja realizada. O grupo deve ainda estrear O pagador de promessas e lançar um livro. Neste ano, pela primeira vez, o TEA participou do Festival de Curitiba.

A publicitária Lina Rosa Vieira está com a agenda lotada para 2012. Em junho, o Festival Internacional de Teatro de Objetos (Fito) será realizado em Belo Horizonte e deve passar por Florianópolis e Curitiba. Está quase certo que o Fito, que foi sucesso de público no Marco Zero, seja realizado aqui, em setembro, trazendo o espetáculo francês Transports Exceptionnels. Já está confirmado é que o Sesi Bonecos do Mundo virá a Pernambuco em novembro.

Lina Rosa Vieira deve trazer o Sesi Bonecos do Mundo e o Fito novamente ao Recife


Pé na estrada

O compromisso com o teatro de grupo está levando as produções pernambucanas para outras cercanias. Não são peças organizadas apenas para cumprir uma temporada, mas fruto da pesquisa, da investigação de uma linguagem e estéticas próprias de cada coletivo. O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas, que estreou em 2010, da Trupe Ensaia Aqui e Acolá, rodou vários festivais do país e deve circular em 2012.

O grupo já está em fase de pesquisa para o novo projeto, que encerra a trilogia em homenagem ao diretor e professor Marco Camarotti. “Crescemos esteticamente. Começamos como um coletivo, mas não tínhamos organização de grupo, gestão. E conseguimos perceber o quanto isso é importante. Nós nos mobilizamos e conseguimos levar o público ao teatro”, conta o diretor Jorge de Paula.

Já o grupo O Poste Soluções Luminosas está comemorando a aprovação nos editais do Myriam Muniz e Procultura, que vão possibilitar que o espetáculo Cordel do amor sem fim, que estreou também em 2010 e passou por vários festivais, faça circulação por lugares cortados pelo Rio São Francisco. Nessas cidades, o grupo também fará formação e já deve começar a pesquisar sobre os jogos e brincadeiras das crianças do Nordeste e as africanas.

Circuito

Valmir Santos, curador deste ano do Festival Recife do Teatro Nacional, fez uma mostra ousada. Em vez de trazer grupos renomados, que de alguma forma sempre fazem parte do festival, como o Galpão e a Armazém Companhia de Teatro, optou por trazer peças que dificilmente viriam ao Recife, por conta da falta de apoio e das distâncias, e que compõem o repertório de alguns grupos com propostas e trabalhos estéticos interessantes. Vimos por aqui, por exemplo, duas montagens que depois foram premiadas pela Associação Paulista de Críticos de Arte: Luis Antonio – Gabriela, da Cia Munguzá, e O jardim (Cia Hiato).

O Jardim, da Cia Hiato, de São Paulo, emocionou o público. Foto: Ivana Moura

Ainda assim, os grupos tradicionais não deixaram de vir ao Recife. A Armazém trouxe o novo trabalho Antes da coisa toda começar; bem antes disso, Marieta Severo e Andrea Beltrão apresentaram, finalmente, a peça de Newton Moreno, com direção de Aderbal Freire-Filho, As centenárias; Marco Nanini trouxe sua premiada Pterodátilos; e Júlia Lemmertz, Paulo Betti e Débora Evelyn vieram ao Recife com Deus da carnificina.

Para 2012, a produtora Denise Moraes já promete novas produções. Velha é a mãe, com Louise Cardoso e Ana Baird, e direção de João Fonseca, deve ser apresentada no Recife de 9 a 11 de março, no Teatro de Santa Isabel. Já de 11 a 13 de março, Denise Fraga encena Sem pensar, direção de Luiz Villaça.

Muitos planos, pouco tempo

Muitas promessas e projetos, mas um prazo apertado. Afinal, este ano é de eleição municipal. Só no último mês de agosto, o diretor de teatro Roberto Lúcio assumiu oficialmente a Gerência Operacional de Artes Cênicas da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, e agora a correria é grande para que os projetos possam sair do plano das ideias. No fim de novembro, a gerência fez uma reunião com a classe (João da Costa nem de longe tem a aprovação dos artistas, como ficou claro nesse encontro). Maria Clara Camarotti, gerente de serviço de teatro, apresentou um plano que contempla, entre muitas ações, um seminário de políticas públicas para as artes cênicas, o lançamento de edital específico para ensaios dos grupos nos equipamentos da prefeitura, a elaboração de uma proposta de criação de uma escola técnica (que será apresentado ao governo do estado), a realização do Mascate: Mercado das Artes Cênicas, ações formativas em gestão, produção e elaboração de projetos, e a realização do Fórum dos Teatros.

Perdemos

José Renato Pécora
Faleceu em maio, aos 85 anos. Fundador do Teatro de Arena de São Paulo e responsável pela peça Eles não usam black-tie, que marcou os anos 1950. Morreu após sessão de 12 homens e uma sentença, dirigida por Eduardo Tolentino.

No mês de agosto, perdemos Ítalo Rossi


Ítalo Rossi

Mais de 400 montagens e 50 anos de carreira estão no legado de Ítalo Rossi, que morreu aos 80 anos, em agosto. Nascido em Botucatu, em São Paulo, seu último personagem foi no humorístico Toma lá dá cá, da Globo.

Enéas Alvarez
Jornalista, crítico de teatro, ator do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), advogado, padre da Igreja Siriana Ortodoxa de Olinda, Enéas Alvarez morreu aos 64 anos, em 21 de novembro. Há 20 anos, sofria com problemas de saúde agravados pela obesidade.

Sérgio Britto
Considerado um mestre do teatro brasileiro, o ator e diretor Sérgio Britto faleceu no dia 17 de dezembro, de problemas cardiorrespiratórios. Tinha 88 anos e 60 anos de carreira. Atuou e dirigiu mais de 130 peças e apresentava na TV o programa Arte com Sérgio Britto.

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Forró e poesia

Cante lá que eu canto cá abriu a V Mostra Capiba de Teatro. Foto: Rodrigo Moreira/ Divulgação

Festival de teatro é momento não só para aprimorar o olhar cênico, para ver montagens de diferentes estilos e lugares, para discutir dramaturgia, direção, elenco. É também uma celebração. Sendo assim, a V Mostra Capiba de Teatro começou muito bem. Ao som do forró e da poesia de Patativa do Assaré com o espetáculo Cante lá que eu canto cá, da Cia do Tijolo, de São Paulo.

O mesmo grupo foi o responsável por uma das melhores experiências que tive no teatro este ano. Em maio, eles vieram ao Recife dentro da programação do Palco Giratório, para apresentar Concerto de ispinho e fulô. Na realidade, Concerto… é a montagem resultante do show que eles apresentaram agora no Capiba.

As declamações da poesia de Patativa são entrecortadas por músicas de diferentes compositores cantadas ao vivo, como Qui nem jiló. “Se a gente lembra só por lembrar / Do amor que a gente um dia perdeu/ Saudade inté que assim é bom / Pro cabra se convencer/ Que é feliz sem saber/ Pois não sofreu / Porém, se a gente vive a sonhar/ Com alguém que se deseja rever/ Saudade intonce aí é ruim/ Eu tiro isso por mim/ Que vivo doido a sofrer”.

Na banda, um sanfoneiro de São Paulo (e não é que lá tem sanfoneiro do bom?) Aloísio Olivier, Jonathan Silva (violão) e Maurício Damasceno (percussão e bandolim). O elenco tem Dinho Lima Flor, Rodrigo Mercadante, Karen Menatti, Fabiana Barbosa e Thaís Pimpão. A direção geral é de Rodrigo Mercadante.

As músicas servem ao propósito de criar correspondências temáticas e estilísticas com a obra de Patativa, poeta que nunca saiu do Ceará, mas conseguiu transformar os seus versos em espelhos de realidades muito maiores. E olhe que nem precisou de estudo para isso. A sabedoria popular não tem mesmo uma ligação direta com os bancos das escolas. Nem mesmo com os sentidos, já que Patativa era cego – mas enxergava como ninguém esse Sertão de meu Deus.

O show é o embrião de uma dramaturgia costurada com muita proeza em Concerto de ispinho e fulô, de uma interpretação que é viva, pulsante. As experiências, como a participação do público e as memórias dos artistas transformadas na dramaturgia, são apenas relances do que acontece na montagem.

Dá para perceber que o show não abarcou o mergulho que esses atores tinham dado na obra de Patativa do Assaré. O encantamento e, sobretudo, o diálogo que travaram com os versos do cearense ganharam a proporção devida em Concerto (que não foi apresentada no Capiba por falta de espaço). Cante lá que eu canto cá é só um pedacinho de bode assado quando a fome é grande; o cheiro de baião de dois na panela; o gostinho da primeira lapada de pinga.

Para quem quer mesmo se embriagar, o grupo apresenta Concerto de ispinho e fulô, se não me engano, em Triunfo e Arcoverde. Vou saber a agenda direitinho e digo a vocês.

Dinho Lima Flor como Patativa do Assaré

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Ói Nóis Aqui Traveiz ficou para a próxima…

Ivonete Melo falando na coletiva de imprensa do anúncio da programação. Foto: Val Lima/Divulgação

“Porque a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz não veio ao festival?” Essa foi a minha primeira pergunta ontem, na coletiva de imprensa do anúncio da programação do Festival Recife do Teatro Nacional, no Teatro Hermilo Borba Filho. Nós vimos o novo espetáculo do grupo, Viúvas – performance sobre a ausência, no festival Porto Alegre em Cena. E ficamos felizes em saber que o grupo provavelmente voltaria ao Recife para apresentar a montagem em Peixinhos, que foi onde esse projeto começou a ser idealizado. Lá em Porto Alegre, a encenação era numa ilha.

Viúvas - Performance sobre a ausência começou a ser idealizado no Recife

Postei uma foto de Viúvas e uma legenda dizendo que o espetáculo não vinha por conta de agenda. Mas o curador do festival Valmir Santos fez um comentário no post dizendo que “é improcedente a informação de que a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz não vem ‘por conta de agenda’. Foram nove meses de articulação junto a esses artistas. Eles sempre tiveram empenhados para que Recife recebesse a residência com oficina em seis regiões mais as sessões, numa delas, de Viúvas – Performance sobre a Ausência. Infelizmente, o Festival não teve condições de acolher o projeto como idealizado”. Valmir ainda está em São Paulo e, portanto, não participou da coletiva de imprensa.

Então resolvi transcrever exatamente o que foi dito pelo coordenador do festival Vavá Schön-Paulino – para esclarecer (ou suscitar mais dúvidas):

“Infelizmente, o Viúvas não vem. É uma dor, mas são os problemas da produção e da tentativa de harmonização de um festival que tem tempo definido e com as agendas dos grupos. Nesse sentindo, da nossa tabela original, nós perdemos dois grupos: o Ói Nóis Aqui Traveiz que viria com Viúvas e com uma oficina que seria voltada para a descentralização, para as RPA’s e também perdemos o Teatro Máquina, do Ceará. O Teatro Máquina perdemos assim de última hora, há uma semana. E Valmir teve que correr para substituir, foi quando entrou o Olodum. Então, o Ói Nóis Aqui Traveiz não pode vir por conta de problemas da agenda deles com as nossas datas e também ficou muito imprensado, porque também haveria uma demanda muito grande para a produção da oficina e eles assumiram também um compromisso lá com o estado do Rio Grande do Sul. Apareceu para eles uma atividade para ser feita no interior, o que impossibilitava eles estarem aqui. Porque para fazer o Viúvas e a oficina eles tinham que chegar aqui em Recife 15 dias antes do festival começar, no início de novembro e só ir embora depois. Então não dava para cobrir esses compromissos que apareceram lá no Rio Grande do Sul. Para quem não sabe, o Ói Nóis tem mais de 30 anos de vida. É um grupo de teatro que tem um compromisso político, eu diria mesmo, usando o jargão da história do teatro, eles fazem um teatro engajado, um teatro político e eles ainda hoje lutam muito no Rio Grande do Sul, tanto na capital Porto Alegre quanto no estado. Então era super importante para eles fazerem isso e aí isso impossibilitou a presença deles aqui, infelizmente. Porque o Viúvas é uma coisa linda, lá eles fazem numa ilha e aqui seria no Nascedouro, aproveitando as ruínas”.

Espetáculo Viúvas foi apresentado em Porto Alegre numa ilha que serviu como cadeia

Ah….faltam apenas cinco dias para o festival começar e o site http://www.frtn.com.br/ainda está com a programação do ano passado. Como o festival pretende agregar mais público, se comunicar, se uma ferramenta tão importante não tem a merecida atenção? Parece que esse ano a avaliação do festival começou um pouco mais cedo….

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Festival Recife anuncia programação

Escuro, da Companhia Hiato, abre o festival

E lá vamos nós rumo ao Festival Recife do Teatro Nacional, que acontece entre os dias 16 e 28 deste mês. A coletiva do anúncio da programação foi realizada esta manhã, no Teatro Hermilo Borba Filho. A curadoria é de Valmir Santos e a coordenação de Vavá Schön-Paulino. O homenageado é o grupo Vivencial e a curadoria optou prioritariamente pelos trabalhos coletivos, sob o tema O desafio convivencial.

Cerimônia de abertura
Homenagem: Grupo de Teatro Vivencial (Olinda, 1974-1983)
Local: Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu
Dia: 16/11 (quarta-feira)
Horário: 20h

Espetáculo: Escuro / Companhia Hiato (SP)
Local: Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu
Dias: 16 e 17/11 (quarta e quinta-feira)
Horário: 21h
Sinopse: Um menino míope com uma estranha capacidade de ouvir segredos passa suas tardes mergulhando na piscina de um clube. Uma senhora recebe a costureira para aulas de natação – sem uma piscina, elas usam pequenas tigelas cheias de água. Um homem convive com a perda da fala enquanto ensaia seu discurso em aquários vazios. Uma professora prepara sua aluna para um torneio esportivo para deficientes. Nele, esses personagens incomuns se cruzam, ameaçados pela chuva iminente e prestes a compartilhar uma pequena tragédia. O segundo espetáculo do núcleo paulista fundado em 2007 se utiliza de uma estrutura bastante comum na dramaturgia audiovisual: narrativas ligadas em redes, fatos convergentes e vidas transpostas. Através de estranhamentos bem-humorados, a montagem de 2009 reflete sobre outras formas de percepção da realidade, outras perspectivas sobre o cotidiano e outras estratégias de comunicação entre as pessoas. O texto abre espaços de irrealidade em um dia de quatro núcleos de personagens, nos anos 1950, ligados por inadequação e perda da linguagem. (www.ciahiato.com.br)

Espetáculo: Oxigênio / Companhia brasileira de teatro (PR)
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Dias: 17 e 18/11 (quinta e sexta-feira)
Horário: 21h
Sinopse: A montagem do final de 2010 introduz no Brasil a obra de Ivan Viripaev, dramaturgo russo de 37 anos nascido na Sibéria e até então inédito no país. A estrutura dessa peça escrita entre 2001 e 2002 tem forte identificação com o trabalho do núcleo em atividade em Curitiba desde 1999. A musicalidade da palavra expressa no texto e a revisão do teatro como forma de contato com a plateia são alguns dos elementos convergentes. A narrativa aborda uma espiral de assuntos contemporâneos como violência, terrorismo, racionalidade, consumismo. Discute tudo isso investigando sobre o que é essencial na existência. A trama parte de um crime passional. Acusado pelo assassinato da própria mulher, um homem do campo é condenado juntamente com sua amante que conhece na cidade. O homem e a amante atendem pelo mesmo nome: Sacha. São eles que estão em cena. Os dois atores surgem acompanhados por dois músicos. Eis a “banda” à qual toca dar conta dessa fábula que discute polêmica e poeticamente os dramas de geração e o que é o “oxigênio” de cada habitante deste planeta. (www.companhiabrasileira.art.br)

Espetáculo: Áfricas / Bando de Teatro Olodum (BA)
Local: Teatro de Santa Isabel
Dias: 18 e 19/11 (sexta-feira e sábado)
Horários: às 19h no dia 18 e às 16h30 no dia 19
Sinopse: Há 21 anos, o núcleo tem construído obras que revelam elementos e estéticas impregnados da riqueza cultural africana, da qual o Brasil é um dos principais herdeiros. O primeiro espetáculo infanto-juvenil do grupo, estreado em 2007, traz à cena o continente africano por meio de suas histórias, seus povos, seus mitos e religiosidades. A peça visita esse universo mobilizada por suprir a escassez de referenciais no imaginário infantil, povoado de fábulas e personagens eurocêntricos. Os personagens revelam o modo de ser, a inerência espiritual, as formas de se relacionar com a natureza, com o sagrado. São características ancestrais que unem o território brasileiro, em especial a Bahia, ao continente negro. Música, dança e cores conjugam um espetáculo poético que tem encantado adultos e crianças por onde circula, despertando em cada um o orgulho da afrodescendência. A encenação deseja despertar a curiosidade de todos para conhecer mais sobre essas raízes fundamentais. O Bando é um dos fortes braços do bloco Olodum na resistência e afirmação da comunidade negra em Salvador. (www.bandodeteatro.blogspot.com)

Espetáculo: Madleia + ou – Doida / Companhia do Chiste PE
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Dias: 19 e 20/11 (sábado e domingo)
Horário: 21h
Sinopse: O Espetáculo apóia-se na colagem teatral, composição de cenas com fragmentos e citações textuais, visuais ou musicais de diferentes épocas e estilos. O ponto de partida é o mito grego Medeia, a neta do sol e rainha de uma terra bárbara que, apaixonada, entrega o tesouro de seu povo ao navegante Jasão. Traída, ela se vinga sacrificando o reino e seus próprios filhos. A fonte primária dessa trama que hoje instiga várias releituras é a obra-prima de Eurípides, cerca de 2.500 anos atrás. Seu texto, mais o da dupla Paulo Pontes e Chico Buarque (a versão Gota D´Água) são estilhaçados pela vizinhança de letras do cancioneiro popularíssimo, os pendores tragicômicos e melodramáticos. O roteiro de Celibi, artista que iniciou a carreira em 1979 no Grupo de Teatro Vivencial, converge para essa modalidade historicamente cara aos palcos brasileiros, pois permitia às companhias apresentar cenas de autores diversos à altura da economia de suas produções ou de acordo com a urgência da época. Um exemplo desse recurso é a peça Liberdade, Liberdade (1965), de Millôr Fernandes e Flávio Rangel, na gênese da ditadura civil-militar no país. (www.companhiadochiste.blogspot.com)

Espetáculo: Cachorro Morto / Companhia Hiato (SP)
Local: Teatro Apolo
Dias: 20 e 21/11 (domingo e segunda-feira)
Horário: 19h
Sinopse: O espetáculo de 2007 é fundador do núcleo interessado em investigar diferentes formas de comportamento, pensamento, compreensão e sensação do mundo como matéria-prima artística. Um autista sabe tudo sobre matemática e quase nada sobre seres humanos – assim como seus pais e professores definitivamente não sabem lidar com suas necessidades especiais. Thiago conhece de cor todos os países do mundo e suas capitais, assim como os números primos até 7.507. Luciana gosta do estado de Massachusetts, mas não entende nada de relações humanas. Maria Amélia adora listas, padrões e verdades absolutas. Aline odeia amarelo e marrom e, acima de tudo, ser tocada por alguém. Sob os próprios nomes, atores mergulham na ficção para emprestar corpos e emoções a uma outra vida e, ao confundir realidade e ficção, nos contam a história de um portador da Síndrome de Asperger. Certo dia, eles encontram o cachorro da vizinha morto no jardim. São acusados de assassinato e presos. Após uma noite na cadeia, decidem descobrir quem matou o animal montando “uma peça de mistério e assassinato”. (www.ciahiato.com.br)

Espetáculo: Descartes com Lentes / Companhia brasileira de teatro (PR)
Local: Teatro de Santa Isabel
Dias: 21 e 22/11 (segunda e terça-feira)
Horário: 17h
Sinopse: Durante a pesquisa para a criação da peça Vida, o núcleo se deparou com o conto homônimo de juventude do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989). Passou a decifrar as estruturas de linguagem, o emaranhado de referências arcaicas, indígenas e filosóficas. Por trás do seu eruditismo, despontam as veias popular, bem-humorada e crítica essenciais ao escritor. Nesse conto-fluxo, ele imagina uma hipotética visita do filósofo francês René Descartes (1596-1650) ao Brasil, convidado pelo conde Maurício de Nassau (1604-1679), de origem alemã e governador da colônia holandesa no Nordeste. Com sua comitiva de cientistas, naturalistas, desenhistas e pintores, Descartes desembarca em Vrijburg, atual Recife, no afã de desvendar e descrever as excentricidades e belezas nativas em contraste com o pensamento cartesiano. Concluído nos anos 1960, o conto é considerado embrião de Catatau, obra-prima do autor. O solo mergulha como náufrago nessa narrativa desenfreada e exercita as interseções com o teatro; a possibilidade de contar essa história através do corpo da atriz e da sua presença manifesta. (www.companhiabrasileira.art.br)

Peças da Companhia Brasileira de Teatro, como a premiada Vida, estão na programação

Espetáculo: Vida / Companhia Brasileira de Teatro(PR
Local: Teatro de Santa Isabel
Dias: 21 e 22/11 (segunda e terça-feira)
Horário: 21h
Sinopse: Exilados numa cidade imaginária, dois homens e duas mulheres fazem parte de uma banda que ensaia para uma apresentação comemorativa do jubileu da cidade. Fechados numa sala vazia, eles convivem entre si e revelam comportamentos, relações, conflitos e histórias. Resultam erupções de suas existências prosaicas, repletas de humor, sensibilidade e um sentido de transformação. A partir da relação dos quatro personagens em mutação – transformando a si próprios e aos outros, assim como ao ambiente que os cerca –, brota e flui uma viagem para a mudança. Mudar ou não conseguir mudar e apenas ver. Com esse argumento simples, o espetáculo traz para a cena o resultado de um longo período de pesquisas sobre a obra do escritor curitibano Paulo Leminski. A peça não é a adaptação de uma obra literária, mas sim um texto original escrito a partir da experiência de leitura e de convivência criativa com os textos do autor e suas referências. Criada por André Abujamra, a trilha sonora promove o encontro de várias referências, em sintonia com o espírito do poeta e de toda a montagem. (www.companhiabrasileira.art.br)

Espetáculo: O Jardim / Companhia Hiato (SP)
Local: Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu
Dias: 22 e 23/11 (terça e quarta-feira)
Horário: 21h
Sinopse: O terceiro Espetáculo criado pelo núcleo estreou em maio deste ano. A narrativa tripartida aborda a memória humana sob os reflexos da perda (em particular o estudo da doença de Alzheimer), do apagamento e da invenção. Em cena, histórias de tempos e espaços diferentes se sobrepõem, criam fricções entre si, se completam ou se contradizem. Essas diferentes perspectivas criam um jogo fractal de reconhecimento e estranhamento das situações apresentadas e reapresentadas de forma vertiginosa. Propõe-se um jogo com a própria memória do espectador que, ao rever uma cena já vista – mas desta vez cheia de lacunas –, é levado a recriar em sua memória os diálogos, é conduzido a reinventar a cena sob seu olhar e lembrança intransferíveis: a subjetividade implícita em cada encontro.
O público é distribuído em três espaços distintos. Sua visão é parcial, já que o cenário de caixas de papelão é construído e reconstruído de modo a criar mundos imaginários, transformar momentos já vistos e fragmentar a fruição da fábula. Tudo isso para expressar, não só estética como dramaturgicamente, o ato criativo que é rememorar. (www.ciahiato.com.br)

Espetáculo: Por Que a Criança Cozinha na Polenta / Companhia Mungunzá de Teatro (SP)
Local: Teatro Apolo
Dias: 23 e 24/11 (quarta e quinta-feira)
Horário: 19h
Sinopse: O espetáculo de 2008 marca o encontro do núcleo paulista, formado dois anos antes, com o diretor – e de ambos com a escritora romena Aglaja Veteranyi (1962-2002). Trata-se de adaptação do romance de mesmo nome em que a autora recria sua memória de infância numa família de artistas de circo. As violências subliminares ou diretas do pai e da mãe, o álcool e a miséria corroboraram uma época de turbulências política e social sob a ditadura Ceausescu, o presidente executado em praça pública após insurreição popular no país do leste europeu, em 1989. Na peça, a mãe se pendura no trapézio pelos cabelos todas as noites. O pai é um palhaço e ateu, diz que “os homens acreditam menos em Deus do que as mulheres e as crianças por causa da concorrência”. A narrativa, por uma adolescente que se defende da degradação sob a ótica infantil, resulta lírica e cruel. No exílio, ao lado da irmã mais velha, ela vê seus ideais despedaçados. “A criança cozinhando na polenta” é um dito romeno equivalente ao “bicho papão” brasileiro. Não é uma obra sobre comida. Tampouco enredo infantil. Ou talvez seja ambos. Mas é diferente. Não é para crianças. (www.ciamungunzadeteatro.blogspot.com)

Espetáculo: Jaguar Cibernético / Coletivo de atores reunidos por Francisco Carlos (SP)
Local: Teatro Marco Camarotti
Dias: 23 e 24/11 (quarta e quinta-feira)
Horário: 21h
Sinopse: Dramaturgo conhecido de leituras realizadas no âmbito do próprio FRTN, em 2007, desta vez será possível conferir o amazonense Francisco Carlos na função cumulativa de diretor, ele que tem formação em filosofia. Da tetralogia filiada ao seu ciclo do “pensamento selvagem”, versando sobre temas indígenas e relações de alteridade entre culturas, são acolhidas aqui duas peças autônomas e encenadas na mesma noite. Em Banquete Tupinambá, um ritual acontece 500 anos atrás. Um sogro, uma noiva, um noivo prisioneiro e um cunhado, canibais, bebem cauim, o “suco-da-memória”, contagiados pela chegada do Jaguar entre trocas e alianças e guerras de vinganças. Em Xamanismo the Conection, uma reunião imaginária de drogados é mediada por um jovem Xamã à espera de cowboy, um traficante que não aparece nunca, enquanto Alice Ecstasy media a relação-inimiga do namorado e do irmão. Através de espelhos, essa figura conecta estudantes de maio de 1968, zapatistas cyborgues, latas de sopas Campbell´s, baile de humanos e animais, as Mademoseilles de Avignon, de Pablo Picasso, e um dândi Jaguar.

Espetáculo: Estar Aqui ou Ali? / Visível Núcleo de Criação (PE)
Local: Terminais de Integração Macaxeira e Barro
Dias: 25 e 26/11 (sexta-feira, Macaxeira e sábado, Barro)
Horário: 18h
Sinopse: Terceiro projeto solo do intérprete-criador pernambucano Kleber Lourenço. Funde as linguagens do teatro e da performance. O processo de elaboração se deu em etapas, desde 2008, através de residências e observações por cidades brasileiras. Foi contemplado no Programa de Candidaturas Internacionais do LAC – Laboratório de Actividades Criativas da cidade de Lagos, em Portugal, onde o artista desenvolveu residência. O espetáculo/intervenção teve cocriação e colaboração dramatúrgica do coreógrafo Jorge Alencar, diretor-artístico do grupo Dimenti, de Salvador. O trabalho busca o diálogo artístico entre corpo e espaço urbano. Maneja conceitos como ressignificação, deslocamento, diluição de fronteiras e territórios físicos e imaginários. Processa no corpo a experiência do trânsito e suas diferentes paisagens. Constrói uma dramaturgia estilhaçada, carnavalizada, já que se percebe (e se encanta) por meio de identificações culturais provisórias, vacilantes e confusas. Navega pelo espaço público e privado, invade corpos disponíveis para construir um guia prático, histórico e sentimental da ocupação. (www.visivelnucleo.blogspot.com)

Espetáculo: Luis Antonio – Gabriela / Companhia Mungunzá de Teatro (SP)

Local: Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu
Dias: 25 e 26/11 (sexta-feira e sábado)
Horário: 21h
Sinopse: O autonomeado documentário cênico abre no ano de 1953 com o nascimento de Luis Antonio, filho mais velho de cinco irmãos. Ele passa infância, adolescência e parte da juventude em Santos, no litoral paulista, até ir embora para a Espanha aos 30 anos. O segundo espetáculo desse núcleo, em cartaz desde março passado, foi construído a partir de acontecimentos e relatos de familiares e amigos do personagem homossexual. O diretor e coautor da peça é seu irmão caçula na vida real. Foi abusado sexualmente pelo próprio e o manteve na sombra por três décadas, até a sua localização no exterior, debilitado pelas drogas e pela Aids. Baskerville assume corajosamente a voz autobiográfica na cena e na dramaturgia, agregando pontos de vista da irmã Maria Cristina, da madrasta Doracy e do amigo do primogênito, o cabeleireiro Serginho. A narrativa avança até 2006, quando Luis Antonio morre em Bilbao, onde vivera até então sob o batismo artístico de Gabriela. A criação colaborativa transforma o espaço cênico numa instalação na qual os atores também manipulam a luz e o vídeo, além de cantar e tocar instrumentos. (www.ciamungunzadeteatro.blogspot.com)

Espetáculo: Minha Cidade / Teatro Marco Zero (PE)
Local: Teatro Barreto Junior
Dias: 26 e 27/11 (sábado e domingo)
Horário: 16h sábado e 10h domingo
Sinopse: Duas crianças constroem uma cidade imaginária a partir das peças do jogo Brincando de Engenheiro. Cada aspecto da vida desse lugar é posto em questão, como se correspondessem aos tijolos dessa obra: a paisagem natural, a paisagem transformada, a moradia, o transporte, o trabalho, a escola, o lazer etc. Na perspectiva do espaço de cohabitação como organismo social, o público acompanha o nascimento e o crescimento do indivíduo. Com essa comparação, pretende-se suscitar a reflexão de que cidadãos e cidadãs devem ser os verdadeiros alicerces de uma sociedade, costurando a narrativa pessoal à história do território onde vivem. O espetáculo decorre da pesquisa em dramaturgia desenvolvida pela também encenadora Ana Elizabeth Japiá, contemplada em 2009 com uma bolsa do Programa de Estímulo à Criação Artística, iniciativa da Funarte/MinC. À bibliografia relacionada aos tópicos “infância”, “teatro para infância”, “cidade” e “poética da cidade”, somou-se uma investigação de campo junto a oito turmas do ensino fundamental (crianças de 8 a 10 anos) em escolas públicas e privadas de Recife.

Espetáculo: Labirinto / Alfândega 88 Companhia de Teatro (RJ)
Local: Teatro de Santa Isabel
Dias: 26 e 27/11 (sábado e domingo)
Horário: 21h
Sinopse: A montagem debuta o núcleo carioca, em fevereiro de 2011, e realinha o diretor, 26 anos de ofício, ao teatro de grupo e à pesquisa continuada. Chaves é inclinado a rupturas dramatúrgicas utilizando-se de textos literários, poemas, autos de processos e escritos filosóficos na construção da cena. Aqui, o desafio é a enigmática obra do escritor gaúcho José Joaquim de Campos Leão, alcunhado por si mesmo Qorpo-Santo (1829-1883). O espetáculo reúne três textos desse gênio visionário: Hoje Sou Um, e Amanhã Outro; A Separação de Dois Esposos e As Relações Naturais – este, por exemplo, retrata prostitutas, algo incomum à época; usa imagens surreais, como a de personagens que perdem partes do corpo; e pespega uma das mais estranhas rubricas de sua lavra, como observa o pesquisador Flávio Aguiar: “Milhares de luzes descem e ocupam o espaço do cenário”. O autor antevê em décadas questões formais que só ecoariam no chamado Teatro do Absurdo (Beckett, Ionesco). É contundente em aspectos humanos e sociais como liberdade sexual e emancipação feminina, atuais. Não obstantes o indiscutível valor estético e o pioneirismo contextual, permanece pouquíssimo montado e praticamente desconhecido do grande público. (www.alfandega88.com.br)

O canto de Gregório, do Magiluth, é uma das representantes pernambucanas no festival

Espetáculo: O Canto de Gregório / Grupo Magiluth (PE)
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Dias: 26 e 27/11 (sábado e domingo)
Horário: 21h
Sinopse: Criado em 2004, por iniciativa de estudantes egressos do curso de artes cênicas da UFPE, o núcleo traça caminho consistente de investigação cênica borrando fronteiras da instalação e da performance. O espetáculo que estreou em abril tem texto de Paulo Santoro, o primeiro embrionário do círculo de dramaturgia do Centro de Pesquisa Teatral (CPT/SESC-SP), sob coordenação de Antunes Filho. O próprio o encenou em 2004. A obra superpõe mitos da religião e da filosofia nas ruminações de um sujeito face a face consigo e com Jesus, Buda, Sócrates e outros. Nesse que é um dia diferente em sua vida, Gregório vai a julgamento pelo crime de não ser um homem bom, mesmo quando lhe anunciam que “a bondade é logicamente impossível”. O pêndulo é o da ética pessoal/universal em detrimento da catarse, do alívio. A dialética reina e instiga partilhar sensações e angústias kafkianas. Quem sabe, apenas projeções da mente do protagonista, habitante de subterrâneos. Para estabelecer tal jogo, o espaço é conformado por um corredor e tomado pela cor branca, do linóleo do chão às paredes e cadeiras, além da ambientação sonora que desconforta. (www.grupomagiluth.blogspot.com)

DESCENTRALIZAÇÃO

Espetáculo: Flor de Macambira / Ser Tão Teatro (PB)

Horário: 20h
Local e dias:
RPA1 – Praça do Arsenal da Marinha – 19/11 (sábado)
RPA2 – Refinaria Multicultural Nascedouro de Peixinhos – 20/11(domingo)
RPA3 – Refinaria Multicultural do Sítio Trindade – 21/11 (segunda-feira)
RPA4 – Escola Municipal de Artes João Pernambuco – 22/11 (terça-feira)
RPA5 – Escola Municipal Antônio Farias – 23/11 (quarta-feira)
RPA6 – Escola Estadual Jordão Emerenciano – 24/11 (quinta-feira)
Sinopse: Em atividade desde 2007, o núcleo de João Pessoa prospecta a linguagem teatral em busca de uma cena tipicamente brasileira. O terceiro espetáculo do repertório estreou em fevereiro passado em turnê por dez cidades do rio São Francisco. É uma adaptação de O Coronel de Macambira, do pernambucano Joaquim Cardozo (1897-1978), que por sua vez se inspirou em figuras e brincadeiras da festa popular do boi. Catirina sucumbe aos vícios e tentações mundanas e, para salvar a si e a seu amado, mergulha nas profundezas da alma. Despontam tipos monologando em versos, vide o coronel sanguinário, o padre mercantilista, o bicheiro corrupto e o triunvirato do capitalismo: o economista ilusionista, o banqueiro especulador e o marqueteiro enganador, todos recebidos por Matheus, Catirina e Bastião. A peça-poema de 1963 se solidariza com as dificuldades do povo brasileiro, evidencia os exploradores e dá voz às vítimas. Ganha traços contemporâneos ao inserir personagens estranhos à festa, como o Aviador e a Aeromoça. O autor cita ainda o Soldado da Coluna em clara referência à utopia socialista que percorreu as estradas do Brasil. (www.sertaoteatro.com.br)

Viúvas, da Ói nóis aqui traveiz, não vem ao festival por conta de agenda

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Meninos pelados partem por outras geografias

A peça A terra dos meninos pelados, montada em 2002 pelo Grupo Teatral Arte em Foco, deu um impulso à carreira do diretor Samuel Santos. Lúdica e respeitando a inteligência do público, a montagem conquistou o respeito na cena teatral recifense.

A companhia volta a apresentar o espetáculo no 8º Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco nos dias 16 e 17 de julho, no Teatro Barreto Júnior, no Pina.

Antes dessas duas sessões, a trupe cumpre agenda em várias cidades, dentro do projeto Itinerância – Geografia Poética. A equipe viajou hoje e vai passar pelos estados do Rio Grande do Norte, Sergipe, Paraíba, Alagoas.

O projeto foi contemplado com Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2010- Circulação de espetáculos. E encerrará a turnê em frente à casa que foi de Graciliano Ramos, em Quebrangulo, interior de Alagoas.

A peça é baseada na novela A Terra dos Meninos Pelados, composta por Graciliano Ramos, em 1937, assim que sai da cadeia. O escritor alagoano foi perseguido graças a uma vaga acusação de subversão comunista e preso em março de 1936, bem no auge da ditadura Vargas.

Na história, Raimundo é alvo das chacotas dos colegas por ser careca e ter um olho azul, outro preto. Ele logicamente sofre com a situação. E um dia, cansado com o que atualmente chamamos de bullying, resolve partir para a terra de Tatipirun, onde “todos os caminhos são certos” e se aplainam para ele passar. Ele aprende lições de geografia e depois entende os ensinamentos ao campo da geografia política.

A terrra dos meninos pelados defende a convivência entre diferenças humanas. E que o grande barato pode ser exatamente esse: ser diferente do outro.

Serviço
A Terra dos Meninos Pelados, Grupo Teatral Arte em Foco (Recife / PE)
Quando: Dias 16 e 17de julho, às 16h30
Onde: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, 121, Recife)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Duração: 55 minutos

A terra dos meninos pelados será exibida nos dias 16 e 17 de julho. Foto: Aryella Lira

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