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O que ver no Janeiro – parte 2

Atrações desse Janeiro inclui teatro música e dança

Atrações desse Janeiro inclui teatro música e dança

Paulo de Castro, um dos produtores do Janeiro de Grandes Espetáculos (as outras duas são Carla Valença e Paula de Renor) enche o peito ao dizer que qualquer coisa que colocar no festival lota. Mais uma vez tem sido assim, em teatros de pequeno e de médio porte – para no máximo 150 espectadores. Como também nas apresentações para mais de 700. Uma ou outra atração foge à essa “regra”. Algumas dessas produções, inclusive, mostraram fôlego para mais de uma sessão.

Mas não dá para entender porque programar peças chocando horários, em vez de fazer um exercício mais criativo de escalonamento. Na terça-feira, as três atrações – Puro Lixo, Microclima e o show Sons de Latada com Josildo Sá, ocorreram no mesmo horário. E por que a decisão de deixar as duas segundas-feiras apenas com leitura dramatizada e agendar em outros dias até seis ou oito montagens?

Nesta quarta-feira são seis no festival: Alguém para fugir comigo, às 19h, no Marco Camarotti; A Gaivota, Martelada e Dùvido, às 20h, respectivamente no Barreto Júnior, Arraial e Luiz Mendonça. Além do show Mestres do Mundo, com Margareth Menezes, às 20h30, no Santa Isabel e Zumba às 21, no Hermilo Borba Filho. No domingo estão na lista nove apresentações, melhor distribuídas, é verdade.

Bem, mas vamos à programação, Vanessinha, desta quarta-feira. E veja que sua opção vai depender do humor, do seu humor ou do seu amor. Tem música de Margareth Menezes para acalentar o coração em Mestres do Mundo. Mergulho na possibilidade impalpável da pós-morte ou de uma vida paralela na dança contemporânea da Sopro de Zéfiro, em Dùvido. A crença nas cumplicidades e fidelidades contra todas as evidências de traições no mundo atual, na peça Alguém para fugir comigo. As batidos do personagem do cavalo-marinho e as tradições orais no peça de Claudio Ferrario, Martelo.  A releitura do clássico A Gaivota, de Anton Tchekhov, com direção de Sandra Possani. O tom político da peça Zumba, baseada em obra de Hermilo Borba Filho. 

Mestres do Mundo, com Margareth Menezes

Margareth Menezes vai fazer um arraial no Santa Isabel. Foto: Divulgação

Margareth Menezes vai fazer um arraial no Santa Isabel. Foto: Divulgação

Sanfona, esse instrumento endiabrado, que permite possibilidades infinitas de exploração sonora é o elo de ligação do show Mestres do Mundo, que a cantora baiana apresenta nesta quarta-feira. Musa do afropop brasileiro, a artista se joga nas riquezas  rítmicas e poéticas de três sanfoneiros ilustres: Sivuca, Dominguinhos e Luiz Gonzaga. Beto Hortis lidera com o seu instrumento musical de 120 baixos uma trupe de instrumentistas. 

Duração: 1h10
Classificação etária: livre
Criação do projeto e produção executiva: Margot Rodrigues
Direção musical e arranjos: Beto Hortis
Direção artística: Maria Paula Costa Rêgo
Direção de arte: Carol Silveira
Textos: Bráulio Tavares
Plano de luz e operação: Cleyson Belo
Som: André Coroa
Câmera: João Vicente
Produção: Salviano Medeiros e Gilvan Fernandes
Músicos: Margareth Menezes (vocal), Beto Hortis (sanfona), Aglaia Costa (rabeca, violino e percussão), Gleidson Zabumbeiro (zabumba), Tiago Filho (viola de 7 cordas e guitarra), Mongol (contrabaixo), Jerimum de Olinda (percussão e efeitos) e Allyson Aguiar (bateria)

SERVIÇO
Mestres do Mundo, com Margareth Menezes
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quando: dias 25 (quarta), às 20h30h
Quanto: R$ 80 e R$ 40
Classificação etária: a partir dos 14 anos

Alguém Pra Fugir Comigo, por Quiercles Santana

Texto fragmentado e direção de Quiercles Santana

Texto fragmentado e direção de Quiercles Santana

A injustiça se banalizou, a grosseria e descortesia se manifestam a todo instante. Na fila do banco, no ponto de ônibus, na plateia do teatro. A civilidade é uma palavra em desuso, na prática. A peça Alguém pra Fugir comigo, que estreia neste Janeiro, já fez alguns ensaios abertos no ano passado. Mas eu não vi. A encenação explora esse desejo de ter companhia na caminhada pela vida.

A dramaturgia fragmentada inclui textos políticos, filosóficos, líricos, além de episódios cotidianos ocorridos recentemente ou mesmo no século 19, para amplificar no palco a crise ética, social e humana. “É sobre ser humano e ser pedra. Ter e perder o seu lugar no mundo, na vida, na relação com o outro. É sobre nós, nossos sonhos, vontades, urgências”, sintetiza o material de divulgação. Alguém pra Fugir Comigo remexe o terreno das existências apequenadas. Mas faz o giro para não ficar na acomodação e sinaliza a capacidade de insurreição, de subversão, de rebeldia inscrita na própria arte.

A encenação utiliza trechos de Margareth Atwood, Harold Pinter, Louis Vauthier, Karl Marx, Gilles Chantelet, Enrique Buenaventura, Sandor Márai, Albert Camus, Bertolt Brecht, Marcelino Freire, Quiercles Santana e alunos-atores do Curso de Formação do Sesc de Santo Amaro para formar esse caleidoscópio. A encenação é de Quiercles Santana.

Duração: 1h30
Classificação etária: a partir dos 14 anos
Textos: vários fragmentos de histórias justapostas e intercambiáveis
Encenação: Analice Croccia e Quiercles Santana
Assistência dramatúrgica: Ana Paula Sá
Desenho de luz: Elias Mouret
Direção musical: Katarina Menezes e Kleber Santana
Desenho de som: Kleber Santana
Preparação de corpo e movimento: Patrícia Costa
Cenotécnico: Flávio Freitas
Direção artística e produção: Resta 1 Coletivo de Teatro
Elenco: Analice Croccia, Ane Lima, Caíque Ferraz, Ludmila Pessoa, Luís Bringel, Nataly Sousa, Pollyanna Cabral e Willams Rosendo

SERVIÇO
Alguém Pra Fugir Comigo
Resta 1 Coletivo de Teatro (Recife/PE)
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quando: dias 25 e 26 de janeiro de 2017 (quarta e quinta-feira), às 19h
Quanto: R$ 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 14 anos

A Gaivota, com direção de Sandra Possani

Cena de A Gaivota, com turma dos formandos do Sesc de Piedade. Foto: Divulgação

Cena de A Gaivota, com turma dos formandos do Sesc de Piedade. Foto: Divulgação

A Gaivota, com texto de Anton Tchekhov,  da turma de atores do Curso de Interpretação para Teatro do Sesc Piedade, também estreia nesta quarta-feira. A peça expõe uma guerra de paradigmas entre o novo e o conservador de mentalidades e na literatura. O jovem e inseguro dramaturgo Treplev vive acuado entre a rejeição da mãe e a tristeza de ter perdido Nina, sua amada. Ele deseja renovar o teatro e encontra resistência na figura de Trigorine, autor tradicional e bem-sucedido.

O espetáculo reflete os conflitos de modelos numa sociedade em transição, a partir situações cotidianas com pessoas comuns em sua vida prosaica.

O autor russo Anton Tchekhov deixou quatorze peças teatrais, dentre elas A Gaivota, Tio Vânia (1889-1900), As Três Irmãs (1901) e O Jardim das Cerejeiras (1904). Além de dois ensaios, cinco novelas e quase duzentos contos.

Com adaptação e direção da encenadora Sandra Possani, a montagem investiga as frustrações dos personagens, suas mudanças de humores, seus desejos e ideais, perseguindo o tom tchekhoviano, de entender que as coisas são tristes e engraçadas ao mesmo tempo.

Ficha Técnica
Duração: 1h20
Classificação etária: a partir dos 12 anos
Texto: Anton Tchékhov
Direção cênica: Sandra Possani
Assistência de direção: Almir Martins
Equipe envolvida na criação/interpretação da encenação: Sandra Possani, Anamaria Sobral, Ana Elizabeth Japiá, Caio Andrade e todos os alunos
Laboratório de personagem: Cira Ramos
Iluminação: Eron Villar
Colaborador na criação da iluminação: Thiago Leal
Cenografia, figurinos e maquiagem: Célio Pontes
Visagismo de cabelo: Belas Art’s Cabeleireiros e Estética
Sonoplastia e criação sonora/musical: Adriana Millet
Composição musical: Lucas Ferr, Géssica Beda e Amanda Spacca
Técnica vocal: Leila Freitas
Assistentes de produção: Caio Andrade, Saulo Mendonça, Rakelly Nogueira, Ariele Mendes, Almir Martins e Guilherme Kokeny
Coordenação de produção: Ana Júlia da Silva e Ivana Motta
Supervisão geral: Rudimar Constâncio
Elenco de atores-alunos: Conceição Santos, Lucas Ferr, Anderson G-zuis, Amanda Spacca, Rômulo Ramos, Elisa Lucena, Géssica Beda, Jailton Júnior, Winy Mattos e Daniel Gomes

A Gaivota – Curso de Interpretação Para Teatro do SESC Piedade (Jaboatão dos Guararapes/PE)
Onde: Teatro Barreto Júnior
Quando: dias 25, 26 e 27 de janeiro de 2017 (quarta, quinta e sexta-feira), 20h
Quanto: R$ 10 e R$ 5

Martelo, com Claudio Ferrario

Claudio Ferrario. Foto: Déa Ferraz

Claudio Ferrario. Foto: Déa Ferraz

Claudio Ferrario é um velho contador de histórias, que embaralha fatos e ficções, do alto do orgulho e sabedora popular do seu personagem. Dos Mateus que encontramos nos brinquedos populares das cidades da Zona da Mata de Pernambuco, o ator compilou histórias, subverteu outras e elegeu Martelo, um desses palhaços, para ser recriado em seu espetáculo. O cabra conta suas aventuras de idas e voltas ao inferno, com doses de mistério e poesia.

A encenação tem momentos engraçados e outros mais densos. Nessa narrativa, o personagem do cavalo-marinho guardador de mistérios e histórias faz do público cúmplice. E segue num entra e sai de beco de conversas encantadas que parecem não ter fim.  E a montagem equaliza os tempos e as mudança de intenções com uma luz bem marcada.

Sozinho no palco o ator atrai para si o espírito desses Mateus a espantar os espíritos perversos com as bexigadas da figura de cara pintada e alma lavada.

Todas as sessões desta temporada de Martelo têm lotado. Então é bom não deixar para adquirir o ingresso de última hora. Sob o risco de ficar para a próxima temporada.

Zumba, de Hermilo Borba Filho

Mario Miranda,Daniel Barros e Flávio Renovato em Zumba

Mario Miranda, Daniel Barros e Flávio Renovatto em Zumba

A Gloriosa Vida e o Triste Fim de Zumba-Sem-Dente ou simplesmente Zumba é uma adaptação do diretor Carlos Carvalho do conto O Traidor, de Hermilo Borba Filho. Na peça, o sapateiro socialista Zumba desafia o regime militar e se candidata à prefeito da cidade de Palmares.
A peça mostra a pressão, as perseguições e os bastidores do poder, que ganha uma dimensão maior quando projetamos os acontecimentos reais ocorridos nos últimos tempos no Brasil.

Zumba utiliza projeções em vídeo e bonecos de mamulengo para dinamizar a montagem. Houve uma encenação, também dirigida por Carvalho e com Jones Mello no papel principal, agora defendido por Mário Miranda, que abriu o Janeiro de 2002.

Veja também outros posts sobre Zumba publicados no Yolanda: A luta de Zumba-Dentão
Política no sangue de um sapateiro

Dùvido, com a Cia. Sopro de Zéfiro

Dança explora a intuição e o mistério do universo impalpável. Foto: Fernando Azevedo

Dança explora a intuição e o mistério do universo impalpável. Foto: Fernando Azevedo

Tem gente que morre afirmando que só que existe  o que os seus olhos (limitados) conseguem ver. Mas há outras criaturas que aceitam a existência de um outro universo, mas imaterial, abstrato e metafísico onde os seres podem se encontrar. O trabalho coreográfico Dùvido, da Companhia Sopro-de-Zéfiro /Cecília Brennand mergulha nessas indagações da finitude do plano terrestre e da possibilidade de que haja algo maior no fim do túnel.

A obra investe nesses questionamentos de recomeços para a além dessa vida, universo impalpável e vazio existencial.

Duração: 1h
Classificação etária: livre
Direção geral: Cecília Brennand
Concepção, coreografia e direção artística: Ana Emília Freire
Assistente de direção: Carla Machado
Plano e operação de luz: Cleison Ramos
Coordenação de produção: Deborah Priston Carruthers
Produção executiva: Vânia Oliveira
Elenco: Alyne Firmo, Carlos Canto, Julyanne Rocha, Karla Cavalcanti, Lidy Bergman, Luzii Santos, Madson Erick, Rodolpho Silva, Rodrigo Gomes, Silas Samarky, Thiago Barbosa, Natália Jonas, Gabriel Ramos, Amanda França, Jonas Alves e Laís Roselli

SERVIÇO
Dùvido
Quando: Dia 25 de janeiro (quarta-feira), 20h,
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quanto: R$ 30 e R$ 15

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O que ver no Janeiro – parte 1

Puro Lixo é uma das atrações desta terça-feira. Foto: Ana Araújo

Puro Lixo é uma das atrações desta terça-feira. Foto: Ana Araújo

A 23ª edição do Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco chega à última semana. A programação extensa e intensa é composta por 58 produções, entre exemplares de teatro adulto, teatro para a infância, dança, circo, shows musicais e duas leituras dramatizadas e outras ações. Além da programação paralela com mais dez peças ou performances diferentes. E a exposição de quadros do artista Cleusson Vieira, ainda em cartaz no foyer do Teatro de Santa Isabel. Diante desse mapa, amigos e leitores têm pedido sinalizações sobre o que ver. Sabemos que arte não é receita de bolo de rolo ou Souza Leão e a recepção de cada obra é algo subjetivo e intransferível. Mas vamos pontuar alguns aspectos do nosso ponto de vista, com pitadas de nosso gosto.

Neste ano, o Janeiro de Grandes Espetáculos apostou na estreia de 10 produções pernambucanas, sendo três inéditas em dança, seis de teatro adulto e um para a infância, além de uma leitura dramatizada inédita. Desse fluxo que segue até o dia 29 deste mês, sete ainda podem ser vistos: Microclima, com Iara Campos; Grito, com Anne Costa e Marta Guimarães; Terror e Miséria no Terceiro Reich – O Delator, com Germano Haiut e Stella Maris Saldanha; Martelada, com texto e interpretação de Cláudio Ferrário; Alguém Pra Fugir Comigo, com encenação de Analice Croccia e Quiercles Santana; A Gaivota, do Curso de Interpretação Para Teatro do SESC Piedade (Jaboatão dos Guararapes/PE), com direção cênica de Sandra Possani e Baba Yaga, da Cênicas Cia. de Repertório, interpretação de Sônia Carvalho. Dessas estreias já conferimos dois espetáculos: O Delator e Martelada, que falarei brevemente na sequência.

Temos ainda as atrações em Caruaru com sessões de Angelicus Prostitutus e Olha para o Céu meu amor.

Dinho Lima Flor interpreta o bispo no espetáculo O avesso do Claustro. Foto: Alecio Cezar

Dinho Lima Flor interpreta o bispo Dom Helder Camara,  no espetáculo O avesso do Claustro. Foto: Alecio Cezar

Do festival sugiro com entusiasmo O Avesso do Claustro, da Cia do Tijolo, uma montagem em homenageia Dom Helder Camara, o saudoso arcebispo emérito de Olinda e Recife, que se apresenta no Santa Isabel nos dias 28 e 29. O espetáculo recria episódios da vida do bispo católico progressista, mas explora essas passagens em sintonia com inquietações atuais, explorando de forma magistral as substâncias utópicas e poéticas do teatro. Como grupo é sediado em São Paulo (mas tem no seu elenco e direção o pernambucano Dinho Lima Flor) e este é um espetáculo custoso para circular acho uma oportunidade imperdível. Sobre a montagem publicamos Peça sobre Dom Helder Camara vem ao Janeiro

Vamos falar das atrações por data, Vanessinha.
Terça-feira

Josildo Sá no Show Sons de Latada. Foto: Normando Siqueira

Josildo Sá no Show Sons de Latada. Foto: Normando Siqueira / Divulgação

TEATRO: Puro Lixo , o Espetáculo mais Vibrante da Cidade, inspirado no Grupo Vivencial. Humor, deboche e música com um talentoso elenco pernambucano.

DANÇA: Microclima. As políticas e o viver no Recife impregnado no corpo da bailarina Iara Campos. Não está totalmente descartada as motivações do Ocupe Estelita, da resistência e de que a luta continua.

MÚSICA: Sons de Latada, com Josildo Sá. Ano passado fez uma década que Josildo e o maestro o maestro Paulo Moura gravaram juntos o CD Samba de Latada. O samba nordestino ganhou uma carga mais emocional, de raiz suingada, que se mistura a muitos ritmos. No repertório do show sucessos da carreira do cantor como Pra não morrer de tristeza, Quixabinha, Tem frevo na Latada e Forró de Mané Vito.

Sons da Latada – Josildo Sá – Samba de Latada Produções (Recife/PE)

FICHA TÉCNICA
Direção e produção musical: Herbert Lucena
Produção executiva: Luciane Ferraz e Rita Chaves
Assistentes de produção: Gabriel Oliveira e Cláudia Macena
Coordenação: Josildo Sá/Samba de Latada Produções
Coordenador técnico e iluminação: Antônio Antunes
Cenário: Leopoldo Nóbrega
Figurino: Período Fértil e Jailson Marcos
Técnico de som: Fumato Snaidefight
Músicos: Josildo Sá (voz), Lu Miliano (acordeon e vocal), Adilson Bandeira (clarinete e sax), Pablo Ferraz (zabumba, congas, surdo, ilú e vocal), Nino Silva (congas, prato, caixa, pandeiro, tonel, caxixi, alfaia, chocalhos), Daniel Coimbra (cavaquinho e vocal), Danillo Silva (contrabaixo), Karine Vieira (bateria) e Andreza Karla (backing vocal e pandeiro)

SERVIÇO
Sons da Latada – Josildo Sá – Samba de Latada Produções (Recife/PE)
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quando: Dia 24 de janeiro de 2017 (terça-feira), às 20h
Quanto: R$: 40,00 (Inteira) e 20,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 12 anos
Duração: 1h20

Stella Maris Saldanha, em Puro Lixo. Foto: Ana Araújo

Stella Maris Saldanha, em Puro Lixo. Foto: Ana Araújo

Puro Lixo – O Espetáculo Mais Vibrante da Cidade tem como provocação/ inspiração a ousadia e o espírito anárquico do Vivencial, grupo do teatro pernambucano que abalou as estruturas caretas da cena nas décadas de 1970/ 1980. Como os fenômenos ocorrem no tempo e no espaço, as vivecas exerceram um fascínio naquela época e esse ideário foi esticado por estudiosos, fãs e os próprios integrantes na esteira de uma imagem de liberdade incondicional (se isso funcionou ou não, não sabemos. Ou eu não sei. Mas a aura persiste!). No cinema essa glamourização da trupe se faz presente no filme Tatuagem, de Hilton Lacerda.

Com poucos recursos, mas muita criatividade, as vivecas criavam a cena dos restos, fazia arte com o lixo. Talvez venha daí a sugestão do título da peça que tem texto de Luís Reis, criado a partir do artigo Vivencial Diversiones: Frangos Falando Para o Mundo, de João Silvério Trevisan, que registra a experiência de uma noitada na sede do grupo, no final dos anos 1970.

Com encenação de Antonio Cadengue, Puro Lixo – O Espetáculo Mais Vibrante da Cidade traça uma alegoria queer, carnavalesca, entre o camarim e a cena de um bando para extrair alegria na pulsação da necessidade de brilhar e no desejo do luxo. O ser marginal das vivecas fica na periferia da montagem. Mas a ânsia de pontuar o que é criar nessa época de outros tremores e temores se ergue nas várias cenas em que o metateatro potencializa a narrativa.

Da trilha sonora, a derradeira canção celebra os transgressores do passado/presente servindo (metaforicamente) como objeto de consumo. Como eu pontuei em outro texto sobre o espetáculo Puro Lixo diz até já  :“Do espelho do camarim até o público vira simulacro de si mesmo…”.

Ainda nessa seara musical, o ator Gil Paz dubla Elza Soares em um trecho da canção de Chico Buarque Meu Guri. Esse quadro ganha outras projeções do mundo cotidiano recifense com a exaltação da negritude. E expõe as injúrias do passado escravocrata da passagem cênica Meu Sobrado no seu Mocambo.

A peça traz um acabamento estético, nos figurinos, no cenário que distancia do Vivencial original. Mas Puro Lixo – O Espetáculo Mais Vibrante da Cidade investe no protesto velado e declarado, no deboche, na cumplicidade e intriga de bastidor, no glamour e na crítica da crítica.

Stella Maris Saldanha representa as mulheres do Vivencial. E os rapazes Gil Paz, Eduardo Filho, Marinho Falcão, Samuel Lira e Paulo Castelo Branco desfilam de salto alto para garantir o humor e brilho da montagem.

Outros textos postados sobre Puxo Lixo:
Uma festa para o Vivencial, no dia 11 de agosto de 2016.
Desbunde, transgressão e poesia do Vivencial, no dia 13 de agosto de 2016.
“A liberdade era vivida na imediatez daqueles tempos”, uma entrevista com o encenador Antonio Edson Cadengue, publicada em 15 de agosto de 2016.
E As nervuras do luxo, crítica ao espetáculo publicada no dia 28 de agosto de 2016.

FICHA TÉCNICA
Texto: Luís Augusto Reis
Consultoria: João Silvério Trevisan
Encenação: Antonio Cadengue
Dramaturgismo, assistência de direção e operação de som: Igor de Almeida Silva
Figurinos, adereços e maquiagem: Manuel Carlos de Araújo
Cenografia: Otto Neuenschwander
Trilha sonora original e gravação: Eli-Eri Moura
Música ao vivo (acordeão): Samuel Lira
Vozes em off: Valdir Oliveira, Cássio Uchôa e José Mário Austregésilo
Iluminação: Luciana Raposo (Coletivo Lugar Comum)
Coreografias, direção de movimentos e preparação corporal: Paulo Henrique Ferreira
Preparação vocal: Leila Freitas
Operação de luz: Luciana Raposo e Sueides Leal
Assistência de produção executiva: Antonio Cadengue, Manuel Carlos de Araújo
Produção executiva: Clara Angélica e Jô Conceição
Produção geral: Stella Maris Saldanha
Elenco: Eduardo Filho, Gil Paz, Marinho Falcão, Paulo Castelo Branco, Samuel Lira e Stella Maris Saldanha

SERVIÇO
Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quando: Dia 24 de janeiro de 2017 (terça-feira), às 20h
Quanto: R$: 40,00 (Inteira) | 20,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h15

Iara em Microclima. Foto

Iara Campos em Microclima. Foto

O caos urbano fruto da falta de planejamento domina cidades brasileiras. O crescimento desordenado, o trânsito insuportável, a natureza arrasada, verticalização predatória, a violência assustadora são golpes contra o planeta. A resposta chega em catástrofes, picos de calor ou de frio em nível global.

A partitura corporal da bailarina Iara Campos traduz essas sensações no espetáculo Microclima, pensado a partir do Recife e suas contradições. E mostra como o corpo também é afetado nesse processo.

Recife, Cidade Lendária, nas suas noites sem fim de Capiba. Constructo humano de sonhos, mas também sítio cruel de Carlos Pena Filho; cidade do mangue, onde a lama é a insurreição com seus homens caranguejos de Chico Science. Capital de muitas revoluções, essa urbe sofre em sua beleza açoitada.

Para erguer o espetáculo, que tem direção de Sebastião Soares, a artista fez experimentações na rua e na sala de ensaio, mergulhou em leitura bibliográfica de arquitetura e urbanismo. E o solo prossegue em mutação. Inquietações e vivências urbanas em diálogo com a cidade e seus problemas, E o reflexo das mudanças dessa paisagem, que geram instabilidade física e emocional nos seus habitantes.

FICHA TÉCNICA

Microclima, com Iara Campos
Concepção:
Iara Campos e Sebastião Soares
Direção: Sebastião Soares
Música original: Júlio Morais
Figurino: Carlito Person
Design de luz: Eron Villar
Intérprete: Iara Campos

SERVIÇO
Microclima, com Iara Campos
Quando: 24 de janeiro, terça-feira, às 20h
Quanto: R$: 20,00 (Inteira) e 10,00 (Meia)
Onde: Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457, Boa Vista – Fone: (81) 3184.3057 )
Classificação etária: a partir dos 12 anos
Duração: 45 min.

                                                                                                       CONTINUA no próximo post

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Destino trágico das gregas… ou nem tanto

Três Tristes Gregas, com Suzana Costa, Sônia Bierbard e .Foto Gustavo

Três Tristes Gregas, com Suzana Costa, Sônia Bierbard e Isa Fernandes. Foto Gustavo

Desforra, trapaça, morte por (in)justiça. Pathos pesado dessas gregas. Como se sabe, o mito de Orestes remonta ao ciclo troiano e trata da vingança dos filhos de Agamêmnon, Orestes e Electra, contra a mãe Clitemnestra e Egisto, pelo assassinato do pai. Aparece na Oresteia, do dramaturgo grego Ésquilo – composta pelas tragédias Agamemnon, Coéforas e Euménides; na Electra, de Sófocles e na Electra, de Eurípides.

O mito de Fedra ganha pequenas variações em Eurípides, Sêneca e Racine, a partir dos contextos grego, romano e clássico francês. Mas basicamente mostra a destruidora paixão de uma mulher por seu enteado. Fedra era esposa de Teseu. Apaixonou-se por Hipólito, filho ilegítimo do marido. Rejeitada, ela acusa, falsamente, o filho adotivo de violação. E depois se mata.

Sarah Kane diagnosticou a degeneração da sociedade em O Amor de Fedra. Na releitura da dramaturga britânica são expostas as feridas do mundo contemporâneo que recebe tempero da hipocrisia, do cinismo e da atitude misógina.

Antígona é a continuação dramática de Édipo Rei, de Sófocles, que parece ter deixado a desgraça como legado aos quatro filhos (Etéocles, Polinice, Antígona e Ismênia). Etéocles assume o governo, mas não respeita o trato de revezamento de poder com o irmão Polinice. Em conflito os dois se matam e o tio Creonte – irmão de Jocasta, esposa de Édipo – decreta que Etéocles, receba as honrarias fúnebres e Polinice não. E ameaça com morte a quem desobedeça suas ordens. Antígona não aceita a determinação que considera arbitrária, por não respeitar as leis naturais mais antigas ou divinas que pregavam que todo homem tem o direito ao devido sepultamento.

Três Tristes Gregas, com Suzana Costa, Sônia Bierbard e .Foto Gustavo Túlio /Divulgação

O texto é de Moisés Neto e a direção da leitura é de Cira Ramos. Foto Gustavo Túlio /Divulgação

A leitura dramatizada Três Tristes Gregas… é a única atração desta segunda-feira do 23º Janeiro de Grandes Espetáculos. Com direção Cira Ramos, a ação conta com Sônia Bierbard no papel de Elektra, Suzana Costa como Fedra e Isa Fernandes na pele de Antígone.

O escritor e dramaturgo Moisés Monteiro de Melo Neto vem com uma releitura da tragédia grega através das personagens femininas Fedra, Antígona e Elektra. Ele anuncia que tirou o mito do pedestal para fazer bulir ao rés-do-chão. E mistura o trio grego “com alcoviteiras, farrapos humanos e vícios” para ressaltar o papel das mulheres na Grécia antiga. Alardeia ambição esse texto que tem a “intenção de atingir o limite entre o justo e o injusto” daquela sociedade, mas para isso usa a lâmina do humor em combinação com a seriedade e o grotesco. Mas isso é apenas uma primeira leitura.

Ficha Técnica
Três Tristes Gregas
Texto: Moisés Monteiro de Melo Neto
Elenco: Isa Fernandes, Sônia Bierbard e Suzana Costa
Produção Executiva: Mísia Coutinho (METRATON)
Make up: Fê Uchoa
Design de luz: Eron Vilar
Sonoplastia: Fernando Lobo
Orientação corporal: Márcia Rocha
Criação de figurinos e adereços: Xuruca Pacheco
Programação visual: Ronaldo Tibúrcio
Participação especial voz na abertura: Magdale Alves

SERVIÇO
Três Tristes Gregas…
Quando: 23 de janeiro (segunda), às 20h
Onde: Teatro Arraial (Rua da Aurora, 463, Boa Vista), Recife
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)

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Nos territórios da delicadeza

Alaíde Costa e Gonzaga Leal no show Porcelana, dirigido por Ceronha Pontes. Foto: Geórgia Branco

Alaíde Costa e Gonzaga Leal no show Porcelana, dirigido por Ceronha Pontes. Foto: Geórgia Branco

Há mais de uma década a parceria entre a carioca Alaíde Costa e o pernambucano Gonzaga Leal é nutrida em encontros anuais, em shows e resultou no CD Porcelana, um presente de aniversário de Gonzaga Leal a Alaíde Costa Silveira Mondin Gomide, quando ela fez 80 anos (a moça nasceu em 8 de dezembro de 1935). O encontro musical entre os dois começou em 2006, quando a cantora foi convidada para participar do álbum E o Nosso Mínimo é Prazer. Desde então, ela dá brilho à carreira dele e ele alavanca a dela.

O repertório de Porcelana, marcado para esta quarta-feira no Teatro de Santa Isabel, é formado por pepitas garimpadas por Leal para celebrar o bom da MPB. Capiba, Zé Miguel Wisnik, Caetano Veloso, Alceu Valença, Consuelo de Paula, Socorro Lira, João Cavalcanti, entre outros.

Alaíde passeia há 60 anos por uma trilha musical eclética. João Gilberto a convidou para a patota da bossa nova quando a ouviu no estúdio, gravando seu segundo 78 rotações. Negra, suburbana da Zona Norte, Alaíde Costa destoava do perfil dominante dos bossanovistas brancos, abastados da Zona Sul carioca . Mas compôs em parceria com Tom Jobim Você é amor, e Amigo Amado, com Vinicius de Moraes, entre outros. Também foi acolhida na seleta confraria predominantemente mineira do Clube da Esquina, e fez um antológico dueto com Milton Nascimento em Me Deixe em Paz, gravação no álbum Clube da Esquina, de 1972.

Com sua sensibilidade, Leal sabe identificar e explorar preciosidades musicais como poucos. Em Porcelena, os dois sacam Quando Um Amor Vai Embora, de Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba; Divinamente Nua, a Lua, parceria de Caetano Veloso com Orlando Morais. Também exibem outra versão de Solidão, de Alceu Valença; Delicado, da paraibana Socorro Lira; Água Doce, de Consuelo de Paula; Fim do ano, de Zé Miguel Wisnik e Swami Jr. e incorporam o sotaque português de Zeca Afonso com O Meu Menino É D’oiro.

O time de músicos – Maurício Cesar (piano), Cláudio Moura (violão), Alexandre Rodrigues (clarinete e sax), Adilson Bandeira (clarinete), Aristide Rosa (viola nordestina), Fabiano Menezes (violoncelo), Júlio César Mendes (acordeon), Marcos FM (contrabaixo), Tomás Melo e George Rocha (percussão) – garante que a voz suave e sussurrada de Alaíde Costa flutue. E sublinha o melhor do canto de Gonzaga.

Ficha Técnica
Repertório e intérpretes: Alaíde Costa e Gonzaga Leal
Direção cênica, roteiro, cenografia e figurino dos artistas e músicos (estilo): Gonzaga Leal
Assistente de direção cênica: Ceronha Pontes
Direção musical e regência: Cláudio Moura
Arranjos: Maurício César, Adilson Bandeira e Marcos FM
Criação de luz e operação: Cleison Ramos
Vídeo: Ítalo Lima
Técnico de som: Júnior Evangelista
Roadie: Josué Silva
Produção geral: Jorge Féo
Músicos: Maurício Cesar (piano), Cláudio Moura (violão), Alexandre Rodrigues (clarinete e sax), Adilson Bandeira (clarinete), Aristide Rosa (viola nordestina), Fabiano Menezes (violoncelo), Júlio César Mendes (acordeon), Marcos FM (contrabaixo), Tomás Melo e George Rocha (percussão)

SERVIÇO
Porcelana – Alaíde Costa e Gonzaga Leal
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quando: 18 de janeiro, às 20h
Quanto: R$: 40,00 (Inteira) | 20,00 (Meia)

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João Villaret, um ator maior da cena portuguesa

Foto: Rosário Silva / Divulgação

Peça celebra artista muito prestigiado em Portugal. Foto: Rosário Silva / Divulgação

João Villaret (1913-1961) é um artista da cena portuguesa que prossegue celebrado 50 anos depois de sua morte. Um feito. Homenagem a João Villaret é o espetáculo criado pelo Teatro da Comuna com Carlos Paulo, Tânia Alves e o músico Hugo Franco. Considerado figura maior da cultura portuguesa do século XX, Villaret foi ator, declamador e encenador de enorme popularidade nos anos 1950.

Na montagem, que estreou em 10 de maio de 2013 quando o artista completaria 100 anos, são recriados os grandes números que Villaret protagonizou na revista, alguns textos seus inéditos e um poema que António Botto lhe dedicou, quando os dois estavam no Brasil.

O autor da peça, o intérprete Carlos Paulo já disse que João Villaret foi um homem à frente do seu tempo, e que traçou conexões da poesia com o teatro de revista. Na década de 1950, ele conduzia um programa semanal, acompanhado pelo pianista Carlos Mayer, seu irmão, meio que propagava poetas, como Fernando Pessoa e Miguel Torga, Camões, José Régio, António Botto, Augusto Gil, entre outros.

SERVIÇO
Homenagem a João Villaret, dentro do 23º Janeiro de Grandes Espetáculos
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quando: Dias 17 e 18 de janeiro de 2017 (terça e quarta-feira), às 20h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia) 
Classificação etária: a partir dos 12 anos
Duração: 50 min.

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