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Magiluth: uma nova peça para falar de amor

Magiluth comemora 15 anos com a estreia de Apenas o fim do mundo. Foto: Estúdio Orra

Grupo pernambucano comemora 15 anos com a estreia de Apenas o fim do mundo. Foto: Estúdio Orra

Desde os últimos dias do mês de março, o 13º andar do Sesc Avenida Paulista, inaugurado em abril do ano passado em São Paulo, é ocupado pelos atores do Magiluth. Através das paredes envidraçadas, a cidade se exibe, apressada e urgente, como sempre, a partir de uma das paisagens mais icônicas da capital. Do lado de dentro, apesar da aparente proteção em meio ao caos, também há urgências e a rotina está exaustiva. Prazerosa, desafiadora, mas exaustiva. Além de apresentar os espetáculos Aquilo que o meu olhar guardou para você e Dinamarca em semanas consecutivas e sessões sempre cheias, o grupo recebeu oficineiros que se inscreveram, interessados em acompanhar o processo de montagem do novo espetáculo, Apenas o fim do mundo, que estreia nesta quinta-feira (11), na mesma sala em que foi criado.  

A ação se passa em um domingo, ou ainda, ao longo de quase um ano inteiro, somos avisados logo no início do texto do francês Jean Luc-Lagarce. Talvez tenha sido mais ou menos assim a gestação de Apenas o fim do mundo. Em julho do ano passado, já tendo se aproximado da dramaturgia, o grupo fez uma residência artística no mesmo Sesc Paulista, aberta a interessados, com Giovana Soar, que traduziu o texto para uma montagem da Companhia Brasileira de Teatro em 2005, e Luiz Fernando Marques, Lubi, do grupo XIX. Em outubro, numa parceria com o Feteag, uma nova residência artística, desta vez no Centro Cultural Benfica, no Recife. Nos dois momentos, o processo contou com a apresentação de ensaios abertos ao público. Os atores passaram ainda duas semanas no sítio Valado, em Chã Grande, a 80 km da capital pernambucana, ao redor de uma mesa, dedicados ao texto.

Apesar de muito coerente com a trajetória do grupo, a escolha de montar essa dramaturgia é uma tarefa de grandes proporções para o Magiluth. “Como atores, eles nunca tinham encarado um texto com essa complexidade, tanto em tamanho quanto em profundidade e formalismo”, explica Giovana, que assume a direção ao lado de Lubi. A atriz, diretora e tradutora conheceu o grupo no Rumos Teatro, em 2011. Antes da estreia de Viúva, porém honesta, assistiu aos ensaios, mas trabalhou mais diretamente com os atores durante o processo de Dinamarca. Já com Lubi, a parceria vem desde a direção de Aquilo que o meu olhar guardou para você (2012).

Acostumados a trabalhar com dramaturgias próprias ou mesmo com adaptações, mas em processos mais livres, que permitiam, por exemplo, o improviso, os atores agora encaram palavras que precisam ser ditas com cuidado, para que não corram o risco de se perderem ou de não alcançarem a devida dimensão. “Eles estão acostumados a uma dramaturgia muito mais coloquial, a falar a palavra que querem, a colocar um caco, fazer piada com o cotidiano, e isso está proibido! Eu tenho sempre um chicote na mão!”, brinca Giovana.

Dramaturgia é do francês Jean Luc-Lagarce

Dramaturgia é do francês Jean Luc-Lagarce

Apenas o fim do mundo é um texto vertical, que esmiúça sentimentos a partir de uma relação familiar. Luiz decide reencontrar a mãe, o irmão e a irmã ao se deparar com a iminência da morte. Basicamente, é uma peça sobre o amor. Uma observação interessante é que Pedro Wagner e Mário Sérgio Cabral, irmãos na vida real, serão irmãos também na ficção. Pedro faz Luiz; Mário é Antônio; Erivaldo Oliveira é a mãe; Suzana, a irmã, é feita por Giordano; e a cunhada, Catarina, ficou com Bruno Parmera. Lucas Torres não está com nenhum personagem, mas é fundamental para o espetáculo, avisa Giovana. “Eles têm uma coisa louca de fazerem tudo! Não tem técnico de luz, de som, eles montam tudo, operam tudo! Por isso Lucas é uma peça primordial”.

Diante da iminência da morte, Luiz (Pedro Wagner) reencontra a família

Diante da iminência da morte, Luiz (Pedro Wagner) reencontra a família

Mesmo com o rigor no trabalho com a palavra, o jogo que é a base da performatividade do grupo se revela na construção das cenas. O espetáculo foi erguido a partir da ideia de site specific, da apropriação do espaço, explica o ator Giordano Castro. “Essa estreia será de muitas descobertas. Nunca vamos ter um espetáculo fechado: ele vai acontecer aqui em São Paulo, mas não necessariamente vai acontecer do mesmo jeito no Recife. Estamos usando o espaço, com o que ele nos proporciona. Em cada lugar que a gente chegar, vamos ter que repensar o trabalho novamente. Isso é muito doido!”, comenta.

A expectativa é que o Recife só veja a peça no segundo semestre. “Estamos terminando uma pesquisa sobre o bairro de São José, vamos fazer a criação de parte do roteiro de uma série em parceria com Hilton Lacerda, e ainda queremos fazer um novo espetáculo de rua. No meio disso tudo, tem a comemoração dos 15 anos do grupo. Pretendemos apresentar algumas peças do repertório e o trabalho novo”, adianta.

A temporada em São Paulo vai até 5 de maio. Antes disso, entre os dias 17 e 20 de abril, os atores ministram uma oficina intitulada “Jogo Total”. As inscrições já estão encerradas. No dia 17, às 20h30, haverá um bate-papo com Ivana Moura, uma das editoras do Satisfeita, Yolanda?, e o diretor do grupo Clowns de Shakespeare, de Natal, Fernando Yamamoto, sobre “Os últimos 15 anos de teatro no Nordeste”. A entrada é gratuita.

Ficha técnica

Direção: Giovana Soar e Luiz Fernando Marques
Assistência de direção: Lucas Torres
Dramaturgia: Jean Juc-Lagarce
Atores: Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Mário Sérgio Cabral e Pedro Wagner
Desenho de luz: grupo Magiluth
Direção de arte: Guilherme Luigi
Fotografia: Estúdio Orra
Design Gráfico: Guilherme Luigi
Realização: Grupo Magiluth

Serviço:
Apenas o fim do mundo
Quando: de 11 de abril a 5 de maio, de quinta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 18h
Onde: Sesc Avenida Paulista
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Duração: 1h40 min

 

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CURTA SÃO PAULO com os pernambucanos Magiluth de Teatro e Grupo Experimental de Dança

Magiluth

Pedro Wagner na cena mais interativa do espetáculo Aquilo que meu Olhar guardou para você

Lucas Tprres em Aquiçp qie meu olhar guardu para você

Lucas Torres em em cena da peça

Aquilo que o meu olhar guardou para você é o quinto espetáculo do grupo Magiluth, de 2012,  Pode-se dizer que é um quebra-cabeça de cenas curtas, que tratam das inquietações do homem contemporâneo e sua relação com as cidades. A peça tem sessões marcadas entre os dias 28 e 31/3. Os atores do Magiluth investigam a pulsação de figuras com o entorno urbano, articulando esses materiais com vários tipos de procedimentos cênicos. Composta por sequências fragmentadas, a montagem tem direção de Luiz Fernando Marques e Grupo Magiluth.

As apresentações de Aquilo que o meu olhar guardou para você fazem parte dos festejos de 15 anos do grupo recifense, que conta com série de atividades, no Sesc Avenida Paulista até 5 de maio. Três peças do repertório da companhia estão na programação. Aquilo que Meu Olhar Guardou para Você, já citada; Dinamarca (2017), uma versão magiluthiana de Hamlet, com sessões entre 4 e 7 de abril.

E a inédita Apenas o Fim do Mundo, que trata do momento na vida de um homem que retorna à casa para anunciar sua morte iminente. Com texto do francês Jean-Luc Lagarce e direção conjunta de Luiz Fernando Marques (Lubi) e Giovana Soar, a peça estreia no dia 11/4,

Além dos espetáculos, o Magiluth também trabalha com as oficinas Construindo a Cena, (até 10/4) e Jogo Total”, (de 17 a 20/4). um bate-papo, no dia 17/4, sobre o teatro nordestino nos últimos 15 anos completa a programação.

SERVIÇO

Aquilo que meu olhar guardou para você (2012)
De 28 a 31 de março de 2019
Duração: 90 minutos
Quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 18h
Sesc Avenida Paulista (Av. Paulista, 119 – Paraiso)
Arte II (13º Andar)
Classificação indicativa: 18 anos.
Transporte público: Estação Brigadeiro do Metrô – 350m
Informações: 3170.0800
Bilheteria: Terça a sábado, das 10h às 21h30. Domingos e feriados, das 10h às 18h30
Ingressos:
R$ 30,00 (inteira)
R$ 15,00 (meia)
R$ 9,00 (Credencial Plena)

DIREÇÃO: Luiz Fernando Marques Grupo Magiluth
DRAMATURGIA: Giordano Castro
ATORES: Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Lucas Torres, Mário Sergio Cabral e Pedro Wagner
STAND IN: Bruno Parmera
DIREÇÃO DE ARTE: Thaysa Zooby Guilherme Luigi
ILUMINAÇÃO: Pedro Vilela
DESIGN GRÁFICO: Guilherme Luigi
TÉCNICO: Bruno Parmera
PRODUÇÃO E REALIZAÇÃO: Grupo Magiluth

Dinamarca (2017)
De 4 a 7 de abril de 2019
Quinta a sábado, às 20h30 e domingo, às 17h30
Praça (térreo)
Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: 18 anos.
Ingressos:
R$ 30,00 (inteira)
R$ 15,00 (meia)
R$ 9,00 (Credencial Plena)

Apenas o fim do mundo (2019)
De 11 de abril a 5 de maio de 2019, exceto dia 19 de abril
Quinta a sábado, às 21h. Domingos e feriados, às 18h
Arte II (13º Andar)
Duração: 120 minutos
Classificação indicativa: 18 anos.
Ingressos:
R$ 30,00 (inteira)
R$ 15,00 (meia)
R$ 9,00 (Credencial Plena)

Oficinas
Desenvolvimento de experimentações Construindo a Cena
De até 10 de abril de 2019
Terça a sexta, das 14h às 17h
Arte II (13º Andar)
Grátis

Oficina Jogo Total
Dias 17, 18 e 20 de abril de 2019
Quarta, quinta e sábado, das 14h às 18h
Arte II (13º Andar)
Grátis

Bate-papo
Os últimos 15 anos de teatro no Nordeste
Com Grupo Magiluth, Fernando Yamamoto (Cia Clowns de Shakespeare) e Ivana Moura (pesquisadora de teatro).
Dia 17 de abril de 2019, quarta-feira, 20h30
Arte II (13º Andar)
Grátis

 

Paixão, movimento e sensualidade na peça coreográfica do grupo recifense. Foto: Paula Alencastro / Divulgação

Paixão, movimento e sensualidade na peça coreográfica Breguetu . Foto: Paula Alencastro / Divulgação

O brega da periferia recifense fala alto que é preciso se valorizar. Vale muitas coisas para melhorar o visual e não ligar para a opinião alheia. Se a vida é sofrida, uma dica é exagerar na dança. A montagem do Grupo Experimental coreografa o estilo de vida das periferias do Recife no palco, em cenas de gente comum, que salienta a atitude.

A música amplifica as paixões e os dramas afetivos, do fracasso ao sucesso, Breguetu convida o público para ser cúmplice dessas intimidades do cotidiano periférico. A diretora da companhia, Mônica Lira, defende que “O brega, ritmo que definimos e defendemos aqui, vai muito além da música. Brega é estado de felicidade e modo de vida”.

SERVIÇO

Breguetu
Grupo Experimental

Dias: 27 e 28/03
Quarta e Quinta– Feira às 20h
Teatro de Contêiner Mungunzá
R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia) / R$ 5,00 (moradores)
Duração: 60 min.
Classificação: 14 anos

Ficha Técnica:

Direção: Mônica Lira
Elenco: Jennyfer Caldas, Rafaella Trindade, Anne Costa, Lilli Rocha, Kildery Kildery, Everton Gomes
Trilha Sonora: Marcelo Ferreira e João Paulo Oliveira
Projeto de Luz e Operação: Beto Trindade
Figurinos: Carol Monteiro
Concepção de Maquiagem e Cabelo: Jennyfer Caldas
Projeto Cenográfico: Carlos Moura, Emeline Soledade, Danilo Carias e Rafael
Produção Geral: Danilo Carias
Assessoria de Produção: Caio Trindade
vendas online até 2 horas antes do evento
bilheteria aberta 2 horas antes do evento

 

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Carta para Alice, que anseia abraçar Pessoa

A peça, que segue em março para Portugal, faz uma reflexão sobre as perdas que temos ao longo da vida e sobre o ímpeto de viver.

Três sessões da peça Espera o outono, Alice, da AMARÉ Grupo de Teatro faz parte da campanha “Alice em Portugal”

                                                                                                                         Por Natali Assunção *

Alice, de um ano para cá a vida tem sido um turbilhão, né? Estreamos em janeiro de 2018 depois de um longo processo mergulhados nas necessidades, angústias e sonhos des envolvides. Lembra que, no início, queríamos adaptar Esperando Godot de Beckett? Desse referencial inicial levantamos diversos pontos que nos ligam. O cinema nos impregnou e quase virou título do espetáculo e textos nossos e de autores como Pedro Bomba, Marla de Queiroz, Hilda Hilst, Carl Sagan e Felipe André, por exemplo, também nos atravessaram. Estudamos view points e nos lançamos em um mergulho vertiginoso.

No início você ainda não estava materializada, mas no decorrer dessa teia você nos chegou com essa energia imensa, com esse sorriso largo de envolver o mundo! Você sabia que o ambiente se ilumina quando você chega e que nós morremos de saudade quando você não está por perto? Na verdade é meio assustador quando você diz que vai ali e volta já e demora muito para retornar. Faz falta.

Hoje eu gostaria de um abraço seu. Quem sabe sair para dançar? Tanto de você carrego em mim e quanto de mim você leva contigo, né!? Tanta coisa vem se passando que, às vezes, eu fico até tonta com o tudo que se segue. Os dias têm sido difíceis e pensar em você traz um pouco de paz, acalanta o coração. Engraçado, volta e meia me pego perdida admirando a lua e me pergunto se você está fazendo o mesmo.

Hoje, na verdade, não consegui ver a lua, mas tenho pensado nisso porque de vez em quando esqueço das cores e tudo parece cinza. No entanto ali, no palco, quando estamos juntas, tudo se alinha e, por um momento, penso que nos encontramos. Que verdadeiramente nos encontramos porque aquele espaço ainda nos reserva o encontro, essa magia de estarmos juntes. Olhos nos olhos. Então a perspectiva de te ver na sexta (15) e no sábado (16), às 20h, com mais um encontro no domingo (17), às 18h, lá no Teatro Arraial (R. da Aurora, 457 – Boa Vista) é de uma alegria imensa!

Estou ansiosa com essa perspectiva de estarmos em Portugal. É muito bonito ver que nossos passos se expandem. Veja bem, depois de tantos percalços e de forma totalmente independente, assim como fizemos no nosso primeiro espetáculo, Amar é crime, baseado no livro homônimo de Marcelino Freire, estreamos e, nesse nascimento, fomos vistos pelos Gambuzinos com um pé de fora, grupo português que, na época, realizava um intercâmbio com outro grupo pernambucano, o Resta 1 Coletivo de Teatro, nosso grupo irmão. Quem diria, né? Recebemos o convite e agora temos quatro apresentações em vista para além-mar hahahaha Mar… Tô rindo porque eu sei do seu apreço pelo mar.

Seria ótimo um mergulho numa noite de lua cheia. Vamos? Podemos terminar a noite dançando para secar a água salgada do nosso corpo. Mas voltando, temos então duas apresentações no Festival Ao teatro!, em Benedita, e ainda uma em Idanha-a-Nova e uma em Lisboa. É bom levar nosso trabalho para novas trocas porque, às vezes, poxa Alice, vou te confessar, às vezes, parece que tudo é muito difícil. Eu sei, eu sei, “tudo é muita coisa”;)

Acho que já falei demais, olha como os ponteiros seguem soltos… Mal posso esperar para te ver…

• O AMARÉ Grupo de Teatro iniciou uma campanha para levar Espera o outono, Alice para Portugal. Além de conferir as apresentações no Teatro Arraial, nas quais haverá ainda a venda de alguns produtos relacionados ao espetáculo, você também pode contribuir com qualquer valor por meio da conta:

CONTA POUPANÇA
BANCO DO BRASIL
AGÊNCIA: 3243-3
CONTA: 42.073-5
VARIAÇÃO: 51

Aproveita se segue o grupo nas redes sociais: @amaregrupodeteatro

                                           * Natali Assunção é atriz do espetáculo Espera o Outono, Alice

Espera o outono, Alice, do AMARÉ Grupo de Teatro, foi o terceira montagem a sair do festival. Foto Arnaldo Sete

Espetáculo traça reflexão sobre as perdas ao longo da vida e sobre o ímpeto de viver. Foto Arnaldo Sete

Serviço

Espera o outono, Alice
Quando: 15 e 16 de fevereiro (sexta-feira e sábado), às 20h, e 17 de fevereiro (domingo), às 18h
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna – Rua da Aurora, 457, Boa Vista
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), à venda na bilheteria 1h antes do início de cada sessão e antecipado no Site Sympla – Espera o outono Alice
Classificação indicativa: 14 anos Informações: 3184-3057 / 97914-4306

Direção: Quiercles Santana e Analice Croccia.
Elenco: Bruna Justino, Paulo César Freire, Isabelle Barros e Natali Assunção

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Sai de cena a Diva absoluta do teatro brasileiro

Bibi Ferreira morre nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro. Foto: Wilian Aguiar / Divulgação

Bibi Ferreira morreu nesta quarta-feira, aos 96 anos, no Rio de Janeiro. Foto: Wilian Aguiar / Divulgação

Há artista que queremos que viva para sempre aqui na Terra. Um desejo pueril, é verdade. É como se fosse um totem, um farol de ilha. São seres que transbordam de talento, mas também perseguem o mais pleno domínio técnico e não negligencia da disciplina. Abigail Izquierdo Ferreira era uma dessas criaturas. Atriz, cantora, compositora e diretora, a nossa Bibi Ferreira partiu para outra dimensão no início da tarde desta quarta-feira (13/02), aos 96 anos. Ela descansava em seu apartamento no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro, quando sofreu uma parada cardíaca. Em setembro do ano passado, Bibi havia anunciado aposentadoria dos palcos – por conta de recomendações médicas – quando encerrou a turnê Por Toda a Minha Vida. Ela foi internada no ano passado em três ocasiões por conta de infecções oportunistas.

“Nunca pensei em parar. Essa palavra nunca fez parte do meu vocabulário, mas entender a vida é ser inteligente. Fui muito feliz com minha carreira. Me orgulho muito de tudo que fiz. Obrigada a todos que de alguma forma estiveram comigo, a todos a que me assistiram, a todos que me acompanharam por anos e anos. Muito obrigada!”

Bibi Ferreira anunciou sua aposentadoria em comunicado publicado em rede social, em 10 de setembro de 2018.

A professora e doutora em teatro Deolinda França de Vilhena, que foi produtora e secretária particular de Bibi, recebeu a notícia da morte em Paris e fez uma transmissão ao vivo pelo Facebook. Muito emocionada postou: “Graças a D’us eu estou no lugar certo! Estou na Cartoucherie de Vincennes, no Théâtre du Soleil, D’us sabe o que faz e a gente não sabe o que diz…”. Agradeceu: “Obrigada por tudo…te amarei eternamente! E sei que tenho mais um anjo da guarda a velar por mim!”. E pleiteou que “o velório de Bibi seja no palco do Teatro Municipal, o foyer é pequeno para a importância dela!”

Bibi Ferreira morre nesta quarta-feira, no Rio de Janeiro. Foto: Wilian Aguiar / Divulgação

Uma combinação de talento e dedicação às artes cênicas. Foto: Wilian Aguiar / Divulgação

Ao longo da carreira, Bibi encarou grandes desafios, cantou Edith Piaf, Amália Rodrigues, Carlos Gardel, Dolores Duran, Chico Buarque, entre outros. Por sua atuação como a personagem Joana, da peça Gota D’Água, de Paulo Pontes e Chico Buarque (adaptação da tragédia Medéia, de Eurípedes, para os morros cariocas), com direção de Gianni Ratto, recebeu o prêmio Molière em 1975.

Bibi tinha ascendência portuguesa, espanhola e argentina. Ela nasceu no Rio em 1º de julho de 1922, filha do ator Procópio Ferreira e a bailarina Aida Izquierdo. Sua estreia nos palcos, do qual nunca iria sair por quase toda a sua vida, foi com apenas 24 dias. Em cena, ela apareceu no colo da madrinha, Abigail Maia, em encenação de Manhãs de sol, de Oduvaldo Vianna (1892-1972). Bibi substituiu uma boneca que seria usada na peça e desapareceu pouco antes do início do espetáculo.

Conta que ela foi morar na Espanha com a mãe depois da separação dos pais e lá estudou balé. De volta ao Brasil, não foi aceita no tradicional Colégio Sion, no Rio de Janeiro, por ser herdeira de um artista de teatro. Procópio então bancou os estudos em Londres.

Sua estreia profissional ocorreu no Brasil, em 1941, no papel da esfuziante Mirandolina, da peça La locandiera, de Carlo Goldoni. Três anos depois monta sua própria companhia, por onde passaram nomes como Cacilda Becker, Maria Della Costa, Henriette Morineau, Sérgio Cardoso e Nydia Licia. Foi uma das primeiras mulheres a dirigir teatro no Brasil.

Por Piaf, a Vida de uma Estrela da Canção, recebeu os prêmios Mambembe e Molière, em 1984 e da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo (APETESP) e Governador do Estado, em 1985. Nos primeiros quatro anos, dos seis que ficou em cartaz, o espetáculo atingiu a marca de um milhão de espectadores.

Bibi foi casada seis vezes. Com Carlos Lage, Armando Magno, Herval Rossano, Edson França, Paulo Porto e Paulo Pontes. A artista teve uma única filha com o ator Armando Carlos Magno: Tereza Cristina Izquierdo Magno.

Em março do ano passado, já com 95 anos, a artista foi conferir o espetáculo Bibi: uma vida em musical. Ficou emocionada com a peça escrito por Artur Xexéo e Luanna Guimarães, com direção de Tadeu Aguiar e com interpretação de Amanda Costa, e cantou sem microfone, uma música de Edith Piaf (1915-1963).

Artista multimídia, Bibi ao longo da carreira fez filmes, apresentou programas de TV, gravou discos e dirigiu shows. Essa artista fascinante deixa o exemplo mais perfeito de amor e dedicação a essa arte.

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Não nos matem! Não nos maltratem!

Cicatriz (Toni Rodrigues - Divulgação) (17)

Peça Cicatriz apresenta histórias recheadas por traumas, opressões, abusos e discriminações contra pessoas da comunidade LGBT. Elenco é formado por Barbara Brendel, Fábio Queiroz, Flávio Moraes, Igor Cavalcanti Moura, Jandson Miranda, Milton Raulino, Nilo Pedrosa, Ricardo Andrade, Rodrigo Porto, Sophia William e Waggner Lima. Foto: Toni Rodrigues/ Divulgação

Cicatriz

Produção recifense faz duas únicas apresentações no Teatro Barreto Junior. Foto: Toni Rodrigues/ Divulgação

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Cicatriz expõe feridas da comunidade LGBT e clama por respeito. Foto: Tony Rodrigues /Divulgação

A travesti Quelly da Silva, 35 anos, foi morta e teve o coração arrancado em Jardim Marisa, na região do Campo Belo, em Campinas (SP). A transexual Myrella, 29 anos, enforcada e encontrada morta num terreno baldio no Centro de Balneário Camboriú, no Litoral Norte catarinense. A travesti ‘Fernanda da biz’, esfaqueada por 80 vezes antes de ter a cabeça esmagada, na cidade de Rio Brilhante, a 158 quilômetros de Campo Grande. O transexual Tadeu Nascimento, 24 anos, espancado, recebeu tiro fatal na cabeça no bairro de São Cristóvão, em Salvador. O cabeleireiro Plínio Henrique de Almeida Lima, 30 anos, sofreu uma facada mortal na avenida Paulista, em São Paulo. José Ribamar Alves Frazão foi morto à paulada e teve o corpo incendiado quando ainda estava vivo, na cidade de Cachoeira Grande, na região maranhense do Munim.  Esses assassinatos violentos compõe uma estatística aterrorizante para a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis) no Brasil. São algumas vítimas da homotransfobia no país.

As violências vivenciadas por personagens reais e inventados são elaboradas e expostas no espetáculo Cicatriz, produção recifense que faz sessões sábado (09/02) e domingo (10/02), no Teatro Barreto Júnior, no Recife. São histórias emblemáticas , que trazem à tona a crueldade do machismo, do patriarcado, do capitalismo, da arrogância.

De acordo com a ONG Grupo Gay da Bahia (GGB), uma pessoa LGBT foi morta a cada 20 horas no Brasil em 2018. 

Segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), entre 2013 e 2014 foram registrados pelo menos 770 casos de violência contra pessoas LGBT na América Latina, sendo que 594 pessoas foram assassinadas.

Dois exemplos representativos: em 2012, uma lésbica afrodescendente começou a chamar a atenção de um líder paramilitar na região de Antioquia (Colômbia). Ela o rejeitou e, em consequência, foi abusada sexualmente em duas ocasiões pelo líder e por um grupo de acompanhantes do mesmo, em função de sua orientação sexual. Além disso, foi perseguida e hostilizada ao tentar fazer uma denúncia formal sobre o ocorrido. Outro caso emblemático foi o assassinato de Daniel Zamudio, um jovem chileno morto em 2012 ao sair de um bar em um parque de Santiago. Quatro jovens o atacaram e o torturaram durante horas com alto grau de crueldade, em função de sua orientação sexual, deixando nele marcas de suásticas na pele, pernas quebradas e queimaduras. Zamudio faleceu depois no hospital.
VIOLÊNCIA CONTRA PESSOAS LGBT – Goethe-Institut – Brasilient

Ser LGBT é um fator de risco à própria vida numa sociedade em que grupos políticos e religiosos querem controlar socialmente como os outros exercem sua sexualidade ou constroem suas identidades. Pertencer a essa comunidade é ser potencialmente alvo de hostilizações e violência nas ruas, mutilação de membros, prática das “violações corretivas” e outras crueldades.

“Crime de ódio” ou, “crime por preconceito” em variados níveis de maltrato são praticados por bandos “fora da lei”, autoridades estatais e indivíduos ou grupos sociais que se posicionam contra a diversidade sexual e de gênero.

A população LGBT é afetada diretamente pela violência e ódio na política.

85 denúncias de assassinatos de LGBT em 2018, somente até julho, foram contabilizadas pelo governo, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos (agora Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos). Esses números oficiais alarmantes não impediram que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) retirasse a população LGBT das diretrizes de políticas públicas do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, como constava anteriormente. A Medida Provisória 870 foi assinada em 1º de janeiro, dia da posse presidencial, .

Para viver e sobreviver LGBTs devem lutar até mesmo contra o governo, já que Bolsonaro pai alardeou em entrevistas que é “homofóbico, com muito orgulho” e que preferiria ter um filho morto a um filho homossexual.

É assustador!!!

O espetáculo Cicatriz adota um discurso de luta cotidiana e resistência pelo direito à vida. Encenado pelo ator e diretor Antônio Rodrigues, da Cênicas Cia. De Repertório, a peça traça um painel de histórias de ofensa, traumas, opressões, abusos e discriminações contra a comunidade LGBT em diferentes épocas, contextos e esferas sociais. Cicratiz junta fatos reais, vivências pessoais do elenco de 11 atores e livre inspiração em recortes da obra do escritor e dramaturgo Caio Fernando Abreu.

“Em pleno século 21, ainda há pessoas que acham que LGBTfobia não existe, quando há gays, lésbicas e transexuais sendo agredidos física e psicologicamente apenas por serem quem são”, argumenta Antônio. Ele defende que a montagem é um grito de protesto e empoderamento, uma intervenção através da arte para sensibilizar o público e gerar reflexões sobre o lugar do LGBT na sociedade atual.

“Queremos que as pessoas se coloquem no lugar deles e se perguntem – Como eu me sentiria estando naquela pele? Eu saberia enfrentar essas dores?”, convoca o diretor para a empatia, solidariedade e reconhecimento desses corpos, que vibram de desejos e não suportam mais tanta violência .

SERVIÇO:
Espetáculo Cicatriz
Quando: sábado e domingo, 9 e 10 de fevereiro de 2019
Onde: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, S/N, Pina – Recife/PE)
Horário: sábado, às 20h; domingo, às 19h
Ingressos: R$ 40 (inteira) /R$ 20 (meia). À venda na bilheteria do teatro, 2 horas antes do espetáculo.

FICHA TÉCNICA:
Direção geral: Antônio Rodrigues
Assistência de direção: Sônia Carvalho
Direção musical:
Douglas Duan
Desenho de luz e operação:
Rogério Wanderley
Figurinos e adereços:
Álcio Lins
Texto:
criação coletiva
Elenco:
Barbara Brendel, Fábio Queiroz, Flávio Moraes, Igor Cavalcanti Moura, Jandson Miranda, Milton Raulino, Nilo Pedrosa, Ricardo Andrade, Rodrigo Porto, Sophia William e Waggner Lima.
Apoio:
Cênicas Cia. De Repertório
Realização:
Antônio Rodrigues Produções

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