Arquivo do Autor: Pollyanna Diniz

Todo mundo odeia Caio
Crítica do espetáculo Cachorros não sabem blefar

Cachorros não sabem blefar, espetáculo de um grupo focado no Teatro do Absurdo

Os personagens dividem o mesmo espaço territorial, mas não conseguem conviver. As situações vão girando em círculos, se repetindo em intervalos, evidenciando ódios aleatórios, construídos sem motivação real aparente. Comunicação é apenas uma utopia quando faço questão de não ouvir ou o que eu digo não encontra ressonância no outro. O relógio está parado porque o tempo de alguma forma também parou, o que é lamentável, deixando todos presos ali, sem expectativa de mudança, mas ansiosos para que alguma coisa finalmente aconteça. Não necessariamente estamos falando da política no nosso país. Ou da espera para que Rodrigo Maia dê andamento ao processo de impeachment de Bolsonaro. Mas também estamos. Por que não? Cachorros não sabem blefar, título mais do que pertinente ao momento, provocador, é o espetáculo do “Grupo? Que absurdo!”, de Caruaru, apresentado neste Janeiro de Grandes Espetáculos.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DO 27º JANEIRO DE GRANDES ESPETÁCULOS.

Em 2016, Rhamon Gutiérrez, diretor do espetáculo, que também está no elenco, e outras duas pessoas da equipe, viram essa dramaturgia ser encenada pela Cia. 5 Cabeças, de Belo Horizonte. Com texto e direção do mineiro Byron O’Neill, a peça foi apresentada em Caruaru, Arcoverde e Triunfo pelo projeto Palco Giratório, do Sesc. Naquele momento, o grupo pernambucano ainda não existia em sua formatação atual, mas Gutiérrez tinha um grupo chamado Trupe Zupee de Teatro. Em 2018, montou A Cantora Careca, de Eugène Ionesco, um dos dramaturgos do Teatro do Absurdo, mesma linha do texto do mineiro O’Neill.

O termo Teatro do Absurdo surgiu no fim da década de 1950 para dar conta de um teatro criado pós-Segunda Guerra Mundial, que tinha muito a ver com o homem forjado naquele ambiente. Os textos trazem desolação, incapacidade de comunicação, situações non sense. Obras de dramaturgos como Ionesco, Samuel Beckett, Harold Pinter e Fernando Arrabal são representantes do Teatro do Absurdo.

Depois dos estudos que fizeram para montar A Cantora Careca, os artistas decidiram encerrar a Trupe Zupee de Teatro e fundar o “Grupo? Que absurdo!”. Lembraram então do texto de O’Neill, que cedeu os direitos da dramaturgia. As leituras e ensaios começaram em 2019, com a expectativa de estreia em abril de 2020, que esbarrou na pandemia do coronavírus. Continuaram virtualmente até que o Teatro Rui Limeira Rosal fosse liberado para receber o público. A estreia aconteceu no fim do ano passado.

No espetáculo, cinco pessoas que, aparentemente, não possuem nenhum elo, convivem enquanto o tempo parece estagnado. É um texto que explora bastante o recurso da repetição e que fala do quanto somos intolerantes. Dos nossos preconceitos, das incapacidades como sociedade. Há um suspense instaurado, como se algo estivesse sempre prestes a romper o estabelecido. De uma hora para outra, como efeito manada, todos odeiam pessoas com o nome Caio e isso desencadeia uma série de reações.

O elenco da versão pernambucana tem Adriana Oliveira, Gomes Silva, Paula Monteiro, Rhamon Gutiérrez e Síntique Ramos. São todos atores jovens. Talvez a própria trajetória do espetáculo traga mais potência a esses personagens, que já possuem um discurso, porém frágil, já que esse texto ainda não repercutiu nos corpos. E texto também é corpo. Algumas perguntas ainda estão sem resposta dentro do próprio processo. Por exemplo: como me ouvir enquanto falo? Como ouvir enquanto o outro fala? Como ouvir com o corpo inteiro? Como falar com o corpo inteiro? De que forma a minha presença no palco alcança quem está na plateia? Qual a relação disso com energia, ritmo, tensão? São questionamentos que podem aprimorar o espetáculo e que servem para uma vida inteira.

Se o caminho do Teatro do Absurdo é a escolha prioritária do grupo, falta agora ampliar as possibilidades de carregar esses personagens tão distópicos. É uma longa estrada, uma espera que vai parecer sem fim, talvez seja irritante perseguir o resultado desejado, o relógio muitas vezes vai parecer parado. Até que se entenda a relevância do processo, da continuidade, da transformação.

Ficha técnica:
Cachorros não sabem blefar, do Grupo? Que absurdo!
Direção:  Rhamon Gutiérrez
Dramaturgia:  Byron O’Neill
Elenco: Adriana Oliveira, Gomes Silva, Paula Monteiro, Rhamon Gutiérrez e Síntique Ramos
Direção de arte:  Rhamon Gutiérrez
Trilha sonora:  Everton Albuquerque
Técnico de som:  Júlia D’arruda
Desenho de Luz:  Rhamon Gutiérrez 
Técnicos de luz:  Wendel Mendonça
Acompanhamento de processo:  Everton Albuquerque e Sil Cardoso

 

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Na pandemia, somos todos Caipora
Crítica do espetáculo Caipora quer dormir

Caipora quer dormir, espetáculo com atuação de Giselle Rodrigues. Foto: Diego Bresani

Casa virou local de trabalho, que depois se transforma em restaurante, que vira academia, que pode ser também cinema, sala de teatro, boate de luzes coloridas, igreja e até consultório médico. E olhe que estamos falando de “casa” sendo mais generalistas já que, em terra de pandemia, quem tem espaço, varanda, quintal, ar puro, céu, sol e estrelas é rei. Caipora quer dormir – um espetáculo infantil para adultos estreou em 2017, em Brasília, bem antes dessa loucura que modificou tanto nossas vidas, os contextos familiares, as relações de trabalho. Mas é um espetáculo que, neste momento, expande seus contornos e possibilidades semânticas.

A gravação do espetáculo foi exibida no primeiro fim de semana do 27ª Janeiro de Grandes Espetáculos, uma edição que está acontecendo tanto em formato on-line quanto presencial. Confira aqui a programação.

Um dos elementos que mais nos chama atenção e desperta a curiosidade é a cenografia da montagem. Um apartamento rosa cheio de detalhes que pode ser comparado àqueles de revistas e contas de Instagram de decoração com chamadas “convidativas” do tipo: aprenda como viver “bem” em 10 metros quadrados, com o guarda-roupa que está escondido na parede, a cama que sai de num sei onde, a cozinha que é integrada e fica escondida em algum lugar. Das mágicas que construtoras e arquitetos conseguem fazer para que você ache que o lugar é maravilhoso, mesmo que toda sua extensão termine depois de três passos largos.

A casa de Caipora é exatamente assim – um espaço mínimo, mas com muitas soluções engenhosas, como se a vida se encaixasse perfeitamente em tudo que está disponível ali, naquele quadrado. Para amplificar as identificações que possam ter surgido ao longo dessa descrição, vai aqui mais uma informação: as plantas dispostas pelo cômodo dão a sensação de aconchego e de algum contato mínimo com a natureza.

O problema é que, no nosso caso (ou de muitas pessoas), estamos isolados em lugares mais ou menos assim por quase um ano. A sensação de claustrofobia, de não aguentar mais olhar para as quatro paredes, é gigantesca – ainda que a gente saiba que tragédia mesmo é morrer dentro de um hospital por falta de oxigênio como neste momento está acontecendo no Amazonas. Tragédia é viver num país que não tem governo e deixou que perdêssemos mais de 200 mil vidas numa pandemia.

Caipora volta do trabalho carregada de livros e, nesse intervalo, até que seja obrigada a sair de novo, uma vida inteira de tarefas acontece. Dobrar lençóis, fazer ginástica, estudar.  Só que Caipora está exausta, enclausurada nas obrigações cotidianas que nos acostumamos a tratar como normais na nossa vida. E que acabam preenchendo muito do nosso tempo. Como se a vida fosse só isso. Trabalhar, pagar boleto, lavar prato, ver a série que acabou de sair na Netflix, postar o por do sol no Instagram. Vamos nos habituando, resilientes que somos, e quando vemos, perdemos o controle. Levanta a mão quem não recebe mensagens de WhatsApp falando sobre trabalho depois do horário comercial ou quem não sente os efeitos da exposição prolongada às redes sociais. Se os limites já eram difíceis de serem mantidos, com a pandemia tornaram-se frágeis, esfumaçados.

Personagem está exaurida pelas tarefas do cotidiano

A montagem é uma parceria de dois nomes significativos na cena de Brasília: Giselle Rodrigues, coreógrafa, bailarina, atriz e professora, e Jonathan Andrade, ator, dramaturgo, professor, poeta, dançarino, cenógrafo.  Criação, direção, dramaturgia, cenografia e figurino de Caipora quer dormir são assinados por Andrade e a criação e atuação são de Giselle. Glauber Coradesqui fez colaboração dramatúrgica e assistência de direção.

O espetáculo quase não possui falas da personagem Caipora. O trabalho está baseado num trabalho elaborado de corpo de Giselle. São padrões de repetição, movimentações, uma cansaço que vai se tornando desesperador que ela consegue transmitir até na gravação da peça. A personagem é acompanhada por um narrador, como aqueles de desenhos animados, que conversa com a personagem, que pode ou não ser a nossa voz interior que não se cala nunca.

Por que não dormimos? Conseguimos descansar neste país? No limite da personagem, uma ruptura. Uma busca pelo que é inerente. Neste momento, mais do que nunca, precisamos de árvores plantadas no meio da sala. Precisamos nos reconectar com o que mais importa enquanto, tomara, meu Deus tomara, tudo isso passe.

Ficha técnica:
Caipora quer dormir – um espetáculo infantil para adultos
Criação, direção, dramaturgia, cenografia e figurino: Jonathan Andrade
Criação e atuação: Giselle Rodrigues
Colaboração dramatúrgica e assistência de direção: Glauber Coradesqui
Narração: Lupe Leal
Trilha sonora original: Quizzik
Iluminação original: Dalton Camargos
Ilustração e programação visual: Lucas Gehre
Fotografia: Diego Bresani
Produção executiva e gestão administrativa/financeira: Naná Maris
Cenotécnico: Kai Christian Kundrat
Operação de som: Micheli Santini
Operação de luz: Ananda Giuliani
Contrarregra: Jeferson Alves
Cinegrafista: Fernando Soares
Intérprete de libras: Isah Messias
Arte-educador: Wellington Oliveira
Projeto Escola: Lidi Leão

 

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27º Janeiro de Grandes Espetáculos tem programação enxuta, presencial e digital

Janelas para Navegar Mundos, do Coletivo Trippé, de Petrolina. Foto: Wiharlley Rubson

Tudo é uma questão de referencial. A 27ª edição do Janeiro de Grandes Espetáculos – JGE Conecta começa nesta quinta-feira (7) com uma programação enxuta: 35 espetáculos exibidos on-line e 13 presenciais, no Teatro de Santa Isabel, Teatro do Parque e Teatro Luiz Mendonça. No ano passado, uma edição construída depois do revés de 2019 –  que cancelou a apresentação da atriz Renata Carvalho, ocasionando desistências de apresentações de vários grupos em solidariedade à artista – , o festival contou com 90 atrações e programação na capital e em mais seis cidades: Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe, Goiana, Caruaru, Garanhuns e Serra Talhada.

As circunstâncias relativas à pandemia do coronavírus e as restrições econômicas brecaram o ímpeto megalomaníaco costumeiro do festival, mas marcaram uma posição importante de existência/resistência. Além disso, é possível dizer que a programação 2021 tem coerência e a marca de José Manoel Sobrinho, gerente de programação do festival, recém empossado presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife.

A programação inclui, por exemplo, três espetáculos da região Norte: Mestiçagem / Megesitsem, da Contém Dança Cia; Jogo do Bicho, do grupo Garagem (ambos grupos do projeto de residência de Artes Cênicas do Sesc Amazonas, de Manaus); e Lugar da Chuva, do coletivo Frêmito Teatro, do Macapá, em parceria com o Agrupamento Cynétiko, de São Paulo. “O Nordeste precisa dialogar com a produção de todas as regiões do Brasil. Procurei aproximar um pouco mais o Norte, apesar da dificuldade que se tem”, diz José Manoel.

Outra marca dessa programação é a participação massiva de grupos do interior do estado – uma queixa antiga que foi resolvida este ano, em parte, pelas “facilidades” do digital. Só de Petrolina, no Sertão pernambucano, temos os espetáculos Cavalo, da Qualquer um dos 2 Companhia de Dança, que será presencial, no Teatro do Parque; Janelas para navegar mundos (on-line) e Debaixo d’Água, presencial, no Teatro de Santa Isabel, ambos do Coletivo Trippé; Rua dos Encantados, da Cia de Teatro Sarau das Seis; Sentimentos Gis, de Cleybson Lima; Desalinho, do Núcleo 27 de Dança; e Processo Medusa, do Núcleo Biruta de Teatro.

Cavalo, espetáculo da Qualquer um dos 2 Companhia de Dança. Foto: Thierri Oliveira

Grupos consolidados da capital pernambucana, que participam com frequência do Janeiro de Grandes Espetáculos, desta vez não estão na programação. “Os grupos de referência não estão presentes porque não se inscreveram”, explica José Manoel. “O interior inscreveu muito mais do que a Região Metropolitana do Recife. Nenhum espetáculo de dança da Região Metropolitana se inscreveu para a programação presencial. Nós não tínhamos nem a oportunidade da escolha, porque não houve inscrição”, complementa.

Outra perspectiva para a ampliação das inscrições do interior pode estar na participação da Ripa – Rede Interiorana de Produtores, Técnicos e Artistas de Pernambuco na comissão de seleção, que pensou a programação 2021, e fez uma divulgação massiva do edital. Além de Djaelton Quirino, representante da Ripa, participaram da comissão Gheuza Sena (atriz do Recife), Genivaldo Francisco (representante da Amotrans – Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de PE) e Clara Isis Gondim (bailarina de Petrolina).

O Botequim da Elizeth Cardoso, espetáculo assinado pela Amotrans. Foto: Divulgação

Outra questão que talvez deva ser levada em conta é que o edital pedia que os espetáculos inscritos nunca tivessem se apresentado no festival, o que pode ter inviabilizado a participação de grupos da capital que não estrearam trabalhos no 2020 pandêmico.

A programação não inclui também nomes mais consagrados no cenário nacional e internacional. “Não há e não houve nenhuma intenção do Janeiro de Grandes Espetáculos de manter uma distância dos ícones, das referências do teatro brasileiro ou internacional. O que houve foi uma limitação real do atual contexto que a gente vive”, confessou o gerente de programação.

Até a primeira semana de dezembro de 2020, as equipes de trabalho envolvidas no festival não tinham certeza do orçamento do JGE. A programação foi pensada com grupos que aceitaram receber percentuais de bilheteria, ao invés de cachês fixos, ou toparam se apresentar gratuitamente – principalmente aqueles que possuem ligações com grupos de pesquisas de universidades ou com o Sesc do Amazonas, por exemplo. De acordo com Paulo de Castro, diretor geral do festival, o orçamento total do JGE Conecta é de R$ 630 mil.

Novidades – Uma parte substancial da programação do Janeiro este ano integra a Mostra de Escolas Independentes de Teatro, Dança e Circo, com apresentações sem cobrança de ingressos. O público será chamado a colaborar com os valores que desejar e o total será dividido entre os grupos.

Segundo José Manoel, “a mostra tem um caráter pedagógico, de discutir sustentabilidade, como sobrevivem as escolas independentes de teatro, dança e circo que, de fato, são grandes formadores hoje de artistas em Pernambuco. O conceito de qualidade passa pela possibilidade da vivência”.

Outra novidade é a inclusão da linguagem do circo como uma categoria do Janeiro, ao lado de Teatro adulto, Teatro para infância e juventude, Dança, Música e Mostra de Escolas Independentes de Teatro, Dança e Circo.

Desobediência, da Escola O Poste. Foto: divulgação

Abertura – Mesmo que a cerimônia de abertura vá acontecer de forma online, não vai ser desta vez que os espectadores se livraram dos tradicionais e tediosos – com raríssimas exceções – discursos da noite inaugural. A conta do Instagram do festival marcou a participação do secretário de Cultura de Pernambuco, Gilberto Freyre Neto, do prefeito do Recife, João Campos, do secretário de Cultura do Recife, Ricardo Mello, e de José Manoel Sobrinho, gerente de programação da edição 2021 e agora presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife.

Os homenageados desta edição foram divididos por categoria. Na música, o maestro Ademir Araújo e a pianista Ellyana Caldas. No teatro, o escritor e dramaturgo Ronaldo Correia de Brito e a atriz Arari Marrocos, de Caruaru. No circo social, a artista-educadora Fátima Pontes; e, no circo popular, o mágico Alakazam. Na dança, o artista e pesquisador Jailson Lima, de Petrolina, e a bailarina Cláudia São Bento.

A programação de abertura, que será gratuita, contará com apresentações de Laís de Assis, violeira e violonista, e de Gabi da Pele Preta, que se autodenomina “cantriz”. A mestre de cerimônias será a atriz Fernanda Spíndola.

Bilheteria – Tanto para os espetáculos presenciais quanto para os que vão acontecer on-line, os ingressos custam R$ 20 (com cobrança de taxa adicional de R$ 2,50 pela Sympla). As transmissões dos espetáculos online vão acontecer pelo YouTube do festival e algumas conversas chamadas de “Palavração”, pelo Instagram.

PROGRAMAÇÃO GERAL
27º JANEIRO DE GRANDES ESPETÁCULOS – JGE CONECTA

07/01 – quinta-feira

19h30 – Abertura do 27º JGE  (on-line)
Apresentações de Laís de Assis (Recife) e Gabi da Pele Preta (Caruaru)
Gratuito

08/01 – sexta-feira

19h30 – JGE CONECTA AO VIVO – Música (presencial) – Teatro Luiz Mendonça
Augusto Silva & Frevo Novo (Recife) 

21h – JGE CONECTA TEATRO (on-line) – Caipora Quer Dormir  – um espetáculo infantil para adultos (Giselle Rodrigues Britto e Jonathan Andrade, Grupo de Pesquisa MOVER, do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília – UnB     

Caipora Quer Dormir – um espetáculo infantil para adultos. Foto: Diego Bresani

09/01 – sábado

16h – MOSTRA JGE ESCOLAS INDEPENDENTES DE TEATRO, DANÇA E CIRCO (on-line)
Desobediência (Escola O Poste de Antropologia Teatral, Recife)
Gratuito com campanha de arrecadação no Picpay e QR Code

19h30h – JGE CONECTA AO VIVO – DANÇA (presencial) – Teatro do Parque
Cavalo (Qualquer um dos 2 Companhia de Dança, Petrolina) 

21h – JGE CONECTA MÚSICA – (on-line)
Chris Nolasco – Sou Negra (Recife) 

10/01 – domingo

19h30 – JGE CONECTA AO VIVO – CIRCO (presencial) – Teatro Luiz Mendonça
Enquanto Godot não Vem (Cia. 2 em Cena, Recife) 

21h – JGE CONECTA DANÇA (on-line) – À um Endroit du Début (A um lugar do Início, com Germaine Acogny, École des Sables,, Dakar – Senegal)

11/01 – segunda-feira

10h – JGE CONECTA PALAVRAÇÃO – (on-line)
Conversas virtuais

16h – JGE CONECTA TEATRO PARA INFÂNCIA E JUVENTUDE (on-line)
Re te Tei (Tropa do Balacobaco, Arcoverde) 

21h – JGE CONECTA TEATRO ADULTO (on-line)
A Paixão de Brutus – Um Teatro – Canção sobre o Julio Cesar de Shakespeare (Pedro Sá Moraes, Rio de Janeiro) 

12/01 – terça-feira

21h – JGE CONECTA DANÇA (on-line)
Janelas para navegar mundos (Coletivo Trippé, Petrolina) 

13/01 – quarta-feira

19h – JGE CONECTA TEATRO ADULTO (on-line)
Cachorros não Sabem Blefar (Grupo? Que absurdo!, Caruaru) 

21h – JGE CONECTA MÚSICA. (On-line)
Trajetória Instrumental (Recife) 

14/01– quinta-feira

10h – JGE CONECTA PALAVRAÇÃO – (on-line)
Conversas virtuais

16h – MOSTRA JGE ESCOLAS INDEPENDENTES DE TEATRO, DANÇA E CIRCO (on-line)
E nós que nos Queríamos tão Bem (Curso de Interpretação para o Teatro, CIT, Sesc Piedade – Jaboatão dos Guararapes)                                                                                                                              Gratuito com campanha de arrecadação no Picpay e QR Code

20h – JGE CONECTA AO VIVO – TEATRO (presencial) – Teatro de Santa Isabel
Depois do Fim do Mundo (Cia Experimental de Teatro, Vitória de Santo Antão)

21h – JGE CONECTA DANÇA (on-line)
DNA do Passo (Grupo Destramelar, Recife) 

15/01 – sexta-feira

18h – MOSTRA JGE ESCOLAS INDEPENDENTES DE TEATRO, DANÇA E CIRCO (on-line)
Experimento Multimídia: um Jogo Dialético (Curso de Interpretação para o Teatro, CIT, Santo Amaro, Recife                                                                                                                                     Gratuito com campanha de arrecadação no Picpay e QR Code

19h30 – JGE CONECTA AO VIVO – MÚSICA (presencial) – Teatro do Parque
Viva Pernambuco Ano 20 – André Rio e Convidados: Maestro Fábio Valois e Luciano Magno (Recife) 

21h – JGE CONECTA TEATRO ADULTO (on-line)
Rua dos Encantados (Cia de Teatro Sarau das Seis, Petrolina)

16/01 – sábado

16h – JGE CONECTA AO VIVO – DANÇA PARA CRIANÇAS (presencial) – Teatro de Santa Isabel
Debaixo d`Agua (Coletivo Trippé, Petrolina) 

18h – MOSTRA JGE ESCOLAS INDEPENDENTES DE TEATRO, DANÇA E CIRCO (on-line)
O Despertar (Curso de Teatro Cênicas Cia de Repertório, Recife)                                                          Gratuito com campanha de arrecadação no Picpay e QR Code

21h – JGE CONECTA MÚSICA (on-line)
Revoredo (Garanhuns) 

17/01 – domingo

16h – JGE CONECTA AO VIVO – Teatro para Crianças e Jovens (presencial) – Teatro do Parque
O Espelho da Lua (Tropa do Balacobaco, Arcoverde) 

18h – JGE CONECTA CIRCO (on-line)
O Matuto (Rapha Santacruz, Recife) 

21h – JGE CONECTA DANÇA (on-line)
Sentimentos Gis (Cleybson Lima, Petrolina) 

18/01 – segunda-feira

10h – JGE CONECTA PALAVRAÇÃO – (on-line)
Conversas virtuais

16h – JGE CONECTA TEATRO PARA INFÂNCIA E JUVENTUDE (on-line)
Salve o Marmulengo (Mamulengo Jurubeba, Recife) 

21h – JGE CONECTA Dança (on-line)                                                                                                 Trastos (Juliana Atuesta, Bogotá, Colômbia) 

19/01 – terça-feira

10h – JGE CONECTA PALAVRAÇÃO – (on-line)
Conversas virtuais

16h – JGE CONECTA TEATRO PARA INFÂNCIA E JUVENTUDE (on-line)
Memórias da Emilia (Grupo de Teatro Ená Iomerê, do Colégio Diocesano de Caruaru) 

21h – JGE CONECTA TEATRO (on-line)                                                                                                  Lugar da Chuva (Frêmito Teatro, Macapá, e Agrupamento Cynétiko, São Paulo )

20/01 – quarta-feira

10h – JGE CONECTA PALAVRAÇÃO – (on-line)
Conversas virtuais

19h – JGE CONECTA TEATRO ADULTO (on-line)
Congresso do Kaos (Teatro do Amanhã, Jaboatão dos Guararapes) 

20h – JGE CONECTA AO VIVO – MÚSICA (presencial) – Teatro de Santa Isabel
Pajeú de Cantoria e Contações: Paulo Matricó (Tabira) 

21/01 – quinta-feira

19h – JGE CONECTA AO VIVO – TEATRO (presencial) – Teatro do Parque/jardim
Ópera D’Água (Reduto CenaLAB, Surubim) 

19h – JGE CONECTA DANÇA (on-line)                                                                                      Mestiçagem / Megesitsem (Contém Dança Cia, Projeto de Residência de Artes Cênicas do Sesc Amazonas, Manaus)
Gratuito

21h – JGE CONECTA TEATRO (on-line)                                                                                                      Sonhares (Teatro do Instante, vinculado ao Grupo de Pesquisa Poéticas do Corpo, da Universidade de Brasilia – UnB)
Gratuito

22/01 – sexta-feira

16h – MOSTRA JGE ESCOLAS INDEPENDENTES DE TEATRO, DANÇA E CIRCO (on-line)
Processo Medusa (Núcleo Biruta de Teatro, Petrolina)
Gratuito com campanha de arrecadação no Picpay e QR Code

19h30 – JGE CONECTA AO VIVO – MÚSICA (presencial)
Lua Costa Canta Vanessa da Mata (Jaboatão dos Guararapes) – Teatro Luiz Mendonça

21h – JGE CONECTA TEATRO (on-line)                                                                                                       Jogo do Bicho (Grupo Garagem, Projeto de Residência de Artes Cênicas do Sesc Amazonas, Manaus                                                                                                                                              

23/01 – sábado

16h – MOSTRA JGE ESCOLAS INDEPENDENTES DE TEATRO, DANÇA E CIRCO (on-line)
Contos em Dor Maior (Escola de Teatro Fiandeiros, Recife
Gratuito com campanha de arrecadação no Picpay e QR Code

20h – JGE CONECTA AO VIVO – TEATRO (presencial) – Teatro de Santa Isabel
Desatinos (Cia Capela Alquímica, Recife) 

21h – JGE CONECTA MÚSICA (on-line)
Istmo Digital (Sargaço Nightclub, Recife)

24/01 – domingo

10h – JGE CONECTA PALAVRAÇÃO – (on-line)
Conversas virtuais

18h – MOSTRA JGE ESCOLAS INDEPENDENTES DE TEATRO, DANÇA E CIRCO (on-line)
DiverCircus (Escola Pernambucana de Circo, Recife)
Gratuito com campanha de arrecadação no Picpay e QR Code

19h30 – JGE CONECTA AO VIVO – TEATRO (presencial) – Teatro do Parque
O Botequim de Elizeth Cardoso (Amotrans – Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco, Recife) 
Ingresso: 1 quilo de alimento

21h – JGE CONECTA TEATRO (on-line)                                                                                                   Pele Negra, Máscaras Brancas (Cia de Teatro da UFBA, Salvador)

Pele Negra, Máscaras Brancas. Foto: Adeloyá Magnoni

25/01 – segunda-feira

10h – JGE CONECTA PALAVRAÇÃO – (on-line)
Conversas virtuais

18h – JGE CONECTA ESCOLAS INDEPENDENTES DE TEATRO, DANÇA E CIRCO (on-line)
Desalinho (Núcleo 27 de Dança, Petrolina)
Gratuito com campanha de arrecadação no Picpay e QR Code

21h – JGE CONECTA MÚSICA (on-line)
Violão Solo Nordestino (Renan Melo, Pesqueira) 

26/01 – terça-feira

10h – JGE CONECTA PALAVRAÇÃO – (on-line)
Conversas virtuais

16h – MOSTRA JGE ESCOLAS INDEPENDENTES DE TEATRO, DANÇA E CIRCO (on-line)
O Desagradável Nelson Rodrigues (Teatralizar Curso de Teatro, Paulista)
Gratuito com campanha de arrecadação no Picpay e QR Code

21h – JGE CONECTA TEATRO (on-line)                                                                                              Opereta Popular Canto de Reis (Coletivo Terra, Crato)

27/01 – quarta-feira

10h – JGE CONECTA PALAVRAÇÃO – (on-line)
Conversas virtuais

16h – MOSTRA JGE ESCOLAS INDEPENDENTES DE TEATRO, DANÇA E CIRCO (on-line)
Ubu, O Rei do Gado (Escola Municipal de Arte João Pernambuco, Recife)
Gratuito com campanha de arrecadação no Picpay e QR Code

20h – JGE CONECTA AO VIVO – Música Instrumental (presencial) – Teatro de Santa Isabel 
Festa Eslovaco Pernambucana  (Coletivo Brasil-Eslováquia, Conselho de Artes Eslováquia)

28/01 – quinta-feira

10h – JGE CONECTA PALAVRAÇÃO – (on-line)
Conversas virtuais

19h30 – JGE CONECTA ENCERRAMENTO
PRÊMIO JGE COPERGÁS – Teatro do Parque

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Funcultura ignora pandemia soterrado em burocracias*

Inscrição para edital foi feita presencialmente na capital ou por Sedex. Foto: PH Reinaux Secult PE

Artista fez protesto com cartazes. Nas redes sociais, muitos se manifestaram

Visualize o cenário: Pernambuco, 2020, pandemia da Covid-19, crise em muitos âmbitos, inclusive na cultura. A continuidade de um edital público para o setor – mesmo que o resultado seja prometido apenas para o mês de dezembro -, além de obrigação do poder público, é bem-vinda. Mas, para concorrer ao Funcultura Geral 2019-2020, Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura, produtores culturais precisaram imprimir uma via de seus projetos, encaderná-la, rubricar todas as páginas, salvar duas vias em pen drive ou DVD e enviar por Sedex para a Fundarpe (ou, no caso de produtores da Região Metropolitana do Recife, se deslocar até a Rua da Aurora, no bairro da Boa Vista).

“Percebemos a dificuldade dos produtores no estado inteiro, mas no interior isso se agrava pelas distâncias. Por aqui, fizemos a conta: um produtor gasta, em média, R$ 100 para conseguir enviar um só projeto. Para algumas pessoas, isso é muito dispendioso. O que ouvimos na reunião da Ripa (Rede Interiorana de Produtores, Técnicos e Artistas de Pernambuco) é que falta empatia por parte da Fundarpe, principalmente neste momento de pandemia”, entende Caroline Arcoverde, atriz e produtora do grupo Teatro de Retalhos, de Arcoverde, cidade do Sertão pernambucano.

“Falta empatia por parte da Fundarpe, principalmente neste momento de pandemia”
Caroline Arcoverde, atriz e produtora do Teatro de Retalhos e integrante da Ripa (Rede Interiorana de Produtores, Técnicos e Artistas de Pernambuco)

“Este ano, em especial, o Funcultura foi extremamente burocrático. Gastamos algo em torno de R$ 100, R$ 120 para cada projeto, sendo que estamos numa pandemia. Os artistas não têm esse dinheiro para investir. Já vi isso aqui na realidade da cidade – muitos dos produtores não enviaram projeto este ano porque não tiveram condições, não tinham dinheiro para fazer um projeto”, reforça André Vitor Brandão, produtor e bailarino de Petrolina, também no Sertão.

No estado que se orgulha de ter um dos maiores parques tecnológicos do país, os artistas e produtores de cultura precisam lidar com um formulário burocrático e as implicações financeiras da inscrição no edital, quando tudo poderia ser feito pela internet, como um cadastro. “Este é um momento em que todo mundo está sem perspectivas e a gente está precisando do que é direito nosso; esse edital é uma conquista, dinheiro público que precisa ser empregado na cultura, especialmente agora, com tanta gente desempregada, tantos espaços em vias de fechar”, pontua Daniela Travassos, atriz e produtora da Companhia Fiandeiros de Teatro, do Recife.

“Esse edital é uma conquista, dinheiro público que precisa ser empregado na cultura, especialmente agora, com tanta gente desempregada, tantos espaços em vias de fechar”
Daniela Travassos, atriz e produtora da Companhia Fiandeiros de Teatro

O edital publicado no fim de 2019, antes da pandemia, não foi alterado. Mas, diante da situação de crise e de isolamento social, as imposições burocráticas se tornaram insustentáveis e geraram muitos posts de protestos nas redes sociais, de artistas de várias linguagens.

“Há uns dois anos, tínhamos decidido dar um tempo na concorrência ao Funcultura, porque tem sido muito sofrido lidar com tamanhas exigências e limitar as ideias a tantas questões que não tem nada a ver com mérito artístico. E isso se agrava agora. Então, por exemplo, tentaram diminuir o papel, mas aumentaram outras exigências, como o pen drive ou DVD e o tamanho do arquivo. Mesmo que eu entregue um pen drive com um tamanho enorme, meu projeto cada currículo do meu projeto é limitado a ter 2MB e, se ultrapassar isso, simplesmente o projeto é eliminado”, explica a produtora da Fiandeiros.

Para quem nunca precisou preencher um formulário do Funcultura, as reclamações dos artistas podem parecer até prosaicas. Mas a burocracia do edital é uma questão real, que se arrasta há anos, sem avanços, ignorando a realidade para além dos muros da Fundarpe (Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco). “A gente perde um tempo absurdo formatando formulário, tipo de letra, parágrafo, alinhamento, inserção de linhas, tamanho de arquivo. Mas, para mim, o mais grave neste quesito é querer que a gente faça uma planilha de orçamento em Word. Deveria ser, no mínimo, em Excel. Isso facilitaria os cálculos, a incidência dos impostos. Se a gente modifica o valor de uma pequena rubrica, isso interfere no valor total. Então, você tem que ficar o tempo inteiro monitorando esses valores, porque o Word não é uma ferramenta de cálculo”, explica André Filho, diretor e produtor da Fiandeiros.

Leidson Ferraz, jornalista, ator e pesquisador de teatro, fez um protesto presencial, no momento da entrega do formulário na Fundarpe, com cartazes que carregavam dizeres como “Evolua, Funcultura! Cadê a prometida informatização?” ou “BuRRocracia excessiva! Exclusão de muitos”. “Um edital cultural tem que ser o mais simples, o mais fácil possível, para abarcar democraticamente todo mundo. Como imaginar artistas populares, do circo, de tantas manifestações, sendo obrigados a lidar com essa burocracia toda? Isso impõe que as pessoas tenham que contratar produtores que vão ganhar uma parcela do valor, já tão defasado. São imposições injustificáveis, que só fazem excluir uma grande maioria. O que deveria estar sendo julgado era o valor artístico de cada proposta”, avalia Ferraz.

“Um edital cultural tem que ser o mais simples, o mais fácil possível, para abarcar democraticamente todo mundo”
Leidson Ferraz, jornalista, ator e pesquisador de teatro

Os valores do Funcultura também são questionados pelo artista. “O primeiro projeto que eu aprovei, em 2004, na área de publicações em teatro, tinha uma rubrica de R$ 50 mil. Hoje, o valor disponibilizado é R$ 40 mil. Desisti de colocar um projeto em livro, porque com esse valor é impossível fazer uma publicação com a qualidade que eu sempre fiz. O orçamento mais barato que encontrei, com uma gráfica boa, foi R$ 31 mil. Como vou pagar os outros profissionais envolvidos na produção de um livro?”, questiona.

Novo mundo caótico, velho formulário de papel

Como ignorar a realidade de pandemia que se instalou no país a partir de março? Em meio a tudo que tem acontecido no Brasil, os produtores que propuseram projetos de criação, circulação, festivais, mostras, precisaram pedir carta de anuência aos teatros e espaços culturais – ainda que eles estivessem (estejam) fechados. Como pensar a circulação internacional de um espetáculo quando muitos teatros no mundo não estão funcionando e fronteiras de vários países estão fechadas para os brasileiros?

As inscrições para o Funcultura Geral estavam previstas para acontecer de 14 a 30 de abril. Por conta da Covid-19, o prazo foi prorrogado – ficou valendo o período de 20 de julho a 3 de agosto. O edital, no entanto, não abarcou mudanças, mesmo que artistas de linguagens diversas, através das suas comissões setoriais (que formam o Conselho Estadual de Política Cultural) tenham proposto sugestões.

Paula de Renor diz que era preciso vontade política para mudar edital

No dia 8 de junho, a Comissão Setorial de Teatro reuniu cerca de 70 artistas para uma reunião virtual que durou quase quatro horas. A proposta é que o edital focasse em projetos menores. As verbas destinadas à itinerância nacional e internacional de espetáculos seriam remanejadas para outras ações. A rubrica de manutenção de espetáculos, por exemplo, subiria de R$ 60 para R$ 100 mil e a de programação de espaços de R$ 90 para R$ 180 mil, sendo que, nessa última, seriam contemplados até quatro projetos no valor máximo de R$ 45 mil.

O edital não teria exigências como carta de intenção ou anuência para atividades em equipamentos públicos e atividades formativas poderiam ser propostas em formato virtual. “A pandemia aconteceu, não podemos ter um olhar de normalidade para as coisas. Não dá para prever ações como se nada tivesse acontecido”, opina Paula de Renor, atriz, produtora e representante de Teatro e Ópera na Conselho Estadual de Política Cultural.

“A pandemia aconteceu, não podemos ter um olhar de normalidade para as coisas. Não dá para prever ações como se nada tivesse acontecido”,
Paula de Renor, atriz, produtora e representante de Teatro e Ópera na Conselho Estadual de Cultura

A burocracia, no entanto, impediu que o edital fosse alterado. “Para que isso acontecesse, era preciso vontade política, agilidade jurídica, para que encontrássemos uma adequação. Porque o problema é que o governador precisaria cancelar esse editar e fazer um decreto normatizando o outro. E não tínhamos certeza dessa agilidade, não houve empenho para encontrar uma solução jurídica”, explica Paula de Renor.

Na prática, o que pode acontecer é que as execuções dos projetos tenham que ser postergadas, como uma itinerância de espetáculo, por exemplo. O edital já prevê esse adiamento. “O que a gente queria era que esse dinheiro entrasse logo na cadeia da economia criativa, que ajudasse o maior número de artistas e impulsionasse a produção no estado”, finaliza a conselheira.

Promessa de informatização

De acordo com Aline Oliveira, superintendente do Funcultura, o próximo edital, que deve ser lançado em dezembro, deve contar com inscrições pela internet. “Conforme já foi anunciado no Conselho Estadual de Política Cultural, a gestão assumiu um compromisso de implementar as inscrições virtuais até o exercício de 2021 e fará todo o esforço possível para antecipar as inscrições virtuais já para os novos editais do Funcultura”, explica.

A superintendente admite que “estamos atrasados nesse processo”. “Mesmo com um sistema pronto, seria necessária uma estrutura de equipe e de tecnologias que infelizmente o Funcultura não teria condições de manter no momento. Desde 2019, a atual gestão da Fundarpe e do Funcultura têm estudado as ferramentas disponíveis no mercado para resolução do problema. Antes de decretar-se o estado de emergência em Pernambuco, em função da Pandemia da Covid-19, estavam sendo realizadas tratativas para contratação de serviços com o objetivo de modernizar o Funcultura. Entretanto, os decretos de contingenciamento e a próprio isolamento social dificultaram o avanço dos debates”, complementa.

ERRATA*
Matéria atualizada no dia 31 de agosto, às 11h24. Na fala de Daniela Travassos, onde constava “Mesmo que eu entregue um pen drive com um tamanho enorme, meu projeto é limitado a ter 2MB (…)”, a sentença correta é “Mesmo que eu entregue um pen drive com um tamanho enorme, cada currículo do meu projeto é limitado a ter 2MB (…)”. Pelo erro, o Satisfeita, Yolanda? pede desculpas aos leitores.

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Festival Arte como Respiro começa nesta sexta (17)

Palhaça Zanoia abre programação de festival. Foto: Olga Ferrario

Diante do número assustador de mais de 70 mil mortos no Brasil, em quatro meses de pandemia da Covid-19, deve demorar muito até que uma sala de teatro possa estar lotada novamente. Desse cenário desolador, questões se desprendem e multiplicam – desde as práticas, que dizem respeito à sustentação da cadeia produtiva até aquelas mais conceituais, que questionam, por exemplo, se o teatro que estamos vendo, de nossas casas, nas plataformas digitais, pode ser considerado de fato teatro. Para além desse debate teórico-prático, as ações de instituições culturais e dos próprios artistas nas redes se multiplicam. O Itaú Cultural, com o edital Arte como respiro, foi um dos primeiros a incentivar a produção cênica neste momento. Entre os dias 6 e 10 de abril, o instituto recebeu mais de 7.200 propostas artísticas.

A partir desta sexta-feira (17), os trabalhos selecionados no edital participam do Festival Arte como Respiro – Edição Cênicas. Nesta primeira formatação, 26 obras serão exibidas no site do Itaú Cultural, permanecendo disponíveis ao público por 24 horas cada uma delas. O festival será realizado em dois blocos – de hoje a domingo (19) e entre os dias 22 e 26 de julho (de quarta a domingo).    

Quem abre a programação l é Lívia Falcão, com sua palhaça xamânica Zanoia. Os vídeos Rezos da Xamãe Zanoia também estão no instagram da atriz. São respiros de sensibilidade e possibilidade de mergulho, mesmo que você esteja por trás de um celular. Com uma produção simples, a índia-palhaça Zanoia faz vídeos-chamada nos deixando saberes ancestrais do seu povo, lições importantes de como sobreviver neste tempo-espaço.

Na quinta-feira (23) da semana que vem, às 20h, Hermínia Mendes apresenta o vídeo Pedaços – poesia performática, uma proposta de refletir a partir de um corpo inquieto nesta situação de caos e pandemia. Há quanto tempo mesmo estamos doentes? No dia 24, outra atração pernambucana é o Teatro de Fronteira, com uma intervenção literária, performática e audiovisual – Cenas teatrais: #Queerantena – Puro Teatro. São duas leituras-performadas, baseadas “nas vidas daqueles que escapam ao padrão, dos considerados estranhos, esquisitos”, diz a sinopse.

Batata Quente, cena da Caravana Tapioca

Para matar a saudade da Caravana Tapioca (de Anderson Machado e Giullia Cooper, que moraram no Recife por sete anos, mas voltaram para São Paulo há um tempo), tem também a cena Batata Quente, que faz parte do espetáculo Chá Comigo, mas foi adaptada para esta versão em vídeo. O público vai acompanhar a palhaça Nina fazendo uma receita deliciosa – certamente vem risada e trapalhada por aí.

Outros destaques – Um dos trabalhos pensados neste momento é Mil e uma noites século trans 21, de Ave Terrena, Aretha Sadick, Leo Moreira Sá e Verónica Valenttino, artistas transvestigêneres. Outra sugestão dentro da programação diversa do festival é o espetáculo Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, uma ótima oportunidade para ampliar o alcance do espetáculo, que estreou com temporada no Sesc Bom Retiro no ano passado.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DO FESTIVAL NO SITE DO ITAÚ CULTURAL

Mil e Uma Noites Século Trans 21

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