Rumos teatro apresenta resultados

O Rumos Teatro, projeto do Itaú Cultural, propôs o teatro de grupo como eixo para o seu edital. 12 projetos de pesquisa foram selecionados, sendo que cada um deles era formado por grupos de diferentes regiões que iriam realizar intercâmbios, trocar experiências com relação aos seus processos criativos e compartilhar tudo com o público interessado através de blogs.

Agora, todos os grupos estarão reunidos em São Paulo entre 26 de agosto e 3 de setembro para mostrar o resultado dos meses de trabalho conjunto. A semana terá também palestras (a abertura será feita pelo ensaísta e professor de arte, tecnologia e cultura Laymert Garcia dos Santos com o tema Teatro, mito, história e tecnologia, considerações sobre a atualidade da articulação entre os quatro termos) e o lançamento do livro Próximo ato: Teatro de grupo, resultado de um mapeamento de cinco anos organizado por Antônio Araújo, José Fernando Azevedo e Maria Tendlau e coordenado pelo Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural. Cerca de 200 artistas devem participar da programação, aberta ao público.

Magiluth (PE) e Teatro do Concreto (DF) trabalharam a partir de fotos tiradas pelos grupos

O Grupo Magiluth, que trabalhou com o Teatro do Concreto, de Brasília, antes de seguir para São Paulo, apresenta um experimento cênico fruto desse intercâmbio neste sábado, às 23h, no Espaço Muda, no bairro de Santo Amaro. No Itaú Cultural, eles mostram a pesquisa Do concreto ao mangue, aquilo que meu olhar guardou pra você… no dia 31, às 18h. No dia seguinte, às 20h, é a vez de outro grupo pernambucano: o Coletivo Angu de Teatro, que vai apresentar, junto com o Bagaceira de Teatro, do Ceará, o projeto intitulado Abuso.

Confira a programação completa:
Semana Rumos Teatro
(Os ingressos são distribuídos com meia hora de antecedência)

Sexta (26):
20h: palestra Teatro, Mito, História e Tecnologia – Considerações sobre a Atualidade da Articulação entre os Quatro Termos com Laymert Garcia dos Santos

Sábado (27):
16h: pesquisa O Ator Animador e o Processo Criativo no Teatro de Animação, com Caixa do Elefante (RS) e PeQuod (RJ) / indicado para maiores de 14 anos
18h: pesquisa Cia.teatroautônomo+irmãosguimarães, com Cia. Teatro Autônomo (RJ) / indicado para maiores de 16 anos
20h: pesquisa Cia.teatroautônomo+irmãosguimarães, com Os Irmãos Guimarães (DF) / indicado para todas as idades

Domingo (28):
18h: pesquisa Florestas e Antas, Experiências Teatrais – Em Busca de um Teatro Possível, com Grupo de Teatro Celeiro das Antas (DF) e Teatro Experimental de Alta Floresta (MT) / indicado para todas as idades
20h: pesquisa Salsichão no Boquerão/Tainha na Prainha
[distribuição única de ingressos às 19h30]
Erro Grupo (SC) apresenta Seminar Pornosuspense
21h: Cia. Silenciosa (PR) apresenta El Gran Cabaret Porno / indicado para maiores de 18 anos

Segunda (29):a partir das 16h: pesquisa Narrativas Urbanas na Terra sem Lei, com intervenção cênica de Cia. Senhas de Teatro (PR) – Av. Paulista – faixa de pedestres – altura do número 60
18h: com Núcleo Argonautas (SP) – Casa das Rosas (não haverá distribuição de ingressos) / indicado para maiores de 14 anos
20h:pesquisa (Re)Soluções para Ontem: Inventar o Passado, com Cia. dos Atores (RJ) e Os Fofos Encenam (SP) / indicado para maiores de 12 anos

Terça (30):
18h: pesquisa A Oralidade e a Cameloturgia − Uma Pesquisa Cênica do Porto ao Rio
Será o Benedito? (RJ) apresenta Olha o Dado, na rampa do metrô do Centro Cultural São Paulo e O Imaginário (RO) apresenta Varadouro
20h – 1ª sessão
20h45 – 2ª sessão / indicado para maiores de 16 anos]

Quarta (31):
18h: pesquisa Do Concreto ao Mangue, Aquil que Meu Olhar Guardou pra Você…, com Teatro do Concreto (DF) e Magiluth (PE) / indicado para maiores de 14 anos
20h:pesquisa Um Outro Si Mesmo – Troca de Pacotes, com Espanca! (MG) e Companhia Brasileira de Teatro (PR) / indicado para maiores de 12 anos

Quinta (1):
18h: pesquisa Conexão Música da Cena, com Clowns de Shakespeare (RN) e Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqu Traveiz (RS)
20h: pesquisa Conexões Coletivas: Angu e Bagaceira, com Grupo Bagaceira de Teatro (CE) e Coletivo Angu de Teatro (PE), que apresentam Projeto Abuso / indicado para maiores de 16 anos

Sexta (2):
18h: pesquisa Composição de Matrizes ou Matrizes em Composição?, com OPOVOEMPÉ (SP) e Lume (SP)/ indicado para maiores de 14 anos
20h: palestra Processos de Criação em Rede. Interações como Espaços de Possibilidades, com Cecília Salles
20h

Sábado (3):
15h30 – encerramento do Encontro com Cristiane Paoli Quito, Eleonora Fabião e Cecília Salles
19h – lançamento do livro Próximo Ato: Teatro de Grupo

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Quando a dúvida é maior do que a certeza

O canto de Gregório está em temporada no Marco Camarotti. Fotos: Ivana Moura

GREGÓRIO — Pensar me coloca acima das emoções. O pensamento voa alto e lá de cima avista, em seus labirintos, as emoções rasteiras. Mas do seu próprio céu o pensamento não escapa — e outros labirintos muito mais devastadores o envolvem. Para a alma, pensar é definitivamente mais doloroso do que sentir — a dor sem saída provocada por um paradoxo é eterna. As emoções? Para o saudoso, a lembrança alivia. Para o perdido, uma palavra consola. O desesperado — de que mais ele precisa senão de fé? Mas a ninguém, em nenhum tempo, em nenhum lugar, é permitido escapar da dor de um paradoxo. Para ninguém tirar conclusões precipitadas, deixo claro: eu sou um ser humano, eu não sou uma máquina. Porém, quando choro — ouçam bem isto — quando eu choro, minhas lágrimas não me comovem. Para meu assombro, até comovem certos corações. Corações sensíveis, sem dúvida, mas, espantado, me pergunto: sensíveis exatamente a quê? Enquanto minhas lágrimas correm, vejo à minha frente um doce olhar de enternecimento. Minhas lágrimas correm, e provocam nesse coração uma grande ternura. Enquanto isso, meu Deus, eu mesmo não entendo por que choro. Acontece que, enquanto choro, não consigo deixar de pensar. E o pensamento me faz uma dura acusação: choro para obter piedade. Isso me revolta, isso me repugna. Então tento resgatar dentro de mim aquilo que me impulsionou o pranto e, aterrado, não encontro nada. Terei, digamos, me arrependido de alguma coisa? Quem responde é o meu intelecto: arrependimento, Gregório, era o que você queria representar com suas lágrimas. A dúvida me paralisa: chorei porque estava arrependido ou porque precisava parecer arrependido? Não, não é que eu estivesse fingindo de propósito. Mas minha mente talvez entendesse que era necessário eu parecer arrependido — e de uma forma tão intensa que nem eu mesmo desconfiasse de que meu choro servia ao engano. Mas há um coração a se compadecer diante de mim, certo de meu arrependimento sincero, enquanto eu, numa estranha porém vigorosa iluminação, tudo o que consigo é me dizer: quero que meu arrependimento seja sincero, tudo o que quero neste instante de minha vida é ser absolutamente sincero neste arrependimento — mas não sei se sou nem sei se não sou sincero. É a dúvida que me atinge: se me vejo como sincero — sou de fato sincero ou quero apenas fazer com que eu acredite que tudo o que quero é ser sincero? Eis aqui um Ser Humano como eu, e eis aqui o Intelecto desse Ser Humano. (Aponta as duas personagens.) Como um Ser Humano pode ser açoitado pelo seu Intelecto?”

Pedro Wagner é o protagonista

O canto de Gregório, do grupo Magiluth
Direção: Pedro Vilela
Dramaturgia: Paulo Santoro
Elenco: Pedro Wagner, Giordano Castro, Erivaldo Oliveira e Lucas Torres
Direção de arte: Renata Gamelo, Cecília Pessoa, Guilherme Luigi
Sonoplastia: Hugo Souza
Produção: Grupo Magiluth

Confira a crítica feita por Ivana Moura na época da primeira temporada do espetáculo, no Teatro Hermilo Borba Filho.

Serviço:
Onde: Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro)
Quando: sábados e domingos, às 18h
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) – doando um quilo de alimento não perecível, o ingressos sai pelo valor da meia-entrada
Capacidade: 50 pessoas

Sócrates, Platão, Jesus Cristo e Buda participam da discussão

E um vídeo de divulgação na época da estreia:

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Festival reúne espetáculos de 11 cidades

Vicência, com a Troupe Azimute. Foto: Clara Gouvea

O Festival Estudantil de Teatro e Dança, que começa hoje e segue até o dia 28 na capital pernambucana, é uma oportunidade de conferir novas produções, atores e diretores. Serão 89 apresentações (ano passado foram 44) de 11 cidades pernambucanas, como Garanhuns, Goiana, Cabo de Santo Agostinho, Igarassu e até Manari, considerado um dos municípios mais pobres do país. São espetáculos com elenco de alunos de escolas públicas ou particulares, ONGs ou cursos livres de teatro e dança.

As apresentações teatrais serão até o dia 27 no Teatro Apolo; as performances de dança no Teatro Boa Vista entre 22 e 28; e a festa de premiação será no dia 28, a partir das 18h, no Santa Isabel. Os ingressos custam R$ 5 (preço único). Os grupos recebem uma cota para vender antecipadamente e ficam com R$ 4, uma forma de estimular novas produções.

Confira as atrações deste fim de semana:

Hoje, às 19h30:
Vicência (Troupe Azimute e Curso Livre de Iniciação ao Teatro – Projeto Vem Ver Teatro / Garanhuns).
Texto adaptado do conto Paisagem Perdida, de Luís Jardim, autor de Garanhuns, por Julierme Galindo. A peça surgiu para comemorar os 110 anos de nascimento do escritor. Direção: Julierme Galindo. A paixão da jovem Vicência, mulher sertaneja e jovem, por um vaqueiro, João Toté, a contragosto do pai da moça, que a havia prometido em casamento ao filho do seu irmão para tentar manter a unidade na família. Indo de encontro às convenções e tradições familiares, e mesmo vivendo num tempo em que mulher não tinha voz alguma, Vicência vai até as últimas consequências para viver esse amor. Com trilha sonora original e executada ao vivo, a montagem mistura um contexto dramático com pitadas de humor. A cenografia é móvel – com paredes sendo montadas como num jogo de peças – e manipulada por todo o elenco. É a primeira vez que o grupo participa do Festival.

Amanhã, às 19h30:
Strega (Projeto Lugar Comum e Centro de Diversidade Cultural Teatro Armazém / Recife)
Criação coletiva da Companhia Maria Sem-Vergonha de Teatro e Circo. Direção: Andrêzza Alves
A peça trata das distâncias e aproximações entre o “ser” e o “parecer” a partir de uma interação lúdica com a plateia e tendo como referencial a história de um lugar onde pessoas desaparecem. A equipe é formada por jovens do bairro de Santo Amaro.

Strega, projeto Lugar Comum. Foto: Damiano Massaccesi

Dia 13 de agosto (sábado), às 16h30
De bobo, bravo e vilão se faz um faz de conta (Grupo Diocesano de Artes e Colégio Diocesano de Garanhuns / Garanhuns)
Texto: Carlos Janduy. Direção: Sandra Albino. Com trilha sonora original, o espetáculo é uma aventura com personagens de um reino, onde há bobo da corte enamorado, serviçal metido a herói e rei e rainha que acabaram de ter um menino bebê e tentam salvar uma princesa raptada por um desconhecido e famigerado vilão. Elementos dos contos de fada estão presentes na montagem, que brinca com a ideia do vilão clássico. O grupo já foi premiado algumas vezes no Festival, com outros trabalhos.

Dia 14 de agosto (domingo), às 16h30:
O sumiço da abelha rainha (Grupo Teatral ARTDOM e Colégio DOM / Olinda)
Texto e direção: Thina Neves. Composta por crianças e adolescentes, dos seis aos 17 anos, a peça revela uma abelha rainha que desaparece sem deixar pistas, para desespero de toda a sua colmeia. Os zangões e abelhinhas começam a se desentender e alguns querem, inclusive, tomar o cargo da rainha. A desorganização e desunião é tanta, que insetos invasores aproveitam-se da situação, e até um grande urso aparece para abusar da colmeia. O grupo foi criado em maio de 2010 e este é seu primeiro exercício cênico.

Dia 14 de agosto (domingo), às 20h:
A Partida (Cia. Experimental de Teatro e Escola José Joaquim da Silva Filho / Vitória de Santo Antão). Texto e direção: César Leão. Nesta comédia dramática, dois irmãos, ainda pequenos, após perderem a mãe e o pai e terem como única herança um pedaço de carne seca e um pote com farinha, ainda têm dúvidas se partem em busca de uma vida nova ou se só lhes resta continuarem juntos, apesar da tumultuada relação que mantêm. É a primeira vez que a companhia participa do Festival.

A partida, da Cia. Experimental de Teatro. Foto: Cesar Leão

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Depois de quase um ano e meio, Prefeitura paga fomento

Recebi uma ligação do ator Tatto Medinni dando uma boa notícia: finalmente, um ano e cinco meses depois de ter o seu resultado divulgado, o Prêmio de Fomento às Artes Cênicas da Prefeitura do Recife foi pago. A premiação contempla cinco propostas com R$ 20 mil cada. Mesmo que o valor seja pequeno, é um apoio que não pode ser perdido pela classe.

Neste caso específico, algumas montagens até já foram realizadas, como é o caso de Minha cidade, de Ana Elizabeth Japiá. A diretora inclusive fez um empréstimo para fazer a produção, contando com o fomento. Ana tinha me contado um tempo atrás que já tinha nova temporada prevista no Marco Camarotti, mas não sabia se iria conseguir cumprir por conta da grana.

Outra produção contemplada foi Um rito de mães, rosas e sangue, com direção de Claudio Lira, que estreou em maio do ano passado e coincidentemente está voltando em temporada este fim de semana, no Teatro Hermilo Borba Filho. A montagem é formada por três quadros com adaptações de Bodas de sangue, Yerma e A casa de Bernarda Alba, todos de Federico Garcia Lorca. A peça que tem um elenco numeroso – Ana Maria Ramos, Auricéia Fraga, Andrêzza Alves, Daniela Travassos, Luciana Canti, Sandra Rino, Lêda Oliveira, Lano de Lins e Zé Barbosa – fica em cartaz sábados e domingos, às 20h, até 28 de agosto. Ingressos: R$ 15 e R$ 7,50.

Auricéia Fraga em Um rito de mães, rosas e sangue. Foto: Tuca Siqueira

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Artistas na praça

Está rolando uma mobilização principalmente via facebook para um encontro de artistas hoje, às 15h, na Praça do Derby, no Recife. Um dos motivos do encontro é o adiamento do prazo para o Funcultura – os artistas foram surpreendidos por uma nota no site da Fundarpe, dizendo que o resultado previsto para sair no mês de julho, poderia sair até novembro.

Depois da Praça do Derby, os artistas seguem para a Casa Mecane (Avenida Visconde de Suassuna, 338), onde devem participar do Fórum de Dança, das 17h às 19h. “No encontro os atuais membros vão apresentar um relato do trabalho desenvolvido pela Comissão no último ano e também serão discutidas questões acerca do atual funcionamento da Fundarpe/ Secretaria de Cultura do Estado com a entrega oficial de documento com diversas demandas da área. O Fórum contará com a presença da Comissão Setorial de Dança 2010/2012 e de representantes do Governo Estadual”, diz o convite do facebook.

E aí? Quem vai participar?

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