Sagração da Primavera amazonense

Ritual da Sagração da Primavera do Amazona se passa numa aldeia indígena. Foto: Divulgação

Ritual da Sagração da Primavera do Amazona se passa numa aldeia indígena. Foto: Divulgação

mbd-22233A Sagração da Primavera, composta pelo russo Igor Stravinsky e com coreografia de Vaslav Nijinsky, provocou um escândalo quando estreou em Paris 1913. O mundo da arte parecia que não estava preparado para dissonâncias, ritmos cruzados e politonalidade, de compassos e ritmos variados, para aquela fúria musical. A intensidade gestual e sonora atordoou a plateia que respondeu com agressão contra o elenco e a orquestra da companhia de Ballet Russo, numa cena digna de pastelão. A peça está carregada de referências à música folclórica russa e da Europa Oriental. E mostra um cerimonial pagão eslavo, de uma jovem dança até a morte, como dádiva ao Deus da Primavera. O Grupo Corpo de Dança do Amazonas (AM), conduzidos pelos coreógrafos Adriana Goes e André Duarte, faz uma releitura amazonense do clássico, mas dessa vez com um mergulho na cultura indígena. A Sagração da Primavera é atração do 12ª Mostra Brasileira de Dança, hoje, às 21h, no Teatro de Santa Isabel.

A encenação amazonense desloca a história para a tribo Tikuna, durante o Ritual da Moça Nova. Ao menstruar pela primeira vez, a protagonista (Worecü) passa por um período de reclusão. Nos rituais, Worecü tem seus cabelos arrancados, seus membros amarrados numa simbologia da morte do corpo infantil e o surgimento do corpo adulto. É ritual de passagem, de violência e solidão.

Instituído em 1988 pelo Governo do Amazonas / Secretaria de Estado de Cultura, o Corpo de Dança do Amazonas desenvolve programas com repertório diverso e regularmente convida coreógrafos brasileiros e estrangeiros para parcerias intercâmbios.

Ficha Técnica
Direção artística: Getúlio Lima
Assessoria artística: Mário Nascimento
Música: Igor Stravinsky
Concepção coreográfica e ensaiadores: Adriana Góes e André Duarte
Figurino: Maria Neves
Customização do figurino: Branco Souza e Sumaia Farias
Iluminação: Marcos Apolo
Técnico de palco e luz: Tabbatha Serrão
Produção executiva: João Fernandes
Elenco: Adriana Góes, Ângela Duarte, Baldoíno Leite, Branco Souza, Guilherme Moraes, Helen Rojas, Liene Neves, Marilucy Lima, Nonato Melo, Pammela Fernandes, Raíssa Costa, Rodrigo Vieira, Rosi Rosa, Sumaia Farias, Vanessa Viana, Valdo Malaq e Wellington Carvalho

SERVIÇO
A Sagração da Primavera, com o Corpo de Dança do Amazonas – CDA (Manaus/AM)
Quando: Hoje, às 21h
Onde: Teatro de Santa Isabel
Ingresso: R$ 20 e R$ 10
Indicação: livre

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A tecnologia como experiência encarnada

Flávia Pinheiro

Flávia Pinheiro em Diafragma: dispositivo versão beta

mbd-22233A relação entre o corpo e a tecnologia é o pretexto de uma pesquisa que a bailarina, atriz e performer Flavia Pinheiro vem desenvolvendo junto com argentino Leandro Olívan para o Coletivo Mazdita. Diafragma: dispositivo versão beta, construído com base em objetos analógicos e obsoletos, estreou no ano passado na cidade e hoje participa da 12ª Mostra Brasileira de Dança, às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho, no Bairro do Recife. Na performance-manifesto, Flavia Pinheiro interatua com diferentes objetos criados e reutilizados por Leandro Oliván, aguçando a sua natureza desusada.

Este ano, o Mazdita lançou Diafragma: ensaio sobre a Impermanência, uma investigação sobe a impossibilidade de existir apenas na materialidade, utilizando as novas tecnologias. E no ano que vem apresenta a terceira parte da trilogia.

O Coletivo investiga dispositivos eletrônicos que constituem um arrolamento entre o corpo em movimento e a relação do espaço com os objetos. Em Diafragma: dispositivo versão beta, o grupo repensa os artefatos e seu consumo. Com isso a trupe propõe que não somos consumidores passivos. E lança luz sobre a ideia de obsoleto subordinada à máquina do capitalismo.

Para a companhia, a tecnologia é uma experiência encarnada. Faz parte do corpo, da maneira de ver o mundo e influencia no comportamento. É por isso que nessa prática o grupo busca se apropriar das ferramentas, de repensar suas práticas e ideologias.

Performance integra pesquisa do Coletivo Mazdita

Performance integra pesquisa do Coletivo Mazdita

E como os objetos não são desprovidos de inocência, eles carregam história e modos de pensar, o Mazdita adota uma posição crítica na utilização dessas peças e tenta desvendar os seus mecanismos operatórios.

Para essa performance, Flavia Pinheiro emprega um treinamento corporal que agrupa diferentes técnicas, como o Release (um conjunto de princípios e métodos de treinamento de dança contemporânea, que enfatiza a liberação da tensão muscular, para que os movimentos sejam realizados com um esforço mínimo), a técnica Iasparra (que amplifica a consciência física e sensível, e expande o campo perceptivo global), o Feldelkrais, (método que utiliza as percepções que as ações do corpo no espaço traz à consciência para tornar mais eficientes e econômicos os movimentos), o treinamento aeróbico, a yoga e outros.

Ficha técnica
Criação e Performance: Flavia Pinheiro.
Imagens: Martin Raabe.
Objetos Sonoros e Ruído: Leandro Olivan.
Fotografia: Pri Camara
Produção: Coletivo Mazdita

SERVIÇO
Diafragma:dispositivo versão Beta
Quando: Hoje, às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Ingresso: 20 e 10 Reais
Duração: 42 minutos

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Doutores da Alegria inscreve para curso

Arilson Lopes é mais conhecido nos hospitais como Dr.Ado. Foto: Léo Caldas

Ainda há vagas para o curso “O palhaço pelo buraco da fechadura”, promovido pela Escola dos Doutores da Alegria neste sábado (15) e domingo (16), das 9h às 18h, no Coletivo Lugar Comum (Rua Capitão Lima, 210, Santo Amaro). Trata-se de um curso introdutório sobre os princípios que regem o universo do palhaço.

O treinamento é inédito e voltado para quem deseja adquirir conhecimentos sobre improvisação, espontaneidade e percepção de si e do outro, ferramentas básicas para formatar o jogo do palhaço. Não é preciso ter experiência anterior em teatro ou circo. A metodologia inclui jogos relacionais, princípios de improvisação e criações em grupo.

As aulas serão ministradas pelos atores e palhaços Arilson Lopes e Roberta Calza, que integram o elenco dos Doutores da Alegria no Recife e em São Paulo, respectivamente, e a Escola de Formação da ONG. Durante o curso serão desenvolvidas atividades teóricas e práticas relativas, por exemplo, à improvisação, expressão corporal e música. O curso não se destina a formar palhaço para a atuação em hospitais.

Apenas 25 vagas foram disponibilizadas para o curso.  É preciso ter mais de 18 anos e o investimento é de R$ 300. Toda a renda obtida com o curso é destinada à manutenção dos projetos da organização. Informações pelos telefones: (81) 3466-2373 / 9 9112-4676.

Os artistas formadores:

Roberta Calza atende por Dra.Sakura

Roberta Calza
Atriz formada pela Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq – cursou os dois anos artísticos e o terceiro pedagógico -, onde foi aluna de Norman Taylor, Jos Houben, Marc Fremond e Paola Rizza, entre outros. Participou por três anos do Fringe Festival na Irlanda com dois espetáculos indicados para melhor produção: Master Shuttefate e Bolt Upright. Lecionou no Corservatoire Nacional de Region de Sergi Pontoise em Paris ministrando aulas de palhaço e movimento. No Brasil, além dos espetáculos ”Luluzinhas”, com Guta Stresser e Mel Lisboa, atuou em mais de 100 comerciais de televisão e mantém um programa na TV Cultura com Fernando Alves Pinto. Ministrou curso de bufão para a companhia principal de Os Satyros de maio a setembro de 2007. Faz parte do elenco de palhaços do programa dos Doutores da Alegria há sete anos e, há dois, faz parte da equipe de Formação da instituição, atuando nos programas Palhaços em Rede e Formação de Palhaços para Jovens, além de ministrar cursos para os palhaços dos Doutores da Alegria.

Arilson Lopes
Ator, palhaço e coordenador artístico do Programa Doutores da Alegria em Recife. Formado em Licenciatura em Teatro, pela UFPE. Integra o Coletivo Angu de Teatro desde 2003, onde participa dos espetáculos Angu de Sangue, Ópera e Rasif. Atua no espetáculo Baile do Menino Deus, no Marco Zero do Recife desde 2004. É colaborador da Cia Meias Palavras, onde atua no espetáculo As Travessuras de Mané Gostoso.

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Inscrições para o Janeiro

Amour, Acide et Noix, da cia Daniel Léveillé Danse, de Quebec Canadá se apresentou na 18ª edição. Foto: Denis Farley

Amour, Acide et Noix, da cia Daniel Léveillé Danse, do Canadá esteve na 18ª edição. Foto: Denis Farley

Estão abertas até 21 de agosto as inscrições para o 22º Janeiro de Grandes Espetáculo – Festival Internacional de Artes Cênica – PE. Podem participar da seleção montagens inéditas de teatro e dança de Pernambuco que estrearam até o dia 31 de julho deste ano, ou que forem estrear entre 7 e 17 de janeiro de 2016. As montagens terão que ter no mínimo 45 minutos de duração.

A coordenação do JGE (formada por Paulo de Castro, Paulo de Renor e Carla Valença) poderá convidar encenações de outros estados ou países. Como também peças de teatro e dança que já se apresentaram no Festival em outras edições.

Para realizar essa peneira, o JGE vai formar comissões de seleção para teatro adulto, teatro para infância e dança. Esses nomes serão indicados pelos produtores de artes cênicas de Pernambuco, em reunião convocada para essa finalidade. As peças inscritas e não selecionadas nas duas últimas edições, não poderão se inscrever para o 22º JGE.

A peça As Travessuras de Mané Gostoso integrou a programação do JGE deste ano. Foto: Divulgação

A peça As Travessuras de Mané Gostoso integrou a programação do JGE deste ano. Foto: Divulgação

Os espetáculos pernambucanos que forem selecionados para a Mostra Competitiva de 2015 receberão um cachê no valor de R$ 3.500 (três mil reais). Solos, duos, monólogos e espetáculos teatrais com dois atores, receberão o cachê de R$ 2.500 (dois mil reais) por apresentação.

A coordenação avisa que o pagamento será efetuado através de emissão de nota fiscal e recibo em papel timbrado (pessoa jurídica) num prazo de até 120 dias após o final do 22°JGE.

A ficha de inscrição está disponível no site www.janeirodegrandesespetaculos.com. Como também outras orientações para entrega do material e anexos solicitados. O resultado da seleção dos espetáculos locais será divulgado no site até 30 de setembro de 2015.

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Danças de gratidão à natureza

Oferenda pelas bênçãos de seu pai xangô nas memórias de Dorival. Foto: Vias da Dança/ Divulgação

Oferenda pelas bênçãos de seu pai xangô nas memórias de Dorival. Foto: Vias da Dança/ Divulgação

mbd-22233As imagens, a musicalidade clamam pelo sensorial. Há uma religiosidade no ar. A diretora Heloisa Duque quer ressaltar na cena o imaginário que aponta para Dorival Caymmi. A praia, as mulheres de saia, o gingado da Bahia, as mandingas e os cantos de roda entram no espetáculo Dorival Obá a partir de vários elementos e relações. A peça de dança faz uma apresentação na 12ª Mostra Brasileira de Dança, hoje às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho.

O compositor Dorival Caymmi nasceu e viveu em Salvador até os 24 anos de idade. Seu vocabulário poético foi composto dentro de um terreiro de candomblé, onde as “mulheres de saia” o aprontaram para ser o obá (um tipo de coordenador do terreiro).

Esse filho de Xangô, que foi abandonado ao lado de três irmãos, por sua mãe quando contava 3 anos, é celebrado pelo grupo Vias da Dança, do Recife, na montagem Dorival Obá.

Na encenação, a companhia utiliza depoimentos de Dorival em áudio, a partir de entrevistas que ele concedeu, além de músicas e trechos de percussão. A trilha sonora é assinada por Henrique Macedo.

A coreografia é do bailarino e ator Juan Guimarães. No elenco estão Thomas de Aquino Leal, Júlia Franca, Natália Brito, Rayssa Carvalho e Simone Carvalho.

SERVIÇO
Espetáculo Dorival Obá
Quando: hoje, 13/08, às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Ingresso: R$ 20 e R$ 10
Indicação: a partir de 12 anos

Ficha Técnica
Coreografia e direção: Juan Guimarães
Preparação corporal: Heloísa Duque
Trilha sonora: Henrique Macedo
Figurino: Juan Guimarães e Thomás de Aquino Leal
Iluminação: Martiniano Almeida
Produção: Thomás de Aquino Leal e Fernanda Alves
Elenco: Natália Brito, Rayssa Carvalho, Júlia Franca, Simone Carvalho e Thomás de Aquino Leal

Espetáculo Naipi e Tarobá - A Lenda das Cataratas do Iguaçu, da Cia Eliane Fetzer de Dança Contemporânea. Foto: Bruna Burkat/ Divulgação

Espetáculo Naipi e Tarobá – A Lenda das Cataratas do Iguaçu. Foto: Bruna Burkat/ Divulgação

A Cia Eliane Fetzer de Dança Contemporânea apresenta o espetáculo Naipi e Tarobá – A Lenda das Cataratas do Iguaçu, no Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu).  A montagem é inspirada numa antiga lenda indígena que alimenta o imaginário dos paranaenses.

A música de William Samper conduz a trama, marcada pela tensão entre dois extremos: a crença em um Deus que domina a existência de uma tribo, e o amor entre os dois índios: Naipi e Tarobá.

Segundo essa mitologia, o mundo é governado por M’Boy, um Deus em forma de serpente. A índia Naipi é dedicada a ele, por se a mais bela da tribo. Mas o jovem Tarobá se apaixona por Naipi desafia essa decisão. Quando descobre a fuga do casal, M’Boy resolve se vingar e abre uma enorme fenda na terra, provocando o desaparecimento dos índios. Naipi é transformada em uma das rochas centrais das cataratas. E Tarobá, uma palmeira à beira do abismo.

As exuberantes Cataratas são captadas pelos movimentos dos 11 bailarinos da companhia. No corpo de cada um e nas composições coreográficas estão estruturadas as ações religiosas e sociais, de caça, do homem, da mulher, e do cotidiano que cerca a lenda da tribo caingangue.

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