Grito pelo empoderamento feminino – primeira versão

Coletivo Soma. Foto: Wellington Dantas/ Divulgação

Coletivo Soma. Foto: Wellington Dantas/ Divulgação

Uma clima sombrio. Uma atmosfera de temor, de espreita, de perseguição traça as primeiras linhas do espetáculo Grito, do recifense Coletivo Soma, que estreou nessa sexta-feira (27), dentro da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos. As atrizes/bailarinas Anne Costa e Marta Guimarães representam, nos momentos iniciais, o medo de mulheres que andam nas ruas do Recife na volta do trabalho ou de qualquer outra atividade que precisem fazer a pé. Com pequenos deslocamentos no palco, correndo em várias direções elas delineiam um quadro assustador. O desenho de luz de Natalie Revoredo materializa de forma quase tátil essas ambientações e mudanças de conjunturas. Essa luz é quase um personagem.

É inevitável lembrar de casos recentes de estupros no Recife, de uma empresária no bairro das Graças e de uma estudante universitária, no Parnamirim. Casos esses bem explorados pela mídia. Mas sabemos que há muitos outros não registrados. Então perguntamos: o que o governo do Estado de Pernambuco e a prefeitura do Recife estão fazendo para garantir a segurança dos cidadãos e para impedir que casos como esses se repitam? E não aceitamos falácias como respostas. Reajam ao Grito.

Os shorts com motivos policiais e a camiseta regata branca do figurino aludem ao treinamento militar, com suas rotinas de condicionamentos físicos brutos e de pouco exercício de sensibilização.

Nas demonstrações de marchas, elas cantam Mulher Rendeira e Acorda Maria Bonita, duas canções de Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião, em parceria com Antonio Alves dos Santos, conhecido como Volta Seca e apontado como o mais jovem integrante do bando. Mulher Rendeira se transformou numa espécie de hino do cangaço. E ambas as música receberam centenas de versões, e estão na trilha sonora do filme O Cangaceiro, de Lima Barreto (1953).

Essa sequência das duas músicas e desses primeiros movimentos já oferece um material rico para análise da encenação projetada em seu propósito de discutir a situação da mulher e desmontar os discursos machistas entranhados na nossa sociedade. Depois da quarta vez que você ouve “Acorda, Maria Bonita/Levanta, vai fazer o café” na entonação dessas meninas, sua escuta não vai ser a mesma para essa música.

Os encadeamentos de Jogos de guerra, com repetições de pulos e rolamentos exercem metonimicamente pulsões da formação do macho que manda e/ou recebe humilhação; e de fêmeas que assumem papeis idênticos. Os movimentos repetitivos provocam seus espasmos.

Atrizes

Coletivo Soma. Foto: Wellington Dantas/ Divulgação

A direção de Lilli Rocha (muito boa estreia da atriz e bailarina nessa função) e a dramaturgia caminham por terrenos de mais intimidade, onde o corpo da mulher – esse material sagrado – é infringido, ultrajado, desrespeitado, violado, transformado em mercadoria.

São cenas fortes, nas quais os corpos das garotas criam imagens potentes para traduzir o horror que o físico feminino sofre na corrente do machismo e do capitalismo que busca transformar tudo em objeto de consumo, inclusive o desejo. A privacidade é projetada no terreno da pele tocada e no som dos sussurros. A montagem ganha proporções sensoriais.

Político, esse Grito desafia o espectador a olhar essa compleição desnuda. Mas aquele território corporal tem dono, de quem o carrega. Que alardeia em alto e bom som que faz do seu próprio corpo o que quiser.

As lutas são tantas e diárias, que o tempo de alerta é todo o tempo. Para que essa mulher já consciente de sua identidade, de seus direitos, de sua força, de sua garra, não sucumba aos apelos, às pressões, às carências de se deixar usar pelo outro, pelo grupo, pelo sistema.

Grito é um espetáculo que brada uma urgência. Pela dignidade feminina. E precisa continuar a vociferar enquanto houver tentativas de servidão. E não é apenas um jogo de cena. Mas a produção coerente do envolvimento no debate sobre gênero. E de um ano da pesquisa Ver-ter: Um olhar sobre os sentimentos periféricos, desenvolvida pelo Coletivo Soma.

Forte, corajoso, de uma poesia incômoda, a peça coreográfica articula entregas, vasculha segredos, mexe com feridas, propõe curas, empodera a mulher e encanta como arte.

FICHA TÉCNICA
Concepção: Coletivo Soma
Direção e orientação coreográfica e dramatúrgica: Lilli Rocha
Orientação da pesquisa teórica: Kiran Gorki
Orientação da pesquisa corporal: Henrique Lima
Desenho de luz: Natalie Revoredo
Vídeos: Dani Neves
Edição: Xico Pessoa
Intérpretes-criadoras: Anne Costa e Marta Guimarães

SERVIÇO

Espetáculo Grito, do Coletivo Soma
Quando: Sexta (27) e sábado (28), às 20h; e domingo (29), às 19h
Onde: Espaço Experimental – Rua Tomazina, 199, Bairro do Recife
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Vendas: bilheterias do Teatro de Santa Isabel e do Espaço Experimental
Classificação etária: a partir dos 18 anos
Duração: 45 min

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O que ver no Janeiro – parte 4

Grito. Com nne Costa e Marta Guimarães. Foto: Rafael Bandeira / Divulgação

Grito. Com nne Costa e Marta Guimarães. Foto: Rafael Bandeira / Divulgação

São alarmantes os números de violência contra mulher, alguns que chegam ao homicídio. Pernambuco está entre os cinco estados que mais exercem esse tipo de brutalidade no país. Inspirado em relatos de meninas de diferentes idades, bairros e classes sociais do Recife, o espetáculo Grito discute a atuação da mulher na sociedade e o combate à violência de gênero. A peça é fruto de um ano de ações da pesquisa Ver-ter: Um olhar sobre os sentimentos periféricos, desenvolvida pelo Coletivo Soma.

Durante esse tempo, o grupo – composto pelas bailarinas Anne Costa e Marta Guimarães e pela fotógrafa Dani Neves – recolheu relatos de violência sexual e agressões diárias e com esse material criou a primeira encenação. A montagem leva a assinatura na direção da atriz e bailarina Lili Rocha e trilha sonora do pianista Vitor Araújo. Grito propõe ouvir essas falas emudecidas e refletir sobre os papeis da mulher neste século 21.

A etapa final do Janeiro de Grandes Espetáculos vira maratona mesmo, se você quiser aproveitar ao máximo a programação. São três peças nesta sexta-feira no mesmo horário, 20h. Não dá para conciliar. h(EU)stória – o tempo em transe, do Coletivo Grão Comum e Gota Serena (Recife/PE), no Teatro Arraial; Grito, do Coletivo Soma (Recife/PE), no Espaço Experimental e A Gaivota, no Teatro Barreto Júnior. Além do show com Zé da Flauta e Ave Sangria – Noite da Psicodelia Nordestina, no Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu), às 21h.

O cineasta baiano Glauber Rocha é o personagem em agonia do h(EU)stória – o tempo em transe, primeiro espetáculo da Trilogia Vermelha. A montagem do Coletivo Grão Comum e Gota Serena, tem Júnior Aguiar e Márcio Fecher no elenco.

A Gaivota é um Tchekhov. Reflete sobre criação artística e do que pode ser velho e novo no teatro, com direção de Sandra Possani e elenco do Curso de Interpretação Para Teatro do SESC Piedade (Jaboatão dos Guararapes/PE)

Dois shows compõe a Noite da Psicodelia Nordestina. Zé da Flauta lança seu primeiro CD solo, Psicoativo. E a banda Ave Sangria, apresenta O Novo Voo da Ave Sangria, que junta ritmos nordestino com o rock e a psicodelia.

SERVIÇO

Espetáculo Grito, do Coletivo Soma
Quando: Sexta (27) e sábado (28), às 20h; e domingo (29), às 19h
Onde: Espaço Experimental – Rua Tomazina, 199, Bairro do Recife
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Vendas: bilheterias do Teatro de Santa Isabel e do Espaço Experimental
Classificação etária: a partir dos 18 anos
Duração: 45 min.

h(EU)stória – o tempo em transe – Coletivo Grão Comum e Gota Serena (Recife/PE)
Onde: Teatro Arraial
Quando: Dia 27 de janeiro de 2017 (sexta-feira), às 20h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) | 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h15

Zé da Flauta e Ave Sangria – Noite da Psicodelia Nordestina – Wellima Produções (Recife/PE)
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quando: Dia 27 de janeiro de 2017 (sexta-feira), às 21h
Quanto: R$: 80,00 (Inteira) | 40,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 12 anos
Duração: 40 min. (Zé da Flauta) + 20 min. (intervalo) + 1h20 (Ave Sangria) = 2h20

O diretor Marcondes Lima interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação

Daniel Barros, Marcondes Lima, Robério Lucado e André Brasileiro em Ossos Foto: Divulgação

A melancólica história de um escritor famoso, que carrega dentro de si o peso incomensurável do abandono é exposto em Ossos. Por honra, Heleno de Gusmão precisa dar um destino digno aos restos mortais do seu amante e fazer um acerto de contas com o seu passado. Montagem do Coletivo Angu de Teatro.

Para os pequenos, tem o poético encontro entre uma bolha de sabão, Bolonhesa e o inquieto Arlindo, uma rajada de vento, para os pequenos. Vento Forte para Água e Sabão, com a Companhia Fiandeiros de Teatro (Recife/PE).

Chamado de bispo vermelho pela atitude esquerdista na época dos militares Dom Helder Camara (1909-1999), arcebispo emérito de Olinda e Recife tem muito a nos sinalizar nestes tempos de temeridades. Defensor da não-violência e de uma Igreja Católica voltada aos pobres, ele se notabilizou nos anos de 1970 e 1980, por denunciar internacionalmente os crimes de tortura no Brasil. 

Habilidoso defensor dos direitos humanos esse baixinho incomodou os ditadores e continua sendo um sinal de luz. Sob a direção de Rodrigo Mercadante e Dinho Lima Flor, que faz o papel do bispo, O Avesso do Claustro junta a biografia de Camara com a trajetória de três personagens fictícios. Um pesquisador que vai em busca de Dom Helder no Recife, uma mulher que encara um duro cotidiano em São Paulo e uma cozinheira do Rio de Janeiro.

A mais temida das bruxas eslavas, canibal é interpretada por Sônia Carvalho, da Cia. Cênicas de Repertório. Baba Yaga que clama por seu filho Olaf, faz do público confidente de uma degradada relação familiar.

Temos também Terror e Miséria no Terceiro Reich – O Delator, com Germano Haiut e Stella Maris Saldanha, encenação de José Francisco Filho. Na Alemanha nazista, o clima de desconfiança e possibilidade de traição chega a níveis tão elevados, que um casal de classe média desconfia que o filho pode ser um dedo-duro e denunciá-los junta a polícia do ditador Hitler. Obra escrita entre 1935 e 1938 pelo dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht. Qualquer associação com a realidade atual não pode ser mera coincidência.

Stereo Franz é inspirado em

Stereo Franz é inspirado em

A versão da companhia [pH2] Estado de Teatro, de São Paulo para Woyzeck, texto inacabado do alemão George Büchner é ambientada em uma espécie de bar. Em Stereo Franz, é exposto o cotidiano dos personagens enquanto uma banda toca e destaca pontos da narrativa.

Com dramaturgia de Nicole Oliveira e dirigido por Paola Lopes, a peça refaz a trajetória de Franz, um homem que não domina a sua própria língua, é obcecado por questionamentos sobre a morte, é traído pela mulher que ama, rejeitado por si mesmo e por pessoas que admira e é incapaz de argumentar qualquer coisa a seu favor.

No domingo temos uma viagem pelo São Francisco, guiada por Chico, que conhece os segredos do rio como ninguém no infantil Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo, da Cia. Biruta de Teatro (Petrolina/PE). A fértil criatividade do barqueiro inventa personagens e historias e sonha em reencontrar os pais que sumiram em uma noite de chuva.

Duas autoras negras falam de suas vivências. A prosa da Carolina Maria de Jesus, que foi catadora de papel e habitante da extinta favela do Canindé, e Elisa Lucinda, com uma poesia que vasculha os mistérios do feminino. O que há de injustiça social nessas vidas é bradado ora sussurrado em Olhos de Café Quente.

Viva La Vida junta o universo da pintora mexicana Frida Kahlo e a Festa de Los Muertos, utiliza referências pessoais dos atores, que contribuem com imagens-homenagens a seus mortos e discursos sobre a resistência das minorias.

SERVIÇO

Vento Forte Para Água e Sabão
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quando: Dia 28 de janeiro de 2017 (sábado), às 16h30
Quanto: R$: 20,00 (Inteira) e 10,00 (Meia)
Classificação etária: livre
Duração: 55 min.

Ossos – Coletivo Angu de Teatro e Atos Produções Artísticas (Recife/PE)
Onde: Teatro Apolo
Quando: Dia 28 de janeiro de 2017 (sábado), às 18h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h30

O Avesso do Claustro – Cia. do Tijolo (São Paulo/SP)
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quando: Dias 28 e 29 de janeiro de 2017 (sábado e domingo), respectivamente às 20h e 18h
Quanto: R$: 60,00 (Inteira) | 30,00 (Meia
Classificação etária: a partir dos 12
Duração: 2h30

SERVIÇO
O Delator – Terror e Miséria no Terceiro Reich
Quando: sábados e domingos de janeiro, às 18h
Onde: Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457, Boa Vista)
Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)
Informações: 3184-3057

Baba Yaga – Cênicas Cia. de Repertório (Recife/PE)
Onde: Espaço Cênicas
Quando: Dias 28 e 29 de janeiro de 2017 (sábado e domingo), respectivamente às 20h e 18h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 12 anos
 Duração: 1h

Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo – Cia. Biruta de Teatro (Petrolina/PE)
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quando: Dia 29 de janeiro de 2017 (domingo), às 16h30
Quanto: R$: 20,00 (Inteira) | 10,00 (Meia)
Classificação etária: livre
Duração: 50 min.

Stereo Franz – [pH2]: estado de teatro (São Paulo/SP)
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quando: Dias 28 e 29 de janeiro de 2017 (sábado e domingo), respectivamente às 20h e 18h
Quanto: R$ 40,00 (Inteira) e 20,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h15

Olhos de Café Quente – N’Útero de Criação e Phaelante & Phaelante Ltda. (Recife/PE)
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quando: Dia 29 de janeiro de 2017 (domingo), às 17h e 19h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h

Viva La Vida – Coletivo Multus (Recife/PE)*
*Atração convidada do Festival Estudantil de Teatro e Dança
Onde: Teatro Apolo
Quando: Dia 29 de janeiro de 2017 (domingo), às 20h
Quanto: R$: (Inteira) e 10,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 14 anos
Duração: 1h

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O que ver no Janeiro – parte 3

Enchente, criação de Flávia Pinheiro, nesta quinta-feira, no Teatro Hermilo Borba Filho. Foto: Rogério Alves/Sobrado 423.

Enchente, criação de Flávia Pinheiro, no Teatro Hermilo Borba Filho. Foto: Rogério Alves/Sobrado 423.

Uma peça coreográfica inspirada na obra de Hermilo Borba Filho inevitavelmente traz uma carga política na sua poética. Enchente, inspirado em conto homônimo de HBF, é um espetáculo que deveria ser visto por toda a gente que tem preocupações com o mundo atual, pela qualidade do trabalho enquanto dança contemporânea e pela construção de sentidos que a montagem desperta, como a da crise migratória na Europa.

Em catástrofes naturais e humanas, o capitalismo faz o papel de rejeitar pessoas, a partir de sua origem, cor, conta bancária. E Enchente pulsa dessa revolta contra ações de catalogar, valorizar e menosprezar o ser humano.

Na narrativa curta de HBF, com climas surrealistas, uma mulher luta por sobreviver durante uma inundação. Ela, um morto no caixão, e os animais (cavalos, cachorro, ovelha) são surpreendidos com o dilúvio.

A diretora Flávia Pinheiro transforma as palavras do escritor pernambucano em imagens poderosas e materializa as sensações no corpo das bailarinas /performers Gardênia Coleto, Marcela Aragão e Marcela Filipe, nos gestos e movimentos, reforçados pelo vídeo e pela fúria sonora.

Nas projeções, grupos de pessoas tentam atravessar muros e são impedidas com violência por soldados, os guardiões das propriedades. O mundo está habitado pela barbárie, indiferença e intolerância.

SERVIÇO
Enchente – Flávia Pinheiro (Recife/PE)
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quando: Dia 26 de janeiro de 2017 (quinta-feira), às 20h
Quanto: R$ 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 45 min.

Hermila Guedes, Juliano Holanda, Marcondes Lima, Ivo Barreto e André Brasileiro

Hermila Guedes, Juliano Holanda, Marcondes Lima, Ivo Barreto e André Brasileiro

Uns são afinados, outros nem tanto, mas soltam a voz. Todos têm atitude e auto-estima para brilhar. Estou muito curiosa com Angu das Canções. Show que o músico Juliano Holanda e convidados leva ao palco as composições que ele fez para o Coletivo Angu e trilhas sonoras de outras montagens. Em 13 anos de trajetória, o grupo já montou Angu de Sangue, Rasif – Mar que Arrebenta e Ossos, com textos de Marcelino Freire; Ópera, de Newton Moreno e Essa Febre que não Passa, de Luce Pereira. 

Henrique Macedo, que criou o som de outras peças, faz participação especial. A direção musical é assinada conjuntamente por Marcondes Lima e André Brasileiro. E sobem ao palco os atores Arilson Lopes, Gheuza Sena, Hermila Guedes, Ivo Barreto, Lilli Rocha e Nínive Caldas.

O autor Marcelino Freire participa do show declamando textos de autores pernambucanos de ontem e hoje, como Miró da Muribeca, João Cabral, Bandeira e alguns de sua autoria. A proposta é mais uma provocação do Coletivo e uma celebração desses artistas.  

Serviço
Angu de Canções Coletivo Angu de Teatro (Recife/PE)
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quando: 26 de janeiro (quinta-feira), 20h
Quanto: R$ 40 e R$ 20

Cena de A Gaivota, com turma dos formandos do Sesc de Piedade. Foto: Divulgação

Cena de A Gaivota, com turma dos formandos do Sesc de Piedade. Foto: Divulgação

Vanessinha ainda estou na dúvida entre ir ao Santa Isabel ver Angu das Canções ou seguir para o Pina para conferir o trabalho de Sandra Possani com a turma de atores do Curso de Interpretação para Teatro do Sesc Piedade. Ontem não deu para assistir porque chocava o horário com Alguém para fugir Comigo.

Mas eu adoro as peças de Anton Tchekhov. E  A Gaivota tem um sabor especial porque fala de criação, da arte inscrita tempo, de negociações, do que pode ser velho e novo no teatro. Esse universo é fascinante. E também gosto muito de ver jovens atores em cena, com o frescor de quem está descobrindo o mundo, um mundo da arte.  

A Gaivota – Curso de Interpretação Para Teatro do SESC Piedade (Jaboatão dos Guararapes/PE)
Onde: Teatro Barreto Júnior
Quando: dias 25, 26 e 27 de janeiro de 2017 (quarta, quinta e sexta-feira), 20h
Quanto: R$ 10 e R$ 5

Severinos

Severinos com Lívia Lins e Madson de Paula

João Cabral de Melo Neto, Virgulino, o Lampião e Vitalino, o artesão são personagens que sustentam as lonas do circo erguido pelo dramaturgo e diretor Samuel Santos e pela Dispersos Cia de Teatro. O espetáculo Severinos, Virgulinos e Vitalinos mergulha na história de Muriqueta e Tramboeta, figuras que sonham em descobrir o paradeiro dos pais mambembes.

O musical tem uma pegada bem jovial e mostra de forma leve a saga nordestina da seca e da fome, da violência e da criação artística nem sempre bem-compreendida.

No elenco da peça estão Lívia Lins e Madson de Paula interpretam Os atores são acompanhados pelos músicos, Danielle Sena, Tiago Nunes, Leila Chaves, Victor Chitunda, com direção musical de Chitunda e Leila.

Confira crítica:  Magia do circo para encarar vida Severina

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Segunda sessão de Alguém para fugir comigo. Foto: Ivana Moura

Alguém pra Fugir comigo, faz a segunda sessão neste Janeiro. Estreou ontem no Teatro Marco Camarotti, aplaudida com entusiasmo. Com uma estrutura dramatúrgica fragmentada, a peça explora situações em o “sujeito da vez” corre risco, toma consciência do abandono ou é vítima da violência direta – numa delegacia – ou indireta, num ônibus em que os passageiros são tratados como animais pelo sistema de exploração e ganância dos capitalistas.

Como são muitos fragmentos de textos Margareth Atwood, Harold Pinter, Louis Vauthier, Karl Marx, Gilles Chantelet, Enrique Buenaventura, Sandor Márai, Albert Camus, Bertolt Brecht, Marcelino Freire, Quiercles Santana e do próprio elenco formado por alunos-atores do Curso de Formação do Sesc de Santo Amaro, o resultado é desigual.

Montagem em que a emoção joga com as teorias do teatro numa sinalização de que no palco, o que importa mesmo é esse embate / debate / abraço criação de sentidos junto com a plateia. Com Analice Croccia, Ane Lima, Caíque Ferraz, Ludmila Pessoa, Luís Bringel, Nataly Sousa, Pollyanna Cabral e Willams Rosendo. Vale acreditar na subversão, nas urgências das questões que esses jovens atores defendem com tanta garra e talento.

SERVIÇO
Alguém Pra Fugir Comigo
Resta 1 Coletivo de Teatro (Recife/PE)
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quando: dias 25 e 26 de janeiro de 2017 (quarta e quinta-feira), às 19h
Quanto: R$ 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 14 anos

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Teatro das Canções

Coletivo Angu de Teatro faz show com repertório musical. Na foto, o grupo em início de carreira

Coletivo Angu de Teatro faz show com repertório musical dos espetáculos. Na foto, o grupo em início de carreira

Ivo Barreto integra o elenco do espetáculo musical e de Ossos

Ivo Barreto integra o elenco do show musical e de Ossos

A música está no nascedouro do Angu de Teatro. A trilha sonora faz parte da narrativa dos espetáculos do grupo, que usa e abusa das canções para surpreender e emocionar. E o Coletivo resolveu soltar a voz no Janeiro de Grandes Espetáculos para saudar o pessoal do som que o acompanha nessa estrada há 13 anos. Angu de Canções é uma parceria entre a trupe e o músico Juliano Holanda, compositor do roteiro musical da mais recente encenação Ossos e um dos artistas mais celebrados de Pernambuco.

Para passar em revista a trajetória, os músicos e atores vestem os figurinos de todas as montagens do Coletivo, assinadas por Marcondes Lima. A apresentação está agendada para esta quinta-feira (26), no Teatro de Santa Isabel.

As músicas dos outros espetáculos da companhia foram compostas por Henrique Macedo, que faz participação especial. Com direção musical de Marcondes Lima e André Brasileiro, o show conta com os atores Arilson Lopes, Gheuza Sena, Hermila Guedes, Ivo Barreto, Lilli Rocha e Nínive Caldas.

Marcelino Freire, autor de três peças do repertório do Angu de Teatro – Angu de Sangue, Rasif – Mar que arrebenta e Ossos – também participa da apresentação recitando textos de Miró da Muribeca, João Cabral, Bandeira e alguns de sua autoria.

Serviço
Angu de Canções Coletivo Angu de Teatro (Recife/PE)
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quando: 26 de janeiro (quinta-feira), 20h
Quanto: R$ 40 e R$ 20

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O que ver no Janeiro – parte 2

Atrações desse Janeiro inclui teatro música e dança

Atrações desse Janeiro inclui teatro música e dança

Paulo de Castro, um dos produtores do Janeiro de Grandes Espetáculos (as outras duas são Carla Valença e Paula de Renor) enche o peito ao dizer que qualquer coisa que colocar no festival lota. Mais uma vez tem sido assim, em teatros de pequeno e de médio porte – para no máximo 150 espectadores. Como também nas apresentações para mais de 700. Uma ou outra atração foge à essa “regra”. Algumas dessas produções, inclusive, mostraram fôlego para mais de uma sessão.

Mas não dá para entender porque programar peças chocando horários, em vez de fazer um exercício mais criativo de escalonamento. Na terça-feira, as três atrações – Puro Lixo, Microclima e o show Sons de Latada com Josildo Sá, ocorreram no mesmo horário. E por que a decisão de deixar as duas segundas-feiras apenas com leitura dramatizada e agendar em outros dias até seis ou oito montagens?

Nesta quarta-feira são seis no festival: Alguém para fugir comigo, às 19h, no Marco Camarotti; A Gaivota, Martelada e Dùvido, às 20h, respectivamente no Barreto Júnior, Arraial e Luiz Mendonça. Além do show Mestres do Mundo, com Margareth Menezes, às 20h30, no Santa Isabel e Zumba às 21, no Hermilo Borba Filho. No domingo estão na lista nove apresentações, melhor distribuídas, é verdade.

Bem, mas vamos à programação, Vanessinha, desta quarta-feira. E veja que sua opção vai depender do humor, do seu humor ou do seu amor. Tem música de Margareth Menezes para acalentar o coração em Mestres do Mundo. Mergulho na possibilidade impalpável da pós-morte ou de uma vida paralela na dança contemporânea da Sopro de Zéfiro, em Dùvido. A crença nas cumplicidades e fidelidades contra todas as evidências de traições no mundo atual, na peça Alguém para fugir comigo. As batidos do personagem do cavalo-marinho e as tradições orais no peça de Claudio Ferrario, Martelo.  A releitura do clássico A Gaivota, de Anton Tchekhov, com direção de Sandra Possani. O tom político da peça Zumba, baseada em obra de Hermilo Borba Filho. 

Mestres do Mundo, com Margareth Menezes

Margareth Menezes vai fazer um arraial no Santa Isabel. Foto: Divulgação

Margareth Menezes vai fazer um arraial no Santa Isabel. Foto: Divulgação

Sanfona, esse instrumento endiabrado, que permite possibilidades infinitas de exploração sonora é o elo de ligação do show Mestres do Mundo, que a cantora baiana apresenta nesta quarta-feira. Musa do afropop brasileiro, a artista se joga nas riquezas  rítmicas e poéticas de três sanfoneiros ilustres: Sivuca, Dominguinhos e Luiz Gonzaga. Beto Hortis lidera com o seu instrumento musical de 120 baixos uma trupe de instrumentistas. 

Duração: 1h10
Classificação etária: livre
Criação do projeto e produção executiva: Margot Rodrigues
Direção musical e arranjos: Beto Hortis
Direção artística: Maria Paula Costa Rêgo
Direção de arte: Carol Silveira
Textos: Bráulio Tavares
Plano de luz e operação: Cleyson Belo
Som: André Coroa
Câmera: João Vicente
Produção: Salviano Medeiros e Gilvan Fernandes
Músicos: Margareth Menezes (vocal), Beto Hortis (sanfona), Aglaia Costa (rabeca, violino e percussão), Gleidson Zabumbeiro (zabumba), Tiago Filho (viola de 7 cordas e guitarra), Mongol (contrabaixo), Jerimum de Olinda (percussão e efeitos) e Allyson Aguiar (bateria)

SERVIÇO
Mestres do Mundo, com Margareth Menezes
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quando: dias 25 (quarta), às 20h30h
Quanto: R$ 80 e R$ 40
Classificação etária: a partir dos 14 anos

Alguém Pra Fugir Comigo, por Quiercles Santana

Texto fragmentado e direção de Quiercles Santana

Texto fragmentado e direção de Quiercles Santana

A injustiça se banalizou, a grosseria e descortesia se manifestam a todo instante. Na fila do banco, no ponto de ônibus, na plateia do teatro. A civilidade é uma palavra em desuso, na prática. A peça Alguém pra Fugir comigo, que estreia neste Janeiro, já fez alguns ensaios abertos no ano passado. Mas eu não vi. A encenação explora esse desejo de ter companhia na caminhada pela vida.

A dramaturgia fragmentada inclui textos políticos, filosóficos, líricos, além de episódios cotidianos ocorridos recentemente ou mesmo no século 19, para amplificar no palco a crise ética, social e humana. “É sobre ser humano e ser pedra. Ter e perder o seu lugar no mundo, na vida, na relação com o outro. É sobre nós, nossos sonhos, vontades, urgências”, sintetiza o material de divulgação. Alguém pra Fugir Comigo remexe o terreno das existências apequenadas. Mas faz o giro para não ficar na acomodação e sinaliza a capacidade de insurreição, de subversão, de rebeldia inscrita na própria arte.

A encenação utiliza trechos de Margareth Atwood, Harold Pinter, Louis Vauthier, Karl Marx, Gilles Chantelet, Enrique Buenaventura, Sandor Márai, Albert Camus, Bertolt Brecht, Marcelino Freire, Quiercles Santana e alunos-atores do Curso de Formação do Sesc de Santo Amaro para formar esse caleidoscópio. A encenação é de Quiercles Santana.

Duração: 1h30
Classificação etária: a partir dos 14 anos
Textos: vários fragmentos de histórias justapostas e intercambiáveis
Encenação: Analice Croccia e Quiercles Santana
Assistência dramatúrgica: Ana Paula Sá
Desenho de luz: Elias Mouret
Direção musical: Katarina Menezes e Kleber Santana
Desenho de som: Kleber Santana
Preparação de corpo e movimento: Patrícia Costa
Cenotécnico: Flávio Freitas
Direção artística e produção: Resta 1 Coletivo de Teatro
Elenco: Analice Croccia, Ane Lima, Caíque Ferraz, Ludmila Pessoa, Luís Bringel, Nataly Sousa, Pollyanna Cabral e Willams Rosendo

SERVIÇO
Alguém Pra Fugir Comigo
Resta 1 Coletivo de Teatro (Recife/PE)
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quando: dias 25 e 26 de janeiro de 2017 (quarta e quinta-feira), às 19h
Quanto: R$ 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 14 anos

A Gaivota, com direção de Sandra Possani

Cena de A Gaivota, com turma dos formandos do Sesc de Piedade. Foto: Divulgação

Cena de A Gaivota, com turma dos formandos do Sesc de Piedade. Foto: Divulgação

A Gaivota, com texto de Anton Tchekhov,  da turma de atores do Curso de Interpretação para Teatro do Sesc Piedade, também estreia nesta quarta-feira. A peça expõe uma guerra de paradigmas entre o novo e o conservador de mentalidades e na literatura. O jovem e inseguro dramaturgo Treplev vive acuado entre a rejeição da mãe e a tristeza de ter perdido Nina, sua amada. Ele deseja renovar o teatro e encontra resistência na figura de Trigorine, autor tradicional e bem-sucedido.

O espetáculo reflete os conflitos de modelos numa sociedade em transição, a partir situações cotidianas com pessoas comuns em sua vida prosaica.

O autor russo Anton Tchekhov deixou quatorze peças teatrais, dentre elas A Gaivota, Tio Vânia (1889-1900), As Três Irmãs (1901) e O Jardim das Cerejeiras (1904). Além de dois ensaios, cinco novelas e quase duzentos contos.

Com adaptação e direção da encenadora Sandra Possani, a montagem investiga as frustrações dos personagens, suas mudanças de humores, seus desejos e ideais, perseguindo o tom tchekhoviano, de entender que as coisas são tristes e engraçadas ao mesmo tempo.

Ficha Técnica
Duração: 1h20
Classificação etária: a partir dos 12 anos
Texto: Anton Tchékhov
Direção cênica: Sandra Possani
Assistência de direção: Almir Martins
Equipe envolvida na criação/interpretação da encenação: Sandra Possani, Anamaria Sobral, Ana Elizabeth Japiá, Caio Andrade e todos os alunos
Laboratório de personagem: Cira Ramos
Iluminação: Eron Villar
Colaborador na criação da iluminação: Thiago Leal
Cenografia, figurinos e maquiagem: Célio Pontes
Visagismo de cabelo: Belas Art’s Cabeleireiros e Estética
Sonoplastia e criação sonora/musical: Adriana Millet
Composição musical: Lucas Ferr, Géssica Beda e Amanda Spacca
Técnica vocal: Leila Freitas
Assistentes de produção: Caio Andrade, Saulo Mendonça, Rakelly Nogueira, Ariele Mendes, Almir Martins e Guilherme Kokeny
Coordenação de produção: Ana Júlia da Silva e Ivana Motta
Supervisão geral: Rudimar Constâncio
Elenco de atores-alunos: Conceição Santos, Lucas Ferr, Anderson G-zuis, Amanda Spacca, Rômulo Ramos, Elisa Lucena, Géssica Beda, Jailton Júnior, Winy Mattos e Daniel Gomes

A Gaivota – Curso de Interpretação Para Teatro do SESC Piedade (Jaboatão dos Guararapes/PE)
Onde: Teatro Barreto Júnior
Quando: dias 25, 26 e 27 de janeiro de 2017 (quarta, quinta e sexta-feira), 20h
Quanto: R$ 10 e R$ 5

Martelo, com Claudio Ferrario

Claudio Ferrario. Foto: Déa Ferraz

Claudio Ferrario. Foto: Déa Ferraz

Claudio Ferrario é um velho contador de histórias, que embaralha fatos e ficções, do alto do orgulho e sabedora popular do seu personagem. Dos Mateus que encontramos nos brinquedos populares das cidades da Zona da Mata de Pernambuco, o ator compilou histórias, subverteu outras e elegeu Martelo, um desses palhaços, para ser recriado em seu espetáculo. O cabra conta suas aventuras de idas e voltas ao inferno, com doses de mistério e poesia.

A encenação tem momentos engraçados e outros mais densos. Nessa narrativa, o personagem do cavalo-marinho guardador de mistérios e histórias faz do público cúmplice. E segue num entra e sai de beco de conversas encantadas que parecem não ter fim.  E a montagem equaliza os tempos e as mudança de intenções com uma luz bem marcada.

Sozinho no palco o ator atrai para si o espírito desses Mateus a espantar os espíritos perversos com as bexigadas da figura de cara pintada e alma lavada.

Todas as sessões desta temporada de Martelo têm lotado. Então é bom não deixar para adquirir o ingresso de última hora. Sob o risco de ficar para a próxima temporada.

Zumba, de Hermilo Borba Filho

Mario Miranda,Daniel Barros e Flávio Renovato em Zumba

Mario Miranda, Daniel Barros e Flávio Renovatto em Zumba

A Gloriosa Vida e o Triste Fim de Zumba-Sem-Dente ou simplesmente Zumba é uma adaptação do diretor Carlos Carvalho do conto O Traidor, de Hermilo Borba Filho. Na peça, o sapateiro socialista Zumba desafia o regime militar e se candidata à prefeito da cidade de Palmares.
A peça mostra a pressão, as perseguições e os bastidores do poder, que ganha uma dimensão maior quando projetamos os acontecimentos reais ocorridos nos últimos tempos no Brasil.

Zumba utiliza projeções em vídeo e bonecos de mamulengo para dinamizar a montagem. Houve uma encenação, também dirigida por Carvalho e com Jones Mello no papel principal, agora defendido por Mário Miranda, que abriu o Janeiro de 2002.

Veja também outros posts sobre Zumba publicados no Yolanda: A luta de Zumba-Dentão
Política no sangue de um sapateiro

Dùvido, com a Cia. Sopro de Zéfiro

Dança explora a intuição e o mistério do universo impalpável. Foto: Fernando Azevedo

Dança explora a intuição e o mistério do universo impalpável. Foto: Fernando Azevedo

Tem gente que morre afirmando que só que existe  o que os seus olhos (limitados) conseguem ver. Mas há outras criaturas que aceitam a existência de um outro universo, mas imaterial, abstrato e metafísico onde os seres podem se encontrar. O trabalho coreográfico Dùvido, da Companhia Sopro-de-Zéfiro /Cecília Brennand mergulha nessas indagações da finitude do plano terrestre e da possibilidade de que haja algo maior no fim do túnel.

A obra investe nesses questionamentos de recomeços para a além dessa vida, universo impalpável e vazio existencial.

Duração: 1h
Classificação etária: livre
Direção geral: Cecília Brennand
Concepção, coreografia e direção artística: Ana Emília Freire
Assistente de direção: Carla Machado
Plano e operação de luz: Cleison Ramos
Coordenação de produção: Deborah Priston Carruthers
Produção executiva: Vânia Oliveira
Elenco: Alyne Firmo, Carlos Canto, Julyanne Rocha, Karla Cavalcanti, Lidy Bergman, Luzii Santos, Madson Erick, Rodolpho Silva, Rodrigo Gomes, Silas Samarky, Thiago Barbosa, Natália Jonas, Gabriel Ramos, Amanda França, Jonas Alves e Laís Roselli

SERVIÇO
Dùvido
Quando: Dia 25 de janeiro (quarta-feira), 20h,
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quanto: R$ 30 e R$ 15

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