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A gaúcha Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz comanda três ações teatrais gratuitas no RECIFE

Grupo apresenta Desmontagem: Evocando os Mortos Poéticas da Experiência, com a atriz Tânia Farias, a oficina Vivência com a Tribo, e debate sobre questões de gênero na contemporaneidade teatral brasileira. Foto: Cisco Vasques / Divulgação

A atriz Tânia Farias reflete sobre suas lutas, erros e acertos que mapearam seus processos criativos e as experiências na construção de cada uma de suas personagens. Foto: Margareth Leite / Divulgação

O Ói Nóis Aqui Traveiz – grupo gaúcho versado no engajamento e longevidade (são 41 anos de trajetória ininterrupta) na cena brasileira – chega ao Recife com uma tríade de ações. A performance Desmontagem: Evocando os Mortos Poéticas da Experiência, com a atriz Tânia Farias, a oficina Vivência com a Tribo, e debate sobre questões de gênero na contemporaneidade teatral brasileira. A programação, com entrada franca, ocorre no SESC Casa Amarela. Nos dias 3 e 4 de outubro, às 20h, a Tribo encena a Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência, seguida de bate-papo sobre o processo criativo. No dia 2 de outubro, das 14h às 18h será realizada a Oficina de Vivência com a Tribo, e às 19h, o Debate sobre questões de gênero. Em todas as atividades haverá o uso do instrumento de acessibilidade em libras e programa em braile.

A desmontagem é um conceito técnico aberto e relativamente novo no âmbito das artes cênicas. Cada artista se propõe a investir na análise e desconstrução do próprio trabalho artístico enquanto um manifesto estético e político. Carrega uma dimensão pedagógica da demonstração técnica do trabalho. A gaúcha Tânia Farias é uma das pioneiras dessa pesquisa no Brasil e tem sido responsável pela propagação dessa ideia do trabalho de ator no país.
A atriz reflete sobre suas lutas, erros e acertos que mapearam seus processos criativos e as experiências na construção de cada uma de suas personagens.

Tânia Farias propõe um mergulho num território onde o trabalho autoral condensa um ato real com um ato simbólico, provocando experiências que dissolvam os limites entre arte e vida e potencializem a reflexão e autoconhecimento. O trabalho segue a fileira de investigação do teatro ritual de origem artaudiana e performance contemporânea.

Em Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência, a artista refaz o caminho na criação de quatro personagens emblemáticos de montagens da Tribo. São eles: Ófelia em Hamlet Máquina (1999), a partir da peça homônima do alemão Heiner Müller; Kassandra em Aos Que Virão Depois de Nós – Kassandra In Process (2002), a partir da novela Cassandra, da alemã Christa Wolf; Sasportas em A Missão – Lembrança de uma Revolução (2006), também a partir de texto de Müller; e Sophia em Viúvas – Performance sobre a ausência (2011), a partir de peça e da novela Viudas, do chileno Ariel Dorfman.

Os personagens – Sofia, Sasportas, Kassandra e Ofélia – são interpretados como se fossem mortos e cujas almas tomam o corpo da atuadora e se materializam no rosto, na voz, na energia e na palavra.

A questão é de gênero. E a performance vibra e grita contra a violência que as mulheres sofrem, abusos que arrancam pedaços físicos, psíquicos e de possibilidades na vida. Projeta também a experiência afetiva e poética da sensibilidade e da luta das mulheres no meio artístico e social.

E o trabalho denuncia a violência contra a mulher em suas variantes, questões que passaram a ocupar centralmente o trabalho de criação do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz. As três ações estão interligadas com o intuito de instalar reflexões sobre as atitudes cotidianas e a responsabilidade de cada um no mundo dentro desta cultura da violência, discriminação e preconceito arraigados.

Ficha técnica
Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência
Criação da Atuadora Tânia Farias a partir de quatro personagens de espetáculos da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Concepção, atuação e oficineira: Tânia Farias
Direção: Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Produção: Terreira da Tribo Produções Artísticas

Serviço
Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência
02/10, das 14h às 18h: Oficina de Vivência com a Tribo
02/10, 19h: Debate sobre questões de gênero no teatro brasileiro contemporâneo
03 e 04/10, às 20h: Desmontagem Evocando os Mortos – Poéticas da Experiência, seguida de bate-papo sobre o processo criativo
Onde: SESC Casa Amarela (Av. Professor José dos Anjos, 1190) – Recife/PE
Entrada franca
* Em todas as atividades haverá o uso do instrumento de acessibilidade libras para deficientes auditivos e programa em braile para deficientes visuais.
** O Projeto foi selecionado pelo Programa Petrobras Distribuidora 2017/2018, através da Lei de Incentivo à Cultura

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Caixa Cultural Recife: agente da censura?

 

Abrazo, peça suspensa de se apresentar na Caixa Cultural Recife

Pergunta que martela os miolos: O que vamos fazer diante do avanço do autoritarismo? Os artistas estão preparados para reagir ao alastramento da censura no Brasil? Como armar estratégias de sobrevivência nesses tempos? O episódio do cancelamento do espetáculo infantil Abrazo, do grupo teatral Clowns de Shakespeare, de Natal, capital do Rio Grande do Norte, pela Caixa Cultural Recife, vem na esteira de recentes censuras a montagens teatrais. A Caixa alegou genericamente que a trupe havia descumprido o contrato. A peça expõe um país em que demonstrações de afeto estão proibidas e explora temas da ditadura, censura e repressão.

A montagem foi barrada no sábado, 7 de setembro. A primeira sessão foi apresentada às 15h. Logo depois, foi realizado um debate com a plateia. Poucos minutos antes da sessão das 18h, o público – que já estava na fila – foi avisado da suspensão da peça sem maiores explicações. Próximo das 20h, funcionários da CEF chamaram um representante do grupo para uma reunião. Foi Fernando Yamamoto, que ainda tentou levar o produtor Rafael Telles, mas a senhora disse que só se reuniria com apenas um. Eram três representantes da CEF. Táticas de intimidação usam do expediente de deixar o oponente em menor número.

Vinte minutos depois, Yamamoto retorna ao teatro da Caixa Cultural Recife, onde estão os integrantes do grupo, além dos produtores locais Tadeu Gondim e André Brasileiro. Disse que iria conversar com o grupo para tomar alguma decisão.

O grupo não se pronunciou oficialmente nas primeiras horas depois do cancelamento, mas nas na internet as demonstrações de solidariedade e de indignação contra a ação arbitrária da Caixa começaram a circular. O diretor do espetáculo Marco França, que atualmente mora em São Paulo, divulgou em suas redes sociais que a Caixa Cultural censurou as sessões. “Uma censura travestida com argumentos jurídicos. Vivemos um momento de barbárie no país, onde a verba pública para pesquisa e educação são cortadas, onde livros são censurados, onde artistas estão sendo perseguidos e tendo suas obras censuradas. Não nos calarão! Enquanto houver espaço para falar, estaremos aqui denunciando.”

A Caixa Cultural não assume a pecha de censura e atesta ter cancelado as sessões de Abrazo por um “descumprimento contratual”. Mas não especifica qual ou quais as cláusulas desrespeitadas pelo grupo Clowns de Shakespeare. A trupe teatral, que ficou perplexa com a suspensão do contrato, classifica a justificativa da instituição de “genérica”.  “Não reconhecemos qualquer indício de infração que pudesse ter sido eventualmente cometida, pois cumprimos com tudo que estava contratualmente previsto”, divulgou o Clowns de Shakespeare em nota oficial.

Abrazo é inspirado em O Livro dos Abraços, do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015), e o contrato para apresentações na Caixa Cultural Recife estava firmado para os fins de semana 7, 8 e 14 e 15 de setembro. A narrativa mostra um país onde não é permitido às pessoas se abraçar ou demonstrar qualquer tipo de afeto.

Sem uma palavra falada sequer – porque também é proibido falar, a fábula infantil, expõe o efeito das guerras e proibições na vida das pessoas através de mímicas, desenhos e projeções. Com roteiro dramatúrgico de César Ferrario e direção de Marco França, a peça tem no elenco os atores Dudu Galvão, Camille Carvalho e Paula Queiroz, que se revezam entre os personagens do rapaz, da florista, do soldado, do índio, da avó, de um general e do menino.

Cena da peça Arena Conta Zumbi

Na década de 1960, uma das respostas do Teatro de Arena à feroz censura da representação de peças brasileiras realistas foi a estreia em 1965 e temporada de dois anos do espetáculo Arena Conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, com música de Edu Lobo. A peça narrava a saga dos quilombolas no Brasil-Colônia, em resistência ao domínio português. Defendia a construção de uma outra realidade, mais justa e igualitária.

Eu vivo num tempo de guerra
Eu vivo num tempo sem sol
Só quem não sabe das coisas
É um homem capaz de rir

Ah, triste tempo presente
em que falar de amor, de flor
é esquecer que tanta gente
está sofrendo tanta dor

Tempo de Guerra é um dos momentos mais emblemáticos do musical Arena Conta Zumbi, um desafio à ditadura militar. A canção de Augusto Boal, Edu Lobo, Gianfrancesco Guarnieri é inspirada no poema Aos que virão depois de nós, de Brecht, música posteriormente gravada por Maria Bethânia.

É um tempo de guerra
é um tempo sem sol
É um tempo de guerra
é um tempo sem sol

Veja bem que preparando
o caminho da amizade
não podemos ser amigos ao mal
ao mal vamos dar maldade!

Desde o golpe de 2016 que a cultura brasileira vem sendo alvo de perseguições políticas, veladas ou escancaradas. O governo e seus asseclas nas instâncias federal, estadual e municipal e outras figuras situadas em pontos estratégicos buscam desestabilizar todo e qualquer pensamento crítico com cortes de verbas, de editais, com a divulgação de fake news. A principal estratégia é atacar pelo lado econômico, minando as condições de sobrevivência.

Montagem do combatente grupo Clowns de Shakespeare, de Natal, Rio Grande do Norte

Nota da Caixa Cultural Recife / Caixa Econômica Federal

A Caixa informa que por descumprimento contratual cancelou o espetáculo Abrazo, com apresentações programadas no espaço cultural do banco. O contrato com o Clowns de Shakespeare foi rescindido, conforme comunicado ao grupo nesta data

Nota do grupo Clowns de Shakespeare

No último sábado, dia 7 de setembro de 2019, após haver realizado a primeira apresentação do espetáculo Abrazo na Caixa Cultural Recife, fomos surpreendidos com o cancelamento da segunda sessão do dia, assim como das demais apresentações que seriam realizadas no dia seguinte.

Nesta segunda-feira recebemos um comunicado oficial da Caixa Econômica Federal informando a rescisão do contrato relativo ao restante desta temporada, que se estenderia até o próximo domingo, 15 de setembro, sob a genérica alegação de descumprimento contratual.

Nenhum esclarecimento adicional nos foi dado, o que nos moveu a solicitar da Caixa o parecer jurídico e a decisão administrativa relativos a essa rescisão, com detalhamento para que possamos analisar e nos posicionar apropriadamente sobre o caso.

Até o momento estamos perplexos diante dessa atitude, uma vez que não reconhecemos qualquer indício de infração que pudesse ter sido eventualmente cometida, pois cumprimos com tudo que estava contratualmente previsto.

O contrato de patrocínio celebrado com a Caixa decorreu de edital no qual se habilitou e foi selecionado o Grupo Clowns de Shakespeare, dentro das normas legais de seleção de projetos.

Esperamos que essa justificativa, genérica e lacônica, seja esclarecida pela Caixa, de forma a possibilitar ao grupo defender-se de tal alegação.

Agradecemos o apoio maciço que estamos recebendo de diversos setores da sociedade, e voltaremos a nos pronunciar tão logo a nossa solicitação de esclarecimentos seja atendida pela Caixa.

 

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Reside, pulsão de resistência em Pernambuco

Espetáculo As Flores do Mal, do uruguaio Sérgio Blanco, abre festival da produtora e atriz  Paula de Renor no Recife. Foto: Elisa Mendes

Garra, persistência, determinação, ética, força agregadora. A leoa Paula de Renor reúne essas qualidades e insiste em engendrar em Pernambuco um festival que inquieta, que sintoniza com as pulsações da cena contemporânea. Deus sabe onde ela vai buscar energia para prosseguir mantendo o viço juvenil da descoberta, da surpresa, do assombro dessa arte. Depois de anos compartilhando a direção do Janeiro de Grandes Espetáculo, em 2018 ela lançou o festival Cambio, “uma alavanca de mudança, transformação, troca”. De lá pra cá, a realidade cultural no país ficou ainda mais dura, mas não dá pra desistir. Não para uma mulher feito Paula de Renor. Extraindo dos próprios nervos, e mais uma vez sem patrocínios, ela transfigura o Cambio em RESIDE.FIT/PE – Festival Internacional de Teatro de Pernambuco .

Mesmo ainda no segundo ano, o festival chega grande em pensamentos, em conceitos. E segundo a produtora/artista – que orgulha quem é gauche do teatro -, já conectado: o RESIDE.FIT/PE avança no seu propósito de colaboração e formação, compartilhando experiências e saberes, debatendo ideias e processos criativos. Uma ação potente nos eixos de formação, exibições e residências artísticas.

A violência é explorada por diversos olhares na edição 2019, que começa neste domingo, dia 08/09, com o espetáculo As Flores do Mal ou A Celebração da Violência, no Teatro Marco Camarotti, às 19h. O monólogo é interpretado pelo próprio autor, Sergio Blanco, um dos dramaturgos que abala as bases do teatro contemporâneo.

Já o laboratório do argentino Lisandro Rodriguez busca investigar e vincular a violência que nos cerca no cotidiano, com a violência expressivo-cênica que lemos sobre o nosso entorno e como o traduzimos em uma imagem cênico- poética. Lisandro pretende trabalhar o espírito desconstrutivo, analítico e prático na especificidade da cena para extrair o poético e político.

A palestra Festivais e a Economia Criativa será comandada pela curadora e produtora Márcia Dias, do Rio de Janeiro. O mexicano Damián Cervantes soma com a oficina Grupo e Internacionalização Teatral, uma ação a ser efetivada em outubro, em parceria com o FETEAG.

A grande aposta do RESIDE.FIT/PE é o projeto Especial: Nova Dramaturgia Francesa e Brasileira, ação de residência artística e intercâmbio, com o autor francês Fabrice Melquiot, o tradutor e diretor, Alexandre Dal Farra(SP) e o Coletivo Angu de Teatro (PE), que finaliza com a leitura dramatizada e lançamento do livro Eu carreguei meu pai sobre meus ombros/J’ai pris mon père sur mes épaules.

Sergio Blanco, dramaturgo uruguaio

Sergio Blanco escreveu, dirige e atua em As flores do mal ou a celebração da violência, de 2018. Nessa pisada de autoficção que ele vem investindo nos últimos anos, Blanco embaralha estatutos de verdades. Sozinho no palco, investiga a relação entre violência e literatura, numa verticalização desconcertante. 

O monólogo explora de forma íntima as violências conhecidas do escritor no âmbito literário, arriscando paradoxalmente dores e deleites. Blanco defende que a literatura é um dos poucos espaços onde a humanidade pode treinar a violência com total liberdade, escapando do julgamento moral e enveredando em direção à poesia. 

O franco-uruguaio mora em Paris e tem seus textos montados em vários idiomas. Entre eles,
A Ira de Narciso , Tebas Landb (esses dois montados no Brasil) e El Bramido de Düsseldorf. Em As flores do mal, inclusive, ele cita algumas dessas. É uma peça-conferência, com uma encenação muito simples e crua, mas efetiva. Blanco sentado na mesa, algumas anotações, o texto, uma projeção, Tina Turner tocando em momentos específicos.

Fabrice Melquiot, o autor francês e o dramaturgo brasileiro Alexandre Dal Farra, que traduziu a peça

Com o intuito de lançar os novos autores franceses no Brasil e os novos autores Brasileiros na França, o Núcleo dos Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil, La Comédie de Saint-Étienne, Instituto Francês e a Embaixada da França no Brasil se juntaram no projeto A Nova Dramaturgia Francesa e Brasileira.

Esse projeto bilateral se concretiza em duas estações: a primeira fase em 2019, oito textos de autores franceses contemporâneos são traduzidos por diretores-autores brasileiros, publicados pela Editora Cobogó e encenados nos festivais que compõem o Núcleo (Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília, FIAC – Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia, em Salvador, FILO – Festival Internacional de Londrina, FIT Rio Preto – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas, RESIDE.FIT/PE – Festival Internacional de Teatro de Pernambuco e TEMPO_FESTIVAL – Festival Internacional de Artes Cênicas do Rio de Janeiro).

Em 2020, num movimento de reciprocidade e cooperação, os autores(as) brasileiros terão seus trabalhos traduzidos e publicados na França pela Editora D’ores et déjà e encenados no Théâtre National de La Colline (Paris), no Festival Actoral(Marseille) e finalizarão na Comédie de Saint-Étienne para um grande final de semana festivo.

Os textos franceses foram traduzidos por Alexandre Dal Farra, Gabriel F., Grace Passô, Jezebel de Carli, Márcio Abreu, Pedro Kosovski, Quitéria Kelly e Henrique Fontes (Grupo Carmim) e Renato Forin, que também apresentarão leituras dramatizadas das obras com grupos e artistas locais com a presença do autor francês.

Fabrice Melquiot é apontado como autor mais produtivo de sua geração. Tem mais de cinquenta peças escritas, publicadas pela editora Arche. Traduzido em várias línguas, suas peças são encenadas na França e no exterior (Alemanha, Grécia, México, Estados Unidos, Chile, Espanha, Itália, Japão, Québec, Rússia). Desde o verão de 2012, é diretor do Théâtre Am Stram Gram de Geneva, Centre International de Création et de Ressources pour l’Enfance et la Jeunesse.

Eu carreguei meu pai sobre meus ombros é inspirado em alguns cantos da Eneida, de Virgílio. A peça explora o percurso de Roch, um homem pobre que descobre que só tem um mês de vida, devido a um câncer. A trama está situada na madrugada dos atentados ao Bataclan, em um bairro da periferia de Saint-Étienne, em Paris, em novembro de 2015. Mas o protagonista avisa aos seus que não quer fazer quimioterapia e deseja viajar para uma região distante e desconhecida.

PROGRAMAÇÃO

Espetáculo As Flores do Mal ou A Celebração da Violência
Texto, direção e atuação: Sergio Blanco / Uruguai
Tradução: Celso Curi
Vídeo Arte: Miguel Grompone
Direção de Produção: Celso Curi e Wesley Kawaai
Legendagem: Casarini Produções
Foto: Miguel Grompone
Produção: OFF Produções Culturais
Apoio: Périplo Produções Culturais
Indicação: 16 ANOS
Duração: 55 min
*Legendado em português
Ingressos no local/ 1h antes do início/Lugares limitados
Quando: 08/09, às 19h
Onde: Teatro Marco Camarotti (Rua Treze de Maio, 455, Santo Amaro)
Quanto: Gratuito. Ingressos no local, 1h antes do início / Lugares limitados
Informações: (81) 3216-1728

PROJETO ESPECIAL/INTERCÂMBIO/RESIDÊNCIA
Nova Dramaturgia Francesa e Brasileira
Residência artística do dramaturgo francês Faquice Melquiot, com o tradutor e diretor Alexandre Dal Farra/SP e Coletivo Angu de Teatro/PE, com leitura dramatizada do texto Eu carreguei meu pai sobre meus ombros/J’ai pris mon père sur mes épaules.
Quando: Encontros de 09 a 12/9, Das 09h30 às 13h30
Onde: Teatro Arraial

Leitura dramatizada do texto Eu carreguei meu pai sobre meus ombros/J’ai pris mon
père sur mes épaules, de Faquice Melquiot, dirigida pelo tradutor e diretor Alexandre Dal Farra/SP com Coletivo Angu de Teatro/PE
Quando: 13/09, às 19h
Onde: Teatro de Santa Isabel – Praça da República, s/n, Santo Antônio
Quanto: Gratuito. Ingressos no local, 1h antes do início / Lugares limitados
LANÇAMENTO DO LIVRO
Eu carreguei meu pai sobre meus ombros/J’ai pris mon père sur mes épaules, do dramaturgo Francês, Fabrice Melquiot, traduzida pelo artista Alexandre Dal Farra, de São Paulo.

Laboratório
Práticas Cênicas: A Violência, Com Lisandro Rodriguez /Argentina
Quando: de 14 a 18/09, das 16h às 20h
Onde: Armazém do Campo – Rua do Imperador Pedro II, 387, Santo Antônio
Quanto: Gratuito / Inscrição com seleção (15 vagas) de 3 a 10/9 pelo site:
www.residefestival.com.br
Público: Pessoas em formação ou formadas com experiência cênico-artística mínima, músicos, cineastas, poetas, artistas plásticos,atores, bailarinos, etc.

Palestra: Festivais e a Economia Criativa
Com Márcia Dias/Brasil
Quando: 14/09, às 15h
Onde: Cineclube Coliseu /SESC Casa Amarela (Avenida Norte, 1190 – Mangabeira).
Informações: (81) 3267-4400

Oficina: Grupo e Internacionalização Teatral
Com Damián Cervantes /México
Quando: de 04 a 08/10
Esta oficina será realizada junto com o Festival de Teatro do Agreste e o projeto Transborda, compondo uma atividade do Cena Expandida.
As inscrições serão abertas na segunda quinzena de setembro.

FICHA TÉCNICA RESIDE.FIT/PE
Realização: Remo Produções Artísticas
Direção Geral: Paula de Renor
Curadoria: Celso Curi e Paula de Renor
Produção Executiva: {Fervo}Projetos Culturais
Coordenação Técnica: Luciana Raposo
Assistência de Produção: Sandra Possani, Elias Vilar, Andréa Silva, Pedro de
Renor, Raquel Alves

Projeto Gráfico e edição do programa: Clara Negreiros
Web Designer: Sandro Araújo
Comunicação e Articulação Institucional: Danilo Carias

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Femininos encerram Dança de agosto no Itaú

Antílope, de Flávia Pinheiro; Eu, Elas de Juliana Moraes e Entrelinhas de Jaqueline Elesbão

O tom político e as questões femininas marcam as produções do Dança no Itaú que ocorre no fim de semana – de 30 de agosto a 1º de setembro, encerrando a programação de agosto. A artista pernambucana Flavia Pinheiro vem com sua investigação do corpo em Antílope; a paulista Juliana Moraes questiona os comportamentos aceitos socialmente como femininos em Eu, Elas; e a baiana Jaqueline Elesbão investe em esquadrinhar a violência de gênero e raça em Entrelinhas.

O circuito começou em 15 de agosto, e abriu espaço para coreografias nascidas a partir de movimentos políticos, estéticos e poéticos que fogem do convencional – a exemplo da dança de rua, funk, popular e de origem africana. Ao todo somam-se 10 montagens com artistas vindos de diferentes influências e lugares do país: de São Paulo, Juliana Moraes e o Grupo Fragmento Urbano; da Bahia, Kety Kim Farafina e Jaqueline Elesbão; do Rio Grande do Norte, Alexandre Américo e a companhia Gira Dança; de Pernambuco, Angelo Madureira, Flávia Pinheiro e Pedro Lacerda e, do Ceará, Katiana Pena e Wellington Gadelha.

Flavia Pinheiro em Antílope. Foto: Amanda Pietra

Antílope é a designação vasta para o mamífero bovídeo, e que engloba subfamílias, que guarda parentesco com vacas ou cabras. É o nome do espetáculo que Flavia Pinheiro leva ao palco às 21h desta sexta-feira. O animal tem musculatura poderosa nos quartos traseiros, o que dá agilidade para fugir dos predadores e correr até 100 km/h.  Alguns ostentam cornos ocos.

Flavia Pinheiro desenvolve trabalhos numa conjunção de arte, ciência e tecnologia e utiliza sensores biométricos e ópticos para transformar seus movimentos em ruídos. Em Antílope, performer traça um paralelo da desventura humana, que foge para poder sobreviver. Mas o antílope é considerado um animal com grande capacidade de superar episódios traumáticos e sair de um estado de inconsciência caso sobreviva à caçada.

Às 19h30, na área externa do Itaú Cultural, a companhia Fragmento Urbano expõe a intervenção Breaking de Repente. Explora com sua dança de rua vários aspectos do cotidiano de grandes centros urbanos. Nesta performance, a companhia, criada em 2009, reproduz gestos e familiaridades da rotina social nos grandes centros – como caminhar, procurar objetos e pegar ônibus –, por meio de danças urbanas como popping e locking. 

30/08/2019 SEXTA-FEIRA – 21h às 21h35
Antílope
Flavia Pinheiro(PE)
[duração aproximada: 35 minutos]
Sala Multiuso (piso 2) – 70 lugares
[livre para todos os públicos]

Eu, elas, solo de Juliana Moraes. foto: Cris Lyra /divulgação

O que é um comportamento feminino? A bailarina e coreógrafa paulista Juliana Moraes problematiza a pergunta na apresenta desse sábado, 21h, Eu, Elas. Nesse solo contemporâneo, Juliana usa gestos e posturas socialmente aceitos como femininos no ocidente – especialmente a partir dos anos 1950 – para desconstruir e questionar essas atitudes aprendidos.

Sentada durante 30 minutos, mas movimentando-se freneticamente, a artista elabora uma coreografia fincada na acumulação de gestos em diferentes partes do corpo, criando apuradas combinações. Focada na identidade de gênero, a peça descortina complexos processos de submissão e resistência, numa alternância entre imposições sociais e descobertas libertadoras.

31/08/2019 SÁBADO – 21h às 21h30
Eu, Elas
Juliana Moraes (SP)
[duração aproximada: 30 minutos]
Sala Multiuso (piso 2) – 70 lugares
[classificação indicativa: 12 anos]

Entrelinha, mergulha nas feridas e cicatrizes desse sistema opressor, que mutila milhões de mulheres 

A baiana Jaqueline Elesbão apresenta Entrelinhas no domingo, às 20h, fechando a série de dança no Itaú Cultural em agosto. Diretora, coreógrafa, intérprete e ativista de questões femininas, étnicas e causas LGBT, ela aborda a temática da violência psicológica, emocional e sexual contra a mulher, articulando um diálogo entre o passado e o presente. Entrelinhas vasculha a mentalidade escravocrata e o comportamento machista dominador, que silencia a voz feminina com força física ou metafisica.

01/09/2019 DOMINGO – 20h às 20h35
Entrelinhas
Jaque Elesbão (BA)
[duração aproximada: 35 minutos]
Sala Multiuso (piso 2) – 40 lugares
[classificação indicativa: 18 anos]
[com interpretação em Libras]

SERVIÇO

Dança em agosto no Itaú Cultural
Itaú Cultural
Av. Paulista, 149 – Estação Brigadeiro do Metrô
Tel.: 2168-1776/1777
Entrada gratuita
Distribuição de ingressos:
Público preferencial: 1 hora antes do espetáculo (com direito a um acompanhante)
Público não preferencial: 1 hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)

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Alice, a grandeza de Gertrudes na vida e na arte

Nicole Cordery em Alice – Retrato da Mulher que cozinha ao Fundo. Foto: Divulgação

A narrativa dominante insiste em traçar assimetrias micropolíticas de parceiros íntimos, principalmente quando trata de duplas, casais homoafetivos. As lésbicas Gertrude Stein (1874-1946) e Alice B. Toklas (1877-1967) são tratadas nesse grande painel triturador como protagonista e coadjuvante.

A casa na 27 Rue de Fleurus, de Stein / Toklas na efervescente Paris dos anos de 1920 e 1930 abrigava em reuniões e festas amigos como Ernest Hemingway, Guillaume Apollinaire, James Joyce, Pablo Picasso, Georges Braque, Henri Matisse, Jean Cocteau, Scott Fitzgerald, ainda jovens e desconhecidos, muitos outros artistas e críticos de arte, figuras que se tornariam a fina flor intelectual europeia do século 20.

Gertrudes escreveu em diversos gêneros literários – romances, contos, peças teatrais, novelas, conferências e ensaios, retratos, poemas, literatura infantil, histórias detetivescas e libretos de ópera. Entre eles The Making of Americans, a conferência Poesia e Gramática, o livro de contos Três Vidas, os dois infantis, The World is Round (O Mundo é Redondo) e To Do: a Book of Alphabets and Birthdays (Para Fazer: um Livro de Alfabetos e Aniversários).

Em A autobiografia de Alice B. Toklas, Stein traça uma engenhosa biografia de si mesma, em que a narradora do livro é Alice. Virou best-seller de lembranças daquela boemia parisiense e foi transformado no filme Meia-Noite em Paris, de Woody Allen.

Já Alice Toklas consta na história literária como a autora de apenas um livro de culinária, The Alice B. Toklas Cookbook.

Mas sua figura foi de máxima importância para a criação artística de sua parceira. Além de cozinhar, às vezes, nas badaladas reuniões, Toklas desempenhou o papel de primeira leitora, secretária, revisora, crítica, editora e organizadora da obra de Stein. Nos 20 anos após a morte da companheira, Alice cuidou da divulgação e preservação do trabalho de Gertrude.

O solo Alice – Retrato de Mulher que Cozinha ao Fundo narra a trajetória de Toklas e a relação das escritoras, enquanto compõe um panorama do século XX e da Segunda Guerra Mundial. Mas pelo olhar de Toklas. No espetáculo, Alice não é eclipsada por sua célebre amada.

Com atuação de Nicole Cordery, a peça tem direção de Malú Bazan e texto assinado por Marina Corazza.

A peça faz três apresentações no Teatro Décio de Almeida Prado nos dias 29, 30 e 31 de agosto. As apresentações fazem parte da programação do Mês da Visibilidade Lésbica, e contará com bate-papo após as sessões.

O monólogo aposta na fronteira entre a realidade e a ficção a partir de um embaralhamento entre as visões de Stein e Alice. Inspirado nos livros The Alice B. Toklias Cookbook e A Autobiografia de Alice B. Toklias, o monólogo traz uma dramaturgia fragmentada, assume diferentes tempos e espaços da vida das duas, através da narração de cartas, poesias e receitas culinárias de Alice.

Alice – Retrato de Mulher que Cozinha ao Fundo já cumpriu cinco temporadas em São Paulo, além de turnês por cidades da Argentina e de Portugal.

Malú, Nicole e Marina. Foto: Divulgação

SERVIÇO

Alice – Retrato de Mulher que Cozinha ao Fundo
Quando: 29, 30 e 31 de Agosto (quinta a sábado), 20h (quinta e sexta); 18h (sábado)
Onde: Teatro Décio de Almeida Prado – Rua Lopes Neto, 206 – Itaim Bibi, São Paulo (SP)
Ingresso: R$ 30,00 (inteira) | R$ 15,00 (meia)
Duração: 60 minutos

Convidadas para bate-papos pós peça:

29/08
Convidada
Lauren Zeytounlian é antropóloga, marceneira e lésbica. Faz doutorado em Ciências Sociais, na área de Estudos de Gênero, na Unicamp. É membro do Numas – Núcleo de Estudos dos Marcadores Sociais da Diferença, na USP. Desde de 2015 é mediadora do Clube de Leitura Companhia das Letras/Penquin/Numas que se encontra mensalmente
na Livraria Martins Fontes Paulista. Possui muitos interesses de pesquisa, mas, no momento, sobretudo em textos de mulheres em primeira pessoa, escritas feministas, ativismo e trabalho sexual.

30/08
Convidada
Carla Miguelote
é Doutora em Literatura Comparada (UFF) e Professora Adjunta do Departamento de Letras da UNIRIO, com diversos trabalhos publicados em anais de congresso, além de ensaios e artigos em livros e revistas especializadas. É também poeta – autora do livro de poemas Conforme minha médica (Confraria do vento, 2016)
– e documentarista – diretora de quatro curtas feministas: Amiga oculta (2017), qual imagem (2018), como se não víssemos a um palmo do olho a pinça do escorpião (2019) e esguicho (2019).

Mediação
Marina Corazza
é atriz, dramaturga e educadora. Graduada em Artes Cênicas (ECA/USP) e mestranda no Programa de Mudança Social e Participação Política (EACH/USPLeste). Foi co-fundadora e atriz da Companhia Auto-Retrato (2001 a 2015). Em 2015 formou com os atores Lucas George e Diego Gonçalves o Coletivo Concreto com objetivo de investigar a relação entre cantos de tradição e a ação no trabalho do ator. Seus últimos trabalhos como dramaturga são: Alice, retrato de mulher que cozinha ao fundo, Aproximando-se de A Fera na Selva (indicada ao Prêmio APCA de dramaturgia e direção) e Fóssil.

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