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Memória em chamas no Mercado Eufrásio Barbosa

Natali Assunção entrelaça vozes reais e ficcionais para investigar temas como aprisionamentos e liberdades femininos numa sociedade patriarcal no espetáculo Ainda escrevo para elas. Foto: Li Buarque / Divulgação

O espetáculo Ainda escrevo para elas joga foco sobre vidas de 11 mulheres comuns, de feitos minimalistamente extraordinários no enfrentamento de suas prisões subjetivas e sociais. O monólogo de Natali Assunção, com direção de Hilda Torres e Analice Croccia, percorre territórios de delicadezas e complexidades para traçar uma rebelião silenciosa (ou nem tanto) numa sociedade patriarcal.

Com a escuta da fala dessas mulheres de diferentes realidades sócio-econômico-culturais, as vivências, histórias e memórias, além da fricção com a escrita de Mia Couto, foi tecido esse monólogo, que faz duas apresentações, nos dias 10 e 11 de janeiro, no Teatro Fernando Santa Cruz (Mercado Eufrásio Barbosa – Varadouro, Olinda).

A peça integra o projeto Narrativas de uma memória em chamas, idealizado por Natali Assunção. Algumas ações foram traçadas para perscrutar os limites da liberdade e dos aprisionamentos no cotidiano feminino. Uma imersão na linguagem documental alinhavada pela literatura, pelo  ensaio fotográfico Espelhos, um filme e o monólogo. A dissertação Narrativas de uma memória em chamas: Uma experiência em teatro documentário, a ser defendida no início de fevereiro de 2020, no Departamento de Artes Cênicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), traça pensamentos e vivências desse processo.

SERVIÇO

Ainda escrevo para elas
Quando: 10 e 11 de janeiro, às 19h30
Onde: Teatro Fernando Santa Cruz (Mercado Eufrásio Barbosa – Av. Joaquim Nabuco – Varadouro, Olinda)
Ingresso: R$ 30 e R$ 15

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O riso e a crítica corrosiva são armas do Marsenal

O projeto Marsenal retoma suas atividades no Recife com a estreia internacional do espetáculo Cabaré do Bonzo, com Claudio Ferrario e Olga Ferrario. Foto: Reprodução do Facebook

A cultura é perseguida sem trégua, os direitos humanos são saqueados, a democracia está na mira de um sujeito “nojento, irresponsável, inescrupuloso, elitista, segregador, corrupto e nefasto”. É assim que o Cabaré do Bozo pinta seu personagem principal, que juntamente com seus comparsas são responsáveis pelas desumanas reformas trabalhista e da previdência. Os números traduzem o estrago desse (des) governo: a fome atinge mais 12 milhões de pessoas, sem perspectiva de reversão, se depender “desses daí”. Desde o golpe de 2016 que a situação só piora.

As ridículas figuras que ocupam o Palácio do Planalto Central do Brasil e suas extensões, e a atmosfera tosca que envolvem essas trepeças servem de material para a criatividade, humor corrosivo e crítica implacável do espetáculo Cabaré do Bozo, que integra o Movimento Marsenal, que retoma suas atividades nesta quinta-feira, no Bar do Mamulengo, no Bairro do Recife.

       O Movimento Marsenal chega, rechega, volta, revolta…

“Para somar com quem não aceita o assassinato do povo das periferias e das florestas. Para somar com quem jamais achará natural que a fome e a miséria corroam tantos e tantas, enquanto alguns poucos se empanturram de tudo. Para somar com quem acredita que a saúde e a educação são direitos inalienáveis, que não podem, simplesmente, nos serem roubados. Somar com quem acredita na cultura como sinônimo de vida e, portanto, não se permitirá, em hipótese alguma, conviver com qualquer tipo de censura”.

Claudio Ferrario no Teatro Mamulengo

O Movimento Marsenal é um foco artístico e político de re-existência que funciona desde julho no Teatro Mamulengo, no Bairro do Recife. Surgiu de forma independente e sem patrocínio, com o objetivo de agregar os que são contra a censura e lutam pela democracia, segundo seus articuladores – Claudio Ferrario e as Violetas da Aurora, (coletivo formado por Ana Nogueira, Sílvia Góes, Fabiana Pirro e Mayara Waquim).

O projeto carrega as marcas do temperamento pernambucano, com um jeito irônico e demolidor de encarar a realidade e rir até de si mesmo. Mas sempre com doses cavalares de autoestima. Então, na estreia internacional do Cabaré do Bozo é possível que o público se depare com Damares da Goiabeira, Moro Marreco, Queiroz Rachadinha, Abraão Guarda-chuva, Erneqsto Planificador. Além do troglodita-mor.

A programação começa com o microfone aberto. Qualquer um pode falar o que quiser. É momento para combater as fakes News e as baboseiras. Depois do cabaré a pista fica pronta para a dança. 

“O Cabaré do Bozo nasce a partir de diálogos que escrevo há um tempo e que nós atualizamos um pouco e amarramos numa pequena brincadeira. Eu e Olga fazemos 9 personagens, entre eles, o próprio Bozo, Damares, Moro, Queiroz… e com Hugo Coutinho pensamos uma trilha – com músicas e sonoplastias – que amarrasse os quadros e que servisse para as trocas de roupas, que fazemos ao vivo…”, adiantou Claudio Ferrario mais cedo pelo mensager.

“Sabe-se que a fauna é vasta, composta por bichos os mais variados”, já alardeou Ferrario no Facebook. “Há os matreiros, os agressivos, os territoriais. Há os que só saem das suas tocas à noite, os que emboscam, os que se utilizam do mimetismo, para se aproximarem das suas presas, sem que sejam notados. Abrimos o vasto e deplorável leque de opções, composto por ministros, secretários, milicianos e familiares do Bozo e só faltamos arrancar os cabelos, para escolher quais estariam presentes nesse nosso cabaré”, confessou Claudio para seus milhares de fãs nas redes sociais.

Algumas dos depoimentos sinistros que serviram de inspiração do Cabaré do Bozo:

        • “Querem transformar as nossas crianças em quilombolas indígenas homossexuais, mas, eu vou mudar isso daí, tá ok?”
          Aquele energúmeno
      •  
        • “Rosanja, minha conje, também detesta o metalurjo Lula. Mas como já dizia Aristotles, bom mesmo é brocles com figo de galinha.”
          O Ministro da Justiça, que come as
          sílabas das palavras proparoxítonas
      •  
        •  “A mulher nasceu pra ser mãe e a gravidez é um problema que dura apenas nove meses.”
          Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, uma máquina incansável de dizer asneiras e idiotices
        • “Depositei um dinheirinho na conta da Primeira Dama, porque passei um ano, vendendo e comprando carros usados e acumulei 1 milhão e 200 mil, aí, quis lhe fazer esse agrado.”
          Queiroz, o “gênio” da Economia
      •  
        • “Se a Terra fosse redonda e girasse em torno do próprio eixo, no mínimo deveríamos sentir tonturas.”,
          Ministro das Relações Exteriores

 

Claudio Ferrario e Olga Ferrario interpretam figuras do Planalto. Foto: Reprodução do Facebook

Serviço

Cabaré do Bozo, com Claudio Ferrario e Olga Ferrario
Onde: Bar Teatro Mamulengo (Rua da Guia, 211, de frente para a Praça do Arsenal)
Quando: 9 de janeiro, às 19h
Ingressos: Contribuição espontânea /chapéu solidário / pague quanto quiser-puder

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Perspectiva descolonial na curadoria das artes cênicas

Teórica de artes cênicas, dramaturga e curadora Piersandra Di Matteo é a convidada do 2º Encontro sobre Curadoria em Artes Cênicas, da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo. Reprodução do Facebook

Problematizar estética, teorias e práticas na programação das artes cênicas contemporâneas é um dos focos que a teórica, dramaturga e curadora italiana Piersandra Di Matteo propõe para o curso que realiza no Brasil no mês de dezembro. Ela é a convidada do 2º Encontro sobre Curadoria em Artes Cênicas, da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo. O programa In-Betweennes – Reciprocidade e dramaturgia urbana na curadoria de artes cênicas ocorre nos dias 4, 5 e 6 de dezembro de 2019, de quarta a sexta-feira, no Instituto Italiano de Cultura de São Paulo. E em Belo Horizonte nos dias 9 e 10 de dezembro, numa co-realização do Instituto Italiano de Cultura com a 18ª edição do Festival Teatro em Movimento.

As inscrições podem ser feitas até essa sexta-feira, 29 de novembro, e são gratuitas. Os interessados devem enviar um microcurrículo de cinco linhas e uma carta de intenção por e-mail. Será realizada uma seleção.

O convidado da primeira edição do encontro foi o alemão Florian Malzacher, curador independente, dramaturgo, escritor, diretor artístico do Impulse Theater Festival em Mülheim e região do Ruhr (Düsseldorf, Colônia e Wuppertal) e também curador do Festival Spielart, em Munique. A ação ocorreu em dezembro de 2015 no Goethe-Institut São Paulo, numa iniciativa conjunta do Goethe-Institut, da MITsp e do Observatório dos Festivais.

No curso deste ano, In-Betweennes – Reciprocidade e dramaturgia urbana na curadoria de artes cênicas, Piersandra Di Matteo mostrará alguns estudos de caso e discutirá suas experiências curatoriais baseadas na ativação de trocas teóricas e práticas. Entre eles, E a raposa contou ao corvo, vencedor do prêmio UBU 2014 de Melhor projeto organizacional curatorial; o Projeto Speciali, promovido pela Prefeitura de Bolonha sobre os trabalhos de Romeo Castellucci; e o projeto Creative Europe, oferecido pelo ERT (Emilia Romagna Teatro) em parceria com outros seis países europeus com o objetivo de testar a participação ativa de habitantes e migrantes por meio de formas de reapropriação do espaço urbano.

Diretora do mestrado de curadoria em artes cênicas da Universidade de Veneza (IUAV), a pesquisadora entende a prática curatorial como um gesto descolonial, ou seja, como uma série de ações capazes de romper barreiras que afastam os sujeitos, que ultrapassam os limites que isolam suas singularidades.

“Estou pensando em práticas que desafiem as dinâmicas do poder, que questionem a atitude colonial e patriarcal que se impõem na sociedade neoliberal”.  Piersandra Di Matteo

A dimensão política da curadoria será explorada no curso, delineando áreas de responsabilidade, a possibilidade de dar espaço à reciprocidade e à interação – dando vida a diferentes formas de espectadores – e a produção do espaço discursivo como forma de prática crítica, questionando formas de representação, memória e a construção do significado.

Atualmente, Piersandra é diretora artística da Bienal Atlas of Transitions (Bolonha, 2018-2020), um projeto que aproxima e cruza diferentes culturas por meio de linguagem diversas em artes cênicas que tem como proposta discutir os processos contemporâneos de migração, a convivência social e estratégias de cocriação entre nativos e migrantes.

SERVIÇO
In-Betweennes – Reciprocidade e dramaturgia urbana na curadoria de artes cênicas
Inscrições: Envio de currículo com cinco linhas e carta de intenção | Grátis

São Paulo/SP
Email para inscrição: seminario@mitsp.org
4 e 5 de dezembro, quarta e quinta-feira, das 10h às 18h
6 de dezembro, sexta-feira, das 10h às 12h.
Onde: Instituto Italiano de Cultura de São Paulo
Av. Higienópolis, 436 – Higienópolis, São Paulo

Belo Horizonte/MG
Email para inscrição: rubim@rubim.art.br
9 e 10 de dezembro, em local a ser confirmado.
Em Belo Horizonte, o Teatro em Movimento tem o patrocínio do Itaú e do Instituto Unimed-BH, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

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Companhia do Latão lança peças de resistência

Festa de lançamento de três peças de Sérgio de Carvalho conta com participações de Maria Theresa Vargas, Sérgio Mamberti, Cecília Boal, Paulo Arantes e “outras surpresas possíveis e inimagináveis”. Imagem da peça Lugar nenhum. Foto Maurício Battistuci / Divulgação

O Pão e a Pedra. Foto Lenise Pinheiro / Divulgação

Se lá fora faz frio e o clima é hostil, é tempo de saudar os pirilampos. E, neste sábado (9), um dos grupos teatrais mais importantes do Brasil faz uma jornada festiva para celebrar o lançamento do box Três peças da Companhia do Latão, pela Editora Temporal. A publicação inclui as peças Os que ficam, Lugar Nenhum e O Pão e a Pedra, que investem em reflexões sobre o Brasil das décadas de 1960, 1970 e 1980.  As obras dramatúrgicas são de Sérgio de Carvalho, que compôs os textos em cooperação com sua trupe de artistas.

A Companhia do Latão aposta na reflexão crítica da sociedade atual, a partir, principalmente, do legado de Bertolt Brecht. O grupo trafega pela pesquisa estética avançada e politização da cena. Na trajetória do Latão, o teatro questiona o jogo político, o contexto social e a criação cultural no Brasil em suas intricadas relações e seus enfrentamentos,

A peça Lugar Nenhum investiga democracia e o espírito democrático e se desenrola no fim dos anos 1980, no período findo da ditadura. Um sopro de esperança daqueles tempos em contraste com o que se tornou a democracia no futuro brasileiro, nosso presente. Expõe as veias abertas de uma democracia em crise, em colapso e degradação após o golpe que sequestrou o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff.

O Pão e a Pedra (2017) é inspirada na histórica greve de 1979 no ABC paulista e segue várias figuras do mundo do trabalho, sobretudo uma mulher operária que se disfarça de homem para disputar melhores cargos e salários -, em meio à greve dos metalúrgicos de 1979 no ABC.

A peça-ensaio Os que Ficam (2015) reprocessa a dramaturgia de Augusto Boal, a partir da labuta de um grupo teatral que arrisca montar Revolução na América do Sul.

Bem, se o pessimismo apocalíptico assume a avaliação do quadro brasileiro, temos pequenas vitórias a comemorar. E, a cada conquista, celebremos.

#LulaLivre.

Salve a resistência antifascista dos incansáveis vaga-lumes!

Box com as três peças da Cia do Latão

Encenador e dramaturgo Sérgio de Carvalho. Foto: Reprodução do Facebook

JAÍLTON – Ah, mais um recado para os críticos de plantão. Que gostam de dizer que a nossa trégua é desmobilizadora. A união é a coisa mais importante num momento como esse, em que a elite do país começou a notar que nós existimos. Estamos unidos, Arantes?
ARANTES – Uma união contraditória.”

O Pão e a Pedra. Editora Temporal.

 

Lançamento das Três Peças da Companhia do Latão

Quando: Sábado, 9 de novembro, das 17h30 às 19h – intervenções artísticas, leituras e falas com convidados especiais; 19h – coquetel; 20h às 21h – canções e cenas das peças publicadas
O evento é gratuito
Onde: Estúdio do Latão, Rua Harmonia, 931, Sumarezinho
Quanto: Descontos Especiais de lançamento de Três peças da Companhia do Latão. A
caixa com 3 livros sai por R$ 100 (Custa R$ 149 nas livrarias)

TRÊS PEÇAS DA COMPANHIA DO LATÃO

OS QUE FICAM (Diálogo teatral com Augusto Boal)
peça de Sérgio de Carvalho
partituras de Martin Eikmeier
posfácio de Iná Camargo Costa
relato de processo de Julian Boal
fotos de Sérgio de Carvalho

O PÃO E A PEDRA
peça de Sérgio de Carvalho
partituras de Lincoln Antonio
posfácio de Mario Sergio Conti
relato de processo de Maria Lívia Goes
fotos de Bob Sousa

LUGAR NENHUM
peça de Sérgio de Carvalho
partituras de Nina Hotimsky, Cau Karam e João Filho
posfácio de Maria Rita Kehl
relato de processo de Helena Albergaria
fotos de Sérgio de Carvalho

Programação

PARTE I
Abertura do autor e editores
Maria Theresa Vargas com surpresa teatral
Sérgio Mamberti recita textos De Plínio Marcos
Cecília Boal canta com Paulinho Tó
Paulo Arantes recita Sr. Keuner, de Brecht
As Cantadeiras e Trupe dos Encantados do MST
Elenco faz cena de O Mundo Está Cheio De Nós
Marcelo Pretto canta com Lincoln Antonio
E outras surpresas possíveis e inimagináveis

PARTE II
Coquetel e autógrafos

PARTE III
CENAS, CANÇÕES e TEXTOS pelos elencos de O PÃO E A PEDRA, LUGAR NENHUM e de OS QUE FICAM, com:
Ademir de Almeida, Beatriz Bittencourt, Carlos Escher, Carlos Santos, Débora Rebecchi, Érika Rocha, Gabriel Stippe, Helena Albergaria, João Filho, Leonardo Ventura, Rogério Bandeira, Ney Piacentini, Sol Faganello e Thiago Claro França
MÚSICA de Lincoln Antonio, Lucas de Sá, Martin Eikmeier, Nina Hotimsky e Walter Garcia
E participações especiais: Bruno Marcos, Kiko do Valle, Lourinelson Vladmir e Virginia Maria

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Res Publica 2023, peça censurada pela Funarte estreia no porão do Centro Cultural São Paulo

res publica 2023. Foto de Priscila Prade

Tom, Billy, Suzanne, Vincent, John e Vallentina não compartilham da euforia que tomou conta do país no Réveillon de 2023. Essa trupe divide uma república no centro de São Paulo e levanta trincheira com objetos que trazem da rua, como vaso sanitário, placa luminosa “2023”, gramofone, entre outros. Eles vivem no limite entre ficção e realidade. Fazem festas, criam números musicais, inventam gêneros, lutam e esperam milagrosamente por dias melhores para o grupo. Nas ruas, o movimento Anaconda Brazil enfileira multidões patrióticas, que comemoram um período de suposta prosperidade econômica.

O espetáculo Res Pública 2023, escrito e dirigido por Biagio Pecorelli, estreia neste 11 de outubro, no Espaço Cênico Ademar Guerra, no porão do CCSP – Centro Cultural São Paulo, onde fica em cartaz até 10 de novembro. O elenco, além do próprio diretor, é formado por Bruno Caetano, Camila Rios, Edson Van Gogh, Jonnata Doll e Leonarda Glück.

Res Pública 2023 foi recentemente censurada pela Funarte. A decisão da instituição foi baseada exclusivamente em uma sinopse, com uma explicação que dizia que “o espetáculo não reúne as qualidades artísticas para ocupar o espaço pretendido”.

Em carta aberta, o grupo A Motosserra Perfumada exaltou a “livre expressão do pensamento e do fazer teatral no Brasil”. E atestou que se tratava de um alerta a todos e todas artistas deste país, pois está aberto um precedente gravíssimo, que um dia o Brasil já conheceu muito bem, o precedente da censura, e que agora tem sido chamado de “filtro”.

O grupo denuncia uma “decisão autocrática e sem qualquer fundamento”. Em agosto de 2019, “o diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte (Ceacen), Roberto Alvim, censurou sumariamente a realização da temporada de estreia da nossa peça Res Publica 2023, em outubro, no Complexo Cultural da Funarte, em São Paulo, tomando por base – pasmem! – apenas a sinopse do texto. Ele não leu a peça. Ele nunca viu o espetáculo, que ainda nem existe. Mesmo assim, sua assessoria afirmou, no e-mail que enviou à Coordenação local da Funarte, no dia 18 de agosto, que a peça Res Publica 2023 não reúne “qualidade artística” para ocupar uma das salas do Complexo”.

Res Publica 2023. Foto: Priscila Prade

Em A República, de Platão, o filósofo grego defende a expulsão dos artistas de sua cidade ideal, pois eles – na ideia platônica – copiam a realidade ao criar ilusões que afastam os cidadãos da Verdade. O Grupo A Motosserra Perfumada ambiciona criar nervuras de conexões entre o terreno filosófico e os ataques que artistas brasileiros têm sofrido nos últimos tempos, por setores conservadores e/ou reacionários da sociedade; cujas obras, segundo essas alas, ferem os “valores morais”.

Para montar Res Publica 2023, A Motosserra Perfumada desenvolveu por dois anos uma pesquisa cênica no centro de São Paulo com a população “expatriada” (imigrantes, gays, prostitutas, michês, travestis, artistas, baixa classe teatral, adictos, etc.) que vive na República. A investigação estética faz referências a pontos estratégicos da vida noturna da região, à geografia urbana do bairro, ao passado de prática de touradas na Praça e às perseguições a esses moradores citados.

“Como a figura do poeta na cidade ideal platônica, essas populações se encontram hoje exiladas, nesse caso, exiladas dentro mesmo da cidade, resistindo aos regimes de ordenação moral e econômica do espaço urbano que sufocam e restringem, muitas vezes silenciosamente, seu usufruto da coisa pública”, instiga o grupo para reflexão de seu público.

Ficha Técnica

Res Publica 2023
Texto e Direção Artística: Biagio Pecorelli
Elenco: Biagio Pecorelli, Bruno Caetano, Camila Rios, Edson Van Gogh, Jonnata
Doll e Leonarda Glück
Diretora de Produção: Danielle Cabral
Desenho de Luz: Cesar Pivetti
Assistente de iluminação e operador de luz: Rodrigo Pivetti.
Preparação Viewpoints: Guilherme Yazbek
Assistente de Direção: Dugg Monteiro
Cenário e Figurinos: Rafael Bicudo e Coko
Design de Som/Sonoplastia/Trilha Sonora: Dugg Monteiro
Produtoras de Operações: Victória Martinez e Jessica Rodrigues
Arte de Divulgação: Bruno Caetano
Fotos de Divulgação: Priscila Prade
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Realização: A MOTOSSERRA PERFUMADA
Produção Geral: DCARTE E CONTORNO

Serviço
RES PÚBLICA 2023, d’A Motosserra Perfumada
Onde:Centro Cultural São Paulo – Espaço Cênico Ademar Guerra – Porão – Rua Vergueiro, 1000, Paraíso – São Paulo
Temporada:11/10 a 10/11. Quinta a sábado, 21h. Domingos, 20h.
Ingressos:R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada).
Classificação:16 anos.
Capacidade: 100 pessoas
Duração: 100 minutos

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