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Jorge Lafond e a memória adiada
Crítica e bate-papo:
Jorge pra Sempre Verão

Jorge pra Sempre Verão. Em primeiro plano Aretha Sadick e Alexandre Mitre. Foto Guará Siqueira / Divulgação

Poucos espetáculos recentes do teatro brasileiro assumem com tanta frontalidade a tarefa de disputar a memória quanto JORGE pra Sempre VERÃO. A peça dirigida por Rodrigo França, com dramaturgia de Aline Mohamad e Diego do Subúrbio, surge da vontade de homenagear Jorge Lafond, eternizado no imaginário popular como Vera Verão. Mas parte, antes, de uma espécie de atraso histórico de um país que consagrou a imagem do artista em horário nobre, transformou seu corpo em signo reconhecível da cultura de massa, mas não converteu essa centralidade em um esforço de preservação e reconhecimento à altura da complexidade de sua trajetória, nem em vida nem depois da morte. Mais do que relembrar um ícone cômico dos anos 1990 ou promover uma justiça sentimental em torno de um artista querido, a montagem interroga os mecanismos que fazem certos corpos virarem patrimônio e outros, caricatura. Nesse sentido, a peça acerta ao recolocar Jorge Lafond para além da moldura estreita do bordão, da gargalhada fácil e da memória televisiva achatada. A encenação insiste em perguntar quem foi esse homem negro, afeminado, popular, inteligente e solitário – e o que a sociedade brasileira fez com ele.

Mas a peça não escolhe o caminho mais óbvio. Em vez de construir uma biografia convencional, organizada em marcos de vida, ascensão, fama e queda, opta por uma dramaturgia de memória fragmentária e biografia coletiva. Essa é uma de suas escolhas mais potentes. Aline não pretende falar em nome total de Jorge, nem reconstituir uma verdade definitiva sobre ele. O espetáculo prefere assumir o recorte, a falta, o fragmento, a memória incompleta. E, com isso, realiza um movimento particularmente interessante: desloca Jorge do lugar de indivíduo isolado e o reinscreve numa constelação de experiências negras, suburbanas, LGBTQIA+, afeminadas e periféricas.

É daí que vem a força mais política da peça. Jorge não aparece apenas como “ele mesmo”, mas como ponto de convergência de muitas histórias. A ofensa “Vera Verão” como apelido de humilhação, a vergonha de ser associado a um corpo afeminado, o processo de ressignificar isso como potência, o convívio com a exclusão dentro e fora de casa, a tentativa de sobreviver a uma sociedade racista e homofóbica: tudo isso é convocado para que o espetáculo fale não só de Jorge, mas a partir de Jorge. A recepção do público confirma esse movimento. Repetidamente, surgem relatos de identificação – menos no sentido de reconhecer apenas a trajetória de uma figura pública e mais no de se perceber na cena em pedaços de si, de suas feridas, da infância e das próprias experiências de exclusão.

No plano artístico, a montagem também encontra soluções expressivas. A divisão entre Jorge e Vera em corpos distintos é uma escolha feliz, porque dramatiza o desdobramento entre sujeito e entidade, pessoa e figura pública, homem e símbolo. Em vez de repetir a mímica da personagem televisiva, o espetáculo a desloca para outro plano. Vera deixa de ser somente caricatura humorística e ganha espessura mítica, política e afetiva. A presença de Aretha Sadick nesse eixo é decisiva. Ao assumir Vera como uma mulher preta e trans, a peça atualiza o debate sobre gênero e dissidência, como propõe uma leitura crítica daquilo que Jorge talvez não pudesse nomear ou viver publicamente em seu tempo. Essa decisão é reforçada por um projeto de cena coerente: corpos pretos retintos no palco, figurinos e direção de arte que não banalizam a imagem de Lafond, uso de imagens de arquivo que ajudam a contextualizar sua trajetória e uma iluminação que costura, com precisão, os movimentos entre documento, evocação e rito.

Outro ponto alto está na forma como a montagem lê o desamparo estrutural de Jorge Lafond como condição persistente de um artista que ocupava um lugar ao mesmo tempo central e sem amparo. Jorge foi um rosto nacionalmente reconhecido, um corpo que sustentou humor, audiência e impacto popular por anos. Ainda assim, a peça insiste em mostrar que ele seguia só. O episódio relacionado à entrada de Padre Marcelo Rossi no programa em que Lafond atuava é tratado como síntese desse mecanismo: a dor maior não está na exposição pública em si, mas na descoberta de que a estrutura que lucra com você não necessariamente o sustenta. O espetáculo é especialmente forte quando identifica que o sofrimento de Jorge vem do preconceito da sociedade, mas também da ausência de respaldo das engrenagens que se beneficiaram de sua presença.

Também merece atenção a maneira como a obra se posiciona no debate sobre apagamento histórico. O espetáculo já realizou mais de 100 apresentações, circulou por diferentes cidades e chega ao Recife carregando a marca de uma trajetória de resistência material. Não por acaso, o tema do financiamento aparece com força no bate-papo. A comparação feita por Aline Mohamad com o reconhecimento póstumo dado a Paulo Gustavo é incômoda, mas eficaz. Enquanto alguns artistas se tornam rapidamente nome de rua, musical, filme, lei e grande projeto de memória, Jorge Lafond precisou esperar décadas por uma peça montada com orçamento muito mais precário. A observação não vale como competição simplista entre trajetórias, e sim como denúncia da desigualdade racial na administração da memória cultural brasileira.

Espetáculo também expõe os limites, as lacunas e os impasses de uma obra que tenta devolver humanidade a ao artista Jorge Lafond. Foto Guará Siqueira / Divulgação

E é justamente por ser forte que a peça também pede leitura crítica. E aqui vamos pensar em suas zonas mais tensas. A primeira delas está no tratamento dado ao subúrbio, à família e ao entorno social. O espetáculo tem razão ao reivindicar a cultura suburbana carioca como matriz sensível e política. Mas acontece que, em alguns momentos, essa reivindicação parece excessivamente protegida pela própria dramaturgia. Há afeto, há pertencimento, há memória coletiva – mas nem sempre há fricção suficiente. O resultado é que certas dimensões da violência cotidiana, da homofobia doméstica, do conservadorismo comunitário e das ambiguidades familiares surgem suavizadas em excesso. Em vez de expor plenamente essas rachaduras, a peça por vezes prefere uma forma de acolhimento que as amortece.

Mais do que individualizar a violência em figuras isoladas, a peça parece interessada em mostrar como racismo, homofobia e apagamento circulam de forma difusa, atravessando linguagem, afetos, instituições e sociabilidades. Esse enfoque tem força, porque impede uma leitura simplificadora em que bastaria localizar “culpados evidentes” para dar conta do problema. Ao mesmo tempo, essa opção faz com que, em certos momentos, a violência apareça mais como atmosfera histórica e social do que como conflito efetivamente tensionado em cena.

Há também passagens em que a peça parece reencenar, sem atrito suficiente, resíduos de violência internalizada. Isso aparece, por exemplo, na conversa entre Jorge e Vera sobre a cor do batom – “charque” ou “carne de sol” – e no gesto usado para indicar que uma tia era “sapata”. Nos dois casos, a cena pode ser lida menos como simples reprodução de uma fala social e mais como reativação de um imaginário preconceituoso que a montagem nem sempre desarma por completo. São momentos breves, mas significativos, porque introduzem uma ambiguidade importante: a peça critica a violência, mas, em alguns instantes, também deixa escapar traços dela sem submetê-los a maior tensão crítica.

Outra questão é a reiteração. Mesmo que, em alguma medida, a repetição pareça deliberada – ao insistir na dor, no insulto, no apagamento e na exclusão, como quem sabe que uma única formulação não basta para enfrentar a amnésia social -, há trechos em que a ênfase retorna mais como reafirmação do já dito do que como desdobramento novo.

Tudo isso mostra que JORGE pra Sempre VERÃO é um espetáculo vivo, que admite disputa, leitura e tensão. Sua força está também em não se esgotar na reverência. A peça busca restituir complexidade a Jorge Lafond e ao mesmo tempo discutir o país que o transformou em sucesso e o deixou à margem de sua memória oficial. Ao fazer isso, revela que a cultura brasileira ainda escolhe com profunda desigualdade quais mortos quer monumentalizar e quais prefere apenas recordar de maneira superficial. O teatro, aqui, não reverte sozinho a violência histórica. Mas contribui para desnaturalizá-la.

Aline Mohamad (autora, prima de Jorge e atriz), Alexandre Mitre (ator) e Aretha Sadick (atriz). Foto: Ivana Moura

 

 

A voz dos criadores

Principais pontos do bate-papo com a plateia e a equipe da peça – Aline Mohamad (autora, prima de Jorge e atriz), Alexandre Mitre (ator) e Aretha Sadick (atriz) após a sessão de 26 de junho, na Caixa Cultural Recife. Mais do que celebrar Jorge Lafond, a conversa evidencia que o espetáculo se propõe a disputar a memória pública em torno de sua trajetória, interrogando quais nomes o Brasil escolhe preservar, sob quais enquadramentos os preserva e por que certos artistas ainda precisam lutar contra o apagamento para permanecer na história cultural do país.

A peça nasceu de um pedido de perdão

Aline Mohamad: “Tudo começou com uma carta. Uma carta de pedido de perdão que escrevi para o Jorge depois que ele já tinha falecido. Eu mandei para algumas pessoas, incluindo o Rodrigo França, e cheguei a apagar, mas o impacto foi imediato. Cinco pessoas me disseram que tínhamos a obrigação de montar essa peça. Demoramos cerca de dois anos e meio para captar recursos, enfrentando todas as barreiras possíveis, até que conseguimos realizar em 2022. A peça nasce desse desejo de cruzar histórias, porque descobrimos que todos nós temos uma grande história com o Jorge, tenhamos conhecido ele pessoalmente ou não.”

A recusa da biografia tradicional

Aline Mohamad: “Eu tinha uma única certeza: não seria uma biografia estrita. Eu não tinha o direito de tentar fazer isso. O que queríamos era construir a nossa biografia. A biografia de quem foi xingado de ‘Jorge Lafond’ ou ‘Vera Verão’ na infância. Para muitos de nós, esses nomes eram usados como ofensa. O texto, escrito com o Diego do Subúrbio, mistura as vivências das ‘bichas pretas’ urbanas com a minha história familiar. É uma costura de memórias fragmentadas, fotos e relatos orais para preencher os vazios que a história oficial deixou.”

O critério das escolhas dramatúrgicas

Aline Mohamad: “A gente foi descobrindo que todos nós tínhamos uma grande história com o Jorge, independente de ter conhecido ou não. Então a dramaturgia foi sendo montada a partir dessas vivências cruzadas. Era a minha história, a do Diego, a de outras pessoas, e tudo isso foi costurado para virar uma biografia coletiva.”

Alexandre Mitre: “Muitas vezes, na leitura do texto, eu travava porque aquilo me tocava num lugar muito pessoal. E isso acontece também com o público. Muitas pessoas chegam e falam: ‘você estava falando do que aconteceu comigo’.”

A solidão e a violência institucional

Alexandre Mitre: “A violência física que mostramos no palco não é maior que a dor da rejeição. Imagine um artista negro, nos anos 1990, sustentando sozinho o peso de ser o único corpo daquele tipo em um programa de humor líder de audiência. Quando ele precisou de apoio, após ser retirado do palco por uma pressão institucional externa e branca, ele se viu só. A emissora onde ele se fez não o protegeu. Essa falta de acalanto é o que desmonta o artista. Por que voltar para o camarim? Qual o fundamento de continuar se tudo o que você construiu cai diante da decisão de outro homem?”

A memória como quebra-cabeça e responsabilidade coletiva

Aretha Sadick: “A vida pessoal dele foi muito pouco registrada. Então o espetáculo também é um recorte de memórias. Tem o que alguém contou, tem o que apareceu numa foto, tem um relato daqui, outro dali. Isso faz com que a peça também compartilhe com o público a responsabilidade de manter essas histórias vivas, para que os próximos Jorges não sejam esquecidos da mesma forma.”

Corpos negros e trans no centro da cena

Aretha Sadick: “É raro termos um elenco 100% de pessoas pretas retintas no palco. Levar esses corpos escuros para os teatros do Brasil é uma demarcação política necessária. No nosso espetáculo, a Vera é deliberadamente uma mulher trans. Queríamos explorar essa possibilidade: se Jorge já sofria tanto por ser negro e afeminado, como seria se ele pudesse ter expressado essa identidade trans? Além disso, temos uma política de entrada gratuita para pessoas trans, porque queremos que esses corpos se vejam refletidos e reconhecidos.”

Aline Mohamad: “No nosso espetáculo, a Vera sempre será uma mulher preta e trans. Isso também faz parte da política da peça, assim como a decisão de montar uma equipe majoritariamente negra e LGBT.”

Dinheiro, racismo e o valor da memória

Aline Mohamad: “A comparação é inevitável. Nada contra o Paulo Gustavo, mas quando ele morreu, virou lei, musical, filme e rua. Jorge Lafond não teve nada disso, e ele abriu as portas para que muitos chegassem onde chegaram. Montamos essa peça com R$ 100.000,00, o que deve ser 10% do orçamento de um grande musical do eixo Rio-São Paulo. Existe um projeto de apagamento das nossas histórias. Precisamos que as instituições entendam que essas trajetórias importam e que precisamos de dignidade e recursos para circular além dos grandes centros.”

Alexandre Mitre: “Muitas personalidades pretas importantes para o entretenimento brasileiro pereceram no mais puro ostracismo, sem investigação, sem valorização. Jorge Lafond foi mais um desses nomes. Contar a história dele é também impedir que esse esquecimento continue.”

O apagamento como projeto de sociedade

Aretha Sadick: “A gente não gosta muito da palavra dívida, mas ao mesmo tempo é um projeto de sociedade: o apagamento, o esquecimento da história, propositalmente. A gente mantém a memória dessas pessoas vivas porque existe um projeto para que essas histórias sejam apagadas o tempo todo, como se passasse uma borracha.”

Ficha técnica

Espetáculo: JORGE pra Sempre VERÃO
Direção: Rodrigo França
Dramaturgia: Aline Mohamad e Diego do Subúrbio
Elenco na temporada atual: Alexandre Mitre, Aline Mohamad e Aretha Sadick; Noêmia Oliveira em etapas anteriores da montagem
Direção de movimento: Tainara Cerqueira
Trilha original: Dani Nega
Direção de imagens: Carolina Godinho
Iluminação: Ana Luzia de Simoni
Cenário: Rodrigo França e Wanderley Wagner
Figurinos: Marah Silva
Visagismo: Diego Narang

Serviço
JORGE pra Sempre VERÃO
Local: Caixa Cultural Recife
Endereço: Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife, Recife–PE

Quando: 2, 3 e 4 de julho de 2026, 19h30; Sessão extra no sábado: 16h30
Bate-papo com a plateia: após a apresentação de 3 de julho
Acessibilidade: sessões de sábado com tradução em Libras
Ingressos: R$ 30 e R$ 15

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Rolês teatrais no Recife, minha cidade

A Risita do Coletivo Fuscirco transforma Fusca Azul 1974 em circo ambulante

Espetáculo Fragmentos de La Víspera (Espanha-França) 

A 19ª edição do Festival de Circo do Brasil estabelece Recife como território de experimentação artística transdisciplinar entre 1º e 9 de novembro, coincidindo com temporadas nacionais e criações locais que consolidam a cidade como polo de renovação cênica. Sob o eixo curatorial Aldeia de Tous (Aldeia de Todos), inspirado no pensamento do ambientalista e filósofo Ailton Krenak, o festival entrelaça sustentabilidade e democracia no picadeiro, expandindo fronteiras entre circo, dança, teatro e performance.

Esta edição marca intercâmbio inédito com a França através da parceria entre Luni Produções e La Grainerie, contemplada pela Temporada Cruzada Brasil-França 2025, levando espetáculos, oficinas, residências e gastronomia brasileira ao país francês. Com apoio da Funarte, Ministério da Cultura, Instituto Guimarães Rosa, Institut Français e governos estadual e municipal, o projeto reafirma Recife como centro irradiador de criação contemporânea.

Companhias de cinco países ocupam espaços públicos e teatros da cidade com ingressos democráticos de R$ 10 a R$ 50 para espetáculos pagos, enquanto extensa programação gratuita democratiza acesso através do Parque Santana, Teatro Apolo, Parque Apipucos e outros territórios urbanos. Paralelamente, produções nacionais como Raul Seixas, O Musical, Tom na Fazenda e criações locais como Tempo de Vagalume investigam identidade, ancestralidade e resistência.

Circo é uma Aldeia de Tous

Auro Duo, número em lira acrobática interpretado por Jéssica Moura e Fernanda Victor. Foto Divulgação

A Mostra PE celebra diversidade regional através de seis criações que ocupam o Parque Santana nos dias 1º e 2 de novembro a partir das 12h, com entrada franca. Aura Duo, interpretado por Jéssica Moura e Fernanda Victor, desenvolve lira acrobática baseada em confiança e sincronia, onde cada gesto constrói onda de energia conectiva. Águia de Cuia pela Família Malanarquista celebra malabarismo de rua forjado nos semáforos recifenses, adaptando-se a qualquer espaço com humor e improviso.

Balanceiro transforma Paiace Brotin em equilibrista de mundos através de três bambolês, reconstruindo universos após cada queda com coragem e entusiasmo bambolístico. Escada Sem Limites eleva Xixa Morales a 4,5 metros de altura numa das maiores estruturas de equilíbrio do Brasil, combinando mortais, giros e adrenalina. Eclipse: Dança dos Astros materializa pesquisa de Jimmy Sá realizada na Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha, criando analogia astronômica onde artista representa o Sol e lira acrobática personifica a Lua em dança aérea contemplativa.

O Jogo de Tênis completa a mostra através da perambulação do Palhaço Geleia, que transforma busca por parceiros de jogo em convite ao encantamento coletivo.

How Much We Carry? do Cirque Immersif

Copyleft da Cie. NDE reúne dream team internacional no sábado 8 de novembro às 15h no Parque Apipucos: Juan Duarte Mateos (Uruguai), Lucas Castelo Branco (Brasil), Nahuel Desanto (Argentina), Gonzalo Fernandez Rodriguez (Espanha) e Walid El Yafi (França). Sob direção de Nicanor de Elia, o turbilhão de 45 minutos junta malabarismo, dança e humor com referências esportivas, utilizando trilha de Giovanni di Domenico (Itália) para criar espetáculo adaptável a espaços públicos diversos.

How Much We Carry? do Cirque Immersif propõe reflexão poética sobre o verbo “carry” através de percha gigante em desequilíbrio. O espetáculo itinerante sem diálogos transita pelo Parque Santana (1º e 2 de novembro), Alto da Sé em Olinda (7 de novembro às 16h30), Oficina Francisco Brennand (8 de novembro às 15h) e Praça do Arsenal no Recife Antigo (9 de novembro às 16h), transformando travessia urbana em homenagem às caminhadas humanas.

Hyperboles da Cie. SCoM investiga interseções entre skate e acrobacia no Parque Santana durante 1º e 2 de novembro, questionando lugar das mulheres em práticas historicamente masculinas. Reunindo artistas circenses e skatistas de diferentes culturas, o projeto transforma espaço urbano através de perspectiva feminina.

O Vazio É Cheio de Coisa Foto: Diego Bresani / Divulgação

Sarayvara celebra 21 anos de investigação da Cia Nós No Bambu na sexta-feira 7 de novembro às 19h no Teatro Hermilo. Poema Mühlenberg desenvolve dramaturgia corporal que transita entre circo, dança e teatro através do encontro simbiótico com bambu. Artista e artesã, ela cuida do bambuzal, colhe, trata e constrói instrumentos, materializando mensagem ecológica urgente sobre reconexão com natureza.

O Vazio É Cheio de Coisa sintetiza quinze anos de pesquisa arte-corpo-bambu na quinta-feira 6 de novembro às 20h no Teatro de Santa Isabel. Primeiro solo de Poema Mühlenberg constitui dança acrobática minimalista onde corpo humano e bambu oco desdobram dramaturgia de imagens emergentes da relação sensível entre humano e vegetal.

Vermelho, Branco e Preto traz Cibele Mateus de São Paulo nas quartas 5 e quinta 6 de novembro às 19h30 no Teatro Apolo. A multiartista dá vida à figura cômica “Mateu” do Cavalo Marinho pernambucano, entrelaçando narrativas caboclas (vermelho), críticas coloniais (branco) e máscara preta (negrume) numa brincadeira-manifesto que celebra alegria como tecnologia de reexistência.

Juventud da Cie NDE

Nove Tentativas de Não Sucumbir da Cia Devir transforma trapézio em metáfora sobre reconhecimento e resistência na sexta-feira 31 de outubro e sábado 1º de novembro às 19h no Teatro Apolo. Dirigido por Jean Michel Guy, João Lucas Cavalcanti e Vitor Lima investigam força do tentar através de técnica, vulnerabilidade e humor, com sessão do sábado oferecendo acessibilidade em Libras.

Juventud da Cie NDE funde dança e malabarismo no domingo 9 de novembro às 17h no Teatro do Parque. Sobre palco branco emoldurado em preto, cinco intérpretes constroem manifestação em movimento onde beleza emerge da complexidade coletiva, utilizando som, luz e vídeo para celebrar juventude como horizonte futuro.

Fragmentos de La Víspera (Espanha-França) divide corpo com humor nas sextas 7 e sábado 8 de novembro às 19h30 no Teatro Apolo. Vinka Delgado, Diego Hernando e Guille Leoni exploram distorções corporais através de máscaras, marionetes e experimentações luminosas, transformando dor em thriller circense sobre fragmentação como alívio paradoxal.

Le Bruit des Pierres do Collectif Maison Courbe entrelaça circo coreográfico, artes visuais e teatro físico no sábado 8 de novembro às 20h e domingo 9 às 18h no Teatro de Santa Isabel. Nina Harper e Domitille Martin personificam ganância ocidental pelo ouro através de ritual onde uma cobre pedras com folhas douradas enquanto outra as devora compulsivamente, criando reflexão sobre relação predatória com ambiente.

A tradição circense é celebrada no espetáculo Esparrama Circo

Esparrama Circo do Grupo Esparrama paulista homenageia tradição circense no Parque Santana durante 1º e 2 de novembro. Os palhaços convidam público a protagonizar cena, despertando memórias afetivas ligadas ao riso e convivência coletiva, celebrando circo como patrimônio cultural e teatro de rua como espaço de encontro.

A Risita do Coletivo Fuscirco transforma Fusca Azul 1974 em circo ambulante no Parque Santana (1º e 2 de novembro), Compaz Ariano Suassuna (segunda 3 de novembro às 15h) e Vera Cruz/Aldeia em Camaragibe (terça 4 de novembro às 16h). Rupi e Pitchula extraem música, malabares, equilibrismo e humor cearense do veículo que serve como transporte, lar e picadeiro móvel.

Hospital Agamenon Magalhães recebe sessão fechada do Palhaço Geleira através da Mostra PE. A performance varieté revela múltiplas facetas circenses.

Espetáculos nacionais em circulação

Bruce Gomlevsky como Raul Seixas. Foto: Dalton Valerio / Divulgação

Tom na Fazenda, com Armando Babaioff, Soraya Ravenle, Gustavo Rodrigues e Camila Nhary

Raul Seixas, O Musical desembarca no sábado 1º de novembro às 21h no Teatro RioMar com ingressos a partir de R$ 65. Bruce Gomlevsky, laureado com Prêmio Fita 2024, conduz 70 minutos através de noite insone onde Raul revisita trajetória via 21 canções emblemáticas. Entre Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, Maluco Beleza, Tente Outra Vez e Gita, a produção mergulha nos bastidores da mente inquieta, resgatando essência da Sociedade Alternativa onde liberdade e autenticidade são valores fundamentais.

Tom na Fazenda estabelece residência no Teatro Luiz Mendonça entre 7, 8 e 9 de novembro (sexta e sábado às 20h, domingo às 19h) após aclamada turnê europeia incluindo temporada parisiense e Festival de Edimburgo. Armando Babaioff, Soraya Ravenle, Gustavo Rodrigues e Camila Nhary interpretam adaptação de Michel Marc Bouchard dirigida por Rodrigo Portella, acompanhando Tom em funeral do companheiro onde enfrenta mãe que desconhece orientação sexual e irmão violento que exige silêncio, transformando mentira em condição de sobrevivência.

We call it Ballet – A Bela Adormecida combina balé clássico com tecnologia LED no domingo 2 de novembro às 16h no Teatro RioMar, com ingressos de R$ 80 a R$ 160. Bailarinos utilizam figurinos com luzes integradas para coreografias luminosas que projetam cores pelo palco, modernizando conto da princesa amaldiçoada através de piruetas e saltos interativos com tecnologia incorporada aos trajes. Próxima apresentação confirmada para 18 de janeiro de 2026.

Gongada Drag na sessão recifense homenagea Salário Mínimo. Foto: Adelino Cruz / Divulgação

The Jury Experience — Morte pela IA: Quem Paga o Preço? transforma audiência em júri de julgamento no domingo 2 de novembro às 19h30 no Teatro RioMar. Durante 75 minutos, espectadores analisam depoimentos, examinam provas forenses e decidem veredito via celular sobre responsabilidade em acidente causado por carro autônomo. A experiência questiona limites entre criador, proprietário e tecnologia em decisões vitais, oferecendo ingressos de R$ 60 a R$ 280.

Gongada Drag chega na quinta-feira 6 de novembro às 21h no Teatro RioMar com ingressos a partir de R$ 45. Bruno Motta conduz 120 minutos reunindo queens de LOL Brasil, Caravana das Drags, Queens of The Universe e Drag Race, homenageando Salário Mínimo, histórica humorista pernambucana fundamental na construção da arte drag nacional. Hellena Malditta, Suzy Brasil, Sayuri Heiwa, Vagiene Cokeluche, Magally Mel e Luciano Rundrox como Pastor Ubirajara celebram diversidade enquanto honram tradições carnavalescas locais.

Tempo de Vagalume, com Joesile Cordeiro. Foto: Divulgação

Negaça integra programação do Espaço O Poste na sexta-feira 31 de outubro às 19h com ingressos de R$ 30/15. Urubatan Miranda desenvolve solo autobiográfico reconstruindo história pessoal através do terreiro de Umbanda Tenda Espírita Pai Jacob em Campos dos Goytacazes-RJ. Utilizando registros fotográficos, vídeos, cantigas e rezas, o artista constrói dramaturgia corporal incorporando movimentação de Exú, estruturando cena como camarinha de iniciações entre focos, sons e cânticos ancestrais.

Tempo de Vagalume marca retomada teatral do Agreste através de temporada gratuita no Teatro Arraial Ariano Suassuna de 31 de outubro a 15 de novembro (sextas e sábados às 19h). Joesile Cordeiro apresenta monólogo autobiográfico sobre percepção LGBTQIAP+ dirigido por André Chaves com dramaturgia de Bruno Alves, utilizando simbologia dos vagalumes para reencontro com memórias de infância e interação com público.

Simbiose – Um Novo Ciclo da Ardedança questiona padrões estéticos no sábado 1º de novembro às 19h30 no Teatro Barreto Júnior (ingressos R$ 60/30). Inspirado na espiral da vida representando movimento e transformação, o espetáculo investiga relação entre dança e psicanálise: “Esperam que eu dance bonito. Mas o bonito que esperam não me cabe. O padrão me aperta, me sufoca, me silencia. Eu desmonto e reinvento meu próprio passo.”

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos. Foto: Vilmar Carvalho

Minha História Sou Eu celebra 40 anos de carreira de Geraldo Maia na sexta-feira 31 de outubro às 19h30 no Teatro Capiba (ingressos R$ 30/15). O “essencialmente artista da voz” recebe Carvalho Tomaz e trio formado por Renato Bandeira, Lieve Ferreira e Gilberto Bala, para interpretar composições como O Tempo Atravessa o Homem, Não me Venhas, De Navegar e Minha História Sou Eu, transitando entre fado com zabumba, baião e preces a Padre Cícero.

Frankenstein do Coletivo Gompa desenvolve linguagem híbrida na CAIXA Cultural através de versão adulta (sexta 31 de outubro e sábado 1º de novembro às 20h, ingressos R$ 30/15). Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti revisitam Mary Shelley tecendo paralelos entre corpo feminino e Amazônia, com trilha de Álvaro Rosa Costa criando “dissonância Frankenstein” através de samples e improvisações ao vivo.

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos adapta a obra para crianças no sábado 1º de novembro às 17h na CAIXA Cultural (ingressos R$ 30/15). Misturando narração, teatro, dança e artes visuais, a versão desperta imaginário criativo através de Victor Frankenstein que aprende sobre aceitação das diferenças quando Criatura não corresponde ao planejado.

Chapeuzinho de Neve Adormecida. Foto: Romeu Santos / Divulgação

Chapeuzinho de Neve Adormecida embaralha referências clássicas no sábado 1º de novembro às 16h30 no Teatro Luiz Mendonça (ingressos R$ 50 a R$ 100). O musical mistura Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve e A Bela Adormecida, criando narrativa onde personagens se encontram e desencontram, gerando situações educativas sobre identidade e diferenças.

A Princesa dos Mares – O Musical, também da Helena Siqueira Produções propõe programação familiar no domingo 2 de novembro às 16h30 no Teatro Luiz Mendonça (ingressos R$ 50 a R$ 100). Combinando aventura marítima com mensagem ambiental, o musical acompanha protagonista salvando oceanos através de criaturas marinhas que ensinam preservação via canções e coreografias aquáticas.

SERVIÇO

SEXTA-FEIRA, 31 DE OUTUBRO

Negaça – Urubatan Miranda
Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
Horário: 19h | Ingressos: R$ 30/15

Nove Tentativas de Não Sucumbir (Festival de Circo)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Minha História Sou Eu – Geraldo Maia
Local: Teatro Capiba | Horário: 19h30 | Ingressos: R$ 30/15

Frankenstein – Coletivo Gompa
Local: CAIXA Cultural | Horário: 20h | Ingressos: R$ 30/15

Tempo de Vagalume
Local: Teatro Arraial Ariano Suassuna | Horário: 19h | Gratuito

SÁBADO, 1º DE NOVEMBRO

Raul Seixas, O Musical – Bruce Gomlevsky
Local: Teatro RioMar | Horário: 21h | Ingressos: a partir de R$ 65

We call it Ballet – A Bela Adormecida
Local: Teatro RioMar | Horário: 16h | Ingressos: R$ 80 a R$ 160

Simbiose – Um Novo Ciclo – Ardedança
Local: Teatro Barreto Júnior | Horário: 19h30 | Ingressos: R$ 60/30

Chapeuzinho de Neve Adormecida
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 16h30 | Ingressos: R50aR 100

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos
Local: CAIXA Cultural | Horário: 17h | Ingressos: R$ 30/15

Frankenstein 
Local: CAIXA Cultural | Horário: 20h | Ingressos: R$ 30/15

Nove Tentativas de Não Sucumbir (com Libras) (Festival de Circo)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

FESTIVAL DE CIRCO – PARQUE SANTANA (a partir das 10h)

Mostra PE 
Esparrama Circo – Grupo Esparrama (SP)
A Risita – Coletivo Fuscirco (CE)
Hyperboles – Cie. SCoM (França)
How Much We Carry? – Cirque Immersif (França-Brasil) Programação gratuita
Veja + https://www.festivaldecircodobrasil.com.br/2025bra/brasil/brasil-espetaculos/

DOMINGO, 2 DE NOVEMBRO

The Jury Experience
Local: Teatro RioMar | 19h30 | R60aR 280

A Princesa dos Mares – O Musical
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 16h30 | Ingressos: R50aR 100

FESTIVAL DE CIRCO – PARQUE SANTANA
Repetição da programação gratuita

SEGUNDA-FEIRA, 3 DE NOVEMBRO

A Risita | Compaz Ariano Suassuna | 15h | Gratuito

TERÇA-FEIRA, 4 DE NOVEMBRO

A Risita | Vera Cruz/Aldeia – Camaragibe | 16h | Gratuito

QUARTA-FEIRA, 5 DE NOVEMBRO

Vermelho, Branco e Preto (com Libras)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

QUINTA-FEIRA, 6 DE NOVEMBRO

Gongada Drag
Local: Teatro RioMar | Horário: 21h | Ingressos: a partir de R$ 45

Vermelho, Branco e Preto
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

O Vazio É Cheio de Coisa
Local: Teatro de Santa Isabel | Horário: 20h | Ingressos: R10aR 50

SEXTA-FEIRA, 7 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 20h

Sarayvara
Local: Teatro Hermilo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Fragmentos
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

How Much We Carry? | Alto da Sé (Olinda) | 16h30 | Gratuito

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

SÁBADO, 8 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 20h

Copyleft | Parque Apipucos | 15h | Gratuito

Fragmentos | Teatro Apolo | 19h30 | R10aR 50

Le Bruit des Pierres | Teatro de Santa Isabel | 20h | R10aR 50

How Much We Carry? | Oficina Francisco Brennand | 15h | Gratuito

Tempo de Vagalume| Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 19h

Juventud | Teatro do Parque | 17h | R10aR 50

Le Bruit des Pierres | Teatro de Santa Isabel | 18h | R$ 10 a R$ 50

How Much We Carry? | Praça do Arsenal (Recife Antigo) | 16h | Gratuito

TEMPORADAS CONTINUADAS

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna
Sextas e sábados, 19h até 15/11 | Gratuito

CONTATOS E INGRESSOS
CAIXA Cultural: (81) 3425-1915
Teatro RioMar: Av. República do Líbano, 251 – Pina
Ingressos Festival de Circo: Sympla
 @festivaldecirco @luniprodutions

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Artistas realizam ato contra censura

Abrazo terá apresentação gratuita, contra a censura. Foto: Rafael Telles

A temporada do espetáculo Abrazo, da companhia potiguar Clowns de Shakespeare, na Caixa Cultural Recife, ainda foi divulgada por um anúncio no Jornal do Commercio desta sexta-feira (13). O grupo deveria cumprir a última semana de apresentações da peça, com mais quatro sessões, mas a temporada foi cancelada no sábado passado, sem explicações, já com o público aguardando na fila para ver a segunda apresentação do dia. (Confira nossa matéria anterior)

Como resposta à atitude da Caixa Cultural Recife, os artistas do Clowns de Shakespeare e do Recife se mobilizaram. O resultado é uma apresentação única no Teatro Apolo, no bairro do Recife, que vai acontecer neste sábado (14). Todos vão se encontrar na Praça do Arsenal, às 15h, mesmo horário em que deveria começar a primeira sessão na Caixa. De lá, haverá uma caminhada até a instituição, onde será lido um manifesto, e depois o grupo segue para o Apolo. A entrada no teatro municipal será gratuita.

O ato em protesto contra a censura foi uma iniciativa dos movimentos Batendo o Texto na Coxia e Virada Cultural do Teatro do Parque, mas artistas de diversos grupos da cidade, movimentos sociais, e a sociedade em geral devem participar da manifestação. O festival Reside, inclusive, mudou o horário e o local da palestra Festivais e a Economia Criativa, com Márcia Dias, “Para que todos possam estar presentes na manifestação contra a censura e em solidariedade ao grupo Clowns de Shakespeare”, diz a chamada do facebook da Remo Produções. A palestra que seria às 14h, no Sesc Casa Amarela, será às 18h, no Apolo mesmo.

Ontem (13), o Clowns de Shakespeare divulgou uma nota oficial, informando que “foi aberto um processo judicial apresentando um pedido de tutela antecipada em caráter antecedente, junto à 2a Vara Federal da Justiça Federal/PE”.

Confira a nota oficial do grupo:

Este sábado marcará uma semana desde o cancelamento da segunda sessão da obra Abrazo, na Caixa Cultural Recife.

Desde então, as tentativas de comunicação com a Caixa tiveram retornos inconsistentes, resumindo-se a alegar que havíamos infringido o inciso VII da Cláusula Quarta, que prevê que a contratada seja obrigada a “zelar pela boa imagem dos patrocinadores, não fazendo referências públicas de caráter negativo ou pejorativo”, e que isso teria ocorrido no bate-papo realizado após a primeira sessão.

Ainda sem ideia do que poderia ser alegado, uma vez que não reconhecemos nada que pudesse gerar esse tipo de reação, e diante da ausência de informações adicionais, não conseguimos imaginar outra razão para essa recisão que não seja censura ao nosso trabalho e pensamento.

Dessa forma, nesta quinta, 12/09, foi aberto um processo judicial apresentando um pedido de tutela antecipada em caráter antecedente, junto à 2a Vara Federal da Justiça Federal/PE.

Paralelamente, com muita alegria e comoção tomamos conhecimento da criação de uma ação em protesto contra a censura numa iniciativa dos movimentos “Batendo o Texto na Coxia” e “Virada Cultural do Teatro Parque”, que rapidamente ganhou adesão de inúmeros grupos, movimentos sociais, artistas e da população em geral.

Agregando força a esse ato, e graças ao apoio de muitos parceiros, conseguimos uma pauta no Teatro Apolo, e lá faremos uma apresentação do espetáculo ao final do ato, que terá como concentração a Praça do Arsenal, às 15h (horário que iniciaria a primeira sessão), de lá seguiremos para a frente da Caixa Cultural, e então partiremos ao Teatro Apolo, onde faremos a apresentação, com acesso gratuito, mediante a limitação de lugares da casa.

Assim, acreditamos que fecharemos a primeira etapa dessa jornada tão intensa, difícil, mas ao mesmo tempo repleta de suporte e carinho de tanta gente, novos e antigos parceiros, instituições e pessoas que acreditam nos mesmos princípios que nós, e que lutam por um país livre e democrático.

Convocamos todos a juntarem-se a esse movimento neste sábado, 14 de setembro, às 15h, na Praça do Arsenal, Recife, com todos de camisas e bexigas brancas!

Abrazos a todas e todos!

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Caixa Cultural Recife: agente da censura?

 

Abrazo, peça suspensa de se apresentar na Caixa Cultural Recife

Pergunta que martela os miolos: O que vamos fazer diante do avanço do autoritarismo? Os artistas estão preparados para reagir ao alastramento da censura no Brasil? Como armar estratégias de sobrevivência nesses tempos? O episódio do cancelamento do espetáculo infantil Abrazo, do grupo teatral Clowns de Shakespeare, de Natal, capital do Rio Grande do Norte, pela Caixa Cultural Recife, vem na esteira de recentes censuras a montagens teatrais. A Caixa alegou genericamente que a trupe havia descumprido o contrato. A peça expõe um país em que demonstrações de afeto estão proibidas e explora temas da ditadura, censura e repressão.

A montagem foi barrada no sábado, 7 de setembro. A primeira sessão foi apresentada às 15h. Logo depois, foi realizado um debate com a plateia. Poucos minutos antes da sessão das 18h, o público – que já estava na fila – foi avisado da suspensão da peça sem maiores explicações. Próximo das 20h, funcionários da CEF chamaram um representante do grupo para uma reunião. Foi Fernando Yamamoto, que ainda tentou levar o produtor Rafael Telles, mas a senhora disse que só se reuniria com apenas um. Eram três representantes da CEF. Táticas de intimidação usam do expediente de deixar o oponente em menor número.

Vinte minutos depois, Yamamoto retorna ao teatro da Caixa Cultural Recife, onde estão os integrantes do grupo, além dos produtores locais Tadeu Gondim e André Brasileiro. Disse que iria conversar com o grupo para tomar alguma decisão.

O grupo não se pronunciou oficialmente nas primeiras horas depois do cancelamento, mas nas na internet as demonstrações de solidariedade e de indignação contra a ação arbitrária da Caixa começaram a circular. O diretor do espetáculo Marco França, que atualmente mora em São Paulo, divulgou em suas redes sociais que a Caixa Cultural censurou as sessões. “Uma censura travestida com argumentos jurídicos. Vivemos um momento de barbárie no país, onde a verba pública para pesquisa e educação são cortadas, onde livros são censurados, onde artistas estão sendo perseguidos e tendo suas obras censuradas. Não nos calarão! Enquanto houver espaço para falar, estaremos aqui denunciando.”

A Caixa Cultural não assume a pecha de censura e atesta ter cancelado as sessões de Abrazo por um “descumprimento contratual”. Mas não especifica qual ou quais as cláusulas desrespeitadas pelo grupo Clowns de Shakespeare. A trupe teatral, que ficou perplexa com a suspensão do contrato, classifica a justificativa da instituição de “genérica”.  “Não reconhecemos qualquer indício de infração que pudesse ter sido eventualmente cometida, pois cumprimos com tudo que estava contratualmente previsto”, divulgou o Clowns de Shakespeare em nota oficial.

Abrazo é inspirado em O Livro dos Abraços, do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015), e o contrato para apresentações na Caixa Cultural Recife estava firmado para os fins de semana 7, 8 e 14 e 15 de setembro. A narrativa mostra um país onde não é permitido às pessoas se abraçar ou demonstrar qualquer tipo de afeto.

Sem uma palavra falada sequer – porque também é proibido falar, a fábula infantil, expõe o efeito das guerras e proibições na vida das pessoas através de mímicas, desenhos e projeções. Com roteiro dramatúrgico de César Ferrario e direção de Marco França, a peça tem no elenco os atores Dudu Galvão, Camille Carvalho e Paula Queiroz, que se revezam entre os personagens do rapaz, da florista, do soldado, do índio, da avó, de um general e do menino.

Cena da peça Arena Conta Zumbi

Na década de 1960, uma das respostas do Teatro de Arena à feroz censura da representação de peças brasileiras realistas foi a estreia em 1965 e temporada de dois anos do espetáculo Arena Conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, com música de Edu Lobo. A peça narrava a saga dos quilombolas no Brasil-Colônia, em resistência ao domínio português. Defendia a construção de uma outra realidade, mais justa e igualitária.

Eu vivo num tempo de guerra
Eu vivo num tempo sem sol
Só quem não sabe das coisas
É um homem capaz de rir

Ah, triste tempo presente
em que falar de amor, de flor
é esquecer que tanta gente
está sofrendo tanta dor

Tempo de Guerra é um dos momentos mais emblemáticos do musical Arena Conta Zumbi, um desafio à ditadura militar. A canção de Augusto Boal, Edu Lobo, Gianfrancesco Guarnieri é inspirada no poema Aos que virão depois de nós, de Brecht, música posteriormente gravada por Maria Bethânia.

É um tempo de guerra
é um tempo sem sol
É um tempo de guerra
é um tempo sem sol

Veja bem que preparando
o caminho da amizade
não podemos ser amigos ao mal
ao mal vamos dar maldade!

Desde o golpe de 2016 que a cultura brasileira vem sendo alvo de perseguições políticas, veladas ou escancaradas. O governo e seus asseclas nas instâncias federal, estadual e municipal e outras figuras situadas em pontos estratégicos buscam desestabilizar todo e qualquer pensamento crítico com cortes de verbas, de editais, com a divulgação de fake news. A principal estratégia é atacar pelo lado econômico, minando as condições de sobrevivência.

Montagem do combatente grupo Clowns de Shakespeare, de Natal, Rio Grande do Norte

Nota da Caixa Cultural Recife / Caixa Econômica Federal

A Caixa informa que por descumprimento contratual cancelou o espetáculo Abrazo, com apresentações programadas no espaço cultural do banco. O contrato com o Clowns de Shakespeare foi rescindido, conforme comunicado ao grupo nesta data

Nota do grupo Clowns de Shakespeare

No último sábado, dia 7 de setembro de 2019, após haver realizado a primeira apresentação do espetáculo Abrazo na Caixa Cultural Recife, fomos surpreendidos com o cancelamento da segunda sessão do dia, assim como das demais apresentações que seriam realizadas no dia seguinte.

Nesta segunda-feira recebemos um comunicado oficial da Caixa Econômica Federal informando a rescisão do contrato relativo ao restante desta temporada, que se estenderia até o próximo domingo, 15 de setembro, sob a genérica alegação de descumprimento contratual.

Nenhum esclarecimento adicional nos foi dado, o que nos moveu a solicitar da Caixa o parecer jurídico e a decisão administrativa relativos a essa rescisão, com detalhamento para que possamos analisar e nos posicionar apropriadamente sobre o caso.

Até o momento estamos perplexos diante dessa atitude, uma vez que não reconhecemos qualquer indício de infração que pudesse ter sido eventualmente cometida, pois cumprimos com tudo que estava contratualmente previsto.

O contrato de patrocínio celebrado com a Caixa decorreu de edital no qual se habilitou e foi selecionado o Grupo Clowns de Shakespeare, dentro das normas legais de seleção de projetos.

Esperamos que essa justificativa, genérica e lacônica, seja esclarecida pela Caixa, de forma a possibilitar ao grupo defender-se de tal alegação.

Agradecemos o apoio maciço que estamos recebendo de diversos setores da sociedade, e voltaremos a nos pronunciar tão logo a nossa solicitação de esclarecimentos seja atendida pela Caixa.

 

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Uma Sereia no teatro de sombras

Iara - O encanto das águas, da Cia. Lumiato (DF), explora várias técnicas de sombras, deslizando entre as escalas entre o grande e pequeno Foto: Diego Bresani Os dois manipuladores desvendam a construção da manipulação diante da plateia. Foto: Diego Bresani

Iara – O encanto das águas, da Cia. Lumiato (DF), desliza nas escalas entre o grande e pequeno 

Os dois manipuladores desvendam a construção da manipulação diante da plateia. Foto: Diego Bresani

E trabalha com várias técnicas de sombras, como  foco e desfocado. Fotos: Diego Bresani

Conta a lenda que Iara ou Uiara (do tupi y-îara, “senhora das águas”) é uma sedutora sereia que encanta pescadores. Mais que isso, acalenta nossa imaginação com imagens de moços fascinados que acabaram afogados de paixão. Essa narrativa dos povos indígenas do Brasil se funde com outras referências estrangeiras no espetáculo de teatro de sombras Iara – O encanto das águas, da Cia Lumiato de Formas Animadas/DF, dirigida pelo sombrista Alexandre Fávero. A peça faz curta temporada na CAIXA Cultural Recife, de 9 a 11 e de 16 a 18 de junho de 2017.

O grupo utiliza linguagem milenar do teatro de sombras, da arte tradicional às técnicas contemporâneas, híbridas e performáticas como a da “bolha de sombra”, que possibilita um efeito cinematográfico. Dois manipuladores – Thiago Bresani e Soledad Garcia – executam a ação quase sem palavras, amparados por uma trilha sonora.

Os mitos fantásticos sobre a origem do mundo e da natureza estão nessa dramaturgia que trata de um índio que sonha com uma mulher sobrenatural. Para descortinar os mistérios dessa figura ele se entende com o Pajé. E mergulha com Iara nas profundezas do seu próprio destino.Vários personagens de cores e tamanhos divrsos são apresentados ao público, num jogo mágico de luz e sombra.

Iara - O encanto das águas, da Cia. Lumiato (DF), explora várias técnicas de sombras, deslizando entre as escalas entre o grande e pequeno Foto: Diego Bresani Os dois manipuladores desvendam a construção da manipulação diante da plateia.

Os dois artistas desvendam a construção da manipulação diante da plateia.

E os manipuladores invertem o sentido da manipulação e expõe os segredos e técnicas para produzir as imagens. A trupe também defende que a montagem toca nas questões de preconceitos étnicos e culturais.

Uma oficina de teatro de sombras também integra essa passagem da Cia Lumiato pelo Recife. Thiago Bresani e Soledad Garcia vão ministrar o curso nos dias 16 e 17 de junho, das 9h às 13h. Serão abordados diferentes estilos de teatro de sombras, desde a tradição oriental até os nossos dias, com exercícios práticos. São 20 vagas e as inscrições podem ser feitas até 12 de junho de 2017, pelo email gentearteirape@gmail.com

FICHA TÉCNICA
Direção, dramaturgia e cenografia: Alexandre Fávero
Atores-sombristas: Thiago Bresani e Soledad Garcia
Trilha sonora original: Mateus Ferrari
Designer de Som: Marcelo Da Col
Iluminação: Alexandre Fávero
Criação figuras e cenários: Alexandre Fávero e Soledad Garcia
Pesquisa, recortes, pinturas, cenotécnica e produção executiva: Thiago Bresani e Soledad Garcia
Fotografia: Diego Bresani
Arte gráfica: Jana Ferreira
Produção: Thiago Bresani
Produção Local: Tadeu Gondim – Atos Produções Artísticas
Assessoria de imprensa: Moinho Conteúdos Criativos (André Brasileiro e Tiago Montenegro)

SERVIÇO
IARA – O ENCANTO DAS ÁGUAS
Onde: CAIXA Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife, Recife)
Telefone: (81) 3425-1915
Quando: 09, 10, 11, 16, 17 e 18 de junho de 2017
Horário: 09 e 16/06 às 19h | 10 e 17/06 às 16h e 19h | 11 e 18/06 às 10h30
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia para estudantes, professores, funcionários e clientes CAIXA e pessoas acima de 60 anos) – a partir das 10h do dia 8/06, para as apresentações de 9 a 11/05, e do dia 15/06, para as apresentações de 16 a 18/06/2017
Classificação indicativa:Livre

OFICINA DE TEATRO DE SOMBRAS
Local: CAIXA Cultural Recife
Instrutores: Thiago Bresani e Soledad Garcia
Período: 16 e 17 de junho de 2017, das 9h às 13h
Vagas: 20 pessoas
Período de inscrições: 29 de maio a 12 de junho de 2017
Seleção por ordem de inscrição pelo email  gentearteirape@gmail.com

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