Arquivo da categoria: Notícias

Crise existencial de ator pernambucano na quarentena

Paulo de Pontes passa a quarentena dentro de um teatro, que é também sua casa. Foto: Keity Carvalho

Um ator em confinamento durante 72 dias, dentro de um teatro que é a sua própria casa. Ele está em vias de enlouquecer. Delírios, incertezas, sonhos, conflitos pessoais. No contexto desses dias de isolamento são exploradas a dúvida do futuro, a solidão de um artista e como ele constrói, como ele pensa o mundo, como ele reage à pandemia. De acordo com Paulo de Pontes 72 dias – WORK IN PROCESS é um exercício, um experimento, um diário de bordo pandêmico. “Desde que começou a quarentena estou levantando possibilidades, refletindo sobre a experiência de vida, o teatro, minha carreira, o teatro pernambucano, os problemas políticos. É um reality teatral pandêmico, com performance, vídeo e tecnologia, que pode se tornar um embrião para um espetáculo”.

O público vai ver como ator trabalha um processo. Paulo de Pontes transformou esse processo o mais próximo possível de uma apresentação cênica. O diretor Quiercles Santana fez a direção virtualmente, da sua casa. 

A dramaturgia se baseia na realidade, mas vai ser criada praticamente ao vivo, a partir do roteiro desenvolvido por ator e diretor, performada a partir das memórias de Paulo, sua trajetória artística no Recife, em São Paulo, nessa volta para o Recife.

O programa tem previsão de durar 40 minutos. “uma coisa rápida urgente e eu tenho que condensar esses 72 dias em 40 minutos. é praticamente improvisação dirigida”, diz ele.

“Assista sem a preocupação de achar que é teatro… isso não tem nome…para mim que sou ator, tudo é teatro, tudo na vida é teatro. Mas como as pessoas em meio a uma pandemia estão muito preocupadas em nominar esse negócio que a gente está levando para internet. Estão muito preocupadas com isso… eu não estou… é um experimento cênico de um ator em crise construído a partir de memórias do confinamento”.

Sobre o teatro pernambucano quais as conclusões?
O caos!
Parece que se rema contra a maré o tempo todo.
Mas há muita luta e resistência.
Artistas passando fome.
Tudo lento demais nas secretarias de cultura. Parece que trabalham contra o artista

Quem sabe a lei Aldir Blanc resgate pelo menos 30 por cento dos escombros.

Uma cidade que não conhece seus próprios artistas… daí … uma luta pra dar conta de um cadastro obsoleto dos mapas culturais é motivo de estresse e incerteza de que a lei Aldir Blanc vá contemplar a todos… nunca houve interesse dos órgãos de cultura do estado em cadastrar seus artistas e isso atrasa a vida numa pandemia… agora querem resolver tudo em menos de um mês?

Vínhamos querendo organizar isso há 2 anos no BATENDO TEXTO NA COXIA e nem a classe deu atenção… agora tá aí uma realidade que nos obriga uma organização burocrática em tempo recorde… artista não é prioridade nem pra receber cachê

Dia 5 entregaremos a Casa maravilhas… menos um espaço de resistência na cidade
E por aí vai.

E vai para onde?

Pra lugar nenhum… vamos ficar só com a Cia maravilhas para realizar os projetos apenas

Que pena!!!!

É… mas continuamos na luta

Ator voltou para o Recife, para passar uma temporada.  E não parou de trabalhar. E foi ficando…

Ele ressalta que sua construção pessoal, social e artística foi toda no Recife. Na prática. “Tudo que aprendi, como me transformei no profissional que sou, é tudo fruto do que aprendi no Recife. Com a Seraphim (cia dirigida por Antonio Cadengue), Trupe do Barulho, José Manoel, Companhia do Sol, grandes diretores, Cinderela, com as minhas peças, com o trabalho para escolas”.

Ele passou 14 anos em São Paulo, com os Fofos em Cena. Com um convite de trabalho no Recife viu a possibilidade de passar uma temporada. Que temporada foi essa que o “cabra” já está na capital pernambucana há quase três anos sem botar os pés em Sampa?! “Acabei me envolvendo. Eu voltei também porque quero fazer teatro com os meus amigos, com a minha raiz, com as pessoas com as quais eu comecei, que eu me identifico. Aí eu voltei para o Recife e desde então eu não paro de trabalhar”.

Só de montagens teatrais foram mais de 10 em menos de três anos. Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, O Baile do Menino Deus, Obsessão, Cinderela a História que sua mãe não contou, Em nome do Desejo, A ceia dos Cardeais, Procenium – teatro-jogo 2.0, Berço Esplêndido, Muito Tempo Com Você, só para citar algumas.

Além disso ele abriu junto com a atriz e produtora Márcia Cruz, a Casa Maravilhas e comprometeu-se com movimentos políticos culturais. “Eu me acorrentei ao Teatro do Parque dentro do movimento Virada Cultural Teatro Parque. Se não fosse o movimento talvez o Parque ainda estivesse abandonado”.

Teatro do Parque. Plateia. 

Hall de entrada. Fotos: Reprodução da TV Globo 24/08

O equipamento da prefeitura do Recife está fechado há pelo menos uma década. Com idas e vindas na reforma, está em processo de restauração desde 2015, paralisada no mesmo ano e retomada em 2018 depois de muita articulação e pressão da classe cultural recifense. O Teatro do Parque completou 105 anos no dia 24 de agosto. Está com promessa de ser reaberto em novembro.

 

“Então eu também me envolvi. Senti essa necessidade de lutar, não apenas artisticamente, com minha força política. Eu acredito e quero que Recife volte a ser o que era em termos de teatro, da dignidade do teatro. O Recife é um celeiro de artistas competentíssimos, talentosíssimos, que não fica devendo a nenhum lugar do mundo. Só precisa ser reconhecido e respeitado. E isso foi mola propulsora para lutar também politicamente, junto com os meus amigos. Vamos lá ser mais um grito, mais uma voz, mais uma mão, mais uma força”.

E aí a gente abriu a Casa Maravilhas. Com muita garra para receber esses artistas, mesmo sem dinheiro, sem ter o respeito necessário que a gente precisa ter dos órgãos públicos de Cultura, né?

É isso que não é só o meu trabalho artístico, mas é essa força de construir e reconstruir uma dignidade, para nós no mercado de trabalho.

Porque a gente tinha um trabalho melhor antes de eu ir para São Paulo, e está cada vez mais escasso conquistar esse mercado de trabalho.

E Casa Maravilhas a gente teve uma série de ações positivas na cidade. Uma casa pequena, mas a gente conseguiu, em dois anos, fazer cursos de formação, receber grupos. E aí veio a  pandemia.

Com a pandemia o primeiro pensamento foi: ‘vamos entregar a casa, porque não tem dinheiro para pagar, a gente não tem recursos”. Pensamos melhor e ficamos trabalhando o nome da casa, porque a gente pensava que seria pouco tempo de quarentena.

Abrimos um canal no YouTube para oferecer conteúdo de teatro, de literatura. A gente criou o  Ocupa Maravilhas, para grupos se apresentarem na casa. Isso mudou para o formato virtual com a quarentena. Então muitos artistas se apresentaram virtualmente dentro da Casa Maravilhas sem público.

Isso foi o que nos segurou até agora, além da vaquinha que nós fizemos.

O diário de bordo junta experimentos do que Paulo de Pontes pensa como cidadão, como artista no momento da pandemia e o que vislumbra para o futuro. “Criei 16 exercícios, que estão disponíveis no canal do YouTube. São experimentos para câmera, que atrás é teatro. Claro que não tem público, é uma coisa solitária, mas o exercício em si é para o artista de teatro, ele não diferencia nada”.

Eu tô no meio de uma guerra. Não quero conceituar nada. Isso é a minha experiência no teatro, então não tem porque o negar: isso é teatro. Eu estou dentro disso fazendo todo meu instrumento, que sou eu mesmo, é teatral embora, eu esteja fazendo dentro de um celular, para um celular, virtualmente para um público.

Além de Paulo de Pontes, o técnico Fernando Calábria divide o local, com os devidos cuidados, porque o trabalho mistura vídeo, projeções. “A gente conseguiu a liberação do Sonic Júnior, (Juninho, marido de Tati Azevedo, que é músico), e a gente precisava de uma trilha legal com a liberação do músico, né?, para não cair a transmissão”.

 

Serviço
72 dias – WORK IN PROCESS
Segunda, 28/09, 20h
No YouTube SESC PE
Grátis

Ficha técnica
72 dias – WORK IN PROCESS
Criação e atuação: Paulo De Pontes
Dramaturgia: Quiercles Santana e Paulo De Pontes
Direção: Quiercles Santana
Direção de arte e vídeos: Célio Pontes
Músicas: Sonic Júnior
Técnica: Fernando Calábria
Fotos: Keity Carvalho
Produção: Márcia Cruz
Realização: Companhia Maravilhas de Teatro – Sesc PE – Cultura em Rede Sesc PE.

Postado com as tags: , , , , , , , , , , , , ,

Violetas da Aurora estão de olho no seu voto

Coletivo de palhaças do Recife estreia série Zona Eleitoral, uma campanha em 4 episódios. Foto: Ricardo Maciel

Fabiana Pirro é Uruba, Mayara Waquim é Maroca. Foto: Li Buarque

Ana Nogueira  é Dona Pequena. Silvinha Góes é Sema Roza Madalena . Reprodução do Facebook

Terra plana. Negação da ciência. Incêndios no Pantanal, devastação na Amazônia. “Milagres” da Cloroquina… Mentiras, mentiras, mentiras!!! País-gigante humilhado na ONU. Mais de 140 mil óbitos por Covid-19 desde o começo da pandemia (dados de 25/09). Ataques à integridade da cultura. Aumento do desemprego, descida ao mapa da fome.

– Oxe! E o que o meu voto tem a ver com isso?

– Tudo!!! Tudinho… tudão.
Foi com o golpe de 2016 e o confisco do mandato de uma presidenta mulher sufragada democraticamente que esse traçado anunciou o pior que estava por vir. E veio na eleição de 2018. E piorou e piora com o Nojento.

Por essas e outras, elas, as super-meninas, as Violetas da Aurora, estão de olho no seu voto! Ana Nogueira (Dona Pequena), Fabiana Pirro (Uruba), Mayara Waquim (Maroca) e Silvinha Góes (Sema Roza Madalena) estreiam neste sábado (26/09), às 21h, a série Zona Eleitoral, uma campanha em 4 episódios. O primeiro deles Sem Convenção marca também a volta de Dona Pequena ao picadeiro.

Meu voto será feminista – Violetas no Poder !!! Estão ouvindo a multidão gritar? É isso aí meu povo, o coletivo de palhaças se joga de corpo, alma e graça na campanha política 2020. No primeiro encontro, dos quatro episódios, elas vão fazer a prévia para a escolha da candidata oficial, “aquela que irá representar os desejos e anseios de violetas das mais variadas matizes e lutas desta cidade que é o mundo todo”.

“Bora juntes bulir com as estruturas podres”, convocam. Reprodução do Facebook

A série Zona Eleitoral chega repleta de fatos e fotos da vida real na visão peculiar das Violetas.

“E se o mundo ficar pesado???… Se o mundo emburrecer???… Se o mundo andar pra trás???…
Ops! Ficou!!!! Emburreceu!!!! Andou!!!!
Pois vamos abrir com alegria as palavras sabedoria, poesia, rebeldia, teimosia, utopia em todo canto, fresta, chão ou janela, a plantar, chover, escrever, gritar, abraçar o milagre da transformação…
É tudo nosso e a luta também!!!!!
Estamos juntes…
Mais do que nunca…
Sem convenção que seja, mas juntes pra valer!!!!!”

Como de costume, o trabalho junta os investimentos de atuação e afeto: palhaçaria feminina, piadas, contação de histórias, poesia, dança, canto, teatro. Dessa vez elas vão disputar seu coração e principalmente o seu voto. Cada uma na singularidade de sua figura. É para rir, mas também refletir, que vivemos num tempo político. Como lembra a poeta polonesa Wislawa Szymborska, no mais que belo Filhos da época: “Somos filhos da época / e a época é política…”

Essa maravilha de coletivo feminista de palhaças, o único só de mulheres palhaças em atuação no Recife, vai lembrar – porque a memória está curta, né minha filha???!!! – o que se passa nos bastidores da escolha de candidaturas majoritárias, os lances e os interesses que estão em jogo, Dona Pequena, Uruba, Maroca e Sema Roza Madalena reforçam a urgência do empoderamento da mulher na sociedade. Todo voto é decisivo. “Bora juntes bulir com as estruturas podres”, convocam.

As palhaças Violetas da Aurora nasceram juntas para o picadeiro e para a vida. Dona Pequena, Maroca, Sema Roza Madalena e Uruba foram gestadas em 2010 durante o Curso de Formação de Mulheres Palhaças, efetivado pela Duas Companhias e sustentado pelo edital do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura) do Governo de Pernambuco. A atriz-palhaça Adelvane Neia, a palhaça Margarida, pioneira na área da comicidade feminina e perita parteira de palhaças e palhaços Brasil a dentro, foi a responsável pela façanha de trazer ao mundo esse quarteto de palhaças.

Ana Nogueira passou um susto com o joelho, mas já está de pé. Foto: Li Buarque

Em meados de agosto, as Violetas da Aurora estavam com agenda marcada para ocupação na Casa Maravilhas. Ensaio geral, com cenário, figurino, maquiagem, tudo de cima e a alegria do reencontro para fazer a festa no picadeiro… Mas a vida apronta suas ciladas. E de repente, Dona Pequena caiu do banquinho e machucou o joelho. Um acidente de trabalho. A ocupação foi adiada por tempo indeterminado.
Teve muita reza, cirurgia, solidariedade, vaquinha para o joelho novo de Dona Peq, ela sempre astuta e aperaltada, cheia de anedotas e leseiras cativantes.
No Facebook, ela escreveu:

Há três semanas lancei aqui um pedido de ajuda. Hoje, venho agradecer. O retorno foi o melhor possível, pois tive por parte de todes palavras e gestos que me deram força e segurança para os primeiros passos no primeiro mês da recuperação. Ontem, 20.09, fez um mês da cirurgia. Avancei, avançamos, um pouquinho a cada dia. Superar o medo de dar o passo seguinte foi o ganho maior dessa etapa. O mergulho na dor física é algo novo para mim. E se não for assim, não tem avanço.
Saí da cadeira de rodas, passei pro andador e agora estou de muletas, liberada para colocar 30% de carga na perna.
Essa semana teremos mais um desafio: retomar o trabalho com as Violetas da Aurora

Salve salve as Violetas da Aurora!

 

SERVIÇO
Estreia da série Zona Eleitoral: primeiro episódio Sem Convenção com as Violetas da Aurora e participação especial da DJ Marte Rafaella Rafael
Quando: sábado (26), às 21h
Onde: Instagram da @casamaravilhas
Ingresso: no chapéu democrático (virtual)
NuBank – Banco 260
Agência 0001
Conta 43218962-0
CNPJ 27.677.055/0001-97
Ana Nogueira
*Se preferir transferir para Caixa, Banco do Brasil ou Itaú, elas tem também.
Mais informações: Ana Nogueira 81.99918.4817

Postado com as tags: , , , , , , , , , ,

Ciclo “a_ponte : cena do teatro universitário”, do Itaú Cultural, investe na expansão de intercâmbios
PRAZO PRORROGADO

Ave Terrena (foto Luciana Bati), Brenda Campos (foto Natália Campos), Dione Carlos (foto Malcolm Lima),  Marcondes Lima (foto Rogério Alves), no meio, Luciana Lyra (foto Fábio Gark/Estúdio Mudrah); Cyntia Carla (foto Luana Proença), Sandra Vargas (foto Marco Aurélio Olímpo), Tânia Farias (foto Mariana Rotilli) e Rodrigo Dourado (foto Ricardo Maciel) são alguns dos condutores da Jornada de Aprendizagem Expandida

A terceira convocatória de a_ponte: cena do teatro universitário, do Itaú Cultural, está com inscrições abertas nos dois eixos desta edição: Jornada de Aprendizagem Expandida (aulas virtuais sobre conteúdos pouco explorados nos currículos oficiais) e Seleção de Trabalhos de Conclusão de Cursos (teses de conclusão de cursos práticos ou teóricos, que terão publicação posterior). O programa – que ocorre em formato reformulado, digital e ampliado -, reforça o compromisso de renovação da cena teatral, dissolvendo fronteiras e congraçando estudantes.

Os interessados devem acessar o site do Itaú Cultural (www.itaucultural.org.br) para fazer a inscrição. Para o primeiro eixo, até às 23h59 desta sexta-feira, dia 25 de setembro de segunda-feira, dia 28 de setembro (prazo prorrogado, anunciou o Itaú, na manhã desta sexta-feira). Para o segundo núcleo, a data de acesso vai até 2 de outubro (a outra sexta-feira), no mesmo horário. 

a_ponte é norteada a estudantes maiores de 18 anos, vinculados a uma instituição de ensino de cursos técnicos e universitários de artes cênicas de todo o país.

A gerente do Núcleo de Artes Cênicas do Itaú Cultural, Galiana Brasil, ressalta que (a mostra) a_ponte propõe um mergulho em saberes, dissidências e na recuperação de ausências curriculares há muito reclamadas, “com o intuito de agregar vozes, ligar interesses, e contribuir com o processo de formação que deve reverberar nos processos cênicos Brasil adentro”.

As duas primeiras edições de a_ponte: cena do teatro universitário foram realizadas presencialmente. Neste ano, o programa conecta-se ao virtual.

Fábio Soares participa da Sala que enfoca figurino e a maquiagem. Foto Panamérica Filmes

No eixo 1, Jornada de Aprendizagem Expandida, são oferecidas para inscrição cinco diferentes salas de aulas virtuais temáticas, conduzidas por especialistas nas áreas. A instituição oferece interpretação em Libras para os selecionados que o indiquem no ato da inscrição

Sala 1, Dramaturgias, palavra plural?, com a dramaturga Dione Carlos, orientadora artística do Núcleo de Dramaturgia da Escola Livre de Santo André, e Marcos Barbosa, dramaturgo formado pelo Instituto Dragão do Mar, do Ceará, e professor da Escola Superior de Artes Célia Helena, em São Paulo. A proposta é praticar a escrita dramatúrgica e analisar textos de vozes significativas do teatro contemporâneo brasileiro, para ir além dos cânones tradicionais de referência e chegar à narrativa pluriversal.

 Sala 2, Discurso e práxis para uma cena Queer – É possível falar de cena Queer? Além da contextualização da presença e da memória LGBTQI+ nas artes performativas do Brasil, os encontros debatem sobre as subjetividades e identidades queer, a partir de referências artísticas e teóricas que observem os procedimentos dissidentes de criação estética. As aulas têm como orientadores a dramaturga, poeta, diretora, atriz e professora Ave Terrena e Rodrigo Dourado, professor do Curso de Teatro do Departamento de Artes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pesquisador das áreas de Performatividade e Teatro Contemporâneo, Identidades de Gênero, Sexualidade e Teatro e Estudos Queer.

Sala 3, PoÉticas das materialidades da cena – O figurino e a maquiagem são marginais na criação? com Marcondes Lima, professor do Departamento de Artes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e doutorando em Artes Performativas e da Imagem em Movimento pela Universidade de Lisboa, além da participação do pernambucano Fábio Soares, figurinista, bailarino e brincante de cavalo-marinho, e de Cyntia Carla, professora da Universidade de Brasília (UnB), além de figurinista, diretora, professora, circense, atriz, cenógrafa e maquiadora. Esta classe apresenta um panorama sobre princípios e práticas da caracterização visual, enquanto linguagem nas artes da cena, especificamente no que diz respeito ao figurino e à maquiagem.

Sala 4, Existe corpo na virtualidade? Dimensões pessoais e políticas do corpo: a cena como plataforma, comandada pelas atrizes e encenadoras Luciana Lyra e Tânia Farias, Aqui, a problematização do corpo, em tempos pandêmicos de inevitável virtualidade, é o ponto de partida para o desdobramento de estudos sobre a história do corpo, seus padrões e suas práticas, resultantes de múltiplas relações biológicas, biopolíticas, estéticas, culturais e ambientais.

Sala 5 aborda o tema Quem tem medo de teatro para criança? O artista, o Teatro e as Infâncias. Orientadas pela artista de teatro, pedagoga e pesquisadora Brenda Campos, e Sandra Vargas, atriz, diretora, dramaturga e uma das fundadoras do grupo SOBREVENTO, as aulas são realizadas por meio de exercícios práticos e reflexivos sobre o fazer teatral para as infâncias, provocando os participantes a perceberem caminhos possíveis para a criação de um espetáculo teatral voltado para crianças.

Serão selecionados até 40 estudantes para cada uma das cinco salas virtuais, para cumprirem uma carga horária prevista de 20 horas. As aulas acontecerão por meio da plataforma crossknowledge em 10 encontros realizados de 9 de novembro a 15 de dezembro. Os selecionados serão divulgados no dia 26 de outubro pelo site do Itaú Cultural.

No Eixo 2 a_ponte: cena do teatro universitário busca valorizar a pesquisa com uma Seleção de Trabalhos de Conclusão de Curso (práticos ou teóricos), resultados de estudos concluídas nos anos de 2019 e/ou 2020. Podem se candidatar autores de trabalhos de iniciação científica ou iniciação à docência. A iniciativa visa atestar a necessidade dos programas de financiamento à pesquisa continuada nos bacharelados, nas licenciaturas e nos cursos técnicos nas áreas de artes e humanidades. Até 20 trabalhos inscritos serão selecionados, divulgados a partir do dia 14 de janeiro de 2021, no site do Itaú Cultural. Esse material fará arte, posteriormente, de uma publicação digital.

 

SERVIÇO:
Convocatória a_ponte: cena do teatro universitário
Inscrições:
Eixo 1: Jornada de Aprendizagem Expandida:
Até 25 de setembro (sexta-feira), NOVO PRAZO dia 28 de setembro (segunda-feira),  às 23h59
Pelo site do Itaú Cultural (www.itaucultural.org.br)
Divulgação dos selecionados: 28 de outubro de 2020 (segunda-feira)

Eixo 2: Seleção de trabalhos de conclusão de cursos de 2019/2020
Até 2 de outubro (sexta-feira), às 23h59
Pelo site do Itaú Cultural (www.itaucultural.org.br)
Divulgação dos selecionados: 14 de janeiro de 2021 (quinta-feira)

Postado com as tags: , , , , , , , , , , , ,

Semana de lives com artistas transmasculines

Leo Moreira Sá e Daniel Veiga, fundadores do CATS, Coletivo de Artistas Transmasculines. Fotos: Reprodução do Instagram

Transmasculinidades, corpos e expressões: o papel político e transformador das artes transmasculinas no Brasil é uma série de atividades desenvolvidas pelo CATS – Coletivo de Artistas Transmasculines, com assuntos relevantes e urgentes. Representatividade transmasculine nas artes, empregabilidade, os novos caminhos para as muitas transmasculinidades, um panorama das lutas e conquistas do movimento social transmasculino, os afetos são alguns dos temas explorados na semana de lives. E encerra com um bate-papo que resgata o histórico da negritude como principal articuladora de movimentos sociais que impulsionaram políticas de acesso a transmasculines.

As ações ocorrem desta quarta-feira, 23, a 29 de setembro, sempre às 19h, com 12 artistas transmasculines. São ações do CATS que buscam articular visibilidade a essa população e ampliar os acessos a diversos espaços. As lives serão transmitidas pelo Instagram @cats_trans

Uma conversa sobre (In)visibilidade na vida e na arte, com ator, artivista e cofundador do CATS, Leo Moreira Sá e Coordenador Nacional do IBRAT – Instituto Brasileiro de Transmasculinidades, Lam Matos, inicia a programação do Coletivo neste 23 de setembro. Esse diálogo pretende reforçar a necessidade de romper o ciclo de invisibilidades, que retira direitos e impede o acesso ao mercado de trabalho artístico..

 

Ator Bernardo de Assis. Foto: Reprodução do Facebook

Como a arte pode ajudar a se descobrirem como pessoa trans é o tema do bate-papo ente o ator e diretor Bernardo de Assis, que interpreta o motoboy Catatau na novela Salve-se Quem Puder (fora do ar por causa da pandemia) e passou pela transição há seis anos, eo ator, performer e arte‐educador, também transgênero, Rodolpho Correa, no dia 24 de setembro.

Ariel Nobre, cineasta e ativista, autor de Preciso Dizer que Te Amo, projeto de sensibilização contra o suicídio de homens trans, e Gaê Ferraroni, roteirista são os convidados do dia 25 de setembro.

Cineasta Ariel Nobre. foto Karla Brights

Tiely. Foto: Ricardo Matsukawa.

Tiely, estimado como primeiro homem trans do rap nacional e que atua ainda como cineasta, escritor e historiador, vai trocar umas ideias com o rapper, artista visual, poeta, cantor, compositor e articulador,  All Ice sobre as violências contra LGBTIs, mulheres, direitos, gênero e cultura, na live do dia 26 de setembro.

A trajetória de Alexandre Peixe dos Santos, o Xande, pai, avô, pioneiro no movimento de homens trans no Brasil e ativista do IBRAT é o tema do encontro de segunda-feira, 28 de setembro, com Lam Matos Coordenador Nacional do IBRAT.

Luck Yemonja Banke, pesquisador trans, tradutor e educador, vocalista da banda Apocalypse Cùier, – que ele e outras pessoas trans e não-bináries fundaram – vai falar de sua experiência de voltar a cantar depois da transição e a proposta de compor música trans e decolonial para combater preconceitos. O depoimento, mediado por Daniel Veiga, encerra a primeira semana de Lives do CATS.

Luck Yemonja Banke. Reprodução do Instagram

Postado com as tags: , , , , , , ,

Festival de Curitiba online celebra Antunes Filho

Jê Oliveira, Grace Passô, Christian Malheiros, Elisa Ohtake e Matheus Nachtergaele estão em $odoma \G/omorra

A peça Sodoma & Gomorra estava planejada para ser exibida no Festival de Curitiba, em março ou abril, como {tubos de ensaio I & II}, para inaugurar os processos criativos do espetáculo inédito. A pandemia parou (quase) tudo. Subverteu conceitos da arte e o teatro foi atingido em sua essência de presença. Voilà que teatro é (sempre foi) arte de resistência e subversão e reinvenção e desafios infinitos. O Festival de Curitiba pulsa em sua versão digital e realiza a transmissão ao vivo de Antunes Filho: $odoma \G/omorra, “que transcende as molduras convencionais do teatro”, pelas redes sociais do Festival de Curitiba e do Sesc-SP (parceira do projeto) neste domingo, dia 20 de setembro, as 21h30, gratuitamente.

Concebida e dirigida por Luiz Päetow, a peça pretende que o espectador tenha uma “fruição inesperada das artérias cênicas pesquisadas pelo visionário diretor Antunes Filho (1929-2019)” a partir de sua peça inédita Sodoma & Gomorra.

O ator, diretor e dramaturgo Luiz Päetow é autor de uma série de solos que investigam a essência no corpo, na voz e na memória. Implantou o Círculo de Dramaturgia no CPT-Sesc, e com Antunes Filho, idealizou o projeto Prêt-à-Porter, em 1998.

O projeto secreto Antunes Filho: $odoma \G/omorra (de 1998) foi imaginado e alimentado por Antunes em parceria com Päetow, mas nunca chegou a ser ensaiado.

Um texto “inacabado” foi entregue por Antunes a Luiz, no último encontro que tiveram, com a dedicatória: “Päetow, só você consegue encenar esta peça. Eu te amo! Antunes Filho”.

A obra foi reinventada e ganhou mais potência ao “investigar o nosso tempo neste espanto apocalíptico: pandemia e confinamento, dignos de Sodoma & Gomorra”. A dramaturgia de Päetow perfura passagens bíblicas escritas por Moisés (Gênesis) e João de Patmos (Apocalipse) para encontrar sinais contemporâneos

Uma sessão especial do projeto Teatro Vivo em Casa, com a peça Maternagem e a oficina Compor a Cena, com Paulo Moraes da Cia Armazém também estão na programação do Festival online, que segue até dia 24.

O Festival de Curitiba é patrocinado pelo Ebanx, Vivo, Uninter, Renault do Brasil, Continental, Banco RCI Brasil, Junto Seguros, Copel – Pura Energia, Sanepar, Governo do Estado e GRASP.

Ficha Técnica
Artistas participantes : Matheus Nachtergaele, Grace Passô, Christian Malheiros, Jé Oliveira, Elisa Ohtake.
Direção de fotografia : Julia Zakia
Edição e mapeamento de vídeos : Ivan Soares
criação, roteiro, produção e direção geral : Luiz Päetow
Duração: 30 minutos.
Classificação:

Programação:
19/09, às 20h – Teatro Vivo em Casa – Sessão Especial: “Maternagem”
20/09, às 21h30 – Antunes Filho : $odoma \G/omorra { TRANSMISSÃO } de Luiz Päetow”
21/09 a 24/09 das 20h às 22 – Curso “Compor a Cena”, com Paulo Moraes da Cia Armazém
*Todas as ações feitas de forma online e serão gratuitas.

Canais digitais do Festival de Curitiba
Todas as ações e atrações gratuitas
Facebook: @fest.curitiba
Instagram: @festivaldecuritiba
Youtube: youtube.com/festcuritiba
Informações: falecom@festivaldecuritiba.com.br
www.festivaldecuritiba.com.br

Postado com as tags: , , , , , , ,