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10ª edição do Palco Giratório PE
dá motivos para pensar
a produção pernambucana

Notícias do Dilúvio, da Cia Biruta de Teatro, de Petrolina (PE). Foto: Fernando Pereira/ Divulgação

O retorno do Palco Giratório ao Recife faz da 10ª edição do festival na cidade e na Região Metropolitana um tempo privilegiado para pensar a cena pernambucana. A programação começa nesta quarta-feira, 20 de maio, e segue até 7 de junho. Ao longo desse período, mais de 70 atividades ocuparão teatros, praças, cinemas e outros espaços do Recife, de Jaboatão dos Guararapes e de São Lourenço da Mata. São 41 espetáculos, além de oficinas, seminários, ações formativas e atividades de intercâmbio, com programação gratuita ou a preços populares. Trata-se de uma retomada estratégica: Pernambuco volta a ocupar lugar forte na rede nacional desse projeto do Sesc, que em 2026 circula por 113 cidades de 23 estados e tem na Tropa do Balacobaco, de Arcoverde, a representante pernambucana no circuito nacional, com o espetáculo Re Te Tei.

O Palco Giratório é muito mais que um festival de circulação de espetáculos. Desde sua criação, em 1998, funciona como uma máquina de mobilidade: grupos atravessam o país, encontram contextos distintos, tensionam modos de produção e recepção e testam a capacidade de suas obras de se manterem vivas fora de seus ambientes de origem. Sua lógica é itinerante. Sua força está na construção continuada de uma malha de encontros, intercâmbio e formação de público.

Em Pernambuco, o projeto opera como núcleo articulador regional; tensiona práticas locais, conecta artistas à circulação nacional e desenha um mapa mais complexo das artes cênicas brasileiras contemporâneas. E funciona também como termômetro: o que estamos produzindo? como dialogamos com o país? quais estéticas insistem? onde estão as urgências reais do Recife e da Região Metropolitana?

A programação desta edição se mobiliza em torno de eixos que dialogam com questões incontornáveis do presente: negritude, acessibilidade, respeito às diferenças, juventudes, protagonismo infantil e potências do corpo atravessam o festival de ponta a ponta. Mas a tradução pode ser verificada com os espetáculos.

A abertura com Capiba, pelas ruas eu vou, da Aria Social, já funciona como declaração de escala, pertencimento e memória. O musical estreou em 2022 e homenageia um dos maiores nomes da música popular pernambucana e mobiliza um grande elenco de bailarinos-cantores para transformar a trajetória de Capiba em linguagem de cena. Mais adiante, a presença de Adilson Ramos e de Miro dos Bonecos reforça que essa edição também reconhece, em chave popular, tradições vivas da cultura pernambucana.

Capiba, pela ruas eu vou. Foto Alice Cohim

Miro dos Bonecos. Foto: Divulgação

A presença pernambucana na programação se desdobra, então, em direções bastante distintas, o que é um dado importante. Helô em Busca do Baobá Sagrado, do grupo DoceAgri, trabalha pertencimento, ancestralidade e protagonismo negro; Notícias do Dilúvio – Um Canto a Canudos, da Cia Biruta, de Petrolina, revisita a luta popular a partir da resistência feminina; Sobre os Ombros de Bárbara, com Augusta Ferraz, devolve corpo e voz a mulheres silenciadas desde a Revolução Pernambucana; Agbará Obirin, da Cia de Dança Daruê Malungo, inscreve a força dos corpos negros em movimento como resistência e celebração; Pontilhados, do Grupo Experimental, transforma o Recife Antigo em matéria dramatúrgica e faz da cidade cenário e personagem; Espécie em Extinção, do Grupo Córpore, desloca a crise ecológica para o corpo entendido como território de resistência; Roda, do Núcleo de Dança do Centro Cultural Sesc Garanhuns, reafirma a dança como encontro, troca e experiência coletiva; A Ver Estrelas, do Coletivo Trela de Experimentação Cênica para a Infância, aposta na imaginação infantil como força de expansão; enquanto intervenções como CloseUP, de Rauan Moreira, mostram que a proximidade, a rua e o risco de presença também cabem no desenho do festival.

Há ainda um gesto importante de ampliação de campo. O documentário Salu e o Cavalo Marinho, de Cecília da Fonte Alves, reinscreve a cultura popular no debate do festival a partir da memória de um artista; Pisadas, do Manifesto Cultura Popular, trata o corpo como arquivo vivo; o show de Adilson Ramos introduz na programação a permanência de uma memória sentimental e popular da canção pernambucana; e a presença de Miro dos Bonecos, com os Mamulengos do Novo Milênio, reafirma o mamulengo como forma viva, capaz de mobilizar riso, destreza e transmissão cultural. A isso se somam a contação de histórias para bebês com Yalle Feitosa e atividades voltadas à infância lembram que formação de público começa antes da institucionalização do gosto. Esse alargamento de linguagem pode ser lido como abertura real ou como risco de dispersão curatorial. Ainda assim, no melhor dos casos, aponta para um entendimento mais complexo do que seja artes cênicas hoje.

Ao lado dessa presença local robusta, o circuito nacional entra como como fricção. Franquinh@ – Uma História em Pedacinhos e Frankenstein, do Coletivo Gompa, operam em registros distintos a mesma questão da monstruosidade, da criação e da responsabilidade, deslocando-a da infância ao público adulto. Corpos de Tambor, do Coletivo Croa, aproxima elementos culturais da Amazônia de expressões urbanas contemporâneas; Sancho Pança, o Fiel Escudeiro, com o Palhaço Piruá, reinscreve o clássico a partir da periferia e da sabedoria popular; No Coração da Lua, do Grupo Estação de Teatro, mergulha em matéria noturna, sonho e delicadeza; A Maçã, com William Seven, sugere um teatro que aposta na reflexão; Peça Única, da House of Hands Up MS, faz da linguagem de sinais um princípio formal; O Encontro da Tempestade com a Guerra, do Circo Experimental Negro, afirma o circo como linguagem atravessada por luta, raça e invenção; HA!, do Grupo Artilharia Cênicas, recoloca o humor no terreno da resistência; No Armário Não Cabe Ninguém, do GPETI, em sua pesquisa em teatro para infância enfrenta a questão da diversidade sem reduzi-la a um enunciado pedagógico simplificado; Bando, do Máscara Encena, leva o teatro à praça; Caixa Ninho, do Eranos Círculo de Arte, e Miau, do Grupo Pé de Vento, reforçam essa ocupação de espaços não convencionais. 

Essa heterogeneidade é um dos traços mais significativos da edição. Ela põe lado a lado práticas e estéticas que raramente convivem sem mediação – grupo consolidado e coletivo emergente, teatro documental e palhaçaria, pesquisa formal e vocação pedagógica, espetáculo de rua e criação de sala, cultura popular e elaboração contemporânea. 

A homenagem ao Grupo Sobrevento

Para Mariela. Foto: Lauro Medeiros / Divulgação

A escolha do Grupo Sobrevento, de São Paulo, como homenageado da edição do Palco nacional é reveladora. Ao completar 40 anos de trajetória, o coletivo reafirma uma linha de trabalho marcada pela atenção aos deslocamentos, à vulnerabilidade e às formas de precariedade inscritas na experiência contemporânea. Seu teatro lida com migração, trânsito, perda e desamparo.

O espetáculo em circulação especial, Para Mariela, retoma a condição de crianças bolivianas migrantes por meio do teatro de formas animadas, mas sem suavizar o conflito. Mistura delicadeza formal e densidade política. Não ameniza a violência do tema; antes, a faz aparecer por outra via, mais oblíqua, mais persistente.

Trela: a infância como pauta séria

Paralelamente aos espetáculos, o festival realiza a segunda edição do Trela – Seminário de Artes Cênicas para as Infâncias, de 28 a 30 de maio, no Teatro Apolo. O seminário toca em dos pontos mais consistentes da programação, da dimensão estrutural da cultura.

Ao reunir pedagogos, psicanalistas, artistas e pesquisadores,  o Trela organiza de modo mais consequente uma pergunta que ainda costuma ser tratada como periférica: qual é a responsabilidade coletiva de cuidar das crianças também por meio das artes?

A homenagem a Vilma Carijós, do Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, reforça esse eixo ao vincular infância, educação, território e negritude numa mesma constelação de trabalho histórico. A presença de Maria Homem na abertura amplia o debate e lhe dá densidade pública. O seminário, assim, funciona como uma de engrenagens centrais do festival. Rconhecer a infância como pauta séria é reconhecer que discutir artes cênicas hoje implica discutir também formação, cuidado, linguagem e futuro.

Ideathon: inovação com medida concreta

Nos dias 21 e 22 de maio, o festival realiza ainda um Ideathon, maratona de inovação voltada à criação de protótipos para desafios reais do setor cultural. A iniciativa reúne estudantes, profissionais e interessados em pensar soluções aplicadas para o campo. O prêmio de R$ 4 mil para a ideia vencedora não altera por si só a estrutura econômica da cultura, mas tem valor como gesto de indução: sinaliza que o festival não quer apenas exibir obras prontas, mas também estimular imaginação organizativa, formulação e resposta prática.10ª edição do Palco Giratório

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira (20), às 19h
🎭 Abertura do festival: Espetáculo Capiba, pelas ruas eu vou
📍 Teatro do Parque: Rua do Hospício, 81, Boa Vista – Recife
🎟️ Entrada gratuita, com retirada antecipada pela internet; é preciso levar 1 kg de alimento para doação na hora do espetáculo

Sexta-feira (22), às 9h30
🎭 Espetáculo Helô em busca do baobá sagrado
📍 Sesc de Casa Amarela – Teatro Capiba: Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, 4490, Mangabeira – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sexta-feira (22), às 14h
🎭 Espetáculo Notícias do dilúvio – Um canto a Canudos
📍 Cine Teatro Samuel Campelo: Praça Nossa Senhora do Rosário, 510, Centro – Jaboatão dos Guararapes
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Sexta-feira (22), às 16h
🎭 Espetáculo O dia em que a Morte sambou
📍 Instituto Marcos Hacker de Melo: Rua Ten. João Cícero, 258, Boa Viagem – Recife
🎟️ Ingressos esgotados

Sábado (23), às 16h
🎭 Leitura dramatizada A cantora careca
📍 Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa: Largo do Varadouro, s/n, Varadouro – Olinda
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Sábado (23), às 17h
🎭 Espetáculo Para Mariela
📍 Teatro Hermilo Borba: Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (23), às 19h
🎭 Espetáculo Sobre os ombros de Bárbara
📍 Sesc de Casa Amarela – Teatro Capiba: Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, 4490, Mangabeira – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (23), às 20h
🎭 Espetáculo Para Mariela
📍 Teatro Hermilo Borba: Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Domingo (24), às 11h
🎥 Filme Salu e o cavalo-marinho
📍 Cinema São Luiz: Rua da Aurora, 175, Boa Vista – Recife
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Domingo (24), às 16h
🎭 Espetáculo Frankinh@ – uma história em pedacinhos
📍 Teatro de Santa Isabel: Praça da República, s/n, Santo Antônio – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Domingo (24), às 17h30
🎭 Espetáculo Corpos de Tambor
📍 Sesc de Casa Amarela – Teatro Capiba: Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, 4490, Mangabeira – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Domingo (24), às 19h
🎭 Espetáculo Frankinh@ – uma história em pedacinhos
📍 Teatro de Santa Isabel: Praça da República, s/n, Santo Antônio – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Terça-feira (26), às 16h30
🎭 Espetáculo Bando
📍 Praça do Rosário: Centro, Jaboatão dos Guararapes
🎟️ Gratuito

Quarta-feira (27), às 9h30
🎭 Espetáculo Bando
📍 Praça Dom Vital/Mercado São José: Praça Dom Vital s/n, Recife
🎟️ Gratuito

Quarta-feira (27), às 14h
🎭 Espetáculo Roda
📍 Cine Teatro Samuel Campelo: Praça Nossa Senhora do Rosário, 510, Centro – Jaboatão dos Guararapes
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Quarta-feira (27), às 15h
🎭 Espetáculo No coração da Lua
📍 Teatro Barreto Júnior: Rua Estrada Jeremias Bastos, Pina – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Quinta-feira (28), às 19h30
🎭 Espetáculo A maçã
📍 Teatro Barreto Júnior: Rua Estrada Jeremias Bastos, Pina – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Quinta-feira (28), às 19h30
🎭 Espetáculo Agbará Obirin
📍 Teatro do Parque: Rua do Hospício, 81, Boa Vista – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sexta-feira (29), às 14h
🎭 Espetáculo A ver estrelas
📍 Teatro Apolo-Hermilo: Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Sexta-feira (29), às 14h e às 19h
🎥 Filme Mambembe
📍 Cine Teatro Samuel Campelo: Praça Nossa Senhora do Rosário, 510, Centro – Jaboatão dos Guararapes
🎟️ Gratuito

Sexta-feira (29), às 15h
🎭 Espetáculo Sancho Pança, o fiel escudeiro
📍 Sesc Ler São Lourenço da Mata: Avenida das Pêras, 56, Tiuma – São Lourenço da Mata
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Sexta-feira (29), às 20h
🎤 Show Adilson Ramos
📍 Teatro do Parque: Rua do Hospício, 81, Boa Vista – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (30), às 15h30
👶 Contação de histórias para bebês
📍 Teatro Hermilo Borba: Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Sábado (30), às 16h
🎭 Espetáculo Caixa Ninho
📍 Teatro Hermilo Borba: Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (30), às 16h30
🪄 Espetáculo CloseUP
📍 Teatro do Parque: Rua do Hospício, 81, Boa Vista – Recife
🎟️ Gratuito

Sábado (30), às 17h
🎭 Espetáculo No Armário Não Cabe Ninguém
📍 Teatro do Parque: Rua do Hospício, 81, Boa Vista – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Domingo (31), às 11h
🎥 Filme RE TE TEI
📍 Cinema São Luiz: Rua da Aurora, 175, Boa Vista – Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (31), às 16h
🎭 Espetáculo Sancho Pança, o fiel escudeiro
📍 Parque da Macaxeira: Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, s/n, Macaxeira – Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (31), às 16h30
🎭 Espetáculo Pontilhados
📍 Recife Antigo: Avenida Rio Branc, s/n, Bairro do Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (31), às 17h
🎭 Espetáculo HA!
📍 Parque da Macaxeira: Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, s/n, Macaxeira – Recife
🎟️ Gratuito

Terça-feira (2), às 15h
🎭 Espetáculo HA!
📍 Sesc Ler São Lourenço da Mata: Av. das Pêras, 56, Tiuma – São Lourenço da Mata
🎟️ Gratuito

Terça-feira (2), às 18h
👯‍♀️ Vivência Ballroom – Empoderamento, Corpo e História
📍Cine-Teatro Samuel Campelo: Praça Nossa Sra. do Rosário, 510, Centro – Jaboatão dos Guararapes
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Quarta-feira (3), às 15h
🎭 Espetáculo O Encontro da Tempestade com a Guerra
📍Sesc Santo Amaro: Praça do Campo Santo, 1-101, Santo Amaro – Recife
🎟️ Gratuito

Quarta-feira (3), às 20h
🎭 Espetáculo Peça Única
📍Teatro Barreto Júnior: R. Est. Jeremias Bastos, Pina – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Quinta-feira (4), às 18h
🎭 Espetáculo Espécie em Extinção
📍 Teatro Hermilo Borba: Cais do Apolo, 142 – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Quinta-feira (4), às 19h30
🎭 Palhaço Pinóquio (espetáculo de abertura)
🎭 Espetáculo Eduardo, o Rei das Praças
📍 Teatro Apolo-Hermilo: R. do Apolo, 121 – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sexta-feira (5), às 12h
🎭 Espetáculos Miau – Grupo Pé de Vento
📍Restaurante Sesc RioMar: Av. República do Líbano, 251, Pina – Recife
🎟️ Gratuito

Sexta-feira (5), às 20h
🎭 Espetáculo Pisadas
📍Teatro Apolo-Hermilo: R. do Apolo, 121 – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (6), às 12h
🎭 Espetáculos Miau – Grupo Pé de Vento
📍Restaurante Sesc RioMar: Av. República do Líbano, 251, Pina – Recife
🎟️ Gratuito

Sábado (6), às 16h
🎭 Espetáculo Dandara na Terra dos Palmares
📍Teatro Apolo-Hermilo: R. do Apolo, 121 – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (6), às 16h
🎶 Mestre Zezinho de Casa Amarela
📍Paço do Frevo: Praça do Arsenal da Marinha, 91 – Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (7), às 16h30
🎭 Miro dos Bonecos – Mamulengos do Novo Milênio
📍Paço do Frevo: Praça do Arsenal da Marinha, 91 – Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (7), às 17h
🎭 Espetáculo Re Te Tei
📍Paço do Frevo: Praça do Arsenal da Marinha, 91 – Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (7), às 19h
FESTA CUBANA
📍 Clube Bela Vista

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Uma joia que dilata nossos corações para celebrar a vida
Crítica de Circo de los pies

Foto: Ivana Moura

O que podem pés deficientes? Eles podem mostrar que enquanto a vida pulsa, tudo é possível. Eles podem fazer cambalhotas no ar.  E quando eles encontraram a palhaçaria, eles esbanjam humor, compõem poesia. Foi isso que aconteceu ontem, dia 18 de maio, no Teatro Marco Camarotti, no Recife, dentro da programação do Palco Giratório, com o espetáculo Circo de los pies.

Fruto do projeto O que meus pés me contam?, da La Luna Cia de Teatro, o espetáculo busca investigar o universo circense a partir das potencialidades e limitações de corpos plurais, visando tornar esse universo mais inclusivo para pessoas com deficiência. O projeto teve o incentivo do programa Entre Arte e Acesso do Itaú Cultural (2022) e do Prêmio Elisabete Anderle de estímulo à Cultura (2022).

A La Luna Cia. de Teatro, fundada em 2016 e sediada na cidade de Canelinha (SC), é uma companhia que enfrenta com determinação os desafios concretos da produção artística,  enquanto permite que sua criatividade e imaginação voem livres, explorando novos horizontes e possibilidades. Eles se dedicam à difusão e fruição artística por meio de pesquisa, montagem e circulação de espetáculos, encontrando um delicado equilíbrio entre a realidade prática e a liberdade criativa.

O grupo é formado por quatro artistas: Emeli Barossi, Amália Leal, Pedro Torres e Thiago Leite, que pesquisam diferentes linguagens como música, cultura popular, palhaçaria e pedagogia teatral.

Foto: Ivana Moura

Emeli Barossi, a intérprete da palhaça Asmeline, nasceu com Hemimelia Fibular, uma má formação congênita na perna direita. Pequenininha em estatura, mas gigante em talento e carisma, ela cria uma cumplicidade imediata com a plateia, contando brevemente sua história pessoal e, em outras camadas, falando sobre a arte da palhaçaria. Suas pernas, que sempre chamaram a atenção das pessoas, são as protagonistas de uma dramaturgia criada a partir da assimetria e da criatividade do seu corpo.

Em Circo de los pies, Emeli transforma sua patologia em arte, dialogando com a deformidade que existe em todo ser humano, independentemente de ser uma pessoa com deficiência ou não.

O espetáculo se propõe a ser acessível, colocando o corpo com deficiência como protagonista e autor do seu próprio discurso. A interpretação em Libras, realizada por Suzi Daiane, e a audiodescrição, feita por Pedro Torres, são intrínsecas à cena e ao jogo da palhaça, fazendo-se presentes como fios dramatúrgicos. Com uma acessibilidade poética, estética e inclusiva, que vai além de uma tradução e descrição técnica da cena, a obra gera sensações e constrói um jogo cativante com o público, seja ele vidente, não vidente, surdo ou ouvinte.

Emeli se entrega de forma intensa, fazendo uma interpretação de tirar o fôlego. Seus pés, Pezinho e Pezão, são os protagonistas desse show sensacional. É inevitável usar adjetivos para descrever a experiência: um banho de alegria e lirismo, uma enxurrada de ludismo, mas com os pés firmes na realidade. Circo de los pies é um conforto para o coração, mas também traz espetadas nos nervos, lembrando-nos que sempre podemos mais, sem cair nos clichês da superação. A técnica apurada e a entrega total da atriz capturam e amplificam nossa imaginação, levando-nos a uma jornada inesquecível.

É um convite para dilatarmos nossos corações ao infinito, como propôs a poeta Hilda Hilst e nos entregarmos à magia transformadora da arte.

“Circo de los pies” é uma pequena joia que nos contamina de alegria, mas com um fio-terra existencial de que a vida é uma luta constante, abordada com uma leveza perturbadora. Emeli Barossi e a La Luna Cia de Teatro nos presenteiam com uma obra necessária, que ultrapassa limites e nos faz acreditar na essência transformadora da arte.

Ficha Técnica

Atuação e concepção: Emeli Barossi
Trilha Sonora e Sonoplastia: Pedro Torres
Iluminação: Thiago de Castro Leite
Roteiro de Audiodescrição: Fernanda Rosa, Matheus Costa e Emeli Barossi
Figurino: Adriana Barreto
Produção: La Luna Cia de Teatro
LIBRAS: Suzi Daiane
Audiodescrição: Pedro Torres

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