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Circo até umas horas!

 Espetáculo francês Oktobre abriu festival no Teatro Luiz Mendonça e faz mais duas sessões, hoje e amanhã. Foto: Daniel Michelon

Espetáculo francês Oktobre abriu festival e faz mais duas sessões, hoje e amanhã. Foto: Daniel Michelon

Desde ontem, algumas versões do circo contemporâneo se espalham por Recife e chegam a Olinda, dentro da programação do Festival de Circo do Brasil, em sua 11ª edição que segue até o dia 8. Uma exposição com figurinos e fotos de A luneta do tempo, filme de Alceu Valença, na Galeria Janete Costa e o espetáculo francês Oktobre, comandado pelo mágico Yann Frisch, no Teatro Luiz Mendonça, abriram a maratona nos dois equipamentos culturais localizados no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem.  A exposição fotográfica A luneta e o tempo é composta por imagens de Toinho Melcop, que retratam os bastidores do filme.

Oktobre leva o circo a outra dimensão. E faz mais duas sessões, hoje e amahhã, às 20h. A fantasia está lá, com seus artistas extravagantes sentados ao redor de uma mesa: um trapezista de tirar o fôlego , um campeão de mágica, um acrobata atormentado. Ele vão ao limite na manipulação e velocidade para provocar sensações de risco. As cenas que se repetem, mas não parecem as mesmas. Jogo de aparência, truques de desaparecimento, números distorcidos. As regras da realidade são alteradas, os corpos são transformados, vozes modificadas. Humor negro, melancolia e surrealismo intrigante.  Participam Pauline Dau, Eva Ordonez-Benedetto, Jonathan Frau, Yann Frisch, sob direção de Florent Bergal.

Com patrocínio da Petrobrás, da Empetur e do Institut Français, entre outros, o evento – que tem curadoria e direção de Danielle Hoover, ocupa durante esses dias os teatros Luiz Mendonça e Santa Isabel, as salas do Centro Cultural Apolo-Hermilo, a Livraria Cultura e as praças de São José em Abreu e Lima e do Carmo, em Olinda entre outros.

Ao todo, o festival contabiliza 40 espetáculos, entre apresentações e intervenções. Soma-se a isso oficinas, exposição, lançamento e exibição de filmes. Na programação estão espetáculos da França, Espanha e Inglaterra e Brasil.

O Parque Dona Lindu abriga uma programação gratuita sábado e domingo, partir das 16h, com apresentações ao ar livre de Rapha Santacruz (PE), Duo Morales (RJ), Victor Abreu (SP), Chocobrothers (Espanha) e Chipolatas (Inglaterra). Uma estrutura para espetáculos e vivências circenses, como o slackline, além de uma praça de alimentação de food trucks está montada no local.

A montagem Uma surpresa para Benedita, do grupo Trampulim (MG), ocupa neste fim de semana o Teatro Hermilo Borba Filho às 11. E Acorda, do Trampulim, apresenta-se no mesmo teatro às 17h.

As menias da Cia Animé preparam o primeiro disco de As Levianinhas

As meninas da Cia Animée preparam o primeiro disco de As Levianinhas

A Cia. Animée (PE) rodou o Brasil com Trueque, fez 45 apresentações, sendo apenas cinco no Recife. Quem não viu ou quiser rever a hora é essa. Hoje e amanhã, ), às 16h, no Teatro Apolo. Trueque significa troca. E as palhaças Tan Tan e Mary En compartilham com as crianças essa experiência de música ao vivo, mágica e palhaçadas.  E a peça As Levianas em Pocket Show traz novidades em músicas e outros elementos nas sessões das 20h de hoje e amanhã, também no Apolo.

E essa Cia. Animée (PE) está para prosa e poesia. As Levianinhas preparam seu primeiro CD com músicas autorais e outras cedidas por artistas como Chico Cezar, Arnaldo Antunes, Pedro Luís e a Parede, Lula Queiroga e Luck Luciano, com produção da Luni. Vem coisa boa por aí. Além disso, a trupe de garotas aprovou a itinerância internacional da peça Levianas em Cabaré Vaudeville e com isso o grupo faz seis apresentações em 2016 em terras lusitanas.

A programação prossegue durante a semana com várias atrações. O documentário Circo Debre Berhan, do cineasta e jornalista Luís Nachbin, vai ser exibido na terça, às 19h30, no Cinema da Fundação e na quarta-feira às 19:30h, na Livraria Cultura. Já a pré-estreia do filme A luneta do tempo será na terça-feira, às 20h30, no Cinema da Fundação do Derby. Ainda na terça-feira, às 22h30, o mágico Yann Frsich mostra seu talento no bar Haus Lajetop, no Pina. Nos dias 6, 7 e 8, uma das atrações é o Cirque Hirsuthe, da França, com o espetáculo Les Butors. A nova criação de Mathilde Sebald et Damien Gaumet é do ano passado e mostra um engraçado e delicado namoro nas alturas.

 

Programação

30/10 – Sexta-Feira
20hrs Exposição A Luneta e o Tempo – Figurinos e fotos do filme de Alceu Valença. Fotos: Toinho Melcop e Montagem: Antônio Guido Galeria Janete Costa
21h OKTOBRE (FRA) Teatro Luiz Mendonça
31/10 – Sábado
11h Uma Supresa para Benedita (MG) Teatro Hermilo
16h Vivências Circenses Parque D. Lindu
16h Trueque (PE) Teatro Apolo
17h Acorda (MG) Teatro Hermilo
20h OKTOBRE (FRA) Teatro Luiz Mendonça
20h As Levianas em Pocket Show (PE) Teatro Apolo
A partir das 16h A Roda (PE) / A Jornada do Herói (SP) / Duo Morales (RJ) / Chocobrothers (ESP) / Chipolatas (UK) Esplanada do Parque Dona Lindu
01/11 – Domingo
11h Uma Supresa para Benedita (MG) Teatro Hermilo
16h Vivências Circenses Parque D. Lindu
16h Trueque (PE) Teatro Apolo
17h Acorda (MG) Teatro Hermilo
20h OKTOBRE (FRA) Teatro Luiz Mendonça
20h As Levianas em Pocket Show (PE) Teatro Apolo
A partir das 16h A Roda (PE) / A Jornada do Herói (SP) / Duo Morales (RJ) / Chocobrothers (ESP) / Chipolatas (UK) Esplanada do Parque Dona Lindu
02/11 – Segunda
9h às 17h Laboratório de Criação Circus Next Teatro Hermilo
10h O Homem Foca (RJ) Galeria Janete Costa
16h Chipolatas (UK) Praça do Carmo (Olinda)
16h Chocobrothers (ESP) Parque da Jaqueira
17h às 19h Encontro de Mágicos com Yann Frisch (FRA) Espaço Villa
03/11 – Terça-Feira
9h às 17h Laboratório de Criação Circus Next Teatro Hermilo
19h30 Documentário: “Circo Debre Berhan”- de Luís Nachbin Cinema da Fundaj(Derby)
20h30 Filme: “A Luneta do Tempo”- de Alceu Valença Cinema da Fundaj(Derby)
22h30 Yann Frisch (FRA) – Solo
Natasha Jascalevich (SP) – O Poder da Cachaça
Haus
04/11 – Quarta-Feira
9h às 17h Laboratório de Criação CircusNext Teatro Hermilo
16h O Homem Foca (RJ) Praça Central de Camaragibe
19h Lançamento do livro “Cravo na Carne- Fama e Fome” Livraria Cultura(Paço Alfândega)
19h30 Documentário: “Circo Debre Berhan”- de Luís Nachbin Livraria Cultura(Paço Alfândega)
05/11 – Quinta-Feira
9h às 17h Laboratório de Criação Circus Next Teatro Hermilo
20h Resultado Work in Progress 2014- Memórias da Dor em Tempos de Liberdade (PE) Teatro Hermilo
21h Concerto para Ri Maior (PR) Teatro Apolo
06/11 – Sexta-Feira
9h às 17h Laboratório de Criação Circus Next Teatro Hermilo
20h Work in Progress – Aéreo Improvisado (PE) Teatro Hermilo (aberto público)
21h Les Butors (FRA) Teatro Santa Isabel
21h Concerto para Ri Maior (PR) Teatro Apolo
07/11 Sábado
9h às 17h Laboratório de Criação Circus Next Teatro Hermilo
11h Flor do Lixo (PE) Teatro Apolo
16h Meu Chapéu é o Céu (DF) Parque Santana(aberto)
17h Les Butors (FRA) Teatro Santa Isabel
18h Um Café da Manhã (SP) Teatro Luiz Mendonça
20h Work in Progress – Aéreo Improvisado (PE) Teatro Hermilo(aberto público)
20h Concerto para Ri Maior (PR) Teatro Apolo
08/11 – Domingo
11h Flor do Lixo (PE) Teatro Apolo
16h Meu Chapéu é o Céu (DF) Praça São José (Abreu e Lima)
17h Les Butors (FRA) Teatro Santa Isabel
18h Um Café da Manhã (SP) Teatro Luiz Mendonça

 

 

Serviço
Festival de Circo do Brasil 2015 – Mais circo impossível!
Quando: De 30 de outubro a 8 de novembro em Pernambuco.
Programação gratuita, exceto apresentações em teatros.
Ingresssos: www.compreingresso.com.br/:

  • Teatros Santa Isabel e Teatro Luiz Mendonça: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
  • Teatro Apolo e Teatro Hermilo: R$ 10,00 (valor único)
  • Teatro Santa Isabel: (81) 3355-3323
  • Teatros Apolo e Teatro Hermilo: 3355-3320
  • Teatro Luiz Mendonça: (81) 3355-9821
  • Cinema da Fundaj(Derby): (81) 3073-6689 Os ingressos serão distribuídos 1h antes da sessão.
  • Livraria Cultura(Paço Alfândega): (81) 2102-4231

Informações: Luni Produções (81) 3441-1241

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Programação lotada no fim de semana

Eu Em Pessoa faz sessão única no Capiba. Foto: Américo Cavalcante

Eu Em Pessoa faz sessão única no Capiba. Foto: Américo Cavalcante

Além do espetáculo Ópera do Malandro e da apresentação do grupo Corpo, o fim de semana ainda tem algumas outras opções inéditas. No Teatro Capiba, por exemplo, o ator Amarílio Sales interpreta Teté, na montagem Eu Em Pessoa, da Bahia. O espetáculo está no Recife graças ao Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014. Com roteiro do próprio Sales e direção de Flavia Pucci, o espetáculo reflete sobre preconceitos e liberdades, trazendo à cena um homem que foge de sua cidade para viver a sua sexualidade e encontra refúgio na obra de Fernando Pessoa.

Já no Teatro Marco Camarotti, os participantes da oficina A arte do presente, ministrada pelo grupo Magiluth, apresentam WAR NAM NIHADAM ou qual o nome do suco?. A demonstração de trabalho é influenciada pelas pesquisas que o Magiluth empreendeu para montar o espetáculo mais recente do grupo, O ano em que sonhamos perigosamente. São mais de 20 pessoas em cena, depois de dois meses de oficina na nova sede do grupo, no terceiro andar do Edf. Texas, no Pátio de Santa Cruz.

Assombrações é livremente inspirada em obra de Freyre. Foto: Toni Rodrigues

Assombrações é livremente inspirada em obra de Freyre. Foto: Toni Rodrigues

No Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, os alunos da Cênicas Cia de Repertório apresentam Assombrações, espetáculo livremente inspirado na obra de Gilberto Freyre, com texto assinado por Álcio Lins e Antônio Rodrigues. De acordo com Rodrigues, que também assina a direção, o realismo fantástico dá o tom da montagem, que conta a história dos Guimarães, família tradicional do Recife, com foco no noivado de Malvina, filha primogênita da família.

Serviço:

Eu Em Pessoa
Onde: Teatro Capiba (Sesc Casa Amarela)
Quando: sábado (24), às 20h
Quanto: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)

WAR NAM NIHADAM ou qual o nome do suco?
Onde: Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amato)
Quando: sábado (24) e domingo (25), às 20h
Quanto: Gratuito. Os ingressos podem ser retirados na bilheteria uma hora antes do espetáculo

Assombrações
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quando: domingo (25), às 20h
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

Magiluth encerra oficina com demonstração de trabalho

Magiluth encerra oficina com demonstração de trabalho

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O amor que precisa gritar seu nome

Amarílio Sales refaz suas memórias para questionar a sociedade. Foto: Américo Cavalcante

Amarílio Sales refaz suas memórias para questionar a sociedade. Foto: Américo Cavalcante

Oscar Wilde foi condenado a dois anos de prisão – com trabalhos forçados -, por “cometer atos imorais com diversos rapazes”, em 1895. Isso foi há mais de um século. A saúde e a reputação do escritor foram consumidas no cárcere. A situação mudou, mas nem tanto assim. O espetáculo baiano espetáculo Eu em Pessoa leva para o centro da cena as memórias do ator Amarílio Sales, que reflete sobre a sociedade em que vivemos e as posturas diante do amor entre pessoas do mesmo sexo.

A montagem – com roteiro e atuação de Amarílio Sales e direção de Flavia Pucci -foi contemplada com o Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014 e faz uma única apresentação neste Sábado, às 20h, no Teatro Capiba- Sesc Casa Amarela.

O personagem Tetê é um homem rejeitado pela família, quando descobre seu desejo por outros homens. Enquadrado pelos seus como um caso de doença e com receio de um possível confinamento numa “casa de repouso”, ele foge para uma cidade distante e assume nova identidade. Os fragmentos de Fernando Pessoa se transformam em um acalanto para o seu desassossego.

Nascido no Ceará e criado em São Paulo, Amarílio Sales se mudou para Bahia há 16 anos. Atuou nos espetáculos Evangelho Segundo Maria (Carmem Paternostro), Policarpo Quaresma (Luiz Marfuz), Jeremias o Profeta da Chuva (Adelice Souza) e Pallhaço… Quem? (Rino Carvalho).

Com Diário do Farol, de João Ubaldo Ribeiro (direção de Fernanda Paquelet), Amarílio foi indicado ao Braskem 2011 como Melhor Ator, prêmio que recebeu por seu trabalho em A Casa de Bernarda Alba, de Lorca (direção de Fabiana Monsalu).

Serviço

Espetáculo EU EM PESSOA
Direção: Flávia Pucci
Texto e Atuação: Amarílio Sales
Quando: 24 de outubro, às 20h.
Onde: Teatro Capiba- Sesc Casa Amarela
Telefone: (81) 3267.4410
Ingresso: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia)

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Grupo Corpo entre o passado e o futuro

Coreografia Dança Sinfônica é apresentada no festival de dança do Recife. Foto: José Luiz Pederneiras/ Divulgação

Coreografia Dança Sinfônica é apresentada no festival de dança do Recife. Foto: José Luiz Pederneiras/ Divulgação

O espetáculo Suíte Branca & Dança Sinfônica sintetiza a trajetória de quatro décadas do Grupo Corpo, uma combinação amorosamente mineira de generosidade, afeto e rigor técnico. Dança Sinfônica, de Rodrigo Pederneiras, e Suíte Branca, de Cassi Abranches, são as duas coreografias de aniversário do grupo mineiro. O espetáculo fecha a programação do 20 Festival Internacional de Dança do Recife, com duas apresentações, hoje e amanhã, Às 20h30, no Teatro de Santa Isabel. Os ingressos de hoje estão esgotados. Amanhã a bilheteria abre às 9h para vender os ingressos do domingo.

Dança Sinfônica persegue o resgate da história da companhia em várias frentes. Isso vai do cenário de Paulo Pederneiras – uma montagem gigante, um painel com fotos das pessoas que atuaram no grupo. Passando pela trilha sonora, a quinta composta pelo musico Marco Antônio Guimarães, e sua original UAKTI – Oficina Instrumental, para o Corpo. A música foi executada pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, com 90 componentes, sob a condução do maestro Fabio Mechetti. Os figurinos são assinados por Freusa Zechmeister. Até a coreografia de Rodrigo Pederneiras, que leva ao palco essa essência Minas, esse “retorno ao minério, ao espírito e às curvas de Minas Gerais”

Suíte Branca é uma aposta no futuro. Aos 40, o Grupo Corpo abre para a nova geração de coreógrafos. Rodrigo Pederneiras passa o bastão para Cassi Abranches, que possui a mesma idade da companhia e foi bailarina do Corpo de 2001 a 2013. Ela recebeu carta branca do grupo. E leva ao palco uma atitude rock’n’roll, guiada pela trilha musical do vocalista, guitarrista e compositor Samuel Rosa e os companheiros da banda Skank. O cenário e os figurinos usam o branco, para salientar as novas inscrições criativas.

Serviço
Suíte Branca e Dança Sinfônica, do Grupo Corpo encerra a programação do 20º Festival Internacional de Dança de Recife.
Onde: Teatro Santa Isabel
Quando: 24 e 25 de outubro, às 20:30h
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia). Ingressos esgotados para hoje. Amanhã a bilheteria abre às 9h.
Informações: [81] 3355.3323 e 3355.3324

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O malandro nosso de cada dia

 

Elenco praticamente todo masculino propõe um distanciamento brechtiano. Foto: Leo Aversa/Divulgação.

Elenco praticamente todo masculino propõe um distanciamento brechtiano. Fotos: Leo Aversa/Divulgação.

Desde Muito pelo contrário, montado no Recife em 1981, que João Falcão faz experimentos musicais com acento bem brasileiro. Em Ópera do Malandro, clássico musical de Chico Buarque, que faz duas sessões no Teatro Guararapes, sábado às 17h e às 21h, o encenador conservou praticamente todas as músicas do espetáculo original, de 1978, e adicionou composições do disco Malandro e do filme homônimo, dirigido por Ruy Guerra em 1985.

Além disso, João Falcão fez pequenas intervenções no texto original, invertendo e excluindo cenas, valorizando personagens secundários, como Barrabás, funcionário do malandro que “vira a casaca”.

Na montagem, todos os personagens são interpretados por atores, com exceção de Larissa Luz, que assume o papel de João Alegre, o narrador, nome que remete a John Gay. Depois da experiência bem-sucedida de Gonzagão – A Lenda, Falcão queria conservar a trupe de atores – oito homens e apenas uma atriz – nesse mergulho.

O mundo do crime e do contrabando é explorado na peça, que se passa no Rio de Janeiro, mais especificamente na Lapa de 1940, durante a ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas e no apogeu da 2ª Guerra Mundial. Um ambiente apinhado de bordéis, agiotas, cafetões, contrabandistas e policias corruptos. Até que ponto o poder, com suas armas de chantagem e persuasão, pode atingir as pessoas idôneas? Boa pergunta.

No papel de Geni

Eduardo Landim no papel de Geni

O casal Fernandes de Duran (Ricca Barros) e Vitória Régia (Adrén Alves) são os proprietários de um bordel da Lapa carioca, frequentado por “bandidos da lei” e foras da lei. Teresinha, a filha de Duran e Vitória cresceu no exterior, longe da bandidagem. Esses cuidados dos pais não foram suficientes para impedir que a garota se casasse com o malandro Max Overseas, sob as bênçãos do inspetor Chaves, o Tigrão (Alfredo del Penho). E talento para a contravenção parece que está no sangue da família e a mocinha se revela na chefia desse submundo.

O texto de Chico Buarque é inspirado A Ópera dos Três Vinténs (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill; que por sua vez se baseou na A Ópera do Mendigo (1728), de John Gay.

Segundo o diretor, “Brecht e Chico falam da ambição movida pelo dinheiro, que se transforma em um meio de opressão e provoca a mercantilização dos corpos e a manipulação do povo”. No segundo ato da peça, Falcão reforça a atualidade da obra de Chico, com as manifestações, protestos e até uma bandeira do Ocupe Estelita, agitada pelo ator pernambucano Thomas Aquino.

João Falcão é um descobridor/ impulsionador de talentos e na sua lista estão nomes como Wagner Moura, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos, Laila Garin, entre outros. Fabio Enriquez foi revelado em Clandestinos, projeto de João com jovens atores que rendeu peça e série na TV Globo. Ele interpreta Teresinha. Já Moyseis Marques, que defende o papel de Max Overseas, o malandro do título, é um experiente sambista e cantor de shows nos bares da Lapa. Falcão assistiu a um show dele e o convidou para um teste. Esbanja carisma e gingado.

Malandro e Teresinha

Moyseis Marques defende o papel de Max Overseas e Fabio Enriquez interpreta Teresinha

Integrantes do elenco de Gonzagão – a lenda, Adren Alves, Alfredo Del Penho, Eduardo Rios, Fabio Enriquez, Larissa Luz, Renato Luciano e Ricca Barros estão novamente em cena, ao lado de atores selecionados em uma concorrida audição: Bruce de Araújo, Rafael Cavalcanti, Thomas Aquino e Eduardo Landim, que interpreta uma Geni muito aplaudida.

A direção musical e os arranjos de Beto Lemos garantem ótimos momentos em interpretações de canções como FolhetimTeresinha e Geni e o Zepelim, O Meu Amor, Pedaço de Mim, Sentimental, Hino da Repressão e Uma Canção Desnaturada.

A produtora de Gonzagão – a lenda e diretora da Sarau Agência Andrea Alves é a Idealizadora do projeto. Completam o quadro a figurinista Kika Lopes, o iluminador Cesar de Ramires, coreógrafo Rodrigo Marques e a cenógrafa Aurora dos Campos.

A primeira versão de Ópera do Malandro, que estreou em junho de 1978 no Teatro Ginástico, recebeu direção de Luís Antonio Martinez Correa e contou no elenco com Ary Fontoura (Duran), Claudia Jimenez (Mimi Bibelô), Elba Ramalho (Lucia), Emiliano Queiroz (Geni), Maria Alice Vergueiro (Vitória), Marieta Severo (Teresinha). A direção musical ficou a cargo do maestro John Neshling, que também assinou os arranjos. A cenografia e os figurinos eram de Maurício Sette e a iluminação de Jorginho de Carvalho. Uma turma da pesada. As últimas montagens foram assinadas por Gabriel Villela (em 2000) e pela dupla Charles Möeller e Claudio Botelho (2003).

FICHA TÉCNICA
Adaptação e Direção: João Falcão
Direção Musical: Beto Lemos
Direção de Produção e Idealização: Andréa Alves
Elenco: Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Bruce de Araújo, Davi Guilhermme, Eduardo Landim, Eduardo Rios, Fábio Enriquez, Guilherme Borges, Larissa Luz,  Rafael Cavalcanti, Renato Luciano, Ricca Barros e Thomás Aquino.
Apresentando: Moyseis Marques
Músicos: Beto Lemos (violão, rabeca, bandolim, viola e guitarra), Daniel Silva (violoncelo e baixo elétrico), Rick de la Torre (bateria e percussão), Roberto Kauffmann (teclado e acordeon), Frederico Cavaliere (clarineta) e Dudu Oliveira (flauta, sax e bandolim).
Cenografia: Aurora dos Campos
Figurinos: Kika Lopes
Iluminação: Cesar de Ramires
Coreografia: Rodrigo Marques
Projeto de Som: Fernando Fortes
Visagismo: Uirandê de Holanda
Assistente de Direção: Clayton Marques
Preparação Vocal: Maria Teresa Madeira
Programação Visual: Gabriela Rocha
Produção Local: Art Rec Produções

SERVIÇO
Ópera do Malandro
Quando: Dia 24 de outubro, às 17h e às 21h
Onde: Teatro Guararapes: Centro de Convenções de Pernambuco
Informações: (81) 3182.8020
Ingressos:
Plateia: R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia)
Balcão: R$ 140 (inteira) e R$ 70 (meia)
À venda na bilheteria do teatro, lojas Reserva dos shoppings Recife e Plaza, Livraria Jaqueira ewww.ingressorapido.com.br.
Classificação: 14 anos
Duração: 180 minutos (já com intervalo de 15 minutos)

 

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