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Joelma reinventa sua própria vida

Espetáculo com Fábio Vidal é inspirado em história real. Foto: Alessandra Nohvais

Espetáculo com Fábio Vidal é inspirado em história real. Foto: Alessandra Nohvais

A história de Joel Patrício Novais, uma das primeiras transexuais brasileiras, já virou curta-metragem e agora circula como espetáculo. Com performance do ator, diretor e professor Fabio Vidal, do Território Sirius Teatro de Salvador (BA), a peça Joelma faz breve temporada na CAIXA Cultural Recife deste 30 de junho a 2 de julho e de 7 a 9 de julho. Com sessões às 20h nas quintas e sextas-feiras (30/06 e 1, 7 e 8/07) e às 17h30 e 20h nos sábados 2 e 9/07. Os ingressos custam R$ 10 e R$ 5 (meia). Todas as sessões serão acessíveis a pessoas com deficiência auditiva, a partir de legendas em português e interpretação em Libras.

Vidal, intérprete dos solos Seu Bomfim, Velôsidade Máxima, Erê – Eterno Rêtorno, Sebastião e outros trabalhos coletivos, também assina autoria e direção em parceria com Edson Bastos.

É um caso de inadequação ao corpo com que nasceu, e desde pequena em em Ipiaú, interior da Bahia, Joelma se referia a si mesma pelo feminino. É um fato também de afirmação e de superação de preconceitos e reinvenção de si.

Atualmente com 71 anos, o personagem real mora numa casa, que é um misto de centro espiritualista e igreja, em Ipiaú, a 357 km de Salvador. Na adolescência, catou carvão na cidade natal até ser expulsa de casa pelo pai. Seguiu para São Paulo, onde viveu por 30 anos. Lá atuou como dançarina, prostituta. Apanhou, bateu e levou uma vida marcada por agressões, preconceito e intolerância.  Mas um assassinado mudou sua história.

Conheceu Antônio, um ex-morador de rua com quem casou, e a incentivou a fazer a cirurgia de redesignação sexual.

O solo Joelma conta com a trilha sonora assinada por Ronei Jorge e Luciano Simas; direção de arte e cenografia de Luís Parras; concepção de luz de Pedro Dultra e figurinos  criados por Maurício Martins. A maquiagem é de   Marie Thauront.

Além das apresentações, estão programas ações  paralelas durante a temporada: uma performance pública da personagem Joelma pelas ruas da cidade e três workshops gratuitos – Teatro Físico, Técnicas de Produção Audiovisual e Formatação e Gestão de Projetos Culturais, além de um Projeto de Mediação com escolas e um debate sobre a Cultura Queer e reflexões trazidas pela celebração do Dia do Orgulho LGBT.

Temporada na Caixa Cultural inclui programação paralela

Temporada na Caixa Cultural inclui programação paralela

Atividades paralelas:

Workshops – Serão três workshops realizados na CAIXA Cultural para o público interessado, com idade mínima de 14 anos. As inscrições dos três são gratuitas e feitas pelo e-mail gentearteirape@gmail.com, que deve ter como título a identificação do workshop desejado:

 1. Técnicas de Produção Audiovisual: trata de conteúdos introdutórios do processo de produção audiovisual e mercado de trabalho, ministrado pelo também autor e diretor da peça, Edson Bastos. Acontece dias 01 e 02 de julho, das 10h às 14h. São 30 vagas, com inscrições de 27 a 30 de junho.

  1. Teatro Físico: ministrado por Fábio Vidal, o curso abordará diversas práticas físicas para desenvolvimento e aprimoramento de princípios, técnicas e qualidades expressivas que orientam o participante para a apresentação pública. Aulas dias 2 e 3 de julho, também das 10h às 14h. São 20 vagas e as inscrições vão de 27 a 30 de junho.
  1.  Formatação e Gestão de Projetos Culturais: ministrado por Junior Cecon, pretende proporcionar informação, discussão e reflexão sobre a importância de uma gestão estratégica de projetos culturais, fornecendo noções sobre elaboração e formatação de projetos de natureza cultural para as Leis de Incentivo à Cultura. Encontros nos dias 08 e 09 de julho, das 10 às 14h. São 30 vagas e as inscrições vão de 4 a 7 de julho.

 Mediação Joelma –  promoverá ações educativas, informativas e artísticas desenvolvidas por um arte-educador com alunos de escolas públicas, com o intuito de gerar aproximação com a linguagem teatral, com o espetáculo Joelma e com as temáticas envoltas a ele (como questões de gênero, sexualidade, transexualidade, homossexualidade, homofobia, alteridade, aceitação às diferenças, ética e justiça).

 Debate Cultura Queer – no domingo(3/07), às 16h, haverá um debate para celebrar o Dia do Orgulho LGBT (comemorado no dia 28 de junho), que vai abordar o crescimento da Cultura Queer na sociedade. Os pesquisadores Alice Mendes, Envy Hoax, Marlon Parente e Maria Clara Araújo dos Passos vão debater a transparência, o progresso dessa corrente e o potencial que ela tem de modificar as relações sociais. A classificação indicativa é 14 anos e a entrada é gratuita, com distribuição de senhas a partir das 15h.

 

 

 

Ficha Técnica:

Fábio Vidal (Autoria, direção e atuação)

Edson Bastos (Autoria e direção)

Caíca Alves (Assistência de direção)

Luís Parras (Cenário)

Daiane Sarno (Assistente de cenografia)

Pedro Dultra (Iluminação)

Tuca Gomes (Operação de luz)

Maurício Martins (Figurino)

Francisca Duarte (Costureira)

Marie Thauront (Maquiagem)

Alê Estrela (Cabelos)

Luciano Simas e Ronei Jorge (Trilha sonora)

Davi Cavalcanti (Consultoria de projeção)

Henrique Filho (Prod. de VTs)

Mel Andrade (Redes sociais)

Kaula Cordier (Designer)

Thiago Rocha (Site)

Alessandra Novhais (Arte-educadora e Fotografa)

Júnior Cecon (Produção executiva e Operação de legendagem)

Tadeu Gondim – Atos Produções (Produção local)

André Brasileiro – Moinho Conteúdos Criativos (Assessoria de Imprensa)

Território Sirius e Voo Audiovisual (Realização)

Serviço:

Espetáculo Joelma

Onde: CAIXA Cultural Recife Av. Alfredo Lisboa, 505 – Recife, PE, 50030-150.

Quando: 30 de junho a 09 de julho de 2016 (quinta-feira a sábado); sendo quinta e sexta às 20h, sábado às 17h30 e 20h

Informações: (81) 3425-1915

Duração: 75 minutos

Ingresso: R$10,00 e R$ 5,00 (meia) – vendas no dia anterior à primeira apresentação na semana, respectivamente dias 29 de junho e 06 de julho, a partir das 10h e exclusivamente na bilheteria da CAIXA Cultural Recife.

Legendas em Português e interpretação em Libras em todas as apresentações

Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: CAIXA

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Família e fantasmas do passado

Desafio do elenco é interpretar filhos e depois o pai ou a mãe. foto: Priscila Prade

Desafio do elenco é interpretar filhos e depois o pai ou a mãe. foto: Priscila Prade

Conflito de gerações em drama quase policialesco, mas com rasgos de humor. O espetáculo Três Dias na Chuva, do dramaturgo norte-americano Richard Greenberg (texto indicado ao prêmio Pulitzer), adaptado e dirigido por Jô Soares, faz temporada no Recife neste feriadão de São João. Hoje e amanhã, às 21h, e domingo, às 19h, no Teatro RioMar. Com dois atos curtos, a peça apresenta dois momentos de uma família. O primeiro ato, situado em 1995, e o segundo, recuado para 1960. A montagem tem no elenco Carolina Ferraz, Otávio Martins e Fernando Pavão.

No primeiro ato, Walker (Otávio Martins) e sua irmã Anna (Carolina Ferraz) recebem com indignação a leitura do testamento do pai, Ned. Ele deixou parte da herança para um amigo deles, Pip (Fernando Pavão). Os manos vão atrás das pistas para entender as motivações do morto e desenterram um passado surpreendente.

Trinta e cinco anos antes, os amigos e sócios Ned (Martins) e Theo (Pavão) planejam revolucionar a arquitetura. Mas Ned se apaixona por Lina (Ferraz), mulher de seu parceiro de sonhos e a vida prega uma peça nos três.

O cenário (Marco Lima) recria um típico loft de Nova York que marca a passagem do tempo. Começa com a casa caindo aos pedaços. E no segundo ato está intacta e abriga as discussões sobre diferenças e emancipação filial.

SERVIÇO

Três Dias de Chuva
Quando: 24 e 25 de junho, às 21, e 26, às 19h
Onde: Teatro RioMar (Av. República do Líbano, 251, Pina).
Ingressos: R$ 100 e R$ 50 (plateia baixa) e R$ 80 e R$ 40 (balcão nobre e plateia alta).
Informações: 4003-1212

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Pelo resgate da dignidade esgarçada

Depois de cinco anos sem estrear espetáculo, retorna aos palcos com Ossos, de Marcelino Freire. Joanna Sultanum

Depois de cinco anos sem estrear espetáculo, Angu de Teatro retorna aos palcos com Ossos. Foto: Joanna Sultanum

A peça Ossos, do Coletivo Angu de Teatro, é a estreia mais aguardada do Recife deste ano; ou pelo menos deste primeiro semestre de 2016. Com texto de Marcelino Freire, adaptado pelo autor do romance Nossos Ossos (Record, 2013) para o dramático, a montagem reafirma a parceria entre o escriba e o grupo teatral, que começou em 2003 com a encenação de Angu de Sangue, passou por Rasif – Mar que arrebenta, e chega a Ossos. O espetáculo dirigido por Marcondes Lima inicia temporada neste sábado, dia 11 de junho, no Teatro Apolo e segue até 26 de junho, com sessões nas sextas, às 20h, nos sábados, às 18h e 21h, e nos domingos, às 19h.

Cada um carrega o que o constitui. Lembranças, fantasmas, decepções, alegrias e muitas pessoas – vivas ou mortas – que atravessaram o caminho. O cadáver do amante do dramaturgo Heleno de Gusmão está no centro da narrativa de Ossos. O protagonista precisa entregar os restos mortais do garoto aos familiares em Sertânia, no interior de Pernambuco. Em nome de uma dívida de sobrevivência e da dignidade esgarçada.

Os acontecimentos são expostos de modo não linear, embaralhados no tempo/espaço. Parte se desenvolve no submundo paulistano e outra se move na estrada que leva o escritor até o Sertão pernambucano de sua infância.

Com temática LGBT, peça mostra o lado humano e sentimental de personagens ainda estigmatizados

Com temática LGBT, peça mostra o lado humano e sentimental de personagens ainda estigmatizados

A peça dramatiza a subjetividade de Heleno de Gusmão, com estilhaços de memória, cenas de sonho e materialização de uma vida suprarreal. A atmosfera carregada de sombras, formas bizarras e distorções visuais, remete para o universo fronteiriço de sonho e pesadelo.

Nessa narrativa fragmentada, a peça dá saltos para a frente e para trás, explorando cortes secos, sobreposições e fusões de cenas, nas pegadas de um processo cinematográfico.

O clima sombrio é reforçado pela presença de um coro de urubus, permeado pela presença da morte; e subvertido pelo humor e o colorido da ação de alguns personagens.

No elenco estão os atores André Brasileiro, Marcondes Lima, Arilson Lopes, Ivo Barreto, Daniel Barros e Robério Lucado. A trilha sonora, assinada por Juliano Holanda, conta com mais de 20 canções. O autor Marcelino Freire é aguardado na estreia.

A montagem de Ossos é patrocinada pelo prêmio Myriam Muniz da FUNARTE – Ministério da Cultura – Governo Federal.

SERVIÇO
OSSOS
Estreia: 11 de junho, às 21h
Temporada: de 11 a 26 de junho – Sextas, às 20h; Sábados, às 18h e 21h; Domingos, às 19h
Onde: Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)
Ingressos: R$20,00 inteira / R$10,00 meia-entrada
Informações: 81 3355-3321
Classificação indicativa: 16 anos

FICHA TÉCNICA
Texto: Marcelino Freire
Direção: Marcondes Lima
Direção de arte, cenários e figurinos: Marcondes Lima
Assistência de direção: Ceronha Pontes
Elenco: André Brasileiro, Arilson Lopes, Daniel Barros, Ivo Barreto, Marcondes Lima, Robério Lucado
Trilha sonora original – composição, arranjos e produção: Juliano Holanda
Criação de plano de luz: Jathyles Miranda
Preparação corporal: Arilson Lopes
Preparação de elenco: Ceronha Pontes, Arilson Lopes
Coreografia: Lilli Rocha e Paulo Henrique Ferreira
Coordenação de produção: Tadeu Gondim
Produção executiva: André Brasileiro, Fausto Paiva, Arquimedes Amaro, Gheuza Sena e Nínive Caldas
Designer gráfico: Dani Borel
Fotos divulgação: Joanna Sultanum
Visagismo: Jades Sales
Assessoria de imprensa: Rabixco Assessoria
Técnico de som Muzak – André Oliveira
Confecção de figurinos: Maria Lima
Confecção de cenário e elementos de cena: Flávio Santos, Jorge Batista de Oliveira.
Operador de som e luz: Fausto Paiva / Tadeu Gondim
Camareira: Irani Galdino

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Vamos abraçar O Poste!

Para ajudar na campanha de manutenção do espaço o Programa “Mês Iluminado”, conta com várias atrações, como O Velho Diario da Insônia. Foto: Divulgção

Campanha em prol do espaço conta com várias atrações, como O Velho Diario da Insônia. Foto: Divulgação

O Espaço O Poste Soluções Luminosas é um ponto de resistência cultural do Recife. Desde 2014 funciona no bairro da Boa vista, no térreo do prédio da Rua da Aurora esquina com Princesa Isabel. É neste local que a trupe liderada por Samuel Santos desenvolve uma pesquisa continuada, de matriz africana na busca de uma ancestralidade corporal e vocal. O grupo se lança na investigação para aproximar o Candomblé e Umbanda dos processos de Michael Chekhov, Vsevolod Meyerhold, Eugenio Barba e Jerzy Grotowski. Seus trabalhos sustentam nos procedimentos de construção e reconstrução A Dança dos Ventos, a Antropologia Teatral, a Biomecânica, a irradiação, as entidades xamânicas e o imaginário dos Orixás.

Mas além da produção de seus espetáculos – como Cordel do Amor sem Fim-, O Poste abriga outros trabalhos, e é considerado um palco democrático de oficinas, ensaios e montagens. A sede não recebe subvenção pública para manutenção e, como já ocorreu com outros refúgios alternativos, estava ameaçada de interromper suas atividades. Mas artistas de perfis diferentes se uniram para dar uma força.

“A ideia surgiu de uma forma espontânea por parte dos artistas que estão na programação e que souberam que o Espaço O Poste está passando por dificuldades e resolveram fazer uma campanha. O primeiro grupo a nos procurar foi o Grupo de Vitória de Santo Antão que dispôs-se a  doar o cachê da apresentação para o espaço. Achamos isso muito digno. Depois veio Junior Barros e quando vimos vários outros artistas se juntaram nessa ação”, conta o diretor do grupo Samuel Santos.

Humor nordestino à exaustão em Deu com a Pleura. Foto: Divulgação

Humor nordestino à exaustão em Deu com a Pleura. Foto: Divulgação

Até o dia 18 de junho uma programação com espetáculos , leituras dramatizadas, solos de humor e textos poéticos movimentam O Poste. O clássico do teatro brasileiro O Santo Inquérito, de Dias Gomes, ganha leitura dramatizada sob direção de Renata Phaelante. A Cia. Experimental de Teatro de Vitória apresenta a peça O Peso da Carne. Deu Com a Pleura, da Aratu produções, também está entre as atrações e abastece a montagem com humor nordestino.

Entre poesias e canções da era do rádio, um homem reconstrói sua memória. A tragicomédia O Velho Diário da Insônia é costurada por poesias e canções. O tempo, o arrependimento e a saudade ganham relevo na encenação de Alessandro Moura, sob supervisão artística de Márcia Cruz.

Já o humorista Júnior Barros criou um show de humor exclusivamente para o Poste chamado Na Intimidade, desenvolvido por seu personagem Vagiene Cokeluche. A atriz Naná Sodré trafega pela submissão e libertação feminina com o espetáculo A Receita.

Vamos injetar um novo fôlego a esse espaço cultural alternativo. “Participe do nosso ‘Mês Iluminado’ e colabore com a manutenção. O Poste é seu!”, convida Samuel Santos

Programação
Mês Iluminado

02/06, 20h
Apresentação da 2 Gira de Diálogo dentro do projeto O corpo Ancestral Dentro da Cena contemporânea
Entrada Franca

03/06, 20h
Na Intimidade, com Vagiene Cokeluche
Performance com Jr. Barros
Um show de humor feito exclusivamente para o Poste pelo humorista Júnior Barros.
Ingresso: R$ 20

04/06, 20h
Espetáculo Peso da Carne – Uma casa com quatro irmãos, da Cia Experimental de Teatro (Vitória). Direção de César Leão.
Após a morte dos pais, dois deles escravizados por não ter o mesmo sangue. Começa um embate sobre o direito de ser dono de si mesmo ou de se pertencer a alguém.
Diante de um jogo de questionamentos e humilhações, os irmãos de sangue intimidam e pressionam os outros dois a abdicarem de suas liberdades e serem seus servos no contexto de que “tudo que existe tem o seu dono”.
Ingresso: R$ 20

Naná Sodré concentra na personagem várias mulheres do mundo que sofrem com a violência

Naná Sodré concentra na personagem várias mulheres do mundo que sofrem com a violência. Foto: Divulgação

05/06, 19h
A Receita, Com direção e texto de Samuel Santos
A todas as mulheres do mundo! Grita com o corpo a atriz carioca Naná Sodré, nesta obra tragicômica que descreve o universo de uma mulher num processo de libertação.
Num acerto de contas, a inominada confessa como temperou suas ilusões com sal, alho e coentro com cebolinha…
Ingresso: R$ 20

09/06, 20h
A procura DoEU, Finalização do curso de formação/ Iniciação ao Teatro Antropológico.
Performance teatral que consiste em personagens criados a partir do trabalho realizado no Teatro. A partir da frase “A procura de que…” surgiram personagens mitológicos, religiosos e profanos. Um universo real e mágico.
Com Álcio Lins, Aline Gomes, Maria Belo, Luiz Sebastião, Gabirela Fregapane, Darlly Ravanelly, Mariana Lucena, Romulo Moraes, Erica Simona.
Ingresso: R$ 20

10/06, 19h30
Severinos, Virgulinos e Vitalinos.
Texto: Samuel Santos. Direção: Álcio Lins. Trilha sonora ao vivo: Víctor Chitunda. Elenco: Álcio Lins, Duda Martins e Lívia Lins.
Saga de dois filhos de artistas. Um, é filho de palhaço, e o outro, de uma atriz mambembe. Os dois partem para o Sertão na busca dos seus pais e acabam deparando-se com a morte (Severina), a violência (Virgulino) e, por fim, o sonho (Vitalino).
Ingresso: R$ 20

11/06, 20h
Espetáculo Peso da Carne – Uma casa com quatro irmãos, da Cia Experimental de Teatro (Vitória). Direção de César Leão.
Após a morte dos pais, dois deles escravizados por não ter o mesmo sangue. Começa um embate sobre o direito de ser dono de si mesmo ou de se pertencer a alguém.
Diante de um jogo de questionamentos e humilhações, os irmãos de sangue intimidam e pressionam os outros dois a abdicarem de suas liberdades e serem seus servos no contexto de que “tudo que existe tem o seu dono”.
Ingresso: R$ 20

12/06, 20h
O Velho Diário da Insônia, com texto, encenação e atuação de Alessando Moura.
A montagem é feita a partir de lembranças contidas em um diário, remontando uma noite de insônia de um homem à beira da loucura. A reflexão é sobre o tempo, a saudade e o arrependimento. Supervisão artística de Marcia Cruz.
Ingresso: R$ 20

16/06, 20h
Leitura Dramatizada O Santo Inquérito
Texto de Dias Gomes.
Direção Renata Phaelante
Elenco:Tiago Gondim, André Lombardi, Silvio Pinto, Renata Phaelante, Zanel Reis, Carlos Pinto, Eduardo Japiassu e José Barbosa
Conta a história da jovem Branca, condenada pelo tribunal do “Santo Iinquérito”. Sua maior heresia era crer que Deus está na Vida, na Natureza, no prazer, na Luz. Foi queimada viva, numa fogueira. Ela morava no interior da Paraíba, em 1750.
Ingresso: R$ 20

17/06, 19h
A Receita, Com direção e texto de Samuel Santos
A todas as mulheres do mundo! Grita com o corpo a atriz carioca Naná Sodré, nesta obra tragicômica que descreve o universo de uma mulher num processo de libertação.
Num acerto de contas, a inominada confessa como temperou suas ilusões com sal, alho e coentro com cebolinha…
Ingresso: R$ 20

18/06, 20h
Espetáculo Deu com a Pleura
Deu Com a Pleura é um resgate da “matutice” que habita as grandes cidades. Na montagem, Deocrécio Gogó de Ganso, Tico Cachacinha e Deco Chupa Prego se reúnem no Bar do Seu Nado para colocar as conversas em dia. Entre um copo e outro, os amigos satirizam os costumes de quem vive na cidade grande. No bom e velho “nordestinês”, eles compartilham situações hilariantes, ao som de canções do universo boêmio.
O elenco é formado por Eduardo Gomes, Benedito Serafim, Alessandro Moura e Talles Ribeiro. A supervisão artística é assinada por Fábio Calamy.
Ingresso: R$ 20

Encerramento fechação
Com música, poesia e performances
Após o espetáculo Deu com a Pleura

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Flávia Pinheiro baila com a filosofia

58 Indícios sobre o corpo é inspirado no pensamento do filósofo francês Jean Luc Nancy. Foto: Leandro Olivan

58 Indícios sobre o corpo é inspirado no pensamento do filósofo francês Jean Luc Nancy. Foto: Leandro Oliván

Uma quase amiga comentou que a artista Flávia Pinheiro é “cabeçuda”.

Não, ela não estava dizendo que a atriz/bailarina se parece com as tanajuras, aqueles “frutos” que caem do céu em determinada época do ano, que deliciavam os indígenas na época da colonização portuguesa e prosseguem valorizados até hoje em algumas regiões. Dizem que o gosto lembra o do camarão e tem alto valor proteico.

Mas a expressão não se refere à fina iguaria da culinária cabocla.

Ser “cabeçuda” é um elogio, mesmo que o termo seja um pouco antiquado.

58 Indícios sobre o corpo Foto: Leandro Olivan

Imagem e filosofia estão na base da performance. Foto: Leandro Oliván

Os trabalhos de Flávia forçam à expansão de pensamentos e de reflexões sobre corpo, movimento, presenças, ausências e um punhado de coisas que dizem respeito ao existir contemporâneo.

Nas pegadas de Giles Deleuze, suas obras testam a deformação do chichê e buscam truncar o “conjunto visual provável” para fazer emergir a imagem, contaminada de sensações de diferentes níveis. “Só transformando o clichê, ou, como dizia Lawrence, maltratando a imagem, isso poderia ocorrer, como nas imagens-cinema de Eisenstein, ou nas imagens-foto de Muybridge,” provoca Deleuze em Francis Bacon: Lógica da Sensação.

Imagem e a filosofia estão na base da criação 58 indices sur le corps, performance inspirada no texto do filósofo francês Jean-Luc Nancy, professor emérito da Universidade Marc Bloch, de Estrasburgo. Ele é autor de livros sobre muitos pensadores, entre eles Hegel, Kant, Descartes e Heidegger. Entre as principais influências de Nancy estão Derrida, Bataille, Blanchot e Nietzsche.

Nesta sexta (27/05) e sábado (28/05) Flávia Pinheiro apresenta 58 Indícios sobre o corpo, na Aliança Francesa Derby, com entrada gratuita.

O ensaio de Nancy sobre o corpo, um escrito anti-cartesiano em forma e conteúdo publicado em 2006, medita sobre os problemas do mundo. E é partir dele que a atriz/bailarina traça uma cartografia sobre a corporeidade.

O corpo de J-L.Nancy é o corpo que transborda. No fragmento 52, ele diz: “O corpo funciona por espasmos, contrações e distensões, dobras, desdobramentos, nós e desenlaces, torções, sobressaltos, soluços, descargas elétricas, distensões, contrações, estremecimentos, sacolejos, tremores, horripilações, ereções, arquejos, arroubos”.

Na performance de Flávia Pinheiro a dança é praticada como uma arte de todos e de qualquer pessoa, mas que desobstrui o gesto e movimento de marcas narrativas. Esse corpo que “grita”, até exceder o limite do próprio corpo, está tomado por intensidades.

Alguns fragmentos de Nancy impregnados no corpo vivo e desejante de Flávia Pinheiro.

1.  O corpo é
material. É denso.
Impenetrável. Se
o penetram, fica
desarticulado,
furado, rasgado.

3.  Um corpo não
é vazio. Está cheio
de outros corpos,
pedaços, órgãos,
peças, tecidos,
rótulas, anéis,
tubos, alavancas
e foles. Também
está cheio de si
mesmo: é tudo o
que é.

5.  Um corpo é
imaterial. É um
desenho, um con-
torno, uma ideia.

9.  O corpo é visível, a alma, não. Vemos que um paralítico não pode mexer sua perna direito. Não vemos que um homem mau não pode mexer sua alma direito: mas devemos pensar que isto é o efeito de uma paralisia da alma. E que é preciso lutar contra ela e obrigá-la a obedecer. Eis aí o fundamento da ética, meu caro Nicômaco.

43.  Por que indícios em vez de
caracteres, signos, marcas distintivas?
Porque o corpo escapa, nunca está
bem seguro, deixa-se suspeitar, mas
não identificar. Poderia sempre ser
não mais que uma parte de um corpo
maior, que supomos ser sua casa, seu
carro ou seu cavalo, seu burro, seu
colchão. Poderia não ser mais que um
duplo desse outro corpo tão pequeno e
vaporoso que chamamos de sua alma e
que sai de sua boca quando ele morre.
Só dispomos de indicações, traços,
pegadas, vestígios

58.  Por que 58 indícios? Porque 5 + 8
= os membros do corpo, braços, pernas e
cabeça, e as 8 regiões do corpo: as costas,
o ventre, o crânio, o rosto, as nádegas,
o sexo, o ânus, a garganta. Ou, senão,
porque 5 + 8 = 13 e 13 = 1 & 3, 1 valendo
pela unidade (um corpo) e 3 valendo
pela incessante agitação e transformação
que circula, se divide e se excita entre a
matéria do corpo, sua alma e seu espíri-
to… Ou, senão, ainda: o arcano XIII do
tarô designa a morte e a morte incorpora
o corpo no inconsumível corpo univer-
sal dos lodos e dos ciclos químicos, dos
calores e dos brilhos estelares.

59.  Surge, por conseguinte, o quinquagésimo-nono indício, o
supranumerário, o excedente, o sexual: os corpos são sexuados.
Não existe corpo unissex como hoje se diz de certas peças de
roupa. Ao contrário, um corpo é por toda parte também um sexo:
assim os seios, um membro, uma vulva, os testículos, os ovários,
as características ósseas, morfológicas, fisiológicas, um tipo de
cromossoma. O corpo é sexuado em essência. Esta essência é de-
terminada como a essência de uma relação com a outra essência.
O corpo é assim determinado como essencialmente relação, ou em
relação. O corpo é relacionado com o corpo do outro sexo. Nessa
relação, trata-se da sua corporeidade à medida que ela toca pelo
sexo em seu limite: ela goza, quer dizer, o corpo é sacudido fora
de si mesmo. Cada uma de suas zonas, gozando por si mesma,
emite no fim o mesmo clarão. Isto se chama uma alma. Porém,
mais frequentemente, isto permanece apreendido pelo espasmo,
no soluço ou no suspiro. O finito e o infinito se cruzaram, inter-
cambiaram-se por um instante. Cada um dos sexos pode ocupar a
posição do finito ou do infinito

Sessões gratuitas na Aliança Francesa do Derby, Foto: Leandro

Sessões gratuitas sexta (27) e sábado (28), na Aliança Francesa do Derby, Foto: Leandro Oliván

Ficha Técnica:
Performer: Flavia Pinheiro
Imagens : Leandro Olivan
Produção : Coletivo Mazdita
Apoio: Aliança Francesa

SERVIÇO
58 Indícios sobre o corpo
Onde: Aliança Francesa Derby (Rua Amaro Bezerra 466)
Quando: Sexta-feira 27 às 17h; Sábado 28, às 19h
Quanto: Grátis

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