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Qualquer desatenção… Pode ser a gota d’água

Gota D’Água {PRETA} atualiza peça de Chico Buarque e Paulo Pontes para falar das complexidades do Brasil atual. Com Jussara Marçal no papel de Joana e Jé Oliveira (ao fundo), como Jasão. De graça, no Itaú Cultural. Foto: Evandro Macedo / Divulgação

Gota D’Água {PRETA} atualiza peça de Chico Buarque e Paulo Pontes para falar das complexidades do Brasil atual. Com Jussara Marçal no papel de Joana e Jé Oliveira (ao fundo), como Jasão.
De graça, no Itaú Cultural. Foto: Evandro Macedo / Divulgação

Jasão, personagem de Eurípides, trai a palavra dada a uma divindade de que seria leal a quem garantiu suas conquistas. Cansou de Medeia e encheu-se de ambição por mais poder. A tragédia grega termina em vingança da mulher abandonada e atingida por uma dor que não suporta. A peça Gota d’Água (1975), de Chico Buarque e Paulo Pontes foi baseada na Medeia de Eurípides e no Caso Especial para TV Medeia: uma tragédia brasileira, de Oduvaldo Vianna Filho. A protagonista não é mais a feiticeira que usa de poderes sobrenaturais e tem parentesco com deuses do Olimpo. Joana é uma mulher do povo; trabalhadora, sofrida e que ama com devoção o sambista mais jovem, boêmio e pais de seus filhos.

A atriz Bibi Ferreira compôs uma Joana arrebatadora na montagem de 1975, numa interpretação marcante que ainda hoje ocupa o imaginário da gente de teatro e seus fãs. (É possível encontrar trechos de áudio e vídeo da atuação de Bibi na internet; é de tirar o fôlego).

Gota d’Água {Preta} – em cartaz de 8 e 17 de fevereiro, no Itaú Cultural – carrega a trama para a atualidade brasileira, reforçando aspectos políticos de que a traição de Jasão também foi de raça e classe. A cantora Juçara Marçal, vocalista da banda Metá Metá (que faz sua estreia como atriz), assume o papel da protagonista Joana, ameaçada de despejo do conjunto habitacional em que mora com os dois filhos.

A situação fica mais difícil para o lado de Joana quando o “seu” homem, Jasão resolve abandoná-la para casar-se com a filha justamente do influente proprietário da vila. O sambista rompe não só com a mãe de seus filhos, mas também com suas raízes, encantado com a perspectiva de ascensão social.

Creonte (Rodrigo Mercadante), pai da noiva Alma, é dessas figuras de espírito torpe (que aparecem cada vez mais nos postos de comando do Brasil desses tempos), poderoso e corruptor que explora, não só economicamente, as casas da Vila do Meio-dia e os desejos de seus moradores.

A direção de Jé Oliveira, que também faz o papel do sambista Jasão, leva ao palco a pulsação cotidiana das periferias e investe na sonoridade do rap e da MPB. Jasão é autor do samba que dá título ao espetáculo e ganha popularidade. A peça trabalha os elementos musicais das religiões de matriz africana – do candomblé e da umbanda. além de danças como o jongo.

Jé Oliveira, um dos fundadores do Coletivo Negro, encenou anteriormente Farinha com Açúcar, tendo por base a música dos Racionais.

Com elenco predominantemente negro, a encenação de Gota D’Água {PRETA} faz da atualização uma restituição racial. E das tranças da opressão investiga as complexas camadas do Brasil atual.

SERVIÇO

Gota D’Água {PRETA}
Estreia: 8 de fevereiro (sexta-feira), às 20h
Temporada: de 9 a 10 (sábado e domingo) e de 14 a 17 de fevereiro
De quinta-feira a sábado, às 20h; domingo às 19h
Onde: Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô)
Sala Itaú Cultural (piso térreo) – 224 lugares
Acesso para pessoas com deficiência e interpretação em libras
Entrada gratuita
Mais informações:www.itaucultural.org.br
Duração aproximada: 160 minutos, com intervalo]
distribuição de ingressos
público preferencial: uma hora antes do espetáculo (com direito a um acompanhante) – ingressos liberados apenas na presença do preferencial e do acompanhante
público não preferencial: uma hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)
Classificação indicativa: 14 anos

FICHA TÉCNICA

Direção geral, concepção e idealização do projetoJé Oliveira
Elenco Aysha Nascimento, Dani Nega, Ícaro Rodrigues, Jé Oliveira, Juçara Marçal, Marina Esteves, Mateus Sousa, Rodrigo Mercadante e Salloma Salomão
Assistência de direção e figurinos Eder Lopes
Direção musical Jé Oliveira e William Guedes
Concepção de dramaturgia musical Jé Oliveira
Texto Chico Buarque e Paulo Pontes
Banda Dj Tano (pick-ups e bases), Fernando Alabê (percussão), Gabriel Longhitano (guitarra, violão, cavaco e voz), Jé Oliveira (cavaco), Salloma Salomão (flauta transversal) e Suka Figueiredo (sax)
Canção original “Paó”, letra de Chico Buarque e Paulo Pontes, musicada por Juçara Marçal
Design e operação de luz Camilo Bonfanti
Design e operação de som Eder Eduardo e Keko Mota
Cenografia Júlio Dojcsar
Coordenação dos estudos teóricos Jé Oliveira, Juçara Marçal, Salloma Salomão e Walter Garcia
Design gráfico Murilo Thaveira
Assessoria de imprensa Elcio Silva
Fotos Evandro Macedo
Produção executiva Janaína Grasso
Realização Itaú Cultural
Produção geral Jé Oliveira

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Espetáculo Domínio Público avança no debate sobre liberdade de expressão, censura e limites na arte

Maikon K, Elisabete Finger, Wagner Schwartaz e Renata Carvalho em Domínio Público. Foto: Annelize Tozetto_Divulgação / FTC.

Maikon K, Elisabete Finger, Wagner Schwartaz e Renata Carvalho em Domínio Público. Foto: Annelize Tozetto / Divulgação 

Desde 2017 que casos de perseguição a artistas recrudesceram, descortinando facetas de um Brasil sombrio e cada vez mais covarde. Para exercer as práticas do proibir, tropas hi-tech e presenciais agem como abutres confiscadores da liberdade de pensamento e expressão. Triste realidade com perspectivas de mais repressão no horizonte.

Mas a arte prefere os que têm coragem. A vida também, como já nos ensinou “seu” Rosa.

Quatro artistas que foram alvos de ódio, censuras e proibições nos últimos tempos estão juntos no espetáculo Domínio Público, que tem apresentação única no Galpão Casa 1 nesta quarta-feira (06/02), como parte da programação da 2ª Semana de Visibilidade Trans da Casa 1. Maikon K foi detido em Brasília durante a performance DNA de DAN; Wagner Schwartz foi agredido psicológica e virtualmente após a performance La Bête, no MAM São Paulo; Elisabete Finger estava com a filha na performance de Schwartz e Renata Carvalho atriz censurada várias vezes por protagonizar o espetáculo O Evangelho Segundo Jesus Rainha do Céu. A partir desses linchamentos públicos eles dão uma aula de história da arte, tendo por base o famoso quadro de Leonardo Da Vinci, Monalisa.

Se esses tempos destaparam uma porção de Brasil com sentimentos saídos das ruínas da alma, para aniquilar o diferente, também reforçou a necessidade de resistir, reinventar, re-existir. Foram muitos episódios de pusilanimidade para amordaçar a arte. Enxurrada de palavras e atos para metralhar criações.

Um rápido retrospecto dos três que tiveram maior repercussão: O coreógrafo Wagner Schwartz foi acusado de pedofilia pela performance em que podia ter seu corpo nu tocado e manipulado pelo público, no trabalho La Bête,inspirado nas esculturas Bichos, de Lygia Clark. Numa sessão no Museu de Arte Moderna de São Paulo, Wagner foi tocado nos pés por uma criança, que estava acompanhada por sua mãe. Um vídeo editado desse episódio foi usado por grupos conservadores na rede social causando uma histeria coletiva. A mãe da criança que tocou Schwartz na performance, a coreógrafa Elisabete Finger foi vítima de acusações e ameaças, inquéritos policiais e interrogatórios políticos.

Numa apresentação em frente ao Museu Nacional da República, em Brasília, Maikon K foi detido teve seu cenário violado pela polícia militar. Foi tachado de cometer ato obsceno, por ficar nu e imóvel dentro de uma bolha transparente, na performance DNA de DAN.

Renata Carvalho foi censurada várias vezes e proibida de interpretar Cristo na peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, apontada de “vilipendiar artigos religiosos”.

Foto: Humberto Araújo / Divulgação

Foto: Humberto Araújo / Divulgação

A peça Domínio Público foi feita sob “encomenda” pelos curadores do Festival de Teatro de Curitiba, Guilherme Weber e Marcio Abreu, em 2018, para meditar sobre a intolerância e manifestações de ódio desses tempos.

Cada um faz sua interpretação do quadro da Mona Lisa, de Da Vinci. Cada qual com sua “peça-palestra”. E falam de polêmicas que cercaram o famoso quadro. De que a obra só ganhou reconhecimento depois que foi roubada do Museu do Louvre, por um italiano. Ou de teorias de que a Mona Lisa poderia ter sido um homem (ou uma trans), ou que a modelo estaria grávida.

O título Domínio Público diz do processo massacrante que os artistas passaram. Mas a encenação não leva à cena esses acontecimentos. Não respondem diretamente às violências sofridas. De terem suas obras editadas e divulgadas na internet sem a chancela dos autores.

Na definição de domínio público não existe restrição de uso de uma obra, por qualquer um e em qualquer situação. Isso foi feito com as performances em que pessoas que não viram, não conhecem, inventam o que querem, interpretam e deformam criando outras peças, por mais absurdo que isso possa parecer.

Com espetáculo Domínio Público, o quarteto busca avançar no debate em torno da liberdade de expressão, censura e limites na arte. Conversar por meio de corpos (todos bem-vestidos) com pessoas reais, numa espaço real.

DOMÍNIO PÚBLICO
Criação, texto e performance: Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho,Wagner Schwartz
Colaboração artística: Ana Teixeira
Figurino: Karlla Girotto
Produção: Corpo Rastreado / Gabi Gonçalves

Classificação indicativa: Livre
Duração: 50 min
Onde: Galpão Casa 1 (Rua Adoniran Barbosa, 151, Bela Vista,São Paulo, SP)
Quando: Quarta-feira (06/02), às 20h
Entrada: Grátis

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O Evangelho faz sessão no Teatro Oficina

Renata Carvalho em O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu. Foto: Reprodução do Facebook

Renata Carvalho em O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu. Foto: Reprodução do Facebook

Por quê os conservadores têm tanto medo da peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu? Será o exercício de liberdade? Porque o espetáculo com a atriz trans Renata Carvalho fala do amor cristão, que muitos deturpam como escudo para rejeitar ou excluir o espetáculo.

Em Pernambuco, a montagem foi censurada duas vezes: no Festival de Inverno de Garanhuns em 2018 e no Janeiro de Grandes Espetáculos deste ano. São violências que atingem o corpo da atriz e toca nos nervos de quem luta e se posiciona por um mundo mais digno para todos. No Janeiro, cerca de 20 encenações abandonaram o festival em solidariedade à produção da Rainha do Céu.

Nesta terça-feira a peça-potência faz uma apresentação histórica na fortaleza do Teatro Oficina Uzyna Uzona, um espaço de re-existência por dignidade, de Zé Celso e sua trupe.

Com texto da escocesa Jo Clifford, com direção, tradução e adaptação de Natalia Mallo, a atriz Renata Carvalho dá vida a Jesus reencarnado nos dias atuais, no corpo de uma travesti.

A sessão faz parte da segunda semana da visibilidade trans da Casa 1.

Os ingressos online estão esgotados, mas haverá cota disponível na bilheteria do teatro 1h antes da apresentação.

SERVIÇO

Quando: 05/02 às 20h
Onde: Teatro Oficina Uzyna Uzona, São Paulo 
Quanto: R$10 a R$20 (venda de ingresso 1h antes do espetáculo na bilheteria do teatro)

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Peças com entrada franca na Oficina Oswald de Andrade, em São Paulo

Espetáculos Senhora X, Senhorita Y, Coisas boas acontecem por acaso, Homem-bomba e Hotel Mariana e

Espetáculos Senhora X, Senhorita Y; Coisas boas acontecem de repente, Homem-Bomba e Hotel Mariana

Mais de 10 espetáculos, com entrada gratuita, podem ser vistos na Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo). São trabalhos que pulsam com temas relevantes como crime ambiental, em Hotel Mariana, outras agressões contra a natureza e pessoas mais vulneráveis em Dezuó, Breviário das Águas, autoritarismo político, masculinidade tóxica.

São boas opções. Mas é bom se ligar que as salas tem disponibilidade de 30 a 60 lugares e as senhas são distribuídas uma hora antes. Com apenas uma sessão, lotada, foi exibida na segunda-feira, como Como (des)construir um macho?, com debate após a apresentação. Faltou lugar para tanta gente. 

No final do mês tem a versão de Dezembro, do Isso Não É Um Grupo e Corpo Rastreado Isso Não É Um Grupo e Corpo Rastreado para o texto do premiado dramaturgo chileno Guillermo Calderón. Ja Neva, também de Calderón com direção de Diego Moschkovich, explora a necessidade de prosseguir com o teatro, mesmo com o luto, – como o da primeira atriz do Teatro de Arte de Moscou, que sofre pela morte de seu marido Anton Tchekhov – ou o mundo que desmorona lá fora.

Luiz Arthur no solo Homem-Bomba

Luiz Arthur no solo Homem-Bomba

Os mineiros da Companhia Teatro Adulto vieram com Homem-Bomba e Coisas Boas Acontecem de Repente. As peças com Luis Arthur e Cynthia Paulino, respectivamente, estão inseridas na questão do autoconhecimento. Eles atacam os monstros adultos que habitam em cada um de nós. São figuras estranhas, vista pelo senso comum. O espaço diminuto de atuação, de até 2m², também faz parte da pesquisa do impacto da restrição de espaço.

Várias figuras se digladiam no solo Homem-bomba. Os vários eus. Com uma profusão de imagens e citações, o intérprete que se autodirigiu, problematiza “a sombra”, investigada pelo psiquiatra e psicoterapeuta suíço Carl Jung (1895- 1961). O monólogo tem como inspiração O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson (1850- 1894) para questionar essa ideia de tirar a parte ruim e ficar só com a boa. Além de Stevenson, a montagem tem citações de vários escritores, poetas e pensadores, como Aldous Huxley, William Shakespeare, Carl Jung, Franz Kafka, HP Lovecraft, Tadeusz Kantor, Augusto dos Anjos, Samuel Beckett, William Blake e Osho.

Em Coisas Boas Acontecem De Repente, a anti-diva MamaCy mistura influências, pinça entrevistas, músicas e textos da cantora Karine Alexandrino, a Mulher Tombada, faz adaptações. A personagem fala sem parar com a parede (que é o público) injeta power à força do feminino, se insurge contra o patronato. Diz coisas engraçadas e no final lê um manifesto que vale mais do que muitas terapias para as mulheres se valorizarem.

PROGRAMAÇÃO

HOMEM-BOMBA
Companhia Teatro Adulto

22 e 23/1 – terça-feira e quarta-feira – 20h
maiores de 12 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 50 minutos.

Em um mundo desigual, cada vez mais parecido com um grande abatedouro, um homem quer compreender os vários eus que o habitam. Livremente inspirado no clássico O médico e o monstro, título original O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson. O espetáculo integra o projeto ADULTOS EM CENA.

FICHA TÉCNICA:
Direção, trilha sonora e atuação: Luiz Arthur
Cenário: Cynthia Paulino e Luiz Arthur
Coordenação técnica e Iluminação: Marina Arthuzzi
Figurino: Cynthia Paulino
Adereços: Mauro Gelmini
Maquiagem: Linda Paulino
Assistente de produção e designer gráfico: Samara Martuchelli
Fotos: Catarina Paulino
Realização: Companhia Teatro Adulto.

COISAS BOAS ACONTECEM DE REPENTE
Companhia Teatro Adulto
22 e 23/1 – terça-feira e quarta-feira – 21h
maiores de 12 anos
30 lugares – Retirar ingressos com 1h de antecedência
Duração: 1h15

A anti-diva MamaCy diz tudo o que lhe vem à cabeça, antes do início de seu show de volta aos palcos. Texto de Cynthia Paulino + livre adaptação de manifestos, entrevistas, músicas e textos da anti-diva Karine Alexandrino, a Mulher Tombada.

FICHA TÉCNICA:
Dramaturgia, direção, cenário, trilha sonora e atuação: Cynthia Paulino
Iluminação: Luiz Arthur e Marina Arthuzzi
Coordenação técnica: Marina Arthuzzi
Figurino: Ananda Sette Camara, Cynthia Paulino e Jonnatha Horta Fortes
Maquiagem: Linda Paulino
Assistente de produção e designer gráfico: Samara Martuchelli
Fotos: Catarina Paulino
Realização: Companhia Teatro Adulto

FUENTE OVEJUNA
17 a 25/1 – quintas e sextas-feiras às 20h
maiores de 14 anos
30 lugares – Retirar ingressos com 1h de antecedência
Duração: 110 minutos

Cidadãos do pacato vilarejo Fuente Ovejuna (fonte das ovelhas, em português), sofrem com a tirania e as injustiças de um militar. O abuso de poder e as desonras desse tirano provocam a revolta dos moradores da vila, que clamam por vingança. 

FICHA TÉCNICA:
texto: Lope de Vega
tradução e adaptação: Marcos Daud
direção geral: Juliano Barone
direção musical: Wagner Passos
Elenco: Dudu Oliveira, Pipo Belloni, Lucas Lentini, Juliane Arguello, Lisi Andrade, Luiz Amorim, Marieli Goergen, Marcos Veríssimo, Pedro Casali, Lino Colantone, Priscilla Dieminger e Thiago Azevedo

HOTEL MARIANA
idealização e pesquisa: Munir Pedrosa
21/1 a 12/2– segundas-feiras e terças-feiras – 20h
maiores de 14 anos
50 lugares| Retirar ingressos com 1h de antecedência
Duração: 70 minutos

Depoimentos perturbadores e surpreendentes são colocados no palco e evidenciam a simplicidade de pessoas que perderam tudo ou quase tudo o que tinham no desastre no Vale do Rio Doce, em Mariana- MG.. Da criança do grupo escolar ao velho da folia de reis, do ativista de direitos humanos à aposentada que escreve poemas, somos convidados a escutar os sobreviventes que, com suas histórias, traçam um panorama político, histórico e cultural do nosso país.

FICHA TÉCNICA:
Idealização e Pesquisa: Munir Pedrosa
Dramaturgia: Munir Pedrosa E Herbert Bianchi
Direção: Herbert Bianchi
Designer De Luz: Rodrigo Caetano
Cenário: Marcelo Maffei
Figurinos: Bia Pieratti e Carol Reissman
Assistente De Direção: Letícia Rocha
Direção De Produção: Munir Pedrosa
Operador De Luz: Ricardo Bretones
Assessoria De Imprensa: Vanessa Fontes
Elenco: Anna Toledo, Bruno Feldman, Clarissa Drebtchinsky, Fani Feldman, Isabel Setti, Letícia Rocha, Marcelo Zorzeto, Munir Pedrosa, Rita Batata E Rodrigo Caetano.

VALSA Nº 6
Direção: Bernadeth Alves
14/1 a 12/3 – segundas e terças – 20h (não haverá apresentações nos dias 4 e 5/3 – Carnaval)
maiores de 16 anos
35 lugares | Retirar ingressos com 1h de antecedência
Duração: 50 minutos

Sônia, após ser apunhalada entra em um estado de confusão mental e interroga o público na tentativa de reconstruir o quebra cabeça de sua vida, apoiando-se em breves encontros com os personagens que povoam seu subconsciente.

Ficha Técnica:
Texto: Nelson Rodrigues
Direção: Bernadeth Alves
Assistência de Direção: Vanessa Reimberg
Atuação: Pâmy Rodrigues
Guitarrista: Viney Lourenço
Espaço Cênico: O Grupo
Figurino: Pâmy Rodrigues
Designer Gráfico: Rodrigo Florentino
Produção: O Grupo

Ator Edgar Castro em Dezuó, Breviário das Águas. Foto: Reprodução do Facebook

Ator . Foto: Reprodução do Facebook

DEZUÓ, BREVIÁRIO DAS ÁGUAS
Núcleo Macabéa
24/1 a 16/2 – quintas e sextas às 20h e sábados às 18h. (Excepcionalmente dia 25/1 – sexta-feira – às 18h).
maiores de 14 anos
30 lugares – Retirar ingressos com 1h de antecedência
Duração: 75 minutos

Trajetória de um menino da Amazônia que, após a expulsão de sua vila natal – devido à construção de uma usina hidrelétrica –, cresce e se transforma em um andarilho das grandes cidades, por onde passa a perambular desenraizado,mas ciente de seu passado ancestral.

FICHA TÉCNICA:
Texto e Idealização: Rudinei Borges
Direção: Patricia Gifford
Elenco: Edgar Castro
Direção musical/músico em cena: Juh Vieira
Instalação cenográfica e figurinos: Telumi Hellen
Diretor de palco: Andreas Guimarães
Apoio à cenotecnia: Leandro Lago
Adereços: Clau Carmo
Iluminação: Felipe Boquimpani
Fotografia: Cacá Bernardes
Preparação corporal e vocal: Antonio Salvador
Direção de produção: Paula Borges
Realização: Núcleo Macabéa/Cooperativa Paulista de Teatro/Programa de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo/Secretaria Municipal de Cultura – SP

DEZEMBRO
Isso Não É Um Grupo e Corpo Rastreado
31/1 a 2/2 – quinta-feira, sexta-feira às 20h e sábado
maiores de 16 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 75 minutos

Uma ceia de Natal de 2020 durante uma guerra fictícia na América Latina. O irmão mais novo e recém-chegado do front é recebido de forma tragicômica pelas gêmeas Paula e Trinidad, que divergem em seus posicionamentos ideológicos. Lá fora há uma guerra, enquanto questões íntimas afloram da dramaturgia do chileno Guillermo Calderón.

FICHA TÉCNICA:
Texto: Guillermo Calderón
Direção: Diego Moschkovich
Elenco: Carolina Fabri, Ernani Sanchez e Michelle Gonçalves
Cenário e iluminação: Rafael Souza
Figurinos: Diogo Costa
Realização: Isso Não É Um Grupo e Corpo Rastreado

NEVA
Isso Não é Um Grupo e Celso Curi
7/2 a 9/2 – quinta-feira, sexta-feira às 20h e sábado às 18h
maiores de 16 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 75 minutos

No inverno de 1905, em São Petesburgo, a atriz Olga Knipper, primeira atriz do Teatro de Arte de Moscou, fundado por Stanislavski, vive o luto da morte de seu marido, o dramaturgo Anton Tchekhov, e com os atores Masha e Aleko tenta prosseguir o ensaio da peça O Jardim das Cerejeiras, último texto escrito pelo esposo. Eles aguardam a chegada dos outros atores da companhia, mas enquanto o ensaio ocorre na sala de um teatro, do lado de fora está acontecendo o Domingo Sangrento, massacre em que boa parte dos manifestantes foi cruelmente assassinada pela guarda do Czar. Talvez os outros atores não cheguem, podem ter sido mortos, mas os três permanecem ali.

FICHA TÉCNICA:
Texto: Guillermo Calderón
Tradução: Celso Curi
Direção: Diego Moschkovich
Elenco: Ernani Sanchez, Flávia Melman e Michelle Gonçalves
Concepção estética, cenografia e Iluminação: Rafael Souza
Figurinos Diogo Costa
Coordenação de Produção: Corpo Rastreado
Idealização: Isso Não é Um Grupo e Celso Curi

MÚSICA PARA VER
E² Cia de Teatro e Dança

20/2 a 1/3 – quartas, quintas-feiras e sextas-feiras às 20h
maiores de 14 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 50 minutos

Deste ato simples e primordial, surge o movimento, e a partir dele, estados corporais e poesia cênica. As canções, delicadamente selecionadas a partir do vasto repertório da música popular brasileira, reafirmam o interesse pela literatura (e pela palavra), presente em vários trabalhos anteriores da E² Cia de Teatro e Dança. Partindo da escrita musicada, poemas se reinventam e se refazem no corpo da intérprete e na cena.

Ficha técnica:
Direção e interpretação: Eliana De Santana |
Direção de arte, espaço cênico e iluminação: Hernandes de Oliveira |
Seleção musical e figurinos: Eliana de Santana |

LEITURA DRAMÁTICA
GUERRA À LA CARTE
Grupo Durame
8/3 – sexta-feira – 20h
maiores de 14 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 55 minutos

Pessoas que se relacionam na ambivalência da gentileza à crueldade em plena guerra. Entre destroços e bombardeios, eles conversam animadamente incitando o ódio à diferença, a cordialidade exagerada de forma acrítica e intelectualmente passiva. A partir da obra original Piquenique no Front de Fernando Arrabal.

FICHA TÉCNICA:
Dramaturgia coletiva a partir da obra original Piquenique no Front de Fernando Arrabal
Roteiro e Direção: Carlla Juliano
Elenco: Bruno Henrique, Douglas Soares, Raul Negreiros e Samara Pereira
Iluminação: Carmine D’Amore
Fotografia: Gustavo Falqueiro
Revisão e Arte gráfica: Breno Manfredini

A MÁQUINA DA AMNÉSIA
Plataforma Shop Sui
14 a 16/3– quinta-feira e sexta-feira às 20h e sábado às 18h
maiores de 16 anos
30 lugares – Retirar ingressos com uma hora de antecedência.
Duração: 50 minutos

A encenação trafega por uma atmosfera repleta de esquecimentos e interrompimentos, onde cada indivíduo propõe seu mergulho e compartilha seu momento de compreensão da pesquisa. O espetáculo integra o projeto Brain Diving- procedimento para cena contemplado pela 24ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança/2018.

FICHA TÉCNICA:
Diretor/Coreógrafo e Pesquisador: Fernando Martins
Intérpretes Colaboradores: Dalilla Leon e Fernando Martins
Cenografia: Leo Ceolin – Estudioscópio
Figurino: João Pimenta
Designer de Luz: Rodrigo Silbat
Artista audiovisual e programador: Caleb Mascarenhas
Produção Musical e Trilha Sonora: Fernando Martins
Captação e Edição de Vídeo: Osmar Zampieri
Fotografia: Silvia Machado

Ana Paula Lopez e Sol Faganello em Senhorita X, Senhora Y. Foto: Manu / Divulgação

Ana Paula e Sol Faganello em Senhorita X, Senhora Y. Foto: Manu Costa / Divulgação

SENHORA X, SENHORITA Y
Damas & Cia.
13 a 30/3 – quintas e sextas-feiras às 20h e sábados às 18h.
Maiores de 18 anos
Duração: 1h 15m

Baseada na peça A Mais Forte 1889, escrita pelo dramaturgo sueco August Strindberg, a peça discute o papel da mulher na sociedade contemporânea. A direção de Silvana Garcia investe na repetição do confronto das duas mulheres do título, mas em outros tempos e com outras circunstâncias. Com escalas de humor e grotesco.

FICHA TÉCNICA:
Direção: Silvana Garcia
Direção de Movimento: Kenia Dias |
Elenco: Ana Paula Lopez e Sol Faganello
Luz: Sarah Salgado | Figurino: Damas & Cia.
Trilha: Camila Couto | Assessoria de imprensa: Arteplural
Direção de produção: Damas & Cia
Fotografia: Manu Costa

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Bia Lessa propõe transcriação de Grande Sertão: Veredas para os palcos

Antes de definir papeis, todos os atores do elenco ensaiaram todos os personagens. Foto: Roberto Pontes/Divulgação

Antes de definir papeis, atores do elenco ensaiaram todos os personagens. Foto: Roberto Pontes

Grande Sertão: Veredas é um livro que impressiona por sua magnitude. Nele, Guimarães Rosa (1908-1967) empregou o máximo de sua inventividade poética para contar a história de um dos personagens mais marcantes da literatura brasileira: Riobaldo, cuja vida é um pano de fundo para mostrar a eterna tensão entre o mundo e o homem. E como trazer para os palcos uma obra importante para a literatura brasileira justamente por inovar tanto na linguagem escrita? Essa é a pergunta que Bia Lessa tenta responder em seu penúltimo trabalho (o mais recente, Pi – Panorâmica Insana, está em cartaz em São Paulo até 29 de julho, e tem no elenco Claudia Abreu, Leandra Leal, Rodrigo Pandolfo e Luiz Henrique Nogueira) baseado diretamente no clássico de Guimarães. Grande Sertão: Veredas, a peça-instalação, tem única apresentação no dia 8 de julho, domingo, no Centro de Convenções, em Olinda.

Cancelada por conta da greve dos caminhoneiros, em maio passado, a peça finalmente se apresenta em Pernambuco após pouco mais de um mês de espera. A diretora e cenógrafa, que tem o Paço do Frevo em seu portfólio, optou por fazer mais uma transcriação da obra rosiana do que a adaptação do livro, embora toda a dramaturgia do espetáculo seja composta por passagens de Grande Sertão: Veredas, sem adições de fora desse universo. Para isso, ela e sua equipe imaginaram uma estrutura em U, parecida com uma gaiola, onde ficam sempre em cena os dez atores do elenco. Estão nele desde nomes bastante conhecidos do público, como Caio Blat e Luiza Arraes, até atores “verdes”, com pouca experiência no palco. Todos eles ensaiaram todos os personagens antes de definirem seus papeis. Cerca de 250 bonecos de feltro em tamanho natural também estarão no palco-instalação e poderão ser vistos por quem circular pelo Centro de Convenções no domingo, durante o dia.

A relação de Bia com a obra de Guimarães Rosa se estreitou em 2006, quando ela ficou encarregada da montagem da primeira exposição do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Foi só ao aceitar essa tarefa que ela leu o livro pela primeira vez. “Por uma questão óbvia, pensei em Grande Sertão: Veredas, pois Guimarães é um inventor de linguagem, um grande estudioso da tradição oral. Na época, achei empobrecedor colocar imagens naquele trabalho. Não cabia naquele momento, então resolvi fazer uma mostra só com palavras. Dez anos depois, me vi com o desejo de voltar a fazer teatro e sempre achei que essa linguagem cobra da gente uma outra vida. Escolhi retornar a essa obra porque o processo em si já seria muito rico, mesmo se não conseguíssemos montar um espetáculo”.

Cerca de 250 bonecos de feltro em tamanho natural compõem o palco-instalação. Foto: Roberto Pontes/Divulgação

Cerca de 250 bonecos de feltro em tamanho natural compõem o palco-instalação. Foto: Roberto Pontes

O processo, segundo a criadora, se desenvolveu a partir de uma provocação. “Todo mundo me desaconselhava a montar esse livro. Chamei vários escritores e eles me diziam: ‘não mexe nisso’. O fato de as pessoas me desencorajarem, na verdade, me encorajava. Peguei trechos do livro e montei como foi escrito. A adaptação foi feita durante o jogo cênico. Era importante falar sobre a linguagem, pois o estilo dessa obra me atraía tanto quanto seu conteúdo”. Já o diálogo de Grande Sertão: Veredas com o Brasil atual, segundo Bia, é fácil de ver. A história de Riobaldo, ex-jagunço que vendeu a alma ao diabo e teve uma relação delicada com Diadorim, figura andrógina das mais fascinantes da literatura brasileira, tem desdobramentos diretos na atualidade. “Estamos em um retrocesso mundial gravíssimo. Ele apresenta uma questão importante de gênero, mostra a importância do indivíduo e coloca o homem onde ele de fato deve estar: em uma relação equivalente com os bichos, os minerais, em vez de superior à natureza”.

A passagem do tour de force cênico pelo Recife faz parte de uma turnê nacional – sem patrocínio, é bom que se diga. Sem subsídio, os ingressos ficaram com um preço acima da média mesmo em comparação a outros espetáculos nacionais de grande porte. O valor deles também está diretamente atrelado à experiência do público. Ao contrário das temporadas no Rio e em São Paulo, que foram encenadas em locais nos quais a plateia ficava muito próxima dos atores, respectivamente no Centro Cultural Banco do Brasil e no Sesc Consolação, a apresentação no Recife vai ocupar uma casa de espetáculos que pode ser tudo, menos intimista.

Os mais de 2 mil lugares do Teatro Guararapes devem alterar de forma radical a experiência proporcionada pela montagem. Apenas 200 pessoas que pagarem o valor mais elevado – R$ 200, sem direito a meia-entrada – poderão ficar no palco em uma estrutura similar à original. Elas terão direito a fones de ouvido com um desenho de som que mistura as falas dos atores, a trilha de Egberto Gismonti e os efeitos sonoros do sertão. Já o restante da plateia, que terá uma experiência menos imersiva, terá acesso a uma paisagem sonora diferente, com as vozes amplificadas dos atores preenchendo o espaço.

Serviço:
Grande Sertão: Veredas
Quando: 08 de julho (domingo), às 19h
Onde: Teatro Guararapes – Centro de Convenções, s/n, Salgadinho, Olinda
Ingressos: R$ 200 (assentos na plateia com fone de ouvido, sem meia-entrada); R$ 160 e R$ 80 (meia) para plateia AA até BB; R$ 140 e R$ 70 (meia) da plateia BC em diante e R$ 100 e R$ 50 (meia) para o balcão, com ingressos à venda pelo site Eventim e na bilheteria do teatro
Informações: (81) 3182-8020

Ficha Técnica
Concepção, Direção Geral, Adaptação e Desenho de Luz: Bia Lessa
Elenco: Balbino de Paula, Caio Blat, Daniel Passi, Elias de Castro, José Maria Rodrigues, Leonardo Miggiorin, Lucas Oranmian, Luisa Arraes, Luiza Lemmertz, Clara Lessa
Concepção espacial: Camila Toledo, com colaboração de Paulo Mendes da Rocha
Música: Egberto Gismonti
Colaboração: Dany Roland
Desenho de som: Fernando Henna e Daniel Turini
Adereços: Fernando Mello Da Costa
Figurino: Sylvie Leblanc
Desenho de luz: Binho Schaefer
Projeto de áudio: Marcio Pilot
Diretor assistente: Bruno Siniscalchi
Assistente de direção: Amália Lima
Direção executiva: Maria Duarte
Produtor executivo: Arlindo Hartz
Colaboração: Flora Sussekind, Marília Rothier, Silviano Santiago, Ana Luiza Martins Costa, Roberto Machado
Idealização e realização: 2+3 Produções Artísticas Ltda
Apoio institucional : Banco do Brasil | Globosat
Duração: 140 minutos
Classificação: 18 anos
Apoio: BMA Advogados | Instituto-E | Om Art
Agradecimento especial à viúva do autor, a quem a obra foi dedicada, Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, à Nonada Cultural e a Tess Advogados

 

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