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“Eu me fiz.
De certa forma,
eu fiquei grávida
de mim mesma, eu me pari”.
ENTREVISTA: Renata Carvalho

Atriz, escritora e transpóloga Renata Carvalho, no lançamento do livro Manifesto Transpofágico, em São Paulo. Foto: Ivana Moura

“O olhar dela melhora o meu. Depois que a conheci, meu mundo se transformou completamente”, revelou a produtora Gabi Gonçalves, da Corpo Rastreado, sobre as micro revoluções provocadas pela trajetória da atriz, diretora, escritora e transpóloga Renata Carvalho. A emoção de Gabi ao falar da potência dos caminhos trilhados pela autora do livro Manifesto Transpofágico foi um momento lindo numa noite repleta de amorosidades. O lançamento ocorreu no dia 6 de abril, na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo.

Manifesto Transpofágico é a transpofagia da transpologia de uma transpóloga. Em outras palavras, Renata se veste de sua própria pele, seu corpo travesti. Alimentando-se de sua “transcestralidade”, ela narra a historicidade que carrega no corpo. A artista devora, deglute e subverte posições do pesadelo conservador de forma combativa contra a herança colonial, numa experiência pessoal renovada. Renata cria o seu festim transpofágico.

A publicação da Editora Monstra, iniciativa editorial da ONG Casa 1, tem edição bilíngue (inglês e português) e duas brochuras extras, em espanhol e francês. Além de introdução assinada pela professora Jaqueline Gomes de Jesus (IFRJ). “O texto é uma forma de registrar como memória que em 2022 tinha uma travesti fazendo um espetáculo, que esse espetáculo tinha uma pesquisa aprofundada, uma transpofagia”, avalia Renata.

Meu corpo (TRAVESTI) veio antes de mim,
(pausa)
sem eu pedir.
Ele é mais velho do que eu.
(TRAVESTI)

A pesquisa, chamada de Transpologia, foi iniciada em 2007, quando Renata Carvalho atuou como agente de prevenção voluntária de ISTs, hepatites e tuberculose.  Em Santos (SP), ela cuidou de travestis e mulheres trans na prostituição, por 11 anos. Essa vivência motivou a criação do solo Dentro de Mim Mora Outra, que levou aos palcos em 2012, narrando sua travestilidade.

O livro é versão editada do solo que protagoniza e que assina a “travaturgia”, encenado desde 2019. Com direção de Luiz Fernando Marques, o Lubi, a peça Manifesto Transpofágico expõe acontecimentos ligados à travestilidade, compartilhamento íntimo da existência de Renata e sua subjetividade e resgate histórico de dados de sua “transcestralidade”.

Ao expor os fluxos do próprio caminho de forma corajosa, ela questiona a visão cisnormativa sobre o corpo travesti, tratamento social, violências intensas ou sutis, a patologização, a criminalização, a sexualização, enfim a construção social, imagética, midiática do corpo transgênero. E ressalta que o que está em jogo é a sobrevivência, é a própria vida.

A entrevista em vídeo foi realizada no dia do lançamento do livro Manifesto Antropofágico, no dia 6 de abril de 2022, no auditório da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo.

A conversa está dividida em cinco partes curtas.

Na primeira, Renata Carvalho discorre sobre sua percepção do tempo, diz que se sente mais calma, mesmo que o clima de ameaça de morte dos corpos trans ainda seja uma realidade no Brasil.

Transfake e da representatividades trans é tema do segundo bloco.

No terceiro bloco, a artista defende que é preciso celebrar as conquistas – como a deliberação do STJ (Supremo Tribunal de Justiça), do dia 5 de abril. A Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006), é aplicável a mulheres transexuais no país. A decisão inédita passa a proteger com essa Lei todas as mulheres vítimas de violência doméstica. E destaca a importância da atuação de figuras trans nos espaços de entretenimento, como ocorreu com Linn da Quebrada, no BBB.

A encenação O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu estreou em agosto de 2016, no Festival Internacional de Londrina (FILO). Teve grande repercussão e muitas polêmicas foram geradas em função de censuras. O monólogo prega a tolerância, a harmonia, o perdão, o acolhimento, o respeito e o amor e Jesus é interpretado por Renata Carvalho. O espetáculo foi censurado em Jundiaí, Salvador e Garanhuns por ordens judiciais. No Rio de Janeiro e no Recife por pressões religiosas. E muitas tentativas de censura por ódio injustificável, resistência de bandos fundamentalistas religiosos, juízes de direito e grupos conservadores. Renata conta sobre essas memórias doloridas na quarta parte.

No quinto bloco, ela vislumbra futuros possíveis e festeja sua atuação no audiovisual.

Obrigada Renata pela entrevista, pela gentileza e vivacidade de sempre. Parabéns Corpo Rastreado, Editora Monstra, ONG Casa 1,e todos os envolvidos nesta ação do lançamento do livro, “que foi pensado há muito tempo e há muitas mãos”, e que “vai ganhar lugares que a gente nem consegue ter noção”, como salientou a Gabi Gonçalves

RENATA CARVALHO, nasceu em 1981, em Santos (São Paulo).
É atriz, diretora, dramaturga, escritora e transpóloga (antropóloga transgênero).
Fundadora do MONART – Movimento Nacional de Artistas Trans, onde criou o Manifesto Representatividade Trans, que visa que artistas transgêneros interpretem personagens transgêneros.
Lançou o Coletivo T, o primeiro coletivo artístico formado integralmente por artistas transgêneros em São Paulo.

 

 

 

 

 

SERIVÇO

     

Livro Manifesto Transpofágico
Edição bilíngue: de R$ 20,00 a R$ 40,00
Brochuras em espanhol e/ou francês: de R$ 10,00 a R$ 20,00

Para solicitar um exemplar:
contato@corporastreado.com
(11) 3031-7138
corporastreado
corporastreado.com
@casa1 / @editoramonstra 

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Experiência artística do êxtase vai à exaustão

Nereu Jr / Divulgação

Foto: Silvia machado / Divulgação

Crowd (Multidão), espetáculo da franco-austríaca Gisèle Vienne, abriu a 7ª MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, na noite de quinta-feira, 5 de março. A artista buscou o mote da coreografia em suas experiências dos “clubs” de Berlim dos anos 1990 para erguer uma impressionante encenação de rave regada a música techno, manipulação de tempos e ritmos estampados nos corpos bem treinados de 15 jovens dançarinos.

Ao som de uma trilha eletrizante concebida por Peter Rehberg, com músicas de artistas como Jeff Mills, Global Communication e Underground Resistance, Crowd propõe nessa festa selvagem um mergulho interior nessa jornada hedonista. Experimentos para a figura perder o controle coletivamente na perspectiva de vivenciar algo profundo. É o que defende Gisèle Vienne.

A artista compõe imagens exuberantes. O chão é coberto por uma espécie de terra e lixo orgânico, permitindo que esse cenário remeta a uma noite de farra, que entra pela madrugada na Europa, em São Paulo ou em qualquer outro lugar.

Os 15 dançarinos entram em cena se movendo muito lentamente, o que, num primeiro momento, pode parecer uma representação de seres de outro planeta. Mas não é isso. Ou é, noutros termos? Eles se aglomeram, traçam marchas solitárias.

É a produção de um exercício de transe pela imersão em um ambiente sonoro intenso e repetitivo. A luz de Patrick Riou equaliza significados desse cenário, desenhando quadros de efeito impactante, das figuras que atravessam a noite perseguindo prazeres efêmeros ou um sentido para a vida.

Da plateia captamos o conjunto, um bloco de gente, ou cenas específicas, fisgadas dessas pequenas narrativas que surgem por todo o palco – encontros rápidos, corpos balançando em convulsões, beijos fugazes, jogos de mãos bobas que escorregam pelo corpo alheio, brigas, luxúria, solidão, estrago. Esses seres humanos falíveis acionam em 90 minutos amplificação narcísica.

Para mim, mais do que o êxtase proposto pela diretora, o que chega é o esgotamento pela repetição em vários ritmos e andamento nos movimentos dos intérpretes. Apreendo o que essa quantidade exagerada de opções, de ofertas, de relacionamentos não assegura ou atrai para uma relação duradoura. Tudo é fugaz.

Essa experiência sonoro-motora imersa em um ambiente de alta voltagem vibratória, pelo volume alto, pelas escolhas das músicas, pela simulação da perda do controle dos movimentos, tudo isso me remete a reflexões sobre os mecanismos inconscientes que alimentam a máquina capitalista atual.

As modulações de movimento, manipulação do ritmo, do tempo e intensidade dos gestos dos corpos expõem as emoções diluídas na multidão – algo opaco e translúcido – em estados alterados de consciência.

Os recursos técnicos, de produção e de efeito, como uma lata que explode ou fumaça que brota dos casacos são realmente impressionantes. A preparação do elenco expõe um virtuosismo, como se diria na modernidade, de trabalhar os corpos em câmera lenta, com movimentos em looping ou congelados em “frames”, que são realmente incríveis.

Mas é certa a associação com o estado psíquico do país e da plateia presente à abertura da MITsp, de um esgotamento causado por ataques constantes à democracia, às liberdades individuais e coletivas, às ofensivas ao direito de desejar e ser, as investidas contra a arte.

Abertura

O lugar de resistência da MITsp parece construído às custas de muito sacrifício, esforços que, quem está de fora, talvez não consiga supor. Mais uma vez, a mostra foi erguida em quatro meses, realmente um trabalho hercúleo. Em sua fala, o diretor de produção Guilherme Marques exaltou o trabalho da equipe e convidou o grupo para se juntar na frente do palco. Foi um dos momentos mais emocionantes da abertura, o esforço tornado carne.

Elegantíssimos os mestres de cerimônia da MITsp, os atores trans Gabriel Lodi e Renata Carvalho. O sempre admirado Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc-SP, – um exemplo de combatividade em prol da cultura –, avança com seu discurso e postura coerentes desde a primeira versão da mostra. O diretor do Itaú Cultural Eduardo Saron reforçou o apoio da instituição ao evento e à cultura. O jornalista Celso Curi leu o Manifesto Artigo 5º, pelas liberdades.

Ah, os políticos… destoam do ritual, principalmente os que ocupam cargos nas gestões de centro, de centro-direita. O mundo já está muito complicado para quererem repassar responsabilidades das diretrizes culturais insuficientes.

Sigamos, pois, lutando pela arte e pelas vidas. Inclusive as nossas.

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Espetáculo Domínio Público avança no debate sobre liberdade de expressão, censura e limites na arte

Maikon K, Elisabete Finger, Wagner Schwartaz e Renata Carvalho em Domínio Público. Foto: Annelize Tozetto_Divulgação / FTC.

Maikon K, Elisabete Finger, Wagner Schwartaz e Renata Carvalho em Domínio Público. Foto: Annelize Tozetto / Divulgação 

Desde 2017 que casos de perseguição a artistas recrudesceram, descortinando facetas de um Brasil sombrio e cada vez mais covarde. Para exercer as práticas do proibir, tropas hi-tech e presenciais agem como abutres confiscadores da liberdade de pensamento e expressão. Triste realidade com perspectivas de mais repressão no horizonte.

Mas a arte prefere os que têm coragem. A vida também, como já nos ensinou “seu” Rosa.

Quatro artistas que foram alvos de ódio, censuras e proibições nos últimos tempos estão juntos no espetáculo Domínio Público, que tem apresentação única no Galpão Casa 1 nesta quarta-feira (06/02), como parte da programação da 2ª Semana de Visibilidade Trans da Casa 1. Maikon K foi detido em Brasília durante a performance DNA de DAN; Wagner Schwartz foi agredido psicológica e virtualmente após a performance La Bête, no MAM São Paulo; Elisabete Finger estava com a filha na performance de Schwartz e Renata Carvalho atriz censurada várias vezes por protagonizar o espetáculo O Evangelho Segundo Jesus Rainha do Céu. A partir desses linchamentos públicos eles dão uma aula de história da arte, tendo por base o famoso quadro de Leonardo Da Vinci, Monalisa.

Se esses tempos destaparam uma porção de Brasil com sentimentos saídos das ruínas da alma, para aniquilar o diferente, também reforçou a necessidade de resistir, reinventar, re-existir. Foram muitos episódios de pusilanimidade para amordaçar a arte. Enxurrada de palavras e atos para metralhar criações.

Um rápido retrospecto dos três que tiveram maior repercussão: O coreógrafo Wagner Schwartz foi acusado de pedofilia pela performance em que podia ter seu corpo nu tocado e manipulado pelo público, no trabalho La Bête,inspirado nas esculturas Bichos, de Lygia Clark. Numa sessão no Museu de Arte Moderna de São Paulo, Wagner foi tocado nos pés por uma criança, que estava acompanhada por sua mãe. Um vídeo editado desse episódio foi usado por grupos conservadores na rede social causando uma histeria coletiva. A mãe da criança que tocou Schwartz na performance, a coreógrafa Elisabete Finger foi vítima de acusações e ameaças, inquéritos policiais e interrogatórios políticos.

Numa apresentação em frente ao Museu Nacional da República, em Brasília, Maikon K foi detido teve seu cenário violado pela polícia militar. Foi tachado de cometer ato obsceno, por ficar nu e imóvel dentro de uma bolha transparente, na performance DNA de DAN.

Renata Carvalho foi censurada várias vezes e proibida de interpretar Cristo na peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, apontada de “vilipendiar artigos religiosos”.

Foto: Humberto Araújo / Divulgação

Foto: Humberto Araújo / Divulgação

A peça Domínio Público foi feita sob “encomenda” pelos curadores do Festival de Teatro de Curitiba, Guilherme Weber e Marcio Abreu, em 2018, para meditar sobre a intolerância e manifestações de ódio desses tempos.

Cada um faz sua interpretação do quadro da Mona Lisa, de Da Vinci. Cada qual com sua “peça-palestra”. E falam de polêmicas que cercaram o famoso quadro. De que a obra só ganhou reconhecimento depois que foi roubada do Museu do Louvre, por um italiano. Ou de teorias de que a Mona Lisa poderia ter sido um homem (ou uma trans), ou que a modelo estaria grávida.

O título Domínio Público diz do processo massacrante que os artistas passaram. Mas a encenação não leva à cena esses acontecimentos. Não respondem diretamente às violências sofridas. De terem suas obras editadas e divulgadas na internet sem a chancela dos autores.

Na definição de domínio público não existe restrição de uso de uma obra, por qualquer um e em qualquer situação. Isso foi feito com as performances em que pessoas que não viram, não conhecem, inventam o que querem, interpretam e deformam criando outras peças, por mais absurdo que isso possa parecer.

Com espetáculo Domínio Público, o quarteto busca avançar no debate em torno da liberdade de expressão, censura e limites na arte. Conversar por meio de corpos (todos bem-vestidos) com pessoas reais, numa espaço real.

DOMÍNIO PÚBLICO
Criação, texto e performance: Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho,Wagner Schwartz
Colaboração artística: Ana Teixeira
Figurino: Karlla Girotto
Produção: Corpo Rastreado / Gabi Gonçalves

Classificação indicativa: Livre
Duração: 50 min
Onde: Galpão Casa 1 (Rua Adoniran Barbosa, 151, Bela Vista,São Paulo, SP)
Quando: Quarta-feira (06/02), às 20h
Entrada: Grátis

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O Evangelho faz sessão no Teatro Oficina

Renata Carvalho em O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu. Foto: Reprodução do Facebook

Renata Carvalho em O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu. Foto: Reprodução do Facebook

Por quê os conservadores têm tanto medo da peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu? Será o exercício de liberdade? Porque o espetáculo com a atriz trans Renata Carvalho fala do amor cristão, que muitos deturpam como escudo para rejeitar ou excluir o espetáculo.

Em Pernambuco, a montagem foi censurada duas vezes: no Festival de Inverno de Garanhuns em 2018 e no Janeiro de Grandes Espetáculos deste ano. São violências que atingem o corpo da atriz e toca nos nervos de quem luta e se posiciona por um mundo mais digno para todos. No Janeiro, cerca de 20 encenações abandonaram o festival em solidariedade à produção da Rainha do Céu.

Nesta terça-feira a peça-potência faz uma apresentação histórica na fortaleza do Teatro Oficina Uzyna Uzona, um espaço de re-existência por dignidade, de Zé Celso e sua trupe.

Com texto da escocesa Jo Clifford, com direção, tradução e adaptação de Natalia Mallo, a atriz Renata Carvalho dá vida a Jesus reencarnado nos dias atuais, no corpo de uma travesti.

A sessão faz parte da segunda semana da visibilidade trans da Casa 1.

Os ingressos online estão esgotados, mas haverá cota disponível na bilheteria do teatro 1h antes da apresentação.

SERVIÇO

Quando: 05/02 às 20h
Onde: Teatro Oficina Uzyna Uzona, São Paulo 
Quanto: R$10 a R$20 (venda de ingresso 1h antes do espetáculo na bilheteria do teatro)

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Ministério Público marca audiência para esclarecer retirada de espetáculo com atriz trans do Janeiro

Renata Carvalho na Parada LGBT Santos - Foto: Andrey Haag / Reprodução do Facebook

Renata Carvalho na Parada LGBT Santos – Foto: Andrey Haag / Reprodução do Facebook

Sabemos que a justiça brasileira anda muito seletiva nos últimos tempos. Mas é interessante quando um representante da justiça faz um aceno para que não percamos totalmente a confiança nas leis terrenas. Na última terça-feira (15/01) o Ministério Púbico de Pernambuco – MPPE publica no Diário Oficial (páginas 9 e 10), uma portaria determinando a abertura de um inquérito civil público para elucidações sobre a retirada da peça O Evangelho segundo Jesus, rainha do céu da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos. A proposição busca investigar as razões e os responsáveis pelo confisco da liberdade de expressão e criação artística da montagem com a atriz trans Renata Carvalho. Ou seja, exposição dos fatos e as ações para garantir a liberdade de expressão e criação artística.

  •  “A ciência não possui definição sobre por que pessoas possuem orientação sexual e de gênero diversa daquelas pelas quais são biologicamente reconhecidas. O fato é que tais pessoas existem e são fortemente marginalizadas nas relações sociais” (…) “Um dos direitos a serem tutelados pelo Estado é a igualdade e a proscrição de toda e qualquer forma de discriminação, prevista no art. 3º, inciso IV, e no art. 5º, caput, e inciso XLI, ambos da CF/1988”.
    Nota Técnica nº 8, de 15/3/2016, do Conselho Nacional do Ministério Público – CNMP

A audiência de instauração de inquérito civil está marcada para o dia 28 de janeiro de 2019, às 14h, tendo como investigadas a Secretaria Estadual de Cultura de Pernambuco, a Secretaria de Direitos Humanos de Pernambuco, a Fundação de Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE), a Prefeitura do Recife e Fundação de Cultura de Recife.

Também estão convocados para a audiência a Coordenação de políticas da população LGBT do Governo de Pernambuco, a Gerência de Livre Orientação Sexual do Município de Recife, a Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe) e Conselho de Cultura de Pernambuco.

  • O direito à liberdade de expressão artística pode ser limitado, apenas, para “assegurar o respeito dos direitos e da reputação das demais pessoas; e, proteger a segurança nacional, a ordem, a saúde ou a moral públicas”.
    Artigo 19 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos

A iniciativa é do promotor de Justiça Maxwell Anderson Vignolli, da da 8ª Promotoria de Defesa da Cidadania de Recife, que menciona o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, em que o Estado se compromete “a respeitar a liberdade indispensável à pesquisa científica e à atividade criadora”. E o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos que diz no artigo 19, §2 que “toda pessoa terá o direito à liberdade de expressão”. Para embasar sua argumentação, o promotor também cita a Convenção sobre os direitos das crianças, a Convenção americana sobre direitos humanos e seu Protocolo Adicional da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

    • Registros de violações do direito à liberdade de expressão e criação artística em todo mundo, no ano de 2018: 5 (cinco) foram sequestrados, 48 (quarenta e oito) foram aprisionados, 57 (cinquenta e sete) foram processados, 50 (cinquenta) detidos, 88 (oitenta e oito) perseguidos, 57 (cinquenta e sete) sofreram ataques e 246 (duzentos e quarenta e seis) foram censurados. (…) Uma das formas de ofensa ao direito de expressão ocorre quando “os Governos impõem multas e outras restrições financeiras para silenciar os artistas, contribuindo ao clima de medo e exacerbando a autocensura”.
      Relatório da Organização não governamental internacional Freemuse
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