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Ações do #FicaFAROESTE envolvem shows, artes plásticas e gastronomia neste domingo

Juçara Marçal faz show inédito e experimental, com uma percussão e bases eletrônicas comandadas por ela mesma. Foto: Reprodução do Facebook

Tika, nome artístico de Marina Casonato. Lançou em 2017 o primeiro álbum “Unwritable” (YBmusic), e em 2019 o EP “Nós” (YBmusic); atualmente produz seu segundo disco sozinha em casa, com o violão e a guitarra

A Cia. Pessoal do Faroeste, bando teatral que além das ações artísticas, combate a fome na região da Cracolândia, em São Paulo, vive uma guerra desigual: contra estruturas arcaicas e injustas contra o capitalismo predatório. Uma batalha urgente é para vencer uma ação de despejo. E tem tantas outras… Em agosto, em plena pandemia, o grupo foi notificado com uma ordem de despejo por causa de uma dívida de R$ 200 mil em aluguéis. O prédio sede da companhia é também local do Instituto Luz do Faroeste, onde ocorre desde abril a campanha #FomeZeroLuz, com distribuição de cestas básicas aos moradores da região.

Desde então, voluntários da cena artística e política e pessoas empenhadas com a justiça social, realizam campanhas em caráter de urgência, inclusive uma vaquinha virtual.

Seguindo o programa de arrecadar recursos financeiros para evitar o despejo, acontece neste domingo, dia 4 de outubro, a partir das 16h, a segunda edição do evento beneficente virtual Live #FicaFaroeste. Uma pauta para alegrar, fortalecer humanidades e lutar por uma sociedade mais justa. Transmissão ao vivo com shows das cantoras Juçara Marçal e Tika. Criação de um quadro ao vivo com o artista plástico Renoir.

O paraense Paulo Faria, diretor do Faroeste, prepara um Caruru que será distribuído às pessoas em situação de vulnerabilidade social da Cracolândia.

Serão duas horas de apresentações, mediadas pelos atores Mariana Melgaço e Pascoal da Conceição. O tema desse encontro é a celebração de Cosme e Damião – (comemorado nos dias 26 [para os católicos] e 27 de setembro [para o Candomblé e a Umbanda], com a distribuição de doces para as crianças da chamada “Favelinha da Cracolândia”, – e de São Francisco de Assis, com entrega de alimentação aos animais de estimação da população em situação de rua.

 

Sede do Pessoal do Faroeste, na região da Luz. Fila para distribuição de cestas básicas. Foto: Facebook

O Pessoal do Faroeste completou 22 anos neste estranho ano de 2020. Há mais de uma década a trupe teatral aposta na pesquisa sobre a vida social e política do povo brasileiro, a partir das pulsações do entorno da Estação da Luz. Investe na relação de pertencimento com a região e produz intervenções que valorizem a cidade. Por essas e outras atuações, a companhia ganhou o Prêmio Shell em 2014, na categoria Inovação pela ingerência social e artística que contribui para transformação urbana da região da Luz. Em 2019, o diretor Paulo Faria recebeu da ALESP 23º Prêmio Santo Dias em Direitos Humanos.

A Cia vive exclusivamente da Lei de Fomento ao Teatro, e há um ano está sem patrocínio. Com a pandemia, como praticamente todos, o Pessoal do Faroeste parou a programação dos espetáculos. A turma havia reestreado, em março, a peça O Assassinato do Presidente, suspensa seguindo as recomendações de isolamento social, depois de apenas duas apresentações.

Voluntários agilizaram a primeira vaquinha online via portal Abacashi, que arrecadou R$ 12 mil. Essa verba foi empregada para um depósito em juízo, evidenciando o interesse da companhia em negociar o pagamento dos aluguéis atrasados. Mas a dívida acumulada com aluguéis atrasados chega a R$ 200 mil. Então, gente, ainda falta muito.

“Sem patrocínio há um ano, tem sido impossível pagar a conta, de R$ 10 mil mensais”.
Paulo Faria, diretor da Cia. Pessoal do Faroeste

Paulo Faria: “O foco é encontrar uma solução financeira para apresentar terça-feira, dia 6, na audiência com a juíza. Se alguém tiver uma ideia, manda fumaça”. Foto: Reprodução do Facebook

O diretor da Cia. Pessoal do Faroeste resolveu passar a quarentena dentro do teatro, com a intenção de acompanhar de perto as medidas de acolhimento que seriam tomadas na região da Luz. Quando verificou que as famílias em situação de vulnerabilidade social estavam totalmente abandonadas, Paulo iniciou uma ação de solidariedade de distribuição de cestas básicas.

Antes de receber a visita de um oficial de justiça, que tinha em mãos um aviso de despejo e o prazo de 15 dias para desocupação o imóvel, que funciona como sede da companhia, o artista recebeu um aviso que estava sendo despejado do seu próprio apartamento, também alugado, no bairro da Santa Efigênia, nas proximidades da sede da companhia e da Cracolândia.

Paulo, como a maioria dos artistas, segue lutando. Para manter um espaço tão importante para a vida teatral e social do centro de São Paulo, para continuar ajudando os mais vulneráveis da região, com a campanha #FomeZeroLuz (que tem como missão erradicar a fome no entorno (com ruas, pensões e cortiços totalmente ocupados por famílias em total vulnerabilidade), para combater o egoísmo e a intolerância.

Link da Vaquinha Virtual:
https://abacashi.com/p/ficafaroeste-despejozero

Live #FicaFaroeste – Cosme e Damião/ São Francisco de Assis

Quando: 4 de outubro de 2020 (domingo), das 16h às 18h
Shows: Juçara Marçal e Tika.
Performance: artista plástico Renoir pinta um quadro ao vivo
Gastronomia: Paulo Faria prepara um caruru ao vivo
Apresentadores: Mariana Melgaço e Pascoal da Conceição
Transmissão pelos canais:
Facebook: https://www.facebook.com/CiaPessoaldoFaroeste
Youube: https://www.youtube.com/user/pessoaldofaroeste
Instagram: https://www.instagram.com/cia.pessoaldofaroeste/
Instagram (Preta Ferreira): https://www.instagram.com/preferreira/

Vaquinha online via Abacashi:
https://abacashi.com/p/ficafaroeste-despejozero-2567

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Qualquer desatenção… Pode ser a gota d’água

Gota D’Água {PRETA} atualiza peça de Chico Buarque e Paulo Pontes para falar das complexidades do Brasil atual. Com Jussara Marçal no papel de Joana e Jé Oliveira (ao fundo), como Jasão. De graça, no Itaú Cultural. Foto: Evandro Macedo / Divulgação

Gota D’Água {PRETA} atualiza peça de Chico Buarque e Paulo Pontes para falar das complexidades do Brasil atual. Com Jussara Marçal no papel de Joana e Jé Oliveira (ao fundo), como Jasão.
De graça, no Itaú Cultural. Foto: Evandro Macedo / Divulgação

Jasão, personagem de Eurípides, trai a palavra dada a uma divindade de que seria leal a quem garantiu suas conquistas. Cansou de Medeia e encheu-se de ambição por mais poder. A tragédia grega termina em vingança da mulher abandonada e atingida por uma dor que não suporta. A peça Gota d’Água (1975), de Chico Buarque e Paulo Pontes foi baseada na Medeia de Eurípides e no Caso Especial para TV Medeia: uma tragédia brasileira, de Oduvaldo Vianna Filho. A protagonista não é mais a feiticeira que usa de poderes sobrenaturais e tem parentesco com deuses do Olimpo. Joana é uma mulher do povo; trabalhadora, sofrida e que ama com devoção o sambista mais jovem, boêmio e pais de seus filhos.

A atriz Bibi Ferreira compôs uma Joana arrebatadora na montagem de 1975, numa interpretação marcante que ainda hoje ocupa o imaginário da gente de teatro e seus fãs. (É possível encontrar trechos de áudio e vídeo da atuação de Bibi na internet; é de tirar o fôlego).

Gota d’Água {Preta} – em cartaz de 8 e 17 de fevereiro, no Itaú Cultural – carrega a trama para a atualidade brasileira, reforçando aspectos políticos de que a traição de Jasão também foi de raça e classe. A cantora Juçara Marçal, vocalista da banda Metá Metá (que faz sua estreia como atriz), assume o papel da protagonista Joana, ameaçada de despejo do conjunto habitacional em que mora com os dois filhos.

A situação fica mais difícil para o lado de Joana quando o “seu” homem, Jasão resolve abandoná-la para casar-se com a filha justamente do influente proprietário da vila. O sambista rompe não só com a mãe de seus filhos, mas também com suas raízes, encantado com a perspectiva de ascensão social.

Creonte (Rodrigo Mercadante), pai da noiva Alma, é dessas figuras de espírito torpe (que aparecem cada vez mais nos postos de comando do Brasil desses tempos), poderoso e corruptor que explora, não só economicamente, as casas da Vila do Meio-dia e os desejos de seus moradores.

A direção de Jé Oliveira, que também faz o papel do sambista Jasão, leva ao palco a pulsação cotidiana das periferias e investe na sonoridade do rap e da MPB. Jasão é autor do samba que dá título ao espetáculo e ganha popularidade. A peça trabalha os elementos musicais das religiões de matriz africana – do candomblé e da umbanda. além de danças como o jongo.

Jé Oliveira, um dos fundadores do Coletivo Negro, encenou anteriormente Farinha com Açúcar, tendo por base a música dos Racionais.

Com elenco predominantemente negro, a encenação de Gota D’Água {PRETA} faz da atualização uma restituição racial. E das tranças da opressão investiga as complexas camadas do Brasil atual.

SERVIÇO

Gota D’Água {PRETA}
Estreia: 8 de fevereiro (sexta-feira), às 20h
Temporada: de 9 a 10 (sábado e domingo) e de 14 a 17 de fevereiro
De quinta-feira a sábado, às 20h; domingo às 19h
Onde: Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô)
Sala Itaú Cultural (piso térreo) – 224 lugares
Acesso para pessoas com deficiência e interpretação em libras
Entrada gratuita
Mais informações:www.itaucultural.org.br
Duração aproximada: 160 minutos, com intervalo]
distribuição de ingressos
público preferencial: uma hora antes do espetáculo (com direito a um acompanhante) – ingressos liberados apenas na presença do preferencial e do acompanhante
público não preferencial: uma hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)
Classificação indicativa: 14 anos

FICHA TÉCNICA

Direção geral, concepção e idealização do projetoJé Oliveira
Elenco Aysha Nascimento, Dani Nega, Ícaro Rodrigues, Jé Oliveira, Juçara Marçal, Marina Esteves, Mateus Sousa, Rodrigo Mercadante e Salloma Salomão
Assistência de direção e figurinos Eder Lopes
Direção musical Jé Oliveira e William Guedes
Concepção de dramaturgia musical Jé Oliveira
Texto Chico Buarque e Paulo Pontes
Banda Dj Tano (pick-ups e bases), Fernando Alabê (percussão), Gabriel Longhitano (guitarra, violão, cavaco e voz), Jé Oliveira (cavaco), Salloma Salomão (flauta transversal) e Suka Figueiredo (sax)
Canção original “Paó”, letra de Chico Buarque e Paulo Pontes, musicada por Juçara Marçal
Design e operação de luz Camilo Bonfanti
Design e operação de som Eder Eduardo e Keko Mota
Cenografia Júlio Dojcsar
Coordenação dos estudos teóricos Jé Oliveira, Juçara Marçal, Salloma Salomão e Walter Garcia
Design gráfico Murilo Thaveira
Assessoria de imprensa Elcio Silva
Fotos Evandro Macedo
Produção executiva Janaína Grasso
Realização Itaú Cultural
Produção geral Jé Oliveira

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