Arquivo mensais:maio 2011

Corpo em trânsito

Kleber Lourenço em Portugal. Fotos: Jorge Pereira

Ele não aguentou ficar longe do carnaval pernambucano. Encontrei-o trazendo a mala no elevador de um prédio no Centro da cidade, poucos dias antes da folia, dizendo que tinha conseguido agilizar a volta para casa depois de alguns meses em Portugal. Foi lá que Kleber Lourenço concretizou o seu terceiro espetáculo solo de dança contemporânea: Estar aqui ou ali?. Agora, mais uma vez, o bailarino, ator, diretor, performer vai experimentar o deslocamento. Estreia o espetáculo hoje, às 16h, em Petrolina, dentro de uma circulação promovida pelo Sesc, chamada Encena PE.

Muito coerente, aliás, já que o solo trata exatamente do trânsito, das identificações culturais construídas num percurso e os estranhamentos que decorrem desse processo. “Passei três meses sozinho em Portugal, mergulhado no trabalho. Buscando uma relação de reconhecimento nos lugares. E fiquei em Lagos, uma cidade turística, que tem semelhanças com o Recife. Tem uma ligação também com a história da colonização, com a rota de escravos”, conta.

A viagem foi realizada através do Programa de Candidaturas Internacionais do LAC – Laboratório de Actividades Criativas da cidade de Lagos. “Ano passado, oito artistas internacionais foram contemplados por esse projeto, de música, artes plásticas, com quem eu trocava muito”, relembra. Para compor o seu espetáculo, Kleber também viajou por todo o Nordeste à procura de identificar semelhanças e diferenças, estereótipos, a sensação de ser estrangeiro e de como é a adaptação a essa situação.

Já de volta ao Recife, na sala de ensaios do Teatro de Santa Isabel, Lourenço contou com a ajuda do coreógrafo Jorge Alencar, diretor artístico do grupo baiano Dimenti (ele assina a cocriação e colaboração dramatúrgica); e do músico Zé Guilherme, mais conhecido como Missionário José, que cuida das músicas dos espetáculos do intérprete desde Negro de estimação, segundo solo do bailarino. “Desta vez estamos tentando combinar coisas que teoricamente não se misturam, além de discutir a não-negação das músicas do ambiente, já que o espetáculo será apresentado na rua”, explica Missionário José.

Estar aqui ou ali? estreia hoje, em Petrolina

Em Petrolina, para a estreia e a realização da oficina Práticas corporais em trânsito (que já teve as incrições encerradas), o bailarino contará com a ajuda de Jorge Alencar, que tinha sido convidado por Kleber desde 2008 para compor o projeto. “Como colocar as teorias em prática, transformando em cena, isso me interessa bastante”, explica Alencar.

Estar aqui ou ali? ainda vai passar por Araripina, Bodocó, Buíque, Belo Jardim, Surubim, Caruaru e São Lourenço da Mata. No Recife, a apresentação será dentro da Cena bacante, projeto do Palco Giratório, no Espaço Muda, dia 27, às 23h, com a participação de Catarina Dee Jah e Júnior Black. Só aqui na capital pernambucana é que o espetáculo será apresentando num espaço fechado; nos outros lugares, o artista pretende interagir com a cidade e com os seus estímulos, se apresentando em feiras, praças, locais de grande circulação de pessoas.

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Palco Giratório Recife traz 41 espetáculos

41 espetáculos (sendo um deles internacional), de 38 companhias. É o Palco Giratório Recife que se aproxima e se estabelece entre os dias 06 e 28 de maio. Nós bem que já adiantamos grande parte da programação no post anterior, mas como a coletiva de imprensa foi realizada hoje pela manhã no Sesc Santo Amaro, temos mais novidades e algumas coisas a complementar!

Primeiro com relação aos espetáculos locais. Além daqueles que já tínhamos divulgado, teremos ainda: Cordel do amor sem fim, A barca (Grupo Grial de Dança), A revolta no país dos retalhos (Teatro de Retalhos – Grupo de Teatro do Sesc Arcoverde), A peleja da mãe nas terras do senhor do açúcar, um ensaio aberto da peça Divinas (Duas Companhias), Os que vivem dentro de nós (estreia do Grupo de Estudos / Projeto Tela Teatro, da Fundaj), Reprilhadas e entralhofas, Pólo marginal, Madléia, A morte do artista popular, Palhaços em conserto e a demonstração de trabalho Paralelas do tempo – A teatralidade do não ser, da Fiandeiros.

A nossa listinha de nacionais também foi ampliada. Faltou, por exemplo, o Imbuaça, importante grupo sergipano, com tradição de teatro de rua, que vai apresentar O mundo tá virado e Teatro chamado cordel. Além disso, Amok, do Rio de Janeiro, traz além de O dragão, o espetáculo Kabul, que pode ser visto dia 27, no Barreto Júnior. O Moitará, também do Rio, traz dois espetáculos e não um só: Quiprocó e Acorda Zé. Do Rio Grande do Norte vem o Grupo Estação de Teatro com Em cada canto um conto; e da Bahia, Mar me quer. A atração internacional vem de Cuba. É Merida Urquia, atriz, contadora de histórias e diretora, que apresenta Mãe Coragem. Mérida é também professora de voz e em 1997 integrou a Escola Internacional de Antropologia Teatral, dirigida por Eugenio Barba.

O festival será encerrado no dia 28 com uma programação especial que até então só acontecia em algumas unidades do Sesc no interior, como em Petrolina: a Over 12 – 12 horas de programação ininterrupta. Num mesmo lugar, teremos exposição, cinema, teatro, música, lançamento do livro O fogo da vida, de Sônia Bierbard, e circo. Será no Sesc Casa Amarela, das 12h às 0h. Os espetáculos serão Chat, O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas, As joaninhas não mentem, a performance Nicho portal do imaginarium e Os embromation.

Todas as sextas-feiras do festival, o lugar que promete reunir artistas e público até bem mais tarde é o Espaço Muda, na Rua do Lima, em Santo Amaro. É lá que vão acontecer as edições da Cena bacante. Celebrações com vinho, performances, espetáculos. Nesta sexta, quem se apresenta é a Cia. Animé, com As levianas. Nos outros finais de semana teremos ainda Os tormentos de MacBeth, com um grupo de artistas que se intitulou Coletivo Muda; Milkshakespeare, com a Trupe de Copas; e Estar aqui ou ali?, com o Visível Núcleo de Criação.

A parceria com o chef César Santos foi mesmo confirmada e depois da coletiva nós até já provamos, por exemplo, o sanduíche A tecelã (Pão banquete, creme de queijo, salmão defumado, picles de pepino ao molho de mostarda com alcaparras); o coquetel O amor de Clotilde, idealizado pelo chef Fernando Bezerra, do Senac; e o brigadeiro No pirex. Participam da Cena Gastrô a Comedoria Sesc Casa Amarela, o Espaço Muda, o Restaurante Escola do Senac, o Oficina do Sabor e La farinata. Os menu completo, com entrada, prato principal e sobremesa no Restaurante-Escola do Senac custa, por exemplo, R$ 19, 90; no Oficina do Sabor, sai por R$ 30. Cada espaço tem seu cardápio específico.

Sei que o post vai ficar gigante! Mas como todo mundo quer se programar, vou colocar a programação completa do festival. Os ingressos, para a maioria dos espetáculos (já que os de rua são gratuitos) custam R$ 10 e R$ 5.

PROGRAMAÇÃO | EspetáculosIngressos | Inteira R$ 10 – Meia R$ 5

06 Sexta-feira
19h30 Caetana | Duas Companhias (PE) | Teatro Luiz Mendonça – com áudio-descrição
23h Cena Bacante: As Levianas | Cia. Animé (PE)| Espaço Muda (gratuito)

07 Sábado
16h30 Frankenstein | Cia. Polichinelo (SP) | Teatro Marco Camarotti
20h Rebu | Teatro Independente (RJ) | Teatro Capiba
20h Essa Febre que Não Passa | Coletivo Angu de Teatro (PE) | Teatro Hermilo Borba Filho

08 Domingo
16h30 Frankenstein | Cia. Polichinelo (SP) | Teatro Marco Camarotti
17h A Barca | Grupo Grial (PE) | Praça Senador Carlos Wilson (gratuito)
19h Rebú | Teatro Independente (RJ) | Teatro Capiba – com áudio-descrição
19h A Galinha Degolada | Persona Cia de Teatro & Teatro em Trâmite (SC) | Teatro Apolo

10 Terça-feira
10h A Revolta no País dos Retalhos | Teatro de Retalhos – Grupo de Teatro do Sesc Arcoverde (PE) | Mercado de Casa Amarela (gratuito)
19h A Peleja da Mãe nas Terras do Senhor do Açúcar | Construtores de História (PE) | Teatro Marco Camarotti
21h Mar me Quer | A Outra Companhia de Teatro (BA) | Teatro Hermilo Borba Filho

11 Quarta-feira
10h A Revolta no País dos Retalhos| Teatro de Retalhos – Grupo de Teatro do Sesc Arcoverde (PE) | Mercado de São José (gratuito)
19h Concerto de Ispinho e Fulô | Cia do Tijolo (SP) | Teatro Marco Camarotti
21h Mar me Quer | A Outra Companhia de Teatro (BA) | Teatro Hermilo Borba Filho

12 Quinta-feira
10h A Revolta no País dos Retalhos | Teatro de Retalhos – Grupo de Teatro do Sesc Arcoverde (PE) | Mercado das Mangueiras (gratuito)
21h Quiprocó | Moitará (RJ) | Teatro Barreto Junior

13 Sexta-feira
20h Os que Vivem dentro de Nós | Grupos de Estudos / Projeto TelaTeatro (PE) | Estúdio Massangana – FUNDAJ (gratuito)
21h Palhaços | Dramart Produções (PE) | Teatro Barreto Junior
23h Cena Bacante: Os Tormentos de MacBeth | Coletivo Muda (PE) | Espaço Muda (gratuito)

14 Sábado
16h30 Em Cada Canto um Conto | Grupo Estação de Teatro (RN) | Teatro Marco Camarotti
20h Dentrofora | IN.CO.MO.DE-TE (RS) | Teatro Barreto Junior
20h Acorda Zé, A Comadre tá de pé! | Moitará (RJ) | Teatro Luiz Mendonça

15 Domingo
16h30 Reprilhadas e Entralhofas – Um concerto para acabar com a tristeza |Cia 2 em Cena de Teatro, Circo e Dança (PE) | Teatro Marco Camarotti – com áudio-descrição e Libras
17h Polo Marginal | Grupo de Teatro de Rua Loucos e Oprimidos da Maciel (PE) | Praça Ademar Vieira (gratuito)
19h O Evangelho Segundo São Mateus | Grupo Delírio (PR) | Teatro Apolo
21h Dentrofora | IN.CO.MO.DE-TE (RS) | Teatro Barreto Junior

17 Terça-feira
16h É nóis na Xita | Namakaca (SP) | Praça do Campo Santo (gratuito)
20h Madleia + ou – doida |Cia do Chiste (PE) | Teatro Capiba

18 Quarta- feira
19h Mãe Coragem | Merida Urquia (Cuba) | Teatro Marco Camarotti
21h A Morte do Artista Popular | Escola Sesc de Teatro – Sesc Piedade (PE) | Teatro Hermilo Borba Filho – com áudio-descrição

19 Quinta-feira
19h Mãe Coragem | Merida Urquia (Cuba) | Teatro Marco Camarotti
21h Cabanagem | Corpo de Dança do Amazonas (AM)| Teatro Luiz Mendonça – com áudio-descrição

20 Sexta-feira
19h Mãe Coragem | Merida Urquia (Cuba) | Teatro Marco Camarotti
21h A Tecelã | Caixa do Elefante (RS) | Teatro Luiz Mendonça
23h Cena Bacante: MilkShakespeare | Trupe de Copas (PE)| Espaço Muda (gratuito)

21 Sábado
16h30 Palhaços em ConSerto | Doutores da Alegria (PE) | Teatro Marco Camarotti
17h Demonstração de Trabalho Paralelas do Tempo – A TEATRALIDADE ‘DO NÃO SER’ | Companhia Fiandeiros de Teatro (PE) | Espaço Fiandeiros (gratuito)
20h No Pirex | Armatrux (MG) | Teatro Barreto Junior

22 Domingo
16h30 O Fio Mágico | Mão Molenga Teatro de Bonecos (PE) | Teatro Marco Camarotti – com áudio-descrição
17h Encena PE – Estar Aqui ou Ali? | Visível Núcleo de Criação (PE) | Parque Camaragibe (gratuito)
19h De-Vir | Cia. Dita (CE) | Teatro Luiz Mendonça

24 Terça-feira
16h O Mundo tá Virado | Imbuaça (SE) | Praça Campo Santo (gratuito)
19h Divinas |Duas Companhias (PE) | Teatro Marco Camarotti

25 Quarta-feira
10h Teatro Chamado Cordel | Imbuaça (SE) | Mercado das Mangueiras (gratuito)
19h O Acidente | Visível Núcleo de Criação (PE) | Teatro Marco Camarotti
21h Cordel do Amor sem Fim | O Poste: Soluções Luminosas (PE) | Teatro Hermilo Borba Filho – com áudio-descrição e Libras

26 Quinta-feira
21h O Dragão | Amok (RJ) | Teatro Barreto Junior

27 Sexta-feira
21h Kabul|Amok (RJ) | Teatro Barreto Junior
23h Cena Bacante: Estar Aqui ou Ali? | Visível Núcleo de Criação (PE) | Espaço Muda (gratuito)

28 Sábado
12h às 24h – Over12 – 12 horas de programação ininterrupta | Sesc Casa Amarela

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Teatro brasileiro de luto

Na sessão de domingo de 12 Homens e uma Sentença, dirigido por Eduardo Tolentino, no teatro Imprensa, em São Paulo, o ator e diretor José Renato Pécora, 85 anos, cometeu um ato falho. No texto, em que deveria dizer “o velho do andar de cima só queria um pouco mais de atenção”, ele disse “o velho do andar de cima só queria um pouco mais de tempo”. Não teve muito.

O fundador do Teatro de Arena, em 1953, morreu, na madrugada deste domingo (2/5), em São Paulo, deixando de luto o teatro brasileiro, a cultura.

Depois do espetáculo jantou com o elenco no restaurante Planetas’s, como era de costume. E seguiu para o terminal rodoviário Tietê, para pegar um ônibus para o Rio de Janeiro. Passou mal. Foi levado ao Pronto Socorro de Santana, mas não resistiu a um infarto fulminante. Zé Renato, estava em cartaz há sete meses com o espetáculo e interpretava o jurado número nove, após 56 anos sem atuar.

O velório está ocorrendo no Teatro de Arena e o enterro está marcado para a manhã desta terça-feira, no Cemitério do Morumbi.

O diretor esteve à frente do Arena em seus momentos de maior ebulição, como na direção das montagens revolucionárias de Eles não usam black-tie (1958), com texto de Gianfrancesco Guarnieri e Chapetuba Futebol Clube (1959, texto de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha).

Zé Renato morreu na madrugada desta segunda-feira. Foto: Zineb Benchekchou/Divulgação

Nós também estamos de luto.

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Maio é mês de Palco Giratório

O mês de maio traz promessas de muitos espetáculos no Recife. Nesta segunda-feira, o Sesc vai anunciar a programação do festival Palco Giratório, que deve tomar conta da cidade a partir do dia 6. Além dos espetáculos que fazem parte do circuito nacional e de grupo convidados, Galiana Brasil, coordenadora do Palco em Pernambuco, já tinha dito que iria privilegiar espetáculos que estão estreando ou que não tiveram tanta visibilidade.

Este ano, temos pelo menos duas novidades. Uma delas é um circuito gastronômico com pratos que vão homenagear espetáculos da programação. A criação seria do chef César Santos. A outra é uma programação chamada Cena bacante, que deve ser realizada no Espaço Muda, ao final das noites, com espetáculos em horários alternativos e celebração.

Estamos sabendo de alguns espetáculos pernambucanos que devem compor a grade. Caetana, por exemplo, da Duas Companhias, deve ser apresentado na próxima sexta-feira, noite da abertura do festival, no Teatro Luiz Mendonça, agregando a casa de espetáculos do Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, ao festival.

Caetana, deve abrir o festival no Luiz Mendonça. Foto: Val Lima

No dia seguinte, deve ser a estreia da montagem Essa febre que não passa, do Coletivo Angu de Teatro, no Teatro Hermilo Borba Filho, no Bairro do Recife. Ainda teremos, provavelmente (afinal, a coletiva é só amanhã!), a estreia de Palhaços, com Williams Santana e Sóstenes Vidal; As joaninhas não mentem, infantil (adulto!) com direção de Jorge Féo; Kléber Lourenço estreando seu projeto Estar aqui ou ali ? e ainda apresentando ao lado de Sandra Possani a peça O acidente; e o Mão Molenga Teatro de Bonecos (selecionado para a circulação nacional do palco) reapresentando na cidade O fio mágico. Esquecemos alguém?

Essa febre que não passa é o quarto espetáculo do Angu de Teatro

Pela programação já apresentada pelo Palco nacional, pelo menos treze grupos de outros lugares devem trazer espetáculos para cá. Olha só quem são esses grupos e as sinopses dos espetáculos:

Cia. Dita (CE)
Espetáculo De-vir
Sinopse: Quatro performers pontuando as interferências do corpo com seu ambiente. O corpo entendido como uma mídia que avança por acelerações, rupturas, diminuições de velocidade, desmembrando, constantemente, uma nova roupagem. De-vir propõe intensificar esses movimentos ondulatórios engendrando a idéia de um novo design, que pode re-compor a disposição e a ordem dos elementos essenciais que compõem as estruturas físicas de uma pessoa.

Grupo: Corpo de Dança do Amazonas (AM)
Espetáculo: Cabanagem
Sinopse: Foi uma revolta popular em que negros, índios e mestiços insurgiram contra a elite política regencial. A pesquisa para o espetáculo partiu da literatura de Márcio Souza e Marilene Corrêa. A obra não é narrativa. O espetáculo apropria-se da essência da Cabanagem e utiliza a linguagem de Mário Nascimento para traduzir o espírito de resistência, de luta, de revolta, de preservação das culturas de determinado local.

Grupo: Cia do Tijolo (SP)
Espetáculo: Concerto de Ispinho e Fulô
Sinopse: Uma Rádio Conexão SP/Assaré anuncia que uma Cia de Teatro de São Paulo chega para entrevistar o Poeta Patativa. O que seria uma entrevista costumeira se transforma num diálogo entre o popular e o erudito, o urbano e rural e culmina com a denúncia de um dos primeiros ataques aéreos contra civis em território brasileiro que não está nos livros de história.

Concerto de Ispinho e Fulô, Cia do Tijolo

Grupo: Armatrux (MG)
Espetáculo: No pirex
Sinopse: Boquélia (A dona da casa), Bencrófilo ( O garçom jovem), Bonita (A cozinheira), Ubaldo ( O garçom velho), e Alcebíades (O velho) são os cinco personagens que, em volta de uma mesa, dão vida a essa história que mais parece um pesadelo cômico. Ou um jantar surrealista? Uma festa macabra? Uma versão gótica do Mad Tea Party do país das maravilhas? Tudo isso ou nada disso: a piração do No Pirex é aberta a múltiplas leituras do público.

No pirex, da Armatrux

Grupo: Teatro Independente (RJ)
Espetáculo: Rebú
Sinopse: Em Rebú, Matias e Bianca são recém-casados e moram numa casa isolada em meio a um descampado. O jovem casal prepara-se para receber Vladine, irmã adoentada de Matias, que traz junto seu bem mais precioso: Natanael, uma espécie de filho. A hiperbólica e exigida cautela com a saúde da hóspede e a presença do seu acompanhante fazem com que Bianca, aos poucos, crie uma rivalidade com ambos, levando o embate às últimas conseqüências.

Grupo: Namakaca (SP)
Espetáculo: É nóis na xita
Sinopse: Mostra o convívio entre três personagens: os palhaços Cara de Pau, Montanha e Cafi, que disputam os aplausos do público, aceitando os próprios equívocos como fonte de inspiração e improvisação. Utilizando-se de linguagem e técnicas circenses como malabarismo, monociclo, acrobacias, equilibrismo e palhaçadas, o espetáculo é também musical, brincando com instrumentos como o cavaquinho, o pandeiro e diferentes efeitos percussivos.

Grupo: Amok (RJ)
Espetáculo: O dragão
Sinopse: É uma criação sobre o conflito entre israelenses e palestinos a partir de fatos e depoimentos reais. Através do olhar de quatro personagens – dois palestinos e dois israelenses, de suas trágicas histórias e de suas humanidades expostas, o Amok Teatro propõe revelar o interior das pessoas nesta experiência comum da dor, onde as diferenças não separam mais, mas simplesmente as distingue e as religa. Ultrapassando as barreiras históricas e geográficas, o espetáculo coloca em foco o homem, diante da violência de sua época.

O dragão, da Amok. Crédito: Fernanda Ramos

Grupo: Cia. Polichinelo (SP)
Espetáculo: Frankenstein
Sinopse: Em seu laboratório, Victor Frankenstein está muito ocupado costurando uma imensa criatura e para que todos saibam de sua proeza, Victor anota tudo em seu diário. Depois de atingida por um raio, a criatura finalmente ganha vida, mas é abandonada por Victor que, com medo de sua própria criação, foge para longe, deixando de lado seu experimento. Com medo, as pessoas recusam se aproximar do “monstro”, mas ele encontra amizade em alguns pequenos momentos.

Grupo: Moitará (RJ)
Espetáculo: Quiprocó
Sinopse: É um espetáculo lúdico, que se alimenta do universo cultural brasileiro para criação de “tipos” genuínos, com seus sonhos, crenças e costumes, fazendo alguns paralelos entre os arquétipos e a Commedia Dell’Arte. Num encontro oportunista, três “personagens-tipos” – cada um na sua rotina – tentam saciar seus desejos, utilizando artimanhas de sobrevivência e, num jogo divertido de quiproquós, são deflagrados conflitos dos sentimentos humanos.

Grupo: Persona Cia de Teatro & Teatro em Trâmite (SC)
Espetáculo: A galinha degolada
Sinopse: Conta a história do casal Mazzini-Ferraz e seus 4 filhos. Portadores de uma doença mental incurável, os meninos sofrem todas as conseqüências da falta de amor entre os pais. Passado certo tempo, nasce uma menina, que não é acometida pela mesma doença, mas que acaba revelando o verdadeiro sentido da falta de cuidado e amor do casal.

Grupo: Delírio (PR)
Espetáculo: O evangelho segundo São Mateus
Sinopse: A partir do acontecimento dramático do desaparecimento de um filho e seu hipotético retorno à casa dos pais, depois de um longo período, mãe, namorada, irmão e pai iniciam uma investigação emocional e psicológica pelos caminhos percorridos pelo rapaz em sua longa ausência. Esse conflito familiar é o ponto de partida para uma longa reflexão sobre a condição humana, no que ela tem de bela, doce, engraçada, cruel e trágica. O Evangelho de Mateus surge então como palavra utilizada para discorrer sobre o homem e seus descaminhos. Mateus, o filho que retorna é um segredo a ser desvendado pelo público.

O evangelho segundo São Mateus, Grupo Delírio

Grupo: Caixa do Elefante (RS)
Espetáculo: A tecelã
Sinopse: Uma tecelã, capaz de converter em realidade tudo o que tece com seus fios, busca preencher o vazio de seus dias criando, para si, o suposto companheiro ideal. O espetáculo trata, de forma poética, da solidão feminina, das dificuldades de relacionamento e do poder criativo como possibilidade de transformação.

Grupo: IN.CO.MO.DE-TE
Espetáculo: Dentro fora
Sinopse: O espetáculo é uma metáfora sobre o ser humano contemporâneo. Conta o momento de duas personagens, chamadas apenas Homem e Mulher, que se encontram presos dentro de duas caixas. A peça explicita a imobilidade do ser humano perante a vida.

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Melodrama em três quadros

Espetáculo Relações enquadradas

Primeiro quadro – Um papel em branco
Três textos do gaúcho José Joaquim de Campos Leão, conhecido como Qorpo Santo (1829-1883), são a base do espetáculo Relações enquadradas, do grupo Matraca, que cumpriu temporada recente no Teatro Marco Camarotti, no Recife. A montagem, que teve direção de Claudio Lira, foi dividida em quadros, costurados por dois personagens, apresentadores de uma espécie de programa de auditório.

Das linhas dos textos de Qorpo Santo, podem saltar questões como amor, poder, interesse, moral, sociedade e até política, mesmo que a lupa do autor esteja focada no relacionamento de casais.

Para a montagem, o grupo decidiu fazer algumas adaptações, entre elas a supressão de alguns personagens e a mudança de quadros de outros, e escolheu o invólucro do melodrama como estilo.

Segundo quadro – Separação de dois esposos
Parece ter sido exatamente nessa escolha que a crítica social tão pulsante no texto de Qorpo Santo se desprendeu da montagem, perdendo força e alcance.

Vamos ao enredo: no primeiro quadro, Um papel em branco, Espertalínio, professor e de Mancília, “seduz” a jovem. O verbo seduzir talvez nem seja o mais adequado, porque ela está mesmo doida para entregar-se ao senhor. No auge do amor, até uma criança eles tentam engabelar para ter alguns momentos de privacidade. Com o tempo, no entanto, as artimanhas não serão mais para se ver próximo, mas para conseguir alguma liberdade, mesmo que a volta para casa seja reconfortante.

Separação de dois esposos


No segundo, Separação de dois esposos, Farmácia e Esculápio têm uma relação em crise. Eles não sabem como agradar-se e nunca estão satisfeitos. Farmácia até já tem um namorado, Fidélis; e Esculápio também sai em busca de uma relação de “amizade”, mas ao final, os dois estão ali juntos para tudo, inclusive para morrer. Nesse texto, o autor parece usar esse casal para tratar de questões que vão muito além. “Mas quem poderá viver sem regras ou sem preceitos que regulem seus direitos; seus deveres; seus poderes!? Seriam as sociedades um caos. Anarquizar-se-iam, e logo depois — destruir-se-iam”, questiona Esculápio. No original, esse quadro tem ainda dois servos amantes, que ficaram para o final da montagem.

No terceiro, Mateus e Mateusa são idosos que se toleraram (ou não!?). Tem três filhas que lutam para ver quem consegue atrair mais o amor do pai. Nesse caso, o texto questiona a crença nas instituições, não só a do casamento, mas inclusive na justiça.

Terceiro quadro – Mateus e Mateusa
Ano passado, uma montagem fez muito sucesso na capital pernambucana: O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas, da Trupe Ensaia Aqui e Acolá. A pesquisa do grupo também era baseada no melodrama. Para quem viu as duas peças, impossível não traçar paralelos: os gestos prolongados, as músicas, as caras e bocas dos personagens. Não que isso de alguma forma traga prejuízos à Relações enquadradas, mas é interessante notar como as duas montagens beberam na mesma fonte, sendo que a execução de O amor de Clotilde…, até por se tratar de um grupo com atores mais experientes, mostra-se melhor resolvida no palco. Alguns elementos em Relações enquadradas beiram o humor raso, escrachado, como quando um cupido de formas, digamos, um pouco avantajadas, entra em cena.

Outra questão é que, ao retirar os dois servos amantes do seu texto original e deixá-lo para o fim da montagem, a impressão que se dá é que aquele último quadro é forçado, estereotipado. Está certo que se baseia quase integralmente nas diretrizes do texto original, mas talvez fosse tratado de maneira mais orgânica à montagem se não tivesse sido deixado para o fim. Por outro lado, algumas soluções cênicas merecem elogios, como colocar as três irmãs do quadro Mateus e Mateusa vestindo a mesma saia.

Epílogo
Relações enquadradas foi montado por um grupo de ex-alunos do Sesc Piedade, o grupo de Teatro Matraca. E os textos escolhidos deram a possibilidade dos atores mostrarem realmente as suas potencialidades, inclusive com espaço para alguns curtos monólogos. Alguns desses atores se destacam. É o caso de Catarina Rossiter (Farmácia e Catarina) e de Maurício Azevedo (Esculápio, Silvestra, Tatu e Avó 1), esse último principalmente pelo talento para a comédia. Ainda estão no elenco Ariele Mendes (Menina e Mateusa), Geraldo Dias (Senhor Quadrado e Fidélis), Ju Torres (Quadradete e Avó 2), Mário Rodrigues (Espertalínio e Tamanduá), Ubiratan Cavalcante (Mateus) e Viviane Braga (Mancília e Pêdra).

Na ficha técnica, Claudio Lira assina direção, direção de arte, maquiagem e programação visual; Diogo Felipe a direção musical; Sandra Rino fez coreografias e preparação corporal; Agrinez Melo assina iluminação; Flávia Layme a preparação vocal; e a execução de cenário, figurinos e adereços foi de Manuel Carlos de Araújo.

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