Engolindo baratas: atriz questiona falta de pagamento da Prefeitura do Recife

Atriz apresentou leitura dramatizada em agosto e ainda não recebeu pagamento. Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

Atriz apresentou leitura dramatizada em agosto e ainda não recebeu pagamento. Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

Entra governo e sai governo e parece que as coisas mudam muito pouco. Aqui mesmo no Satisfeita, Yolanda? algumas (muitas) vezes já fizemos matérias cobrando pagamentos de cachês atrasados. Artistas que trabalharam e não tiveram suas atividades remuneradas; ou que levaram meses e passaram por muito constrangimento até conseguir o que era simplesmente um direito. Agora a história se repete. Mais uma vez. Luciana Lyra utilizou as redes sociais neste sábado (18) para protestar e fazer um apelo às autoridades. A atriz e diretora participou da abertura da programação da 12ª edição do Festival Recifense de Literatura A Letra e A Voz, realizado pela Prefeitura do Recife, através da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife, com curadoria do jornalista Schneider Carpeggiani.

Sob direção de Newton Moreno, a atriz apresentou a leitura dramática A Paixão segundo GH que, inclusive, voltou aos palcos recentemente em São Paulo. A apresentação criada especialmente para o festival no Recife foi no mês de agosto do ano passado e, até agora, nem sinal de pagamento de cachê. “(…)Por meio da intensidade das palavras da escritora, engoli barata e ‘dei inocentemente a mão ao público, e porque eu a segurava é que tive coragem de me afundar’. Tive a competente direção de Newton Moreno respondendo ao convite delicado do curador Schneider Carpeggiani. Ainda para completar o cuidado todo dedicado à leitura dramática realizada em homenagem ao romance de Clarice, tive produção de Karla Martins, indumentária de Fabiana Pirro e música de Ricardo Braz”, escreveu Luciana Lyra.

“Infelizmente o mesmo cuidado que empregamos na lida com este lindo público e com o evento, não teve a Fundação de Cultura da Cidade do Recife, da Prefeitura do Recife, em fazer o pagamento desses artistas a espera há longos oito meses”, continuou. Segundo Luciana Lyra, há pelo menos seis meses uma nota fiscal foi entregue à Prefeitura, mas “não tivemos sequer retorno ou satisfação dos coordenadores do Festival acerca do pagamento por nossa atuação em terreno pernambucano”.

Schneider Carpeggiani durante entrevista coletiva que anunciou a programação do festival. Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

Schneider Carpeggiani durante entrevista coletiva que anunciou a programação do festival. Foto: Andréa Rêgo Barros/PCR

O jornalista Schneider Carpeggiani, que fez pela terceira vez a curadoria do festival, também usou as redes sociais para se manifestar. “Como curador passei um tempão tentando ajudar os convidados do festival, que não conseguiam informações de quando ou se iriam receber. Mas acabei ficando sem conseguir essas informações para repassar, tanto quanto os outros. (…) Compartilho aqui a indignação de Newton e de Luciana, porque como curador a minha principal moeda é justamente a confiança das pessoas que eu convido para o meu trabalho, confiança que tanto o conceito vai ser bom quanto que elas vão receber”, escreveu.

Em entrevista ao blog, Carpeggiani ressaltou a falta de capacitação da equipe que compõe a Fundação de Cultura. Segundo o seu relato, um dos autores que participou do festival recebeu um e-mail dois meses após o evento, informando que ele só receberia se enviasse fotos comprovando que participou da programação de fato. “É preciso haver uma capacitação das pessoas que fazem parte atualmente da Fundação de Cultura, para que elas entendam o que estão fazendo. Há uma percepção que eles contratam não pessoas especializadas, mas técnicos, pessoas de ação. Só que para a realização de um festival é preciso que esses técnicos tenham noção não apenas de ação, mas de com quem e em relação a que estão trabalhando”, pontuou o curador, afirmando que a parte operacional e de produção durante o festival é competente. “Eles precisam saber quem é um Newton Moreno ou o que é A paixão segundo GH de Clarice, porque isso facilita o processo”.

Para o curador, que disse ter conhecimento de que outros artistas também não receberam, “não é só honrar com os compromissos. Além disso, as pessoas não podem se sentir constrangidas quanto ao fato de procurarem informações em relação ao pagamento”, concluiu.

Enviamos um e-mail para a assessoria de imprensa da Prefeitura do Recife para tentar algum esclarecimento com relação ao não pagamento dos convidados do festival A Letra e A Voz.

Mas será mesmo que é só esse festival que está sofrendo com a falta de compromisso do poder público? Que outros eventos ainda aguardam pagamento? Se você é artista e também não recebeu, comente! Quem sabe não conseguimos ampliar esse clamor na luta por respeito e dignidade?

Festival para crianças de Pernambuco abre inscrições

Caxuxa, da Duas Companhias (PE), participou de edição anterior

Caxuxa, da Duas Companhias (PE), participou de edição anterior

O 12º Festival de Teatro para Crianças de Pernambuco está com inscrições abertas a partir de hoje até o dia 16 de maio. A mostra nacional, não competitiva, ocorre de 4 de julho a 2 de agosto de 2015 no Recife e Região Metropolitana, numa realização da Métron Produções. Estão previstas 32 sessões de 10 montagens pernambucanas e sete de outros estados nos Teatros de Santa Isabel, Luiz Mendonça e Marco Camarotti. Além de apresentações oito espetáculos em quatro espaços públicos.

A seleção das peças será feita por uma curadoria composta pelo encenador, cenógrafo, figurinista, maquiador, ator e bonequeiro Marcondes Lima; pelo ator, diretor de teatro, dramaturgo, produtor cultural e diretor da Métron Ruy Aguiar e pelo gestor cultural, arte educador e historiador Williams Sant’Anna.

O caráter de formação e articulação dos artistas e técnicos do setor também é destacado pela diretora da Métron Produções, Edivane Bactista, que adianta que a 12ª versão terá quatro oficinas direcionadas a profissionais que atuam em produções para a infância e juventude oficinas e palestras gratuitas.

As informações e orientações estão no site www.teatroparacrianca.com.br . É necessário um DVD com o espetáculo na íntegra para fazer o cadastro, que pode ser feito na sede da Métron Produções (Rua Tabira, 109, Boa Vista, Recife) ou via Correios.

O projeto conta com o incentivo do Funcultura PE, do Governo de Pernambuco.

Outras informações: (81) 3088-6650 / 8859-0777. Ou E-mails: contato@teatroparacrianca.com.br e
metron.producoes@uol.com.br

Das rendas da amizade e do amor

Atrizes Zuleika Ferreira e Celia Regina no espetáculo Sebastiana e Severina. Fotos: Pedro Portugal

Atrizes Zuleika Ferreira e Celia Regina no espetáculo Sebastiana e Severina. Fotos: Pedro Portugal

Duas amigas rendeiras, moradoras do interior da Paraíba sonham com um príncipe encantado. É tempo de festa para o padroeiro de Umbuzeiro, São Sebastião, quando aparece um forasteiro na cidade. O problema é que ambas ficam interessadas no mesmo homem e com isso a amizade delas fica balançada. E elas passaram a disputar a atenção do bandoleiro de todas as formas. Desde cantar, fazer rendas e até conclamar os poderes mágico de Dona Zefinha, a feiticeira da cidade. A versão pernambucana da peça Sebastiana e Severina, assinada por Claudio Lira, fica em cartaz no Teatro Hermilo Borba Filho aos sábados e domingos, às 16h, a partir deste final de semana.

“Fiquei encantado pela obra por me proporcionar uma volta ao interior. Lembrei muito da minha meninice, das festas de reis de São José do Egito, cidade dos meus pais onde vivi grande parte da minha infância”, relembra o encenador Claudio Lira, natural de Petrolina, no Sertão.

Esse drama amoroso é recheado de saudade de um Brasil mais profundo. O espetáculo Sebastiana e Severina é inspirado no livro do escritor e ilustrador pernambucano André Neves, publicado em 2002, pela editora DCL. O autor passava as férias escolares na cidade de Umbuzeiro, na casa de sua avó, quando era criança. Essas lembranças das festas do padroeiro serviram de inspiração para a história.

“O mais interessante do texto de André Neves foi vê-lo tratar o homem do interior não só no âmbito da seca, do sofrimento, mas também pelo lúdico, abordando, inclusive, suas alegrias”, diz Claudio Lira.

Em cena, os atores-músicos Célia Regina, Demétrio Rangel, Luiz Manuel e Zuleika Ferreira cantam e tocam instrumentos e expõem o processo da criação, pois eles interpretam uma trupe que chega para contar a história das solteironas. Uma espécie de oratório guarda e revela os elementos da encenação.

A montagem busca destacar o que o “interior” tem de belo. E para isso incorpora a alegria das manifestações populares, a arte do cavalo-marinho e do mamulengo e as brincadeiras de rua.

Sebastiana e Severina traz clima de festa de interior

Sebastiana e Severina traz clima de festa de interior

SERVIÇO
Sebastiana e Severina
Quando: sábados e domingos, às 16h, até dia 10 de maio
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Av. Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife. Fone: 3355 3321)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (crianças até 10 anos, estudantes, professores e maiores de 65 anos).
Realização: Claudio Lira e Teatro Kamikaze

Ficha Técnica
Assistência de direção, trabalho de construção prosódica e direção de produção: Andrêzza Alves
Assistência de Produção: Ivo Barreto
Iluminação: Játhyles Miranda
Direção Musical e Preparação Vocal (canto): Demétrio Rangel
Direção de Arte: Marcondes Lima
Preparação Corporal: Quiercles Santana
Programação Visual: Claudio Lira
Assessoria de Comunicação: Leidson Ferraz
Mestres Artesãos:
Máscara:
Giorgio De Marchi
Calçados: Expedito Seleiro
Malas: Zé das Malas

Temporada de Obscena no Teatro Capiba

Solo com Fabiana Pirro. Fotos: Renta Pires

Solo com Fabiana Pirro. Fotos: Renta Pires

Libertária, enigmática, irreverente, densa, lírica, radical, sedutora, trágica, obscena, lúcida, amargurada, satírica, charmosa, estranha, subversora de conceitos. São tantas as facetas da escritora Hilda Hilst que os adjetivos se multiplicam. Sua obra causa assombros. E arrebatou atriz Fabiana Pirro, que mergulhou no universo poético de Hilda para construir Obscena, em temporada às sextas e sábados, às 20h30, no Teatro Capiba do SESC Casa Amarela, no Recife, até o final deste mês. O monólogo tem direção, dramaturgia e encenação de Luciana Lyra. A peça estreou no último Janeiro de Grandes Espetáculos.

Líria, uma mulher de 40 anos, que transborda de desejos, dialoga com presentes e as ausências. Esse desejo se expõe em convergência entre o sagrado e o profano. Como outros narradores-personagens de Hilst ela está mergulhada num fluxo de consciência fragmentado, num lugar em que surgem os homens fantasma de sua vida: Avô, Pai, Filho, Deus.

Como há ecos do encontro de Hilda com o pai, a esquizofrenia do poeta e ensaísta Apolônio de Almeida Prado Hilst de Apolônio; Pirro também enfrentar suas questões com o seu pai, traduzidas de forma poética na cena e no corpo da atriz.

E nessa experiência cênica, Fabiana Pirro também enfrenta suas assombrações existenciais. Pela primeira vez sozinha em cena para celebrar seus 15 anos de teatro.

O projeto, que não recebeu nenhum patrocínio público, é encampado pelos grupos artísticos Duas Companhias (PE), Unaluna (SP) e Coletivo Lugar Comum (PE). A direção de arte leva a assinatura da atriz Nara Menezes e a preparação corporal foi traçada pela bailarina/performer Silvia Góes. A direção musical, criação da trilha e paisagens sonoras são de Ricardo Brazileiro. Os figurinos são de Virgínia Falcão, design de luz de Luciana Raposo, filmografia de Ernesto Filho e Renata Pires.

Além das apresentações no Janeiro de Grandes Espetáculos de 2015, Obscena fez um ensaio aberto em outubro de 2014, no Teatro Capiba. Em julho a Duas Companhias, Unaluna e Coletivo Lugar Comum realizaram a Mostra Hilda Hilst: poesia e prosa, na Galeria Castro Alves, no Recife. A obra da autora foi investigada, discutida e corporificada em pequenas leituras dramáticas nas vozes da própria Fabiana Pirro, Luciana Lyra, Ceronha Pontes, Silvia Góes, Samarone Lima e Conrado Falbo.

Várias facetas do desejo são incorporadas pela intérprete

Várias facetas do desejo são incorporadas pela intérprete

SERVIÇO
Espetáculo Obscena
Com Fabiana Pirro
Quando: sextas e sábados, às 20h30, até o final de abril
Onde: Teatro Capiba do SESC Casa Amarela
Quanto: R$ 30,00 e R$ 15,00

FICHA TÉCNICA:

Idealização do projeto e atriz-criadora: Fabiana Pirro
Dramaturgia, encenação e direção: Luciana Lyra
Trilha sonora: Ricardo Brazileiro
Preparação corporal: Silvia Góes
Direção de arte: Nara Menezes
Design de luz: Luciana Raposo
Operação de luz: Leo Ferrario
Figurino: Virgínia Falcão
Colaboração artística: Conrado Falbo
Produção: Fabiana Pirro e Lorena Nanes
Filmografia: Ernesto Filho e Renata Pires
Design gráfico: Tito França
Fotos: Renata Pires
Realização: Duas Companhias, Unaluna e Coletivo Lugar Comum

Peça de Roraima investiga universo feminino

Espetáculo do grupo Criart Teatral, de Boa Vista, faz circulação pelo Nordeste. Foto Adriana Mendivil/Divulgação

Espetáculo do grupo Criart Teatral, de Boa Vista, faz circulação pelo Nordeste. Foto Adriana Mendivil/Divulgação

O tema é ambicioso e o tratamento percorre delicadezas. O espetáculo A santa casa investe no universo feminino dos séculos 15 a 19, mas que repercute até hoje. “Um arquétipo da mulher que foi deixada pelo marido, a mulher revolucionária, a mulher abusada sexualmente, a mulher que sonha em se casar, enfim, são mulheres que encontramos nos séculos passados e vamos encontrar até hoje, porque são sentimentos que fazem parte da própria vida do ser humano”, explica o diretor pernambucano Edjalma Freitas.

A montagem é do grupo Criart Teatral, de Boa Vista, Roraima, e faz uma única apresentação no Recife nesta quarta-feira, no Espaço Cênica (Recife antigo), às 20h. A peça circula pelo Nordeste (João Pessoa e Natal) graças ao Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2013.

Acompanhadas ao violino por Augusta Pacheco, as atrizes Jayne Cardoso, Kaline Barroso, Karen Barroso e Marcelle Grécia interpretam Helena, Mercês, Flor e Geralda, nomes inspirados na música Casa aberta, de Milton Nascimento.

O elenco expõe fragmentos da vida de mulheres em seus momentos cotidianos, com a família. O amor e a sexualidade, a violência e os desenganos são também retratados na peça. Medos e desejos, o que mudou ao longo desses séculos e o que permanece?

A dramaturgia foi criada a partir de pesquisa em livros, filmes, poemas, músicas, minisséries como O albergue das mulheres tristes, A história das Mulheres no Brasil, A casa das sete mulheres, A Condessa de sangue, Olga, Gritos e sussurros e Uma cruz à beira do abismo.

Nas apresentações, o público masculino é separado da plateia feminina dentro do conceito do espetáculo de colocar os homens como espectadores das mulheres, sem direito a voz.

A montagem é dirigida por Edjalma Freitas

A montagem é dirigida por Edjalma Freitas

SERVIÇO

ESPETÁCULO A SANTA CASA
QUANDO: 15 de Abril (Quarta –feira) às 20h
ONDE: Espaço Cênicas (Rua Marques de Olinda,199 – segundo andar.
Bairro do recife antigo – entrada pela Vigário Tenório.
QUANTO: Pague quanto puder.
INDICAÇÃO: 14 ANOS.
PLATEIA: 80 LUGARES

FICHA TÉCNICA:
Direção: Edjalma Freitas
Elenco: Jayne Cardoso, Kaline Barroso, Karen Barroso, Marcelle Grécia.
Violinista: Augusta Pacheco
Concepção de Figurino: Luciano Pontes
Concepção e operação da Iluminação: Baronso Lucena
Fotografia: Sulivan Barros e Adriana Mendivil
Preparação Vocal: Flávia Santa Rita
Preparação Corporal: Myriam Ásfora e Alexssandra Paz
Contra-regra: Serena Barros.
Produção Local: Recife – Toni Rodrigues, João Pessoa – José Nilton, Natal – Arlindo Bezerra.
Realização: Criart Teatral