Arte, corpos diferenciados e potentes nas Olimpíadas

Se Fosse Fácil, Não Teria Graça. Foto: Nando Bolognesi / divulgação

Se Fosse Fácil, Não Teria Graça. Foto: Nando Bolognesi / Divulgação

A arte é algo grande. Maior que a intolerância, o preconceito, as tentativas de exclusão. Muitos grupos de teatro, dança e circo ressignificam os corpos deficientes numa cena potente e libertadora – para artistas e para o público. Essas companhias exercem o direito à criação no campo das artes não como resposta salvadora ou redentora, mas como exercício de autonomia e beleza. A Mostra Acessível Rio das Olimpíadas aposta no corpo diferenciado como protagonista da criação e em novos parâmetros que permitem a capacitação de cidadãos críticos e conscientes. E investe na democratização da elaboração e acesso aos bens culturais e como desdobramento na formação de novas plateias.

Essa Mostra Acessível – articulada pelo Janeiro de Grandes Espetáculos – FIAC/PE – dialoga com a Paraolimpíada Rio 2016. E de 23 a 28 de agosto (terça a domingo), ocupa o Teatro Cacilda Becker, com espetáculos de dança, teatro e circo, além de workshop, visita tátil, tradução em libras, audiodescrição, mesa-redonda e conversa com o público.

O cotidiano vivido por artistas com deficiências físicas e cerebrais (cadeirantes, com nanismo, cegos, usuário de muletas, com lesão cerebral, membros atrofiados) é matéria-prima para as criações cênicas dos trabalhos da programação.

O evento integra a Mostra Funarte de Festivais 2016, com uma programação que soma companhias de quatro estados brasileiros: Ceará, Rio Grande do Norte, São Paulo e Rio de Janeiro.

A potiguar Cia Gira Dança exibe os espetáculos Sem conservantes, de Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira; e Proibido elefantes, de Clébio Oliveira. A Gira Dança é referência nacional e internacional na sua proposta de buscar uma linguagem própria com atores e bailarinos portadores de deficiência na dança contemporânea. Utilizando o conceito do corpo diferenciado como ferramenta de experiências, o grupo busca quebrar o paradigma de corpos perfeitos. O diretor Anderson Leão bate na tecla da necessidade de mudar o olhar sobre a pessoa com deficiência. Ele costuma dizer que não são os bailarinos que precisam de reabilitação, e sim a plateia que precisa ser reabilitada.

Espetáculos como Proibido Elefantes são provocadores para abrir a mente das pessoas. Foto: Brunno Martins

O ator-palhaço paulista Nando Bolognesi comparece com a peça Se fosse fácil, não teria graça. Ele usa sua experiência como clown para contar, de maneira divertida, como superou as dificuldades impostas pela esclerose múltipla e de que forma enfrenta as situações cotidianas. Ele descobriu a doença aos 21 anos de idade. Na peça, ele é engraçado e comovente, ironiza fatos, ri de si mesmo, expõe seu aprendizado de conviver com as limitações impostas pela doença.

O cearense Grupo Ninho de Teatro marca presença com Avental todo sujo de ovo. O espetáculo terá audiodescrição e uma visita tátil (antes da apresentação acessível, o público formado por pessoas cegas ou de baixa visão, poderá visitar o cenário, e ter uma vivência espacial a ser incorporada).

Criada em 2000, a carioca Pulsar Cia de Dança tem se dedicado à construção de obras coreográficas que reflitam a multiplicidade do indivíduo e dos corpos ímpares. peça Indefinidamente indivisível acende para uma entrada poética e plástica no pensamento bergsoniano. O espetáculo da Pulsar conta com voz em off de Angel Vianna.

Durante a programação também ocorrerá: o workshop Dança contemporânea e consciência através do movimento, com Teresa Taquechel (Pulsar Cia de Dança), no dia 26 das 10h às 13h e no dia 28 das 12h às 15h; a mesa redonda Curadoria Inclusiva: como identificar, programar e produzir o trabalho do artista com deficiência, com tradução em libras e audiodescrição, no dia 28, às 16h; e uma conversa com o público depois do espetáculo Avental todo Sujo de Ovo, no dia 27.

“Queremos com a Mostra Acessível Rio das Olimpíadas promover artistas com deficiência, que realizam trabalhos dentro dos parâmetros profissionais de máxima qualidade artística, e promover também a reflexão: sobre a criação estética que envolve os recursos de acessibilidade; a acessibilidade dos espaços culturais; e sobre como aproximar artistas com e sem deficiência para que trabalhem juntos e explorem novos formatos e novas visões de mundo, partindo de suas diferenças”, ressalta Paula de Renor, coordenadora de produção da Mostra.

O Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco, idealizador e promotor da Mostra é realizado ininterruptamente há 23 anos, no Recife e mais recentemente em outras 3 cidades do interior do estado, com programação local, nacional e internacional.

PROGRAMAÇÃO

23 de agosto, terça-feira, às 20h
Espetáculo: SE FOSSE FÁCIL, NÃO TERIA GRAÇA
Nando Bolognesi / SP

tragicomédia pode ser considerada a primeira sitdowntragedy no Brasil, pois faz rir e chorar e convida o público a repensar o modo de estar no mundo e a enxergar a vida

Tragicomédia convida a repensar o modo de estar no mundo e de enxergar a vida. Foto: João Caldas Filho

O autor e ator Nando Bolognesi descobriu ter esclerose múltipla aos 21 anos de idade. Ao se deparar com essa doença degenerativa, progressiva, incurável e com potencial incapacitante ele resolveu dar uma virada na própria vida. Formado em Economia na USP e em História na PUC, ingressou na Escola de Arte Dramática EAD-ECA-USP. Trabalhou no cinema, televisão e teatro. Casou-se e adotou um filho. Criou, integrou ou dirigiu diversos projetos, entre ele o Doutores da Alegria, o Cidadão Clown, o Fantásticos Frenéticos e o espetáculo Jogando no Quintal. Publicou o livro Um palhaço na boca do vulcão (ed. Grua) e, desde agosto de 2013, apresenta o espetáculo Se fosse fácil, não teria graça em teatros, empresas e universidades. Na peça, ele conta como tem transformado dificuldades, limites e crises em alegrias, desafios e realizações.
Autor, diretor e intérprete: Nando Bolognesi
Assistente de direção: Élida Marques
Produção: Joca Paciello e Élida Marques Prod. Art. Ltda
Duração: 80 minutos
Censura: 14 anos
*Recurso de tradução em libras

24 de agosto, quarta-feira, às 20h
Espetáculo: SEM CONSERVANTES
Cia Gira Dança / RN

Sem Conservantes, da Cia Potiguar Gira Dança Foto: Divulgação

Sem Conservantes, da Cia Potiguar Gira Dança Foto: Divulgação

Há mais de 10 anos que a companhia Gira Dança, de Natal (RN), trabalha com o conceito de corpos diferenciados. Anderson Leão, diretor do espetáculo Sem Conservantes, foge de um padrão conservador na dança e junta nos espetáculos bailarinos altos, baixos, gordinhos, evitando essa ideia piegas e de coitadinho. A companhia trabalha com artistas com deficiência, encarando-as como pessoas completas e capazes. Atuam no grupo bailarinos com nanismo, cadeirantes, com Síndrome de Down, cegas, com paralisia cerebral, além de pessoas sem deficiência.
Sem Conservantes foi coreografado pela dupla Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira. Eles desenvolveram movimentos a partir da ideia do desapego e do abandono. Os coreógrafos negociaram fragmentos da memória presente em imagens tiradas dos vídeos de processos anteriores de Ângelo e Ana Catarina: Somtir (2003), Outras Formas (2004) e Clandestino (2006). Esse material foi processado junto com os meninos do grupo para gerar uma coreografia e uma dramaturgia em cima de fotos.

Direção artística, coreografia e pesquisa de linguagem: Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira
Direção geral e artística: Anderson Leão
Elenco: Álvaro Dantas, Jânia Santos, Marconi Araújo, Rozeane Oliveira e Wilson Macário
Classificação: LIVRE
Duração: 60 minutos

25 de agosto, quinta-feira, às 20h
Espetáculo: PROIBIDO ELEFANTES
Cia Gira Dança / RN

Proibido Elefantes, da Cia Gira Dança. Foto: Brunno Martins

Proibido Elefantes propõe uma reflexão sobre limites e preconceitos. O espetáculo fala do olhar como via de acesso, porta de entrada e saída de significados. O modo como percebemos a “realidade” é resultante do diálogo que estabelecemos com ela.
O olhar enquanto apreensão subjetiva do mundo é, neste trabalho, apontado como elemento potencializador do sujeito diante do mesmo. Proibir elefantes é restringir o acesso, impedir o livre trânsito do animal que serve como meio de transporte na Índia, mas que causaria enormes transtornos em outras localidades.
O espetáculo aposta no olhar do sujeito sobre si e sobre o mundo em que vive como elemento ressignificador e instaurador de realidade.
Concepção, coreografia e direção: Clébio Oliveira
Bailarinos: Álvaro Dantas, Jania Santos, Joselma Soares, Marconi Araújo, Rodrigo Minotti e Rozeane Oliveira
Classificação: 12 anos
Duração: 55 minutos

26 de agosto, sexta-feira, às 20h
Espetáculo: INDEFINIDAMENTE INDIVISÍVEL
Pulsar Cia de Dança / RJ

Espetáculo da coreógrafa Teresa Taquechel trata das possibilidades do movimento. Foto: -Jaime Acioli / Divulgação

Espetáculo da coreógrafa Teresa Taquechel trata das possibilidades do movimento. Foto: Jaime Acioli / Divulgação

Indefinidamente Indivisível se propõe a contribuir com novas perspectivas, ampliar o diálogo e o questionamento em torno da arte para pessoas com ou sem deficiência, além de estimular no espectador um novo olhar em relação à arte e à diferença. O espetáculo traça um roteiro de possibilidades e variantes. O risco permanece, pois o erro é a parte viva do acerto: abre para o que pode vir a ser. O uso das bolas infláveis neste processo investigativo permite que os corpos vivenciem de forma intensa a transformação e a imprevisibilidade do movimento. Abre caminhos para uma entrada poética e plástica no pensamento do filósofo Henri Bergson. A mudança é indivisível, o tempo – duração – é indefinidamente indivisível.
Criação e direção: Teresa Taquechel
Intérpretes: Andrea Chiesorin, Beth Caetano, Bruno Alsiv, Laura Canabrava, Marianne Panazio, Moira Braga, Raphael Arah e Rogério Andreolli
Voz em Off: Angel Vianna
Classificação etária: LIVRE
Duração: 55 minutos

27 de agosto, sábado, às 20h
Espetáculo: AVENTAL TODO SUJO DE OVO
Grupo Ninho de Teatro / CE

Foto: Jarbas-Oliveira Grupo Ninho de Teatro Ceará-

Grupo Ninho de Teatro, do Ceará. Foto: Jarbas Oliveira

A montagem estreou no início de 2009. A peça foca a relação familiar, com suas emoções exacerbadas, suas limitações e suas (in)verdades. Propondo uma intimidade com o público, o elenco convida os espectadores a adentrarem na casa de Alzira e Antero, o casal que há 19 anos, junto à comadre Noélia, suporta a angustiante espera do filho Moacir. Esse cenário só se modifica a partir da inesperada visita de Indienne Du Bois. Na trama um jovem interpreta sem risco de estereótipos alguém muito mais velho que o ator, uma mulher uma transsexual e um deficiente físico um papel que não dá ênfase para esta deficiência.
Texto: Marcos Barbosa
Direção: Jânio Tavares
Elenco: Edceu Barboza, Joaquina Carlos, Rita Cidade e Zizi Telécio
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos
*Recurso de Audiodescrição

MESA REDONDA
Dia 28/8 (Domingo) – Das 16 às 18h30
Curadoria Inclusiva como identificar, programar e produzir o trabalho do artista com deficiência
Como o produtor pode se preparar melhor para trabalhar com artistas com deficiência?
Com: Beth Caetano – CVI-Rio/Bailarina da Pulsar Cia de Dança
Camila Alves – Sapoti e CCBB
Liliane Rebelo – British Council
Sidnei Pereira – CCBB
Curadoria e Organização: Paula Lopez
*Recurso de tradução em libras.
Audiodescrição: Os participantes da mesa descreverão as imagens

Paula de Renor. Foto no espetáculo Duas mulheres em preto e branco. Reprodução do Facebook

Paula de Renor. Foto no espetáculo Duas mulheres em preto e branco. Reprodução do Facebook

Ficha Técnica da Mostra
Realização: Janeiro de Grandes Espetáculos – FIAC/PE
Produção e coordenação geral: Remo Produções Artísticas
Coordenação de produção: Paula de Renor
Produção executiva: Mônica Biel
Curadoria e mediação da mesa redonda: Paula Lopez
Audiodescrição: Nara Medeiros
Tradução em Libras: Milonga Digital Web Mídia
Workshop: Teresa Taquechel (Pulsar Cia de Dança)
Educativo e sensibilização de plateia: Carla Strachmann
Coordenação técnica: Marcos Siqueira
Assessoria de imprensa: Ney Motta / contemporânea comunicação
Assistência de assessoria de imprensa: Ana Andréa

Serviço

Mostra Acessível Rio das Olimpíadas
Onde: Teatro Cacilda Becker. Rua do Catete, 338, Catete, Rio de Janeiro. Fone: 21 2265-9933 (próximo a Estação Largo do Machado do Metrô)
Quando: De 23 a 28 de agosto, terça a sábado às 20h e domingo às 16h
Capacidade de público: 186 pessoas, com acesso facilitado para deficientes físicos
Classificação indicativa: vide programação
Ingressos: GRÁTIS
Distribuição dos ingressos: 1h antes de cada espetáculo

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Agenda de AGOSTO – Quarta semana

DANÇA

CARA DA MÃE

As bailarinas Ana Luiza Bione (ao centro), Janaína Gomes (à esq.) e Íris Campos. Foto: Camila Sérgio/ Divulgação

As bailarinas Ana Luiza Bione (ao centro), Janaína Gomes (à esq.) e Íris Campos. Foto: Camila Sérgio/ Divulgação

Cara da Mãe é uma experiência poética em dança inspirada em jornadas do feminino, especificamente, na compreensão do universo da maternidade, com suas inquietudes e conquistas no mundo contemporâneo. Nasceu de uma ânsia pessoal e artística das bailarinas-criadoras Ana Luiza Bione, Íris Campos e Janaina Gomes que tiveram a ideia de condensar as vivências e indagações de mães numa proposta em dança. E para isso contaram com a orientação de Luciana Lyra, que dirigiu o espetáculo. O projeto de manutenção de temporada conta com incentivo do FUNCULTURA – Fundo de Incentivo à Cultura do Estado de Pernambuco.
Onde: Espaço Experimental (Rua Tomazina ,199 – Recife Antigo)
Quando: 26 e 27 de agosto, 10* e 11*, 17 e 18 de setembro, 01* e 02* de outubro, às 19h (* As apresentações com audiodescrição acontecerão nos dias 10 e 11 de setembro e nos dias 01 e 02 de outubro)
Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Mais informações: (81)3224.1482

EM CARTAZ

A RECEITA

Solo com Naná Sodré. Foto: Thais Lima

Solo com Naná Sodré. Foto: Thais Lima

O solo A Receita, com a atriz Naná Sodré faz curta temporada no Teatro Luiz Mendonça, nos dias 18 e 25 de agosto (quintas-feiras), às 20h, dentro do projeto Hoje tem Espetáculo. Com texto e direção de Samuel Santos, mostra a história tragicômica de uma mulher anônima, que entra em abstração, depois de maus-tratos e abandono do marido. Morte, violência, loucura e a intolerância são narradas nesse monólogo explorando diversos pontos de vista.
A Receita começou a ser construída em Brasília, no VI Masters-in-Residence com Eugenio Barba e Julia Varley, do grupo dinamarquês Odin Teatret – Edição Comemorativa – O Diálogo das Técnicas 2013. O solo foi exercitado a partir das observações do diretor Eugênio Barba e da atriz Julia Varley. O processo teve sua continuidade no Recife com direção de Samuel Santos que também assina o texto. Tudo que é construído na cena vem do ator, não há subterfúgios na cenografia, no figurino e na luz, garante o diretor.
Quando: Dias 11, 18 e 25 de agosto (Quintas), às 20h
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu – Av. Boa Viagem, S/N – Boa Viagem, Recife)
Classificação: 14 anos
Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Informações: (81) 3355-9821

HISTÓRIAS BORDADAS EM MIM

Agrinez Melo. Foto: Reprodução da internet

Agrinez Melo. Foto: Reprodução da internet

Primeiro solo da atriz Agrinez Melo, Histórias Bordadas Em Mim, abarca histórias reais e vivências com a costura e com a vida. São depoimentos pessoais que traçam a dramaturgia, que resgata momentos de infância e da tempos recentes.
Quando: De 19 de agosto a 26 de setembro, sextas, às 20h 
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Ingresso: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Informações: (81) 98768-5804 / (81) 99505-4201

PURO LIXO, O ESPETÁCULO MAIS VIBRANTE DA CIDADE

Marinho e Eduardo em Puro lixo. Foto: Rodrigo Monteiro

Marinho Falcão e Eduardo Filho em Puro lixo. Foto: Rodrigo Monteiro

Puro lixo – O espetáculo mais vibrante da cidade celebra a atuação do Grupo Vivencial, trupe de Olinda que, com coragem e purpurina, protagonizou uma experiência  radicalmente transformadora de arte e liberdade no Brasil sob a repressão da ditadura militar.
A montagem destaca o clima de alegria e festa das montagens e das vivecas.
Última parte da trilogia Transgressão em três atos – projeto de Stella Maris Saldanha, Alexandre Figueirôa e Cláudio Bezerra desde 2008, que exalta o  legado do Teatro Hermilo Borba Filho (THBF), do Teatro Popular do Nordeste (TPN) e do grupo Vivencial. Tem texto de Luís Augusto Reis, com consultoria de João Silvério Trevisan e direção de Antonio Cadengue. No elenco Eduardo Filho, Gil Paz, Marinho Falcão, Paulo Castelo Branco, Samuel Lira e Stella Maris Saldanha.
Quando: Sábado e domingos, às 18h. Temporada de  de 13 de agosto a 4 de setembro. (Nos dia 3 e 4 de setembro, serão duas sessões: às 18h e às 20h)
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Rua do Apolo, 121, bairro do Recife)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)

A GLORIOSA VIDA E O TRISTE FIM DE ZUMBA SEM DENTE

A Gloriosa Vida e o Triste Fim de Zumba sem Dente" fica em cartaz nas terças-feiras de agosto. Foto: Eduarda Portella/ Divulgação

Zumba sem Dente em cartaz nas terças-feiras de agosto. Foto: Eduarda Portella/ Divulgação

Baseado no conto O Traidor, de Hermilo Borba Filho. Narra a história de Zumba, sapateiro de Palmares que foi sequestrado e morto após se candidatar a prefeito da cidade. A montagem tem adaptação e direção de Carlos Carvalho, e direção musical de Juliano Holanda. No elenco Mario Miranda, Andrezza Alves, Flávio Renovatto e Daniel Barros.
Quando: 23 e 30 de agosto, terças, às 19h30
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife)
Ingresso: Entrada gratuita
Informações: (81) 3355-3318

O MASCATE, A PÉ-RAPADA E OS FORASTEIROS

O Mascate, a Pé rapada e os Forasteiros com o ator Diógenes D. Lima. Foto: Toni Rodrigues

Recife e Olinda têm histórias divertidas que o ator Diógenes D. Lima leva à cena com linguagem do teatro de objetos. Segundo a produção, o espetáculo urde uma trama real baseada em fatos fictícios sobre as duas cidades de forma inusitada, picante e criativa.
Quando: 24, 25 e 31 de agosto. Quartas e quintas, às 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife)
Ingresso: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Informações: (81) 3355-3320

NA BEIRA

Espetáculo é apresentado na residência do ator Plínio Maciel. Foto: Divulgação

Espetáculo é apresentado na residência do ator Plínio Maciel. Foto: Divulgação

Na Beira é um solo autobiográfico com Plínio Maciel e direção de Rodrigo Dourado, do Teatro de Fronteira. Faz curta temporada aos sábados 13, 20 e 27 de agosto e 3 de setembro, às 20h, numa residência no bairro da Boa Vista. O ator, aderecista, artesão e bonequeiro Plínio resgata suas memórias de menino de Surubim, agreste pernambucano, que se transferiu para o Recife e se encantou com a contação de “causos”. É apontado como um Forrest Gump pernambucano (Forrest Gump é um filme norte-americano de 1994, dirigido por Robert Zemeckis com Tom Hanks no papel-título, baseado no romance homônimo Winston Groom. O protagonista é um homem simples do Alabama que encontra figuras históricas ao viajar pelo mundo e é testemunha de momentos marcantes). Plínio Maciel resgata histórias e lembranças pessoais, personagens e pessoas que marcaram sua vida.
Quando: 27 de Agosto e 3 de setembro (sábados), às 19h
Onde: Boa Vista/Recife/PE. Endereço completo enviado por email na confirmação da reserva
Ingressos: R$ 20 (meia-entrada para todos)
Lotação: Apenas 20 lugares
Reservas: exclusivamente pelo email teatrodefronteirape@gmail.com
Duração: 1h30min
Classificação: 14 anos

 SISTEMA 25

Sistema 25 Foto: Camila Sérgio

A situação carcerária do Brasil é o tema central da peça, construída em conjunto pelos atores-narradores e pelo diretor José Manoel Sobrinho. O ponto de partida é uma visita a um presídio no dia de uma rebelião. Apenas 25 espectadores por sessão.
Quando: De 4 a 27 de agosto; quintas e sextas, às 19h; sábados, às 15h e às 19h
Onde: Caixa Cultural Recife – Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife
Ingresso: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)
Informações: (81) 3425-1915

O DIÁRIO QUASE RIDÍCULO DE AURORA

atores Rose Quirino e Leonardo Bouças. Foto: Divulgação

Atores Rose Quirino e Leonardo Bouças. Foto: Divulgação

O espetáculo da Cia. de Teatro Omoiós traz a história de Aurora, uma mulher em eterna busca por amores, com esperança e desejo de liberdade. Ela narra encontros e desencontros nas páginas de um diário. Faz de uma mesa de bar seu próprio divã e dos goles de uísque a chave para abrir seu coração. Aurora é o alter ego feminino do jornalista, diretor teatral e escritor Manoel Constantino. No elenco, os atores Rose Quirino e Leonardo Bouças.
Quando: 25 de agosto, quintas, às 19h
Onde: Bar Conchitas (Rua Manoel Borba, 709, Boa Vista)
Ingresso: R$ 5

 FEBRE QUE ME SEGUE

Montagem dirigida por Wellington Jr a partir do conto de Breno Fittipaldi. Foto: Divulgação

A Máquina de Sonhos Cia. de Teatro apresenta Febre que me segue, baseado em conto de Breno Fittipaldi. Conta a história dos encontros amorosos entre Pedro e Lui, um homem de quarenta e um e um garoto de dezoito anos, seus conflitos e desejos. O grupo investiga as relações entre teatro e literatura. Direção Geral de Wellington Júnior. Elenco: Binha Lemos , Diogo Gomes , Diogo Sant´ana, Elisa Nascimento, Ito Soares, Janaina Almeida, Javila Lima , Karol Soares , Júlia Marques , Lígia Buarque, Luiz Carlos Filho, Maria Eduarda Carvalho , Melissa Franzen, Natália Cozzan, Nayara Lane , Landau, Rafael Ummem , Rodrigo Hermínio, Sabrina França, Shica Farias, Thiago Aznavour e Vicente Simas.
Quando: 27 de agosto, sábado, às 20h
Onde:Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Escrevemos sobre uma leitura dramatizada do texto em 2011. Quando o assunto é homoerotismo, a faca é afiada

OSSOS

Daniel Barros e Robério Lucado interpretam garotos de programa em Ossos. Foto: Ivana Moura

Daniel Barros e Robério Lucado interpretam garotos de programa em Ossos. Foto: Ivana Moura

O amor moveu Heleno de Gusmão para o exílio e lá ele encontrou o prazer fortuito, o sucesso e a morte. O espetáculo Ossos explora essa viagem do protagonista as suas lembranças e origens, a pretexto de entregar os restos mortais do seu amante aos familiares, em Sertânia, no interior de Pernambuco. A montagem do Coletivo Angu de Teatro faz uma curta temporada no Teatro Barreto Júnior. Um coro de Urubus pontua os fatos embaralhados entre passado e presente. A peça tem dramaturgia de Marcelino e direção de Marcondes Lima. A montagem é patrocinada pelo prêmio Myriam Muniz da FUNARTE – Ministério da Cultura – Governo Federal. Com Arilson Lopes, Ivo Barreto, André Brasileiro, Marcondes Lima, Daniel Barros e Robério Lucado. A trilha sonora é assinada por Juliano Holanda.
Quando: de 19/08 a 25/09, sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h30
Onde: Teatro Barreto Júnior
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Vendas online pelo site: http://vendas.ne10ingressos.com.br

INFANTIL

VENTO FORTE PARA ÁGUA E SABÃO

Segunda montagem da Fiandeiro para o público mirim. Foto: Divulgação

Segunda montagem da Fiandeiro para o público mirim. Foto: Divulgação

Musical mostra a incrível amizade entre uma bolha de sabão chamada Bolonhesa e Arlindo, uma rajada de vento. Os riscos são grandes, mas as recompensas também. É a segunda montagem da Companhia Fiandeiros dedicada ao público infanto-juvenil. O texto é de Giordano Castro, do grupo Magiluth e de Amanda Torres.
Onde:: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, s/n, Pina).
Quando: De 20 de agosto a 25 de setembro, Sábados e domingos, às 16h30.
Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (meia).
Informações: 3355-6398.

AS PERIPÉCIAS DA TRUP DA ALEGRIA

Peça está em temporada em Paulista, região metropolitana do Recife. Foto: Divulgação

Peça está em temporada em Paulista, região metropolitana do Recife. Foto: Divulgação

Os palhaços Bituca, Bu, Leca e a boneca Loli são amigos e nas suas brincadeiras descobrem o valor por trás das palavras amor, perdão, alegria e coragem. Bituca, interpretado por Dodi Fontes, também autor do texto e diretor do espetáculo, se apresenta como valentão e prega uma peça de terror, para que a turma fique apavorada.
Onde: Teatro Experimental Roberto Costa – Paulista North Way Shopping, Região Metropolitana do Recife
Quando: 28 de agosto, às 16h30.
Ingresso: R$ 20 e R$ 10 (meia).

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Somos todos Galileus

Um espetáculo altamente brechitiano com elenco liderado por Denise Fraga. Foto: Joao_Caldas

Um espetáculo altamente brechtiano com elenco liderado por Denise Fraga. Foto: João Caldas

Denise Fraga e o elenco de Galileu Galilei recebem o público na entrada do Teatro de Santa Isabel. É o início de um ritual que vai durar duas horas e meia sem intervalo. Com esse gesto a trupe, sob direção de Cibele Forjaz, ressalta o caráter da presença ao vivo dessa arte e as opções brechtianas da encenação: de ser e se mostrar teatro (em que os atores entram e saem dos personagens), de ser político, de costurar reflexões na carnadura da encenação, de tomar partido. Tudo isso vai sendo aprofundado ao longo da encenação.

Galileu Galilei é a segunda montagem de Denise Fraga de uma peça do dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956). A outra foi A alma boa de Setsuan, que também esteve no Recife.

Esse derradeiro texto de Brecht A Vida de Galileu, rebatizado aqui como Galileu Galilei, pode chegar a quatro horas de duração. A encenação de duas horas e 20 para ser mais exata é puxada. Mas os atores são tão bons, o jogo é tão interessante, as músicas animam, as conexões com a realidade brasileira incendeiam os pensamentos, as reflexões sobre verdade, simulacro, manipulação, coragem e covardia fervilham na nossa cabeça.

Brecht criou três versões da biografia do cientista que confirmou  que a Terra orbita em torno do Sol. Dirigia a quarta com o  Berliner Ensemble, mas morreu em agosto de 1956, antes da estreia em Berlim.

Montagem traça conexões com a realidade brasileira. Foto: João Caldas

Montagem traça conexões com a realidade brasileira. Foto: João Caldas

Na Itália do século 17, Galileu (1564-1642) prova por A + B a doutrina de Copérnico – o Sol como centro do Universo . A Igreja não aceitou essa constatação de Galileu, que foi perseguido pela Inquisição e obrigado a negar publicamente seus estudos.

Por defender a infinitude do Universo, o frade dominicano, filósofo e teólogo italiano Giordano Bruno (1548-1600) foi acusado de prática de heresia e queimado na fogueira pela Inquisição, na cidade de Roma (Itália) em 17 de fevereiro de 1600. Galileu não quis seguir esses passos.

Atuação de Denise Fraga é exuberante e conta com ótimo elenco

Atuação de Denise Fraga é exuberante e conta com ótimo elenco

O que é a verdade? Questiona o espetáculo do começo ao fim. No palco eles falam sobre a Terra que orbitava em redor do Sol e se bulia ao redor do próprio eixo; da Lua, que se mexia em torno da Terra e de que esses movimentos ocorriam em outros planetas. A peça de Brecht também fala sobre verdades, manipulações.

Galileu esbarrou na interpretação da Bíblia. Hoje a intolerância religiosa pelo mundo afora produz atentados com vítimas. E levando a questão para o campo mais cotidiano calamos, nos abraçamos com meias-verdades para sobreviver, fazemos concessões, estamos atolados em contradições, evitamos o conflito para não perder o emprego, a amizade, o poder, a aventura amorosa.  Para pular as fogueiras diárias. Ou mesmo ao assumir as posturas de que eu não tenho nada a ver com isso.

O elenco brada todas as imperfeições desse Homem, que teima em ser o centro do universo, com todas as alegorias que a encenação utiliza.

A peça cutuca o retrocesso político do Brasil. Projeta a realidade do desmonte, da manipulação midiática, da defesa de teses insustentáveis mas insistidas à exaustão de propaganda. Expõe interpretações equivocadas e ridículas do comportamento dos políticos e da covardia de quem não aceita o embate da discussão de ideias.

A aviltante votação da abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff na Câmara Federal (em 17/04) ganha cena na peça.  O trecho evidencia o absurdo da situação e o vexame que os deputados impuseram aos brasileiros frente ao mundo, com suas “argumentações” pífias, sórdidas, desprezíveis. A diretora Cibele Forjaz também inseriu um flash com os “coxinhas batedores de panela” na encenação.

utilização de jornais remete para a montagem de Macunaima de Antunes Filho

Utilização de jornais nos figurinos remete para a montagem de Macunaima, de Antunes Filho

Em  1968, no dia 13 de dezembro, dia da promulgação do Ato Institucional número 5 – o AI-5 (que deu início ao recrudescimento da ditadura militar no país) José Celso Martinez Corrêa e seu Teatro Oficina estrearam a peça São Paulo. Nessa montagem emblemática de Galileu Galilei, a cena do Carnaval era a crítica do grupo a quem apoiava o novo governo. Cibele Forjaz  faz referência a essa ação na sua montagem.

Os figurinos feitos com jornais para a histórica montagem de Macunaíma (1978) , de Antunes Filho (adaptada do livro de Mário de Andrade) também entra no espetáculo numa passagem breve como celebração ao potente teatro contemporâneo brasileiro.

A trilha sonora de Lincoln Antônio e Théo Werneck reelabora músicas originais de Hanns Eisler para a obra original de Brecht e inclui sons inéditos, com direito a marchinha cuja letra é distribuída para que a plateia cante junto. Um clima de festa.

O espaço cênico lembra um picadeiro. O cenário, assinado por Márcio Medina, sustenta uma área circular dianteira, que deixa o palco mais próximo da plateia. Os atores também percorrem corredores. Na cena, um volumoso retângulo de madeira reporta a uma gigantesca escrivaninha: as gavetas, quando puxadas, transformam-se em escadaria. Os figurinos e adereços de Marina Reis trabalham com o conceito de montagem e desmontagem. A luz de Wagner Antônio segue em harmonia com esses movimentos.

Clima festivo e carnavalesco em algumas cenas. Foto: João Caldas / Divulgação

Clima festivo e carnavalesco em algumas cenas. Foto: João Caldas / Divulgação

Denise Fraga tem um talento cômico, que é bem conhecido da televisão. No teatro ela brinca com as sutilizas de Brecht entre o popular e o engraçado. Ao longo da peça, a atriz retira a peruca e mostra os enchimentos na barriga, narrando e comentando o personagem. Seu Galileu é humano, obsessivo, que se debate entre questões éticas, mas não é um herói impecável, e sim um cientista que sabia do valor da sua própria vida para o avanço da ciência. Um composição que merece aplausos.

O elenco afiado e dentro do espírito brechtiano – Lúcia Romano (a filha de Galileu), Théo Werneck, Maristel Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luís Mármora, Silvio Restiffe e Daniel WarrenJackie Obrigon, Ary França (inspirado no papel de um cão ou como o cardeal inquisidor) – defende com distinção e elegância seus personagens .

É louvável o modo articulado da encenação para falar de temas como astronomia, física, matemática, teologia de forma fluida e com linguajar compreensível. Tem vitalidade, crítica humor, ironia, uma narrativa de um personagem histórico, efeitos de estranhamento, como o uso de cartazes que anunciam o título e os acontecimentos de cada cena, e as songs, executadas com música ao vivo pelo elenco.

Com muito humor e ironia fica o recado do cientista: “Desgraçada é a terra que precisa de heróis”. Galileu é  um espetáculo festivo. Intensamente brechtiano, surpreendente, de comunicação expressiva com a plateia numa encenação potente e rica em detalhes de Cibele Forjaz.

Ficha técnica
Texto: Bertolt Brecht
Elenco: Denise Fraga, Ary França, Lúcia Romano, Théo Werneck, Maristel Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luís Mármora, Silvio Restiffe e Daniel Warren
Direção: Cibele Forjaz
Trilha Sonora: Lincoln Antônio e Théo Werneck
Cenografia: Márcio Medina
Figurinista: Marina Reis
Iluminação: Wagner Antônio
Produção Executiva: Lili Almeida
Direção de Produção: José Maria
Assessoria de Imprensa: Barata Comunicação
Transportadora Oficial: AVIANCA | Patrocínio Exclusivo: BRADESCO
Realização: NIA Teatro, Ministério da Cultura e Governo Federal

Serviço
GALILEU GALILEI
QUANDO: de 18 a 21 de Agosto; Quinta, Sexta e Sábado às 20h; Domingo às 19h
ONDE: Teatro de Santa Isabel – Praça da República, s/n
Quanto: R$70 (inteira) | R$35 (meia-entrada) *** R$52,50 (clientes Bradesco para compra de até 02 ingressos para o titular do Cartão Bradesco, AMEX. Desconto válido para compras na bilheteria, não acumulativo com outros descontos). *** R$ 35,00 (Para clientes e funcionários Avianca na compra de até́ 2 ingressos, mediante apresentação do bilhete aéreo ou do crachá Avianca e documento de identificação. Desconto válido para compras na bilheteria, não acumulativo com outros descontos).
Duração: 130 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Informações: (81) 3355-3322

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Genet com escracho da Trupe do Barulho

As criadas malcriadas

As criadas malcriadas faz sessão especial no Teatro Experimental Roberto Costa, em Paulista. Foto: Divulgação

Você acha mesmo que essa perversa relação entre opressor e oprimido é coisa que foi derrubada com o muro de Berlim? Ou com a chegada no mercado do celular “pode tudo” de última geração??? Então vá assistir As Criadas Malcriadas, com a Trupe do Barulho, em apresentação especial neste sábado, no Teatro Experimental Roberto Costa, Paulista North Way Shopping, na Região Metropolitana do Recife. Essa história policialesca e carnavalizada, de sotaque popular, com o perfil histriônico dos atores do grupo, expõe os planos das diabólicas Clair e Solange, que querem acabar com a patroa. Madame X é uma figura sinistra, uma poderosa Drag Queen, que não mede esforços para aumentar sua coleção de títulos, mesmo que para isso precise comprar os jurados.

A peça de Luiz Navarro é baseada no clássico As Criadas, escrita pelo dramaturgo e poeta francês Jean Genet (1910-1986) em 1947, e tem direção de Manoel Constantino. Madame é linda, rica e agora concorre ao título de “Miss Traveca”. Mortas de cobiça com o sucesso de Madame, as maninhas tramam derrubar esse império. O passatempo preferido da dupla é se fantasia com as roupas e as joias da chefa e reproduzir o jogo de dominação e submissão, com uma delas no papel da Madame.

Num dos diálogos de Genet, Claire fala: “Ela, ela gosta de nós. Ela é boa. Madame nos adora”. E Solange responde: “Gosta de nós como das poltronas dela. E olha lá!” Imagine uma conversa dessas, de comadres, com pitadas cômicas, humor kitsch o escracho da exultante Trupe do Barulho, companhia pernambucana de teatro que já montou Cinderela, a estória que sua mãe não contou, Deu a louca na estória que sua mãe não contou, As filhas da P…, As Malditas. 

Em As criadas malcriadas o bando explora o complô com tratamento cotidiano, debochado, farsesco, cômico. E investe nas piadas escrachadas e até escatológicas, nas intervenções abusadas junto ao público para mostrar como se destrói o glamour de uma biscate.

O discurso social é pulverizado com situações do cotidiano das periferias das grandes cidades, e ganha uma carga de ironia no humor irreverente da equipe. Você verá manifestações de arrogância e prepotência de um lado e submissão e subserviência do outro, numa manobra  carregada na caricatura. O jogo de poder das envolvidas inclui rancor, admiração, submissão, amor e ódio.

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Ricardo Silva, (Madame X) no centro e Thiago Ambriell (Solange) à direita, estão no elenco. Foto: Divulgação

Vários atores já atuaram nessa peça, que agora conta com elenco formado por Ricardo Silva (Madame X), Filipe Enndrio (Clair) e Thiago Ambriell (Solange), além dos veteranos Jô Ribeiro (Divina), e Aurino Xavier (Chupingole),

Solange e Clair abusam de astúcias, maldades e magias para evitar o apogeu de Madame. O conflito de classes pode ganhar proporções gigantescas se Madame ganhar o concurso de Miss. As empregadas planejam envenenar a glamorosa patroa com um chá. Elas armam para se transformar em herdeiras naturais, e consequentemente, nas próprias “Madames”.

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Filipe Enndrio interpreta a empregada Clair. Foto: Reprodução do Facebook

Serviço
As Criadas Malcriadas
Onde: Teatro Experimental Roberto Costa, Paulista North Way Shopping.
Quando: Sábado, 20/08, às 20h. Única Apresentação
Quanto: R$ 20 (preço único).
Informações: (81) 98463-8388

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Ossos faz temporada no Teatro Barreto Júnior

 

Marcondes Lima, o diretor, interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação

Marcondes Lima, o diretor, interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação

Ossos é o quinto espetáculo do Angu de Teatro, Coletivo pernambucano com 13 anos de existência. O terceiro da letra de Marcelino Freire – Angu de Sangue e Rasif – Mar que arrebenta são os outros dois. Além de Ópera, de Newton Moreno e Essa febre que não passa, de Luce Pereira. Todos com direção de Marcondes Lima, sendo Essa febre em parceria com André Brasileiro. Ossos narra uma história de amor e suas perversidades. O amor que move para a mudança, que traz a estagnação e a infertilidade afetiva, que lança para a morte.

O dramaturgo Heleno de Gusmão é o protagonista dessa peleja que começa em Sertânia, Sertão pernambucano, passa por Recife e chega a São Paulo e faz o caminho de volta. A estrutura da peça não segue uma linha cronológica, mas traça círculos, dá saltos, inunda de lembranças e de uma atmosfera fantástica.

A montagem volta à cena para uma segunda temporada, desta vez no Teatro Barreto Júnior, neste 19 de Agosto e fica em cartaz até 25 de Setembro, às sextas e sábados, sempre às 20h e domingo às 19h30. A primeira temporada ocorreu no Teatro Apolo.

Coro de Urubus. Foto: Divulgação

Um coro de Urubus pontua a narrativa, Urubus, sabemos, são aves de rapina necrófogas. Existem sete espécies e cinco delas circulam no Brasil. É possível observar essas aves planando sob o céu das cidades, pousando no alto de prédios, ou esquadrinhando os lixões em busca de material orgânico, pois são capazes de eliminar desde carcaças até ossos. Eles têm olfato apurado, estômago privilegiado apto a processar até carne podre e um sistema imunológico invejável. Esses faxineiros da natureza são incompreendidos. Até Charles Darwin, quando visitou a América em 1832 teria comentado: “São aves nojentas, que se divertem na podridão”.

Os Urubus da ficção de Marcelino Freire e Marcondes Lima comentam os acontecimentos da peça, são experts em dar matacão uns nos outros. Às vezes se aproximam dos personagens do teatro infantil ou dos desenhos animados e as vezes cansam ao expor de forma tão crua os sentimentos humanos. E apesar do trabalho difícil que exercem  da fama, eles também amam.

O espetáculo se desenvolve em vários cenários; nos guetos paulistanos do negócio do sexo,  nas esquinas dos michês, nos bastidores de um teatro amador, no interior de Pernambuco onde os ossinhos de bois são material para nutrir a imaginação do futuro escritor, na estrada de volta para à terra natal.

A encenação explora os acontecimentos sob a ótica do protagonista, o dramaturgo Heleno de Gusmão. Seus fragmentos de memória que aparecem como sonho ou um estado hiper-real. Ele fala diretamente ao público ou atua nas suas recordações ou projeções, às vezes de forma distorcida.

A iluminação de Jathyles Miranda é fundamental para impor esse clima que vagueia entre traços expressionistas. Sombras produzem formas bizarras e deformidades visuais, colaborando para o rompimento de continuidade de cena e aproximando de um processo cinematográfico de sobreposições, fusões de cenas e cortes secos.

O universo LGBT é mostrado sem maquiagem, os sonhos, as carências, e o lado sentimental de figuras marginalizadas com o garoto de programa e a travesti. E ergue o caráter político da existência e posicionamento das minorias aflitas no mar do consumismo. A peça é carregada de humor, às um humor doído.

E não podemos esquecer da trilha sonora do músico pernambucano Juliano Holanda, uma obra que merece levar uma vida autônoma por sua qualidade intrínseca. E que no espetáculo transborda em meio a tantos signos.

A montagem de Ossos é patrocinada pelo prêmio Myriam Muniz da FUNARTE – Ministério da Cultura – Governo Federal.

André Brasileiro (C) faz o papel do dramaturgo Heleno Gusmão. Foto: Divulgação

André Brasileiro (C) faz o papel do dramaturgo Heleno de Gusmão. Foto: Divulgação

 

Ficha Técnica
Texto: Marcelino Freire
Direção: Marcondes Lima
Direção de arte, cenários e figurinos: Marcondes Lima
Assistência de direção: Ceronha Pontes
Elenco: André Brasileiro, Arilson Lopes, Daniel Barros, Ivo Barreto, Marcondes Lima, Ryan Leivas (Ator stand in) e Robério Lucado
Trilha sonora original – composição, arranjos e produção: Juliano Holanda
Criação de plano de luz: Jathyles Miranda
Operação de Som: Sávio Uchôa
Preparação corporal: Arilson Lopes
Preparação de elenco: Ceronha Pontes, Arilson Lopes
Coreografia: Lilli Rocha e Paulo Henrique Ferreira
Coordenação de produção: Tadeu Gondim
Produção executiva: André Brasileiro, Fausto Paiva, Arquimedes Amaro, Gheuza Sena e Nínive Caldas
Designer gráfico: Dani Borel
Fotos divulgação: Joanna Sultanum
Visagismo: Jades Sales
Assessoria de imprensa: Rabixco Assessoria
Técnico de som Muzak – André Oliveira
Confecção de figurinos: Maria Lima
Confecção de cenário e elementos de cena: Flávio Santos, Jorge Batista de Oliveira.
Operador de som e luz: Fausto Paiva / Tadeu Gondim
Camareira: Irani Galdino

SERVIÇO

OSSOS, de Marcelino Freire, pelo Coletivo Angu de Teatro
Quando: Temporada de De 19/08 a 25/09; Sextas e sábados, às 20h, Domingos, às 19h30
Onde: Teatro Barreto Júnior
Ingressos: R$30,00 inteira / R$15,00 meia-entrada
Classificação indicativa: 16 anos

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