Domingueiras do Janeiro

Afoxé Oxum Pandá lança disco. Foto:

Afoxé Oxum Pandá lança disco. Foto:

Em louvor das divindades do Orun, o Afoxé Oxum Pandá faz a festa para a entidade  que carrega no nome no show de lançamento do CD Deusa da Beleza. O show é uma atrações do 24º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas e Música de Pernambuco deste domingo. No terreiro da cultura popular, a riqueza dos passos do cavalo-marinho são defendidas por Fábio Soares no seu solo Caminhos.

Para a criançada, a artista Carol Levy aposta no lúdico nas histórias contadas e cantadas e apresenta sucessos de CantaBicho, Contarola e Contarolando. E ainda tem as opções de O Mágico de Oz, no Recife e DORalice, um delicado enredo sobre abuso sexual infantil, em Paulista. 

Com canções do disco Amor Grave, o pernambucano Adriano Salhab põe humor nos conflitos da vivência urbana, a partir de sua experiência de nordestino em São Paulo. O trabalho dialoga com compositores como Tom Zé e Itamar Assumpção. 

 E tem música mais sensualizada com o cantor Ciel Santos, que faz o pleno exercício das possibilidades humanas de ser em todos os gêneros no show Enraizado. O intérprete Geraldo Maia faz investe no potencial intimista da sua vez e canta sem microfone um repertório de canções portuguesas.

PROGRAMAÇÃO

Caminhos – DANÇA

Caminhos. Foto: Wellington Dantas

Caminhos. Foto: Wellington Dantas

Caminhos (Recife)
Quando: Domingo, 21 de janeiro, 19h,
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia).
42 minutos de duração.
Livre

A alegria, a dor, a fantasia e a realidade contidas na brincadeira do cavalo-marinho são apresentadas no espetáculo solo de Fábio Soares. O artista pretende discutir os caminhos e escolhas para buscar a sobrevivência dessa e de outras brincadeiras. Concepção, direção e atuação: Fábio Soares.

Enraizado, com Ciel Santos – MÚSICA

Ciel Santos. Foto: Diego Cruz.

Ciel Santos. Foto: Diego Cruz.

Ciel Santos (Recife)
Quando: Domingo, 21 de janeiro, 18h,
Onde: Teatro Apolo
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia).
1h de duração
16 anos

Mulher? Homem? Veado? Sapatão? Humanos. Somos humanos. Germinamos todos os dias para o novo, criamos raízes, reconstruímos e desconstruímos nosso ser. Enraizado traz um repertório autoral, COMde músicas que se mesclam com textos em uma narrativa dramático-musical. Aborda temas importantes para Ciel Santos: sua vida no interior, dificuldades enfrentadas pela androgenia da sua voz, fé, prazeres e intercâmbios artísticos. Ciel experimenta uma gama de nuances e texturas na voz, com apoio na dança e em movimentos corporais presentes na pluralidade da cultura popular.
Direção musical: Mauricio Cezar.
Músicos: Mauricio Cezar (teclados), Del Lima (baixo), Silva Barros (bateria), George Rocha (percussão).

Geraldo Maria – MÚSICA

Geraldo Maia _ Foto Aldo Rocha

Geraldo Maia. Foto Aldo Rocha

Geraldo Maia (Recife)
Quando: Domingo, 21 de janeiro, 18h,
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna
Quanto: R$ 40 e R$ 20 (meia).
1h10 de duração.
Livre

Nesta apresentação intimista de voz e violão, Geraldo Maia transita entre canções portuguesas que fazem parte de suas raízes lusitanas e clássicos do cancioneiro nordestino. Raízes é um show inteiramente acústico, no qual o cantor não faz uso de microfone ou qualquer outro recurso tecnológico.
Concepção, direção geral, roteiro e repertório: Geraldo Maia.

Adriano Salhab – MÚSICA

Amor Grave. Foto: Jennifer Glass

Show Amor Grave, com Adriano Salhab. Foto: Jennifer Glass

Adriano Salhab – Três de Copas Produções Artísticas (São Paulo)
Quando: Domingo, 21 de janeiro, 19h,
Onde:
Teatro Barreto Júnior
Quanto:
R$ 30 e R$ 15 (meia).
1h30 de duração.
Livre

O pernambucano Adriano Salhab apresenta canções do álbum Amor Grave, que marca sua estreia como compositor e intérprete. É uma tradução criativa e bem-humorada dos conflitos presentes na existência urbana e tem inspiração em seus anos de vida em São Paulo. Em tempos turbulentos, de intolerância e fobias mil, o show convida a uma reflexão, a frequências mais baixas que exigem atenção refinada. Salhab foi parceiro de palco por três anos de Elke Maravilha no espetáculo Elke Conta e Canta. Seu disco anterior é O Sol Rodando Vermelho, sobre Os Sertões de Euclides da Cunha e é interpretado coletivamente por Lira, Tulipa, Mariana de Morais e Celso Sim.
Baixo, viola, guitarra e voz: Adriano Salhab.
Bateria: Julio Epifany.
Guitarra e voz: Fernando Rischbieter.
Teclado e voz: Giuliano Ferrari.

Oxum Afoxé Pandá – MÚSICA

Afoxé Oxum Pandá. Foto: Alice Souza

Afoxé Oxum Pandá. Foto: Alice Souza

Oxum Afoxé Pandá – Paó Produção & Comunicação e Afoxé Oxum Pandá (Recife)
Quando: Domingo, 21 de janeiro, 19h,
Onde: Teatro Luiz Mendonça
Quanto: R$ 5.
1h20.
Livre

Comemorando 23 anos, o Afoxé Oxum Pandá traz a energia das divindades do Orun, sob as bênçãos do babalorixá Genivaldo Barbosa, para o show de lançamento do CD Deusa da Beleza. A apresentação homenageia a deusa Oxum, que representa tudo que há de belo e rico, espalhando seu axé no toque dos atabaques, no repicar dos agogôs, na virada dos agbês e na força das vozes do povo de amarelo e branco.

Carol Levy – TEATRO INFÂNCIA E JUVENTUDE – com audiodescrição em libras

Carol Levy. Foto: Andrea Rego Barros

Carol Levy. Foto: Andrea Rego Barros

Carol Levy – Onomatopéia Idéias Sonoras (Recife)
Cantora e contadora de histórias, Carol Levy leva aos palcos o projeto Conto de Casa, inicialmente concebido para o canal do Youtube da artista pernambucana. No show interativo, as crianças participam com Carol durante toda a apresentação, que traz desde músicas e histórias a peripécias na cozinha.
Direção geral: Carlinhos Borges e Carol Levy.
Direção artística: Luciano Pontes.
Texto, cantora e contadora de histórias: Carol Levy.
Quando: Domingo, 21 de janeiro, às 17h,
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quanto: R$ 50 e R$ 25 (meia).
1h10.

Mágico de Oz – TEATRO INFÂNCIA E JUVENTUDE

Musical O Mágico de Oz - Foto: Beatriz Chaves / Divulgação

Musical O Mágico de Oz – Foto: Beatriz Chaves / Divulgação

A montagem é erguida a partir do famoso filme de 1939. Na história, Dorothy é levada por um furacão a uma terra mágica e conta com a ajuda de três amigos. A produção teatral utiliza um conjunto de cenários, figurinos e adereços para apresentar um espetáculo dinâmico e  tecnológico.
O Mágico de Oz | Companhia do Sol (Recife)
Direção artística geral: Lano de Lins.
Elenco: Anitson Monique, Ibson Quirino, Geovane Souza, Hemerson Moura, Joelma Alves, Lano de Lins, Karine Ordônio, Ibson Silver, Augusto Neves, Marília Santana.
Quando: Domingo, 21 de janeiro, às 10h,
Onde: Teatro Boa Vista
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia).
Musical.
55 minutos de duração.
Livre

Programação Paralela

Ombela – TEATRO ADULTO

Ombela. Com Agri Melo. Foto: Lucas Emanuel / Divulgação.

Ombela. Com Naná Sodré e Agri Melo. Foto: Lucas Emanuel / Divulgação

As atrizes Agrinez Melo e Naná Sodré personificam duas gotas de chuva que se transformam em entidades. As personagens inventam rios e desdobram-se ao som do vento e, a cada gota, fazem nascer ou morrer coisas, gente e sentimentos. Esse mergulho no universo do escritor africano Manuel Rui está envolto numa atmosfera mágica. A peça é interpretada em português e, em algumas partes, em umbundo – um dos principais dialetos de Angola. A trilha sonora é assinada pela cantora Isaar França, e executada ao vivo pelas atrizes do elenco.

Ombela – O Poste Soluções Luminosas (Recife)
Texto: Manuel Rui.
Encenação: Samuel Santos.
Elenco: Agrinez Melo e Naná Sodré
Quando: Domingo, 21 de janeiro, às 18h,
Onde: Espaço O Poste
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia).
Musical.
1h de duração.
18 anos

Senhora na Boca do Lixo  – TEATRO ADULTO

Escrita em 1963, a peça retrata a decadência da classe rica paulistana como metáfora da realidade social do Brasil naquela época, reverberando no panorama político e existencial da atualidade.   

Senhora na Boca do Lixo – Concluintes do curso profissionalizante da Escola de Teatro Fiandeiros (Recife)

Texto:  Jorge Andrade.
Encenação: 
Roberto Lúcio.
Elenco:
Airton Oliveira, Álcio Lins, Bianca Suely, DihRôh, Eduardo Godoy, Ewerton Oliveira, Fernanda Spíndola, Gabriel Thacio, Gabriela Fernanda, Kléber Félix, Laís Queiroz, Luciana Tognon, Milton Raulino, Rafael Braga, Tarcísio Andrade, Humberto, Valmir Leite e Zé Lucas.
Quando: 
Domingo, 21 de janeiro, às 18h,
Onde:
Espaço Fiandeiros
Quanto: 
Gratuito.
1h10.
16 anos

Pequenos Grandes Trabalhos – TEATRO ADULTO

Cenas com os alunos do Espaço Cênicas. Foto: Toni Rodrigues / Divulgação

Cenas com os alunos do Espaço Cênicas. Foto: Toni Rodrigues / Divulgação

 Cenas curtas, a partir de textos de escritores brasileiros, como Nelson Rodrigues, Marcelino Freire e Caio Fernando Abreu, construídas com os alunos do curso Dramaturgia do Ator, da Cênicas Cia. de Repertório, no processo de aprendizagem.

Pequenos Grandes Trabalhos – Alunos do curso Dramaturgia do Ator da Cênicas Cia. de Repertório (Recife)

Encenação: Antônio Rodrigues.
Elenco: Aline Santos, Bruna Barros, Carolina Rolim, Cristiano Primo, Elielson Fellype da Silva Soares, Fabiane Santos, Flávio Moraes, Hygor Callas, Jamerson Lima, Jandson Miranda, Marcionilo Pedrosa, Marcos Zé, Maria Eduarda Pepe, Mariana Brandão, Nara Esteves, Paula Ferreira Mendes, Raphael Mota, Ricardo Andrade, Roberto Sterenberg, Rodrigo Porto Cavalcanti, Sissi Loreto, Tábatta Martins, Waggner Lima.
Participação especial: Douglas Duan.
Quando:Domingo, 21 de janeiro, às 18h,
Onde: Espaço Cênicas (Rua Marques de Olinda, 199 sala 201 2º andar – Entrada pela rua Vigário Tenório.)
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia).
1h20.
14 anos

DORalice – TEATRO INFANTIL

DORalice. Foto: André Ramos / Divulgação

DORalice. Foto: André Ramos / Divulgação

A montagem infantil, da Cia. 2 em Cena, aborda com muita delicadeza o abuso sexual infantil. Brincadeira de casinha e comidinha com Cidinha, a boneca preferida de Alice. A menina também brinca com um amiguinho de pique esconde, pega-pega, amarelinha. Alice e as histórias do Pai e os cuidados da Mainha. Tudo é brincadeira na vida da menina, até que um dia uma mão malvada invade a casinha de Cidinha e tudo muda na vida de Alice. O espetáculo não usa palavras para contar esta história…

DORalice – Cia. 2 em Cena (Recife)
Direção e roteiro: Alexsandro Silva
Elenco: Arnaldo Rodrigues e Paula de Tássia
Quando: Domingo, 21 de janeiro, às 16h
Onde: Teatro Paulo Freire, Paulista.
Quanto: R$ 2 e R$ 1 (meia)

Ingressos

Programação oficial: à venda no www.compreingressos.com/janeirodegrandesespetaculos e na Central de Ingressos no Teatro de Santa Isabel (de terça a domingo, das 9h às 16h).
Programação paralela: à venda ou distribuído uma hora antes do espetáculo no próprio local.

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Opções do Janeiro para além da folia

Nínive Caldas e em Pezinho de Galinha. Foto Renato Filho / Divulgação

Nínive Caldas e Eric Valença em Pezinho de Galinha. Foto Renato Filho / Divulgação

Encontro de 14 amigos-músicosno show Reverbo Foto: Alessandro Sanches

Encontro de 14 amigos-músicos no show Reverbo Foto: Alessandro Sanches

Quem não for se jogar nas prévias de Olinda e Recife região metropolitana neste fim de semana – que são as melhores do planeta!!! – tem muitas opções teatrais, dentro da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos, com peças para adultos e crianças, música e dança.

A companhia el contrabando, da Suíça, faz mais duas sessões do espetáculo Kalashnikova, no Teatro Barreto Júnior, às 17 e 21h. O grupo explora o flamengo de forma original e produz um espetáculo de impacto.

Pernambuco está com tudo na música. Depois do movimento manguebeat, a movimentação sonora vem com Juliano Holanda, Isadora Melo, Jr. Black e Almério, ao todo são 14 amigos músicos no palco do Santa Isabel para apresentar Reverbo. E tem mais música neste fim de semana no Janeiro. Shows de Geraldo Maia, Ciel Santos, Sheyla Costa, Adriano Salhab e o Afoxé Oxum Pandá, que lança o disco Deusa da Beleza.

Para o púbico infantil tem Carol Levy no domingo com recurso de libras e audiodescrição – e  O Mágico de Oz.

Dramas e comédias ocupam os palcos, como A Ópera do Sol e Eu Gosto Mesmo do Pezinho de Galinha Porque eu Como a Carninha e Limpo o Dente com a Unhinha. E tem mais atrações na programação paralela.

PROGRAMAÇÃO

DANÇA – INTERNACIONAL
Kalashnikova | Companhia el contrabando (Suíça)
Sábado, 20 de janeiro, 17h e 21h,
Teatro Barreto Júnior
R$ 30 e R$ 15 (meia).
1h05. 12 anos

A companhia suíça dedica-se ao flamenco experimental contemporâneo e investiga até que ponto esta forma de dança, marcada pelas tradições, pode ser colocada em novos contextos e posta em cena fora do seu caráter tradicional e obrigações estéticas.

TEATRO ADULTO
Eu Gosto Mesmo do Pezinho de Galinha Porque Eu Como a Carninha e Limpo o Dente com a Unhinha | Alô Produções (Recife)
Sábado, 20 de janeiro, 18h, Teatro Marco Camarotti
R$ 30 e R$ 15 (meia). 1h. 16 anos

Um pastor performático, uma prostituta bem-sucedida, um homossexual politicamente engajado, um marido fugitivo. Neste experimento cênico, os atores se revezam em seis personagens que contam histórias cruas de realidades escondidas por cidades grandes higienistas, passando pelo ponto de prostituição, igreja evangélica, presídio e subúrbio.
Direção: Eric Valença.
Elenco: Eric Valença e Nínive Caldas.

TEATRO ADULTO
A Ópera do Sol | Galharufas Produções (Olinda)
Sábado, 20 de janeiro, 20h, Teatro Apolo
R$ 40 e R$ 20 (meia). 1h40. 14 anos

Escrito em mais de 18 gêneros ou modalidades da cantoria de viola, o texto publicado em livro há quase 20 anos prevê a condenação dos poderosos que tentaram ludibriar São José e a população pobre de agricultores do Sertão pernambucano. A temática dessa ópera-repente envereda por assuntos irresolvíveis e que deixa esse Brasil bem fraturado: concentração latifundiária, violência e injustiças sociais.
Elenco: Beto Nery, Douglas Duan, Hermínia Mendes, Célia Regina Rodrigues, Katyucia, Miguel Taveira, Thalita Gadêlha, Eduardo Japiassú, Angelis Nardeli Tiago Britto.
Texto: Adriano Marcena.
Direção: Carlos Carvalho.

MÚSICA
Reverbo | Atos Produções Artísticas (Recife)
Sábado, 20 de janeiro, 20h, Teatro de Santa Isabel
R$ 40 e R$ 20 (meia). 1h40. 14 anos

Reverbo. Não é movimento, é movimentação. Afinação e afirmação de uma ideia. Música-artesanato feita por amigos-músicos para celebrar a nova música produzida em Pernambuco. Tudo autoral. A poesia dos encontros. Uma varanda no palco. Unidos por um elo chamado canção. O repertório vai contar com um pouco de cada um dos músicos em cena. Além das apresentações solo, o show é pautado pelo encontro de vozes, uma performance coletiva.
Cantores: Almério, Juliano Holanda, PC Silva, Marcello Rangel, Vinicius Barros, Isadora Melo, Flaira Ferro, Isabela Moraes, Gabi da Pele Preta, Vertin Moura, Alexandre Revoredo, Agda Moura, Tonfil, Helton Moura, Mayra Clara, Jr. Black.
Direção musical: Juliano Holanda.

MÚSICA
Sheyla Costa (Recife)
Sábado, 20 de janeiro, 20h, Teatro Arraial Ariano Suassuna
R$ 40 e R$ 20 (meia). 1h20. Livre

Sheyla Costa, cantora e compositora apresenta canções com as influências múltiplas de todo seu percurso artístico e pessoal. Nas 12 faixas autorais criadas para Do Lado Azul, seu terceiro álbum, estão impressas experimentações rítmicas da cantora que conjuga a força e expressividade de sua presença no palco – onde o feminino e o masculino coexistem harmonicamente 
Direção musical: Guilherme Eira.
Voz, violão e pequena percussão: Sheyla Costa.
Violão: Guilherme Eira.

Programação Paralela

SARAU DAS ARTES
Sábado, 20 de janeiro, 17h40, Centro Cultural Correios
Entrada franca. Informações: 97904.7906 e 98897.1513
Teatro, poesia, música, dança, leituras dramatizadas, circo, performance, cinema.

TEATRO ADULTO
Senhora na Boca do Lixo | Concluintes do curso profissionalizante da Escola de Teatro Fiandeiros (Recife)
Sábado, 20 de janeiro, 18h, Espaço Fiandeiros
Gratuito. 1h10. 16 anos
Segunda sessão: dia 21, 18h

Escrita em 1963, a peça retrata a decadência da classe rica paulistana como metáfora da realidade social do Brasil naquela época, reverberando no panorama político e existencial da inquietante atualidade.
Autor: Jorge Andrade.
Encenação: Roberto Lúcio.
Elenco: Airton Oliveira, Álcio Lins, Bianca Suely, DihRôh, Eduardo Godoy, Ewerton Oliveira, Fernanda Spíndola, Gabriel Thacio, Gabriela Fernanda, Kléber Félix, Laís Queiroz, Luciana Tognon, Milton Raulino, Rafael Braga, Tarcísio Andrade, Humberto, Valmir Leite e Zé Lucas.

TEATRO ADULTO
A Receita | O Poste Soluções Luminosas (Recife)
Sábado, 20 de janeiro, 20h, Espaço O Poste
R$ 20 e R$ 10 (meia). 50 minutos. 16 anos

A tragicomédia revela a condição oprimida de uma mulher casada e mãe, que passa a maior parte do tempo na cozinha, em meio a sal, alho, coentro e cebolinha. Tudo para servir bem seu homem. Suas ilusões não cabem numa panela. Ela se vê numa situação-limite, sob o fio aguçado de uma faca de dois gumes.
Autor: Samuel Santos.
Elenco: Naná Sodré.

TEATRO ADULTO
Pequenos Grandes Trabalhos | Alunos do curso Dramaturgia do Ator da Cênicas Cia. de Repertório (Recife)
Sábado, 20 de janeiro, 20h, Espaço Cênicas
R$ 30 e R$ 15 (meia). 1h20. 14 anos
Segunda sessão: dia 21, às 18h

Cenas curtas, a partir de textos de escritores brasileiros, como Nelson Rodrigues, Marcelino Freire e Caio Fernando Abreu, construídas com os alunos do curso Dramaturgia do Ator, da Cênicas Cia. de Repertório, no processo de aprendizagem.
Encenação: Antônio Rodrigues.
Elenco: Aline Santos, Bruna Barros, Carolina Rolim, Cristiano Primo, Elielson Fellype da Silva Soares, Fabiane Santos, Flávio Moraes, Hygor Callas, Jamerson Lima, Jandson Miranda, Marcionilo Pedrosa, Marcos Zé, Maria Eduarda Pepe, Mariana Brandão, Nara Esteves, Paula Ferreira Mendes, Raphael Mota, Ricardo Andrade, Roberto Sterenberg, Rodrigo Porto Cavalcanti, Sissi Loreto, Tábatta Martins, Waggner Lima. Participação especial: Douglas Duan.

Paulista: Teatro Paulo Freire. Ingressos: R$ 2 e R$ 1 (meia)
Sábado, 20 de janeiro, 16h, Do Vestido ao Nariz
Sábado, 20 de janeiro, 20h, Mucurana, O Peixe

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Residência e oficinas gratuitas na MITsp

Susanne Kennedy

Encenadora Susanne Kennedy adaptou para o teatro um filme de Fassbinder. Foto: Franziska Sinn /Divulgação 

Quatro ações educativas da 5ª edição da MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo estão com inscrições abertas para artistas de todo o país. Uma residência sobre possibilidades de escrita não-criativa no espaço teatral, com a encenadora alemã Susanne Kennedy. Um Workshop sobre internacionalização de espetáculos, com artista e produtora croata Iva Horvat. O outro Workshop, com a dramaturga e encenadora sueca Liv Elf Karlén, discute a desconstrução da normatividade. Além uma Oficina com os cenógrafos e curadores da Mostra Brasileira na Quadrienal de Praga, Aby Cohen e Renato Bolelli Rebouças. A curadoria das Ações Pedagógicas da MITsp (1º a 11 de março de 2018), – que ocorrem antes antes e durante o festival – é assinada por Maria Fernanda Vomero. 

A encenadora alemã Susanne Kennedy volta ao festival depois de ter participado da 4ª edição da MITsp com a encenação intencionalmente estranha ao senso comum Por que o senhor R. enlouqueceu?, concebida a partir do roteiro do filme homônimo (Warum läuft Herr R. Amok, em alemão), de R. W. Fassbinder. O sistema neoliberal está na mira crítica do teatro de Susanne, um dos mais admirados da cena contemporânea alemã. Nessa peça há uma sucessão de quadros que revelam situações cotidianas e aparentemente banais. Mas que estão carregadas de questões sobre a falta de sentido ou o absurdo da existência, que podem levar à loucura.

Textos cotidianos em cena

O ponto principal da residência de Susanne Kennedy para atrizes, atores e performers é a pesquisa com novas formas de linguagem verbal aliadas à precisão das expressões corporal e vocal. A ação ocorre de 19 de fevereiro e 4 de março de 2018, no Instituto Goethe de São Paulo. No domingo, 4 de março, será apresentado o experimento cênico.

A residência integra a pesquisa artística de Susanne, que investiga as possibilidades da escrita não-criativa – de acordo com conceito do poeta e crítico estadunidense Kenneth Goldsmith – no espaço teatral. As performers holandesas Suzan Boogaerdt (atriz de Senhor R.) e Bianca van der Schoot vão administrar a preparação física dos participantes. 

Internacionalização de espetáculos

A artista e produtora croata Iva Horvat, que reside em Barcelona, Espanha, e é fundadora da Art Republic, uma agência voltada para a gestão das artes, vai conduzir um workshop sobre estratégias de divulgação e circulação internacional de espetáculos. O caminho das pedras que muitas companhias brasileiras almejam para entrar no circuito de festivais e temporadas mundiais.

Durante cinco dias, Iva vai abrir o leque de técnicas para orientar sobre o desenvolvimento de plano de internacionalização de projetos teatrais.

Possibilidades criativas de expressão

A normatividade aprisiona, encaixota, engarrafa comportamentos na vida cotidiana e também no teatro. Dá regras sociais e cala singularidades expressivas. Como  exercício para a libertação, a dramaturga e encenadora sueca Liv Elf Karlén, autora do livro Mais que isso – Pensamento sobre Atuação Gênero-curiosa, criou um método sobre como percebemos e performamos gênero, sexualidade e raça tanto no dia a dia quanto na cena. Seu workshop prático apresenta técnicas de desconstrução de estereótipos refletidos com o objetivo de buscar novas e amplas expressões artísticas. Liv Elf Karlén vai desenvolver outras formas de trabalhar com o movimento, com a construção física e simbólica de personagens e com a relação entre corpo e espaço.

Elaboração de cenas e cenários-instalação

Sob orientação de Aby Cohen e Renato Bolelli Rebouças, cenógrafos e curadores da Mostra Nacional Brasileira na Quadrienal de Praga 2019, será realizada uma oficina de criação para diferentes áreas [cenografia/espaço, figurino/adereço, luz/multimidia, som, objetos/bonecos]. A atividade encara a amplitude da linguagem teatral, nas intersecções entre os grupos de participantes de diferentes formações. Serão seis encontros, de 28 de fevereiro a 9 de março, com apresentação dos resultados no último dia.

Serviço

Residência com Susanne Kennedy

De 19/2 a 04/3, de segunda a sábado, das 10h às 15h, com apresentação do experimento cênico no domingo (horário a definir).
Onde: Instituto Goethe – Rua Lisboa, 974, Pinheiros, São Paulo – SP
Público-alvo: atores, atrizes e performers.
Datas de inscrição:
Até 31 de janeiro
Inscrição: envio para o e-mail residencia@mitsp.org de
1. Nome completo, idade, endereço, e-mail e telefone para contato
2. Breve currículo (em Word ou PDF; máximo 300 palavras)
3. Carta de intenção, de preferência nada burocrática (também em Word ou PDF; máximo 400 palavras)
4. Um vídeo (formatos de celular e câmera fotográfica, que possam ser ouvidos e vistos por programas simples de Mac/PC) ou um áudio (wav, mp3 e formatos compatíveis), de no máximo três minutos, em que o candidato grave a leitura, do modo que quiser, com a entonação e o ritmo desejados, de uma notícia de jornal do dia.
Resultado: 7 de fevereiro
Os selecionados terão uma pequena tarefa a fazer – e entregar à curadoria do eixo Ações Pedagógicas – antes do início da residência.

Iva Horvat. Foto: Reprodução do Facebook

Iva Horvat. Foto: Reprodução do Facebook

Workshop Internacionalização de espetáculos com Iva Harvat

Quando: De 19 a 23/2, de segunda a sexta-feira, das 10h às 14h
Onde: Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, São Paulo)
Participantes: 20 profissionais + um ouvinte-pesquisador
Público-alvo: produtores, curadores, diretores de companhias teatrais e artistas-solo. *Apenas um participante por companhia ou instituição
Inscrição: de 17 de janeiro a 10 de fevereiro
Inscrição: envio para o e-mail curso@mitsp.org de:
1. Nome completo, idade, endereço, e-mail e telefone para contato
2. Breve currículo do candidato e da companhia/instituição para a qual/em que trabalha (em Word ou PDF; máximo 300 palavras)
3. Carta de intenção, de preferência nada burocrática (também em Word ou PDF; máximo 400 palavras), mencionando quais são suas expectativas em relação ao curso
4. Breve descrição de um projeto já desenvolvido ou em andamento que lhe interessaria internacionalizar (em Word ou PDF; máximo 400 palavras) e, de modo opcional, uma imagem de divulgação, se houver
Resultado: 14 de fevereiro

Possibilidades criativas de expressão, com Liv Elf Karlén

Liv Elf Karlén. Foto: Kent Werne / Divulgação

Liv Elf Karlén. Foto: Kent Werne / Divulgação

Quando: De 26/2 a 03/3, de segunda a sábado, das 10h às 15h
Onde: Oficina Cultural Oswald de Andrade (Rua Três Rios, 363, Bom Retiro. Metrô Tiradentes)
Participantes: 15 artistas + um ouvinte-pesquisador
Público-alvo: atrizes e atores, bailarinas e bailarinos, encenadoras e encenadoras, performers e ativistas, estudantes e profissionais
Inscrição: de 17 de janeiro a 10 de fevereiro
Inscrição: envio para o e-mail oficina@mitsp.org de
1. Nome completo, idade, endereço, e-mail e telefone para contato
2. Breve currículo (em Word ou PDF; máximo 300 palavras)
3. Carta de intenção, de preferência nada burocrática (em Word ou PDF; máximo 400 palavras)
4. Breve texto em que o/a candidato/a responda: Gênero. Raça. Sexualidade. Quem ou o que determinam o que você, de fato, é? (em Word ou PDF; máximo 300 palavras)
Resultado: 19 de fevereiro

Aby Cohen e Renato Bolelli Rebouças. Fotos: Reprodução da internet

Aby Cohen e Renato Bolelli Rebouças. Fotos: Reprodução da internet

Intersecções entre poéticas não-verbais – Oficina com cenógrafos e curadores da Mostra Brasileira na Quadrienal de Praga Renato Bolelli Rebouças e Aby Cohen
Quando: De 28/2 a 09/3, de quarta a sexta-feira, nas seguintes datas e horários:
28 de fevereiro:  10h às 17h
02 de março: 10h às 17h
05 de março:  10h às 14h
06 de março: 10h às 17h
08 de março: 10h às 17h
09 de março: 11h às 14h (apresentação dos experimentos cênicos, seguida de debate).
Onde: local a definir
Participantes: 20 artistas + um ouvinte-pesquisador
Público-alvo: profissionais e estudantes das seguintes áreas: cenografia e arquitetura cênica; figurino e visagismo; som; luz, audiovisual e multimídia; objetos, marionetes e adereços
Inscrição: de 17 de janeiro a 10 de fevereiro
Inscrição: envio para o e-mail poeticas@mitsp.org de:
1. Nome completo, idade, endereço, e-mail e telefone para contato
2. Breve currículo (em Word ou PDF; máximo 300 palavras). Indicar no campo a qual das áreas descritas acima pertence
3. Carta de intenção, de preferência nada burocrática (também em Word ou PDF; máximo 400 palavras)
4. Uma imagem (em JPG, GIF ou PNG), acompanhada de um parágrafo escrito (máximo 100 palavras), que sintetize um dos seguintes temas:
– Rastro e presença: o ser e a cidade
– Memória: recolher e descartar
– Imaginação: entre o real e o ficcional
Resultado: 19 de fevereiro

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Que Genet nos salve da caretice. Crítica de Sto. Genet

Santo Genet. Foto: Lígia Buarque / Divulgação

Santo Genet. Foto: Lígia Buarque / Divulgação

Santo Genet e as Flores da Argélia estreou há quase um ano e o recebi como um arroubo quase juvenil, uma peça de falsa transgressão, escrita e encenada por Breno Fittipaldi. De lá para cá, muitos episódios que ocorreram no Brasil e no mundo sinalizam o avanço do retrocesso (que imagem medonha!) e parece-me que coisas fora de ordem ganham outras potências e até mesmo supostos equívocos podem ser lidos de forma diferente e conferidos outros sentidos. 

A montagem se anuncia inspirada na vida do dramaturgo francês Jean Genet (1910 – 1986), narrados no romance autobiográfico Diário de Um Ladrão. Dos elementos do universo genetiano, a encenação enfoca relações homoafetivas, furto, traição, religiosidade, santificação, violência, miséria, relação de poder.

O diretor Breno Fittipaldi é um leitor atento da obra do autor de Nossa Senhora das Flores (1944), The Miracle of the rose (1946), Querelle de Brest (1947) e Funeral Rites (1949), mas as manobras / procedimentos utilizados para levar ao palco os elementos principais da obra inspiradora chegam romantizadas ao palco, sem a força bruta da poesia que fez intelectuais ficarem de joelho diante da literatura de Genet.

Com elenco do grupo Calabouço Cênico, composto por 18 jovens atores, uma encenação em quadros, as memórias emocionais e físicas dos intérpretes são levados à cena. E no início todos falam de alguma contraversão cometida na infância. Narram aquelas brincadeiras longe dos olhos dos pais e carregam no gosto do proibido.

Mas como traduzir a potência transgressora de Genet e ressaltar a poesia desse artista que desequilibrou a inteligência com sua obra de alto teor marginal, mas depois foi processada nas bordas do mainstream?

Em O ateliê de Giacometti (Ed. Cosac & Naify, São Paulo, 2000), Genet dá chaves de sua visão de mundo e da arte no processo de desmascaramento: “A beleza tem apenas uma origem: a ferida, singular, diferente para cada um, oculta ou visível, que o indivíduo preserva e para onde se retira quando quer deixar o mundo para uma solidão temporária, porém profunda. Há, portanto, uma diferença imensa entre essa arte e o que chamamos o miserabilismo. A arte de Giacometti parece querer descobrir essa ferida secreta de todo ser e mesmo de todas as coisas, para que ela os ilumine.”

Difícil tarefa!

O elenco executa determinados conceitos de forma tosca ou precária, como as relações sórdidas e o prazer da prostituição. As aventuras perigosas no submundo são bem oscilantes como o  cerimonial erótico projetado na atualidade.

Faltam aos corpos a experiência, não digo a radicalidade de Genet do submundo dos ladrões, mendigos, homossexuais, prostitutos e presidiários, mas uma vivência que dê um peso a essa estetização.

Há frestas de glamour (avesso a Genet) e festa, ao tratar dos horrores da existência. O lirismo é aquebrantado na construção desses santos e mártires esculpidos por Breno Fittipaldi. Também do ponto de vista dramatúrgico, muito do valor lírico da palavra genetiana se perde nessa adaptação.

Elenco do Grupo Calabouço

Elenco do Grupo Calabouço

Mas em paralelo a tudo isso, de desvios nas conjunções das cenas, dos corpos que precisam de uma presença energizada, há uma busca empenhada em rasgar os clichês, em ir além da afetação, para encontrar a poesia do sórdido. O elenco mergulha sem pudor contra uma caretice que se instaura no mundo.

Encenar Genet se torna por si só um ato político. Desmascarar o corpo, ir para a beira do abismo, esquadrinhar a violência como um processamento de poder contra a moralidade é um exercício artístico de devir. De aposta no futuro e nas escolhas e possibilidades mais radicais que podem estar no horizonte.

É preciso dizer que o elenco é corajoso. E se oferece ao banquete preparado pelo diretor. É de uma extrema entrega e alegria de estar no palco. Isso vai para a conta do processo de cada um deles, o autoconhecimento. Os jogos, as trocas, as cumplicidades. E o público? Mais de duas horas a acompanhar um emaranhado de cenas em idas e vinda sob o pretexto de Genet. Os mais jovens talvez fiquem empolgados com a composição dos quadros, a nudez e a permissividade. Que os outros façam suas próprias reflexões para apreender os riscos dessa aventura no território do grupo. 

Santo Genet faz uma apresentação nesta segunda-feira, às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho, dentro da programação do 24º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas e Música de Pernambuco.

Ficha Técnica
Elenco: Alcides Córdova, André Xavier, Binha Lemos, Dara Duarte, Diogo Gomes, Diôgo Sant’ana, Giovanni Ferreira, Fábio Alves, Hypólito Patzdorf, Lucas Ferr, João Arthur, Marcos Pergentino, Pedro Arruda, Robério Lucado, Shica Farias e Willian Oliveira.
Dramaturgia, encenação e sonoplastia: Breno Fittipaldi.
Assistentes de encenação:
Alcides Córdova, Hypólito Patzdorf e Nelson Lafayette.
Preparação corporal:
Hálison Santana e Hypolito Patzdorf.
Preparação vocal e execução de sonoplastia:
Nelson Lafayette.
Preparação vocal e direção musical:
Lucas Ferr.
Assistentes de direção musical:
Giovanni Ferreira e Natália Oliveira.
Figurino:
Paulo Pinheiro.
Assistente de figurino:
Binha Lemos.
Calçado:
Jailson Marcos.
Maquiagem:
Vinícius Vieira.
Assistente de maquiagem:
Pétala Felix.
Iluminação:
Dara Duarte.
Execução de luz:
Aline Rodrigues / Tomaz Manzzi.
Identidade visual / Plano de mídia artística:
Alberto Saulo, Alcides Córdova e William Oliveira.
Fotografias:
Li Buarque e Maria Laura Catão.
Ações formativas:
Alberon Lemos.
Equipe de Apoio:
Helen Calucsi, Lorenna Rocha, Paulo César Pereira, Pétala Felix, Rafael Motta. Produção executiva: Alcides Córdova e Binha Lemos.
Produção geral:
Grupo Cênico Calabouço.

SERVIÇO
EspetáculoSanto Genet e as Flores da Argélia
Quando: Nesta segunda-feira, 15/01, às 19h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quanto: R$ 30,00 inteira R$ 15,00 meia

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Potências e fragilidades do humano. Crítica de Ícaro

Foto: Pedro Portugal

Luciano Mallmann faz a segunda sessão neste sábado, no Janeiro de Grandes Espetáculos. Foto: Pedro Portugal

Há muito de ficção, com pitadas de realidade no monólogo Ícaro, peça com o ator gaúcho Luciano Mallmann, com direção da atriz Liane Venturella, que está na programação do Janeiro de Grandes Espetáculos. A realidade impulsiona para o voo e a ficção funciona como fio terra. Pode até parecer uma inversão essa leitura, porque o corpo de cada um já impõe limites, mas não pode barrar desejos. Uma queda durante uma acrobacia aérea em tecido no Rio de Janeiro provocou uma lesão na medula de Mallmann, em 2004. Ele se tornou paraplégico. Essas experiência e as novas condições de deslocamento, as mudanças na relação com às pessoas e objetos, inspiraram a montagem, que tem dramaturgia de Mallmann. O título faz alusão à figura da mitologia grega, o filho de Dédalo, que ficou famoso por sua tentativa de deixar Creta voando.

Esse teatro documental junta seis histórias narradas / interpretadas que tem em comum os conflitos internos e externos de cadeirantes. Os desafios cotidianos, fatos que ganham um teor excepcional pelo suspense no desenrolar do monólogo. A estrutura dramática é simples com uma espécie de prólogo, em que o ator conta a vivência de uma queda da cadeira de rodas e a via crucis para chegar até a cama. Lembrei-me do personagem de Kafka: “Numa manhã, ao despertar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa deu por si na cama metamorfoseado num gigantesco inseto.” Dos movimentos de Gregor, das tentativas de sair do lugar.

O ator se expõe e descortina o jogo de forças. Há algo de melodramático – no recorte das histórias, no tom narrativo, nas pausas bem marcadas, – reforçado pela trilha sonora de Monica Tomasi e iluminação de Fabrício Simões. E isso não é nenhum problema. É uma pontuação. Mallmann contou da sua preocupação em não ser piegas. Não é. É humano, que fala das vulnerabilidades, desafios adaptações pra criar novas fortalezas nas condições que a vida se apresenta. Dizer “hoje a palavra cadeirante me dá sorte” ou “está tudo certo” não são apenas frases de efeito.  É que estar vivo é desafio, dádiva e alegria. Resiliência na prática.

Ícaro é um espetáculo sobre potências e fragilidades do humano. Da gravidade dos relacionamentos, negociações amorosas, preconceito, gravidez e maternidade, medos, sobre o imponderável e forças misteriosas no universo. Sobre a existência, que é um jogo e a qualquer hora pode virar.

Foto: Pedro Portugal

Elegância nos papeis femininos. Foto: Pedro Portugal

O espetáculo é principalmente um trabalho de presença cênica. E o intérprete explora com maestria as facetas de suas personagens, salientando as diferenças entre elas. É uma montagem que provoca a emoção do espectador, sem dúvida, ao expor a complexidade de estar no mundo com seus movimentos limitados.

Cada episódio tem a sua própria tensão dramática. Desde o conflito da garota que a mãe queria transformar em princesa, sofreu uma lesão na coluna, levou um chute do namorado, que  e a vida encarregou de dar o troco; passando pelas histórias de maternidade e do suicídio programado na Suíça. Ao paciente machista, que não consegue tomar um copo d’água sozinho, mas ainda não introjetou sua atual situação, entre demonstrações de agressividade e os delírios do desamparo de outros tempos.

Ícaro é uma peça delicada e com força para deslocar visões de mundo. Isso é muito.

Serviço

Espetáculo Ícaro 
Quando: Sábado (13/01), às 18h
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna (Rua da Aurora, 457, Boa Vista)
Quanto: R$ 20 (preço único)
Informações: (81) 3184-3057

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