A fala de um mestre – Parte I

Por Pollyanna Diniz

Eugenio Barba e Julia Varley no Teatro Apolo, no Bairro do Recife. Foto: Rodolfo Araújo

Eugenio Barba, o principal nome da antropologia teatral, autor de diversos títulos, diretor do Odin Teatret, esteve no Recife na semana passada pela primeira vez. Um lindo sorriso, simpático, simples, ele conversou com a imprensa no hotel em que estava hospedado – sempre, claro, acompanhado pelos olhares e palavras de sua esposa, a atriz Julia Varley.

No dia seguinte, na sexta-feira, no Teatro Apolo, Julia fez a demonstração de trabalho O eco do silêncio, que foi seguida por uma palestra de Barba. Disponível, depois ele respondeu inúmeras perguntas da plateia. De mansinho, falou coisas muito caras – que merecem ser registradas. E vamos fazer isso aqui no blog. Está aí a primeira parte da palestra de Eugenio Barba no Recife. A transcrição é de pouco mais de 15 minutos de fala. Ainda temos muito material (inclusive a entrevista para a imprensa), mas vamos divulgar aos pouquinhos, para que o tempo não se passe sem que registremos as palavras de um mestre. (Ah, antes de começar a palestra, ele pediu para que as pessoas levantassem e dissessem um texto como se estivessem acariciando o outro. Depois, todos sentaram e ele começou).

PALESTRA // EUGENIO BARBA

Vocês vieram aqui para escutar, para serem inspirados, pelo que Julia podia fazer, pelo que eu poderia contar. Para ver a maneira de como ser eficaz com o espectador. O que eu quero como ator? Como diretor? Quero que o meu ator seja eficaz em aguardar, provocar ressonância nos meus espectadores. Sei que os meus espectadores não são um público único. Cada um de vocês chegou aqui de diferentes lugares da cidade, de diferentes famílias, com uma história, uma biografia. Cada um chegou aqui com uma expectativa diferente. Cada um de vocês tem uma fome diferente de aprender, de compreender. Assim que, para mim, isso da unicidade do espectador foi um dos meus problemas como diretor. Como é possível que o ator possa dirigir-se a esse nível? A esse animal mitológico que está constituído de duzentos e cinquenta destinos humanos? Cada um possui saudades, nostalgias, ambições, feridas, vitórias. Isso do “como” poderia também chamar-se técnica, o que se aprende. E nos damos conta de que a primeira experiência que temos que enfrentar no nosso ofício é uma experiência de impotência. Porque cremos que se possa absorver um conhecimento. E esse conhecimento não se absorve. Apesar de que alguém pode ir a uma escola teatral, fazer cursos e seminários. Mas aí se dá conta que o resultado, que a conseqüência dessa relação didática, pedagógica, não é automática. Você tem a sensação de marchar no mesmo lugar todo tempo. Essa era a minha sensação quando eu fui à Escola Teatral de Varsóvia. Depois de um ano, tinha a consciência que não tinha aprendido nada, que estava perdendo o meu tempo. Que o que era para mim fundamental, era um ofício imaginário, que existia só na minha cabeça, nos meus sonhos ou nas minhas necessidades. Tudo que estava aprendendo, tudo que me ensinaram na escola, não funcionava.

A demonstração da Julia é um típico exemplo. Ela chegou a um grupo de teatro, o Odin e começou a fazer toda a aprendizagem, que no Odin se faz através de exercícios, de treinamento. Mas ela, ao contrário de ir adiante, de desenvolver suas capacidades sonoras, vocais, ela perdia a voz. Ela tinha que fazer todo o caminho solitário dentro do grupo para encontrar sua identidade. Que é muito diferente da identidade profissional, técnica, dos seus companheiros. Assim, quando começamos, a primeira pergunta é: como? Como poder encontrar um ambiente, uma pessoa, alguém que, na verdade, podemos chamar de mestre? Porque o mestre é só alguém que nasceu antes da gente e conhece um pouco mais. Como encontrar esse mestre que nos ajude a encontrar nosso caminho?

Mas, depois de alguns anos, quando já há certo costume em ser ator, em resolver suas dúvidas, seus problemas, quando já há adaptação ao ofício, à rotina, quando isso conquistou parte da gente, outra pergunta fica importante: porque estou fazendo tudo isso? Que coisa mais engraçada é que, às vezes, nem eu ganho o suficiente, tenho que ter outro emprego para poder fazer isso. E porque estou fazendo isso?

Quando começamos, no meu caso, eu manipulava, criava ilusões. Só depois de alguns anos me dei conta do porquê de ter escolhido o teatro. Mas no começo eu disfarçava tudo isso com um álibi, uma justificação solene e nobre: eu queria fazer teatro para poder mudar a sociedade. Era um período. Comecei nos anos 1950, do século, do milênio passado. Quando existia uma luta de classes, uma guerra fria. Quando todo tempo, de verdade, havia o medo de uma guerra atômica. Então a participação ativa dos cidadãos na Europa era muito, muito presente. Assim que o teatro foi também um dos fóruns, dos instrumentos, dos canais, que o jovem podia, ou imaginava poder, usar para lutar contra algo que ameaçava uma cultura humanística.

E isso foi o que, essa tensão dos anos 50 e 60, que se criou em todo planeta, que provocou a grande mudança das quais vocês, os mais jovens, são os filhos. 1968, apesar de que todo processo começou antes, é um ano em que toda a estrutura de pensamento, de comportamento, de expressão, a maneira de se vestir mudou. Não existia jeans! Imaginem o que significa hoje uma sociedade sem jeans! Hoje os professores de universidade também vão de jeans. Antes, o professor de universidade, você podia reconhecê-lo. Tinha quase um uniforme, extremamente solene. A maneira de cantar! Pensem em toda a expressão da juventude através dos grupos, dos Rolling Stones. E tudo isso na verdade mudou profundamente. Mas, em tudo isso, existia como uma bola de fogo incandescente, irracional, que não podia ser lógica, que era raiva e o desejo da juventude de não aceitar um mundo que o sufocava.

A reação dos que não estavam de acordo foi muito dura. Vocês, no continente de vocês, foram os primeiros a vivê-la. Em 1964, vocês sabem o que aconteceu no Brasil. O que aconteceu nos anos 1970 no Chile, Argentina, Uruguai. Assim que não foi só uma grande revolução de alegria, de hippies. Foi uma sacudida que provocou mortos. Muitos mortos. Mas hoje isso se conquistou: em parte, há essa possibilidade de exprimir-se livremente.

Foi durante toda essa luta que o porquê do teatro era muito claro. As pessoas sabiam que se criavam grupos pela primeira vez na história do teatro do Ocidente e do Oriente, se criou algo muito estranho. Antes, tinham as companhias onde os atores estavam contratados, um período curto, alguns meses, uma temporada, às vezes. Hoje se chama isso de projeto. Nesse tempo, tudo isso era profissional. No sentido que os atores viviam disso. Os atores tinham que chegar às salas para viver. Não existiam subsídios, não existiam Sesc, Ministério da Cultura, que pagavam os atores. Os atores haviam de inventar, no século 16, na Europa, uma estranha indústria, um estranho ofício, onde as pessoas pagavam e, ou de pé ou sentados, deveriam ser entretidos, uma diversão. Os atores e as atrizes também proporcionavam isso, representavam. Isso era o teatro. Tenho que lembrá-los sempre: nosso ofício nasce de um acordo, de uma convenção, entre espectadores e atores. “Eu pago”, diz o espectador. “E você tem que entreter-me. Não me aborrecer. É isso”. Essa é uma das faces do teatro. A outra é que as relações no nosso ofício, não duram muito.

Como explicava antes, o profissionalismo consistia em firmar um contrato de alguns meses e, depois, cada um partia. Por isso é importante lembrar, porque em 1968, surgiu uma geração que pensava em outras categorias. Pensava em categorias em que o grupo era como uma micro sociedade. Era como uma nova maneira de socializar. Indo de encontro aos princípios que existiam na sociedade lá fora. Assim que os grupos de teatro não eram só uma resistência à ditadura, contra um teatro burguês, contra uma maneira de ver a sociedade comandada pelos capitalistas. Era também uma maneira de viver. Pela única vez existiu nesse planeta uma geração que, de maneira consciente ou inconsciente, através dos grupos teatrais, imaginou que, através do teatro, o teatro tinha uma dupla, profunda função. Não só deixar que algo aconteça na mente, no intelecto, nos sentidos, na vivência dos espectadores. E que saindo do teatro cada espectador possa refletir, viver, estabelecer um diálogo com a sua história pessoal, e confrontá-la, enfrentá-la. Medi-la com o que se passava na história. Não só isso. Também era o teatro como um processo de mudança pessoal. Daqui surgem as grandes lições do Living Theatre, anarquista puro. Que, através de sua existência, do seu processo de trabalho, tenta dar vida a essas relações e a também proclamar isso no momento do espetáculo. Dessa visão, que é uma reação contra os limites imposto pela sociedade, na história.

Cru, quase cruel

Por Ivana Moura

Espetáculo Cru, de Alexandre Ribondi e direção em colaboração com Sérgio Sartório (o pistoleiro). Fotos: Ivana Moura

Ouvi de um conhecido brasileiro, que tem uma filha com uma russa, que a história deles não prosseguiu porque ela (e seus familiares de São Petersburgo) não achava o Brasil um bom lugar para se viver. Ele não queria ir pras terras de Lenin porque teria que começar praticamente do zero, num território em que predomina um frio intenso e onde se fala uma língua que ele não domina. A moça branquinha, branquinha de olhos claros, que se comunicava com o rapaz tímido em inglês, se arrepiava só de pensar no calor de lascar do Nordeste do Brasil. Mas de todas as adversidades elencadas pela mulher russa a que prevaleceu foi a de que “a vida humana vale muito pouco no Brasil”. Ela disse isso com muito pesar. E medo.

Depois de assistir ao espetáculo Cru – E o que mais você quer além de morrer?, da companhia Cia. Plágio, de Brasília/DF, lembrei-me dessa história, mais precisamente da frase “no Brasil, a vida humana vale muito pouco”.

É triste pensar que isso pode ser real…

A ficção cênica Cru, peça escrita por Alexandre Ribondi e dirigida por ele e Sérgio Sartório é sobre violência, balas certeiras e encomendadas, banalização da vida, vingança e ódio…

Montagem é da Cia Plágio de Teatro, de Brasília

As carnes no açougue não estão sangrando, mas há bastante realismo na peça Cru, que fez única sessão no Palco Giratório, sábado, no Teatro Capiba (Sesc de Casa Amarela, no Recife). Um açougue interiorano ou de beira de estrada é o cenário para um encontro, um acerto de contas, entre um matador profissional e uma figura estranha, desconfiada, que aparece no estabelecimento de Frutinha (André Reis). A aparência do lugar é degradante. Peças de ossos, de vísceras e de carne de terceira. E nada disso é à toa.

Para compor o cenário, além dos colchetes (ganchos duplos onde se pendura a carne nos açougues), um freezer velho, mesa e cadeiras, caixotes. O homem que chega atrás dos serviços do tira-vida é cismado, como se escondesse algo, ou como um cabra arrependido de alguma coisa que fez. Apresenta-se apenas por Zé (Chico Sant’Anna), diz que não bebe, não fuma e logo descobrimos que é evangélico. Enquanto Cunha (Sérgio Sartório) não chega, Frutinha tenta descobrir quem é esse homem, de onde ele vem, o que ele quer e o que está por trás de tudo isso.

Cunha aparece. Seu aspecto é de sujeira. Anda meio trôpego, com ar de quem bebe durante todo o dia. Arrasta uma perna, sequela de um acidente do passado.

A partir daí, um jogo eletrizante, seco, em que cada personagem vai expondo um pouco de si até o desfecho forte, impactante.

A inteligência dos diálogos se projeta na agilidade das falas, mas também nos silêncios de alta pressão de uma figura sobre a outra. Situa a trama no Brasil mais arcaico, onde matadores têm a lei… Mas tudo é mais profundo e não fica na injustiça social e na vingança por motivação econômica. Há amor, doentio, enviesado, amor no meio disso tudo.

Três personagens: o evangélico, o travesti e o pistoleiro

Os blocos de diálogos arrancam camadas e mais camadas que revelam um pouco do passado de cada um. Há um flerte com a obra de Plínio Marcos e seus marginais carentes e sem opções.

Os personagens de Cru são duros e não param para a dúvida. Eles têm certezas, certezas horríveis, mas certezas.

A encenação é enxuta, seca e aposta no talento dos três atores, que estão muito bem em seus papéis, num discurso direto, em alusões a mortes célebres.

E mergulha na pergunta sobre a origem do mal. Como nascem os monstros. Da ruindade pura.

Sobre a trama não posso dizer mais…

Cru é um espetáculo redondo, de 50 minutos de duração. E quando apagam as luzes, deixa o público em suspenso. Não dá pra ficar indiferente. É um murro no estômago para deixar a plateia sem fôlego.

Maio é do Palco Giratório

Por Ivana Moura

Eu vim da ilha abre programação do festival. Foto: Chico Egidio

De 4 a 26 de maio, Recife recebe 30 espetáculos, de 26 companhias, dentro do Festival Palco Giratório. Esse é o sexto ano do evento aqui, com uma programação que envolve teatro, circo, dança e atividades formativas. As apresentações estão agendadas para seis teatros da cidade (Marco Camarotti, Capiba, Barreto Júnior, Hermilo Borba Filho, Apolo e Luiz Mendonça), além das sessões gratuitas na Praça da Independência, no bairro de Santo Antônio, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, e na Praça do Campo Santo, em Santo Amaro.

Antropólogo italiano, Eugenio Barba participa do palco Giratório. Foto: Divulgação

Dois destaques dessa edição são demonstrações de trabalho. O primeiro com o diretor de teatro italiano Eugenio Barba, fundador da companhia norueguesa Odin Teatret e um fragmento da atuação de Júlia Varley, esposa de Barba, chamado O Eco do Silêncio. O outro é Prisão para a Liberdade, do ator, pesquisador e cofundador do LUME (SP), Carlos Simioni.

Uma novidade do festival é o chamado Palco REC POA, um intercâmbio entre a cena teatral pernambucana e a do Rio Grande do Sul. “Os festivais daqui e de lá acontecem na mesma época. Na realidade, sempre estamos em contato, mas resolvemos aprofundar a parceria”, explicou Galiana Brasil, coordenadora do Palco em Pernambuco.

A parceria entre as regionais do Sesc do Rio Grande do Sul e de Pernambuco proporciona o deslocamento de algumas peças. Do Sul vêm as montagens Xirê das Águas e Louça Cinderella, da Cia. Gente Falante, e Play Beckett, do GRUPOJOGO de ExperimentAção Cênica. Daqui seguem Eu Vim da Ilha, da Cia de Dança do Sesc Petrolina, e Decripolou Totepou, da artista Odília Nunes.

PROGRAMAÇÃO

04/05 | Sexta-feira, 19h30
Eu vim da Ilha / Cia. de Dança do Sesc Petrolina (PE)
Teatro Barreto Júnior
Faixa etária livre | Gênero: Dança Contemporânea | Duração: 45 minutos
áudio-descrição e tradução em libras
Entrada gratuita

05/05 | sábado, 19h
Um príncipe chamado Exupéry / Cia. Mútua (SC)
Teatro Hermilo Borba Filho
Faixa etária: Adultos e crianças a partir de 8 anos | Gênero Formas Animadas  | Duração: 50 minutos

05/05 | sábado, 21h
Escapada/Cia. Mário Nascimento (MG)
Teatro Barreto Júnior
Faixa etária: Livre | Gênero | Duração: 1 hora

06/05 | domingo, 19h
Um príncipe chamado Exupéry / Cia MútUa (SC)
Teatro Hermilo Borba Filho
Faixa etária: Adultos e crianças a partir de 8 anos | Gênero Formas Animadas  | Duração: 50 minutos

06/05 | domingo, 20h
Faladores / Cia. Mário Nascimento (MG)
Teatro Barreto Júnior
Faixa etária: Livre | Gênero | Duração: 1 hora

08/05 | terça-feira, 17h
Lambe-lambe (Intervenção) / Cia. Mútua (SC)
Sesc Santo Amaro
Faixa etária: 12 anos |Gênero Intervenção

Pólvora e poesia

08/05 |terça-feira, 20h
Pólvora e poesia / Hiperativa Comunicação e Cultura (BA)
Sesc Santo Amaro
Faixa etária: 18 anos | Gênero: Drama | Duração: 75 minutos

08/05 | terça-feira, 21h
Aluga-se um coração /Cia. Qualquer um dos dois (PE)
Teatro Luiz Mendonça
Faixa etária: 16 anos | Gênero: dança | Duração: 40 minutos

09/05 |quarta-feira, 19h
O pranto de Maria Parda / Paulo de Castro Produções (PE)
Teatro Marco Camarotti
Faixa etária: 12 anos | Gênero: comédia | Duração: 1 hora

09/05 |quarta-feira, 20h
Pólvora e poesia / Hiperativa Comunicação e Cultura (BA)
Teatro Hermilo Borba Filho
Faixa etária: 18 anos | Gênero: Drama | Duração: 75 minutos

10/05 | quinta-feira, 16h
Este lado para cima / Brava Companhia (SP)
Praça da Independência
Áudio-descrição e tradução em libras
Faixa etária: 16 anos | Gênero Teatro de Rua | Duração: 1 hora e 20 min

10/05 | quinta-feira, 21h
Cabeção de nego / Laso Cia. de Dança (RJ)
Teatro Barreto Júnior
Faixa etária: livre | Gênero Dança| Duração: 1 hora

11/05 | sexta-feira, 16h
O eco do silêncio
Demonstração de trabalho com Júlia Varley | Palestra “Aprender a aprender – A evolução técnica de um actor”, por Eugenio Barba (Odin Teatret – Dinamarca) | Duração: 1 hora e 30 minutos
Teatro Apolo

11/05 | sexta-feira, 17h
Este lado para cima /Brava Companhia (SP)
Parque Dona Lindu
Áudio-descrição e tradução em libras
Faixa etária: 16 anos| Gênero Teatro de Rua | Duração: 1 hora e 20 minutos

11/05 | sexta-feira, 21h
Caminhos / Laso Cia de Dança (RJ)
Teatro Barreto Júnior
Faixa etária: livre | Gênero Dança| Duração: 55 minutos

Vila Tarsila, dança para crianças. Foto: Marco Lima

12/05 | sábado, 16h30
Vila Tarsila / Cia. Druw (SP)
Teatro Luiz Mendonça
Áudio-descrição e tradução em libras
Faixa etária: Adolescentes e crianças acima de 5 anos | Gênero Dança | Duração: 1 hora

12/05 | sábado, 20h
Cru / Cia. Plágio de Teatro (DF)
Teatro Capiba
Faixa etária: 16 anos| Gênero Drama| Duração: 50 minutos

13/05 | domingo, 16h30
Vila Tarsila / Cia. Druw (SP)
Teatro Luiz Mendonça
Áudio-descrição e tradução em libras
Faixa etária: Adolescentes e crianças acima de 5 anos | Gênero Dança | Duração: 60 minutos

13/05 | domingo, 19h
Divinas / Duas Companhias (PE)
Teatro Marco Camarotti
Áudio-descrição e tradução em libras
Faixa etária: Livre|  Gênero Comédia Poética| Duração: 53 minutos

15/05 | terça-feira, 16h30
Menininha / JML em Companhia (RJ)
Teatro Marco Camarotti
Faixa etária: Livre | Gênero Musical Infantio| Duração: 50 minutos

15/05 | terça-feira, 19h
Espaçamento urbano / Dança Amorfa Cláudio Lacerda (PE)
Teatro Capiba
Faixa etária: Livre | Gênero Dança | Duração: 40 minutos

15/05 | terça-feira, 21h
Anjo negro / Cia. Teatro Mosaico (MT)
Teatro Luiz Mendonça
Faixa etária: 14 anos | Gênero Tragédia| Duração: 1 hora e 40 minutos

Roteiro escrito com a pena...Foto: Fernando Martinez

16/05 | quarta- feira, 20h
Roteiro escrito com a pena da galhofa e a tinta do inconformismo
/Pausa Cia. (PR)
Teatro Hermilo Borba Filho
Faixa etária: Livre | Gênero Comédia | Duração: 60 minutos

17/05|quinta-feira, 19h
Pai e filho / Pequena Companhia de Teatro (MA)
Teatro Marco Camarotti
Faixa etária: 14 anos | Gênero Drama| Duração: 1 hora

17/05 | quinta-feira, 20h
Roteiro escrito com a pena da galhofa e a tinta do inconformismo/ Pausa Cia. (PR)
Teatro Hermilo Borba Filho
Faixa etária: Livre | Gênero Comédia | Duração: 1 hora

17/05 | quinta-feira, 21h
Dia desmanchado / Teatro Torto (RS)
Teatro Barreto Júnior
Faixa etária: 14 anos | Gênero Drama| Duração 60 minutos

18 |  sexta-feira, 16h
Prisão para a liberdade – Demonstração técnica do trabalho de Carlos Simioni / Lume (SP)
Teatro Capiba
Faixa etária: livre | Gênero Demonstração de trabalho | Duração: 1 hora

18/05 | sexta-feira, 19h
Pai e filho / Pequena Companhia de Teatro (MA)
Teatro Marco Camarotti
Faixa etária: 14 anos | Gênero Drama| Duração 60 minutos

18/05 | sexta-feira, 21h
Dia desmanchado / Teatro Torto (RS)
Teatro Barreto Júnior
Faixa etária: Livre | Gênero: teatro gestual | Duração: 50 minutos

19/05 | sábado, 16h30
Algodão doce / Mão Molenga (PE)
Teatro Marco Camarotti
Áudio-descrição e tradução em libras
Faixa etária: 8 anos | Gênero Infanto-juvenil | Duração: 1 hora

19/05 | sábado, 20h
Instantâneos /Cia. dos Bondrés (RJ)
Teatro Hermilo Borba Filho
Faixa etária: Livre | Gênero | Duração

Uma versão infantil das Levianas. Foto: Lana Pinho

20/05| domingo, 16h30
As levianinhas em pocket show para crianças / Cia Animé (PE)
Teatro Marco  Camarotti
Faixa etária: 2 anos | Gênero: banda de palhaças | Duração: 50 minutos

20/05 | domingo, 19h
Círculos que não se fecham / Escola Pernambucana de Circo (PE)
Sede da Escola Pernambucana de Circo
Faixa etária: 16 anos | Gênero: circo | Duração: 80 minutos

22 | terça-feira, 19h
Louça Cinderella /Cia. Gente Falante (RS) / (Palco REC POA)
Teatro Marco Camarotti
Faixa etária: Livre | Gênero Teatro de Objetos | Duração: 20 minutos

22 | terça-feira, 21h
Catrevage / Grupo Andanças Sesc Caruaru (PE)
Teatro Barreto Júnior
Faixa etária: Livre | Gênero Dança Contemporânea | Duração: 50 minutos

23/05, quarta-feira, 19h
Xirê das águas / Cia. Gente Falante (RS) / Palco REC POA
Teatro Marco Camarotti
Faixa etária: Livre ( a partir de 8 anos)

24/05| quinta-feira, 21h
Play Beckett / Grupo Jogo de Experimentação Cênica (RS) / Palco REC POA
Classificação etária: 12 anos | Gênero Dança /Teatro | Duração: 52 minutos

25/05 | sexta-feira, 17h
A barca / Grupo Grial de Dança (PE)
Praça do Campo Santo
Faixa etária: Livre

26/05 | sábado, 19h e 21h
Travessia (Trilogia Uma história, duas ou três – Parte II) / Grupo Grial de Dança (PE)
Sesc Casa Amarela
Faixa etária: Livre | Gênero Dança Contemporânea| Duração: 50 minutos

26/05 | sábado, 19h
Guarda Sonhos / Grupo Peleja (PE)
Teatro Capiba
Faixa etária: Livre | Gênero Dança  | Duração: 40 minutos

Paixão que deixa saudades

Por Pollyanna Diniz

Dentro das muralhas de Nova Jerusalém. Foto: Pollyanna Diniz

Parece que faz tanto tempo desde a Semana Santa! É..não só parece, faz mesmo! Ainda assim, não queria deixar de compartilhar aqui como fiquei feliz em ver a performance de José Barbosa como Jesus na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. Foi o Satisfeita, Yolanda? quem primeiro disse que Zé tinha conseguido o papel! (Lembram?!)

Meses depois, lá estava ele: seguro, ciente da importância da sua atuação, mas muito tranquilo – suave e ao mesmo tempo impactante como pede o personagem. Uma surpresa para mim foi Caco Ciocler como Judas. No dia em que vi a encenação, o ator enfrentou alguns problemas no áudio – para quem estava pertinho, parecia que ele não tinha decorado o texto direito, não sabia o tempo da fala. Ainda assim, Caco conseguiu humanizar a figura de Judas de uma forma muito interessante. Como ele mesmo disse, alguém tinha que fazer o papel de traidor para que tudo aquilo acontecesse e o cristianismo fosse o que é hoje.

Caco Ciocler como Judas

Para completar este post, recebemos uma colaboração especial do ator Ricardo Mourão (obrigada, Mourão!):

“No décimo segundo ano de participação na Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, repasso esses anos com gratidão e alegria. Mais um ano de encenação, novidades que engrandecem o espetáculo, expectativas e uma convivência de dezesseis dias dentro da muralhas da cidade teatro acabam nos sensibilizando, nos fazendo refletir sobre nossa arte e a grandiosidade de nosso trabalho.

Este ano, conosco estão Caco Cicler, Ellen Roche, Mouhamed Harfouch e Larissa Maciel, trazendo um novo frescor e a inevitável troca de experiências. Pessoas talentosas e empenhadas em fazer um belo trabalho, buscadores como todos nós, encantados com tudo, ávidos por poder contribuir da melhor forma para a encenação. O aprendizado tem sido constante e as cenas crescem com esses colegas e novos amigos.
Nossos queridos colegas José Barbosa, Wilma Gomes e Ricardo Neves defenderam papéis de destaque nesta edição, um presente para todos nós! Assim como todos os demais colegas, que igualmente desempenham seu trabalho com vontade e profissionalismo!

Tendo inovações no figurino, iluminação, efeitos especiais e som, a Paixão de Cristo se reinventa a cada ano, diante de uma mesma história, com os mesmos personagens, diante de um público enorme, que vibra, aplaude e participa atento em todas as cenas. Um desafio constante!

A mecânica do espetáculo consumiria muito tempo e páginas para que pudesse retratar fielmente o que vemos todos os dias.

Acredito ser bastante difícil para o público e até para colegas de profissão precisar o imenso trabalho envolvido nessa encenação. São inúmeros profissionais, trabalhando em conjunto, para que tudo saia a contento. Um verdadeiro batalhão de técnicos faz dos bastidores um espetáculo à parte. Da alimentação, infraestrutura de acomodações, alimentação, contra regragem, guarda roupa, maquiagem, publicidade, som, luz, diretores, assistentes e coordenadores de área até a figuração e pessoal de apoio interno e externo, são mais de quinhentas pessoas envolvidas diretamente com a montagem. Para que tudo funcione, cada grupo trabalha com afinco e competência.

Os diretores Carlos Reis e Lucio Lombardi, juntamente com o presidente da Sociedade Teatral de Fazenda Nova, Robinson Pacheco, são os regentes dessa imensa “máquina” de sonhos. Avaliações diárias, conversas e reuniões, orientações individuais e em grupo dão ao elenco o acompanhamento necessário e o apoio essencial.

Nesses doze anos defendendo o papel do Sumo Sacerdote Caifás, sinto como estar aqui me engrandece, mais do que como profissional, como ser humano. Diante da história, do “sonho de pedra” de Plínio e Diva Pacheco, ouvindo os relatos emocionados de queridos colegas, que aqui estão há décadas, como Jones Melo, João Ferreira, Hugo Martins e Ednaldo Lucena, para citar apenas alguns, percebo o privilégio de fazer parte dessa história.

Estar em “Nova Jerusalém” está além de mais um simples trabalho. É entrar em contato com uma história de luta, de entrega e paixão. É ter o prazer de vivenciar o encantamento! Muitas outras temporadas venham!”

(texto de Ricardo Mourão para o Satisfeita, Yolanda?)

Ricardo Mourão como Caifás

Luz do Magiluth no Festival de Curitiba

Por Ivana Moura

Aquilo que meu olhar guardou para você. Foto: Ivana Moura

Assisti à montagem Aquilo que meu olhar guardou para você duas vezes. No Teatro Hermilo Borba Filho, durante o festival Janeiro de Grandes Espetáculos e durante a curta temporada no Teatro Joaquim Cardozo, ambas no Recife. Gostaria de conferir a performance dos rapazes em Curitiba, mas um engarrafamento qualquer (de vontades, de quedas de reserva, de avião, de agilidade) não permitiu. Voilà

Gosto do espetáculo. Aquela inquietação de cada um deles, aquelas micro histórias que se confundem (e nos confundem), a estrutura fragmentada, as pulsações libertárias em cada gesto pequeno quase imperceptível do cotidiano. E o humor… Um humor inteligente, às vezes sarcástico, com um olhar crítico sobre minúsculas mazelas. De coisas que tocam. Tocaram a mim. Com muitas flutuações de assuntos.

Gosto da “sujeira” pop das marcas.

Lucas Torres

Achei muito divertida a crítica (meio sarro com humana pontinha de despeito) aos prêmios. Quando Pedro Vilela morre em cena e Giordano diz  que não é justo porque ele não ganhou nem um prêmio da Apacepe (Associação dos produtores de Pernambuco).

Isso me fez lembrar como é engraçada e complexa a relação que as pessoas têm com os prêmios, como se fossem um certificado incontestável de competência. Tô falando do geral e não só da abordagem da peça. E não é por aí. Tudo é muito mais complexo e depende das forças que atuam naquele momento, dos gostos e muitos coisinhas miúdas, etc…

Voltando à peça. Os pequenos episódios cotidianos, que ganham uma proporção enorme na vida das pessoas, são explorados de forma corajosa, correndo riscos.

A cidade, o Recife, muitas vezes aparece pouco de forma macro. Mas está ali em pequenas proporções, quase como a memória que carregamos e se mistura com outras lembranças que produzem um jeito de corpo, uma expressão.

Ator Pedro Wagner

Aquilo que meu olhar guardou para você explora as contradições, de sentimentos, de atitudes, de parcerias. E cria uma interação bem particular com a plateia. Mas é algo vivo e pode seguir contornos bem específicos em cada apresentação. Como já disse o diritor Luis Fernando Marqueso, o elenco – formado por Giordano Castro, Pedro Vilela, Pedro Wagner, Erivaldo Oliveira e Lucas Torres – tem “uma displicência poética, uma liberdade de amarras”.  Isso está na forma, no conteúdo, no jeito de explorar.

Mas também diz muito desse ser contemporâneo, que pode estar em cidades periféricas e com grande vocação para o desenvolvimento como o Recife. Ou na capital do poder político, como Brasília.

O espetáculo foi concebido a partir de uma investigação da urbanização das cidades, em projeto patrocinado pelo Itaú Cultural. De início a peça chamava-se Do Concreto Ao Mangue: Aquilo Que Meu Olhar Guardou Para Você, baseado na troca de conteúdos entre os dois grupos.

Dos 46 fragmentos contabilizados por eles, os atores desconstroem a quarta parede desde o  início do espetáculo e, no final, o público se torna personagem decisivo.

Erivaldo Oliveira e Giordano Castro

A cena, o sentimento da cena, do personagem se volatiza rapidamente para encaixar em outras cenas. O elenco expõe esperanças e ambições de seus personagens para em seguida desconstruir essas ilusões. É um quebra-cabeças afetivo, marcado por escolhas que poderiam ser feitas no dia a dia, por qualquer um.

Enquanto o pulso, pulsa e a poesia brota dos pequenos gestos, os atores esbanjam humor. Um humor característico do lugar. Outras trupes já tiveram a sua gréia. A do Magiluth tem um pouco mais de leveza, para dizer que estamos todos perdidos e o fim do fim para os humanos não muda tanto assim.  Mas enquanto não chega a morte, ou coisa parecida (ai Belchior dos bons tempos!)  seus personagens estão repletos de luz, intensos, correndo atrás, mas que podem acabar a qualquer hora.  São encontros e despedidas, o tempo inteiro, em que eles depositam todo o ser.

Fotos: Ivana Moura

Boa sorte e sucesso, zebrinhas.

Serviço:

Aquilo que meu olhar guardou para você

Teatro Contemporâneo | Recife-PE |

Onde: Teatro Paiol (em Curitiba)

Quando: 5 e 6 de abril às 21h

Quanto: R$ 25 e R$ 50


Produção teatral pernambucana em Curitiba

Por Ivana Moura

O Canto de Gregório. Foto : Bruno Tetto / Divulgação

Hoje pela manhã, as equipes de dois espetáculos pernambucanos dão entrevistas aos jornalistas no Festival de Teatro de Curitiba. A montagem do Coletivo Angu de Teatro Esse febre que não passa, com texto da jornalista Luce Pereira e direção de André Brasileiro e Marcondes Lima, e Aquilo que meu olhar guardou para você, do grupo Magiluth, com dramaturgia coletiva e direção de Luis Fernando Marques, estão na mostra principal do FCT. Isso é muito bom para os grupos e para a produção pernambucana. Ambas as peças tem qualidades para estarem nessa vitrine.

O Magiluth também levou para o Fringe, a mostra paralela, as peças O canto de Gregório, e 1 Torto.

O fato pode encher de orgulho os que acreditam que as artes cênicas da terrinha possam ter um valor de referência semelhante à música e ao cinema produzidos por artistas pernambucanos.

Mas não custa lembrar que essa participação dos grupos vem em parte de uma política adotada pelo Janeiro de Grandes Espetáculos (coordenado por Paula de Renor, Carla Valença e Paulo de Castro) de trazer curadores e diretores de festivais para acompanhar uma parte da produção teatral feita em Pernambuco. O que já rendeu a ida de várias montagens para alguns festivais brasileiros.

Mas nesse momento em que se discute a saída do secretário de cultura, já num clima de campanha política para o próximo prefeito, seria bom que os artistas de teatro ficassem atentos. É preciso criar compromissos com os candidatos não apenas para a escolha de seus assessores como também para uma política que deve ser executada nos próximos anos.

Os investimentos na área de artes cênicas devem ser feitos para estruturar o segmento e dar a grandeza que os pernambucanos gostam tanto. É possível melhorar capacidades. E isso também passa pela seriedade de seus governantes.