Tom cômico da traição

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Obsessão com os atores Tarcísio Vieira, Nilza Lisboa, Silvio Pinto, Simone Figueiredo e Diógenes D. Lima 

O reverso da amizade pode ser muito cruel. Com pitadas de inveja, rodelas de ciúme, nacos de hostilidade. O antagonismo põe em litígio competências. E a disputa chega a picos de desinteligências de guerra. Vale tudo para derrotar o inimigo… sim, aquele mesmo que já foi cúmplice, confidente, porto seguro de afetos mais nobres. O espetáculo Obsessão trata dessas reviravoltas na vida de duas mulheres, quase irmãs, de um vínculo que azedou e o orgulha e a arrogância impediram a superação. A montagem pernambucana faz uma sessão especial nesta sexta-feira, às 20h, no Teatro de Santa Isabel, no Recife. 

Então tá, elas vibram no diapasão da vingança. Sem direito a bandeira branca. E tudo começa porque uma delas “rouba” o namorado da outra, que não perdoa a traição. Guerra declarada. Motivo fútil para uns, torpe para outros. Mas o texto de Carla Faour explora uns quiproquós para arrancar o riso da plateia e expor a banalidade da situação. É certo que relacionamentos extraconjugais já renderam de tragédias a comédias rasgadas.

O diretor Henrique Tavares posiciona a peça como um “melodrama moderno”, com quebra cronológica e flutuações do espaço. Passado e presente se revezam em  por meio de flashback e avanços no tempo.

Em tom cômico, peça mostra que mulheres traídas podem ser perigosas. Fotos: João Rogério 

Em tom cômico, peça mostra que mulheres traídas podem ser perigosas. Fotos: João Rogério Filho

Marina (Simone Figueiredo) e Lívia (Nilza Lisboa) gravitam em torno do homem para traçar os embates, alimentando um vínculo passional de mútua dependência; dão pistas que são  obcecadas uma pela outra. Das maquinações vingativas brota Ana Lee, uma escritora de romances e publicações de autoajuda, subliteratura de sucesso. Essa personagem projeta as frustrações, e mágoas na páginas dos livros.  Até que o destino arma o cenário para a vingança.

No jogo cênico oscila a densidade das questões que tocam as relações humanas – anseios frustrações, autoestima, casamento e solidão e o tom bem-humorado dado aos temas. Essas mulheres são cáusticas e podem ser perigosas, não sabem perder e são arquitetas da revanche. E giram a metralhadora de mágoas e ofensas, frustrações e anseios.

São paixões turbulentas traduzidas no predomínio do vermelho na cenografia e nos figurinos. No elenco, estão Simone, Nilza e Silvio Pinto – também produtores do espetáculo, que não contou com financiamento público. Além de Diódenes D. Lima e Tarcísio Vieira. A direção de arte é assinada por Célio Pontes e a assistência de direção fica a cargo de Henrique Celibi.

A encenação estreou no ano passado e a marcou a volta da atriz e produtora cultural Simone Figueiredo aos palcos, após uma ausência de 15 anos. Nesse ínterim ela exercer cargos públicos, entre eles, o de secretária de Cultura do Recife e o de diretora do Teatro de Santa Isabel.

A primeira versão do texto estreou em 2012, no Rio de Janeiro, onde teve uma carreira bem-sucedida, inclusive com a autora no elenco. O texto foi construído em um projeto de  experimentação dramatúrgica na internet que incluiu sete autores da cena contemporânea carioca. Carla Faour postou trechos de Obsessão no site www.dramadiario.com. Foram publicados 15 capítulos com posts semanais durante quatro meses.

Serviço
Espetáculo Obsessão
Quando: Sexta (02/12), às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel – Praça da República, s/n, Santo Antônio, Centro do Recife
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada).
Informações: 81 3355.3323 / 81 3355.3324

 

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Agenda: Fim de Novembro, início de Dezembro

EM CARTAZ

LUZIR É NEGRO

Marconi Bispo. Foto: Divulgação

Marconi Bispo. Foto: Ricardo Maciel / Divulgação

Luzir é negro é solo autobiográfico do performer Marconi Bispo, que, a partir de memórias pessoais e familiares, investiga o racismo e suas manifestações na vida de um homem negro, gay, candomblecista e periférico. “Entendi que eu era negro quando uma chefe minha me chamou à sala dela e disse que eu não podia mais usar camisas que deixassem as minhas guias de orixás aparentes. Eu lembro que, do lado de cá da mesa dela, entendi que eu era negro”, reflete o ator. A dramaturgia também faz referência aos textos Os negros, de Jean Genet; Arena conta Zumbi, de Guarnieri e Boal; e Gota d’água, de Chico Buarque e Paulo Pontes – e em outras matrizes documentais, como as redes sociais, matérias e artigos de jornal e documentos históricos. A direção é de Rodrigo Dourado e a montagem do Teatro de Fronteira.

FICHA TÉCNICA
Atuação: Marconi Bispo.
Direção: Rodrigo Dourado.
Dramaturgia: Marconi Bispo e Rodrigo Dourado.
Preparação Corporal: Pollyanna Monteiro.
Direção de Arte: Marcondes Lima (figurinos) e Plínio Maciel (elementos cenográficos e adereços).
Coreografias: Edson Vogue.
Iluminação: João Guilherme de Paula.
Edição de trilha: Rodrigo Porto.
Assessoria de Imprensa: Cleyton Cabral.
Músicos: Kiko Santana (guitarra e direção musical) e Basílio Queiroz (contrabaixo).
Fotos e vídeos: Ricardo Maciel.
Identidade Visual: Arthur Canavarro.
Assistência de Produção: Rodrigo Cavalcanti.
Realização: Teatro de Fronteira.

SERVIÇO
Luzir é Negro, do Teatro de Fronteira
Quando: Sessão especial neste domingo (04/12), às 17h.
Onde: Espaço O Poste (rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)

ILHADA EM MIM

Atriz Djin Sganzerla. Foto: Kleyton Guilherme

Atriz Djin Sganzerla. Foto: Kleyton Guilherme

Ilhada em Mim, Sylvia Plath materializa experiências reais e imaginárias da poetisa norte-americana, regida pela força destrutiva e lírica que orientou sua vida. Vagando entre um tipo de loucura que se acerca da sabedoria e uma lucidez só possível em mentes geniais, o espetáculo revela a complexidade do universo interior dessa artista. Com dramaturgia de Gabriela Mellão, a peça explora as depressões da escritora Sylvia Plath (1932-1963) e sua relação tumultuada com o poeta inglês Ted Hughes (1930-1998). A atriz Djin Sganzerla protagoniza o drama e divide o palco com seu marido na vida real, André Guerreiro Lopes, também diretor da montagem. Plath fez de suas vivências material literário, tendo as principais obras somente aparecido para o mundo após sua trágica morte por suicídio. 
SERVIÇO
Onde: CAIXA Cultural Recife 
Quando: De 1º a 3 de dezembro de 2016, às 20h
Quanto: R$ 20 e R$ 10. Os ingressos serão vendidos a partir do dia 1º de dezembro (para as apresentações de 1º a 3/12), a partir das 10h, exclusivamente na bilheteria do espaço.
Classificação indicativa: 12 anos.
Duração: 60 minutos

FICHA TÉCNICA
Dramaturgia: Gabriela Mellão.
Direção: André Guerreiro Lopes.
Elenco: Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes.
Figurinos: Fause Haten.
Iluminação: Marcelo Lazzaratto.
Concepção Sonora: Gregory Slivar.
Assistente de Direção e Direção de Palco: Rafael Bicudo.
Vozes em off: Sylvia Plath e Ted Hughes.
Produção Executiva: Joyce Nogueira.
Direção de Produção: Djin Sganzerla/Estúdio Lusco-fusco.

MEMÓRIAS DE QUINTAL

Foto: cia bololo

Montagem da Bololô Cia Cênica, do Rio Grande do Norte. Foto: Paulo Fuga

Nos dias 2 e 3 de dezembro, a Bololô Cia. Cênica (RN) apresenta pela primeira vez no Recife o espetáculo Memórias de Quintal. A montagem é inspirada nas lembranças de infância dos atores. A peça provoca o público a co-memorar e refletir acerca de suas próprias experiências de vida, colocando o tempo em jogo no espetáculo. A encenação tem sabor de saudade e é enviesada por cenas que revelam dores e delícias do crescimento. O elenco vai em busca das crianças que foram e se confrontam como adultos no espaço sagrado do teatro.
SERVIÇO
Quando: 2 e 3 Dezembro, 20h,
Onde: Edf. Texas. (Rua Rosário da Boa Vista, 163. 3º andar
Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia)
Produção: Bobox Produções
Apoio: Grupo Magiluth e Edf. Texas

Ficha Técnica
Direção: Alex Cordeiro e Silbat Rodrigo
Dramaturgia: Paulinha Medeiros
Elenco: Arlindo Bezerra, Paulinha Medeiros e Lulu Albuquerque
Preparação corporal e direção de movimento: Rodrigo Silbat
Direção de arte: Paula Vanina e Bololô Cia.
Cênica Consultoria de direção e desenho de luz: Pedro Vilela (PE)
Consultoria de dramaturgia: Giordano Castro (Grupo Magiluth/PE)
Operação de luz: Marcos da Câmara
Comunicação e operação de áudio: Joanisa Prates
Registro Fotográfico: Paulo Fuga
Registro de vídeo: Johann Jean
Designer gráfico: Daniel Torres
Realização: Bololô Cia Cênica
Produção: Bobox Produções

NA MANCHA NINGUÉM ME PEGA

Cidadania. Foto: Gustavo Bettini/Divulgação

Montagem da Em Cena Arte e Cidadania. Foto: Gustavo Bettini/Divulgação

As brincadeiras infantis divertidas e inclusivas estão no centro da montagem Na Mancha Ninguém Me Pega, da Em Cena Arte e Cidadania. A alegria desse encontro lúdico é explorada pela diretora Maria Paula Costa Rêgo, do Grupo Grial de Dança, que comanda as coreografias das 19 bailarinas crianças e adolescentes que fazem parte da Associação sediada no bairro dos Coelhos. Na montagem, parlendas, charadas e brincadeiras de rua se entrelaçam aos movimentos da dança.

Serviço
Espetáculo infantil Na Mancha Ninguém Me Pega
Onde: Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro (r. Treze de Maio, 455, Santo Amaro – Recife)
Quando: Sábado, Dia 4 de dezembro, Domingo, às 10h e 16h
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Informações: (81) 3216-1728

OBSESSÃO

Nilza Lisboa e Simone Figueiredo em primeiro plano. Foto: João Rogério Filho/ Divulgação

Nilza Lisboa e Simone Figueiredo em primeiro plano. Foto: João Rogério Filho/ Divulgação

Comédia pernambucana expõe as fragilidades na relação de duas amigas que se tornam rivais no amor. Com dramaturgia de Carla Faour e direção de Henrique Tavares, a montagem trilha o universo feminino e amoroso de uma obsessiva relação de contenda entre duas ex-confidentes. O público pode acompanhar do que uma ex-amiga é capaz para se vingar de uma traição. Livia e Marina são amigas inseparáveis, até que Livia se apaixona por Marcelo e passam a viver felizes por um tempo. Mas Lívia conta tantas maravilhas do rapaz que que Marina se apaixona pelo ouvido e vai à luta. A montagem recifense de Obsessão foi o maior público de teatro do último festival Janeiro de Grandes Espetáculo. Com Nilza Lisboa e Simone Figueiredo, Silvio Pinto, Diógenes Lima e Tarcísio Vieira.
Serviço
Quando: 2 de dezembro, às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n – Santo Antônio)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada).
Informações: 81 3355.3323 / 81 3355.3324

RETRATOS DE UMA LEMBRANÇA INTERROMPIDA

Foto: Jonas Araújo

Atores do Grupo Bela Idade, do Sesc de Santa Rita. Foto: Jonas Araújo

Com elenco formado por alunos-atores de 58 a 91 anos do Grupo Bela Idade, do Sesc Santa Rita, o espetáculo Retratos de uma lembrança interrompida resgata a memória da ditadura civil-militar no Brasil pela ótica do grupo, suas emoções e vivências.  Período de opressão, perda de direitos, ausência de liberdade são algumas das experiências levadas à cena por oito intérpretes, que se revezam no palco durante 50 minutos. Na peça, quatro personagens que se revoltam com a imposição do regime implantado no Brasil na década de 1960. O espetáculo explora o confronto deles com família, amigos, sociedade e até conflitos pessoais. A entrada é gratuita.

Serviço:
Retratos de uma Lembrança Interrompida
Onde: Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro)
Quando: 29/11 e 1º12, às 16h
Informações: 3216.1616

Ficha técnica
Texto: Marcos Medeiros/Anderson Damião/ Luís Magalhães
Direção: Anderson Damião e Marcos Medeiros
Orientação Pedagógica: Emanuella de Jesus
Elenco: Cici Clessan, Elpídia Fernandes, Francisca Eurídes, Helena Santana, Lucimar Muhlert, Luís Magalhães, Maria de Socorro, Verônica Amorim. 
Confecçãodefigurino: Ciçone Maria e Maria Madalena (Dalena)
Concepção de Luz: Anderson Damião
Operação de luz: Emanuella de Jesus
Sonoplastia: Marcos Medeiros
Operação de Som: Marcos Medeiros
Fotografia: Jonas Araújo
Produção Executiva: Núcleo de Cultura – Sesc Santa Rita

DANÇA

COMO MANTER-SE VIVO?

Flávia Pinheiro. Foto: Peter Michael Dietz

Flávia Pinheiro. Foto: Peter Michael Dietz

A performer Flávia Pinheiro explora os limites da dança como conceito de arte e a sobrevivência do artista no atual estágio do capitalismo e mais especificamente no momento que o Brasil atravessa. Ela transita no espaço com seu corpo pensante e convoca a tecnologia como um procedimento para repensar os próprios códigos de programação.
Quando: 2, 3, 4, 9, 10 e 11 de dezembro; sextas, sábados e domingos, às 19h.
Onde: Tulasi Mercado Orgânico (Rua das Graças, 178, Graças).
Quanto: R$ 10 e R$ 5 (meia).

TIJOLOS DE ESQUECIMENTO

Acupe Grupo de Dança. Foto: Rogerio Alves / Sobrado 423

Acupe Grupo de Dança. Foto: Rogerio Alves / Sobrado 423

Espetáculo faz uma imersão no imaginário urbano, a partir da obra do escritor italiano Ítalo Calvino, onde a cidade deixa de ser um conceito geográfico para se tornar o símbolo complexo e inesgotável da existência humana. Tijolos de Esquecimento busca mostrar os diversos focos da cidade: da que sufoca, a que dá liberdade, a da memória, a do afeto e do abandono, da transgressão e das contradições, das disputas. Reinventada pelo olhar do humor e do amor de quem lhe dá forma.
Quando: 2 a 17 de dezembro. Sextas e sábados, às 20h.
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna (Rua da Aurora, 457, Boa Vista).
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia).
Informações: 3184-3057.
Classificação: 16 anos.

Ficha Técnica
Direção: Paulo Henrique Ferreira
Coreografias: O grupo em processo colaborativo
Direção de Arte: Marcondes Lima
Dramaturgia e texto: Flávia Gomes
Intérpretes criadores: Anne Costa, Henrique Braz, Jadson Mendes, Silas Samarky e Valeria Barros.
VJ e criação de vídeos: Alberto Saulo
Sonoplastia: Rodrigo Porto Cavalcanti
Iluminação: Luciana Raposo

PEBA

Iara Sales em PEBA. Foto: Lara Perl / Labfoto

Iara Sales em PEBA. Foto: Lara Perl / Labfoto

Com dramaturgia assinada por Iara Sales e Sérgio Andrade, o espetáculo PEBA brinca com o encontro das siglas de Pernambuco e Bahia, com seus folguedos, suas ruas e festas. Em tupi, “peba” (péua, nhapeua) também remete a chato, baixo, nanico, anão, curto das pernas; e ainda, na gíria popular, exerce uma função adjetiva chula para aquilo que é precário e de baixa qualidade. Misturando essas referências, PEBA propõe um diálogo entre dança e elementos da montagem como gambiarras e outros objetos rearranjáveis em cena. As músicas executada ao vivo por … são compostas por experimentações eletroacústicas, batidas, samplers e citações incidentais de charangas, tecnobregas, sambas, axé, MPB, dentre outras.

SERVIÇO:
Espetáculo PEBA
Quando: 29 de novembro, 19h.
Onde: Espaço Compassos (Rua da Moeda, 93 – Recife Antigo).
Programação livre e gratuita.
Duração: 40 min aprox.

FICHA TÉCNICA
Concepção e performance: Iara Sales.
Trilha sonora original, arquitetura e performance: Tonlin Cheng.
Direção Artística: Sérgio Andrade.
Dramaturgia: Iara Sales e Sérgio Andrade.
Gambiarras, instalações e objetos cênicos: Tonlin Cheng.
Figurino: Iara Sales e Maria Agrelli.

CIRCO

CÍRCULOS QUE NÃO SE FECHAM

circulos-que-nao-se-fecham
A juventude com seus sonhos, rotinas, dramas e conflitos. Este é leque do espetáculo Círculos que não se Fecham…Fragmentos, que a Trupe Circus, da Escola Pernambucana de Circo, apresenta em sua sede, no bairro da Macaxeira, no dia 2 de dezembro, às 19h30, com entrada gratuita. A encenação toca em questões delicadas como a agressão juvenil, assassinatos e autodestruição e as emoções fortes que atingem os adolescentes. A coordenadora da Escola Pernambucana de Circo, Fátima Pontes, aposta nesses jovens como agentes transformadores na sua comunidade, cidade, mundo.
SERVIÇO
Quando: 2 de dezembro. Sexta, às 19h30. 
Onde: Rua José Américo de Almeida, 5, Macaxeira. 
Quanto: Entrada gratuita. 
Informações: 3266-0050.

Ficha Técnica
Produção – Escola Pernambucana de Circo
Encenação e direção: Fátima Pontes
Assistência de direção: Alexsandro Silva
Sonoplastia (arranjos das músicas): Agnaldo Menezes
Execução de sonoplastia: Blau Lima
Iluminação – Designer de luz e execução: Sávio Uchôa
Produção executiva: Alexandre Menezes
Assessoria de comunicação e Fotografias :Patrícia Monteiro
Elenco – Trupe Circus – Anne Gomes, Pablo Carlos, Thiago Oliveira, Ítalo Feitosa, Hosani Gomes, Ariel de Assis Lima, Mateus Silva, Maria Karolaine, Vanessa Cassiane, Maicon Francisco Torres, Michele Melo, Juan Paulino, Barbara Carréra

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PEBA borra fronteiras em dança festiva

Foto: Saluá Oliveira / Divulgação

Bailarina e performer Iara Sales e o músico-performer Tonlin Cheng encerram temporada. Foto: Saluá Oliveira 

Peba é uma gíria de sonoridade engraçada e que quer dizer algo sem qualidade ou de baixa qualificação, precário, produto barato. Mas também se aplica aos humanos. É apontada como a junção das sigas dos estados de Pernambuco e Bahia. Em tupi-guarani significa nanico, curto das pernas. PEBA é o espetáculo com a bailarina e performer Iara Sales e o músico-performer Tonlin Cheng que transita entre brincadeiras, folguedos de ruas e festas populares do Nordeste. A peça faz uma apresentação extra no Recife neste dia 29 de novembro, às 19h, na sede da Compassos Cia de Dança no Bairro do Recife,  dentro do projeto Dança de Algibeira, da Compassos.

A proposta entre performance e arquitetura sonora tem dramaturgia assinada por Iara Sales e Sérgio Andrade e reflete sobre a dança como um espaço de debate, que traça provocações críticas sobre as noções de fronteira, de identidades, de cultura popular e de cultura de massa, de espaço individual e de espaço coletivo. Ergue uma zona de convergência entre elementos da cultura popular e pulsão inventiva da dança contemporânea.

Para fazer o elogio à fuleiragem como força de criação, quebra com dicotomias e investiga o que há de artesanal, grotesco e despretensioso no corpo brincante que escapa a enquadramentos de mercado.

PEBA irradia a liberdade de um corpo que sofreu muitas influências, mas não se dobra a uma única técnica. Absorve muitas, reprocessa as que convém e subverte seus artifícios para criar uma dança sua. De um corpo brincante e festivo, que aglutina traços de capoeira e do frevo, do samba de roda e do cavalo-marinho, do trio elétrico baiano e dos blocos de rua pernambucanos.

Lara Perl / Labfot

Tonlin Cheng. Foto: Lara Perl / Labfot

A trilha sonora original do projeto é assinada por Tonlin Cheng e é executada pelo princípio “live P.A” (Performance Artist), que emprega peças musicais, improvisação e composição ao vivo. O som inclui experimentações eletroacústicas, batidas, samplers e citações incidentais de charangas, tecnobregas, sambas, axé, MPB, dentre outras músicas que contribuem com o humor festivo e lírico do espetáculo.

peba. Foto: Lara Per -labfoto

Memórias de Iara Sales são processadas no espetáculo. Foto: Lara Per -labfoto

Essa brincante-errante problematiza as danças populares articuladas com suas memórias e suas pesquisas. Iara Sales joga, no sentido dinâmico, com gestualidades, territórios e subjetividades. PEBA se desloca entre fronteiras que se distinguem e se dissolvem. Nesse trânsito, os territórios identitários, mitos, desejos e afetos se carnalizam em gestos expostos nessa dança que se pretende ordinária, embora carregue alto teor de sofisticação.

O público se distribui de forma desorganizada. As “andadas” ocorrem em fluxos sem regras aparentes. Iara empurra os presentes para dentro de sua folia e eles se tornam participantes dessa brincadeira em que leves toques e suores são combustíveis para movimentos que oscilam entre pertencimento e estranhamento da tradição.

O gatilho desse trabalho foi a explosão de um botijão de gás, que interrompeu a brincadeira de um carnaval, e deixou marcas na pele de Iara Sales. Essa memória autobiográfica de 1999 impulsionou a pesquisa.

PEBA começou como projeto de investigação artística que se desdobrou em espetáculo, catálogo (livro-objeto), seminários, oficinas, temporada itinerante – 2015 (pela região metropolitana do Recife) e circulação nacional. Foi contemplado por editais regionais de Pesquisa em Dança – FUNDARPE/FUNCULTURA (2012) e de Manutenção de Temporada – FUNDARPE/FUNCULTURA (2014), pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015, na categoria circulação nacional de espetáculos. 

Lara Perl /Labfoto

Artista desafia fronteiras. Foto: Lara Perl /Labfoto

SERVIÇO:
Espetáculo PEBA
Quando: 29 de novembro, 19h.
Onde: Espaço Compassos (Rua da Moeda, 93 – Recife Antigo).
Programação livre e gratuita.
Duração: 40 min aprox.

FICHA TÉCNICA
Concepção e performance: Iara Sales.
Trilha sonora original, arquitetura e performance: Tonlin Cheng.
Direção Artística: Sérgio Andrade.
Dramaturgia: Iara Sales e Sérgio Andrade.
Gambiarras, instalações e objetos cênicos: Tonlin Cheng.
Figurino: Iara Sales e Maria Agrelli.

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Greves históricas – primeiros apontamentos

Helena Albergaria faz Joana Paixão / João Batista em O pão e a pedra. Foto: Lenise Pinheiro / Divulgação

Helena Albergaria faz Joana Paixão / João Batista em O pão e a pedra. Foto: Lenise Pinheiro / Divulgação

Há muitas entradas para leituras do espetáculo O pão e a pedra, da Companhia do Latão, escrita e dirigida por Sérgio de Carvalho, em cartaz até domingo, no Teatro Hermilo Borba Filho, às19h, dentro da programação do 18º Festival Recife do Teatro Nacional. O mosaico complexo de contradições sociais é explorado pelo grupo em camadas e fissuras e problematizações. A greve dos operários do ABC Paulista em 1979 e os espelhamentos da crise política atual tencionam o embate no palco dos peões com o cruel mundo do capital, a invisibilidade da mulher, da luta dentro da luta dos nordestinos no mapa da ditadura civil-militar brasileira.

É denso. E não permite simplificações de heróis, salvadores da pátria, bonzinhos versos vilões. Os paradoxos da realidade atual se desdobram no palco a partir da greve histórica do final da década de 1970, que projetou para o Brasil como força política a figura de Luiz Inácio da Silva, o Lula, na época líder do Sindicato dos Metalúrgicos.

A investigação do autor diretor Sérgio de Carvalho passa pelas “dificuldades do aprendizado político daqueles trabalhadores que enfrentaram a polícia da ditadura e o aparato midiático patronal, num processo que durou 60 dias (15 dias de máquinas paradas e 45 dias de “trégua” com mobilização dentro e fora das fábricas). Sob relativa influência do imaginário desses grupos contraditórios, o novo sindicalismo, a Igreja progressista e o movimento estudantil de esquerda, os operários de O Pão e a Pedra travam um embate com a própria vida coisificada” [1].

Lá para o meio da peça, um ator explica que a encenação foi erguida nos tumultuados primeiros meses deste ano e que Lula não será representado. Uma ausência que se faz presente como uma sombra do passado, no presente.

O sumiço do líder sindical que por dois dias saiu de cena em 1979 abre brechas para muitas especulações que pairam no ar do teatro. Desde negociações isoladas com os patrões, até a possível blindagem para não quebrado pela polícia. Entre um ponto, muitas possibilidades expressadas por personagens da cena.

O cenário em que forças regressivas da política brasileira que se alinharam com a grande imprensa e com o judiciário e suas estranhas razões para depor um governo eleito democraticamente invade em ondas de pensamento enquanto acompanhamos a trajetória daquele grupo de trabalhadores fabris de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Na espiral do tempo, a conta do arranjo vai ser paga pelos trabalhadores cada vez mais acossados por uma realidade surrealista.

Há muitos caminhos para chegar ao coração da greve. Não é possível abarcar muitos em tão pouco tempo. Assisti ao espetáculo ontem e as imagens, as palavras, os procedimentos estão ruminando na minha cabeça, os sentidos se erguem e assustam, são desfeitos, comungam com muitas questões. Preciso de dias, semanas, meses, para desembarcar a bagagem marxista do espetáculo.

É muito. É tanto. É eletrizante. Às vezes parece choque no nervo. A imagem da personagem Luísa (Sol Faganello), uma militante universitária que adentra no campo dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo com a ambição de politizar os peões. O movimento mostra uma amazona montada em cavalo trêmulo, num ritmo frenético, ao som percussivo. É um quadro potente inspirado no conto Na galeria, um texto curto de Franz Kafka, publicada no Brasil no livro Um médico rural. A narrativa do escritor tcheco é visual e de tirar o fôlego. E é incrível como esse “poema em prosa”, como chama o tradutor Modesto Carone, carrega questões importantes para a montagem. O conto expõe uma hipótese, cria uma oposição; anula a primeira disposição, apresenta outra. Dinâmica semelhante faz a montagem.

“Se uma amazona frágil e tísica fosse impelida meses sem interrupção em círculos ao redor do picadeiro sobre o cavalo oscilante diante de um público infatigável pelo diretor de circo impiedoso de chicote na mão, sibilando em cima do cavalo, atirando beijos, equilibrando-se na cintura, e se esse espetáculo prosseguisse pelo futuro que se vai abrindo à frente sempre cinzento sob o bramido incessante da orquestra e dos ventiladores, acompanhado pelo aplauso que se esvai e outra vez se avoluma das mãos que na verdade são martelos a vapor – talvez então um jovem espectador da galeria descesse às pressas a longa escada através de todas as filas, se arrojasse no picadeiro e bradasse o basta! em meio às fanfarras da orquestra sempre pronta a se ajustar às situações.

Mas uma vez que não é assim…”

Foto: Sérgio de Carvalho

Os atores Rogério Bandeira (Fúria Santa) e Ney Piacentini (Arantes). Foto: Sérgio de Carvalho

O círculo do cenário instalado no centro do palco é nomeado de espaço da fábrica – da linha de montagem ao banheiro-, estádio da Vila Euclides palco das assembleias sindicais e outros locais onde os trabalhadores se encontravam, de bares à igreja.

Os peões da lida vão fazer a máquina parar. Na sua luta eles estão sempre ameaçados a serem marcados pelo ferro quente do capital. Nesse cenário masculino, a voz feminina está diluída ganhando um salário menor, carregando em silêncio o filho na barriga. E ganha destaque na metamorfose de personagem Joana Paixão, papel defendido por Helena Albergaria, que se disfarça de homem para poder receber os mesmos salários que seus pares em situações semelhantes.

No elenco da peça estão Míriam (Beatriz Bittencourt), ocupada no início com o bronzeamento; Irene (Érika Rocha), o Fúria Santa (Rogério Bandeira) e Arantes (Ney Piacentini) impõe um ritmo lento a peça, que me pareceu calculado para causar um efeito estético de incômodo no espectador.

Vou assistir novamente ao espetáculo.

O texto vai continuar…

[1] Companhia do Latão, Um tempo diferente, In: Programa O Pão e a Pedra – espetáculo da Companhia do Latão, 2016.

 

Serviço:
O pão e a pedra
Onde:Teatro Hermilo Borba Filho, (R. do Apolo, 121 – Recife)
Telefone: (81) 3355-3320
Quando: De 23 a 27 de novembro, às 19h; de quarta a domingo.
Quanto: R$ 10 e R$ 5
Indicação etária: 16 anos

Ficha técnica:
Autoria e Direção: Sérgio de Carvalho
Elenco: Beatriz Bittencourt, Beto Matos, Érika Rocha, Helena Albergaria, João Filho, Ney Piacentini, Rogério Bandeira, Sol Faganello e Thiago França.
Assistência de direção: Beatriz Bittencourt
Direção musical, composição e execução: Lincoln Antonio
Cenografia e figurinos: Cassio Brasil
Iluminação: Melissa Guimarães e Silviane Ticher
Direção de produção: João Pissara
Assistência de produção: Olívia Tamie
Núcleo de divulgação: Marcelo Berg

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“Para onde vamos?”, pergunta o Grupo Galpão

Personagens do espetáculo NÓS são transpassado por temas contemporâneos como racismo, violência e intolerância. Foto: Guto Muniz

Personagens da peça NÓS são transpassados por temas contemporâneos como racismo, violência e intolerância. Foto: Guto Muniz

Conviver é um exercício constante de humanidade, de escuta, de abraçamento, de indulgência, de envolvimento, de inclusão, de autoconhecimento. Essa fascinante tarefa de estar junto faz suas exigências para afastar a apatia, a brutalidade das relações, a indiferença. O espetáculo Nós, do grupo mineiro Galpão investe nas relações humanas e, portanto, políticas. E questiona os posicionamentos no mundo enquanto coletivo, enquanto indivíduos inquietos diante da realidade brasileiro. A peça faz duas apresentações no Teatro Luiz Mendonça, do Parque dona Lindu, em Boa viagem, dentro da programação do 18º Festival Recife do Teatro Nacional.

Um encontro entre sete pessoas numa mesa de cozinha. Elas preparam uma sopa, num ritual de celebração e despedida. Partilham esperanças e aflições. Mergulham em conversas cotidianas, com frases repetidas e assuntos cruzados a partir dos seus testemunhos: um garoto negro humilhado por policiais, de meninas sequestradas, de escolas públicas que foram fechadas. 

Questões da atualidade são encaradas pelo grupo como alteridade, o que é público ou privado, democracia em tempos de intolerância, violência, crise da esquerda, tragédia em Mariana (MG). A trupe também lançou mão de referências em obras contemporâneas, como Ódio à Democracia, ensaio do francês Jacques Rancière.

São ecos das vozes das ruas, com destaque para a forma como as coisas são ditas

São ecos das vozes das ruas, com destaque para a forma como as coisas são ditas

O texto escrito pelo encenador convidado Marcio Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro, e pelo ator Eduardo Moreira foi construída a partir dos improvisos com o elenco. E surgem personagens indefinidos e performáticos. Além de Moreira, estão no elenco Antonio Edson, Chico Pelúcio, Júlio Maciel, Lydia Del Picchia,Paulo André e atriz Teuda Bara.

Desse jogo entre personalidades diferentes o Galpão ergue uma sinfonia cênica, com  justaposição de sons, ritmos, corpos e de reflexões diferentes que ora se harmoniza, coabitam ou se chocam.

A trilha musical e os efeitos sonoros dirigidos por Felipe Storino funcionam como importante elemento dramatúrgico, que se sobressaem nas pausas, nas tensões, nos solos e nas interpretações musicais coletivas como na canção Balada do lado sem luz, de Gilberto Gil.

As dramaturgias estão carregadas de analogias e metáforas formando um complexo quadro de personagens e de discursos. As questões políticas estão abertas a variadas interpretações. Os poderes que vigiam traduzidos em comportamentos. Em determinado momento uma personagem é expulsa do grupo contra sua vontade. E isso pode ser lido como uma alusão ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff ou os confrontos de ordem da micropolítica.

Os elementos podem não estar em estreita relação entre si, como a leitura do poema Agradecimento, da polaca Wisława Szymborska (1923-2012). Cada espectador pode ser atravessado por sensações provocadas pelas partituras do elenco. E construir seus sentidos do espetáculo.

SERVIÇO

NÓS, do Grupo Galpão, dentro do 18º Festival Recife do Teatro Nacional
QUANDO Quarta e quinta-feiras, 23 e 24/11, às 20h30
ONDE Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, Recife
QUANTO R$ 10 a R$ 5
CLASSIFICAÇÃO 16 anos

FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO
Elenco
Antonio Edson
Chico Pelúcio
Eduardo Moreira
Júlio Maciel
Lydia Del Picchia
Paulo André
Teuda Bara
Equipe de criação
Direção: Marcio Abreu
Dramaturgia: Marcio Abreu e Eduardo Moreira
Cenografia: Play Arquitetura – Marcelo Alvarenga
Figurino: Paulo André
Iluminação: Nadja Naira
Trilha e Efeitos Sonoros: Felipe Storino
Assistência de Direção: Martim Dinis e Simone Ordones
Preparação musical e arranjos vocais/instrumentais: Ernani Maletta
Preparação vocal e direção de texto: Babaya
Colaboração artística: Nadja Naira e João Santos
Assistência de Figurino: Gilma Oliveira
Assistência de Cenografia: Thays Canuto
Cenotécnica e construção de objetos: Joaquim Pereira e Helvécio Izabel
Operação e assistência de luz: Rodrigo Marçal
Operação de som: Fábio Santos
Assistente técnico: William Teles
Assistente de produção: Cleo Magalhães
Confecção de figurino: Brenda Vaz
Técnica de Pilates: Waneska Torres
Fotos de divulgação: Guto Muniz
Fotos do programa: Fernando Lara, Gustavo Pessoa e Guto Muniz
Imagens escaneadas: Tibério França e Lápis Raro
Registro e cobertura audiovisual: Alicate
Projeto gráfico: Lápis Raro
Design web: Laranjo Design (Igor Farah)
Direção de produção: Gilma Oliveira
Produção executiva: Beatriz Radicchi
Produção: Grupo Galpão

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