Agenda 3ª semana de DEZEMBRO

O ECO DO SILÊNCIO E CONVERSA COM EUGENIO BARBA

Eugenio Barba e Julia Foto:

Eugenio Barba e Julia Varley, do Odin Teatret. Foto: Marcelo Dischinger / Divulgação

Com Júlia Varley, do Odin Teatret, O eco do silêncio é uma demonstração de trabalho que descreve as vicissitudes da voz de uma atriz e os estratagemas que ela cria para ‘interpretar’ um texto.
A voz da atriz e o texto apresentado aos espectadores compõem a música de um espetáculo. No teatro, que aparentemente é livre dos códigos que conhecemos na música, a atriz precisa criar um labirinto de regras, referências e resistências para seguir ou não, de modo a atingir uma expressão pessoal e reconhecer sua própria voz.
O eco do silêncio toca em alguns momentos desse processo permitindo à percepção do espectador deslizar através da disciplina técnica revelando a pessoa por traz do ator e o silêncio por traz da voz. Trabalho integra programação do grupo pernambucano O Poste junto ao Odin Teatret  da Dinamarca. 
SERVIÇO
Quando: Dia 13 de dezembro de 2016 (terça-feira), às 16h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho.
Quanto:R$ 30,00 (inteira) R$ 15,00 (meia)
Conversa com Eugenio Barba sobre o tema Antropologia Teatral, o que é?
Quando: Dia 13 de dezembro de 2016 (terça-feira), às 17h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho.

 A RECEITA 

Naná Sodré em A Receita. Foto: Thais Lima /Divulgação

Naná Sodré em A Receita. Foto: Thais Lima /Divulgação

A receita foi gestada na VI Masters-in-Residence com Eugenio Barba e Julia Varley -Edição Comemorativa – O Diálogo das Técnicas 2013, em Brasília. A atriz pernambucana Naná Sodré exibiu o embrião do espetáculo numa cena de cinco minutos. Nessa apresentação a interprete terá na plateia os mentores do Teatro Antropológico – Barba e Julia.
Na peça, Naná compõe uma mulher comum transforma em alimentos suas ilusões. Entre rezas, e cânticos tempera os alimentos com sal, alho, coentro e cebolinha enquanto prepara sua libertação. A dramaturgia e direção são de Samuel Santos. Espetáculo integra programação do grupo pernambucano O Poste junto ao Odin Teatret  da Dinamarca. 
SERVIÇO
Quando: Dia 12 de dezembro de 2016 (segunda-feira), às 20h
Onde: Espaço O Poste Soluções Luminosas
Quanto: R$ 30,00 (inteira) R$ 15,00 (meia);
Ficha técnica
Direção, autoria, adereços, sonoplastia e iluminação: Samuel Santos
Atuação, figurino e maquiagem:
Naná Sodré
Técnica em rolamento:
Mestre Sifu Manoel

OMBELA

Naná Sodré e Agrinês Melo. Foto: Lucas Emanuel/Divulgação

Naná Sodré e Agrinês Melo. Foto: Lucas Emanuel/Divulgação

Inspirada no poema épico Ombela (chuva em português), do escritor africano Manuel Rui, a peça transforma as atrizes Agrinez Melo e Naná Sodré em duas gotas de chuva que se transformam em entidades. A direção é de Samuel Santos e realização do grupo O Poste Soluções Luminosas. Espetáculo integra programação do grupo pernambucano O Poste junto ao Odin Teatret  da Dinamarca. 
Quando: Dia 13 e dezembro, terça-feira, às 20h.
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista).
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia).
Informações: 99594-0626.

AVE MARIA

avemaria

A atriz Julia Varley. Foto: /Rina Skeel / Divulgação

A atriz inglesa Julia Varley, mulher do diretor teatral Eugenio Barba, do grupo de teatro Odin Teatret da Dinamarca, evoca o encontro e a amizade com a atriz chilena María Cánepa no espetáculo Ave Maria. Na peça é a Morte que celebra a fantasia criativa e a devoção de María, que soube deixar um rastro após sua partida. A morte aparece como um personagem que narra a vida e suas transformações. Espetáculo integra programação do grupo pernambucano O Poste junto ao Odin Teatret  da Dinamarca. 
SERVIÇO 
Quando: Dia 14 de dezembro de 2016 (quarta-feira), às 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho.
Ficha técnica
Atriz: Julia Varley
Direção: Eugenio Barba
Assistente de Direção: Pierangelo Pompa
Texto: Improvisações e citações de Gonzalo Rojas e Pablo Neruda

RETOMADA

Grupo Totem em Retomada. Foto Fernando Figueredo

Grupo Totem em Retomada. Foto Fernando Figuerôa

A performance Retomada leva para a cena as vozes que ecoam sobre a terra arrasada. Da persistência dessas vozes, o Grupo Totem corporifica a sacralidade das terras indígenas. O espaço sagrado pelo qual esses povos lutam é a inspiração desse trabalho, uma ode à mãe geradora e mantenedora de tudo. O Totem manifesta sua identificação com o sentimento de resistência dos povos primordiais. Para erguer o espetáculo, a trupe realizou pesquisa em aldeias localizadas em Pernambuco entre as etnias Xucuru, Pankararu e Kapinawá, dentro do projeto Rito Ancestral, Corpo Contemporâneo.
SERVIÇO
Retomada, com o Grupo Totem
Quando: 12 de dezembro de 2016, segunda-feira, 20h
Onde: Escola Municipal de Arte João Pernambuco/PCR (Av. Barão de Muribeca, 216 – Várzea – Recife – fone: 3355-4092 / 93 / 94)
Quanto: Grátis.
FICHA TÉCNICA
Encenação: Fred Nascimento
Atrizes-performers: Gabi Cabral, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo e Taína Veríssimo
Música original: Cauê Nascimento, Fred Nascimento e Gustavo Vilar
Direção de palco: Tatiana Pedrosa
Cenografia: grupo Totem
Figurino: grupo Totem
Maquiagem: grupo Totem
Designer de luz:Natalie Revorêdo
Vj: bio Quirino
Pintura corporal: Airton Cardin
Assistente técnico: Ronaldo Pereira
Fotografia: Fernando Figueirôa
Designer gráfico: Iara Sales
Preparador vocal: Conrado Falbo

KATASTROPHÈ

DIG se apresenta no projeto Dança de Algibeira. Foto: Aline Rodrigues / Divulgação

DIG se apresenta no projeto Dança de Algibeira. Foto: Aline Rodrigues / Divulgação

Katastrophè, com a Companhia de Teatro e Dança Pós-Contemporânea d’Improvizzo Gang, conhecida por DIG, dentro do projeto Dança de Algibeira da Compassos Cia de Dança. Baseado livremente no texto de Samuel Beckett, o espetáculo fala sobre a relação de poder, preconceito e intolerância, e aproveita na dramaturgia das experiências dos integrantes do grupo em situações de opressões – como oprimidos ou opressores. Pollyana Monteiro assina a coreografia e direção geral. Nos dias 12 e 13 de dezembro, às 19h. No 13 de dezembro é oferecido Chá com arte e conversa, com o grupo DIG, às 20h
A entrada é gratuita.
Serviço
Katastrophè, com a Companhia de Teatro e Dança Pós-Contemporânea d’Improvizzo Gang, dentro do projeto Dança de Algibeira
Onde: Espaço Compassos (Rua da Moeda, 93, Bairro do Recife)
Quando: Segunda (12/12) e terça (13/12) às 19h
Gratuito
Ficha técnica
Espetáculo Katastrophè
Texto: Samuel Beckett
Tradução: Paulo Michelotto
Dançarinos- intérpretes- criadores: Bob Silveira, Edcarlos Rodrigues, Gardênia Coleto, Higor Tenório, Lili Guedes, Paulo Michelotto, Pollyanna Monteiro e Will Siquenas.
Iluminação: Cleison Ramos
Figurino e trilha musical: Pollyanna Monteiro
Sonoplastia: Cynthya Dias
Cenário, pesquisa e direção: Paulo Michelotto
Adaptação, coreografia e direção geral: Pollyanna Monteiro
Créditos de fotografias: Toni Rodrigues
Classificação: 16 anos
Duração: 40′
Realização: Cia. De Teatro e Dança Pós- Contemporânea d’Improvizzo Gang

TIJOLOS DE ESQUECIMENTO

Acupe Grupo de Dança. Foto: Rogerio Alves / Sobrado 423

Acupe Grupo de Dança. Foto: Rogerio Alves / Sobrado 423

Espetáculo faz uma imersão no imaginário urbano, a partir da obra do escritor italiano Ítalo Calvino, onde a cidade deixa de ser um conceito geográfico para se tornar o símbolo complexo e inesgotável da existência humana. Tijolos de Esquecimento busca mostrar os diversos focos da cidade: da que sufoca, a que dá liberdade, a da memória, a do afeto e do abandono, da transgressão e das contradições, das disputas. Reinventada pelo olhar do humor e do amor de quem lhe dá forma.
Quando: 2 a 17 de dezembro. Sextas e sábados, às 20h.
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna (Rua da Aurora, 457, Boa Vista).
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia).
Informações: 3184-3057.
Classificação: 16 anos.
FICHA TÉCNICA
Direção: Paulo Henrique Ferreira
Coreografias: O grupo em processo colaborativo
Direção de Arte: Marcondes Lima
Dramaturgia e texto: Flávia Gomes
Intérpretes criadores: Anne Costa, Henrique Braz, Jadson Mendes, Silas Samarky e Valeria Barros.
VJ e criação de vídeos: Alberto Saulo
Sonoplastia: Rodrigo Porto Cavalcanti
Iluminação: Luciana Raposo

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João Pernambuco realiza Mostra A Porta Aberta

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Retomada, do Totem, está na programação Foto: Fernando Figueiroa / Divulgação

Fred Nascimento e sua trupe prosseguem com a guerrilha pela arte e pelo teatro a partir da atuação na Escola Municipal de Arte João Pernambuco/PCR. Um dos resultados dessa ação pode ser conferido na 17ª Mostra A Porta Aberta – 2016.2, que ocorre de 12 a 16 de dezembro. A programação junta a produção de artes cênicas da EMAJPE, grupos e profissionais convidados. E consolida a parceria com o SATED-PE, que acompanha o desempenho dos formandos do Curso Profissional de Teatro na última noite do encontro.

A clássica narrativa da tradição oriental é o alicerce para a peça A Conferência dos Pássaros, de Peter Sís que abre a mostra nesta segunda-feira, às 16h. O exercício cênico desenvolvido na disciplina Interpretação 3, do Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, tem direção de Marianne Cosentino.

Ainda estão agendados para esta segunda-feira os espetáculos Mar e Placebo, encenado por Otacílio Júnior e Experimentos Brechtianos 1, dirigido por Júnior Foster. À noite será lançada a oitava edição da Trema Revista de Teatro, a Edição do Esquecimento. E a jornalista Tatiana Meira recebe homenagem da Mostra.

A principal atração da noite é a performance do Totem Retomada, fruto da pesquisa Rito Ancestral Corpo Contemporâneo, junto aos povos Pankararu, Xukuru e Kapinawá. O grupo entende a performance como ritual contemporâneo e desse mergulho nos processos ritualísticos das tribos leva para a cena questões como pertencimento, memória e identidade.

O espetáculo estreou no Trema Festival de Teatro, passou pelo Cirkula e participou da 1ª Mostra de Teatro Alternativo do Recife-Outubro ou Nada. Com direção de Fred Nascimento, Retomada conte no seu elenco com as performers Lau Veríssimo, Gabi Cabral, Gabi Holanda, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Taína Veríssimo e Tatiana Pedrosa.

17º A Porta Aberta 2016.1 – Mostra de Artes Cênicas
De 12 a 16 de dezembro de 2016
Escola Municipal de Arte João Pernambuco/PCR
Homenagem a Tatiana Meira

PROGRAMAÇÃO
SEGUNDA 12/12
16H – A Conferência dos Pássaros
Texto Peter Sís
Lic. em Teatro-UFPE – Int.3
Dir. Mariane Cosentino

– Mar e Placebo
Experimento Coreográfico
Otacílio Júnior

17h – Curtas Cenas
Of. Teatro Adulto
Dir. Tatiana Pedrosa

17h – Experimentos Brechtianos 1
Básico de Teatro- 2ºper. EMAJPE
Dir. Júnior Foster

19h – Lançamento da oitava edição da Trema Revista de Teatro – Edição do Esquecimento
Homenagem à Tatiana Meira

19h30 – Retomada
Performance
Grupo Totem.
Dir. Fred Nascimento

TERÇA 13/12
9h30 Ombela
Texto do Tablado
Of. Inf. de Teatro e Of. Inf. de Musicalização-EMAJPE
Dir. Tatiana Pedrosa e Bruna

15hOmbela
Texto do Tablado
Of. Inf. de Teatro e Of. Inf. de Musicalização-EMAJPE
Dir. Tatiana Pedrosa e Bruna

17hO Caso do Recenciamento
Of. Inf. de Teatro – EMAJPE
Dir. Tatiana Pedrosa

17h30Curtas Cenas
Of. Teatro Adulto
Dir. Tatiana Pedrosa

19hO Segredo da Arca de Trancoso
Texto Luiz Felipe Botelho
Básico de Teatro – 1º per. EMAJPE
Dir. Givaldo Tenório

20hExperimentos Brechtianos 2
Curso Prof. de Teatro-2º per. EMAJPE
Dir. Júnior Foster

QUARTA 14/12
16hA Tarde dos Palhaços Adestrados
Lic. em Teatro-UFPE – 6º per.
Dir. Marianne Cosentino

16h30Quanto Pesa sua Bagagem?
Curso Básico de Teatro – 3º per.-EMAJPE
Texto Coletivo
Dir. Júnior Foster

17hFofocas
Curso Bas.de Teatro-1º per.-EMAJPE
Texto Coletivo do Tablado
Dir. Patrícia Barreto

19hPantone
Sonância em Cena
Curso Prof. de Teatro-2º per. EMAJPE
Dir. Gabriela Martinez

20hCabareth Valentin – (recorte)
Dramaturgia Bertold Brecht
Básico de Teatro-2º per.
Dir. Patrícia Barreto

QUINTA 15/12
16h – Grupo de Flauta Doce da EMAJPE
Curso de Música
Regência Prof. Rogério

16h30 – As Dez mais do Córtex Cerebral
Grupo Teatral do IFPE
Texto Cyrano Rosalén
Dir. Eduardo Bringuel

17h – Roda Espetáculo de Capoeira Angola
Mestre Jorge Augusto
Ayres Sales

19h – Através de Si
Básico de Teatro-3º per. EMAJPE
Texto Coletivo e colagem de diversos autores
Dir. Júnior Foster

19h30 – Viva La Vida – versão pocket performance
Coletivo Multus
Dramaturgia e direção Fred Nascimento

Peça inspirada na obra de Charles Bukowski. Foto: Fernando Figueiroa / Divulgação

Peça inspirada na obra de Charles Bukowski. Foto: Fernando Figueiroa / Divulgação

20h – Bukowski Blues Bar – 1º episódio
Curso Básico de Teatro-1º per.-EMAJPE
A partir da obra de Charles Bukowski
Dramaturgia e direção Fred Nascimento

SEXTA 16/12
19h – Bukowski Blues Bar – 2º episódio
Curso Prof. de Teatro-4º per. EMAJPE
A partir da obra de Charles Bukowski
Dramaturgia e direção Fred Nascimento

Todas as atividades são abertas ao público.
17º A Porta Aberta – 2016.1 – De 13 a 17 de junho de 2016
Escola Municipal de Arte João Pernambuco/PCR.
Av. Barão de Muribeca, 216 – Várzea – Recife – fone: 3355-4092 / 93 / 94.

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Agenda de Dezembro no Recife

ESPECIAL

AVE MARIA

avemaria

A atriz Julia Varley. Foto: /Rina Skeel / Divulgação

A atriz inglesa Julia Varley, que se juntou ao grupo de teatro Odin Teatret em 1976, na Dinamarca, evoca o encontro e a amizade com a atriz chilena María Cánepa no espetáculo Ave Maria. Na peça é a Morte que celebra a fantasia criativa e a devoção de María, que soube deixar um rastro após sua partida. A morte aparece como um personagem que narra a vida e suas transformações.
SERVIÇO
Quando: Dia 14 de dezembro de 2016 (quarta-feira), às 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho.
Ficha técnica
Atriz: Julia Varley
Direção: Eugenio Barba
Assistente de Direção: Pierangelo Pompa
Texto: Improvisações e citações de Gonzalo Rojas e Pablo Neruda

Eugenio Barba e Julia Varley. Foto: Marcelo Dischinger.

Eugenio Barba e Julia Varley. Foto: Marcelo Dischinger.

O diretor teatral Eugenio Barba e a atriz Julia Varley, do grupo dinamarquês ODIN TEATRET RECIFE realizam no Recife um workshop de voz inédito intitulado O Eco do Silêncio, uma demonstração de trabalho da atriz Julia Varley, uma conversa com o diretor Eugenio Barba sobre o tema Antropologia Teatral e a apresentação do espetáculo Ave Maria, dirigido por Eugenio e interpretado por Julia. A vinda do Odin está diretamente ligada ao trabalho continuado do grupo pernambucano “O Poste Soluções Luminosas. Mais informações: oposte.oposte@gmail.com
PROGRAMAÇÃO
Dia 12 de dezembro de 2016 (segunda) – credenciamento de participantes e abertura do ODIN TEATRET RECIFE. Apresentação do espetáculo “A RECEITA” do grupo O Poste Soluções Luminosas, 20h. Local: Espaço O Poste Soluções Luminosas.
Dia 13 de dezembro de 2016 (terça) – Primeiro dia da oficina “O Eco do Silêncio” ministrada por Julia Varley (9h as 12h). Local: Teatro Hermilo Borba Filho;
– Demonstração de trabalho “O Eco do Silêncio” de Julia Varley (16h). Local: Teatro Hermilo Borba Filho.
– Conversa com Eugenio Barba sobre o tema “Antropologia Teatral, o que é?” (17). Local Teatro Hermilo Borba Filho;
– Apresentação do espetáculo Ombela do grupo O Poste Soluções Luminosas (20h). Local Espaço O Poste Soluções Luminosas;
Dia 14 de dezembro de 2016 (quarta) – Segundo e último dia da oficina “ O Eco do Silêncio” ministrada por Julia Varley (9h as 12h). Local: Teatro Hermilo Borba Filho;
– Apresentação do espetáculo Ave Maria do grupo Odin Teatret (Monólogo de Julia Varley com direção de Eugenio Barba (20h). Local: Teatro Hermilo Borba Filho.
Quando:
* Espetáculo A Receita R$ 30,00 (inteira) R$ 15,00 (meia);
* Demonstração de trabalho O Eco do Silêncio R$30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia);
* Espetáculo  Ave Maria R$ 30,00(inteira) e R$ 15,00 (meia);
* Espetáculo Ombela R$30,00 (inteira) e R$15,00(meia).

EM CARTAZ

COMO MANTER-SE VIVO?

Flávia Pinheiro. foto: Danilo Galvao

Flávia Pinheiro. Foto: Danilo Galvao

Como manter-se vivo? É a terceira parte da pesquisa Diafragma, desenvolvida por Flávia Pinheiro. O primeiro, Diafragma: versão beta, centrou-se nos dispositivos analógicos. No segundo, Ensaio sobre a impermanência, a artista usava um sensor para captar o movimento em tempo real e que produzia uma série de visualizações gráficas. Como manter-se vivo? trata da existência em tempos de crise em todos os campos. Seja macro, da política global e conflitos brasileiros. Ou das micro estratégias de poder nos relacionamentos humanos. Como resistir ao desequilíbrio e a instabilidade da existência? Como persistir no tempo? O trabalho investiga a relação do corpo com a tecnologia e a urgência de permanecer em movimento como um procedimento de sobrevivência.
SERVIÇO
Quando: 9, 10 e 11 de dezembro; sextas, sábados e domingos, às 19h.
Onde: Tulasi Mercado Orgânico (Rua das Graças, 178, Graças).
Quanto: R$ 10 e R$ 5 (meia).
Mais informações: fpinheiro86@gmail.com.
FICHA TÉCNICA
Criação e Performance: Flavia Pinheiro
Direção de Arte: Flavia Pinheiro
Coaching: Peter Michael Dietz
Desenho sonoro: Leandro Oliván
Desenho de luz: Pedro Vilela
Designer gráfico: Guilherme Luigi
Produção: Flavia Pinheiro, Pedro Vilela e Mariana Holanda

DOMITILA

soprano-carioca-neti-szpilmann

Soprano carioca Neti Szpilmann se reveza com a pernambucana Tarcyla Perboire no pepel da Marquesa de Santos

Personagem fascinante que desperta desde o Império comentários críticas e admiração. Domitila de Castro Canto e Melo, conhecida como a Marquesa de Santos canta suas próprias memórias. Composta pelo músico carioca João Guilherme Ripper, a peça mostra os momentos em que a marquesa passou ao lado do primeiro imperador do Brasil, Dom Pedro I, de quem foi amante durante sete anos. A ópera de câmara para soprano, piano, violoncelo e clarinete conta o último dia da Marquesa de Santos na corte – o dia em que ela escreve sua última carta a Pedro I, pois as regras da Casa dos Bragança impuseram ao jovem imperador e viúvo uma nova esposa, não a que ele desejava e sim outra escolhida, D. Amélia, de estirpe real. A direção cênica e idealização são de Luiz Kleber Queiroz e a direção musical de Antônio Nigro. A soprano carioca Neti Szpilmann se reveza com a pernambucana Tarcyla Perboire nas récitas. O escritor Paulo Rezzutti, autor de “Domitila: a verdadeira história da Marquesa de Santos”, percebe a marquesa foi um exemplo de mulher emancipada, que rompeu com a moralidade corrupta de uma época de falsos pudores para viver a vida conforme ditava sua consciência.
Elenco / músicos
Neti Szpilmann – Domitila, a marquesa de Santos (dias 09 / 11)
Tarcyla Perboire – Domitila, a marquesa de Santos (dias 08 / 10)
Antônio Nigro – piano
Gueber Santos – Clarinete
PedroHuff – Violoncelo
*A cantora Neti Szpilmann foi gentilmente cedida pela Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
Ficha Técnica
Idealização: Luiz Kleber Queiroz
Elaboração do Projeto e Coordenação Geral: Maria Aída Barroso
Direção Musical: Antonio Nigro
Direção Cênica: Luiz Kleber Queiroz
Direção de Movimento: Marisa Avellar
Cenário: Thiago Luna
Figurino: Marcondes Lima
Direção de Arte: Marcondes Lima
Iluminação: João Guilherme de Paula
Maquiagem: Geraílton Sales
Audiodescrição: Acessibilidade Comunicacional – Liliana Tavares
Assessoria de Imprensa: Mila Portela/VERBO Assessoria
Designer Gráfico: Letícia Matos / Azul Pavão
Produção: Aymara Almeida e Alice Alves
SERVIÇO
Ópera Domitila, de Guilherme Ripper
Quando: Dias 8, 9, 10 e 11 de dezembro
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (R. do Apolo, 121 – Recife)
Informações: 3355-3220.
Quanto: Entrada franca

ANDARTE ANDARILHO

Márcio Fecher. foto-caio-tiburtino

Márcio Fecher. Foto-Caio Tiburtino

O autor abandona a personagem no início de sua criação. Surpreendido com a atitude do criador e sem saber o que fazer, o personagem resolver tomar as rédeas de sua própria história, ser senhor do seu destino e decidir os caminhos a tomar. Com isso, o personagem atravessa várias situações, inventa um passado para si mesmo, cria um futuro, e através da imaginação e da criatividade edifica sua personalidade. Há anos o ator Márcio Fecher articula esse espetáculo, que traduz um pouco de sua labuta cênica.
Ficha técnica
Criação Cênica, Atuação – Márcio Fecher
Cenários, Figurino e Adereços – Rebeka Barros e Danilo Mota
Plano De Luz, Operador De Luz E Sonoplastia – Felipe Silva
Preparação Corporal – Alan Jones – Professor Pezão e Dalvan Ferreira
Pesquisa Sonora – Felipe Silva e Márcio Fecher
Identidade Visual – Danilo Mota e Márcio Fecher
Assesoria De Comunicação – ABBC por Fernando Fagundes
Apoios/Parcerias – ABBC COmunicação, FUAH ATELIÊ, ART HUNTER, GRUPO CAPOEIRA POSITIVA
Colaboradores – Junior Sampaio, Otiba e Júnior Aguiar
Realização – GOTA SERENA PRODUÇÕES

SERVIÇO
Quando: 10 e 11 de dezembro; sábados, às 20h e domingos, às 19h.
Onde: Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife).
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia).
Informações: 3355-3320.

KATASTROPHÈ

DIG se apresenta no projeto Dança de Algibeira. Foto: Aline Rodrigues / Divulgação

DIG se apresenta no projeto Dança de Algibeira. Foto: Aline Rodrigues / Divulgação

Katastrophè, com a Companhia de Teatro e Dança Pós-Contemporânea d’Improvizzo Gang, conhecida por DIG, dentro do projeto Dança de Algibeira da Compassos Cia de Dança. Baseado livremente no texto de Samuel Beckett, o espetáculo fala sobre a relação de poder, preconceito e intolerância, e aproveita na dramaturgia das experiências dos integrantes do grupo em situações de opressões – como oprimidos ou opressores. Pollyana Monteiro assina a coreografia e direção geral. Nos dias 12 e 13 de dezembro, às 19h. No 13 de dezembro é oferecido Chá com arte e conversa, com o grupo DIG, às 20h
A entrada é gratuita.
Serviço
Katastrophè, com a Companhia de Teatro e Dança Pós-Contemporânea d’Improvizzo Gang, dentro do projeto Dança de Algibeira
Onde: Espaço Compassos (Rua da Moeda, 93, Bairro do Recife)
Quando: Segunda (05/12) e terça (06/12) às 19h
Gratuito
Ficha técnica
Espetáculo Katastrophè
Texto: Samuel Beckett
Tradução: Paulo Michelotto
Dançarinos- intérpretes- criadores: Bob Silveira, Edcarlos Rodrigues, Gardênia Coleto, Higor Tenório, Lili Guedes, Paulo Michelotto, Pollyanna Monteiro e Will Siquenas.
Iluminação: Cleison Ramos
Figurino e trilha musical: Pollyanna Monteiro
Sonoplastia: Cynthya Dias
Cenário, pesquisa e direção: Paulo Michelotto
Adaptação, coreografia e direção geral: Pollyanna Monteiro
Créditos de fotografias: Toni Rodrigues
Classificação: 16 anos
Duração: 40′
Realização: Cia. De Teatro e Dança Pós- Contemporânea d’Improvizzo Gang

TIJOLOS DE ESQUECIMENTO

Acupe Grupo de Dança. Foto: Rogerio Alves / Sobrado 423

Acupe Grupo de Dança. Foto: Rogerio Alves / Sobrado 423

Espetáculo faz uma imersão no imaginário urbano, a partir da obra do escritor italiano Ítalo Calvino, onde a cidade deixa de ser um conceito geográfico para se tornar o símbolo complexo e inesgotável da existência humana. Tijolos de Esquecimento busca mostrar os diversos focos da cidade: da que sufoca, a que dá liberdade, a da memória, a do afeto e do abandono, da transgressão e das contradições, das disputas. Reinventada pelo olhar do humor e do amor de quem lhe dá forma.
Quando: 2 a 17 de dezembro. Sextas e sábados, às 20h.
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna (Rua da Aurora, 457, Boa Vista).
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia).
Informações: 3184-3057.
Classificação: 16 anos.
FICHA TÉCNICA
Direção: Paulo Henrique Ferreira
Coreografias: O grupo em processo colaborativo
Direção de Arte: Marcondes Lima
Dramaturgia e texto: Flávia Gomes
Intérpretes criadores: Anne Costa, Henrique Braz, Jadson Mendes, Silas Samarky e Valeria Barros.
VJ e criação de vídeos: Alberto Saulo
Sonoplastia: Rodrigo Porto Cavalcanti
Iluminação: Luciana Raposo

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Vivência contra preconceitos

Espetáculo autobiográfico toca nas feridas do racismo, da homofobia e dos fundamentalismos religiosos

“Quando você descobriu que era negro?”, questiona o ator Marconi Bispo no espetáculo Luzir é Negro, do coletivo Teatro de Fronteira, com direção de Rodrigo Dourado. Pergunta carregada de história de discriminação e preconceito racial de um Brasil hipócrita e desigual. Luzir é Negro faz uma sessão especial de despedida da temporada deste ano no Espaço O Poste, neste domingo (04/12), às 17h.

De acordo com Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo IBGE em 2014, 53% dos brasileiros se afirmaram como negros e pardos, num acréscimo de 5 pontos porcentuais em analogia com pesquisa idêntica feita há dez anos.

O geógrafo brasileiro Milton Santos (1926 –2001), em uma palestra lembrou que os professores Florestan Fernandes e Otavio Ianni, escreveram “que os brasileiros, de um modo geral, não têm vergonha de ser racista, mas têm vergonha de se dizer que são racistas”. Essa tese provoca uma reflexão pertinente sobre discursos e aparências, sentimentos que mobilizam e processos de exclusão.

Marconi Bispo sentiu na pele a segregação no ambiente de trabalho, a desconfiança sobre suas guias ritualísticas do candomblé e a rejeição na vida afetiva.  O ator partiu para investigar essas cicatrizes do corpo e da alma a partir de sua própria vivência. E foi justamente o insucesso (?) na vida amorosa o gatilho para transformar suas experiências em  material dramatúrgico da montagem.

Marconi Bispo em Luzir é Negro

Marconi Bispo em Luzir é Negro. Fotos: Ricardo Maciel / Divulgação

A mentalidade misógina, homofóbica e racista e o fundamentalismo religioso e político são interrogados na montagem Luzir é Negro, a partir das experiências do intérprete, das violências simbólicas (e físicas) a que está exposto como homem negro, homossexual e do candomblé. Para traduzir a dimensão das ofensas e mágoas, a peça utiliza os procedimentos do biodrama e do teatro documental.

A dramaturgia é complementada por referências a textos como Os Negros, de Jean Genet, de Arena Conta Zumbi, musical escrito por Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, Gota D’água, de Chico Buarque e Paulo Pontes. Além de referências a acontecimentos como o que envolveu o diretor Cláudio Botelho, gravado em um rompante racista e em outras matrizes documentais: redes sociais, matérias e artigos de jornal, documentos históricos, etc.

Marconi, também cantor, é acompanhado em cena pelos músicos Kiko Santana e Basílio Queiroz.

O racismo mata. Das mortes físicas, o relatório final da CPI do Senado sobre o Assassinato de Jovens, deste ano, aponta que 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados: 63 por dia, um a cada 23 minutos.

Mas há muitas outras formas de apagamento. Também cruéis. Luzir é Negro trata um pouco disso tudo a partir das histórias e memórias de um homem negro de 39 anos – destes, 21 dedicados ao teatro – situado no Pernambuco do Recife, no Nordeste do Brasil, um país que vem dando macha a ré nas conquistas pelos direitos e cidadania.

FICHA TÉCNICA
Atuação: Marconi Bispo.
Direção: Rodrigo Dourado.
Dramaturgia: Marconi Bispo e Rodrigo Dourado.
Preparação Corporal: Pollyanna Monteiro.
Direção de Arte: Marcondes Lima (figurinos) e Plínio Maciel (elementos cenográficos e adereços).
Coreografias: Edson Vogue.
Iluminação: João Guilherme de Paula.
Edição de trilha: Rodrigo Porto.
Assessoria de Imprensa: Cleyton Cabral.
Músicos: Kiko Santana (guitarra e direção musical) e Basílio Queiroz (contrabaixo).
Fotos e vídeos: Ricardo Maciel.
Identidade Visual: Arthur Canavarro.
Assistência de Produção: Rodrigo Cavalcanti.
Realização: Teatro de Fronteira.

SERVIÇO
Luzir é Negro, do Teatro de Fronteira
Quando: Sessão especial neste domingo (04/12), às 17h.
Onde: Espaço O Poste (rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)

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Poema cênico para Sylvia Plath

Ilhada em Mim-Sylvia Plath. Foto: Kleyton Guilherme_

Ilhada em Mim – Sylvia Plath. Foto: Kleyton Guilherme

Por desespero, honra ferida, dívida, frustação literária, doença, desilusão amorosa, desconforto irreconciliável com a vida, são tantos os motivos dos artistas suicidas. Escritores que decidiram romper com a existência formam listas nos quatro cantos do mundo. A escritora inglesa Virginia Woolf (1882 – 1941), na manhã de sexta-feira, 28 de março de 1941, colocou pedras nos bolsos do casaco e caminhou pelo Rio Ouse para a morte. A poeta argentina Alfonsina Storni (1892-1938) se suicidou andando pelo mar, episódio transformado na canção Alfonsina y el Mar, gravada por Mercedes Sosa. O alemão Heinrich Von Kleist (1777 – 1811), poeta, romancista, dramaturgo e contista, conhecido pela novela A Marquesa de O… (1810), atirou-se ao pequeno rio Wansee. O filósofo francês Ules Lequier (1814-1862) afogou-se na baía de Saint-Brieuc.

O poeta brasileiro Torquato Neto (1945-1972) no dia do seu aniversário de 28 anos, trancou-se no banheiro, vedou a porta e a janela com lençóis, abriu o gás do chuveiro e se matou asfixiado.

Sylvia Plath (1932 – 1963) foi uma dessas artistas geniais, que teve a vida interrompida e a carreira alavancada com o suicídio aos 30 anos de idade. Ela colocou a cabeça no forno, mas teve o cuidado de vedar as portas da cozinha com toalhas molhadas para evitar o vazamento para o quarto dos filhos Frieda e Nicholas.

No espetáculo Ilhada em Mim – Sylvia Plath, o encenador André Guerreiro Lopes transpõe para a água a ideia da asfixia. Com Djin Sganzerla e o próprio Lopes no elenco, a peça expõe o descompasso desses dois seres criativos e a carga destruidora do amor que condenou Plath à morte.

A montagem faz a última apresentação da temporada recifense neste sábado, na Caixa Cultural (veja serviço abaixo).

Djin Sganzerla

Djin Sganzerla

Com o sentimento de inadaptabilidade aos papéis cobrados pela sociedade, essa mulher chegou ao limite de sua experiência humana. E o amor pelo poeta inglês Ted Hughes (1930 – 1998) desencadeou estados psíquicos abissais registrados em sua escrita.

Para além da identificação que alguém faça com a poética de Sylvia Plath, com sua depressão, com o conflito vivido pela escritora para ocupar os papeis mais prosaicos, a encenação Ilhada em Mim – Sylvia Plath impõe um mundo de sonho com uma sucessão de imagens produzidas. Visualmente desconcertante, o cenário comporta um espelho d’água no piso, em que o mobiliário parece submergir em várias cenas. Lembrei de Robert Wilson artista que transita com desenvoltura pelas artes cênicas, literatura, cinema, artes plásticas e da exposição Video Portrait, que esteve no Brasil no começo da década.

Os atores Guerreiro Lopes e Sganzerla deslizam pelo espaço coberto por uma fina camada de água, se jogam. Alguns objetos congelados, pendurados no teto – um sapato, um livro, um telefone, uma boneca e uma faca – vão descongelando durante a sessão.

As peças do figurino, compostas pelo estilista Fause Haten, se colam ao corpo dos intérpretes e dão uma ideia de desintegração, perda de cor e decomposição. É como se a protagonista fosse se livrando das camadas de aprisionamento.

Mas enquanto vasculha os estados d’alma dessa criadora desassossegada, a peça explora os embates entre os dois. O estado emocional de Sylvia, à beira do precipício, é traduzido em potentes imagens em coreografias ou dos momentos congelados da fotografia still.

Ted virou o editor póstumo de Sylvia. Do livro Ariel de 1965 (vencedor do prêmio Pulitzer), suprime poemas que ele pondera como demasiadamente biográficos. Além de ter destruído um diário pessoal de Sylvia sob o argumento de proteger a intimidade dos filhos.

A arrogância dele é apontada numa cena em que o personagem Ted Hughes amassa uma série de escritos de Sylvia e os arremessa para longe. Os efeitos sonoros sincronizados com a destruição dos papeis amplificam o significado do gesto.

O andamento tenso desse vínculo segue uma coreografia e traça pinturas, com mergulhos n’água, móveis que afundam junto com a relação conjugal, entre apelos e tentativas desesperadas, tormentos internos de Plath. Ela se arrasta carregando as dificuldades e a não aceitação de casos extraconjugais do marido.

A Cia Lusco-Fusco não ajuíza a relação, mas apresenta situações que remetem à complexidade da história e o comportamento dos envolvidos. Dá munição para o espectador a prosseguir o quadro proposto pelo palco. A simbologia visual incentiva interpretações sobre a angústia existencial da autora de A redoma de vidro entre impulsos de criação e destruição.

O texto da jornalista Gabriela Melão é baseado em fragmentos de textos dos dois escritores, além de trechos de entrevistas radiofônicas do casal, com a tradução projetada na parede. Mas o texto fica subjacente ao impacto das imagens e da gramática corporal.

É um espetáculo que desperta sensações. A explosões verbais curtas são acompanhadas pela trilha sonora de Gregory Slivar, que marca todo o espetáculo com modulações das pulsões de Plath. O desenho de luz de Marcelo Lazzaratto dá a dimensão e profundidade dos estados psíquicos. A interpretação de Djin Sganzerla é apaixonada, passional. Enquanto Lopes imprime frieza.

A companhia teatral Estúdio Lusco-Fusco montou O Livro da Grande Desordem e da Infinita Coerência, inspirado nas obras Inferno e Um Sonho, de Strindberg (2013); O Belo Indiferente, de Jean Cocteau (2011/12); Estranho Familiar, baseado no conto O Espelho, de Guimarães Rosa (2010); Tragicomédia de um Homem Misógino, de Evaldo Mocarzel (2008) e Um Sonho, de Strindberg (2007/08).

Serviço
Ihada em mim – Sylvia Plath
Quando: De 1º a 3 de dezembro,às 20h
Onde: na Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Recife Antigo),
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia), com vendas a partir do dia 1º de dezembro
Classificação Indicativa: 12 anos
Duração: 60 minutos

Ficha Técnica
Texto Gabriela Mellão
Direcão e Cenografia André Guerreiro Lopes
Elenco Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes
Figurinos Fause Haten
Iluminação Marcelo Lazzaratto
Concepcão Sonora e Trilha Original Gregory Slivar
Assistente de Direção e Direção de Palco Rafael Bicudo
Direção de Produção Djin Sganzerla
Produção Patricia Torres, Joyce Nogueira
Contra-regras Jair Nascimento, Henrique Dias Alves, Leo Braz,
Operacão de Som Renato Garcia
Operação de Luz Juarez Adriano
Assessoria de Imprensa Frederico de Paula – Nossa Senhora da Pauta
Fotos: Jennifer Glass, Wilson Melo, Cleyton Guilherme

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