Vivência contra preconceitos

Espetáculo autobiográfico toca nas feridas do racismo, da homofobia e dos fundamentalismos religiosos

“Quando você descobriu que era negro?”, questiona o ator Marconi Bispo no espetáculo Luzir é Negro, do coletivo Teatro de Fronteira, com direção de Rodrigo Dourado. Pergunta carregada de história de discriminação e preconceito racial de um Brasil hipócrita e desigual. Luzir é Negro faz uma sessão especial de despedida da temporada deste ano no Espaço O Poste, neste domingo (04/12), às 17h.

De acordo com Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo IBGE em 2014, 53% dos brasileiros se afirmaram como negros e pardos, num acréscimo de 5 pontos porcentuais em analogia com pesquisa idêntica feita há dez anos.

O geógrafo brasileiro Milton Santos (1926 –2001), em uma palestra lembrou que os professores Florestan Fernandes e Otavio Ianni, escreveram “que os brasileiros, de um modo geral, não têm vergonha de ser racista, mas têm vergonha de se dizer que são racistas”. Essa tese provoca uma reflexão pertinente sobre discursos e aparências, sentimentos que mobilizam e processos de exclusão.

Marconi Bispo sentiu na pele a segregação no ambiente de trabalho, a desconfiança sobre suas guias ritualísticas do candomblé e a rejeição na vida afetiva.  O ator partiu para investigar essas cicatrizes do corpo e da alma a partir de sua própria vivência. E foi justamente o insucesso (?) na vida amorosa o gatilho para transformar suas experiências em  material dramatúrgico da montagem.

Marconi Bispo em Luzir é Negro

Marconi Bispo em Luzir é Negro. Fotos: Ricardo Maciel / Divulgação

A mentalidade misógina, homofóbica e racista e o fundamentalismo religioso e político são interrogados na montagem Luzir é Negro, a partir das experiências do intérprete, das violências simbólicas (e físicas) a que está exposto como homem negro, homossexual e do candomblé. Para traduzir a dimensão das ofensas e mágoas, a peça utiliza os procedimentos do biodrama e do teatro documental.

A dramaturgia é complementada por referências a textos como Os Negros, de Jean Genet, de Arena Conta Zumbi, musical escrito por Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, Gota D’água, de Chico Buarque e Paulo Pontes. Além de referências a acontecimentos como o que envolveu o diretor Cláudio Botelho, gravado em um rompante racista e em outras matrizes documentais: redes sociais, matérias e artigos de jornal, documentos históricos, etc.

Marconi, também cantor, é acompanhado em cena pelos músicos Kiko Santana e Basílio Queiroz.

O racismo mata. Das mortes físicas, o relatório final da CPI do Senado sobre o Assassinato de Jovens, deste ano, aponta que 23.100 jovens negros de 15 a 29 anos são assassinados: 63 por dia, um a cada 23 minutos.

Mas há muitas outras formas de apagamento. Também cruéis. Luzir é Negro trata um pouco disso tudo a partir das histórias e memórias de um homem negro de 39 anos – destes, 21 dedicados ao teatro – situado no Pernambuco do Recife, no Nordeste do Brasil, um país que vem dando macha a ré nas conquistas pelos direitos e cidadania.

FICHA TÉCNICA
Atuação: Marconi Bispo.
Direção: Rodrigo Dourado.
Dramaturgia: Marconi Bispo e Rodrigo Dourado.
Preparação Corporal: Pollyanna Monteiro.
Direção de Arte: Marcondes Lima (figurinos) e Plínio Maciel (elementos cenográficos e adereços).
Coreografias: Edson Vogue.
Iluminação: João Guilherme de Paula.
Edição de trilha: Rodrigo Porto.
Assessoria de Imprensa: Cleyton Cabral.
Músicos: Kiko Santana (guitarra e direção musical) e Basílio Queiroz (contrabaixo).
Fotos e vídeos: Ricardo Maciel.
Identidade Visual: Arthur Canavarro.
Assistência de Produção: Rodrigo Cavalcanti.
Realização: Teatro de Fronteira.

SERVIÇO
Luzir é Negro, do Teatro de Fronteira
Quando: Sessão especial neste domingo (04/12), às 17h.
Onde: Espaço O Poste (rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)

Postado com as tags: , , ,

Poema cênico para Sylvia Plath

Ilhada em Mim-Sylvia Plath. Foto: Kleyton Guilherme_

Ilhada em Mim – Sylvia Plath. Foto: Kleyton Guilherme

Por desespero, honra ferida, dívida, frustação literária, doença, desilusão amorosa, desconforto irreconciliável com a vida, são tantos os motivos dos artistas suicidas. Escritores que decidiram romper com a existência formam listas nos quatro cantos do mundo. A escritora inglesa Virginia Woolf (1882 – 1941), na manhã de sexta-feira, 28 de março de 1941, colocou pedras nos bolsos do casaco e caminhou pelo Rio Ouse para a morte. A poeta argentina Alfonsina Storni (1892-1938) se suicidou andando pelo mar, episódio transformado na canção Alfonsina y el Mar, gravada por Mercedes Sosa. O alemão Heinrich Von Kleist (1777 – 1811), poeta, romancista, dramaturgo e contista, conhecido pela novela A Marquesa de O… (1810), atirou-se ao pequeno rio Wansee. O filósofo francês Ules Lequier (1814-1862) afogou-se na baía de Saint-Brieuc.

O poeta brasileiro Torquato Neto (1945-1972) no dia do seu aniversário de 28 anos, trancou-se no banheiro, vedou a porta e a janela com lençóis, abriu o gás do chuveiro e se matou asfixiado.

Sylvia Plath (1932 – 1963) foi uma dessas artistas geniais, que teve a vida interrompida e a carreira alavancada com o suicídio aos 30 anos de idade. Ela colocou a cabeça no forno, mas teve o cuidado de vedar as portas da cozinha com toalhas molhadas para evitar o vazamento para o quarto dos filhos Frieda e Nicholas.

No espetáculo Ilhada em Mim – Sylvia Plath, o encenador André Guerreiro Lopes transpõe para a água a ideia da asfixia. Com Djin Sganzerla e o próprio Lopes no elenco, a peça expõe o descompasso desses dois seres criativos e a carga destruidora do amor que condenou Plath à morte.

A montagem faz a última apresentação da temporada recifense neste sábado, na Caixa Cultural (veja serviço abaixo).

Djin Sganzerla

Djin Sganzerla

Com o sentimento de inadaptabilidade aos papéis cobrados pela sociedade, essa mulher chegou ao limite de sua experiência humana. E o amor pelo poeta inglês Ted Hughes (1930 – 1998) desencadeou estados psíquicos abissais registrados em sua escrita.

Para além da identificação que alguém faça com a poética de Sylvia Plath, com sua depressão, com o conflito vivido pela escritora para ocupar os papeis mais prosaicos, a encenação Ilhada em Mim – Sylvia Plath impõe um mundo de sonho com uma sucessão de imagens produzidas. Visualmente desconcertante, o cenário comporta um espelho d’água no piso, em que o mobiliário parece submergir em várias cenas. Lembrei de Robert Wilson artista que transita com desenvoltura pelas artes cênicas, literatura, cinema, artes plásticas e da exposição Video Portrait, que esteve no Brasil no começo da década.

Os atores Guerreiro Lopes e Sganzerla deslizam pelo espaço coberto por uma fina camada de água, se jogam. Alguns objetos congelados, pendurados no teto – um sapato, um livro, um telefone, uma boneca e uma faca – vão descongelando durante a sessão.

As peças do figurino, compostas pelo estilista Fause Haten, se colam ao corpo dos intérpretes e dão uma ideia de desintegração, perda de cor e decomposição. É como se a protagonista fosse se livrando das camadas de aprisionamento.

Mas enquanto vasculha os estados d’alma dessa criadora desassossegada, a peça explora os embates entre os dois. O estado emocional de Sylvia, à beira do precipício, é traduzido em potentes imagens em coreografias ou dos momentos congelados da fotografia still.

Ted virou o editor póstumo de Sylvia. Do livro Ariel de 1965 (vencedor do prêmio Pulitzer), suprime poemas que ele pondera como demasiadamente biográficos. Além de ter destruído um diário pessoal de Sylvia sob o argumento de proteger a intimidade dos filhos.

A arrogância dele é apontada numa cena em que o personagem Ted Hughes amassa uma série de escritos de Sylvia e os arremessa para longe. Os efeitos sonoros sincronizados com a destruição dos papeis amplificam o significado do gesto.

O andamento tenso desse vínculo segue uma coreografia e traça pinturas, com mergulhos n’água, móveis que afundam junto com a relação conjugal, entre apelos e tentativas desesperadas, tormentos internos de Plath. Ela se arrasta carregando as dificuldades e a não aceitação de casos extraconjugais do marido.

A Cia Lusco-Fusco não ajuíza a relação, mas apresenta situações que remetem à complexidade da história e o comportamento dos envolvidos. Dá munição para o espectador a prosseguir o quadro proposto pelo palco. A simbologia visual incentiva interpretações sobre a angústia existencial da autora de A redoma de vidro entre impulsos de criação e destruição.

O texto da jornalista Gabriela Melão é baseado em fragmentos de textos dos dois escritores, além de trechos de entrevistas radiofônicas do casal, com a tradução projetada na parede. Mas o texto fica subjacente ao impacto das imagens e da gramática corporal.

É um espetáculo que desperta sensações. A explosões verbais curtas são acompanhadas pela trilha sonora de Gregory Slivar, que marca todo o espetáculo com modulações das pulsões de Plath. O desenho de luz de Marcelo Lazzaratto dá a dimensão e profundidade dos estados psíquicos. A interpretação de Djin Sganzerla é apaixonada, passional. Enquanto Lopes imprime frieza.

A companhia teatral Estúdio Lusco-Fusco montou O Livro da Grande Desordem e da Infinita Coerência, inspirado nas obras Inferno e Um Sonho, de Strindberg (2013); O Belo Indiferente, de Jean Cocteau (2011/12); Estranho Familiar, baseado no conto O Espelho, de Guimarães Rosa (2010); Tragicomédia de um Homem Misógino, de Evaldo Mocarzel (2008) e Um Sonho, de Strindberg (2007/08).

Serviço
Ihada em mim – Sylvia Plath
Quando: De 1º a 3 de dezembro,às 20h
Onde: na Caixa Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Recife Antigo),
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia), com vendas a partir do dia 1º de dezembro
Classificação Indicativa: 12 anos
Duração: 60 minutos

Ficha Técnica
Texto Gabriela Mellão
Direcão e Cenografia André Guerreiro Lopes
Elenco Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes
Figurinos Fause Haten
Iluminação Marcelo Lazzaratto
Concepcão Sonora e Trilha Original Gregory Slivar
Assistente de Direção e Direção de Palco Rafael Bicudo
Direção de Produção Djin Sganzerla
Produção Patricia Torres, Joyce Nogueira
Contra-regras Jair Nascimento, Henrique Dias Alves, Leo Braz,
Operacão de Som Renato Garcia
Operação de Luz Juarez Adriano
Assessoria de Imprensa Frederico de Paula – Nossa Senhora da Pauta
Fotos: Jennifer Glass, Wilson Melo, Cleyton Guilherme

Postado com as tags: , ,

Tom cômico da traição

obsessao-joao-rogerio-filho-divulgacao

Obsessão com os atores Tarcísio Vieira, Nilza Lisboa, Silvio Pinto, Simone Figueiredo e Diógenes D. Lima 

O reverso da amizade pode ser muito cruel. Com pitadas de inveja, rodelas de ciúme, nacos de hostilidade. O antagonismo põe em litígio competências. E a disputa chega a picos de desinteligências de guerra. Vale tudo para derrotar o inimigo… sim, aquele mesmo que já foi cúmplice, confidente, porto seguro de afetos mais nobres. O espetáculo Obsessão trata dessas reviravoltas na vida de duas mulheres, quase irmãs, de um vínculo que azedou e o orgulha e a arrogância impediram a superação. A montagem pernambucana faz uma sessão especial nesta sexta-feira, às 20h, no Teatro de Santa Isabel, no Recife. 

Então tá, elas vibram no diapasão da vingança. Sem direito a bandeira branca. E tudo começa porque uma delas “rouba” o namorado da outra, que não perdoa a traição. Guerra declarada. Motivo fútil para uns, torpe para outros. Mas o texto de Carla Faour explora uns quiproquós para arrancar o riso da plateia e expor a banalidade da situação. É certo que relacionamentos extraconjugais já renderam de tragédias a comédias rasgadas.

O diretor Henrique Tavares posiciona a peça como um “melodrama moderno”, com quebra cronológica e flutuações do espaço. Passado e presente se revezam em  por meio de flashback e avanços no tempo.

Em tom cômico, peça mostra que mulheres traídas podem ser perigosas. Fotos: João Rogério 

Em tom cômico, peça mostra que mulheres traídas podem ser perigosas. Fotos: João Rogério Filho

Marina (Simone Figueiredo) e Lívia (Nilza Lisboa) gravitam em torno do homem para traçar os embates, alimentando um vínculo passional de mútua dependência; dão pistas que são  obcecadas uma pela outra. Das maquinações vingativas brota Ana Lee, uma escritora de romances e publicações de autoajuda, subliteratura de sucesso. Essa personagem projeta as frustrações, e mágoas na páginas dos livros.  Até que o destino arma o cenário para a vingança.

No jogo cênico oscila a densidade das questões que tocam as relações humanas – anseios frustrações, autoestima, casamento e solidão e o tom bem-humorado dado aos temas. Essas mulheres são cáusticas e podem ser perigosas, não sabem perder e são arquitetas da revanche. E giram a metralhadora de mágoas e ofensas, frustrações e anseios.

São paixões turbulentas traduzidas no predomínio do vermelho na cenografia e nos figurinos. No elenco, estão Simone, Nilza e Silvio Pinto – também produtores do espetáculo, que não contou com financiamento público. Além de Diódenes D. Lima e Tarcísio Vieira. A direção de arte é assinada por Célio Pontes e a assistência de direção fica a cargo de Henrique Celibi.

A encenação estreou no ano passado e a marcou a volta da atriz e produtora cultural Simone Figueiredo aos palcos, após uma ausência de 15 anos. Nesse ínterim ela exercer cargos públicos, entre eles, o de secretária de Cultura do Recife e o de diretora do Teatro de Santa Isabel.

A primeira versão do texto estreou em 2012, no Rio de Janeiro, onde teve uma carreira bem-sucedida, inclusive com a autora no elenco. O texto foi construído em um projeto de  experimentação dramatúrgica na internet que incluiu sete autores da cena contemporânea carioca. Carla Faour postou trechos de Obsessão no site www.dramadiario.com. Foram publicados 15 capítulos com posts semanais durante quatro meses.

Serviço
Espetáculo Obsessão
Quando: Sexta (02/12), às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel – Praça da República, s/n, Santo Antônio, Centro do Recife
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada).
Informações: 81 3355.3323 / 81 3355.3324

 

Postado com as tags: , , , , ,

Agenda: Fim de Novembro, início de Dezembro

EM CARTAZ

LUZIR É NEGRO

Marconi Bispo. Foto: Divulgação

Marconi Bispo. Foto: Ricardo Maciel / Divulgação

Luzir é negro é solo autobiográfico do performer Marconi Bispo, que, a partir de memórias pessoais e familiares, investiga o racismo e suas manifestações na vida de um homem negro, gay, candomblecista e periférico. “Entendi que eu era negro quando uma chefe minha me chamou à sala dela e disse que eu não podia mais usar camisas que deixassem as minhas guias de orixás aparentes. Eu lembro que, do lado de cá da mesa dela, entendi que eu era negro”, reflete o ator. A dramaturgia também faz referência aos textos Os negros, de Jean Genet; Arena conta Zumbi, de Guarnieri e Boal; e Gota d’água, de Chico Buarque e Paulo Pontes – e em outras matrizes documentais, como as redes sociais, matérias e artigos de jornal e documentos históricos. A direção é de Rodrigo Dourado e a montagem do Teatro de Fronteira.

FICHA TÉCNICA
Atuação: Marconi Bispo.
Direção: Rodrigo Dourado.
Dramaturgia: Marconi Bispo e Rodrigo Dourado.
Preparação Corporal: Pollyanna Monteiro.
Direção de Arte: Marcondes Lima (figurinos) e Plínio Maciel (elementos cenográficos e adereços).
Coreografias: Edson Vogue.
Iluminação: João Guilherme de Paula.
Edição de trilha: Rodrigo Porto.
Assessoria de Imprensa: Cleyton Cabral.
Músicos: Kiko Santana (guitarra e direção musical) e Basílio Queiroz (contrabaixo).
Fotos e vídeos: Ricardo Maciel.
Identidade Visual: Arthur Canavarro.
Assistência de Produção: Rodrigo Cavalcanti.
Realização: Teatro de Fronteira.

SERVIÇO
Luzir é Negro, do Teatro de Fronteira
Quando: Sessão especial neste domingo (04/12), às 17h.
Onde: Espaço O Poste (rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)

ILHADA EM MIM

Atriz Djin Sganzerla. Foto: Kleyton Guilherme

Atriz Djin Sganzerla. Foto: Kleyton Guilherme

Ilhada em Mim, Sylvia Plath materializa experiências reais e imaginárias da poetisa norte-americana, regida pela força destrutiva e lírica que orientou sua vida. Vagando entre um tipo de loucura que se acerca da sabedoria e uma lucidez só possível em mentes geniais, o espetáculo revela a complexidade do universo interior dessa artista. Com dramaturgia de Gabriela Mellão, a peça explora as depressões da escritora Sylvia Plath (1932-1963) e sua relação tumultuada com o poeta inglês Ted Hughes (1930-1998). A atriz Djin Sganzerla protagoniza o drama e divide o palco com seu marido na vida real, André Guerreiro Lopes, também diretor da montagem. Plath fez de suas vivências material literário, tendo as principais obras somente aparecido para o mundo após sua trágica morte por suicídio. 
SERVIÇO
Onde: CAIXA Cultural Recife 
Quando: De 1º a 3 de dezembro de 2016, às 20h
Quanto: R$ 20 e R$ 10. Os ingressos serão vendidos a partir do dia 1º de dezembro (para as apresentações de 1º a 3/12), a partir das 10h, exclusivamente na bilheteria do espaço.
Classificação indicativa: 12 anos.
Duração: 60 minutos

FICHA TÉCNICA
Dramaturgia: Gabriela Mellão.
Direção: André Guerreiro Lopes.
Elenco: Djin Sganzerla e André Guerreiro Lopes.
Figurinos: Fause Haten.
Iluminação: Marcelo Lazzaratto.
Concepção Sonora: Gregory Slivar.
Assistente de Direção e Direção de Palco: Rafael Bicudo.
Vozes em off: Sylvia Plath e Ted Hughes.
Produção Executiva: Joyce Nogueira.
Direção de Produção: Djin Sganzerla/Estúdio Lusco-fusco.

MEMÓRIAS DE QUINTAL

Foto: cia bololo

Montagem da Bololô Cia Cênica, do Rio Grande do Norte. Foto: Paulo Fuga

Nos dias 2 e 3 de dezembro, a Bololô Cia. Cênica (RN) apresenta pela primeira vez no Recife o espetáculo Memórias de Quintal. A montagem é inspirada nas lembranças de infância dos atores. A peça provoca o público a co-memorar e refletir acerca de suas próprias experiências de vida, colocando o tempo em jogo no espetáculo. A encenação tem sabor de saudade e é enviesada por cenas que revelam dores e delícias do crescimento. O elenco vai em busca das crianças que foram e se confrontam como adultos no espaço sagrado do teatro.
SERVIÇO
Quando: 2 e 3 Dezembro, 20h,
Onde: Edf. Texas. (Rua Rosário da Boa Vista, 163. 3º andar
Ingressos: R$20 (inteira) e R$10 (meia)
Produção: Bobox Produções
Apoio: Grupo Magiluth e Edf. Texas

Ficha Técnica
Direção: Alex Cordeiro e Silbat Rodrigo
Dramaturgia: Paulinha Medeiros
Elenco: Arlindo Bezerra, Paulinha Medeiros e Lulu Albuquerque
Preparação corporal e direção de movimento: Rodrigo Silbat
Direção de arte: Paula Vanina e Bololô Cia.
Cênica Consultoria de direção e desenho de luz: Pedro Vilela (PE)
Consultoria de dramaturgia: Giordano Castro (Grupo Magiluth/PE)
Operação de luz: Marcos da Câmara
Comunicação e operação de áudio: Joanisa Prates
Registro Fotográfico: Paulo Fuga
Registro de vídeo: Johann Jean
Designer gráfico: Daniel Torres
Realização: Bololô Cia Cênica
Produção: Bobox Produções

NA MANCHA NINGUÉM ME PEGA

Cidadania. Foto: Gustavo Bettini/Divulgação

Montagem da Em Cena Arte e Cidadania. Foto: Gustavo Bettini/Divulgação

As brincadeiras infantis divertidas e inclusivas estão no centro da montagem Na Mancha Ninguém Me Pega, da Em Cena Arte e Cidadania. A alegria desse encontro lúdico é explorada pela diretora Maria Paula Costa Rêgo, do Grupo Grial de Dança, que comanda as coreografias das 19 bailarinas crianças e adolescentes que fazem parte da Associação sediada no bairro dos Coelhos. Na montagem, parlendas, charadas e brincadeiras de rua se entrelaçam aos movimentos da dança.

Serviço
Espetáculo infantil Na Mancha Ninguém Me Pega
Onde: Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro (r. Treze de Maio, 455, Santo Amaro – Recife)
Quando: Sábado, Dia 4 de dezembro, Domingo, às 10h e 16h
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Informações: (81) 3216-1728

OBSESSÃO

Nilza Lisboa e Simone Figueiredo em primeiro plano. Foto: João Rogério Filho/ Divulgação

Nilza Lisboa e Simone Figueiredo em primeiro plano. Foto: João Rogério Filho/ Divulgação

Comédia pernambucana expõe as fragilidades na relação de duas amigas que se tornam rivais no amor. Com dramaturgia de Carla Faour e direção de Henrique Tavares, a montagem trilha o universo feminino e amoroso de uma obsessiva relação de contenda entre duas ex-confidentes. O público pode acompanhar do que uma ex-amiga é capaz para se vingar de uma traição. Livia e Marina são amigas inseparáveis, até que Livia se apaixona por Marcelo e passam a viver felizes por um tempo. Mas Lívia conta tantas maravilhas do rapaz que que Marina se apaixona pelo ouvido e vai à luta. A montagem recifense de Obsessão foi o maior público de teatro do último festival Janeiro de Grandes Espetáculo. Com Nilza Lisboa e Simone Figueiredo, Silvio Pinto, Diógenes Lima e Tarcísio Vieira.
Serviço
Quando: 2 de dezembro, às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n – Santo Antônio)
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada).
Informações: 81 3355.3323 / 81 3355.3324

RETRATOS DE UMA LEMBRANÇA INTERROMPIDA

Foto: Jonas Araújo

Atores do Grupo Bela Idade, do Sesc de Santa Rita. Foto: Jonas Araújo

Com elenco formado por alunos-atores de 58 a 91 anos do Grupo Bela Idade, do Sesc Santa Rita, o espetáculo Retratos de uma lembrança interrompida resgata a memória da ditadura civil-militar no Brasil pela ótica do grupo, suas emoções e vivências.  Período de opressão, perda de direitos, ausência de liberdade são algumas das experiências levadas à cena por oito intérpretes, que se revezam no palco durante 50 minutos. Na peça, quatro personagens que se revoltam com a imposição do regime implantado no Brasil na década de 1960. O espetáculo explora o confronto deles com família, amigos, sociedade e até conflitos pessoais. A entrada é gratuita.

Serviço:
Retratos de uma Lembrança Interrompida
Onde: Teatro Marco Camarotti (Sesc Santo Amaro)
Quando: 29/11 e 1º12, às 16h
Informações: 3216.1616

Ficha técnica
Texto: Marcos Medeiros/Anderson Damião/ Luís Magalhães
Direção: Anderson Damião e Marcos Medeiros
Orientação Pedagógica: Emanuella de Jesus
Elenco: Cici Clessan, Elpídia Fernandes, Francisca Eurídes, Helena Santana, Lucimar Muhlert, Luís Magalhães, Maria de Socorro, Verônica Amorim. 
Confecçãodefigurino: Ciçone Maria e Maria Madalena (Dalena)
Concepção de Luz: Anderson Damião
Operação de luz: Emanuella de Jesus
Sonoplastia: Marcos Medeiros
Operação de Som: Marcos Medeiros
Fotografia: Jonas Araújo
Produção Executiva: Núcleo de Cultura – Sesc Santa Rita

DANÇA

COMO MANTER-SE VIVO?

Flávia Pinheiro. Foto: Peter Michael Dietz

Flávia Pinheiro. Foto: Peter Michael Dietz

A performer Flávia Pinheiro explora os limites da dança como conceito de arte e a sobrevivência do artista no atual estágio do capitalismo e mais especificamente no momento que o Brasil atravessa. Ela transita no espaço com seu corpo pensante e convoca a tecnologia como um procedimento para repensar os próprios códigos de programação.
Quando: 2, 3, 4, 9, 10 e 11 de dezembro; sextas, sábados e domingos, às 19h.
Onde: Tulasi Mercado Orgânico (Rua das Graças, 178, Graças).
Quanto: R$ 10 e R$ 5 (meia).

TIJOLOS DE ESQUECIMENTO

Acupe Grupo de Dança. Foto: Rogerio Alves / Sobrado 423

Acupe Grupo de Dança. Foto: Rogerio Alves / Sobrado 423

Espetáculo faz uma imersão no imaginário urbano, a partir da obra do escritor italiano Ítalo Calvino, onde a cidade deixa de ser um conceito geográfico para se tornar o símbolo complexo e inesgotável da existência humana. Tijolos de Esquecimento busca mostrar os diversos focos da cidade: da que sufoca, a que dá liberdade, a da memória, a do afeto e do abandono, da transgressão e das contradições, das disputas. Reinventada pelo olhar do humor e do amor de quem lhe dá forma.
Quando: 2 a 17 de dezembro. Sextas e sábados, às 20h.
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna (Rua da Aurora, 457, Boa Vista).
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia).
Informações: 3184-3057.
Classificação: 16 anos.

Ficha Técnica
Direção: Paulo Henrique Ferreira
Coreografias: O grupo em processo colaborativo
Direção de Arte: Marcondes Lima
Dramaturgia e texto: Flávia Gomes
Intérpretes criadores: Anne Costa, Henrique Braz, Jadson Mendes, Silas Samarky e Valeria Barros.
VJ e criação de vídeos: Alberto Saulo
Sonoplastia: Rodrigo Porto Cavalcanti
Iluminação: Luciana Raposo

PEBA

Iara Sales em PEBA. Foto: Lara Perl / Labfoto

Iara Sales em PEBA. Foto: Lara Perl / Labfoto

Com dramaturgia assinada por Iara Sales e Sérgio Andrade, o espetáculo PEBA brinca com o encontro das siglas de Pernambuco e Bahia, com seus folguedos, suas ruas e festas. Em tupi, “peba” (péua, nhapeua) também remete a chato, baixo, nanico, anão, curto das pernas; e ainda, na gíria popular, exerce uma função adjetiva chula para aquilo que é precário e de baixa qualidade. Misturando essas referências, PEBA propõe um diálogo entre dança e elementos da montagem como gambiarras e outros objetos rearranjáveis em cena. As músicas executada ao vivo por … são compostas por experimentações eletroacústicas, batidas, samplers e citações incidentais de charangas, tecnobregas, sambas, axé, MPB, dentre outras.

SERVIÇO:
Espetáculo PEBA
Quando: 29 de novembro, 19h.
Onde: Espaço Compassos (Rua da Moeda, 93 – Recife Antigo).
Programação livre e gratuita.
Duração: 40 min aprox.

FICHA TÉCNICA
Concepção e performance: Iara Sales.
Trilha sonora original, arquitetura e performance: Tonlin Cheng.
Direção Artística: Sérgio Andrade.
Dramaturgia: Iara Sales e Sérgio Andrade.
Gambiarras, instalações e objetos cênicos: Tonlin Cheng.
Figurino: Iara Sales e Maria Agrelli.

CIRCO

CÍRCULOS QUE NÃO SE FECHAM

circulos-que-nao-se-fecham
A juventude com seus sonhos, rotinas, dramas e conflitos. Este é leque do espetáculo Círculos que não se Fecham…Fragmentos, que a Trupe Circus, da Escola Pernambucana de Circo, apresenta em sua sede, no bairro da Macaxeira, no dia 2 de dezembro, às 19h30, com entrada gratuita. A encenação toca em questões delicadas como a agressão juvenil, assassinatos e autodestruição e as emoções fortes que atingem os adolescentes. A coordenadora da Escola Pernambucana de Circo, Fátima Pontes, aposta nesses jovens como agentes transformadores na sua comunidade, cidade, mundo.
SERVIÇO
Quando: 2 de dezembro. Sexta, às 19h30. 
Onde: Rua José Américo de Almeida, 5, Macaxeira. 
Quanto: Entrada gratuita. 
Informações: 3266-0050.

Ficha Técnica
Produção – Escola Pernambucana de Circo
Encenação e direção: Fátima Pontes
Assistência de direção: Alexsandro Silva
Sonoplastia (arranjos das músicas): Agnaldo Menezes
Execução de sonoplastia: Blau Lima
Iluminação – Designer de luz e execução: Sávio Uchôa
Produção executiva: Alexandre Menezes
Assessoria de comunicação e Fotografias :Patrícia Monteiro
Elenco – Trupe Circus – Anne Gomes, Pablo Carlos, Thiago Oliveira, Ítalo Feitosa, Hosani Gomes, Ariel de Assis Lima, Mateus Silva, Maria Karolaine, Vanessa Cassiane, Maicon Francisco Torres, Michele Melo, Juan Paulino, Barbara Carréra

Postado com as tags: , , , , , , , ,

PEBA borra fronteiras em dança festiva

Foto: Saluá Oliveira / Divulgação

Bailarina e performer Iara Sales e o músico-performer Tonlin Cheng encerram temporada. Foto: Saluá Oliveira 

Peba é uma gíria de sonoridade engraçada e que quer dizer algo sem qualidade ou de baixa qualificação, precário, produto barato. Mas também se aplica aos humanos. É apontada como a junção das sigas dos estados de Pernambuco e Bahia. Em tupi-guarani significa nanico, curto das pernas. PEBA é o espetáculo com a bailarina e performer Iara Sales e o músico-performer Tonlin Cheng que transita entre brincadeiras, folguedos de ruas e festas populares do Nordeste. A peça faz uma apresentação extra no Recife neste dia 29 de novembro, às 19h, na sede da Compassos Cia de Dança no Bairro do Recife,  dentro do projeto Dança de Algibeira, da Compassos.

A proposta entre performance e arquitetura sonora tem dramaturgia assinada por Iara Sales e Sérgio Andrade e reflete sobre a dança como um espaço de debate, que traça provocações críticas sobre as noções de fronteira, de identidades, de cultura popular e de cultura de massa, de espaço individual e de espaço coletivo. Ergue uma zona de convergência entre elementos da cultura popular e pulsão inventiva da dança contemporânea.

Para fazer o elogio à fuleiragem como força de criação, quebra com dicotomias e investiga o que há de artesanal, grotesco e despretensioso no corpo brincante que escapa a enquadramentos de mercado.

PEBA irradia a liberdade de um corpo que sofreu muitas influências, mas não se dobra a uma única técnica. Absorve muitas, reprocessa as que convém e subverte seus artifícios para criar uma dança sua. De um corpo brincante e festivo, que aglutina traços de capoeira e do frevo, do samba de roda e do cavalo-marinho, do trio elétrico baiano e dos blocos de rua pernambucanos.

Lara Perl / Labfot

Tonlin Cheng. Foto: Lara Perl / Labfot

A trilha sonora original do projeto é assinada por Tonlin Cheng e é executada pelo princípio “live P.A” (Performance Artist), que emprega peças musicais, improvisação e composição ao vivo. O som inclui experimentações eletroacústicas, batidas, samplers e citações incidentais de charangas, tecnobregas, sambas, axé, MPB, dentre outras músicas que contribuem com o humor festivo e lírico do espetáculo.

peba. Foto: Lara Per -labfoto

Memórias de Iara Sales são processadas no espetáculo. Foto: Lara Per -labfoto

Essa brincante-errante problematiza as danças populares articuladas com suas memórias e suas pesquisas. Iara Sales joga, no sentido dinâmico, com gestualidades, territórios e subjetividades. PEBA se desloca entre fronteiras que se distinguem e se dissolvem. Nesse trânsito, os territórios identitários, mitos, desejos e afetos se carnalizam em gestos expostos nessa dança que se pretende ordinária, embora carregue alto teor de sofisticação.

O público se distribui de forma desorganizada. As “andadas” ocorrem em fluxos sem regras aparentes. Iara empurra os presentes para dentro de sua folia e eles se tornam participantes dessa brincadeira em que leves toques e suores são combustíveis para movimentos que oscilam entre pertencimento e estranhamento da tradição.

O gatilho desse trabalho foi a explosão de um botijão de gás, que interrompeu a brincadeira de um carnaval, e deixou marcas na pele de Iara Sales. Essa memória autobiográfica de 1999 impulsionou a pesquisa.

PEBA começou como projeto de investigação artística que se desdobrou em espetáculo, catálogo (livro-objeto), seminários, oficinas, temporada itinerante – 2015 (pela região metropolitana do Recife) e circulação nacional. Foi contemplado por editais regionais de Pesquisa em Dança – FUNDARPE/FUNCULTURA (2012) e de Manutenção de Temporada – FUNDARPE/FUNCULTURA (2014), pelo Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2015, na categoria circulação nacional de espetáculos. 

Lara Perl /Labfoto

Artista desafia fronteiras. Foto: Lara Perl /Labfoto

SERVIÇO:
Espetáculo PEBA
Quando: 29 de novembro, 19h.
Onde: Espaço Compassos (Rua da Moeda, 93 – Recife Antigo).
Programação livre e gratuita.
Duração: 40 min aprox.

FICHA TÉCNICA
Concepção e performance: Iara Sales.
Trilha sonora original, arquitetura e performance: Tonlin Cheng.
Direção Artística: Sérgio Andrade.
Dramaturgia: Iara Sales e Sérgio Andrade.
Gambiarras, instalações e objetos cênicos: Tonlin Cheng.
Figurino: Iara Sales e Maria Agrelli.

Postado com as tags: , , ,