As bailarinas Ana Luiza Bione (ao centro), Janaína Gomes (à esq.) e Íris Campos. Foto: Camila Sérgio/ Divulgação
Desejos e fantasias pulsam com a palavra maternidade. Gestação, esse estado interessante, seguida de um compromisso para sempre. Doação amorosa, mesmo permeada de sacrifícios. Essas posições subjetivas de não-toda são exploradas com delicadeza e harmonia no espetáculo de dança contemporânea Cara da Mãe. Inspirado nas jornadas do feminino, nas forças criadora e mantenedora, a encenação explora o universo da maternidade, com suas inquietudes e impasses nas escolhas do mundo atual.
Com elenco formado pelas bailarinas Ana Luiza Bione, Íris Campos e Janaína Gomes a montagem faz temporada de 12 apresentações em agosto, setembro e outubro, no Espaço Experimental, no Recife Antigo e espaços alternativos.
As primeiras ocorrem nestes 26 e 27 de agosto às 19h no Espaço Experimental (Rua Tomazina, 199) e prosseguem nos dias 10, 11, 17 e 18 de setembro e 1º e 2 de outubro. Os ingressos custam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) e começarão a ser vendidos 1h antes.
A segunda etapa, em espaços alternativos, terá ingressos gratuitos e é destinada às comunidades do entorno dos locais de apresentação. Nos dias 8 e 9 de outubro no Centro de Capoeira São Salomão, na Várzea, e nos dias 12 e 14 de outubro no Daruê Malungo, em Chão de Estrelas, integrando a Semana Afro da instituição.
Cara da Mãe tem direção de Luciana Lyra. Foto: Diogo Condé / Divulgação
As bailarinas do Coletivo Cênico Tenda Vermelha transbordaram das indagações de mães e convidaram a diretora Luciana Lyra para articular essas inquietações numa experiência poética em dança.
Cara da mãe estreou em 2015, no Janeiro de Grandes Espetáculos. Recebeu para a montagem o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna e conta com incentivo do FUNCULTURA – Fundo de Incentivo à Cultura do Estado de Pernambuco.
Das 12 apresentações, quatro serão direcionadas ao público com deficiência visual, onde haverá audiodescrição e os espectadores poderão conversar com as bailarinas, além de fazer um tour tátil pelo cenário e figurino. As apresentações com audiodescrição serão nos dias 10 e 11 de setembro e 1º e 2 de outubro.
SERVIÇO CARA DA MÃE Onde: Espaço Experimental (Rua Tomazina ,199 – Recife Antigo) Quando: 26 e 27 de agosto, 10 e 11, 17 e 18 de setembro, 1º e 2 de outubro
às 19h Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) Mais informações: (81)3224.1482
Se Fosse Fácil, Não Teria Graça. Foto: Nando Bolognesi / Divulgação
A arte é algo grande. Maior que a intolerância, o preconceito, as tentativas de exclusão. Muitos grupos de teatro, dança e circo ressignificam os corpos deficientes numa cena potente e libertadora – para artistas e para o público. Essas companhias exercem o direito à criação no campo das artes não como resposta salvadora ou redentora, mas como exercício de autonomia e beleza. A Mostra Acessível Rio das Olimpíadas aposta no corpo diferenciado como protagonista da criação e em novos parâmetros que permitem a capacitação de cidadãos críticos e conscientes. E investe na democratização da elaboração e acesso aos bens culturais e como desdobramento na formação de novas plateias.
Essa Mostra Acessível – articulada pelo Janeiro de Grandes Espetáculos – FIAC/PE – dialoga com a Paraolimpíada Rio 2016. E de 23 a 28 de agosto (terça a domingo), ocupa o Teatro Cacilda Becker, com espetáculos de dança, teatro e circo, além de workshop, visita tátil, tradução em libras, audiodescrição, mesa-redonda e conversa com o público.
O cotidiano vivido por artistas com deficiências físicas e cerebrais (cadeirantes, com nanismo, cegos, usuário de muletas, com lesão cerebral, membros atrofiados) é matéria-prima para as criações cênicas dos trabalhos da programação.
O evento integra a Mostra Funarte de Festivais 2016, com uma programação que soma companhias de quatro estados brasileiros: Ceará, Rio Grande do Norte, São Paulo e Rio de Janeiro.
A potiguar Cia Gira Dança exibe os espetáculos Sem conservantes, de Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira; e Proibido elefantes, de Clébio Oliveira. A Gira Dança é referência nacional e internacional na sua proposta de buscar uma linguagem própria com atores e bailarinos portadores de deficiência na dança contemporânea. Utilizando o conceito do corpo diferenciado como ferramenta de experiências, o grupo busca quebrar o paradigma de corpos perfeitos. O diretor Anderson Leão bate na tecla da necessidade de mudar o olhar sobre a pessoa com deficiência. Ele costuma dizer que não são os bailarinos que precisam de reabilitação, e sim a plateia que precisa ser reabilitada.
Espetáculos como Proibido Elefantes são provocadores para abrir a mente das pessoas. Foto: Brunno Martins
O ator-palhaço paulista Nando Bolognesi comparece com a peça Se fosse fácil, não teria graça. Ele usa sua experiência como clown para contar, de maneira divertida, como superou as dificuldades impostas pela esclerose múltipla e de que forma enfrenta as situações cotidianas. Ele descobriu a doença aos 21 anos de idade. Na peça, ele é engraçado e comovente, ironiza fatos, ri de si mesmo, expõe seu aprendizado de conviver com as limitações impostas pela doença.
O cearense Grupo Ninho de Teatro marca presença com Avental todo sujo de ovo. O espetáculo terá audiodescrição e uma visita tátil (antes da apresentação acessível, o público formado por pessoas cegas ou de baixa visão, poderá visitar o cenário, e ter uma vivência espacial a ser incorporada).
Criada em 2000, a carioca Pulsar Cia de Dança tem se dedicado à construção de obras coreográficas que reflitam a multiplicidade do indivíduo e dos corpos ímpares. peça Indefinidamente indivisível acende para uma entrada poética e plástica no pensamento bergsoniano. O espetáculo da Pulsar conta com voz em off de Angel Vianna.
Durante a programação também ocorrerá: o workshop Dança contemporânea e consciência através do movimento, com Teresa Taquechel (Pulsar Cia de Dança), no dia 26 das 10h às 13h e no dia 28 das 12h às 15h; a mesa redonda Curadoria Inclusiva: como identificar, programar e produzir o trabalho do artista com deficiência, com tradução em libras e audiodescrição, no dia 28, às 16h; e uma conversa com o público depois do espetáculo Avental todo Sujo de Ovo, no dia 27.
“Queremos com a Mostra Acessível Rio das Olimpíadas promover artistas com deficiência, que realizam trabalhos dentro dos parâmetros profissionais de máxima qualidade artística, e promover também a reflexão: sobre a criação estética que envolve os recursos de acessibilidade; a acessibilidade dos espaços culturais; e sobre como aproximar artistas com e sem deficiência para que trabalhem juntos e explorem novos formatos e novas visões de mundo, partindo de suas diferenças”, ressalta Paula de Renor, coordenadora de produção da Mostra.
O Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco, idealizador e promotor da Mostra é realizado ininterruptamente há 23 anos, no Recife e mais recentemente em outras 3 cidades do interior do estado, com programação local, nacional e internacional.
PROGRAMAÇÃO
23 de agosto, terça-feira, às 20h Espetáculo:SE FOSSE FÁCIL, NÃO TERIA GRAÇA Nando Bolognesi / SP
Tragicomédia convida a repensar o modo de estar no mundo e de enxergar a vida. Foto: João Caldas Filho
O autor e ator Nando Bolognesi descobriu ter esclerose múltipla aos 21 anos de idade. Ao se deparar com essa doença degenerativa, progressiva, incurável e com potencial incapacitante ele resolveu dar uma virada na própria vida. Formado em Economia na USP e em História na PUC, ingressou na Escola de Arte Dramática EAD-ECA-USP. Trabalhou no cinema, televisão e teatro. Casou-se e adotou um filho. Criou, integrou ou dirigiu diversos projetos, entre ele o Doutores da Alegria, o Cidadão Clown, o Fantásticos Frenéticos e o espetáculo Jogando no Quintal. Publicou o livro Um palhaço na boca do vulcão (ed. Grua) e, desde agosto de 2013, apresenta o espetáculo Se fosse fácil, não teria graça em teatros, empresas e universidades. Na peça, ele conta como tem transformado dificuldades, limites e crises em alegrias, desafios e realizações. Autor, diretor e intérprete: Nando Bolognesi Assistente de direção: Élida Marques Produção: Joca Paciello e Élida Marques Prod. Art. Ltda Duração: 80 minutos Censura: 14 anos *Recurso de tradução em libras
24 de agosto, quarta-feira, às 20h Espetáculo: SEM CONSERVANTES Cia Gira Dança / RN
Sem Conservantes, da Cia Potiguar Gira Dança Foto: Divulgação
Há mais de 10 anos que a companhia Gira Dança, de Natal (RN), trabalha com o conceito de corpos diferenciados. Anderson Leão, diretor do espetáculo Sem Conservantes, foge de um padrão conservador na dança e junta nos espetáculos bailarinos altos, baixos, gordinhos, evitando essa ideia piegas e de coitadinho. A companhia trabalha com artistas com deficiência, encarando-as como pessoas completas e capazes. Atuam no grupo bailarinos com nanismo, cadeirantes, com Síndrome de Down, cegas, com paralisia cerebral, além de pessoas sem deficiência. Sem Conservantes foi coreografado pela dupla Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira. Eles desenvolveram movimentos a partir da ideia do desapego e do abandono. Os coreógrafos negociaram fragmentos da memória presente em imagens tiradas dos vídeos de processos anteriores de Ângelo e Ana Catarina: Somtir (2003), Outras Formas (2004) e Clandestino (2006). Esse material foi processado junto com os meninos do grupo para gerar uma coreografia e uma dramaturgia em cima de fotos.
Direção artística, coreografia e pesquisa de linguagem: Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira Direção geral e artística: Anderson Leão Elenco: Álvaro Dantas, Jânia Santos, Marconi Araújo, Rozeane Oliveira e Wilson Macário Classificação: LIVRE Duração: 60 minutos
25 de agosto, quinta-feira, às 20h Espetáculo: PROIBIDO ELEFANTES Cia Gira Dança / RN
Proibido Elefantes, da Cia Gira Dança. Foto: Brunno Martins
Proibido Elefantes propõe uma reflexão sobre limites e preconceitos. O espetáculo fala do olhar como via de acesso, porta de entrada e saída de significados. O modo como percebemos a “realidade” é resultante do diálogo que estabelecemos com ela.
O olhar enquanto apreensão subjetiva do mundo é, neste trabalho, apontado como elemento potencializador do sujeito diante do mesmo. Proibir elefantes é restringir o acesso, impedir o livre trânsito do animal que serve como meio de transporte na Índia, mas que causaria enormes transtornos em outras localidades.
O espetáculo aposta no olhar do sujeito sobre si e sobre o mundo em que vive como elemento ressignificador e instaurador de realidade. Concepção, coreografia e direção: Clébio Oliveira Bailarinos: Álvaro Dantas, Jania Santos, Joselma Soares, Marconi Araújo, Rodrigo Minotti e Rozeane Oliveira Classificação: 12 anos Duração: 55 minutos
26 de agosto, sexta-feira, às 20h Espetáculo: INDEFINIDAMENTE INDIVISÍVEL Pulsar Cia de Dança / RJ
Espetáculo da coreógrafa Teresa Taquechel trata das possibilidades do movimento. Foto: Jaime Acioli / Divulgação
Indefinidamente Indivisível se propõe a contribuir com novas perspectivas, ampliar o diálogo e o questionamento em torno da arte para pessoas com ou sem deficiência, além de estimular no espectador um novo olhar em relação à arte e à diferença. O espetáculo traça um roteiro de possibilidades e variantes. O risco permanece, pois o erro é a parte viva do acerto: abre para o que pode vir a ser. O uso das bolas infláveis neste processo investigativo permite que os corpos vivenciem de forma intensa a transformação e a imprevisibilidade do movimento. Abre caminhos para uma entrada poética e plástica no pensamento do filósofo Henri Bergson. A mudança é indivisível, o tempo – duração – é indefinidamente indivisível. Criação e direção: Teresa Taquechel Intérpretes: Andrea Chiesorin, Beth Caetano, Bruno Alsiv, Laura Canabrava, Marianne Panazio, Moira Braga, Raphael Arah e Rogério Andreolli Voz em Off: Angel Vianna Classificação etária: LIVRE Duração: 55 minutos
27 de agosto, sábado, às 20h Espetáculo: AVENTAL TODO SUJO DE OVO Grupo Ninho de Teatro / CE
Grupo Ninho de Teatro, do Ceará. Foto: Jarbas Oliveira
A montagem estreou no início de 2009. A peça foca a relação familiar, com suas emoções exacerbadas, suas limitações e suas (in)verdades. Propondo uma intimidade com o público, o elenco convida os espectadores a adentrarem na casa de Alzira e Antero, o casal que há 19 anos, junto à comadre Noélia, suporta a angustiante espera do filho Moacir. Esse cenário só se modifica a partir da inesperada visita de Indienne Du Bois. Na trama um jovem interpreta sem risco de estereótipos alguém muito mais velho que o ator, uma mulher uma transsexual e um deficiente físico um papel que não dá ênfase para esta deficiência. Texto: Marcos Barbosa Direção: Jânio Tavares Elenco: Edceu Barboza, Joaquina Carlos, Rita Cidade e Zizi Telécio Classificação: 14 anos Duração: 70 minutos *Recurso de Audiodescrição
MESA REDONDA Dia 28/8 (Domingo) – Das 16 às 18h30 Curadoria Inclusiva como identificar, programar e produzir o trabalho do artista com deficiência
Como o produtor pode se preparar melhor para trabalhar com artistas com deficiência?
Com: Beth Caetano – CVI-Rio/Bailarina da Pulsar Cia de Dança
Camila Alves – Sapoti e CCBB
Liliane Rebelo – British Council
Sidnei Pereira – CCBB
Curadoria e Organização: Paula Lopez
*Recurso de tradução em libras.
Audiodescrição: Os participantes da mesa descreverão as imagens
Paula de Renor. Foto no espetáculo Duas mulheres em preto e branco. Reprodução do Facebook
Ficha Técnica da Mostra Realização: Janeiro de Grandes Espetáculos – FIAC/PE Produção e coordenação geral: Remo Produções Artísticas Coordenação de produção: Paula de Renor Produção executiva: Mônica Biel Curadoria e mediação da mesa redonda: Paula Lopez Audiodescrição: Nara Medeiros Tradução em Libras: Milonga Digital Web Mídia Workshop: Teresa Taquechel (Pulsar Cia de Dança) Educativo e sensibilização de plateia: Carla Strachmann Coordenação técnica: Marcos Siqueira Assessoria de imprensa: Ney Motta / contemporânea comunicação Assistência de assessoria de imprensa: Ana Andréa
Serviço
Mostra Acessível Rio das Olimpíadas Onde: Teatro Cacilda Becker. Rua do Catete, 338, Catete, Rio de Janeiro. Fone: 21 2265-9933 (próximo a Estação Largo do Machado do Metrô)
Quando: De 23 a 28 de agosto, terça a sábado às 20h e domingo às 16h Capacidade de público: 186 pessoas, com acesso facilitado para deficientes físicos Classificação indicativa: vide programação Ingressos: GRÁTIS Distribuição dos ingressos: 1h antes de cada espetáculo
As criadas malcriadas faz sessão especial no Teatro Experimental Roberto Costa, em Paulista. Foto: Divulgação
Você acha mesmo que essa perversa relação entre opressor e oprimido é coisa que foi derrubada com o muro de Berlim? Ou com a chegada no mercado do celular “pode tudo” de última geração??? Então vá assistir As Criadas Malcriadas, com a Trupe do Barulho, em apresentação especial neste sábado, no Teatro Experimental Roberto Costa, Paulista North Way Shopping, na Região Metropolitana do Recife. Essa história policialesca e carnavalizada, de sotaque popular, com o perfil histriônico dos atores do grupo, expõe os planos das diabólicas Clair e Solange, que querem acabar com a patroa. Madame X é uma figura sinistra, uma poderosa Drag Queen, que não mede esforços para aumentar sua coleção de títulos, mesmo que para isso precise comprar os jurados.
A peça de Luiz Navarro é baseada no clássico As Criadas, escrita pelo dramaturgo e poeta francês Jean Genet (1910-1986) em 1947, e tem direção de Manoel Constantino. Madame é linda, rica e agora concorre ao título de “Miss Traveca”. Mortas de cobiça com o sucesso de Madame, as maninhas tramam derrubar esse império. O passatempo preferido da dupla é se fantasia com as roupas e as joias da chefa e reproduzir o jogo de dominação e submissão, com uma delas no papel da Madame.
Num dos diálogos de Genet, Claire fala: “Ela, ela gosta de nós. Ela é boa. Madame nos adora”. E Solange responde: “Gosta de nós como das poltronas dela. E olha lá!” Imagine uma conversa dessas, de comadres, com pitadas cômicas, humor kitsch o escracho da exultante Trupe do Barulho, companhia pernambucana de teatro que já montou Cinderela, a estória que sua mãe não contou, Deu a louca na estória que sua mãe não contou, As filhas da P…, As Malditas.
Em As criadas malcriadas o bando explora o complô com tratamento cotidiano, debochado, farsesco, cômico. E investe nas piadas escrachadas e até escatológicas, nas intervenções abusadas junto ao público para mostrar como se destrói o glamour de uma biscate.
O discurso social é pulverizado com situações do cotidiano das periferias das grandes cidades, e ganha uma carga de ironia no humor irreverente da equipe. Você verá manifestações de arrogância e prepotência de um lado e submissão e subserviência do outro, numa manobra carregada na caricatura. O jogo de poder das envolvidas inclui rancor, admiração, submissão, amor e ódio.
Ricardo Silva, (Madame X) no centro e Thiago Ambriell (Solange) à direita, estão no elenco. Foto: Divulgação
Vários atores já atuaram nessa peça, que agora conta com elenco formado por Ricardo Silva (Madame X), Filipe Enndrio (Clair) e Thiago Ambriell (Solange), além dos veteranos Jô Ribeiro (Divina), e Aurino Xavier (Chupingole),
Solange e Clair abusam de astúcias, maldades e magias para evitar o apogeu de Madame. O conflito de classes pode ganhar proporções gigantescas se Madame ganhar o concurso de Miss. As empregadas planejam envenenar a glamorosa patroa com um chá. Elas armam para se transformar em herdeiras naturais, e consequentemente, nas próprias “Madames”.
Filipe Enndrio interpreta a empregada Clair. Foto: Reprodução do Facebook
Serviço As Criadas Malcriadas Onde: Teatro Experimental Roberto Costa, Paulista North Way Shopping. Quando: Sábado, 20/08, às 20h. Única Apresentação Quanto: R$ 20 (preço único). Informações: (81) 98463-8388
Marcondes Lima, o diretor, interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação
Ossos é o quinto espetáculo do Angu de Teatro, Coletivo pernambucano com 13 anos de existência. O terceiro da letra de Marcelino Freire – Angu de Sangue e Rasif – Mar que arrebenta são os outros dois. Além de Ópera, de Newton Moreno e Essa febre que não passa, de Luce Pereira. Todos com direção de Marcondes Lima, sendo Essa febre em parceria com André Brasileiro. Ossos narra uma história de amor e suas perversidades. O amor que move para a mudança, que traz a estagnação e a infertilidade afetiva, que lança para a morte.
O dramaturgo Heleno de Gusmão é o protagonista dessa peleja que começa em Sertânia, Sertão pernambucano, passa por Recife e chega a São Paulo e faz o caminho de volta. A estrutura da peça não segue uma linha cronológica, mas traça círculos, dá saltos, inunda de lembranças e de uma atmosfera fantástica.
A montagem volta à cena para uma segunda temporada, desta vez no Teatro Barreto Júnior, neste 19 de Agosto e fica em cartaz até 25 de Setembro, às sextas e sábados, sempre às 20h e domingo às 19h30. A primeira temporada ocorreu no Teatro Apolo.
Coro de Urubus. Foto: Divulgação
Um coro de Urubus pontua a narrativa, Urubus, sabemos, são aves de rapina necrófogas. Existem sete espécies e cinco delas circulam no Brasil. É possível observar essas aves planando sob o céu das cidades, pousando no alto de prédios, ou esquadrinhando os lixões em busca de material orgânico, pois são capazes de eliminar desde carcaças até ossos. Eles têm olfato apurado, estômago privilegiado apto a processar até carne podre e um sistema imunológico invejável. Esses faxineiros da natureza são incompreendidos. Até Charles Darwin, quando visitou a América em 1832 teria comentado: “São aves nojentas, que se divertem na podridão”.
Os Urubus da ficção de Marcelino Freire e Marcondes Lima comentam os acontecimentos da peça, são experts em dar matacão uns nos outros. Às vezes se aproximam dos personagens do teatro infantil ou dos desenhos animados e as vezes cansam ao expor de forma tão crua os sentimentos humanos. E apesar do trabalho difícil que exercem da fama, eles também amam.
O espetáculo se desenvolve em vários cenários; nos guetos paulistanos do negócio do sexo, nas esquinas dos michês, nos bastidores de um teatro amador, no interior de Pernambuco onde os ossinhos de bois são material para nutrir a imaginação do futuro escritor, na estrada de volta para à terra natal.
A encenação explora os acontecimentos sob a ótica do protagonista, o dramaturgo Heleno de Gusmão. Seus fragmentos de memória que aparecem como sonho ou um estado hiper-real. Ele fala diretamente ao público ou atua nas suas recordações ou projeções, às vezes de forma distorcida.
A iluminação de Jathyles Miranda é fundamental para impor esse clima que vagueia entre traços expressionistas. Sombras produzem formas bizarras e deformidades visuais, colaborando para o rompimento de continuidade de cena e aproximando de um processo cinematográfico de sobreposições, fusões de cenas e cortes secos.
O universo LGBT é mostrado sem maquiagem, os sonhos, as carências, e o lado sentimental de figuras marginalizadas com o garoto de programa e a travesti. E ergue o caráter político da existência e posicionamento das minorias aflitas no mar do consumismo. A peça é carregada de humor, às um humor doído.
E não podemos esquecer da trilha sonora do músico pernambucano Juliano Holanda, uma obra que merece levar uma vida autônoma por sua qualidade intrínseca. E que no espetáculo transborda em meio a tantos signos.
A montagem de Ossos é patrocinada pelo prêmio Myriam Muniz da FUNARTE – Ministério da Cultura – Governo Federal.
André Brasileiro (C) faz o papel do dramaturgo Heleno de Gusmão. Foto: Divulgação
Ficha Técnica Texto: Marcelino Freire Direção: Marcondes Lima Direção de arte, cenários e figurinos: Marcondes Lima Assistência de direção: Ceronha Pontes Elenco: André Brasileiro, Arilson Lopes, Daniel Barros, Ivo Barreto, Marcondes Lima, Ryan Leivas (Ator stand in) e Robério Lucado Trilha sonora original – composição, arranjos e produção: Juliano Holanda Criação de plano de luz: Jathyles Miranda Operação de Som: Sávio Uchôa Preparação corporal: Arilson Lopes Preparação de elenco: Ceronha Pontes, Arilson Lopes Coreografia: Lilli Rocha e Paulo Henrique Ferreira Coordenação de produção: Tadeu Gondim Produção executiva: André Brasileiro, Fausto Paiva, Arquimedes Amaro, Gheuza Sena e Nínive Caldas Designer gráfico: Dani Borel Fotos divulgação: Joanna Sultanum Visagismo: Jades Sales Assessoria de imprensa: Rabixco Assessoria Técnico de som Muzak – André Oliveira Confecção de figurinos: Maria Lima Confecção de cenário e elementos de cena: Flávio Santos, Jorge Batista de Oliveira. Operador de som e luz: Fausto Paiva / Tadeu Gondim Camareira: Irani Galdino
SERVIÇO
OSSOS, de Marcelino Freire, pelo Coletivo Angu de Teatro Quando: Temporada de De 19/08 a 25/09; Sextas e sábados, às 20h, Domingos, às 19h30 Onde: Teatro Barreto Júnior Ingressos: R$30,00 inteira / R$15,00 meia-entrada Classificação indicativa: 16 anos
Primeiro solo da atriz Agrinez Melo. Foto: Divulgação
Agulhas, linhas e costura. Cortar, coser, cerzir com música e poesia é a proposta do espetáculo Histórias bordadas em mim, que estreia neste 19 de agosto e fica em cartaz até 26 de setembro, todas as sextas, às 20h, no Espaço O Poste Soluções Luminosas. O solo com a atriz Agrinez Melo aposta na delicadeza das memórias pessoais dessa mulher, negra, mãe, guerreira e trabalhadora.
O tom é confessional e aconchegante para expor dores, amores, alegrias e conquistas. A intérprete compartilha os fatos da própria vida com a plateia. Das memórias de infância às vivências atuais. Ela investe no resgate da fé no amor com a possibilidade de, no palco, ressignificar as próprias experiências.
“As histórias narradas, tão minhas, também serão do outro, pois se assemelham a diversas pessoas”, pensa Agrinez, que trabalha com a ancestralidade e a oralidade.
Neste primeiro monólogo a atriz, que também assinada produção, direção, dramaturgia, figurino e cenografia, contou com o apoio de consultores como Ana Paula Sá que assume a função de assessora em dramaturgia, além de Samuel Santos, Quiercles Santana e Naná Sodré.
Agrinez Melo criou uma campanha no site Catarse para arrecadar recursos para a produção do espetáculo. Quem puder e quiser colaborar pode fazer sua contribuição até hoje. O teatro pernambucano agradece.
Espetáculo fica em cartaz nas sextas na Espaço O Poste. Foto: Divulgação
FICHA TÉCNICA Atuação, Produção, Dramaturgia, Figurino, Cenografia e Direção: Agrinez Melo Assessoria em Dramaturgia: Ana Paula Sá Assessoria em Direção: Naná Sodré, Quiercles Santana e Samuel Santos Concepção Musical e Sonoplastia: Cacau Nóbrega Assessoria em toadas: Maria Helena Sampaio (YaKêkêrê do Terreiro Ilê Oba Aganju Okoloyá) Maquiagem: Vinicius Vieira Aderecista: Álcio Lins Cenotécnico: Felipe Lopes Foto, Áudio e Filmagem: Lucas Hero Direção e edição de vídeo: Taciana Oliveira (Zest Artes e Comunicação) Assistente de produção: Nayara Oliveira Designer: Curinga Comuniquê Execução de figurino: Agrinez Melo e Vilma Uchoa Assessoria de imprensa: Alessandro Moura
Serviço Histórias bordadas em mim – Temporada Recife Quando: De 19 de agosto a 26 de setembro, Todas as sextas, às 20h Onde: Espaço O Poste Soluções Luminosas – Rua da Aurora, 529, Boa Vista Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (estudantes, professores e idosos)