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Ossos faz temporada no Teatro Barreto Júnior

 

Marcondes Lima, o diretor, interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação

Marcondes Lima, o diretor, interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação

Ossos é o quinto espetáculo do Angu de Teatro, Coletivo pernambucano com 13 anos de existência. O terceiro da letra de Marcelino Freire – Angu de Sangue e Rasif – Mar que arrebenta são os outros dois. Além de Ópera, de Newton Moreno e Essa febre que não passa, de Luce Pereira. Todos com direção de Marcondes Lima, sendo Essa febre em parceria com André Brasileiro. Ossos narra uma história de amor e suas perversidades. O amor que move para a mudança, que traz a estagnação e a infertilidade afetiva, que lança para a morte.

O dramaturgo Heleno de Gusmão é o protagonista dessa peleja que começa em Sertânia, Sertão pernambucano, passa por Recife e chega a São Paulo e faz o caminho de volta. A estrutura da peça não segue uma linha cronológica, mas traça círculos, dá saltos, inunda de lembranças e de uma atmosfera fantástica.

A montagem volta à cena para uma segunda temporada, desta vez no Teatro Barreto Júnior, neste 19 de Agosto e fica em cartaz até 25 de Setembro, às sextas e sábados, sempre às 20h e domingo às 19h30. A primeira temporada ocorreu no Teatro Apolo.

Coro de Urubus. Foto: Divulgação

Um coro de Urubus pontua a narrativa, Urubus, sabemos, são aves de rapina necrófogas. Existem sete espécies e cinco delas circulam no Brasil. É possível observar essas aves planando sob o céu das cidades, pousando no alto de prédios, ou esquadrinhando os lixões em busca de material orgânico, pois são capazes de eliminar desde carcaças até ossos. Eles têm olfato apurado, estômago privilegiado apto a processar até carne podre e um sistema imunológico invejável. Esses faxineiros da natureza são incompreendidos. Até Charles Darwin, quando visitou a América em 1832 teria comentado: “São aves nojentas, que se divertem na podridão”.

Os Urubus da ficção de Marcelino Freire e Marcondes Lima comentam os acontecimentos da peça, são experts em dar matacão uns nos outros. Às vezes se aproximam dos personagens do teatro infantil ou dos desenhos animados e as vezes cansam ao expor de forma tão crua os sentimentos humanos. E apesar do trabalho difícil que exercem  da fama, eles também amam.

O espetáculo se desenvolve em vários cenários; nos guetos paulistanos do negócio do sexo,  nas esquinas dos michês, nos bastidores de um teatro amador, no interior de Pernambuco onde os ossinhos de bois são material para nutrir a imaginação do futuro escritor, na estrada de volta para à terra natal.

A encenação explora os acontecimentos sob a ótica do protagonista, o dramaturgo Heleno de Gusmão. Seus fragmentos de memória que aparecem como sonho ou um estado hiper-real. Ele fala diretamente ao público ou atua nas suas recordações ou projeções, às vezes de forma distorcida.

A iluminação de Jathyles Miranda é fundamental para impor esse clima que vagueia entre traços expressionistas. Sombras produzem formas bizarras e deformidades visuais, colaborando para o rompimento de continuidade de cena e aproximando de um processo cinematográfico de sobreposições, fusões de cenas e cortes secos.

O universo LGBT é mostrado sem maquiagem, os sonhos, as carências, e o lado sentimental de figuras marginalizadas com o garoto de programa e a travesti. E ergue o caráter político da existência e posicionamento das minorias aflitas no mar do consumismo. A peça é carregada de humor, às um humor doído.

E não podemos esquecer da trilha sonora do músico pernambucano Juliano Holanda, uma obra que merece levar uma vida autônoma por sua qualidade intrínseca. E que no espetáculo transborda em meio a tantos signos.

A montagem de Ossos é patrocinada pelo prêmio Myriam Muniz da FUNARTE – Ministério da Cultura – Governo Federal.

André Brasileiro (C) faz o papel do dramaturgo Heleno Gusmão. Foto: Divulgação

André Brasileiro (C) faz o papel do dramaturgo Heleno de Gusmão. Foto: Divulgação

 

Ficha Técnica
Texto: Marcelino Freire
Direção: Marcondes Lima
Direção de arte, cenários e figurinos: Marcondes Lima
Assistência de direção: Ceronha Pontes
Elenco: André Brasileiro, Arilson Lopes, Daniel Barros, Ivo Barreto, Marcondes Lima, Ryan Leivas (Ator stand in) e Robério Lucado
Trilha sonora original – composição, arranjos e produção: Juliano Holanda
Criação de plano de luz: Jathyles Miranda
Operação de Som: Sávio Uchôa
Preparação corporal: Arilson Lopes
Preparação de elenco: Ceronha Pontes, Arilson Lopes
Coreografia: Lilli Rocha e Paulo Henrique Ferreira
Coordenação de produção: Tadeu Gondim
Produção executiva: André Brasileiro, Fausto Paiva, Arquimedes Amaro, Gheuza Sena e Nínive Caldas
Designer gráfico: Dani Borel
Fotos divulgação: Joanna Sultanum
Visagismo: Jades Sales
Assessoria de imprensa: Rabixco Assessoria
Técnico de som Muzak – André Oliveira
Confecção de figurinos: Maria Lima
Confecção de cenário e elementos de cena: Flávio Santos, Jorge Batista de Oliveira.
Operador de som e luz: Fausto Paiva / Tadeu Gondim
Camareira: Irani Galdino

SERVIÇO

OSSOS, de Marcelino Freire, pelo Coletivo Angu de Teatro
Quando: Temporada de De 19/08 a 25/09; Sextas e sábados, às 20h, Domingos, às 19h30
Onde: Teatro Barreto Júnior
Ingressos: R$30,00 inteira / R$15,00 meia-entrada
Classificação indicativa: 16 anos

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Bordados da memória

Primeiro solo da atriz Agrinez Melo.  Foto: Divulgação

Primeiro solo da atriz Agrinez Melo. Foto: Divulgação

Agulhas, linhas e costura. Cortar, coser, cerzir com música e poesia é a proposta do espetáculo Histórias bordadas em mim, que estreia neste 19 de agosto e fica em cartaz até 26 de setembro, todas as sextas, às 20h, no Espaço O Poste Soluções Luminosas. O solo com a atriz Agrinez Melo aposta na delicadeza das memórias pessoais dessa mulher, negra, mãe, guerreira e trabalhadora.

O tom é confessional e aconchegante para expor dores, amores, alegrias e conquistas. A intérprete compartilha os fatos da própria vida com a plateia. Das memórias de infância às vivências atuais. Ela investe no resgate da fé no amor com a possibilidade de, no palco, ressignificar as próprias experiências.

“As histórias narradas, tão minhas, também serão do outro, pois se assemelham a diversas pessoas”, pensa Agrinez, que trabalha com a ancestralidade e a oralidade.

Neste primeiro monólogo a atriz, que também assinada produção, direção, dramaturgia, figurino e cenografia, contou com o apoio de consultores como Ana Paula Sá que assume a função de assessora em dramaturgia, além de Samuel Santos, Quiercles Santana e Naná Sodré.

Agrinez Melo criou uma campanha no site Catarse para arrecadar recursos para a produção do espetáculo. Quem puder e quiser colaborar pode fazer sua contribuição até hoje. O teatro pernambucano agradece.

Espetáculo fica em cartaz nas sextas na Espaço O Poste. Foto: Divulgação

Espetáculo fica em cartaz nas sextas na Espaço O Poste. Foto: Divulgação


FICHA TÉCNICA
Atuação, Produção, Dramaturgia, Figurino, Cenografia e Direção: Agrinez Melo
Assessoria em Dramaturgia: Ana Paula Sá
Assessoria em Direção: Naná Sodré, Quiercles Santana e Samuel Santos
Concepção Musical e Sonoplastia: Cacau Nóbrega
Assessoria em toadas: Maria Helena Sampaio (YaKêkêrê do Terreiro Ilê Oba Aganju Okoloyá)
Maquiagem: Vinicius Vieira
Aderecista: Álcio Lins
Cenotécnico: Felipe Lopes
Foto, Áudio e Filmagem: Lucas Hero
Direção e edição de vídeo: Taciana Oliveira (Zest Artes e Comunicação)
Assistente de produção: Nayara Oliveira
Designer: Curinga Comuniquê
Execução de figurino: Agrinez Melo e Vilma Uchoa
Assessoria de imprensa: Alessandro Moura

Serviço
Histórias bordadas em mim – Temporada Recife
Quando: De 19 de agosto a 26 de setembro, Todas as sextas, às 20h
Onde: Espaço O Poste Soluções Luminosas – Rua da Aurora, 529, Boa Vista
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (estudantes, professores e idosos)

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Festival Estudantil chega à 14ª edição

Estresse noCallcenter, do Grupo ArtDom abre a programação. Foto: Fernando Figueiroa / Divulgação

Estresse noCallcenter, do Grupo ArtDom abre a programação. Foto: Fernando Figueiroa / Divulgação

Um laboratório de talentos amadores das artes cênicas em pleno exercício de desenvolvimento. O Festival Estudantil de Teatro e Dança (FETED) funciona como vitrine das habilidades artísticas e chega 14ª edição cumprindo essa importante incumbência. Começa nesta quarta-feira (17/08) e segue até o dia 28 de agosto. Reúne neste ano 37 grupos, sendo cinco de teatro infanto-juvenil, sete de teatro adulto e 25 grupos de dança e coreografia. As apresentações ocorrem de quarta a domingo, às 16h, 19h e 20h, no Teatro Apolo, no centro do Recife.

“É uma mostra não competitiva que há 14 anos tem como objetivo a difusão das artes cênicas entre alunos de escolas públicas e privadas, permitindo o incentivo da produção cultural no âmbito escolar, bem como a formação de plateias e de artistas para os palcos profissionais”, conta o produtor cultural Pedro Portugal, idealizador e realizador do evento.

A diversidade da programação permite que sejam exibidas leituras de William Shakespeare como as montagens A Megera Domada, do Grupo de Teatro Dose Humana e Colégio Marista São Luís e Mulheres de Shakespeare, da Academia Santa Gertrudes passando por encenações de dramaturgos pernambucanos como Adriano Marcena, Luiz Felipe Botelho, em Bote a Mão que Ainda tá Quentinha, do Grupo Teatral o Tempo Não Para – SESC Santo Amaro e Os Sacos Vermelhos, da Oficina de Atores do Recife, respectivamente.

A dança também reflete a multiplicidade contemporânea e as coreografias também são marcadas pela variedade de ritmos, que vão do jazz ao xaxado.

A peça Estresse no Call Center, do grupo teatral Artedom, de Olinda, abre a programação do festival. O fechamento fica a cargo da encenação Viva La Vida, com os alunos do Curso Básico de Teatro da Escola Municipal de Arte João Pernambuco, do Recife.

Os homenageados deste ano são o coreógrafo André Madureira e a atriz Fátima Aguiar. A cerimônia de abertura acontece às 18h40 desta quarta, no Apolo.

Coreógrafo André Madureira, homenageado do festival. Foto: Divulgação

Coreógrafo André Madureira, homenageado do festival. Foto: Divulgação

André Madureira é fundador do Balé Popular do Recife, grupo que nasceu em 20 de maio de 1977, e desde lá recriou autos e folguedos populares de Pernambuco. Ganhou fama e partiu para o mundo na na década de 1980, com a turnê do espetáculo Prosopopeia – um auto de guerreiro.

Além do resgate de dança, o BPR permutou passos e ritmos, ao inventar a dança Brasílica, um método com linguagem própria e movimentos diferenciados.

O percurso do BPR é assinalado por altos e baixos. Da glória de circular por três meses pela Europa ao desespero do incêndio de 2009, que destruiu centenas de figurinos e das pesquisas feitas pelo grupo.

O Balé se levantou, sacudiu a poeria e montou As andanças do divino. E agora prepara as comemorações dos 40 anos da associação, que mantém dois subgrupos: Forrobodó e Balé Brasílico. Se ficou interessado, entrar em contato com os responsáveis na sede da instituição Rua do Sossego, n° 52, bairro de Santo Amaro ou ligar no (81)3266-8392 ou pelo e-mail: bale.popular@hotmail.com .

Atriz e diretora Fátima Aguiar, homenageada do festival

Atriz e diretora Fátima Aguiar, homenageada do festival

Fátima Aguiar é uma atriz e educadora com uma folha artística de muitas montagens, como intérprete ou diretora. Desenvolve atividades de formação de plateia e de novos criadores na área de arte-educação. Por sua atuação na peça Agnes de Deus, da Companhia das Artes, recebeu prêmios de melhor atriz e melhor espetáculo no projeto Janeiro de Grandes Espetáculos (2002 e 2004).

O Festival recebe o incentivo do Funcultura, da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

PROGRAMAÇÃO

Dia 17 de agosto (quarta-feira), 19h.
Estresse no Call Center (Grupo Teatral Artedom – Olinda/PE)
Texto e direção: Thina Neves

Dia 18 de agosto (quinta-feira), 19h
Bote a Mão que Ainda tá Quentinha (Grupo Teatral o Tempo Não Para SESC Santo Amaro) – Recife/PE
Texto: Adriano Marcena; Direção: Flavio Santos

Dia 19 de agosto (sexta-feira), 19h
Mulheres de Shakespeare (Academia Santa Gertrudes – Olinda/PE)
Texto: William Shakespeare; Adaptação e Direção: Gabi Cabral

Dia 20 de agosto (sábado), 16h
As Reticências da Minha Pré-adolescência (Centro Comunitário Vivendo e Aprendendo – Camaragibe/PE)
Texto e Direção: Cláudia Alves

Dia 20 de agosto (sábado), 20h
A Megera Domada (Grupo de Teatro Dose Humana e Colégio Marista São Luís – Recife/PE)
Texto: William Shakespeare; Direção: Fátima Aguiar

Dia 21 de agosto (domingo), 16h
Os Sacos Vermelhos (Oficina de Atores – Recife)
Texto: Luiz Felipe Botelho; Direção: Pollyanna Cabral

Dia 21 de agosto (domingo), 20h
A Mais Forte (Colégio Grande Passo – Recife/PE)
Texto: August Strindberg; Direção: Edinaldo Ribeiro

Dia 24 de agosto (quarta-feira), 19h
A Podridão que Há em Mim (Associação Cultural Boi Menino – Recife/PE)
Texto e Direção: Anderson Leite

Mostra de Dança e Coreografia (dias 25 e 26 de agosto)
Dia 25 de agosto de 2016 (quinta-feira), 19h

Fadas das Estações – Arte Ballet/Colégio Dom – Olinda. Coreografia: Thamara Moreira

Fada Lilás – Espaço de Dança Thamara Moreira – Olinda. Thamara Moreira

Harlequinade – Espaço de Dança Thamara Moreira – Olinda. Thamara Moreira

Paysant – Espaço de Dança Thamara Moreira – Olinda. Thamara Moreira

Amigas de Clara – Espaço de Dança Thamara Moreira – Olinda. Thamara Moreira

Valsa das Flores – Espaço de Dança Thamara Moreira – Olinda. Thamara Moreira

Fayre Doll – Espaço de Dança Thamara Moreira – Olinda. Thamara Moreira

Chão Batido – Colégio Marista São Luís/Grupo Andança – Recife. Julcelio Nobrega Santos

Pássaro Azul – UM HIATO – Luará Espaço de Arte e Dança Cabo de Santo Agostinho. Silas Samarky

Alice, De Maravilha A Maravilha – Luará Espaço de Arte e Dança- Cabo de Santo Agostinho. Coreografia Leide Dornelas

Entre e Elas – Colégio Equipe de Dança – Recife. Coreografia Taynanda Carvalho e Viviane Lira

Baque – Colégio NAP/Grupo NAP de Dança – Recife. Coreografia: Viviane Lira.

Dia 26 de agosto (sexta-feira), 19h

Caranguejo Esperto – Criativo Espaço de Arte – Recife. Coreografia Gigi Albuquerque

África – Colégio Virgem Imaculada – Janga – Paulista. Coreografia Thuan Cesar Nascimento Batista

Xaxado, A dança de Lampião – Escola de Referência Luiz Rodolfo de Araujo Jr – Abreus e Lima. Coreografia: Katyucia Lima

Lampião: Amor Crença e Dança – Cia de Dança Teatro Luardat – Recife. Coreografia: Claudineide Rodrigues.

Morte e Ressurreição do Boi Ta Tá Tá – Grupo Artístico e Cultural Boi Ta Ta Tá – Recife. Coreografia: Coletivo OBS.

Gigi – Escola Gesttus de Dança – Recife. Coreografia: Mayara Mesquita

Por falta d’água – Escola Gesttus de Dança – Recife. Coreografia: Mayara Mesquita

Maiouy – Escola Gesttus de Dança – Recife. Coreografia: Vannina Porto

Shílí – Escola Gesttus de Dança – Recife. Coreografia: Vannina Porto

Coração Confuso – Jazz Heloisa Duque – Recife. Coreografia: Heloisa Duque

Xaxateado – Grupo de Sapateado do Colégio Motivo– Recife. Coreografia: Bianca Morais

Jazz com Groove – Grupo de Jazz do Colégio Motivo– Recife. Coreografia: Bianca Morais

Mistura de Ritmos – Grupo Contemporâneo do Colégio Motivo – Recife. Coreografia: Cristiane Barbosa

Dia 27 de agosto (sábado), 16h
O Labirinto – Academia Santa Gertrudes – Olinda
Texto e direção: Gabi Cabral

Hipérion Escola de Artes apresenta Central Park West Foto: Divulgação

Hipérion Escola de Artes apresenta Central Park West Foto: Divulgação

Dia 27 de agosto (sábado), 20h
Central Park West – Hipérion Escola de Artes – Recife.
Texto: Wood Allen; Direção: Edson Aranha

Dia 28 de agosto (domingo), 16h
Era Uma Vez no Fundo do Mar – Espaço Criança Esperança de Jaboatão- Jaboatão dos Guararapes.
Texto: Elis Costa; Direção: Altino Francisco

Viva La Vida, da Escola de Arte Joao Pernambuco, encerra a mostra. Foto: Fernando Figueiroa /Divulgação

Viva La Vida, da Escola de Arte Joao Pernambuco, encerra a mostra. Foto: Fernando Figueiroa /Divulgação

Dia 28 de agosto (domingo), 20h
Viva La Vida – Escola Municipal de Arte João Pernambuco – EMAJPE – Recife.
Dramaturgia: Fred Nascimento a partir de recorte de textos de Antonin Artaud, Eduardo Galeano, Pablo Neruda, Vladimir Maiakóvski, Victória Santa Cruz e outros autores. Direção: Fred Nascimento.

Serviço
14º Festival Estudantil de Teatro e Dança
Onde: Teatro Apolo, Rua do Apolo, 121 – Recife.
Quando: De 17 a 28 de agosto de 2016
Ingresso: R$ 10 (preço promocional).
Mais informações: (81) 99146-2402 / 99842-1521
E-mail: festivalestudantil@gmail.com
Facebook: festivalestudantil
Instagrma:@festivalestudantil

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A beleza não dura para sempre

Doroteia comemora os 60 anos de carreira de Rosamaria Murtinho e tem Letícia r no elenco. Foto: Carol Beiriz

Doroteia celebra os 60 anos de carreira de Rosamaria Murtinho e tem Letícia Spiller no elenco. Foto: Carol Beiriz

Depois de perder o filho, Doroteia (Letícia Spiller), procura as primas puritanas Dona Flávia (Rosamaria Murtinho), Maura (Alexia Deschamps) e Carmelita (Jacqueline Farias). Ela quer largar a vida de prazeres, mudar sua trajetória, se redimir dos pecados. Linda de viver, Doroteia é recebida com desconfiança. As mulheres duvidam do parentesco porque existem dois sinais hereditários da família, que elas não identificam na visitante: os olhos não enxergam os homens e todas, desde a bisavó, sentiram náuseas após a primeira relação sexual nas noites de núpcias. Para oferecer abrigo, Dona Flávia, a prima mais velha, impõe que a bela aceite as condições de se tornar tão feia quanto o resto da estirpe.

A praga começou com a bisavó, que amou um homem e se casou com outro. Com isso recaiu sobre todas as gerações de mulheres da linhagem  a “maldição do amor”. Elas casam com um marido invisível e sofrem da náusea nupcial.

Doroteia comemora os 60 anos de carreira de Rosamaria Murtinho e tem Letícia r no elenco. Foto: Carol Beiriz

Montagem da peça de Nelson Rodrigues faz curta temporada no Recife. Foto: Carol Beiriz

Escrita em 1949 por Nelson Rodrigues (1912-1980), a peça foi classificada e agrupada pelo crítico Sábato Magaldi no rol dos textos míticos, composta também por Álbum de família, Anjo negro e Senhora dos afogados.

Com direção e encenação de Jorge Farjalla, assistido por Diogo Pasquim e por Raphaela Tafuri, Doroteia faz duas apresentações no Recife, nos dias 20 e 21 de agosto, no Teatro RioMar.

Doroteia tem direção de arte e cenografia de Zé Dias, figurinos de Lulu Areal, e maquiagem e visagismo de Anderson Calixto, desenho de luz do diretor, do cenógrafo e de Patrícia Ferraz.  A encenação traz um coro masculino batizado como Homens Jarro, alusão às figuras que passaram pela vida da ex-prostituta, defendido pelos atores/músicos Bastian Estevan, Pablo Vares, André Américo, Du Machado, Daniel Veiga Martins e Rafael Kalil, que executam ao vivo os sons e a trilha do espetáculo. A direção musical é assinada por João Paulo Mendonça com trilha original dele, de Leila Pinheiro e de Fernando Gajo.

Encenação compõe uma mistura de sonho, pesadelo, desatino e destino irremediável . Foto:

Encenação compõe uma mistura de sonho, pesadelo, desatino e destino irremediável . Foto: Carol Beiriz

A peça trabalha com o mito da beleza, de uma sensualidade latente, mas reprimida. A linda e loura Letícia precisa se enfear na peça, enquanto Rosamaria Murtinho, aos 80 anos, também desconstrói a imagem que defendeu em personagens ricas, elegantes e glamorosas.

A montagem traça diálogo com questões contemporâneas. As três viúvas pudicas e repugnantes não dormem para não sonhar. Com o amor, com o exercício sexual. Ao recusar o prazer, exaltar a feiura e o insulamento social a peça também aponta para posicionamentos religiosos retrógrados, em comportamento de condenação do diferente.

Das Dores, filha de Dona Flávia, cuja noite de núpcias ocorre ao longo da encenação, é a única personagem que parece não sentir culpa após a relação sexual. A expectativa é a de que a noiva sinta as náuseas como as outras mulheres do clã. No texto de Nelson Rodrigues, ela não nasceu; isto é, saiu morta do ventre da mãe e adolesceu sem consciência dessa condição.

Ficha Técnica
Dorotéia, de Nelson Rodrigues
Direção: Jorge Farjalla
Assistente direção: Diogo Pasquim
Elenco: Rosamaria Murtinho, Letícia Spiller, Alexia Deschamps, Dida Camero, Anna Machado e Jaqueline Farias
Homens jarro (músicos): Fernando Gajo, Pablo Vares, André Américo, Du Machado, Daniel Veiga Martins e Rafael Kalil
Cenografia: Zé Dias
Figurino: Lulu Areal
Direção Musical: JP Mendonça
Direção de produção: Bruna Petit
Produção executiva: Sandra Valverde
Coordenação de Produção: Lu Klein
Realização: Duka Produções
Apoio: Avianca – transportadora oficial
Produção Local: Art Rec Produções

SERVIÇO
Dorotéia
Quando: Dia 20 de agosto (sábado), às 21h; Dia 21 de agosto (domingo), às 19h
Onde: Teatro RioMar Recife: Av. República do Líbano, 251, 4º piso – RioMar Shopping
Informações: (81) 4003.1212
Duração: 90 minutos
Classificação etária: 16 anos
Ingressos:
Balcão Nobre: R$ 90 (inteira) e R$ 45 (meia)
Plateia: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia)
Canais de venda oficiais: bilheteria do teatro (terça a sábado, das 12h às 21h, e domingos e feriados, das 14h às 20h) e site Ingresso Rápido (www.ingressorapido.com.br)
* Meia-entrada válida para maiores de 60 anos, professores estudantes e assinantes do Jornal do Commercio.

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O homem que negou sua verdade

Denise Fraga protagoniza espetáculo Galileu Galilei. Fotos: João Caldas/ Divulgação

A Terra não é o centro do Universo, proclamou Galileu Galilei (1564-1642). Por isso quase foi queimado na fogueira pela Inquisição. Para sobreviver, abjurou. Em A Vida de Galileu, Bertolt Brecht (1898-1956) conta as façanhas desse cientista italiano. Ao negar seus próprios estudos, o físico decepcionou seus discípulos. Um deles reclama que uma terra sem heróis é desgraçada. Galileu responde: “Não. Desgraçada é a terra que precisa de heróis”.

Com Denise Fraga no papel central da encenação assinada por Cibele Forjaz, Galileu Galilei dispara metáforas sobre a realidade brasileira, parecendo encomendada para 2016. A montagem bem-humorada, posicionada politicamente, debochada e crítica abre espaço para a aparição dos “coxinhas batedores de panela”, de cabeleiras louras e pela execução do hino da Internacional Comunista. A trilha, assinada por Théo Werneck e Lincoln Antônio, aguça o espírito carnavalesco da encenação.

A montagem produzida por José Maria traz no elenco Ary França, Lúcia Romano, Théo Werneck, Maristela Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luís Mármora, Silvio Restiffe e Daniel Warren. A peça chega ao Recife para um curta temporada no Teatro de Santa Isabel, de 18 a 21 de agosto, quinta, sexta e sábado às 20h; e domingo, às 19h.

Brecht põe em xeque a figura do herói e a sociedade que embaraça a liberdade com seus estranhos jogos de poder

Bertolt Brecht levou mais de uma década para compor o texto dramático Vida de Galileu (Das Leben des Galilei), de 1933, lançado em plena Alemanha nazista, e reelaborado depois. Exilado, o dramaturgo assinou um segundo tratamento, em 1938, na Dinamarca. E conferiu a estreia da a peça em 1943, na Suíça. Ele concebeu uma nova encenação nos Estados Unidos, onde morava, depois do fim da Segunda Guerra e ainda sob o efeito das bombas atômicas de Hiroshima e de Nagasaki. Nas versões apresentadas Galileu ganha as marcas do herói, vítima da Inquisição, mas que continuou a desenvolver suas teorias às escondidas. Ou o protagonista aparece como um homem comum, coberto pela ambição e afetado pelos próprios vícios.

Em 1956, já de volta à Alemanha, Brecht ensejava uma nova montagem para a quarta versão do texto, que seria encenado em seu próprio teatro, o Berliner Ensemble, mas morreu antes da  estreia.

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O cientista vira uma ameaça e cai nas garras da Santa Inquisição

Há muitas camadas de interesses nesse mapa geopolítico habitado por Galileu. No século 17, em plena Contrarreforma, a contenda pela hegemonia política e econômica do mundo movia os reinos conhecidos hoje como Espanha, Inglaterra, França, Alemanha e Holanda (entre outros). O alvo era posse de colônias na América, África e na Ásia. A Europa estava dividida entre União Evangélica de um lado e Liga Católica do outro. Lutero (Alemanha), Calvino (França) e Henrique VIII (Inglaterra) já haviam desafiado a força do Vaticano. A Inquisição precisava mostrar sua força.

Galileu construiu um telescópio com o qual conseguiu comprovar a teoria heliocêntrica do polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), que sustentava que a Terra gravitava em torno do Sol, e não o oposto, como se aceitava desde o modelo geocêntrico de Ptolomeu, do século II. Mas sob a perspectiva da Igreja era inadmissível que Deus não tivesse colocado o homem no centro do universo.

Amigo do Papa Urbano VIII, apreciador de pequenos luxos e dos prazeres mundanos, o astrônomo, físico e matemático italiano tentava harmonizar suas pesquisas e as benesses do poder. Um controverso e rico personagem. Que desperta conflitos éticos. Herói e anti-herói.

A atuação de Denise Fraga no papel do cientista reforça o caráter brechitano da montagem. Alguns procedimentos evidenciam essa quebra da ilusão teatral, como a colocação e retirada da peruca e a exibição da barriga pela atriz, ao assumir as funções de narradora e comentarista.

Galileu, Galilei

Elenco é formado por 10 atores, sob direção de Cibele Forjaz

José Celso Martinez Corrêa dirigiu para o Teatro Oficina uma montagem histórica de Galileu Galilei, que estreou em São Paulo no dia 13 de dezembro de 1968, dia da promulgação do Ato Institucional número 5 – AI5. No elenco estavam os atores Cláudio Corrêa e Castro, Ítala Nandi, Esther Góes, Fernando Peixoto, Renato Borghi, Raul Cortez, Othon Bastos, Otávio Augusto, Pedro Paulo Rangel e muitos outros atores. O espetáculo, de quase 2h30 sem intervalo, estreou em maio de 2015, em São Paulo e ficou nove meses em cartaz.

5 DIII

Montagem traça paralelo com a realidade brasileira

Ficha técnica
Texto: Bertolt Brecht
Elenco: Denise Fraga, Ary França, Lúcia Romano, Théo Werneck, Maristel Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luís Mármora, Silvio Restiffe e Daniel Warren
Direção: Cibele Forjaz
Trilha Sonora: Lincoln Antônio e Théo Werneck
Cenografia: Márcio Medina
Figurinista: Marina Reis
Iluminação: Wagner Antônio
Produção Executiva: Lili Almeida
Direção de Produção: José Maria
Assessoria de Imprensa: Barata Comunicação
Transportadora Oficial: AVIANCA | Patrocínio Exclusivo: BRADESCO
Realização: NIA Teatro, Ministério da Cultura e Governo Federal

Serviço
GALILEU GALILEI
QUANDO: de 18 a 21 de Agosto; Quinta, Sexta e Sábado às 20h; Domingo às 19h
ONDE: Teatro de Santa Isabel – Praça da República, s/n
Quanto: R$70 (inteira) | R$35 (meia-entrada) *** R$52,50 (clientes Bradesco para compra de até 02 ingressos para o titular do Cartão Bradesco, AMEX. Desconto válido para compras na bilheteria, não acumulativo com outros descontos). *** R$ 35,00 (Para clientes e funcionários Avianca na compra de até́ 2 ingressos, mediante apresentação do bilhete aéreo ou do crachá Avianca e documento de identificação. Desconto válido para compras na bilheteria, não acumulativo com outros descontos).
Duração: 130 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Informações: (81) 3355-3322

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