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Um grito feminista contra a violência patriarcal sistêmica

O Coletivo chileno Lastesis compartilha vivências, ações e metodologia de sua trajetória e apresenta a filmagem  El Violador eres Tú e conversa com a pesquisadora e artista Maria Fernanda Vomero. Foto: Divulgação

Un violador en tu camino (Um estuprador no seu caminho), canção criada pelo coletivo chileno Lastesis, se transformou em hino feminista de protesto para mulheres mundo afora. O refrão “e não foi minha culpa, nem onde eu estava nem como me vesti” ultrapassou as fronteiras chilenas e já foi ouvido na Cidade do México, Paris, Istambul, Londres, Madrid e outros lugares onde reuniu mulheres com olhos vendadas, que entoavam a letra com entusiasmo furioso.

Chega de culpabilizar e condenar a vítima! A música assinala os carrascos dessa violência: policiais, juízes, presidentes. O “homem estuprador” (ou “macho violador” em espanhol) é quem deve estar na mira da justiça “o estuprador é você”. Para chegar a essa acusação, as artistas fizeram uma investigação sobre estupro no Chile e nomeia os algozes.

O coletivo Lastesis busca discutir as teorias feministas através da performance, da linguagem audiovisual, da música e da coreografia. Composto pelas artistas Daffne Valdés Vargas, Lea Cáceres Díaz, Paula Cometa Stange e Sibila Sotomayor Van Rysseghem, o Lastesis está sediado em Valparaíso (cidade portuária na costa chilena) e desde 2018 concebe trabalhos que problematizam várias questões de gênero.

Prevista para estrear em 2019, a segunda performance do coletivo El Violador eres Tú, (mesclada de pequenos atos de aproximadamente 15 minutos), precisou ser adiada devido ao levante popular chileno. Mas o trecho Un Violador en tu Camino  foi exibido em 20 de novembro nas ruas de Valparaíso, no evento de artes cênicas Fuegos/Acciones en Cemento, com a colaboração de  45 voluntárias, convocadas pelo Instagram.

Em seguida, Un Violador en tu Camino foi encenado em Santiago em 25 de novembro de 2019, Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, na Plaza de Armas – marco da instituição militar chilena – e na Universidade Sotomayor. O coletivo solicitou que as mulheres fossem com uma venda de tecido preto para os olhos e roupas de festa, em alusão ao verso “a culpa não era do que vestia”. A performance viralizou e foi replicada nas mídias sociais e ruas do Chile. E depois, a intervenção urbana – que ressalta o descaso do Estado, da polícia e da justiça nos casos de estupro e violência contra a mulher – ganhou o mundo.

Segundo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) de 2018, a cada seis horas, uma mulher é vítima de feminicídio no mundo. O que é mais chocante é que 58% delas foram mortas por conhecidos, companheiros e ex-parceiros ou outros familiares. A América Latina é tida como a região do mundo em que as mulheres vivem mais vulneráveis à violência.  

Intervenção urbana do coletivo chileno. Foto: Reprodução da Internet

Como parte da Mostra Fogo nas Entranhas, o Coletivo interdisciplinar e feminista chileno Lastesis apresenta neste sábado (1º/08), às 21h, um registro de sua mais recente performance indoor El Violador eres Tú (performance original de onde o coletivo extraiu a cápsula Un violador em Tú caminho, que viralizou no mundo durante as manifestações populares no Chile no final de 2019). seguido de uma conversa entre as integrantes do Lastesis, a artista e pesquisadora Maria Fernanda Vomero e o público. O grupo compartilha vivências, ações e metodologia de sua trajetória. O acesso é com contribuição voluntária (de 0,00 a 40,00)

O Fogo nas Entranhas integra o projeto Sala Aberta #REC. Com curadoria de Carla Estefan e realização da Metropolitana Gestão Cultural,  juntou trabalhos de artistas femininas que trilham sua pesquisa e experimentação na intersecção entre as linguagens formais e híbridas da cena contemporânea. Já exibiu virtualmente as gravações dos espetáculos Lobo, de Carolina Bianchi Y Cara de Cavalo, feita no Teatro Oficina, e Stabat Mater, de Janaina Leite, realizado no Centro Cultural São Paulo (que também integra o Festival Arte Como Respiro, do Itaú Cultural).

A performance original El Violador Eres Tú estreou em janeiro de 2020 como parte da programação de dois festivais internacionais de Santiago. Na época, a turma foi contactada pela curadoria da HAU – Berlim (Alemanha) para apresentações na capital alemã. O coletivo também foi convidado pela produtora Carla Estefan para vir ao Brasil e solicitado a integrar uma Mostra de Dança do MASP – Museu de Arte de São Paulo. Em virtude da pandemia, o MASP cancelou a exposição e o projeto Sala Aberta #REC realiza a atividade no formato online.

O coletivo Lastesis vai dialogar com a realidade brasileira em uma conversa que promete ser incendiária com a provocadora Maria Fernanda Vomero. As artistas Daffne Valdés, Lea Cáceres, Paula Cometa e Sibila Sotomayor vão falar da motivação de erguer o coletivo, sobre as escolhas das teses feministas e como avaliam a repercussão do ato performático que rodou o mundo. Também estão na pauta da conversa sobre ativismo e performance em tempos de pandemia e de confinamento. Vamos mergulhar na reflexão se é possível ser artivista via plataforma virtual?

COLECTIVO LASTESIS
El Violador Eres Tú
Quando: Dia 1º de agosto, sábado, às 21h
Onde: Online via Zoom
Ingressos: contribuição voluntária de R$ 0,00 a R$ 40,00
www.sympla.com.br/salaaberta

Ficha técnica
Coletivo Lastesis: Daffne Valdés Vargas, Paula Cometa Stange, Lea Cáceres Díaz e Sibila Sotomayor Van Rysseghem
Mediação e Provocação: Maria Fernanda Vomero
Apresentação: Carla Estefan
Apoio na tradução: Amanda Moretto
Distribuição exclusiva e produção da Lastesis no Brasil: Metropolitana Gestão Cultural
SalaAberta#REC Idealização e curadoria: Carla Estefan
Live streaming: Flávio Barollo
Realização: Metropolitana Gestão Cultural
Duração total do encontro: 2h
Recomendação etária: acima de 14 anos

“Un violador en tu camino” (Um estuprador no seu caminho)

El patriarcado es un juez, (O patriacado é um juiz)
que nos juzga por nacer (que nos julga ao nascer)
y nuestro castigo es (e nosso castigo é)
la violencia que no ves. (a violência que não se vê)
El patriarcado es un juez, (O patriarcado é um juiz)
que nos juzga por nacer (que nos julga ao nascer)
y nuestro castigo es (e nosso castigo é)
la violencia que ya ves. (a violência que já se vê)
Es feminicidio (É o feminicídio)
Impunidad para el asesino (Impunidade para o assassino)
Es la desaparición (É o desaparecimento)
Es la violación (É a violação)
Y la culpa no era mía, ni dónde estaba, ni cómo vestía (4x) (E a culpa não era minha, nem onde estava, nem como me vestia)
El violador eras tú (2x) (O estuprador é você)
Son los pacos (policías) (São os policiais)
Los jueces (Os juízes)
El estado (O estado)
El presidente (O presidente)
El estado opresor es un macho violador (2x) (O estado opressor é um homem estuprador)
El violador eras tú (2x) (O estuprador é você)
Duerme tranquila niña inocente, (Dorme tranquila, menina inocente)
sin preocuparte del bandolero, (sem se preocupar com o bandido)
que por tus sueños dulce y sonriente (que os seus sonhos, doce e sorridente)
vela tu amante carabinero. (cuida seu querido carabinero (policial) – os quatro últimos versos foram retiradas de um canto da polícia chilena, uma forma de ironizar a letra da canção, segundo declararam as compositoras)
El violador eres tú (4x) (O estuprador é você)

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Renato Borghi exibe Fim de Jogo no Palco Virtual e outras novidades no site do Itaú Cultural

Fim de Jogo, peça de Samuel Beckett. é apresentada em cinco episódios por Élcio Nogueira Seixas e Renato Borghi (foto) com direção de Isabel Teixeira. Foto: Roberto Setton / Divulgação

O mundo virtual anda tão pleno de ofertas – algumas incríveis – que ficamos perdidos, maravilhados ou até sufocados. Mas algumas experiências são incontornáveis, seja qual for o resultado que provoquem. Um dos artistas que buscamos acompanhar os passos é o ator Renato Borghi, um furacão criativo do teatro brasileiro. Ele é a figura central de duas atrações online promovidas pelo Itaú Cultural em seu site (www.itaucultural.org.br).

De 3 a 7 de julho (sexta-feira a terça-feira), reestreia o espetáculo Fim de Jogo, peça de Samuel Beckett sobre uma situação de isolamento, especialmente gravado em vídeo e dividido em cinco episódios, nas sessões noturnas do Palco Virtual. Já no dia 4 (sábado), Borghi é a personalidade entrevistada no primeiro episódio da terceira temporada do programa semanal Camarim em Cena.

Na peça original do dramaturgo irlandês, Hamm, Clov, Nagg e Nell formam o quarteto imerso nas profundezas de suas consciências. Eles estão isolados em um abrigo e Hamm e Clov compõem diálogos herméticos sobre a condição humana. Artista fracassado, Hamm está cego e paralítico. Clov é seu “empregado” e sofre de uma doença que o impede de sentar-se. Nagg e Nell também têm os corpos deteriorados. Atingidos pelo apocalipse emocional, esses personagens espreitam o mundo pela luneta de Clov.

O texto de Samuel Beckett (1906-1989) foi reformulado para o período atual, em que vivemos isolados por causa da pandemia da Covid-19. Com Borghi e Elcio Nogueira Seixas, o espetáculo foi registrado em vídeo para ser exibido sequencialmente em cinco episódios. Sob direção de Isabel Teixeira, Borghi interpreta o cego e paralítico Hamm e Seixas, Clov. Eles dividem o espaço com os mutilados Nagg e Nell, pais de Hamm e simbolicamente representados por fotografias de Adriano e Maria de Castro Borghi, pai e mãe de Renato.

Nessa terra devastada, eles refletem sobre a causa da situação em que se encontram, se seria um vírus, aberrações sociais, a queimada de florestas ou a automação do emprego, entre outras teorias.

Chapeuzinho Vermelho para crianças e adultos. Foto Adriana Marchiori

Édipo Rei representado pelo toy de Simba, personagem do filme Rei Leão. Foto Walmick Campos

Outras novidades –  Mais dois episódios para a série de curtas-metragens do Quarentena Filmes são disponibilizados com os toymovies criados pelo ator Walmick de Holanda a partir de clássicos do teatro – usando bonecos e outros objetos inanimados. Uma adaptação bem-humorada da tragédia Édipo Rei, de Sófocles leva o personagem-título a ser representado pelo toy de Simba, personagem do filme Rei Leão, que contracena com bonecos dos Ursinhos Carinhosos e Power Ranges, entre outros, em busca por respostas sobre sua origem.

A adaptação de Casa de Bonecas, do texto de Henrik Ibsen, encerra a série e utiliza um tabuleiro de jogo como cenário, para expor os conflitos de uma dona de casa presa ao conservadorismo social e à hipocrisia no final do século XIX.

A peça Chapeuzinho Vermelho, do Projeto GOMPA, do Rio Grande do Sul, entra no ar no sábado, às 11h, numa versão contemporânea feita pelo autor francês Joël Pommerat. A história é narrada em paralelo à produção de imagens e sonoridades diante do espectador, focando no fascínio da transição do mundo infantil ao adulto.

Após a data inicial de apresentação, toda a programação do Palco Virtual fica disponível no site do Itaú Cultural até 10 de julho, com exceção da peça Fim de Jogo, que pode ser assistida até o dia 3 de agosto.

Crítico teatral Valmir Santos entrevista Renato Borghi para o programa Camarim Em Cena. Foto Agência Ophélia

Renato Borghi é protagonista do primeiro episódio da terceira temporada da série Camarim em Cena, que entra no ar no site do Itaú Cultural, a partir das 14h do sábado, 4. O ator de 83 anos conta ao crítico teatral Valmir Santos episódios marcantes de sua vida e carreira, desde o final da década de 1950, quando fundou, ao lado de José Celso Martinez Corrêa, o Teatro Oficina. No Teatro Oficina protagonizou o Rei da Vela (1967). Nos anos de 1970, fundou o Teatro Vivo com Esther Góes, e juntos produziram vários espetáculos entre eles O que Mantém um Homem Vivo, de Bertold Brecht. Na década de 1980 se consolidou também como dramaturgo e escreveu sucessos como Lobo de Ray Ban. Em 1993 fundou o Teatro Promíscuo, com o ator Élcio Nogueira Seixas.

Durante o mês de julho prossegue a terceira temporada do Camarim em Cena, iniciada em maio. Ao todo são 16 entrevistas gravadas, entre 2016 e 2019, com personalidades do teatro, da dança, do circo e da música sobre o ofício e suas particularidades.

No dia 11 é a vez da exibição da conversa é entre o bailarino japonês Tadashi Endo, um dos principais nomes do Butoh no mundo, e a jornalista Marcia Abbos. No episódio que entra o ar dia 18, a crítica Beth Néspoli bate um papo com o diretor, professor e ator Antonio Januzelli, Janô, uma das referências da formação teatral em São Paulo.

A entrevista do jornalista Jotabê Medeiros com a cantora Angela RoRo – única convidada do universo da música no programa – encerra essa terceira temporada no dia 25. .

A última temporada online do Camarim em Cena poderá ser vista em agosto. Os convidados são a atriz Laura Cardoso, o ator Fernando Sampaio, da Cia LaMínima de Circo e Teatro, a atriz, diretora e dramaturga Grace Passô. A série fecha com uma edição especial com José Celso Martinez Corrêa, gravada na sede do Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, em São Paulo.

PROGRAMAÇÃO PALCO VIRTUAL

3 de julho (sexta-feira), às 21h
Abertura: Édipo Rei
Quarentena Filmes/ Walmick de Holanda
Duração: 5 minutos
Classificação indicativa: 10 anos

Espetáculo: Fim de Jogo (episódio 1)
Com Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas
Duração: 23’17’’
Classificação indicativa: 12 anos

4 de julho (sábado)
Às 11h, espetáculo infantil: Chapeuzinho Vermelho
Com Projeto GOMPA
Duração: 48 minutos
Classificação Indicativa: 10 anos
https://www.itaucultural.org.br/presskit/mostra-rumos-2017-2018/images/resized_libras.jpg?crc=3894348923

Às 21h, abertura: Casa de Bonecas
Quarentena Filmes/ Walmick de Holanda
Duração: 7 minutos
Classificação indicativa: 10 anos

Espetáculo: Fim de Jogo (episódio 2)
Com Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas
Duração: 29’32’’
Classificação indicativa: 12 anos

5 de julho (domingo), às 21h
Espetáculo: Fim de Jogo (episódio 3)
Com Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas
Duração: 20’02’’
Classificação indicativa: 12 anos

6 de julho (segunda-feira), às 21h
Espetáculo: Fim de Jogo (episódio 4)
Com Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas
Duração: 21’43’’
Classificação indicativa: 12 anos

7 de julho (terça-feira), às 21h
Espetáculo: Fim de Jogo (episódio 5)
Com Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas
Duração: 31’10’’
Classificação indicativa: 12 anos

SERVIÇO:
Palco Virtual
De 3 a 7 de julho (sexta-feira a terça-feira)
No site do Itaú Cultural: www.itaucultural.org.br

Camarim em Cena com Renato Borghi
Mediação: Valmir Santos
Dia 4 de julho (sábado), a partir das 14h
No site www.itaucultural.org.br

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Casa Maravilhas exibe “teatro live” Vulvas de Quem?

Cira Ramos, a diretora; Márcia Cruz, a atriz e Ezter Liu, a escritora. Projeto Teatro de Quinta, da Casa Maravilhas apresenta Vulvas de quem?, na página do espaço cultural no Instagram (@casamaravilhas).

O título Vulvas de Quem?, já diz tudo, anota a diretora Cira Ramos. Sim, sim. Sinaliza amplitude e profundidade da temática. Ser mulher é bem complexo, uma força que se expande e multiplica exponencialmente. A atriz Márcia Cruz gradua o feminino numa narrativa urgente, para contar com o fôlego possível as dores de milhares de úteros dentro do seu útero. É dizer o que precisa ser dito. E repetir. “A peça fala de sororidade, de empatia, de dores e dificuldades, da necessidade de estarmos unidas, e de termos visibilidade. É sobre tudo isso” comenta Cira Ramos.

O texto é extraído de dois contos da escritora pernambucana Ezter Liu, Vulvas Brancas e Quem?, do livro Das tripas coração, vencedor do Prêmio Pernambuco de Literatura de 2017.

O “teatro live” integra a temporada do Teatro de Quinta da Casa Maravilhas em tempos de pandemia Covid-19. Os ensaios, leituras e reuniões são tocados há meses de forma remota. São três quintas-feiras, três autores, três atores e três diretores.

Começou na quinta-feira passada, dia 11, com Inflamável, de Alexsandro Souto Maior, com direção de Quiercles Santana e atuação de Paulo de Pontes. A apresentação, com centenas de visualizações, ainda está disponível no Instagram da Casa Maravilhas.

Na próxima semana é a vez de Brabeza Nata, que trata das memórias de um homem que nasceu “na periferia do interior do interior, sua relação com a mãe que o renega desde o parto e com a avó que sempre o acolheu. Alexandre Sampaio investiga como estará esse homem hoje, no que ele se transformou, no trabalho com texto de Luiz Felipe Botelho, dirigido por Cláudio Lira.

A live é livre mas a contribuição espontânea será muito bem-vinda por razões conhecidas por todos. Os depósitos realizados em qualquer data serão rateados entre os envolvidos e a Casa Maravilhas ao final da temporada.

SERVIÇO
VULVAS DE QUEM?
De Ezter Liu.
Direção: Cira Ramos.
Atuação: Márcia Cruz.
Onde: Instagram da Casa Maravilhas (@casamaravilhas).
Quando: 18/junho, 20h 

BRABEZA NATA,
de Luiz Felipe Botelho.
Direção: Cláudio Lira.
Atuação: Alexandre Sampaio.
Onde: Instagram da Casa Maravilhas (@casamaravilhas).
Quando: 25/junho, 20h 

Dados para contribuições:
Banco do Brasil
Agência: 1833-3
Conta corrente: 48.359-1
CNPJ: 16.931.050/0001-22
Márcia Sousa e Cruz

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Grupos que mantêm sedes e atividades de formação sem perspectiva de apoio

Fiandeiros possui Escola há dez anos

Enquanto os trabalhadores da cultura de todo o país aguardam a votação da Lei de Emergência Cultural, os dias vão passando. Para os grupos e coletivos de artes cênicas pernambucanos, as incertezas e inseguranças são potencializadas pela falta de ação também nos âmbitos estadual e municipal. O cenário é de preocupação – com a subsistência desses trabalhadores e com a manutenção dos espaços físicos.

O Poste Soluções Luminosas, grupo de teatro negro, possui um espaço cultural desde 2014, no térreo do prédio na Rua da Aurora, esquina com a rua Princesa Isabel, no bairro da Boa Vista. Neste primeiro semestre, finalizaríamos a segunda fase do projeto Música no Espaço O Poste e começaríamos a terceira edição do projeto Escola O Poste de Antropologia Teatral.  Tivemos que suspender toda a agenda de shows, assim como a continuidade dos processos que envolvem a produção da Escola”, explica Naná Sodré, atriz, diretora e produtora do grupo. “Sim, há risco de fechamento, pois quando ocorre a interrupção dessas atividades que são fundamentais para a manutenção, não temos como prosseguir”, avalia.

A Cênicas Companhia de Repertório inaugurou o Espaço Cênicas em 2010, no segundo andar de um prédio na Rua Vigário Tenório, no Recife Antigo. “Quem possui um espaço cultural sem patrocínio público ou privado neste país convive permanentemente com o risco de fechamento. Agora, com o agravamento desta pandemia, esse risco se torna ainda mais iminente. A nossa receita caiu praticamente mais de 80%. Só temos uma turma de alunos ativa e as despesas mensais continuam. Nossa receita vem dos cursos e atividades artísticas do espaço e a nossa reserva financeira já está no limite”, explica Antônio Rodrigues, diretor do grupo.

Diante da fragilidade das políticas públicas – o que nunca foi novidade para a classe artística, mas se acentuou com a pandemia -, os enredos são bem parecidos. O grupo Fiandeiros se preparava para comemorar os 10 anos da Escola Fiandeiros, que funciona no prédio na Rua da Matriz, na Boa Vista, e serve também como sede e espaço cultural. “Os impactos já são enormes. O Espaço é nossa principal fonte de arrecadação e, ao mesmo tempo, a nossa principal fonte de despesas. Interrompemos abruptamente a arrecadação, mas as despesas continuaram as mesmas mesmo com ele fechado. Nosso sustento enquanto grupo e, principalmente, enquanto Espaço, depende da renda que vem dos cursos, dos espetáculos e das atividades que geramos nele. A outra fonte de receitas, que viria da venda de espetáculos, temporadas, e tudo mais, está completamente parada. Estamos, ao final desses dois meses, tentando administrar um cronograma financeiro com muito esforço, vindo das ações remotas, que possa ao menos permitir a subsistência do Espaço pelo tempo que der”, avalia Daniela Travassos, atriz e diretora do grupo Fiandeiros.

Os Espaços O Poste Soluções Luminosas, Cênicas e Fiandeiros possuem uma característica significativa em comum: os três também são locais para formação e atividades pedagógicas. No caso da Cênicas e da Fiandeiros, algumas turmas prosseguiram no formato online. “A Turma do Curso de Teatro Cênicas Cia 2020 estava praticamente fechada, deveria ter iniciado no final de março, porém com a quarentena instalada, as aulas foram adiadas por tempo indeterminado, juntamente com o Curso Dramaturgia do Ator. Atualmente, estamos com uma única turma de teatro ativa, que já tinha iniciado as aulas em 2019. O Curso de Iniciação Musical para o Teatro está acontecendo com aulas online, duas vezes por semana, com duração de três horas diárias”, conta Rodrigues.

Aula virtual da Cênicas Cia de Repertório

Na Escola Fiandeiros, quatro turmas estão com aulas pela internet. “Adaptamos todos os planejamentos, revimos conteúdos para serem repassados remotamente e estamos, aos poucos, inserindo a corporalidade, o treinamento vocal e o exercício da interpretação experimentado à distância. Estamos nos surpreendendo com o resultado e com o envolvimento dos alunos, embora saibamos que falta o essencial, que é a presença. Mas, talvez, a realidade imposta e a necessidade da troca estejam aquecendo essa relação que acreditamos que fosse ser fria a princípio. Perdas existem. Teatro é coletividade, é troca, é presença. Mas também é reinvenção. É adaptação aos momentos e às tecnologias existentes”, avalia Daniela Travassos.

No Poste, ainda estão abertas as inscrições para a Escola de Antropologia Teatral. As aulas desta terceira turma do programa, que tem como incentivadores Eugenio Barba e Julia Varley, deveriam ter começado no dia 2 de abril. O grupo aderiu às lives para a divulgação da campanha “Apoie o Espaço O Poste, não deixe fechar!”, que está com link no Catarse.

Eugenio Barba e Julia Varley, em visita ao Espaço O Poste

Cênicas e Fiandeiros ainda não fizeram campanhas de arrecadação, mas não excluem a ideia. Afinal, não há nenhuma expectativa para um suporte governamental, seja para artistas, grupos ou espaços. Para Daniela Travassos, “quando não há uma política estruturada para uma classe, fica difícil até atuar em cenários de urgência. Agora, o que tem são alguns artistas aguerridos lutando e falando por uma classe inteira, tentando achar uma maneira de dividir migalhas entre todos, porque o governo até agora acha que manter os editais já é o suficiente. Nós seguimos fazendo o que podemos: contribuindo para as discussões, inscrevendo em todos os editais possíveis, investindo grana pessoal, trabalhando em prol do nosso Espaço, que é da cidade e das pessoas, investindo na formação e tentando manter as ações que podemos”.

Para saber mais sobre as ações dos grupos, siga os espaços e companhias na rede:

@oposteoficial

@fiandeirosdeteatro

@espacocenicas | @cenicascia

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Matéi Visnic é sugado para o Zoom

Pandas, ou era uma vez em Frankfurt, com Mauro Schames e Nicole Cordery com direção de Bruno Kott. Fotos: Divulgação

Trabalho artístico gestado na quarentena.

Pandas, ou era uma vez em Frankfurt é uma experiência artística online, ao vivo, inspirada no texto teatral História do Urso Panda (contada por um saxofonista que tem uma namorada em Frankfurt), do dramaturgo romeno Matéi Visnic. O projeto foi concebido durante a quarentena da Covid-19 com os artistas envolvidos isolados em suas casas. Foi articulado para o Edital do Itaú Cultural; que não foi selecionado. Mas o trabalho já estava aceso. A atriz Nicole Cordery e o ator Mauro Schames seguiram com Pandas e junto com o diretor Bruno Kott trabalharam pelo aplicativo Zoom. O programa fica em temporada de 15 de maio a 6 de junho.

Na dramaturgia do romeno radicado em Paris, Ele pede a Ela nove noites. O pacto se realiza, e um mundo à parte é criado, envolto em enigmas. A leitura da equipe é da relação de um homem com a morte, potencializada nestes tempos de incertezas, de medo e insegurança.
Nessa versão, o texto de Viniec dura 40 minutos e Kott carrega a cena com um trecho do filme O bandido da luz vermelha, de Rogerio Sganzerla, de 1968, em que indica que terceiro mundo vai explodir!

A direção segue as indicações de humor, que considerada um caminho afetuoso para reflexão de temas existenciais. “Optamos por imagens nonsense, que quebrassem o código do realismo, que servissem como gatilho para um entendimento menos racional, e mesmo com atores atuando num fundo infinito para a câmera do notebook, não trouxessem uma atmosfera cinematográfica, mas sim, teatral”, adianta o diretor. “O que me guiou para essa narrativa tanto dramatúrgica quanto estética, foi a teoria do multiverso, que explora realidades paralelas como uma opção de existência”, entrega Bruno Kott, que lembra que o online já é uma realidade paralela.

Tudo se torna muito intenso nesses tempos de confinamento. E estranhos. Ensaios exaustivos diários, repetições estudo de texto, pesquisa de linguagem, crises dos atores, receios de se adequar a tantas mudanças. Distâncias são subvertidas. Nicole falou com o autor Matéi Visniec, por e-mail, que respondeu prontamente, autorizando seu texto para a experiência. Por outro lado, a atriz não conhece pessoalmente o encenador Bruno Kott.

“Como manter a teatralidade inerente ao texto estando a um palmo de uma câmera?”, questiona Nicole, expondo suas tormentas durante processo. A equipe de criação prefere não chamar o trabalho de teatro.

A experiência acontece no esquema Pague Quanto Puder e toda a renda será revertida para o Fundo Marlene Colé. Os microfones do público vão ficar ligados durante a apresentação – assim será possível acompanhar a reação da plateia. Merde!

Ficha técnica:
Texto: Matéi Visniec
Direção e dramaturgismo: Bruno Kott
Elenco: Mauro Schames e Nicole Cordery

Serviço:
Temporada: De 15 de maio a 6 de junho de 2020, Sextas e sábados às 20h
Onde: Na Plataforma Zoom
Ingressos: Pague Quanto Puder (a renda será destinada ao Fundo Marlene Colé)
Via Sympla
Duração: 40 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

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