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Programação para crianças no Marco Camarotti

Noite dos palhaços abriu Mostra Marco Camarotti. Foto: Renata Pires

Noite dos palhaços abriu Mostra Marco Camarotti. Foto: Renata Pires

Começou na última quinta-feira (20), com dois shows de variedades de palhaços, a Mostra Marco Camarotti de Teatro para a Infância e Juventude. Além de fazer um recorte da produção para a infância, a programação – que teve curadoria de Ailma Andrade e Rodrigo Cunha – resolveu abarcar várias montagens que trabalham com a linguagem do clown. Os Doutores da Alegria, por exemplo, voltam a apresentar Poemas esparadrápicos, a primeira montagem do seu repertório, de 2005, que não era vista no Recife desde 2009, e Palhaços em ConSerto. Tem ainda produções de grupos como a Cia 2 em Cena, Circo Godot e Animée.

Os ingressos para os espetáculos custam R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada). Escolas públicas podem fazer agendamento prévio pelo telefone (81) 3216-1728 e não pagam entrada.

Programação // Mostra Marco Camarotti de Teatro para a Infância e Juventude

22/03, às 16h
Poemas Esparadrápicos – Doutores da Alegria (PE)

Poemas esparadrápicos

Poemas esparadrápicos

O que você imagina de um encontro entre palhaços? Muito riso, alegria, gargalhada… e Música? Pois é, quando os palhaços dos Doutores da Alegria se reúnem para uma brincadeira chamada “Eu sou o poeta” muita música aparece… Poemas Esparadrápicos – o musical é um espetáculo para crianças estruturado a partir de um feliz encontro entre palhaços e músicos. Uma viagem pela delicadeza do cômico, inspirado nos micro-poemas para crianças contidos no livro “Poemas Esparadrápicos” (publicado em 2004) pelos Doutores da Alegria. Neste espetáculo nem tudo que você vê é o que é, mas pode ser aquilo que você deseja que seja.

23/03, às 16h
Palhaços em ConSerto – Doutores da Alegria(PE)

Palhaços em ConSerto. Foto: Pollyanna Diniz

Palhaços em ConSerto. Foto: Pollyanna Diniz

Musical idealizado a partir dos números improvisados durante as visitas hospitalares, a montagem mescla canções criadas pelo elenco e algumas de domínio público. Primando por espetáculos que privilegiam a música, os doze palhaços cantam e tocam ao vivo. Os palhaços interagem com a platéia na comunicação baseada na ética da alegria, no bom gosto e, sobretudo no bom humor.

26/03, às 15h
Quem Tem, Tem Medo – Remo Produções Artísticas (PE/BR) e ENTREtanto Teatro (PT)

Releitura do clássico original dos irmãos Grimm, Capuchinho Vermelho – Chapeuzinho Vermelho. Uma produção Luso – Brasileira, dos grupos Entretanto Teatro, de Valongo e Remo Produções Artísticas do Recife –PE. Três autores em cena interpretam através do canto e da dança a história da Chapeuzinho Vermelho.

27/03, às 10h
Como a Lua – Carlos Lira e Elias Vilar / PE

Como a lua. Foto: Laryssa Moura

Como a lua. Foto: Laryssa Moura

Oito atores em cena interpretam, cantam e tocam ao vivo músicas compostas por João Falcão. A história de amor do índio Payá, pela bela índia Colón. O deus Rudá brinca com os sentimentos do indiozinho, que não é um bravo guerreiro nem um bom caçador. Rudá faz com que Colón despreze Payá, que é ridicularizado pelos bichos (macaco, papagaio, arara, capivara e cutia) da mata. Payá fica sabendo através de uma capiviara, que Colón partiu para bem longe, com um bravo guerreiro e bom caçador. Payá pede ajuda ao deus Rudá, que com pena do pobre índio, faz com que ele durma por 100 anos, na tentativa de esquecer Colón. Quando Payáacorda, toda a mata se transformou numa grande cidade. As crianças que brincavam com um fantoche, ao vê-lo chegar, acreditam que Payá é um palhaço de um circo que chegou à cidade.Payá vê entre os brinquedos das crianças, uma flor, idêntica à que Colón usava no cabelo e diz: ” Tudo que nasce, morre. E tudo que morre, torna a nascer. Como a Lua!”

29/03, às 16h
De Íris ao Arco-Íris – Andréa Veruska, Jorge de Paula e Karla Martins (PE)

Uma lagarta muito curiosa, chamada Íris, sonha em morar em um lugar onde possa encontrar as respostas para os seus questionamentos. O espetáculo de Íris ao Arco-íris é um mergulho em um universo fantástico repleto de personagens carregados de sentimentos,indagações e conflitos, além de fazer refletir sobre uma temática inevitável a qualquer ser e vista como tabu para a maioria das pessoas: a morte.

30/03, às 16h
As Levianinhas em pocket show para crianças – Cia Animée (PE)

As Levianinhas em pocket show para crianças. Foto: Pollyanna Diniz

As Levianinhas em pocket show para crianças. Foto: Pollyanna Diniz

Híbrido de teatro, música e circo, As Levianas – banda de palhaças cantam e tocam ao vivo um repertório especialmente para as crianças neste espetáculo. Com canções como “La Vaca Lola”, “O sapo não lava o pé” e repertório de “Alvin e os Esquilos”, as quatro palhaças constróem o show a partir do humor leve e irreverente. Entremeado de gag’s, trapalhadas e interações, Aurhelia, Baju, Mary En e Tan Tan entram no palco e aos poucos subvertem a ordem no sentido de que a boa desordem é sempre bem vinda!

02/04, às 15h
Era Uma Vez Um Rio – Cênicas Cia de Repertório (PE)

Era uma vez um rio. Foto: Diego Melo

Era uma vez um rio. Foto: Diego Melo

Nesta comovente história de amor à natureza, Guto ao voltar adulto à sua cidade natal, fica surpreso com a degradação em que seu velho amigo, o Rio, se encontra. É desse encontro que surge uma incrível viagem no tempo, e, através da memória, ele irá reviver os passos deste amor, desde sua infância até os dias de hoje. Nesta jornada, Guto irá se deparar com incríveis personagens: de familiares à antiga professora e amigos dos tempos de menino. Com trilha sonora executada ao vivo, a peça revela os encantos de uma comunidade ribeirinha e suas cantigas e lendas, numa história de aprendizagem, repleta de ternura, poesia e memórias.

03/04, às 10h
O Circo de Lampezão e Maria Botina – Caravana Tapioca (PE)

Cavaco e Nina contam a história de um casal anônimo que viveu no sertão: Maria Botina, que sonha em ser levada por um cangaceiro; e Lampezão, que finge ser valente para impressioná-la. Em meio a muitas trapalhadas nessa conquista, os dois tocam música ao vivo, fazem malabarismo com baldes, mágicas, número de chicotes, entre outras habilidades circenses.
* Espetáculo com audiodescrição e tradução em libras

05/04, às 16h
Le Petit, Grandezas do Ser – Circo Godot de Teatro (PE)

Terceiro trabalho da Companhia Circo Godot de Teatro, Le Petit Grandezas do Ser parte das relações de amizade descritas por Antoine de Saint-Exupéry para apresentar um universo fabular em que a fidelidade a um amigo doente e o medo da solidão são os princípios dramatúrgicos para ações que fundam uma narrativa lúdica e poética. Lançando mão de de gags, brincadeiras, malabares, equilibrismos e acrobacias Le Petit Grandezas do Ser é um lírico e engraçado germinador de reflexões, para adultos e crianças sobre viver, morrer e aprender a ser verdadeiramente companheiro do outro.
* Espetáculo com audiodescrição e tradução em libras

06/04, às 16h
Estação dos Contos – Grupo Estação de Teatro (RN)

Espetáculo de contação de histórias intercaladas com músicas executadas ao vivo e brincadeiras populares. As histórias de tradição popular “Brinquinhos de Ouro”, “O macaco e a velha”, “A procissão dos mortos”, “O céu de estrelas” e “O caso do Bolinho” são intercaladas com músicas originais, especialmente compostas para o espetáculo, além de músicas do cancioneiro infantil como “Se essa rua fosse minha” e “Encontrei Nossa Senhora”, entre outras. Três atores criam um enredo dinâmico com interferências da plateia. Já as brincadeiras populares como “Boca de Forno”, “Se eu digo sim, você diz não”, “Bambu” e “Coco dos animais” garantem na prática, uma vivência fundamental e a diversão da criançada.

09/04, às 15h
Camaleão e as Batatas Mágicas – Laboratório de Artes Cênicas da Licenciatura em Teatro/UFPE (PE)

Espetáculo resultante do processo de encenação dos alunos da Licenciatura em Teatro da Universidade Federal de Pernambuco, utilizando-se de textos dramáticos de Maria Clara Machado (1921-2001), por intermédio da tetralogia a partir da personagem do Camaleão Alface.
O espetáculo é uma prática exploratória de encenação a partir de uma concepção e direção coletiva, que busca uma relação com o público infantil a partir de uma experiência estética.

10/04, às 10h
Brincando no Picadeiro – Caravana Tapioca (PE)

Espetáculo de variedades circenses com cenas variadas do repertório do grupo. Malabarismo, magia, improviso e muita palhaçaria fazem parte do roteiro. Tudo isso embalado aos sons do saxofone da Nina e do acordeon do Cavaco, que transportam o espectador para o mundo do circo. Um espetáculo para todas as idades, onde o público participa ativamente do início ao fim!

12/04, às 16h
Reprilhadas e Entralhofas: Um Concerto para Acabar com a Tristeza – Cia 2 Em Cena (PE)

Quando três palhaços descobrem quão grande é a tristeza do mundo, resolvem fazer um concerto de palhaçadas espalhando alegria mundo a fora. Mas em meio às reprises, palhaçadas, entradas e galhofas, eles descobrem que no mundo tem muita tristeza pra pouco palhaço, mas também como é grande o batalhão trabalhando em prol da alegria.

13/04, às 16h
Salada Mista – Cia 2 em Cena (PE)

Divertida brincadeira de criança que mescla teatro, música e palhaçaria. Sete crianças recriam o clássico conto de fadas “Chapeuzinho vermelho”, que vira uma telenovela ambientada na década de 60 e com músicas clássicas da Jovem Guarda. Entre um capítulo e outro o público se diverte com números de palhaços. Com música ao vivo o espetáculo fala de amor de uma forma lúdica e divertida, discutindo questões como: conquista, namoro, casamento, traição, separação e violência domestica.
O espetáculo é indicado para crianças a partir de 03 anos.
* Espetáculo com audiodescrição e tradução em libras

Ações formativas

25/03, às 19h30
Ensino do teatro na educação infantil: brincando com os diversos aspectos do fazer teatral. – Uma roda de conversa com Professor Luís Reis e os alunos da disciplina Metodologia do Ensino de Teatro 2, Curso de Licenciatura em Teatro, da UFPE.
Mediação: Galiana Brasil
Local: Teatro Marco Camarotti
Entrada Franca

10/04, às 19h30
Teatro para Crianças no Recife – 60 Anos de História no Século XX
Apresentação da pesquisa realizada pelo jornalista e ator Leidson Ferraz que faz um mapeamento histórico das mais significativas realizações teatrais para crianças no Recife desde 1939, ano de lançamento das matinais infantis dominicais no palco do Teatro de Santa Isabel, até o encerramento do século XX, no ano de 1999, ou seja, 60 anos de produções teatrais recifenses para a infância, com extensão a outros municípios pernambucanos.
Apresentação: Leidson Ferraz
Participação: José Manoel Sobrinho
Mediação: Galiana Brasil
Local: Teatro Marco Camarotti
Entrada Franca

Oficinas

Vivência de Palhaços para Crianças
Crianças de 5 a 10 anos
05 e 04/04, no horário das 09h às 12h
Oficineira: Tâmara Floriano

Pírulas de Palhaço
Para atores e palhaços iniciantes
12 e 13/04 (Pírulas), no horário das 8h às 13h (10 horas)
Oficineira: Enne Marx

Enne Marx. Foto: Pollyanna Diniz

Enne Marx. Foto: Pollyanna Diniz

Exposição

Teatro para Crianças no Recife – 60 Anos de História no Século XX
Exibição das fotos raras das peças, programas de espetáculos e de personalidades que fazem parte da pesquisa realizada pelo jornalista e ator Leidson Ferraz, que faz um mapeamento histórico das mais significativas realizações teatrais para crianças no Recife desde 1939.
Local: Foyer do Teatro Marco Camarotti
Quando: Durante 2 horas antes da apresentação dos espetáculos e ações da Mostra Marco Camarotti de Teatro para a Infância e Juventude.
Entrada Franca

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E começou o Festival Recife do Teatro Nacional

Os gigantes da montanha, do grupo Galpão. Foto: Pollyanna Diniz

Os gigantes da montanha, do grupo Galpão. Foto: Pollyanna Diniz

O Festival Recife do Teatro Nacional começou neste último fim de semana com duas das suas principais atrações de fora: o Galpão, de Minas Gerais, e a Armazém Cia de Teatro, do Rio de Janeiro. A abertura foi com Os gigantes da montanha, do Galpão, na sexta-feira, para um bom público no Sítio da Trindade, depois de um discurso breve da secretária de Cultura Leda Alves. “Esta gestão tem uma política cultural traçada e que, aos pouquinhos, a gente está cumprindo, implantando, na medida do possível, uma cultura comprometida com a democracia, com possibilidades e oportunidades”, afirmou.

Foi um início de altos e baixos, tanto na qualidade da programação quanto com relação à lotação das casas. Se a Armazém teve um bom público no sábado no Teatro Barreto Júnior, sem nenhuma dificuldade para que as pessoas conseguissem ingresso, a montagem infantil pernambucana De Íris ao arco-íris, por exemplo, levou só 22 pessoas ao teatro no sábado. As Bufa, no Santa Isabel, teve pouca gente na plateia tanto no sábado quanto no domingo.

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Os gigantes da montanha – Grupo Galpão (MG)

Definitivamente, o texto de Luigi Pirandello não é fácil. Principalmente para uma montagem de rua, em que a dispersão se dá facilmente. Tanto em Garanhuns quanto aqui no Recife, no Sítio da Trindade, a proximidade com a plateia diminuiu a dificuldade de imersão na obra, mesmo que ela seja intrincada, tenha várias camadas: a realidade, o sonho, a loucura, a ficção, o mito, a peça dentro da peça. O Galpão não abriu concessões, não seguiu o caminho mais fácil, ao montar Os gigantes da montanha. Ao mesmo tempo, criou uma peça que encanta os sentidos – é plasticamente bela, com seus cenários e figurinos; e a trilha sonora tocada e cantada ao vivo é de músicas italianas.

Montagem tem texto de Pirandello

Montagem tem texto de Pirandello

A marca da água – Armazém Cia de Teatro (RJ)

A peça que comemora os 25 anos da Armazém Cia de Teatro nos surpreende pela plasticidade. O cenário tem um espelho de água, uma piscina em que os atores se molham, jogam água para cima e acabam construindo imagens que se somam às projeções e à iluminação de Maneco Quinderé. Apuro técnico e delicadeza visual que não necessariamente encontram paridade no texto. É a história de uma mulher, dos seus traumas e tragédias familiares, das suas relações, da memória, da loucura. Mas o texto não consegue de fato se aproximar do público, há um desnível nessa recepção. Patrícia Selonk assume o papel chave da montagem e a responsabilidade de segurar um elenco disperso, sem brilho, sem composições de destaque.

Armazém Cia de Teatro voltou ao Recife com A marca da água. Foto: Pollyanna Diniz

Armazém Cia de Teatro voltou ao Recife com A marca da água. Foto: Pollyanna Diniz

Luiz Lua Gonzaga – Magiluth (PE)

O Magiluth sempre foi um grupo de temáticas e escolhas muito “urbanas”. Então era mesmo um grande desafio falar sobre Luiz Gonzaga, mesmo que grande parte dos seus integrantes tenha vindo de lugares do interior, onde São João, forró e sanfona são elementos tão fortes. O Magiluth se aproxima de Gonzaga de maneira muito despretensiosa e conquista o público aos pouquinhos, com a inteligência na costura do enredo, que parte do mote de uma espera. Todos aguardam a chegada de um homem; enquanto isso, preparam a festa, desfiam memórias de lugares, de tradições, de cotidianos simples. O São João da infância de Giordano Castro serve para falar dos nossos próprios ou, porque não, a aversão à festa que tinha Pedro Wagner. Todos sentimos saudades e bebemos o morto. Celebramos a fartura e ficamos tristes na sequidão. Rimos e cantamos juntos as músicas tão clássicas que compõem o espetáculo. Mais uma vez, o que se sobressai no palco é o jogo entre os atores e a sensação de que eles nasceram para fazer aquilo. Que não estariam mais felizes em nenhum outro lugar, senão ali, fazendo o que acreditam. Ainda quero voltar a esse trabalho!

Peça Luiz Lua Gonzaga foi apresentada no Sítio da Trindade. Foto: Pollyanna Diniz

Peça Luiz Lua Gonzaga foi apresentada no Sítio da Trindade. Foto: Pollyanna Diniz

As Bufa – Casa de Madeira (RS)

Aline Marques e Simone De Dordi são as intérpretes de duas mendigas que ocupam um teatro abandonado. Um local de ratos, sujeira e decadência. Apesar do vigor das duas atrizes e da intensidade com quem se jogam nos papeis, é no texto que está o principal problema de As bufa. Nas escolhas dramatúrgicas que não vão além do óbvio, na costura de críticas tão claras e rasas que perdem o vigor. São caricaturas pelas caricaturas. A massificação, o consumismo, a falsa religiosidade, a globalização. Tudo isso de uma forma rasteira, sem raízes, sem aprofundamentos, sem sutilezas, nuances ou surpresas para o público.

As bufa fez humor raso e sem consistência. Foto: Pollyanna Diniz

As bufa fez humor raso e sem consistência. Foto: Pollyanna Diniz

Agenda desta noite:

Vestígios (Relicário / PE)
Onde: Teatro Apolo, às 19h

Hospital da gente (Grupo Clariô de Teatro / SP)
Onde: Espaço Fiandeiros, às 20h

As Três Irmãs (Traço Cia de Teatro / Companhia Zero/ SC)
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho, às 21h

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Os rumos de um festival

Coletiva de imprensa do Festival Recife do Teatro Nacional. Foto: Luciano Ferreira/divulgação

Coletiva de imprensa do Festival Recife do Teatro Nacional. Foto: Luciano Ferreira/divulgação

“Começou nesta sexta-feira (22) mais uma edição do Festival Recife do Teatro Nacional”. Talvez essa não seja a frase mais apropriada para iniciar esse texto. Talvez não seja só “mais uma edição”. Depois de 15 anos, é a primeira vez em que o festival sofreu realmente uma alteração no seu perfil. Se quando foi criado e ao longo de todos esses anos, a mostra serviu para trazer ao Recife espetáculos de grupos que estivessem se destacando no cenário nacional, fosse pela excelência artística, pelas novas proposições à cena, pelas experimentações de linguagem (além de congregar os espetáculos locais, mas nunca como foco principal), desta vez, esses não foram elementos norteadores.

Como explicou o gerente do Centro Apolo-Hermilo e coordenador do festival, Carlos Carvalho, durante a coletiva de imprensa do lançamento do FRTN, realizada no Teatro Apolo, “o que se apresenta para este presente e para o futuro é que aqui agora não vão estar só os grandes. Os grandes neste sentido daqueles que têm os melhores patrocínios, os melhores esteticamente, etc. Vai (sic) estar os grandes, os pequenos que fazem o melhor naquele lugar, etc, etc. A gente não está negando o passado. A gente está tentando encontrar um caminho novo”.

Para que a grade do festival fosse montada – com apenas dois espetáculos de grupos de fora de projeção realmente nacional – o Galpão e a Armazém Cia de Teatro, um edital foi colocado na praça para que os grupos se inscrevessem. De acordo com o coordenador do festival, 150 inscrições foram recebidas.

“O recorte é o teatro do possível do Brasil. Isso é lindo. Isso é lindo. Com todo o respeito, eu não sei qual seria o curador que iria a Taboão da Serra ou iria a uma tribo indígena. Mas a tribo indígena poderia dizer: olha, eu estou fazendo um teatro aqui na minha taba. E por isso ele não é moderno, ele não é contemporâneo, ele não é bom? Ele é bom no possível dele para o Brasil. Essa diversidade nos interessa neste momento. Eu acho que não tem nenhuma questão de ser contra ou a favor. É questão de opção política”, explica Carlos.

Uma comissão formada pela atriz, diretora e gestora cultural Maria Clara Camarotti, pelo ator e representante do Conselho Municipal de Política Cultural do Recife Paulo Maffe, e o ator, diretor e gestor Williams Sant’Anna escolheu os 18 espetáculos que serão apresentados no festival deste ano.

Segundo Gustavo Catalano, gerente Geral de Ações Culturais da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, a participação da comissão retirada no Fórum de Artes Cênicas realizado em agosto, no Mamam, foi “efetiva” na construção da mostra.

Além de Carlos Carvalho e Gustavo Catalano, a secretária de Cultura Leda Alves também participou da coletiva de imprensa.

……

Questões que talvez devessem fazer parte de uma discussão com a classe:

– É importante para a cidade que o perfil do Festival Recife do Teatro Nacional (assim como o Janeiro de Grandes Espetáculos e o Palco Giratório têm os seus perfis) seja mantido?
– O FRTN precisa ser repensado. Mas esse é o melhor caminho de o festival fazer diferença para a cidade?
– Os grupos de maior projeção no país, que não necessariamente são ricos e têm patrocínio (na maioria das vezes não tem, como sabemos!), vão realmente se inscrever em editais para virem ao Recife?
– Como deve ser a valorização da classe artística na política cultural da Prefeitura do Recife? Garantindo, por cota e norma, que 50% das vagas do festival são dos pernambucanos?
– E as condições dos teatros no Recife?
– E o SIC?
– E o fomento municipal?
– E a formação?

……

Usando as palavras de Ivana Moura durante a coletiva de imprensa, nossa posição aqui no Satisfeita, Yolanda? sempre foi e será o questionamento.

…….

Uma das perguntas de Ivana Moura durante a coletiva foi sobre o gerente de teatro, já que estamos em novembro e a equipe de gestão relacionada às artes cênicas ainda não estava completa:

Ivana Moura: O nosso gerente de teatro já existe?
Leda Alves: Você está desinformada?
Ivana Moura: Estou perguntando. É porque devo estar, né? (risos)
Leda Alves: Há quase um mês que é Romildo.
Ivana Moura: Romildo é das artes cênicas, não?
Leda Alves: Das artes cênicas.
Ivana Moura: E o de teatro?
Leda Alves: Que teatro?

Gustavo Catalano: O gerente de teatro já está com nome, estamos só para publicá-lo. Ainda não podemos falar.

Leda Alves: Dos equipamentos, né?

Gustavo Catalano: Exato. Na realidade, na Fundação de Cultura existem o gerente de artes cênicas e mais três gerentes: circo, dança e teatro. Nomeamos o gerente de circo, de dança, o de artes cênicas e o de teatro já estamos com nome, já foi discutido com dona Leda e estamos só aguardando a autorização para publicação. E acreditamos que até o final do mês deve ser publicado.

Bom, ontem à noite tivemos a informação de que o novo gerente de teatro foi finalmente escolhido: Jorge Clésio.

……

Coletiva de imprensa contou com as presenças de Leda Alves, Gustavo Catalano e Carlos Carvalho

Coletiva de imprensa contou com as presenças de Leda Alves, Gustavo Catalano e Carlos Carvalho

Trechos da coletiva de imprensa do Festival Recife do Teatro Nacional

Como foi a seleção dos espetáculos para o festival através de edital?
Carlos Carvalho: Tenho certeza que, para o (próximo) ano, consolidado o processo público de seleção, a gente terá com certeza a participação de mais espetáculos de diversas partes do Brasil. No entanto, tivemos 150 projetos inscritos. É um número significativo para um primeiro ano de edital. Desses 150 projetos inscritos, 36 projetos foram selecionados por uma comissão que selecionou esses projetos composta por um represente do Conselho Municipal de Políticas Culturais, um representante da Secretaria de Cultura, e teríamos a participação de um representante da Universidade Federal de Pernambuco. No entanto, nós recebemos uma comunicação do Centro (Departamento) de Teoria da Arte, que não era possível enviar um professor, uma vez que eles estavam com muitos problemas de reposição de aulas. Então nós tivemos que indicar outra pessoa para ocupar esse espaço que seria da Universidade Federal de Pernambuco. Mas isso em nenhum momento diminuiu a grandeza e a qualidade do processo de seleção. Então, desses 36 projetos que a comissão indicou, nós fizemos contatos, e aí começa um processo difícil que é de adequação daqueles projetos aos nossos espaços, adequação de espaços físicos, adequação de possibilidades técnicas, e adequação orçamentária. Então depois de passado esse processo de adequações e também de agenda dos grupos – uma vez que o grupo quando manda, ele diz que quer vir, mas do dia em que ele se inscreve até o dia em que ele é comunicado que está selecionado, a vida continua, então, muitas vezes, aparecem problemas de agenda e a gente não teria aquele grupo naquele dia, etc, etc, etc. Bom, então desses projetos indicados pela comissão, nós tiramos 18. A outra seleção se deu porque o edital previa, que também é novo isso, a garantia de que 50% da programação de espetáculos seria de espetáculos locais. Então a gente garantia, estamos garantindo, dentro dessa vitrine do festival, que na verdade o festival é uma vitrine de difusão, a participação da produção local, com 50% da grade de programação. E o edital também previa 30% de convites. A Secretaria de Cultura e a Fundação de Cultura ainda teriam a possibilidade de fazer 30% de convites da grade. Mas só convidamos um grupo, que foi o grupo Galpão, de Minas Gerais, que está abrindo o festival, no Sítio da Trindade, no dia 22 de novembro, às 20h, e também fará uma récita no dia 23, também lá, no Sítio da Trindade.

Agradecimentos à equipe
Carlos Carvalho: Gostaria aqui de registrar o meu agradecimento a três pessoas, fora o pessoal aqui do teatro, que tem trabalhado incansavelmente. A Ivo Barreto, a Eron Villar e a Margot. Que tem dado sangue, suor, lágrimas e risos, de manhã, de tarde e de noite para que a gente pudesse estar hoje aqui fazendo essa coletiva. E também a Catalano e a toda a sua equipe e também a todo o pessoal de comunicação da prefeitura, que é muito gentil, e também o pessoal da gerência de literatura….

Leda Alves: Desculpe interromper, mas eu não me referi e é uma exigência dentro de mim, que eu não posso adiar. A presença de Catalano nas nossas equipes. (….) E aqui a gente faz realmente o trabalho colegiado, todo trabalho aqui é de baixo pra cima. Ele tem contribuído muito e a gente tem aprendido também com ele. Então o projeto não é só da Secretaria. É da Secretaria e da Fundação de Cultura.

Homenageado do festival
Carlos Carvalho: Nesse processo de criação, a gente chega a quem homenagear? Durante os 15 anos de festival, sempre se homenageou alguma personalidade, um teatrólogo, um ator, etc, que contribuiu no teatro brasileiro e no teatro pernambucano. E chegamos então a Samuel Campelo e não por acaso. Quando a gente diz que depois do debut, a gente precisava repensar, depois de 15 anos, repensar e retomar outro caminho, nada melhor do que ter sido Samuel. Parece que foi escrito. Porque Samuel é a pessoa que começa no estado de Pernambuco e um dos primeiros no Brasil, a tornar possível um teatro brasileiro. Depois de Samuel, depois do grupo Gente Nossa, vem o Teatro de Amadores de Pernambuco e aí sucede-se uma série de realizadores, o Teatro do Estudante de Pernambuco, o TPN, e aí todas as outras experiências já nos anos 70, 80, e por aí vai. Então Samuel é importantíssimo. Samuel está no mesmo quilate de um Arthur de Azevedo, Samuel está no mesmo quilate de um Martins Pena. Ele funda a possibilidade de um teatro pernambucano e brasileiro com temática brasileira. E ele advogava também que, naquela época, como todos os teatros naquela época eram ocupados os seus tablados pelas operetas e burlescas francesas, que o teatro pernambucano e brasileiro precisaria, assim como Martins Pena fez, trazer o tema brasileiro, a problemática brasileira, e partindo da diversão. O que, de alguma forma, vem de encontro quando Hermilo – e é a minha frase predileta – que Hermilo Borba Filho diz que “ninguém se diverte na missa”. Então esse lugar sagrado que você não vai para se divertir, você vai para se religar, você vai para ter foco, no caso de Samuel, ele dizia que naquela época o teatro precisava tirar o foco do cotidiano e fazer diversão para fazer plateia. E ele foi um dos primeiros, digamos assim, grandes diretores do Teatro de Santa Isabel, do qual dona Leda foi uma grande diretora e eu tive o prazer de trabalhar com ela. (…)

Gustavo Catalano: Carlos, eu queria só fazer uma observação. Carlos falou sobre os 50% de artistas pernambucanos. Isso é uma determinação tanto da secretaria quanto do nosso prefeito Geraldo Júlio, da valorização dos artistas pernambucanos. Por consequência, isso transfere a nós uma responsabilidade de fazer com que isso aconteça e o edital nos ajudou muito a isso, não é verdade, Carlos? A gente sentiu que os grupos pernambucanos se interessaram, entraram mais dentro do processo, quando a gente colocou o edital na rua. Então acho que ele foi muito importante também neste sentido, no sentido de integrar os artistas pernambucanos nesse processo, e nesses novos festivais, para que a gente conseguisse executar as diretrizes da nossa secretária e do prefeito Geraldo Júlio na valorização dos artistas pernambucanos.

(…)

Perguntas dos jornalistas:

Ivana Moura: Quais grandes festivais vocês usaram como modelo para montar a programação do Festival Recife do Teatro Nacional através de edital?
Carlos Carvalho: Não conheço. Ou não tenho conhecimento assim geral de quais são os festivais que são por edital. Acho que a maioria é por curadoria. Mas isso também não quer dizer, assim, da gente mudar, que um é ruim e o outro é bom. É questão de opção. Quando é um curador, a opção é que alguém vai ter um recorte sobre uma vasta produção dentro de um tema. O tema é, sei lá, política. E o cara faz um recorte, mas o olhar é dele. No caso, ele vai procurar aqueles grupos, aquelas produções, que satisfazem aquela perspectiva que ele está fazendo um recorte. No caso do edital, é o inverso. Quando eu digo: eu procuro você, não é você quem me procura. Eu digo: olha, eu estou aqui. Você quer me ver? Então é diferente o olhar. Isso nem coloca pontos positivos nem para um, nem para outro, de dizer esse é melhor, esse é pior. É questão de opção. A opção que nós fizemos foi: se a gente se abre para o Brasil e os grupos do Brasil têm a possibilidade de dizer eu quero ir a Recife. Com isso você vai ter um olhar mais alargado. Nesse caso aqui, por exemplo, o festival deste ano não tem um recorte. O recorte é o teatro do possível do Brasil. Isso é lindo. Isso é lindo. Com todo o respeito, eu não sei qual seria o curador que iria a Taboão da Serra ou iria a uma tribo indígena. Mas a tribo indígena poderia dizer: olha, eu estou fazendo um teatro aqui na minha taba. E por isso ele não é moderno, ele não é contemporâneo, ele não é bom? Ele é bom no possível dele para o Brasil. Essa diversidade nos interessa neste momento. Eu acho que não tem nenhuma questão de ser contra ou a favor. É questão de opção política. É uma política de se abrir mais e essa eu acho que é a questão. Assim como também no carnaval, no são João, assim como foi no festival de inverno de Garanhuns, que não era por edital e nem por conta disso diminuiu a qualidade dos espetáculos, abriu-se para a diversidade. A gente não pautou nessa decisão “agora vamos romper com o passado”. De jeito nenhum. O que pautou foi nós vamos ter outro olhar para o futuro.

Leda Alves diz que edital é um instrumento da democracia

Leda Alves diz que edital é um instrumento da democracia

(….)

Leda Alves: O edital vai ser usado como um instrumento da democracia. A gente quer, que é uma das funções e missões da secretaria, criar ou abrir espaços para todas as pessoas que produzem cultura, que fazem a cultura, para todos os artistas, da capital e do interior. Você veja: o nosso São João foi alimentado por muita gente do interior. Como Carlos tinha passado sete anos trabalhando pelo interior com o Governo do Estado e estava disponível para vir para cá, ele integrou o meu grupo de trabalho e ele trazia informações de conhecer, de conviver, de testar, de saber que é bom. E foi uma coisa comentada pelas comunidades que conheceram grupos que nunca tinham conhecidos e ouvir deles a chance de virem ao Recife se apresentar, mostrar sua arte. É essa troca, esse angu que a gente quer que a cultura seja, dando acesso a todos. Segunda liberação para nós da democracia que o edital nos dá: sem injunção de pedidos. Uma das coisas mais difíceis pra gente: os amigos, os parentes, os políticos, a pedirem e a provarem que os seus candidatos são os melhores do mundo. E a gente tem essa grande arma de dizer: o edital está na praça. Se inscreveu? Não? Agora, inscreveu-se? Então fique tranquilo! Que a gente vai analisar cá e você entra. Então isso também facilita muito a democracia e dá credibilidade ao artista de que ele irá, de que é verdade o que ele assinou ali, e que nós realizaremos. Isso vem ao encontro, não é de encontro, ao encontro, a uma determinação do prefeito: a prioridade é o da terra.

(…)

Ivana Moura: O Festival Nacional ele foi pensado, inclusive você está no nascedouro desse pensamento, em busca de uma excelência artística, que ela estivesse espalhada pelo Brasil e que se pudesse buscar isso. Você acha que, com esse edital, foi possível conseguir essa excelência para este ano?

Carlos Carvalho: Sim. A excelência do possível.

Ivana Moura: Pode ser possível, mas pode não ser excelência. Daqui a pouco vamos começar a filosofar!

Carlos Carvalho: A excelência pra quem? O edital abriu as possibilidades, os grupos se inscreveram, uma comissão analisou os projetos e a gente adequou os projetos às condições. Eu não sou um curador do festival. Eu não sou um curador. O curador é o edital e a comissão.

Leda Alves: Então foi feito por uma equipe de especialistas. O objetivo dele é principalmente a troca de experiências, de aprendizados, daí haver várias oficinas. Agora, geralmente, a gente só pode avaliar a eficácia e o fruto desse edital, quando avaliar o festival. É um caminho novo. O edital a gente lançou, respondeu, a gente montou o festival, vamos ver. Essa pergunta você faz a gente quando acabar.
(…)

Ivana Moura: É porque nós temos 15 anos de edição de festival antes desse festival. 15 edições conhecidas e acompanhadas.

Leda Alves: E o que é que tem?

Ivana Moura: O que tem é que, durante esse tempo, os grandes grupos brasileiros estiveram presentes nesse festival. O que estou pontuando…

Leda Alves: Vamos acabar o festival para ver.

Carlos Carvalho: Eu concordo. Agora, o que se apresenta para este presente e para o futuro é que aqui agora não vão estar só os grandes. Os grandes neste sentido daqueles que têm os melhores patrocínios, os melhores esteticamente, etc. Vai estar os grandes, os pequenos que fazem o melhor naquele lugar, etc, etc. A gente não está negando o passado. A gente está tentando encontrar um caminho novo.

Ivana Moura: O que é um caminho novo?

Carlos Carvalho: O edital para os 15 anos é novo. É o caminho.

Ivana Moura: Edital é um caminho novo? É porque edital eu acho que é um caminho já pensado, exercitado noutras situações.

Leda Alves: Não estou dizendo a peça jurídica edital não. A utilização dele para o acesso ao festival, para a pessoa participar desse festival está sendo através deste instrumento legal chamado edital.

Carlos Carvalho: Deixa eu perguntar uma coisa. Quando você me pergunta isso você está me dizendo que você é contra o edital?

Ivana Moura: Eu não sou contra nada. Minha posição aqui é perguntar.

Carlos Carvalho: E eu estou perguntando a você também.

Leda Alves: A pergunta transparecia isso. Você tem direito de estranhar, até de desconfiar, é um direito que você tem.

Ivana Moura: Eu me preocupo com a qualidade da programação de um festival que eu acompanho desde o começo.

(…)

Carlos Carvalho: “Eu estou dizendo que é preciso a gente discutir, mas discutir com o coração aberto. Porque não é interessante a gente ter uma discussão que seja sempre sólida e todo mundo estar a favor. O que é bom é que a gente tenha os discursos diferentes para a gente encontrar um caminho. Assim como o Janeiro encontrou um caminho que eu, inclusive, acho que não é o melhor. Eu, particularmente, Carlos Alberto Carvalho Correia, não acho que é o melhor. Já discuti isso com Paula (de Renor). Mas é uma opção de três pessoas ou quatro, mas três que assinam o festival. Nós estamos agora olhando outro espaço, outra forma de conduzir. E a gente pode ter, inclusive, a humildade, se fosse o caso, de dizer: olha, não deu certo. Mas porque não deu certo? Tem que fazer primeiro.

(….)

Ivana Moura: Qual foi a efetiva participação no festival daquela comissão de artes cênicas que foi tirado lá no Mamam, no Fórum de Artes Cênicas?
Gustavo Catalano: Após uma reunião que fizemos com o fórum temático de artes cênicas foi tirada duas comissões: uma comissão para o festival de dança e outra para o festival de teatro. E essas comissões vieram para que, junto com os gerentes, nomeados para coordenar cada festival, montassem a estrutura deles. O que seriam eles? Se o edital seria o edital, se o edital seria uma curadoria. Naquele momento em que já estava muito próximo já dos festivais. E a gente apresentou o edital, discutiu esse edital, discutimos texto, discutimos tudo dentro desse contexto. E aí após essa aprovação, após essa discussão toda, foi que a gente lançou o edital. A gente não lançou oficialmente da nossa cabeça.

Ivana Moura: Então esse grupo teve uma participação efetiva na formulação dessa história? Que são os representantes da classe?

Gustavo Catalano: Efetiva.

Carlos Carvalho: Ele foi consultado.

Leda Alves: Não só isso.

Gustavo Catalano: Também. Uma participação efetiva. Várias reuniões. Vieram.

Carlos Carvalho: O grupo foi consultado. Todos os pontos foram elencados, a gente discutiu. Samuel (Santos), Rodrigo Dourado…é….

Gustavo Catalano: A gente não excluiu a sociedade civil do processo não. Muito pelo contrário. A intenção é incluir a sociedade civil na discussão dos festivais.

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Um encontro com Boal

Augusto Boal.

Augusto Boal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

” 

Teatro do Oprimido pode ser realizado em qualquer parte do planeta, visto que em toda parte há seres humanos e também há opressão

 

É um método de descoberta do desejo e de ensaio de realização deste desejo.

Ele surgiu em São Paulo, no início dos anos 1970. No princípio chamava-se Teatro Jornal.

Na Argentina tive uma experiência  com o Teatro Invisível, que é uma forma de utilizar o teatro dentro da realidade sem revelar que é teatro
A censura se dá de duas formas. Uma delas é a policial, usada no regime autoritário no Brasil.  A outra – tão ruim quanto – é aquela que se dá na forma da sedução.
Isso é o padrão de censura dominante no Brasil. É a coerção pelo poder econômico.
São as empresas que determinam o que pode ser feito e o artista não está livre para fazer suas experiências.
O que ocorre no Brasil é a privatização da cultura. O patrocinador vê a produção artística como parte de seu projeto de marketing.
Isso vai torna a arte asséptica. O que os patrocinadores geralmente querem é reproduzir um mundo velho, já conhecido e aprovado.
O pressuposto de que cultura tem de dar lucro é dos neoliberais.
A cultura tem que ser subsidiada.
O lucro da arte se dá de outro jeito. Enriquecendo a forma de pensar do espectador. É um lucro do crescimento humano, de um valor muito difícil de ser medido já que não se trata de uma mercadoria vulgar.
A arte faz o homem mais rico

 

Augusto Boal e o Teatro do Oprimido em Paris, 1975. Cedoc-Funarte

Augusto Boal e o Teatro do Oprimido em Paris, 1975. Foto: Cedoc-Funarte

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Augusto Boal era puro amor ao teatro. Um  mito. Uma bússula.  Um libertário que apostava  que essa arte aparentemente tão frágil poderia mudar o mundo, fazer a revolução.

Lembro do teatrólogo com um sorriso sempre aberto e entusiasmo pela vida que contagiava seu interlocutor. Ele veio ao Recife para um encontro e eu tive o prazer e a honra de passar algumas horas ao seu lado, ouvindo suas ideias. Sua sede por justiça. Sua fome de oportunidades para todos.

Boal faz falta.

A entrevista abaixo foi publicada em 20 de setembro de 2000, no Diario de Pernambuco.

 

Augusto Boal

Augusto Boal esteve no Recife em 2000, durante a Conferência Internacional Mudança de Cena II

O teatrólogo Augusto Boal foi tratado como sujeito de extrema periculosidade pelo regime militar. Foi preso, torturado e exilado em 1971. Nessa temporada forçada no exterior, criou técnicas de teatro. O Teatro do Oprimido foi lançado em 1974, traduzido para dezenas de idiomas e até hoje é uma publicação bem vendida. O livro reúne experiências do autor/diretor com o teatro invisível, quando o espectador participa do espetáculo e de técnicas para colocar no centro da cena quem está à margem. O seu método é praticado em mais de 70 países em todo mundo. Boal sempre lutou por um mundo mais justo para todos. Figura central do Teatro de Arena nos anos 1950 e 1960, em São Paulo, ele fez espetáculos como Arena conta Zumbi. O dramaturgo, que lançou recentemente sua autobiografia, Hamlet e o Filho do Padeiro, da editora Record, chega hoje ao Recife para participar da conferência internacional Mudança de Cena II.

ENTREVISTA // Augusto Boal

Como o senhor vê o atual momento do teatro brasileiro, dominado pelo besteirol e pelas constantes reclamações dos artistas e público de que o teatro brasileiro vai mal?

Augusto Boal – Vai de mal a pior. O teatro segue o País que vai de pior em pior, como dizia a canção do João do Vale. Hoje nós vivemos escravos em um País escravo. Não nos damos conta disso porque se trata de uma nova forma de escravidão, na qual os senhores são invisíveis – FMI, bolsa de NY, Hong-Kong, bancos internacionais. Onde estão? Não os vemos, mas somos escravos porque o que caracteriza a escravidão é a total ausência de livre arbítrio – nós não temos mais livre arbítrio, os brasileiros não podem decidir o que fazer com um salário mínimo de 151 reais, com o pagamento mensal de um bilhão e 500 milhões de dólares de juros e serviços da dívida externa. Sobram as migalhas. Dana-se a educação, a saúde, a cultura. Enquanto o Brasil não se libertar desse jugo odioso, o teatro irá sempre mal, de mal a pior… A privatização da cultura faz com que muitos artistas estejam deixando de ser donos de suas vozes para se transformarem em vozes dos seus donos. É triste.

Hoje, o senhor faria revisões à metodologia do Teatro do Oprimido?

Boal – Não são necessárias. O que é necessário á incluir novas técnicas que dêem conta de novos problemas. O método é o mesmo, mas nestes quase 30 anos tem sido constantemente enriquecido: teatro imagem, teatro fórum, teatro invisível, arco-íris do desejo, teatro legislativo. Nada disto é inútil, precisamos apenas saber em que momento usar uma técnica ou uma outra. T.O. não é moda nem modismo: é método mesmo, método de pensar, forma de inventar.

Como o senhor identifica os trânsitos possíveis entre a arte e a realidade brasileira?

Boal – A arte é uma representação do real, não é o real. Como tal, de algum ponto no mundo essa representação é feita – isso mostra que o artista está localizado em algum lugar e vê o mundo – por isso, toda arte é sempre política. Além do mais, ao contrário da pintura, por exemplo, que representa um instante do real, o teatro representa o movimento desse real. Maior ainda a nossa responsabilidade: O que mostrar? Para onde vai o mundo e para onde poderá ir?

“O teatro é uma forma de se entender a dor, dominá-la. Fazemos teatro para sermos maiores que a dor”. Este é um poético conceito do senhor sobre o fazer artístico e até das motivações da opção pela arte. Quando isso pode se materializar?

Boal – Qualquer ato artístico criador concretiza esse sonho. Ser artista é ser humano. Ser humano é ser capaz de transformar o mundo. É verdade que uma boa parte da humanidade está desumanizada, mas ainda existem muita gente que respira, vive, trabalha para que o mundo – principalmente o Brasil e outros países igualmente miseráveis no que se refere à sua população – se transforme!

O mundo de hoje está numa maré de despolitização. O individualismo é a principal tendência em todos os segmentos. Como é possível fazer conexões com as utopias de uma sociedade mais justa para todos diante da globalização, que continua impondo a exclusão?

Boal – Existem dois sonhos: O que substitui a realidade e o que é posto à nossa frente para que alcancemos a mudança. Nada se pode mudar se não for antes sonhado. Chame-se a isto utopia, pouco importa – é o sonho bom. O mau é quando vemos o povo olhando TV e vendo na tela a mesa farta enquanto que em sua casa nem sequer tem mesa, menos ainda comida; na tela, felicidade e piscinas de água quente; na casa do telespectador, nem água corrente nem felicidade.

Nas décadas de 1960 e 1970 a discussão das relações entre política e teatro animavam o fazer teatral no Brasil. Como este debate pode ser feito atualmente?

Boal – Através da ação. Fazendo Teatro do Oprimido, por exemplo.

As técnicas do Oprimido foram adotadas em várias cidades do mundo. A que o senhor atribui o sucesso internacional do seu método?

Boal – Ao fato de que é verdadeiramente um método democrático e não uma cartilha, não um catecismo. É socrático e sinceramente pergunta, interroga, quer saber e não ordena, não força ninguém a fazer o que talvez não possa. É criativo, é saudável, é terapêutico, é divertido. Como não fazer sucesso no mundo inteiro se assim é? Hoje, o T.O. se pratica em mais de 70 países do mundo.

O senhor tem uma agitada agenda internacional. O que o público de outros países questiona nas suas conferências?

Boal – Dialogamos. Os temas que os participantes em qualquer país sempre querem tratar são principalmente: a opressão da mulher, o racismo, e a falta de dinheiro, emprego, etc.

Como o senhor vê a política no Brasil nesse final de século?

Boal – Precisamos lutar por uma nova abolição. Basta de escravidão! Eu me sinto como Bolívar: sou (somos!!!) lavradores do mar – tudo o que fizemos ficou por fazer. O Brasil se libertou do colonialismo português e caiu sob o domínio feroz e humilhante da globalização atual.

Qual sua expectativa sobre o futuro? O senhor é otimista?

Boal – Acredito no trabalho, na luta, na criatividade, na solidariedade, no trabalho conjunto, acredito em tudo que é bom. Sou otimista sim, mas não sou bobo!

Qual o seu sentimento sobre a “globalização cultural”?

Boal – Querem nos transformar em robôs, em clones, em ovelhas Dolly, em números. Querem nos arrancar nosso nome. E eu quero que cada um de nós seja capaz de dizer “eu” para que possa logo depois dizer “nós”! Quero a unificação de todos os que lutam e os globalizantes querem a uniformização, isto é, a destruição da identidade!

 

Boal protagonizou debates contra a opressão

Boal protagonizou debates contra a opressão

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Só depois de concluir o curso de química na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1950 é que Boal foi atrás de sua formação teatral. Ele estudou teatro na Universidade de Columbia , em Nova Iorque, foi aluno de John Gassner e assistiu aulas do Actor’s Studio.

Após esse aprendizado tornou-se diretor e dramaturgo e depois teórico teatral.

No Teatro de Arena, Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri e José Renato protagonizam uma revolução cênica a partir do pensamento. Boal dirigiu clássicos da dramaturgia mundial de Molière, Lope de Vega, Gogol, Maquiavel. Colocou em cena o homem comum, em montagens como Arena Conta Zumbi e Arena Conta Tiradentes.

Na Argentina ele criou a estrutura teórica dos procedimentos do Teatro do Oprimido.

 

Ele retornou de vez ao Brasil em meados da década de 1980.

Montou:

O Corsário do Rei (1985), texto de sua autoria com música de Edu Lobo e letras de Chico Buarque;

Fedra (1986), de Racine, com Fernanda Montenegro no papel-título.

 

Em 2009, ano de sua morte, foi nomeado embaixador mundial do teatro pela UNESCO.

 

Espetáculos de Augusto Boal no Teatro de Arena

1956. Ratos e Homens. De John Steinbeck. Direção: Augusto Boal.
1957. Juno e o Pavão. De Sean O’Casey. Direção: Augusto Boal.
1957. Marido Magro, Mulher Chata. Texto e direção: Augusto Boal.
1958. A Mulher do Outro. De Sidney Howard. Direção: Augusto Boal.
1959. Chapetuba Futebol Clube. De Oduvaldo Vianna Filho. Direção: Augusto Boal.
1959. A Farsa da Esposa Perfeita. De Edy Lima. Direção: Augusto Boal.
1959. Gente como a Gente. De Roberto Freire. Direção: Augusto Boal.
1960. Revolução na América do Sul. De Augusto Boal. Direção: José Renato.
1960. Fogo Frio. De Benedito Ruy Barbosa. Direção: Augusto Boal.
1961. Pintado de Alegre. De Flavio Migliaccio. Direção: Augusto Boal.
1961. O Testamento do Cangaceiro. De Chico de Assis. Direção: Augusto Boal.
1962. A Mandrágora. De Maquiavel. Direção: Augusto Boal.
1963. O Melhor Juiz, o Rei. De Lope de Vega. Direção: Augusto Boal.
1963. O Noviço. De Martins Pena. Direção: Augusto Boal.
1964. Show Opinião. De Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes e Augusto Boal. Direção: Augusto Boal.
1964. Tartufo. De Molière. Direção: Augusto Boal.
1965. Arena Conta Zumbi. De Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Direção: Augusto Boal.
1965. Tempo de Guerra. De Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Direção: Augusto Boal.
1966. O Inspetor Geral. De Nikolai Gogol. Direção: Augusto Boal.
1966. A Criação do Mundo Segundo Ary Toledo. De Augusto Boal e Guarnieri. Direção: Augusto Boal.
1967. Arena Conta Tiradentes. De Augusto Boal e Guarnieri. Direção: Augusto  Boal.
1967. O Círculo de Giz Caucasiano. De Brecht. Direção: Augusto Boal.
1967. La Moschetta. De Angelo Beolco. Direção: Augusto Boal.
1968. Mac Bird. De Bárbara Garson. Direção: Augusto Boal.
1968. Primeira Feira Paulista de Opinião. Vários autores. Direção: Augusto Boal.
1968. Sérgio Ricardo na Praça do Povo. Texto e direção: Augusto Boal.
1969. Chiclete e Banana. Texto e direção: Augusto Boal.
1969. O Comportamento Sexual Segundo Ary Toledo. Direção: Augusto Boal.
1970. Arena Conta Bolívar. Texto e direção: Augusto Boal.
1970. A Resistível Ascensão de Arturo Ui. De Brecht. Direção: Augusto Boal.
1970. Teatro Jornal Primeira Edição. Vários autores. Direção: Augusto Boal.

 

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Paixão avassaladora e mal-entendido cômico

Sessão deste sábado de A Saga Amorosa dos Amantes Píramo e Tisbe está marcada para às 17h30

Sessão deste sábado de A Saga Amorosa dos Amantes Píramo e Tisbe está marcada para às 17h30

Satisfeita, Yolanda? no Palco Giratório

Choveu tanto no Recife (e RMR) ontem que a cidade virou um caos. Ruas inundadas, engarrafamentos, suspensão de alguns serviços. O Festival Palco Giratório cancelou a sessão de sexta do espetáculo A Saga Amorosa dos Amantes Píramo e Tisbe. A apresentação será neste sábado, no mesmo local, na Praça do Campo Santo (ao lado do SESC e em frente ao Cemitério de Santo Amaro), mas o horário mudou para as 17h30. A Cena Bacante, programação agendada para as sextas-feiras de maio, também foi adiada para hoje, a partir das 23h, no Centro de Articulação dos Sabores Artísticos (C.A.S.A), que fica na Av. Visconde de Abaetê, 166, na Tamarineira.

A comédia farsesca A Saga Amorosa dos Amantes Píramo e Tisbe, do Grupo Teatral Gota, Pó e Poeira (ES) participa do Palco dentro do projeto Diálogos Capixabas. Píramo e Tisbe é uma lenda sobre uma paixão avassaladora entre dois jovens vizinhos (estão separados por uma parede, mas eles trocam juras de amor por uma fresta, que só eles viram), mas que os pais proíbem o relacionamento. Um dia eles resolvem fugir para vivenciar esse amor, mas ocorre uma tragédia movida por pistas falsas.

Grupo Teatral Gota, Pó e Poeira participa do Palco dentro do projeto Diálogos Capixabas

Conta a lenda que eles combinaram de se encontrar no no túmulo de Nino, ao pé de uma amoreira branca. Tisbe chegou primeiro e teve que se esconder de uma leoa, que acabara de trucidar algum animal. Mas deixou cair a capa. Quando Píramo aparece encontra o véu da amada rasgado e ensanguentado e decide tirar a vida com sua própria espada. Ao voltar ao local, Tisbe encontra seu amado morto e resolve ter o mesmo fim. O sangue dos dois, derramado aos pés da amoreira, comoveu os deuses, que pintou as amoras de vermelho.

Essa história influenciou Shakespeare na elaboração de Romeu e Julieta. Na montagem do Grupo Teatral Gota, Pó e Poeira, uma trupe de teatro deve apresentar ao rei e à rainha uma peça que junte amor e comédia. O bando apresenta esse fragmento do Sonho de uma Noite de Verão, uma paródia do bardo ao Romeu e Julieta.

Fotos: Keily Dias/Divulgação

Fotos: Keily Dias/ Divulgação

Serviço:

A Saga Amorosa dos Amantes Píramo e Tisbe, do Grupo Teatral Gota, Pó e Poeira (ES)
Quando: hoje(18), às 17h30
Onde: Praça do Campo Santo (ao lado do Sesc e em frente ao Cemitério de Santo Amaro)
Quanto: Grátis

Ficha técnica:

Atriz/contrarregra: Aline Saraiva
Ator/diretor: Carlos Ola
Ator/músico: Dyonathas Silveira
Atrizes: Danielle Lino, Eliane Correia e Neuza de Souza
Atores: Edmar da Silva e João Batista Ferreira de Moraes
Músico: Jovani Anacleto

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