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Encontro de Artes Cênicas será neste fim de semana

 

Escola Pernambucana de Circo abre programação com circus-círculos-que-não-se-fecham-Foto-Karina-Morais

Escola Pernambucana de Circo abre evento com Faça parte dessa história. Na foto de Karina Morais, a montagem Círculos que não se fecham

A reclamação de inexistência, ausência de pertinência, de falta de continuidade ou prioridade das políticas públicas para as artes cênicas na cidade do Recife é geral. E não sem motivos. Com três anos da atual gestão fica difícil contabilizar avanços. A ideia de transformar o Centro Apolo-Hermilo numa usina cultural de referência de pesquisa contemporânea não chegou nem a virar proposta no papel.

A situação dos equipamentos municipais é preocupante. O Teatro do Parque, por exemplo, está fechado desde 2010; as obras de restauração estão suspensas desde julho de 2015; agora, o Ministério Público cobra na justiça a retomada das obras. O SIC municipal sumiu do mapa dos incentivos da cidade. O recorrente atraso nos pagamentos de editais ou trabalhos de artistas é considerado pelos contratados ou premiados como algo altamente desrespeitoso. O festival de teatro deu um recuo em importância e discussão de ideias para o começo dos anos 1990; quer dizer, ficou obsoleto e desorientado enquanto identidade, com suas particularidades, e perdeu força.

Bem, a Fundação de Cultura Cidade do Recife promove neste sábado (2) e domingo (3) o 3º Encontro de Artes Cênicas do Recife no Museu da Cidade do Recife (Forte das Cinco Pontas), no bairro de São José. Pretende reunir atores, artistas circenses, profissionais da dança e  produtores, para – segundo o release da prefeitura-, discutir propostas para melhorias para o teatro, dança e circo.

O programa começa no sábado a partir das 9h, com a apresentação do espetáculo Faça Parte Dessa História, da Escola Pernambucana de Circo. Em seguida, serão realizados os debates de cada segmento: teatro, dança e circo. Às 14h, está marcada uma Sessão Plenária até às 16h30.

A Sessão Plenária do domingo vai das 9h até o meio-dia. E, a partir das 14h, o debate tem como tema os Festivais de Artes Cênicas no Recife. Apresentações artísticas, ainda em comemoração ao Dia Mundial do Teatro e Dia Nacional do Circo (comemorado no dia 27 de março), terão vez a partir das 16h.

O aviso da Prefeitura do Recife atesta que o “encontro é um convite para tomada de decisões em conjunto, em benefício das artes cênicas da capital pernambucana”.

As inscrições terminaram nesta quinta-feira (31). De acordo com Romildo Moreira, gerente de Artes Cênicas da Prefeitura do Recife, idealizador do encontro, ainda há algumas vagas disponíveis. Os interessados podem enviar e-mail para gerenciaartescenicas@gmail.com ou ligar para o número (81) 3355-3137, até às 17h, para garantir a inscrição. Por e-mail, é preciso aguardar confirmação.

Sábado 02/04:

9h – Solenidade de abertura e Apresentação do espetáculo Faça Parte Dessa História (no Pátio Térreo)

10h às 12h – Trabalho dos grupos de teatro, dança e circo (Sala de Reunião e Pátio Térreo)

12h às 13h30 – Almoço (Área externa)

14h às 16h30 – Sessão Plenária (Pátio Térreo, Lona de Circo)

Domingo, 03/04

9h às 12h – Sessão Plenária

12h às 13h30 – Almoço (Área externa)

14h às 16h –  Debate: Festivais de Artes Cênicas em Recife (Auditório)

16h – Encerramento com apresentações artísticas (Pátio Térreo)

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O apavorante golpe de 1964

Espetáculo Nem mesmo todo o Oceano. Foto: Glaudio Gil

Espetáculo Nem mesmo todo o Oceano. Foto: Glaudio Gil

As obras artísticas também são contaminadas pelas circunstâncias em que são exibidas. Elas incorporam um determinado tempo e são ressignificadas por ele. Isso pode ocorrer no próprio objeto ou em sua recepção. O espetáculo Nem mesmo todo o Oceano, da Cia OmondÉ , estreou em 2013, antes da reeleição para o segundo mandato da presidenta Dilma Russeff. E apesar dos ânimos tensos, não era possível vislumbrar com clareza a crise institucional, jurídica e política que o país atravessa atualmente, com uma ameaça real de um golpe, comandada pela plutocracia, a partir dos seus ferozes representantes situados em pontos estratégicos.

Nem mesmo todo o oceano expõe a história fictícia de um médico, sua infância pobre no interior de Minas Gerais, seu período de estudante em pensões no Rio de Janeiro, as desilusões amorosas, as frustrações e a batalha por sobrevivência. Uma forma de encarar. Outra, a trajetória de um arrivista e sua ambiciosa, deslumbrada e abominável escalada até assumir o cargo de médico legista do DOI-CODI.

A partir da narrativa dessa figura, o espetáculo explora os momentos que antecederam o golpe militar (1964), seus modelos de repressão desvelando os “porões” da ditadura.

A montagem faz uma curta temporada na CAIXA Cultural Recife, de 31 de março a 9 de abril. É uma adaptação da diretora Inez Viana do romance homônimo de 800 páginas do escritor, dramaturgo e pensador mineiro Alcione Araújo (1945-2012).

foto: carlos cabera

O protagonista acompanhava torturas durante a ditadura militar. Foto: Carlos Cabera

Os atores Leonardo Brício, Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Junior Dantas, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell se revezam nos diversos personagens, inclusive os femininos.  O elenco está metido em calças sociais entre o cinza e o azul marinho, sapatos pretos e camisetas de física, no figurino assinado por Flávio Souza. O espaço utiliza poucos objetos de cena. A diretora Inez Viana busca com isso valorizar o trabalho do ator e o jogo teatral.

O livro de Alcione Araújo reconstitui uma época adversa da História do Brasil (1950 a 1975). A cena mostra o protagonista, que narra sua biografia, atravessada por seus filtros cognitivos e por suas emoções. O médico assistia torturas durante a ditadura militar brasileira. Acusado de ter estuprado uma das prisioneiras, ele sente novamente a hostilidade do mundo diante desse seu crime abominável. Ameaçado de morte, ele tenta se explicar a um grupo de jornalistas.

A peça embaralha fatos reais  e ficção. Entre facínoras e torturadores cruéis, o médico tenta se convencer, e nos convencer, enquanto a grande angular  expõe o processo de perversão espiritual do ser humano.

Se há dois anos discutir artisticamente essa passagem dos 50 anos do Golpe Militar de 1964 era uma necessidade, hoje se tornou urgente conhecer – de verdade, com todas contradições – essa parte da história horrenda desse Brasil. Para não permitir que nunca mais isso se repita.

Espetáculo fica em cartaz na Caixa Cultura Recife, de 2 a 10 de abril. Foto: Rodinelle de Paula

Espetáculo fica em cartaz na Caixa Cultura Recife, de 31 de março a 9 de abril. Foto: Rodinelle de Paula

FICHA TÉCNICA
Autor: Alcione Araújo
Adaptação e Direção: Inez Viana
Consultoria Dramatúrgica: Pedro Kosovski
Elenco: Cia OmondÉ – Leonardo Bricio, Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Junior Dantas, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell
Figurino: Flávio Souza
Direção Musical: Marcelo Alonso Neves
Iluminação: Renato Machado
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Programação Visual: Dulce Lobo
Assistentes de Direção: Carolina Pismel, Debora Lamm e Juliane Bodini
Produção Executiva: Jéssica Santiago e Rafael Faustini
Direção de Produção: Claudia Marques
Projeto da Cia OmondÉ
Patrocínio CAIXA

SERVIÇO:
Nem mesmo todo o oceano
Onde: CAIXA Cultural Recife (Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife, Recife/PE)
Quando: 31/03 a 02/04 e de 07 a 09/04/2016, de Quinta a sábado, às 20h.
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia)
Vendas: a partir das 10h do dia 30 (para as apresentações de 31/03 a 2/04) e do dia 06 (para as apresentações de 07 a 09/04)

Informações: (81) 3425-1915 / 3425-1900
Classificação Indicativa: 16 anos
Duração: 80 minutos

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Em cada estação muitos flashs

Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. Foto: Divulgação

Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. Foto: Divulgação

Desde 1997 que o papel principal da Paixão de Cristo encenado na cidade-teatro de Nova Jerusalém é interpretado prioritariamente por atores famosos, especialmente globais. Este ano, e em 2015, o papel principal é defendido por e Igor Rickli. Também estão no elenco a atriz Bianca Rinaldi (Maria), Fiuk (apóstolo João), Antonio Calloni (Herodes) e Odilon Wagner (Pilatos). Entre os pernambucanos, José Barbosa (Judas), Ricardo Mourão (Caifás) e Eduardo Japiassu (profeta Elias).

A encenação é realizada há 49 anos no município de Brejo da Madre de Deus, no Agreste pernambucano. A via crucis, morte e ressurreição de Cristo é apresentada em onze cenas que passam por nove palcos-plateia.

A Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, encerra sua temporada neste sábado (26). Tudo é espetacular na cidade-teatro, para o bem e para o mal. A arrojada cenografia que replica os ambientes o Fórum Romano, o Palácio de Herodes e o Monte do Calvário. A sonoplastia, iluminaçao e efeitos especiais buscam garantir a dramaticidade do evento.

A direção artista está a cargo da dupla Carlos Reis e Lúcio Lombardi. Além disso, a Paixão agrega cerca de 600 profissionais incluindo técnicos, eletricistas, sonoplastas, contra regras, maquiadores, cabeleireiros, e costureiras, entre outros.

No Fórum de Pilatos, vivido por Odilon Wagner

No Fórum de Pilatos, vivido por Odilon Wagner

No início era o Drama do Calvário, organizado pelo comerciante e político Epaminondas Mendonça na década de 1950. A encenação reunia familiares, amigos do patriarca da família Mendonça, e moradores do vilarejo e municípios vizinhos que exibiam as cenas sacras nas ruas empoleiradas e sem calçamento do vilarejo.

O sucesso do espetáculo correu o Brasil e chegou aos ouvidos de um outro idealista, o comunicador gaúcho Plínio Pacheco. Ele foi levado por seu amigo Luiz Mendonça (que empresta seu nome ao teatro localizado no Parque Dona Lindu), diretor teatral, que interpretava Jesus Cristo. Plínio ficou encantado com o evento e com Diva, a irmã caçula de Luiz.

Por volta de 1956 veio a ideia de erguer uma réplica de Jerusalém, inspirada no que foi feito na cidade alemã de Oberammergau, na Baviera. A cidade-teatro pernambucana, com 100 mil metros quadrados, foi aberta ao público em 1968, e desde lá ostenta o título de maior teatro ao ar livre do mundo.
 

OS CRISTOS DE FAZENDA NOVA
Carlos Reis (1968 a 1977)
José Pimentel (1978 a 1996)
Fábio Assunção (1997 e 1998)
Herson Capri (1999)
Marcelo Valente (2000, 2001 e 2002)
Luciano Szafir (2003 e 2006)
Vladimir Brichta (2004)
Eriberto Leão (2005 e 2010)
Carmo Dalla Vecchia (2007)
Thiago Lacerda (2008 e 2011)
Murilo Rosa (2009)
José Barbosa (2012 a 2014)
Igor Rickli (2015 e 2016)

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Transbordamentos contemporâneos

A Enchente, espetáculo inspirado no conto de Hermilo Borba Filho, com direção de Flávia Pinheiro

As inquietações do dramaturgo pernambucano Hermilo Borba Filho (1917-1976) reverberam nesses tempos conturbados, sombrios e de muitas exclusões do humano. Do conto A enchente, a artista Flávia Pinheiro criou um trabalho transdisciplinar pelo projeto O Solo do Outro. A peça articula o escrito de HBF, a performance e o vídeo.

Do texto, os artistas envolvidos erguem uma metáfora que expõe em escala maior os flagelos humanos atuais. Das correntes migratórias às vísceras do capitalismo globalizado, que não esconde sua faceta insensível frente aos acontecimentos.

O espetáculo cumpre sua segunda e última semana no Teatro Hermilo Borba Filho, de hoje até domingo, às 20h.

Espetáculo problematiza e amplia a catástrofe natural. Foto:Danilo Galvão/ Divulgação

Espetáculo problematiza e amplia a catástrofe natural. Foto:Danilo Galvão/ Divulgação

O comunismo fracassou! O socialismo fracassou! E o capitalismo? Esse sistema que anula pessoas, transforma gente em números, concebe hierarquia de valores para os seres baseada na capacidade de acumular bens ou de exercer a mais valia. O espetáculo A Enchente busca problematizar e ampliar no palco a catástrofe natural.

Para compor a peça, a diretora utiliza imagens de arquivo pessoal, trechos  de obras de cineastas experimentais como Jonas Mekas, Carolee Schneemann, Mustafa Abu Ali, Chris Marker, Esfir Shub, Stan Brakhage e cenas das inundações na cidade do Recife e dos engenhos no interior do estado, dos aquivos de vídeo da Fundaj e da Fundarpe.

As três bailarinas/ performers Gardênia Coleto, Marcela Aragão e Marcela Filipe exploram contenções e obstruções de movimentos e jogos com regras e materiais. As imagens de corrente, água subindo, redemoinho, o medo do fim estão lá. Essa luta do indivíduo com o mundo líquido, em que tenta nadar, flutuar, e se possível, voar é pescada do conto de Hermilo para transformar em princípios de movimento.

A música é assinada por Leandro Oliván, que utiliza a voz de Hermilo em uma entrevista para criar texturas e sonoridades. A infância do escritor no Engenho Verde é ficcionalizada, a partir de trechos do livro Margem das lembranças.

FICHA TÉCNICA
Concepção, direção e dramaturgia:  Flavia Pinheiro
Desenho de Imagem e  Som: Leandro Oliván
Performers: Gardênia Coleto, Marcela Aragão e Marcela Filipe
Dramaturgista Corporal: Maria Paula CostaRêgo
Desenho de Luz: Pedro Vilela
Diretor de Arte: Guilherme Luigi
Duração: 45 minutos
Fotografia: Danilo Galvão

SERVIÇO
A enchente, de Flávia Pinheiro
Quando: 17, 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27 de março, sempre às 20h
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho – Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife
Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia)
Informações: 3355-3320

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Paixão de Cristo do Recife comemora 20 edições

José Pimentel começou a interpretar Jesus em Nova Jerusalém. Foto: Wellington Dantas

José Pimentel começou a interpretar Jesus em Nova Jerusalém. Foto: Wellington Dantas

Há quase 40 anos, José Pimentel interpreta Jesus Cristo. Homem de teatro, aguerrido, teimoso, aos 81 anos, diz que só deixa o papel quando não aguentar mais; ou, diz ele, quando o bisneto, também José Pimentel, tiver idade para assumir o posto. Na sua 20ª temporada, a Paixão de Cristo do Recife, comandada por Pimentel, mais uma vez é realizada em meio a muitas dificuldades. Até agora, o Governo do Estado ainda deve parte do patrocínio do ano passado e não há garantias de que vai arcar com parte do espetáculo deste ano, um dos principais do calendário religioso do estado.

Mesmo assim, José Pimentel, autor do texto, diretor e, como já dito, protagonista, comanda um elenco de cerca de 100 atores e 300 figurantes. Serão apenas três sessões, começando nesta sexta-feira (25) e seguindo até o domingo de Páscoa (27), sempre às 19h. A expectativa da produção é que até 30 mil pessoas acompanhem o espetáculo a cada noite.

O elenco da Paixão de Cristo do Recife conta com atores experientes, como Reinaldo de Oliveira, que interpreta Herodes, e Renato Phaelante (Caifás), ambos do Teatro de Amadores de Pernambuco (TAP), e Ivo Barreto, intérprete de Judas. Os principais personagens femininos ficam com Angélica Zenith, que vive Maria; e Gabriela Quental, Madalena.

Shows – Antes de cada espetáculo da Paixão de Cristo do Recife, no Marco Zero, artistas pernambucanos fazem apresentações especiais, às 18h. Nesta sexta-feira (25), a atração será a banda Som da Terra. No sábado, Geraldo Maia e Beto Hortis sobem ao palco, separadamente. Encerrando a programação musical, no domingo é a vez de Walkyria Mendes se apresentar.

Serviço:
20ª Paixão de Cristo do Recife
Quando: 25, 26 e 27 de março, às 19h (às 18h iniciam as apresentações musicais)
Onde: Praça do Marco Zero, Bairro do Recife
Quanto: Gratuito

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