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A volta da Borralheira

A Bicha Borralheira 31 anos depois. Fotos: Ítalo Lima

A Bicha Borralheira, a estória que sua mãe não contou, performance de Henrique Celibi que deu início ao megassucesso Cinderela, a estória que sua mãe não contou, inicia nesta quinta-feira (13) uma pequena temporada, no Teatro Hermilo Borba Filho, às 20h, onde fica em cartaz amanhã e na próxima semana, dias 20 e 21 de abril.

Na releitura do conto dos irmãos Grimm, a periferia recifense é representada pelo humor potente do dramaturgo, que pinta personagens que driblam a escassez financeira e os preconceitos sexuais.

Celibi corre atrás de sua própria história. No ano passado, ele que já foi o mascote do grupo Vivencial – trupe irreverente que marcou o teatro pernambucano dos anos 1970/1980 – montou espetáculo Cabaré Diversiones. Além dele, outra viveca veterana participou da peça, Sharlene Esse. E um bando jovens atores, que em parte compõe o elenco de A Bicha Borralheira.

A estreia original ocorreu na antiga Misty, da Rua das Ninfas, em 12 de abril de 1985. Há 31 anos, portanto. Na boate, a micropeça preenchia o intervalo dos números de dublagens. Celibi inclusive era famoso por sua Maria Bethânia.

Do lado de fora, o Brasil vivia um clima de desconfiança, de esperanças frustradas, depois da euforia de uma campanha pelas Diretas Já e de uma vitória parcial, quando foi escolhido o presidente pelo Colégio Eleitoral. Tancredo Neves, o primeiro presidente civil eleito, depois do período de regime militar no Brasil, em eleição indireta pelo Congresso Nacional, não tomaria posse. O mineiro foi considerado clinicamente morto no dia 12, mas o óbito só foi anunciado no dia 21 de abril.  “Após 38 dias de agonia, e sete cirurgias, o primeiro presidente civil eleito desde o Golpe Militar, morre.”

O vice da chapa, José Sarney, do PFL, assume a presidência. Durante o período de comoção nacional alimentado pelas emissoras de TV, e, principalmente depois, especulou-se sobre um plano arquitetado pelas mãos do regime autoritário para que o poder permanecesse com quem já estava.

Essa discussão não vem ao caso. Mas é interessante notar como Celibi, com as antenas de artista, capta em seu título algo que merece reflexão ontem e hoje. A história que sua mãe não contou. A História subtraída e que ganha narrativas estranhas novamente pelos agentes da plutocracia.

Elenco

Elenco

Em meados da década de 1980, falar dos excluídos e de sua força de subverter lugares era um ato político muito mais arriscado. Com um humor explosivo, Henrique Celibi investia nisso. Atualmente as questões de gênero ganham outras conotações e requerem outros avanços.

Celibi, além de dirigir e produzir, atua como a fada-macumba, que tem por missão viabilizar um cartão do sistema VEM para que Cinderela vá ao baile encontrar seu Príncipe, na Rua da Concórdia, durante o Galo da Madrugada.

Henrique Celibi. Foto: Facebook

Henrique Celibi. Foto: Facebook

ENTREVISTA // HENRIQUE CELIBI

Pelas minhas contas, a Bicha Borralheira teria 31 anos. Lembro que foi na época em que Tancredo Neves agonizava e causava uma comoção nacional. O que você lembra dessa época que você escreveu?
São 31 anos mesmo. A estreia na Misty aconteceu no dia 12 de Abril de 1985. Da época, como você bem disse; eu me lembro da euforia que tomava o país e nos enchia de esperança com uma República Nova, ao contrário da insegurança que as especulações políticas de hoje, que nos assustam.

Eu escrevi alguns releases para enviar aos jornais – Valdi Coutinho, Enéas Alvarez e outros – para lhe ajudar. Estávamos juntos porque ensaiávamos uma peça de Joaquim Cardozo, acho.
Sim você ajudou muito fazendo os releases que precisei para o jornal, pois, estávamos juntos na montagem do Casamento de Catirina, da obra do Joaquim Cardozo, adaptada por Vivi Pádua pelo Haja Teatro e Grupo Bumba, com direção de Paulinho Mafe e Carlos Varela; morávamos juntos praticamente. Você faz parte desta “estória” bem no inicio…

Bem, acho que no começo era uma performance e depois você foi acrescentando outras coisas, engrossando a peça. Você recorda qual a intenção ao escrever a Bicha Borralheira?
Fui convidado por Fefé e José Carlos (donos da Misty) para dirigir um show e como eu achava muito repetitiva a fórmula, que já era muito usada nas boates, decidi fazer algo mais pras revistas com quadros de humor. Fiz primeiro o Ensaios espontâneos que contava a história de um teste para a montagem de um musical, meio que “máfia” das amigas. Deu certo e em seguida fiz a Bicha Borralheira que era pra ficar duas semanas e ficamos três meses. Depois fiz A Batalha na Guararapes e Um, dois, direita, esquerda, vou ver… E o propósito sempre foi o mesmo: trabalhar pra sobreviver!

Você esperava a repercussão que teve com a montagem da Trupe do Barulho? A que você atribui esse sucesso?
Quando Jeison Wallace (Cinderela dos palcos e midiática) pediu os direitos de montagem em 1991, nem ele mesmo imaginava o que aconteceria. E o que aconteceu, o fenômeno, eu atribuo em grande parte ao querido José Mario Austregésilo, por ter dado a oportunidade para aqueles personagens entrarem nas casas das pessoas através da cobertura do carnaval da TV Jornal, conquistando logo a simpatia de todos que lotaram o Teatro Valdemar de Oliveira durante quase uma década. Sem a projeção da mídia talvez a história fosse outra, apesar do talento dos protagonistas.

Por que montar o “marco zero” da Bicha Borralheira? O que mudou para a Bicha e para a cidade do Recife?
A montagem é uma grande celebração ao teatro. A esse “teatro” específico que é tão mal visto por muitos que fazem teatro nesta cidade. E porque eu acredito ser o teatro a arte mais agregadora, apesar de alguns, que insistem em excluir e ou classificar o teatro por “tipos”. E porque já foi mais que provado que santo de casa faz milagres sim! Na época em que o “fenômeno” aconteceu, as salas de teatros andavam vazias, como estão hoje. E por ser também o homossexualismo um assunto tão velho que ainda é para muitos, um motivo de piadas de mau gosto.
Claro que a montagem não tem a pretensão de repetir o feito, mas, será bom para o teatro as diferentes visões e versões de uma mesma “estória”…
Quando me refiro ao santo de casa fazer milagres quero dizer que a Trupe do Barulho, mesmo nunca tendo incentivos de leis, estão produzindo com investimentos próprios há vinte e cinco anos. Assim como eu agora e muitos tantos que acreditam no que de maior existe no teatro, além do dinheiro que com ele se possa ganhar. Pra mim há muitas outras satisfações.

Ficha técnica:
Texto, direção, produção: Henrique Celibi
Elenco: Carlos Mallcom (Madrasta), Filipe Enndrio (Burralheira), Flavio Andrade (Príncipe), Renê Ribeiro e Robério Lucado (as irmãs), Henrique Celibi (Bicha Madrinha), Ítalo Lima (vassalo do rei)

SERVIÇO
A Bicha Borralheira, a estória que sua mãe não contou,
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, s/n, Bairro do Recife)
Quando: 13,14, 20 e 21 de abril, às 20h
Preço único: R$ 20

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Ela nasceu para brilhar

Claudia Raia. foto: Caio Gallucci

Claudia Raia comemora 30 anos de carreira no espetáculo que exalta sua carreira. Foto: Caio Gallucci

A atriz e bailarina Claudia Raia é uma das poucas estrelas brasileiras com fama de diva atualmente. Mas também vai à luta como empreendedora e é apontada como uma das figuras que consolidou o gênero musical no Brasil recente. Para brindar suas três décadas de profissão, ela protagoniza uma auto-homenagem, com o espetáculo Raia 30 – O musical. A superprodução tem direção de José Possi Neto e texto de Miguel Falabella e fará três sessões no Teatro Guararapes, em Olinda, neste fim de semana. Os ingressos custam de R$ 25 a R$ 180.

Nesse musical biográfico Claudia Raia interpreta a si mesma e repassa o gênero no Brasil. No apanhado geral da carreira, mostra quando, em 1983, aos 16 anos, fez o teste para o papel de Sheila, do musical Chorus Line, que seria montado em São Paulo em 1984.

Desde criança Claudia Raia desejava brilhar no palco. Aos sete anos, a bailarina mirim insistiu com a mãe para assistir ao irreverente grupo Dzi Croquettes, que passava por São Paulo. Ao falar com coreógrafo e bailarino norte-americano Lennie Dale (1934-1994) disse com a petulância da idade e de futura estrela: “Eu danço igual a você”. E mostrou. Esse episódio faz parte de um dos blocos da peça.

Em coreografia com Marcos Tumura. Foto: Caio Gallucci

Em coreografia com Marcos Tumura. Foto: Caio Gallucci

Críticos que viram a temporada no Rio e em São Paulo apontam ótima performance da atriz/ cantora/ bailarina e uma fragilidade da dramaturgia para expor os embates vividos pela protagonista. As coreografias de Tania Nardini, une quadros que fazem menções aos musicais A Chorus Line, Sweet Charity (2006) e Cabaret (2011). Alem da trilogia Não fuja da Raia (1991), Nas Raias da loucura (1993) e Caia na Raia (1996). E outros que resgatam sua atuação em ballet e teatro de revista, antes de 1983.

Cláudia Raia. Foto: Paschoal Rodriguez

A ida para Nova York e a relação com a arte de Bob Fosse (1927-1987), também rendem cenas. Raia interpretou, cantou, dançou e sapateou em mais de dez produções. E é apontada como uma das maiores entusiastas dessa arte no país.

Nesses estilhaços de memórias, criaturas importantes, como a mãe Odette e a irmã Olenka (ambas bailarinas e incentivadoras), são celebradas no musical, que conta com 14 atores e oito músicos executando a trilha ao vivo.

A atuação na televisão brasileira também é enfocada. Desde a estreia aos 17 anos, no programa Viva o Gordo, interpretando Carola ao lado de Jô Soares, no quadro Vamos Malhar. Passando por Tancinha, da novela Sassaricando (1987), à presidiária Tonhão, no programa TV Pirata (1988).

A direção de arte é assinada por Gringo Cardia, que se inspira no universo estilístico da designer norte-americana Dorothy Draper. São usados elementos do “rococó hollywoodiano”, um exagero que busca o glamour com cenário de cores bem berrantes. A superprodução é arquitetada com oito cenários. Os figurinos são de Fábio Namatame e a luz de Drika Matheus .

FICHA TÉCNICA
Texto: Miguel Falabella
Direção: José Possi Neto
Direção musical e vocal: Marconi Araújo
Coreografia: Tania Nardini
Produção geral: Sandro Chaim
Direção de arte, cenografia e design da identidade visual: Gringo Cardia
Figurino: Fabio Namatame
Design de luz : Drika Matheus
Design de som: Tocko Michelazzo
Visagismo: Dicko Lorenzo, Henrique Mello, Robin Garcia
Elenco: Claudia Raia, Marcos Tumura, Alberto Goya, Alessandra Dimitriou, Carol Costa, Daniel Cabral, Estela Beraldi, Elton Towersey, João Paulo de Almeida, Luana Zenun, Mariana Barros, Marilice Conseza, Matheus Paiva, Rodrigo Negrini
Produtores associados: Claudia Raia e Sandro Chaim
Produção local: Art Rec Produções

SERVIÇO
Raia 30, O Musical
Quando: Dia 16 de abril (sábado), às 17h30 e 21h / Dia 17 de abril (domingo), às 18h
Onde: Teatro Guararapes – Centro de Convenções de Pernambuco
Informações: (81) 3182.8020

INGRESSOS
Plateia especial (filas começando com a letra “A”): R$ 180 (inteira) e R$ 90 (meia)
Plateia (filas começando com a letra “B”): R$ 150 (inteira) e R$ 75 (meia)
Balcão: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Balcão promocional: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia) – 200 ingressos para cada sessão
* À venda na bilheteria do teatro, site Compre Ingressos e pelo telefone (81) 2626.2605
* Meia-entrada válida para maiores de 60 anos, professores, estudantes, assinantes do Diario de PE e Jornal do Commercio, clientes Porto Seguro e Itaucard.

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A inveja da carne

Alexandre Guimarães no espetáculo O Açougueiro. Lina Sumizono/Clix. Foto: Lina Sumizono/Clix

Alexandre Guimarães no espetáculo O Açougueiro. Fotos: Lina Sumizono/Clix

O monólogo O Açougueiro, com o ator pernambucano Alexandre Guimarães, recebeu elogios no 25º Festival de Teatro de Curitiba e ganhou até sessão extra no Fringe. Essa mostra paralela já revelou para o Brasil a encenadora, dramaturga e atriz Grace Passô e a companhia mineira Espanca!, com a peça Por Elise, na mostra paralela de 2005. Ou A Sutil Companhia de Teatro, em 2000, com A vida é Feita de Som e Fúria, dirigida por Felipe Hirsch com Guilherme Weber no papel principal. Foi também em Curitiba que o Angu de Teatro deu um salto em termos de projeção nacional.

Guimarães voltou ao Recife com mais fôlego para uma temporada. A peça, escrita e dirigida por Samuel Santos, está em cartaz às sextas-feiras de abril, às 20h, no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu.

A encenação destaca como a inveja é uma coisa perigosa e pode destruir vidas. Um açougueiro de um lugarejo do interior do Nordeste, apaixonado pela bela Nicinha, desperta a inveja na cidade. A felicidade é uma arma quente.

A grande ambição do protagonista é ter o seu próprio açougue. E se casar com a mulher que ama, a prostituta da cidade. O refrão “joga pedra na Geni…” é materializado pela intolerância e estupidez da sociedade, que inveja e condena seu relacionamento.

Com técnicas do Teatro Físico e Antropológico, o ator tira do corpo os sete personagens que, atravessam a trajetória de Antônio, produzindo um teatro altamente visual. O açougueiro vende o boi de abate. E encarna com o gestual, o boi de cercado, boi de rodeio, o boi de engorda, o boi reprodutor, que se metamorfoseiam quando tocados pelo amor. O intérprete se desdobra em muitos para narrar, entre aboios e toadas, essa história.

A dramaturgia é a transposição para o palco de uma conto de Samuel Santos. Ator e encenador traçam conexões entre a carne bovina, o gado, o consumo material e a ideia do corpo feminino, impuro, de Nicinha, a partir da visão dos seus juízes. A peça busca refletir sobre estigmas sociais. E apresenta um homem com expressão animalizada, cuja brutalidade é desconstruída pelo amor. Mas se vê ameaçado pela preconceito e zelotipia.

açougueiro. Lina Sumizono/Clix

Espetáculo está em cartaz no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, às sextas-feiras de abril

FICHA TÉCNICA:
Dramaturgia, encenação e desenho de luz: Samuel Santos
Atuação: Alexandre Guimarães
Preparação corporal e figurino: Agrinez Melo
Maquiagem: Vinicius Vieira
Preparação vocal: Naná Sodré
Projeto gráfico: Curinga Comuniquê
Operação de Luz: Domdom Almeida
Fotografias: Lucas Emanuel / Curinga Comuniquê

SERVIÇO:
O Açougueiro – Temporada
Quando: sextas-feiras (01, 08, 15 e 22) de abril
Onde: Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu
Quanto: R$ 20,00 e R$ 10,00
Classificação: 16 anos

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Mais uma edição do Todos verão teatro

Espetáculo Chico Cobra e Lazarino. Foto: Jô Albuquerque

Espetáculo Chico Cobra e Lazarino. Foto: Jô Albuquerque / Divulgação

Para fazer teatro em Pernambucano é preciso muita criatividade, jogo de corpo e sangue frio para lidar com a realidade adversa. Os realizadores da 17ª edição do Todos Verão Teatro tiveram que fazer alguns malabarismos para garantir a versão deste ano. Prevista para ocorrer em março, no Teatro Barreto Júnior o festival foi suspenso porque aquele teatro no Pina (fechado desde 2014) ainda está com problemas no sistema de ar-condicionado. Organizado pela Federação de Teatro de Pernambuco (Feteape), o evento começa nesta sexta-feira (8) e terá como palcos os Teatro Apolo e Arraial. E este ano, pela primeira vez, imprime um caráter competitivo à mostra. Treze espetáculos, entre eles 11 de Pernambuco e os outros dois da Paraíba e do Ceará fazem parte da programação. A peça caruaruense Chico Cobra e Lazarino abre a maratona, às 20h, no  Apolo.

Em Chico Cobra e Lazarino, o farmacêutico, Francisco Carneiro é um homem sensível, apaixonado por pastoril e pela literatura de cordel. Mas ao ser rejeitado, resolve se vingar de toda cidade de Coité. Ao ingerir um chá alucinógeno da casca de jurema, passa a se autointitular “Chico Cobra o perverso”. Sua revanche é ameaçada quando ele esbarra com Lazarino, o vendedor de bodes e rezador. Os planos dos dois ganham outras direções.

Dama da Noite, com ... Foto Divulgação

Dama da Noite, com Marcelo Francisco. Foto Divulgação

Além da encenação caruaruense, o programa conta com a encenação Anarquia Mística, do Grupo Experieus (PB), baseada nos poemas do paraibano Raniel Quintans; Haru, a Primavera do Aprendiz, do ilusionista Rapha Santacruz e Dama da Noite, da Cia. de Teatro Popular de Garanhuns, inspirado no conto A Dama da Noite do livro Os Dragões não Conhecem o Paraíso, de Caio Fernando Abreu.

José Brito e .... em Matueus e Catirina. Foto: Emanuel David dLucard

José Brito e Ivan Leite em Matueus e Catirina. Foto: Emanuel David D’Lúcard

Na comédia 25 anos de Munganga, o casal Mateus e Catirina é interpretado pelos atores Ivan Leite e José Brito. Os conflitos do casal passam por coisinhas miúdas do cotidiano como toalha molhada, escova de dente, sogra, peças íntimas, roupas espalhadas pela casa, entre outras situações. O texto é assinado pelos atores e a direção é de Alberto Braynner.

As montagens irão disputar prêmios nas categorias adultas e infantis: Melhor espetáculo; melhor direção; melhor ator; melhor atriz; melhor ator coadjuvante; melhor atriz coadjuvante; ator revelação; atriz revelação; melhor cenário; melhor figurino; melhor sonoplastia; melhor iluminação e melhor maquiagem. O troféu Socorro Raposo, leva o nome da primeira atriz a interpretar a Compadecida, de Ariano Suassuna.

O Todos Verão Teatro Primeiro é o primeiro projeto de popularização dessa arte em Pernambuco e nesta temporada inicia as comemorações dos 40 anos da FETEAPE – Federação de Teatro de Pernambuco. Participaram da organização desse Movimento Teatral de Pernambuco alguns nomes que já viraram história como Waldemar de Oliveira, Diná de Oliveira, João Ferreira, Argemiro Pascoal, Zara Santiago, José Francisco Filho, Marcus Siqueira, Valdir Coutinho entre outros

Já foram presidentes da Feteape José Francisco Filho, Marcus Siqueira, Celso Muniz, Conceição Acioli, Paulo de Castro, Zélia Sales, José Manuel, Tereza Amaral, Willians Santanna, Didha Pereira, Feliciano Felix, Romualdo Freitas, Zácaras Garcias, Roberto Carlos, Sebastião Costa e atualmente Roberto Xavier.

José Francisco Filho, o homenageado deste ano. Foto: Facebook

José Francisco Filho, o homenageado deste ano. Foto: Facebook

O produtor, diretor, iluminador e professor José Francisco Filho, presidente fundador da FETEAPE é o homenageado desta edição. É um versátil.

Desde o final da década de 1960 experimenta clássicos e textos contemporâneos e também se debruça sobre o teatro para a infância e a juventude. Entre os espetáculos que dirigiu estão Torturas de um Coração ou Em Boca Fechada Não Entra Mosquito, texto de Ariano Suassuna e A Revolta dos Brinquedos, de Pernambuco de Oliveira e Pedro Veiga, ambos em 1972; Prometeu Acorrentado, de Ésquilo, em 1973; Os Escolhidos, de Hilda Hilst (1974); A Barca d’Ajuda, de Benjamin Santos(1975). Em 1979 estreia Cordélia Brasil, de Antônio Bivar, com a atriz-produtora Suzana Costa. Também levam sua assinatura as montagens Viva a Rainha do Rádio, de Bóris Trindade, em 1988 e Salto Alto, de Mario Prata, em 1990, com a atriz-produtora Paula de Renor. Em 2008 encena Anjos de Fogo e Gelo, texto de Moisés Neto, inspirado na vida dos poetas Paul Verlaine e Arthur Rimbaud, e Apareceu a Margarida, de Roberto Athayde, pela Trupe do Barulho. Um currículo de respeito.

Programação

Teatro Apolo – Abertura

Dia 8/4 (Sexta-Feira) – 20h – Adulto
Chico Cobra e Lazarino – Assartic – Caruaru/Pe
Direção: Jô Albuquerque
Autor: Racine Santos
Elenco: Nelson Lima e Lamartine Duarte

Teatro Arraial Ariano Suassuna

Dia 9/4 (Sábado) – 16h – Infantil
Aruá, O Boi Encantado – Garanhuns/Pe

Dia 9/4 (Sábado) – 20h – Adulto
Anarquia Mística – Paraíba/Pb

Dia 10/4 (Domingo) – 16h – Infantil (Espetáculo Convidado)
Haru – A Primavera Do Aprendiz – Recife/Pe

Dia 10/4 (Domingo) – 20h – Adulto
Muganga – 25 Anos Mateus E Catirina – Recife/Pe

Casa  Da Cultura – Sede Da Feteape –  Oficinas Gratuitas
Dias 13 E 14/4 (Quarta e Quinta-Feira) – 15h – Oficina De Maquiagem Artística, Com André Neri

Teatro Apolo

Dia 13/4 (Quarta-Feira) – 20h – Adulto
O Misterioso Encantado – Jaboatão/Pe

Dia 14/4 (Quinta-Feira) – 20h – Adulto
Engenho Banguê – Cia. Yakecam – Recife/Pe

Dia 15/4 (Sexta-Feira) – 20h – Adulto
O Melhor Presente – Recife/Pe

Teatro Arraial Ariano Suassuna

Dia 16/4 (Sábado) – 16h – Infantil
A Menina Que Buscava O Sol – Vitória De Santo Antão/Pe

Dia 16/4 (Sábado) – 20h –  Adulto
A Dama Da Noite – Garanhuns/Pe
Cia. de Teatro Popular de Garanhuns
Texto: Caio Fernando Abreu
Direção: Pacheco Neto
Direção musical: Alexandre Revoredo
Elenco: Marcelo Francisco

Dia 17/4 (Domingo) – 10h – Infantil
A Bicharada – Jaboatão Dos Guararapes/Pe

Dia 17/4 (Domingo) – 16h – Infantil
Por Que Eu Não Posso Ser O Que Eu Quero Ser? Por Quê? – Olinda/Pe

Dia 17/4 (Domingo) – 20h – Adulto
Os Anjos De Augusto – Aracati/Ceará

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Para rir dos desejos pecaminosos

A peça ridiculariza e crítica figuras de poder e prestígio social. Foto:

A peça ridiculariza e crítica figuras de poder e prestígio social. Foto: Markermídia/ Divulgação

Os desejos humanos podem ser coisas medonhas. Tem potência para elevar ou arrasar com as criaturas. O espetáculo Angelicus Prostitutus, com texto de Hamilton Saraiva e direção de Rudimar Constâncio, explora os desejos pecaminosos, sob a ótica cristã. A humanidade corrompida pelas prostituições, no plural, é triturada pelas linguagens de comédia, da farsa, do circo, entre outras.

A prostituição abre um leque bem maior que o sexual. Há muitas outras maneiras. A depravação pode se inserir nas relações ideológicas; a imoralidade, na igreja; a devassidão, na família; a promiscuidade, no estado; o vício, na escola ou a perdição na polícia. Mas todos esses julgamentos são feitos a partir do riso.

Angelicus é um homem comum, mas daqueles que têm propensão a cometer erros. Não titubeia em mentir ou roubar e pode cometer até assassinatos. O personagem é julgado por Nossa Senhora e pelo Demônio, depois que morre. E os companheiros da vida pregressa assumem os papeis de   testemunhas e acusadores.

O espetáculo cumpre curta temporada no no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, nesta quinta-feira (7) e nos dias 14 e 21 de abril, às 20h. A montagem é do o grupo Matraca, do Sesc Piedade, e leva à cena 12 personagens, entre padre, policial, prostituta, jornaleiro, músico.

A arrecadação da bilheteria dessas apresentações será utilizada para custear a viagem do grupo ainda este ano para Portugal. A montagem foi convidada para compor a programação do ENTREtanto MIT Valongo – Mostra Internacional de Teatro. E já tem agenda para o festival Porto Alegre Em Cena.

Ficha técnica

Texto: Hamilton Saraiva
Encenação: Rudimar Constâncio
Elenco: Marcelino Dias, Carlos Lira, Célia Regina, Douglas Duan, Lucrécia Forcioni, Bruna Bastos, Luciana Lemos, Luiz Gutemberg, Marinho Falcão, Mauricio Azevedo, Gabriela Fernandes e Gabriel Conolly
Assistência de Direção: Almir Martins
Direção de Arte (figurinos, cenários, adereços e maquiagem): Célio Pontes
Assistente de Direção de Arte: Manuel Carlos
Músicas e Arranjos: Demetrio Rangel e Douglas Duan
Direção musical: Demetrio Rangel e Douglas Duan
Iluminação e Operação de Luz: Luciana Raposo
Preparação Corporal e Coreografias: Saulo Uchôa
Preparação da Voz para a cena: Leila Freitas
Preparação Circense: Boris Trindade Júnior
Preparação da Voz para o canto: Douglas Duan
Preparação Percussiva: Charly Du Q
Contrarragragem e Cenotécnica: Elias Vilar e Clovis Júnior
Direção de Produção: Ana Júlia da Silva
Produção Executiva: Lucrécia Forcioni
Confecção de Adereços: Manuel Carlos, Jerônimo Barbosa
Confecção de Figurinos: Manuel Carlos, Helena Beltrão e Irani Galdino
Confecção de Máscaras: Douglas Duan e Célia Regina
Confecção de Materiais de Iluminação: Luciana Raposo
Execução de Cenários: Manuel Carlos.
Programação Visual: Claudio Lira
Fotos e Filmagem: Makermídia
Direção Geral: Rudimar Constâncio
Realização: Sesc Piedade

SERVIÇO

Angelicus Prostitutus
Quando: Dias: 7, 14 e 21 de abril, às 20h
Onde: Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu, Boa Viagem
Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)

 

 

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