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Muitas peles ligam o eu ao universo

Espetáculo Segunda pele. Foto: Renata Pires/Divulgação

Espetáculo Segunda pele. Fotos: Renata Pires/Divulgação

Vestir e desnudar faz parte de uma experiência complexa e na recriação do espetáculo Segunda Pele, mais radical. Está povoada de significados. De descascar. Dos adornos que comunicam muito além das roupas – de prisões e liberdades, épocas e memórias. Do corpo como espaço expandido. Do toque e do que isso desperta. Texturas, alucinações, voos, raízes. Com sua arte, o Coletivo Lugar Comum provoca reflexão na cena que vai da superfície ao avesso. Esse agrupamento de diferentes linguagens (dança, teatro, música, artes visuais, performance e literatura) aposta na potência de transformação, deles próprios e de quem pode ser afetado, esteticamente, politicamente, culturalmente e artisticamente.

Segunda Pele está em cartaz aos sábados, domingos e segundas, até o dia 9 de maio, sempre às 19h, na Casa do Coletivo Lugar Comum, em Santo Amaro. Com duração de 70 minutos, a peça de dança performática explora uma dramaturgia cênica não linear e apresenta cenas simultâneas nos vários espaços, na tentativa de estimular uma percepção mais sensorial.

Esta temporada recebe o incentivo do Funcultura – Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura.

Montagem é do Coletivo Lugar Comum

Montagem é do Coletivo Lugar Comum

O universo artístico do pintor, arquiteto, ativista e idealista austríaco Friedensreich Hundertwasser (1928-2000) é a inspiração para o trabalho. Ele rejeitava as linhas retas, no que isso tem de mais conservador e os autoritarismos. Sua teoria das 5 peles aponta para uma nova concepção de mundo.

A epiderme é a área que fica mais próximo do eu interior, que carrega a nudez e a infância. Hundertwasser fabricava suas próprias roupas para combater os três males da segunda pele: uniformidade, simetria e tirania da moda. A terceira pele, a casa, deveria harmonia natureza e humanos. O arquiteto defendia que “Tudo o que se estende horizontalmente debaixo do céu pertence à natureza”.

A identidade para Hundertwasser (a quarta camada) se amplia para o ambiente social, da família, amigos, passando pelo bairro até o país. A quinta pele inclui a Humanidade (e campanhas contra o racismo e a favor da paz, contra a energia nuclear, a favor da utilização dos transportes públicos e do plantio de árvores) a ecologia.  A quinta pele estica até ao infinito.

A teoria das 5 peles de Friedensreich Hundertwasser é uma das inspirações

A teoria das 5 peles de Friedensreich Hundertwasser é uma das inspirações

A concepção e criação do espetáculo é da bailarina e pesquisadora Liana Gesteira, em conjunto com as bailarinas Renata Muniz, Maria Agrelli, Maria Clara Camarotti e Silvia Goes. Na primeira versão do espetáculo, as bailarinas trabalharam mais  a vestimenta, a segunda pele. Nesta remontagem é feita uma conexão com todas as peles.

A temporada é dedicada à costureira Xuxu, que participou do grupo desde a criação do espetáculo, em 2012.  Nos dias 30 de abril e 1º de maio, as apresentações de Segunda Pele contarão com audiodescrição e intérprete de Libras, seguidas de bate-papo entre artistas e público.

Serviço
Temporada do espetáculo Segunda Pele
Quando: Sábados, domingos e segundas, às 19h até o dia 9 de maio
Onde: Casa do Coletivo Lugar Comum (Rua Capitão Lima, 210)
Quanto: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Mais informações: (81) 9 9229 5620

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As encrencas de um mentiroso

A atriz Isabela Leão em cena no espetáculo Pinóquio e suas desventuras. Foto: Sayonara Freire

Conhecemos a trajetória de Pinóquio, o insolente boneco de madeira, da fábula de Carlo Collodi, escrita e publicada no final do século 19. Toda vez que mentia via crescer, de forma incontrolável, o próprio nariz. Há muitas possibilidades de leitura para o conto. E isso demonstra a riqueza dessa narrativa. O grupo de teatro Cênicas Companhia de Repertório, dá pistas de suas opções a partir do título da versão Pinóquio e suas Desventuras, em que elenca os percalços enfrentados pelo protagonista. O espetáculo faz curta temporada, com novo elenco, neste domingo (17) e no próximo, 24 de abril, às 17h, no Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu. A música é executada ao vivo pelos atores e por três músicos, utilizando instrumentos musicais e brinquedos.

A trupe quer destacar dicotomias pontuadas do texto para propor uma reflexão. Inocência versus crueldade inconsciente, juras e descumprimentos, deslizes, chantagens e manipulações. A montagem de Antônio Rodrigues sublinhar alguns episódios – que vez por são omitidos  nas cenas -, como a morte da menina Azul, que sempre aparecia para socorrer Pinóquio nos momentos complicados; a prisão de Gepetto, o carpinteiro que criou a marionete e a fome do personagem principal.

Os prazeres e diversões de Pinóquio o afastavam do caminho da escola. O que essas figuras “pré-digitais” tem a nos dizer sobre a educação das crianças ou a relação de autoridade? Para encenar esse conto de fadas e preservar o caráter onírico do original, a trupe vai buscar nas HQs (histórias em quadrinhos) e desenhos animados, na metateatralidade e no teatro de bonecos os elementos para criar esse universo mágico. O resultado também depende do calibre moralista entalhado na encenação.

Ficha Técnica
Texto: Pinóquio e Suas Desventuras
Autor: Antônio Rodrigues – Livremente inspirado na obra de Carlo Collodi.
Direção: Antônio Rodrigues
Elenco: Raul Elvis, Sônia Carvalho, Rogério Wanderley, Antônio Rodrigues, Ana Souza, Gysele Brasiliano, Pablo Souza e Isabela Leão.
Direção musical: Demétrio Rangel
Músicos: Luciano Brito, Ivanise Santana e Monique Nascimento
Cenografia e Figurinos: Luciano Pontes
Iluminação: Luciana Raposo
Operação de Luz: Nardônio Almeida
Adereços: Altino Francisco
Bordados: Sônia Carvalho
Maquiagem: Marcondes Lima
Execução de figurino: Maria Lima e Madalena do Vale
Projeto Gráfico: Alexandre Siqueira
Cenotécnico: Mário Almeida
Produção Executiva: Antônio Rodrigues e Sônia Carvalho
Contrarregra: Manu Costa e Álcio Lins
Realização: Cênicas Cia de Repertório

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Seu Rei mandou ferver a imaginação

Luciano Pontes e Gustavo Villar. Foto: Sheila Oliveira

Luciano Pontes e Gustavo Villar. Foto: Sheila Oliveira

O dom de fabular é uma das características do humano. Uns tem mais jeito (ou mais treino) do que outros. É um deleite conferir narrativas da tradição oral. O trabalho do ator, diretor e escritor Luciano Pontes é um habilidoso incentivo à imaginação da criançada e à ampliação do repertório cultural do público mirim. Com o espetáculo Seu Rei Mandou, a Cia Meias Palavras joga as sementes para ajudar no desenvolvimento cognitivo. O mote vem do universo fabuloso dos reis, a partir de releituras cômicas e poéticas e sempre lúdicas,

Seu Rei Mandou inicia nova temporada neste sábado (16) até o dia 28 de maio, no Teatro Marco Camarotti, no Sesc Santo Amaro. As sessões são aos sábados e domingos, sempre às 16h e os ingressos custam R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada).

A montagem investe no diálogo entre a narrativa, a música e o teatro de formas animadas, para descortinar um mundo imenso de conflitos, impasses e saídas. Os contos encenados exploram trajetória de tirania, coragem, astúcia e bonanças de três reis: A Lavadeira RealO Rato que roeu a Roupa do Rei de Roma e O Rei chinês Reinaldo Reis.

Seu Rei Mandou reconquista o prazer em ouvir histórias populares e através das vivências dos personagens é possível vivenciar emoções e estimular o potencial crítico da criança.  A peça é resultado da ampla pesquisa que Luciano Pontes desenvolve há anos sobre tradição oral, narração e contação histórias e está há quatro ano no repertório da companhia. A montagem tem texto, direção, figurinos e atuação de Luciano Pontes, acompanhado no palco pelo músico Gustavo Vilar.

Nessa temporada, que tem o incentivo do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), o texto da peça está disponível para a venda, por R$ 20. Lançado em outubro do ano passado, livro Seu Rei Mandou marca a estreia do selo editorial Edições Meias Palavras, com texto e ilustrações de Luciano Pontes e projeto gráfico da designer Hana Luzia.

O livro da peça está à venda no teatro. Foto Lana Pinho

O livro da peça está à venda no teatro. Foto Lana Pinho

Antes de cada sessão, a Cia Meias Palavras instala um espaço para leitura partilhada de livros que serviram de inspiração dos espetáculos no foyer do teatro. São 27 títulos sobre histórias de reis, pesquisadas para Seu Rei Mandou.  E mais de 30 sobre oralidade, causos, cordéis e contos populares, que serviram de base para outra montagem do grupo, a peça As Travessuras de Mané Gostoso.

Confira também a crítica de Ivana Moura sobre o espetáculo.

Ficha técnica Seu Rei Mandou:
 Criação, adaptação e concepção: Luciano Pontes
Intérprete: Luciano Pontes
Músico: Gustavo Vilar
Pesquisa musical, composição e arranjos: Gustavo Vilar e Luciano Pontes
Figurinos: Luciano Pontes
Iluminação: Luciana Raposo
Produção: Cia Meias Palavras

Serviço:
 Seu Rei Mandou
Quando:De 16 de abril a 28 de maio, aos sábados e domingos, às 16h
Onde: Teatro Marco Camarotti – SESC Santo Amaro (Rua Treze de Maio, 455,Santo Amaro)
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada)
Informações: (81) 3216-1728

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Se jogue no brega com o Grupo Experimental!

Breguetu faz nova temporada no Espaço Experimental Foto: Rogério Alves

Breguetu faz nova temporada no Espaço Experimental,no Bairro do Recife. Fotos: Rogério Alves

O que é ser brega? Na música, na dança, na moda, no visual, o gênero se espalhou e o estilo ostentação vai do subúrbio ao centro e eclode em um território rizomático. Artistas da periferia disseram estou aqui e não estou nem aí para as regras do bom gosto burguês ou de técnicas tradicionais.  A liberdade de cantar e dançar suas realidades é defendida como a democratização que permite a qualquer um virar um astro. Vale a comunicação do  sentimento e da situação.  O espetáculo de dança Breguetu, do Grupo Experimental, ressalta o lado festivo do fenômeno como identidade. E com essa alegria contagiante, a trupe inicia nova temporada neste sábado (16) e fica em cartaz todos os sábados, às 20h e domingos, às 19h. Depois vai circular pelo Norte e Sudeste, com incentivo do Prêmio Klauss Vianna e do Funcultura.

A peça surgiu a partir da pesquisa A dança no corpo desse lugar, realizada pelo Experimental em 2014, que investigou os movimentos e manifestações culturais do Recife. O espetáculo concebido pela diretora da companhia, Mônica Lira, percebe a contaminação do brega no ritmo do Recife. Bregaetu ganhou o prêmio de Melhor Espetáculo pelo júri técnico do 21º Janeiro de Grandes Espetáculos.

O brega provoca movimentos de repulsão quando é taxado de feio ou cafona. Mas carrega seus distintivos para seus protagonistas. A relação amorosa pode ser rotulada de brega, pelos olhos recriminatórios de quem está de fora. Quem participa está tomado. E é com esse anseio de pertencimento, de algo inebriante que a equipe dança num clima de felicidade. Na sensualidade do corpo e no sorriso no rosto.

Nessa dança da alegria, o Experimental aponta que “todos somos bregas em alguma coisa na vida”.  Muito além dos estereótipos, carrega na ginga a legitimação da periferia. Tudo junto e misturado: sinais de violência e erotismo, denúncia de disparidades sociais e do “eu lírico”. Manifestações populares com doses generosas de humor.

Espetáculo tem direção de Mônica Lira

Espetáculo tem direção de Mônica Lira

Ficha Técnica
Concepção e Direção: Mônica Lira (Grupo Experimental)
Intérpretes Criadores: Lilli Rocha, Jorge Kildery, Rafaella Trindade, Gardênia Coleto, Márcio Filho e Rebeca Gondim
Projeto de Iluminação: Beto Trindade
Trilha sonora: Marcelo Ferreira e João Paulo Oliveira
Sonoplastia: Adelmo do Vale
Figurino: Carol Monteiro
Design: Carlos Moura
Cabelo e maquiagem: Jennyfer Caldas
Produção: Emeline Soledade
Cenotécnico: Eduardo Autran
Textos e assessoria de comunicação: Paula Caal
Duração: 60’
Indicação: 16 anos

Serviço
Espetáculo Breguetu, do Grupo Experimental
Quando:
Sábados, às 20h, domingos. às 19h, a partir do dia 16 de abril
Onde: Espaço Experimental – Rua Tomazina, nº 199, 1º andar, Recife Antigo
Ingresso: R$ 30 e R$15 (meia), à venda no local, duas horas antes do espetáculo
Informações: (81) 3224-1482 / 98812-1036

 

 

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Poesia circula com Loucos e Oprimidos da Maciel

Espetáculo Pólo Marginal - Opereta de rua. Foto: Miguel Igreja

Espetáculo Pólo Marginal – Opereta de rua. Fotos: Miguel Igreja

Feito menestréis modernos, os integrantes do Grupo de Teatro de Rua Loucos e Oprimidos da Maciel saem em turnê para espalhar poesia. Em bando, buscam um sentido da existência. Com o espetáculo Pólo Marginal – Opereta de Rua a trupe circula por oito municípios, comunidade quilombola ou distritos em Pernambuco. Essa turma de poetas-piratas-saltimbancos leva na bagagem palavras que são tesouros para curar e alimentar o espírito, para exercitar a sensibilidade das criaturas empedernidas deste século 21. A circulação estadual começa por São José do Belmonte e Triunfo neste final de semana.

A obra poética do escritor e jornalista pernambucano Marco Pólo Guimarães é a base da encenação, que tem roteiro e direção de Carlos Salles (in memoriam) e assistência de direção de Rodrigo Torres.  A solidão do poeta, a fugacidade do real e o vazio doído da existência são cantados em versos. As questões contemporâneas são declamadas para expor os estados do ser e as mazelas sociais.

As músicas da banda Ave Sangria – conjunto dos anos 1970 no Recife, liderado por Pólo, que era o vocalista e compositor – são também tocadas e cantadas pelo elenco formado por  Cris Santos, Maria Dias, Pedro Félix, Roberta Lúcia, Rodrigo Torres, Sandro Sant’na, Celso José e Walgrene Agra.

O projeto é incentivado pelo Funcultura/Governo do Estado de Pernambuco e realizado em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Social (IDS). Esta circulação estadual conta ainda com apoio das prefeituras municipais e do SESC Garanhuns.

Em atividade desde 2007 a trupe já fez suas andanças com as encenações Do Moço e do Bêbado Luna, inspirada na obra do poeta Erickson Luna. E tem planos de montar peças a partir da obra de outros poetas marginais como França e Miró.

Ficha técnica
Espetáculo Pólo Marginal – Opereta de Rua, com o Grupo de Teatro de Rua Loucos e Oprimidos da Maciel
Texto: Marco Pólo Guimarães
Roteiro e direção: Carlos Salles (in memoriam)
Assistência de direção: Rodrigo Torres.
Elenco: Cris Santos, Maria Dias, Pedro Félix, Roberta Lúcia, Rodrigo Torres, Sandro Sant’na, Celso José e Walgrene Agra
Registro de imagens: Felipe Santos
Contrarregra: Josi Rodrigues
Coordenação de produção: Rodrigo Torres
Produção executiva: Celso José
Assistência de produção: Josi Rodrigues, Maria Dias e Walgrene Agra

trupe faz itinerância por oito municípios, comunidade quilombola ou distritos em Pernambuco

trupe faz itinerância por oito municípios, comunidade quilombola ou distritos em Pernambuco

Programação da Circulação Estadual Por Pernambuco (entrada franca)

Dia 16 de abril de 2016 (sábado), às 19h, no Pátio de Eventos Cacau do Banco, em São José do Belmonte;

Dia 17 de abril de 2016 (domingo), às 17h, no Pátio de Eventos Maestro Madureira, em Triunfo;

Dia 30 de abril de 2016, às 17h, no Largo da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, na Comunidade Quilombola Timbó, em Garanhuns;

Dia 1º de maio de 2016, às 17h, na Praça Estácio Coimbra (Praça da Fonte), em São Caetano;

Dia 14 de maio de 2016, às 20h, na Quadra do Morro da Conceição, no bairro de Casa Amarela, no Recife;

Dia 15 de maio de 2016, às 17h, na Praça do Carmo, em Olinda.

Dia 21 de maio de 2016, às 20h, na Praça Abelardo Sena (Praça do Surfista), em Ribeirão;

Dia 22 de maio de 2016, às 17h, na Praça Central de Chã de Sapé, em Itaquitinga;

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