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Recife intensifica calendário cultural
com programação internacional

Germaine Acogny encerra dois festivais simultâneos, Foto: Thomas Dorn

O último terço do ano confirma a vocação do Recife como palco de experiências cênicas diversificadas. Nos próximos dias a cidade recebe simultaneamente festivais consolidados e estreias nacionais, criando densidade artística que atravessa teatros, parques e espaços alternativos. A programação reúne desde a presença singular de Germaine Acogny, figura seminal da dança contemporânea africana, até companhias europeias que investigam novas possibilidades do circo contemporâneo.

Aos 81 anos, Germaine Acogny chega ao Teatro Santa Isabel como ponto de convergência entre o Festival Internacional de Dança do Recife e o Festival de Teatro do Agreste – Feteag. Fundadora da École des Sables no Senegal, considerada a mais importante escola de dança contemporânea da África, ela desenvolveu metodologia própria que associa técnicas tradicionais senegalesas com formação moderna adquirida em Nova York nos anos 1970.

À un endroit du début surge como síntese autobiográfica onde Acogny revisita suas origens através do prisma da tragédia grega. A montagem, criada em colaboração com o diretor franco-alemão Mikaël Serre, conecta as palavras proféticas de sua avó, a sacerdotisa Aloopho, com o sofrimento de Medeia. A dramaturgia corporal e os elementos cênicos incluem projeções que potencializam a gestualidade ancestral, criando diálogo temporal entre cosmogonia iorubá e dramaturgia clássica ocidental. Ganhadora do Leão de Ouro na Bienal de Dança de Veneza em 2021, Acogny transforma o palco em território onde sua técnica singular ganha dimensão ritualística.

Antes da chegada da mestre senegalesa, o Festival de Dança do Recife apresenta criações que exploram identidade e ancestralidade através da corporeidade. Orun Santana desenvolve em “Orunmilá” um paralelo poético entre sua identidade pessoal e a divindade iorubá da sabedoria e adivinhação. O espetáculo incorpora o jogo de búzios como elemento dramatúrgico, encarnando figuras diferentes e construindo caminhos para lidar com o tempo em seu caráter espiralar, conectando-se à pesquisa do artista sobre A ancestralidade do presente.

Na mesma linha investigativa, Marcos Teófilo questiona expectativas sociais em Para Expectativa Somente Desvios, utilizando narrativas corporais complexas que propõem caminhos alternativos através do movimento. Enquanto isso, a Batalha da Escadaria no Compaz Eduardo Campos reúne vertentes da cultura urbana metropolitana: Serafin’s Company mistura afrobeats com hip hop local, criando sonoridade que reflete a diversidade cultural da região; a Batalha de All Style reúne dançarinos de diferentes vertentes; e o Baile Charme manifesta a cultura de rua que mescla dança, música e sociabilidade urbana.

Paralelamente, o Feteag 2025 examina questões contemporâneas através de obras que interrogam estruturas sociais. Bolor, de Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi, emprega fungos como protagonistas metafóricos de processos de decomposição e renascimento, confrontando diretamente a mitologia freyreana do açúcar. A criação expõe a violência estrutural da plantation açucareira através de estética que valoriza redes subterrâneas de resistência, dialogando com pensadores como Malcom Ferdinand e Anna Tsing para imaginar futuros decoloniais.

Nessa perspectiva crítica, Les Sans (Os sem), do coletivo Les Récréâtrales-ELAN de Burkina Faso, adapta o pensamento de Frantz Fanon para o teatro através do reencontro de dois ex-companheiros de luta. Ali Kiswinsida Ouédraogo explora o conflito entre Franck e Tiibo, onde um mantém ideais de transformação social enquanto o outro foi cooptado pelo sistema que combatiam, interrogando as limitações da independência burkinabê e questionando se a libertação formal constitui verdadeira descolonização.

Cia Etc reflete sobre as pulsões contemporâneas com O Tempo das Lebres. Foto: Divulgação

Enquanto os festivais investem em questões identitárias e pós-coloniais, a Cia. Etc. celebra 25 anos de trajetória com uma reflexão sobre o tempo contemporâneo. O Tempo das Lebres, investigação artística iniciada em 2019 e inspirada no livro homônimo do filósofo José Antônio Feitosa Apolinário, nasce da urgência de examinar o estado contemporâneo onde pressa e produtividade atingem níveis que empurram o mundo a um estado permanente de exaustão, ansiedade e desconexão, mesmo após a crise provocada pela pandemia.

A estética techno atravessa a montagem, reforçando a pulsação frenética das cidades e das telas presentes na sociedade contemporânea. Dirigida por Marcelo Sena e Filipe Marcena, a obra questiona o culto à velocidade e pergunta sobre o que acontece com quem não acompanha o ritmo imposto. Nesse contexto, a escolha do estúdio da TV Universitária como espaço cênico permite mesclar linguagens da dança, performance, audiovisual, instalação e música, criando imersão inédita onde o audiovisual torna-se parte essencial dos processos de aceleração tecnológica.

Importante destacar que a acessibilidade integra a dramaturgia: audiodescritoras caminham junto ao público composto por pessoas cegas e com baixa visão, narrando cada cena em tempo real no pé do ouvido. Essa escolhas técnica dialoga com as apresentações que sucedem uma série de performances urbanas que serviram como laboratório criativo – Tempo Morto, Fast Foda, Escape e Memória do Mundo – intervenções que discutiram corpo, ritmo e desconforto em espaços públicos.

Experimentações Autorais no Espaço O Poste

Luanda Ruanda – histórias africanas. Foto: Tatá Costa

Fabíola Nansurê em Barro Mulher

Negaça

Em outro território de criação, o Espaço O Poste funciona como laboratório de produções autorais que desenvolvem pesquisas continuadas sobre identidade, memória e resistência. Nessa programação curada, Fabíola Nansurê, reconhecida por suas pesquisas sobre corpo e território, constrói em Barro Mulher uma dramaturgia sensorial que utiliza barro como elemento cênico central. A obra explora texturas, plasticidade e simbolismo do material para questionar padrões estéticos e sociais impostos aos corpos femininos, propondo reflexão sobre resistência, autoconhecimento e reconexão com elementos primordiais da natureza.

A encenação dialoga com tradições ceramistas nordestinas e práticas rituais ancestrais, criando pontes entre saberes populares e linguagem cênica contemporânea. Essa mesma busca por conectar tradições e contemporaneidade aparece em Luanda Ruanda: Histórias Africanas, onde Stephany Metódio, especializada em culturas africanas e afro-brasileiras, apresenta experiência que resgata narrativas africanas através de contação que conecta tradições orais do continente com experiências da diáspora no Brasil.

A artista desenvolve dramaturgia que articula contos tradicionais de diferentes regiões da África com reflexões sobre identidade, pertencimento e resistência cultural, utilizando música, dança e elementos visuais para criar atmosfera que transporta o público para universos narrativos ricos em simbolismo e ensinamentos ancestrais. A montagem possui relevância educativa e cultural, funcionando como instrumento de valorização da herança africana e combate ao racismo através da arte. Contemplado três vezes pelo Funcultura-PE, o espetáculo já percorreu mais de 15 comunidades quilombolas e foi vencedor do Prêmio Pernalonga de Teatro 2024 na categoria Teatro para Infância.

Fechando essa trilogia de investigações identitárias, Urubatan Miranda encerra a programação mensal com Negaça, solo que explora construções de masculinidade no contexto nordestino através de autobiografia cênica que articula memória pessoal com questões coletivas sobre identidade de gênero e afetividade. O trabalho questiona estereótipos sobre homens nordestinos, explorando sensibilidades, vulnerabilidades e formas de amar que escapam aos padrões heteronormativos dominantes, utilizando humor, poesia e crítica social para desconstruir imagens cristalizadas sobre masculinidade sertaneja.

Diálogo Entre Arte e Ciência

Frankinh@ em cartaz na Caixa Cultural Recife. Foto vilmar carvalho

Transitando para um território conceitual diferente, o Coletivo Gompa apresenta na CAIXA Cultural temporada dupla que coloca arte em diálogo direto com ciência, biologia, literatura e física. Frankinh@, vencedor do Prêmio SESC de Artes Cênicas e já apresentado em 18 cidades brasileiras, além de Rússia e Cuba, mescla narração, teatro, dança, artes visuais e trilha sonora original para reinventar a primeira obra de ficção científica da história.

A montagem busca despertar o imaginário infantil e sua capacidade criativa através da história de Victor Frankenstein, jovem esquisito e solitário que acaba criando alguém para lhe fazer companhia, desafiando os limites da ciência. A Criatura não sai exatamente como planejado, ensinando Victor a lidar com surpresas e transformações.

Em contrapartida, a versão adulta Frankenstein revisita o clássico de Mary Shelley com olhar contemporâneo, criando paralelos entre corpo feminino e Amazônia, explorando questões como pertencimento, violência e identidade. No palco, os bailarinos Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti dão vida às vozes de Sandra Dani e Elcio Rossini, em encenação que combina textos, cenário, figurinos e iluminação com narrativa decolonial. A trilha sonora, assinada por Álvaro Rosa Costa, é manipulada ao vivo buscando criar “dissonância Frankenstein”, unindo samples, ruídos e improvisações.

Sonho Encantado de Cordel – O Musical é inspirado no enredo da Escola Imperatriz Leopoldinense 

No circuito dos grandes espetáculos, Sonho Encantado de Cordel – O Musical se apresenta como uma das mais ambiciosas produções teatrais da temporada. O espetáculo, inspirado no enredo Uma Delirante Confusão Fabulística de 2005, criado por Rosa Magalhães para a Imperatriz Leopoldinense em homenagem ao centenário de Hans Christian Andersen, funde elementos da cultura nordestina com o universo dos contos de fadas dinamarqueses.

A produção de Thereza Falcão conta com mais de 10 cenários e 50 figurinos criados pela carnavalesca Rosa Magalhães – obra póstuma da artista, que faleceu em julho deste ano aos 77 anos, deixando todos os desenhos prontos na noite anterior à sua partida. Mauro Leite, braço direito de Rosa, conduz a execução dos figurinos, dialogando com projeções e vídeos dirigidos por Batman Zavareze. As coreografias são assinadas por Renato Vieira, enquanto Marcelo Alonso Neves assina a direção musical.

O diferencial musical reside nas 10 composições inéditas de Paulinho Moska, Chico César e Zeca Baleiro, criando linguagem sonora que honra raízes nordestinas e universalidade fabular. A história gira em torno de Rosa Cordelista, jovem que sonha em se tornar grande cordelista e, através de sonho mágico, encontra Hans Christian Andersen em jornada repleta de personagens míticos.

Jeison Walace como Cinderela. Foto: Divulgação

Também investindo no humor como linguagem, o Teatro do Parque recebe Jeison Wallace em Cinderela em: Toda Cidade Tem, espetáculo que explora com inteligência as peculiaridades e situações do cotidiano encontradas em qualquer cidade brasileira. O comediante, consolidado como uma das principais referências da comédia nacional, constrói esquetes que abordam desde fofoca de bairro até personagens que marcam o dia a dia local, criando identificação imediata com públicos diversos através de piadas que fazem aquela mistura.

Na mesma linha de entretenimento familiar, Os 3 Super Porquinhos, também no Teatro do Parque, recebe tratamento contemporâneo de Roberto Costa, transformando o conto clássico em comédia musical que aborda preservação ambiental. A adaptação inverte arquétipos tradicionais: o Lobo torna-se personagem cômico e educativo, interagindo com crianças e se mostrando bobalhão, enquanto a caminhada final pela paz e preservação na floresta propõe conscientização sobre causas ambientais atuais.

Tom na Fazenda, sucesso de público e crítica no Brasil e exterior

Por outro lado, o Teatro Luiz Mendonça recebe produções de maior densidade dramática, como Tom na Fazenda, adaptação da peça de Michel Marc Bouchard que retorna ao Recife após turnê europeia de cinco meses, incluindo temporada de um mês em Paris com recorde de público e bilheteria, além de participação no Festival de Edimburgo. O espetáculo, visto por mais de 150.000 pessoas em mais de 450 apresentações desde 2017, explora sobrevivência emocional em ambiente rural hostil.

A trama acompanha Tom, que viaja para fazenda no interior após morte de seu companheiro para participar do funeral. Lá encontra a mãe, que desconhece a orientação sexual do filho falecido, e o irmão, camponês violento que insiste através de agressão que Tom esconda o relacionamento da mãe enlutada. Na fazenda, mentir torna-se primeira condição de sobrevivência, criando dramaturgia visceral que mistura realismo e expressionismo para abordar homofobia interiorizada e construção de masculinidades.

Festival de Circo

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Nove Tentativas de Não Sucumbir, da Cia Devir 

Espetáculo Juventud da Cie NDE funde dança e malabarismo

Completando esse panorama diversificado, o Festival de Circo do Brasil democratiza acesso ao circo contemporâneo através de programação com espetáculos espalhados por teatros, parques e espaços públicos, sendo 9 totalmente gratuitos. Abrindo essa celebração circense, a Cia Devir apresenta Nove Tentativas de Não Sucumbir, obra dirigida por Jean Michel Guy que transforma o ato de equilibrar-se no trapézio em metáfora sobre reconhecimento, resistência e reinvenção. Entre técnica, vulnerabilidade e humor, o espetáculo investiga o que mantém corpos em movimento e a força de tentar – mais uma vez – não sucumbir.

Da esfera internacional, a programação inclui Copyleft da Cie. NDE, que reúne dream team de cinco países – Juan Duarte Mateos (Uruguai), Lucas Castelo Branco (Brasil), Nahuel Desanto (Argentina), Gonzalo Fernandez Rodriguez (Espanha) e Walid El Yafi (França) – em turbilhão de malabarismo e dança com 45 minutos de duração. Criada para espaços públicos e terrenos diversos, a obra combina precisão técnica e energia coletiva sob direção de Nicanor de Elia.

Retornando à produção nacional, o Grupo Esparrama traz Esparrama Circo, homenagem à tradição popular do circo que transforma o cotidiano em espetáculo. Os palhaços convidam o público a tornar-se protagonista da cena, despertando memórias afetivas ligadas ao riso, ao jogo e à convivência coletiva. Nessa mesma linha participativa, o Coletivo Fuscirco apresenta A Risita, onde Rupi e Pitchula chegam com Fusca Azul 1974 trazendo circo completo: música, malabares, equilibrismo e humor cearense. Do carro que é transporte e lar surgem todos os elementos, transformando o picadeiro em espetáculo que garante interação e alegria do início ao fim.

Valorizando a produção local, a Mostra PE celebra talentos pernambucanos com cinco números: Aura Duo de Jéssica Moura e Fernanda Victor em lira acrobática baseada em confiança e sincronia; Malabares da Família Malanarquista celebrando malabarismo e arte de rua; Balanceiro de Paiace Brotin com habilidades bambolísticas no trânsito; Escada Sem Limites de Xixa Morales com uma das maiores escadas de equilíbrio do Brasil (4,5 metros); e Eclipse: Dança dos Astros de Jimmy Sá, onde artista e lira criam analogia ao fenômeno astronômico.

Explorando territórios experimentais, Hyperboles da Cie. SCoM busca aprofundar interseções entre skate e acrobacia, conectando essas linguagens a reflexão sobre o lugar das mulheres em práticas historicamente dominadas por homens. Reunindo artistas circenses e skatistas de diferentes culturas, o projeto propõe criação de espaço de troca onde cada corpo contribui para enriquecimento artístico mútuo.

Ainda na linha de espetáculos itinerantes, How Much We Carry? do Cirque Immersif convida à pausa e ao encontro ao redor de aparelho circense inusitado: a percha gigante em constante desequilíbrio. Com olhar sensível sobre o verbo “carry” – que significa tanto carregar quanto cuidar –, dois personagens conduzem tudo que encontraram pelo caminho, criando homenagem às caminhadas e àqueles que cruzam nossa trajetória.

Representando a pesquisa continuada brasileira, a Cia Nós No Bambu apresenta dois solos de Poema Mühlenberg que consolidam mais de quinze anos de pesquisa em arte-corpo-bambu. Sarayvara celebra 21 anos de dedicação, enquanto O Vazio É Cheio de Coisa constitui síntese de sua investigação, criando dramaturgia de imagens e significados que emergem da relação sensível entre humano e vegetal. Artista e artesã, Poema cuida de bambuzal: colhe, projeta, trata e constrói instrumentos, transpondo saberes artesanais para corpo cênico.

Nas criações internacionais mais conceituais, Fragmentos da La Víspera explora distorções e desintegrações corporais, transformando dor em linguagem cênica através de máscaras, marionetes e experimentações com luz. O espetáculo aborda fragmentação como alívio paradoxal ao sofrimento, criando thriller circense sobre processo de transformação contínua entre escolhas pessoais e atravessamentos externos.

Por outro lado, Vermelho, Branco e Preto de Cibele Mateus dá vida à figura cômica “Mateu” do Cavalo Marinho pernambucano, construindo brincadeira-manifesto que celebra alegria como tecnologia de reexistência, misturando riso, poesia e encantamento popular para questionar padrões coloniais e afirmar ancestralidade.

Em outra abordagem crítica, Le Bruit des Pierres do Collectif Maison Courbe entrelaça circo coreográfico, artes visuais e teatro físico para examinar ganância da sociedade ocidental pelo ouro. Duas mulheres personificam essa obsessão: uma cobre pedras com folhas douradas em gesto ritual repetitivo, enquanto outra as devora freneticamente até a overdose. Entre pedras e corpos surgem coreografias que exploram suspensão, desequilíbrio e queda, trazendo reflexão sobre exaustão capitalista e fragilidade ambiental.

Encerrando essa mostra circense, Juventud da Cie NDE funde dança e malabarismo, transformando fisicalidade circense em campo de experimentação e liberdade. A obra propõe manifestação em movimento constante, onde beleza não está na ordem ou perfeição, mas na complexidade do coletivo, em que indivíduo e grupo se complementam sem se anular.

Serviço 

Encerramento dos Festivais (Dança e Feteag)

À un endroit du début (Germaine Acogny)
Síntese autobiográfica entre cosmogonia iorubá e tragédia grega
Data: 26 de outubro de 2025 (Domingo) | Horário: 19h
Local: Teatro Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio)
Ingressos: Gratuito (retirada 1h antes, mediante doação de 1 kg de alimento não perecível)

Festival Internacional de Dança do Recife

Orunmilá (Orun Santana) | Jogo de búzios como dramaturgia espiralar sobre ancestralidade
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 14h e 19h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho | Acessibilidade: Libras
Para Expectativa Somente Desvios (Marcos Teófilo) | Narrativas corporais complexas questionam expectativas sociais
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 20h30
Local: Teatro Apolo | Acessibilidade: Libras
Cavalo Marinho Estrela Brilhante | Manifestação popular nordestina mistura teatro, dança e improviso
Data: 26 de outubro de 2025 (Domingo) | Horário: 16h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Circo Experimental Negro – O Encontro da Tempestade e a Guerra | Intersecção afrocentrada entre circo, dança e teatro
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 17h
Local: Teatro Apolo
Lúden Cia de Dança – Ciclobrega” | Fusão inusitada entre dança contemporânea e cultura do brega
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 18h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Batalha da Escadaria” | Cultura urbana pernambucana em afrobeats, hip hop e baile charme
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 15h às 21h
Local: Compaz Eduardo Campos

FETEAG 2025

Bolor” (Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi) | Fungos como metáfora da decomposição da mitologia açucareira
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 19h
Local: Teatro Rui Limeira Rosal | Ingressos: Gratuito
Les Sans (Os sem)” (Les Récréâtrales-ELAN) | Pensamento fanoniano questiona limitações da independência africana
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 21h
Local: Teatro Lycio Neves | Ingressos: Gratuito
L’Opéra du villageois” (Compagnie Zora Snake) | Performance-ritual ressuscita máscaras africanas roubadas pelos museus europeus
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 17h
Local: Estação Ferroviária | Ingressos: Gratuito
Corpos” (Cie Mangrove) | Laboratório coreográfico entre culturas caribenhas e brasileiras
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 19h
Local: Teatro Rui Limeira Rosal | Ingressos: Gratuito
Inquieta (Música)” (Larissa Lisboa com Gabi da Pele Preta) | Nova cena musical pernambucana negra e LGBTQIA+
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 21h
Local: Teatro Lycio Neves | Ingressos: Gratuito

Cia. Etc. – 25 Anos

O Tempo das Lebres” | Estética techno examina aceleração contemporânea e exaustão sistêmica
Datas: 24 e 25 de outubro (Recife) | 30 e 31 de outubro (Triunfo)
Horário: 20h (Recife) | 19h (Triunfo)
Local: TV Universitária – Estúdio B (Recife) | Sociedade Triunfense de Cultura (Triunfo)
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia) – Recife | Gratuito – Triunfo
Classificação: 12 anos | Mais informações: @ciaetc

Espaço O Poste – Laboratório Autoral

Barro Mulher” (Fabíola Nansurê) | Dramaturgia sensorial questiona padrões estéticos através do barro
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 19h
Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia)
Luanda Ruanda: Histórias Africanas” (Stephany Metódio) | Contação antirracista conecta tradições africanas com diáspora brasileira
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 16h
Local: Espaço O Poste | Ingressos: Gratuito | Classificação: Livre
Negaça” (Urubatan Miranda) | Solo autobiográfico desconstrói estereótipos da masculinidade nordestina
Data: 31 de outubro de 2025 (Quinta-feira) | Horário: 19h
Local: Espaço O Poste | Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia)

CAIXA Cultural Recife – Coletivo Gompa

Frankinh@ – Uma história em pedacinhos” | Primeira ficção científica da história adaptada para despertar imaginário infantil
Datas: 25 e 26 de outubro e 1º de novembro | Horários: 17h (sábado) | 11h (domingo)
Local: CAIXA Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia) | Classificação: Livre
Acessibilidade: Sessão de 26/10 com Libras | Informações: (81) 3425-1915
Frankenstein” | Perspectiva decolonial conecta corpo feminino e Amazônia
Datas: 30 de outubro (Quinta-feira), 31 de outubro (Sexta-feira) e 1º de novembro (Sábado) | Horário: 20h
Local: CAIXA Cultural Recife | Classificação: A partir de 16 anos
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia) | Acessibilidade: Sessão de 31/10 com Libras

Produções Teatrais

Sonho Encantado de Cordel – O Musical” | Fusão entre Hans Christian Andersen e cultura nordestina inspirada na Imperatriz Leopoldinense
Datas: 25 de outubro (Sábado) e 26 de outubro (Domingo) | Horários: Sábado: 17h | Domingo: 15h e 17h
Local: Teatro Luiz Mendonça (Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem)
Patrocínio: Ministério da Cultura e CAIXA Vida e Previdência
Cinderela em: Toda Cidade Tem” (Jeison Wallace) | Humor inteligente sobre peculiaridades do cotidiano urbano brasileiro
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 18h30
Local: Teatro do Parque (R. do Hospício, 81, Recife)
Ingressos: R120(inteira)/R 60 (meia) / R$ 80 (social com 1kg alimento)
Classificação: 14 anos | Informações: (81) 98463-8388
Os 3 Super Porquinhos” | Comédia musical inverte arquétipos para conscientização ambiental
Data: 26 de outubro de 2025 (Domingo) | Horário: 11h
Local: Teatro do Parque | Ingressos: R100(inteira)/R 50 (meia) / R$ 70 (social)
Acessibilidade: Libras | Informações: @robertocostaproducoes
Tom na Fazenda” | Sobrevivência emocional em ambiente rural hostil após turnê europeia
Datas: 7 de novembro (Sexta-feira), 8 de novembro (Sábado) e 9 de novembro (Domingo) | Horários: Sex/Sáb: 20h | Dom: 19h
Local: Teatro Luiz Mendonça
Chapeuzinho de Neve Adormecida” | Confusão divertida entre múltiplos contos clássicos
Data: 1º de novembro (Sábado) | Horário: 16h30 | Ingressos: R50 a R 100
Local: Teatro Luiz Mendonça
A Princesa dos Mares – O Musical” | Jornada épica oceânica com mensagem de preservação ambiental
Data: 2 de novembro (Domingo) | Horário: 16h30 | Ingressos: R50 a R 100
Local: Teatro Luiz Mendonça

Festival de Circo do Brasil – 13 Espetáculos

Nove Tentativas de Não Sucumbir” (Cia Devir) | Trapézio como metáfora sobre resistência e reinvenção humana
Datas: 31 de outubro (Quinta-feira) e 1º de novembro (Sábado) | Horário: 19h
Local: Teatro Apolo | Classificação: 14 anos
Ingressos: Gratuito (retirada via Sympla) | Acessibilidade: 1º/11 com Libras
Copyleft” (Cie. NDE) | Dream team internacional em turbilhão malabarístico de cinco países
Data: 8 de novembro (Sábado) | Horário: 15h
Local: Parque Apipucos | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
Esparrama Circo” (Grupo Esparrama) | Público como protagonista em homenagem à tradição circense popular
Datas: 1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo)
Local: Parque Santana – Ariano Suassuna | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
A Risita” (Coletivo Fuscirco) | Circo completo em Fusca Azul com humor cearense
Datas:
1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo) | Parque Santana – Ariano Suassuna
3 de novembro (Segunda-feira) | 15h | Compaz Ariano Suassuna
4 de novembro (Terça-feira) | 16h | Vera Cruz/Aldeia – Camaragibe
Classificação: Livre | Ingressos: Gratuito
Mostra PE” | Cinco números da produção local pernambucana
Datas: 1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo)
Local: Parque Santana (Casa Forte) | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
Hyperboles” (Cie. SCoM) | Interseção entre skate e acrobacia questionando lugar das mulheres
Datas: 1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo)
Local: Parque Santana – Ariano Suassuna | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
How Much We Carry?” (Cirque Immersif) | Percha gigante em desequilíbrio como convite ao encontro
Datas:
1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo) | Parque Santana (Casa Forte)
7 de novembro (Sexta-feira) | 16h30 | Alto da Sé (Olinda)
8 de novembro (Sábado) | 15h | Oficina Francisco Brennand (Várzea)
9 de novembro (Domingo) | 16h | Praça do Arsenal (Recife Antigo)
Classificação: Livre | Ingressos: Gratuito
Sarayvara” (Cia Nós No Bambu) | 21 anos de pesquisa arte-corpo-bambu em celebração
Data: 7 de novembro (Sexta-feira) | Horário: 19h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito (retirada via Sympla)
O Vazio É Cheio de Coisa” (Cia Nós no Bambu) | Síntese de 15 anos de investigação entre humano e vegetal
Data: 6 de novembro (Quinta-feira) | Horário: 20h
Local: Teatro de Santa Isabel | Classificação: 12 anos
Ingressos: Sympla
Fragmentos” (La Víspera) | Thriller circense explora fragmentação mental como sobrevivência
Datas: 6 de novembro (Quinta-feira) e 8 de novembro (Sábado) | Horário: 19h30
Local: Teatro Apolo | Classificação: 14 anos
Ingressos: Sympla
Vermelho, Branco e Preto” (Cibele Mateus) | Mateu do Cavalo Marinho como brincadeira-manifesto de reexistência
Datas: 5 de novembro (Quarta-feira) e 6 de novembro (Quinta-feira) | Horário: 19h30
Local: Teatro Apolo | Classificação: 12 anos
Ingressos: Sympla | Acessibilidade: 5/11 com Libras
Le Bruit des Pierres” (Collectif Maison Courbe) | Obsessão pelo ouro revela exaustão capitalista e fragilidade ambiental
Datas: 8 de novembro (Sábado) e 9 de novembro (Domingo) | Horários: Sáb: 20h | Dom: 18h
Local: Teatro de Santa Isabel | Classificação: Livre
Ingressos: Sympla
Juventud” (Cie NDE) | Energia coletiva através de malabarismo, movimento e experimentação
Data: 9 de novembro (Domingo) | Horário: 17h
Local: Teatro do Parque | Classificação: 10 anos
Ingressos: Sympla
Informações Gerais: A programação oferece sessões com Libras em múltiplos espetáculos e 9 espetáculos gratuitos no Festival de Circo (além de 4 com ingressos via Sympla), democratizando acesso à cultura de qualidade internacional.

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Teatro é ao Vivo. Vá Ver!
Apacepe resgata campanha de divulgação

Cúmplices, com Fabiana Pirro e Júnior Sampaio participa da campanha Teatro é ao Vivo. Vá Ver!

Produtor Paulo de Castro na reunião da retomada na Câmara dos Vereadores

Encontro na Câmara, que definiu os rumos da retomada, com articulação da vereadora Cida Pedrosa (ao centro)

A retomada da campanha Teatro é ao Vivo. Vá Ver! pela Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (APACEPE) chega como uma promessa de aproximação do potencial público pagante com a produção teatral do estado. Após um hiato que coincidiu com transformações profundas no consumo cultural brasileiro, intensificadas durante a pandemia, esta iniciativa reafirma a arte presencial como experiência insubstituível frente virtualização crescente.

Entre 2004 e 2014, o modelo original estabeleceu uma referência nacional de divulgação teatral. Durante uma década, o projeto garantiu visibilidade para aproximadamente 2.600 espetáculos através de mais de 8.300 inserções televisivas na Rede Globo Nordeste. Baseando-se em contribuições de R$ 150 por semana de cada produção, enquanto a emissora cedia gratuitamente o espaço publicitário, gerou-se um valor estimado de divulgação superior a 49 milhões de reais em valores atuais.

Através desta estrutura, criou-se um sistema democrático de divulgação que beneficiou diretamente o ecossistema teatral pernambucano. Com 16 inserções semanais de um minuto cada, garantia-se exposição regular para produções que, de outra forma, dependiam exclusivamente de divulgação boca a boca ou materiais impressos com alcance limitado. Consequentemente, grupos menores, sem orçamento publicitário significativo, passaram a competir em visibilidade com grandes produções.

Além da divulgação, o projeto padronizou a comunicação teatral em Pernambuco, criando uma linguagem visual reconhecível que educou o público sobre a programação cultural disponível. Esse processo resultou em aumento documentado na frequência aos teatros e na formação de novos hábitos de consumo cultural, especialmente entre segmentos populacionais que tradicionalmente não frequentavam espaços culturais.

Programação de Retorno

Cantiga à Pedra do Reino, de Lucinha Guerra, abriu a projeto nos dias 17 e 18 de outubro. Foto: Reprodução

Cúmplices – Transgressões de um Ricardo III, com Fabiana Pirro e Junior Sampaio. Foto: Michéli de Quadros

Esquecidos por Deus, monólogo com Murilo Freire. Foto: Tayná Nunes e Sérgio Ricardo / Divulgação

Gracinha do Samba apresenta A Raiz do Samba com entrada gratuita. Foto: Reprodução

Geraldo Maia apresenta Minha História Sou Eu, celebrando 45 anos de carreira. Foto: Reprodução 

Iniciada em 17 de outubro, a programação de relançamento demonstra a amplitude conceitual que a campanha pretende manter. Inaugurando oficialmente o retorno, o espetáculo Cantiga à Pedra do Reino, de Lucinha Guerra, ocupou nos dias 17 e 18 o Teatro Arraial Ariano Suassuna, estabelecendo conexões com o legado de Ariano Suassuna através do Movimento Armorial.

Dando continuidade ao cronograma, quatro espetáculos representam diferentes linguagens das artes cênicas. Nos dias 22 e 23 de outubro, Cúmplices – Transgressões de um Ricardo III, com concepção de Moncho Rodriguez e direção de João Guisande e Moncho Rodriguez, ocupa o Teatro Marco Camarotti. Interpretado por Fabiana Pirro e Junior Sampaio, o espetáculo oferece uma leitura politicamente densa da obra shakespeariana, questionando estruturas de poder e mecanismos de cumplicidade social diante de regimes autoritários. Explorando a sedução do poder absoluto e a corrosão moral que acompanha sua busca, a produção dialoga diretamente com questões contemporâneas urgentes.

Para o dia 29 de outubro, Esquecidos por Deus, monólogo com Murilo Freire, baseia-se na obra O Livro das Personagens Esquecidas de Cícero Belmar, com direção e dramaturgia de José Manoel Sobrinho. Navegando pelos territórios da memória, da fé e da identidade, características centrais na dramaturgia nordestina, o espetáculo evidencia a confiança na potência narrativa individual que marca o teatro pernambucano, sendo uma realização do LAPA – Laboratório Pernambucano do Atuante.

A programação musical encerra a semana de lançamento com dois espetáculos no Teatro Capiba. Gracinha do Samba apresenta A Raiz do Samba com entrada gratuita, acompanhada por uma banda formada por Ralph (violão, coral e voz guia), Rinaldo (cavaco), Miguel (coral, pandeiro e malacacheta), Rafael Galdino (surdo), Nyll (tantanzinho, efeitos e coral), Nego Thon (repique, conga e efeitos) e Augusto (tamborim). Com produção geral de Pedro Castro, o espetáculo valoriza as tradições populares e democratiza o acesso cultural.

Fechando a programação no dia 31 de outubro, Geraldo Maia apresenta Minha História Sou Eu, celebrando 45 anos de carreira. Com direção musical de Renato Bandeira e acompanhamento de Gilberto Bala (percussão), Lieve Ferreira (viola) e Renato Bandeira (violão, viola e guitarra semi-acústica), o show funciona como ponte entre gerações, oferecendo aos espectadores mais jovens a oportunidade de conhecer referências fundamentais da música pernambucana. Sob produção geral de Pedro Castro e assistência de produção de Sayonara Silva, o espetáculo marca uma celebração de trajetórias artísticas consolidadas.

Desafios do Retorno

Desde 2014, o cenário midiático transformou-se radicalmente. Com audiências pulverizadas entre plataformas de streaming, redes sociais e conteúdos sob demanda, tornou-se exponencialmente mais difícil alcançar grandes audiências através de um único veículo. Diferentemente do modelo televisivo original, onde a Globo Nordeste assumia os custos de veiculação, as mídias digitais exigem investimentos contínuos em impulsionamento e produção de conteúdo.

Paralelamente às mudanças tecnológicas, a pandemia alterou permanentemente os hábitos de consumo cultural. Desenvolvendo resistência a aglomerações e preferência por experiências controladas em casa, o público também reduziu o orçamento destinado a atividades culturais presenciais. Consequentemente, a campanha precisa reconquistar a confiança na experiência teatral como atividade necessária, exigindo estratégias de comunicação mais sofisticadas que as chamadas de um minuto da versão original.

No aspecto econômico, o modelo financeiro original tornou-se insustentável. Enquanto os custos de produção teatral aumentaram exponencialmente, as receitas diminuíram, tornando qualquer custo adicional um obstáculo significativo para muitas companhias. Simultaneamente, os custos de produção audiovisual profissional cresceram, especialmente para conteúdos que competem por atenção nas mídias digitais.

Estratégias de Adaptação

Estrategicamente, a descentralização por diferentes espaços teatrais – Teatro Arraial Ariano Suassuna, Teatro Marco Camarotti e Teatro Capiba – amplia o alcance do projeto, criando novos hábitos de consumo cultural e fortalecendo o circuito teatral da região metropolitana do Recife. Considerando que cada teatro possui identidade arquitetônica e frequentadores específicos, a campanha consegue atingir segmentos diversificados de público.

No campo digital, a ampliação da presença mencionada no material de divulgação reflete a compreensão de que o mercado cultural contemporâneo exige estratégias híbridas de comunicação. Entretanto, o slogan “Teatro é ao Vivo. Vá Ver!” mantém sua força provocativa, funcionando como manifesto contra a virtualização excessiva das experiências culturais.

Contextualmente, o retorno da campanha em 2025 ocorre durante a recuperação gradual do setor cultural pós-pandemia, quando muitos artistas ainda enfrentam dificuldades financeiras e de público. Portanto, iniciativas como esta representam gestos de afirmação da importância social das artes cênicas, testando a disposição da sociedade pernambucana para revalorizar as experiências culturais presenciais e coletivas.

SERVIÇO

Teatro é ao Vivo. Vá Ver! – Programação

22 e 23 de outubro – 19h30
📍 Teatro Marco Camarotti – Sesc Santo Amaro
🎭 Cúmplices – Transgressões de um Ricardo III
Reflexão sobre poder, ética e cumplicidade diante de regimes autoritários
🎟️ R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia ou ingresso social + 1kg de alimento)

29 de outubro – 19h30
📍 Teatro Marco Camarotti – Sesc Santo Amaro
🎭 Esquecidos por Deus
Monólogo com Murilo Freire, baseado na obra de Cícero Belmar
🎟️ R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia)

30 de outubro – 19h30
📍 Teatro Capiba – Sesc Casa Amarela
🎶 Gracinha do Samba – A Raiz do Samba
Celebração do samba de raiz e suas tradições
🎟️ Entrada gratuita

31 de outubro – 19h30
📍 Teatro Capiba – Sesc Casa Amarela
🎤 Geraldo Maia – Minha História Sou Eu
Show comemorativo dos 45 anos de carreira
🎟️ R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)

Ficha Técnica:
🎭 Cúmplices – Transgressões de um Ricardo III
Concepção: Moncho Rodriguez
Direção: João Guisande e Moncho Rodriguez
Intérpretes: Fabiana Pirro e Junior Sampaio
Dramaturgia: Moncho Rodriguez
Música: Narciso Fernandes
Figurinos: Marília Castro e Moncho Rodriguez
Cenário: Moncho Rodriguez
Produção: Paulo de Castro Produções e PIANE

Ficha Técnica:
🎭 Esquecidos por Deus
Texto: Cícero Belmar
Direção e Dramaturgia: José Manoel Sobrinho
Atuação: Murilo Freire
Realização: LAPA – Laboratório Pernambucano do Atuante

Ficha Técnica:
🎶 Gracinha do Samba – A Raiz do Samba
Voz: Gracinha do Samba
Músicos: Ralph (violão, coral e voz guia), Rinaldo (cavaco), Miguel (coral, pandeiro e malacacheta), Rafael Galdino (surdo), Nyll (tantanzinho, efeitos e coral), Nego Thon (repique, conga e efeitos), Augusto (tamborim)
Produção geral: Pedro Castro

Ficha Técnica:
🎤 Geraldo Maia – Minha História Sou Eu
Cantor: Geraldo Maia
Direção musical: Renato Bandeira
Músicos: Gilberto Bala (percussão), Lieve Ferreira (viola) e Renato Bandeira (violão, viola e guitarra semi-acústica)
Produção geral: Pedro Castro
Assistente de produção: Sayonara Silva
Realização: APACEPE – Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco

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Dez dias de memória em movimento
28º Festival Internacional de Dança do Recife

Festival reúne mais de 20 espetáculos com artistas de cinco países… Fotos: José Luiz Pederneiras / Divulgação

… celebra meio século do Grupo Corpo e homenageia o Acervo RecorDança. Piracema e acima Pindorama

Em 10 dias, artistas de cinco países movimentam uma programação que vai acontecendo em diferentes pontos da capital pernambucana. A 28ª edição do Festival Internacional de Dança do Recife ocorre de 17 a 26 de outubro, reunindo mais de 20 espetáculos que transita entre tradição e contemporaneidade, do Teatro de Santa Isabel às praças públicas da cidade.

O festival chega com uma programação robusta: França, Argentina, Espanha e Senegal marcam presença internacional, enquanto mais de 70% da programação fica por conta de grupos e artistas pernambucanos. São seis teatros, duas praças públicas, um museu e um compaz que recebem desde o Grupo Corpo – que celebra 50 anos de trajetória – até jovens bailarinos do Projeto Primeira Cena.

O Grupo Corpo, fundado em 1975 em Belo Horizonte, chega ao Recife carregando meio século de uma trajetória que redefiniu a dança brasileira no cenário internacional. Criado pelos irmãos Paulo e Rodrigo Pederneiras, o grupo se tornou uma das companhias mais respeitadas do mundo, conhecido por sua capacidade única de traduzir a brasilidade em movimentos que dialogam com a contemporaneidade global sem perder suas raízes.

Com mais de 40 obras no repertório e apresentações em mais de 60 países, o Corpo construiu uma linguagem própria que agrega técnica apurada, trilhas sonoras marcantes e cenografias ousadas. Piracema, espetáculo inédito traduz a própria trajetória do grupo: como os peixes que sobem a correnteza do rio numa jornada épica de resistência e renovação, o Corpo atravessou décadas mantendo-se vivo, criativo e sempre em movimento, conquistando seu lugar como patrimônio vivo da cultura brasileira. Parabelo, peça de 1997, faz a abertura nas duas noites.

Le Sacre du Sucrealexandre boissot

Já a bailarina e coreógrafa Léna Blou, de Guadalupe, vai transformar a história colonial da cana-de-açúcar em dança contemporânea, explorando as conexões dolorosas entre Caribe e Nordeste brasileiro através do espetáculo Le Sacre du Sucre (A Sagração do Açúcar). Por  outro lado, o coletivo argentino BiNeural-MonoKultur promete transformar o jardim do Teatro do Parque numa pista de dança com Dancemos… que o mundo se acaba!, obra performática que mistura dança, música eletrônica e interação direta com o público. E fechando o festival, a lendária Germaine Acogny – considerada a “mãe da dança contemporânea africana” – apresenta À un endroit du début, misturando danças tradicionais senegalesas com técnicas contemporâneas que aprendeu durante os anos 1970 em Nova York.

Memória em Movimento é o tema que costura essa programação diversa, prestando homenagem ao Acervo RecorDança, coletivo pernambucano fundado em 2017 que há anos se dedica a guardar a história da dança no estado através da digitalização de documentos históricos, produção de entrevistas com pioneiros da dança local, criação de podcasts e documentários, além da realização de ações pedagógicas que conectam diferentes gerações de bailarinos. O grupo atua como uma verdadeira biblioteca viva da dança pernambucana, resgatando memórias que estavam se perdendo e garantindo que as novas gerações tenham acesso a essa herança cultural. Porque memória não é só passado – é combustível para o que está por vir.

Flaira Ferro. Foto Claudia Dalla Nora / Divulgação

🎭 O Protagonismo Local: Pernambuco em Movimento
Flaira Ferro: A Embaixadora do Frevo
A pernambucana Flaira Ferro é uma das principais representantes da cultura popular contemporânea do estado. Passista de frevo reconhecida nacionalmente, ela terá participação dupla no festival, mostrando a versatilidade de seu trabalho:

🎤 Show (18 de outubro, 19h – Teatro Apolo)
Apresentação que mistura frevo tradicional com sonoridades contemporâneas, demonstrando como a cultura popular pode dialogar com diferentes linguagens sem perder sua essência.

👥 Aulão de Frevo (19 de outubro, 10h às 11h30 – Teatro Hermilo Borba Filho)
Atividade pedagógica gratuita onde Flaira compartilha os fundamentos do frevo, conectando diferentes gerações em torno dessa manifestação cultural patrimônio da humanidade.

Patrimônios Vivos da Cultura Pernambucana

🥁 Bacnaré – Nações Africanas (20 de outubro, 14h – Teatro do Parque)
O grupo Bacnaré, reconhecido como patrimônio vivo do Recife, é uma das principais referências da cultura afro-brasileira em Pernambuco. Fundado há mais de quatro décadas, o coletivo preserva e recria tradições africanas através da dança, música e teatro. O espetáculo Nações Africanas celebra as diversas etnias que formaram a base cultural afro-brasileira, apresentando danças e ritmos que conectam o Recife diretamente às suas raízes ancestrais.

🐎 Cavalo Marinho Estrela Brilhante (26 de outubro, 16h – Teatro Hermilo Borba Filho)
O Cavalo Marinho é uma das manifestações mais ricas da cultura popular nordestina, misturando teatro, dança, música e improviso. O grupo Estrela Brilhante é uma das principais referências dessa arte em Pernambuco, mantendo viva uma tradição que remonta ao período colonial. A apresentação no encerramento do festival reafirma a importância das tradições populares como base da identidade cultural pernambucana.

Nova Geração: Projeto Primeira Cena

🌟 Revelando Talentos (21 de outubro, 19h – Teatro Hermilo Borba Filho)
O Projeto Primeira Cena é uma das iniciativas mais importantes do festival para o fomento da dança local. Este ano, quatro coreografias foram selecionadas, representando a diversidade da nova geração de bailarinos e coreógrafos pernambucanos:

Meu Frevo é assim – Cia de Dança Recifervo
Companhia jovem que se dedica à pesquisa e contemporaneização do frevo, explorando novas possibilidades coreográficas sem perder a essência do ritmo tradicional.

Corpo Fé: Trânsitos de presenças, ausências e águas – Irys Oliveira
Pesquisa autoral que investiga as relações entre corpo, espiritualidade e elemento aquático, temas centrais na cultura e geografia pernambucanas.

Fissura – Samuel José
Trabalho solo que explora as fraturas e resistências do corpo contemporâneo, dialogando com questões urbanas e sociais da realidade local.

Corpos que dançam entre gerações e memórias – Escola Viradança
Coreografia coletiva que conecta diferentes idades e experiências, materializando o tema do festival através do encontro entre veteranos e novatos da dança.

Experimentação e Vanguarda Pernambucana

🌍 Cia ETC – Memória do Mundo (21 de outubro, 12h – Praça do Derby)
A Cia ETC é conhecida por suas intervenções urbanas que questionam o cotidiano através da dança. Memória do Mundo será apresentada no meio da agitação da Praça do Derby, propondo uma reflexão sobre como a arte pode alterar a percepção do espaço urbano e criar momentos de contemplação no meio da correria cotidiana.

🎪 Circo Experimental Negro – O Encontro da Tempestade e a Guerra (25 de outubro, 17h – Teatro Apolo)
Coletivo que trabalha na intersecção entre circo, dança e teatro, sempre com uma perspectiva afrocentrada. O espetáculo aborda questões relacionadas à resistência negra e aos conflitos históricos, usando o corpo como território de luta e celebração.

🚴 Lúden Cia de Dança – Ciclobrega (25 de outubro, 18h – Teatro Hermilo Borba Filho)
Intervenção que mistura dança contemporânea com a cultura do brega, gênero musical profundamente arraigado na cultura popular pernambucana. A proposta é criar um diálogo inusitado entre linguagens aparentemente distintas, mostrando como a cultura popular pode ser fonte de inovação artística.

Novos Criadores em Destaque

🎭 Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi
Trio que representa a nova geração de criadores pernambucanos, apresentando dois trabalhos no festival:

Bolor (22 de outubro, 19h – Teatro Hermilo Borba Filho)
Trabalho que investiga processos de decomposição e renovação, tanto corporais quanto sociais.

Onde a Vida Insiste (23 de outubro, 19h – Praça da Várzea)
Apresentação ao ar livre que explora a resistência da vida em contextos adversos, tema que dialoga diretamente com a realidade social pernambucana.

🌟 Orun Santana – Orunmilá (24 de outubro, 14h e 19h – Teatro Hermilo Borba Filho)
Artista que trabalha na intersecção entre dança contemporânea e tradições afro-brasileiras. “Orunmilá” faz referência ao orixá da sabedoria e do destino, explorando as conexões entre corpo, ancestralidade e futuro.

Marcos Teófilo – Para Expectativa Somente Desvios (24 de outubro, 20h30 – Teatro Apolo)
Coreógrafo que se destaca pela capacidade de criar narrativas corporais complexas. O espetáculo questiona as expectativas sociais e propõe outros caminhos possíveis através do movimento.

🔥 Balé Afro Raízes – Os Guerreiros: A Luta pela Sobrevivência (21 de outubro, 20h – Teatro do Parque)
Grupo especializado em danças afro-brasileiras que apresenta espetáculo sobre resistência e luta, temas centrais na história da população negra em Pernambuco.

Dança Urbana e Cultura de Rua

🎤 Batalha da Escadaria (25 de outubro, 15h às 21h – Compaz Eduardo Campos)
Evento que reúne diferentes vertentes da cultura urbana pernambucana:

Serafin’s Company – From Afrobeats to hip Hop Heat!
Coletivo local que mistura hip hop com ritmos africanos, criando uma sonoridade única que reflete a diversidade cultural do Recife.

Batalha de All Style
Competição que reúne os melhores dançarinos de diferentes estilos da região metropolitana do Recife.

Baile Charme
Manifestação da cultura de rua que ganhou força no Recife, misturando dança, música e sociabilidade urbana.

🌍 Participações Internacionais

França: Três Visões Complementares
🍭 Le Sacre du Sucre (18 de outubro, 20h – Teatro do Parque)
🌊 Corpos (23 de outubro, 20h – Teatro do Parque)
✨ À un endroit du début (26 de outubro, 19h – Teatro de Santa Isabel)

Argentina: Interatividade e Performance
🎵 Dancemos… que o mundo se acaba! (22 de outubro, 10h e 14h – Teatro do Parque)

Espanha: Literatura e Flamenco
💃 Ellas en Lorca (23 de outubro, 19h – Teatro Apolo)

🏆 Abertura Histórica: Grupo Corpo Celebra 50 Anos

Piracema e Parabelo (17 e 18 de outubro, Teatro de Santa Isabel)

️ Exposições e Patrimônio Cultural

RecorDança: Acervo em Movimento (Abertura: 18 de outubro, 14h – Museu Murillo La Greca)
Corpo Ancestral: Dança Nagô em Movimento (18 de outubro, 18h – Teatro Hermilo Borba Filho)

Formação e Capacitação

Oficina: Vivência Danças de Blocos Afros (17 e 18 de outubro)
Ministrada por Vânia Oliveira (BA)

Cine Dança (21 de outubro, 19h – Teatro do Parque)

Sessão especial incluindo o curta Saramuná, de Gabriela Moura (PE), e Longa Repentino, de Drica Ayub (PE).

📍 Informações Práticas
🗓️ Período: 17 a 26 de outubro de 2025
🎟️ Ingressos: Maioria gratuita, com retirada nos locais uma hora antes das apresentações
♿ Acessibilidade: Libras e audiodescrição em múltiplas apresentações
🎯 Ação Social: Arrecadação solidária de alimentos

Sobre o Festival: Promovido pela Prefeitura do Recife através da Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura Cidade do Recife, o Festival Internacional de Dança do Recife consolida-se como uma das principais vitrines da dança contemporânea no Brasil, com especial ênfase na valorização e promoção da produção artística local.

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A Insurreição Que Assombra
Sessão única de Ayiti,
com Marconi Bispo

 

Marconi Bispo desvela em Pernambuco a revolução haitiana que permanece silenciada nos livros de história. Foto: Arthur Canavarro

Existe uma lacuna imensa na educação brasileira. Uma ausência que não parece casual, mas estratégica. Enquanto aprendemos sobre diversas revoluções ao longo da formação escolar, uma permanece deliberadamente esquecida: a única insurreição escrava vitoriosa da história moderna, que aconteceu no Haiti entre 1791 e 1804. É exatamente essa ferida na memória coletiva que o experiente artista pernambucano Marconi Bispo decidiu confrontar.

Aos 30 anos de carreira — trajetória que o consolida como uma das vozes mais consistentes das artes cênicas pernambucanas —, Marconi apresenta Ayiti, a montanha que assombra o mundo, trabalho que inaugura em solo pernambucano um diálogo cênico com a Revolução Haitiana. A montagem retorna ao cartaz nesta terça-feira (14), às 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho, no Recife Antigo.

Descolonizando a Dramaturgia 

O projeto nasce de uma inquietação que indaga por que a primeira república negra da história mundial, que derrotou militarmente França, Espanha e Inglaterra, permanece ausente dos currículos escolares? Por que essa vitória extraordinária – que antecipou em décadas os ideais de igualdade racial — foi sistematicamente apagada da historiografia oficial?

Marconi Bispo, em parceria com o pesquisador Kamai Freire, constrói uma dramaturgia que vai além da reconstituição histórica. O espetáculo avança como arqueologia da resistência, escavando memórias soterradas e devolvendo dignidade a narrativas marginalizadas. A pesquisa, baseada em 13 obras sobre o tema e amadurecida durante residência artística em Portugal, revela conexões históricas surpreendentes entre Recife e Haiti.

“A ilha era chamada de Kiskeya — Mãe de Todas as Terras — pelo povo Taíno”, explica o artista. Essa recuperação da nomenclatura original exemplifica o método do espetáculo: desconstruir sistematicamente a linguagem colonial para assumir outras formas de compreender o mundo.

Além de Marconi, estão no elenco Brunna Martins, Kadydja Erlen e os músicos Beto Xambá e Thulio Xambá

A força da montagem resulta da articulação entre diferentes linguagens artísticas afro-pernambucanas. O elenco reúne Brunna Martins, Kadydja Erlen e os músicos Beto Xambá e Thulio Xambá, do respeitado Grupo Bongar. Essa formação processa a confluência de tradições culturais que dialogam diretamente com o universo revolucionário haitiano.

A percussão assume papel dramatúrgico central, ecoando os tambores que convocaram os escravizados para a insurreição. As batidas atuam como código ancestral, linguagem cifrada que atravessou o Atlântico e permanece viva nas manifestações culturais negras contemporâneas.

Mais que criação artística, Ayiti processa como dispositivo pedagógico, que assume dimensão política fundamental. Ele democratiza o acesso a conhecimentos que as instituições de ensino tradicionalmente negam às classes populares.

A produção independente e os ingressos a preços acessíveis (R$ 25 e R$ 50)) materializam essa vocação democrática. Marconi Bispo compreende que a arte deve circular entre as comunidades que mais se beneficiam dessas narrativas de empoderamento.

Espetáculo estabelece paralelos entre a luta anticolonial caribenha e as resistências negras em Pernambuco

O conceito de “contracolonização”, desenvolvido pelo filósofo Nego Bispo, permeia toda a construção dramatúrgica. O espetáculo pratica essa contracolonização ao recusar a vitimização dos povos escravizados e celebrar sua capacidade de auto-organização política e militar.

“A Revolução Haitiana não acabou”, defende Marconi Bispo. “Ela segue reverberando como o movimento mais impactante de todos os tempos.” Essa perspectiva transforma o Haiti de símbolo de miséria — como frequentemente aparece na mídia — em farol de dignidade e resistência.

A montagem conecta passado e presente. Ao estabelecer paralelos entre a luta anticolonial caribenha e as resistências negras em Pernambuco, o espetáculo fortalece genealogias de luta que nutrem as comunidades afro-brasileiras contemporâneas.

A pergunta que atravessa toda a encenação — “Qual revolução você ainda não fez?” — sintetiza esse potencial transformador. Ayiti convoca cada espectador a refletir sobre seu papel na construção de uma sociedade antirracista e verdadeiramente democrática.

Leia a outra matéria sobre Ayiti AQUI

Serviço

Ayiti, a montanha que assombra o mundo

14 de outubro de 2025 (terça-feira), 20h
Teatro Hermilo Borba Filho (Cais do Apolo, 142 – Recife Antigo)
Ingressos: R$ 25 (meia) / R$ 50 (inteira)
Vendas: bit.ly/3L5xPQg

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Resistência cultural e inovação em diversos espaços

Agrinez Melo em Histórias Bordadas em Mim

Uma programação diversificada abrange desde comédias autorais até espetáculos que resgatam a ancestralidade afro-brasileira. Entre os destaques, duas produções pernambucanas chamam especial atenção: Histórias Bordadas em Mim, pela sua trajetória de resistência e celebração da cultura negra, e Ayiti, a montanha que assombra o mundo, que marca os 30 anos de carreira de Marconi Bispo com um mergulho inédito na Revolução Haitiana.

Após nove anos de trajetória independente, o espetáculo solo Histórias Bordadas em Mim, da atriz pernambucana Agrinez Melo, reestreia no Espaço O Poste nos dias 10 e 11 de outubro, às 19h, marcando um importante momento de reconhecimento para a produção artística local.

A peça, que já percorreu mais de 50 apresentações entre Pernambuco, Ceará e São Paulo, chegando a um público de mais de 6 mil pessoas, agora conquista pela primeira vez o incentivo público através do edital Funcultura. 

Histórias Bordadas em Mim” é mais que um espetáculo teatral – é um ritual de acolhimento que se inicia com um banho de ervas oferecido ao público. A protagonista, coberta por retalhos e saias, marca os pontos riscados das encruzilhadas entre histórias reais e imaginárias, proporcionando um resgate orgânico da fé e da possibilidade de ressignificar experiências vividas.

A encenação baseia-se na Poética Matricial dos Orixás e Encantados, explorando narrativas teatrais que posicionam uma mulher negra, mãe, candomblecista e nordestina no centro da cena. As referências incluem a oralidade africana ancestral, os ensinamentos de sua mãe costureira e avós benzedeiras, além das trocas com terreiros de matriz afro-indígena.

Em Ayiti, Marconi Bispo celebra 30 anos de arte com peça sobre revolução haitiana. Foto: Arthur Canavarro 

Em um marco histórico para o teatro pernambucano, Marconi Bispo apresenta no dia 14 de outubro, às 20h, no Teatro Hermilo Borba Filho, o espetáculo Ayiti, a montanha que assombra o mundo – a primeira produção em Pernambuco dedicada exclusivamente à Revolução Haitiana.

O espetáculo, que marca os 30 anos de carreira do artista, representa um mergulho profundo nas conexões históricas entre o Haiti e as insurgências pernambucanas, questionando por que sabemos tão pouco sobre a revolução que fundou a primeira nação negra de ex-escravizados a derrotar o invasor europeu e abolir a escravidão.

Ayiti une história, performance, percussão, poesia e dança em uma experiência cênica única, com dramaturgia assinada por Marconi Bispo e Kamai Freire. A apresentação conta com a participação de artistas locais como Thulio Xambá e Beto Xambá (musicistas do Grupo Bongar), Brunna Martins e Kadydja Erlen (atrizes), criando uma ponte entre a resistência haitiana e a cultura afro-pernambucana.

FETEAG: 34ª Edição Propõe Diálogos entre Arte e Urgências Sociais

Germaine Acogny encerra programação do Feteag com Un endroit du début

O Festival de Teatro do Agreste (FETEAG), dirigido por Fabio Pascoal, estabelece em sua 34ª edição diálogos diretos entre criação artística contemporânea e as urgências sociais do nosso tempo. Entre 9 e 26 de outubro, o evento reúne 21 espetáculos nacionais e internacionais, todos com entrada gratuita, em teatros de Caruaru e Recife.

À mon seul désir, de Gaëlle Bourges (França), abre o festival nos dias 9 e 10 de outubro no Teatro Luiz Mendonça. A coreógrafa francesa parte da tapeçaria medieval A Dama e o Unicórnio para reavaliar construções históricas sobre feminilidade, examinando como a cultura europeia associou mulheres ao mundo vegetal e animal, perpetuando ideais de virgindade através de imagens aparentemente poéticas.

A investigação coreográfica expõe violências simbólicas embutidas nessas representações românticas, utilizando movimento e voz para evidenciar como tapeçarias medievais funcionavam como dispositivos de controle sobre corpos femininos, conectando-se com debates contemporâneos sobre representação e autonomia.

Les Sans (Os Sem), do coletivo Les Récréâtrales-ELAN de Burkina Faso, investiga a questão dos sem-teto e excluídos sociais através de linguagem que combina tradições orais africanas com teatro político contemporâneo. A obra adapta o pensamento de Frantz Fanon para o teatro através do reencontro de dois ex-companheiros de luta, interrogando se a libertação formal constitui verdadeira descolonização.

L’Opéra du villageois, da Compagnie Zora Snake de Camarões, manifesta resistência através de performance-ritual que ressuscita a potência das máscaras africanas roubadas pelos museus europeus, questionando a pilhagem cultural colonial através de rituais com ouro e sal.

Germaine Acogny, lenda da dança contemporânea nascida no Senegal em 1944, encerra o festival no Teatro Santa Isabel com Un endroit du début. Aos 81 anos, ela segue ativa como pesquisadora corporal, tendo fundado a primeira escola de dança contemporânea da África Ocidental em 1977 e desenvolvido técnica própria que combina danças tradicionais africanas com metodologias ocidentais.

A apresentação de La Cocina Pública, do grupo chileno Teatro Container, no Assentamento Normandia em Caruaru estabelece uma das escolhas mais incisivas da curadoria. O espetáculo transforma o preparo coletivo de uma refeição em ritual de reflexão sobre direitos básicos, ganhando ressonâncias particulares sobre soberania alimentar em território conquistado pelo MST.

Édipo REC, do Grupo Magiluth (PE), com direção de Luiz Fernando Marques e dramaturgia de Giordano Castro, constrói releitura não-linear da tragédia sofocliana onde Tebas se transforma no Recife fantasmagórico. O Corifeu é representado pela câmera, espelhando a produção excessiva de imagens das redes sociais e câmeras de segurança.

Neva, montagem de Marianne Consentino (PE), ambienta-se no Domingo Sangrento de 1905 em São Petersburgo, friccionando arte e política através de três atores refugiados em teatro durante massacre nas ruas. A peça de Guillermo Calderón questiona a serventia do teatro através de Olga Knipper, viúva de Tchekhov.

Fábulas de nossas fúrias (Coletivo Atores à Deriva, RN) articula contação de histórias com afirmação política da raiva como elemento transformador, inspirando-se em Paulo Freire para questionar hierarquias conservadoras através de narrativas que invertem lógicas de poder.

Dancemos… que o mundo se acaba!, da BiNeural-MonoKultur (Argentina), propõe áudio-obra interativa que transforma público em dançarinos, questionando coreomanias e epidemias de dança através de jogo que reflete sobre sedução, pandemia e medo de dançar sozinho.

Sonho de uma noite de verão, da Trupe Ave Lola (PR), revisita Shakespeare através de encenação popular com tradução de Bárbara Heliodora, reunindo nove artistas em cena com música original executada ao vivo, criando atmosfera festiva que convida o público a testemunhar momentos de paixão, magia e loucura.

As criações francófonas constroem considerações convergentes sobre precariedade através de perspectivas diversificadas. Le Quai de Ouistreham, da Compagnie la Résolue (França), adapta investigação jornalística sobre mulheres que trabalham em empregos precários e invisíveis, especialmente na limpeza, vivendo à sombra da crise econômica.

La Vérité vaincra / A Verdade Vencerá, da Cie KastôrAgile (França), desenvolve palestra-performance baseada no livro homônimo de Luiz Inácio Lula da Silva, adaptando entrevistas concedidas à editora Ivana Jinkings em janeiro de 2018, transformando documento político em teatro de resistência.

Barbixas e a arte da improvisação

Barbixas: trio formado por Anderson Bizzochi, Daniel Nascimento e Elidio Sanna,

No fim de semana dos dias 11 e 12 de outubro, o Teatro RioMar recebe Improvável, espetáculo de improvisação teatral da Cia Barbixas. O trio formado por Anderson Bizzochi, Daniel Nascimento e Elidio Sanna, com mais de duas décadas de parceria artística, cria cenas inteiramente a partir de sugestões da plateia.

A companhia, que sacudiu o teatro de improviso no Brasil, trabalha com diferentes formatos cênicos incluindo musicais, westerns, novelas e até óperas, sempre mantendo o humor inteligente e a interação constante com o público. Cada apresentação é única, pois depende inteiramente da criatividade coletiva entre artistas e espectadores. No sábado (11), há duas sessões às 18h30 e 21h, enquanto domingo (12) apresenta sessão única às 20h.

Ópera com sotaque regional: La Serva Padrona

 La Serva Padrona: ópera italiana com humor

O Teatro Hermilo Borba Filho recebe, de 8 a 11 de outubro, às 19h30, uma montagem especial da ópera cômica La Serva Padrona, de G. B. Pergolesi. Esta versão recifense é resultado de um trabalho criativo audacioso que ressignifica a obra setecentista italiana através de elementos nordestinos, como expressões vocais.

A direção cênica de Luiz Kleber Queiroz e a direção musical da maestrina Maria Aida Barroso criaram uma proposta que mantém a estrutura musical original – com as árias preservadas em italiano – enquanto transpõe os recitativos para o português carregado de regionalismo pernambucano. Esta escolha artística permite que o público local se conecte diretamente com a narrativa sem perder a essência operística da obra.

A produção de Matheus Soares (25 Produções) inova na cenografia e figurinos, incorporando elementos como algodão cru, cestos de palha, tapioca e o icônico chapéu de vaqueiro. O elenco se alterna entre diferentes solistas, acompanhado por um sexteto de câmara que executa a partitura original de Pergolesi, criando um diálogo entre a tradição operística europeia e a cultura popular nordestina.

A trama cômica, baseada na Commedia dell’arte, acompanha as estratégias da esperta criada Serpina para conquistar seu patrão Uberto, numa comédia de costumes que ganha novos contornos quando ambientada no universo cultural pernambucano.

Duas Conversas com Ítalo Sena 

No dia 14 de outubro, às 20h, o Teatro Luiz Mendonça recebe Duas Conversas, o mais recente trabalho de Ítalo Sena, conhecido nacionalmente como o “rei das pegadinhas”. Após o sucesso de Mostrando Meu Trabalho, que percorreu o Brasil, o humorista retorna com uma proposta renovada, resultado de nove meses de intensa preparação artística e física.

Duas Conversas mostra um mergulho nos dois lados da vida artística de Ítalo Sena, explorando aspectos nunca antes revelados ao público. O espetáculo conta com texto desenvolvido pelo próprio humorista, em colaboração criativa com Maurício Meireles.

O destaque fica por conta do cenário digital interativo, que busca surpreender a plateia com elementos tecnológicos integrados à narrativa. A preparação artística de Diógenes De Lima, a produção de Laura Ithamar, a iluminação de Jathyles Miranda e as artes para o cenário virtual assinadas pelo VJ Koala Brito buscam elevar produção a um patamar técnico diferenciado.

Traidor: Marco Nanini e Gerald Thomas revisitam parceria histórica

Nanini em Traidor. Foto: Annelize Tozetto

Traidor, com Marco Nanini sob direção de Gerald Thomas, ocupa o Teatro Luiz Mendonça entre 17 e 19 de outubro. O espetáculo reflete as transformações profundas que o mundo sofreu desde o começo do século: o trauma pós-pandêmico, a revolução digital que substitui o real pelo virtual, e as rupturas democráticas que marcam o cenário político global. Gerald Thomas criou o texto sob influência deste “caldeirão contemporâneo”.

Em Traidor, Marco Nanini está isolado em uma ilha, acusado de algo que não cometeu, dialogando com a própria consciência, seus fantasmas e reflexões sobre passado, presente e futuro. Estes elementos são materializados no elenco formado por Hugo Lobo, Ricardo Oliveira e Wallace Lau. A ação transcorre como se toda a narrativa se passasse dentro da mente do protagonista.

Gerald Thomas define a obra como “um cruzamento entre Kafka e Shakespeare, uma espécie de híbrido entre o Joseph K, de O Processo, e Próspero, de A Tempestade, cuja mente renascentista olha para o futuro da civilização, perdoa seus detratores e os absolve”.

A equipe técnica reúne iluminação de Wagner Pinto, cenografia de Fernando Passetti, figurinos de Antonio Guedes, direção musical e trilha sonora de Alê Martins, direção de movimento de Dani Lima e assistência de direção de Samuel Kavalerskid.

Drama e intensidade: As Bruxas de Salem e Imorais

As Bruxas de Salem na montagem da Cobogó das Artes, com produção executiva de Adriano Portela

Imorais do Bando de Nada – Grupo de Teatro, com texto de Cristiano Primo e direção de Emmanuel Matheus

A terceira semana de outubro (15 e 16) traz duas montagens teatrais de forte apelo dramático. No Teatro Apolo, As Bruxas de Salem apresenta adaptação livre da obra clássica de Arthur Miller, dirigida por Anthony Delarte. A montagem da Cobogó das Artes, com produção executiva de Adriano Portela, ambienta a trama numa pequena vila puritana onde fé e medo se confundem, questionando verdade, manipulação e a coragem necessária para questionar autoridades.

Simultaneamente, o Teatro Hermilo Borba Filho recebe Imorais do Bando de Nada – Grupo de Teatro. O texto de Cristiano Primo, com adaptação e direção de Emmanuel Matheus e produção da Lynda Produções, propõe uma experiência cênica intensa sobre uma família e suas relações complexas. O elenco formado por Aline Santos, Cristiano Primo, Lynda Morais, Felipe Nunes e Tarcila Nunes conduz a narrativa que questiona se sempre temos direito à escolha, em espetáculo classificado para maiores de 18 anos.

Grupo Corpo: Cinco Décadas de Dança Brasileira

Grupo Corpo celebra 50 anos com turnê pelo Brasil

Nos dias 17 e 18 de outubro, o Teatro Santa Isabel recebe o Grupo Corpo de Belo Horizonte em apresentações gratuitas que celebram os 50 anos da companhia. A programação inclui dois espetáculos distintos que demonstram a evolução artística ao longo de cinco décadas desde a fundação em 1975.

Parabelo, coreografia clássica de 1997 de Rodrigo Pederneiras, com música de Tom Zé e Zé Miguel Wisnik, celebra aspectos da vida sertaneja. Já Piracema representa a constante renovação do repertório através de novas parcerias criativas. A criação tem parceria coreográfica entre Rodrigo Pederneiras e Cassi Abranches, com trilha inédita de Clarice Assad que transita do tribal ao eletrônico. A cenografia de Paulo Pederneiras utiliza 82 mil tampas de latas de sardinha para evocar escamas de cardumes, inspirando-se na jornada dos peixes que enfrentam a correnteza para desovar.

Teatro de Rua: Ilha: Dois leva urgência climática para o centro da Cidade

Grupo Bote de Teatro faz apresentações na Praça do Sebo

O Bote de Teatro, em parceria com a Cia. Toda Deseo de Minas Gerais, leva às ruas do centro do Recife uma provocação urgente sobre a crise climática. Nos dias 18 e 19 de outubro, às 19h, a Praça do Sebo se transforma em palco para Ilha: Dois, espetáculo gratuito que confronta a cidade com uma realidade alarmante.

A escolha do espaço urbano não é casual: tratando-se de uma cidade considerada geograficamente uma ilha e que, segundo relatórios da ONU, figura entre as mais vulneráveis ao aumento do nível do mar – ocupando a 16ª posição entre as cidades que podem desaparecer -, a montagem busca provocar reflexões diretas com a população sobre as mudanças climáticas.

Sob direção de Rafael Bacelar, reconhecido nacionalmente e indicado a diversos prêmios, e dramaturgia de David Maurity, o espetáculo mescla poesia, crítica social e resistência. A cantora e atriz Nega do Babado enriquece a trama com intervenções musicais, criando uma linguagem híbrida que dialoga diretamente com o público.

A montagem integra o projeto colaborativo Cidade Líquida e garante acessibilidade completa, oferecendo tradução em Libras e transporte acessível através do programa PE Conduz.

Instituto Ploeg: Encontro Radical entre Clássicos do Teatro

O Instituto Ploeg propõe no dia 11 de outubro um encontro singular entre dois retratos radicais do desejo e da ferida humana através de leituras dramáticas. O ATO apresenta Navalha na Carne, de Plínio Marcos, e Closer, de Patrick Marber, duas obras de tempos e contextos distintos, mas unidas pela mesma intensidade na busca por contato humano, mesmo quando ele causa dor.

Navalha na Carne, clássico do teatro brasileiro escrito em 1967 e censurado à época, encena a tensão brutal entre três personagens à margem da sociedade, num embate visceral de poder, corpo e sobrevivência. A obra continua ecoando como um grito urgente e contemporâneo.

Closer, conhecida pela adaptação cinematográfica de 2004, foi originalmente uma peça de enorme sucesso no teatro britânico. Com diálogos afiados, a obra revela o jogo de sedução e crueldade que sustenta as relações amorosas contemporâneas.

Sonho Encantado de Cordel: Fusão entre Nordeste e Contos de Fadas

Sonho Encantado de Cordel – O Musical

No último fim de semana do mês (25 e 26 de outubro), o Teatro Luiz Mendonça encerra a programação de outubro com Sonho Encantado de Cordel – O Musical. A produção de Thereza Falcão cria uma mistura entre a cultura nordestina e os contos de fadas de Hans Christian Andersen, resultando numa celebração da arte, poesia e poder dos sonhos.

O espetáculo conta com cenários e figurinos assinados por Rosa Magalhães e Mauro Leite, que dialogam com projeções de Batman Zavareze e coreografias de Renato Vieira, visando um universo visual que junte tradição popular e fantasia universal.

A trilha sonora é um dos grandes destaques da produção, contando com 10 músicas inéditas compostas especialmente para o espetáculo por três grandes nomes da MPB: Paulinho Moska, Chico César e Zeca Baleiro, sob direção musical de Marcelo Alonso Neves. Esta colaboração musical promete criar uma linguagem sonora que honra tanto as raízes nordestinas quanto a universalidade dos contos de fadas.

As apresentações acontecem no sábado (25) às 17h e no domingo (26) com duas sessões, às 15h e 17h, permitindo que diferentes públicos tenham acesso a esta produção especial.

CAIXA Cultural: Frankenstein em Dose Dupla

Frankenstein do Grupo Gompa, do Rio Grande do Sul

A CAIXA Cultural Recife apresenta entre 25 de outubro e 1º de novembro uma temporada especial do premiado Coletivo Gompa, do Rio Grande do Sul. O grupo apresenta duas montagens inspiradas no clássico de Mary Shelley: Frankenstein (para público adulto) e “Frankinh@ – Uma história em pedacinhos” (infantil).

Frankinh@, vencedor do Prêmio SESC de Artes Cênicas, já circulou por 18 cidades brasileiras e foi apresentado na Rússia e em Cuba. A peça infantil mescla narração, teatro, dança e artes visuais para despertar o imaginário das crianças através da história de Victor Frankenstein, jovem que cria alguém para lhe fazer companhia.

A versão adulta Frankenstein cria paralelos entre o corpo feminino e a Amazônia, explorando questões como pertencimento, violência e identidade com uma narrativa decolonial.

Espaço O Poste: Território de Resistência 

Fabíola Nansurê em Barro Mulher

Stephany Metódio com Luanda Ruanda: Histórias Africanas. Foto tatá costa

Urubatan Miranda com Negaça 

O Espaço O Poste se consolida como um dos principais centros de produções autorais e experimentais do Recife, funcionando como laboratório de criação e plataforma de visibilidade para artistas que desenvolvem pesquisas continuadas sobre identidade, memória e resistência. A programação de outubro reflete essa vocação curatorial, reunindo quatro trabalhos que abordam questões centrais da contemporaneidade através de linguagens cênicas diversificadas.

Além de Histórias Bordadas em Mim, recebe Fabíola Nansurê com Barro Mulher (24 de outubro), Stephany Metódio com Luanda Ruanda: Histórias Africanas (25 de outubro, gratuito) e Urubatan Miranda com Negaça (31 de outubro).

Fabíola Nansurê, reconhecida por suas pesquisas sobre corpo e território, constrói uma dramaturgia sensorial que utiliza barro como elemento cênico central, explorando texturas, plasticidade e simbolismo do material para questionar padrões estéticos e sociais impostos aos corpos femininos. A montagem propõe uma reflexão sobre resistência, autoconhecimento e reconexão com elementos primordiais da natureza.

A encenação dialoga com tradições ceramistas nordestinas e práticas rituais ancestrais, criando pontes entre saberes populares e linguagem cênica contemporânea através de uma experiência imersiva que convida o público a repensar relações entre humanidade e ambiente.

Stephany Metódio apresenta no dia 25 de outubro, às 16h, uma sessão gratuita de Luanda Ruanda: Histórias Africanas, espetáculo que resgata narrativas africanas através de contação de histórias que conecta tradições orais do continente com experiências da diáspora no Brasil.

A artista, especializada em culturas africanas e afro-brasileiras, desenvolve uma dramaturgia que articula contos tradicionais de diferentes regiões da África com reflexões sobre identidade, pertencimento e resistência cultural. Luanda Ruanda utiliza música, dança e elementos visuais para criar atmosfera envolvente que transporta o público para universos narrativos ricos em simbolismo e ensinamentos ancestrais.

A montagem tem particular relevância educativa e cultural, funcionando como instrumento de valorização da herança africana e combate ao racismo através da arte. Stephany Metódio incorpora instrumentos musicais tradicionais, adereços e gestualidade específica para honrar a autenticidade das tradições apresentadas, criando ponte entre continentes e gerações.

O formato de entrada gratuita reforça o compromisso do Espaço O Poste com a democratização cultural e o acesso da comunidade a produções que abordam questões de identidade e representatividade, especialmente relevantes no contexto da educação antirracista.

Urubatan Miranda encerra a programação mensal do espaço no dia 31 de outubro, às 19h, com Negaça, solo que explora construções de masculinidade no contexto nordestino através de autobiografia cênica que articula memória pessoal com questões coletivas sobre identidade de gênero e afetividade.

O artista, reconhecido por trabalhos que abordam questões LGBTQIA+ e regionalismo, desenvolve uma dramaturgia que questiona estereótipos sobre homens nordestinos, explorando sensibilidades, vulnerabilidades e formas de amar que escapam aos padrões heteronormativos dominantes. Negaça utiliza humor, poesia e crítica social para desconstruir imagens cristalizadas sobre masculinidade sertaneja.

A montagem incorpora elementos da cultura popular nordestina – como cordel, música regional e gestualidade característica – para criar linguagem cênica que celebra diversidade sexual e afetiva. Urubatan Miranda propõe um diálogo franco sobre preconceito, aceitação familiar e construção de identidade em contextos conservadores.

Festival de Circo: Novembro Promete

Le Bruit des Pierres do Collectif Maison Courbe da França

O mês de novembro será marcado pelo Festival de Circo do Brasil, que já tem pelo menos três espetáculos confirmados, prometendo dar continuidade à efervescência cultural iniciada em outubro.

Vermelho, Branco e Preto traz Cibele Mateus de São Paulo em solo que mescla riso, poesia e encantamento popular nos dias 5 e 6 de novembro às 19h30 no Teatro Apolo. A artista apresenta a figura cômica “Mateu”, inspirada no tradicional Cavalo-marinho pernambucano, em espetáculo-brincadeira que celebra identidade e ancestralidade.

No dia 6 de novembro, o Teatro Santa Isabel recebe O Vazio é Cheio de Coisa da Cia Nós No Bambu de Brasília. O espetáculo apresenta dança acrobática minimalista que explora a relação entre corpo humano e bambu, criando uma profusão de imagens e significados em dramaturgia poética onde simplicidade e complexidade se encontram.

A programação inclui ainda Le Bruit des Pierres do Collectif Maison Courbe da França, nos dias 8 e 9 de novembro no Teatro Santa Isabel. A criação híbrida combina circo coreográfico e teatro físico, com duas mulheres que encarnam a ganância ocidental pelo ouro através de coreografias realizadas com pedras, questionando a relação entre homem e ambiente.

SERVIÇO COMPLETO

FETEAG À mon seul désir
📅 Datas: 9 e 10 de outubro
📍 Local: Teatro Luiz Mendonça (Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem)
🎫 Entrada: Gratuita
🎭 Criação: Gaëlle Bourges (França)

La Serva Padrona
📅 Datas: 8, 9, 10 e 11 de outubro
🕘 Horário: 19h30
📍 Local: Teatro Hermilo Borba Filho
🎫 Entrada: Gratuita (ingressos na bilheteria do teatro)
🎭 Direção: Luiz Kleber Queiroz | Direção Musical: Maria Aida Barroso

Histórias Bordadas em Mim
Datas: 10 e 11 de outubro (sexta e sábado)
🕘 Horário: 19h
📍 Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
🎫 Ingressos: R15(meia)∣R 30 (inteira) | R$ 10 (estudantes UFPE/Escola O Poste)
♿ Acessibilidade: Sessão de 11/10 com Libras e audiodescrição

Leituras Dramáticas – Navalha na Carne e Closer
📅 Data: 11 de outubro (sábado)
🕘 Horários: Abertura às 15h | Navalha na Carne às 16h | Closer às 18h
📍 Local: Instituto Ploeg (Rua de Santa Cruz, 190, Boa Vista)
🎫 Informações: Consultar @institutoploeg

Improvável – Cia Barbixas
📅 Datas: 11 e 12 de outubro (sábado e domingo)
🕘 Horários: Sábado: 18h30 e 21h | Domingo: 20h
📍 Local: Teatro RioMar
🎫 Informações: Consultar bilheteria do teatro

Duas Conversas com Ítalo Sena
📅 Data: 14 de outubro (terça-feira)
🕘 Horário: 20h
📍 Local: Teatro Luiz Mendonça (Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem)
🎫 Ingressos: R50aR 100
🎭 Colaboração: Maurício Meireles | Cenário Digital: VJ Koala Brito

Ayiti, a montanha que assombra o mundo
📅 Data: 14 de outubro (terça-feira)
🕘 Horário: 20h
📍 Local: Teatro Hermilo Borba Filho
🎫 Ingressos: R$ 25 e R$ 50 (Sympla)

Dancemos… que o mundo se acaba!
Data: 15 de outubro
🕘 Horário: 19h
📍 Local: Estação Ferroviária (Caruaru)
🎫 Entrada: Gratuita
📊 Classificação: Livre
🎭 Cia: BiNeural-MonoKultur (Argentina)

Édipo REC
Data: 15 de outubro
🕘 Horário: 20h
📍 Local: Teatro Lycio Neves (Caruaru)
🎫 Entrada: Gratuita
📊 Classificação: 18 anos
🎭 Grupo: Magiluth (PE)

As Bruxas de Salem
📅 Datas: 15 e 16 de outubro (quarta e quinta-feiras)
📍 Local: Teatro Apolo
🎫 Informações: Consultar bilheteria do teatro
🎭 Direção: Anthony Delarte | Produção: Cobogó das Artes

Imorais
Datas: 15 e 16 de outubro (quarta e quinta-feiras)
📍 Local: Teatro Hermilo Borba Filho
🎫 Informações: Consultar bilheteria do teatro
📊 Classificação: +18 anos | Direção: Emmanuel Matheus

Fábulas de nossas fúrias
📅 Data: 16 de outubro
🕘 Horário: 20h
📍 Local: Teatro Lycio Neves (Caruaru)
🎫 Entrada: Gratuita
📊 Classificação: 16 anos
🎭 Cia: Atores à Deriva (RN)

Neva
📅 Data: 17 de outubro
🕘 Horário: 20h
📍 Local: Teatro Lycio Neves (Caruaru)
🎫 Entrada: Gratuita
📊 Classificação: 16 anos
🎭 Direção: Marianne Consentino (PE)

Grupo Corpo – Parabelo e Piracema
📅 Datas: 17 e 18 de outubro (sexta-feira e sábado)
📍 Local: Teatro Santa Isabel
🎫 Entrada: Gratuita
🎭 Celebração: 50 anos da companhia

Traidor com Marco Nanini
📅 Datas: 17 a 19 de outubro (sexta, sábado e domingo)
🕘 Horários: Sexta e sábado às 20h | Domingo às 19h
📍 Local: Teatro Luiz Mendonça (Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem)
Ingressos: R100aR 200
🎭 Direção: Gerald Thomas | Elenco: Hugo Lobo, Ricardo Oliveira, Wallace Lau

Sonho de uma noite de verão
📅 Datas: 18 e 19 de outubro
🕘 Horário: 17h
📍 Local: Teatro Rui Limeira Rosal (Caruaru)
🎫 Entrada: Gratuita
📊 Classificação: 12 anos
🎭 Cia: Trupe Ave Lola (PR)

La Cocina Pública
Datas: 18 e 19 de outubro
🕘 Horário: Encontro 16h na Estação Ferroviária
📍 Local: Centro de Formação Paulo Freire (Assentamento Normandia, Caruaru)
🎫 Entrada: Gratuita
📊 Classificação: Livre
🎭 Cia: Teatro Container (Chile)

Ilha: Dois
Datas: 18 e 19 de outubro (sábado e domingo)
🕘 Horário: 19h
📍 Local: Praça do Sebo (Centro do Recife)
🎫 Entrada: Gratuita
♿ Acessibilidade: Tradução em Libras e transporte via PE Conduz

Barro Mulher
📅 Data: 24 de outubro (sexta-feira)
🕘 Horário: 19h
📍 Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
🎫 Ingressos: R15(meia)∣R 30 (inteira)

Luanda Ruanda: Histórias Africanas
📅 Data: 25 de outubro (sábado)
🕘 Horário: 16h
📍 Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
🎫 Entrada: Gratuita

Sonho Encantado de Cordel – O Musical
📅 Datas: 25 e 26 de outubro (sábado e domingo)
🕘 Horários: Sábado: 17h | Domingo: 15h e 17h
📍 Local: Teatro Luiz Mendonça (Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem)
🎫 Informações: Consultar bilheteria do teatro
🎭 Produção: Thereza Falcão | Músicas: Paulinho Moska, Chico César, Zeca Baleiro

Frankinh@ – Uma história em pedacinhos
📅 Datas: 25 e 26 de outubro e 1º de novembro
🕘 Horários: 17h (sábado) | 11h (domingo)
📍 Local: CAIXA Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
🎫 Ingressos: R15(meia)∣R 30 (inteira)
♿ Acessibilidade: Sessão de 26/10 com Libras
⏱️ Duração: 50 minutos

Frankenstein
📅 Datas: 30 de outubro a 1º de novembro
📍 Local: CAIXA Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
🎫 Ingressos: R15(meia)∣R 30 (inteira)

Negaça
📅 Data: 31 de outubro (sexta-feira)
🕘 Horário: 19h
📍 Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
🎫 Ingressos: R15(meia)∣R 30 (inteira)

FESTIVAL DE CIRCO (Novembro)
Vermelho, Branco e Preto
📅 Datas: 5 e 6 de novembro
🕘 Horário: 19h30
📍 Local: Teatro Apolo
🎭 Artista: Cibele Mateus (SP)

O Vazio é Cheio de Coisa
Data: 6 de novembro
📍 Local: Teatro Santa Isabel
🎭 Cia: Nós No Bambu (Brasília)

Le Bruit des Pierres
📅 Datas: 8 e 9 de novembro
📍 Local: Teatro Santa Isabel
🎭 Cia: Collectif Maison Courbe (França)

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