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Lady Tempestade, com Andrea Beltrão
abre Festival Recife do Teatro Nacional
celebrando vozes femininas

Andrea Beltrão em Lady Tempestade. Foto: Nana Moraes / Divulgação

Atriz interpreta a advogada pernambucana Mércia de Albuquerque. Foto: Nana Moraes / Divulgação

2 de abril de 1964. Uma cena de horror se desenrolava pelas ruas do Recife e mudaria para sempre a vida de uma jovem advogada. Gregório Bezerra, comunista histórico e líder das Ligas Camponesas, ferrenho opositor do recém-instalado regime militar, estava sendo arrastado seminu pelo asfalto, amarrado ao para-choque de um jipe. O coronel Darcy Villocq comandava aquela demonstração de brutalidade que seria transmitida pelo Repórter Esso para todo o país – o primeiro caso documentado de tortura política pós-golpe.

Entre os que testemunharam aquela barbárie estava Mércia de Albuquerque, advogada de 30 anos. Aquela imagem ficou cravada em sua retina. Ao chegar em casa, ela comunicou ao marido Octávio uma decisão que mudaria sua vida: defenderia Gregório Bezerra e qualquer pessoa que necessitasse de proteção contra as arbitrariedades do novo regime.

Mais de sessenta anos depois, essa história de coragem chega ao 24º Festival Recife do Teatro Nacional através do espetáculo Lady Tempestade, que abre a programação no dia 20 de novembro no Teatro de Santa Isabel. Andrea Beltrão protagoniza o monólogo sobre a advogada que defendeu mais de 500 presos políticos.

Com texto de Sílvia Gomez e direção de Yara de Novaes, o espetáculo parte dos diários que Mércia escreveu durante os anos mais duros da ditadura. Passado, presente e futuro se embaralham na narrativa, que utiliza uma estrutura “diário dentro do diário”.

Andrea Beltrão interpreta A., mulher que recebe misteriosamente os escritos de Mércia e gradualmente se envolve com aquelas histórias de resistência. A protagonista encara o dilema de se aprofundar ou não naquela realidade, mas acaba mergulhando nas memórias que revelam a busca por justiça e o paradeiro de desaparecidos, ecoando as súplicas de mães desesperadas.

A dramaturgia explora a ideia de que alguém do presente recebe uma convocação do passado, criando um tempo verbal instável que oscila entre passado, presente e futuro. Essa estrutura temporal reflete como o Brasil permanece reincidente no esquecimento de sua própria história. Uma frase se torna leitmotiv da montagem, repetida após trechos dramáticos do diário: “Essas coisas acontecem, aconteceram, acontecerão”. Para materializar esse conceito em cena, a direção de Yara de Novaes constrói uma jornada visual que espelha a própria transformação de Mércia.

O espetáculo inicia em um ambiente doméstico deteriorado – mobiliário gasto, cores apagadas, iluminação que sugere clausura e melancolia. Conforme a narrativa avança e o passado invade o presente, essa cenografia se reinventa: sons de violência cedem lugar a celebração, a decadência visual dá espaço à luminosidade, e o palco se torna território de resistência e esperança.

Complementando essa atmosfera de encontro entre tempos, a presença de Chico Beltrão, filho de Andrea, adiciona uma camada geracional ao espetáculo. Responsável pela trilha sonora e por momentos pontuais de diálogo, sua participação surgiu de uma proposta da diretora. Embora Andrea inicialmente tenha hesitado em envolver o filho – produtor musical, não ator – no projeto teatral, Yara identificou que essa configuração familiar ampliaria o impacto emocional da montagem. 

Lady Tempestade consolidou-se como um dos maiores sucessos teatrais contemporâneos e já circulou por várias cidades brasileiras. Desde sua estreia em 2024, a montagem realizou cerca de 150 apresentações e ultrapassou a marca dos 70 mil espectadores, registrando sessões esgotadas e repercussão positiva na imprensa.

O alcance da obra expandiu-se além dos palcos. A dramaturgia foi publicada pela Editora Cobogó em 2024, enquanto uma versão cinematográfica, dirigida por Maurício Farias, já teve suas filmagens concluídas em janeiro e fevereiro de 2025. O filme conta com direção de fotografia de Chico Rufino, direção de arte de Luciane Nicolino, desenho de som de Arthur Ferreira, participação de Chico Beltrão e produção da Taba Filmes, Boa Vida e Quintal Produções.

Festival conecta vozes femininas através dos séculos

Augusta Ferraz no ensaio Sobre os Ombros de Bárbara. Foto: Reprodução do Instagram

O tema “Vozes Femininas – Histórias que Ressoam” conecta diferentes épocas e contextos. Ao longo da programação – ainda sendo ultimada pela organização, com contratos em finalização e sem divulgação oficial da prefeitura – o público encontra desde Mércia Albuquerque, que enfrentou a ditadura no século XX (Lady Tempestade, na abertura dia 20), até Bárbara de Alencar, que desafiou o império no século XIX (apresentações agendadas para os dias 29 e 30), passando por outras montagens que abordam as lutas das mulheres contemporâneas. Essas histórias revelam como a resistência feminina se reinventa em cada período, mantendo sua força através dos tempos.

Primeira presa política brasileira e protagonista da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador de 1824, Bárbara de Alencar (1760-1832) ganha vida através da interpretação de Augusta Ferraz. Sobre os Ombros de Bárbara, com dramaturgia de Brisa Rodrigues da própria Augusta, sob direção de José Manoel Sobrinho, explora as contradições de uma mulher republicana durante a monarquia.

Nascida em Exu, Bárbara quase custou a vida da mãe no parto. Aos 22 anos, casou-se e mudou-se para o Crato, onde teve cinco filhos – dois estudaram no Seminário de Olinda, epicentro do liberalismo europeu entre as elites. Organizou células revolucionárias em sua residência, articulando movimentos que desafiaram o poder imperial.

Posteriormente presa, foi transportada a pé por 600 quilômetros até Fortaleza, permaneceu três anos em calabouços, liderou um segundo levante, perdeu dois filhos nas revoltas e morreu aos 72 anos sem testemunhar a proclamação da República. Augusta Ferraz, da série Guerreiros do Sol, dá vida a essa escravocrata em crise, apresentando um corpo violentado e uma resistência ao arbítrio.

Laboratório Franco-Brasileiro

Trabalho desenvolvido pela companhia francesa ktha em Seul. Foto: Reprodução

A companhia francesa ktha chega ao Recife para desenvolver  a peça A Gente Quer com artistas locais, dentro da programação do Ano Cultural Brasil-França 2025. O grupo não carrega espetáculos prontos; ele criou uma metodologia de criação teatral que se concretiza diferentemente em cada cidade, ocupando espaços urbanos alternativos como contêineres, carrocerias de caminhões, telhados, túneis, estacionamentos, etc.

Em agosto, na Casa do Povo, no bairro do Bom Retiro em São Paulo, durante o festival ERUV, seis artistas brasileiros participaram de residência de duas semanas para criar as versões brasileiras de A Gente Quer e Tu Es Là / Você está Aqui. As apresentações lotaram o espaço, validando a potência dessa metodologia aplicada ao contexto brasileiro.

Para Recife, após analisar mais de 100 cartas de intenção, a companhia selecionou 10 artistas locais: Lucas Vinícius, Catarina Almanova, Ludmila Lopes, Anna Batista, Ana Luiza DAccioli, Rodrigo Hermínio, Maria Pepe, Guara Rios, Bruna Luiza Barros e Caru dos Santos. Durante 10 ensaios, eles vão construir uma versão que dialogue com as particularidades pernambucanas.

Desde 2021, essa metodologia se realizou em mais de 15 cidades do mundo, gerando espetáculos únicos. A dramaturgia funciona como uma matriz: uma extensa lista de desejos e reivindicações que ganha forma específica através do trabalho com performers locais, criando rituais coletivos de partilha de anseios urbanos.

Festival Recife do Teatro Nacional 2025
📅 20 a 30 de Novembro de 2025
🎭 Abertura: 20 de novembro – Lady Tempestade
📍 Teatro de Santa Isabel e outros espaços
🎫 Programação gratuita
Homenageadas: Auricéia Fraga e Augusta Ferraz

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Rolês teatrais no Recife, minha cidade

A Risita do Coletivo Fuscirco transforma Fusca Azul 1974 em circo ambulante

Espetáculo Fragmentos de La Víspera (Espanha-França) 

A 19ª edição do Festival de Circo do Brasil estabelece Recife como território de experimentação artística transdisciplinar entre 1º e 9 de novembro, coincidindo com temporadas nacionais e criações locais que consolidam a cidade como polo de renovação cênica. Sob o eixo curatorial Aldeia de Tous (Aldeia de Todos), inspirado no pensamento do ambientalista e filósofo Ailton Krenak, o festival entrelaça sustentabilidade e democracia no picadeiro, expandindo fronteiras entre circo, dança, teatro e performance.

Esta edição marca intercâmbio inédito com a França através da parceria entre Luni Produções e La Grainerie, contemplada pela Temporada Cruzada Brasil-França 2025, levando espetáculos, oficinas, residências e gastronomia brasileira ao país francês. Com apoio da Funarte, Ministério da Cultura, Instituto Guimarães Rosa, Institut Français e governos estadual e municipal, o projeto reafirma Recife como centro irradiador de criação contemporânea.

Companhias de cinco países ocupam espaços públicos e teatros da cidade com ingressos democráticos de R$ 10 a R$ 50 para espetáculos pagos, enquanto extensa programação gratuita democratiza acesso através do Parque Santana, Teatro Apolo, Parque Apipucos e outros territórios urbanos. Paralelamente, produções nacionais como Raul Seixas, O Musical, Tom na Fazenda e criações locais como Tempo de Vagalume investigam identidade, ancestralidade e resistência.

Circo é uma Aldeia de Tous

Auro Duo, número em lira acrobática interpretado por Jéssica Moura e Fernanda Victor. Foto Divulgação

A Mostra PE celebra diversidade regional através de seis criações que ocupam o Parque Santana nos dias 1º e 2 de novembro a partir das 12h, com entrada franca. Aura Duo, interpretado por Jéssica Moura e Fernanda Victor, desenvolve lira acrobática baseada em confiança e sincronia, onde cada gesto constrói onda de energia conectiva. Águia de Cuia pela Família Malanarquista celebra malabarismo de rua forjado nos semáforos recifenses, adaptando-se a qualquer espaço com humor e improviso.

Balanceiro transforma Paiace Brotin em equilibrista de mundos através de três bambolês, reconstruindo universos após cada queda com coragem e entusiasmo bambolístico. Escada Sem Limites eleva Xixa Morales a 4,5 metros de altura numa das maiores estruturas de equilíbrio do Brasil, combinando mortais, giros e adrenalina. Eclipse: Dança dos Astros materializa pesquisa de Jimmy Sá realizada na Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha, criando analogia astronômica onde artista representa o Sol e lira acrobática personifica a Lua em dança aérea contemplativa.

O Jogo de Tênis completa a mostra através da perambulação do Palhaço Geleia, que transforma busca por parceiros de jogo em convite ao encantamento coletivo.

How Much We Carry? do Cirque Immersif

Copyleft da Cie. NDE reúne dream team internacional no sábado 8 de novembro às 15h no Parque Apipucos: Juan Duarte Mateos (Uruguai), Lucas Castelo Branco (Brasil), Nahuel Desanto (Argentina), Gonzalo Fernandez Rodriguez (Espanha) e Walid El Yafi (França). Sob direção de Nicanor de Elia, o turbilhão de 45 minutos junta malabarismo, dança e humor com referências esportivas, utilizando trilha de Giovanni di Domenico (Itália) para criar espetáculo adaptável a espaços públicos diversos.

How Much We Carry? do Cirque Immersif propõe reflexão poética sobre o verbo “carry” através de percha gigante em desequilíbrio. O espetáculo itinerante sem diálogos transita pelo Parque Santana (1º e 2 de novembro), Alto da Sé em Olinda (7 de novembro às 16h30), Oficina Francisco Brennand (8 de novembro às 15h) e Praça do Arsenal no Recife Antigo (9 de novembro às 16h), transformando travessia urbana em homenagem às caminhadas humanas.

Hyperboles da Cie. SCoM investiga interseções entre skate e acrobacia no Parque Santana durante 1º e 2 de novembro, questionando lugar das mulheres em práticas historicamente masculinas. Reunindo artistas circenses e skatistas de diferentes culturas, o projeto transforma espaço urbano através de perspectiva feminina.

O Vazio É Cheio de Coisa Foto: Diego Bresani / Divulgação

Sarayvara celebra 21 anos de investigação da Cia Nós No Bambu na sexta-feira 7 de novembro às 19h no Teatro Hermilo. Poema Mühlenberg desenvolve dramaturgia corporal que transita entre circo, dança e teatro através do encontro simbiótico com bambu. Artista e artesã, ela cuida do bambuzal, colhe, trata e constrói instrumentos, materializando mensagem ecológica urgente sobre reconexão com natureza.

O Vazio É Cheio de Coisa sintetiza quinze anos de pesquisa arte-corpo-bambu na quinta-feira 6 de novembro às 20h no Teatro de Santa Isabel. Primeiro solo de Poema Mühlenberg constitui dança acrobática minimalista onde corpo humano e bambu oco desdobram dramaturgia de imagens emergentes da relação sensível entre humano e vegetal.

Vermelho, Branco e Preto traz Cibele Mateus de São Paulo nas quartas 5 e quinta 6 de novembro às 19h30 no Teatro Apolo. A multiartista dá vida à figura cômica “Mateu” do Cavalo Marinho pernambucano, entrelaçando narrativas caboclas (vermelho), críticas coloniais (branco) e máscara preta (negrume) numa brincadeira-manifesto que celebra alegria como tecnologia de reexistência.

Juventud da Cie NDE

Nove Tentativas de Não Sucumbir da Cia Devir transforma trapézio em metáfora sobre reconhecimento e resistência na sexta-feira 31 de outubro e sábado 1º de novembro às 19h no Teatro Apolo. Dirigido por Jean Michel Guy, João Lucas Cavalcanti e Vitor Lima investigam força do tentar através de técnica, vulnerabilidade e humor, com sessão do sábado oferecendo acessibilidade em Libras.

Juventud da Cie NDE funde dança e malabarismo no domingo 9 de novembro às 17h no Teatro do Parque. Sobre palco branco emoldurado em preto, cinco intérpretes constroem manifestação em movimento onde beleza emerge da complexidade coletiva, utilizando som, luz e vídeo para celebrar juventude como horizonte futuro.

Fragmentos de La Víspera (Espanha-França) divide corpo com humor nas sextas 7 e sábado 8 de novembro às 19h30 no Teatro Apolo. Vinka Delgado, Diego Hernando e Guille Leoni exploram distorções corporais através de máscaras, marionetes e experimentações luminosas, transformando dor em thriller circense sobre fragmentação como alívio paradoxal.

Le Bruit des Pierres do Collectif Maison Courbe entrelaça circo coreográfico, artes visuais e teatro físico no sábado 8 de novembro às 20h e domingo 9 às 18h no Teatro de Santa Isabel. Nina Harper e Domitille Martin personificam ganância ocidental pelo ouro através de ritual onde uma cobre pedras com folhas douradas enquanto outra as devora compulsivamente, criando reflexão sobre relação predatória com ambiente.

A tradição circense é celebrada no espetáculo Esparrama Circo

Esparrama Circo do Grupo Esparrama paulista homenageia tradição circense no Parque Santana durante 1º e 2 de novembro. Os palhaços convidam público a protagonizar cena, despertando memórias afetivas ligadas ao riso e convivência coletiva, celebrando circo como patrimônio cultural e teatro de rua como espaço de encontro.

A Risita do Coletivo Fuscirco transforma Fusca Azul 1974 em circo ambulante no Parque Santana (1º e 2 de novembro), Compaz Ariano Suassuna (segunda 3 de novembro às 15h) e Vera Cruz/Aldeia em Camaragibe (terça 4 de novembro às 16h). Rupi e Pitchula extraem música, malabares, equilibrismo e humor cearense do veículo que serve como transporte, lar e picadeiro móvel.

Hospital Agamenon Magalhães recebe sessão fechada do Palhaço Geleira através da Mostra PE. A performance varieté revela múltiplas facetas circenses.

Espetáculos nacionais em circulação

Bruce Gomlevsky como Raul Seixas. Foto: Dalton Valerio / Divulgação

Tom na Fazenda, com Armando Babaioff, Soraya Ravenle, Gustavo Rodrigues e Camila Nhary

Raul Seixas, O Musical desembarca no sábado 1º de novembro às 21h no Teatro RioMar com ingressos a partir de R$ 65. Bruce Gomlevsky, laureado com Prêmio Fita 2024, conduz 70 minutos através de noite insone onde Raul revisita trajetória via 21 canções emblemáticas. Entre Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, Maluco Beleza, Tente Outra Vez e Gita, a produção mergulha nos bastidores da mente inquieta, resgatando essência da Sociedade Alternativa onde liberdade e autenticidade são valores fundamentais.

Tom na Fazenda estabelece residência no Teatro Luiz Mendonça entre 7, 8 e 9 de novembro (sexta e sábado às 20h, domingo às 19h) após aclamada turnê europeia incluindo temporada parisiense e Festival de Edimburgo. Armando Babaioff, Soraya Ravenle, Gustavo Rodrigues e Camila Nhary interpretam adaptação de Michel Marc Bouchard dirigida por Rodrigo Portella, acompanhando Tom em funeral do companheiro onde enfrenta mãe que desconhece orientação sexual e irmão violento que exige silêncio, transformando mentira em condição de sobrevivência.

We call it Ballet – A Bela Adormecida combina balé clássico com tecnologia LED no domingo 2 de novembro às 16h no Teatro RioMar, com ingressos de R$ 80 a R$ 160. Bailarinos utilizam figurinos com luzes integradas para coreografias luminosas que projetam cores pelo palco, modernizando conto da princesa amaldiçoada através de piruetas e saltos interativos com tecnologia incorporada aos trajes. Próxima apresentação confirmada para 18 de janeiro de 2026.

Gongada Drag na sessão recifense homenagea Salário Mínimo. Foto: Adelino Cruz / Divulgação

The Jury Experience — Morte pela IA: Quem Paga o Preço? transforma audiência em júri de julgamento no domingo 2 de novembro às 19h30 no Teatro RioMar. Durante 75 minutos, espectadores analisam depoimentos, examinam provas forenses e decidem veredito via celular sobre responsabilidade em acidente causado por carro autônomo. A experiência questiona limites entre criador, proprietário e tecnologia em decisões vitais, oferecendo ingressos de R$ 60 a R$ 280.

Gongada Drag chega na quinta-feira 6 de novembro às 21h no Teatro RioMar com ingressos a partir de R$ 45. Bruno Motta conduz 120 minutos reunindo queens de LOL Brasil, Caravana das Drags, Queens of The Universe e Drag Race, homenageando Salário Mínimo, histórica humorista pernambucana fundamental na construção da arte drag nacional. Hellena Malditta, Suzy Brasil, Sayuri Heiwa, Vagiene Cokeluche, Magally Mel e Luciano Rundrox como Pastor Ubirajara celebram diversidade enquanto honram tradições carnavalescas locais.

Tempo de Vagalume, com Joesile Cordeiro. Foto: Divulgação

Negaça integra programação do Espaço O Poste na sexta-feira 31 de outubro às 19h com ingressos de R$ 30/15. Urubatan Miranda desenvolve solo autobiográfico reconstruindo história pessoal através do terreiro de Umbanda Tenda Espírita Pai Jacob em Campos dos Goytacazes-RJ. Utilizando registros fotográficos, vídeos, cantigas e rezas, o artista constrói dramaturgia corporal incorporando movimentação de Exú, estruturando cena como camarinha de iniciações entre focos, sons e cânticos ancestrais.

Tempo de Vagalume marca retomada teatral do Agreste através de temporada gratuita no Teatro Arraial Ariano Suassuna de 31 de outubro a 15 de novembro (sextas e sábados às 19h). Joesile Cordeiro apresenta monólogo autobiográfico sobre percepção LGBTQIAP+ dirigido por André Chaves com dramaturgia de Bruno Alves, utilizando simbologia dos vagalumes para reencontro com memórias de infância e interação com público.

Simbiose – Um Novo Ciclo da Ardedança questiona padrões estéticos no sábado 1º de novembro às 19h30 no Teatro Barreto Júnior (ingressos R$ 60/30). Inspirado na espiral da vida representando movimento e transformação, o espetáculo investiga relação entre dança e psicanálise: “Esperam que eu dance bonito. Mas o bonito que esperam não me cabe. O padrão me aperta, me sufoca, me silencia. Eu desmonto e reinvento meu próprio passo.”

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos. Foto: Vilmar Carvalho

Minha História Sou Eu celebra 40 anos de carreira de Geraldo Maia na sexta-feira 31 de outubro às 19h30 no Teatro Capiba (ingressos R$ 30/15). O “essencialmente artista da voz” recebe Carvalho Tomaz e trio formado por Renato Bandeira, Lieve Ferreira e Gilberto Bala, para interpretar composições como O Tempo Atravessa o Homem, Não me Venhas, De Navegar e Minha História Sou Eu, transitando entre fado com zabumba, baião e preces a Padre Cícero.

Frankenstein do Coletivo Gompa desenvolve linguagem híbrida na CAIXA Cultural através de versão adulta (sexta 31 de outubro e sábado 1º de novembro às 20h, ingressos R$ 30/15). Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti revisitam Mary Shelley tecendo paralelos entre corpo feminino e Amazônia, com trilha de Álvaro Rosa Costa criando “dissonância Frankenstein” através de samples e improvisações ao vivo.

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos adapta a obra para crianças no sábado 1º de novembro às 17h na CAIXA Cultural (ingressos R$ 30/15). Misturando narração, teatro, dança e artes visuais, a versão desperta imaginário criativo através de Victor Frankenstein que aprende sobre aceitação das diferenças quando Criatura não corresponde ao planejado.

Chapeuzinho de Neve Adormecida. Foto: Romeu Santos / Divulgação

Chapeuzinho de Neve Adormecida embaralha referências clássicas no sábado 1º de novembro às 16h30 no Teatro Luiz Mendonça (ingressos R$ 50 a R$ 100). O musical mistura Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve e A Bela Adormecida, criando narrativa onde personagens se encontram e desencontram, gerando situações educativas sobre identidade e diferenças.

A Princesa dos Mares – O Musical, também da Helena Siqueira Produções propõe programação familiar no domingo 2 de novembro às 16h30 no Teatro Luiz Mendonça (ingressos R$ 50 a R$ 100). Combinando aventura marítima com mensagem ambiental, o musical acompanha protagonista salvando oceanos através de criaturas marinhas que ensinam preservação via canções e coreografias aquáticas.

SERVIÇO

SEXTA-FEIRA, 31 DE OUTUBRO

Negaça – Urubatan Miranda
Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
Horário: 19h | Ingressos: R$ 30/15

Nove Tentativas de Não Sucumbir (Festival de Circo)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Minha História Sou Eu – Geraldo Maia
Local: Teatro Capiba | Horário: 19h30 | Ingressos: R$ 30/15

Frankenstein – Coletivo Gompa
Local: CAIXA Cultural | Horário: 20h | Ingressos: R$ 30/15

Tempo de Vagalume
Local: Teatro Arraial Ariano Suassuna | Horário: 19h | Gratuito

SÁBADO, 1º DE NOVEMBRO

Raul Seixas, O Musical – Bruce Gomlevsky
Local: Teatro RioMar | Horário: 21h | Ingressos: a partir de R$ 65

We call it Ballet – A Bela Adormecida
Local: Teatro RioMar | Horário: 16h | Ingressos: R$ 80 a R$ 160

Simbiose – Um Novo Ciclo – Ardedança
Local: Teatro Barreto Júnior | Horário: 19h30 | Ingressos: R$ 60/30

Chapeuzinho de Neve Adormecida
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 16h30 | Ingressos: R50aR 100

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos
Local: CAIXA Cultural | Horário: 17h | Ingressos: R$ 30/15

Frankenstein 
Local: CAIXA Cultural | Horário: 20h | Ingressos: R$ 30/15

Nove Tentativas de Não Sucumbir (com Libras) (Festival de Circo)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

FESTIVAL DE CIRCO – PARQUE SANTANA (a partir das 10h)

Mostra PE 
Esparrama Circo – Grupo Esparrama (SP)
A Risita – Coletivo Fuscirco (CE)
Hyperboles – Cie. SCoM (França)
How Much We Carry? – Cirque Immersif (França-Brasil) Programação gratuita
Veja + https://www.festivaldecircodobrasil.com.br/2025bra/brasil/brasil-espetaculos/

DOMINGO, 2 DE NOVEMBRO

The Jury Experience
Local: Teatro RioMar | 19h30 | R60aR 280

A Princesa dos Mares – O Musical
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 16h30 | Ingressos: R50aR 100

FESTIVAL DE CIRCO – PARQUE SANTANA
Repetição da programação gratuita

SEGUNDA-FEIRA, 3 DE NOVEMBRO

A Risita | Compaz Ariano Suassuna | 15h | Gratuito

TERÇA-FEIRA, 4 DE NOVEMBRO

A Risita | Vera Cruz/Aldeia – Camaragibe | 16h | Gratuito

QUARTA-FEIRA, 5 DE NOVEMBRO

Vermelho, Branco e Preto (com Libras)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

QUINTA-FEIRA, 6 DE NOVEMBRO

Gongada Drag
Local: Teatro RioMar | Horário: 21h | Ingressos: a partir de R$ 45

Vermelho, Branco e Preto
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

O Vazio É Cheio de Coisa
Local: Teatro de Santa Isabel | Horário: 20h | Ingressos: R10aR 50

SEXTA-FEIRA, 7 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 20h

Sarayvara
Local: Teatro Hermilo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Fragmentos
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

How Much We Carry? | Alto da Sé (Olinda) | 16h30 | Gratuito

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

SÁBADO, 8 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 20h

Copyleft | Parque Apipucos | 15h | Gratuito

Fragmentos | Teatro Apolo | 19h30 | R10aR 50

Le Bruit des Pierres | Teatro de Santa Isabel | 20h | R10aR 50

How Much We Carry? | Oficina Francisco Brennand | 15h | Gratuito

Tempo de Vagalume| Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 19h

Juventud | Teatro do Parque | 17h | R10aR 50

Le Bruit des Pierres | Teatro de Santa Isabel | 18h | R$ 10 a R$ 50

How Much We Carry? | Praça do Arsenal (Recife Antigo) | 16h | Gratuito

TEMPORADAS CONTINUADAS

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna
Sextas e sábados, 19h até 15/11 | Gratuito

CONTATOS E INGRESSOS
CAIXA Cultural: (81) 3425-1915
Teatro RioMar: Av. República do Líbano, 251 – Pina
Ingressos Festival de Circo: Sympla
 @festivaldecirco @luniprodutions

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Recife intensifica calendário cultural
com programação internacional

Germaine Acogny encerra dois festivais simultâneos, Foto: Thomas Dorn

O último terço do ano confirma a vocação do Recife como palco de experiências cênicas diversificadas. Nos próximos dias a cidade recebe simultaneamente festivais consolidados e estreias nacionais, criando densidade artística que atravessa teatros, parques e espaços alternativos. A programação reúne desde a presença singular de Germaine Acogny, figura seminal da dança contemporânea africana, até companhias europeias que investigam novas possibilidades do circo contemporâneo.

Aos 81 anos, Germaine Acogny chega ao Teatro Santa Isabel como ponto de convergência entre o Festival Internacional de Dança do Recife e o Festival de Teatro do Agreste – Feteag. Fundadora da École des Sables no Senegal, considerada a mais importante escola de dança contemporânea da África, ela desenvolveu metodologia própria que associa técnicas tradicionais senegalesas com formação moderna adquirida em Nova York nos anos 1970.

À un endroit du début surge como síntese autobiográfica onde Acogny revisita suas origens através do prisma da tragédia grega. A montagem, criada em colaboração com o diretor franco-alemão Mikaël Serre, conecta as palavras proféticas de sua avó, a sacerdotisa Aloopho, com o sofrimento de Medeia. A dramaturgia corporal e os elementos cênicos incluem projeções que potencializam a gestualidade ancestral, criando diálogo temporal entre cosmogonia iorubá e dramaturgia clássica ocidental. Ganhadora do Leão de Ouro na Bienal de Dança de Veneza em 2021, Acogny transforma o palco em território onde sua técnica singular ganha dimensão ritualística.

Antes da chegada da mestre senegalesa, o Festival de Dança do Recife apresenta criações que exploram identidade e ancestralidade através da corporeidade. Orun Santana desenvolve em “Orunmilá” um paralelo poético entre sua identidade pessoal e a divindade iorubá da sabedoria e adivinhação. O espetáculo incorpora o jogo de búzios como elemento dramatúrgico, encarnando figuras diferentes e construindo caminhos para lidar com o tempo em seu caráter espiralar, conectando-se à pesquisa do artista sobre A ancestralidade do presente.

Na mesma linha investigativa, Marcos Teófilo questiona expectativas sociais em Para Expectativa Somente Desvios, utilizando narrativas corporais complexas que propõem caminhos alternativos através do movimento. Enquanto isso, a Batalha da Escadaria no Compaz Eduardo Campos reúne vertentes da cultura urbana metropolitana: Serafin’s Company mistura afrobeats com hip hop local, criando sonoridade que reflete a diversidade cultural da região; a Batalha de All Style reúne dançarinos de diferentes vertentes; e o Baile Charme manifesta a cultura de rua que mescla dança, música e sociabilidade urbana.

Paralelamente, o Feteag 2025 examina questões contemporâneas através de obras que interrogam estruturas sociais. Bolor, de Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi, emprega fungos como protagonistas metafóricos de processos de decomposição e renascimento, confrontando diretamente a mitologia freyreana do açúcar. A criação expõe a violência estrutural da plantation açucareira através de estética que valoriza redes subterrâneas de resistência, dialogando com pensadores como Malcom Ferdinand e Anna Tsing para imaginar futuros decoloniais.

Nessa perspectiva crítica, Les Sans (Os sem), do coletivo Les Récréâtrales-ELAN de Burkina Faso, adapta o pensamento de Frantz Fanon para o teatro através do reencontro de dois ex-companheiros de luta. Ali Kiswinsida Ouédraogo explora o conflito entre Franck e Tiibo, onde um mantém ideais de transformação social enquanto o outro foi cooptado pelo sistema que combatiam, interrogando as limitações da independência burkinabê e questionando se a libertação formal constitui verdadeira descolonização.

Cia Etc reflete sobre as pulsões contemporâneas com O Tempo das Lebres. Foto: Divulgação

Enquanto os festivais investem em questões identitárias e pós-coloniais, a Cia. Etc. celebra 25 anos de trajetória com uma reflexão sobre o tempo contemporâneo. O Tempo das Lebres, investigação artística iniciada em 2019 e inspirada no livro homônimo do filósofo José Antônio Feitosa Apolinário, nasce da urgência de examinar o estado contemporâneo onde pressa e produtividade atingem níveis que empurram o mundo a um estado permanente de exaustão, ansiedade e desconexão, mesmo após a crise provocada pela pandemia.

A estética techno atravessa a montagem, reforçando a pulsação frenética das cidades e das telas presentes na sociedade contemporânea. Dirigida por Marcelo Sena e Filipe Marcena, a obra questiona o culto à velocidade e pergunta sobre o que acontece com quem não acompanha o ritmo imposto. Nesse contexto, a escolha do estúdio da TV Universitária como espaço cênico permite mesclar linguagens da dança, performance, audiovisual, instalação e música, criando imersão inédita onde o audiovisual torna-se parte essencial dos processos de aceleração tecnológica.

Importante destacar que a acessibilidade integra a dramaturgia: audiodescritoras caminham junto ao público composto por pessoas cegas e com baixa visão, narrando cada cena em tempo real no pé do ouvido. Essa escolhas técnica dialoga com as apresentações que sucedem uma série de performances urbanas que serviram como laboratório criativo – Tempo Morto, Fast Foda, Escape e Memória do Mundo – intervenções que discutiram corpo, ritmo e desconforto em espaços públicos.

Experimentações Autorais no Espaço O Poste

Luanda Ruanda – histórias africanas. Foto: Tatá Costa

Fabíola Nansurê em Barro Mulher

Negaça

Em outro território de criação, o Espaço O Poste funciona como laboratório de produções autorais que desenvolvem pesquisas continuadas sobre identidade, memória e resistência. Nessa programação curada, Fabíola Nansurê, reconhecida por suas pesquisas sobre corpo e território, constrói em Barro Mulher uma dramaturgia sensorial que utiliza barro como elemento cênico central. A obra explora texturas, plasticidade e simbolismo do material para questionar padrões estéticos e sociais impostos aos corpos femininos, propondo reflexão sobre resistência, autoconhecimento e reconexão com elementos primordiais da natureza.

A encenação dialoga com tradições ceramistas nordestinas e práticas rituais ancestrais, criando pontes entre saberes populares e linguagem cênica contemporânea. Essa mesma busca por conectar tradições e contemporaneidade aparece em Luanda Ruanda: Histórias Africanas, onde Stephany Metódio, especializada em culturas africanas e afro-brasileiras, apresenta experiência que resgata narrativas africanas através de contação que conecta tradições orais do continente com experiências da diáspora no Brasil.

A artista desenvolve dramaturgia que articula contos tradicionais de diferentes regiões da África com reflexões sobre identidade, pertencimento e resistência cultural, utilizando música, dança e elementos visuais para criar atmosfera que transporta o público para universos narrativos ricos em simbolismo e ensinamentos ancestrais. A montagem possui relevância educativa e cultural, funcionando como instrumento de valorização da herança africana e combate ao racismo através da arte. Contemplado três vezes pelo Funcultura-PE, o espetáculo já percorreu mais de 15 comunidades quilombolas e foi vencedor do Prêmio Pernalonga de Teatro 2024 na categoria Teatro para Infância.

Fechando essa trilogia de investigações identitárias, Urubatan Miranda encerra a programação mensal com Negaça, solo que explora construções de masculinidade no contexto nordestino através de autobiografia cênica que articula memória pessoal com questões coletivas sobre identidade de gênero e afetividade. O trabalho questiona estereótipos sobre homens nordestinos, explorando sensibilidades, vulnerabilidades e formas de amar que escapam aos padrões heteronormativos dominantes, utilizando humor, poesia e crítica social para desconstruir imagens cristalizadas sobre masculinidade sertaneja.

Diálogo Entre Arte e Ciência

Frankinh@ em cartaz na Caixa Cultural Recife. Foto vilmar carvalho

Transitando para um território conceitual diferente, o Coletivo Gompa apresenta na CAIXA Cultural temporada dupla que coloca arte em diálogo direto com ciência, biologia, literatura e física. Frankinh@, vencedor do Prêmio SESC de Artes Cênicas e já apresentado em 18 cidades brasileiras, além de Rússia e Cuba, mescla narração, teatro, dança, artes visuais e trilha sonora original para reinventar a primeira obra de ficção científica da história.

A montagem busca despertar o imaginário infantil e sua capacidade criativa através da história de Victor Frankenstein, jovem esquisito e solitário que acaba criando alguém para lhe fazer companhia, desafiando os limites da ciência. A Criatura não sai exatamente como planejado, ensinando Victor a lidar com surpresas e transformações.

Em contrapartida, a versão adulta Frankenstein revisita o clássico de Mary Shelley com olhar contemporâneo, criando paralelos entre corpo feminino e Amazônia, explorando questões como pertencimento, violência e identidade. No palco, os bailarinos Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti dão vida às vozes de Sandra Dani e Elcio Rossini, em encenação que combina textos, cenário, figurinos e iluminação com narrativa decolonial. A trilha sonora, assinada por Álvaro Rosa Costa, é manipulada ao vivo buscando criar “dissonância Frankenstein”, unindo samples, ruídos e improvisações.

Sonho Encantado de Cordel – O Musical é inspirado no enredo da Escola Imperatriz Leopoldinense 

No circuito dos grandes espetáculos, Sonho Encantado de Cordel – O Musical se apresenta como uma das mais ambiciosas produções teatrais da temporada. O espetáculo, inspirado no enredo Uma Delirante Confusão Fabulística de 2005, criado por Rosa Magalhães para a Imperatriz Leopoldinense em homenagem ao centenário de Hans Christian Andersen, funde elementos da cultura nordestina com o universo dos contos de fadas dinamarqueses.

A produção de Thereza Falcão conta com mais de 10 cenários e 50 figurinos criados pela carnavalesca Rosa Magalhães – obra póstuma da artista, que faleceu em julho deste ano aos 77 anos, deixando todos os desenhos prontos na noite anterior à sua partida. Mauro Leite, braço direito de Rosa, conduz a execução dos figurinos, dialogando com projeções e vídeos dirigidos por Batman Zavareze. As coreografias são assinadas por Renato Vieira, enquanto Marcelo Alonso Neves assina a direção musical.

O diferencial musical reside nas 10 composições inéditas de Paulinho Moska, Chico César e Zeca Baleiro, criando linguagem sonora que honra raízes nordestinas e universalidade fabular. A história gira em torno de Rosa Cordelista, jovem que sonha em se tornar grande cordelista e, através de sonho mágico, encontra Hans Christian Andersen em jornada repleta de personagens míticos.

Jeison Walace como Cinderela. Foto: Divulgação

Também investindo no humor como linguagem, o Teatro do Parque recebe Jeison Wallace em Cinderela em: Toda Cidade Tem, espetáculo que explora com inteligência as peculiaridades e situações do cotidiano encontradas em qualquer cidade brasileira. O comediante, consolidado como uma das principais referências da comédia nacional, constrói esquetes que abordam desde fofoca de bairro até personagens que marcam o dia a dia local, criando identificação imediata com públicos diversos através de piadas que fazem aquela mistura.

Na mesma linha de entretenimento familiar, Os 3 Super Porquinhos, também no Teatro do Parque, recebe tratamento contemporâneo de Roberto Costa, transformando o conto clássico em comédia musical que aborda preservação ambiental. A adaptação inverte arquétipos tradicionais: o Lobo torna-se personagem cômico e educativo, interagindo com crianças e se mostrando bobalhão, enquanto a caminhada final pela paz e preservação na floresta propõe conscientização sobre causas ambientais atuais.

Tom na Fazenda, sucesso de público e crítica no Brasil e exterior

Por outro lado, o Teatro Luiz Mendonça recebe produções de maior densidade dramática, como Tom na Fazenda, adaptação da peça de Michel Marc Bouchard que retorna ao Recife após turnê europeia de cinco meses, incluindo temporada de um mês em Paris com recorde de público e bilheteria, além de participação no Festival de Edimburgo. O espetáculo, visto por mais de 150.000 pessoas em mais de 450 apresentações desde 2017, explora sobrevivência emocional em ambiente rural hostil.

A trama acompanha Tom, que viaja para fazenda no interior após morte de seu companheiro para participar do funeral. Lá encontra a mãe, que desconhece a orientação sexual do filho falecido, e o irmão, camponês violento que insiste através de agressão que Tom esconda o relacionamento da mãe enlutada. Na fazenda, mentir torna-se primeira condição de sobrevivência, criando dramaturgia visceral que mistura realismo e expressionismo para abordar homofobia interiorizada e construção de masculinidades.

Festival de Circo

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Nove Tentativas de Não Sucumbir, da Cia Devir 

Espetáculo Juventud da Cie NDE funde dança e malabarismo

Completando esse panorama diversificado, o Festival de Circo do Brasil democratiza acesso ao circo contemporâneo através de programação com espetáculos espalhados por teatros, parques e espaços públicos, sendo 9 totalmente gratuitos. Abrindo essa celebração circense, a Cia Devir apresenta Nove Tentativas de Não Sucumbir, obra dirigida por Jean Michel Guy que transforma o ato de equilibrar-se no trapézio em metáfora sobre reconhecimento, resistência e reinvenção. Entre técnica, vulnerabilidade e humor, o espetáculo investiga o que mantém corpos em movimento e a força de tentar – mais uma vez – não sucumbir.

Da esfera internacional, a programação inclui Copyleft da Cie. NDE, que reúne dream team de cinco países – Juan Duarte Mateos (Uruguai), Lucas Castelo Branco (Brasil), Nahuel Desanto (Argentina), Gonzalo Fernandez Rodriguez (Espanha) e Walid El Yafi (França) – em turbilhão de malabarismo e dança com 45 minutos de duração. Criada para espaços públicos e terrenos diversos, a obra combina precisão técnica e energia coletiva sob direção de Nicanor de Elia.

Retornando à produção nacional, o Grupo Esparrama traz Esparrama Circo, homenagem à tradição popular do circo que transforma o cotidiano em espetáculo. Os palhaços convidam o público a tornar-se protagonista da cena, despertando memórias afetivas ligadas ao riso, ao jogo e à convivência coletiva. Nessa mesma linha participativa, o Coletivo Fuscirco apresenta A Risita, onde Rupi e Pitchula chegam com Fusca Azul 1974 trazendo circo completo: música, malabares, equilibrismo e humor cearense. Do carro que é transporte e lar surgem todos os elementos, transformando o picadeiro em espetáculo que garante interação e alegria do início ao fim.

Valorizando a produção local, a Mostra PE celebra talentos pernambucanos com cinco números: Aura Duo de Jéssica Moura e Fernanda Victor em lira acrobática baseada em confiança e sincronia; Malabares da Família Malanarquista celebrando malabarismo e arte de rua; Balanceiro de Paiace Brotin com habilidades bambolísticas no trânsito; Escada Sem Limites de Xixa Morales com uma das maiores escadas de equilíbrio do Brasil (4,5 metros); e Eclipse: Dança dos Astros de Jimmy Sá, onde artista e lira criam analogia ao fenômeno astronômico.

Explorando territórios experimentais, Hyperboles da Cie. SCoM busca aprofundar interseções entre skate e acrobacia, conectando essas linguagens a reflexão sobre o lugar das mulheres em práticas historicamente dominadas por homens. Reunindo artistas circenses e skatistas de diferentes culturas, o projeto propõe criação de espaço de troca onde cada corpo contribui para enriquecimento artístico mútuo.

Ainda na linha de espetáculos itinerantes, How Much We Carry? do Cirque Immersif convida à pausa e ao encontro ao redor de aparelho circense inusitado: a percha gigante em constante desequilíbrio. Com olhar sensível sobre o verbo “carry” – que significa tanto carregar quanto cuidar –, dois personagens conduzem tudo que encontraram pelo caminho, criando homenagem às caminhadas e àqueles que cruzam nossa trajetória.

Representando a pesquisa continuada brasileira, a Cia Nós No Bambu apresenta dois solos de Poema Mühlenberg que consolidam mais de quinze anos de pesquisa em arte-corpo-bambu. Sarayvara celebra 21 anos de dedicação, enquanto O Vazio É Cheio de Coisa constitui síntese de sua investigação, criando dramaturgia de imagens e significados que emergem da relação sensível entre humano e vegetal. Artista e artesã, Poema cuida de bambuzal: colhe, projeta, trata e constrói instrumentos, transpondo saberes artesanais para corpo cênico.

Nas criações internacionais mais conceituais, Fragmentos da La Víspera explora distorções e desintegrações corporais, transformando dor em linguagem cênica através de máscaras, marionetes e experimentações com luz. O espetáculo aborda fragmentação como alívio paradoxal ao sofrimento, criando thriller circense sobre processo de transformação contínua entre escolhas pessoais e atravessamentos externos.

Por outro lado, Vermelho, Branco e Preto de Cibele Mateus dá vida à figura cômica “Mateu” do Cavalo Marinho pernambucano, construindo brincadeira-manifesto que celebra alegria como tecnologia de reexistência, misturando riso, poesia e encantamento popular para questionar padrões coloniais e afirmar ancestralidade.

Em outra abordagem crítica, Le Bruit des Pierres do Collectif Maison Courbe entrelaça circo coreográfico, artes visuais e teatro físico para examinar ganância da sociedade ocidental pelo ouro. Duas mulheres personificam essa obsessão: uma cobre pedras com folhas douradas em gesto ritual repetitivo, enquanto outra as devora freneticamente até a overdose. Entre pedras e corpos surgem coreografias que exploram suspensão, desequilíbrio e queda, trazendo reflexão sobre exaustão capitalista e fragilidade ambiental.

Encerrando essa mostra circense, Juventud da Cie NDE funde dança e malabarismo, transformando fisicalidade circense em campo de experimentação e liberdade. A obra propõe manifestação em movimento constante, onde beleza não está na ordem ou perfeição, mas na complexidade do coletivo, em que indivíduo e grupo se complementam sem se anular.

Serviço 

Encerramento dos Festivais (Dança e Feteag)

À un endroit du début (Germaine Acogny)
Síntese autobiográfica entre cosmogonia iorubá e tragédia grega
Data: 26 de outubro de 2025 (Domingo) | Horário: 19h
Local: Teatro Santa Isabel (Praça da República, s/n, Santo Antônio)
Ingressos: Gratuito (retirada 1h antes, mediante doação de 1 kg de alimento não perecível)

Festival Internacional de Dança do Recife

Orunmilá (Orun Santana) | Jogo de búzios como dramaturgia espiralar sobre ancestralidade
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 14h e 19h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho | Acessibilidade: Libras
Para Expectativa Somente Desvios (Marcos Teófilo) | Narrativas corporais complexas questionam expectativas sociais
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 20h30
Local: Teatro Apolo | Acessibilidade: Libras
Cavalo Marinho Estrela Brilhante | Manifestação popular nordestina mistura teatro, dança e improviso
Data: 26 de outubro de 2025 (Domingo) | Horário: 16h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Circo Experimental Negro – O Encontro da Tempestade e a Guerra | Intersecção afrocentrada entre circo, dança e teatro
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 17h
Local: Teatro Apolo
Lúden Cia de Dança – Ciclobrega” | Fusão inusitada entre dança contemporânea e cultura do brega
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 18h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Batalha da Escadaria” | Cultura urbana pernambucana em afrobeats, hip hop e baile charme
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 15h às 21h
Local: Compaz Eduardo Campos

FETEAG 2025

Bolor” (Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi) | Fungos como metáfora da decomposição da mitologia açucareira
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 19h
Local: Teatro Rui Limeira Rosal | Ingressos: Gratuito
Les Sans (Os sem)” (Les Récréâtrales-ELAN) | Pensamento fanoniano questiona limitações da independência africana
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 21h
Local: Teatro Lycio Neves | Ingressos: Gratuito
L’Opéra du villageois” (Compagnie Zora Snake) | Performance-ritual ressuscita máscaras africanas roubadas pelos museus europeus
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 17h
Local: Estação Ferroviária | Ingressos: Gratuito
Corpos” (Cie Mangrove) | Laboratório coreográfico entre culturas caribenhas e brasileiras
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 19h
Local: Teatro Rui Limeira Rosal | Ingressos: Gratuito
Inquieta (Música)” (Larissa Lisboa com Gabi da Pele Preta) | Nova cena musical pernambucana negra e LGBTQIA+
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 21h
Local: Teatro Lycio Neves | Ingressos: Gratuito

Cia. Etc. – 25 Anos

O Tempo das Lebres” | Estética techno examina aceleração contemporânea e exaustão sistêmica
Datas: 24 e 25 de outubro (Recife) | 30 e 31 de outubro (Triunfo)
Horário: 20h (Recife) | 19h (Triunfo)
Local: TV Universitária – Estúdio B (Recife) | Sociedade Triunfense de Cultura (Triunfo)
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia) – Recife | Gratuito – Triunfo
Classificação: 12 anos | Mais informações: @ciaetc

Espaço O Poste – Laboratório Autoral

Barro Mulher” (Fabíola Nansurê) | Dramaturgia sensorial questiona padrões estéticos através do barro
Data: 24 de outubro de 2025 (Sexta-feira) | Horário: 19h
Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia)
Luanda Ruanda: Histórias Africanas” (Stephany Metódio) | Contação antirracista conecta tradições africanas com diáspora brasileira
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 16h
Local: Espaço O Poste | Ingressos: Gratuito | Classificação: Livre
Negaça” (Urubatan Miranda) | Solo autobiográfico desconstrói estereótipos da masculinidade nordestina
Data: 31 de outubro de 2025 (Quinta-feira) | Horário: 19h
Local: Espaço O Poste | Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia)

CAIXA Cultural Recife – Coletivo Gompa

Frankinh@ – Uma história em pedacinhos” | Primeira ficção científica da história adaptada para despertar imaginário infantil
Datas: 25 e 26 de outubro e 1º de novembro | Horários: 17h (sábado) | 11h (domingo)
Local: CAIXA Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife)
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia) | Classificação: Livre
Acessibilidade: Sessão de 26/10 com Libras | Informações: (81) 3425-1915
Frankenstein” | Perspectiva decolonial conecta corpo feminino e Amazônia
Datas: 30 de outubro (Quinta-feira), 31 de outubro (Sexta-feira) e 1º de novembro (Sábado) | Horário: 20h
Local: CAIXA Cultural Recife | Classificação: A partir de 16 anos
Ingressos: R30(inteira)/R 15 (meia) | Acessibilidade: Sessão de 31/10 com Libras

Produções Teatrais

Sonho Encantado de Cordel – O Musical” | Fusão entre Hans Christian Andersen e cultura nordestina inspirada na Imperatriz Leopoldinense
Datas: 25 de outubro (Sábado) e 26 de outubro (Domingo) | Horários: Sábado: 17h | Domingo: 15h e 17h
Local: Teatro Luiz Mendonça (Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem)
Patrocínio: Ministério da Cultura e CAIXA Vida e Previdência
Cinderela em: Toda Cidade Tem” (Jeison Wallace) | Humor inteligente sobre peculiaridades do cotidiano urbano brasileiro
Data: 25 de outubro de 2025 (Sábado) | Horário: 18h30
Local: Teatro do Parque (R. do Hospício, 81, Recife)
Ingressos: R120(inteira)/R 60 (meia) / R$ 80 (social com 1kg alimento)
Classificação: 14 anos | Informações: (81) 98463-8388
Os 3 Super Porquinhos” | Comédia musical inverte arquétipos para conscientização ambiental
Data: 26 de outubro de 2025 (Domingo) | Horário: 11h
Local: Teatro do Parque | Ingressos: R100(inteira)/R 50 (meia) / R$ 70 (social)
Acessibilidade: Libras | Informações: @robertocostaproducoes
Tom na Fazenda” | Sobrevivência emocional em ambiente rural hostil após turnê europeia
Datas: 7 de novembro (Sexta-feira), 8 de novembro (Sábado) e 9 de novembro (Domingo) | Horários: Sex/Sáb: 20h | Dom: 19h
Local: Teatro Luiz Mendonça
Chapeuzinho de Neve Adormecida” | Confusão divertida entre múltiplos contos clássicos
Data: 1º de novembro (Sábado) | Horário: 16h30 | Ingressos: R50 a R 100
Local: Teatro Luiz Mendonça
A Princesa dos Mares – O Musical” | Jornada épica oceânica com mensagem de preservação ambiental
Data: 2 de novembro (Domingo) | Horário: 16h30 | Ingressos: R50 a R 100
Local: Teatro Luiz Mendonça

Festival de Circo do Brasil – 13 Espetáculos

Nove Tentativas de Não Sucumbir” (Cia Devir) | Trapézio como metáfora sobre resistência e reinvenção humana
Datas: 31 de outubro (Quinta-feira) e 1º de novembro (Sábado) | Horário: 19h
Local: Teatro Apolo | Classificação: 14 anos
Ingressos: Gratuito (retirada via Sympla) | Acessibilidade: 1º/11 com Libras
Copyleft” (Cie. NDE) | Dream team internacional em turbilhão malabarístico de cinco países
Data: 8 de novembro (Sábado) | Horário: 15h
Local: Parque Apipucos | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
Esparrama Circo” (Grupo Esparrama) | Público como protagonista em homenagem à tradição circense popular
Datas: 1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo)
Local: Parque Santana – Ariano Suassuna | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
A Risita” (Coletivo Fuscirco) | Circo completo em Fusca Azul com humor cearense
Datas:
1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo) | Parque Santana – Ariano Suassuna
3 de novembro (Segunda-feira) | 15h | Compaz Ariano Suassuna
4 de novembro (Terça-feira) | 16h | Vera Cruz/Aldeia – Camaragibe
Classificação: Livre | Ingressos: Gratuito
Mostra PE” | Cinco números da produção local pernambucana
Datas: 1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo)
Local: Parque Santana (Casa Forte) | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
Hyperboles” (Cie. SCoM) | Interseção entre skate e acrobacia questionando lugar das mulheres
Datas: 1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo)
Local: Parque Santana – Ariano Suassuna | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito
How Much We Carry?” (Cirque Immersif) | Percha gigante em desequilíbrio como convite ao encontro
Datas:
1º de novembro (Sábado) e 2 de novembro (Domingo) | Parque Santana (Casa Forte)
7 de novembro (Sexta-feira) | 16h30 | Alto da Sé (Olinda)
8 de novembro (Sábado) | 15h | Oficina Francisco Brennand (Várzea)
9 de novembro (Domingo) | 16h | Praça do Arsenal (Recife Antigo)
Classificação: Livre | Ingressos: Gratuito
Sarayvara” (Cia Nós No Bambu) | 21 anos de pesquisa arte-corpo-bambu em celebração
Data: 7 de novembro (Sexta-feira) | Horário: 19h
Local: Teatro Hermilo Borba Filho | Classificação: Livre
Ingressos: Gratuito (retirada via Sympla)
O Vazio É Cheio de Coisa” (Cia Nós no Bambu) | Síntese de 15 anos de investigação entre humano e vegetal
Data: 6 de novembro (Quinta-feira) | Horário: 20h
Local: Teatro de Santa Isabel | Classificação: 12 anos
Ingressos: Sympla
Fragmentos” (La Víspera) | Thriller circense explora fragmentação mental como sobrevivência
Datas: 6 de novembro (Quinta-feira) e 8 de novembro (Sábado) | Horário: 19h30
Local: Teatro Apolo | Classificação: 14 anos
Ingressos: Sympla
Vermelho, Branco e Preto” (Cibele Mateus) | Mateu do Cavalo Marinho como brincadeira-manifesto de reexistência
Datas: 5 de novembro (Quarta-feira) e 6 de novembro (Quinta-feira) | Horário: 19h30
Local: Teatro Apolo | Classificação: 12 anos
Ingressos: Sympla | Acessibilidade: 5/11 com Libras
Le Bruit des Pierres” (Collectif Maison Courbe) | Obsessão pelo ouro revela exaustão capitalista e fragilidade ambiental
Datas: 8 de novembro (Sábado) e 9 de novembro (Domingo) | Horários: Sáb: 20h | Dom: 18h
Local: Teatro de Santa Isabel | Classificação: Livre
Ingressos: Sympla
Juventud” (Cie NDE) | Energia coletiva através de malabarismo, movimento e experimentação
Data: 9 de novembro (Domingo) | Horário: 17h
Local: Teatro do Parque | Classificação: 10 anos
Ingressos: Sympla
Informações Gerais: A programação oferece sessões com Libras em múltiplos espetáculos e 9 espetáculos gratuitos no Festival de Circo (além de 4 com ingressos via Sympla), democratizando acesso à cultura de qualidade internacional.

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Teatro é ao Vivo. Vá Ver!
Apacepe resgata campanha de divulgação

Cúmplices, com Fabiana Pirro e Júnior Sampaio participa da campanha Teatro é ao Vivo. Vá Ver!

Produtor Paulo de Castro na reunião da retomada na Câmara dos Vereadores

Encontro na Câmara, que definiu os rumos da retomada, com articulação da vereadora Cida Pedrosa (ao centro)

A retomada da campanha Teatro é ao Vivo. Vá Ver! pela Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (APACEPE) chega como uma promessa de aproximação do potencial público pagante com a produção teatral do estado. Após um hiato que coincidiu com transformações profundas no consumo cultural brasileiro, intensificadas durante a pandemia, esta iniciativa reafirma a arte presencial como experiência insubstituível frente virtualização crescente.

Entre 2004 e 2014, o modelo original estabeleceu uma referência nacional de divulgação teatral. Durante uma década, o projeto garantiu visibilidade para aproximadamente 2.600 espetáculos através de mais de 8.300 inserções televisivas na Rede Globo Nordeste. Baseando-se em contribuições de R$ 150 por semana de cada produção, enquanto a emissora cedia gratuitamente o espaço publicitário, gerou-se um valor estimado de divulgação superior a 49 milhões de reais em valores atuais.

Através desta estrutura, criou-se um sistema democrático de divulgação que beneficiou diretamente o ecossistema teatral pernambucano. Com 16 inserções semanais de um minuto cada, garantia-se exposição regular para produções que, de outra forma, dependiam exclusivamente de divulgação boca a boca ou materiais impressos com alcance limitado. Consequentemente, grupos menores, sem orçamento publicitário significativo, passaram a competir em visibilidade com grandes produções.

Além da divulgação, o projeto padronizou a comunicação teatral em Pernambuco, criando uma linguagem visual reconhecível que educou o público sobre a programação cultural disponível. Esse processo resultou em aumento documentado na frequência aos teatros e na formação de novos hábitos de consumo cultural, especialmente entre segmentos populacionais que tradicionalmente não frequentavam espaços culturais.

Programação de Retorno

Cantiga à Pedra do Reino, de Lucinha Guerra, abriu a projeto nos dias 17 e 18 de outubro. Foto: Reprodução

Cúmplices – Transgressões de um Ricardo III, com Fabiana Pirro e Junior Sampaio. Foto: Michéli de Quadros

Esquecidos por Deus, monólogo com Murilo Freire. Foto: Tayná Nunes e Sérgio Ricardo / Divulgação

Gracinha do Samba apresenta A Raiz do Samba com entrada gratuita. Foto: Reprodução

Geraldo Maia apresenta Minha História Sou Eu, celebrando 45 anos de carreira. Foto: Reprodução 

Iniciada em 17 de outubro, a programação de relançamento demonstra a amplitude conceitual que a campanha pretende manter. Inaugurando oficialmente o retorno, o espetáculo Cantiga à Pedra do Reino, de Lucinha Guerra, ocupou nos dias 17 e 18 o Teatro Arraial Ariano Suassuna, estabelecendo conexões com o legado de Ariano Suassuna através do Movimento Armorial.

Dando continuidade ao cronograma, quatro espetáculos representam diferentes linguagens das artes cênicas. Nos dias 22 e 23 de outubro, Cúmplices – Transgressões de um Ricardo III, com concepção de Moncho Rodriguez e direção de João Guisande e Moncho Rodriguez, ocupa o Teatro Marco Camarotti. Interpretado por Fabiana Pirro e Junior Sampaio, o espetáculo oferece uma leitura politicamente densa da obra shakespeariana, questionando estruturas de poder e mecanismos de cumplicidade social diante de regimes autoritários. Explorando a sedução do poder absoluto e a corrosão moral que acompanha sua busca, a produção dialoga diretamente com questões contemporâneas urgentes.

Para o dia 29 de outubro, Esquecidos por Deus, monólogo com Murilo Freire, baseia-se na obra O Livro das Personagens Esquecidas de Cícero Belmar, com direção e dramaturgia de José Manoel Sobrinho. Navegando pelos territórios da memória, da fé e da identidade, características centrais na dramaturgia nordestina, o espetáculo evidencia a confiança na potência narrativa individual que marca o teatro pernambucano, sendo uma realização do LAPA – Laboratório Pernambucano do Atuante.

A programação musical encerra a semana de lançamento com dois espetáculos no Teatro Capiba. Gracinha do Samba apresenta A Raiz do Samba com entrada gratuita, acompanhada por uma banda formada por Ralph (violão, coral e voz guia), Rinaldo (cavaco), Miguel (coral, pandeiro e malacacheta), Rafael Galdino (surdo), Nyll (tantanzinho, efeitos e coral), Nego Thon (repique, conga e efeitos) e Augusto (tamborim). Com produção geral de Pedro Castro, o espetáculo valoriza as tradições populares e democratiza o acesso cultural.

Fechando a programação no dia 31 de outubro, Geraldo Maia apresenta Minha História Sou Eu, celebrando 45 anos de carreira. Com direção musical de Renato Bandeira e acompanhamento de Gilberto Bala (percussão), Lieve Ferreira (viola) e Renato Bandeira (violão, viola e guitarra semi-acústica), o show funciona como ponte entre gerações, oferecendo aos espectadores mais jovens a oportunidade de conhecer referências fundamentais da música pernambucana. Sob produção geral de Pedro Castro e assistência de produção de Sayonara Silva, o espetáculo marca uma celebração de trajetórias artísticas consolidadas.

Desafios do Retorno

Desde 2014, o cenário midiático transformou-se radicalmente. Com audiências pulverizadas entre plataformas de streaming, redes sociais e conteúdos sob demanda, tornou-se exponencialmente mais difícil alcançar grandes audiências através de um único veículo. Diferentemente do modelo televisivo original, onde a Globo Nordeste assumia os custos de veiculação, as mídias digitais exigem investimentos contínuos em impulsionamento e produção de conteúdo.

Paralelamente às mudanças tecnológicas, a pandemia alterou permanentemente os hábitos de consumo cultural. Desenvolvendo resistência a aglomerações e preferência por experiências controladas em casa, o público também reduziu o orçamento destinado a atividades culturais presenciais. Consequentemente, a campanha precisa reconquistar a confiança na experiência teatral como atividade necessária, exigindo estratégias de comunicação mais sofisticadas que as chamadas de um minuto da versão original.

No aspecto econômico, o modelo financeiro original tornou-se insustentável. Enquanto os custos de produção teatral aumentaram exponencialmente, as receitas diminuíram, tornando qualquer custo adicional um obstáculo significativo para muitas companhias. Simultaneamente, os custos de produção audiovisual profissional cresceram, especialmente para conteúdos que competem por atenção nas mídias digitais.

Estratégias de Adaptação

Estrategicamente, a descentralização por diferentes espaços teatrais – Teatro Arraial Ariano Suassuna, Teatro Marco Camarotti e Teatro Capiba – amplia o alcance do projeto, criando novos hábitos de consumo cultural e fortalecendo o circuito teatral da região metropolitana do Recife. Considerando que cada teatro possui identidade arquitetônica e frequentadores específicos, a campanha consegue atingir segmentos diversificados de público.

No campo digital, a ampliação da presença mencionada no material de divulgação reflete a compreensão de que o mercado cultural contemporâneo exige estratégias híbridas de comunicação. Entretanto, o slogan “Teatro é ao Vivo. Vá Ver!” mantém sua força provocativa, funcionando como manifesto contra a virtualização excessiva das experiências culturais.

Contextualmente, o retorno da campanha em 2025 ocorre durante a recuperação gradual do setor cultural pós-pandemia, quando muitos artistas ainda enfrentam dificuldades financeiras e de público. Portanto, iniciativas como esta representam gestos de afirmação da importância social das artes cênicas, testando a disposição da sociedade pernambucana para revalorizar as experiências culturais presenciais e coletivas.

SERVIÇO

Teatro é ao Vivo. Vá Ver! – Programação

22 e 23 de outubro – 19h30
📍 Teatro Marco Camarotti – Sesc Santo Amaro
🎭 Cúmplices – Transgressões de um Ricardo III
Reflexão sobre poder, ética e cumplicidade diante de regimes autoritários
🎟️ R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia ou ingresso social + 1kg de alimento)

29 de outubro – 19h30
📍 Teatro Marco Camarotti – Sesc Santo Amaro
🎭 Esquecidos por Deus
Monólogo com Murilo Freire, baseado na obra de Cícero Belmar
🎟️ R$ 60,00 (inteira) / R$ 30,00 (meia)

30 de outubro – 19h30
📍 Teatro Capiba – Sesc Casa Amarela
🎶 Gracinha do Samba – A Raiz do Samba
Celebração do samba de raiz e suas tradições
🎟️ Entrada gratuita

31 de outubro – 19h30
📍 Teatro Capiba – Sesc Casa Amarela
🎤 Geraldo Maia – Minha História Sou Eu
Show comemorativo dos 45 anos de carreira
🎟️ R$ 30,00 (inteira) / R$ 15,00 (meia)

Ficha Técnica:
🎭 Cúmplices – Transgressões de um Ricardo III
Concepção: Moncho Rodriguez
Direção: João Guisande e Moncho Rodriguez
Intérpretes: Fabiana Pirro e Junior Sampaio
Dramaturgia: Moncho Rodriguez
Música: Narciso Fernandes
Figurinos: Marília Castro e Moncho Rodriguez
Cenário: Moncho Rodriguez
Produção: Paulo de Castro Produções e PIANE

Ficha Técnica:
🎭 Esquecidos por Deus
Texto: Cícero Belmar
Direção e Dramaturgia: José Manoel Sobrinho
Atuação: Murilo Freire
Realização: LAPA – Laboratório Pernambucano do Atuante

Ficha Técnica:
🎶 Gracinha do Samba – A Raiz do Samba
Voz: Gracinha do Samba
Músicos: Ralph (violão, coral e voz guia), Rinaldo (cavaco), Miguel (coral, pandeiro e malacacheta), Rafael Galdino (surdo), Nyll (tantanzinho, efeitos e coral), Nego Thon (repique, conga e efeitos), Augusto (tamborim)
Produção geral: Pedro Castro

Ficha Técnica:
🎤 Geraldo Maia – Minha História Sou Eu
Cantor: Geraldo Maia
Direção musical: Renato Bandeira
Músicos: Gilberto Bala (percussão), Lieve Ferreira (viola) e Renato Bandeira (violão, viola e guitarra semi-acústica)
Produção geral: Pedro Castro
Assistente de produção: Sayonara Silva
Realização: APACEPE – Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco

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Dez dias de memória em movimento
28º Festival Internacional de Dança do Recife

Festival reúne mais de 20 espetáculos com artistas de cinco países… Fotos: José Luiz Pederneiras / Divulgação

… celebra meio século do Grupo Corpo e homenageia o Acervo RecorDança. Piracema e acima Pindorama

Em 10 dias, artistas de cinco países movimentam uma programação que vai acontecendo em diferentes pontos da capital pernambucana. A 28ª edição do Festival Internacional de Dança do Recife ocorre de 17 a 26 de outubro, reunindo mais de 20 espetáculos que transita entre tradição e contemporaneidade, do Teatro de Santa Isabel às praças públicas da cidade.

O festival chega com uma programação robusta: França, Argentina, Espanha e Senegal marcam presença internacional, enquanto mais de 70% da programação fica por conta de grupos e artistas pernambucanos. São seis teatros, duas praças públicas, um museu e um compaz que recebem desde o Grupo Corpo – que celebra 50 anos de trajetória – até jovens bailarinos do Projeto Primeira Cena.

O Grupo Corpo, fundado em 1975 em Belo Horizonte, chega ao Recife carregando meio século de uma trajetória que redefiniu a dança brasileira no cenário internacional. Criado pelos irmãos Paulo e Rodrigo Pederneiras, o grupo se tornou uma das companhias mais respeitadas do mundo, conhecido por sua capacidade única de traduzir a brasilidade em movimentos que dialogam com a contemporaneidade global sem perder suas raízes.

Com mais de 40 obras no repertório e apresentações em mais de 60 países, o Corpo construiu uma linguagem própria que agrega técnica apurada, trilhas sonoras marcantes e cenografias ousadas. Piracema, espetáculo inédito traduz a própria trajetória do grupo: como os peixes que sobem a correnteza do rio numa jornada épica de resistência e renovação, o Corpo atravessou décadas mantendo-se vivo, criativo e sempre em movimento, conquistando seu lugar como patrimônio vivo da cultura brasileira. Parabelo, peça de 1997, faz a abertura nas duas noites.

Le Sacre du Sucrealexandre boissot

Já a bailarina e coreógrafa Léna Blou, de Guadalupe, vai transformar a história colonial da cana-de-açúcar em dança contemporânea, explorando as conexões dolorosas entre Caribe e Nordeste brasileiro através do espetáculo Le Sacre du Sucre (A Sagração do Açúcar). Por  outro lado, o coletivo argentino BiNeural-MonoKultur promete transformar o jardim do Teatro do Parque numa pista de dança com Dancemos… que o mundo se acaba!, obra performática que mistura dança, música eletrônica e interação direta com o público. E fechando o festival, a lendária Germaine Acogny – considerada a “mãe da dança contemporânea africana” – apresenta À un endroit du début, misturando danças tradicionais senegalesas com técnicas contemporâneas que aprendeu durante os anos 1970 em Nova York.

Memória em Movimento é o tema que costura essa programação diversa, prestando homenagem ao Acervo RecorDança, coletivo pernambucano fundado em 2017 que há anos se dedica a guardar a história da dança no estado através da digitalização de documentos históricos, produção de entrevistas com pioneiros da dança local, criação de podcasts e documentários, além da realização de ações pedagógicas que conectam diferentes gerações de bailarinos. O grupo atua como uma verdadeira biblioteca viva da dança pernambucana, resgatando memórias que estavam se perdendo e garantindo que as novas gerações tenham acesso a essa herança cultural. Porque memória não é só passado – é combustível para o que está por vir.

Flaira Ferro. Foto Claudia Dalla Nora / Divulgação

🎭 O Protagonismo Local: Pernambuco em Movimento
Flaira Ferro: A Embaixadora do Frevo
A pernambucana Flaira Ferro é uma das principais representantes da cultura popular contemporânea do estado. Passista de frevo reconhecida nacionalmente, ela terá participação dupla no festival, mostrando a versatilidade de seu trabalho:

🎤 Show (18 de outubro, 19h – Teatro Apolo)
Apresentação que mistura frevo tradicional com sonoridades contemporâneas, demonstrando como a cultura popular pode dialogar com diferentes linguagens sem perder sua essência.

👥 Aulão de Frevo (19 de outubro, 10h às 11h30 – Teatro Hermilo Borba Filho)
Atividade pedagógica gratuita onde Flaira compartilha os fundamentos do frevo, conectando diferentes gerações em torno dessa manifestação cultural patrimônio da humanidade.

Patrimônios Vivos da Cultura Pernambucana

🥁 Bacnaré – Nações Africanas (20 de outubro, 14h – Teatro do Parque)
O grupo Bacnaré, reconhecido como patrimônio vivo do Recife, é uma das principais referências da cultura afro-brasileira em Pernambuco. Fundado há mais de quatro décadas, o coletivo preserva e recria tradições africanas através da dança, música e teatro. O espetáculo Nações Africanas celebra as diversas etnias que formaram a base cultural afro-brasileira, apresentando danças e ritmos que conectam o Recife diretamente às suas raízes ancestrais.

🐎 Cavalo Marinho Estrela Brilhante (26 de outubro, 16h – Teatro Hermilo Borba Filho)
O Cavalo Marinho é uma das manifestações mais ricas da cultura popular nordestina, misturando teatro, dança, música e improviso. O grupo Estrela Brilhante é uma das principais referências dessa arte em Pernambuco, mantendo viva uma tradição que remonta ao período colonial. A apresentação no encerramento do festival reafirma a importância das tradições populares como base da identidade cultural pernambucana.

Nova Geração: Projeto Primeira Cena

🌟 Revelando Talentos (21 de outubro, 19h – Teatro Hermilo Borba Filho)
O Projeto Primeira Cena é uma das iniciativas mais importantes do festival para o fomento da dança local. Este ano, quatro coreografias foram selecionadas, representando a diversidade da nova geração de bailarinos e coreógrafos pernambucanos:

Meu Frevo é assim – Cia de Dança Recifervo
Companhia jovem que se dedica à pesquisa e contemporaneização do frevo, explorando novas possibilidades coreográficas sem perder a essência do ritmo tradicional.

Corpo Fé: Trânsitos de presenças, ausências e águas – Irys Oliveira
Pesquisa autoral que investiga as relações entre corpo, espiritualidade e elemento aquático, temas centrais na cultura e geografia pernambucanas.

Fissura – Samuel José
Trabalho solo que explora as fraturas e resistências do corpo contemporâneo, dialogando com questões urbanas e sociais da realidade local.

Corpos que dançam entre gerações e memórias – Escola Viradança
Coreografia coletiva que conecta diferentes idades e experiências, materializando o tema do festival através do encontro entre veteranos e novatos da dança.

Experimentação e Vanguarda Pernambucana

🌍 Cia ETC – Memória do Mundo (21 de outubro, 12h – Praça do Derby)
A Cia ETC é conhecida por suas intervenções urbanas que questionam o cotidiano através da dança. Memória do Mundo será apresentada no meio da agitação da Praça do Derby, propondo uma reflexão sobre como a arte pode alterar a percepção do espaço urbano e criar momentos de contemplação no meio da correria cotidiana.

🎪 Circo Experimental Negro – O Encontro da Tempestade e a Guerra (25 de outubro, 17h – Teatro Apolo)
Coletivo que trabalha na intersecção entre circo, dança e teatro, sempre com uma perspectiva afrocentrada. O espetáculo aborda questões relacionadas à resistência negra e aos conflitos históricos, usando o corpo como território de luta e celebração.

🚴 Lúden Cia de Dança – Ciclobrega (25 de outubro, 18h – Teatro Hermilo Borba Filho)
Intervenção que mistura dança contemporânea com a cultura do brega, gênero musical profundamente arraigado na cultura popular pernambucana. A proposta é criar um diálogo inusitado entre linguagens aparentemente distintas, mostrando como a cultura popular pode ser fonte de inovação artística.

Novos Criadores em Destaque

🎭 Gabi Holanda, Guilherme Allain e Isabela Severi
Trio que representa a nova geração de criadores pernambucanos, apresentando dois trabalhos no festival:

Bolor (22 de outubro, 19h – Teatro Hermilo Borba Filho)
Trabalho que investiga processos de decomposição e renovação, tanto corporais quanto sociais.

Onde a Vida Insiste (23 de outubro, 19h – Praça da Várzea)
Apresentação ao ar livre que explora a resistência da vida em contextos adversos, tema que dialoga diretamente com a realidade social pernambucana.

🌟 Orun Santana – Orunmilá (24 de outubro, 14h e 19h – Teatro Hermilo Borba Filho)
Artista que trabalha na intersecção entre dança contemporânea e tradições afro-brasileiras. “Orunmilá” faz referência ao orixá da sabedoria e do destino, explorando as conexões entre corpo, ancestralidade e futuro.

Marcos Teófilo – Para Expectativa Somente Desvios (24 de outubro, 20h30 – Teatro Apolo)
Coreógrafo que se destaca pela capacidade de criar narrativas corporais complexas. O espetáculo questiona as expectativas sociais e propõe outros caminhos possíveis através do movimento.

🔥 Balé Afro Raízes – Os Guerreiros: A Luta pela Sobrevivência (21 de outubro, 20h – Teatro do Parque)
Grupo especializado em danças afro-brasileiras que apresenta espetáculo sobre resistência e luta, temas centrais na história da população negra em Pernambuco.

Dança Urbana e Cultura de Rua

🎤 Batalha da Escadaria (25 de outubro, 15h às 21h – Compaz Eduardo Campos)
Evento que reúne diferentes vertentes da cultura urbana pernambucana:

Serafin’s Company – From Afrobeats to hip Hop Heat!
Coletivo local que mistura hip hop com ritmos africanos, criando uma sonoridade única que reflete a diversidade cultural do Recife.

Batalha de All Style
Competição que reúne os melhores dançarinos de diferentes estilos da região metropolitana do Recife.

Baile Charme
Manifestação da cultura de rua que ganhou força no Recife, misturando dança, música e sociabilidade urbana.

🌍 Participações Internacionais

França: Três Visões Complementares
🍭 Le Sacre du Sucre (18 de outubro, 20h – Teatro do Parque)
🌊 Corpos (23 de outubro, 20h – Teatro do Parque)
✨ À un endroit du début (26 de outubro, 19h – Teatro de Santa Isabel)

Argentina: Interatividade e Performance
🎵 Dancemos… que o mundo se acaba! (22 de outubro, 10h e 14h – Teatro do Parque)

Espanha: Literatura e Flamenco
💃 Ellas en Lorca (23 de outubro, 19h – Teatro Apolo)

🏆 Abertura Histórica: Grupo Corpo Celebra 50 Anos

Piracema e Parabelo (17 e 18 de outubro, Teatro de Santa Isabel)

️ Exposições e Patrimônio Cultural

RecorDança: Acervo em Movimento (Abertura: 18 de outubro, 14h – Museu Murillo La Greca)
Corpo Ancestral: Dança Nagô em Movimento (18 de outubro, 18h – Teatro Hermilo Borba Filho)

Formação e Capacitação

Oficina: Vivência Danças de Blocos Afros (17 e 18 de outubro)
Ministrada por Vânia Oliveira (BA)

Cine Dança (21 de outubro, 19h – Teatro do Parque)

Sessão especial incluindo o curta Saramuná, de Gabriela Moura (PE), e Longa Repentino, de Drica Ayub (PE).

📍 Informações Práticas
🗓️ Período: 17 a 26 de outubro de 2025
🎟️ Ingressos: Maioria gratuita, com retirada nos locais uma hora antes das apresentações
♿ Acessibilidade: Libras e audiodescrição em múltiplas apresentações
🎯 Ação Social: Arrecadação solidária de alimentos

Sobre o Festival: Promovido pela Prefeitura do Recife através da Secretaria de Cultura e Fundação de Cultura Cidade do Recife, o Festival Internacional de Dança do Recife consolida-se como uma das principais vitrines da dança contemporânea no Brasil, com especial ênfase na valorização e promoção da produção artística local.

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