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FIT Rio Preto chega aos 50 anos

Festival movimenta cidade paulista até o dia 13 de julho

SÃO PAULO – A trajetória de uma artista negra, que venceu a fome e o preconceito para garantir o seu lugar de fala (e com que voz!) forma o quadro da programação do Festival Internacional de Teatro, o FIT, de São José do Rio Preto (SP), nesta quinta-feira (04/07). Sete atrizes se multiplicam para expor a trajetória da cantora de A Mulher do Fim do Mundo e Maria da Vila Matilde, e de outras tantas músicas em seis décadas de carreira. Elza, o musical vibrante dá o tom inicial do que é o repertório deste ano, com 34 espetáculos, espalhados por 25 locais da cidade até 31 de julho. É tempo de luta, mas sem abandonar a alegria é tembém o que proclama a montagem de Gabriel Villela para O Auto da Compadecida, texto de Ariano Suassuna.

A escolha das montagens para compor o caleidoscópio curatorial avisa que corpos femininos trans e cis, negros e marginalizados estão de prontidão para se defenderem e defender o que é possível de democracia. Com espetáculos nacionais e internacionais, ações formativas e um ponto de encontro com intervenções e performances, o FIT Rio Preto celebra 50 anos para horar sua história.

A curadoria desta edição – do dramaturgo, diretor e escritor Alexandre Dal Farra, da jornalista e gestora cultural Adriana Macedo e do idealizador e editor da revista Antro Positivo Ruy Filho -, aponta para o futuro, para o momento em constante ebulição nas cênicas e da criatividade como arte impossível de ser barrada pelos poderosos da vez.

Os espetáculos refletem a urgência de tomar posições progressivas, de se posicionar e enfrentar de cabeça erguida as tentativas de desmantelar a cultura no Brasil. E dos enfrentamentos que ocorrem em outras partes do planeta.

Cada obra traz sua específica contundência. Seja para se colocar contra a censura, como em Domínio Público (Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho e Wagner Schwartz), seja mirar os racimos em Buraquinhos ou O Vento é Inimigo do Picumã (Coletivo Carcaça de Poéticas Negras), seja para dizer NÃO à homofobia de Tom na Fazenda ou enfrentar a repressão de Quando quebra queima.

O Festival abriga companhias do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Amapá, Bahia, Piauí e Santa Catarina. França, Gana, Irã, México e Bolívia chegam com obras contemporâneas em diálogo com outras áreas artísticas.

A artista Va-Bene Fiatsi, de Gana (África) vem com três espetáculos – agbanWu – [Velório] [Lying in State], dZikudZikui-aBiku-aBiikus – [Nascido Depois do Nascido-Morto] – [Born to death-born to die] e Strikethrough – [Tachado]. Suas obras lidam com as tensões culturais e propõem uma reflexão sobre nossas contribuições, ações e inações em relação a direitos humanos, gênero, sexualidade, preconceitos, sexismo, fanatismo religioso, injustiças políticas e minorias marginalizadas nas sociedades civis. Ela concebe seus trabalhos como rituais de identidade que examinam a vulnerabilidade das minorias e a tensão entre exibicionismo e voyeurismo.

Hearing – [Escuta], do Mehr Theatre Group, do diretor e dramaturgo Amir Reza Koohestani do Irã, acende a importância do ouvir (e relatar o que ouviu) na determinação do futuro dos envolvidos. A peça apresenta dois tempos: o da infância e o da maturidade, em reflexão sobre esse passado. Num colégio para meninas, a jovem Samaneh ouve (ou pensa ouvir) a voz de um homem no meio da noite. O dormitório feminino da escola é um lugar proibido aos homens. Muitos anos depois Samaneh necessita relembrar daquele episódio. E avaliar suas consequências. A peça Escuta tem sessões agendadas no Sesc Pompeia nos dias 9 e 10/7.

Romeo y Julieta de Aramburo é uma versão sem fantasias da versão original de Shakespeare. Com a peça, os bolivianos do Kinteatr denunciam o patriarcado ainda reinante na Bolívia. Por favor cierra la puerta, gracias [Por Favor Feche a Porta, Obrigado], do grupo mexicano Vaca 35 Teatro propõe com seu teatro-documentário um passeio por Juarez, cidade mexicana que faz fronteira com os Estados Unidos.

Companhias, artistas e coletivos residentes em São José do Rio Preto foram escolhidos para apresentar trabalhos prontos e obras ainda em processo de construção, em formato de residência artística na Cena Rio Preto. A categoria foi criada em 2007 e nesta edição, seis trabalhos foram selecionados.

As ações formativas deste ano partem da noção de encruzilhada como lugar múltiplo, diverso, oposto, único, plural, de construção, de improvisação, proposta por Leda Martins, poeta, ensaísta, acadêmica e dramaturga brasileira. A dupla de curadores – formada pela encenadora integrante do grupo Teatro da Vertigem Eliana Monteiro e pelo diretor, dramaturgo, pesquisador e professor José Fernando Peixoto de Azevedo – desenvolveu atuações práticas, reflexivas, provocadoras e pedagógicas para a troca de experiências e ideias.

O FIT Rio Preto é realizado pela Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto e pelo Sesc São Paulo,

PROGRAMAÇÃO

Alice _ Baltazar ou Indevassável. Foto: Clara Castañon

Alice&Baltazar ou INDEVASSÁVEL
Homero Ferreira – São José do Rio Preto/SP
Alice é uma jovem que se sente imóvel diante da dificuldade de encontrar um lugar para morar no Rio de Janeiro. Baltazar é rico, branco e herdeiro de empreendimentos imobiliários. Ele não imagina o que Alice planejou para chamar sua atenção…
11/7 – 19h e 23h – Teatro Municipal Paulo Moura
Texto e direção: Homero Ferreira
Orientação: Carmem Gadelha
Elenco: Jasmin Sánchez, Lucas Garbois e Rodrigo Andrade
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 55 minutos

HUMALTERIDADE. Foto: Paulo Amaral

HUMALTERIDADE
Asa de Borboleta Performance Art – São José do Rio Preto/SP
A obra pesquisa as construções do corpo performático limitado pela dificuldade de locomoção, inserindo-o numa perspectiva da alteridade. Busca provocar o espectador usando como fio condutor a noção da realidade do distinto, abordando o “estranho” enquanto percorre a fronteira cartográfica corpórea.
5/7 – 16h – Calçadão
Rua Jorge Tibiriçá com General Glicério
7/7 – 22h – Swift – Graneleiro
9/7 – 16h – Associação das Pess oas com Deficiência – Acadef
10/7 – 21h – Praça Cacilda Becker
(ao lado do Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto)
Direção e performance: Vanessa Cornélio
Classificação indicativa: livre
Duração: 30 minutos

Imprudências Poéticas. Foto: Bruno Camargo

IMPRUDÊNCIAS POÉTICAS
Cia. dos Pés – São José do Rio Preto/SP
Inspirado em textos do escritor moçambicano Mia Couto, a interferência poética invade o horizonte da construção urbana e com uma dança-poema pausa o conturbado espaço de concreto, propondo um questionamento sobre a criação do medo. Um guindaste de 33 metros é utilizado como parte do cenário.
7/7 – 17h30 – Praça São Sebastião
Distrito de Talhado
11/7 – 17h30 – Praça dos Esportes e da Cultura
Distrito de Engenheiro Schmitt
Inspirado nas obras “As baleias de Quissico”, “A menina, as aves e o sangue” e “Murar o medo”, de Mia Couto.
Direção e roteiro: Angélica Zignani
Elenco: Mariane Cerilo e Daniel Neves
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 50 minutos

Corpomáquina. Foto: Diego-Santos

CORPOMÁQUINA
Robo.art – São José do Rio Preto/SP
Repensar o lugar do corpo na cena contemporânea exige que discutamos as mudanças estruturais e representacionais ligadas ao uso de novas tecnologias. O corpo pós-humano, contaminado pelo devir-tecnológico, é um corpo-imagem transfigurado que descobre sua potência na inter-relação com o mundo.
6/7 – 23h – Swift – Graneleiro
Direção: Vinicius Dall’Acqua
Coreografia/performer: Vinicius Francês
Classificação indicativa: 18 anos
Duração: 40 minutos

Não tem véu, nem réu, tem revolução. Foto: Elissa Pomponio

NÃO TEM VÉU, NEM RÉU, TEM REVOLUÇÃO!
Manas no Coletivo – São José do Rio Preto/SP
Através de intervenções artísticas em fotografias produzidas durante o processo de construção da peça, a mostra aborda a infâmia do feminino perante a sociedade. Durante a exposição, o elenco do espetáculo fará intervenções, apresentando algumas cenas.
11/7 – 22h – Swift – Mezanino
Fotografia, intervenção artística e concepção: Elissa Pomponio
Intervenções ao vivo de cenas: Amine Boccardio, Carol Campos, Fabiana Pezzotti e Lila Santiago
Produção: Fabiana Pezzotti e Denise Cristina
Classificação indicativa: 18 anos
Duração: 60 minutos

Teoremas. Foto: Divulgação

TEOREMAS
Grupo Kahlos – São José do Rio Preto/SP
As memórias da atriz Vanessa Cornélio. A amnésia pós-traumática que a protagonista sofreu após o acidente automobilístico que lesionou sua medula. Os dias esquecidos são apresentados como novas e improváveis memórias das memórias reais, num jogo cênico onde se edita a realidade através da ficção.
5/7 – 23h – Swift – Graneleiro
Encenação e dramaturgia: Tauã Teixeira
Elenco: Vanessa Cornélio, Milton F. Verderi, Lucas Leal e Marcela Galhardo
Classificação indicativa: 18 anos
Duração: 90 minutos

INTERNACIONAIS

agbanWu. Foto: Kresiah Mukwazhi / Divulgação

agbanWu [Velório]
Va-Bene Fiatsi [crazinisT artisT] – Gana
Imagens dos tradicionais ritos fúnebres inundam a performance “agbanWu”, que questiona as relações de poder entre indivíduos, governo, militares e igreja na África.
09/07 – 18h30 às 22h30 – Swift – Área interna
Criação: Va-Bene Fiatsi [crazinisT artisT]
Direção técnica: Martin Toloku
Flautista: Alice Guel
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 240 minutos
(o tempo de permanência na performance é livre)

dZikudZikui-aBiku-aBikus – Foto: Anwar Sadat Mohammed

dZikudZikui-aBiku-aBiikus – [Nascido depois do nascido-morto]
Va-Bene Fiatsi [crazinisT artisT] – Gana
A obra propõe uma reflexão sobre nossas contribuições, ações e inações em relação à violência, ódio, preconceito, vulnerabilidades e mortalidade. A performance questiona o fracasso da Igreja/Cristianismo e sua participação contraditória em atos desumanos.
11/7 – 21h30 – Swift – Estacionamento
Criação: Va-Bene Fiatsi [crazinisT artisT]
Direção técnica: Martin Toloku
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 60 a 120 minutos

Hearing. Foto: Pierre Borasci

HEARING – [Escuta]
Mehr Theatre Group – Irã
Espécie de castelo inatingível, o dormitório das meninas sempre foi trancado a sete chaves. Mas um dia, uma garota relata ter ouvido um homem em um dos quartos. A peça tematiza com culpas, remorsos, desejos e fantasias e a confusão entre o virtual e o real.
5 e 6/7 – 21h30 – Sesc – Ginásio
Texto e direção: Amir Reza Koohestani
Elenco: Mona Ahmadi, Ainaz Azarhoush, Elham Korda e Mahin Sadri
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 70 minutos

Por Favor Cierra la Puerta, Gracias. Foto: Raul Kriga

POR FAVOR CIERRA LA PUERTA, GRACIAS – [Por favor feche a porta, obrigado]
Vaca 35 Teatro – México
A encenação propõe um passeio por Ciudade Juarez, suas histórias e seus fantasmas. Essas narrativas chegam e se acomodam em um pequeno apartamento no centro da cidade e nos abrem a porta de memórias dos que se foram e dos que ficaram.
5, 6 e 7/7 – 19h – Casa – Avenida das Hortênsias, 263, Jardim dos Seixas.
Dramaturgia: criação coletiva Vaca 35 Teatro
Direção e concepção: Damián Cervantes
Elenco: Guadalupe Balderrama, Alan Posada, José Rafael Flores, Laura Galindo, Mario Vera, Humberto Morales e Abril Badillo
Classificação indicativa: 18 anos
Duração: 90 minutos
Lotação: 90 lugares

Romeo y Julieta de Aramburo. Foto: Sandra Zea

ROMEO Y JULIETA DE ARAMBURO
Kiknteatr – Bolívia
A encenação investe na intimidade do conflito dos jovens amantes, do relativismo e do niilismo de nossos tempos. A versão denuncia, sobretudo, o patriarcado ainda reinante – muitas mulheres, na Bolívia, quando se casam perdem “seu” sobrenome paterno para receber o de seu marido usando o “de”, que expressa propriedade.
12 e 13/7 – 21h30 – Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto
Texto: Diego Aramburo (intervenção na obra de William Shakespeare, sobre tradução própria)
Direção: Diego Aramburo
Elenco: Camila Rocha, Diego Aramburo e Ariana Stambuk
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 50 minutos

strikethrough. Foto: crédito Greg Goodale 

STRIKETHROUGH – [Tachado]
Va-Bene Fiatsi [crazinisT artisT] – Gana
A narração performativa navega pelas fronteiras coloniais nos espaços que não foram feitos para “outres” ou “corpos estranhos”. Diversos vídeos registraram a confusão de seguranças de fronteiras ao lidar com documentos de artistas não binários.
7/7 – 21h30 – Sesc – Ginásio
Criação: Va-Bene Fiatsi [crazinisT artisT]
Direção técnica: Martin Toloku
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 90 minutos

 

NACIONAIS

Auto da Compadecida. Foto: Tati Motta

AUTO DA COMPADECIDA – Grupo Maria Cutia e Gabriel Villela
Belo Horizonte/MG
Músicas que entrelaçam o regionalismo mineiro e o pernambucano compõem o repertório dessa montagem, que explora as aventuras picarescas de Chicó e João Grilo. O cenário e o figurino trazem um sincretismo entre a estética oriental das tapeçarias, o cangaço de Pernambuco e o barroco mineiro com motivos chineses da Igreja de Nossa Senhora do Ó de Sabará.
13/7 – 19h – Teatro Municipal Paulo Moura
Texto: Ariano Suassuna
Concepção e direção geral: Gabriel Villela
Elenco: Leonardo Rocha, Hugo da Silva, Mariana Arruda ou Jimena Castiglioni, Lucas Dê Jota Torres, Malu Grossi, Marcelo Veronez e Polyana Horta
Classificação indicativa: livre
Duração: 80 minutos

BURAQUINHOS. Foto_Alessandra Nohvais

BURAQUINHOS OU O VENTO É INIMIGO DO PICUMÃ
Carcaça de Poéticas Negras
São Paulo/SP
Um menino negro correr o mundo, e, ao longo do caminho, é atingido por 111 tiros de arma de fogo do policial que o persegue. Com fortes tintas de realismo fantástico, a obra traz à cena o genocídio da população jovem, negra e periférica.
5 e 6/7 – 21h30 – Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto
Idealização, coordenação e dramaturgia: Jhonny Salaberg
Direção: Naruna Costa
Elenco: Ailton Barros, Clayton Nascimento e Jhonny Salaberg
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 90 minutos

Renata Crvalho em Domínio Público. Foto_Humberto Araujo 

DOMÍNIO PÚBLICO
Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho e Wagner Schwartz – Núcleo Corpo Rastreado – Curitiba/PR, São Paulo/SP e Paris/França
Os quatro artistas se juntam para uma reflexão a partir dos ataques que sofreram em 2017. Tomando como ponto de partida um dos ícones da história da arte, revelam como uma obra pode ser utilizada em diferentes narrativas ao longo do tempo, espelhando os fatos e incongruências de nossas sociedades.
6 e 7/7 – 19h – Sesc – Teatro
Criação, texto e performance: Elisabete Finger, Maikon K, Renata Carvalho e Wagner Schwartz
Colaboração artística: Ana Teixeira
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 40 minutos

Elza. Foto: Elena Moccagatta

ELZA
Sarau Agência de Cultura Brasileira – Rio de Janeiro/RJ
Elza Soares é sinônimo de resistência e reinvenção. Sete atrizes se multiplicam na artes em diferentes fase de sua trajetória.
04/07 – 19h30 – Anfiteatro Nelson Castro (Represa Municipal)
Texto: Vinícius Calderoni
Direção: Duda Maia
Elenco: Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacôrte, Larissa Luz e Verônica Bonfim
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 150 minutos

Epidemia Prata. Foto: Letícia Godoy

EPIDEMIA PRATA
Cia Mungunzá de Teatro – São Paulo/SP
A encenação traz uma costura entre duas linhas narrativas: a visão pessoal dos atores sobre personagens reais que conheceram em sua atual residência no Teatro de Contêiner, Centro de São Paulo, e o mito da Medusa.
9 e 10/7 – 21h30 – Sesc – Ginásio
Argumento e texto: Cia Mungunzá de Teatro
Direção: Georgette Fadel
Elenco: Gustavo Sarzi, Leonardo Akio, Lucas Beda, Marcos Felipe, Pedro Augusto, Verônica Gentilin e Virginia Iglesias
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 60 minutos

Lugar da Chuva. Foto: Nu Abe

LUGAR DA CHUVA
Frêmito Teatro e Agrupamento Cynétiko – Macapá/AP e São Paulo/SP
A dramaturgia cartográfica, que organiza o texto por ilhas, acompanha a trajetória de dois narradores-viajantes por diversos locais na foz do Rio Amazonas, reinventando as sensações que os atravessam durante o percurso entre a cidade e a floresta
11 e 12/7 – 19h – Sesc – Teatro
Dramaturgismo: Ave Terrena
Direção: Otávio Oscar
Elenco: Raphael Brito e Wellington Dias
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 70 minutos

Medeia Negra. Foto:  Adeloyá Magnoni

MEDEIA NEGRA
Grupo Vilavox – Salvador/BA
Medeia é vista, por nós, como a fundação de uma exclusão fundamental: a invisibilização da voz feminina. A peça revela ao público outras possíveis leituras do mito. A personagem desconstrói o mito para convocar as mulheres à retomada do poder.
7 e 8/7 – 21h30 – Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto
Dramaturgia: Márcio Marciano e Daniel Arcades
Direção: Tânia Farias
Concepção e atuação: Márcia Limma
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 60 minutos

Monstra. Foto: Debby Gram 

MONSTRA
Elisabete Finger e Manuela Eichner – São Paulo/SP
Monstra se coloca entre os campos da dança e das artes visuais, tendo o corpo como ponto de partida e de chegada. Mulheres e plantas constroem e destroem situações e imagens, colocando a prova algumas certezas sobre o feminino, o belo e o dócil.
12 e 13/7 – 21h30 – Sesc – Ginásio
Direção: Elisabete Finger e Manuela Eichner
Criação e performance: Barbara Elias, Danielli Mendes, Josefa Pereira, Mariana Costa e Patrícia Bergantin
Classificação indicativa: 18 anos
Duração: 50 minutos

PEÇA DE ADULTO, FEITA POR CRIANÇAS. Foto: João Caldas Fº

PEÇA PARA ADULTOS FEITA POR CRIANÇAS
Elisa Ohtake -São Paulo/SP
Cinco crianças aventureiras atuam, dançam, vivem, mergulham em Hamlet, no transumano, no além do humano, inventam brincadeiras para adultos contra a chatice, contra o antropocentrismo, contra a morte em vida.
8 e 9/7 – 19h – Sesc – Teatro
Dramaturgia: Elisa Ohtake e elenco
Concepção e direção: Elisa Ohtake
Elenco: Davi Hamer, Felipe Bisetto, Joana Arantes, Michel Felberg e Vitória Reich
Performance especial: Paulo Cesar Pereio
Classificação indicativa: 10 anos
Duração: 90 minutos

Protocolo Elefante. Foto: Cristiano Prim

PROTOCOLO ELEFANTE
Cena 11 Cia. de Dança – Florianópolis/SC
O grupo investiga a ação de afastamento e isolamento do elefante na iminência de sua morte como metáfora de separação e exílio.
9 e 10/7 – 19h – Teatro Municipal Paulo Moura
Criação, direção e coreografia: Alejandro Ahmed
Criação e performance: Adilso Machado, Aline Blasius, Edú Reis Neto, Hedra Rockenbach, Jussara Belchior, Karin Serafin, Kitty Katt, Luana Leite, Marcos Klann, Mariana Romagnani e Natascha Zacheo
Direção de trilha, iluminação e performance: Hedra Rockenbach
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 90 minutos

Quando Quebra Queima Foto: Mayra_Azzi

QUANDO QUEBRA QUEIMA
ColetivA Ocupação – São Paulo/SP
Quinze corpos insurgentes deslocam para a cena a experiência que tiveram dentro das escolas ocupadas entre 2015 e 2016, criando uma narrativa coletiva e comum a partir da perspectiva de quem viveu intensamente o dia a dia dentro do movimento.
11 e 12/7 – 19h – Escola Municipal Darcy Ribeiro
Dramaturgia: ColetivA Ocupação
Direção: Martha Kiss Perrone
Criação e performance: Abraão Santos, Alicia Esteves, Alvim Silva, Ariane Fachinetto, Beatriz Camelo, Gabriela Fernandes, Ícaro Pio, Letícia Karen, Marcela Jesus, Matheus Maciel, Mel Oliveira, Mayara Baptista, Pedro Veríssimo, André Dias Oliveira e Heitor de Andrade
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 90 minutos

Tom na Fazenda. Foto:  José Limongi

TOM NA FAZENDA
ABGV Produções Artísticas – Rio de Janeiro/RJ
O publicitário Tom é envolvido numa trama de mentiras quando vai à fazenda da família para o funeral de seu companheiro. Ao chegar, descobre que a sogra nunca tinha ouvido falar dele e tampouco sabia que o filho era gay.
6 e 7/7 – 19h – Teatro Municipal Paulo Moura
Texto: Michel Marc Bouchard
Tradução: Armando Babaioff
Direção: Rodrigo Portella
Elenco: Armando Babaioff, Analu Prestes, Gustavo Vaz e Camila Nhary
Classificação indicativa: 18 anos
Duração: 120 minutos

tReT. Foto:  Maurício Pokemon

tReta
Original Bomber Crew – Teresina/PI
É um conflito, uma explosão, um ato premeditado para envolver o outro, onde o público se arrisca para fazer a selfie do dia. A treta do Palácio do Planalto, a do vizinho, a da batalha de breaking. A treta do Dirceu com as outras quebradas e a nossa própria treta…
8 e 9/7 – 23h – Swift – Graneleiro
Concepção: Allexandre Santos e Cesar Costa
Direção: Allexandre Santos
Criação e performance: Allexandre Santos, Carlos Adriano (Nenem), Cesar Costa, Javé Montuchô, Malcom Jefferson, Maurício Pokemon e Phillip Marinho
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 50 minutos

Violento – Melanina Digital. Foto: Pablo Bernardo

violento.
Preto Amparo, Alexandre de Sena e Grazi Medrado – Belo Horizonte/MG
violento. adjetivo. 1. que ocorre com uma força extrema ou uma enorme intensidade. 2. em que se emprega força bruta; brutal, feroz. 3. que possui grande força, grande poder de ataque ou de destruição. 4. falta de moderação, excessivamente enfático; veemente. 5. que apresenta agitação intensa; agitado, revolto, tumultuoso. 6. que perde facilmente o controle sobre si mesmo; irascível, colérico. 7. que contraria o direito e a justiça. 8. diz-se da morte causada pela força ou por acidente.
9 e 10/7 – 21h30 – Teatro Municipal Humberto Sinibaldi Neto
Dramaturgia: Alexandre de Sena e Preto Amparo
Direção: Alexandre de Sena
Elenco: Preto Amparo
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 50 minutos

 

NACIONAL PARA TODOS OS PÚBLICOS

Inimigos. Foto: Mariana Chama 

INIMIGOS
Cia. De Feitos – São Paulo/SP
Em algum lugar … há dois buracos. Neles, dois soldados. Eles são inimigos. A guerra os colocou em lados opostos. E assim brincam de inimigos conforme ensinou o manual (que diz tudo sobre o inimigo). Os inimigos são exatamente iguais… Então, por que lutam?
8 e 9/7 – 15h – Teatro Waldemar de Oliveira Verdi – Sesi
Dramaturgia e direção: Carlos Canhameiro
Elenco: Artur Kon, Carla Massa, Giscard Luccas, Paula Mirhan, Paula Serra e Rui Barossi
Classificação indicativa: livre
Duração: 55 minutos

Mary e os Monstros Marinhos. Foto: Tuca Fanchin

MARY E OS MONSTROS MARINHOS
Companhia Delas de Teatro – São Paulo/SP
Em cena, a história de Mary Anning, famosa paleontóloga que viveu na Inglaterra no início do século XIX. Mas nessa fábula, a cientista vem de família pobre, começou a trabalhar aos 12 anos, sobreviveu a tempestades e deslizamentos de terra para fazer grandes descobertas.
11 e 12/7 – 15h – Teatro Waldemar de Oliveira Verdi – Sesi
Dramaturgia original: Rhena de Faria, Cecília Magalhães, Julia lanina e Thaís Medeiros
Direção: Rhena de Faria
Elenco: Cecília Magalhães, Julia Lanina e Thaís Medeiros
Classificação indicativa: livre
Duração: 60 minutos

Nerina – A Ovelha Negra. Foto: Cacá Diniz

NERINA – A OVELHA NEGRA
Maracujá Laboratório de Artes – São Paulo/SP
Baseado no livro do cartunista Michele Iacocca, a opereta com bonecos e atores conta a história de Nerina, uma ovelha que é expulsa do rebanho por ter a cor diferente das outras.
6 e 7/7 – 15h – Teatro Waldemar de Oliveira Verdi – Sesi
Dramaturgia: baseada no livro ilustrado original de Michele Iacocca
Adaptação, concepção e direção: Sidnei Caria
Elenco: Camila Ivo, Lucas Luciano, Piva Silva, Sidnei Caria, Silas Caria e Yasmin Olí
Classificação indicativa: livre
Duração: 50 minutos

Cegos. Foto: Eduardo Bernardino

CEGOS
Desvio Coletivo – São Paulo/SP
Homens e mulheres, em trajes sociais e de olhos vendados caminham lentamente interferindo de forma poética no fluxo cotidiano da cidade. O trabalho propõe uma reflexão acerca do modo de vida da sociedade contemporânea.
11/7 – 13h – Mercado Municipal / ruas do centro
12/7 – 15h – Represa Municipal – Lago 2 (em frente ao AME)
Concepção: Marcelo Denny e Marcos Bulhões
Direção artística da performance: Marcos Bulhões e Priscilla Toscano
Classificação indicativa: livre
Duração: 180 minutos

Entre Ladeiras. Foto: Pedro Ivo

-entre-ladeiras
Núcleo Aqui Mesmo – São Paulo/SP
Da invisibilidade à visibilidade, uma constelação de corpos se configura percorrendo, permanecendo, sinalizando e preenchendo o espaço. A performance de dança site specific foi originalmente criada e apresentada na Ladeira da Memória, no centro de São Paulo.
5/7 – 17h – Praça Rui Barbosa
6/7 – 11h – Praça Rui Barbosa
Concepção e direção geral: Carmen Morais
Bailarinos-performers:
Amanda Correa, Arthur Sebast, Carmen Morais, Fabíola Camargo, Felipe Cirilo e Thais Ushirobira
Classificação indicativa: livre
Duração: 50 minutos

Mão – Translação da Casa pela Paisagem. Foto: Renato Mangolin

MÃO – Translação da Casa pela Paisagem
Coletivo Mão – Rio de Janeiro/RJ
A performance expõe a construção, ao vivo, de uma estrutura de 8 metros de altura, de ferro e madeira. Movimentos ordinários como aparafusar, carregar e encaixar, se misturam aos equilíbrios em pêndulo, às escorregadas acrobáticas em uma enorme rampa de madeira.
6/7 – 16h30 – Parque Ecológico Danilo Santos de Miranda
7/7 – 16h30 – Zoológico Municipal (Bosque)
Direção: Renato Linhares
Elenco: Adelly Constantini, Camila Moura, Carolina Cony, Daniel Elias, Daniel Poittevin, Fábio Freitas e Bartolo.
Classificação indicativa: livre
Duração: 60 minutos

Os Minutos que se Vão com o Tempo. Foto: Christiane Forcinito

OS MINUTOS QUE SE VÃO COM O TEMPO
Zózima Trupe – São Paulo/SP
O espetáculo é um caminho que se propõe a acompanhar os passageiros em seus variados destinos. Uma jornada de trajetos afetivos e geográficos, proposto por figuras que alteram as bordas do cotidiano no transporte coletivo, local onde é encenada a peça.
8/7 – 16h – Terminal Rodoviário Urbano
Linha 416 – Vida Nova Fraternidade (Plataforma 07 – Pista da direita)
9/7 – 16h – Terminal Rodoviário Urbano
Linha 202 – Nato Vetorazzo (Plataforma 12 – Pista do meio)
Dramaturgia (em processo colaborativo): Cláudia Barral
Direção: Anderson Maurício
Artistas pesquisadores: Anderson Maurício, Cleide Amorim, Junior Docini, Maria de Alencar, Priscila Reis, Tatiana Nunes Muniz e Tatiane Lustoza
Classificação indicativa: livre
Duração: 120 minutos

Serviço

FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO – FIT RIO PRETO
De 4 a 13 de julho – São José do Rio Preto – SP/ Brasil.
Realização: Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto e Sesc São Paulo.
Programação completa no site fitriopreto.com.br.

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Núcleo Bartolomeu desafia o fascismo

Espetáculo Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, está em cartaz no Sesc Bom Retiro, em São Paulo, até 28 de julho. Foto: Sérgio Silva / Divulgação

O Núcleo Bartolomeu de Depoimentos é um grupo teatral que articula o teatro épico com o hip-hop na pesquisa de linguagem. É um coletivo militante da autorrepresentação como discurso artístico, que vibra com questões contemporâneas. Isso pode parecer óbvio, mas como “não sei com quem estou falando” nesses tempos de cinismo exacerbado e chamamentos conservadores no teatro… Voilà, talvez apareça alguém fora da bolha (da minha pobre bolha) interessado nessas artes cênicas. Pois bem, o espetáculo Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias, do Bartolomeu, estreou nesta sexta-feira (28 de junho), às 21h, no Teatro do Sesc Bom Retiro e segue até 28 de julho.

Um dos impulsos da montagem do Núcleo é o texto Terror e Miséria no Terceiro Reich, do dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht (1898-1956), composto entre 1935 e 1938. A produção também valeu-se das ideias de escritores e ativistas como Angela Davis, Grada Kilomba, Frantz Fanon, Achille Mbembe, Walter Benjamin, e outras, e outros, e outrxs para erguer a encenação.

Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias traça um paralelo entre a barbárie espalhada no nosso cotidiano com aqueles anos que precederam a Segunda Guerra Mundial e a ascensão do fascismo e do nazismo. A diretora Claudia Schapira sugou da realidade do presente muitos fluxos de uma arena de contradições, com vistas ao futuro.

 

Luaa Gabanini em Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias. Foto: Sérgio Silva 

Brecht traçou um panorama da decadência da sociedade alemã, sufocada pelo pavor, nas 24 cenas curtas da peça, que expõe a repercussão do regime de Hitler no cotidiano de gente comum. O ditador emporcalhou até a dinâmica familiar, como expõe uma das cenas de Terror e Miséria no Terceiro Reich, em que um professor de História sente o peso do nazismo tanto no trabalhou quanto na sua vida privada em casa.

Quando chegou ao poder na Alemanha, lá nos idos de 1933, Bozonazi (eita, ato falho!!!) Adolf Hitler surrupiou liberdades e desmantelou instituições democráticas. Fincou na História uma violenta ditadura. Deixou “tudo dominado”: economia, educação, artes, meios de comunicação etc.

Mas até corporificar o poder, o cabra não era grande coisa. Poucos levavam a sério aquele ex-militar bizarro de baixo escalão, “famoso” pelas falas contra gays, mulheres, feministas, políticos de esquerda, elites progressistas, minorias, imigrantes, mídia, judeus. Numa rápida pesquisa sobre a subida desse sujeito me deparo com a pergunta “Por que tantos alemães instruídos votaram em um patético bufão que levou o país ao abismo?”.

Mas estamos falando de quem mesmo???

Um anti-político que conseguia usar a mídia da época para seus propósitos, difundindo fake news. Um elemento que insuflou a agressividade de seus apoiadores – da afronta verbal à violência física. Um charlatão oportunista.

 

Nilcéia Vicente e Vinícius Meloni. Foto: Sérgio Silva 

Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, com direção de Claudia Schapira chega para problematizar criticamente esses dias vivenciados com crueza em todos os recantos da vida social. Essa crise de civilização, com efeitos devastadores, é esquadrinhada na montagem pelos 11 atores MC’s : Fernanda D’Umbra, Georgette Fadel, Jairo Pereira, Luaa Gabanini, Lucienne Guedes, Nilcéia Vicente, Roberta Estrela D’Alva, Sérgio Siviero e Vinícius Meloni, Dani Nega e Eugênio Lima.

A diretora se vale do procedimento de uma peça dentro da peça numa escolha metalinguística que espelha tempos – passados e presentes. O elenco ensaia algumas cenas do Terror e Miséria no Terceiro Reich, de Brecht. A partir desse disparador é estabelecido um jogo entre atores e personagens.

Composta por 8 cenas e respectivos comentários, além do prólogo e epílogo, os artistas discutem temas contemporâneos que giram em torno da fome e da pobreza,  da flexibilização do porte de armas, da destruição do meio ambiente; da retirada de direitos conquistados na luta de classes; do genocídio negro, da LGBTfobia, do machismo e outras violências cotidianas da concentração de renda, do desemprego estrutural; o desmonte dos bens e serviços públicos; da instabilidade, da precarização, da “obsolescência planejada” em textos falados e cantados. 

Nascido no ano 2000, o o Núcleo Bartolomeu de Depoimento atua com contundência nas suas montagens. Utiliza os recursos do teatro épico e da cultura hip-hop para discutir o “ser” em processo. Na mão desses artistas o teatro é uma ótima arma.  

SERVIÇO
Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias
Quando: De 28 de junho até 28 de julho. Sextas e sábados, às 21h e domingos, às 18h
DIA 12/07 Não haverá espetáculo
Onde: Sesc Bom Retiro (Rua Alameda Nothmann, nº 185).
Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia) e R$ 6 (credencial plena).
Capacidade: 250 lugares.
Duração: 120 minutos.
Classificação: 14 anos.

 

Elenco do espetáculo Terror e Miséria no Terceiro Milênio – Improvisando Utopias. Foto: Sérgio Silva 

FICHA TÉCNICA
Direção: Claudia Schapira
Dramaturgia: Claudia Schapira em colaboração com Lucienne Guedes e elenco – livremente inspirado em “Terror e Miséria no Terceiro Reich” de Bertolt Brecht.
Inserções de poemas: Jairo Pereira e Roberta Estrela D’Alva
Giovane Baffô e Paulo Faria
Tradução auxiliar: Camilo Shaden
Direção Musical: Dani Nega, Eugênio Lima e Roberta Estrela D’Alva
Direção de Movimento e Coreografias: Luaa Gabanini
Assistência de Direção: Maria Eugenia Portolano
Atores-MCs: Fernanda D’Umbra, Georgette Fadel, Jairo Pereira, Luaa Gabanini, Lucienne Guedes, Nilcéia Vicente, Roberta Estrela D’Alva, Sérgio Siviero e Vinícius Meloni.
Atores-MCse DJs: Dani Nega e Eugênio Lima
Direção de arte: Bianca Turner e Claudia Schapira
Vídeo e cenário: Bianca Turner
O vídeo Contém samples dos documentários “SLAM: Voz de Levante” de Roberta Estrela D’Alva e Tatiana Lohmann (poeta Kika Sena) e “Mães de Maio – um grito por justiça” de Daniela Santana )
Figurino: Claudia Schapira
Figurinista assistente: Isabela Lourenço
Técnica de spoken word e métricas: Roberta Estrela D’Alva
Kempô e Treinamento de Luta: Ciro Godói
Danças Urbanas: Flip Couto
Preparação Vocal: Andrea Drigo
Iluminação: Carol Autran
Engenharia de Som: Eugênio Lima e Viviane Barbosa
Costureira: Cleusa Amaro da Silva Barbosa
Cenotécnico: Wanderley Wagner da Silva
Design gráfico: Murilo Thaveira
Estagiárias: Isa Coser, Junaída Mendes, Maitê Arouca
Direção de Produção: Mariza Dantas
Produção Executiva: Jessica Rodrigues e Victória Martínez (Contorno Produções) e Núcleo Bartolomeu de Depoimentos- Teatro Hip-Hop
Assistente de Produção: Leticia Gonzalez (Contorno Produções)

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Magiluth: uma nova peça para falar de amor

Magiluth comemora 15 anos com a estreia de Apenas o fim do mundo. Foto: Estúdio Orra

Grupo pernambucano comemora 15 anos com a estreia de Apenas o fim do mundo. Foto: Estúdio Orra

Desde os últimos dias do mês de março, o 13º andar do Sesc Avenida Paulista, inaugurado em abril do ano passado em São Paulo, é ocupado pelos atores do Magiluth. Através das paredes envidraçadas, a cidade se exibe, apressada e urgente, como sempre, a partir de uma das paisagens mais icônicas da capital. Do lado de dentro, apesar da aparente proteção em meio ao caos, também há urgências e a rotina está exaustiva. Prazerosa, desafiadora, mas exaustiva. Além de apresentar os espetáculos Aquilo que o meu olhar guardou para você e Dinamarca em semanas consecutivas e sessões sempre cheias, o grupo recebeu oficineiros que se inscreveram, interessados em acompanhar o processo de montagem do novo espetáculo, Apenas o fim do mundo, que estreia nesta quinta-feira (11), na mesma sala em que foi criado.  

A ação se passa em um domingo, ou ainda, ao longo de quase um ano inteiro, somos avisados logo no início do texto do francês Jean Luc-Lagarce. Talvez tenha sido mais ou menos assim a gestação de Apenas o fim do mundo. Em julho do ano passado, já tendo se aproximado da dramaturgia, o grupo fez uma residência artística no mesmo Sesc Paulista, aberta a interessados, com Giovana Soar, que traduziu o texto para uma montagem da Companhia Brasileira de Teatro em 2005, e Luiz Fernando Marques, Lubi, do grupo XIX. Em outubro, numa parceria com o Feteag, uma nova residência artística, desta vez no Centro Cultural Benfica, no Recife. Nos dois momentos, o processo contou com a apresentação de ensaios abertos ao público. Os atores passaram ainda duas semanas no sítio Valado, em Chã Grande, a 80 km da capital pernambucana, ao redor de uma mesa, dedicados ao texto.

Apesar de muito coerente com a trajetória do grupo, a escolha de montar essa dramaturgia é uma tarefa de grandes proporções para o Magiluth. “Como atores, eles nunca tinham encarado um texto com essa complexidade, tanto em tamanho quanto em profundidade e formalismo”, explica Giovana, que assume a direção ao lado de Lubi. A atriz, diretora e tradutora conheceu o grupo no Rumos Teatro, em 2011. Antes da estreia de Viúva, porém honesta, assistiu aos ensaios, mas trabalhou mais diretamente com os atores durante o processo de Dinamarca. Já com Lubi, a parceria vem desde a direção de Aquilo que o meu olhar guardou para você (2012).

Acostumados a trabalhar com dramaturgias próprias ou mesmo com adaptações, mas em processos mais livres, que permitiam, por exemplo, o improviso, os atores agora encaram palavras que precisam ser ditas com cuidado, para que não corram o risco de se perderem ou de não alcançarem a devida dimensão. “Eles estão acostumados a uma dramaturgia muito mais coloquial, a falar a palavra que querem, a colocar um caco, fazer piada com o cotidiano, e isso está proibido! Eu tenho sempre um chicote na mão!”, brinca Giovana.

Dramaturgia é do francês Jean Luc-Lagarce

Dramaturgia é do francês Jean Luc-Lagarce

Apenas o fim do mundo é um texto vertical, que esmiúça sentimentos a partir de uma relação familiar. Luiz decide reencontrar a mãe, o irmão e a irmã ao se deparar com a iminência da morte. Basicamente, é uma peça sobre o amor. Uma observação interessante é que Pedro Wagner e Mário Sérgio Cabral, irmãos na vida real, serão irmãos também na ficção. Pedro faz Luiz; Mário é Antônio; Erivaldo Oliveira é a mãe; Suzana, a irmã, é feita por Giordano; e a cunhada, Catarina, ficou com Bruno Parmera. Lucas Torres não está com nenhum personagem, mas é fundamental para o espetáculo, avisa Giovana. “Eles têm uma coisa louca de fazerem tudo! Não tem técnico de luz, de som, eles montam tudo, operam tudo! Por isso Lucas é uma peça primordial”.

Diante da iminência da morte, Luiz (Pedro Wagner) reencontra a família

Diante da iminência da morte, Luiz (Pedro Wagner) reencontra a família

Mesmo com o rigor no trabalho com a palavra, o jogo que é a base da performatividade do grupo se revela na construção das cenas. O espetáculo foi erguido a partir da ideia de site specific, da apropriação do espaço, explica o ator Giordano Castro. “Essa estreia será de muitas descobertas. Nunca vamos ter um espetáculo fechado: ele vai acontecer aqui em São Paulo, mas não necessariamente vai acontecer do mesmo jeito no Recife. Estamos usando o espaço, com o que ele nos proporciona. Em cada lugar que a gente chegar, vamos ter que repensar o trabalho novamente. Isso é muito doido!”, comenta.

A expectativa é que o Recife só veja a peça no segundo semestre. “Estamos terminando uma pesquisa sobre o bairro de São José, vamos fazer a criação de parte do roteiro de uma série em parceria com Hilton Lacerda, e ainda queremos fazer um novo espetáculo de rua. No meio disso tudo, tem a comemoração dos 15 anos do grupo. Pretendemos apresentar algumas peças do repertório e o trabalho novo”, adianta.

A temporada em São Paulo vai até 5 de maio. Antes disso, entre os dias 17 e 20 de abril, os atores ministram uma oficina intitulada “Jogo Total”. As inscrições já estão encerradas. No dia 17, às 20h30, haverá um bate-papo com Ivana Moura, uma das editoras do Satisfeita, Yolanda?, e o diretor do grupo Clowns de Shakespeare, de Natal, Fernando Yamamoto, sobre “Os últimos 15 anos de teatro no Nordeste”. A entrada é gratuita.

Ficha técnica

Direção: Giovana Soar e Luiz Fernando Marques
Assistência de direção: Lucas Torres
Dramaturgia: Jean Juc-Lagarce
Atores: Bruno Parmera, Erivaldo Oliveira, Giordano Castro, Mário Sérgio Cabral e Pedro Wagner
Desenho de luz: grupo Magiluth
Direção de arte: Guilherme Luigi
Fotografia: Estúdio Orra
Design Gráfico: Guilherme Luigi
Realização: Grupo Magiluth

Serviço:
Apenas o fim do mundo
Quando: de 11 de abril a 5 de maio, de quinta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 18h
Onde: Sesc Avenida Paulista
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada)
Duração: 1h40 min

 

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Carta para Alice, que anseia abraçar Pessoa

A peça, que segue em março para Portugal, faz uma reflexão sobre as perdas que temos ao longo da vida e sobre o ímpeto de viver.

Três sessões da peça Espera o outono, Alice, da AMARÉ Grupo de Teatro faz parte da campanha “Alice em Portugal”

                                                                                                                         Por Natali Assunção *

Alice, de um ano para cá a vida tem sido um turbilhão, né? Estreamos em janeiro de 2018 depois de um longo processo mergulhados nas necessidades, angústias e sonhos des envolvides. Lembra que, no início, queríamos adaptar Esperando Godot de Beckett? Desse referencial inicial levantamos diversos pontos que nos ligam. O cinema nos impregnou e quase virou título do espetáculo e textos nossos e de autores como Pedro Bomba, Marla de Queiroz, Hilda Hilst, Carl Sagan e Felipe André, por exemplo, também nos atravessaram. Estudamos view points e nos lançamos em um mergulho vertiginoso.

No início você ainda não estava materializada, mas no decorrer dessa teia você nos chegou com essa energia imensa, com esse sorriso largo de envolver o mundo! Você sabia que o ambiente se ilumina quando você chega e que nós morremos de saudade quando você não está por perto? Na verdade é meio assustador quando você diz que vai ali e volta já e demora muito para retornar. Faz falta.

Hoje eu gostaria de um abraço seu. Quem sabe sair para dançar? Tanto de você carrego em mim e quanto de mim você leva contigo, né!? Tanta coisa vem se passando que, às vezes, eu fico até tonta com o tudo que se segue. Os dias têm sido difíceis e pensar em você traz um pouco de paz, acalanta o coração. Engraçado, volta e meia me pego perdida admirando a lua e me pergunto se você está fazendo o mesmo.

Hoje, na verdade, não consegui ver a lua, mas tenho pensado nisso porque de vez em quando esqueço das cores e tudo parece cinza. No entanto ali, no palco, quando estamos juntas, tudo se alinha e, por um momento, penso que nos encontramos. Que verdadeiramente nos encontramos porque aquele espaço ainda nos reserva o encontro, essa magia de estarmos juntes. Olhos nos olhos. Então a perspectiva de te ver na sexta (15) e no sábado (16), às 20h, com mais um encontro no domingo (17), às 18h, lá no Teatro Arraial (R. da Aurora, 457 – Boa Vista) é de uma alegria imensa!

Estou ansiosa com essa perspectiva de estarmos em Portugal. É muito bonito ver que nossos passos se expandem. Veja bem, depois de tantos percalços e de forma totalmente independente, assim como fizemos no nosso primeiro espetáculo, Amar é crime, baseado no livro homônimo de Marcelino Freire, estreamos e, nesse nascimento, fomos vistos pelos Gambuzinos com um pé de fora, grupo português que, na época, realizava um intercâmbio com outro grupo pernambucano, o Resta 1 Coletivo de Teatro, nosso grupo irmão. Quem diria, né? Recebemos o convite e agora temos quatro apresentações em vista para além-mar hahahaha Mar… Tô rindo porque eu sei do seu apreço pelo mar.

Seria ótimo um mergulho numa noite de lua cheia. Vamos? Podemos terminar a noite dançando para secar a água salgada do nosso corpo. Mas voltando, temos então duas apresentações no Festival Ao teatro!, em Benedita, e ainda uma em Idanha-a-Nova e uma em Lisboa. É bom levar nosso trabalho para novas trocas porque, às vezes, poxa Alice, vou te confessar, às vezes, parece que tudo é muito difícil. Eu sei, eu sei, “tudo é muita coisa”;)

Acho que já falei demais, olha como os ponteiros seguem soltos… Mal posso esperar para te ver…

• O AMARÉ Grupo de Teatro iniciou uma campanha para levar Espera o outono, Alice para Portugal. Além de conferir as apresentações no Teatro Arraial, nas quais haverá ainda a venda de alguns produtos relacionados ao espetáculo, você também pode contribuir com qualquer valor por meio da conta:

CONTA POUPANÇA
BANCO DO BRASIL
AGÊNCIA: 3243-3
CONTA: 42.073-5
VARIAÇÃO: 51

Aproveita se segue o grupo nas redes sociais: @amaregrupodeteatro

                                           * Natali Assunção é atriz do espetáculo Espera o Outono, Alice

Espera o outono, Alice, do AMARÉ Grupo de Teatro, foi o terceira montagem a sair do festival. Foto Arnaldo Sete

Espetáculo traça reflexão sobre as perdas ao longo da vida e sobre o ímpeto de viver. Foto Arnaldo Sete

Serviço

Espera o outono, Alice
Quando: 15 e 16 de fevereiro (sexta-feira e sábado), às 20h, e 17 de fevereiro (domingo), às 18h
Onde: Teatro Arraial Ariano Suassuna – Rua da Aurora, 457, Boa Vista
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), à venda na bilheteria 1h antes do início de cada sessão e antecipado no Site Sympla – Espera o outono Alice
Classificação indicativa: 14 anos Informações: 3184-3057 / 97914-4306

Direção: Quiercles Santana e Analice Croccia.
Elenco: Bruna Justino, Paulo César Freire, Isabelle Barros e Natali Assunção

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Não nos matem! Não nos maltratem!

Cicatriz (Toni Rodrigues - Divulgação) (17)

Peça Cicatriz apresenta histórias recheadas por traumas, opressões, abusos e discriminações contra pessoas da comunidade LGBT. Elenco é formado por Barbara Brendel, Fábio Queiroz, Flávio Moraes, Igor Cavalcanti Moura, Jandson Miranda, Milton Raulino, Nilo Pedrosa, Ricardo Andrade, Rodrigo Porto, Sophia William e Waggner Lima. Foto: Toni Rodrigues/ Divulgação

Cicatriz

Produção recifense faz duas únicas apresentações no Teatro Barreto Junior. Foto: Toni Rodrigues/ Divulgação

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Cicatriz expõe feridas da comunidade LGBT e clama por respeito. Foto: Tony Rodrigues /Divulgação

A travesti Quelly da Silva, 35 anos, foi morta e teve o coração arrancado em Jardim Marisa, na região do Campo Belo, em Campinas (SP). A transexual Myrella, 29 anos, enforcada e encontrada morta num terreno baldio no Centro de Balneário Camboriú, no Litoral Norte catarinense. A travesti ‘Fernanda da biz’, esfaqueada por 80 vezes antes de ter a cabeça esmagada, na cidade de Rio Brilhante, a 158 quilômetros de Campo Grande. O transexual Tadeu Nascimento, 24 anos, espancado, recebeu tiro fatal na cabeça no bairro de São Cristóvão, em Salvador. O cabeleireiro Plínio Henrique de Almeida Lima, 30 anos, sofreu uma facada mortal na avenida Paulista, em São Paulo. José Ribamar Alves Frazão foi morto à paulada e teve o corpo incendiado quando ainda estava vivo, na cidade de Cachoeira Grande, na região maranhense do Munim.  Esses assassinatos violentos compõe uma estatística aterrorizante para a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis) no Brasil. São algumas vítimas da homotransfobia no país.

As violências vivenciadas por personagens reais e inventados são elaboradas e expostas no espetáculo Cicatriz, produção recifense que faz sessões sábado (09/02) e domingo (10/02), no Teatro Barreto Júnior, no Recife. São histórias emblemáticas , que trazem à tona a crueldade do machismo, do patriarcado, do capitalismo, da arrogância.

De acordo com a ONG Grupo Gay da Bahia (GGB), uma pessoa LGBT foi morta a cada 20 horas no Brasil em 2018. 

Segundo a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), entre 2013 e 2014 foram registrados pelo menos 770 casos de violência contra pessoas LGBT na América Latina, sendo que 594 pessoas foram assassinadas.

Dois exemplos representativos: em 2012, uma lésbica afrodescendente começou a chamar a atenção de um líder paramilitar na região de Antioquia (Colômbia). Ela o rejeitou e, em consequência, foi abusada sexualmente em duas ocasiões pelo líder e por um grupo de acompanhantes do mesmo, em função de sua orientação sexual. Além disso, foi perseguida e hostilizada ao tentar fazer uma denúncia formal sobre o ocorrido. Outro caso emblemático foi o assassinato de Daniel Zamudio, um jovem chileno morto em 2012 ao sair de um bar em um parque de Santiago. Quatro jovens o atacaram e o torturaram durante horas com alto grau de crueldade, em função de sua orientação sexual, deixando nele marcas de suásticas na pele, pernas quebradas e queimaduras. Zamudio faleceu depois no hospital.
VIOLÊNCIA CONTRA PESSOAS LGBT – Goethe-Institut – Brasilient

Ser LGBT é um fator de risco à própria vida numa sociedade em que grupos políticos e religiosos querem controlar socialmente como os outros exercem sua sexualidade ou constroem suas identidades. Pertencer a essa comunidade é ser potencialmente alvo de hostilizações e violência nas ruas, mutilação de membros, prática das “violações corretivas” e outras crueldades.

“Crime de ódio” ou, “crime por preconceito” em variados níveis de maltrato são praticados por bandos “fora da lei”, autoridades estatais e indivíduos ou grupos sociais que se posicionam contra a diversidade sexual e de gênero.

A população LGBT é afetada diretamente pela violência e ódio na política.

85 denúncias de assassinatos de LGBT em 2018, somente até julho, foram contabilizadas pelo governo, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos (agora Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos). Esses números oficiais alarmantes não impediram que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) retirasse a população LGBT das diretrizes de políticas públicas do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, como constava anteriormente. A Medida Provisória 870 foi assinada em 1º de janeiro, dia da posse presidencial, .

Para viver e sobreviver LGBTs devem lutar até mesmo contra o governo, já que Bolsonaro pai alardeou em entrevistas que é “homofóbico, com muito orgulho” e que preferiria ter um filho morto a um filho homossexual.

É assustador!!!

O espetáculo Cicatriz adota um discurso de luta cotidiana e resistência pelo direito à vida. Encenado pelo ator e diretor Antônio Rodrigues, da Cênicas Cia. De Repertório, a peça traça um painel de histórias de ofensa, traumas, opressões, abusos e discriminações contra a comunidade LGBT em diferentes épocas, contextos e esferas sociais. Cicratiz junta fatos reais, vivências pessoais do elenco de 11 atores e livre inspiração em recortes da obra do escritor e dramaturgo Caio Fernando Abreu.

“Em pleno século 21, ainda há pessoas que acham que LGBTfobia não existe, quando há gays, lésbicas e transexuais sendo agredidos física e psicologicamente apenas por serem quem são”, argumenta Antônio. Ele defende que a montagem é um grito de protesto e empoderamento, uma intervenção através da arte para sensibilizar o público e gerar reflexões sobre o lugar do LGBT na sociedade atual.

“Queremos que as pessoas se coloquem no lugar deles e se perguntem – Como eu me sentiria estando naquela pele? Eu saberia enfrentar essas dores?”, convoca o diretor para a empatia, solidariedade e reconhecimento desses corpos, que vibram de desejos e não suportam mais tanta violência .

SERVIÇO:
Espetáculo Cicatriz
Quando: sábado e domingo, 9 e 10 de fevereiro de 2019
Onde: Teatro Barreto Júnior (Rua Estudante Jeremias Bastos, S/N, Pina – Recife/PE)
Horário: sábado, às 20h; domingo, às 19h
Ingressos: R$ 40 (inteira) /R$ 20 (meia). À venda na bilheteria do teatro, 2 horas antes do espetáculo.

FICHA TÉCNICA:
Direção geral: Antônio Rodrigues
Assistência de direção: Sônia Carvalho
Direção musical:
Douglas Duan
Desenho de luz e operação:
Rogério Wanderley
Figurinos e adereços:
Álcio Lins
Texto:
criação coletiva
Elenco:
Barbara Brendel, Fábio Queiroz, Flávio Moraes, Igor Cavalcanti Moura, Jandson Miranda, Milton Raulino, Nilo Pedrosa, Ricardo Andrade, Rodrigo Porto, Sophia William e Waggner Lima.
Apoio:
Cênicas Cia. De Repertório
Realização:
Antônio Rodrigues Produções

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