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Macbeth em essência

Macbeth. Fotos: Pollyanna Diniz

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O general Macbeth volta vitorioso de uma guerra. Em recompensa é condecorado pelo rei Duncan, da Escócia. As bruxas fazem vaticínios a respeito do futuro de Macbeth e anunciam que ele será rei. Banquo, outro general do exército do rei Duncan, recebe a notícia de que não será rei, mas pai de uma poderosa dinastia. Macbeth fica insuflado pelas profecias das bruxas e a ideia do assassinato lhe perturba o espírito; e, instigado pela mulher, a pérfida Lady Macbeth, mata o rei e assume o trono. Depois tece uma fileira de crimes. A trama revela o lado mais perverso do homem. O enredo é conhecido e cada encenador o conduz da sua forma.

Macbeth é considerada a peça mais soturna de William Shakespeare (1564-1616). A tragédia deve ter sido escrita entre 1603 e 1607, com a primeira encenação em 1611. Nessa época, as mulheres não atuavam no teatro. Gabriel Villela, diretor da montagem apresentada neste fim de semana no Teatro de Santa Isabel, optou por um elenco somente de homens, como ocorria nas encenações shakespearianas. Dessa forma, o casal Macbeth é interpretado por Marcello Antony e Claudio Fontana, que dividem a cena com Helio Cicero, Marco Antônio Pâmio, Carlos Morelli, José Rosa, Marco Furlan e Rogerio Brito. Os intérpretes são maduros e o elenco é harmonioso.

A encenação de Gabriel Villela é compacta. O diretor cria um narrador (Carlos Morelli), inexistente no Macbeth original. A montagem valoriza a narrativa e o narrador convoca o espectador a imaginar. O narrador traz um livro na mão, e é como se a encenação saísse das páginas daquele livro. A tradução do inglês de Marcos Daud opta pela prosa direta e isso facilita uma narrativa límpida.

O espetáculo tem uma teatralidade bem demarcada. Villela reduziu as situações dramáticas. A movimentação coreográfica dos atores cria uma beleza e traça desenhos no palco e de postura. O corpo e os gestos são contidos. A utilização de recursos do teatro Nô japonês permite que algumas ações sejam apenas sugeridas. O sangue vertido aparece na forma de fiapos de lã vermelha. O diretor nesta montagem prioriza o texto e a poética de Shakespeare. As bases centradas na voz dos atores e nas palavras do bardo inglês.

Para regular a voz, o encenador contou em sua equipe com a italiana Francesca Della Monica, que desenhou a concepção de voz do espetáculo. Ela desenvolveu uma prática que denomina de antropologia da voz e que articula a espacialização da voz e de abertura da textura vocal para o campo dos mitos. A ideia é que a plateia desenhe as imagens enquanto ouve os atores. Mas tem muito mais gente nos bastidores para garantir a clareza desse belo espetáculo. Babaya é responsável pela direção de texto. A musicalidade da cena ficou a cargo de Ernani Maletta. Gabriel Villela contou com três assistentes de direção, César Augusto, Ivan Andrade e Rodrigo Audi.

Marcello Antony dá o texto sem nenhum coloquialismo. Da sua boca saem palavras graves e fortes e sua postura apresenta a deterioração do espírito do seu personagem. Claudio Fontana interpreta Lady Macbeth com brilhantismo. Ele evita a caricatura e o falsete. E o resultado é impressionante. Fontana se apropria da imagem de uma gueixa. O ator expressa feminilidade deslizando pelo palco. Ele usa uma máscara branca de gueixa e uma túnica negra esvoaçante. Marco Antônio Pâmio está forte na pele de Banquo. Rogerio Brito, Marco Furlan e José Rosa fazem as três bruxas e arrancam humor e ironia de várias situações.

O figurino tem muito de Gabriel Villela e ele assina o figurino em parceria com Shicó do Mamulengo, que também esteve com o diretor na montagem Sua Incelença, Ricardo III. A indumentária de guerra (coletes, armaduras e escudos) foi confeccionada a partir de 30 malas antigas de couro e papelão.

Pilares compostos a partir de teares mineiros sobrepostos formam uma grande torre. O cenário é de Marcio Vinicius. As cadeiras que ocupam o centro do palco em algumas cenas são de um cinema desativado de Carmo do Rio Claro, cidade natal do diretor. A iluminação é de Wagner Freire e a direção de movimento de Ricardo Rizzo.

Foram três apresentações de Macbeth no Recife, no Teatro de Santa Isabel, com casa lotada. Um ótimo Gabriel Villela. E como já disse Shakespeare: “A vida não passa de uma história cheia de som e fúria, contada por um louco e significando nada”.

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Ópera de Albéniz é apresentada pela 1ª vez na América Latina

José Renato Accioly é o diretor musical e regente de Pepita Jiménez. Fotos: Festival Debussy/Albéniz

O Teatro de Santa Isabel recebe hoje e amanhã, às 20h, a ópera Pepita Jiménez. É uma comédia lírica em dois atos, composta pelo espanhol Isaac Albéniz, a partir da novela homônima do político, diplomata e escritor argentino Juan Valera. “É uma comédia lírica, mais popular. Conta a história de uma viúva que se apaixona por um seminarista, mas está prometida ao pai dele”, explica a pianista Elyanna Caldas, diretora artística do festival Debussy-Albéniz, que foi realizado durante todo o mês de setembro e será encerrado com a ópera.

Esta é a primeira vez que essa ópera é apresentada na América Latina. “O argumento de Pepita Jiménez gira em torno do despertar do amor do jovem seminarista Luis de Vargas, que antes de pronunciar seus votos regressa a seu povoado para passar o verão. Ali conhecerá a jovem viúva, Pepita, pela qual se enamora e com a qual o seu pai pretende se casar. A luta entre o amor e a vocação – tema que vai aparecer também em La Dolores, de Tomás Breton –, e a figura paterna, em quem Don Luis vê um rival, atormentam o jovem futuro sacerdote, que trata de se distanciar de sua amada e do povoado. Mas quando Pepita ameaça suicídio, caso ele vá para longe dela, se impõe um final feliz e os enamorados terminam juntos”, antecipa Maria Luz González Peña, diretora do Centro de Documentação e Arquivo da Sociedade Geral de Autores e Editores de Madri, no programa do festival Debussy-Albéniz.

Cantores, músicos e atores se dedicam desde março para que a obra possa sair do plano das ideias. A direção de cena é assinada por Marcelo Gama, paulista que mora há 20 anos na Europa e assina o segundo trabalho deste porte no Brasil (o primeiro foi Dido e Eneas em São Paulo, em 2009). A direção musical e regência são de José Renato Accioly: ele vai reger a Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório. Quem fará Pepita é Anita Ramalho, que já participou de quatro óperas; o elenco tem entusiastas da ópera no Recife, como a mezzosoprano e professora Virgínia Cavalcanti.

As duas apresentações são gratuitas. Os ingressos podem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria do teatro. A produção solicita que o público leve um quilo de alimento não-perecível, que será doado a instituições carentes.

Ficha técnica:

Pepita Jiménez (Comédia Lírica em dois atos)
Libreto de Francis B. Money-Coutts com tradução para o castelhano de José Soler

Virgínia Cavalcanti está no elenco da ópera

Anita Ramalho – soprano (Pepita)
Virginia Cavalcanti – mezzo soprano (Antoñona)
Jadiel Gomes – tenor (Don Luis)
Charles Santos – baixo (O Vigário)
Eudes Naziazeno – tenor (Don Pedro)
Hedielson Rodrigues – tenor (O Conde)
Daniel Francisco – tenor (1º Oficial)
Amaury Veras – tenor (2º Oficial)
Marcelo di Paula – bailarino

Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório Pernambucano de Música
José Renato Acioly – regente

Coro lírico
Sopranos I: Clara Natureza | Florisbela Campos | Josiane Emmanuele | Natália Duarte | Kellyta Martins | Tarcyla Perboire
Sopranos II: Ângela Barbosa | Amanda Coelho | Amanda Mangueira | Mariane Mariz | Norma Lopes
Contraltos e Mezzo-Sopranos: Débora Barros | Rafaela Almeida | Vanessa Santana | Waldcelma Silveira | Surama Ramos
Tenores: Amaury Veras (2º Oficial) | Daniel Francisco (1º Oficial) | Lucas Melo | Manoel Theophilo | Sealtiel Sergio
Baixos e Barítonos: Adriano Sampaio | Adriano Soares | Alysson Dinoá | André Arruda | Ricardo Alves | Riva Gervásio

Equipe artística
Diretor musical e regente: José Renato Accioly
Diretor de cena: Marcelo Gama
Direção do balé: Lucia Helena Gondra e Ruth Rosenbaum
Preparadora do balé: Jane Dickie
Preparadores do coro: Armindo Ferreira e Virginia Cavalcanti
Pianistas correpetidores: Rachel Casado e Glauco César
Bailarinas: Alunas do Stúdio de Danças
Cenografia e figurino: Marcondes Lima
Iluminação: Luciana Raposo Recebemos a informação de que a iluminação foi, na realidade, de Cleison Ramos e Dado Sodi

SERVIÇO:
Pepita Jimenez
Quando: Sábado (1) e domingo (2), às 20h
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, s/n, Recife)
Quanto: Gratuito. Os ingressos podem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria do teatro
Informações: (81) 3355-3323

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Nelson Rodrigues no Arraial

Viúva, porém honesta será encenada na Rua da Aurora. Foto: Pollyanna Diniz

Nelson Rodrigues ainda está rendendo nos palcos pernambucanos, ainda bem! Desta vez, no Teatro Arraial, na Rua da Aurora, 457, Boa Vista. Hoje, às 19h, o grupo Magiluth e os diretores Cláudio Lira e Carlos Bartolomeu participam de uma mesa redonda. Vão discutir o tema “Nelson Rodrigues nos palcos recifenses”. Já amanhã e sexta-feira, também às 19h, o Magiluth volta a apresentar a sua versão de Viúva, porém honesta. E no sábado, no mesmo horário, a Cia. Macambira de Teatro faz uma leitura dramatizada seguida de roda de diálogo do texto Perdoa-me por me traíres. Toda essa programação é gratuita, mas está sujeita à lotação da sala (94 lugares).

Escrevemos sobre Viúva, porém honesta.

E queria publicar um teaser do espetáculo O beijo no asfalto, direção de Cláudio Lira, que estreou no centenário de Nelson Rodrigues no Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro, e será apresentado em outubro, no Teatro de Santa Isabel.

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Que zona é esta?

Magiluth estreia no Recife versão de Viúva, porém honesta. Fotos: Pollyanna Diniz

“Quando se trata de operar dramaticamente, não vejo em que o bom seja melhor que o mau. Passo a sentir os tarados como seres maravilhosamente teatrais. E no mesmo plano de validade dramática, os loucos varridos, os bêbedos, os criminosos de todos os matizes, os epilépticos, os santos, os futuros suicidas. A loucura daria imagens plásticas e inesquecíveis, visões sombrias e deslumbrantes para uma transposição teatral”. Parece que os atores do Magiluth compreenderam muito bem o que queriam dizer as palavras de Nelson Rodrigues.

No último domingo, na abertura do festival A letra e a voz, eles apresentaram uma versão digna da “falsa irresponsável” que Nelson dizia ser a peça Viúva, porém honesta. Vale dizer que o teatro estava lindo (e foi a primeira vez que o grupo se apresentou no Santa Isabel). Lotadíssimo. Há muito eu não via tanta fila para entrar no teatro mais nobre da cidade; e para conferir a peça de um grupo subversivo, habituado a um teatro que não se deixa prender a convenções, que acompanha o seu tempo – melhor ainda.

O Magiluth fez uma verdadeira zona de Viúva, porém honesta. Foi um mergulho vertical no jogo teatral e também na estética defendida pelo grupo para a montagem. Poderiam dizer que foi demais. Mas nunca agradariam Nelson se ficassem no meio termo – e realmente não ficaram. Na encenação, na cenografia, no sexual, na brincadeira, na picardia.

Os cinco atores – Pedro Wagner, Giordano Castro, Erivaldo Oliveira, Pedro Torres e o estreante na trupe Mário Sérgio (que é irmão de Pedro Wagner) – passeiam por todos os personagens. No início até parece que haverá alguma ordem, quando Pedro Wagner assume por um bom tempo o papel de Dr. J.B. Mera ilusão. Daí para a frente é uma loucura desenfreada totalmente coerente com a proposta do “jogo” que o Magiluth tanto gosta de fazer entre os próprios atores e com a plateia.

Espetáculo é um jogo. Cada ator representa todos os personagens

Giordano Castro e, principalmente, Pedro Wagner, mostraram maturidade em cena. Eles sempre estiveram muito bem nas peças do Magiluth e aqui não seria diferente. Daria destaque, no entanto, a Erivaldo Oliveira e a Pedro Torres – que nessa temporada de imersão em que o grupo passou morando juntos em São Paulo, no Rio, dedicados exclusivamente ao teatro – cresceram bastante como atores. Acho que quem acompanha o grupo, percebe isso rapidamente.

Giordano Castro brincano de boneca como Ivonete

Deve ser bem difícil conseguir o tom de uma montagem dessas – sim, porque por si mesma ela já é uma profusão de imagens, música, gritos, “sujeira” cênica – e Pedro Vilela, que assina a direção e está no palco comandando a mesa de som e luz e fazendo algumas intervenções em momentos estratégicos, conseguiu. Só ficou exagerada porque era para ficar exagerada mesmo.

É teatro. E os atores fazem questão de mostrar que é teatro o tempo inteiro. Riem, se divertem, entram e saem do personagem, brigam (mesmo que seja fake, tudo bem – aqui não soa falso) porque um deles levou uma puxada no cabelo de verdade. Sobram batatas voando por todos os lados. É uma cena kitsch, carregada, de tons que podem ser bastante vermelhos como o inferno, de flashbacks que são dados apenas com um pulo no palco. Para quem vai ao teatro sem saber do que se trata, querendo a “cena sóbria e quadrada” da década de 1980 (aquela em que insistem permanecer alguns encenadores e parte do público), quebra a cara. Mas a porrada pode fazer tão bem…

Grupo deve fazer duas apresentações no Teatro Arraial dias 30 e 31

Festival A letra e a voz – O festival, que homenageia Nelson Rodrigues, continua sendo realizado na Livraria Cultura, no Bairro do Recife. Hoje, sexta-feira, a Yolanda Ivana Moura vai participar de uma mesa, das 18h30 às 19h45. E tem também Newton Moreno. Confira a programação do festival:

Sexta, 24
17h às 18h15 – A letra e a voz de Newton Moreno (PE) com mediação de Thiago Soares (PE)
18h30 às 19h45 – Nelson Rodrigues: modos de pensar, com Luís Reis (PE), Luís Augusto Fischer (RS) e Ivana Moura (PE)
19h45h às 21h – A letra e a voz de Paulo Henriques Britto (RJ) com mediação de Fábio Andrade (PE)

Sábado, 25
17h às 18h15 – Literatura brasileira contemporânea, como entendê-la? Com Manuel da Costa Pinto (SP) e Lourival Holanda (PE)
18h30 às 19h45 – Como traduzir o presente?, com Rubens Figueiredo (SP) e Diogo Guedes
19h45h às 21h – A letra e a voz de Zé Miguel Wisnik com mediação de Talles Colatino (PE)

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Truques irresistíveis de Aurélia Thierrée

É difícil enquadrar a arte de Aurélia Clementine Oona Moorine Hannah Madeleine Thiérrée, nascida em Paris em 24 de setembro de 1971. Dança, circo, mímica, performance, contorcionismo, acrobacia, ilusionismo. Tem de tudo um pouco e muito encantamento em Murmures des murs. É melhor embarcar nessa viagem da artista que nasceu com pedigree (neta de Charles Chaplin e bisneta do dramaturgo Eugene O’Neill), ela honra o nome da família. Aurélia veio pela primeira vez ao Brasil em 2007, e ao Recife, com L’Oratorio d’Aurélia, uma investida de Danielle Hoover, do Festival Circo do Brasil, que traz a artista novamente, agora como principal atração da edição 2011.

A temporada de Murmures des murs no Recife começou ontem, no Teatro de Santa Isabel e segue até domingo, com sessões hoje e amanhã, às 21h e domingo, às 18h.

Murmures des murs, com Aurélia Thierrée. Fotos: Ivana Moura

Como em L’Oratorio d’Aurélia, a artista volta a contracenar com seres humanos e outros nem tanto, mas às vezes mais comoventes. Como o saco bolha que é transformado em monstro extraordinário e outros objetos que ganham vida.

Neste segundo espetáculo da artista francesa, sua personagem escuta sopros de paredes, porque as paredes têm histórias para contar, guardam segredos nas sucessivas camadas de papel, que arrancadas remetem a outro tempo de outra memória habitada.

Ela também escala fachadas de edifícios abandonados, entra em apartamentos vazios, invade vidas alheias. Como uma Alice que escapou do País das Maravilhas ela foge do prosaico e esbarra em situações inusitadas, transformando objetos em cúmplices, em sequências inesperadas de acontecimentos, que cria belas imagens de ilusão.

Aurélia Thiérrée em apresentação no Teatro de Santa Isabel

A protagonista encontra passagens secretas, cria ar de mistério, dança, e de tão leve, levita. Parece que encara um romance, dois, três, foge de todos. Nesse jogo, transforma objetos, deforma-os, faz com que desapareçam. Sente a cidade enigmática se fechar sobre si, tem encontros submarinos.

Sua vida foi embalada em caixas de papelão, no começo da peça, em que tudo leva a crer que ela arruma a mudança (transferência para outra residência). Há algo de tristeza no ar, de melancólico. Mas as coisas ganham outro ritmo quando a protagonista projeta sua imaginação e circula por um mundo maluco e imprevisível, acompanhada por outros artistas, ora cúmplices ora rivais. Quem assina essa montagem poética, onírica, é a mãe de Aurélia, Victoria Thiérrée-Chaplin.

Um dos momentos mais sublimes da peça

Parece real

A arte de Aurélia ganha força no que poderia chamar originalidade, poesia para revelar um mundo interior estranho, com frescor, criatividade e humor. A vida é um sonho, onde tudo é possível. Com técnicas precisas de ilusionismo e manipulação de objetos, a movimentação cênica abre as portas da imaginação. Aurélia Thiérrée dá vida a qualquer objeto.

Cenário impressionante e sucessivas mutações pra criar espaços, como as estruturas de prédios. A paisagem emocional muda também com a aparição de uma cama que sugere um hospital psiquiátrico ou da indicação da liberdade com um navio que passa, ou da dança entre os telhados que lembra os quadrinhos. Não existe uma narrativa linear. As imagens se sucedem como num sonho. E em Murmures des murs, a fantasia e a imaginação não têm limites.

Muitas leituras para a sanidade do ser humano

REfletir sobre a liberdade humana

Para quebrar limites

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