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10ª edição do Palco Giratório PE
dá motivos para pensar
a produção pernambucana

Notícias do Dilúvio, da Cia Biruta de Teatro, de Petrolina (PE). Foto: Fernando Pereira/ Divulgação

O retorno do Palco Giratório ao Recife faz da 10ª edição do festival na cidade e na Região Metropolitana um tempo privilegiado para pensar a cena pernambucana. A programação começa nesta quarta-feira, 20 de maio, e segue até 7 de junho. Ao longo desse período, mais de 70 atividades ocuparão teatros, praças, cinemas e outros espaços do Recife, de Jaboatão dos Guararapes e de São Lourenço da Mata. São 41 espetáculos, além de oficinas, seminários, ações formativas e atividades de intercâmbio, com programação gratuita ou a preços populares. Trata-se de uma retomada estratégica: Pernambuco volta a ocupar lugar forte na rede nacional desse projeto do Sesc, que em 2026 circula por 113 cidades de 23 estados e tem na Tropa do Balacobaco, de Arcoverde, a representante pernambucana no circuito nacional, com o espetáculo Re Te Tei.

O Palco Giratório é muito mais que um festival de circulação de espetáculos. Desde sua criação, em 1998, funciona como uma máquina de mobilidade: grupos atravessam o país, encontram contextos distintos, tensionam modos de produção e recepção e testam a capacidade de suas obras de se manterem vivas fora de seus ambientes de origem. Sua lógica é itinerante. Sua força está na construção continuada de uma malha de encontros, intercâmbio e formação de público.

Em Pernambuco, o projeto opera como núcleo articulador regional; tensiona práticas locais, conecta artistas à circulação nacional e desenha um mapa mais complexo das artes cênicas brasileiras contemporâneas. E funciona também como termômetro: o que estamos produzindo? como dialogamos com o país? quais estéticas insistem? onde estão as urgências reais do Recife e da Região Metropolitana?

A programação desta edição se mobiliza em torno de eixos que dialogam com questões incontornáveis do presente: negritude, acessibilidade, respeito às diferenças, juventudes, protagonismo infantil e potências do corpo atravessam o festival de ponta a ponta. Mas a tradução pode ser verificada com os espetáculos.

A abertura com Capiba, pelas ruas eu vou, da Aria Social, já funciona como declaração de escala, pertencimento e memória. O musical estreou em 2022 e homenageia um dos maiores nomes da música popular pernambucana e mobiliza um grande elenco de bailarinos-cantores para transformar a trajetória de Capiba em linguagem de cena. Mais adiante, a presença de Adilson Ramos e de Miro dos Bonecos reforça que essa edição também reconhece, em chave popular, tradições vivas da cultura pernambucana.

Capiba, pela ruas eu vou. Foto Alice Cohim

Miro dos Bonecos. Foto: Divulgação

A presença pernambucana na programação se desdobra, então, em direções bastante distintas, o que é um dado importante. Helô em Busca do Baobá Sagrado, do grupo DoceAgri, trabalha pertencimento, ancestralidade e protagonismo negro; Notícias do Dilúvio – Um Canto a Canudos, da Cia Biruta, de Petrolina, revisita a luta popular a partir da resistência feminina; Sobre os Ombros de Bárbara, com Augusta Ferraz, devolve corpo e voz a mulheres silenciadas desde a Revolução Pernambucana; Agbará Obirin, da Cia de Dança Daruê Malungo, inscreve a força dos corpos negros em movimento como resistência e celebração; Pontilhados, do Grupo Experimental, transforma o Recife Antigo em matéria dramatúrgica e faz da cidade cenário e personagem; Espécie em Extinção, do Grupo Córpore, desloca a crise ecológica para o corpo entendido como território de resistência; Roda, do Núcleo de Dança do Centro Cultural Sesc Garanhuns, reafirma a dança como encontro, troca e experiência coletiva; A Ver Estrelas, do Coletivo Trela de Experimentação Cênica para a Infância, aposta na imaginação infantil como força de expansão; enquanto intervenções como CloseUP, de Rauan Moreira, mostram que a proximidade, a rua e o risco de presença também cabem no desenho do festival.

Há ainda um gesto importante de ampliação de campo. O documentário Salu e o Cavalo Marinho, de Cecília da Fonte Alves, reinscreve a cultura popular no debate do festival a partir da memória de um artista; Pisadas, do Manifesto Cultura Popular, trata o corpo como arquivo vivo; o show de Adilson Ramos introduz na programação a permanência de uma memória sentimental e popular da canção pernambucana; e a presença de Miro dos Bonecos, com os Mamulengos do Novo Milênio, reafirma o mamulengo como forma viva, capaz de mobilizar riso, destreza e transmissão cultural. A isso se somam a contação de histórias para bebês com Yalle Feitosa e atividades voltadas à infância lembram que formação de público começa antes da institucionalização do gosto. Esse alargamento de linguagem pode ser lido como abertura real ou como risco de dispersão curatorial. Ainda assim, no melhor dos casos, aponta para um entendimento mais complexo do que seja artes cênicas hoje.

Ao lado dessa presença local robusta, o circuito nacional entra como como fricção. Franquinh@ – Uma História em Pedacinhos e Frankenstein, do Coletivo Gompa, operam em registros distintos a mesma questão da monstruosidade, da criação e da responsabilidade, deslocando-a da infância ao público adulto. Corpos de Tambor, do Coletivo Croa, aproxima elementos culturais da Amazônia de expressões urbanas contemporâneas; Sancho Pança, o Fiel Escudeiro, com o Palhaço Piruá, reinscreve o clássico a partir da periferia e da sabedoria popular; No Coração da Lua, do Grupo Estação de Teatro, mergulha em matéria noturna, sonho e delicadeza; A Maçã, com William Seven, sugere um teatro que aposta na reflexão; Peça Única, da House of Hands Up MS, faz da linguagem de sinais um princípio formal; O Encontro da Tempestade com a Guerra, do Circo Experimental Negro, afirma o circo como linguagem atravessada por luta, raça e invenção; HA!, do Grupo Artilharia Cênicas, recoloca o humor no terreno da resistência; No Armário Não Cabe Ninguém, do GPETI, em sua pesquisa em teatro para infância enfrenta a questão da diversidade sem reduzi-la a um enunciado pedagógico simplificado; Bando, do Máscara Encena, leva o teatro à praça; Caixa Ninho, do Eranos Círculo de Arte, e Miau, do Grupo Pé de Vento, reforçam essa ocupação de espaços não convencionais. 

Essa heterogeneidade é um dos traços mais significativos da edição. Ela põe lado a lado práticas e estéticas que raramente convivem sem mediação – grupo consolidado e coletivo emergente, teatro documental e palhaçaria, pesquisa formal e vocação pedagógica, espetáculo de rua e criação de sala, cultura popular e elaboração contemporânea. 

A homenagem ao Grupo Sobrevento

Para Mariela. Foto: Lauro Medeiros / Divulgação

A escolha do Grupo Sobrevento, de São Paulo, como homenageado da edição do Palco nacional é reveladora. Ao completar 40 anos de trajetória, o coletivo reafirma uma linha de trabalho marcada pela atenção aos deslocamentos, à vulnerabilidade e às formas de precariedade inscritas na experiência contemporânea. Seu teatro lida com migração, trânsito, perda e desamparo.

O espetáculo em circulação especial, Para Mariela, retoma a condição de crianças bolivianas migrantes por meio do teatro de formas animadas, mas sem suavizar o conflito. Mistura delicadeza formal e densidade política. Não ameniza a violência do tema; antes, a faz aparecer por outra via, mais oblíqua, mais persistente.

Trela: a infância como pauta séria

Paralelamente aos espetáculos, o festival realiza a segunda edição do Trela – Seminário de Artes Cênicas para as Infâncias, de 28 a 30 de maio, no Teatro Apolo. O seminário toca em dos pontos mais consistentes da programação, da dimensão estrutural da cultura.

Ao reunir pedagogos, psicanalistas, artistas e pesquisadores,  o Trela organiza de modo mais consequente uma pergunta que ainda costuma ser tratada como periférica: qual é a responsabilidade coletiva de cuidar das crianças também por meio das artes?

A homenagem a Vilma Carijós, do Centro de Educação e Cultura Daruê Malungo, reforça esse eixo ao vincular infância, educação, território e negritude numa mesma constelação de trabalho histórico. A presença de Maria Homem na abertura amplia o debate e lhe dá densidade pública. O seminário, assim, funciona como uma de engrenagens centrais do festival. Rconhecer a infância como pauta séria é reconhecer que discutir artes cênicas hoje implica discutir também formação, cuidado, linguagem e futuro.

Ideathon: inovação com medida concreta

Nos dias 21 e 22 de maio, o festival realiza ainda um Ideathon, maratona de inovação voltada à criação de protótipos para desafios reais do setor cultural. A iniciativa reúne estudantes, profissionais e interessados em pensar soluções aplicadas para o campo. O prêmio de R$ 4 mil para a ideia vencedora não altera por si só a estrutura econômica da cultura, mas tem valor como gesto de indução: sinaliza que o festival não quer apenas exibir obras prontas, mas também estimular imaginação organizativa, formulação e resposta prática.10ª edição do Palco Giratório

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira (20), às 19h
🎭 Abertura do festival: Espetáculo Capiba, pelas ruas eu vou
📍 Teatro do Parque: Rua do Hospício, 81, Boa Vista – Recife
🎟️ Entrada gratuita, com retirada antecipada pela internet; é preciso levar 1 kg de alimento para doação na hora do espetáculo

Sexta-feira (22), às 9h30
🎭 Espetáculo Helô em busca do baobá sagrado
📍 Sesc de Casa Amarela – Teatro Capiba: Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, 4490, Mangabeira – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sexta-feira (22), às 14h
🎭 Espetáculo Notícias do dilúvio – Um canto a Canudos
📍 Cine Teatro Samuel Campelo: Praça Nossa Senhora do Rosário, 510, Centro – Jaboatão dos Guararapes
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Sexta-feira (22), às 16h
🎭 Espetáculo O dia em que a Morte sambou
📍 Instituto Marcos Hacker de Melo: Rua Ten. João Cícero, 258, Boa Viagem – Recife
🎟️ Ingressos esgotados

Sábado (23), às 16h
🎭 Leitura dramatizada A cantora careca
📍 Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa: Largo do Varadouro, s/n, Varadouro – Olinda
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Sábado (23), às 17h
🎭 Espetáculo Para Mariela
📍 Teatro Hermilo Borba: Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (23), às 19h
🎭 Espetáculo Sobre os ombros de Bárbara
📍 Sesc de Casa Amarela – Teatro Capiba: Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, 4490, Mangabeira – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (23), às 20h
🎭 Espetáculo Para Mariela
📍 Teatro Hermilo Borba: Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Domingo (24), às 11h
🎥 Filme Salu e o cavalo-marinho
📍 Cinema São Luiz: Rua da Aurora, 175, Boa Vista – Recife
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Domingo (24), às 16h
🎭 Espetáculo Frankinh@ – uma história em pedacinhos
📍 Teatro de Santa Isabel: Praça da República, s/n, Santo Antônio – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Domingo (24), às 17h30
🎭 Espetáculo Corpos de Tambor
📍 Sesc de Casa Amarela – Teatro Capiba: Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, 4490, Mangabeira – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Domingo (24), às 19h
🎭 Espetáculo Frankinh@ – uma história em pedacinhos
📍 Teatro de Santa Isabel: Praça da República, s/n, Santo Antônio – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Terça-feira (26), às 16h30
🎭 Espetáculo Bando
📍 Praça do Rosário: Centro, Jaboatão dos Guararapes
🎟️ Gratuito

Quarta-feira (27), às 9h30
🎭 Espetáculo Bando
📍 Praça Dom Vital/Mercado São José: Praça Dom Vital s/n, Recife
🎟️ Gratuito

Quarta-feira (27), às 14h
🎭 Espetáculo Roda
📍 Cine Teatro Samuel Campelo: Praça Nossa Senhora do Rosário, 510, Centro – Jaboatão dos Guararapes
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Quarta-feira (27), às 15h
🎭 Espetáculo No coração da Lua
📍 Teatro Barreto Júnior: Rua Estrada Jeremias Bastos, Pina – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Quinta-feira (28), às 19h30
🎭 Espetáculo A maçã
📍 Teatro Barreto Júnior: Rua Estrada Jeremias Bastos, Pina – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Quinta-feira (28), às 19h30
🎭 Espetáculo Agbará Obirin
📍 Teatro do Parque: Rua do Hospício, 81, Boa Vista – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sexta-feira (29), às 14h
🎭 Espetáculo A ver estrelas
📍 Teatro Apolo-Hermilo: Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Sexta-feira (29), às 14h e às 19h
🎥 Filme Mambembe
📍 Cine Teatro Samuel Campelo: Praça Nossa Senhora do Rosário, 510, Centro – Jaboatão dos Guararapes
🎟️ Gratuito

Sexta-feira (29), às 15h
🎭 Espetáculo Sancho Pança, o fiel escudeiro
📍 Sesc Ler São Lourenço da Mata: Avenida das Pêras, 56, Tiuma – São Lourenço da Mata
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Sexta-feira (29), às 20h
🎤 Show Adilson Ramos
📍 Teatro do Parque: Rua do Hospício, 81, Boa Vista – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (30), às 15h30
👶 Contação de histórias para bebês
📍 Teatro Hermilo Borba: Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Sábado (30), às 16h
🎭 Espetáculo Caixa Ninho
📍 Teatro Hermilo Borba: Cais do Apolo, 142, Bairro do Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (30), às 16h30
🪄 Espetáculo CloseUP
📍 Teatro do Parque: Rua do Hospício, 81, Boa Vista – Recife
🎟️ Gratuito

Sábado (30), às 17h
🎭 Espetáculo No Armário Não Cabe Ninguém
📍 Teatro do Parque: Rua do Hospício, 81, Boa Vista – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Domingo (31), às 11h
🎥 Filme RE TE TEI
📍 Cinema São Luiz: Rua da Aurora, 175, Boa Vista – Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (31), às 16h
🎭 Espetáculo Sancho Pança, o fiel escudeiro
📍 Parque da Macaxeira: Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, s/n, Macaxeira – Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (31), às 16h30
🎭 Espetáculo Pontilhados
📍 Recife Antigo: Avenida Rio Branc, s/n, Bairro do Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (31), às 17h
🎭 Espetáculo HA!
📍 Parque da Macaxeira: Avenida Norte Miguel Arraes de Alencar, s/n, Macaxeira – Recife
🎟️ Gratuito

Terça-feira (2), às 15h
🎭 Espetáculo HA!
📍 Sesc Ler São Lourenço da Mata: Av. das Pêras, 56, Tiuma – São Lourenço da Mata
🎟️ Gratuito

Terça-feira (2), às 18h
👯‍♀️ Vivência Ballroom – Empoderamento, Corpo e História
📍Cine-Teatro Samuel Campelo: Praça Nossa Sra. do Rosário, 510, Centro – Jaboatão dos Guararapes
🎟️ Gratuito, retirada do ingresso na internet

Quarta-feira (3), às 15h
🎭 Espetáculo O Encontro da Tempestade com a Guerra
📍Sesc Santo Amaro: Praça do Campo Santo, 1-101, Santo Amaro – Recife
🎟️ Gratuito

Quarta-feira (3), às 20h
🎭 Espetáculo Peça Única
📍Teatro Barreto Júnior: R. Est. Jeremias Bastos, Pina – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Quinta-feira (4), às 18h
🎭 Espetáculo Espécie em Extinção
📍 Teatro Hermilo Borba: Cais do Apolo, 142 – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Quinta-feira (4), às 19h30
🎭 Palhaço Pinóquio (espetáculo de abertura)
🎭 Espetáculo Eduardo, o Rei das Praças
📍 Teatro Apolo-Hermilo: R. do Apolo, 121 – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sexta-feira (5), às 12h
🎭 Espetáculos Miau – Grupo Pé de Vento
📍Restaurante Sesc RioMar: Av. República do Líbano, 251, Pina – Recife
🎟️ Gratuito

Sexta-feira (5), às 20h
🎭 Espetáculo Pisadas
📍Teatro Apolo-Hermilo: R. do Apolo, 121 – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (6), às 12h
🎭 Espetáculos Miau – Grupo Pé de Vento
📍Restaurante Sesc RioMar: Av. República do Líbano, 251, Pina – Recife
🎟️ Gratuito

Sábado (6), às 16h
🎭 Espetáculo Dandara na Terra dos Palmares
📍Teatro Apolo-Hermilo: R. do Apolo, 121 – Recife
🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet

Sábado (6), às 16h
🎶 Mestre Zezinho de Casa Amarela
📍Paço do Frevo: Praça do Arsenal da Marinha, 91 – Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (7), às 16h30
🎭 Miro dos Bonecos – Mamulengos do Novo Milênio
📍Paço do Frevo: Praça do Arsenal da Marinha, 91 – Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (7), às 17h
🎭 Espetáculo Re Te Tei
📍Paço do Frevo: Praça do Arsenal da Marinha, 91 – Recife
🎟️ Gratuito

Domingo (7), às 19h
FESTA CUBANA
📍 Clube Bela Vista

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Grupo Experimental pontilha São Paulo de afetos

Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Espetáculo Pontilhados em apresentação na capital paulista. Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Olhar fortuito entre personagens de Silvinha Góes e Everton Gomes. Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Os invisibilizados reais e da ficção se misturam na Praça da Sé. Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

A vida se manifesta no corpo. Na sua expansão, nos seus flagelos, dores, resistências. A vida se manifesta na cidade, que pulsa repulsa de memórias dos que ergueram seus edifícios, calçaram suas ruas, confundiram seus corpos com pedra, água, ar e cal. O espetáculo coreográfico Pontilhados – Intervenções Humanas em Ambientes Urbanos congrega um bando de subjetividades. Criado e dirigido por Mônica Lira, a montagem do Grupo de Dança Experimental, do Recife (PE), já passou por Porto Alegre (RS) em setembro e percorre as ruas de São Paulo neste fim de novembro.

Corpo humano e corpo-cidade. Pontilhados, encerra a trilogia de dançaIlhados, sob a direção e idealização da bailarina e coreógrafa Mônica Lira. A trilogia começou com Ilhados – Encontrando as pontes ;(2010)Compartilhados(2014).

Saindo do Palacete Tereza Toledo Lara, na Rua Quintino Bocaiúva, 22, Centro, munidos com fones de ouvido, embarcamos em outro tempo; outra dimensão se instala. Ganhamos as ruas. Seguimos a voz de comando de Jennyfer Caldas, nossa guia, que nos aponta os rumos das cenas para não nos dispersarmos em meio a profusão de episódios do teatro do real.

Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Patrícia Pina Cruz (frente) compartilha a ideia que existe amor em São Paulo. Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Gardênia Coleto, Anne Costa e Rafaella Trindade. Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Mesmo que você não enxergue, eles existem. Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Mesmo que você não enxergue, eles existem. Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

O espetáculo de dança contemporânea itinerante ao ar livre, que agrega poesia e tecnologia, tem dramaturgia de Silvinha Góes, texto lindo, poético, que carrega citações de Affonso Romano de Sant´Anna,Eduardo Galeano, Roberto Pompeu de Toledo,Mario Quintana, Hilda Hilst, Italo Calvino, Cássio Vasconcellos, Mário de Andrade, Erri de Luca.

Despertemos outros olhos, treinemos outros olhares, olhemos o mundo com outras lentes exige essa caminhada / mergulho no espaço urbano para testemunhar histórias de amores e saudades, porque são tantas.

Pois então, desconecte-se, desligue, desacelere, sinta as camadas. Para além dos fones de ouvidos tudo prossegue naquela velocidade estonteante dessa Sampã espinha dorsal das finanças, de negociações políticas, de imersões culturais. Ou como define Roberto Pompeu de Toledo; “a capital da vertigem: vertigem artística, industrial, geográfica, urbanística”

Enquanto duram essas travessias poéticas nos ligamos a pulsação e movimentos coreográficos dos artistas do Grupo Experimental: Gardênia Coleto, Rafaella Trindade, Everton Gomes, Kildery Kildery, Anne Costa, Silvia Góes e Jennyfer Caldas. Além do elenco pernambucano, a performance conta com os bailarinos e bailarinas selecionados por meio de uma residência artística realizada na capital paulista entre os dias 12 e 19 de novembro, no CRD – Centro de Referência da Dança: Alisson Lima, Ana Caroline Recalde, Bruna Amano, Giovanna Pantaleão, Gisele Campanilli, José Artur Campos, Julianna Granjeia, Kleber Candido, Mateus Menezes, Michele Mattos, Patrícia Pina Cruz, Vinícius Francês, Vitor Silva e Laís D’addio. Ivan Bernardelli, artista-pesquisador local, coreógrafo e diretor da Cia. Dual de Dança Contemporânea, colaborou no trabalho.

A Noiva nas escadarias da Igreja da Sé de São Paulo. Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

A Noiva nas escadarias da Catedral da Sé de São Paulo. Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Um noiva sozinha em frente à Catedral da Sé. Uma figura quase etérea. Podemos nos lembrar de Assombrações do Recife Velho, os contos que Gilberto Freyre compilou da tradição popular. Mas também remete à nubente largada, que perde suas alegrias de viver. As narrativas e as imagens dão possibilidades para múltiplas interpretações. Todas válidas.

A narração da peça e sua trilha sonora são transmitidas via antenas de rádio ao público. A trilha de Guillermo Ceballos Suin mistura música, poesia e sons ambientes. Os bailarinos e bailarinas, no entanto, nada escutam. A atriz Lilian Lima – da Cia. Do Tijolo – traça o roteiro histórico, afetivo, pungente, alegre, triste, cheio de humanidade.

A caminhada começa no Hexágono, obra erguida na Praça da Sé, e segue para a Catedral, de estruturas góticas e renascentistas. Ali, Dom Paulo Evaristo Arns desenvolvia religiosamente sua luta, denunciando torturas e crimes e livrando crianças da violência imposta na época da ditadura.

Ainda na praça, mendigos fictícios brigam por colchonetes e por sobrevivência, numa escalada de violência. Explodem em expressão de sofrimento ou de resistência e elaboram coreografias de muitos tipo de fé. Na primeira apresentação, um morador de rua tentou ficar com um dos colchões como prêmio. A produção agiu para reaver o material de cena.

Há sofrimento ali normatizado. Pontilhados diz a a isso não. A vida humana precisa se reconhecer humana.

Há tempo para saudar as estátuas do apóstolo Paulo e do Padre José de Anchieta. E seguimos rumo à rua do Ouro, enquanto a audição sopra no ouvido coisas bonitas como “Uma cidade nasce do encontro, um olhar e outro olhar, um corpo e outro corpo, uma pedra e outra pedra, eu e você… Respire… Sinta o chão…” ou as reflexões poéticas de Affonso Romano de Sant´Anna, que defende “O amor – esse interminável aprendizado.”

De volta ao cruzamento da rua Quintino Bocaiúva com a rua José Bonifácio, encontramos o Palacete Tereza Toledo Lara com damas na varanda. No palacete funcionou a Rádio Record, onde o sambista Adoniran Barbosa criou algumas composições.

Depois de passar pela escultura de Zumbi, líder do Quilombo de Palmares em posição de alerta, portando uma arma de defesa chamada mukwale, símbolo de poder, usada por grandes guerreiros africanos, a performance de Kildery Kildery já é outra. De denúncia, de revolta, de não conciliação com o branco opressor, com o sistema opressor.

Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Depois de encontrar Zumbi, a postura é de guerrilha. Foto: Rogério Alves /423 / Divulgação

Preto e branco

O negro encara o branco. Foto: Ivana Moura

Delicadezas e precariedades, tensão no trânsito, problemas de moradia, caos urbano. Megalópolis e seus contrastes. Articulando passado e presente, sugerido pelo áudio e pela história da cidade, a peça propõe a cada espectador a erguer sua própria fabulação de memórias reais e poéticas.

Muita vida acontece nesse percurso … um casal flerta aos passos da dança na despedida do dia paulistano. Madona distribui corações para insinuar que o amor é livre e outra mulher misteriosa surge e desaparece pelas ruas movimentadas em meio à multidão.

Mônica Lira, essas imagens inundam a memória, numa perseguição de entendimentos outros que passam pela pele e osso, comprime o coração para saber que ele (o coração) existe. Esses Pontilhados embalam os sonhos e incitam para a luta. É uma peça forte e dura. Amorosa e que grita por questões urgentes. Da humanidade perdida, da humanidade que anseia ser reencontrada. Muito potente essa busca, esse caminhar, esse devir.

Silvinha Góes

Silvinha Góes nas escadarias da Catedral da Sé. Foto: Ivana Moura

Poderia falar de quantos degraus são feitas as ruas em forma de escada, da circunferência dos arcos dos pórticos, de quais lâminas de zinco são recobertos os tetos; mas sei que seria o mesmo que não dizer nada. A cidade não é feita disso, mas das relações entre as medidas de seu espaço e os acontecimentos do passado…

A cidade se embebe como uma esponja dessa onda que reflui das recordações e se dilata.
Italo Calvino
As Cidades Invisíveis

<img class=”wp-image-20067″ src=”http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/11/L3070684.jpg” alt=”L3070684″ width=”600″ height=”398″> Gardênia Coleto interage com público. Foto: Ivana Moura

São Paulo… Norte, Sul, Nordeste, Noroeste, Sudoeste, Sudeste, acima, abaixo, dentro, portos vastos além dos que aqui se inscrevem, aparecem, cravados de memórias singulares… Pernambuco, Recife, em que sentido está? De que lado você dança? Você samba de que lado? Recife, cidade pedra… São Paulo, cidade alada… Concreta de imensidões… Distâncias irmãs como somos, caminhantes do antes e agora, entre ruas que nunca desvendaremos inteiras, nem se estivessem nuas… Como as veias de um corpo, ruas que nos ligam ao mundo e ao centro de nós… Olhe em volta… Como estão suas mãos? Chegou a hora de viver em sua pele, horizonte com o fora, o nosso encontro no agora…

Texto-poesia de Silvinha Góes

zumbi

Kildery Kildery encontra a estátua de Zumbi dos Palmares. Foto: Ivana Moura

Liberdade abre as asas sobre nós, tem poesia isso, mas isso sufoca, vejo sempre uma águia gigante roubando o espaço acima da minha cabeça, vejo sempre a asa me comprimindo, e por isso eu gostaria de voar porque subiria acima dessa eventualidade. (S.G.)

SERVIÇO:
Pontilhados
Rumos Itaú Cultural 2017-2018
Entre os dias 28 e 30 de novembro
Saída: Palacete Tereza Toledo Lara (R. Quintino Bocaiúva, 22, Centro, São Paulo (SP)
Horário: 17h
Duração: 60 minutos
Quantidade de fones: 50 unidades
Ingresso: distribuição gratuita dos fones por ordem de chegada (50 pessoas)
Obs: para obter o fone a pessoa deixará o documento para resgatar com a entrega do fone à produção
Entrada gratuita

Figuras estranhas

Figuras estranhas, parecem vindas do passado. Foto: Ivana Moura

Polícia

Dançarino de frevo encara o carro da polícia. Foto: Ivana Moura

Pateo do colégio

Pateo do Collegio, marco zero da capital paulista. Foto: Ivana Moura

Pateo 3

Coreografia no Pateo. Foto: Ivana Moura

pateo 2

Transeuntes param para assistir à dança. Foto: Ivana Moura

L3070869

Existe amor em São Paulo, não é Kildery Kildery?! Foto: Ivana Moura

É frevo meu bem

É frevo meu bem. Foto: Ivana Moura

é frevo, eu disse frevo

É frevo, eu disse frevo. Foto: Ivana Moura

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