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Uma montagem festiva da tradição
Crítica: Auto da Compadecida
Por Ivana Moura

Sóstenes Vidal e Williams Sant’anna como João Grilo e Chicó. Foto: Hans von Manteuffel

A montagem de Auto da Compadecida – uma farsa modernesca dirigida por Célio Pontes e Eron Villar, com produção de Paulo de Castro, conquista seu público. Teatros lotados nas primeiras sessões, plateia vidrada na cena e rindo nos momentos esperados, elenco experiente entregando exatamente o que a tradição teatral pernambucana consolidou ao longo de décadas. O espetáculo cumpre com eficiência sua promessa de entretenimento popular, mas provoca uma reflexão necessária: em que medida uma montagem contemporânea deve dialogar criticamente com seu próprio tempo ao encenar um clássico? Esta revela-se comercialmente exitosa, porém levanta questões sobre o papel do teatro popular brasileiro diante de textos que já se cristalizaram no imaginário cultural.

Escrita por Ariano Suassuna em 1955, a obra tece uma fusão dramatúrgica singular entre o cordel, os autos medievais e o imaginário sertanejo, resultando numa comédia ou farsa ou auto ou… que é simultaneamente retrato social agudo e profunda reflexão sobre poder e justiça. Essa riqueza textual impõe um duplo desafio: reverenciar o clássico e fazê-lo vibrar com urgência contemporânea. Como equilibrar fidelidade à tradição com pertinência aos nossos tempos?

A direção responde a esta questão de forma categórica, priorizando a conexão imediata com o público através de escolhas que confirmam expectativas em detrimento da provocação. Os diretores imprimem fluidez cênica, enquanto cortes textuais conferem ritmo acelerado à narrativa. O elenco, reunindo intérpretes experientes – alguns veteranos de outras encenações do texto de Suassuna -, demonstra habilidade no andamento da história. Uma energia coletiva palpável transforma a experiência teatral numa celebração popular.

Outra encenação de muito sucesso, da Dramart, permaneceu em cartaz por 21 anos ininterruptos (1992-2012), dirigida por Marco Camarotti e produzida por Socorro Raposo – a primeira intérprete da Compadecida na montagem inaugural de 1956. Embora Fernanda Montenegro seja a referência nacional através do cinema, Socorro Raposo consolidou-se como figura querida do teatro pernambucano. Esta notável longevidade da encenação criou padrões interpretativos e um público fiel que naturalmente influencia qualquer nova abordagem.

A atual produção preserva estereótipos que, embora funcionem como gatilhos de reconhecimento, merecem análise.

Cleusson Vieira, Carlos Lira, Célio Pontes, Clenira Melo e Gil Paz

Clenira Melo interpreta a mulher do padeiro com manobras cômicas que demonstram domínio técnico absoluto, ainda que a direção pareça ter refreado sua inventividade. Sua parceria com Douglas Duan (o padeiro) oferece momentos de elevada qualidade cômica.

Alexandre Sampaio veste de forma hilariante o Major Antônio Moraes, personificação do poder coronelista nordestino. Autoritário, vaidoso e violento, representa esse sertão atávico que confunde força com autoridade. Quanto mais tenta parecer grandioso, mais revela o ridículo de quem exerce poder sem legitimidade.

Foi acertada a opção de manter o Tinhoso como personagem masculino, evitando dificuldades interpretativas que podem comprometer a clareza da personagem.

Já a figura do sacristão (Cleusson Vieira) é construída dentro do estereótipo do homem gay afeminado, aproveitador e escorregadio – representação que, embora agrade enormemente ao público, perpetua leituras questionáveis. Esta projeção em lugares exclusivamente risíveis projeta uma visão reducionista da figura gay.

O trio Carlos Lira (Padre), Mário Miranda (Bispo) e Cleusson Vieira (Sacristão) atuam para evidenciar a corrupção clerical: covardia, subserviência aos poderosos, ética duvidosa. Este parecer institucional cumpre tarefa dramatúrgica, embora permaneça genérico, perdendo oportunidades de estabelecer conexões específicas entre as problemáticas suscitadas por Suassuna e dilemas políticos contemporâneos.

A encenação trabalha com o universo nordestino povoado por cangaceiros, coronéis e tipos populares. Suassuna escreveu em contexto histórico específico (anos 1950), inclusive com algumas posições consideradas ousadas – como a escolha de um Cristo negro, que mirava a imagem da fé ocidental. 

Contudo, setenta anos depois, o cangaceiro romantizado, o coronel autoritário, os tipos populares caricaturais parecem pedir outras lentes para evitar que se reforce a visão estereotipada do Nordeste, aquela que simplifica a complexidade social da região. A direção opta por preservar integralmente essas imagens, mantendo coerência com o texto original, mas abdicando da possibilidade de problematizar na cena esses elementos.

Gil Paz, Simone Figueiredo e Sóstenes Vidal 

Sóstenes Vidal (João Grilo) brilha na liderança, demonstrando presença e timing cômico apurados. Williams Sant’anna constrói um Chicó medroso e cativante. É perceptível, contudo, dificuldade em acompanhar falas de alguns atores pela junção do sotaque carregado e velocidade da dicção. A produção poderia reconsiderar se vale manter os dois atores cantando, pois suas performances vocais não parecem inteiramente satisfatórias.

Paula Tássia traz leveza com estética mendicante, um ar beckettiano e dos Pierrots do Recife, 
costurando cenas com habilidade. Simone Figueiredo oferece uma Aparecida humana e educadora maternal, beneficiada por figurino bem concebido. Merece destaque o acento feminista que imprime à personagem, buscando ressaltar sobre o papel da mulher na sociedade.

Gil Paz como Emanuel/Jesus entrega um Cristo que consegue ser simultaneamente acessível e imponente, bondoso e austero, humanizando a figura sem pieguice e mantendo solenidade sem excessos. Célio Pontes interpretou o cangaceiro nas primeiras apresentações.

A cenografia é formada por duas casas simbolizando igreja e padaria, transformadas no final em céu, purgatório e inferno. É pouco criativa, mas funciona. Os figurinos são mais inspirados e elaborados, de impacto visual, baseados no imaginário dessas personagens, embora persistam em enquadrar protagonistas pobres com remendos e trapos, apostando numa imagem da pobreza que pode soar pitoresca.

A encenação reforça expectativas, opera através do reconhecimento de personagens, situações e códigos estéticos familiares que geram identificação imediata. Esta montagem cria uma experiência festiva que dialoga diretamente com o público pernambucano, que lotou por anos as apresentações da antiga encenação do Auto da Compadecida. O elenco experiente contribui eficazmente para o projeto estabelecido pela direção, o que deve garantir longevidade e sucesso dessa empreitada.

Ficha técnica
Texto: Ariano Suassuna 
Elenco: Alexandre Sampaio, Carlos Lira, Celio Pontes, Clenira Melo, Cleusson Vieira, Douglas Duan, Gil Paz, Mário Miranda, Paula Tássia, Simone Figueiredo, Sóstenes Vidal e Williams Sant’anna.
Direção: Célio Pontes e Eron Villar
Direção Musical: Douglas Duan
Direção de Arte, Figurino e Identidade Visual: Célio Pontes
Design de Luz: Eron Villar
Cenotécnico e Aderecista: Cleusson Vieira
Técnico de Som: Davison Wescley
Contrarregra: Diney Castro e Paulo de Lima Castro
Assessoria de Imprensa: Paula Schver
Mídias Sociais: Nuvon Branding
Filmagem: Pedro Raiz Produções
Fotografia: Thiago Farias
Captação de Recursos: Pedro Castro
Produção Executiva: Paulo De Castro
Realização: Roda Produções Culturais 

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Representatividade e aventura para crianças
Crítica: Helô em busca do baobá sagrado
Por Pollyanna Diniz*

Em seu primeiro livro para crianças, Meu crespo é de rainha, bell hooks escreve: “Feliz com o meu crespo! O meu crespo é de rainha! Feliz com o meu cabelo firme e forte, com cachos que giram, e o fio feito mola se enrola, vira cambalhota!”. Em Amoras, livro de Emicida, a filha diz ao pai: “Papai, que bom, porque eu sou pretinha também!”. O pequeno príncipe preto, de Rodrigo França, que primeiro nasceu como peça e depois foi publicado em livro, traz como personagem um menino preto que vive com um baobá num país muito pequeno. O menino fala sobre sua ancestralidade, tem orgulho da sua cor da pele, dos olhos, do nariz, do cabelo: “Eu sou negro. Um pouco mais claro que alguns negros e um pouco mais escuro que outros. É como a cor verde…Tem o verde-escuro e o verde-claro, mas nenhum dos dois deixa de ser verde. Eu gosto muito da minha cor e dos meus traços”. Helô em busca do baobá sagrado, peça que estreou no 24º Festival Recife do Teatro Nacional, no Teatro Hermilo Borba Filho, faz parte dessa linhagem de obras artísticas significativas, voltadas às infâncias, que carregam em suas narrativas a capacidade de aproximar crianças e adultos de suas próprias vivências, de quem são, e estimular autoestima, orgulho e empoderamento.

A criação de Helô…começou no contexto da pandemia: Talles Ribeiro e Helô, Heloísa Ribeiro de Melo, sua filha, viviam a circunstância do isolamento social – a realidade de ser criança (ou parentar) sem poder ter contato físico com o mundo externo, com outras crianças, com a natureza. Como antídoto, experimentando a liberdade da imaginação, inventaram uma história que tinha a menina como protagonista. Uma nova doença, perigosa e desconhecida, havia se espalhado pelo mundo, e Helô recebia a missão de, com o seu pai, ir atrás do fruto sagrado do Baobá, que livraria todos daquele mal. A aventura foi colocada no papel e, em outubro de 2022, contada no YouTube do grupo O Poste Soluções Luminosas, do qual Agrinez Melo, atriz, companheira de Talles e mãe de Helô, é fundadora.

Agrinez Melo e Cecilia Chá em Helô em busca do baobá sagrado. Foto: Marcos Pastich/PCR

O suporte da literatura foi trampolim para que Agrinez Melo idealizasse o espetáculo, assinando dramaturgia, direção, composição das letras musicais e criação de figurino. Talles Ribeiro está no palco, ao lado da própria Agrinez, e dos jovens atores Cecilia Chá, Ester Soares e Fábio Henrique. Se a história traz uma narrativa de afirmação da cultura negra no contexto das infâncias, exemplificando a tristeza, por exemplo, como consequência do racismo e do bullying com crianças pretas, o fato de termos esse elenco potencializa esse discurso, dando concretude à representatividade.

Num cenário para as infâncias no qual as Cinderelas – ainda – têm o protagonismo e as lojas de brinquedos estão amontoadas de Barbies (isso está mudando, embora mais lentamente do que gostaríamos), ver um elenco inteiro de artistas pretos numa peça voltada às crianças é um manifesto representativo. Olhar para a plateia e perceber crianças negras se identificando com aqueles personagens, pessoas que se parecem com elas, se configura como possibilidade de transformação e de futuro. Deveria ser comum, trivial até, mas ainda não é; e por isso esse ponto precisa ser ressaltado neste texto. Ainda mais quando todo o elenco é bom, equilibrado, afinado e, além de uma atriz com a experiência e o talento de Agrinez Melo, traz atores jovens, que vislumbro como promessas, como Cecília Chá, que ainda canta lindamente, e Ester Soares.

Música é uma das potências do espetáculo. Foto: Marcos Pastich/PCR

No teatro, Helô em busca do baobá sagrado não faz citações diretas à pandemia: a doença que impede o povo de Helô de sorrir é a tristeza. Aconselhada por sua avó, a Velha Cachimbeira, Helô e o pai vão à Floresta Negra para encontrar o fruto sagrado do Baobá. Acompanhamos essa trajetória dos dois, um mergulho na ludicidade, na aventura, na permissão para brincar e vivenciar uma história que tem como personagens um Baobá de 800 anos, um pé de jaca de 100 anos, o médico Dr. Sapão, a Corujita, além da Comadre Fulozinha, dos encantados e de muitos outros. Alguns desses personagens vão ajudar Helô na sua missão, como a sua amiga Anahí, mas outros representam os obstáculos a serem superados, como Seu Quadrado, que fez o mundo ficar cinza e chato com seu preconceito. O espetáculo exalta a ancestralidade, os orixás, a natureza.

A aventura proposta é um deleite à imaginação. Ainda assim, nas montagens infantis, um dos vícios dramatúrgicos é a tentativa de falar sobre temas como coragem com textos diretos, que podem resvalar para uma positividade desmesurada. Sou da geração que cresceu cantando “Tudo pode ser…só basta acreditar” e esse mesmo espírito está na dramaturgia quando, por exemplo, o pai diz que está pensando em desistir da missão na Floresta, e a criança retruca: eles não teriam tentado direito ainda; ou quando o pai fala que a missão é impossível e eles deveriam desistir, e é a criança quem impede que isso aconteça, mostrando ao pai que supostamente não há impossíveis. Em Helô…, a história incorpora a coragem em sua narrativa, de modo muito mais efetivo e sem a necessidade de discursos simplórios. Essa criança – e a sua amiga Anahí – são motores de mudança e instigam os adultos nesse movimento.

Talles Ribeiro e Cecilia Chá. Foto: Edpo César

Numa história colorida, de muitos personagens “incríveis”, aventura e suspense, as soluções cênicas do espetáculo são geralmente inventivas e adicionam camadas à possibilidade da brincadeira, como os diversos tipos de bonecos que compõem a cena, e os atores que se desdobram em mais de um personagem. Especialmente no caso de Talles Ribeiro, quando essa mudança acontece de forma instantânea – na mesma cena ele sai de um personagem para assumir o outro – o pacto lúdico com a plateia é reforçado e gera boas surpresas e risadas.

Um dos elementos de encantamento do espetáculo é a música, uma das dramaturgias da peça. A criação musical foi realizada por Beto Xambá e Thúlio Xambá, músicos do grupo Bongar, as letras, como já dito, são de Agrinez Melo, e a criação da sonoplastia e a execução musical ao vivo são de Monique Sampaio e Paulinho Folha.

Helô em busca do baobá sagrado reafirma a importância da representatividade, das crianças se enxergarem em todos os campos da nossa sociedade, inclusive no teatro, e terem orgulho de si mesmas e de sua ancestralidade. É uma peça que exalta o valor da cor na criança preta, os seus cabelos crespos e frondosos, as suas experiências de vida em comunidade, alimentando a alegria, a criatividade e a brincadeira como potências instigadoras de transformação.

Dr. Sapão (Fábio Henrique) é um dos personagens desta aventura. Foto: Edpo César

Ester Soares como Anahí, amiga de Helô. Foto: Edpo César

Cecilia Chá é a protagonista Helô. Foto: Edpo César

* A cobertura crítica da programação do 24º Festival Recife do Teatro Nacional é apoiada pela Prefeitura do Recife.

Ficha técnica:
Helô em busca do baobá sagrado
Elenco: Agrinez Melo, Cecilia Chá, Ester Soares, Fábio Henrique e Talles Ribeiro
Dramaturgia, direção, composição das letras musicais e criação de figurino: Agrinez
Melo
Criação musical: Beto Xambá e Thúlio Xambá
Criação sonoplastia e execução musical: Monique Sampaio e Paulinho Folha
Preparação de canto, cenografia, máscaras e adereços: Douglas Duan
Preparação vocal de atores: Naná Sodré
Criação de maquiagem: Vinicius Vieira
Criação e confecção de bonecos: Célia Regina
Iluminação: André Cordeiro
Execução de figurino: Francis Souza e Monique Nascimento, Álcio Lins e Ágata Gabrielli
Consultoria coreográfica: Washi San’s
Assistente de produção e social mídia: Brunna Martins
Produção geral e realização: DoceAgri

 

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Festival Reside Amaro
Uma experiência artística inovadora no Recife

Vizinhos no bairro de Santo Amaro participam de ações artísticas. Foto: Rogério Alves

O Festival Reside Amaro, que ocorre nestes dias 7, 8 e 9 de fevereiro de 2025, é mais que um evento no calendário cultural do Recife; é um manifesto vivo, uma declaração ousada sobre o potencial transformador da arte quando esta pulsa organicamente com o tecido social de uma comunidade.

Paula de Renor, uma produtora cultural com uma visão ousada, sempre sonhou em realizar um festival teatral inovador, diferente dos modelos tradicionais. A inspiração que faltava surgiu quando ela conheceu o trabalho do Teatro Bombón e o conceito de “teatro vecinal” (teatro de vizinhança) da artista argentina Monina Bonelli. Com essa nova perspectiva, Paula uniu forças com Bonelli e o curador Celso Curi para dar vida ao Reside Amaro, um projeto que leva o teatro para o coração do bairro de Santo Amaro, no Recife. Essa proposta única transforma a comunidade no centro pulsante da experiência teatral, promovendo uma colaboração íntima entre artistas e moradores locais para criar performances autênticas e envolventes.

A escolha de Santo Amaro como palco para esta experiência não foi aleatória. O bairro, com sua rica vivência histórica e cultural, serve como um microcosmo perfeito do Recife e, por extensão, do Brasil urbano contemporâneo.

“Santo Amaro é um paradoxo vivo,” aponta Roger de Renor, produtor e ativista cultural e vizinho inspirador. Neste território, casarões coloniais expõem a luta pelo espaço urbano com prédios altíssimos. Comunidades de pescadores, cujas tradições remontam a séculos, convivem lado a lado com startups de tecnologia de ponta.

Esta complexidade sociocultural de Santo Amaro serve como um terreno fértil para o tipo de narrativas plurais que o Reside Amaro busca explorar.

Monina Bonelli_Paula de Renor_Celso Curi._Foto Rogério Alves

O Reside Amaro destaca-se por sua natureza site-specific, onde cada apresentação é cuidadosamente elaborada para se integrar e dialogar com o ambiente específico em que ocorre. Esta técnica transforma espaços cotidianos – desde casas particulares até bares locais – em cenários teatrais singulares, criando uma experiência imersiva tanto para os artistas quanto para o público.

O aspecto comunitário do festival é igualmente central. Ao envolver ativamente os moradores de Santo Amaro no processo criativo, o Reside Amaro opera essa via de mão dupla: traz o teatro para a comunidade, mas também traz a comunidade para o teatro. Esta abordagem resulta em performances que são autênticas reflexões das histórias, culturas e experiências locais.

A maioria das performances é criação original, desenvolvida especificamente para o festival. Outra característica marcante do Reside Amaro é seu caráter processual. Muitas das ações e performances começaram a ser desenvolvidas apenas nas últimas semanas antes do festival. Este curto período de gestação confere às apresentações um frescor e uma espontaneidade raramente vistos em produções teatrais tradicionais. 

“É fascinante ver como as técnicas de teatro comunitário desenvolvidas em Buenos Aires se adaptam e ganham novos significados no contexto de Recife”, observa Monina Bonelli. “Há um diálogo intercultural acontecendo aqui que é verdadeiramente enriquecedor”.

Espetáculos internacionais Rainha, com Maiamar Abrodos e Da Melhor Maneira com Federico Liss e David Rubinstein. Foto: Divulgação

O festival apresenta duas peças argentinas em espanhol com legendas em português. Rainha (Reina en el Gondo), dirigida e escrita por Natalia Villamil e estrelada por Maiamar Abrodos, retrata a vida de uma mulher transgênero idosa no Gondolín, um hotel-refúgio em Buenos Aires, explorando suas memórias e reflexões sobre identidade. Já Da Melhor Maneira (De la mejor manera) é uma obra de Jorge Eiro, Federico Liss e David Rubinstein, dirigida por Eiro e atuada por Liss e Rubinstein. Esta peça acompanha dois irmãos que retornam ao bar da família durante o velório do pai, enfrentando o vazio deixado por sua perda e o desafio de seguir em frente diante de um “abismo silencioso”.

Além das performances, o Reside Amaro tem um forte componente educacional. Alunos do Curso de Interpretação para Teatro do Sesc Santo Amaro estão ativamente envolvidos em todas as etapas do festival, desde a concepção até a execução. Esta iniciativa aprimora o aprendizado dos estudantes, contribuindo para a formação de uma nova geração de artistas.

Com mais de 70 apresentações distribuídas ao longo de três dias, o festival oferece uma programação diversificada e acessível. Todas as apresentações são gratuitas, com ingressos distribuídos uma hora antes de cada sessão. O evento também prioriza a acessibilidade, oferecendo tradução em Libras para várias performances e garantindo que os espaços sejam acessíveis para pessoas com deficiência.

PROGRAMAÇÃO

CASA 1 (Rua Capitão Lima) CENTRAL DE INFORMAÇÕES

Casa 2 Rua (Rua Capitão Lima) LENE CONVIDA
Performance participativa onde Lene estreia um programa de entrevistas intimista. Recebe personalidades para conversas sinceras e inspiradoras sobre Pernambuco.
Dramaturgia/Direção: Giordano Castro, Mateus Condé.
Atuação: Lene Maria.
07/02: 19h30-22h, 08-09/02: 18h30-21h30. Fluxo contínuo.

Casa 3 (Rua Capitão Lima) COMUNHÃO MUSICAL
Espetáculo musical que une diferentes gerações e histórias de vida. Performances de um padre, uma cozinheira e um cantor profissional.
Direção musical: Douglas Duan.
Vozes: Padre Caetano, Alê Maria, Carlinhos Monteverde.
07/02: 19h, 08-09/02: 18h.

Casa 4 (Rua da Piedade) ÁLBUM DOS VIZINHOS
Projeção de retratos que capturam a essência dos moradores da vila. Transformação de memórias em arte, reforçando laços comunitários.
Fotos: Rogério Alves. Coordenação: Ingredy Barbosa.
07/02: 19h30-22h, 08-09/02: 18h30-21h. Fluxo contínuo.

Casa 5 (Rua Capitão Lima) SOM NA RURAL
Festa itinerante que transforma as ruas em palco de celebração. Picadeiro sonoro que constrói novas histórias e memórias.
comunicação: Roger de Renor. DJ: Dj Vibra.
07/02: 22h-23h.

Casa 6 (Travessa do Ferreira) HEY, HEY, HEY! ROBERTO É O NOSSO REI!
Karaokê em homenagem a Roberto Carlos, realizando o sonho de João Paulo. Inclui mural no Beco do Roberto, multiplicando a presença do Rei.
Artista vizinho: João Paulo Silva. Artista ativador: Douglas Duan.
07/02: 20h-22h, 08-09/02: 19h-21h30. Fluxo contínuo.

Casa 7 (Rua da Piedade) ALTA VIGILÂNCIA
Instalação dramatúrgica que explora a cultura da fofoca em Pernambuco. Narradoras compartilham histórias bisbilhotadas na rua Piedade.
Dramaturgia: Newton Moreno. Narradoras: Amanda Menelau, Márcia Luz.
07/02: 20h-22h, 08-09/02: 19h-21h30.

Casa 8 (Rua da Piedade) CASINHA DE ROGÊ
Instalação/performance que convida à intimidade da casa de Roger de Renor. Reflexões sobre cidades horizontais, utopias e memória. Performance: Roger de Renor.
Duração: 30min.
Capacidade: 20 pessoas/sessão.
07/02: 20h e 21h, 08-09/02: 19h e 20h.

Casa 9 (Rua da Piedade) INDO PARA LÁ
Performance documental sobre uma travessia imaginária de barco. Explora conversas, histórias e imagens que permanecem na memória. Direção: Quiercles Santana. Atuação: Clau Barros, Dorgival Fraga. Duração: 30min. Capacidade: 20 pessoas/sessão. 07/02: 20h e 21h, 08-09/02: 19h e 20h.

Casa 10 (Rua da Piedade) PRONTA PRA GUERRA; PULANDO FOGUEIRAS E DECORANDO O TEXTO COM FUXICOS
Performance inspirada na vida de Joana d’Arc e Ivete Alves de Mesquita. Explora a luta pela existência através de costura, fuxicos e memórias.
Dramaturgia/Encenação: Anderson Leite.
Atuação: Augusta Ferraz.
Duração: 30min.
Capacidade: 20 pessoas/sessão. 07/02: 20h30 e 21h30, 08-09/02: 19h30 e 20h30.

Casa 11 (Rua da Piedade) NO FRIGIR DOS OVOS TUDO TEM SOM
Performance documental que explora os sons e aromas da cozinha. Inspirada na vida de Geraldo Maximiano de Lima, o Rei do Omelete.
Direção: Quiercles Santana. Atuação: Djalma Albuquerque, Anne Andrade, Lua Alves.
Duração: 30min.
Capacidade: 20 pessoas/sessão.
07/02: 20h30 e 21h30, 08-09/02: 19h30 e 20h30.

Casa 12 (Rua Capitão Lima) SABOR DO DESTINO
Audioguia e experiência sensorial baseada na vida de Detinha. Percurso sonoro guiado pelos sabores, com participantes de olhos vendados.
Dramaturgia/Direção: Júnior Sampaio.
Narração: Fabiana Pirro.
Duração: 30min.
Capacidade: 20 pessoas/sessão.
07/02: 20h e 21h, 08-09/02: 19h e 20h.

Casa 13 ((Rua Capitão Lima) RITO DE PASSAGEM
Performance em movimento conduzida por HBlynda até a casa de Reina. Compartilha desafios enfrentados na jornada de reafirmação de identidade.
Criação/Performance: HBlynda Morais.
Duração: 30min.
Capacidade: 30 pessoas/sessão.
08-09/02: 19h.

Casa 14 (Rua Capitão Lima) AMARO
Exibição do curta-metragem desenvolvido durante a residência do festival. Retrata um dia na vida de Amaro, homem emocionalmente contido.
Roteiro/Direção: Diogo Cabral.
09/02: 19h-21h. Fluxo contínuo.

Casa 15 (Rua Capitão Lima) RECEITA PARA CONTAR HISTÓRIAS
Performance documental sobre histórias familiares e receitas. Mistura memórias do Maranhão a Pernambuco através do doce de banana.
Dramaturgia/Direção: João Pedro Pinheiro, Larissa Pinheiro. Com: Lannje Falcão, Aurian Falcão.
Duração: 30min.
Capacidade: 20 pessoas/sessão.
07/02: 20h30 e 21h30, 08-09/02: 19h30 e 20h30.

Casa 16 (Rua Capitão Lima, 410) UMA DOR MENOR
Teatro documental sobre impasses de um enterro familiar. Explora o conflito entre luto pessoal e cerimônia pública de um político.
Dramaturgia/Atuação: Ivana Moura.
Direção: Luiz Felipe Botelho.
Duração: 30min.
Capacidade: 20 pessoas/sessão.
07/02: 20h30 e 21h30, 08-09/02: 19h e 20h30.

Casa 17 (Rua Capitão Lima, 408) RAINHA
Peça argentina sobre a vida de uma mulher transgênero idosa. Explora memórias e reflexões sobre identidade no hotel Gondolín.
Dramaturgia/Direção: Natalia Villamil. Atuação: Maiamar Abrodos.
Duração: 60min.
Capacidade: 30 pessoas/sessão.
08-09/02: 19h30.

Casa 18 (Rua Capitão Lima – auditório da TV Jornal) NOS BASTIDORES DOS PROGRAMAS DE AUDITÓRIO: CONHEÇA A HISTÓRIA DA TV JORNAL
Vídeo que relembra 65 anos da TV Jornal pernambucana. Destaca programas de auditório e participações importantes.
Criação/Produção: TV Jornal.
Duração: 5min. Capacidade: 20 pessoas/sessão.
07/02: 19h, 19h15, 19h30 e 19h45.

Casa 19 (Rua Capitão Lima) CASAR, PARA QUE?
Quadrilha que desafia superstições sobre casamento. Celebra o casamento de dona Neta e Luiz com pompa e circunstância.
Direção/Coreografia: Mônica Lira. Casal: Erivonete Barbosa, Luiz Elias.
08/02: 21h30-23h.

Casa 20 (Rua Capitão Lima – na rua) BOI MARINHO
Cortejo que mistura tradições populares, com destaque para o Cavalo Marinho. Ativação com alunos da Escola Sylvio Rabello e vizinhos.
Mestre/Direção: Helder Vasconcelos. Contra mestra: Laura Tamiana.
09/02: 18h-18h40.

Casa 21 (Rua Capitão Lima – Restaurante Casa Capitão) DA MELHOR MANEIRA
Peça argentina sobre dois irmãos lidando com a perda do pai. Explora o luto e o desafio de seguir em frente após uma perda.
Dramaturgia: Jorge Eiro, Federico Liss, David Rubinstein. Direção: Jorge Eiro.
Duração: 60min.
Capacidade: 30 pessoas/sessão.
08-09/02: 20h.

FICHA TÉCNICA

Idealização
Monina Bonelli

Criação
Monina Bonelli e Celso Curi

Artista criador convidado
Quiercles Santana

Curadores
Paula de Renor e Celso Curi

Vizinho inspirador
Roger de Renor

Vizinha embaixadora
Ingredy Barbosa

Assistente de criação
Márcio Allan

Artistas convidados
Álefe Passarin, Amanda Menelau, Anderson Leite, Augusta Ferraz, Bailarinos da Quadrilha Evolução (Damas – Giovanna Seabra Paiva Carneiro, ⁠Hellen Cavalcante, Perollah Hair, Rayssa Gomes de Vasconcelos, Thadgya Dos Santos Silva e Thais Maely Sidronio. Cavalheiros – Adones Vasconcelos, Aleson Willam Souza, Anthony Matheus de Aquino, Lourival Rodrigues, Rodrigo de Oliveira e ⁠Wladiel Queiroz), Boris Trindade Júnior (palhaço Tapioca), Carlinhos Lua, Carlinhos Monteverde, Carlos Santos, Clau Barros, David Rubinstein, Dj Vibra, Douglas Duan, Fabiana Pirro, Federico Liss, Giordano Castro, HBlynda Morais, Helder Vasconcelos e o Boi Marinho, Ivana Moura, Jeison Wallace, Jerlane Silva (palhaça Bilack), João Pedro Pinheiro, Jorge Eiro, Júlio Brito, Júnior Sampaio, Jurema Fox, Kleber Santana, Larissa Pinheiro, Luiz Felipe Botelho, Maiamar Abrodos, Mônica Lira, Natalia Villamil, Newton Moreno, Pinho Fidelis, Rafael Chamié e Roger de Renor.

Vizinhos artistas
Alê Maria, Alice Barbosa, Aurian Falcão, Dorgival Fraga (Paizinho), Erivonete Barbosa (dona Neta), Everton de Holanda Júnior, Geraldo Maximiano de Lima (Rei do Omelete), Ivete Alves de Mesquita, Joana d’Arc Dantas Mesquita, João Paulo Silva, Lannje Falcão, Lene Maria, Ligia Vieira, Luiz Elias, Maria José (dona Detinha), Maria Laura (Laurinha), Padre Caetano e Thiago Santos.

Artistas Residentes
Alunos do CIT / Sesc Santo Amaro – Anne Andrade, Bibi Santos, Caví Baso, Diogo Cabral, Djalma Albuquerque, Fanny França, Lua Alves, Márcio Allan e Mateus Condé.

Beco do Roberto
Produção: Arte da Imagem Produções
Apoio: Gabinete de Inovação Urbana

Fotos álbum dos vizinhos
Rogério Alves

Fotos registro
Gianny Melo

Fotos e vídeos making of
Ivo Barreto e Wesley Kawaai

Comunicação comunitária
Djalma Albuquerque

Designer
Clara Negreiros

Assessoria de imprensa
Márcio Bastos

Gestão de redes sociais
Cognos Comunicação – Luiza Maia e Tiago Barbosa

WebDesigner / Front-End
Sandro Araújo (SandroWeb)

Acessibilidade comunicacional
CENTRAE

Coordenador de produção
Ivo Barreto

Produção
Remo Produções Artísticas
Paula de Renor e Wesley Kawaai

Assistente de produção
Elias Vilar

Coordenador técnico
Eron Villar

Assistente técnico
Caví Baso

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Uma jornada encantadora inspirada em Lorca
Crítica de Quatro Luas

Quatro Luas, entre o humor, a magia e leves reflexões existenciais. Foto: Ivana Moura

O espetáculo Quatro Luas, apresentado pelo coletivo O Bando de Olinda (PE) no Teatro Marco Camarotti, em Recife, como parte da programação do Palco Giratório 2024, é uma experiência teatral envolvente que celebra a poesia, a imaginação e a infância em peça inspirada na obra de Federico Garcia Lorca, um dos mais importantes escritores espanhóis do século XX. Conhecido principalmente por suas obras voltadas para o público adulto, como Romancero Gitano e Bodas de Sangue, Lorca também dedicou parte de sua produção literária às crianças, com destaque para Os Encontros de um Caracol Aventureiro, uma coleção de poemas que explora o mundo através dos olhos de um pequeno caracol, e Os Títeres de Porrete, uma peça de teatro que aborda temas como a liberdade e a opressão de forma lúdica e acessível aos pequenos.

Desde o primeiro momento, o público é cativado pela atmosfera mágica criada pela trupe de atores que, representando ciganos, canta, toca e dança nos corredores e hall do teatro. Essa introdução serve como um convite para adentrar o universo onírico proposto pelo espetáculo, preparando os espectadores para a jornada que está por vir.

Ao entrar na sala de espetáculos, somos recebidos por uma cenografia e uma iluminação que transportam a plateia para um mundo de sonhos e descobertas. A história acompanha o protagonista Federico, um pequeno boneco manipulado pelo elenco com destreza e sincronia, em sua busca pela Lua Cheia. A jornada de Federico é repleta de encontros fantásticos com animais falantes, exércitos de formigas e as quatro fases da Lua personificadas.

Vários bichos falantes ocupam a cena, como a Gata Azul. Foto: Ivana Moura

O texto de Claudio Lira, responsável também pela direção, é rico em referências à obra de Lorca, a linguagem poética e as metáforas utilizadas oferecem diferentes camadas de leitura, cativando tanto as crianças quanto os adultos. Os diálogos são bem construídos, com momentos de humor leve e inteligente, como no encontro com as duas Rãs, uma que não enxergava muito bem e outra que não escutava muito bem, criando situações divertidas e reflexões filosóficas sobre a finitude.

O elenco, formado por Brunna Martins, Célia Regina, Douglas Duan e Matheus Carlos, demonstra versatilidade ao transitar entre a manipulação de bonecos, as falas, as canções e a interação com a plateia. A cumplicidade entre os atores e o público é evidente, criando uma atmosfera de encantamento compartilhado. Momentos como o conselho da Mariposa para o Menino ir dançar e viver a vida, ou a frescura da Gata Azul, arrancam risadas e reflexões.

A trilha sonora original de Douglas Duan tem canções executadas ao vivo por Arnaldo do Monte (percussão) e Zé Freire (violão), e estão perfeitamente integradas à narrativa, amplificando a carga emotiva das cenas e marcando as nuances da peça. A música se torna um elemento fundamental para a imersão do público no universo poético criado em cena.

A direção de Claudio Lira é sensível e precisa, explorando de forma inteligente os recursos do teatro de bonecos e a linguagem do teatro animado. O ritmo da peça é bem conduzido, com momentos de introspecção e poesia alternados com outros de dinamismo e interação com a plateia. O espetáculo consegue dosar de forma equilibrada os momentos de apelo emocional, as frases de efeito existencial e os achados poéticos, mantendo o público envolvido do início ao fim.

Quatro Luas é um espetáculo que celebra a força da palavra, a magia do teatro de bonecos e o talento de seus criadores. Ao se inspirar no universo lorquiano e, mais especificamente, em suas obras voltadas para a infância, a peça oferece uma experiência teatral encantadora, que convida o público a se reconectar com a criança interior e a redescobrir o poder transformador da imaginação.

FICHA TECNICA:

Dramaturgia e Encenação: Claudio Lira
Elenco: Brunna Martins, Célia Regina, Douglas Duan e Matheus Carlos
Músicos: Zé Freire (Violão) e Arnaldo do Monte (Percussão)
Dramaturgia Sonora, Direção Musical e Preparação Vocal: Douglas Duan
Iluminação: Eron Villar
Direção de Arte: Claudio Lira e Célia Regina
Criação e confecção dos bonecos e adereços: Romualdo Freitas e Célia Regina
Criação e confecção das Luas: Romualdo Freitas, Célia Regina e Adriano Freitas
Confecção da Árvore: Douglas Duan
Registro de Fotos e Vídeos: Colibri Audio Visual/Morgana Narjara
Produção: Claudio Lira e o Grupo
Realização: O Bando Coletivo de teatro.

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Ópera-repente desafia os coronéis

Espetáculo leva ao palco a sonoridade da cantoria de viola do Nordeste brasileiro. Foto: Allan Oliveira

Espetáculo leva ao palco a sonoridade da cantoria de viola do Nordeste brasileiro. Foto: Allan Oliveira

A Ópera do Sol – Uma Odisséia Nordestina no Sertão Pernambucano – Ópera-repente, do dramaturgo Adriano Marcena, é um projeto ambicioso. Desde que foi publicado em livro, há quase 20 anos (Prefeitura da Cidade do Recife, Conselho Municipal de Cultura,1998). Escrito em mais de 18 gêneros ou modalidades da cantoria de viola, o famoso repente do Nordeste brasileiro, o texto prevê a condenação dos poderosos que tentaram ludibriar São José e a população pobre de agricultores do Sertão pernambucano. A peça chega à cena em adaptação do diretor Carlos Carvalho e estreia nesta sexta-feira (21/07), às 20h, no Teatro Apolo.

A temática envereda por assuntos irresolvíveis e que deixa esse Brasil bem fraturado: concentração latifundiária, violência e injustiças sociais. A trama é baseada em história já explorada por muitos artistas populares.

Para garantir uma boa safra, os donos da terra fazem um acordo com São José. O santo promete mandar chuva em abundância, mas em contrapartida, os poderosos devem dividir o excedente do plantio com a população. Os latifundiários viram as costas para o povo e para São José. O castigo divino chega com uma prolongada seca.

Os coronéis do lugar ameaçam os interlocutores do santo, tentam o suborno para evitar que o Sol chegue em toda sua fúria. Mas não há dinheiro que vença as forças da natureza. E os mandatários tentam se vingar de todo jeito e as mulheres são vítimas de violência. O povo se apega à religiosidade para enfrentar os desmandos políticos, econômicos e socioculturais.

No elenco dessa peleja nordestina estão os atores Beto Nery, Douglas Duan, Hermínia Célia Regina Rodrigues, Katyuscia, Miguel Taveira, Thalita Gadêlha, Eduardo Japiassú e Angelis Nardeli Brito.

Serviço:
A Ópera do Sol
Estreia:21/07/2017 (sexta-feira), às 20h
Temporada:sexta-feira a domingo (até 30/07/2017), sempre às 20h
Local:Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife)
Ingressos:R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia)
Classificação:12 anos

Elenco:
Beto Nery,
Douglas Duan,
Hermínia Mendes,
Célia Regina Rodrigues,
Katyuscia,
Miguel Taveira,
Thalita Gadêlha,
Eduardo Japiassú,
Angelis Nardeli,
Brito,

Texto: Adriano Marcena
Diretor: Carlos Carvalho
Assistente de Direção: Taveira Junior
Diretor Musical: Sandi Maia
Assistente de Direção Musical: Pita Cavalcanti
Gerência de Produção: Galharufas Produções (Taveira Belo Ltda.)
Produção Executiva: Taveira Junior
1º Assistente de Produção: José Antonio Taveira Belo
2º Assistente de Produção: Thalita Gadêlha
Preparador e Arranjador Vocal: Douglas Duan
Preparador Corporal: Raimundo Branco
Administração/ Elaboração do Projeto de Montagem: José Antonio Taveira Belo
Pesquisa Musical: Sandi Maia
Músicas: Adriano Marcena
Arranjos Musicais: Sandi Maia e Pita Cavalcanti
Músicos: Júnior Xanfer: Viola de 12 cordas; Samuel Lira: Flauta Transversal;Pedro Santana: Pandeiro e percussão; Pita Cavalcanti: Violão nylon; Sandi Maia: Piano, Violão nylon e Regência.
Plano de Iluminação: Jathyles Miranda
Figurinos e Adereços: Marcondes Lima
Cenários: Cláudio Lira
Gravuras: Carlos Carvalho
Assessoria de Imprensa: Gianfrancesco Mello
Programação Visual: Cláudio Lira
Execução de Iluminação: Jathyles Miranda
Gravação da Trilha Incidental – Coro e Vozes: Estúdio Via Brasil
Engenheiro de Som: Stephan Hitzelberqer
Execução de Sonoplastia: Danilo Augusto
Plano de Maquiagem: Carlos Carvalho
Execução de Figurinos: Maria Lima
Execução de iluminação: Jathyles Miranda
Execução de Sonoplastia: André Almeida
Execução de Cenários: Coletivo Caverna, Charles de Lima, Evandro de Mesquita eLuiz Manuel
Camareira: Beta Galdino
Contrarregra: Gaguinho
 

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