Cena segue aquecida no Recife
Rolês teatrais

Festival de Circo encerra programação com atrações de espetáculos como Fragmentos

 Pernambucano Armando Babaioff  retorna ao Recife com seu sucesso Tom na Fazenda.

O Festival de Circo do Brasil chega ao fim de semana com suas últimas apresentações, mas ainda dá para ver cinco espetáculos até domingo. O ator pernambucano Armando Babaioff retorna para apresentar Tom na Fazenda, espetáculo que o consagrou mundialmente .

Duas iniciativas revelam a força da representatividade negra nas artes: o lançamento do livro Maria Preta, de Samuel Santos, que estreia como escritor com leituras dramatizadas, dialoga diretamente com a circulação do espetáculo Ubuntu ou o título mais longoEu conto, tu contas, nós contamos: Ubuntu, uma linda aventura na floresta afrobrasilândia pelas escolas públicas de Pernambuco. 

Os jovens inquietos do grupo ATO continuam sua função de despertar interesse pelo teatro clássico, propondo mais uma leitura dramatizada que combina vinho com literatura. A iniciativa, que vem arregimentando uma nova geração de espectadores, traz desta vez O Tartufo, de Molière.

Do Agreste chega Tempo de Vagalume, um monólogo sensível sobre memórias e identidade LGBTQIAP+.

Copyleft encerra a programação no Parque Apipucos 

Sarayvara apresenta no Teatro Hermilo Borba Filho o universo único de Poema Mühlenberg,

O último fim de semana do Festival de Circo do Brasil oferece um caleidoscópio de propostas que revelam a diversidade das artes circenses contemporâneas. Sarayvara leva para o Teatro Hermilo Borba Filho o universo único de Poema Mühlenberg, artista que cultiva seu próprio bambuzal e transforma cada colheita em instrumento cênico. Durante 21 anos de pesquisa, ela desenvolveu uma linguagem onde balaios carregados de encantos revelam bambus que serpenteiam pelo espaço, tornando-se manto que instaura momentos mágicos entre brincadeiras e ritual ancestral.

No Teatro Apolo, Fragmentos conduz o público a um território perturbador onde o grupo La Víspera explora a fragmentação como resposta à dor insuportável. Quando o sofrimento se torna intolerável, a mente se divide – e os artistas espanhóis e franceses transformam essa premissa em thriller circense que une marionetes, próteses e máscaras numa investigação mordaz sobre deformação física e mental.

Le Bruit des Pierres transforma o Teatro de Santa Isabel em laboratório de ganância, onde duas mulheres encarnam a obsessão ocidental pelo ouro de formas distintas. Uma cobre compulsivamente pedras com folhas douradas em gestos rituais, enquanto a outra descobre que algumas são comestíveis e as devora freneticamente até a overdose, empanturrando-se de pedras preciosas enquanto o ouro escorre de sua boca.

Juventud estreia no Teatro do Parque como manifesto em movimento perpétuo, onde cinco intérpretes criam dinâmica coletiva sem anular individualidades. O espetáculo da Cie NDE francesa funciona como espiral de energia crescente, combinando malabarismo, movimento, som, luz e vídeo numa celebração da vida que tem a juventude como ponto de partida e o futuro como horizonte.

Copyleft encerra a programação no Parque Apipucos através de 45 minutos de pura energia, mesclando precisão técnica com humor e referências esportivas. O dream team formado por artistas do Uruguai, Brasil, Argentina, Espanha e França demonstra como o malabarismo pode ocupar qualquer espaço, adaptando-se a terrenos diversos sem perder potência artística.

Babaioff enfrenta a Fazenda do preconceito. Foto: Jorge Etecheber / Divulgação

Tom na Fazenda retorna ao Recife com o prestígio do sucesso em festivais internacionais. Armando Babaioff defende o papel do publicitário que chega a uma fazenda para o funeral do companheiro, descobrindo que sua sogra jamais soube de sua existência ou da sexualidade do filho falecido.

A trama de Michel Marc Bouchard se desenrola através de mentiras orquestradas pelo irmão truculento do morto, criando relações de dependência complexa num ambiente onde quanto mais os personagens se aproximam, maior se torna a sombra de suas contradições. O elenco formado por Babaioff, Denise Del Vecchio, Iano Salomão e Camila Nhary, sob direção de Rodrigo Portella, constrói essa atmosfera claustrofóbica onde cada revelação aprofunda os conflitos familiares.

Para Babaioff, a obra funciona como ato de resistência duplo: pela longevidade excepcional no teatro brasileiro e pela urgência de sua discussão sobre homofobia familiar.

Samuel Santos e Grupo O Postinho

A literatura periférica ganha voz através de Samuel Santos, que transforma sua primeira obra em manifesto de representatividade negra. Maria Preta narra a jornada de uma menina de sete anos que, durante uma parada cardíaca causada por sopro no coração, realiza seu maior desejo: entrar no próprio corpo para conhecer como funciona por dentro.

No interior, Maria descobre um circo completo onde cada órgão ganha personalidade única: os rins vivem chateados por serem chamados de “ruinzinhos”, os intestinos se transformam nos Zindunga inspirados na cultura angolana, o estômago vira cozinheiro bufão que sofre mas não perde o humor, as amígdalas se tornam cantoras equilibristas histriônicas, e o fígado assume o papel de mágico apresentador carismático.

A obra será apresentada através de leituras dramatizadas pelo Núcleo O Postinho, com direção do próprio Samuel Santos e elenco formado por Cecília Chá, Larissa Lira, Sthe Vieira e Thallis Ítalo, que dão vida aos personagens através de encenação que mescla voz, corpo, música e ancestralidade.

Já o Grupo São Gens de Teatro leva Ubuntu às escolas do interior, resultado de sete anos de pesquisa inspirada no antropólogo Raul Lody. A narrativa acompanha duas flores pretas que questionam sua ausência no arco-íris, partindo em jornada pela floresta AfroBrasilândia guiadas pela filosofia Ubuntu – “eu sou porque nós somos” – e pela força dos Orixás.

Ambas as iniciativas compartilham compromisso de confrontar as heranças coloniais através da arte, oferecendo às crianças negras espelhos positivos onde possam se reconhecer e se orgulhar de suas origens e identidades.

Molière Entre Taças e Reflexões

O ATO reinventa a experiência teatral combinando “O Tartufo” com degustação de vinhos, criando ambiente que tem conquistado nova geração de espectadores. A comédia de 1664 permanece assustadoramente atual em sua crítica à hipocrisia moral e religiosa, apresentando o falso devoto que manipula uma família através de aparente religiosidade.

Molière criou em Tartufo um arquétipo que encontra ecos em diferentes épocas: o impostor que usa máscaras sociais para sustentar poder e satisfazer desejos. A leitura dirigida por Raíza Rameh conta com elenco formado por ela própria, Nilo Pedrosa, Vitória Vasconcelos, Lara Mano, Guta Menelau, David Péricles, Kennyo Severa, Lucas Carvalho, Inês Maia e Cardo Ferraz, privilegiando a intimidade e o diálogo que permite ao público vivenciar a obra de forma participativa.

A iniciativa funciona como ponte geracional, aproximando jovens de textos clássicos através de formato descontraído que valoriza tanto o patrimônio dramatúrgico quanto a criação coletiva, mantendo viva a tradição dos encontros culturais que alimentam o debate e a reflexão.

Joesile Cordeiro, de Garanhuns, em Tempo de Vagalume. Foto: Ivana Moura

Tempo de Vagalume apresenta uma “armadilha” criada por Joesile Cordeiro para se aproximar de sua criança interior. O monólogo autobiográfico utiliza o brilho dos vagalumes como fio condutor para reconectar o personagem com memórias de infância, explorando questões LGBTQIAP+ sem se limitar a elas.

O espetáculo, que estreou em Garanhuns em junho de 2024, funciona como experiência teatral sensível onde memórias, movimentos e mutações se entrelaçam em discursos dançantes. O palco se torna território transitado por imagens das vivências do ator, construindo tom performático e poético que convida à reflexão sobre a necessidade de revisitar a criança que fomos.

A peça usa a especificidade da experiência queer para tocar aspectos da formação humana, criando pontes entre passado e presente através da arte.

SERVIÇO 

Maria Preta” – Lançamentos com Leitura Dramatizada
08/11 (sábado), às 16h
Espaço O Poste – Rua do Riachuelo, nº 641, Boa Vista, Recife
Entrada gratuita | Interpretação em Libras

15/11 (sábado), às 18h
Quilombo do Catucá – Rua Ana Alves, nº 443, Viana, Camaragibe
Entrada gratuita | Interpretação em Libras

18/11 (terça-feira), às 15h
Escola Pernambucana de Circo – Av. José Américo de Almeida, nº 05, Macaxeira, Recife
Entrada gratuita | Interpretação em Libras

Ubuntu – Circulação em Escolas Públicas
17/11/2025 – Escola Frei João Pereira de Souza, Itaíba (PE)
18/11/2025 – Escola Cel Manoel De Souza Neto, Manari (PE)
19/11/2025 – Escola José Emílio De Melo, Tupanatinga (PE)
21/11/2025 – Grupo Escolar Dom Carlos Coelho, Jurema (PE)
22/11/2025 – Colégio Municipal Monsenhor José de Anchieta Callou, Caetés (PE)
Entrada gratuita

Tempo de Vagalume
Até 15/11 (sextas e sábados), às 19h
Teatro Arraial Ariano Suassuna, Garanhuns
Entrada gratuita

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça
07/11 (sexta-feira) – 20h
08/11 (sábado) – 20h
09/11 (domingo) – 19h
Ingressos: R$ 70 a R$ 140

ATO – Leitura de “O Tartufo”
08/11 (sábado), às 17h
Galeria Joana D’Arc – Av. Herculano Bandeira, 513, Pina, Recife
Entrada gratuita | Contribuição espontânea

Festival Circo do Brasil – Últimas Apresentações
Sexta-feira, 07/11:
19h – SARAYVARA – Teatro Hermilo Borba Filho – Gratuito (Sympla)
19h30 – FRAGMENTOS – Teatro Apolo – Ingressos: Sympla

Sábado, 08/11:
15h – COPYLEFT – Parque Apipucos – Gratuito
19h30 – FRAGMENTOS – Teatro Apolo – Ingressos: Sympla
20h – LE BRUIT DES PIERRES – Teatro de Santa Isabel – Ingressos: Sympla

Domingo, 09/11:
17h – JUVENTUD – Teatro do Parque – Ingressos: Sympla
18h – LE BRUIT DES PIERRES – Teatro de Santa Isabel – Ingressos: Sympla

Classificações: Livre, 10 anos e 14 anos (conforme espetáculo)

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Lady Tempestade, com Andrea Beltrão
abre Festival Recife do Teatro Nacional
celebrando vozes femininas

Andrea Beltrão em Lady Tempestade. Foto: Nana Moraes / Divulgação

Atriz interpreta a advogada pernambucana Mércia de Albuquerque. Foto: Nana Moraes / Divulgação

2 de abril de 1964. Uma cena de horror se desenrolava pelas ruas do Recife e mudaria para sempre a vida de uma jovem advogada. Gregório Bezerra, comunista histórico e líder das Ligas Camponesas, ferrenho opositor do recém-instalado regime militar, estava sendo arrastado seminu pelo asfalto, amarrado ao para-choque de um jipe. O coronel Darcy Villocq comandava aquela demonstração de brutalidade que seria transmitida pelo Repórter Esso para todo o país – o primeiro caso documentado de tortura política pós-golpe.

Entre os que testemunharam aquela barbárie estava Mércia de Albuquerque, advogada de 30 anos. Aquela imagem ficou cravada em sua retina. Ao chegar em casa, ela comunicou ao marido Octávio uma decisão que mudaria sua vida: defenderia Gregório Bezerra e qualquer pessoa que necessitasse de proteção contra as arbitrariedades do novo regime.

Mais de sessenta anos depois, essa história de coragem chega ao 24º Festival Recife do Teatro Nacional através do espetáculo Lady Tempestade, que abre a programação no dia 20 de novembro no Teatro de Santa Isabel. Andrea Beltrão protagoniza o monólogo sobre a advogada que defendeu mais de 500 presos políticos.

Com texto de Sílvia Gomez e direção de Yara de Novaes, o espetáculo parte dos diários que Mércia escreveu durante os anos mais duros da ditadura. Passado, presente e futuro se embaralham na narrativa, que utiliza uma estrutura “diário dentro do diário”.

Andrea Beltrão interpreta A., mulher que recebe misteriosamente os escritos de Mércia e gradualmente se envolve com aquelas histórias de resistência. A protagonista encara o dilema de se aprofundar ou não naquela realidade, mas acaba mergulhando nas memórias que revelam a busca por justiça e o paradeiro de desaparecidos, ecoando as súplicas de mães desesperadas.

A dramaturgia explora a ideia de que alguém do presente recebe uma convocação do passado, criando um tempo verbal instável que oscila entre passado, presente e futuro. Essa estrutura temporal reflete como o Brasil permanece reincidente no esquecimento de sua própria história. Uma frase se torna leitmotiv da montagem, repetida após trechos dramáticos do diário: “Essas coisas acontecem, aconteceram, acontecerão”. Para materializar esse conceito em cena, a direção de Yara de Novaes constrói uma jornada visual que espelha a própria transformação de Mércia.

O espetáculo inicia em um ambiente doméstico deteriorado – mobiliário gasto, cores apagadas, iluminação que sugere clausura e melancolia. Conforme a narrativa avança e o passado invade o presente, essa cenografia se reinventa: sons de violência cedem lugar a celebração, a decadência visual dá espaço à luminosidade, e o palco se torna território de resistência e esperança.

Complementando essa atmosfera de encontro entre tempos, a presença de Chico Beltrão, filho de Andrea, adiciona uma camada geracional ao espetáculo. Responsável pela trilha sonora e por momentos pontuais de diálogo, sua participação surgiu de uma proposta da diretora. Embora Andrea inicialmente tenha hesitado em envolver o filho – produtor musical, não ator – no projeto teatral, Yara identificou que essa configuração familiar ampliaria o impacto emocional da montagem. 

Lady Tempestade consolidou-se como um dos maiores sucessos teatrais contemporâneos e já circulou por várias cidades brasileiras. Desde sua estreia em 2024, a montagem realizou cerca de 150 apresentações e ultrapassou a marca dos 70 mil espectadores, registrando sessões esgotadas e repercussão positiva na imprensa.

O alcance da obra expandiu-se além dos palcos. A dramaturgia foi publicada pela Editora Cobogó em 2024, enquanto uma versão cinematográfica, dirigida por Maurício Farias, já teve suas filmagens concluídas em janeiro e fevereiro de 2025. O filme conta com direção de fotografia de Chico Rufino, direção de arte de Luciane Nicolino, desenho de som de Arthur Ferreira, participação de Chico Beltrão e produção da Taba Filmes, Boa Vida e Quintal Produções.

Festival conecta vozes femininas através dos séculos

Augusta Ferraz no ensaio Sobre os Ombros de Bárbara. Foto: Reprodução do Instagram

O tema “Vozes Femininas – Histórias que Ressoam” conecta diferentes épocas e contextos. Ao longo da programação – ainda sendo ultimada pela organização, com contratos em finalização e sem divulgação oficial da prefeitura – o público encontra desde Mércia Albuquerque, que enfrentou a ditadura no século XX (Lady Tempestade, na abertura dia 20), até Bárbara de Alencar, que desafiou o império no século XIX (apresentações agendadas para os dias 29 e 30), passando por outras montagens que abordam as lutas das mulheres contemporâneas. Essas histórias revelam como a resistência feminina se reinventa em cada período, mantendo sua força através dos tempos.

Primeira presa política brasileira e protagonista da Revolução Pernambucana de 1817 e da Confederação do Equador de 1824, Bárbara de Alencar (1760-1832) ganha vida através da interpretação de Augusta Ferraz. Sobre os Ombros de Bárbara, com dramaturgia de Brisa Rodrigues da própria Augusta, sob direção de José Manoel Sobrinho, explora as contradições de uma mulher republicana durante a monarquia.

Nascida em Exu, Bárbara quase custou a vida da mãe no parto. Aos 22 anos, casou-se e mudou-se para o Crato, onde teve cinco filhos – dois estudaram no Seminário de Olinda, epicentro do liberalismo europeu entre as elites. Organizou células revolucionárias em sua residência, articulando movimentos que desafiaram o poder imperial.

Posteriormente presa, foi transportada a pé por 600 quilômetros até Fortaleza, permaneceu três anos em calabouços, liderou um segundo levante, perdeu dois filhos nas revoltas e morreu aos 72 anos sem testemunhar a proclamação da República. Augusta Ferraz, da série Guerreiros do Sol, dá vida a essa escravocrata em crise, apresentando um corpo violentado e uma resistência ao arbítrio.

Laboratório Franco-Brasileiro

Trabalho desenvolvido pela companhia francesa ktha em Seul. Foto: Reprodução

A companhia francesa ktha chega ao Recife para desenvolver  a peça A Gente Quer com artistas locais, dentro da programação do Ano Cultural Brasil-França 2025. O grupo não carrega espetáculos prontos; ele criou uma metodologia de criação teatral que se concretiza diferentemente em cada cidade, ocupando espaços urbanos alternativos como contêineres, carrocerias de caminhões, telhados, túneis, estacionamentos, etc.

Em agosto, na Casa do Povo, no bairro do Bom Retiro em São Paulo, durante o festival ERUV, seis artistas brasileiros participaram de residência de duas semanas para criar as versões brasileiras de A Gente Quer e Tu Es Là / Você está Aqui. As apresentações lotaram o espaço, validando a potência dessa metodologia aplicada ao contexto brasileiro.

Para Recife, após analisar mais de 100 cartas de intenção, a companhia selecionou 10 artistas locais: Lucas Vinícius, Catarina Almanova, Ludmila Lopes, Anna Batista, Ana Luiza DAccioli, Rodrigo Hermínio, Maria Pepe, Guara Rios, Bruna Luiza Barros e Caru dos Santos. Durante 10 ensaios, eles vão construir uma versão que dialogue com as particularidades pernambucanas.

Desde 2021, essa metodologia se realizou em mais de 15 cidades do mundo, gerando espetáculos únicos. A dramaturgia funciona como uma matriz: uma extensa lista de desejos e reivindicações que ganha forma específica através do trabalho com performers locais, criando rituais coletivos de partilha de anseios urbanos.

Festival Recife do Teatro Nacional 2025
📅 20 a 30 de Novembro de 2025
🎭 Abertura: 20 de novembro – Lady Tempestade
📍 Teatro de Santa Isabel e outros espaços
🎫 Programação gratuita
Homenageadas: Auricéia Fraga e Augusta Ferraz

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Rolês teatrais no Recife, minha cidade

A Risita do Coletivo Fuscirco transforma Fusca Azul 1974 em circo ambulante

Espetáculo Fragmentos de La Víspera (Espanha-França) 

A 19ª edição do Festival de Circo do Brasil estabelece Recife como território de experimentação artística transdisciplinar entre 1º e 9 de novembro, coincidindo com temporadas nacionais e criações locais que consolidam a cidade como polo de renovação cênica. Sob o eixo curatorial Aldeia de Tous (Aldeia de Todos), inspirado no pensamento do ambientalista e filósofo Ailton Krenak, o festival entrelaça sustentabilidade e democracia no picadeiro, expandindo fronteiras entre circo, dança, teatro e performance.

Esta edição marca intercâmbio inédito com a França através da parceria entre Luni Produções e La Grainerie, contemplada pela Temporada Cruzada Brasil-França 2025, levando espetáculos, oficinas, residências e gastronomia brasileira ao país francês. Com apoio da Funarte, Ministério da Cultura, Instituto Guimarães Rosa, Institut Français e governos estadual e municipal, o projeto reafirma Recife como centro irradiador de criação contemporânea.

Companhias de cinco países ocupam espaços públicos e teatros da cidade com ingressos democráticos de R$ 10 a R$ 50 para espetáculos pagos, enquanto extensa programação gratuita democratiza acesso através do Parque Santana, Teatro Apolo, Parque Apipucos e outros territórios urbanos. Paralelamente, produções nacionais como Raul Seixas, O Musical, Tom na Fazenda e criações locais como Tempo de Vagalume investigam identidade, ancestralidade e resistência.

Circo é uma Aldeia de Tous

Auro Duo, número em lira acrobática interpretado por Jéssica Moura e Fernanda Victor. Foto Divulgação

A Mostra PE celebra diversidade regional através de seis criações que ocupam o Parque Santana nos dias 1º e 2 de novembro a partir das 12h, com entrada franca. Aura Duo, interpretado por Jéssica Moura e Fernanda Victor, desenvolve lira acrobática baseada em confiança e sincronia, onde cada gesto constrói onda de energia conectiva. Águia de Cuia pela Família Malanarquista celebra malabarismo de rua forjado nos semáforos recifenses, adaptando-se a qualquer espaço com humor e improviso.

Balanceiro transforma Paiace Brotin em equilibrista de mundos através de três bambolês, reconstruindo universos após cada queda com coragem e entusiasmo bambolístico. Escada Sem Limites eleva Xixa Morales a 4,5 metros de altura numa das maiores estruturas de equilíbrio do Brasil, combinando mortais, giros e adrenalina. Eclipse: Dança dos Astros materializa pesquisa de Jimmy Sá realizada na Escola Nacional de Circo Luiz Olimecha, criando analogia astronômica onde artista representa o Sol e lira acrobática personifica a Lua em dança aérea contemplativa.

O Jogo de Tênis completa a mostra através da perambulação do Palhaço Geleia, que transforma busca por parceiros de jogo em convite ao encantamento coletivo.

How Much We Carry? do Cirque Immersif

Copyleft da Cie. NDE reúne dream team internacional no sábado 8 de novembro às 15h no Parque Apipucos: Juan Duarte Mateos (Uruguai), Lucas Castelo Branco (Brasil), Nahuel Desanto (Argentina), Gonzalo Fernandez Rodriguez (Espanha) e Walid El Yafi (França). Sob direção de Nicanor de Elia, o turbilhão de 45 minutos junta malabarismo, dança e humor com referências esportivas, utilizando trilha de Giovanni di Domenico (Itália) para criar espetáculo adaptável a espaços públicos diversos.

How Much We Carry? do Cirque Immersif propõe reflexão poética sobre o verbo “carry” através de percha gigante em desequilíbrio. O espetáculo itinerante sem diálogos transita pelo Parque Santana (1º e 2 de novembro), Alto da Sé em Olinda (7 de novembro às 16h30), Oficina Francisco Brennand (8 de novembro às 15h) e Praça do Arsenal no Recife Antigo (9 de novembro às 16h), transformando travessia urbana em homenagem às caminhadas humanas.

Hyperboles da Cie. SCoM investiga interseções entre skate e acrobacia no Parque Santana durante 1º e 2 de novembro, questionando lugar das mulheres em práticas historicamente masculinas. Reunindo artistas circenses e skatistas de diferentes culturas, o projeto transforma espaço urbano através de perspectiva feminina.

O Vazio É Cheio de Coisa Foto: Diego Bresani / Divulgação

Sarayvara celebra 21 anos de investigação da Cia Nós No Bambu na sexta-feira 7 de novembro às 19h no Teatro Hermilo. Poema Mühlenberg desenvolve dramaturgia corporal que transita entre circo, dança e teatro através do encontro simbiótico com bambu. Artista e artesã, ela cuida do bambuzal, colhe, trata e constrói instrumentos, materializando mensagem ecológica urgente sobre reconexão com natureza.

O Vazio É Cheio de Coisa sintetiza quinze anos de pesquisa arte-corpo-bambu na quinta-feira 6 de novembro às 20h no Teatro de Santa Isabel. Primeiro solo de Poema Mühlenberg constitui dança acrobática minimalista onde corpo humano e bambu oco desdobram dramaturgia de imagens emergentes da relação sensível entre humano e vegetal.

Vermelho, Branco e Preto traz Cibele Mateus de São Paulo nas quartas 5 e quinta 6 de novembro às 19h30 no Teatro Apolo. A multiartista dá vida à figura cômica “Mateu” do Cavalo Marinho pernambucano, entrelaçando narrativas caboclas (vermelho), críticas coloniais (branco) e máscara preta (negrume) numa brincadeira-manifesto que celebra alegria como tecnologia de reexistência.

Juventud da Cie NDE

Nove Tentativas de Não Sucumbir da Cia Devir transforma trapézio em metáfora sobre reconhecimento e resistência na sexta-feira 31 de outubro e sábado 1º de novembro às 19h no Teatro Apolo. Dirigido por Jean Michel Guy, João Lucas Cavalcanti e Vitor Lima investigam força do tentar através de técnica, vulnerabilidade e humor, com sessão do sábado oferecendo acessibilidade em Libras.

Juventud da Cie NDE funde dança e malabarismo no domingo 9 de novembro às 17h no Teatro do Parque. Sobre palco branco emoldurado em preto, cinco intérpretes constroem manifestação em movimento onde beleza emerge da complexidade coletiva, utilizando som, luz e vídeo para celebrar juventude como horizonte futuro.

Fragmentos de La Víspera (Espanha-França) divide corpo com humor nas sextas 7 e sábado 8 de novembro às 19h30 no Teatro Apolo. Vinka Delgado, Diego Hernando e Guille Leoni exploram distorções corporais através de máscaras, marionetes e experimentações luminosas, transformando dor em thriller circense sobre fragmentação como alívio paradoxal.

Le Bruit des Pierres do Collectif Maison Courbe entrelaça circo coreográfico, artes visuais e teatro físico no sábado 8 de novembro às 20h e domingo 9 às 18h no Teatro de Santa Isabel. Nina Harper e Domitille Martin personificam ganância ocidental pelo ouro através de ritual onde uma cobre pedras com folhas douradas enquanto outra as devora compulsivamente, criando reflexão sobre relação predatória com ambiente.

A tradição circense é celebrada no espetáculo Esparrama Circo

Esparrama Circo do Grupo Esparrama paulista homenageia tradição circense no Parque Santana durante 1º e 2 de novembro. Os palhaços convidam público a protagonizar cena, despertando memórias afetivas ligadas ao riso e convivência coletiva, celebrando circo como patrimônio cultural e teatro de rua como espaço de encontro.

A Risita do Coletivo Fuscirco transforma Fusca Azul 1974 em circo ambulante no Parque Santana (1º e 2 de novembro), Compaz Ariano Suassuna (segunda 3 de novembro às 15h) e Vera Cruz/Aldeia em Camaragibe (terça 4 de novembro às 16h). Rupi e Pitchula extraem música, malabares, equilibrismo e humor cearense do veículo que serve como transporte, lar e picadeiro móvel.

Hospital Agamenon Magalhães recebe sessão fechada do Palhaço Geleira através da Mostra PE. A performance varieté revela múltiplas facetas circenses.

Espetáculos nacionais em circulação

Bruce Gomlevsky como Raul Seixas. Foto: Dalton Valerio / Divulgação

Tom na Fazenda, com Armando Babaioff, Soraya Ravenle, Gustavo Rodrigues e Camila Nhary

Raul Seixas, O Musical desembarca no sábado 1º de novembro às 21h no Teatro RioMar com ingressos a partir de R$ 65. Bruce Gomlevsky, laureado com Prêmio Fita 2024, conduz 70 minutos através de noite insone onde Raul revisita trajetória via 21 canções emblemáticas. Entre Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás, Maluco Beleza, Tente Outra Vez e Gita, a produção mergulha nos bastidores da mente inquieta, resgatando essência da Sociedade Alternativa onde liberdade e autenticidade são valores fundamentais.

Tom na Fazenda estabelece residência no Teatro Luiz Mendonça entre 7, 8 e 9 de novembro (sexta e sábado às 20h, domingo às 19h) após aclamada turnê europeia incluindo temporada parisiense e Festival de Edimburgo. Armando Babaioff, Soraya Ravenle, Gustavo Rodrigues e Camila Nhary interpretam adaptação de Michel Marc Bouchard dirigida por Rodrigo Portella, acompanhando Tom em funeral do companheiro onde enfrenta mãe que desconhece orientação sexual e irmão violento que exige silêncio, transformando mentira em condição de sobrevivência.

We call it Ballet – A Bela Adormecida combina balé clássico com tecnologia LED no domingo 2 de novembro às 16h no Teatro RioMar, com ingressos de R$ 80 a R$ 160. Bailarinos utilizam figurinos com luzes integradas para coreografias luminosas que projetam cores pelo palco, modernizando conto da princesa amaldiçoada através de piruetas e saltos interativos com tecnologia incorporada aos trajes. Próxima apresentação confirmada para 18 de janeiro de 2026.

Gongada Drag na sessão recifense homenagea Salário Mínimo. Foto: Adelino Cruz / Divulgação

The Jury Experience — Morte pela IA: Quem Paga o Preço? transforma audiência em júri de julgamento no domingo 2 de novembro às 19h30 no Teatro RioMar. Durante 75 minutos, espectadores analisam depoimentos, examinam provas forenses e decidem veredito via celular sobre responsabilidade em acidente causado por carro autônomo. A experiência questiona limites entre criador, proprietário e tecnologia em decisões vitais, oferecendo ingressos de R$ 60 a R$ 280.

Gongada Drag chega na quinta-feira 6 de novembro às 21h no Teatro RioMar com ingressos a partir de R$ 45. Bruno Motta conduz 120 minutos reunindo queens de LOL Brasil, Caravana das Drags, Queens of The Universe e Drag Race, homenageando Salário Mínimo, histórica humorista pernambucana fundamental na construção da arte drag nacional. Hellena Malditta, Suzy Brasil, Sayuri Heiwa, Vagiene Cokeluche, Magally Mel e Luciano Rundrox como Pastor Ubirajara celebram diversidade enquanto honram tradições carnavalescas locais.

Tempo de Vagalume, com Joesile Cordeiro. Foto: Divulgação

Negaça integra programação do Espaço O Poste na sexta-feira 31 de outubro às 19h com ingressos de R$ 30/15. Urubatan Miranda desenvolve solo autobiográfico reconstruindo história pessoal através do terreiro de Umbanda Tenda Espírita Pai Jacob em Campos dos Goytacazes-RJ. Utilizando registros fotográficos, vídeos, cantigas e rezas, o artista constrói dramaturgia corporal incorporando movimentação de Exú, estruturando cena como camarinha de iniciações entre focos, sons e cânticos ancestrais.

Tempo de Vagalume marca retomada teatral do Agreste através de temporada gratuita no Teatro Arraial Ariano Suassuna de 31 de outubro a 15 de novembro (sextas e sábados às 19h). Joesile Cordeiro apresenta monólogo autobiográfico sobre percepção LGBTQIAP+ dirigido por André Chaves com dramaturgia de Bruno Alves, utilizando simbologia dos vagalumes para reencontro com memórias de infância e interação com público.

Simbiose – Um Novo Ciclo da Ardedança questiona padrões estéticos no sábado 1º de novembro às 19h30 no Teatro Barreto Júnior (ingressos R$ 60/30). Inspirado na espiral da vida representando movimento e transformação, o espetáculo investiga relação entre dança e psicanálise: “Esperam que eu dance bonito. Mas o bonito que esperam não me cabe. O padrão me aperta, me sufoca, me silencia. Eu desmonto e reinvento meu próprio passo.”

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos. Foto: Vilmar Carvalho

Minha História Sou Eu celebra 40 anos de carreira de Geraldo Maia na sexta-feira 31 de outubro às 19h30 no Teatro Capiba (ingressos R$ 30/15). O “essencialmente artista da voz” recebe Carvalho Tomaz e trio formado por Renato Bandeira, Lieve Ferreira e Gilberto Bala, para interpretar composições como O Tempo Atravessa o Homem, Não me Venhas, De Navegar e Minha História Sou Eu, transitando entre fado com zabumba, baião e preces a Padre Cícero.

Frankenstein do Coletivo Gompa desenvolve linguagem híbrida na CAIXA Cultural através de versão adulta (sexta 31 de outubro e sábado 1º de novembro às 20h, ingressos R$ 30/15). Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti revisitam Mary Shelley tecendo paralelos entre corpo feminino e Amazônia, com trilha de Álvaro Rosa Costa criando “dissonância Frankenstein” através de samples e improvisações ao vivo.

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos adapta a obra para crianças no sábado 1º de novembro às 17h na CAIXA Cultural (ingressos R$ 30/15). Misturando narração, teatro, dança e artes visuais, a versão desperta imaginário criativo através de Victor Frankenstein que aprende sobre aceitação das diferenças quando Criatura não corresponde ao planejado.

Chapeuzinho de Neve Adormecida. Foto: Romeu Santos / Divulgação

Chapeuzinho de Neve Adormecida embaralha referências clássicas no sábado 1º de novembro às 16h30 no Teatro Luiz Mendonça (ingressos R$ 50 a R$ 100). O musical mistura Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve e A Bela Adormecida, criando narrativa onde personagens se encontram e desencontram, gerando situações educativas sobre identidade e diferenças.

A Princesa dos Mares – O Musical, também da Helena Siqueira Produções propõe programação familiar no domingo 2 de novembro às 16h30 no Teatro Luiz Mendonça (ingressos R$ 50 a R$ 100). Combinando aventura marítima com mensagem ambiental, o musical acompanha protagonista salvando oceanos através de criaturas marinhas que ensinam preservação via canções e coreografias aquáticas.

SERVIÇO

SEXTA-FEIRA, 31 DE OUTUBRO

Negaça – Urubatan Miranda
Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
Horário: 19h | Ingressos: R$ 30/15

Nove Tentativas de Não Sucumbir (Festival de Circo)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Minha História Sou Eu – Geraldo Maia
Local: Teatro Capiba | Horário: 19h30 | Ingressos: R$ 30/15

Frankenstein – Coletivo Gompa
Local: CAIXA Cultural | Horário: 20h | Ingressos: R$ 30/15

Tempo de Vagalume
Local: Teatro Arraial Ariano Suassuna | Horário: 19h | Gratuito

SÁBADO, 1º DE NOVEMBRO

Raul Seixas, O Musical – Bruce Gomlevsky
Local: Teatro RioMar | Horário: 21h | Ingressos: a partir de R$ 65

We call it Ballet – A Bela Adormecida
Local: Teatro RioMar | Horário: 16h | Ingressos: R$ 80 a R$ 160

Simbiose – Um Novo Ciclo – Ardedança
Local: Teatro Barreto Júnior | Horário: 19h30 | Ingressos: R$ 60/30

Chapeuzinho de Neve Adormecida
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 16h30 | Ingressos: R50aR 100

Frankinh@: Uma História em Pedacinhos
Local: CAIXA Cultural | Horário: 17h | Ingressos: R$ 30/15

Frankenstein 
Local: CAIXA Cultural | Horário: 20h | Ingressos: R$ 30/15

Nove Tentativas de Não Sucumbir (com Libras) (Festival de Circo)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

FESTIVAL DE CIRCO – PARQUE SANTANA (a partir das 10h)

Mostra PE 
Esparrama Circo – Grupo Esparrama (SP)
A Risita – Coletivo Fuscirco (CE)
Hyperboles – Cie. SCoM (França)
How Much We Carry? – Cirque Immersif (França-Brasil) Programação gratuita
Veja + https://www.festivaldecircodobrasil.com.br/2025bra/brasil/brasil-espetaculos/

DOMINGO, 2 DE NOVEMBRO

The Jury Experience
Local: Teatro RioMar | 19h30 | R60aR 280

A Princesa dos Mares – O Musical
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 16h30 | Ingressos: R50aR 100

FESTIVAL DE CIRCO – PARQUE SANTANA
Repetição da programação gratuita

SEGUNDA-FEIRA, 3 DE NOVEMBRO

A Risita | Compaz Ariano Suassuna | 15h | Gratuito

TERÇA-FEIRA, 4 DE NOVEMBRO

A Risita | Vera Cruz/Aldeia – Camaragibe | 16h | Gratuito

QUARTA-FEIRA, 5 DE NOVEMBRO

Vermelho, Branco e Preto (com Libras)
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

QUINTA-FEIRA, 6 DE NOVEMBRO

Gongada Drag
Local: Teatro RioMar | Horário: 21h | Ingressos: a partir de R$ 45

Vermelho, Branco e Preto
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

O Vazio É Cheio de Coisa
Local: Teatro de Santa Isabel | Horário: 20h | Ingressos: R10aR 50

SEXTA-FEIRA, 7 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 20h

Sarayvara
Local: Teatro Hermilo | Horário: 19h | Gratuito via Sympla

Fragmentos
Local: Teatro Apolo | Horário: 19h30 | Ingressos: R10aR 50

How Much We Carry? | Alto da Sé (Olinda) | 16h30 | Gratuito

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

SÁBADO, 8 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 20h

Copyleft | Parque Apipucos | 15h | Gratuito

Fragmentos | Teatro Apolo | 19h30 | R10aR 50

Le Bruit des Pierres | Teatro de Santa Isabel | 20h | R10aR 50

How Much We Carry? | Oficina Francisco Brennand | 15h | Gratuito

Tempo de Vagalume| Teatro Arraial Ariano Suassuna | 19h | Gratuito

DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO

Tom na Fazenda
Local: Teatro Luiz Mendonça | Horário: 19h

Juventud | Teatro do Parque | 17h | R10aR 50

Le Bruit des Pierres | Teatro de Santa Isabel | 18h | R$ 10 a R$ 50

How Much We Carry? | Praça do Arsenal (Recife Antigo) | 16h | Gratuito

TEMPORADAS CONTINUADAS

Tempo de Vagalume | Teatro Arraial Ariano Suassuna
Sextas e sábados, 19h até 15/11 | Gratuito

CONTATOS E INGRESSOS
CAIXA Cultural: (81) 3425-1915
Teatro RioMar: Av. República do Líbano, 251 – Pina
Ingressos Festival de Circo: Sympla
 @festivaldecirco @luniprodutions

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Agenda teatral intensa de outubro pra novembro

Esquecidos por Deus integra campanha Teatro é Ao Vivo 

Espetáculo How Much We Carry? , do Cirque Immersif, na programação do Festival de Circo 

A última semana de outubro no Recife reúne estreias, retomadas e festivais que aceleram o pulso cultural da capital. O relançamento da campanha “Teatro é ao Vivo”, a chegada do Festival de Circo do Brasil e temporadas consolidadas desenham um mapa artístico que vai de experimentações a espetáculos internacionais, passando por celebrações musicais e aventuras infantis.

Teatro é ao Vivo: Memórias, Samba e Trajetórias

O campanha Teatro é ao Vivo. Vá Ver!, da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (APACEPE) prossegue com Esquecidos por Deus, nesta quarta-feira (29), no Teatro Marco Camarotti (Sesc santo Amaro). O ator Murilo Freire dá vida às personagens que Cícero Belmar reuniu em O Livro das Personagens Esquecidas. Sob direção e dramaturgia de José Manoel Sobrinho, o monólogo da produção do LAPA (Laboratório Pernambucano do Atuante) constrói um território poético onde memória, fé e identidade se entrelaçam através de figuras marginais que habitam o imaginário nordestino. Freire conduz uma jornada pelos esquecidos da sociedade, aqueles que Belmar recolheu das margens da história para transformá-los em literatura. O espetáculo aposta na potência narrativa do ator solo, formato que se consolidou como marca registrada do teatro pernambucano contemporâneo.

No Teatro Capiba, também nesta quarta-feira, Gracinha do Samba apresenta A Raiz do Samba com entrada gratuita, celebração que reúne banda de sete músicos: Ralph (violão, coral e voz guia), Rinaldo (cavaco), Miguel (coral, pandeiro e malacacheta), Rafael Galdino (surdo), Nyll (tantanzinho, efeitos e coral), Nego Thon (repique, conga e efeitos) e Augusto (tamborim). Com produção de Pedro Castro, o espetáculo mergulha nas tradições populares enquanto democratiza o acesso cultural.

Fechando a programação na quinta-feira (31), Geraldo Maia apresenta Minha História Sou Eu, celebrando 45 anos de carreira. Com direção musical de Renato Bandeira e acompanhamento de Gilberto Bala (percussão) e Lieve Ferreira (viola), o show traça pontes entre gerações no Teatro Capiba, oferecendo aos mais jovens a chance de conhecer referências fundamentais da música pernambucana.

CAIXA Cultural: Ciência e Criação em Duas Versões

Frankinh@ na Caixa Cultural. Foto Vilmar Carvalho

O Coletivo Gompa sustenta temporada dupla na CAIXA Cultural colocando arte em diálogo direto com ciência e literatura. Frankinh@ reinventa a primeira obra de ficção científica da história através de linguagem híbrida que mescla narração, teatro, dança, artes visuais e trilha sonora original.

A versão infantil busca despertar o imaginário criativo através da história de Victor Frankenstein, jovem esquisito e solitário que decide criar alguém para lhe fazer companhia. Quando a Criatura não sai exatamente como planejado, Victor aprende a lidar com surpresas e transformações, numa fábula sobre aceitação das diferenças e beleza do inesperado. As apresentações acontecem sábados às 17h e domingos às 11h.

A versão adulta Frankenstein revisita Mary Shelley com perspectiva contemporânea, tecendo paralelos entre corpo feminino e Amazônia para explorar pertencimento, violência e identidade. Os bailarinos Fabiane Severo e Alexsander Vidaleti  fazem as vozes de Sandra Dani e Elcio Rossini em encenação que funde narrativa decolonial com experimentação sonora. Álvaro Rosa Costa assina trilha manipulada ao vivo, criando “dissonância Frankenstein” através de samples, ruídos e improvisações. Sessões às 20h de quarta a sábado.

Espaço O Poste: Desconstruindo Masculinidades

Na sexta-feira (31), Urubatan Miranda encerra outubro no Espaço O Poste com Negaça, solo autobiográfico que desarticula estereótipos sobre masculinidade nordestina. O trabalho tece memória pessoal com questões coletivas sobre identidade de gênero e afetividade, questionando imagens cristalizadas do homem sertanejo. Através de humor, poesia e crítica social, Miranda explora sensibilidades que escapam aos padrões heteronormativos, revelando vulnerabilidades e formas de amar que desafiam o machismo estrutural.

Tom na Fazenda testa sobrevivência de homem gay em ambiente hostil

Tom na Fazenda, sucesso de público e crítica no Brasil e exterior

O Teatro Luiz Mendonça recebe nos dias 7, 8 e 9 de novembro Tom na Fazenda, adaptação de Michel Marc Bouchard, com direção Rodrigo Portella e elenco formado por Armando Babaioff, Soraya Ravenle, Gustavo Rodrigues e Camila Nhary, retorna após turnê europeia de cinco meses. Com temporada em Paris, participação no Festival de Edimburgo e mais de 150.000 espectadores em 450 apresentações desde 2017, o espetáculo explora sobrevivência emocional em ambiente rural hostil.

Tom viaja para fazenda no interior para o funeral de seu companheiro, deparando-se com a mãe que desconhece a orientação sexual do filho e o irmão violento que exige silêncio sobre o relacionamento. Na fazenda, mentir torna-se condição de sobrevivência, gerando dramaturgia visceral que funde realismo e expressionismo para abordar homofobia interiorizada e construção de masculinidades tóxicas.

Aventuras Infantis

O programa

Duas produções infantis estão na pauta do Teatro Luiz Mendonça dois musicais neste fim de semana. Chapeuzinho de Neve Adormecida no sábado (1º de novembro) às 16h30 embaralha múltiplos contos clássicos numa confusão divertida, enquanto A Princesa dos Mares – O Musical no domingo (2 de novembro) no mesmo horário navega por jornada épica oceânica com mensagem ambiental.

Festival de Circo

Rupi e Pitchula em A Risita 

O Festival de Circo do Brasil espalha espetáculos entre teatros e espaços públicos, democratizando acesso através de nove apresentações gratuitas. Nove Tentativas de Não Sucumbir (Cia Devir) inaugura na quinta-feira (31) e sábado (1º de novembro) no Teatro Apolo, transformando trapézio em metáfora sobre resistência sob direção de Jean Michel Guy.

Copyleft (Cie. NDE) no dia 8 no Parque Apipucos reúne dream team de cinco países em turbilhão malabarístico: Juan Duarte Mateos (Uruguai), Lucas Castelo Branco (Brasil), Nahuel Desanto (Argentina), Gonzalo Fernandez Rodriguez (Espanha) e Walid El Yafi (França) sob direção de Nicanor de Elia.

A Mostra PE celebra talentos locais: Aura Duo (lira acrobática), Malabares da Família Malanarquista, Balanceiro de Paiace Brotin, Escada Sem Limites de Xixa Morales (4,5 metros) e Eclipse: Dança dos Astros de Jimmy Sá, criando analogia astronômica entre artista e lira.

How Much We Carry? (Cirque Immersif) propõe encontros através de percha gigante em desequilíbrio, explorando múltiplos sentidos do verbo “carry” (carregar/cuidar) em apresentações itinerantes. A Risita (Coletivo Fuscirco) transforma Fusca Azul 1974 em circo completo com humor cearense.

Cia Nós No Bambu apresenta duas sínteses da pesquisa de Poema Mühlenberg: Sarayvara (21 anos de investigação) no dia 7 no Teatro Hermilo e O Vazio É Cheio de Coisa no dia 6 no Teatro Santa Isabel, materializando relação sensível entre humano e vegetal através de dramaturgia corporal onde artista cuida do bambuzal, colhe, trata e constrói instrumentos.

Entre as criações conceituais, Fragmentos (La Víspera) nos dias 6 e 8 no Teatro Apolo constrói thriller circense sobre fragmentação mental, enquanto Vermelho, Branco e Preto (Cibele Mateus) nos dias 5 e 6 ressignifica o Mateu do Cavalo Marinho como brincadeira-manifesto de reexistência, celebrando alegria como tecnologia de resistência.

SERVIÇO

29 DE OUTUBRO (QUARTA-FEIRA)

“Esquecidos por Deus” (Teatro É Ao Vivo)
Local: Teatro Marco Camarotti – Sesc santo Amaro
Intérprete: Murilo Freire
Direção/Dramaturgia: José Manoel Sobrinho
Baseado em: “O Livro das Personagens Esquecidas” de Cícero Belmar
Realização: LAPA

“Gracinha do Samba – A Raiz do Samba” (Teatro É Ao Vivo)
Local: Teatro Capiba
Ingressos: Gratuito
Banda: Ralph, Rinaldo, Miguel, Rafael Galdino, Nyll, Nego Thon, Augusto
Produção: Pedro Castro

“Frankenstein” (Coletivo Gompa)
Horário: 20h
Local: CAIXA Cultural Recife (Av. Alfredo Lisboa, 505)
Ingressos: R$ 30 (inteira) / R$ 15 (meia)
Bailarinos: Fabiane Severo, Alexsander Vidaleti
Classificação: 16 anos

30 DE OUTUBRO (QUINTA-FEIRA)
“Frankenstein”
Horário: 20h / CAIXA Cultural

31 DE OUTUBRO (SEXTA-FEIRA)
“Negaça” (Urubatan Miranda)
Horário: 19h
Local: Espaço O Poste (Rua do Riachuelo, 641, Boa Vista)
Ingressos: R$ 30 (inteira) / R$ 15 (meia)

“Minha História Sou Eu” (Teatro É Ao Vivo)
Intérprete: Geraldo Maia (45 anos de carreira)
Local: Teatro Capiba
Direção Musical: Renato Bandeira
Músicos: Gilberto Bala, Lieve Ferreira
Produção: Pedro Castro

“Frankenstein”
Horário: 20h / CAIXA Cultural
Acessibilidade: Libras

“Nove Tentativas de Não Sucumbir”
Cia: Devir
Direção: Jean Michel Guy
Horário: 19h
Local: Teatro Apolo
Ingressos: Gratuito (Sympla)
Classificação: 14 anos

1º DE NOVEMBRO (SÁBADO)
“Frankinh@”
Horário: 11h
Local: CAIXA Cultural
Classificação: Livre

“Frankenstein”
Horário: 20h / CAIXA Cultural

“Nove Tentativas de Não Sucumbir”
Horário: 19h
Local: Teatro Apolo
Acessibilidade: Libras

PARQUE SANTANA – PROGRAMAÇÃO GRATUITA:

“Esparrama Circo” (público protagonista)
“A Risita” (Fusca Azul + circo cearense)
“Mostra PE” (cinco números locais)
“Hyperboles” (skate + acrobacia feminina)
“How Much We Carry?” (percha gigante)
2 DE NOVEMBRO (DOMINGO)
“Chapeuzinho de Neve Adormecida”
Horário: 16h30
Local: Teatro Luiz Mendonça
Ingressos: R$ 50 a R$ 100

Repetição Parque Santana

2 DE NOVEMBRO (DOMINGO)
“A Princesa dos Mares – O Musical”
Horário: 16h30
Local: Teatro Luiz Mendonça
Ingressos: R$ 50 a R$ 100

7, 8 E 9 DE NOVEMBRO
“Tom na Fazenda”
Adaptação: Michel Marc Bouchard
Horários: Sex/Sáb: 20h | Dom: 19h
Local: Teatro Luiz Mendonça
Pós-turnê: Europa (5 meses), Paris, Edimburgo

INFORMAÇÕES GERAIS
CAIXA Cultural: (81) 3425-1915
Festival de Circo: 9 espetáculos gratuitos, 4 pagos via Sympla
Acessibilidade: Múltiplas sessões com Libras
Teatro É Ao Vivo: Retomada do projeto nacional 2004-2014

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Germaine Acogny
e a urgência da ancestralidade
Crítica: À un endroit du début

Solo autobiográfico e ficcional. Foto: Marcos Pastich/PCR

À un endroit du début. Foto: Thomas Dorn

Quando Germaine Acogny, 81 anos, pisa no palco, ativa-se uma constelação viva de saberes milenares. Seu corpo carrega décadas de criação e reinvenção africanas, capazes de resistir ao projeto colonial de apagamento, guardando gestualidades rituais, cosmogonias e técnicas de movimento que atravessam gerações. Em À un endroit du début (Em algum lugar no início), solo autobiográfico e ficcional apresentado neste domingo (26/10) no Teatro Santa Isabel, no Recife, como encerramento do Festival Internacional de Dança do Recife e do Festival de Teatro do Agreste – Feteag, essa jornada se transforma em investigação cênica que articula dança, narrativa teatral e projeções visuais. A plateia robusta, embora com espaços ainda disponíveis no histórico teatro pernambucano, acompanhou uma das vozes mais essenciais da dança contemporânea mundial em atividade.

A obra tece sobreposições temporais onde memórias pessoais, legados familiares e processos históricos se abraçam. A corporalidade que materializa códigos ancestrais encontra suas raízes numa biografia atravessada por contradições históricas. Filha de um administrador colonial francófono e neta de uma sacerdotisa iorubá, Acogny habita um território híbrido onde novas formas culturais emergem da negociação complexa entre tradição e contemporaneidade. É a partir desse espaço de confluência identitária que sua técnica busca uma articulação criativa entre danças africanas e métodos europeus.

Cada movimento que ela executa concretiza essa arquitetura temporal, materializando conhecimentos herdados através de uma corporalidade específica. Inspirada na divindade-píton do Benim, sua coluna vertebral se transforma na “cobra da vida” – eixo organizador móvel e ondulado que conecta céu e terra, desafiando paradigmas eurocêntricos de movimento. O corpo torna-se cosmos através de metáforas como o peito como “sol”, o bumbum como “lua”, os quadris como “estrelas”. Nessa geografia corporal em constante movimento, energia circula e códigos ancestrais ganham forma no gesto.

O espetáculo inicia-se com Germaine Acogny evocando os escritos inéditos de seu pai, Togoun Servais Acogny, funcionário colonial que documentou sua própria trajetória de “desconstrução” cultural. Estes manuscritos tornam-se matéria-prima para uma investigação sobre os custos subjetivos da assimilação colonial. Em seguida, ela invoca as memórias de sua avó Aloopho, sacerdotisa vodu de quem seria a reencarnação, segundo os moradores da aldeia que gritavam “Iya Tundé! Iya Tundé!” (a mãe voltou!) em seu nascimento.

O espetáculo é rico em imagens, que permitem muitas interpretações. Foto: Marcos Pastich/ PCR

.As mãos de Germaine dançam constantemente, Foto: Marcos Pastich/PCR

A narrativa desenvolve-se de forma não-linear, privilegiando associações emocionais sobre cronologias factuais. Os elementos cenográficos colaboram nessa estratégia: telas de vídeo criam múltiplas temporalidades; um livro, uma almofada e uma poltrona funcionam como âncoras materiais para diferentes momentos. E a dança está em toda parte, de gestos largos aos contidos,  das intensidades à pulsações suaves. As mãos de Germaine dançam constantemente, mesmo quando ela está sentada.

Em colaboração com o diretor Mikaël Serre, ela entrelaça sua história pessoal com elementos da tragédia grega, especialmente evocando Medeia. A princesa da Cólquida que abandona sua terra natal por amor e é posteriormente rejeitada ecoa as experiências de deslocamento e rupturas afetivas que marcam a biografia de Acogny. O espetáculo transforma a coreógrafa numa Medeia contemporânea que, em vez de destruir, reconstrói e transmite conhecimento ancestral através da dança.

A realidade feminina africana aparece como uma das dimensões mais complexas do espetáculo. Quando a bailarina e coreógrafa declara que “o poder é transmitido de mulher para mulher”, mas simultaneamente afirma que “a mulher é a espécie mais miserável do mundo”, ela articula uma contradição profunda que ecoa nas dinâmicas patriarcais globais. Seus gestos carregam corporalmente as violências entrecruzadas – colonial, racial, patriarcal – demonstrando como mulheres negras africanas constroem estratégias de resistência que criticam tanto feminismos que ignoram dimensões raciais quanto movimentos anticoloniais que silenciam pautas de gênero.

Em determinado momento do espetáculo, Acogny rasga a almofada, liberando penas que voam pelo palco. A música de Fabrice Bouillon LaForest percorre o espetáculo.

O clímax emocional acontece quando Acogny, após exprimir sua fúria de Medeia, pronuncia “Papai, eu te perdoo!”. O momento é atravessado pela complexidade das relações familiares entrelaçadas à história colonial.

Sessão encerrou dois festivais no Teatro de Santa Isabel, no Recife. Foto: Marcos Pastich / PCR

À un endroit du début dialoga com debates atuais sobre descolonização e direitos das mulheres. A obra evoca questões complexas como construir identidades que honrem legados sem se aprisionarem neles? Como as mulheres podem ser simultaneamente guardiãs e transformadoras de suas culturas?

A apresentação no Santa Isabel proporcionou um encontro raro com uma pioneira que continua expandindo fronteiras artísticas e políticas. Ao final, aplausos efusivos ecoaram pelo teatro. Germaine Acogny recebeu flores da secretária de cultura do Recife, Milou Megale, e do diretor do Feteag, Fabio Pascoal. À un endroit du début celebra Germaine Acogny como uma voz artística fundamental, materializando em movimento a cartografia afetiva de experiências continentais.

Ficha técnica

Interpretação e Dança: Germaine Acogny
Direção Cênica: Mikaël Serre
Diretor Técnico: Helmut Vogt
Música: Fabrice Bouillon “LaForest”
Operador de vídeo: Nicolás Kretz
Iluminação: Marco Wehrspann

 

Referências Bibliográficas:
BHABHA, Homi K. O Local da Cultura. Tradução de Myriam Ávila, Eliana Lourenço de Lima Reis, Gláucia Renate Gonçalves. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1998. (Publicação original: The Location of Culture, Routledge, 1994).
BRAUDEL, Fernand. História e Ciências Sociais: A Longa Duração. Annales. Économies, Sociétés, Civilisations, 1958.
COLONNA, Vincent. Autofiction & Autres Mythomanies Littéraires. Paris: Tristram, 2004.
DOUBROVSKY, Serge. Fils. Paris: Éditions Galilée, 1977.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira. Revista Ciências Sociais Hoje, ANPOCS, 1984.
HANNA, Thomas. Somatics: Reawakening the Mind’s Control of Movement, Flexibility, and Health. New York: Perseus Books, 1988.
LEPECKI, André. Exaurir a Dança: Performance e a Política do Movimento. São Paulo: Editora Contracampo, 2006.
OLANIYAN, Tejumola. Arrest the Music!: Fela and his Rebel Art and Politics. Bloomington: Indiana University Press, 2004.
OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. The Invention of Women: Making an African Sense of Western Gender Discourses. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1997.
SWANSON, Amy. Codifying African dance: the Germaine Acogny technique and antinomies of postcolonial cultural production. Critical African Studies, 2019.
TAYLOR, Diana. O Arquivo e o Repertório: Performance e Memória Cultural nas Américas. Tradução de Eliana Lourenço de Lima Reis. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2013. (Publicação original: The Archive and o Repertoire: Performing Cultural Memory in the Americas, Duke University Press, 2003).
WYNTER, Sylvia. Unsettling the Coloniality of Being/Power/Truth/Freedom: Towards the Human, After Man, Its Overrepresentation. CR: The New Centennial Review, vol. 3, no. 3, 2003, pp. 257-337.

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