Espaço em obras da Fundaj abriga espetáculo

Atores que fizeram o curso Roteiro para construir EUdifícios, ministrado pela Fundação Joaquim Nabuco, dentro do projeto Arte, Reforma e Revolução, apresentam somente hoje, em duas sessões, às 18h30 e 20h30, uma montagem com o mesmo título do curso. São 20 atores em cena – Adilson de Carvalho, Alexandre Sampaio, Ana Cláudia Wanguestel, Anaterra Veloso, Brunna Raphaela, Edivane Bactista, Gera Monteiro, Gil Paz, Greyce Braga, Hermínia Mendes, Iara Campos, Igor Lopes, Jonata Sena, Jorge Féo, Juliana Montenegro, Júnior Foster, Lu Jordani, Mônica Maria, Natali Assunção e Paulo Lima. De acordo com o diretor e dramaturgo Luiz Felipe Botelho, coordenador do curso, a montagem traz criações de personagens associados à ideia de reforma e revolução.

A peça será apresentada, inclusive, no espaço da reforma do edifício Ulisses Pernambucano (Fundaj do Derby). A disponibilidade do local é de apenas 40 lugares. Por medida de segurança, a produção solicita que o público use sapatos fechados.

Já na próxima segunda-feira (5), o público em geral está convidado para debater a montagem do sábado; os participantes vão trazer para a discussão elementos do próprio curso.

Na segunda feira (05/10 – 15h, no Memorial de Medicina, Derby) acontecerá o debate sobre o curso, abordando as técnicas utilizadas e os resultados apresentados no sábado. O debate será no Memorial de Medicina da UFPE, no Derby, ao lado da Fundaj.

Serviço:
Roteiro para construir EUdifícios
Quando: hoje (3), às 18h30 e 20h30
Onde: Fundaj (Derby)
Quanto: Entrada gratuita. A bilheteria será aberta com uma hora de antecedência.

Roteiro para construir EUdifícios

Roteiro para construir EUdifícios

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Tchekov no palco da Fiandeiros

Manuel Carlos atua no solo O Canto do Cisne, com direção de João Denys. Fotos: Carla Sellan.

Manuel Carlos atua no solo O Canto do Cisne, com direção de João Denys. Fotos: Carla Sellan.

Prazer e dor de estar no palco. Mágoas e alegrias de interpretar muitos papeis. Nostalgia e euforia de uma carreira teatral.  O Canto do Cisne, de Anton Tchekhov (1860-1904), expõe a história de Vassíli Vassílitch Svetlovíd num balanço de seus 78 anos de vida, dos quais 55 dedicados ao ofício de ator. É no teatro que encontra sentido para permanecer vivo. Essa peça do autor russo é uma ode a arte efêmera do teatro e carrega os elementos da poética tchekhoviana:  aprofundamento psicológico da personagem, marcação do sentido de brevidade, a economia dos procedimentos, dilatação do tempo, despojamento de linguagem, ironia e humor.

Na segunda semana da série de performances teatrais do projeto Dramaturgia Clássica, da Cia Fiandeiros de Teatro, o ator Manuel Carlos apresenta solo inspirado em O Canto do Cisne, com direção é de João Denys.  A apresentação ocorre neste sábado e domingo (4), às 19h, no Espaço Cultural Fiandeiros. A entrada é gratuita. E o projeto tem incentivo do Funcultura.

O velho ator Vassíli Vassílitch Svetlovíd, esquecido no camarim e com o teatro fechado, passa a refletir sobre a vida, profissão, a morte e o vazio da existência que a velhice ressalta. Denys adianta que “Manuel Carlos, enquanto ator, é posto em xeque. Ele se enfrenta em cena e não fica claro se ali ele é o personagem ou o ator”. O próprio diretor participa da performance como o ‘maestro ponto’.

O protagonista expõe coração, vísceras, nervos, alma ao reviver grandes personagens da dramaturgia universal revelar suas aspirações e seus desencantos.

O projeto estreou semana passada com três sessões lotadas de “Antígona” (atuação de Daniela Travassos e direção de Luís Reis e Durval Cristovão). Na próxima semana, dias 10 e 11 de outubro, André Filho assume performance de A Tempestade, de William Shakespeare, com direção de Marianne Consentino.

Dani Travassos em Antígona

Daniela Travassos no poema cênico Um Antígona para Lúcia

Duas palavras sobre Antígona

Antígona, de Sófocles, foi desconstruída na primeira performance do projeto Dramaturgia Clássica, semana passada. Supressão de texto, de falas da protagonista, subversão da ordem dos diálogos e da sequência temporal. Sozinha no palco, trajando um elegante figurino escuro (de Manuel Carlos), Daniela Travassos interpretou os principais papeis.

Um gestual mínimo, uma pesquisa sobre o gesto da tragédia clássica, pontuava cada uma das falas de Ismene, Guarda, Tirésias, Eurídice, Hêmon, Creonte, Mensageiro. Ao embaralhar as falas monologantes, a dupla de diretores Luís Reis e Durval Cristovão ressignificou conceitos de autoridade, poder, perdas trágicas e o posicionamento ético de Antígona para a pulsação dos nossos tempos.

Outras falas, as vozes do coro foram assumidas em off por André Filho e Manuel Carlos, os dois outros pilares da Companhia Fiandeiros. A música de cena era tocada por Sandro Júnior.

Uma Antígona para Lúcia celebra uma atriz pernambucana, Lúcia Neuenschwander, que morreu no ano passado. Ela atuou como Antígona numa produção do Teatro Popular do Nordeste – TPN, nos anos 1960. Daniela Travassos falou de um encontro que teve com Lúcia e de um ensinamento da veterana atriz. Ficou emocionada ao lembrar. Jogou para o público aquela energia de cumplicidade. Quem ama o teatro sabe dos sacrifícios. Parecia o subtexto.

Uma interpretação entusiasmada e uma recepção calorosa do público, que lotou as três sessões do espaço. Um haicai cênico delicado essa Uma Antígona para Lúcia. Já sabemos que Luís Reis gosta de subversões e metateatro. Muito bem-vinda a entrada de Durval Cristovão. No mais, foram duas noites naqueles redutos de quem fala a mesma língua e ama essa arte fugidia.

Ficha Técnica de O Canto do Cisne
Autor: Anton Tchekhov
Tradução e Adaptação do Texto: André Filho e João Denys
Direção e Mise-en-scène: João Denys
Atuação: Manuel Carlos
Cenário, Maquiagem e Sonoplastia: João Denys
Cenotecnia: Ernandes Ferreira
Operação de Sonoplastia: Renata Teles
Figurino: Manuel Carlos
Confecção de Figurino: Irani Galdino e Manuel Carlos
Adereços e Boneco: Manuel Carlos
Iluminação (criação e operação): João Guilherme de Paula

Ficha Técnica do Projeto
Concepção e Coordenação Geral: Daniela Travassos
Produção Executiva: Renata Teles e Jefferson Figueirêdo
Realização: Companhia Fiandeiros de Teatro / Espaço Fiandeiros
Incentivo: Funcultura

Serviço:
O Canto do Cisne
Quando: Dias 3 e 4 de outubro, às 19h
Onde: Espaço Cultural Fiandeiros (Rua da Matriz, 46, 1º andar, Boa Vista, Recife)
Informações: (81) 4141-2431
Entrada franca
Capacidade: 60 lugares

O Canto do Cisne

O Canto do Cisne

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Segundo Bazar para Copi

Angu promove segundo encontro para levantar O Homossexual ou a dificuldade de expressar-se

Angu de Teatro promove segundo encontro para levantar O Homossexual ou a dificuldade de expressar-se

A batalha para arrecadar fundos para a encenação O Homossexual ou a dificuldade de expressar-se continua neste sábado. A peça do dramaturgo, performer e artista gráfico franco-argentino Raul Damonte Botana, mais conhecido como Copi (1939-1987) é um dos projetos do Coletivo Angu de Teatro. A primeira edição do Bazar Copi Pop da Madame Garbo ocorreu em junho, na Casa da Encruzilhada, e neste sábado é realizada a segunda edição, das 11 às 20h.

Desta vez as atrações são um pocket show com cantor Gonzaga Leal e participação de Ceronha Pontes. Os DJs Cláude Marmottáge e Marcondes Lima assinam a playlist musical durante o evento. E o bazar disponibiliza novas peças de roupas, sapatos, acessórios, CDs, DVDs.

Serviço
Bazar Copi Pop da Madame Garbo
Quando: Sábado(03/10) das 11h às 20h
Onde: Casa da Encruzilhada (Rua Dr. José de Sá Carneiro, 60, Encruzilhada. Rua da concessionária Renaut Regence)
Entrada gratuita
Informações: 99735.4241

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Um beijo para Wilde

Marco Nanini encabeça elenco de peça de Jô Bilac. Foto: Cabéra

Marco Nanini encabeça elenco de peça de Jô Bilac. Foto: Cabéra

Estava na estreia de Beije Minha Lápide, com Marco Nanini e elenco, no Teatro Ducina, no Rio de Janeiro, no ano passado. Foi lá que avistei pela última vez a crítica teatral Barbara Heliodora. Altiva, como sempre. Um ano depois o espetáculo circula pelo Nordeste com apoio do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura, o que possibilita ingressos a preços populares [R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia)]. Beije Minha Lápide faz duas sessões no Recife, hoje e amanhã, às 20h30, no Teatro RioMar. Os ingressos estão esgotados.

A peça mostra a história de um fã de Oscar Wilde (1854-1900), que quebra a barreira de vidro que isola o túmulo do escritor no cemitério Père Lachaise, em Paris. E é preso por isso. O admirador exaltado (Bala) é interpretado por Nanini. O protagonista está encarcerado em uma cela de vidro. Foi numa prisão que Wilde escreveu De Profundis, que traduz a conturbada relação de amor e ódio que manteve com Lord Alfred Douglas.

Beije Minha Lápide tem texto de Jô Bilac (autor de Cachorro!, Rebu e Cucaracha), que se inspirou nas mudanças de sentimentos e temperatura da criação wildeana, no fato de existir uma proteção real da sepultura do escritor irlandês para controlar os fãs ardorosos, e nos desvaneios do autor quando estava confinado.

A direção é de Bel Garcia e a produção é assinada por Fernando Libonati (Pequena Central). Além de Nanini, estão no elenco Julia Lund (advogada de Bala), Júlia Marini (filha do prisioneiro) e Paulo Verlings (carcereiro).

Serviço

Beije Minha Lápide
Quando: Dia 30 de setembro (quarta) e 1º de outubro (quinta), às 20h30
Onde: Teatro RioMar: 4º piso do RioMar Shopping – Av. República do Líbano, 251, Pina, Recife
Informações: (81) 4003.1212
Ingressos: R$ 25 (inteira) e R$ 12,50 (meia)
À venda na bilheteria do teatro, lojas Reserva dos shoppings Recife e Plaza, Livraria Jaqueira e site Ingresso Rápido.
* Meia-entrada válida para maiores de 60 anos, professores, estudantes e assinantes do Jornal do Commercio. Sócios do Náutico têm 20% de desconto sobre o valor da inteira na bilheteria do teatro.
Classificação: 16 anos
Duração: 80 minutos

FICHA TÉCNICA

Texto: Jô Bilac
Direção: Bel Garcia
Com: Marco Nanini, Julia Lund, Julia Marini, Paulo Verlings
Produzido por Fernando Libonati
Idealização: Marco Nanini e Felipe Hirsch
Figurino: Antônio Guedes
Iluminação: Beto Bruel
Cenografia: Daniela Thomas
Concepção e Direção de Vídeo: Julio Parente e Raquel André
Videografismo: Júlio Parente
Trilha Sonora: Rafael Rocha
Design Gráfico: Felipe Braga
Fotografia: Cabéra
Visagismo: Ricardo Moreno
Visagismo Marco Nanini: Graça Torres
Assistente de Direção: Raquel André
Equipe de Produção:
Coordenação e Gestão de Projetos: Carolina Tavares
Direção de Produção: Leila Maria Moreno
Produção: Pequena Central
Produção Local: Art Rec Produções

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Uma Antígona para Lúcia

Daniele Travassos no solo Uma Antígona para Lúcia. Fotos: Morgana Narjara

Daniela Travassos no solo Uma Antígona para Lúcia. Fotos: Morgana Narjara

As notícias de violação da dignidade da pessoa humana chegam de toda parte do planeta. De perto e de longe. No caminho inverso, da valoração das criaturas, temos Antígona, de Sófocles (± 496 a.C.- ±406 a.C.) a nos apontar caminhos de ética e compaixão, de beleza e desejo levado às últimas consequências. A tragédia composta há mais de 2.500 anos (442 A.C.) expõe a coragem da protagonista em desafiar as ordens do rei Creonte (seu tio) de não sepultar o corpo do irmão Polinices, morto em combate contra o outro irmão Etéocles, pelo trono de Tebas. Os três, além da frágil e temerosa Ismene, são filhos de Édipo e Jocasta. Antígona faz parte da trilogia tebana, composta também por Édipo Rei e Édipo em Colono.

Creonte reserva honras para Etéocles e planeja que os abutres e cães consumam o corpo de Polinices insepulto, julgado pelo tirano como traidor da pátria. Essa punição contrariava os costumes. A altiva Antígona não aceita e resolve cumprir as exéquias e sepultar o irmão, mesmo arriscando a própria vida por essa causa.

Segundo Jacques Lacan “O bem não poderá reinar sobre tudo sem que apareça um excesso, de cujas consequências fatais nos adverte a tragédia”. A posição de Creonte, de acordo com o psicanalista está calcando em razões de um tirano equivocado. “Tuas ordens não têm o poder de superar as leis dos deuses (pois és mortal)”, desafia Antígona. E em outra passagem o cego Tirésias tenta dissuadir Creonte sobre Polinices: “Não queiras matar quem já morreu. Que bravura há em exterminar um cadáver?”.

Antígona, de Sófocles, é a base da primeira performance da segunda etapa do projeto Dramaturgia Clássica, que a Cia Fiandeiros de Teatro apresenta neste sábado (26) e domingo (27), às 19h, na sede do grupo, no bairro da Boa Vista, com entrada gratuita.

O poema cênico Uma Antígona para Lúcia apresenta o encontro de uma atriz jovem com uma experiente, em volta do universo de Antígona. O título do programa faz alusão a Lúcia Neuenschwander, atriz pernambucana que morreu no ano passado. Neuenschwander interpretou Antígona numa produção do Teatro Popular do Nordeste – TPN, nos anos 1960. O solo é interpretado por Daniela Travassos e aproveita o clássico para falar do oficio do ator. A direção é de Luís Reis e Durval Cristovão.

No próximo fim de semana (3 e 4 de outubro), Manuel Carlos assume O canto do cisne, de Anton Tchékhov, com tradução e adaptação de André Filho e João Denys. A performance de A tempestade, de William Shakespeare, encerra a programação nos dias 10 e 11 de outubro, com André Filho dirigido por Marianne Consentino.

Performance faz parte do projeto Dramaturgia Clássica, da Cia Fiandeiros de Teatro

Performance faz parte do projeto Dramaturgia Clássica, da Cia Fiandeiros de Teatro

Ficha Técnica da Performance
Autoria: Sófocles
Adaptação: Luís Reis
Encenação: Luís Reis e Durval Cristovão
Atuação: Daniela Travassos
Iluminação: João Guilherme de Paula
Direção de arte: Manuel Carlos
Vozes do coro: André Filho e Manuel Carlos
Música de cena: Sandro Júnior
Preparação de elenco: Durval Cristovão

Ficha Técnica do Projeto
Concepção e coordenação geral: Daniela Travassos
Produção executiva: Renata Teles e Jefferson Figueirêdo
Realização: Companhia Fiandeiros de Teatro / Espaço Fiandeiros
Incentivo: Funcultura

SERVIÇO
Uma Antígona para Lúcia
Quando: Dias 26 e 27 de setembro, às 19h
Onde: Espaço Cultural Fiandeiros: Rua da Matriz, 46, 1º andar, Boa Vista, Recife
Informações: (81) 4141.2431
Quanto: Entrada franca
Capacidade: 60 lugares

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