Indicados ao Prêmio Apacepe 2017

Ossos, Mascate, Alguém para fugir e Paideia são indicados a melhor montagem

Ossos; Mascate, Alguém para fugir comigo e pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação são indicados a melhor peça 

Depois de uma maratona de quase um mês, o 23º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival Internacional de Artes Cênicas de Pernambuco divulga as produções indicadas ao Prêmio Apacepe de Teatro e Dança deste ano. Os vencedores serão conhecidos na festa de entrega que ocorre na próxima sexta-feira (03/02), às 19h, no Teatro Apolo (Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife. Fone. 3355 3321). Não existe gratificação em dinheiro, mas as estatuetas são de grande valia para os artistas pernambucanos.

Mas para que serve um prêmio no campo das artes do espetáculo? É uma distinção, funciona para criar acontecimento midiático, incentivar novas criações, consagrar projetos ou projetar artistas individuais ou coletivos.

Anos atrás questionei a validade da premiação a Apacepe. Houve reações fortes. Hoje entendo que o teatro pernambucano precisa realçar o talento, a atuação dos artistas dentro de um determinado contexto e é também o momento de confraternizar (que às vezes funciona, às vezes não). Isso acontece no cinema, que proteja cineastas e atores e outras funções da indústria, com muito dinheiro e um concursos espalhados pelo mundo. No jornalismo os prêmios alavancam carreiras.

Mas em todas essas disputas, é fundamental pensar no perfil de quem julga. Isso vale para uma sessão num tribunal, os destinos da Lava Jato, o resultado do Oscar ou da premiação da Apacepe.

Então meus caros, o resultado é uma combinação da sensibilidade, percepção de quem viu, comparou e atribuiu um valor de prêmio. Com outros avaliadores, os resultados possivelmente seriam diferentes. 

Segue a lista dos indicados

INDICAÇÕES TEATRO ADULTO

Melhor Espetáculo
Alguém Pra Fugir Comigo – Resta 1 Coletivo de Teatro (Recife)
O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros – Cia. de Artes Cínicas Com Objetos (Paulista)
Ossos – Coletivo Angu de Teatro e Atos Produções Artísticas (Recife)
pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação – Coletivo Grão Comum e Gota Serena (Recife)

Melhor Diretor
Analice Croccia e Quiercles Santana – Alguém Pra Fugir Comigo
Júnior Aguiar – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação
Marcondes Lima – Ossos

Melhor Ator
André Brasileiro – Ossos
Diógenes D. Lima – O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros
Gil Paz – Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade
José Neto Barbosa – A Mulher Monstro
Júnior Aguiar – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

Melhor Atriz
Apenas uma indicação

Melhor Ator Coadjuvante
Arilson Lopes – Ossos
Daniel Barros – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

Melhor Atriz Coadjuvante
Não há indicação

Melhor Ator Revelação
Não há indicação

Melhor Atriz Revelação
Não há indicação

Melhor Sonoplastia ou Trilha Sonora
Juliano Muta, Leonardo Vila Nova e Tiago West – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação
Katarina Menezes e Kleber Santana – Alguém Pra Fugir Comigo
Juliano Holanda – Ossos

Melhor Iluminação
Elias Mouret – Alguém Pra Fugir Comigo
Játhyles Miranda – Ossos
Júnior Aguiar – pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação
Natalie Revorêdo – A Rã
Natalie Revorêdo – Olhos de Café Quente

Melhor Cenário
Charles Eugênio – A Rã
Diógenes D. Lima, Gustavo Teixeira, Triell Andrade e Bernardo Júnior – O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros
Marcondes Lima – Ossos
Otto Neuenschwander – Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade

Melhor Figurino
Agrinez Melo – Histórias Bordadas em Mim
Manuel Carlos de Araújo – Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade
Marcondes Lima – Ossos
Resta 1 Coletivo de Teatro – Alguém Pra Fugir Comigo

Melhor Maquiagem
Álcio Lins – Baba Yaga
Diógenes e José Neto Barbosa – A Mulher Monstro
Manuel Carlos de Araújo – Puro Lixo, o Espetáculo Mais Vibrante da Cidade

*Haverá três Prêmios Especiais do Júri.

Corpo de Jurados Teatro Adulto: Breno Fittipaldi, Jorge de Paula e Rita Marize
Coordenação/Produção de Corpo de Júri: Augusta Ferraz

INDICAÇÕES TEATRO PARA A INFÂNCIA

Vento Forte para Água e Sabão; Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo; Brinquedos & Brincadeiras e DORalice

Vento Forte; Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo; Brinquedos & Brincadeiras e DORalice

Melhor Espetáculo
Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo – Cia. Biruta de Teatro (Petrolina)
Vento Forte Para Água e Sabão – Companhia Fiandeiros de Teatro (Recife)

Melhor Diretor
André Filho – Vento Forte Para Água e Sabão
Antonio Veronaldo – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo

Melhor Ator
Antonio Veronaldo – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo
Tiago Gondim – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Atriz
Juliene Moura – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo
Daniela Travassos – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Ator Coadjuvante
Ricardo Angeiras – Vento Forte Para Água e Sabão
Victor Chitunda – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Atriz Coadjuvante
Geysa Barlavento – Vento Forte Para Água e Sabão
Kéllia Phayza – Vento Forte Para Água e Sabão

Ator Revelação
Não há indicação

Atriz Revelação
Beatriz Cavalcanti – Brinquedos & Brincadeiras
Gabriela Melo – Brinquedos & Brincadeiras

Melhor Sonoplastia ou Trilha Sonora
André Filho e Samuel Lira – Vento Forte Para Água e Sabão
Mateus Marques – DORalice
Moésio Belfort & Carlos Hiury – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo

Melhor Iluminação
Beto Trindade – DORalice
Carlos Tiago Alves Novais – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo
João Guilherme de Paula – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Cenário
Antonio Veronaldo e Uriel Bezerra – Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo
João Denys e Manuel Carlos – Vento Forte Para Água e Sabão

Melhor Figurino
Apenas uma indicação

Melhor Maquiagem
Não há indicação

*Haverá dois Prêmios Especiais do Júri.

Corpo de Jurados Teatro Para Crianças: Ana Elizabeth Japiá, Márcia Cruz e Samuel Santos
Coordenação/Produção de Corpo de Júri: Augusta Ferraz

INDICAÇÕES DANÇA

Amor, Segundo as Mulheres de Xangô;  Enchente; Os Superficiais; e Segunda Pele

Amor, Segundo as Mulheres de Xangô; Enchente; Os Superficiais; e Segunda Pele

Melhor Espetáculo
Amor, Segundo as Mulheres de Xangô – Grupo Grial (Recife)
Enchente – Flávia Pinheiro (Recife)
Os Superficiais – Cia. Etc. (Recife)
Segunda Pele – Coletivo Lugar Comum (Recife)

Melhor Coreografia
Não há indicação

Melhor Bailarino
Apenas um indicado

Melhor Bailarina
Iara Campos – Microclima
Maria Agrelli – Segunda Pele
Marcela Felipe – Enchente
Maria Paula Costa Rêgo – Amor, Segundo as Mulheres de Xangô

Bailarino Revelação
Não há indicação

Bailarina Revelação
Não há indicação

Melhor Iluminação
Cleison Ramos – Dúvido
Luciana Raposo – Amor, Segundo as Mulheres de Xangô
Luciana Raposo – Segunda Pele

Melhor Figurino
Gustavo Silvestre – Amor, Segundo as Mulheres de Xangô
Marcondes Lima – Os Superficiais

Melhor Cenário
Não há indicação

Melhor Sonoplastia ou Trilha Sonora
Caio Lima e Hugo Medeiros – Segunda Pele
Tarsísio Resende – Amor, Segundo as Mulheres de Xangô

*Haverá dois Prêmios Especiais do Júri.

Corpo de Jurados Dança: Dielson Pessôa, Nadja Maria e Viviane Ferreira
Coordenação/Produção de Corpo de Júri: Augusta Ferraz

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Ossos articula discurso bruto e libertador *

Elenco de Ossos

Elenco de Ossos: Daniel Barros, Arilson Lopes, Marcondes Lima, André Brasileiro, Ivo Barreto, Robério Lucado

                                                                                                        Sidney Rocha *
                                                                                                        Especial para o Satisfeita, Yolanda?

 

ATO I

Querida Yolanda:

Grosso modo, literatura que se parece com teatro não é literatura.

Dizem que a prosa de Marcelino Freire parece teatro. Lamento dizer: não parece. Não parece porque é literatura. Literatura e teatro têm linguagem distinta. Necessariamente. O discurso cênico tem outra função. Há certa natureza ética, que transcende a natureza estética, de modo que teatro não é diversão pura e simples, não está ali para entreter, mas para dizer certa verdade: a condição precária do homem no universo. Nisso o teatro se aparenta mais à filosofia que à literatura. Mas à filosofia que não se rende ao poder, nem ao exagero das interpretações, violência contra a qual Susana Sontag lutou violentamente naquele ensaio: Contra a interpretação.

A busca dessa verdade: tem sido assim desde a Grécia, quando sequer havia distinção entre arte e técnica. É assim na arte dramática de Brecht, de Camus, ou de Beckett e Ionesco, todos interessados somente em expor o homem em sua condição miserável e absurda perante a vida.

Marcelino Freire adaptou seu romance (Nossos ossos, 2013) para entregar ao coletivo Angu de Teatro um texto vigoroso. Um texto, repito. Logo no começo, à direita da cena, o ator, na pele do autor sob a pele de Heleno de Gusmão – ali numa litania à capella, durante todo o espetáculo – ali na primeira das mil ossaturas, expõe a transconfissão do metaescritor:
“O que eu poderia fazer mais, se já escrevi o romance?”
É verdade, Marcelino, mas verdade-só-literariamente.

O discurso cênico termina mostrando a verdade-verdade: o autor se esgota, brocha, acata porque, no teatro, o coito é só dos atores. Só eles podem. Com ph.

Marcelino descobriu cedo que as palavras em estado-de-literatura são uma coisa. Outra coisa são as palavras em estado-de-teatro. A palavra de fato. A palavra-ato.

Em Ossos, reina sobretudo a linguagem não-literária, mas teatral. A metáfora literária enfim perde para discurso do teatro que busca a linguagem ordinária, para suplantá-la. Ossos era para ser um tipo de “teatro de texto” que faz falta ao teatro contemporâneo no Brasil, e isso já bastaria – embora o textocentrismo seja outro tipo de exagero. Mas no teatro as teorias são uma tolice e se perdem no momento exato em que um ator pise o palco. É o que ocorre nessa adaptação. Os atores de Ossos sabem bem as margens miméticas do que vem a ser a encenaçãoatuação. Mas isso seria outro papo.

Eu dizia, Yolanda: uma coisa é texto. Outra, é fala. E outra coisa é voz. Essa pressupõe corpo e sangue. Porque o teatro, diferente do cinema, da literatura, da pintura, nos dá um corpo, de verdade: o do ator. Essa diferença é a essência da mímese do texto dramático. Ossos é também sobre esse corpo, que se tenta conduzir, enterrar, carregar, livrá-lo de uma alma e dá-lo a outra. Por isso o texto é pouco – e a fala não diz tudo. É a voz do ator que transmite o que não está no texto. É massa viva controlável somente pela técnica, no palco. É a única voz que interessa.

Ah, pobre literatura que não pode com essa força.

André Brasileiro e Daniel Barros numa cena de Ossos. Foto: Divulgação

André Brasileiro e Daniel Barros interpretam o escritor Heleno de Gusmão e o michê. Foto: Divulgação

ATO II

“Não sou dramaturgo”, diz o o autor no personagem central de Ossos, vivido com exatidão por André Brasileiro, quando se abre uma das camadas da adaptação – que são como atos dentro de atos, insight ou intuições de Marcondes Lima na busca de uma dicção ou linguagem ou lugar que realizasse o autor-adaptador, mas que contemplasse sua fala [repito: fala] como criador experiente que é.

A direção é conduzida de modo a todos dividirem a cena, a luz, o figurino, deixando clara a voz já reconhecível do coletivo, mas com o pensamento, fala e ação rigorosos do diretor de Ossos. Uma direção não-natural, porque o teatro é mesmo contra a natureza, e nisso consiste a arte – supor certo domínio, e controle, e direção sobre os atos, e omissões.

Por isso, querida Yolanda, não há personagem mais carne-e-osso do que aquele na pele de um ator, todo feito de intuição, e técnica, e erro. Sobretudo erros, Yolanda, porque não existe maria-concebida-[sem-erro]-sem-pecado, no teatro. Ao somar tudo, Marcondes Lima criou a fantasmagoria necessária para transformar Ossos em discurso bruto e libertador. Ossos é carnavalização, riso e grito. O paraíso do baixo-corporal, do prazer e da dor que se assume. A ridicularia da morte sobre a vida. E da vida sobre si mesma.

Taí a verdade desse teatro angular, coletivo.

 

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Marcondes Lima no papel de Estrela. Foto Divulgação

ATO III

O que realmente importa: André Brasileiro trocou a paixão daquela vez da estreia, naquele 11 junho do ano passado, pela exatidão que vi ontem, no mesmo Teatro Apolo, e compôs um Heleno de Gusmão que se põe em pé, sem pedir favor ou pacto de compreensão à plateia.
Marcondes Lima desaparece e faz surgir algumas vênus singulares: Estrela, Carmen Miranda, Fafá de Belém, todas com cor e coração também exatos.

Arilson Lopes faz o motorista do rabecão. Foto Divulgação

Arilson Lopes faz o motorista do rabecão. Foto Divulgação

O Caronte mais real que já vi, o motorista Lourenço – o personagem trágico por excelência em Ossos: vale mesmo vê-lo saltando de dentro de Arilson Lopes, que faz também o interesseiro Carlos.

A trilha sonora de Juliano Holanda. A trilha sonora de Juliano Holanda. A trilha sonora de Juliano Holanda.

Ceronha Pontes preparou urubus, travestis e michês para o banquete claro-escuro e multicor de cada cena.
Ossos é como a vida. E como a morte: Funciona.
Convenhamos, querida: no teatro, isso não é pouco.

Então ficamos assim, Yolanda: Ossos: texto de Marcelino Freire. Fala de Marcondes Lima. Mas a voz é do Angu de Teatro.
E que beleza.
Não perca.

*  Sidney Rocha  é escritor. Escreveu Matriuska (contos, 2009), Fernanflor (romance, 2015) e Guerra de ninguém (contos, 2016). Com O destino das metáforas venceu o Prêmio Jabuti, em 2012, na categoria contos e crônicas e com o romance Sofia, o Prêmio Osman Lins; todos pela Iluminuras.

Daniel Barros e Robério Lucado interpretam garotos de programa em Ossos. Foto: Ivana Moura

Daniel Barros e Robério Lucado interpretam garotos de programa em Ossos. Foto: Ivana Moura

FICHA TÉCNICA

Texto: Marcelino Freire
Direção: Marcondes Lima
Direção de arte, cenários e figurinos: Marcondes Lima
Assistência de direção: Ceronha Pontes
Elenco: André Brasileiro, Arilson Lopes, Daniel Barros, Ivo Barreto, Marcondes Lima, Ryan Leivas (Ator stand in) e Robério Lucado
Trilha sonora original – composição, arranjos e produção: Juliano Holanda
Criação de plano de luz: Jathyles Miranda
Operação de Som: Sávio Uchôa
Preparação corporal: Arilson Lopes
Preparação de elenco: Ceronha Pontes, Arilson Lopes
Coreografia: Lilli Rocha e Paulo Henrique Ferreira
Coordenação de produção: Tadeu Gondim
Produção executiva: André Brasileiro, Fausto Paiva, Arquimedes Amaro, Gheuza Sena e Nínive Caldas
Designer gráfico: Dani Borel
Fotos divulgação: Joanna Sultanum
Visagismo: Jades Sales
Assessoria de imprensa: Rabixco Assessoria
Técnico de som Muzak – André Oliveira
Confecção de figurinos: Maria Lima
Confecção de cenário e elementos de cena: Flávio Santos, Jorge Batista de Oliveira.
Operador de som e luz: Fausto Paiva / Tadeu Gondim
Camareira: Irani Galdino

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Grito pelo empoderamento feminino – primeira versão

Coletivo Soma. Foto: Wellington Dantas/ Divulgação

Coletivo Soma. Foto: Wellington Dantas/ Divulgação

Uma clima sombrio. Uma atmosfera de temor, de espreita, de perseguição traça as primeiras linhas do espetáculo Grito, do recifense Coletivo Soma, que estreou nessa sexta-feira (27), dentro da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos. As atrizes/bailarinas Anne Costa e Marta Guimarães representam, nos momentos iniciais, o medo de mulheres que andam nas ruas do Recife na volta do trabalho ou de qualquer outra atividade que precisem fazer a pé. Com pequenos deslocamentos no palco, correndo em várias direções elas delineiam um quadro assustador. O desenho de luz de Natalie Revoredo materializa de forma quase tátil essas ambientações e mudanças de conjunturas. Essa luz é quase um personagem.

É inevitável lembrar de casos recentes de estupros no Recife, de uma empresária no bairro das Graças e de uma estudante universitária, no Parnamirim. Casos esses bem explorados pela mídia. Mas sabemos que há muitos outros não registrados. Então perguntamos: o que o governo do Estado de Pernambuco e a prefeitura do Recife estão fazendo para garantir a segurança dos cidadãos e para impedir que casos como esses se repitam? E não aceitamos falácias como respostas. Reajam ao Grito.

Os shorts com motivos policiais e a camiseta regata branca do figurino aludem ao treinamento militar, com suas rotinas de condicionamentos físicos brutos e de pouco exercício de sensibilização.

Nas demonstrações de marchas, elas cantam Mulher Rendeira e Acorda Maria Bonita, duas canções de Virgulino Ferreira da Silva, o famoso Lampião, em parceria com Antonio Alves dos Santos, conhecido como Volta Seca e apontado como o mais jovem integrante do bando. Mulher Rendeira se transformou numa espécie de hino do cangaço. E ambas as música receberam centenas de versões, e estão na trilha sonora do filme O Cangaceiro, de Lima Barreto (1953).

Essa sequência das duas músicas e desses primeiros movimentos já oferece um material rico para análise da encenação projetada em seu propósito de discutir a situação da mulher e desmontar os discursos machistas entranhados na nossa sociedade. Depois da quarta vez que você ouve “Acorda, Maria Bonita/Levanta, vai fazer o café” na entonação dessas meninas, sua escuta não vai ser a mesma para essa música.

Os encadeamentos de Jogos de guerra, com repetições de pulos e rolamentos exercem metonimicamente pulsões da formação do macho que manda e/ou recebe humilhação; e de fêmeas que assumem papeis idênticos. Os movimentos repetitivos provocam seus espasmos.

Atrizes

Coletivo Soma. Foto: Wellington Dantas/ Divulgação

A direção de Lilli Rocha (muito boa estreia da atriz e bailarina nessa função) e a dramaturgia caminham por terrenos de mais intimidade, onde o corpo da mulher – esse material sagrado – é infringido, ultrajado, desrespeitado, violado, transformado em mercadoria.

São cenas fortes, nas quais os corpos das garotas criam imagens potentes para traduzir o horror que o físico feminino sofre na corrente do machismo e do capitalismo que busca transformar tudo em objeto de consumo, inclusive o desejo. A privacidade é projetada no terreno da pele tocada e no som dos sussurros. A montagem ganha proporções sensoriais.

Político, esse Grito desafia o espectador a olhar essa compleição desnuda. Mas aquele território corporal tem dono, de quem o carrega. Que alardeia em alto e bom som que faz do seu próprio corpo o que quiser.

As lutas são tantas e diárias, que o tempo de alerta é todo o tempo. Para que essa mulher já consciente de sua identidade, de seus direitos, de sua força, de sua garra, não sucumba aos apelos, às pressões, às carências de se deixar usar pelo outro, pelo grupo, pelo sistema.

Grito é um espetáculo que brada uma urgência. Pela dignidade feminina. E precisa continuar a vociferar enquanto houver tentativas de servidão. E não é apenas um jogo de cena. Mas a produção coerente do envolvimento no debate sobre gênero. E de um ano da pesquisa Ver-ter: Um olhar sobre os sentimentos periféricos, desenvolvida pelo Coletivo Soma.

Forte, corajoso, de uma poesia incômoda, a peça coreográfica articula entregas, vasculha segredos, mexe com feridas, propõe curas, empodera a mulher e encanta como arte.

FICHA TÉCNICA
Concepção: Coletivo Soma
Direção e orientação coreográfica e dramatúrgica: Lilli Rocha
Orientação da pesquisa teórica: Kiran Gorki
Orientação da pesquisa corporal: Henrique Lima
Desenho de luz: Natalie Revoredo
Vídeos: Dani Neves
Edição: Xico Pessoa
Intérpretes-criadoras: Anne Costa e Marta Guimarães

SERVIÇO

Espetáculo Grito, do Coletivo Soma
Quando: Sexta (27) e sábado (28), às 20h; e domingo (29), às 19h
Onde: Espaço Experimental – Rua Tomazina, 199, Bairro do Recife
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Vendas: bilheterias do Teatro de Santa Isabel e do Espaço Experimental
Classificação etária: a partir dos 18 anos
Duração: 45 min

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O que ver no Janeiro – parte 4

Grito. Com nne Costa e Marta Guimarães. Foto: Rafael Bandeira / Divulgação

Grito. Com nne Costa e Marta Guimarães. Foto: Rafael Bandeira / Divulgação

São alarmantes os números de violência contra mulher, alguns que chegam ao homicídio. Pernambuco está entre os cinco estados que mais exercem esse tipo de brutalidade no país. Inspirado em relatos de meninas de diferentes idades, bairros e classes sociais do Recife, o espetáculo Grito discute a atuação da mulher na sociedade e o combate à violência de gênero. A peça é fruto de um ano de ações da pesquisa Ver-ter: Um olhar sobre os sentimentos periféricos, desenvolvida pelo Coletivo Soma.

Durante esse tempo, o grupo – composto pelas bailarinas Anne Costa e Marta Guimarães e pela fotógrafa Dani Neves – recolheu relatos de violência sexual e agressões diárias e com esse material criou a primeira encenação. A montagem leva a assinatura na direção da atriz e bailarina Lili Rocha e trilha sonora do pianista Vitor Araújo. Grito propõe ouvir essas falas emudecidas e refletir sobre os papeis da mulher neste século 21.

A etapa final do Janeiro de Grandes Espetáculos vira maratona mesmo, se você quiser aproveitar ao máximo a programação. São três peças nesta sexta-feira no mesmo horário, 20h. Não dá para conciliar. h(EU)stória – o tempo em transe, do Coletivo Grão Comum e Gota Serena (Recife/PE), no Teatro Arraial; Grito, do Coletivo Soma (Recife/PE), no Espaço Experimental e A Gaivota, no Teatro Barreto Júnior. Além do show com Zé da Flauta e Ave Sangria – Noite da Psicodelia Nordestina, no Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu), às 21h.

O cineasta baiano Glauber Rocha é o personagem em agonia do h(EU)stória – o tempo em transe, primeiro espetáculo da Trilogia Vermelha. A montagem do Coletivo Grão Comum e Gota Serena, tem Júnior Aguiar e Márcio Fecher no elenco.

A Gaivota é um Tchekhov. Reflete sobre criação artística e do que pode ser velho e novo no teatro, com direção de Sandra Possani e elenco do Curso de Interpretação Para Teatro do SESC Piedade (Jaboatão dos Guararapes/PE)

Dois shows compõe a Noite da Psicodelia Nordestina. Zé da Flauta lança seu primeiro CD solo, Psicoativo. E a banda Ave Sangria, apresenta O Novo Voo da Ave Sangria, que junta ritmos nordestino com o rock e a psicodelia.

SERVIÇO

Espetáculo Grito, do Coletivo Soma
Quando: Sexta (27) e sábado (28), às 20h; e domingo (29), às 19h
Onde: Espaço Experimental – Rua Tomazina, 199, Bairro do Recife
Quanto: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Vendas: bilheterias do Teatro de Santa Isabel e do Espaço Experimental
Classificação etária: a partir dos 18 anos
Duração: 45 min.

h(EU)stória – o tempo em transe – Coletivo Grão Comum e Gota Serena (Recife/PE)
Onde: Teatro Arraial
Quando: Dia 27 de janeiro de 2017 (sexta-feira), às 20h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) | 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h15

Zé da Flauta e Ave Sangria – Noite da Psicodelia Nordestina – Wellima Produções (Recife/PE)
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quando: Dia 27 de janeiro de 2017 (sexta-feira), às 21h
Quanto: R$: 80,00 (Inteira) | 40,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 12 anos
Duração: 40 min. (Zé da Flauta) + 20 min. (intervalo) + 1h20 (Ave Sangria) = 2h20

O diretor Marcondes Lima interpreta Estrela no espetáculo. Foto: Divulgação

Daniel Barros, Marcondes Lima, Robério Lucado e André Brasileiro em Ossos Foto: Divulgação

A melancólica história de um escritor famoso, que carrega dentro de si o peso incomensurável do abandono é exposto em Ossos. Por honra, Heleno de Gusmão precisa dar um destino digno aos restos mortais do seu amante e fazer um acerto de contas com o seu passado. Montagem do Coletivo Angu de Teatro.

Para os pequenos, tem o poético encontro entre uma bolha de sabão, Bolonhesa e o inquieto Arlindo, uma rajada de vento, para os pequenos. Vento Forte para Água e Sabão, com a Companhia Fiandeiros de Teatro (Recife/PE).

Chamado de bispo vermelho pela atitude esquerdista na época dos militares Dom Helder Camara (1909-1999), arcebispo emérito de Olinda e Recife tem muito a nos sinalizar nestes tempos de temeridades. Defensor da não-violência e de uma Igreja Católica voltada aos pobres, ele se notabilizou nos anos de 1970 e 1980, por denunciar internacionalmente os crimes de tortura no Brasil. 

Habilidoso defensor dos direitos humanos esse baixinho incomodou os ditadores e continua sendo um sinal de luz. Sob a direção de Rodrigo Mercadante e Dinho Lima Flor, que faz o papel do bispo, O Avesso do Claustro junta a biografia de Camara com a trajetória de três personagens fictícios. Um pesquisador que vai em busca de Dom Helder no Recife, uma mulher que encara um duro cotidiano em São Paulo e uma cozinheira do Rio de Janeiro.

A mais temida das bruxas eslavas, canibal é interpretada por Sônia Carvalho, da Cia. Cênicas de Repertório. Baba Yaga que clama por seu filho Olaf, faz do público confidente de uma degradada relação familiar.

Temos também Terror e Miséria no Terceiro Reich – O Delator, com Germano Haiut e Stella Maris Saldanha, encenação de José Francisco Filho. Na Alemanha nazista, o clima de desconfiança e possibilidade de traição chega a níveis tão elevados, que um casal de classe média desconfia que o filho pode ser um dedo-duro e denunciá-los junta a polícia do ditador Hitler. Obra escrita entre 1935 e 1938 pelo dramaturgo e poeta alemão Bertolt Brecht. Qualquer associação com a realidade atual não pode ser mera coincidência.

Stereo Franz é inspirado em

Stereo Franz é inspirado em

A versão da companhia [pH2] Estado de Teatro, de São Paulo para Woyzeck, texto inacabado do alemão George Büchner é ambientada em uma espécie de bar. Em Stereo Franz, é exposto o cotidiano dos personagens enquanto uma banda toca e destaca pontos da narrativa.

Com dramaturgia de Nicole Oliveira e dirigido por Paola Lopes, a peça refaz a trajetória de Franz, um homem que não domina a sua própria língua, é obcecado por questionamentos sobre a morte, é traído pela mulher que ama, rejeitado por si mesmo e por pessoas que admira e é incapaz de argumentar qualquer coisa a seu favor.

No domingo temos uma viagem pelo São Francisco, guiada por Chico, que conhece os segredos do rio como ninguém no infantil Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo, da Cia. Biruta de Teatro (Petrolina/PE). A fértil criatividade do barqueiro inventa personagens e historias e sonha em reencontrar os pais que sumiram em uma noite de chuva.

Duas autoras negras falam de suas vivências. A prosa da Carolina Maria de Jesus, que foi catadora de papel e habitante da extinta favela do Canindé, e Elisa Lucinda, com uma poesia que vasculha os mistérios do feminino. O que há de injustiça social nessas vidas é bradado ora sussurrado em Olhos de Café Quente.

Viva La Vida junta o universo da pintora mexicana Frida Kahlo e a Festa de Los Muertos, utiliza referências pessoais dos atores, que contribuem com imagens-homenagens a seus mortos e discursos sobre a resistência das minorias.

SERVIÇO

Vento Forte Para Água e Sabão
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quando: Dia 28 de janeiro de 2017 (sábado), às 16h30
Quanto: R$: 20,00 (Inteira) e 10,00 (Meia)
Classificação etária: livre
Duração: 55 min.

Ossos – Coletivo Angu de Teatro e Atos Produções Artísticas (Recife/PE)
Onde: Teatro Apolo
Quando: Dia 28 de janeiro de 2017 (sábado), às 18h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h30

O Avesso do Claustro – Cia. do Tijolo (São Paulo/SP)
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quando: Dias 28 e 29 de janeiro de 2017 (sábado e domingo), respectivamente às 20h e 18h
Quanto: R$: 60,00 (Inteira) | 30,00 (Meia
Classificação etária: a partir dos 12
Duração: 2h30

SERVIÇO
O Delator – Terror e Miséria no Terceiro Reich
Quando: sábados e domingos de janeiro, às 18h
Onde: Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457, Boa Vista)
Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia)
Informações: 3184-3057

Baba Yaga – Cênicas Cia. de Repertório (Recife/PE)
Onde: Espaço Cênicas
Quando: Dias 28 e 29 de janeiro de 2017 (sábado e domingo), respectivamente às 20h e 18h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 12 anos
 Duração: 1h

Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo – Cia. Biruta de Teatro (Petrolina/PE)
Onde: Teatro Luiz Mendonça (Parque Dona Lindu)
Quando: Dia 29 de janeiro de 2017 (domingo), às 16h30
Quanto: R$: 20,00 (Inteira) | 10,00 (Meia)
Classificação etária: livre
Duração: 50 min.

Stereo Franz – [pH2]: estado de teatro (São Paulo/SP)
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quando: Dias 28 e 29 de janeiro de 2017 (sábado e domingo), respectivamente às 20h e 18h
Quanto: R$ 40,00 (Inteira) e 20,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h15

Olhos de Café Quente – N’Útero de Criação e Phaelante & Phaelante Ltda. (Recife/PE)
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quando: Dia 29 de janeiro de 2017 (domingo), às 17h e 19h
Quanto: R$: 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 1h

Viva La Vida – Coletivo Multus (Recife/PE)*
*Atração convidada do Festival Estudantil de Teatro e Dança
Onde: Teatro Apolo
Quando: Dia 29 de janeiro de 2017 (domingo), às 20h
Quanto: R$: (Inteira) e 10,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 14 anos
Duração: 1h

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O que ver no Janeiro – parte 3

Enchente, criação de Flávia Pinheiro, nesta quinta-feira, no Teatro Hermilo Borba Filho. Foto: Rogério Alves/Sobrado 423.

Enchente, criação de Flávia Pinheiro, no Teatro Hermilo Borba Filho. Foto: Rogério Alves/Sobrado 423.

Uma peça coreográfica inspirada na obra de Hermilo Borba Filho inevitavelmente traz uma carga política na sua poética. Enchente, inspirado em conto homônimo de HBF, é um espetáculo que deveria ser visto por toda a gente que tem preocupações com o mundo atual, pela qualidade do trabalho enquanto dança contemporânea e pela construção de sentidos que a montagem desperta, como a da crise migratória na Europa.

Em catástrofes naturais e humanas, o capitalismo faz o papel de rejeitar pessoas, a partir de sua origem, cor, conta bancária. E Enchente pulsa dessa revolta contra ações de catalogar, valorizar e menosprezar o ser humano.

Na narrativa curta de HBF, com climas surrealistas, uma mulher luta por sobreviver durante uma inundação. Ela, um morto no caixão, e os animais (cavalos, cachorro, ovelha) são surpreendidos com o dilúvio.

A diretora Flávia Pinheiro transforma as palavras do escritor pernambucano em imagens poderosas e materializa as sensações no corpo das bailarinas /performers Gardênia Coleto, Marcela Aragão e Marcela Filipe, nos gestos e movimentos, reforçados pelo vídeo e pela fúria sonora.

Nas projeções, grupos de pessoas tentam atravessar muros e são impedidas com violência por soldados, os guardiões das propriedades. O mundo está habitado pela barbárie, indiferença e intolerância.

SERVIÇO
Enchente – Flávia Pinheiro (Recife/PE)
Onde: Teatro Hermilo Borba Filho
Quando: Dia 26 de janeiro de 2017 (quinta-feira), às 20h
Quanto: R$ 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 16 anos
Duração: 45 min.

Hermila Guedes, Juliano Holanda, Marcondes Lima, Ivo Barreto e André Brasileiro

Hermila Guedes, Juliano Holanda, Marcondes Lima, Ivo Barreto e André Brasileiro

Uns são afinados, outros nem tanto, mas soltam a voz. Todos têm atitude e auto-estima para brilhar. Estou muito curiosa com Angu das Canções. Show que o músico Juliano Holanda e convidados leva ao palco as composições que ele fez para o Coletivo Angu e trilhas sonoras de outras montagens. Em 13 anos de trajetória, o grupo já montou Angu de Sangue, Rasif – Mar que Arrebenta e Ossos, com textos de Marcelino Freire; Ópera, de Newton Moreno e Essa Febre que não Passa, de Luce Pereira. 

Henrique Macedo, que criou o som de outras peças, faz participação especial. A direção musical é assinada conjuntamente por Marcondes Lima e André Brasileiro. E sobem ao palco os atores Arilson Lopes, Gheuza Sena, Hermila Guedes, Ivo Barreto, Lilli Rocha e Nínive Caldas.

O autor Marcelino Freire participa do show declamando textos de autores pernambucanos de ontem e hoje, como Miró da Muribeca, João Cabral, Bandeira e alguns de sua autoria. A proposta é mais uma provocação do Coletivo e uma celebração desses artistas.  

Serviço
Angu de Canções Coletivo Angu de Teatro (Recife/PE)
Onde: Teatro de Santa Isabel
Quando: 26 de janeiro (quinta-feira), 20h
Quanto: R$ 40 e R$ 20

Cena de A Gaivota, com turma dos formandos do Sesc de Piedade. Foto: Divulgação

Cena de A Gaivota, com turma dos formandos do Sesc de Piedade. Foto: Divulgação

Vanessinha ainda estou na dúvida entre ir ao Santa Isabel ver Angu das Canções ou seguir para o Pina para conferir o trabalho de Sandra Possani com a turma de atores do Curso de Interpretação para Teatro do Sesc Piedade. Ontem não deu para assistir porque chocava o horário com Alguém para fugir Comigo.

Mas eu adoro as peças de Anton Tchekhov. E  A Gaivota tem um sabor especial porque fala de criação, da arte inscrita tempo, de negociações, do que pode ser velho e novo no teatro. Esse universo é fascinante. E também gosto muito de ver jovens atores em cena, com o frescor de quem está descobrindo o mundo, um mundo da arte.  

A Gaivota – Curso de Interpretação Para Teatro do SESC Piedade (Jaboatão dos Guararapes/PE)
Onde: Teatro Barreto Júnior
Quando: dias 25, 26 e 27 de janeiro de 2017 (quarta, quinta e sexta-feira), 20h
Quanto: R$ 10 e R$ 5

Severinos

Severinos com Lívia Lins e Madson de Paula

João Cabral de Melo Neto, Virgulino, o Lampião e Vitalino, o artesão são personagens que sustentam as lonas do circo erguido pelo dramaturgo e diretor Samuel Santos e pela Dispersos Cia de Teatro. O espetáculo Severinos, Virgulinos e Vitalinos mergulha na história de Muriqueta e Tramboeta, figuras que sonham em descobrir o paradeiro dos pais mambembes.

O musical tem uma pegada bem jovial e mostra de forma leve a saga nordestina da seca e da fome, da violência e da criação artística nem sempre bem-compreendida.

No elenco da peça estão Lívia Lins e Madson de Paula interpretam Os atores são acompanhados pelos músicos, Danielle Sena, Tiago Nunes, Leila Chaves, Victor Chitunda, com direção musical de Chitunda e Leila.

Confira crítica:  Magia do circo para encarar vida Severina

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Segunda sessão de Alguém para fugir comigo. Foto: Ivana Moura

Alguém pra Fugir comigo, faz a segunda sessão neste Janeiro. Estreou ontem no Teatro Marco Camarotti, aplaudida com entusiasmo. Com uma estrutura dramatúrgica fragmentada, a peça explora situações em o “sujeito da vez” corre risco, toma consciência do abandono ou é vítima da violência direta – numa delegacia – ou indireta, num ônibus em que os passageiros são tratados como animais pelo sistema de exploração e ganância dos capitalistas.

Como são muitos fragmentos de textos Margareth Atwood, Harold Pinter, Louis Vauthier, Karl Marx, Gilles Chantelet, Enrique Buenaventura, Sandor Márai, Albert Camus, Bertolt Brecht, Marcelino Freire, Quiercles Santana e do próprio elenco formado por alunos-atores do Curso de Formação do Sesc de Santo Amaro, o resultado é desigual.

Montagem em que a emoção joga com as teorias do teatro numa sinalização de que no palco, o que importa mesmo é esse embate / debate / abraço criação de sentidos junto com a plateia. Com Analice Croccia, Ane Lima, Caíque Ferraz, Ludmila Pessoa, Luís Bringel, Nataly Sousa, Pollyanna Cabral e Willams Rosendo. Vale acreditar na subversão, nas urgências das questões que esses jovens atores defendem com tanta garra e talento.

SERVIÇO
Alguém Pra Fugir Comigo
Resta 1 Coletivo de Teatro (Recife/PE)
Onde: Teatro Marco Camarotti (SESC Santo Amaro)
Quando: dias 25 e 26 de janeiro de 2017 (quarta e quinta-feira), às 19h
Quanto: R$ 30,00 (Inteira) e 15,00 (Meia)
Classificação etária: a partir dos 14 anos

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