Retomada, nosso grito de guerra!

Foto Claudia Rangel

Um canto de resistência pelos direitos dos povos indígenas. Foto Claudia Rangel / Divulgação

Retomada, do grupo Totem, é um espetáculo de luta que se manifesta no corpo, nos gestos, na sonoridade, na potência de se insurgir contra as injustiças. É um canto de guerra pelos direitos dos povos indígenas e das falas silenciadas da história. A montagem engrossa o coro de vozes dos seres originários do país, reforça a sabedoria ancestral, robustece a batalha pela demarcação de suas terras. “Retomada se solidariza a todos os que sofreram e ainda sofrem com a invasão de seus territórios e o assassinato de seus líderes”, enfatiza o diretor da performance, Fred Nascimento. Neste 28 de abril, dia de manifestação nacional contra o confisco dos direitos dos trabalhadores, dos direitos dos cidadãos, essa tropa artística inicia a temporada de Retomada no Teatro Arraial, que segue até 27 de maio, às sextas e sábados, às 20h.

Nesta sexta-feira (28), o espetáculo é de portas abertas. É a contribuição ao ato que a turma aposta ser um caminho de mudança. “É nossa forma de somar forças. Nossa arma é nossa arte. Nosso espetáculo é nossa maneira de lutarmos por um país onde caibam todos”.

As terras indígenas formam um espaço sagrado exaltado na encenação. E o Totem corporifica a sacralidade e sentimento de resistência desses povos e produz esse poema cênico para celebrar a terra.

Resultado da Pesquisa Rito Ancestral Corpo Contemporâneo, o trabalho de residência artística foi desenvolvido junto aos povos Kapinawá, Xukuru e Pankararu. Com a investigação, o Totem se jogou nos rituais, aprofundando saberes e possibilidades de criação artística.

Foto: Fernando Figueirôa

A energia vem do coletivo. Foto: Fernando Figueirôa

A linguagem de Retomada combina dança, teatro, performance e ritual, e possibilita uma experiência estética poderosa. “A energia da atmosfera sagrada se faz presente, formando um corpo expandido entre o físico, o sonoro, o espaço circundante e a metafísica, uma obra cosmológica, trazida à cena contemporânea através do contato com forças ancestrais”, considera Fred Nascimento.

Parece mágico. Mas aqueles pés batendo no chão convocam outros que vieram antes de nós. Aquelas mulheres guerreiras nos contagiam com suas sabedorias impregnadas no corpo, nas marcas deixadas pelo tempo, na alegria das conquistas, na tenacidade de prosseguir na vida, lutando por respeito, por dignidade, sem esmorecer nem baixar a cabeça.

É uma experiência de estar vivo, envolvido energeticamente por aquelas artistas da cena – Lau Veríssimo, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Gabi Cabral, Juliana Nardin, Taína Veríssimo e El Maria (performer convidada) – com seus corpos projetados no universo.

Além delas, a encenação ganha nuances, texturas, impacto com a trilha sonora original executada por Fred Nascimento na percussão, Cauê Nascimento na guitarra e Gustavo Vilar no pífano e nos maracás. É uma sonoridade carregada de elementos da cultura indígena que aciona as memórias mais ancestrais em diálogo com a musicalidade contemporânea, que traduz a sensibilidade deste nosso tempo.

Foi um trabalho árduo de pesquisa, que durou mais de um ano e contou com orientações importantes, como a preparação da voz e corpo monitorada pelo dançarino/performer e músico Conrado Falbo, seguida pela preparação vocal de Thiago Neves. A pintura corporal, na criação e execução, foi direcionada pelo artista plástico Airton Cardin.

Iuminação de , Lau Veríssimo em performance Foto de Fernando Figueirôa

Iuminação de Natalie Revorêdo dialoga com as atrizes. Foto de Fernando Figueirôa

O desenho de luz de Natalie Revorêdo e a projeção do VJ Bio Quirino atuam como corpos a falar com as atrizes, estabelecendo uma atmosfera ritual do espetáculo e reforçando vigor e exuberância do coletivo. Tudo isso sob a batuta do incansável Fred Nascimento, que assina a encenação/direção geral do espetáculo.

A performance Retomada estreou em maio passado, no Trema! Festival de Teatro, passando depois pelo Cirkula/IRB, pela Mostra Outubro ou Nada de Teatro Alternativo, pela Mostra A Porta Aberta e recentemente pela Mostra de Teatro e Circo do SESC Santo Amaro. O espetáculo tem muito que circular por festivais, escolas, terreiros, palcos, rua. Vida longa e próspera à Retomada.

Lau Veríssimo, símbolo de força e amorosidade. Foto de Fernando Figueirôa

Lau Veríssimo, símbolo de força e amorosidade. Foto de Fernando Figueirôa

Ficha Técnica
Encenação: Fred Nascimento
Coreografias coletivas do grupo Totem
Preparação corporal: Totem
Performers: Gabi Cabral, Gabriela Holanda, Inaê Veríssimo, Juliana Nardin, Lau Veríssimo, Taína Veríssimo e El Maria (performer convidada)
Música original: Cauê Nascimento, Fred Nascimento e Gustavo Vilar
Cenografia: Totem
Figurino: Gabriela Holanda
Maquiagem: Totem
Designer de luz: Natalie Revorêdo
Vj: Bio Quirino
Pintura corporal: Airton Cardim
Assistente técnico: Ronaldo Pereira
Fotografia: Fernando Figueiroa
Designer gráfico: Uirá Veríssimo
Preparação vocal: Conrado Falbo e Thiago Neves

SERVIÇO
RETOMADA – performance do grupo Totem
Temporada 28 de abril a 27 de maio – sextas e sábados,às 20h
Quanto: R$ 20 e 10 (meia)
Onde: Teatro Arraial (Rua da Aurora, 457 – Boa Vista – Recife)
Fone: (81) 3184-3057

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Oficinas gratuitas no Trema! Festival de Teatro

Daniele Ávila Small ministra ofcina sobre teatro documentário. Foto: FTC

Daniele Avila Small ministra oficina sobre teatro documentário. Foto: FTC

Teatro Documentário Contemporâneo Ibero-Americano, com Daniele Avila Small (RJ); Deriva + participação no espetáculo Orgía, com o Teatro Kunyn (SP) e O Corpo Expressivo – Masterclass de movimento, com André Braga (Portugal) são as três oficinas gratuitas oferecidas pelo Trema! Festival de Teatro, no início de maio. Boas oportunidades de diálogos e vivências para os artistas da cena pernambucana. As inscrições estão abertas até o dia 28 de abril, sexta-feira próxima no link: https://www.tremafestival.com.br/oficinas-e-debates .

No teatro-documentário, as montagens se valem de documentos (escritos, orais, audiovisuais), mas não descartam a invenção. É um campo amplo que inclui muitas possibilidades cênicas, da peça-palestra, a peça-processo, o biodrama, a performance autobiográfica, o teatro-tribunal entre outras. – que tem potencializado o teatro no mundo inteiro.

De 5 a 7 de maio, a crítica, diretora e dramaturga Daniele Avila Small traça um arcabouço teórico para dissecar obras na oficina Teatro Documentário Contemporâneo Ibero-Americano, no Sesc Santa Rita, das 10h às 13h. Estão na pauta de discussão o conceito de historiografia de artista, o testemunho na primeira pessoa e o corpo como documento, a descolonização do saber no teatro documentário e a relação do teatro documentário com os estudos de história pública. Tudo numa perspectiva crítica.

Daniele Avila Small é a encenadora do “documentário de ficção” Há Mais Futuro Que Passado, uma dramaturgia criada coletivamente por ela, Clarisse Zarvos e Mariana Barcelos, que se dedica a refletir sobre o lugar da mulher latino-americana na história da arte.

Doutoranda em Artes Cênicas pela UniRio, idealizadora e editora da revista eletrônica Questão de Crítica e autora do livro O crítico ignorante – uma negociação teórica meio complicada, publicado pela Editora 7Letras, ela lembra que a oficina pode interessar também ao pessoal de cinema e de história.

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Oficina Deriva vai selecionar 12 atores para integrar peça Orgía ou de Como os corpos podem substituir as ideias

Doze atores do sexo masculino, maiores de 18 anos, serão selecionados para a oficina Deriva, para atuarem junto com o Teatro Kunyn na recriarão o segundo ato do espetáculo OrgÍa ou de como os corpos podem substituir as ideias no Recife, com sessões nos dias 10, 11 e 12 de maio, a partir do Espaço Pasárgada, às 15h. O espetáculo OrgÍa discute a homoafetividade na esfera pública e vasculha a reação da cidade diante da multiplicidade de desejos.

As digressões erótico-sociológicas do então professor de teatro na Universidade Federal de Pernambuco Túlio Carella, ancoradas nas ruas da Recife dos anos 1960, estão na base do espetáculo Orgía Ou De como os corpos podem substituir as ideias. Livremente inspirado nos diários íntimos, em que o heterônimo de Carella, Lúcio Ginarte, registra suas aventuras sexuais com anônimos populares e seus diálogos com intelectuais.

Para participarem de Deriva, os atores devem ter disponibilidade integral durante os seis dias de oficina (de 07 a 12 de maio) . O grupo já avisa que faltas ou atrasos eliminarão os atores da atividade.

A peça vai começar num espaço fechado, onde público conhece melhor o personagem principal, interpretado pelos atores Ronaldo Serruya, Paulo Arcuri e Luiz Gustavo Jahjah. E depois segue em uma jornada sensorial pelas ruas do Recife, utilizando aparelhos de MP3. A peça conta com direção de Luiz Fernando Marques (Grupo XIX de Teatro).

André Braga coordena trabalho criativo para performance

André Braga coordena trabalho criativo para profissionais e estudantes de artes performativas

O Corpo Expressivo Masterclass de movimento será desenvolvida pelo português André Braga, no dia 4 de maio, no Teatro Barreto Júnior, das 15h às 17h. Com exercício físicos e propostas de improvisação, o professor sinaliza pistas de criação. O programa está dirigido para profissionais ou estudantes de artes performativas.

SERVIÇO

OFICINA 1
TEATRO DOCUMENTÁRIO CONTEMPORÂNEO IBERO-AMERICANO

com Daniele Avila Small (RJ)
Dias 05, 06 e 07 de maio | Sesc Santa Rita | 10h às 13h
Gratuita. Inscrição via formulário até o dia 28 de abril de 2017 no https://www.tremafestival.com.br/oficinas-e-debates.

OFICINA 2
DERIVA + participação no espetáculo ORGÍA

com o Teatro Kunyn (SP)
Dias 07 a 12 de maio, no Espaço Pasárgada
dia 08 e 09 de maio – 15h30 às 18h30 (domingo)
dia 07 de maio – 13h30 às 18h30 (segunda e terça)
dia 10, 11 e 12 de maio – 13h30 às 18h30 (apresentações do ORGÍA)
Atenção: É necessário que os atores selecionados tenham disponibilidade integral nos horários mencionados durante os 06 dias de oficina. Faltas ou atrasos implicarão na não participação dos atores na atividade.
ATENÇÃO 2: Faz-Se Necessário Anexar 2 Fotos do Candidato.
Perfil do público: Atores do sexo masculino maiores de 18 anos.
Número de vagas: 12 vagas.
Recomendações aos participantes: Os participantes devem levar protetor solar, roupas leves, aparelho celular com bluetooth e fone de ouvido. Atividade realizada ao ar livre.
Gratuita. Inscrição via formulário até o dia 28 de abril de 2017 https://www.tremafestival.com.br/oficinas-e-debates.

OFICINA 3
O CORPO EXPRESSIVO Masterclass de movimento

com André Braga (PORTUGAL)
Dias 04 de maio | Teatro Barreto Júnior | 15h às 17h
Duração: 2 horas Público alvo: profissionais ou estudantes de artes performativas.
Número de vagas: 20 vagas.
Gratuita. Inscrição via formulário abaixo até o dia 28 de abril de 2017
https://www.tremafestival.com.br/oficinas-e-debates.

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MITpb celebra cena pernambucana

Mostra este ano será realizada em Sousa e Cajazeiras, no Sertão da Paraíba

Mostra este ano será realizada em Sousa e Cajazeiras, no Sertão da Paraíba

A MITpb – Mostra Internacional de Teatro da Paraíba parece seguir as notas da canção de Milton Nascimento quando diz que “todo artista tem de ir aonde o povo está”. Se a primeira versão ocorreu em João Pessoa, a segunda se espalhou do litoral ao Sertão, da capital paraibana, para Campina Grande, Guarabira, Alagoa Grande, Patos, Sousa e Cajazeiras. A terceira edição, mais reduzida, finca os holofotes nas cidades de Sousa e Cajazeiras, no Sertão paraibano, para celebrar a cena pernambucana, com um programa que ocorre entre 25 a 30 de abril.

O coordenador da mostra, Luciano Santiago, escolheu cinco produções para traçar um pequeno mosaico do que é feito em Pernambuco: h(EU)stória – O Tempo em Transe, sobre o cineasta Glauber Rocha, o infantil Chico e Flor Contra os Monstros na Ilha do Fogo, e os três monólogos – O Velho Diário da Insônia, A Receita e O Mascate, a Pé Rapada e os Forasteiros. O jornalista e pesquisador Leidson Ferraz irá falar sobre a história do Teatro Pernambucano. Todas as atividades são gratuitas.

A abertura e atração internacional cabe ao Bonequeiro Ernesto Franco do grupo uruguaio Títeres Del Timbó. Ele vai defender dois espetáculos : Ladrón de Lechugas, na abertura em Sousa, e Historias de Un Circo En La Lona, no encerramento, na cidade de Cajazeiras.

Daqui para frente, a MITpb pretende homenagear outros estados e também pisar em outros solos do Nordeste. A 3ª MITpb tem o patrocínio do Banco do Nordeste, através do edital de Patrocínios Culturais de 2016.

PROGRAMAÇÃO

25/04 – 19h30

Ladrón de Lechugas, espetáculo do Uruguai abre a mostra em Souza

Ladrón de Lechugas, espetáculo do Uruguai abre a mostra na cidade de Sousa

Ladrón de Lechugas (Títeres del Timbo/ Uruguai)
Espetáculo de títeres de mesa. Um velho resiste numa chácara e é ameaçado por um insólito ladrão de verduras. Realidade ou devaneio do agricultor?
Dramaturgia, direção e produção: Títeres del Timbó
Duração: 45 min
Classificação etária: Livre
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

26/04 – 19h30

Alessandro Moura atua, dirige e assina a dramaturgia de O Velho diário da insônia

Alessandro Moura atua, dirige e assina a dramaturgia de O Velho diário da insônia

O Velho Diário da Insônia (GITA – Grupo Independente de Teatro Alternativo/ Recife – PE)
Alessandro Moura expõe histórias de sua infância e adolescência em Goiás. Numa noite de insônia, um homem medita sobre o tempo, o abandono e a velhice.
Encenação, Texto e Interpretação: Alessandro Moura
Supervisão Cênica: Márcia Cruz
Participação especial: Talles Ribeiro
Desenho de luz: Fábio Calamy
Duração: 45 minutos
Classificação etária: 14 anos
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

27/04 – 19h30

Márcio Fecher e Júnior nos embates pelo pensamento de Glauber Rocha

Márcio Fecher e Júnior Aguiar nos embates pelo pensamento de Glauber Rocha

h(EU)stória – O Tempo Em Transe (Coletivo Grão Comum/ Recife – PE)
A partir das cartas trocadas entre o cineasta baiano Glauber Rocha e o poeta Jomard Muniz de Britto a peça expõe o estado febril de um artista que perscrutou o Brasil.
Elenco: Márcio Fecher e Júnior Aguiar
Encenação e roteiro: Júnior Aguiar
Operador de luz e áudio: Felipe Silva
Música original: Geraldo maia, Juliano Muta e Leonardo Villa Nova
Áudios: Glauber Rocha (programa abertura), Marisa Santanafessa (italiano) e Darcy Ribeiro (enterro de Glauber – Filme Glauber o filme – labirinto do Brasil), Trecho dos filmes Deus e o diabo na terra do Sol e Terra em Transe
Audiovisual: Gê carvalho
Desenho dos figurinos: Asaías Lira
Identidade visual: Arthur Canavarro
Diretor de produção: Márcio Fecher
Produção executiva: Andrezza Alves
Classificação etária: 18 anos
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

28/04 – 19h30

A Receita é um solo com Naná Sodré. Foto: Fernando Azevedo

A Receita é um solo com Naná Sodré. Foto: Fernando Azevedo

A Receita (O Poste Soluções Luminosas/ Recife – PE)
Uma mulher em processo de libertação. Depois de anos, décadas de opressão, entre a cozinha e a servidão, a protagonista se rebela.
Texto, direção, iluminação, sonoplastia e Figurino: Samuel Santos
Duração: 40 min
Atuação, Maquiagem, Figurino: Naná Sodré
Fotografias: Thaís Lima
Produção: O Poste Soluções Luminosas
Classificação etária: 15 anos
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

29/04 – 14h

Jornalista e pesquisador Leidson Ferraz. Foto: Ivana Moura

Jornalista e pesquisador Leidson Ferraz. Foto: Ivana Moura

PALESTRA
Leidson Ferraz (Pesquisador e jornalista)
Histórias contadas e cantadas do Teatro Pernambucano.
Classificação etária: Livre
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

29/04 – 16h

Chico e Flor. Foto Rubens Henrique / Divulgação

Chico e Flor, espetáculo infantil de Petrolina (PE). Foto Rubens Henrique / Divulgação

Chico E Flor Contra os Monstros Na Ilha do Fogo (Cia Biruta/ Petrolina-PE)
Esse barqueiro conhece bem o São Francisco. Ele sonha em reencontrar os pais que sumiram numa viagem de barco. E terá que enfrentar e destruir os monstros na Ilha do Fogo.
Atuação direção, texto e concepção de cenário e formas animadas: Antonio Veronaldo
Atuação e criação de figurinos: Juliene Moura
Criação de figurinos, adereços e formas animadas: Paulo Júnior
Criação de trilha sonora e efeitos de sonoplastia: Moesio Belfort e Carlos Hiury 
Criação de luz: Carlos Tiago Alves Novais 
Produção executiva e apoio técnico: Cristiane Crispim 
Concepção de cenário e arte gráfica: Uriel Bezerra  
Execução de luz: Deborah Harummy 
Contrarregra e comunicação em mídias alternativas: Camila Rodrigues
Contrarregra e apoio técnico: Letícia Rodrigues
Classificação etária: Livre
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

29/04 – 19h30

Diógenes D. Lima transforma Recife e Olinda em personagens

Diógenes D. Lima transforma Recife e Olinda em personagens

O Mascate, a pé rapada e os Forasteiros (Cia. De Teatro Cínicas com Objetos/ Recife – PE)
Teatro de Objetos com Diógenes D. Lima traça uma crítica/celebração à trajetória de Olinda e Recife com muito humor.
Texto e Atuação: Diógenes D. Lima
Supervisão Artística: Marcondes Lima e Jaime Santos
Coreografias: Jorge Kildery
Adereços: Triell Andrade e Bernardo Júnior
Iluminação: Jathyles Miranda
Execução de Iluminação: Rodrigo Oliveira
Execução de sonoplastia: Júnior Melo
Programação Visual: Arthur Canavarro
Fotografia: Ítalo lima, Toni Rodrigues, Sayonara Freire e Sócrates Guedes
Cenotécnico: Gustavo Oliveira
Assessoria de impressa: Cleyton Cabral
Gerente de Produção: Luciana Barbosa
Gênero: Comédia
Duração: 60 mim
Classificação etária: 16 anos
Local: Centro Cultural Banco do Nordeste – Sousa

30/04 – 19h30

Historias de Un Circo En La Lona (Títeres del Timbo/ Uruguai)
Aventuras de Zipo (aspirante a palhaço) e Sopa (proprietário do circo) que tocam um circo que está sempre à beira da ruína. Homenagem ao circo e artistas de rua do continente sul-americano.
Dramaturgia, Direção e Produção: Títeres del Timbó
Bonequeiro: Ernesto Franco
Duração: 45 min
Classificação etária: Livre
Apresentação especial na Cidade de Cajazeiras

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É urgente ouvir Paulo Freire

Daniel Barros e Júnior Aguiar atuam em Paideia

Daniel Barros e Júnior Aguiar atuam em pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação

A pedagogia de Paulo Freire para alfabetizar adultos com consciência foi recebida como uma arma mortífera pela ditadura militar brasileira. Seu método defende que “não basta saber ler que Eva viu a uva. É preciso compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho”.

E foi com esse intuito que, em 1963, 300 trabalhadores foram alfabetizados em 40 horas, no município de Angicos (RN). Uma ação revolucionária que ficou conhecida como “Método Paulo Freire” e passou a inspirar o pensamento pedagógico em outros países. Mas no Brasil o programa não durou muito. Menos de três meses depois, já sob o regime militar, a iniciativa foi extinta. A proposta foi considerada subversiva pelos militares e Paulo Freire ficou encarcerado no 14º Regimento de Infantaria, no Recife.

Foram 72 dias na prisão. Certa vez, um capitão do presídio lhe fez o pedido de aplicar o método para os recrutas, pois disse que havia muitos analfabetos entre eles. Ao que o educador respondeu que era exatamente por conta do método que estava ali.
paideia22a

pa(IDEIA) – Pedagogia da Libertação trata da prisão do educador no Recife, seu exílio por 16 anos pela América Latina, Europa e África e narra suas experiências na volta ao Brasil. É o segundo espetáculo da Trilogia Vermelha, do Coletivo Grão Comum / produtora Gota Serena. A primeira é h(EU)stória – o tempo em transe, com foco em Glauber Rocha; e a terceira – pro(FÉ)ta – O bispo do povo – vai visitar a trajetória de Dom Helder Camara.

Os atores Daniel Barros e Júnior Aguiar protagonizam esse espetáculo político, que defende a educação como canal de mudança da humanidade. O espetáculo faz uma sessão hoje (22), no Espaço O Poste, às 20h.

A peça parte de uma longa declaração prestada por Paulo Freire em 01/07/1964 e registrada no inquérito. O pedagogo narra sua trajetória acadêmica e, principalmente, sua posição no mundo como ser crítico, reflexivo e atuante. No espetáculo, a plateia integra uma grande sala de aula. A montagem também utiliza áudios de depoimentos como o do ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes.

A prática dialética defendida por Paulo Freire nos mais de 40 livros salvou milhões da alienação.
A atual situação da educação brasileira, com os constantes retrocessos promovidos pelo presidente catapultado por um golpe e seus asseclas – como a reforma do ensino médio feita sem consulta à sociedade – mostram a necessidade urgente de ouvir a voz de Paulo Freire. Ele que tanto lutou pelo diálogo, pelo caráter democrático da educação.

Em 2009, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça considerou o educador pernambucano como anistiado político, com pedido de desculpas oficiais pelos erros cometidos pelo Estado contra ele. No ano passado, o governo golpista de Temer tentou manchar o nome do educador com algumas manobras na biografia de Paulo Freire. Ficamos com uma frase do pedagogo: “Num país como o Brasil, manter a esperança viva é em si um ato revolucionário.”

 Ficha Técnica

pa(IDEIA) – pedagogia da libertação

Atores: Daniel Barros e Júnior Aguiar
Pesquisa, Roteiro, Encenação e Iluminação: Júnior Aguiar
Música Original: Juliano Muta, Leonardo Vila Nova e Tiago West. Com participações de Glauco César II, Aline Borba, Otiba, Geraldo Maia, Paulo Marcondes, Rodrigo Samico, Publius, Hugo Linnis e Amarelo
Operação de áudio e luz: Roger Bravo
Identidade Visual do cartaz: Arthur Canavarro
Terapeuta Corporal: Mônica Maria
Maquiadora: Luanna Barbosa
Vídeo: Ricardo Maciel
Teaser: Nilton Cavalcanti
Fotografias:  Rogério Alves, Amanda Pietra e Diego di Niglio
Idealização e Produção Geral: Coletivo Grão Comum e Gota Serena
Parceiros e Colaboradores: Márcio Fecher (Gota Serena), Asaías Lira (Zaza), Ingrid Farias, Alexandra Jarocki, Amanda Cristal, Isabelle Santos, Daniel Fialho, Charles Firmino, Jeferson Silva, Quiercles Santana, Rafael Amâncio, Espaço Cênicas, Centro Apolo-Hermilo, Teatro Arraial Ariano Suassuna, Galeria MauMau – Sala Monstro.

Serviço

PA(IDEIA) – PEDAGOGIA DA LIBERTAÇÃO

Quando: 22 de abril (sábado), às 20h
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia)
Informações: (81) 9 8484-8421

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Arte ambiciosa de Glauber Rocha

Junior Aguiar e Márcio Fecher em H(Eu)Stória - O Tempo Em Transe

Junior Aguiar e Márcio Fecher em H(Eu)Stória – O Tempo Em Transe

O espetáculo h(EU)stória – o tempo em transe emana de um movimento de intimidade – as cartas entre Glauber Rocha e o intelectual pernambucano Jomard Muniz de Britto – para traçar um perfil do cineasta projetado no mapa do Brasil (e do mundo) de um determinado período. Com atuações dos atores Júnior Aguiar e Márcio Fecher, a encenação investiga as feridas e decepções do mentor do Cinema Novo. A peça não dá conta de todas as complexidades dessa figura patrulhada tanto pela direita como pela esquerda brasileira. A visão apocalíptica de mundo fez Glauber se consumir em seu próprio fogo, como constatou o poeta Ferreira Gullar.

A montagem, do Coletivo Grão Comum em conjunto com a produtora Gota Serena, é a primeira parte da Trilogia Vermelha. As outras duas encenações celebram Paulo Freire (Pa(Ideia) – Pedagogia Da Libertação) e Dom Helder Camara (com estreia prevista para 2018). h(EU)stória – o tempo em transe tem sessão nesta sexta-feira (21) na sede do coletivo O Poste, na Boa Vista. Amanhã, sábado (22), será exibido Pa(Ideia) – Pedagogia Da Libertação.

No fundo a peça fala do Brasil e tem muito a dizer sobre os dias atuais

No fundo a peça fala do Brasil e tem muito a dizer sobre os dias atuais

Os atores recebem o público oferecendo o tchai (bebida indiana) na entrada do local da apresentação. Os incensos e o altar-oferenda salientam o tom apocalíptico e profético do protagonista. Os dois começam a peça vestidos de branco e fazem as oferendas no altar dos santos protetores para contar o percurso revolucionário do menino nascido em 14 de março de 1939, às 3:40, em Vitória da Conquista. E que morreu em 22 de agosto de 1981.

Sabemos que a cabeça de Glauber fervilhava de ideias e seu cinema foi nutrido por discursos políticos incendiários, que suas ações desafiaram o poder estabelecido no Brasil. O artista criticou, em algum momento da vida, tanto a direita quanto a esquerda. Seu pensamento e suas ações eram complexas.

O espetáculo faz opções. E não expõe todas as facetas de Glauber. Algum elogio feito aos militares na época da ditadura não são citados na peça. Creio que mais do que não revelar as incoerências desse que é considerado o gênio do cinema brasileiro, a intenção me parece de amplificar a fragilidade humana em sua intimidade, seus conflitos internos e suas dores de se sentir incompreendido e mal interpretado.

A peça expora os arroubos de Glauber, como por exemplo os insultos proferidos durante o Festival de Veneza contra o o francês Louis Malle, para quem perdeu com A Idade da Terra o Leão de Ouro. Mas a montagem não se preocupa em reproduzir as várias versões da verdade ou do fato jornalístico, com seus “inúmeros” lados. É Glauber e suas motivações, ferido e com a carne exposta que vemos.

A dupla materializa as angústias e desejos do cineasta baiano num espetáculo-manifesto, com alta dose de emoção. Prolixo, até barroco, às vezes exagerado, é uma encenação de uma potência singular para pensar o Brasil de ontem e de hoje.

Ficha Técnica

h(EU)stória – o tempo em transe

Atores: Júnior Aguiar e Márcio Fecher
Pesquisa, Roteiro, Encenação e Iluminação: Júnior Aguiar
Música Original: Juliano Muta, Leonardo Vila Nova e Geraldo Maia
Audiovisual: Gê Carvalho Galego e Márcio  Fecher
Operação de áudio e luz: Felipe Hellslaught
Identidade Visual do cartaz: Arthur Canavarro
Terapeuta Corporal: Mônica Maria
Maquiadora: Luanna Barbosa
Vídeo: Ricardo Maciel
Fotografias: Arthur Canavarro, Filipe Mendes (Bugiu), Igor Souto e Moacir Lago
Idealização e produção geral: Coletivo Grão Comum e Gota Serena
Parceiros e Colaboradores: Daniel Barros, Asaías Lira (Zaza), Ingrid Farias, Quiercles Santana, Samarah Mayra, Marisa Santanafessa, Soraya Silva, Rebeka Barros, Espaço Cênicas, Centro Apolo-Hermilo, Teatro Arraial Ariano Suassuna.

pa(IDEIA) – pedagogia da libertação

Atores: Daniel Barros e Júnior Aguiar
Pesquisa, Roteiro, Encenação e Iluminação: Júnior Aguiar
Música Original: Juliano Muta, Leonardo Vila Nova e Tiago West. Com participações de Glauco César II, Aline Borba, Otiba, Geraldo Maia, Paulo Marcondes, Rodrigo Samico, Publius, Hugo Linnis e Amarelo.
Operação de áudio e luz: Roger Bravo
Identidade Visual do cartaz: Arthur Canavarro
Terapeuta Corporal: Mônica Maria
Maquiadora: Luanna Barbosa
Vídeo: Ricardo Maciel
Teaser: Nilton Cavalcanti
Fotografias: Rogério Alves, Amanda Pietra e Diego di Niglio
Idealização e Produção Geral: Coletivo Grão Comum e Gota Serena
Parceiros e Colaboradores: Márcio Fecher (Gota Serena), Asaías Lira (Zaza), Ingrid Farias, Alexandra Jarocki, Amanda Cristal, Isabelle Santos, Daniel Fialho, Charles Firmino, Jeferson Silva, Quiercles Santana, Rafael Amâncio, Espaço Cênicas, Centro Apolo-Hermilo, Teatro Arraial Ariano Suassuna, Galeria MauMau – Sala Monstro.

Serviço:

H(EU)STÓRIA – O TEMPO EM TRANSE
Quando: 21 de abril (sexta), às 20h
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia)
Informações: (81) 9 8484-8421

PA(IDEIA) – PEDAGOGIA DA LIBERTAÇÃO
Quando: 22 de abril (sábado), às 20h
Onde: Espaço O Poste (Rua da Aurora, 529, Boa Vista)
Quanto: R$ 30 e R$ 15 (meia)
Informações: (81) 9 8484-8421

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